MANUAL PARA OS TÉCNICOS
UMA ESCOLHA
DE FUTURO
EMPREENDEDORISMO
E CAPACITAÇÃO DOS JOVENS
Ferramenta Transversal ao Programa Escolhas para
Desenvolvimento de Competências Empreendedoras nos Jovens
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
UMA ESCOLHA
DE FUTURO
EMPREENDEDORISMO
E CAPACITAÇÃO DOS JOVENS
Desenvolvido para o Programa Escolhas por
Ficha Técnica
EDIÇÃO
Programa Escolhas
COORDENAÇÃO DA EDIÇÃO
Pedro Calado, Tatiana Gomes
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDOS
Dana T. Redford
AUTORES
Dana T. Redford, Paulo Osswald, Mariana Negrão, Lurdes Veríssimo
COLABORARAM NA REVISÃO
Ângela Lopes, Filipa Matos, Joana Castro, Júlia Santos
DESIGN E PAGINAÇÃO
www.formasdopossivel.com
ISBN
978-989-97102-1-4
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
PREFÁCIO
ROSÁRIO FARMHOUSE
Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural
e Coordenadora Nacional do Programa Escolhas
EMPREENDER PARA CHEGAR MAIS ALÉM
O empreendedorismo, a inovação e a criatividade são instrumentos fundamentais na criação de
riqueza, que deverão ser incentivados, principalmente nestes momentos difíceis, de profunda
crise económica e social que o mundo de hoje atravessa.
A criação de riqueza colectiva tanto pela produção de bens e serviços como pela melhoria da sua
qualidade são a condição chave para um combate sustentado à pobreza. A solidariedade social na
distribuição da riqueza produzida é a forma de combater a exclusão social.
Uma atitude enérgica e criativa, aproveitando todas as oportunidades para a formação, capacitação e educação dos jovens, e assim valorizar os recursos humanos de que Portugal dispõe é, sem
qualquer dúvida, a Escolha certa face à crise que atingiu fortemente a economia internacional e
também o nosso país.
É neste combate que estamos envolvidos na 4ª geração do Programa Escolhas. É por isso que
surge o Manual de Empreendedorismo. Um projecto levado a cabo em parceria com a Universidade Católica do Porto, através do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada.
Esta ferramenta pedagógica que se constitui num manual de aprendizagem é simultaneamente
dirigido a técnicos e jovens e visa o desenvolvimento de competências empreendedoras a nível pessoal, social e profissional. O objectivo da construção desta ferramenta prende-se com a
tentativa de incentivar os jovens a estruturar e implementar um projecto de vida, visando a sua
autonomia e participação cívica. Tem assim, a dupla utilização, quer pelos técnicos como instrumento formativo, quer pelos jovens, enquanto motor de desenvolvimento das suas competências
empreendedoras.
É nos momentos de crise que a criatividade e a inovação podem crescer. Ter uma atitude empreendedora, transformando as dificuldades em oportunidades é o que queremos proporcionar aos
nossos jovens Escolhas, através das aprendizagens que este manual tem, com a ajuda preciosa
dos técnicos e técnicas que os irão acompanhar.
Caberá a cada jovem e também a cada técnico, investir o seu esforço pessoal evitando qualquer
desperdício das oportunidades criadas.
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NOTAS PRÉVIAS
AOS TÉCNICOS E ANIMADORES
SOBRE O EMPREENDEDORISMO
1. O empreendedorismo recorre a características inerentes ao processo de capacitação pessoal
e social que se revelam essenciais para o desenvolvimento pessoal e integração social, para além
de potenciar a criatividade e inovação, a capacidade de intervenção e de adaptação à evolução e
portanto a capacidade de fazer uso mais eficiente dos recursos, com consequências importantes
a nível de cidadania, a nível social e económico. É por isso considerado pela Comissão da UE
como competência chave para o crescimento, emprego e realização pessoal2 e uma característica essencial a recuperar e fomentar na formação de jovens, conforme a agenda resultante da
Conferência de Oslo.
2. Embora frequentemente associado essencialmente à inovação económica e empresarial, o
empreendedorismo requer uma mentalidade comum e igualmente necessária à inovação social
e cívica. O âmbito de aplicação desta ferramenta, destinada a jovens entre os 14 e os 24 anos,
mantém esse espectro largo de aplicação.
3. Por vezes pensa-se que o empreendedorismo social pode ser menos rigoroso que o empreendedorismo empresarial; como se tivesse mais a ver com as pessoas sentirem-se bem do que
fazerem bem. No entanto, a necessidade de inovação é tão grande numa área como na outra e a
escassez de meios requer que sejam bem empregues, tanto num caso como no outro3.
SOBRE OS PÚBLICOS
4. Esta ferramenta foi pensada, no âmbito do Programa Escolhas, como uma ferramenta transversal, para desenvolvimento de competências empreendedoras de jovens entre os 14 e os 24
anos. Os grupos de jovens existentes nas comunidades onde são promovidos os projectos, constituídos por indivíduos com maturidades, competências e apetências diferentes, e as próprias comunidades, com características próprias, potenciais e constrangimentos diferentes, são a razão
de ser desta ferramenta.
5. Como tal, a ferramenta pretende servir para aplicação a públicos muito diferentes e foi estruturada de modo flexível, para atender aos contextos e casos pessoais. Para os indivíduos e
grupos mais estruturados e/ou mais motivados, a ferramenta deverá servir até à preparação de
um projecto empresarial ou de auto-emprego ou ainda de empreendedorismo social. Para os
indivíduos e grupos com menos motivação empreendedora, a ferramenta servirá, no mínimo,
para desenvolver competências de integração social, comunicação, valorização pessoal e para
desenvolvimento de redes sociais.
2 Comunicação de 13.2.2006 da Comissão ao Conselho, ao Parlamento Europeu, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões “Aplicar o
Programa Comunitário de Lisboa: Promover o espírito empreendedor através do ensino e da aprendizagem”
3 Importa aqui referir que empreendedorismo social é a introdução de princípios e ferramentas de gestão em organizações que têm fins sociais de forma a tornar
as mesmas mais sustentáveis, reinvestindo os “lucros” na organização para prossecução da sua missão de forma a não confundir o conceito com actividades
sociais ou só porque é realizado junto de contextos vulneráveis. O empreendedorismo social e colectivo, produz bens e serviços para a comunidade, tendo o seu
foco na procura de soluções para os problemas sociais e visa resgatar pessoas da situação de risco social e promovê-las, tendo como medida de desempenho
o impacto social. O empreendedorismo empresarial é individual e voltado à produção de bens e serviços para o mercado e visa satisfazer as necessidades dos
clientes e ampliar as potencialidades do negócio, tendo como medida de desempenho, o lucro.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
6. Não são requeridas competências formais específicas ao público-alvo, embora competências
de comunicação, de escrita, de cálculo, de literacia informática possam ajudar bastante no seu
desenvolvimento.
7. Sugere-se que os técnicos não limitem à partida o âmbito e espectro da aplicação da ferramenta em função de um julgamento de competências do seu público potencial: as competências empreendedoras são essencialmente pessoais e podem surgir onde menos se espera e onde menos
condições se julgava ter para isso. Recomenda-se que aproveitem a flexibilidade da ferramenta e
a apliquem como um jogo aberto.
8. Será um factor chave do sucesso da formação a promoção de um ambiente acolhedor, em que
os jovens se sintam integrados, aceites e respeitados.
9. Admite-se que a maior diferenciação nos resultados de aplicação da ferramenta possa advir da
maturidade do grupo e dos seus elementos. Para os mais novos, a capacitação pessoal nas primeiras 4 unidades poderá constituir um objectivo em si, que preenche com sentido a sua participação na actividade; outros, mais velhos, poderão esperar obter algo de mais concreto com vista
à estruturação de um projecto com continuidade ou à criação de auto-emprego, com a unidade 5.
SOBRE ESTA FERRAMENTA
10. O objectivo geral desta ferramenta é a capacitação dos participantes para atitudes empreendedoras, através de três vectores complementares:
• na área de capacitação pessoal, através do desenvolvimento das competências de autonomia,
de auto-confiança, responsabilidade e avaliação de risco, que permitam ao jovem o estabelecimento de objectivos e a construção de um plano de vida
• na área da capacitação social, através do desenvolvimento de competências de comunicação
e de trabalho em equipa, que permitam maior interacção e integração do jovem na comunidade e
colaboração e participação activa com os seus pares
• na área da construção e planeamento de projectos , através do desenvolvimento da análise de
oportunidades, de estruturação de propostas, de avaliação, de decisão e de execução, que permitam um melhor desempenho profissional, quer no desempenho das funções laborais e/ou na
criação de uma resposta profissional (auto-emprego).
11. As atitudes empreendedoras são úteis em todas as circunstâncias da vida e valorizam qualquer jovem. Isso não quer dizer que se espere que a maior parte dos participantes neste projecto
venham a desenvolver uma actividade por sua conta e risco. O êxito do projecto está na capacitação pessoal.
12. Com o objectivo de incentivar o empenhamento dos jovens no desenvolvimento dos seus projectos, deve ser tornado claro, desde os primeiros contactos, que existe uma única oportunidade
de fazer o projecto no Programa Escolhas. O técnico deve ainda considerar se pode dispor de
outros meios eficazes para incentivar o compromisso dos alunos no prosseguimento dos seus
projectos. A ferramenta perde a eficácia se for entendida como um passatempo ou um meio de
adiar decisões.
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SOBRE OS FORMADORES:
13. A ferramenta pressupõe a aplicação a grupos de participantes, orientada por técnicos e
animadores. Pressupõe-se que os próprios técnicos e animadores se sintam confortáveis com o
tema do empreendedorismo e que desenvolvam as competências empreendedoras referidas no
manual, de forma a se constituírem como modelo para os jovens.
14. O perfil do técnico é um aspecto essencial. O técnico deve ser sensível, auto-regulado, estabelecer relações pedagógicas securizantes, comunicar de forma clara e entusiasta. É fundamental que possua competências de dinamização e motivação de grupos juvenis, bem como
competências de motivação e gestão necessárias ao trabalho em equipa.
15. O técnico deve ter em conta as especificidades de cada formando e cada grupo. Deve ter
cuidado com as relações previamente estabelecidas com os formandos, para que não surjam
enviesamentos na atenção e valorização dada a cada participante.
16. O técnico é responsável pelo planeamento antecipado da sessão, de forma a seleccionar as
actividades mais relevantes e produtivas, tendo em conta os objectivos e o grupo em questão.
Essa preparação inclui também a identificação e preparação de contactos externos. É desejável
que o técnico tenha formação prévia na aplicação desta ferramenta, nomeadamente experienciando ele próprio as tipologias de actividades propostas com que não estava familiarizado. Com a
experiência pessoal de algumas actividades que implicam contactos poderá verificar que o tempo
de programação é mais longo mas que os contactos são muito mais frutíferos do que poderia
parecer.
17. Cada sessão proposta tem objectivos específicos e várias actividades que concorrem para o
seu cumprimento. Para ajudar a compreender o fio condutor e intencionalidade das actividades
e a integrar os objectivos da sessão, o técnico deve explicitar a relação das actividades com os
objectivos dos temas. No final de cada sessão, deve fazer uma súmula dos aspectos mais importantes trabalhados:
• As actividades que fizemos hoje foram….
• Essas actividades permitiram-nos compreender que…
• Isto é importante para o empreendedorismo porque…
Este aspecto é muito importante para a integração e deve ser reforçado por meios gráficos, nomeadamente, se possível, pela projecção de uma ficha em que cada ponto é introduzido sequencial e pausadamente.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DESTA FERRAMENTA
18. Trabalho em grupo – Grande parte das propostas de actividades em sala e no exterior pressupõem o trabalho em grupo e a formação de equipas estáveis. O técnico deve ter em atenção,
ao longo de todas as sessões, o fomento do trabalho em equipa, a identificação de objectivos
comuns, a co-responsabilidade e complementaridade.
19. Aplicação das sessões propostas – O processo empreendedor contém uma fase de criatividade, de estruturação de ideias e de teste de propostas, que tem características iterativas: são
propostas hipóteses, que são testadas e que conduzem a novas hipóteses. Esta fase é tratada nas
unidades 3 e 4. Uma vez validada a proposta, segue-se uma fase de estruturação do projecto e da
sua execução, que é desenvolvida na unidade 5. Quer isto dizer que a unidade 5 só se torna necessária depois de uma fase 4 com sucesso na validação da ideia. Na aplicação desta ferramenta
os técnicos deverão avaliar, no final da unidade 4, se cada grupo identificou já uma proposta
viável, que deva ser estruturada com vista à sua execução, e se o grupo demonstra capacidade e
motivação para o fazer; caso considere que a proposta não é viável ou o grupo não mostre a motivação necessária, deverá considerar se, para a formação e motivação dos elementos do grupo,
é mais construtivo retomar o processo iterativo das unidades 3 e 4, ou prosseguir para a unidade
5 apenas como objectivo formativo. A estrutura da ferramenta e esta alternativa são ilustradas
na figura da página seguinte.
20. Manuais – A ferramenta é explicitada neste Manual para os Técnicos e é complementada
com o Manual para os Jovens. O Manual para os Jovens foi pensado para ser distribuído aos
jovens na sessão de enquadramento e pretende ser simultaneamente um conjunto de fichas para
facilitar o desenvolvimento de actividades e uma agenda de que os alunos se apropriem para
registar as suas descobertas ao longo do processo. Poderá ser tomado como indicador do êxito
do projecto o número de jovens que fazem de facto essa apropriação e que trazem o Manual consigo. Sempre que o técnico considerar mais adequado guardar os manuais dos alunos no local da
reunião, deve ter em atenção a necessidade de uma alternativa de lembretes para as actividades
a desenvolver entre sessões.
SOBRE AS ACTIVIDADES INTERMÉDIAS
21. Actividades intermédias – Este manual propõe um conjunto de actividades que desenvolvem
atitudes básicas de empreendedorismo, que se propõe introduzir e desenvolver continuadamente
ao longo das sessões, nomeadamente:
• (D)esenvolve competências - estabelece e alcança melhorias pessoais
• (I)nterliga - desenvolve e mantém uma rede de relacionamentos
• (C)ontrola a inovação - conhece, adopta e acrescenta à inovação
• (A)ctua e comunica eficazmente
Estas actividades devem ser desenvolvidas individualmente pelos participantes ao longo da semana. Para mais fácil rememoração são referidas pelo acrónimo DICA (desenvolve/interliga/
controla/actua).
Para além das actividades DICA, de desenvolvimento individual, são também propostas actividades para os participantes desenvolverem em grupo durante a semana.
Todas estas actividades são centrais para a motivação dos alunos e para a aquisição e
consolidação de competências. Será fundamental que o técnico crie condições para que estas
actividades se realizem, monitorizando e reforçando de forma individualizada. Ao aluno que considerar que não necessita de se envolver nestas actividades deve ser feito notar que está a perder
a aprendizagem fundamental do programa e a comprometer o êxito do grupo.
UNIDADE 01 |
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O diagrama seguinte mostra o desenvolvimento do processo:
ACTIVIDADES
DICA
desenvolve: estabelece e alcança melhorias pessoais
interliga: desenvolve e mantém uma rede de relacionamentos
controla e compreende a inovação
actua e comunica eficazmente
UNIDADE 01
(2 sessões)
COMO É QUE TE ENCAIXAS?
UNIDADE 02
(2 sessões)
CONHECE A TUA COMUNIDADE
UNIDADE 03
(2 sessões)
IDEIAS & PROJECTOS
UNIDADE 04
Não
(2 sessões)
FAZ O TESTE À TUA IDEIA
VIABILIDADE DA IDEIA
Sim
UNIDADE 05
(5 sessões)
VAMOS LÁ PASSAR À PRÁTICA
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
22. Seguimento das actividades intermédias – As actividades DICA, sendo desenvolvidas individualmente, requerem um seguimento igualmente individual pelo técnico, especialmente nas
primeiras sessões, relativamente ao entendimento dos seus objectivos, à adequação às necessidades de cada um e a um esforço de progressão. A actividade de desenvolvimento de competências pessoais é recorrente e deve evoluir de sessão para sessão em termos de objectivos.
As actividades em grupo requerem o seguimento com o grupo, relativamente à coordenação e
participação de todos os elementos do grupo, ao planeamento das acções, ao prosseguimento dos
objectivos, à análise dos resultados e às decisões seguintes.
Note-se que não foi previsto na programação das sessões um espaço para este seguimento, que
se pretende seja feito fora do horário das sessões.
23. Lembretes – É muito importante a aquisição de hábitos de autonomia na responsabilização
pelas tarefas a desenvolver. Para o efeito as actividades DICA e as actividades em grupo para
cada semana devem ser apontadas no caderno do aluno. Se o técnico considerar mais adequado
manter os cadernos dos alunos no local das reuniões durante a semana, deverá propor uma folha
adequada aos alunos no final de cada sessão para eles apontarem as tarefas a desenvolver e os
compromissos assumidos com o grupo, ou um meio alternativo (p.ex. lembretes recorrentes no
telemóvel).
24. Duração da formação – Esta ferramenta apresenta assim um conjunto de 13 sessões a
desenvolver com os jovens, necessárias para apreensão e desenvolvimento de competências
empreendedoras. As primeiras 8 sessões visam, conforme referido em cima, o estímulo e desenvolvimento de competências pessoais e sociais que possibilitam a estruturação de ideias e dos
meios para a sua potencial concretização; as 5 sessões seguintes já pressupõem a criação de um
projecto mais estruturado, sendo os jovens responsáveis pelo seu desenvolvimento e avaliação.
Prevê-se que este processo de formação se realize em sessões semanais, com uma duração de
cerca de três meses e meio. Cada sessão deverá ter uma duração de 90 a 120 minutos, ajustável
em função do número de participantes.
25. Utilização de meios audiovisuais do projecto – Para a execução das actividades propostas,
são necessárias competências de comunicação e de pesquisa. Assume-se que essas competências são trabalhadas complementarmente pelos técnicos e que os meios para as por em pratica
estão disponibilizados nos locais de implementação dos projectos. Nomeadamente para a sessão
10, mas já antes, é muito útil que o formando possa visionar as suas intervenções (quando apresenta um projecto) para entender melhor o que corrigir na sua comunicação. Uma câmara de
computador será uma boa solução.
26. Adaptação das actividades ao grupo – As actividades têm de ser adaptadas pelo técnico
ao grupo especifico com que trabalha, em função das idades, das motivações e da capacidade de
resposta. O manual deve ser entendido como ferramenta flexível e as actividades poderão sofrer
alterações, adaptações ou inclusive ser desconsideradas ou substituídas por outras se o técnico
responsável entender que isso vai de encontro a um melhor alcance dos objectivos por parte do
grupo em questão. O manual pretende referenciar uma mentalidade e um conjunto de competências que são fundamentais no empreendedorismo e apresenta propostas para apropriação
das mesmas. Cabe ao técnico desenvolver as propostas para mais adequadamente comunicar as
ideias e estimular a sua experimentação e adopção.
Observação . Os casos reais apontados no texto têm intuitos meramente exemplificativos, no
contexto pedagógico da sessão em que são situados, e não implicam qualquer outra valorização
ou a subscrição dos mesmos ou dos seus promotores, podendo ser substituídos por outros. É
aliás útil em qualquer processo de aprendizagem, e neste caso para as competências empreendedoras dos participantes, que se distinga, na análise de qualquer caso, as razões do seu sucesso
ou fracasso dos méritos e das simpatias que as ideias subjacentes possam suscitar.
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SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DESTA FERRAMENTA
27. Constituição dos Grupos – Pretende-se que a ideia empreendedora surgida no projecto seja
desenvolvida em grupo, por razões anímicas, de integração social e de complementaridade de
competências. Para o efeito deverão ser constituídos grupos de 3 a 4 elementos para todas as
actividades, sempre que não se indique especificamente que a actividade é individual ou envolve
todos.
28. Características dos grupos – É natural que nas primeiras sessões os grupos de trabalho dos
alunos se constituam espontaneamente, em função de uma percepção de “zona de conforto” dos
alunos relativamente aos outros elementos. O técnico terá em atenção a necessidade de ajustes
nessa constituição, em função de eventuais desistências ou divergências de objectivos pessoais,
e poderá incentivar a mudança de grupo em cada tarefa das primeiras sessões.
Pelas razões atrás apontadas, é desejável que a constituição do grupo evolua no sentido de os
elementos do grupo serem escolhidos não tanto pelas afinidades pessoais mas mais pela complementaridade de competências que potencie o projecto empreendedor. Na sessão 2 propõe-se uma identificação dessas competências individuais e nas sessões seguintes o técnico deve
aproveitar a rotação dos elementos pelos grupos para propor ajustamentos em função dessa
complementaridade. Terá como objectivo ter equipas coesas quando se atingir a unidade 4. Os
grupos devem entrar na unidade 5 com uma constituição definitiva.
SOBRE AS ACTIVIDADES DE INTEGRAÇÃO NA COMUNIDADE
29. Ligação à comunidade - Estão previstas uma série de actividades que envolvem interacção
com a comunidade, desde entrevistas a pessoas, pedidos de informação e de colaboração a
observação de trabalhos. Sendo desejável que os formandos desenvolvam a capacidade de identificar as pessoas certas e estabelecer os contactos, deverá o formador antecipadamente ter
pensado numa lista de pessoas de quem possa esperar colaboração e atitudes construtivas,
sem paternalismos. A entidade que promove o projecto, enquanto ligação à comunidade,
deve estar activamente envolvida nesta tarefa.
30. Acompanhamento familiar – É desejável que o ambiente familiar dos alunos valorize e apoie
o esforço de participação neste projecto, em especial nas actividades DICA que são executadas
fora do contexto e horário das reuniões.
Os familiares ou outros significativos devem ser postos ao corrente dos objectivos do projecto,
da oportunidade que representa, das actividades que envolve e da valorização que se pretende.
Essa comunicação poderá ser formalizada através de uma carta em que se pede a autorização
para a participação dos menores nas actividades previstas para além das reuniões. Pode ainda
ser formalizada através do convite dos significativos para assistirem à sessão 0.
A valorização e apoio familiar pode ainda ser incentivada através do convite para assistirem à
apresentação de trabalhos, ou outras ocasiões que o técnico considere adequadas.
31. Neste projecto parte-se do princípio que a inovação pode surgir através da intersecção de
ideias, conceitos e culturas. Durante o projecto os participantes vão experimentar realizar entrevistas informativas, e tomar contacto com noções de marketing pessoal. Vai-lhes ser pedido
que entrevistem um empreendedor e comuniquem os resultados dessa entrevista. O projecto
inclui o treino de competências e experiências empreendedoras básicas, independentemente de
a sua aplicação ser empresarial ou não, e focará especialmente como um empreendedor constrói
capital social.
32. O objectivo deste projecto é demonstrar que o empreendedorismo é uma opção de vida e
capacitar os participantes de que podem vir a ser empreendedores e poderão até já sê-lo.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ENSINÁ-LOS A PESCAR:
Educação e Formação em Empreendedorismo
para a Inclusão Social
1
O empreendedorismo constitui um importante motor de crescimento económico, de geração de
riqueza e bem-estar social e portanto, de promoção da inclusão social. O empreendedorismo é
uma predisposição, uma atitude mental, que pode desenvolver-se no seio de toda a sociedade em geral, não devendo ser limitada a um contexto empresarial. O empreendedorismo
combina assunção do risco, criatividade e inovação, com uma boa gestão, numa empresa
“start-up” ou numa organização já existente. Isto pode ocorrer em qualquer sector e/ou tipo
de negócio.
Na quarta geração do Programa Escolhas, os projectos podem, e devem, na minha opinião, incorporar princípios de empreendedorismo no seu plano de trabalho global ou criar programas
específicos abordando o empreendedorismo. Há-que ter presente o velho provérbio chinês, “dê
um peixe a um homem, alimente-o por um dia; ensine o homem a pescar e ele ficará alimentado
para uma vida”. Aqueles que estão interessados em mudar a cultura portuguesa, para a tornar
mais empreendedora e criativa, devem compreender que a construção desse modelo societal tem
de envolver toda a gente. O sistema de ensino, os meios de comunicação e os modelos positivos da
comunidade são essenciais para promover atitudes positivas relativamente ao empreendedorismo.
Numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida, uma educação empreendedora deve envolver os jovens, no sistema de ensino, em todos os seus níveis. Isto inclui aqueles que frequentam o
ensino primário, secundário e superior, bem como a formação profissional e a educação de adultos. O Ensino de empreendedorismo deve ter em consideração o nível etário e respectiva missão
específica, visando desenvolver competências empreendedoras. Uma boa prática de ensino é
o desenvolvimento de iniciativas que incluam a aprendizagem pela realização - “aprender,
fazendo” - onde os jovens enfrentam o mundo real e experienciam actividades empreendedoras.
Isto pode ser feito através de visitas, estágios ou participando em diferentes organizações, com
o objectivo de expandir experiências pessoais e redes de contacto.
A Harvard Business School define empreendedorismo como, “a busca de oportunidades para
além dos recursos que actualmente se controlam”. Alcançar e aperfeiçoar o espírito empreendedor depende do desenvolvimento das seguintes competências:
- Intenção empreendedora;
- Auto-eficácia empreendedora (A ideia de que se pode controlar o ambiente em redor);
- Orientação empreendedora, que inclui:
- Inovação;
- Autonomia;
- Assunção do risco;
- Pró-actividade;
- Perseverança;
- Auto-confiança.
1 artigo publicado na revista Escolhas nº 13
11
O empreendedorismo é uma
predisposição, uma atitude mental,
que pode desenvolver-se no seio
de toda a sociedade em geral,
não devendo ser limitada a um
contexto empresarial.
O desenvolvimento da capacidade para assumir riscos ou de uma atitude mais pró-activa pode
ser um processo lento. Isto implica levar os jovens para fora do seu mundo e proporcionar-lhes
a possibilidade de falar com pessoas diferentes, sobre as suas ideias. Estes jovens precisam de
fazer um estudo de mercado, conhecer a forma como outras organizações já existentes na sua
área geográfica e/ou sector de actividade actuam para, de seguida, definir o modo como a sua organização se irá diferenciar positivamente, servindo melhor as necessidades da sua comunidade.
Ter alunos a vender algo feito por eles ou no seio da comunidade em que residem, pode ajudar a
desenvolver este tipo de competências.
Mobilizar os jovens para reflectirem sobre quem eles conhecem e sobre o que podem aprender com essas pessoas constitui uma óptima forma de desenvolver redes empreendedoras. Alguns precisam de apoio para conhecer ou seleccionar os modelos correctos ou simplesmente
identificar a pessoa certa com a informação que procuram. Encorajá-los a explorar conceitos
mais abrangentes relacionados com um determinado problema sob diferentes pontos de vista
irá certamente ajudá-los a desenvolver soluções inovadoras para o mesmo. E desenvolver redes
empreendedoras implica expandi-las para além da comunidade mais próxima. Com o recurso às
novas tecnologias e com o apoio de programas governamentais, os jovens podem construir redes
globais abrindo, dessa forma, as suas mentes para maiores possibilidades.
Finalmente, queremos também ensinar como se processa a tomada de decisão e a acção, a incentivar os jovens a pensar e a usar as suas próprias capacidades para gerar novas informações.
É necessário aconselhá-los relativamente à complexidade dos factos, adicionando-lhes subjectividade, nomeadamente os seus sentimentos e intuições. É essencial dar-lhes a oportunidade
de aprender com o fracasso e ajudá-los a lidar com conflitos, tensão e incertezas. Isso significa
premiar comportamentos vinculados às atitudes e competências que queremos desenvolver. É
imperativo que nos certifiquemos de que estas recompensas estão relacionadas com comportamentos positivo, mérito e trabalho árduo, e não com algo institucional e impessoal. Na minha
perspectiva, incentivar a motivação para a realização, através da formação de jovens assente em
valores como a persistência, a diligência, o trabalho árduo e a responsabilidade é essencial para
“ensiná-los a pescar”.
Dana T. Redford, Visiting Scholar, Universidade de Califórnia - Berkeley
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
DE QUE
TRATA
ESTE
PROJECTO?
SESSÃO 0
Acolhimento
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
13
Neste programa pretendemos despertar as tuas capacidades
empreendedoras para criares as tuas próprias oportunidades. Requer
criatividade e inovação, capacidade de trabalhar em grupo; requer
que acredites em ti; requer que olhes à tua volta com curiosidade,
entendas os problemas e penses em soluções.
Empreender está ao alcance de qualquer um e é fundamental para aproveitar novas oportunidades. Neste programa pretendemos despertar as tuas capacidades empreendedoras para criares as tuas próprias oportunidades. Requer criatividade e inovação, capacidade de trabalhar em
grupo; requer que acredites em ti; requer que olhes à tua volta com curiosidade, entendas os
problemas e penses em soluções.
A título de exemplo, Vinod Khosla4, um conhecido empreendedor, diz que se não houver problemas, também não são necessárias soluções e que nesse caso não haveria razão para empresas.
Com isso quer dizer que a razão de ser de um empreendimento é solucionar uma necessidade
dos seus clientes. Isto aplica-se tanto à criação de uma empresa como à de uma instituição que
pretenda, p.ex., oferecer um plano de vacinação à população de uma região carenciada. Para ter
sucesso, o empreendedor tem de compreender o problema, tem de inventar a solução que serve
e agrada a essas pessoas e tem de ter capacidade de a executar.
Para ter sucesso como empreendedor é preciso satisfazer as necessidades dos outros, mais do
que satisfazer uma ambição pessoal. É necessário que os outros vejam valor na solução que
se lhes propõe. Através desse esforço, alguns (poucos) empreendedores de sucesso tornam-se
ricos, outros tornam-se famosos, outros tornam-se pessoas reconhecidas pelos seus contributos
e outros simplesmente satisfeitos por terem conseguido fazer aquilo que consideravam correcto.
Mas todos desenvolveram capacidades pessoais para além daquilo que é vulgar, mudaram o estado das coisas à sua volta, criando novas oportunidades, e tornaram-se independentes em termos
do seu emprego e subsistência, tendo grande satisfação pessoal nisso.
Seres empreendedor significa também que desenvolves as tuas próprias capacidades para inovares, criares e tomares o teu destino nas mãos. Trabalhares para um objectivo e alcançares esse
objectivo é muito motivador e dá-te vontade e confiança para ir mais longe. Para além disso é
divertido. Por isso, uma boa medida para saberes se este projecto serve o teu futuro é verificares
de vez em quando se te sentes realizado e se te estás a divertir com ele.
4 Vinod Khosla, de origem indiana, fundou em 1980, com 3 outros colegas, a Sun Microsystems (marcas Sun, Java, Adobe), que se tornou uma das maiores empresas de software do mundo. Depois de vender a sua parte tem arriscado, com outros, fundar muitas novas empresas, algumas com grandes fracassos, outras
com grandes sucessos.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SESSÃO
00
ACOLHIMENTO
OBJECTIVOS
> Acolher os participantes, com algum
formalismo e com a presença do responsável máximo da instituição que
promove o projecto (e eventualmente
personalidades ligadas à vida política e
social local) para os fazer compreender
que se trata de um projecto em que se
põe confiança nas capacidades dos jovens e se espera algo deles.
> Esta sessão procura também envolver
no projecto as entidades locais promotoras da iniciativa, de modo a que
apoiem os jovens na construção de uma
rede social, intermediando o acesso às
suas estruturas e aos empreendedores
locais, no desenvolvimento das actividades propostas ao longo do manual.
GUIÃO
MÁX. 5 MINUTOS
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 0
Esta sessão deve ocorrer imediatamente antes da Sessão 1 e deve durar
menos de 30 minutos:
 Breve saudação do responsável da instituição numa tónica de esperança no trabalho dos jovens (5’)
 Explicação dos objectivos do projecto pelo técnico (eventualmente
já explicado na selecção dos jovens) e breve apontamento sobre o
contexto de mudança e de inovação permanente (pode usar o apoio
da internet, em grupos à volta dos computadores disponíveis, para
verem as imagens dos exemplos referenciados no guião) (15’)
 Distribuição dos manuais dos jovens
Segue-se intervalo de 15’ (em que pode ser servido um lanche e serem
feitos contactos pessoais entre os responsáveis da instituição e os jovens); e o início da Sessão 1.
 1h30 – Súmula da reunião
GUIÃO PARA A ALOCUÇÃO
DO RESPONSÁVEL DA INSTITUIÇÃO PROMOTORA

Vivemos numa mudança permanente (exemplos de mudanças ocorridas nos últimos 5 anos no contexto da comunidade, da zona e da vida dos jovens e das suas famílias)

Por vezes nem nos apercebemos delas, mas todas implicam aprendizagem (p.ex. como é que funciona o novo modelo de telemóvel) e abrem oportunidades (p.ex. como se pode obter com ele informação sobre qualquer tema útil
no dia-a-dia)

Este projecto existe para que tirem partido das mudanças que vão continuar a surgir, que estejam preparados para
novas oportunidades e possam construir, a partir daquela experiência, projectos que dêem novas saídas profissionais e tornem a comunidade/a zona melhor

A instituição acredita nas capacidades deles, dar-lhes-á todo o apoio que puder e souber e espera que eles aproveitem a iniciativa para gerarem eles próprios iniciativas.

Esta iniciativa tem custos e tem de ser facultada a outros candidatos nas próximas edições; por isso só se pode participar uma vez. A instituição espera que saibam aproveitar bem esta oportunidade única.
15
SESSÃO
00
GUIÃO
MÁX. 15 MINUTOS
GUIÃO PARA A EXPLICAÇÃO
DE CONTEXTO PELO TÉCNICO
Seguir tópicos da introdução do manual dos formandos, reforçando o contexto de mudança e novidade envolvente e as
oportunidades criadas
Tudo existe graças a inovação. Tudo o que existe à tua
volta e que tu usas (edifícios, luz eléctrica, motores, carros,
telemóveis, computadores, televisões, roupa, papel, esferográfica - o que quer que seja) deve-se à iniciativa das pessoas
que aperfeiçoaram o produto e asseguram que ele se mantém disponível. Algumas destas coisas são já muito antigas,
outras muito recentes. Todas elas são melhoradas todos os
dias. [Queres a prova? primeiros telemóveis em Portugal
há 20 anos custavam cerca de 2500¤, eram tão grandes e
pesados que tinham de ser transportados numa pasta (ex:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:DynaTAC8000X.jpg).
Diferenças para os de hoje?]
Não só os produtos. Também o modo como usamos as coisas se deve a iniciativas.
Há muito tempo que se procura compreender como surgem
as iniciativas e os empreendedores, qual a razão do seu sucesso. Sabe-se que a competitividade de um país depende
da capacidade de inovação, sabe-se que as sociedades mais
coesas e mais justas são aquelas em que o empenhamento
dos cidadãos e a iniciativa cívica estão mais desenvolvidos.
E sabe-se que a criatividade e o empreendedorismo são capazes de grandes impulsos de desenvolvimento.
A melhor maneira de entender a inovação, a iniciativa e o
empreendedorismo é olhar para alguns exemplos concretos (preparar casos diversos adequados). Exemplos:
 Há 25 anos, surgiu (ex: Quercus, www.quercus.pt),
uma associação ambientalista, preocupada em defender
o ambiente. Surgiu da iniciativa de um grupo de pessoas,
preocupadas com a poluição e extinção de espécies. Hoje,
muito do que defendiam naquela altura passou a ser assumido por grande parte da sociedade.
 Há 5 anos, por exemplo, surgiu (ex: PUMAP, http://
pumap.blogspot.com/), uma associação de voluntários
universitários, para ajudar no desenvolvimento de uma
região pobre em Moçambique.
 Em 1998, há 12 anos apenas, dois estudantes criaram
(ex: a Google http://www.google.pt/), hoje uma das maiores empresas do mundo e um dos nomes mais conhecidos, com uma ferramenta de procura na internet usada
em todo o mundo e que facilita imenso a vida das pessoas.
 Pelo meio há muitas iniciativas que falham ou que
se esgotam sem atingir os resultados esperados. A (ex:
Segway http://pt.wikipedia.org/wiki/Segway) lançou em
2001 um veículo com que pensavam substituir veículos
tradicionais no trânsito urbano e vender milhões para
todo o mundo. Passados 9 anos tinha vendido apenas
50.000 veículos e provavelmente causado um prejuízo
considerável. Pode ser que ainda venha a ter êxito, se
aprenderem com o que correu mal.
Falhar é parte do jogo: Toda a inovação se faz por tentativa
e erro. Só não erra quem nunca tentou, mas só se tem ideias,
serviços ou produtos inovadores depois de se ter tentado.
Desmontar preconceitos:
 Podes pensar que as pessoas que fizeram todas essas
inovações eram especiais. E de facto eram: O que tinham
de especial é que tentaram. Melhoraram alguma coisa,
viram o sucesso das suas ideias e os resultados disso ficaram para todos os que usam aquela ideia. Talvez algum
deles tenha sido teu antepassado. E porque é que não
hás-de ser tu também um inovador e um empreendedor?
 Podes pensar que as inovações só surgem através de
grandes empresas, marcas famosas, pessoas que aparecem nos telejornais. Sabes que uma parte substancial
do desenvolvimento de processos é feito por pessoas
anónimas, dia-a-dia? Que muitas empresas dão prémios
aos colaboradores que apresentam ideias para tornar um
processo de fabrico mais eficiente?
 Podes pensar que as pessoas que têm iniciativas são
aquelas que já tinham os meios para isso. Mas a história
mostra que não é assim: Os que têm iniciativas são aqueles que são capazes de convencer outros a disponibilizar
os meios. E as boas iniciativas provam-se com poucos
meios.
 Olha para ti, talvez tenhas em ti qualidades muito importantes para inovar e empreender. Nós acreditamos em Ti.
Para que neste projecto aprendam coisas que terão valor
para toda a vossa vida só é necessária uma coisa: que queiram participar, nada mais!
Vamos ter apenas x5 sessões para. Vamos falar de coisas
do empreendedorismo nessas sessões. A única coisa que
se pede é que durante a semana vão pensando naquilo que
viram e ouviram. Com seriedade. E vão ver como as coisas
vão surgir.
No final, não saem daqui com um diploma6. Mas, se tiverem
participado mesmo, saem daqui com uma maneira de encarar as mudanças e descobrir nelas oportunidades de melhoria, e essa maneira de estar vai ser um trunfo muito sério na
vossa vida profissional e pessoal. Para além disso pode um
grupo desenvolver um projecto que tenha pernas para andar
e se torne mesmo realidade construída por esse grupo.
5
O número de sessões previstas na ferramenta é de 8 + 5. Cabe ao técnico, juntamente com a equipa do projecto e/ou a entidade promotora, avaliar se as 5 sessões finais devem ser anunciadas à
partida como parte do objectivo global, ou anunciadas mais tarde.
6
No entanto, o técnico, juntamente com a entidade promotora, pode no final distribuir um diploma de participação, se considerar que tem significado para os participantes e os incentiva a fixar as
competências adquiridas.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
NOTAS
&
IDEIAS
17
NOTAS
&
IDEIAS
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
unidade
01
COMO É
QUE TE
ENCAIXAS?
SESSÃO 1
Conhece-te a ti próprio!
SESSÃO 2
Tu e os Outros
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
19
SESSÃO
01
CONHECE-TE A TI PRÓPRIO!
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Ajudar cada jovem a descobrir as suas capacidades para pensar em termos de inovação
> Aumentar auto-confiança do jovem para tomar iniciativas inovadoras
> Tornar o jovem consciente de que são as iniciativas que asseguram tudo o que está à sua volta
> Motivar o jovem para melhorias pessoais através de objectivos pessoais concretos
ENQUADRAMENTO
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
informação p/o técnico
Num mundo em mudança permanente, é necessária
uma atitude pró-activa para tomar parte nas propostas, acompanhar a evolução e saber influenciá-la, tirar
proveito de novas oportunidades…
Os empreendedores com sucesso são aqueles que
sabem reconhecer novas oportunidades para oferecer novos produtos ou serviços, ou novas maneiras
de oferecer esses produtos ou serviços, e que conseguem pôr em prática as suas ideias.
O empreendedorismo pode ser entendido como “the
pursuit of opportunity beyond the ressources you currently control” segundo a definição adoptada pela Harvard
Business School:
... a prossecução de oportunidades para além dos recursos actualmente controlados ...…
Isso implica uma atitude de permanente procura de novas combinações de recursos (tecnológicos, materiais,
humanos, etc.) que possam satisfazer necessidades e
resolver problemas.
As competências básicas necessárias ao empreendedorismo não são pois técnicas, mas humanas e pessoais; implicam uma mentalidade empreendedora e um
conjunto de competências.
Entre as competências pessoais começaremos pela
auto-confiança e a assertividade. Um caminho para um
objectivo muito importante e promissor pode começar
por um jogo simples, desde que o entendamos como
um passo para esse outro objectivo e sejamos capazes
de nele afirmar, de modo assertivo, as nossas capacidades e o nosso empenhamento.
20
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
> Iniciativa e pro-actividade
> Empenho e persistência
> Flexibilidade e abertura à mudança
> Assertividade
> Organização pessoal e de trabalho
PROPOSTA DE
DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 1
0h00 – 0h15
Dinâmica de apresentações dos jovens:
Qual o animal com que te identificas?
0h15 – 0h45
Actividade: Cabeça, Coração & Mãos
0h45 - 1h00
Dinâmica: Muda de lugar quem tem
características de empreendedor
1h00 – 1h30
Actividade DICA: Estabelece e Alcança
Objectivos Pessoais!
1h30
Súmula da Reunião
DINÂMICA
QUAL O ANIMAL COM QUE TE IDENTIFICAS?
Os formandos estão sentados em círculo. O formador
introduz a necessidade de se conhecerem todos os
elementos do grupo, uma vez que vão estar juntos durante todo o projecto, que vão trabalhar em conjunto…
Posteriormente, o formador convida cada formando a
pensar nos vários animais que conhece e a seleccionar aquele com o qual mais se identifica, por apresentarem uma característica comum. Depois de todos
pensarem, cada formando deve dizer o seu nome, seguido do animal com o qual se identifica e a apresentação da justificação.
ACTIVIDADE
01
CABEÇA,
CORAÇÃO
E MÃOS!
NOTAS
Podem ser dados exemplos (ter cuidado em não dar muitos
exemplos para não inibir a criatividade dos formandos):
Cão – fiel
Pássaro – gosta de voar
Gato – carinhoso
Leão – forte e líder
Macaco – brincalhão
Urso – pachorrento
Formiga – trabalhadora…
O formador pode optar por variantes da dinâmica, em função da maturidade dos formandos.
U1 (pág.6)
O formador introduz a necessidade dos jovens se conhecerem a si próprios,
de tomarem consciência das suas potencialidades e das suas limitações, para
posteriormente tirarem mais partido de todo o projecto, de rentabilizarem as suas
características positivas e “contornarem” as suas características menos positivas
numa ideia empreendedora!
Os formandos começam por desenhar, numa folha
de papel branca, a silhueta de um corpo: cabeça,
tronco e membros. Devem ainda desenhar o coração.
Posteriormente, os formandos são convidados a
reflectir nas suas características positivas ou qualidades e nas suas características negativas ou
defeitos, e devem escrever essas características
junto à parte do corpo com que mais se relacionam:
> Como me senti nesta actividade?
> Foi mais fácil identificar qualidades ou defeitos?
> Que qualidades são mais importantes para mim?
> Quais as qualidades mais relacionadas com o
empreendedor?
> O que posso fazer na prática para mudar nos
defeitos?
> Cabeça (pensar)
Por exemplo: Organizado (+); Preguiçoso (-)…
> Coração (sentir)
Por exemplo: Alegre (+); Irritável (-)…
> Mãos (fazer)
Por exemplo: Bom a fazer teatro (+);
Não saber cozinhar (-)…
O formador deve concluir, enfatizando que:
Os formandos deverão ser estimulados a escrever
o máximo de características que encontrarem.
Posteriormente, os formandos são convidados a
partilhar:
> Todos somos diferentes
> Devemos (re)conhecer-nos e aceitarmo-nos…
ao longo do tempo
> Todos podemos mudar e “crescer”
> Deveremos “render” e usufruir das nossas
características positivas
> O bom empreendedor, mais do que dominar
competências técnicas, é uma pessoa com uma
grande maturidade pessoal, um elevado nível de
auto-conhecimento
UNIDADE 01 | 21
SESSÃO
01
DINÂMICA
MUDA DE LUGAR QUEM …
Os participantes sentam-se em círculo, existindo uma cadeira a
menos que o número total dos elementos do grupo. No inicio o
formador está no centro do círculo, assumindo a função de dar
uma ordem para a mudança (ex: “Muda de lugar quem… bebeu
leite ao pequeno almoço! … gosta de praticar futebol! ... é um bom
comunicador! … é persistente! …”). Quem cumpre os requisitos
da ordem que o dinamizador deu deve levantar-se imediatamente
e mudar de lugar o mais rápido possível para não ficar de pé. O
dinamizador procura sentar-se também. Quem perde o lugar ocupa o lugar do centro e dá nova ordem aos restantes participantes,
tentando ocupar o lugar de um deles.
NOTAS
O formador pode lançar características
do empreendedor, conforme enumeradas
na sessão 4.
NOTA:
As dinâmicas das primeiras sessões são essencialmente dinâmicas de grupo, de reconhecimento e aceitação das diferenças, de sociabilização e interacção; poderão ser dispensadas se esta ferramenta for utilizada em sobreposição com outra que assegure já esse
objectivo básico.
ACTIVIDADE
DICA
ESTABELECE E ALCANÇA OBJECTIVOS PESSOAIS!
NO QUE CONSISTE?
A pro-actividade necessária ao empreendedorismo
treina-se num “ciclo virtuoso”, em que os próprios
resultados obtidos estimulam a procurar e alcançar
novos resultados. É um exercício que se pretende
continuado ao longo do programa e que os formandos levem para a sua vida.
Empreendedorismo
Definição
de Objectivos
(Pessoais)
Escolhas
Esforço Pessoal
Para se iniciar um ciclo destes deve-se começar por um objectivo simples (isto é, com uma ligação causa-efeito
óbvia), acessível (isto é, ao alcance do esforço do formando) e com resultados rapidamente mensuráveis. Um exemplo típico é um exercício físico (ex: elevações matinais, em que o formando pode em poucos dias aperceber-se que
consegue fazer um número mais elevado).
Ao longo do programa esta actividade é proposta várias vezes, com objectivos progressivamente mais indirectos,
mais exigentes e com resultados menos mensuráveis. Pretende-se que o formando tome consciência da sua capacidade de influenciar os resultados, que desenvolva persistência e a capacidade de escolher e de se orientar por
objectivos não apenas imediatos. A actividade visa a melhoria das atitudes pessoais do formando, mas constitui
também, em si mesma, um exercício de planeamento, necessário ao longo do projecto e de qualquer actividade empreendedora.
22
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
QUANDO SE DEVE REALIZAR?
Tipicamente a actividade é proposta no final da sessão, para ser desenvolvida individualmente (em casa) durante
a semana. É importante que o técnico verifique, na semana seguinte, com cada um dos formandos, os resultados
obtidos (desde que os formandos tenham partilhado os objectivos) para verificar os progressos neste exercício.
No caso de o progresso não ter sido alcançado, o técnico deve sugerir para a sessão seguinte um objectivo
alternativo.
O primeiro exemplo da actividade é descrito em pormenor. Nas restantes sessões em que ela é de novo proposta apenas se indica um exemplo de complexidade de objectivo, devendo retomar-se os detalhes em seguida
propostos.
COMO CONSTRUIR OBJECTIVOS/METAS
O quadro proposto pretende guiar através dos seguintes passos também para objectivos mais complexos (podendo parecer por isso demasiado detalhado para um exercício de elevações matinais):
1. Pára, pensa e identifica um objectivo pessoal
Explicar a importância de um objectivo bem identificado. Quem não tiver o objectivo à vista deriva.
Atenção: não dizer de imediato que um objectivo é irrealista, que não pode ser atingido ou que é tolo.
2. Escreve o objectivo pessoal que definiste
Escrever obriga a pensar e a assumir melhor. Através deste exercício o formando vai verificar por si próprio se
o objectivo é irrealista e se é realmente importante para ele. Este passo é essencial!
3. Descreve o que esperas conseguir quando atingires o objectivo
O formando tem de compreender, de modo tangível, qual a vantagem que vai retirar deste esforço. É ela que o
vai incentivar durante a semana.
4. Escreve os passos necessários para atingir o teu objectivo
Subdivisão do objectivo em etapas: Cada passo tem de ser repartido por tarefas simples, de duração limitada e
fácil verificação.
5. Identifica quais os meios necessários e os obstáculos prováveis
Para cada tarefa o formando deve verificar se dispõe dos meios necessários e quais os obstáculos à execução
da tarefa. Eventualmente o formando vai verificar que precisa de intercalar uma tarefa adicional no passo anterior (p.ex. arranjar dinheiro para comprar um livro ou arranjar uma rotina para vencer a preguiça matinal que
lhe dê tempo para prosseguir outro fim).
Os principais obstáculos são o pessimismo próprio e dos outros, a pressão do grupo, a resistência à mudança;
as coisas pequenas fazem a diferença e as pequenas cedências arruínam o projecto todo.
6. Estabelece duração e datas
Estimar a duração de cada tarefa e definir uma data para atingir o objectivo final. É importante que se possam
verificar os resultados em tempo útil e que o formando compreenda a eficácia do processo para progredir nos
seus objectivos.
Por exemplo, a capacidade de compreender e comunicar pode ser exercitada através de leitura assídua de
notícias de jornal e da comunicação do seu conteúdo a outros. Não é a notícia em si que lhe interessará, mas
a capacidade de compreender e de se fazer compreender. Precisará de um jornal onde possa ler diariamente
uma notícia, e precisará de alguém que tenha paciência e interesse em ouvir o relato que fizer da notícia e com
quem ele possa verificar se um e outro compreenderam com suficiente exactidão a ocorrência. Possivelmente
um exercício deste tipo implicará pedir a colaboração de alguém de fora do círculo mais habitual do formando.
Para explicar a vantagem da participação nesta actividade o técnico pode referir o seguinte:
UNIDADE 01 | 23
SESSÃO
01
Muitas das características necessárias ao empreendedorismo são resultado de escolhas e esforço pessoal. Passam por atitudes que podem ser praticadas no dia-a-dia, do mesmo modo como um atleta se mantém em forma
através do treino diário e da dieta. Para teres êxito é necessário que os teus objectivos pessoais sejam práticos e
que te identifiques com eles: têm de corresponder àquilo que queres ser e à maneira como queres estar na vida.
Os objectivos pessoais devem abarcar todas as áreas do teu desenvolvimento:
Objectivos
Pessoais
FÍSICOS:
Servem para que tenhas um corpo e hábitos saudáveis.
> Exemplo: Comer uma peça de fruta por dia
INTELECTUAIS:
Servem para que exercites e estimules a mente, preparando-te para saberes tratar
situações novas com êxito.
> Exemplo: Ler 30 minutos por dia
EMOCIONAIS:
Pretendem que conheças e controles as tuas emoções, de modo a que controles os
teus comportamentos.
> Exemplo: Não fazer troça ou rebaixar os outros
DE AUTO-CONHECIMENTO:
Pretendem que definas melhor que tu queres ser e como queres que os outros
de vejam.
> Exemplo: Reservar 5 minutos para pensar no que fizeste
24
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Constrói um objectivo em 6 passos!
PASSOS:
O QUE É PARA FAZER
1º
Pára, pensa e identifica
um objectivo pessoal!
Pensar…
2º
Escreve o objectivo pessoal
que definiste!
Objectivo!
3º
Descreve quais os resultados
que conseguirás quando
atingires o objectivo!
Resultados?
4º
Escreve os passos necessários
para atingir o teu objectivo
Passos intermédios?
5º
Identifica quais os meios
necessários e os obstáculos
prováveis…
Meios?
Obstáculos?
6º
Estabelece duração e datas!
Duração e datas!
AGORA EU!
Começa por um objectivo!
Agora concretiza-o!
E depois avalia-o!
Muitas vezes estes objectivos são potenciados por tarefas de grupo ou com sentido comunitário: podes assumir por exemplo fazer a separação de lixo em tua casa e, enquanto fazes isso, rever os teus outros objectivos;
podes assumir com outros fazer uma acção de limpeza ambiental na tua comunidade (e deixar que os outros se
perguntem “que raio andam vocês a fazer”)
ATENÇÃO:
A execução dos objectivos é essencial (sem ela não vale a pena estabelecê-los). O técnico deve propor algum
tipo de “lembretes” criativos, p.ex. autocolantes no espelho da casa de banho ou na porta do quarto, num sítio
para onde os formandos olhem todos os dias.
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
http://www.psychologytoday.com/blog/ulterior-motives/201005/how-do-you-talk-yourself-something
http://www.anje.pt/academia/default.asp?id=43&ACT=5&content=401&mnu=43
UNIDADE 01 | 25
SESSÃO
02
TU E OS OUTROS
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Percepcionar o eu relacional
> Aumentar a percepção de que os outros me vêem de maneira diferente do que eu me vejo; que o que é “normal”
para mim pode ser “diferente” para os outros;
> Promover a reflexão sobre: Onde fazes a diferença? O que é que tu tens de “único”? - Uma diferença que os
outros valorizem ou em que os possas complementar para juntos serem mais eficazes?
> Valorizar a equipa e o trabalho em equipa
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
> Tudo à nossa volta se desenvolveu graças a inovações
permanentes; apenas porque muitos tomaram a iniciativa de pôr na prática as ideias que tiveram.
> Podes pensar que as inovações se devem todas a génios e inventores. Mas a maior parte das inovações surge
de trabalho em equipa. As boas equipas são aquelas em
que as pessoas se complementam e em que todos estão
sintonizados num mesmo objectivo. Não há ninguém que
tenha as qualidades todas para poder fazer tudo sozinho,
mas a equipa pode reunir essas qualidades. É que todos
temos qualidades diferentes, e todas elas são necessárias no processo de inovação. Por exemplo:
Algumas pessoas têm muitas ideias; mas ter ideias
só não basta, é preciso distinguir as boas das más, e é
preciso pô-las em prática. Assim, uma boa equipa tem de
ter alguém que tenha ideias, alguém que pese as ideias
e verifique que parte é que é aproveitável e alguém que
seja capaz de as pôr em prática. Muitas vezes as pessoas
que têm espírito prático para resolver situações são as
que sentem menos atracção por ideias.
 Algumas pessoas são muito competitivas, gostam
de ganhar sempre, chegar sempre à frente dos outros;
outros preocupam-se mais com os que ficam para trás;
uns são persistentes e não desistem, outros só alinham
enquanto as coisas correm bem. Uma boa equipa tem
de querer vencer (as dificuldades) mas tem de ser coesa e resistir aos contratempos. Precisa de pessoas
perseverantes que não desistem à primeira dificuldade.
 Uns têm jeito para mandar, mas não quer dizer que
saibam sempre o que é melhor; outros não se sabem

26
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
fazer ouvir mas têm bom senso. Uma boa equipa tem
de saber reflectir e, depois de tomar decisões, tem de
executar as ideias de forma bem coordenada. Precisa
de alguém que mande, mas que mande bem, e para isso
saiba ouvir os outros.
> É importante conheceres as tuas qualidades, não apenas pelo que elas valem, mas sobretudo para conheceres a melhor maneira de trabalhar com outros em equipa. As boas equipas não são aquelas em que todos têm
o mesmo feitio e pensam todos da mesma maneira; as
boas equipas são aquelas em que todos se completam
e se equilibram uns aos outros.
> Para isso tens de ouvir também o que os outros dizem
de ti, para descobrires em que aspectos é que lhes facilitas a vida e onde lhes complicas a vida.
> Descobre quais são os teus talentos e como podes
ser útil numa equipa; e como os outros, que são diferentes de ti, são muito importantes para que a equipa
funcione. Para descobrires talentos e as competências
em que se podem tornar, ajuda observar modelos (role
models). Um modelo pode ser qualquer pessoa que mereça a tua consideração por aquilo que conseguiu fazer.
Um modelo pode tornar-se uma fonte de inspiração e
de conselho. Todos nós temos modelos que gostamos
de imitar, mas por vezes escolhemos ídolos (no futebol, na música) que têm talentos que nós simplesmente
não temos. Procura agora modelos que mereçam o teu
respeito e te podem inspirar, porque fizeram feito algo
numa área em que tu também podes fazer.
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> Pensamento sistémico
> Relacionamento interpessoal
> Trabalho em equipa
> Assertividade
> Persistência (plano de melhorias pessoais)
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 2
0h00 – 0h10
Warm-up: Dinâmica Puzzle do Grupo
0h10 – 0h20
Partilha (voluntária): Quem atingiu os objectivos pessoais
da actividade DICA da sessão anterior? Os resultados
notam-se? Custou?
0h20 – 0h30
Visionamento de role models a partir do site Escolhas
(escolher previamente modelos adequados; exemplos:
http://www.youtube.com/user/formacaoescolhas#p/
u/8/Z-yQJzF702Y apontar que Colman passou dos
graffiti (uma expressão artística mas que se centrava
essencialmente no gozo que lhe dava) para fazer
aerografias em carros e motos (usando os mesmos
talentos mas agora para satisfazer as necessidades de
personalização de outras pessoas – que presumivelmente
lhe pagam o serviço e lhe garantem um modo de vida
autónomo)
http://www.youtube.com/user/formacaoescolhas#p/
u/9/-SkJ0UlXeD4 apontar que Hélder Delgado faz uso
dos talentos de relacionamento e dos conhecimentos
adquiridos para ajudar os mais novos da sua comunidade
a controlarem melhor a sua própria vida)
0h30 – 0h45
Dinâmica Os 12 Trabalhos de Hércules
0h45 – 1h20
Actividade de Identificação do perfil pessoal e do papel
no grupo
1h20 – 1h30
Revisão do plano de melhorias pessoais: assumir e
desenvolver as competências do seu perfil pessoal (durante
a semana treinar diante do espelho a comunicação aos
outros de qual é o seu perfil e qual o seu contributo para o
grupo; assumir atitudes de acordo com o seu perfil)
1h30
Súmula da Reunião
DINÂMICA
PUZZLE DO GRUPO
O formador imprime uma foto do grupo de formandos numa folha A4. Se não existir nenhuma foto
pode usar uma imagem simbólica para o grupo ou
uma imagem metafórica do empreendedorismo ou
de alguma competência associada.
Posteriormente, pede que cada elemento do grupo
assine essa folha. Depois, à vista dos formandos,
rasga a folha no mesmo número de pedaços que o
número de elementos do grupo, e entrega um pedaço a cada elemento do grupo.
Solicita então que os formandos refaçam a folha.
Neste sentido, cada formando contribui com a “sua
peça”. E o puzzle só está completo com todas as
peças, com todos os elementos do grupo.
Por fim, volta a pedir que cada formando guarde a
sua peça e promove a partilha:
> Qual acham que é o objectivo desta dinâmica?
> O que significa?
> Qual é o vosso contributo único para esta equipa?
O Formador sintetiza, reforçando que:
> Todos são importantes, únicos e insubstituíveis.
> Cada pessoa tem de conhecer o seu perfil pessoal
e perceber qual o seu papel no grupo.
> Perceber que enquanto equipa cada pessoa tem
um contributo válido i indispensável para o sucesso.
> Reconhecer as qualidades pessoais e a sua utilidade para a equipa.
> Reconhecer a importância do outro
UNIDADE 01 | 27
SESSÃO
02
DINÂMICA
OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES
O formador solicita que 4 formandos se voluntariem para fazer a dinâmica.
Posteriormente, entrega-lhes uma folha com o seguinte texto:
“Têm 3 minutos para realizar as seguintes tarefas:
1. Encontrar uma pessoa nascida no 1º trimestre do ano
2. Trazer um copo com água
3. Fazer 10 flexões
4. Descansar um minuto
5. Cantar os “Parabéns a você!”
6. Arranjar uma maçã
7. Mudar 10 cadeiras de lugar
8. Encontrar uma pessoa com calças de ganga
9. Escrever os números até 10 numa folha
10. Pedir a 2 pessoas que troquem uma peça de roupa
11. Ter uma caneta azul, vermelha e preta
12. Contar uma anedota a alguém”
O Formador deverá contar o tempo, e quando este findar, termina a dinâmica. Posteriormente, o formador
deverá verificar quais as tarefas que foram e não foram cumpridas e com que qualidade. Finalmente, é
promovida a discussão:
> O que correu bem e o que correu mal?
> Porque cumpriram ou não cumpriram as tarefas?
> Quais as competências essenciais para trabalhar bem em equipa?
> Quais as vantagens do trabalho em equipa?
O Formador sintetiza, reforçando que:
> O trabalho em equipa permite-nos atingir objectivos que sozinhos não conseguiríamos atingir;
> O trabalho em equipa exige articulação, coordenação, divisão de tarefas, responsabilidade de cada um;
> Importa desenvolver a capacidade de distribuir tarefas em conjunto com o grupo;
> O trabalho em equipa exige que haja confiança no outro;
>…
ACTIVIDADE
02
IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL
DE COMPETÊNCIAS PESSOAIS
U1 (8)
E DO PAPEL NO GRUPO
O formador faz uma apresentação de vários tipos de perfis pessoais (ver abaixo), levando os jovens a reflectir com qual dos perfis se identificam mais.
Deve ressalvar logo de início:
> que se trata de identificar competências de cada um, a explorar;
> que a diversidade é boa, que nenhum perfil é melhor que outro e que todos são necessários;
> que a tipologia não é absoluta nem estanque, ou seja, que qualquer pessoa tem características que podem
ir de encontro aos diferentes perfis, mas que no entanto, todos temos também características mais predominantes, expressivas e que é a essas que o Perfil Pessoal de cada um diz respeito;
28
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
> eventualmente desmontar que não há competências “femininas” e “masculinas”;
> que é importante que cada um conheça as suas competências específicas para as poder valorizar mais.
Para facilitar a identificação, o formador pode acompanhar a descrição de cada perfil com a afixação de um
símbolo alusivo no quadro.
Após a apresentação das diferentes tipologias, a actividade deve desenrolar-se com a auto-identificação de
um perfil pessoal ou a hetero-identificação do mesmo (caso o grupo tenha um razoável grau de conhecimento inter-pessoal).
A exploração e integração da actividade por parte do formador deve ir no sentido de valorizar as diferenças
individuais (como marca distintiva do funcionamento de cada um, como mais-valias pessoais de que cada
um pode tirar proveito) e simultaneamente no sentido da articulação e interdependência e complementaridade entre os vários perfis, logo, entre os vários elementos do grupo.
No final do exercício cada um deve descrever qual é o seu tipo e qual é o seu contributo único para um
grupo de trabalho.
(Exercitar esse contributo deve ser o objectivo individual de uma próxima actividade DICA “desenvolve e alcança objectivos
de melhoria pessoais”.)
TIPOS DE PERFIS
1. O Organizador
O Organizador é muito metódico: é capaz de organizar, planear, estruturar. Tem uma grande capacidade de estabelecer objectivos e consegue
um planeamento do quer atingir tanto a curto como a médio e longo prazo. Além disso, tem a motivação e persistência suficientes para prosseguir esses objectivos. Por isso é um elemento muito produtivo e eficaz.
2. O Cuidador
É capaz de estabelecer relações interpessoais profundas e de grande
qualidade. Tem a capacidade de formar relações com pessoas de todas
as idades e mentalidades, e em diferentes níveis de intimidade, mas
sempre sendo agradável e conseguindo “chamar” os outros para perto
de si. O Cuidador é capaz de perceber os sentimentos dos outros, de
os fazer sentir compreendidos e acolhidos. É uma figura que transmite
tranquilidade mesmo nos momentos difíceis.
3. O Competitivo
O competitivo é aquele que gosta de competir, de medir forças com os
outros, que se sente desafiado a supera-los, que aprecia a adrenalina
de ter um adversário e fazer melhor que ele.
O competitivo tem uma tremenda energia e determinação, é aquele que
quer ser sucedido e que não se satisfaz com um segundo lugar.
UNIDADE 01 | 29
SESSÃO
02
4. O Optimista
O Optimista tem um elevado grau de auto-confiança: acredita em
si próprio, nos seus projectos, e por isso consegue projecta-los no
futuro e ter esperança no seu sucesso. Além disso, consegue ter a
persistência para lutar contra os obstáculos e acreditar que os vai
ultrapassar.
5. O Confiável
Aquele em quem se pode confiar, porque é correcto, honesto, verdadeiro, cumpre a sua palavra, não deixa o grupo ficar mal e assume
fazer alguma coisa de que os outros se esqueceram, e transmite a
ideia da sua responsabilidade e competência.
6. O Curioso
O Curioso gosta de descobrir, de investigar, de perceber como as
coisas funcionam e porquê. Tem sempre uma pergunta na ponta da
língua. É atento e observador do mundo à sua volta.
7. O Futurista
O futurista tem uma grande capacidade de imaginar o futuro, o que
lhe confere uma grande criatividade e capacidade de resolução dos
problemas. O seu espírito imaginativo contagia e inspira os outros de
esperança e optimismo.
8. O Comunicador
Não se importa de estar no centro das atenções. É um bom comunicador e prende a atenção dos outros quando está a contar alguma
história.
NOTA:
Não se referiu deliberadamente a liderança como uma competência importante para o
grupo, embora seja muito importante para a sua eficácia. As actividades propostas ao
longo do projecto oferecem muitas oportunidades para que se revele esta competência
e o grupo aceite uma liderança naturalmente.
ATENÇÃO:
Cada formando escreve no seu manual o seu perfil e as palavras-chave em termos
de competências associadas a esse perfil. Se não tiver a certeza do seu perfil pode
inscrever um segundo perfil e as respectivas competências. A actividade termina com
apresentação pessoal de cada formando ao grupo completo: chamo-me …, o meu perfil
é sobretudo … e a principal competência que posso trazer ao grupo é a …
30
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
NOTAS
&
IDEIAS
UNIDADE 01 | 31
NOTAS
&
IDEIAS
32
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
unidade
02
CONHECE
A TUA
COMUNIDADE
SESSÃO 3
Identifica as actividades, descobre as iniciativas…
SESSÃO 4
Quem é empreendedor?
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
33
SESSÃO
03
IDENTIFICA AS ACTIVIDADES,
DESCOBRE AS INICIATIVAS…
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Tomar consciência das mudanças permanentes (agora centradas na comunidade do jovem), e do facto de se
deverem a iniciativas de alguém: algumas bem e outras mal conseguidas;
> Conhecer e valorizar as actividades e procurar descobrir as iniciativas que as realizaram;
> Desenvolver a curiosidade pela inovação e a capacidade de observação;
> Desenvolver capacidade de relacionamento, de perguntar e de ouvir;
> Identificar aspectos essenciais para o sucesso de uma iniciativa.
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
U2 (2,3)
Toma consciência da evolução à tua volta...
Pergunta aos mais velhos como é que era a tua comunidade há 10 anos atrás:
> O que é que existe agora que não havia naquela altura?
> O que é que deixou de existir? Porquê?
> Se a Google foi criada em 1998 (há 12 anos apenas!),
como é que se procuravam antes disso coisas de interesse na internet? Havia acesso à internet? Pergunta
aos mais velhos se aproveitaram alguma coisa da internet. Já agora: qual é o proveito que tu tiras da internet?
> Qual era o tipo de música que se ouvia há 10 anos?
E agora? Quantos grupos novos surgiram entretanto?
Identifica um caso de inovação…
Tenta identificar no mundo à tua volta um produto/serviço (??...) inovador, que tenha marcado a diferença. A
partir daqui vamos tentar perceber porque é que ele foi
inovador e qual a sua história…
Questiona!
(depois de identificado um caso de inovação)
As mudanças não aconteceram por acaso. Se conseguires perceber quem teve as iniciativas, como é que o
fez, porque é que o fez assim, começas a descobrir a
essência do empreendedorismo. Ao pensar nas mudanças, tenta perceber:
34
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
> Em que consistiu a mudança? O que é que fez a
diferença?
> Quais as mudanças de que as pessoas gostam mais?
Ou as que dão mais jeito?
> Se essa novidade ainda cá está é porque teve sucesso. A que é que se deve esse sucesso? Qual é o interesse que as pessoas vêem naquilo? É melhor? É mais
barato? É diferente? Faz as pessoas sentirem-se bem?
Facilita-lhes a vida? Porquê?
> Como é que surgiu? Quem é que teve a iniciativa?
Alguém ajudou essa pessoa?
> Como é que a pessoa que fez a inovação se apercebeu disso? Se calhar nem pensou nisso e só se foi
adaptando ao que as pessoas queriam? Aconteceu por
acaso ou houve uma procura de corresponder ao que
as pessoas precisavam?
> Que dificuldades e que dúvidas é que teve para seguir
em frente?
Não sabes?!
Então que tal ires perguntar essas coisas?
Não imagines as respostas; pergunta e ouve com
atenção….
Escuta!
Saber ouvir é muito importante. As boas ideias vêm de
saberes dos outros.
Ouvir com atenção quer dizer ter a certeza que compreendeste bem o que o outro queria dizer. Às vezes, em
conversa, dizemos apenas uma parte, pensando que os
outros já sabem o resto.
Uma boa entrevista não acontece por acaso, prepara-se.
Há vários ingredientes que deves ter em conta:
> esperar pela ocasião apropriada para a pessoa a quem
queremos entrevistar, para que esteja disponível;
> ser bem-educado;
> procurar conhecer previamente o assunto e levar já
algumas questões preparadas;
> explorar outras questões levantadas em conversa;
> apontar as respostas;
> juntar-se em grupo, discutir o que se ouviu, identificar
a informação importante para o iniciativa e para o empreendedorismo
> escrever (ou registar em vídeo) os pontos mais importantes
As boas ideias não valem por si. Valem pela utilidade às
outras pessoas. Uma ideia é tanto melhor quanto mais
pessoas ela servir e quanto mais diferença fizer para
essas pessoas.
Um bom ouvinte pode juntar muitas boas ideias de coisas que as pessoas gostariam de ter. No grupo é importante ter bons ouvintes, e depois entender as necessidades que eles identificaram, as oportunidades que estão à
mão de quem souber dar uma boa solução.
Ficarás espantado com a quantidade de coisas que um
grupo com curiosidade consegue descobrir…
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> pensamento sistémico (observação do caso, análise do caso)
> relacionamento interpessoal
> trabalho em equipa
> perseverança
> curiosidade
> estruturação do pensamento
> comunicação
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 3
0h00 – 0h15
Warm-up: Dinâmica do Desafio
0h15 – 0h45
Actividade Perfil do empreendedor
(em grupos de 2 ou 3)
Expor ideias do enquadramento; constituição dos grupos;
brainstorming para identificação de empreendedores da
comunidade; preenchimento de ficha com identificação de
pessoas conhecidas com determinados perfis empreendedores; escolher um caso a estudar por cada grupo.
0h45 – 1h00
Visionamento de testemunhos de empreendedores (variedade de idades, actividades, nível de proximidade ao
sujeito)
Introduzir aqui que os heróis não têm todas as competências, desmontar a ideia que um modelo seja brilhante
em tudo.
1h00 – 1h15
Construção de um guião de entrevista aos empreendedores.
1h15 – 1h30
Actividade: Atenção à comunicação! Role Play
(entrevistador/entrevistado)
1h30
Súmula da Reunião
UNIDADE 02 | 35
SESSÃO
03
ACTIVIDADE
03
WARM UP
DINÂMICA
DO DESAFIO
Material
Caixa de sapatos
com chocolates lá dentro
e um papel contendo
a ordem para comer
um chocolate
Procedimento
Colocar os participantes num circulo, de costas voltadas uns para os outros e colocar uma música animada. Explicar aos participantes que dentro
da caixa está uma ordem a ser feita, e que a caixa deve seguir de uns para
os outros ao ritmo da música, até que, quando a música parar, quem ficar
com a caixa na mão deve abri-la e executar a ordem.
O dinamizador vai criando algum suspense, assustando o grupo, fazendo-os
crer que a tarefa é repulsiva. Podem fazer-se perguntas como: estás preparado? Vais ter que obedecer à ordem… seja lá ela qual for! Pode inclusive
parar a música questionando o jovem: queres abrir? Ou vamos continuar?
Caso este decida não abrir, inicia-se a música novamente e passa-se novamente a caixa.
Quando a música parar definitivamente o felizardo terá a surpresa e encontrará um chocolate e a ordem ‘coma o chocolate’.
A integração da dinâmica deve ser feita no sentido de percebermos o
quanto temos medo de desafios, pois observamos como as pessoas têm
pressa de passar a caixa para o outro, mas que devemos ter coragem e
enfrentar os desafios da vida, pois por mais difícil que seja o desafio, no
final podemos ter uma feliz surpresa/vitória.
ACTIVIDADE
04
PERFIL DO
EMPREENDEDOR
U2 (pág.5)
Para facilitar a actividade pode ser distribuída uma ficha com a seguinte estrutura:
Identificar (nomes):
> 3 pessoas com quem gostaríamos de fazer um projecto;
> 3 pessoas mais influentes na comunidade;
> 3 pessoas com mais sucesso na comunidade;
> 3 mudanças com mais impacto na comunidade nos últimos 3 anos;
> 3 pessoas que tenham mais iniciativas
Entre estes nomes o grupo escolhe um empreendedor, a quem entrevistar durante a semana,
para ficar a conhecer melhor o perfil de um empreendedor.
36
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ACTIVIDADE
DICA
ENTREVISTAS A EMPREENDEDORES
a fazer em grupos de 2 ou 3, segundo guião estabelecido, durante a semana
1. Durante a semana o grupo tem de tentar entrevistar o empreendedor, fazer-lhe as perguntas, recolher também
informação dos clientes ou utilizadores (o que é que eles pensam sobre o caso, usam, não usam, porquê).
2. A seguir à entrevista reúnem para discutir o caso: o que é que cada um percebeu da história, o que é que impressionou mais a cada um (3 a 5 aspectos). Se tiverem dúvidas ou verificarem que esqueceram alguma questão
importante, devem passar por lá de novo a pedir um esclarecimento.
3. Finalmente, na sessão seguinte, o grupo tem de registar e comunicar o que aprendeu: por escrito, apresentação
no computador ou num vídeo, de preferência com fotografias.
ATENÇÃO:
Contar o caso é como contar uma história que as pessoas gostem de ouvir, com princípio, meio e fim; como se o
empreendedor tivesse feito uma viagem e vocês contassem onde começou, por onde seguiu, que obstáculos encontrou, que ajudas teve, quando é que se sentiu em baixo e quando é que se sentiu satisfeito, até onde chegou e onde
quer ainda chegar; porque é que os clientes ou utilizadores vão lá, o que faz para os manter.
4. Os melhores trabalhos (os que encontraram casos mais interessantes ou os que fizeram um trabalho mais completo) serão publicados na revista Escolhas, com uma fotografia do grupo!
ACTIVIDADE
05
CONSTRUÇÃO
DE UM GUIÃO
DE ENTREVISTA
Em grande grupo o formador deve solicitar que os jovens façam um brainstorming de questões que gostariam de colocar ao empreendedor que vão entrevistar. Pode ser útil ajudar a organizar o pensamento dos
jovens fornecendo categorias acerca das quais estas perguntas devem surgir, por exemplo:
> Como é que se lembrou de arriscar num projecto próprio? Antes de pensar naquele projecto já tinha
pensado em trabalhar por conta própria? Alguém na família (ou amigos) já tinha começado um projecto,
por conta própria? Já tinha experiência de trabalho prévia na área do projecto?
> O que é que o fez pensar que iria ter êxito? Conhecia clientes, tinha falado antes com as pessoas para
saber o que elas precisavam?
> Começou sozinho ou com mais alguém? Pediu apoios a alguém? Teve alguém que o ajudasse, que lhe
desse informações importantes? Teve medo de não ter sucesso?
> Quais as questões mais difíceis de resolver no início?
> Qual a maior gratificação depois de tudo isto?
> Se tivesse de dar um conselho a alguém que quisesse começar um projecto por conta própria agora,
que conselho daria?
UNIDADE 02 | 37
SESSÃO
03
ACTIVIDADE
06
ATENÇÃO À COMUNICAÇÃO!
ROLE PLAY
Pretende-se que o técnico faça de entrevistado e caricature possíveis reacções do entrevistado
às atitudes do grupo (Exemplos de situações: Ser menos bem recebido; pedir que se despachem
com a entrevista porque o entrevistado tem a vida muito ocupada; receber uma “resposta torta”
a uma questão).
Para o papel de entrevistadores devem convidar-se os formandos com mais dificuldades nas
competências comunicacionais.
Aspectos importantes a evidenciar:
> Atenção à postura e aos aspectos básicos da comunicação: vão assaltar o empreendedor ou
vão entrevistá-lo?
> Ter a consciência de que vão ocupar o tempo do empreendedor, de que ele está a fazer um
favor e por isso merece ser tratado com respeito e boa educação: Explicar que estão a fazer um
trabalho para o Escolhas e que gostavam de aprender com a experiência dele. A maior parte das
pessoas tem prazer em ser útil e colaborar.
> Perguntar qual a melhor altura para fazer as perguntas.
> À hora marcada e com paciência, levar as perguntas pensadas, mas saber ouvir e perguntar
mais coisas. Se querem informação interessante têm de ter curiosidade e flexibilidade na entrevista, além de saber ser bem-educados.
> Registar as respostas, ou eventualmente pedir para gravar a entrevista, senão depois não se
lembram; o que escreve melhor que aponte as respostas, é muito importante.
> Na próxima sessão cada grupo vai relatar o caso do seu entrevistado. Têm de preparar a história que vão contar. Podem usar imagens, uma apresentação de computador, podem intervir
vários (controlo do tempo).
ATENÇÃO:
Entre as duas sessões o técnico deverá fazer o seguimento do trabalho: facilitar/agendar as entrevistas se necessário, e convocar os
grupos isoladamente para verificar se fizeram a apresentação adequadamente aproveitando para treinar competências de comunicação.
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/comunica/entrevista.htm
38
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SESSÃO
04
QUEM É EMPREENDEDOR?
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> identificar características do empreendedor;
> adquirir modelos de referência (“se ele conseguiu, eu também consigo”)
> ser capaz de assimilar e comunicar um caso de empreendedorismo
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Identificamos e conversamos com pessoas que são empreendedoras, que tiveram iniciativa, criaram algo de novo.
Que é que eles têm de especial?
Há muito que se observam as pessoas empreendedoras e se procura entender porque é que são assim, o que é
que leva uns ao sucesso de criar novas associações, empresas, criarem coisas úteis, criarem postos de trabalho…
Há quem tenha feito uma lista enorme de características do empreendedor, tais como:
> persistente
> impaciente por saber respostas às questões que coloca
> inquisitivo
> com grande vontade de atingir objectivos
> cheio de energia
> orientado por objectivos
> independente
> exigente
> auto-confiante
> capaz de optar
> capaz de assumir riscos calculados
> criativo
> adaptável
> inovador
> visionário
> comprometido
> capaz de resolver problemas
> tolerante perante a ambiguidade
(capaz de trabalhar mesmo sem ter a informação toda)
> com forte integridade
> muito resiliente (não “quebra” facilmente)
> capaz de iniciativa
> capaz de coordenar meios, de organização e gestão
> competitivo
> agente de mudança
> trabalhador
> e até… pessoa com sorte!
> Comunicador
> Capaz de liderar
Claro que tudo isto ajuda para que uma pessoa empreenda com sucesso. Mas ninguém tem todas estas qualidades. Os empreendedores não são super-homens. Então o que é que faz um empreendedor?
UNIDADE 02 | 39
SESSÃO
04
Há 3 tipos de qualidade que são importantes (e que englobam as acima listadas):
> Combatividade e vontade de fazer
> Criatividade e adaptação
> Capacidade de organizar e de trabalhar com outros
Por vezes não é uma pessoa só que consegue tudo isto, mas um grupo em que cada um é bom numa ou mais coisas
(exemplificar adequadamente):
> É preciso um que acredite e que seja capaz de lutar e não desistir perante os obstáculos. É preciso um que seja
capaz de pensar de novo: “ok, assim não deu, vamos ver as coisas de outro modo, mas havemos de conseguir!”. É
preciso um que seja capaz de organizar as coisas: “como é que as coisas vão acontecer, quem é que faz o quê, de
que é que precisamos?”. É preciso um que seja capaz de manter uma equipa a trabalhar, apesar de se saber que
um dia não apetece a um e outro dia há outro que não pode.
> Já viste (na sessão 2) onde é que te encaixavas melhor. Qual é o papel que fazes melhor?
Dos vídeos que viste, dos casos de que falamos, achas que ser empreendedor é uma coisa do outro mundo ou que
está ao teu alcance?
Por vezes, ao pensar nisto, reparamos que nos fazem falta algumas coisas. Era bom se soubéssemos mais, sobre
as pessoas, sobre como funcionam as coisas, sobre os sistemas… Óptimo! Parabéns! É precisamente isso que
sente um empreendedor; que lhe falta ainda informação. E também percebe que nunca vai conseguir saber tudo,
mas que há-de obter algumas respostas à medida que as for procurando. E que as coisas se vão fazendo à medida
que se avança.
Lembra-te: um inovador está a abrir caminhos novos, não está a andar nas estradas que os outros já
percorreram. Não se limita a imitar, mas a inovar, com um toque pessoal, que faça a diferença para as
outras pessoas.
Por isso mesmo é que tem a possibilidade de chegar a sítios onde ainda nenhum outro tinha chegado. Um empreendedor terá sempre um monte de perguntas “em carteira”, mas contenta-se em ir obtendo as respostas uma a uma,
à medida que vai abrindo caminho.
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> pensamento sistémico
> trabalho em equipa
> perseverança
> aquisição de role models viáveis
> comunicação
40
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 4
0h00 – 0h15
warm-up: De quem sou igual ou diferente
0h15 – 0h30
vídeos Escolhas (Cova de Moura; quanto mais
diversificados melhor)
0h30 – 1h00
actividade: apresentação dos casos estudados pelos
grupos; os formandos podem utilizar todos os meios
disponíveis; atenção para cumprirem um tempo máximo
por grupo, introduzido como necessário para que todos
tenham igual oportunidade no tempo disponível
1h00 – 1h20
actividade: perfil do empreendedor, transpondo
atitudes a cultivar por cada um, de acordo com o seu
perfil de competências
ACTIVIDADE
07
1h20 – 1h30
actividade DICA: Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (na sua área de competências e na
comunicação oral: durante a semana cada formando
treinará diante do espelho (e depois diante de outras
pessoas se tiver uma audiência da sua confiança
para o efeito) uma explicação de qual o seu “valor
acrescentado” para o grupo; a nível de melhorias
pessoais procurará desenvolver atitudes de acordo com
a sua principal competência
Se houver tempo, o formador pode anunciar que
na sessão seguinte se vai pensar em ideias para
empreender algo de novo: os formandos podem ir
pensando em várias…
1h30
Súmula da Reunião
WARM UP
DE QUEM SOU IGUAL
E DIFERENTE
> Pedimos aos participantes para se moverem pelo espaço e que, a um sinal, se coloquem junto à
pessoa que a se consideram mais igual. Quando estiverem juntos, dizemos que têm um minuto para
explicar um ao outro as razões porque se escolheram.
> Pedimos novamente que se desloquem pelo espaço e, a outro sinal, pedimos que se coloquem
junto à pessoa que consideram mais diferente. Voltamos a dar um minuto para explicarem o motivo
da escolha.
> Em grande grupo instiga-se a partilha da experiência, fazendo a integração da actividade no
sentido de valorizar a importância de identificarmos os que são parecidos connosco (porque
isso nos faz sentir seguros dentro do grupo, nos faz sentir a pertença a alguém…) mas também no
sentido de valorizar a importância de identificar os que são diferentes de nós (a mais-valia que
é estar num grupo em que outros têm outras características e outras competências que nos podem
complementar).
Competências trabalhadas nesta actividade:
relação de confiança; complementaridade…
UNIDADE 02 | 41
SESSÃO
04
ACTIVIDADE
08
PERFIL DO
EMPREENDEDOR
U2 (5)
O formador expõe o enquadramento. Pode afixar os 3 tipos de qualidades dos empreendedores, visualizando-os com imagens adequadas (os exemplos abaixo poderão ser imagens
da internet):
Combatividade e vontade de fazer
ir à luta
Criatividade e adaptação
fazer o novo com o que parecia banal
Capacidade de organizar
e de trabalhar com outros
locomotiva que puxa a composição
Ainda no mesmo grupo que fez a entrevista e o relatório, os formandos tentam identificar
quais as características que mais notaram no seu entrevistado; podem descer ao pormenor
do quadro do enquadramento que enumera as diferentes qualidades apontadas aos empreendedores (o formador pode facultar uma fotocópia a cada grupo sem ter descrito em
pormenor cada uma).
Cada formando, individualmente, procura identificar de entre essas qualidades todas, aquela
para que pensa ter mais capacidade e aquela para que pensa ter menos capacidade.
Cada formando partilha no grupo completo a sua reflexão. O formador pode construtivamente acentuar mais uma ou outra.
Cada formando escreve no seu manual a qualidade empreendedora para que pensa ter mais
capacidade; sugere-se que o formador tenha disponíveis as 3 imagens acima referidas para
distribuir a cada um a que corresponde à qualidade identificada, para colar no manual.
42
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ACTIVIDADE
DICA
ESTABELECE E ALCANÇA
OBJECTIVOS PESSOAIS!
U2 (pág. 8)
Durante a semana treina em frente ao espelho a explicação que vais dar às outras pessoas sobre o valor que podes
trazer ao grupo.
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
http://www.professorcezar.adm.br/Textos/O%20perfil%20do%20empreendedor.pdf
http://aeiou.expressoemprego.pt/Carreiras.aspx?Id=97
NOTAS
&
IDEIAS
UNIDADE 02 | 43
NOTAS
&
IDEIAS
44
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
unidade
03
IDEIAS
&
PROJECTOS
SESSÃO 5
Ideias para inovar
SESSÃO 6
Desenvolve a ideia
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
45
SESSÃO
05
IDEIAS PARA INOVAR
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Gerar ideias em grupo
> Escutar os outros
> Estar aberto à inovação
> Reconhecer preconceitos próprios
> Aceitar o fracasso
> Validar as ideias pela utilidade para os outros
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Muitas pessoas pensam que os empreendedores são
uma espécie de génios; na realidade, o que os torna
empreendedores de sucesso foi terem posto em prática novas maneiras de responder a necessidades das
pessoas. Fizeram-no:
a. Abrindo novos “mercados” (ou servindo melhor
mercados mal servidos; “mercado” aqui quer dizer as
necessidades de uma certa população)
b. Propondo novos produtos ou serviços, ou
c. Propondo melhor tecnologia ou tecnologia de maior
qualidade
Olhando em detalhe para cada uma das hipóteses:
a. Muitas pessoas pensam que só as grandes empresas
que já dominam o mercado têm capacidade de inovar
com êxito; um especialista7 afirma que, sempre que as
inovações foram disruptivas, as novas empresas tiveram mais sucesso que as antigas. Isso sucede quando:
> há muitas pessoas mal servidas ou que não estão sequer servidas – por exemplo se as pessoas da
comunidade, para conseguirem arranjar a bicicleta,
têm de ir longe e perder muito tempo.
7 Clayton Christensen, Harvard Business School, The Innovator’s Dilemma
46
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
> as pessoas ficariam mais bem servidas com um
produto mais conveniente, ou mais simples e mais
barato – por exemplo se as pessoas procuram um
serviço de lavagem de roupa e não se importam de
ter que a ir buscar e entregar, desde que fosse mais
barato?
> não há outros que já estejam a tentar resolver o
mesmo problema pela mesma via ou à mesma escala
– já há outros a tentar fazê-lo na comunidade?
b. Também quem começa com um novo serviço ou produto tem boas hipóteses de ter sucesso, desde que o
produto ou serviço não possa ser copiado facilmente
(p.ex. quando se trata do talento individual de um pintor
ou de um músico, ou de uma característica local).
c. A introdução de melhor tecnologia ou maior qualidade da mesma tecnologia (desenvolvimento de produto)
é a única destas vias de inovação onde, de facto, os
que já estão no mercado têm sempre mais hipóteses de
sucesso (ou seja, é difícil bater um grande fabricante de
telemóveis ou computadores…)
NOTA:
Se necessário para ajudar os grupos a trabalhar o técnico pode dar alguns exemplos de vias de inovação e introduzir mais detalhadamente as técnicas de brainstorming e analogia:
A nível individual pode-se inovar com êxito:
> Fornecendo produtos ou serviços criativos (por exemplo pintura ou música; artesanato), mas também
> Fornecendo uma série de serviços que podem ir desde cuidados pessoais (massagista, cabeleireira, acompanhamento de doentes) a serviços especializados (tratar de animais, tratar de jardins, etc.);
> Desde que haja inovação e diferenciação: porque se vai aonde os outros não foram, ou em horários diferentes,
porque se tem maior simpatia, porque se é de confiança e não falha, por um sem número de razões que nos distinguem da concorrência…
Portanto, o que é importante é pensar em termos de valor para as pessoas a quem se destina a ideia.
Para explorar ideias novas podem usar o brainstorming (tempestade de ideias) ou a analogia: para resolver um
problema identificado, pode-se inovar copiando soluções que tiveram êxito noutras aplicações (há sectores em Portugal que são reconhecidos como muito desenvolvidos e que podem ser observados por qualquer pessoa; sistemas
e organizações como a Via Verde, o multibanco, os hipermercados introduziram uma série de inovações que podem
ser replicados noutras áreas…). Mais uma vez pode ser usado o brainstorming para propor analogias. Embora a
analogia estruturada use um nível de abstracção elevado, pode acontecer também intuitivamente…
SISTEMATIZAÇÃO PARA BRAINSTORMING
SISTEMATIZAÇÃO PARA ANALOGIA
> Escolhe-se um tema (p.ex. que novidade é que falta à
> Pensa em outras situações que têm o mesmo tipo de
comunidade)
> Durante 5 minutos, todos à vez lançam ideias, com
total liberdade, sem preocupação de serem boas ou
más; ninguém critica
> Simultaneamente alguém aponta todas as ideias num
quadro ou papel;
> Todos ajudam a agrupar as ideias, juntando as que
forem semelhantes ou tratarem da mesma coisa
> Todos pensam quais são os grupos de ideias que
propõem maior inovação e que são realizáveis, p.ex.
sublinhando-os
> Ordena-se (1,2,3…) por prioridade para seguimento
clientes (ou de fornecedores, ou qualquer outra restrição
semelhante à que te parece ser mais importante no teu
projecto)
> Vê como é que eles resolveram o assunto
> Vê se podes aplicar a mesma solução ao teu caso
Questões para desenvolver a sessão:
Olha para a tua comunidade:
> De tudo aquilo de que as pessoas se queixam, o que é
que poderias resolver?
> De todas as coisas de que as pessoas gostam, o que é
que poderias ajudar a que acontecesse mais vezes?
> Quais são as lojas/serviços mais apreciados?
> Onde é que as pessoas perdem mais tempo? Porque
gostam ou porque são obrigados?
> Todas as zonas têm algo de diferente. Porque é
que essa diferença não há-de ser tornada em algo
positivo? Consultar o exemplo da Cova da Moura com
o projecto Sabura: http://moinhodajuventude.blogspot.
com/ ; http://www.covadamoura.pt/index.php/historia/
culturamenu/259-culturacategory/120-sabura)
U3 (3)
A criatividade surge a maior parte das vezes de fazer
associações inesperadas, de questionar a prática corrente, observar a realidade circundante, experimentar e
relacionar-se com pessoas diferentes8.
‘Porquê?’, ‘Por que não?’ e ‘E se?’ são as três questões
fundamentais para inovar, sobretudo se combinadas com
a observação, a experiência e uma boa rede de relações.
8 Hal Gregersen, INSEAD (colocar fonte)
UNIDADE 03 | 47
SESSÃO
05
PARA AJUDAR A VENCER O MEDO DE FALHAR: SE NUNCA FALHASTE É PORQUE NUNCA VIVESTE
É necessário levar os jovens a pensar de modo diferente sobre falhar e estimular a coragem de perseverar.
Há dois benefícios que se retiram do falhar. Primeiro,
fica-se a saber o que não funciona; segundo, tem-se a
oportunidade de tentar de modo diferente. Entender a
falha e conseguir guiar-se a si próprio e a outros através
do “falhanço” é parte da mentalidade e competências do
empreendedor.
Um exemplo conhecido é o do inventor Edison. Falhou
milhares de vezes até conseguir obter uma lâmpada
eléctrica funcional. Qualquer outro teria visto em cada
insucesso um fracasso, mas ele via um sucesso, porque
de cada vez eliminava uma possibilidade, redesenhava
a peça, fazia ajustamentos e isso o aproximava mais do
objectivo. Se tivesse considerado o empreendimento um
fracasso, teria desistido e poderíamos hoje estar todos
ainda a ler à noite com lâmpadas de azeite.
Este exemplo não trata apenas de ter uma atitude positiva,
mas sim de aprender com os erros. Se considerarmos o
fracasso como uma experiência de aprendizagem, deixará de ter poder sobre nós e se aprendermos com ela,
conduz-nos para o sucesso.
Na realidade, os empreendedores aprendem mais com
fracassos do que com sucessos. Frequentemente só
aprendemos o que funciona quando verificamos o que
não funciona. Um velho provérbio chinês diz que “fracassar não é cair mas recusar levantar-se de novo”.
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> Criatividade
> Relacionamento interpessoal
> Resistir a preconceitos acerca do que as outras pessoas pensam ou gostam
> Articular e apresentar uma ideia
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 5
0h00 – 0h15
Actividades: “Isso, e também…”
(baseado em produto de catálogo de Do-It-Yourself
ou “História em uma palavra…”)
0h15 – 0h30
Actividade: aceitar o fracasso (DR)
0h30 – 1h00
Brainstorming: ideias novas (a partir do
enquadramento da sessão)
1h00 – 1h30
Sistematização: Selecção da(s) ideia(s) e dos
grupos que as vão prosseguir
1h30
Súmula da Reunião
48
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ATENÇÃO:
a. Constituição dos grupos - os grupos de 3 ou 4 elementos devem ser formados neste momento, (um por cada ideia que vai ser prosseguida) e a partir
de uma proposta do técnico baseada numa equilibrada distribuição dos jovens,
em função das suas competências e apetências individuais.
Para o efeito os formandos devem reapresentar (agora já como resultado do
seu treino durante a semana) as suas competências e o seu contributo para
um grupo. O formador procurará que haja poucas competências duplicadas
e grupos em que falte um dos 3 tipos de competências. Pode utilizar para o
efeito novamente as 3 imagens distribuídas.Após a constituição dos grupos
faz-se a distribuição de ideias através da negociação e/ou leilão, em que cada
grupo “licita” uma ideia em função do interesse que as várias ideias suscitam,
tendo que justificar o porquê do seu interesse/licitação.
b. Gestão da frustração e promoção da assertividade, porque nem todas
as ideias serão escolhidas/terão potencial para avançar; essas ideias devem
manter-se em stand-by; sintetizar para o grupo a razão de uma ideia ter sido
escolhida em relação a outras
Actividade DICA:
Revisão do Estabelece e Alcança Objectivos Pessoais (continuar a desenvolver
as competências pessoais, reunindo em grupo para articular qual a proposta
inovadora que vão trazer às pessoas; na sessão seguinte vão apresentá-la)
ACTIVIDADE
09
“ISSO, E TAMBÉM…”
A actividade pode realizar-se no grande grupo ou dividir em grupos de 3 a 4 elementos. O
grupo utiliza um folheto de promoção de uma cadeia de lojas de artigos de “faça você mesmo” e escolhe a promoção central. Tenta perceber qual a utilidade daquele produto: o que
é que as pessoas vêem nele, para que é que o iriam comprar, como é que o iriam utilizar.
Depois informa-se os elementos do grupo de que eles constituem uma equipa publicitária e
que o seu objectivo é procurar criar a partir daquele produto um melhor, que corresponda a
tudo o que as pessoas poderiam desejar:
Os elementos do grupo devem construir as suas ideias a partir das anteriormente veiculadas
pelos colegas que os antecederam, começando a sua frase por “Isso, e também…”. Nenhuma
ideia é rejeitada ou criticada, pelo contrário, a improvisação deve ser valorizada.
EXEMPLO:
Elemento 1
Esta nova máquina de furar é extraordinária porque serve para furar madeira, ferro e reboco.
Elemento 2
“Isso, e também … porque vem numa caixa em que as brocas para madeira estão identificadas
com uma cor diferente das de metal e não se perde tempo a procurar a broca certa.
Elemento3
“Isso, e também … é fantástica porque vem com um cabo eléctrico extensível e chega a qualquer
lado sem ser necessário andar a mudar sempre de tomada eléctrica”;
Elemento 4
“Isso, e também porque tem um aspirador na ponta para o pó do reboco não cair ao chão…”
Elemento 5
“Isso, e também porque tem uma pega almofadada para não transmitir as vibrações ao
utilizador…”
NOTA:
Para o exercício ser realmente construtivo, devem ser feitas propostas de acréscimos que
resolvam alguma necessidade ou problema dos utilizadores habituais, sem recorrer a “tecnologias mágicas” que fazem tudo melhor que os outros (por exemplo: vir com uma pilha
recarregável é uma possibilidade real; não consumir energia seria “mágico”).
No final do exercício o formador deve integrar esta actividade apelando à necessidade de
sermos auto-confiantes e ousados na proposta de novas ideias, de, numa primeira fase,
valorizar a geração de ideias sem crítica sobre elas, bem como a necessidade de sermos
criativos para a resolução de problemas.
(in McKnight & Scruggs, 2008)
UNIDADE 03 | 49
SESSÃO
05
ACTIVIDADE
10
HISTÓRIA
DE UMA PALAVRA
O formador deve dispor o grupo em roda e escolher um tema para a criação de uma história. Após a
comunicação desse tema ao grupo um dos elementos começa a contar a história, que os outros devem
continuar, um a um, seguindo a ordem do círculo. A particularidade no relato da história é que cada elemento apenas pode dizer uma palavra. O formador deve instigar o grupo a manter um ritmo rápido.
EXEMPLO:
Elemento 1: “Era”
Elemento 2: “uma”
Elemento 3: “vez”
Elemento 4: “uma”
Elemento 5: “pessoa”
Elemento 6: “que”
Elemento 7: “necessitava”
…
O formador deve integrar esta experiência realçando a importância de se trabalhar em conjunto para
um objectivo comum, de estar aberto à novidade e conseguir abstrair-se de eventuais ideias que se
tinha construído no início sobre a história e de usar a criatividade para construir sobre uma evolução
inesperada. (in Bedore, 2004)
DINÂMICA
SIM, FALHEI!
U3 (2)
O formador começa por treinar com o grupo, numa
roda, a dar saltos, gritando com toda a energia: “sim,
falhei!”. Quanto mais alto e com mais entusiasmo se
fizer isso, mais o grupo participa e mais sucesso tem
o exercício. O objectivo é que os participantes celebrem o fracasso e possam no futuro pensar de outro
modo nestas situações.
A dinâmica é construída sobre o embaraço de falar
em público e pode ser integrada na dinâmica anterior. Os participantes contam uma história, com uma
palavra de cada vez. Todas as histórias começam por
“era uma vez…” (as palavras que os 3 primeiros têm
de dizer) e depois cada um continua como entender.
ACTIVIDADE
DICA
O final da história será “e a moral da história é…”.
Inevitavelmente alguém não vai conseguir pensar
suficientemente depressa para continuar com nexo
o que os anteriores sugeriram e há-de surgir um
“hmm, ahhnn…”. É nesse momento que deve saltar e
gritar: “sim, falhei!”
Havendo tempo, o exercício pode ser continuado em
pares, passando a deixa um ao outro.
Finalmente, o formador junta de novo o grupo todo e
procura com eles analisar o que sentiram ao falhar,
porque é que o sentiram, como é que é visto o fracasso na sociedade, que significado é que teve e o
que é que aprenderam.
REVISÃO DO ESTABELECE E ALCANÇA
U3 (pág. 3)
OBJECTIVOS PESSOAIS!
Continua a desenvolver as tuas competências pessoais, reunindo em grupo para decidir qual a proposta inovadora
que vão trazer às pessoas; na sessão seguinte vão apresentá-la.
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
Making it better (Marketing Mgt-Product_Service Creation-Making it Better-ENMvIII.1)
Ent Processes-Actualization-Gazing into the Future-ENMvII. Ent%20Processes-Concept%20Development-It’s%20All%20About%20Dreams-ENMvIII.2
http://www.psychologytoday.com/blog/ulterior-motives/200907/tools-innovation-ii-analogy-is-the-essence-innovation
(exemplo de inovação de halteres transportáveis)
50
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SESSÃO
06
DESENVOLVE A IDEIA
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
Exercitar a capacidade de comunicação acerca do seu projecto, dos benefícios que ele oferece e da
diferenciação que o caracteriza, face a outros similares.
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
O grupo teve uma ideia - propõe-se que descubra agora como consegue inovar, diferenciando essa ideia de
outras soluções que já existam para objectivos semelhantes.
Começa a estudar o que é que é necessário para a tua
ideia funcionar:
Vê em detalhe como é que funcionam outros que fazem
o mesmo. Por exemplo, se queres fazer um ginásio:
vai à internet ou vai a outros ginásios, como se fosses
um cliente qualquer, e procura saber condições, o que
é que eles oferecem, o que é que as pessoas procuram
e o que é que gostavam de ter.
PROPOSTA DE
DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 6
0h00 – 0h15
actividade: faz sanduíches inovadoras
0h15 – 0h30
actividade: expõe a tua ideia aos outros
(enquanto comes as sanduíches)
0h30 – 0h45
Pesquisa na internet: o que é que outros já
fazem, o que é possível acrescentar, por
analogia com outros produtos
0h45 – 1h15
Brainstorming: como é que podes fazer melhor?
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> criatividade
> relacionamento interpessoal
> resistir a preconceitos acerca do que as outras pessoas pensam ou gostam
> articular e apresentar uma ideia
1h15 – 1h30
Actividade DICA:
revisão do Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais: treinar a apresentação e explicação
do projecto a outras pessoas para a entrevista
(transmitir com entusiasmo e clareza os
objectivos, em pouco tempo, e passar a ouvir).
1h30
Súmula da Reunião
UNIDADE 03 | 51
SESSÃO
06
ACTIVIDADE
11
FAZ SANDUÍCHES
INOVADORAS
Para celebrar o final da unidade 3 o grupo pode fazer um lanche com sanduíches inovadoras:
a partir de ingredientes iguais (pão de forma, tomate, alface, pasta de atum, queijo) em grupos
de 2 elementos (um pode tratar das ideias e outro da execução – usando luvas descartáveis
por causa da ASAE!!; não são necessariamente elementos do mesmo grupo de projecto definidos na sessão anterior). Os participantes fazem uma sanduíche o mais original possível
com atenção aos ingredientes, ao aspecto, ao nome, à finalidade (pode ser comida de pé ou
precisa de faca e garfo?). Pode haver votação para a sanduíche mais apetecível e a sanduíche
menos apetecível (se estiverem ultrapassadas as susceptibilidades)
ACTIVIDADE
12
EXPÕE A TUA IDEIA AOS OUTROS
(enquanto comes as sanduíches)
Cada sub-grupo deve apresentar aos restantes elementos o seu projecto/ideia.
Para isso sugere-se um formato próprio:
1. Começa por dizer quem são as pessoas que têm o problema
(p.ex. pessoas da comunidade que chegam cansados a casa, já tarde);
2. Qual o problema
(e que não têm tempo nem dinheiro para irem a um ginásio noutro lado, mas
querem fazer exercício, porque estão com peso a mais);
3. Qual a solução
(o grupo propõe-se explorar um ginásio que oferece isto e aquilo, fica aqui ao
lado e só custa x por mês)
A vantagem de seguir esta estrutura é que ajuda a clarificar o problema e te
vai ajudar a listar o que ainda não sabes e precisas de saber para perceber
se a ideia é de facto boa. O formador pode dar algum tempo e uma ficha com
os 3 pontos acima, para que possam alinhar as ideias e tomar notas. Cada
elemento do grupo deve copiar para o seu manual (ou colar) a ficha.
52
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
U3 (4)
ACTIVIDADE
13
BRAINSTORMING:
COMO É QUE PODES FAZER MELHOR?
Acabar com uma ficha de diferenciação: Quais são as soluções que estas pessoas têm?
O que é que os outros oferecem a quem tem este problema? Em que é que a nossa
solução vai ser melhor?
Faz uma ficha ou um desenho para explicar as diferenças. Acrescenta à listagem da
actividade anterior um ponto
4. Em que é que a nossa solução é diferente e melhor?
Nesta reunião de grupo devem ficar definidas e começar a ser praticadas funções em cada
grupo, de acordo com as competências pessoais: pelo menos um tem de ser responsável
por registar e distribuir aos outros as observações e as tarefas; outro tem de lembrar as
tarefas e manter os contactos; outro pode fazer pesquisas…
ACTIVIDADE
DICA
ENTREVISTA PESSOAS INFLUENTES
para desenvolver durante a semana
U3 (pág. 6)
Retoma também a lista de pessoas influentes na comunidade (sessão 1) e junta-lhe as 3 pessoas com mais
experiência em trabalhar a atender outras pessoas. Vê de entre essas pessoas a quem podes perguntar
coisas sobre a tua ideia.
Repara que as pessoas desta lista te podem responder a muitas questões sobre muitas outras ideias; e
podem-te indicar nomes de outras pessoas que te podem responder a mais questões. Lembra-te disso: uma
rede de conhecimento de pessoas que te possam responder a questões (ou que saibam quem pode) tem um
valor enorme; muitas oportunidades perdem-se por falta de informação; essas pessoas podem lembrar-se
de ti para um trabalho, podem-te indicar o teu nome a alguém que precise de ti.
Marca um encontro com elas, explica-lhes que estás a fazer este trabalho no Escolhas e pergunta-lhes a
opinião sobre a ideia que o teu grupo teve.
Não precisas de contar tudo se tens medo que copiem a ideia!
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
Making it better (Marketing Mgt-Product_Service Creation-Making it Better-ENMvIII.1)
Ent Processes-Actualization-Gazing into the Future-ENMvII. Ent%20Processes-Concept%20Development-It’s%20All%20About%20
Dreams-ENMvIII.2
UNIDADE 03 | 53
NOTAS
&
IDEIAS
54
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
unidade
04
FAZ
O TESTE
À TUA IDEIA!
SESSÃO 7
Experiência de mãos à obra
SESSÃO 8
É esta a ideia que vai revolucionar a comunidade?!
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
55
SESSÃO
07
EXPERIÊNCIA DE MÃOS À OBRA
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Identificar processos-chave da concretização de uma ideia
> Ganhar experiência prática por observação e realização
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
De boas ideias está o mundo cheio!
Só se sabe se são boas ou más ideias aquelas que se procura pôr na prática… Algumas ideias nem são realizáveis!
Vamos ver se a tua/vossa ideia pode ser posta na prática ou não…Para isso precisamos de analisar qual a actividade central no projecto:
EXEMPLO 1:
Um grupo teve a ideia de enviar roupas e livros para uma população carenciada numa região pobre.
Aparentemente, o problema maior do projecto é recolher os livros e as roupas e conseguir um transporte para essa
região. Mas o problema mais difícil é o que acontece depois: Para que o projecto tenha os resultados que se pretendia,
é preciso que os livros sejam distribuídos a quem os queira ler, as roupas a quem elas possam servir. Quem é que
conhece as pessoas lá, quem é que consegue saber que tipos de livros e que tamanhos de roupas enviar?
EXEMPLO 2:
Um grupo teve a ideia de abrir um ginásio na comunidade, para os moradores poderem comodamente desfrutar de um
serviço que só existia fora da zona e demasiado caro.
Aparentemente, o problema maior do projecto é conseguir um espaço com a área adequada e arranjar forma de pagar
o preço dos equipamentos. Mas só aparentemente! Parece o mais difícil porque é aquilo que requer… dinheiro. Mas na
realidade esse não é um problema, porque se resolve facilmente se houver dinheiro. O problema é o que vem depois, e
que o dinheiro não pode resolver: os clientes. Se os utilizadores não vierem, foi dinheiro deitado fora, tempo e energia
gastos a fazer uma coisa que não serviu!
A questão mais sensível é portanto como é que se arranjam e mantêm os clientes, como é que a equipa do ginásio
se relaciona com os seus clientes: é saber que tipo de equipamento eles querem utilizar, em que horários, em que
condições, com que tipo de contratualização (mensal? com pacotes de senhas? …)
Isto levanta muitas questões. Por exemplo:
> Onde deve ficar localizado o ginásio?
> Que máquinas deve ter?
> Que outros serviços deve proporcionar?
> O que é que se fornece mais às pessoas? Balneários? Toalhas? Vestiários?
> Em que horários deve funcionar? Se tiver que ficar aberto à noite, quem é que fica lá a atender os clientes?
> Quais os preços que as pessoas estão dispostas a pagar? Adiantado ou no final do mês? Leva-se dinheiro por cada
coisa a mais?
56
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
> Utiliza-se senhas ou cartão de sócio? Como é que se regista o cartão de sócio? Como é que se tratam as pessoas que
perderam o cartão e insistem que tu sabes muito bem que são sócios e têm a mensalidade em dia?
> E os fornecedores? Quem faz a manutenção das máquinas? Quem limpa, quantas vezes ao dia?
COMO OBTER AS RESPOSTAS A ESTAS PERGUNTAS?
1. Perguntar aos futuros utilizadores o que é que eles gostariam de ter!
Bem, se o problema é saber o que as pessoas querem, o remédio é ir perguntar-lhes pessoalmente. Onde, como e
quando querem o ginásio. Mas é preciso fazer perguntas bem pensadas e ouvir tudo - e não apenas o que queremos
ouvir (falaremos sobre isso para a próxima sessão).
2. Observar o que outros fazem (para fazer ainda melhor)!
Ajudava muito que tivesses trabalhado noutro ginásio, para saberes o tipo de problemas que surgem. Dizem os especialistas que os empreendedores que tiveram já experiência pessoal na mesma actividade têm maior probabilidade de
sucesso.
A melhor maneira é ver como outras lojas com serviços semelhantes tratam os clientes. Se não conheces um ginásio,
talvez haja outra loja da zona onde as mesmas pessoas vão e onde há o mesmo tipo de problemas…mesmo num restaurante ou uma mercearia, podes observar os problemas que as pessoas põem…
O ideal era que o dono desse restaurante ou mercearia te desse licença para estares lá durante uma manhã a aprender
como ele trata os clientes. E também podias ajudar em alguma coisa, só para o dono não se importar de estares lá….
Se num grupo um de vós ganhar uma manhã de experiência no restaurante, outro na lavandaria, outro na mercearia,
podem crer que nessa mesma manhã juntaram um monte de informação nova sobre o que as pessoas querem quando
lá vão, que tipo se situações surgem, como é que são bem resolvidas e como é que são mal resolvidas…
CONCLUINDO…
IDEIA!
É uma boa ou má ideia?
PERGUNTA!
(aos futuros utilizadores o que é que eles precisam)
OUVE!
(tudo)
OBSERVA…
(o que os outros fazem)
…PARA VER SE CONSEGUES
PÔR A IDEIA EM PRÁTICA E FAZER MELHOR!
UNIDADE 04 | 57
SESSÃO
07
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> Pensamento sistémico (observação do caso, análise do caso, analogia)
> Relacionamento interpessoal
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 7
0h00 – 0h15
Feedback e integração da entrevista a pessoas
influentes sobre as ideias geradas
1h00 – 1h15
Actividade: Brainstorming sobre actividades
semelhantes – 2ª parte
0h15 – 0h45
Actividade:
Brainstorming sobre actividades semelhantes
1h15 – 1h30
revisão da actividade DICA Estabelece e Alcança
Objectivos Pessoais (se houver tempo)
0h45 – 1h00
Dinâmica do Emaranhado
1h30
Súmula da Reunião
ACTIVIDADE
14
FEEDBACK E INTEGRAÇÃO
DA ENTREVISTA A PESSOAS INFLUENTES
SOBRE AS IDEIAS GERADAS
Podem ser dadas algumas pistas para estruturar, sistematizar e sintetizar este feedback.
Por exemplo:
> Como te sentiste enquanto entrevistador?
> O que te surpreendeu mais?
> Alguma coisa te desiludiu?
> Ficaste convencido com as razões que te deram para achar boa ou má a ideia?
> O que te arrependes de não ter perguntado?
…
58
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ACTIVIDADE
15
BRAINSTORMING
SOBRE ACTIVIDADES SEMELHANTES
U4 (3)
Os formandos serão orientados a….
> Pensar na sua ideia
> Tentar perceber o que é realmente o maior problema da ideia do grupo, conforme os
exemplos acima: quem é que conhece as populações carenciadas (exemplo 1) ou o que é
que os clientes de um ginásio procuram realmente (exemplo 2)
> Escrever quais são, por ordem de dificuldade, os problemas maiores para pôr em
prática a ideia do grupo
> Descobrir situações (preferencialmente da sua zona) em que haja problemas semelhantes:
seguindo ainda os exemplos acima, poderiam perguntar-se quem é que conhece as pessoas
carenciadas na sua zona (exemplo 1) ou onde é que há uma loja que tenha clientes como os
de um ginásio (exemplo 2)
> Identificar as instituições/estabelecimentos onde existem problemas/experiências
semelhantes
o formador pode ter já feito uma listagem de instituições/estabelecimentos na zona em que
considere ser possível fazer a experiência de observação do trabalho
> Avaliar se podem ir lá falar com as pessoas que lidam com esse tipo de problemas e
observar como é que fazem
A partir das actividades listadas, os formandos deverão:
> Identificar a pessoa a quem se devem dirigir na instituição que querem observar
(se não conhecem ninguém pedem ajuda ao técnico e tentam identificar alguém que
conheça lá alguém)
> Escolhem entre si quem vai pedir autorização para ficar uma manhã/tarde nesse sítio
(se preciso o técnico vai também explicar o objectivo do trabalho)
> Listar quais os aspectos a observar
> Escrever quais as questões a perguntar ao dono ou encarregado dessa actividade, se
no período de observação houver pouco movimento
> Preparar uma ficha para registar as observações; quem regista?
Combinar uma reunião com o técnico para partilhar observações
UNIDADE 04 | 59
SESSÃO
07
DINÂMICA
EMARANHADO
> Faz-se um círculo de mãos dadas com todos os participantes.
> O formador pede que cada formando memorize a pessoa a quem
deu a mão direita e a mão esquerda.
> Em seguida pede que todos larguem as mãos e caminhem aleatoriamente, passando uns pelos outros olhando nos olhos (para que se
despreocupem com a posição original em que se encontravam).
NOTAS:
No final, pode ser que alguém fique de
costas (o que não tem problema).
Esta dinâmica procura desenvolver a
capacidade de improviso, dinamismo,
paciência e liderança dos integrantes
do grupo.
> Ao sinal, o formador pede que todos se juntem no centro do círculo, “bem apertadinhos”, e que se mantenham nesta posição como
estátuas.
> Em seguida, pede que dêem as mãos às respectivas pessoas que
estavam de mãos dadas anteriormente (sem sair do lugar).
> Posteriormente, o formador pede para que todos, juntos, tentem
abrir a roda. Podem pular, passar por baixo, girar…
> O efeito é que todos, juntos, vão tentar fazer o melhor para que esta
roda fique totalmente aberta.
ACTIVIDADE
DICA
EXPERIÊNCIA DE MÃOS À OBRA
Em inglês chama-se a isto job shadowing, literalmente fazer sombra do trabalho: ou seja, acompanhas
como uma sombra o que faz a pessoa que estás a observar… procuras entender com que situações é que
se depara, porque é que ela faz as coisas… tomas nota como faz… o que diz…
Lembra-te: ninguém gosta de se sentir observado. Tens de explicar que não estás ali para julgar ou enganar
aquela pessoa (muito menos para lhe tirar alguma coisa!). Estás ali apenas para aprender com ela. Pede-lhe
explicações se e quando ela tiver paciência para tas dar; e se puderes ser prestável, ajuda.
Não tenhas medo de ajudar e meter mãos à obra: não há nada como boa vontade da tua parte para gerar
boa vontade da pessoa com quem estás a aprender. Não há nada como fazeres uma tarefa para perceberes
se é difícil ou fácil, se demora muito ou pouco tempo, se a consegues fazer ou até melhorar! Se não houver
riscos pessoais ou de danificar alguma coisa, pede autorização para executares uma tarefa de cada tipo,
sob supervisão de quem as executa normalmente. Pede que te corrijam se não tiveres feito bem. É a melhor
maneira de aprenderes!
60
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SESSÃO
08
É ESTA A IDEIA QUE VAI
REVOLUCIONAR A COMUNIDADE?!
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Rever o valor da ideia em função da experiência de observação
> Avaliar a exequibilidade e capacidade de execução
> Estimular a capacidade de análise do risco
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Agora tens uma ideia, propões-te fazer a diferença num aspecto que achas importante, e já sabes o que precisas
para a pôr em prática!
Então chegou a altura de ires perguntar às pessoas se de facto o que pretendes oferecer tem valor para elas!
Não custa nada, e podes crer que é a informação mais valiosa para um empreendedor.
Mas é muito importante que prepares esse momento!
1. Lembra-te:
queres uma informação que te ajude a validar a ideia; não basta uma opinião qualquer!
O que pretendes não é que te digam se gostam da tua ideia ou não, mas sim se a vão utilizar e quantas vezes.
Por isso, tens de colocar as questões a pessoas que estejam em situação de poder utilizar o que propões, que
possam realmente beneficiar do que tu propões.
Tens de perguntar também a quem vai tomar a decisão de usar ou não o que tu propões (exemplo: se fores
propor uma actividade para crianças pequenas, tens de perguntar também as opiniões dos pais).
Começa por fazer uma lista das pessoas que poderiam estar interessadas em utilizar o que propões. Pensa em
nomes… depois pensa porque razão é que essas pessoas poderiam utilizar o que propões… e hás-de lembrar-te
de muitas mais pessoas na mesma situação!
Conclusão: Se um grupo tiver 3 elementos e cada elemento do grupo interrogar durante a semana 10 pessoas
diferentes, ao fim da semana têm 30 respostas, o que é muito bom!
2. Escolhe um bom momento! Aproveita o momento!
Se queres que as pessoas te dêem 2 ou 3 minutos do seu tempo para responder a questões que para ti são muito
importantes, tens de:
> Ser bem-educado
> Aproveitar uma ocasião em que estejam disponíveis (e não quando vão a correr para apanhar o autocarro).
UNIDADE 04 | 61
SESSÃO
08
E não lhes tomar muito tempo!
> Explicar para que é que queres fazer aquelas perguntas
(podes explicar que estás a fazer um projecto no Escolhas)
> Ser persistente! Como em tudo no empreendedorismo, é preciso persistência. Pode ser que te digam que naquela
altura não têm tempo. Explica que é muito importante saber a opinião delas e pergunta se podes vir noutra altura.
3. Tens de levar as questões preparadas!
Quando estiveres com um potencial cliente (utilizador):
a. Numa frase ou duas explica do que trata a ideia.
ATENÇÃO:
Não vais falar com eles para “vender” a tua ideia. Se fores demasiado persuasivo, insistente, as pessoas podem dizer
que sim só para se verem livres de ti, ou porque lhes estás a prometer demasiado.
O que tu queres é uma informação real da utilidade que os teus potenciais clientes vêem na tua ideia: tens de a apresentar
claramente, dizer o que faz e o que não faz, e tentar perceber em que condições é que as pessoas utilizariam a tua ideia.
b. A seguir, coloca 3 ou 4 questões que te permitam chegar ao que te importa mesmo saber.
Escreve as questões de modo a que as pessoas possam responder quase só com sim ou não, ou com um número
(por exemplo: quantas vezes por semana é que iria ao ginásio, a que horas, fazer que tipo de exercícios).
c. Aponta as respostas, sempre.
No final do dia já não te vais lembrar do que as pessoas disseram; já só terás uma impressão. Por isso, escreve
mesmo tudo. E se não perceberes bem a resposta, pergunta o que é que as pessoas querem dizer.
A melhor maneira é levar a folha das questões preparada com quadradinhos diante de cada pergunta, para apontares ali os sim, os não, os números ou ainda alguma resposta mais complexa mas que te pareceu importante.
EXEMPLO…
QUANTAS VEZES POR SEMANA
É QUE IRIA AO NOSSO GINÁSIO?
NUNCA
1
2
3
OUTRA
RESPOSTA
Se as pessoas te responderem com interesse, tenta saber mais, por exemplo:
> O que é que elas fazem actualmente para satisfazer as mesmas necessidades?
> O que é que não as satisfaz (não é só o dinheiro que custa; o tempo e o incómodo também!)?
> A que diferença é que elas dariam mais valor?
NOTA:
Procura registar se as pessoas perceberam o que é que lhes propunhas, se a resposta foi quente, morna ou fria ou se não
conseguiste sequer expor a ideia.
Se depois de 2 ou 3 entrevistas achas que as pessoas não estão a entender a ideia, junta-te com o grupo de novo e pensa se
é necessário explicar a ideia de outro modo.
62
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
4. Agradece e abre caminhos!
No fim agradece e não te esqueças de perguntar duas coisas:
> 1. Se gostariam que lhes desses mais informação se o projecto sempre for para a frente;
> 2. Se conhecem mais alguém que pudesse estar interessado no que propões, e se te dão o contacto para lhes
ires colocar as mesmas questões. Caso não se sintam confortáveis em dar o contacto agradece na mesma.
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> Pensamento sistémico (observação do caso, análise do caso)
> Relacionamento interpessoal
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 8
0h00 – 0h30
Feedback e integração do Job Shadowing
1h00 – 1h20
Escreve as questões e prepara a folha!
0h30 – 0h45
descreve o tipo de pessoas que poderiam ser
“clientes” da ideia do grupo
(cada um escreve alguns nomes, em grupo tentam
lembrar-se de mais pessoas)
1h20 – 1h30
revisão do Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (se houver tempo)
1h30
Súmula da Reunião
0h45 – 1h00
Actividade de “descontracção”
ACTIVIDADE
16
FEEDBACK E INTEGRAÇÃO
DO JOB SHADOWING
Mais uma vez, devem ser dadas pistas para estruturar, sistematizar e sintetizar este feedback.
Por exemplo:
> Conseguiste ser sombra?
> O que te surpreendeu mais?
> O que te desiludiu mais?
> O que foi mais difícil?
> Imaginas-te a realizar aquele tipo de trabalho? Porquê?
> Colaboraste activamente em alguma actividade?
> Como te sentiste a lidar com clientes?
> O que aprendeste?
>…
UNIDADE 04 | 63
SESSÃO
08
ACTIVIDADE
17
DESCONTRACÇÃO
Pede-se a três voluntários que saiam da sala.
Chama-se um voluntário, dá-se-lhe um marcador e pede-se-lhe para que comece a desenhar
qualquer coisa numa cartolina, indicando-lhe uma parte: em baixo, em cima, ao meio.
Quando este acabar tapa-se o desenho com papel de jornal deixando apenas descobertas
algumas linhas.
Entra a segunda pessoa que continua a partir dali o seu desenho, seguindo-se a terceira que
repete o procedimento anterior.
Descobre-se o desenho resultante dos três.
A discussão parte de não ter existido qualquer comunicação para realizar o desenho colectivo, reconhecendo a importância de trabalhar em conjunto tendo um acordo prévio para
alcançar objectivos comuns.
Com esta actividade o jovem irá compreender a importância de comunicar com os elementos
da sua equipa e traçar objectivos comuns a cumprir de forma a garantir a mesma orientação
das acções de todos os elementos.
ACTIVIDADE
DICA
ESTABELECE E CULTIVA CONTACTOS
COM POTENCIAIS CLIENTES
Durante a semana, ao fazer as entrevistas conforme o questionário desenvolvido, os formandos devem
lembrar-se que estão a conhecer pessoas que alargam a sua “rede social” de conhecimentos. Para além de
estarem atentos às respostas, devem procurar conhecer outras necessidades das pessoas que entrevistam
(talvez retirem ideias para outros projectos!) e tomar atenção às redes sociais dessas pessoas: uma pode
conhecer alguém que trabalha em determinado sector, outra pode conhecer alguém que estivesse interessado em alguma coisa parecida, outra ainda pode estar interessada em participar num projecto desse tipo e
pode trazer experiência ou alguma competência importante.
Devem ter em atenção os passos ensaiados na actividade da semana anterior: cortesia, explicação clara do
objectivo do contacto, disponibilidade para voltar a falar em altura oportuna, capacidade de ouvir e não de
“impingir” a ideia.
64
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
NOTAS
&
IDEIAS
UNIDADE 04 | 65
NOTAS
&
IDEIAS
66
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
unidade
05
VAMOS LÁ
PASSAR
À PRÁTICA
SESSÃO 9
Faz um mapa de viagem para o teu projecto
SESSÃO 10
Comunica o teu projecto
SESSÃO 11
Equipa, Parcerias & Negociação
SESSÃO 12
Financiamento & coisas legais
SESSÃO 13
Credibilidade
MANUAL PARA OS TÉCNICOS
67
SESSÃO
09
FAZ UM MAPA DE VIAGEM
PARA O TEU PROJECTO
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Desenvolver capacidade de planeamento, de previsão e prevenção de problemas
> Identificação do que são riscos e do que é apenas falta de informação disponível
> Detectar necessidades de informação e de competências complementares.
NOTA AO TÉCNICO:
Pressupõe-se que a unidade 5 só é iniciada se houver algumas ideias exequíveis e grupos com motivação para as executar (mesmo
que mais à frente verifiquem que não é possível). O técnico deverá ter verificado previamente se os grupos fizeram a actividade DICA
de recolha de informação dos potenciais clientes com resultados encorajadores.
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Já se disse que inovar é como descobrir um novo caminho, por exemplo como fazer uma escalada para
atingir o cimo de um monte.
À primeira vista pode-te parecer que, para chegar ao cimo, basta ir a direito (seta a cheio). Mas se ampliares um pouco a imagem, começas a perceber que há obstáculos impraticáveis. E, se tiveres experiência
ou tiveres mostrado a imagem a outro que tenha experiência de alpinismo, de certeza que reconhece os
obstáculos e te dá dicas sobre como proceder (percurso tracejado).
68
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Podes pensar: oh, assim é muito complicado, demora muito mais. Claro! Ser empreendedor não é para
qualquer um. Se fosse fácil, qualquer um era. Mas tu já tens muita informação: durante este projecto
escolheste o objectivo e já identificaste e pediste a opinião de gente experiente. Agora vamos preparar
ao detalhe a subida, para que tenha êxito, para teres a certeza que levas tudo o que precisas para chegar
lá a cima.
U5 (3)
> Primeiro faz uma listagem do que precisas para pôr a ideia a funcionar (instalações, equipamento,
pessoas, etc.);
por exemplo, se o teu projecto é oferecer um serviço de tomar conta de cães, poderás até não necessitar de instalações,
mas há com certeza outras necessidades:
> equipamentos (trelas ou açaimes? se chover, como é que fazes?)
> outros serviços complementares (será que as pessoas querem que dês banho aos animais? tens lugar para isso? e
se quiserem que tu leves os cães à vacina? conheces algum veterinário? onde levas os boletins de vacinas, de modo
a que não se estraguem nem se percam?)
>…
> quem é que se vai ocupar disto?
> Noutra folha lista o que é necessário para comunicares a tua ideia/serviço às outras pessoas (vais falar
numa reunião, vais falar porta a porta, vais ter de falar por telefone, vais ter de enfiar um folheto pela
caixa do correio?);
Retomando o exemplo do serviço de tomar conta de animais domésticos, como é que informas as pessoas que
ofereces esse serviço?
> cartões de visita nas caixas de correio? conversa porta a porta? conversa com as pessoas que estão a passear os
cães?
> …
> tudo isso é simples, mas vai-te ocupar tempo; quem é que se vai ocupar disto?
> Noutra folha lista o que vais consumir de cada vez que fazes um serviço/entregas um produto (quanto
é que custa o que tu entregas); (aproveita o desenho do produto/serviço que fizeste na sessão 6, pensa
em embalagem e instruções:
> onde compras os champôs? quanto tens de levar por um banho? quanto custam as vacinas e quanto é que podes
cobrar pelo serviço? e as pessoas pagam adiantado ou quando lhes entregas os boletins carimbados?
> se tiveres de fazer um transporte ou uma chamada, quanto é que isso custa?
>…
> já agora, acrescenta quanto tempo é que leva o serviço e quantas pessoas ocupa…
> és capaz de fazer uma tabela com os custos dos diferentes serviços? quem é que se vai ocupar disto?
Em cada uma das 3 folhas, acrescenta para cada ponto quem te pode fornecer as informações necessárias sobre onde e como arranjar tudo o que precisas (catálogos, internet, lojas, pessoas).
Tenta perceber quanto custa cada uma das coisas que precisas. Os custos são importantes. Quanto é que
custa a tua ideia? Quanto é que alguém tem de pagar para que possas fornecer esse serviço/produto? E
para o melhorar? E para tornares isso a tua profissão e tirares um ordenado?
Tenta perceber quanto tempo é necessário até que esteja tudo disponível e a funcionar (imagina que tinhas começado a escalada e depois tinhas de passar uma noite encavalitado nuns penedos ao frio, porque
te faltava uma corda que só chegava no dia seguinte…)
UNIDADE 05 | 69
SESSÃO
09
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> criatividade
> relacionamento interpessoal
> controlo do riscos
> articular e apresentar uma ideia
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 9
0h00 – 0h30
Integração entrevistas aos clientes (em conjunto)
0h55 – 1h20
Actividade: listagens, pesquisa na internet
0h30 – 0h45
Dinâmica da ilha deserta
1h20 – 1h30
Revisão do Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (se houver tempo)
0h45 – 0h55
Metáfora da escalada; imagens da montanha e dos
materiais
ACTIVIDADE
18
1h30
Súmula da Reunião
INTEGRAÇÃO
DAS ENTREVISTAS AOS CLIENTES
Podem ser dadas algumas pistas para estruturar, sistematizar e sintetizar este feedback.
Por exemplo:
> Como te sentiste enquanto entrevistador?
> O que te surpreendeu mais?
> Alguma coisa te desiludiu?
> O que ficaste a perceber sobre o que os clientes querem/valorizam num produto como o teu?
> O que ficaste a perceber relativamente às principais dificuldades/obstáculos com que o teu
produto se vai confrontar?
> O que te arrependes de não ter perguntado?
>…
70
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
DINÂMICA
ILHA DESERTA
O formador distribui uma folha de papel e um lápis a cada participante, e dá a seguinte
instrução:
“Cada um de vocês foi escolhido para um programa de exploração espacial. Como primeiro teste
do programa, deverão ficar numa ILHA DESERTA, e poderão levar APENAS 5 coisas. Enumeraas por ordem de importância. Tens só 3 minutos para escolheres o que levar.”
Após 3 minutos solicita-se ao grupo que se organize em subgrupos no mínimo 3 pessoas, e
o formador dá a seguinte instrução:
“Agora deverão preparar-se para uma nova viagem. Ficarão 6 meses aproximadamente, numa
outra ilha também deserta. Cada grupo só pode levar 5 coisas. Procurem trabalhar em consenso
para escolher essas coisas e enumerem-nas em ordem de importância para o grupo. Terão 5
minutos para isso”.
Após 5 minutos será feito novamente um grupo único e agora TODOS deverão chegar a um
consenso escolhendo os 5 objectos a serem levados, baseando-se ou não nas duas listas
anteriores. O formador dará 5 minutos para a realização dessa etapa.
O formador deve promover a integração desta actividade reflectindo com os jovens:
> A necessidade de fazer escolhas
> A dificuldade em fazer escolhas – porque cada escolha implica abdicar de uma alternativa
> A importância de fazer escolhas que correspondam a um projecto de vida
> A dificuldade em fazer cedências às ideias dos outros e o enriquecimento/melhoria potencial que essas cedências também podem representar para um projecto comum
> As pontes com os projectos de empreendedorismo: a necessidade de fazermos escolhas das ideias a perseguir, a necessidade de abdicar de outras coisas para termos tempo
para estas, dar prioridade a levarmos connosco o que realmente é importante para que
tenhamos êxito, e não aquilo a que estamos habituados…
Um par de sapatos e uma corda podem ser mais importantes na escalada do que uns óculos de
sol e um MP3; estes são agradáveis, mas se não houver lugar/tempo para tudo, como é que
optamos…
UNIDADE 05 | 71
SESSÃO
10
COMUNICA O TEU PROJECTO
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Desenvolver a capacidade de comunicação de uma ideia
> Apresentar propostas com entusiasmo e persuasão
> Valorizar as redes sociais
NOTA PRÉVIA:
Nesta sessão, depois de preparada e comentada a comunicação do projecto (elevator pitch), o formador anuncia que os
grupos farão essa apresentação às pessoas influentes da comunidade (instituições, Junta de Freguesia, etc.). Deve ser
entendido como uma oportunidade única.
Para o efeito o formador deverá ter previamente procurado verificar essa disponibilidade e agendar as apresentações.
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Os grupos tiveram uma ideia, validaram junto de potenciais utilizadores que a ideia era útil e planearam o
que era necessário fazer para pôr a ideia em prática.
Provavelmente não disporão de tudo o que é necessário para isso: faltam-lhes materiais, dinheiro, competências e, sobretudo, informação.
Com isso estão exactamente na mesma situação que
qualquer outro empreendedor. Têm de começar a pensar em quem é que pode ajudá-los a obter o que lhes
falta, em quê que os pode ajudar e porque razão é que
os há-de ajudar.
Há várias razões porque alguém pode querer ajudar. A
primeira é que as pessoas, de um modo geral, gostam
de ajudar, desde que não estejam sob pressão para fazer outra coisa. A maior parte das pessoas gostaria
de ajudar jovens empreendedores, que se apresentem bem-educados e que querem por de pé um projecto construtivo, algo de útil. A maior parte das pessoas
gosta de partilhar a sua experiência e sente-se compensada com um ouvinte interessado e um “obrigado”.
72
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Outra razão importante é o potencial das “redes sociais”, a rede de conhecimentos das pessoas. Muitas
vezes basta que possas dizer que vais da parte de uma
pessoa conhecida para que atendam com muito mais
disponibilidade e boa vontade. Durante este projecto
fizeste já entrevistas a pessoas que têm experiências
diversas. Ganhaste tu próprio uma rede de contactos,
pessoas que tu conheces e que já te conhecem. Mesmo
que elas não te possam fornecer as informações todas
que precisas para este projecto, é natural que conheçam outras pessoas que tenham essas informações.
Como funciona a rede social?
Tu pedes a essas pessoas que te indiquem outras que
eles pensam que sabe alguma coisa acerca do assunto
que te interessa; perguntas sempre se podes dizer que
vais da parte delas. E as pessoas indicam-te sempre
nomes, desde que saibam que és de confiança.
Também na instituição que promove o projecto te podem indicar alguém na Junta de Freguesia, nas Finanças, numa Associação, na ASAE ou ACT (Autoridade
para as Condições de Trabalho). Quando chegares junto
desses e disseres o nome de quem te enviou lá, mesmo que seja apenas um conhecimento de ocasião e não
uma grande amizade, as pessoas ficam mais disponíveis
para te ouvir. Podes e deves referenciar o Escolhas.
As pessoas só não te atendem se lhes fizeres pensar que as estás a fazer perder tempo ou a enganar.
Tu próprio terás experiência disso, quando te abordam
com histórias muito complicadas, que não levam a lado
nenhum. Portanto, a tua história tem de ser facilmente
compreensível e as pessoas têm de compreender que a
ajuda que estás a pedir não passa por “uma moedinha”.
DUAS NOTAS:
Se a única coisa que não podes pedir é dinheiro, onde é que vais
arranjá-lo? Veremos isso noutra sessão, porque há sítios adequados
para isso. Também aí vais ter de contar a tua ideia de forma clara,
para as pessoas compreenderem que faz sentido e que merece ser
apoiada.
Mais uma vez, não interessam palpites nem “conversa fiada”, mas
informações válidas e que te façam progredir no teu projecto. O
grupo tem de pensar primeiro em quem pode dar informações.
Seguidamente tem de pensar que informações quer obter e não
esperar que as pessoas façam o projecto pelo grupo. É em função
disso que prepara a comunicação do projecto, de modo a dizer claramente o que pretende e porque razão é que essa pessoa o há-de
ajudar. Depois tem de arranjar uma ocasião adequada, ter preparado
a entrevista e aproveitar a ocasião.
O teu objectivo é pois saber contar a história do teu
projecto com os detalhes necessários, com verdade e
com entusiasmo.
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> criatividade
> relacionamento interpessoal
> assertividade
> articulação e apresentação de uma ideia
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 10
0h00 – 0h30
Introdução da importância da comunicação
do projecto (enquadramento) e preparação
do elevator pitch
0h30 – 0h45
Apresentação: filmagem no computador; todos os
elementos do grupo devem fazer esta experiência
0h45 – 1h15
Visualização no computador e feedback a cada
elevator pitch
1h15 – 1h20
Marcação da apresentação dos projectos às forças
locais
1h15 – 1h30
Revisão do Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (se houver tempo)
1h30
Súmula da Reunião
UNIDADE 05 | 73
SESSÃO
10
ACTIVIDADE
19
PREPARAR
O ELEVATOR PITCH
U5 (9)
O elevator pitch é a comunicação eficaz de um projecto num tempo muito curto.
Parte de princípio que os ouvintes, sendo influentes mas atarefados, têm frequentemente pouca
disponibilidade, porque são abordados muitas vezes para coisas que não lhes interessam ou que
não está ao seu alcance resolver. Procura captar a atenção desse ouvinte para que o consigas
fazer interessar-se o suficiente para querer saber os detalhes do projecto ou referenciar alguém
que possa dar as respostas pretendidas. Frequentemente o elevator pitch é a primeira abordagem a um potencial financiador.
O elevator pitch é:
> curto (dois a três minutos no máximo)
> apresentado por uma só pessoa
> começa por rapidamente identificar a pessoa, o objectivo e área de que trata o projecto
(ex: sou fulano, estou/estamos a trabalhar num projecto de um ginásio comunitário e gostaria de
pedir o seu parecer sobre a melhor maneira de financiar este projecto; ou: sou fulano, estou/estamos
a trabalhar num projecto de prestação de cuidados de animais domésticos e gostava de saber se está
interessado numa colaboração para vacinação e outros cuidados veterinários aos cães dos nossos
clientes…)
> o que o projecto pretende fazer (porque razão é que é bom? resolve que grande problema? Aqui
é que tem de levar o interlocutor a pensar que vale a pena ouvir este: “ah, isto foi bem pensado, de
facto esse problema existe e a solução que eles dão faz sentido”; “é capaz de ter pernas para andar,
esta gente é dinâmica”…); para esta apresentação recorre-se de novo aos 4 pontos já ensaiados
na sessão 6:
> Quem são as pessoas que têm o problema
> Qual o problema
> Qual a solução
> Em que é que a nossa solução é diferente e melhor?
Propõe-se que todos treinem o elevator pitch, para aprendizagem e entreajuda. Quando estiver
pronto, e for apresentado às pessoas que de facto podem/devem ajudar o projecto, só um (previamente designado) é que fala.
74
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Que é que eles querem de mim, afinal?
Ah, sabem que tenho experiência nesta área e
querem que eu os ajude a falar com…
Mas que é que tenho a ver com isto?
O problema é sério?
Interessa a muita gente
Só interessa a poucos
O problema é para durar?
Precisa mesmo de ser resolvido
É pontual
O problema dói mesmo a quem o tem?
Está toda a gente ansiosa por uma solução
As pessoas passam bem se continuar
tudo na mesma
E a solução, é séria?
Resolve tudo
Não resolve o essencial
E a solução, é única?
De facto, é uma ideia engraçada, é diferente
Ora, já há imensa gente a fazer isto
E este grupo, é capaz de a por a funcionar?
Viram bem a coisa, têm informação interessante,
estão entusiasmados e são dinâmicos
Fizeram isto só para se entreter, não trazem
nada de novo, não sabem o que fazer
Se no final a balança pesar a nosso favor, é natural que o interlocutor esteja disposto a saber mais e a fazer mais.
ACTIVIDADE
20
FEEDBACK
AO ELEVATOR PITCH
O formador deve comentar aspectos positivos e negativos da prestação de cada um dos jovens
relativamente a:
> Eficácia na transmissão da sua mensagem (o projecto ficou claro para alguém que nunca tivesse
ouvido falar dele? foi claro o que se pretendia do interlocutor? disse o essencial do projecto?)
> Adequação da linguagem verbal utilizada
> Adequação da linguagem não-verbal utilizada (tom de voz, postura)
> Impacto imaginado no receptor da mensagem (entusiasmo pelo ideia, adesão ao que lhe foi pedido)
O feedback do formador deve ser antecedido pela apreciação crítica do próprio jovem em questão
(aprofundando a capacidade de auto-consciência e auto-avaliação) e pode ainda ser complementado
pelos comentários dos restantes elementos do grupo (no sentido do envolvimento activo de todos os
jovens na hetero-avaliação e desenvolvimento dos elementos do grupo).
UNIDADE 05 | 75
SESSÃO
11
EQUIPA, PARCERIAS
& NEGOCIAÇÃO
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Identificar competências, distribuição de funções
> Negociar o alinhamento de objectivos
> Desenvolver propostas de parcerias
> Desenvolver estratégias de partilha e ganhos mútuos
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
É frequente ouvir dizer que um aspecto fundamental
num projecto é a qualidade da equipa que o vai pôr em
prática. Nas sessões iniciais já se falou do contributo
de cada um para a equipa. É importante que cada um
assuma, cada vez mais, as funções necessárias para
por o projecto em prática e verificar se a equipa tem as
competências todas ou precisa de mais alguma.
Competências
1. É muito frequente que a equipa não tenha as competências todas. Algumas dessas competências são
comuns a qualquer projecto e podes subcontratá-las.
Por exemplo, é provável que no grupo ninguém saiba
nada de contabilidade. Como isso é uma função que é
comum a todas as instituições ou empresas, pode ser
assegurada por um gabinete de contabilidade, ao qual se
terá de pagar o serviço.
Todas as competências que não são diferenciadoras
(que não contribuem para aquilo de novo e único que o
projecto oferece) podem e devem ser subcontratadas.
Pensa antes nas funções chave do teu projecto, aquelas que são essenciais ao projecto. Quais das funções
é que o grupo pode assegurar e quais é que não pode?
Por exemplo, se queres abrir uma oficina de reparação
de electrodomésticos, é essencial que alguém saiba se um
aparelho tem conserto ou não. (Provavelmente também
não tinhas tido essa ideia se já não tivesses conhecimentos
de reparações, ou não conhecesses alguém que tem.)
76
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Mas se esta competência é essencial ao teu projecto
e é importante reforçá-la com alguém que saiba mais,
o grupo tem duas hipóteses: ou convida essa pessoa
para fazer parte do grupo (para ser “sócio” do projecto)
ou procura fazer uma parceria com essa pessoa.
Uma parceria é um acordo prévio, relativo a uma colaboração, e que te permite melhorar o produto/serviço
que ofereces aos teus clientes.
Por exemplo, no projecto de serviços de cuidados a
animais domésticos foi referido um veterinário, como
uma hipótese de acrescentar valor e diferenciação. Neste
caso poderás recorrer simplesmente a um qualquer, mas
arriscas-te a que naquele dia não possa atender e pagas
os preços de tabela. Se for importante para a novidade e
diferenciação que propões garantir que o veterinário te
atende sempre e que tenhas bons preços, podes tentar
fazer uma parceria com um veterinário que te garanta
essas condições.
2. Ao verificares as competências que o projecto tem
de ter e comparares com aquelas que o grupo assegura, podes chegar à conclusão que no grupo há duplicação de competências; ou seja, faltam algumas e há a
mais de outras (dois ou mais elementos só iriam fazer
a mesma). Nestes casos o grupo tem de pensar muito
bem se vai haver trabalho para todos (por exemplo trabalhando por turnos, ou um numa cidade/zona e outro
noutra) ou se o que vai acontecer é que uns vão acabar
por fazer nada e os outros tudo, ou ainda se vão desen-
tender-se porque começam dois a fazer a mesma coisa.
Se o grupo verificar que há pessoas a mais a fazer o
mesmo, deve pensar seriamente em seguir vias separadas. Nada impede que um grupo de amigos se continue
a encontrar, mas seria um mau serviço, uns aos outros,
se insistissem em fazer uma coisa que vai gerar desentendimentos e inviabilizar o projecto.
Negociação
Sempre que é necessário tomar opções que envolvem
outras pessoas é importante saber negociar.
Algumas pessoas pensam que a negociação é a arte de
enganar o outro. Na realidade, a negociação é a arte
de acordar uma solução que interesse às duas partes.
Chama-se a isso uma solução win-win, ou de ganhos
mútuos. Quando as duas partes têm a ganhar, vão as
duas dar o seu melhor para que o acordo funcione.
Para isso é necessário compreender os interesses das
duas partes e discutir francamente, com assertividade e
imaginação, todas as hipóteses que possam interessar,
até encontrar a que melhor serve as duas partes.
Retomando o exemplo do veterinário:
Podes explicar o teu projecto e o que é importante para
ti (um veterinário certificado, preços abaixo da tabela,
serviço garantido no horário) e o que lhe podes oferecer
em troca (trazes-lhe x animais por mês, que de outro modo
não seriam provavelmente clientes dele). Mas deixa que
ele te diga o que é que ele te pode oferecer (pode ser que te
dê mais ideias do que possa interessar aos teus clientes).
Tenta perceber em que é que lhe podes ser útil e ele a ti.
Para negociar:
> Pensa primeiro nos objectivos da negociação: escreve o que
é realmente importante para ti.
> Prepara-te, reunindo toda a informação que possas sobre o
assunto, e deixando que o outro se prepare também.
> Põe-te primeiro na pele do outro e tenta perceber o que é
importante para ele. Ouve com atenção como é que ele funciona e em que é que lhe podes facilitar ou complicar a vida.
> Diz-lhe também claramente o que é que te facilita e complica
a ti a vida.
> Explora outras possibilidades, e ouve as alternativas que a
outra parte ponha (e se fizermos antes assim…)
> Confirma com a outra parte tudo o que vais entendendo.
> Ao longo de todo o processo procura não ter preconceitos
(sobre o que o outro quer, sobre o que lhe interessa, sobre as
intenções dele) respeitar a outra parte e manter um clima de
cordialidade, mesmo quando estão a sublinhar diferenças que
parecem insolúveis. Não se trata de satisfazer o teu ego, mas
de encontrar uma boa solução.
> Só depois de exploradas as possibilidade é que se procura
chegar a um acordo. Podes começar pelo “encontro a meio
caminho”, sublinhando bem as vantagens que estás a oferecer.
> Não te esqueças de escrever os detalhes (como é que se
põe na prática o acordo) e de os mostrar à outra parte, para
ver se confirma.
Para diferenciar e explicar a vantagem de uma comunicação assertiva:
AGRESSIVO
O comunicador defende os seus direitos à custa dos direitos dos outros. Usualmente envolve exigências, culpabilização do
outro e punição, através do uso de agressividade verbal, ameaças e até contacto físico.
PASSIVO
O comunicador evita expressar as suas opiniões, vontades e sentimentos, submetendo-se facilmente aos dos outros. Evita
a luta e a discussão mantendo-se afastado.
MANIPULADOR
O comunicador utiliza a linguagem como disfarce, ao serviço dos seus próprios interesses e em detrimento dos interesses
dos outros. Sem se fazer notar leva os outros a fazer o que deseja sem olhar aos direitos dos outros.
ASSERTIVO
O comunicador afirma honestamente as suas opiniões, vontades e sentimentos e simultaneamente respeita e promove as
opiniões, vontades e sentimentos dos interlocutores
O comunicador é assertivo quando não tem medo de falar sobre o que pensa e o que sente, mas comunica de maneira a
respeitar as fronteiras do outro. Aceita que as necessidades dos outros são tão importantes como as nossas, mas expressa
os seus direitos e necessidades e tende a enfrentar os os problemas directamente e a focar-se nas soluções.
UNIDADE 05 | 77
SESSÃO
11
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> capacidade de análise e planeamento
> capacidade de negociação para ganhos mútuos
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 11
0h00 – 0h40
Enquadramento das Competências e Actividade
puzzle das competências
1h00 – 1h15
Dinâmica Negociação com o cliente
1h15 – 1h30
Revisão do Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (desenvolve um perfil no linkedIn ou outra
rede social e atreve-te a por no ar o teu perfil)
0h40 – 1h00
Enquadramento dos tipos de postura (manipulador,
passivo, agressivo, assertivo) e Dinâmica de
Aplicação da Técnica dos 5 Eu’s
1h30
Súmula da Reunião
ACTIVIDADE
21
PUZZLE
DAS COMPETÊNCIAS
U5 (11)
Numa folha de papel escreve todas as funções necessárias ao projecto e os nomes de quem as vai
desempenhar.
Por exemplo:
PESSOAS
FUNÇÕES
A
Clientes (comunicar com novos clientes,
certificar qual o serviço pretendido, verificar
se ficaram satisfeitos, etc…)
Serviços (como é que se procede, quem é
que executa)
Fornecedores (identificar os mais adequados,
fazer compras, verificar stocks…)
Inovação (o que é que podemos trazer de
novo que resolva problemas às pessoas…)
Dinheiro (quanto é que custa cada
coisa, quanto é que gasta cada função,
quem é que paga…)
78
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
B
C
Depois de observares a grelha que preencheste, PENSA:
> Todas as funções importantes estão cobertas por alguém que as sabe desempenhar muito bem? (afinal
queremos ser melhor do que os outros!)
> Se falta alguma, quem é que a pode desempenhar? Como é que asseguramos que essa pessoa a desempenha tão bem como gostaríamos? (o que é que lhe damos em troca?)
> E entre nós (do grupo) as funções estão distribuídas de modo equilibrado, de modo que todos têm de
fazer? Ou alguns ficam com pouco ou nada que fazer?
> Vamo-nos entender?
> Precisamos de mais alguém que nos ajude a complementar a equipa?
> Precisamos de mais alguém que saiba o que nós não sabemos?
ACTIVIDADE
22
TÉCNICA DOS 5 EU’S
9
U5 (13)
Esta técnica propõe 5 passos que têm como objectivo tornar a comunicação mais clara e assertiva.
1. Eu Vejo
Descrevo a situação, sem dar opiniões, da maneira mais objectiva e neutra possível. Refiro o que os
meus sentidos vêem, ouvem, ...
Ex.: “Vejo que chegaste 30 min. atrasada ao nosso almoço e que não telefonaste a avisar.”
2. Eu Penso/Suponho que/Imagino que/Creio que
Apresento a minha interpretação da situação. Para que o outro tome a afirmação como opinião e não
como verdade absoluta e definitiva, devo utilizar o “Eu”. Posso também transformar o “Eu penso” em
pergunta.
Ex.: “Imagino que tenha acontecido algum imprevisto para teres chegado só agora.” Ou “Aconteceu alguma
coisa?”
3. Eu Sinto
Exprimo o que realmente estou a sentir; de forma verdadeira comunico os sentimentos que a situação
desperta em mim. Mais uma vez centro a mensagem em mim e não no interlocutor.
Ex.: “Porque o facto de não teres avisado do atraso feito faz-me sentir um bocadinho “esquecido” e durante
esta meia hora de espera podia ter concluído uma tarefa que deixei pendente no trabalho, e isso faz-me
sentir um pouco irritado.”
9 Adaptado a partir de: Azevedo, L. (1996). Comunicar com Assertividade. Lisboa: IEFP
UNIDADE 05 | 79
SESSÃO
11
4. Eu Quero/Gostaria
Quem fala quer sempre algo, no mínimo mostrar satisfação ou desagrado por algo que o afecta. Digo
o que pretendo mudar, como gostaria que a situação se resolvesse…
Ex.: “Da próxima vez gostava que me avisasses, logo que possível, que te vais atrasar porque assim
consigo gerir melhor os meus compromissos.”
5 - Eu Pretendo
Exprimo a finalidade dos actos e dos sentimentos, o objectivo último da conversa.
Ex.: “Digo-te isto porque o que eu pretendo é que continuemos a conseguir marcar estes nossos almoços
que são muito bons e que continuemos a ser bons amigos.”
Agora aplica a Técnica dos 5 EU’s!
Imagina que já emprestaste dinheiro três vezes a um amigo e ele ainda não to devolveu.
Hoje, ele voltou a pedir-te e diz que precisa desse dinheiro para ir ao cinema. Tu não queres emprestar
porque sabes que tão cedo não terás esse dinheiro.
EU VEJO…
EU PENSO/SUPONHO QUE/IMAGINO QUE/CREIO QUE…
EU SINTO…
EU QUERO/GOSTARIA…
EU PRETENDO…
DINÂMICA
NEGOCIAÇÃO COM O CLIENTE
Um formando faz de cliente num café, outro faz de empregado. O cliente pediu uma coisa e o empregado
trouxe-lhe outra. O cliente chama a atenção. Como é que se desenvolve a situação se adoptarem estilos
agressivos, passivos, manipuladores ou assertivos?
Conforme o tempo disponível o formador sugerir a formandos diferentes, conforme o seu temperamento, que assumam os três primeiros estilos enquanto clientes (ou enquanto empregados) mantendo
o outro papel um estilo assertivo; pode fazer de comentador para os restantes.
Finalmente repete a cena com negociadores assertivos nos dois papéis e deixa-os negociar uma saída
win-win para os dois. Para que não se caia facilmente numa análise simplista, o formador pode introduzir que a razão não está só de um lado (ex: o cliente tinha pedido uma cerveja de uma marca, que o
empregado trouxe outra mas que o cliente só reclamou depois de ter bebido a cerveja).
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
Um exemplo conhecido de negociação win-win imaginativa é o de Richard Branson para a primeira loja Virgin (ver em http://johnshepler.
com/articles/branson.html). Nos anos 70 Branson tinha descoberto que vender discos (vinil) com desconto era um bom negócio e queria
abrir a primeira loja em Londres. Não tinha dinheiro para pagar rendas. Encontrou um espaço livre por cima de uma loja de sapatos numa
rua central. Branson convenceu o dono da loja a deixá-lo ocupar o espaço de cima sem pagar renda, argumentando que a sua loja de
discos iria trazer à loja de sapatos um enorme número de potenciais clientes.
80
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
SESSÃO
12
FINANCIAMENTO & COISAS LEGAIS
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Adquirir noções elementares sobre enquadramento legal de actividades
> Adquirir noções elementares sobre custos e proveitos
> Adquirir noções elementares sobre financiamento
> Adquirir noções elementares sobre entidades que podem prestar apoios nestas questões
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
Se o projecto tiver de funcionar autonomamente e de modo continuado tem de ter forma legal própria. Se for
uma acção pontual, sem fins lucrativos, ou que possa ser enquadrada numa outra instituição, pode dispensar essa
formalidade.
1. Enquadramento legal e social
Para poder fechar contratos (por exemplo um aluguer),
uma empresa tem de ter uma forma legal adequada:
sociedade unipessoal, por quotas ou anónima, cooperativa, associação, etc.
Em função do que é o projecto, quanto tempo vai durar,
quantas pessoas vai envolver, é necessário escolher a
forma da instituição e organizá-la. Conforme o tipo de
instituição, os corpos gerentes podem ter designações
diversas e responsabilidade diversas.
Estas decisões têm de ser tomadas antes de constituir a instituição. É ainda preciso ter um nome para a
instituição que não permita confusões com outras. E é
necessário ter estatutos que definem o que a instituição
pretende fazer, como se vai organizar e quem vai ter
que responsabilidades.
Para um projecto de empresa consulta o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à
Inovação), que é o principal instrumento para as micro,
pequenas e médias empresas dos sectores industrial,
comercial, de serviços e construção.
Poderás também contactar a Associação Nacional de
Direito ao Crédito (ANDC) para solicitares microcrédito
- http://www.microcredito.com.pt/
Para uma instituição sem fins lucrativos consulta o
Instituto da Segurança Social, que tutela as instituições
sem fins lucrativos.
Para a constituição de uma associação poderão recorrer à Associação na Hora (http://www.associacaonahora.mj.pt/)
Para a constituição de uma cooperativa - http://www.
inscoop.pt/index.asp?lang=Ingles
O processo de constituição está muito simplificado.
Hoje é fácil fazer uma empresa “na hora” e tratar estas
questões (e outras, como Finanças e Segurança Social)
no mesmo sítio. Para grande parte das situações servem perfeitamente uma firma (o nome da empresa) e
um pacto social (estatutos) pré-aprovados e disponíveis
nos postos de atendimento ou on-line.
UNIDADE 05 | 81
SESSÃO
12
Finanças e Segurança Social:
Qualquer instituição tem de estar registada nas Finanças (número de identificação fiscal ou de contribuinte) e
na Segurança Social (número de identificação da Segurança Social). Estes registos têm a ver com a obrigação
de toda a gente e todas as instituições contribuírem:
> através do pagamento de impostos, para a despesa do Estado na organização do país (infra-estruturas
como ruas e saneamentos, serviços como hospitais e
tribunais, etc.)
> através dos descontos e contribuições para a Segurança Social, para a despesa que esta tem com a
protecção social das pessoas (doença, desemprego,
reforma, etc.).
Conforme o objectivo da instituição aplicam-se normas
diferentes. Essencial é saber que de um modo geral
(excepto casos especiais) as transacções estão sujeitas ao IVA – o que quer dizer que em tudo o que se
recebe ou paga, uma parte tem de ser posta de lado e
entregue ao Estado (é importante pensar nisso ao definir um preço!).
É importante entender que, quando empreendemos,
empreendemos por nós e pelas nossas ideias, contamos com apoios às nossas iniciativas mas contribuímos também para o bem-estar da comunidade.
2. Custos e Proveitos
É importante distinguir entre:
> custos de investimento (que se faz uma vez para por
as coisas a funcionar e que se gasta em coisas que
duram bastante tempo, p.ex. uma máquina, computador,…); e
> custos operacionais (que se tem todos os dias e de
todas as vezes que se vende um produto – a renda de
um espaço, um salário, os materiais que se gastam
para fornecer o serviço ou o produto).
Como o investimento é feito para durar muito tempo,
pode ser pago ao longo de muito tempo (tal como o
empréstimo para uma casa: como a casa não se gasta,
o banco pode esperar 20 anos para que seja paga); se
investires numa máquina, enquanto ela fizer aquilo para
que foi pensada, podes por de lado um bocadinho do que
ela rende para a pagar: calcula-se quantas peças é que
ela faz e divide-se o custo dela pelo número de peças
(ex: um computador custa 500¤ e vai-te servir durante 4
anos; deves por de lado 500¤ / 4 anos = 125¤ / ano para
que possas comprar um novo quando este se estragar;
chama-se a isso amortização)
Já os custos do dia-a-dia têm de ser pago no dia-a-dia,
senão o projecto é interrompido e morre: deixas de poder comprar o que gastas; tens de pagar no fim do mês
às pessoas que colaboram no projecto (a não ser que
sejam voluntárias), tens de pagar rendas e contas, etc.
Para se manterem, os projectos têm de gerar receitas
e estas têm de ser superiores aos custos. Ao planear o
projecto é preciso calcular custos e receitas para perceber se e como é que ele se vai manter.
Depois terás de contabilizar todos estes valores: o que
devem os clientes, o que é preciso pagar aos colaboradores, o que é preciso pagar aos fornecedores, o que é
preciso pagar ao Estado e à segurança social, e o que
sobra para a empresa ou instituição… Se a actividade
for simples, a própria “entidade patronal” pode tratar
directamente destas contas num regime simplificado.
Quando os movimentos são muitos e envolvem várias
entidades ou atingem valores elevados, a contabilidade
tem de estar organizada e ser feita por um técnico oficial de contas.
3. Financiamento
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Para iniciar o projecto, pagar as despesas de constituição, arranjar materiais, espaços, fazer contratos,
eventualmente comprar uma máquina, é necessário
um financiamento inicial. A maior parte das vezes os
promotores não têm todo o dinheiro necessário para
isso e têm de recorrer a outros. Para isso têm de comunicar eficazmente o seu projecto e dar provas de
que tem boas hipóteses de êxito e que os promotores
se empenharão para que o tenha.
> Uma instituição ou particular que acredite no projecto e queira fazer parte dele como sócio, entrando
com dinheiro no capital social;
Podem ajudar a realizar este financiamento:
> O Estado, porque acredita que o empreendedorismo
é importante para o desenvolvimento e bem-estar da
> Os próprios empreendedores, por muito pouco que
tenham, porque ao por o que têm no projecto dão um
sinal importante a todos os outros que acreditam no
projecto e que se vão esforçar por que dê certo.
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
comunidade, através do IAPMEI ou IEFP (para empresas) ou ainda da Segurança Social (para IPSS);
> Instituições financeiras, porque é essa a sua função,
verificando se os projectos têm condições de pagar o
financiamento e cobrando juros por isso;
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> pensamento sistémico
> integração das regras de impostos e contribuições
> cálculo simplificado de custos e proveitos
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 12
0h00 – 0h20
Dinâmica: Corte do euro (incluindo as noções
referidas no enquadramento)
0h20 – 0h40
Actividade: Pesquisa na internet sobre a forma
mais adequada e os requisitos legais necessários
para o projecto específico
1h20 – 1h30
Actividade Dica: revisão do Estabelece e Alcança
Objectivos Pessoais (controla o teu orçamento:
faz primeiro um orçamento para a tua semana,
depois aponta em cada dia tudo o que gastas e vai
comparando os gastos com o orçamento; verifica
se o que gastaste foi inesperado e se tinhas mesmo
de o gastar)
0h40 – 0h50
Dinâmica de descontracção
1h30
Súmula da Reunião
0h50 – 1h20
Actividade Custos & Proveitos
DINÂMICA
CORTE DO EURO
Para explicar as questões levantadas no enquadramento o formador aproveita a dinâmica do corte do euro. O objectivo é uma demonstração visual
do efeito do pagamento de impostos e segurança
social, bem como do pagamento dos custos directos e indirectos, etc., tendo de sobrar alguma coisa. Antes e depois acrescentará as noções relativas à forma legal da empresa e ao financiamento.
A dinâmica pode ser feita em apresentação de
computador, animada, ou com um modelo aumentado de uma nota de 10¤, uma régua e uma
tesoura. Mesmo que não haja qualquer projecto
empresarial nos grupos, pode ser útil referir as
questões aplicáveis a essas actividades, nomeadamente o IVA.
A nota representa um proveito (um pagamento
acabado de receber de um cliente). A régua servirá para dar um aspecto mais rigoroso ao cálculo
das contribuições e impostos (se a nota estiver
ampliada para ter 121 cm de comprimento, os 21%
do IVA correspondem a 21 cm). Por cada questão
que introduz, o formador corta e faz desaparecer
um pedaço da nota.
Depois de tratada a questão do IVA e da Segurança Social (esta necessariamente com uma
“fatia” imaginária, uma vez que não se sabe que
percentagem dos proveitos podem representar,
o formador pode introduzir os custos de salários
e materiais consumidos, e seguidamente outros
pagamentos (rendas, contas de telefone, transportes, etc.), deixando que os elementos do grupo
vão sugerindo os vários custos a partir de um dos
seus casos.
Pode ser inicialmente generoso nos cortes e começar depois a aparar cada vez menos, porque
tem de chegar ao fim com alguma coisa.
Explicará que aquilo é o que sobra para investir
em novas ideias, acrescentar novos produtos ou
serviços, melhorar o projecto. Se faltar no fim, o
projecto ficou a dever a alguém…
UNIDADE 05 | 83
SESSÃO
12
ACTIVIDADE
23
PESQUISA NA INTERNET
Os formandos deverão recolher informação para verificar:
> qual a forma legal (se necessária) mais adequada ao seu projecto
(ver portais do IAPMEI, Associação na Hora e da Segurança Social);
> quais os passos necessários para a constituição dessa instituição ou empresa
(ver portal da empresa e associação na hora);
> quais os custos e prazos associados;
> na Segurança Social poderão ainda ver quais as taxas aplicáveis ao seu projecto e fazer a simulação de um recibo de vencimento
(Entidade Empregadora Contribuições Taxas Contributivas/Trabalhadores por conta de outrem)
O técnico deve ter feito uma análise prévia do enquadramento para os ajudar na pesquisa.
É importante que estas questões não sejam decididas apenas com base numa análise pessoal
de informação colhida na internet: a pesquisa serve sobretudo para identificar as questões e as
entidades que podem ajudar. O técnico deve encaminhar os jovens para essas entidades (e se
necessário intermediar), para que se aconselhem sobre as soluções adequadas.
DINÂMICA
DESCONTRACÇÃO
Os participantes sentam-se em círculo e o mediador mantém-se de pé no centro.
Cada pessoa tem dois vizinhos: O da esquerda é seu abacaxi e o da direita a sua maçã. Quando o mediador pergunta a alguém “Como se chama o seu abacaxi?”, a pessoa tem que responder o verdadeiro
nome do seu vizinho da esquerda; e o nome do da direita, quando o mediador pergunta “Como se chama
a sua maçã?”.
Se a pessoa se enganar no nome, troca de lugar com quem está em pé no centro do círculo e passa a
desempenhar o papel de mediador. Quando o mediador se cansa de fazer as perguntas, por ninguém se
enganar nos nomes, diz “limão”, e todos mudam de lugar. O mediador procura ocupar um lugar e quem
ficar de pé será o novo mediador.
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ACTIVIDADE
24
CUSTOS & PROVEITOS
U5 (18)
Faz as contas às receitas que esperas ter com o teu projecto.
Que fontes de receitas há?
Vendes produtos ou serviços?
Recebes um subsídio?
Se é uma actividade única, onde vais procurar financiamento?
Quanto é necessário?
Volta ao mapa de viagem da sessão 9 e vê, para cada um dos passos, se sabes quanto é que vai custar.
Verifica se a listagem inclui todas as despesas que tens para por as coisas a funcionar. Inclui agora também as rendas e alugueres e as amortizações. Se o teu produto ou serviço consome materiais, faz bem
as contas a quanto consome.
Agora verifica se as receitas cobrem os custos.
Se fizeres estes exercícios numa folha de cálculo, podes verificar facilmente quantos produtos ou serviços tens de vender para que as receitas cubram os custos.
ACTIVIDADE
DICA
REVISÃO DO ESTABELECE E ALCANÇA
U5 (pág. 20)
OBJECTIVOS PESSOAIS!
Controla o teu orçamento: faz primeiro um orçamento para a tua semana, depois aponta em cada dia tudo o que
gastas e vai comparando os gastos com o orçamento; verifica se o que gastaste foi inesperado e se tinhas mesmo
de o gastar.
FONTES E RECURSOS COMPLEMENTARES:
Para escolher a forma jurídica de uma empresa consulta: http://www.iapmei.pt/iapmei-art-02.php?id=159&temaid=17)
Para a constituição de uma empresa consulta:
http://www.iapmei.pt/iapmei-art-02.php?id=158&temaid=17 >> “INÍCIO Temas A-Z Criar 10 passos para criar a sua empresa”.
Para a constituição de uma IPSS consulta:
http://www2.seg-social.pt/left.asp?01.03.01) >> IPSS/Iniciativas dos Particulares - O que é uma IPSS e como se constitui?
Para constituição de uma empresa consulta: http://www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_inicio
ou http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt/LojaEmpresa/
Para financiamento consulta: o programa Finicia Jovem em http://juventude.gov.pt/Emprego/FINICIAJOVEM/Paginas/FINICIAJOVEM.aspx ou o IAPMEI em http://www.iapmei.pt/iapmei-not-02.php?noticia_id=681 >> INÍCIO Notícias Programa FINICIA - Financiamento no arranque de empresas, ou ainda o IEFP em http://www.iefp.pt/apoios/candidatos/CriacaoEmpregoEmpresa/Paginas/
Pr%C3%B3prioEmpregoEmpresa.aspx
podes ainda identificar em http://www.fnaba.org/ uma associação regional ou local de business angels (são pessoas que investem em
negócios numa fase inicial) e saber se estão interessados em ouvir o teu projecto
para mais questões, podes consultar a Associação Nacional de Jovens Empresários em www.anje.pt e a Associação Nacional de Direito
ao Crédito em http://www.microcredito.com.pt/
o INCOOP em http://www.inscoop.pt/indexajuda.html informa sobre todas as questões relacionadas com o cooperativismo
UNIDADE 05 | 85
SESSÃO
13
CREDIBILIDADE
OBJECTIVOS
informação p/o técnico
> Tomar consciência de que a credibilidade é necessária para construir uma rede social
> Tomar consciência de que um projecto e os seus promotores têm de ter credibilidade
para merecer os apoios necessários
> Tomar consciência de que ter a credibilidade depende de cada um
ENQUADRAMENTO
sugestão de discurso para os jovens
No final de todo este percurso fomos descobrindo uma
coisa: o que faz falta é quem tenha “boas” ideias e as
ponha em prática. “Boas” ideias são aquelas que têm
utilidade, que melhoram a vida das pessoas, lhes facilitam a vida, melhoram a qualidade de vida.
Se conseguires demonstrar que as ideias são “boas”
e que tens as condições para as por em prática, não
faltarão os apoios. As motivações tornam-se aparentes rapidamente. Numa perspectiva de ganho mútuo,
as motivações do grupo estão alinhadas com as dos
“clientes” e todos têm a ganhar com o teu projecto.
Ganhos mútuos acontecem sempre que o produto ou
serviço que fornecemos, para além de assegurar o
sucesso do nosso projecto, representa um valor real
COMPETÊNCIAS A ALCANÇAR
> pensamento sistémico
> assertividade
> relacionamento interpessoal
> integridade e ética
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| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
para quem o recebe. Se vieste de facto resolver um
problema a alguém, essa pessoa só pode estar interessada em que tenhas sucesso. Mas se o teu produto
ou serviço não presta, se não tem qualidade, se não
corresponde ao que as pessoas esperavam, sentem-se
enganadas e não prestarão qualquer apoio.
Escreve um “código de conduta”. Tenta resumir numa
folha aquilo que tu pretendes ser: o produto ou serviço
que pretendes fornecer e o modo como te relacionas
com todas as pessoas envolvidas. Se o puderes mostrar a toda a gente e se o conseguires cumprir, o teu
“código de conduta” torna-se um instrumento muito
importante de motivação para todos os colaboradores
e de credibilidade perante todas as outras pessoas com
quem te relacionas.
PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
DA SESSÃO 13
0h00 – 0h10
Dinâmica de Confiança 1
0h10 – 0h40
Integração das experiências de comunicar o
projecto a outras pessoas; o formador faz um
ponto de situação das intenções de prosseguir o
projecto e sintetiza a experiência da ferramenta
com as questões da “nota final”, sublinhando as
competências pessoais adquiridas
0h40 – 0h50
Dinâmica de Confiança 2
1h20 – 1h30
Actividade DICA Estabelece e Alcança Objectivos
Pessoais (auto-conhecimento: reserva um espaço
diário, preferencialmente no início ou no final do
dia, para repensar a razão de ser das atitudes que
tiveste (as do dia anterior ou do próprio dia) e as
consequências delas no teu relacionamento com
as outras pessoas; regista num calendário uma
pontuação que te atribuis conforme achas que as
pessoas ganharam mais confiança em ti ou não)
1h30
Súmula da Reunião
0h50 – 1h20
Actividade de Análise de um Projecto
DINÂMICA
CONFIANÇA 1
Os participantes colocam-se a uma certa distância, um atrás do outro, virados para o mesmo lado. O exercício é explicado com cuidado e pergunta-se à pessoa de trás se assegura que não deixa cair o da frente.
Só se ele assegurar é que se inicia o exercício. A pessoa que estiver à frente deixa-se cair para trás e é
agarrada pela que está atrás de si.
DINÂMICA
CONFIANÇA 2
Um participante com os olhos vendados é convidado a circular vendado por um espaço físico com alguns
obstáculos (cadeiras, mesas, degraus, etc). O exercício é explicado com cuidado e pergunta-se ao outro
participante, que não está vendado, se assegura que não deixa o primeiro chocar contra um obstáculo.
Para ajudar o primeiro, o segundo deverá ficar perto do que tem os olhos vendados e ir dando pistas
(“desvia-te cerca de um metro para a direita, baixa a cabeça, cuidado: um degrau…).
NOTAS:
> Todos os participantes deverão encarar as dinâmicas com seriedade, mas estar relaxados
> Deve existir sempre troca de papéis: guiar e ser guiado; cair e amparar…
> Cada um deve relatar como se sentiu e qual a razão de ter confiado (muito ou pouco) no outro
> As dinâmicas estão a ser propostas neste momento, assumindo que já há um grau elevado de conhecimento entre todos os elementos
Pretende-se que os participantes percebam que sem confiança não há cooperação, nem entrega
nem investimento.
UNIDADE 05 | 87
SESSÃO
13
ACTIVIDADE
25
ANÁLISE DE UM PROJECTO
Dois ou três “analistas” sentam-se com ar circunspecto e um voluntário entra em cena
para fazer, o melhor que puder, o elevator pitch do seu projecto e pede financiamento para
o mesmo. Seguidamente entra um voluntário de um segundo projecto e faz o seu elevator
pitch e pede igualmente financiamento para o projecto.
O formador explica agora que já só há dinheiro para um projecto e pede ao painel de analistas que decida qual é que financia (ou se não financia nenhum). Os “analistas” deverão
reflectir em voz alta e podem pedir o parecer de um painel de especialistas (os restantes
membros do grupo). Podem voltar a por questões sobre os projectos aos dois empreendedores.
O formador explicará que não estão ali para beneficiar ou julgar a prestação de um colega,
nem para premiar o projecto que tem um objectivo com que simpatizam mais. Não conhecem os promotores nem têm razão para ter mais confiança num ou noutro, a não ser pela
história que contaram e os argumentos que usaram. Preocupa-os que o empréstimo seja
pago para terem disponibilidades para futuros projectos.
Devem analisar qual o fundamento dos dois projectos e qual a credibilidade dos argumentos apresentados para o problema, a solução e a capacidade de fornecer essa solução.
Para isso, pode perguntar com quem é que os promotores falaram para “medir” o problema, como é que sabem que a solução deles tem algum valor para as pessoas que têm o
problema e com quem é que contam para executar o projecto.
Depois cada um diz quais os aspectos que conferem credibilidade a cada um dos projectos
e explica porquê. Não há classificação final dos projectos.
NOTA:
se não houver projectos de negócio o painel é constituído por um júri que dá um prémio ao projecto que prove
ser mais eficaz a resolver a questão social mais relevante; os dois projectos concorrentes precisam do prémio
para serem postos em prática e também só há lugar para um prémio. A preocupação do júri é aplicar bem o
dinheiro disponível. Não se trata, mais uma vez, de simpatias por causas ou pessoas, mas de credibilidade de
uma solução eficaz.
O formador procura evidenciar que a credibilidade não é uma questão de familiaridade com
os promotores, mas
> de integridade na maneira como abordaram as questões (se estavam apenas a seguir os
seus caprichos ou interesses, ou se estavam de facto a procurar oferecer soluções para
problemas das outras pessoas)
> de credibilidade das redes sociais que foram construindo e das referências que trazem
para reforçar os seus argumentos
88
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
ACTIVIDADE
DICA
REVISÃO DO ESTABELECE E ALCANÇA
U5 (pág. 23)
OBJECTIVOS PESSOAIS!
Reserva um espaço diário, preferencialmente no início ou no final do dia, para repensar a razão de ser das atitudes
que tiveste (as do dia anterior ou do próprio dia) e as consequências delas no teu relacionamento com as outras
pessoas; regista num calendário uma pontuação que te atribuis conforme achas que as pessoas ganharam mais
confiança em ti ou não.
NOTAS
&
IDEIAS
UNIDADE 05 | 89
NOTAS
&
IDEIAS
90
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
NOTA FINAL
Desenvolver atitudes empreendedoras é positivo para qualquer pessoa.
Independentemente de qual for o teu futuro pessoal e profissional, terás
vantagens por praticares essas atitudes, em qualquer idade e fase da vida.
Por isso não deixes que o treino que fizeste ao longo deste tempo acabe aqui. Continua a
observar o que te rodeia, a procurar compreender o que move as pessoas e a estabelecer
objectivos pessoais de melhoria.
Decidir ser empreendedor não é suficiente para ter sucesso. Não há garantias que todas as
pessoas venham a ter sucesso como empreendedores. Muitas pessoas são mais felizes e
realizadas a trabalhar e a criar por conta de outrem. Qualquer tentativa de empreendedorismo gasta do teu tempo e dos teus meios, por isso deves avaliar bem se a tua ideia tem
potencial e se tens as condições para a fazer funcionar. Não te esqueças que lançar um
projecto é um investimento do teu tempo, das tuas capacidades e do teu entusiasmo. Deves
avaliar bem se as possibilidades de sucesso valem esse investimento.
A maior parte das iniciativas de empreendedorismo, mesmo nas economias mais avançadas, visa o auto-emprego através de um negócio próprio (mesmo que pretenda fornecer
serviços ou produtos para todos o mundo, por exemplo pela internet). Apenas uma muito
pequena parte das iniciativas visa negócios mais complexos, que necessitem de colaboradores especializados, instalações e equipamentos.
A maior parte das iniciativas pode ser “testada” sem grandes meios. À medida que os testes que fizeres derem resultados positivos, mais certezas tens de que a ideia tem potencial
e melhor te apercebes do que te falta para a pôr em prática. Esses mesmos resultados
convencerão outros a apostar contigo na tua ideia.
Uma grande parte dos empreendedores falha a primeira tentativa (ou não consegue resultados muito bons à primeira tentativa). Só não falham aqueles que nunca tentaram nada.
Entre as características fundamentais do empreendedor estão o entusiasmo, a capacidade de adaptação e a perseverança. Por isso, se não percebeste porque é que a ideia não
resultou e se ainda acreditas nela, aconselha-te com outras pessoas: Pode ser que numa
segunda tentativa, apenas com ligeiras modificações, se prove que afinal a ideia era boa.
91
ÍCONES
92
Organizador
Cuidador
Competitivo
Optimista
Curioso
Confiável
Futurista
Comunicador
Persistente
Criativo
Capacidade de organizar
e de trabalhar com os outros
Entreajuda
Ter uma ideia
Descobre e traça o teu percurso
| Uma Escolha de Futuro - Manual para os Técnicos
Recursos necessários
Fala com um empreendedor
Comunica a tua ideia!
Como te identificas!
Ideias e projectos
Conhece a tua
comunidade
Faz o teste à tua ideia!
Concretiza as tuas ideias
Actividade Dica
Desenvolve
Actividade Dica
Interliga-te
Actividade Dica
actua
Actividade Dica
controla
Esta actividade
consta no manual
dos formadores e do
jovens
93
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Uma escolha de futuro : Empreendedorismo e capacitação dos jovens