Saber e Uso de Plantas Medicinais em Marudá e na APA AlgodoalMaiandeua Mauricia Melo Monteiro Médica, Professora MSc da UEPA1 [email protected] Márcia Joana Souza Monteiro Administradora, Mestranda do PPGEDAM/NUMA/UFPA2 [email protected] Wagner Luiz Ramos Barbosa Farmacêutico, Professor PhD do NUMA/UFPA3 [email protected] Resumo O uso de plantas medicinais como alternativa natural para tratar os processos de adoecimentos é um conhecimento milenar e mundial, repassado entre as sucessivas gerações pela cultura da conversa. No Brasil os povos indígenas, à época do descobrimento do Brasil, utilizavam as plantas medicinais para curar seus processos de adoecimento assim como o colonizador português também utilizava esta alternativa terapêutica. A utilização deste recurso natural continua atual e resguarda a identidade cultural das comunidades. Marudá e a APA AlgodoalMaiandeua são locais praieiros do litoral nordeste do Pará, separadas pelo rio Marapanim, que tiveram como seus primeiros habitantes os índios Tupinambás. Nas duas localidades, além da similaridade ancestral, foi possível identificar o uso da flora própria de áreas de restinga, comum em ambas as praias, sob a forma de infusões, unguentos e lambedores para debelar os malefícios à saúde mais incidentes na população local. As observações e entrevistas revelaram que em Marudá a experiência do conhecimento terapêutico com o uso de plantas medicinais é centrado, predominantemente, entre as mulheres pescadoras e erveiras, enquanto que na APA AlgodoalMaiandeua, apesar do predomínio feminino, muitos homens, em especial os com idade mais avançada, conhecem e utilizam de forma sustentável estes remédios artesanais. 1 Universidade do Estado do Pará - UEPA. Programa de Pós Graduação em Gestão dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia, Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará – PPGEDAM/NUMA/UFPA. 3 Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará – NUMA/UFPA. 2 Introdução O uso dos vegetais pelo homem, remonta à Antiguidade, ocorrendo primeiramente para suprir necessidades alimentares, entretanto, após observação mais consistente no comportamento dos outros animais, o humano percebeu as propriedades medicinais de determinadas plantas, passando a tratar com as ervas medicinais seus processos de adoecimento. Levantamentos históricos demonstram a presença constante das plantas medicinais, entre os diversos povos, no processo de cura das doenças. Este saber popular perdura até os dias atuais, resguardadas as diferentes significações culturais (FIGUEIREDO, 2009). O Brasil é considerado o país que possui a maior biodiversidade genética vegetal e a floresta Amazônica guarda em si um número significativo de espécies da flora, possuidoras de propriedades medicinais (FERNANDES, 1998). O uso das plantas medicinais faz parte da cultura popular das várias comunidades amazônidas, onde esse recurso da natureza é utilizado na elaboração de remédios caseiros, retratando um estilo de vida, um conhecimento, como refere Amoroso (1996), que envolve o mundo vegetal e o homem numa interação que sempre esteve presente, provendo a manutenção e a resolução de agravos à saúde, tanto nas comunidades tradicionais como nas populares, como por exemplo, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e pescadores da área litorânea. O repasse deste saber popular, no decorrer do tempo, entre as diversas gerações, por meio da vivência e oralidade é uma prática chamada por alguns estudiosos de, cultura das conversas (MORAES, 2007; OLIVEIRA, 2007), prática esta que é destacada por estes autores como uma característica de comunicação do homem amazônida. Por meio do repasse e manutenção destes conhecimentos a utilização de plantas medicinais chega ao Sistema Único de Saúde - SUS, como resgate do interesse do cidadão por insumos de origem natural, manifestando a participação do governo por meio da promulgação da Política de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos – PNPMF (BRASIL, 2006). É instigante refletir sobre a convergência destas políticas que têm entre seus objetivos, promover as práticas tradicionais de uso de plantas medicinais, largamente disseminadas nas comunidades populares brasileiras (BRASIL, op. cit.). A construção da legalidade institucional e o reconhecimento da eficácia diagnóstico/terapêutica das práticas integrativas em saúde possuem uma base social relevante. A institucionalização das políticas públicas com base nesses saberes é certamente resultante de uma anterioridade histórico-sanitária que perpassa pela eficácia clínica e sociocultural consubstanciada na tradição, conforme cita Pimentel (2010). A Medicina complementar, se apresenta como resposta aos limites e lacunas paradigmáticos observados nos diagnóstico-terapêuticos e políticos da biomedicina contemporânea. O estímulo ao uso das práticas integrativas potencialmente amplia o pluralismo médico, na medida em que elas são transportadas para o circuito dos serviços públicos, com reconhecida legitimidade sanitária. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS evoca uma “política de inclusão terapêutica”, aberta a outros saberes e racionalidades, o que favorece a complementaridade em detrimento da exclusão e amplia a variedade de opções para os cuidados em saúde com base no pluralismo terapêutico existente entre as diversas etnias que compõem o povo brasileiro – e todos, em potencial, usuários do SUS – no interior do qual convivem diferentes modalidades de medicina e crenças. A população de municípios ribeirinhos e costeiros, no caso da Amazônia, utiliza plantas medicinais para manter a saúde e curar as doenças. Alguns autores e estudiosos da temática têm levantado o questionamento de que não é só a tradição o fator responsável por essa cultura, mas, também, que em função de dificuldades financeiras para adquirir medicamentos alopáticos (sintéticos), o uso de plantas medicinais se faz, não por ser uma alternativa e sim por ser “a” alternativa (MAIA, 2010; SOUZA, 2011). A concordância parcial com o observado pelos autores supracitados, em suas dissertações em locais pertencentes à região metropolitana de Belém/Pará, é embasada na observação das autoras por mais de vinte anos no cotidiano das comunidades de Marudá e da APA Algodoal-Maiandeua, o que respalda a afirmação de que, muitas vezes, mesmo de posse da medicação alopática, a opção terapêutica desses atores sociais se faz em favor do remédio caseiro. Creditar a escolha do uso do remédio elaborado com planta medicinal à iniquidade do fator econômico-financeiro é reducionismo (PIMENTEL, 2010), que ignora a escolha individual construída com base na anterioridade milenar do conhecimento, na vivência norteada pela fé na porção terapêutica e no prescritor. Na pesquisa realizada foi observado que, tanto em Marudá como na APA Algodoal-Maiandeua, os componentes fé, espiritualidade e crença foram enfatizados nas falas e ações dos especialistas tradicionais em plantas medicinais, como destacado a seguir: “[...] meus pais e avós se curavam dessas doenças com chás e ungüentos, eu também vou ficar boa com eles. Eu via minha avó preparar com todo o cuidado o remédio, fazer mil perguntas e orientar direitinho como usar; já o doutor mal me olhou e foi logo dizendo pra eu apanhar os comprimidos na farmácia. Peguei mas não tomei. Tenho fé não!!” (I. PESCADORA, 2010). De forma institucionalizada, a perspectiva da introdução do uso de plantas medicinais como opção terapêutica alternativa, na Atenção Primária à Saúde/Sistema Único de Saúde (SUS) de Marudá e da APA Algodoal-Maiandeua, mostrou-se apropriado campo de pesquisa nestas comunidades, as quais são vilas praieiras localizadas no litoral nordeste do Pará. Desta forma, este estudo considera de grande valia o conhecimento e reconhecimento das espécies vegetais e as propriedades curativas da flora encontrada na região. Outros aspectos importantes destacados neste estudo dizem respeito à forma de manuseio e que partes das plantas são utilizadas, assim como, a semelhança entre o saber e o uso da temática entre estes dois locais, separados pelo rio Marapanim, que tiveram como primeiros habitantes os índios Tupinambás (FURTADO, 1987). Desta forma, o intuito maior deste trabalho foi contribuir para a revitalização do uso e valorização do conhecimento sobre plantas medicinais em Marudá e na APA Algodoal-Maiandeua, com viés para a autonomia de gênero das mulheres pescadoras-erveiras de Marudá, sistematizando as informações relativas ao uso e conhecimento de plantas medicinais nas duas localidades e enfatizando a semelhança ou não das características culturais acerca destes conhecimentos e práticas. Sugerir a inclusão oficial das plantas medicinais na atenção à saúde das duas localidades e atentar para o resguardo da preservação do saber, destacando a sustentabilidade, sem abrir mão das especificidades sociais e culturais locais, foram os objetivos específicos deste estudo. Caracterização das áreas estudadas Distrito pesqueiro de Marudá Marudá está localizada no litoral do Município de Marapanim. Seu limite ao norte é com a Baía de Marapanim em direção ao Oceano Atlântico; a leste com a foz do Rio Marapanim; a oeste com o Igarapé Marudá e ao sul com o Igarapé Samaúma e partes dos terrenos dos povoados de Bacuriteua, Cafezal e Recreio. Os primeiros habitantes de Marudá foram os índios Tupinambás e nas primeiras décadas do século passado, esse distrito praieiro recepcionou pescadores migrantes da zona rural de Marapanim e de outras regiões do estado do Pará, em especial da região bragantina, atraídos pela pouca densidade demográfica do local e pelas boas perspectivas pesqueiras (FURTADO, op. cit.). O advento da construção de estradas e a de venda de loteamentos de terras no local motivou o crescimento populacional e alavancou o turismo sazonal na região, porém a expansão geográfica do local se deu de forma desordenada, conforme cita Potiguar Júnior (2000). Hoje, o acesso usual à Marudá é via terrestre, entretanto, nas décadas de 1930 e 1940 a rota marítima era a mais frequente, aportando vários pescadores de diversas áreas. A via marítima continua sendo o mais presente nas idas e vindas dos pescadores na atividade pesqueira na região. O ofício de pescador artesanal é o mais usual entre os homens da comunidade. Ainda hoje, apesar da precarização que vem sofrendo a atividade pesqueira artesanal na última década, a principal fonte econômica é a pesca de subsistência. Os nativos de Marudá, idênticos aos de outras localidades da Zona do Salgado mostram-se estruturados como uma organização social que depende de forma decisiva dos recursos marinhos (FURTADO, 1987, COELHO-FERREIRA, 2002). Como não são possuidores dos modernos apetrechos tecnológicos empregados na atividade pesqueira, são chamados de pescadores artesanais, (MALDONADO, 1986), mas os naturais de Marudá preferem ser tratados apenas por pescadores. Os pescadores nativos têm observado que “os peixes estão indo embora de Marudá” e fazendo o diagnóstico, apontam o uso inadequado de técnicas de pesca, como a de curral, e o barulho constante do barco pô-pô-pô -embarcação marítima de pequeno porte que transporta turistas para a ilha de Algodoal, situada em frente à Marudá- como os elementos causadores da crescente diminuição da captura de peixes na região. Na organização familiar a mulher marudaense além do ofício de pescadora - na maioria das vezes como cooperadora do marido/companheiro - desenvolve ações complementares da renda familiar como a produção de remédios caseiros a partir do conhecimento adquirido com seus ancestrais. Sem deixar de serem pescadoras, as mulheres se reuniram em um grupo e se tornaram especialistas tradicionais, denominação conferida aos que cultivam saberes culturais que fazem parte da tradição de uma determinada comunidade, no caso específico, a especialidade delas é concentrada no manejo, conhecimento e produção de remédios com plantas medicinais (OMS,1978). Em mais de quinze anos de produção o grupo continua sendo exclusivamente feminino e possui além do laboratório onde há uma organização no processo de produção dos remédios, com um local adequado dentro dos padrões da Vigilância Sanitária, um horto medicinal para cultivo de algumas das plantas medicinais que utiliza na produção dos seus remédios. Uma pequena loja, mantida pelas pescadoras-erveiras comercializa as garrafadas, tinturas, xaropes e pomadas, para um público fiel que é formado por nativos, veranistas e visitantes ocasionais de Marudá. As formulações dos remédios produzidos artesanalmente tem origem na sabedoria popular das mulheres que recuperaram em suas memórias, o conhecimento tradicional deixado por seus antepassados. As receitas foram testadas por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e pelo Laboratório de Etnofarmácia, vinculado ao Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (LAEF/NUMA/UFPA) e as erveiras também participaram de processos formativos com lideranças da Pastoral da Saúde. APA Algodoal-Maiandeua A Área de Proteção Ambiental Algodoal-Maiandeua foi criada por meio da Lei Estadual nº 5.621, de 27 de novembro de 1990 e segundo a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é constituída por duas ilhas denominadas Algodoal e Maiandeua, subordinadas administrativamente ao Município de Maracanã e a Secretária Estadual de Meio Ambiente – SEMA/PA. Porém, as comunidades residentes na área consideram que seja apenas uma ilha, denominada Maiandeua, sendo a principal vila chamada de Algodoal. O motivo pelo qual são consideradas duas ilhas fundamenta-se, no entanto, por uma separação da área física ocasionada pelo “Furo Velho”, um furo intermitente assim denominado (LOBATO, 1999). A área em epígrafe situa-se no litoral nordeste do Estado do Pará, na microrregião do Salgado entre as coordenadas geográficas aproximadas de 00º 34’ 45’’ a 00º 37’ 30” de Latitude Sul e 47º 32’ 05’’ a 47º 34’ 12” de Longitude (W.Gr.); limita-se com o oceano Atlântico ao Norte, com o furo do Mocooca ao Sul, com o rio Maracanã a Leste e com o rio Marapanim a Oeste (SANTOS, 1996). Abrange uma área de 2.378 ha, sendo 385 ha da ilha de Algodoal, contendo a vila de Algodoal, a praia da Princesa e uma área com mangues, restingas e dunas; e 1.993 ha da ilha de Maiandeua, onde se localizam os vilarejos de Fortalezinha, Mocoóca e Camboinha e as localidades de Camaleão, Passagem e Pedra Chorona, assim como, praias e uma vasta área de mangue, além de áreas de terra firme com vegetação alterada (LOBATO, 1999). A APA Algodoal-Maiandeua é reconhecida pelas riquezas cênicas da biodiversidade que a caracteriza. Mãe da Terra é a tradução para o idioma português e/ou significado do seu nome de origem indígena Tupi. Nem tanto reconhecida, mas igualmente surpreendente e ainda muito marcada pelo imaginário regulador das relações entre o homem e o mundo natural é a riqueza e a singularidade de sua diversidade cultural. Reúne uma população em processo ativo de articulação e organização social, ambiente natural extraordinário e patrimônio cultural fortemente influenciado pelas relações com a natureza, que viabilizam a convivência saudável entre as comunidades humanas e naturais ali existentes (MONTEIRO, 2007). As comunidades caboclas que concedem identidade à Maiandeua mantêm, em parte, remanescentes de traços culturais originados de uma miscigenação entre índios, colonizadores europeus e negros africanos. Possuem características próprias, dentre as quais se destacam, basicamente, a associação entre o extrativismo, a pesca e a agricultura; as relações sociais baseadas no senso de confiança; e a reciprocidade da vida cotidiana. A proximidade com o centro urbano de Belém e a crescente visitação por turistas na região, nas últimas décadas, fez com que alguns costumes externos fossem inseridos na cultura da população local, principalmente na vila de Algodoal que, sob esta influência, deixou de ser essencialmente de pescadores artesanais. Todavia, a forma pela qual os homens participam de qualquer meio ambiente, depende não apenas da estrutura e composição do ecossistema. A este respeito Shapiro (1982) ressalta que depende, também, da bagagem cultural dos que entram nele, daquilo que eles e seus descendentes recebem e, em seguida, por difusão ou por invenção própria frente às exigências externas impostas à população local que passa a perceber necessidades, cuja satisfação tem de procurar externamente. A pesca artesanal desenha uma das fortes características da identidade e cultura local. Mais que uma atividade de subsistência e principal fonte de proteínas na alimentação da população, esta atividade faz parte da vivência das comunidades maiandeuenses e construiu, ao longo do tempo, sociedades grupais que durante muitas gerações tiram do mar o alimento de forma sustentável. Todavia, os avanços da tecnologia, de fibras sintéticas como o nylon e a evolução das embarcações que praticam a pesca de arrasto, representaram o declínio na produção artesanal de pescado na ilha de Maiandeua. Atualmente, a cultura da pesca tradicional sobrevive com dificuldade, sendo realizada com mais frequência a pescaria de curral, a qual subsidia a fonte proteica da maioria da população da área, com variadas espécies de pescado. Cultivada e transmitida há várias gerações, outra característica marcante das comunidades da APA Algodoal-Maiandeua é que, unanimemente, mantêm os etnoconhecimentos e uso de plantas medicinais. Além do reconhecimento do vegetal, indicação de uso, preparação e administração dos remédios elaborados a partir das plantas, guardam também o conhecimento étnico que diz respeito à identificação de quais plantas devem ser usadas para um específico tratamento, o qual é igualmente identificado por meio de determinados sinais/sintomas de adoecimento. É importante ressaltar que, apesar de grande parte da população da ilha possuir tais conhecimentos, há uma “especialização” relativa a eles que apenas poucas pessoas detêm, em toda a área que constitui Maiandeua. Estes especialistas prestam ampla contribuição para as comunidades, pois, mesmo que morem em comunidades diferentes da pessoa que necessita de tratamento, eles são consultados por um parente ou alguém da comunidade que repassa as recomendações. Neste sentido, observou-se que parteiras, puxadeiras, curandeiros e benzedores/rezadores são especialidades da tradição que, ainda hoje, se faz presente nos costumes e práticas das comunidades da ilha de Maiandeua. Procedimentos metodológicos Com base nos ensinamentos de Haguette (2005), a temática foi pesquisada com a utilização do método qualitativo, sendo utilizado, nos diversos momentos da consecução do trabalho, entrevistas semiestruturadas, rodas de conversa e observação participante, que se desenvolveram no decurso de dois anos. Desta forma, buscou-se uma maior aproximação com a realidade das comunidades estudadas, pois, como afirma Haguette (op. cit.), na busca de conhecimento sobre o homem e sua vida se deve adotar uma metodologia informada por uma teoria sobre a própria natureza deste homem, capaz de contribuir na formulação das categorias subjetivas da teoria sociológica como justiça, confiança, liberdade, comunidade e propósito, aspectos estes essenciais para a natureza da sociedade. Para o estudo sobre o conhecimento e uso das plantas medicinais, junto às comunidades da ilha de Maiandeua e Marudá, não coube aplicar esquemas importados dos procedimentos científicos, já que o respeito pela natureza do objeto pesquisado é requisito fundamental em uma ciência empírica. Para tanto, o método da observação participante mostrou-se especialmente adequado ao estudo realizado, já que implicou na participação do observador/pesquisador, efetivamente, como o próprio termo indica. Nesta direção, Haguete (op. cit.) assinala que para que se descubra o sentido que as coisas têm para a ação humana, a observação participante é a mais apropriada para fazê-lo. É pertinente sublinhar que a observação participante não se concretizou meramente pela participação, mas pelo compartilhar sistemático e consciente nas atividades tradicionais das populações da APA Algodoal-Maiandeua e Marudá e nos seus interesses e afetos. Um compartilhar com os processos subjetivos que se desenvolvem na vida diária dos moradores e das comunidades e não, apenas, com as atividades externas. Um compartilhar em caminhadas pelas trilhas de acesso aos vilarejos, um compartilhar nas viagens de uma comunidade à outra, somando conhecimentos nas mais diversas interações. Assim, esta técnica se apresentou como a melhor forma de captar o sentido encoberto da ação humana e, como observa Haguette (2005, p. 74), “[...] envolve também o pressuposto de que a sociedade é construída a partir do processo interativo de indivíduos e grupos que agem em função dos sentidos que o mundo circundante representa para eles”. Portanto, a observação participante foi a técnica que se fundamentou e se justificou, especialmente, para o que se pretendeu neste trabalho. A nuance farmacêutica e os saberes e práticas relativos ao uso de plantas medicinais, aspecto cultural fortemente enraizado nas comunidades estudadas, patenteou relacionar o presente estudo com a etnografia, “utilizando-se do levantamento etnofarmacêutico”. Tomando André (2003) como suporte, afirma-se que os dados coletados na pesquisa etnográfica estão afeitos a valores, hábitos, crenças, práticas e comportamentos de grupos sociais com limites bem definidos, estruturados, comunitários, representativos e atentos ao seu contexto e às suas inter-relações. Logo, corrobora-se com o significado que, etimologicamente, designa etnografia: descrição cultural, termo este que foi desenvolvido pelos antropólogos sociais e se conceitua como o estudo da cultura das comunidades. Neste sentido, o cerne da pesquisa etnográfica é dar conta do que está ocorrendo e como está evoluindo a comunidade estudada, concedendo representatividade às pesquisas que partem do “conhecimento ethno” (ANDRÉ, 1984). Portanto, a partir desta conceituação e dos trabalhos produzidos no LAEF compactua-se com Monteiro (2011) ao considerar que o levantamento etnofarmacêutico seja exemplo prático de pesquisa etnográfica. Igualmente, percebe-se o germinar de uma tecnologia social na Amazônia, uma metodologia de cunho ethno e farmacêutico, a “etnofarmácia”, a qual é uma construção interdisciplinar, evidenciada nas produções de Barbosa (1998 e 2009) e nos projetos de pesquisas de mestrado vivenciados por Maia (2010), Sousa (2011) e Monteiro (op. cit.). Pesquisas bibliográficas também foram efetuadas, com o intuito de levantar as espécies medicinais já catalogadas em pesquisas anteriores. Procurou-se, também, identificar as já catalogadas na Ilha de Maiandeua e, com os dados capturados por meio da observação participante e entrevistas, verificou-se a existência das mesmas e de outras que por algum motivo não tinham sido catalogadas ainda. Em seguida, realizou-se a sistematização das espécies mais utilizadas que, para este momento, se apresentam as dez mais citadas nas duas localidades. Um todo dinâmico do saber e fazer nas práticas de cura Em todo o planeta, os diversos grupos humanos sociais organizam seus espaços de vivência através de maneiras próprias de representar, interpretar e agir na natureza. Observou-se que a população das duas localidades estudadas preserva, ainda fortemente, os conhecimentos acerca dos usos de plantas medicinais. Contudo, ao buscar satisfazer suas necessidades, a primeira atitude diz respeito à produção de meios que possibilitem satisfazê-las para depois definir a forma de vida, baseados no mundo de ideias que construíram, diferenciando um grupo social do outro (MARX; ENGELS, 1984). Desse modo, em cada lugar surgem configurações espaciais, ou seja, estruturas espaciais que são produzidas socialmente de acordo com o estilo de vida de cada grupo. Considerando o aspecto sociocultural foi observado, no presente estudo, semelhanças significativas na forma de colheita das diversas partes das plantas no que concerne a crenças e tradições da cultura local (horário, posição do sol, período do ano, estado gravídico e menstrual da mulher erveira/coletadora), assim como, o modo de preparo dos remédios caseiros (chás, decocos, lambedores, unguentos, emplastos, gargarejos, tinturas) e as indicações terapêuticas de uso nas localidades estudadas. Esta similitude constatada é reforçada pelos trabalhos de CoelhoFerreira (2002) e Roma (2001). Apesar de similaridades geográficas, físicas e até mesmo culturais, percebeu-se e constatou-se que há diversidades entre as duas localidades que vão além da jurisprudência territorial, já que são subordinadas administrativamente por diferentes poderes municipais. O conhecimento e uso de plantas medicinais nas duas localidades levam a acreditar, em um primeiro momento, que são iguais pelo fato das espécies usadas serem, basicamente, as mesmas. Contudo, em uma observação mais aprofundada, três pontos de diferenciação ficam evidentes: na APA AlgodoalMaiandeua há uma variedade muito maior de espécies da flora que são utilizadas nos processos de adoecimento e cura, pela população local; em Marudá a prática relativa ao conhecimento e uso de plantas medicinais está concentrada essencialmente em um grupo de mulheres, nomeado de Erva-vida; e apenas duas espécies coincidem dentre as dez mais citadas nas duas localidades. Neste sentido, cada local possui características específicas que desenham sua feição, fazendo emergir paisagens diversificadas cuja aparência é resultante do jogo de forças externa e interna da sociedade que o habita, uma vez que é ela quem determina a construção da identidade do lugar (RODRIGUES, 2003). Castells (1999) enfatiza o exposto quando menciona que é pela constatação por alguns autores restinga (AMARAL et al., 2009; BASTOS, 1996; BASTOS; ROSÁRIO; LOBATO, 1995; BASTOS, 1988), que a consideram como uma das áreas oceânicas protegidas com maior ocorrência e diversidade de espécies da flora características de restinga. Desta forma, fazendo um comparativo entre as duas localidades focadas para este trabalho, APA Algodoal-Maiandeua e Distrito Pesqueiro de Marudá, fica evidente que a diversidade biológica e cultural se manifesta, notoriamente, em áreas contíguas. Na seleção das dez espécies medicinais com maior ocorrência de uso foram elaboradas as relações das duas localidades (tabelas 1 e 2), por meio das quais se constatou que apenas duas destas espécies se assemelham, não somente por estarem entre as mais utilizadas nas duas localidades, mas também, nas partes das plantas utilizadas e quanto à finalidade de uso. A partir desta constatação uma nova relação foi elaborada (quadro 1) para que, visualmente, se observe as diferenças e similaridades encontradas. Tabela 1 - As dez plantas medicinais mais citadas na APA Algodoal-Maiandeua Planta medicinal Nome científico Nº de citações Jucá Caesalpinia ferrea M. 84 Verônica Dalbergia monetária L. 75 Manjericão Ocimum basilicum L. 69 Mastruz Chenopodium ambrosioides L. 68 Sucuuba Himatanthus sucuuba Woodson 64 Erva cidreira Melissa officinales L. 52 Hortelã da folha grande Menta sp. 50 Boldo Vemonia condensata Backer 47 Barbatimão Stryphnodendron barbatiman Mart. 44 Anador Justicia pectoralis 39 Tabela 2 – As dez plantas medicinais mais citadas em Marudá Planta medicinal Algodão Nome científico Gossypium hirsutum L. Nº de citações 14 Jucá Caesalpinia ferrea M. 12 Pariri Arrabidaea chica Verlot 12 Gengibre Zingiber officinale Rosc. 10 Pirarucu Kalanchoe pinnata (Lam.) 09 Quebra Pedra Phyllanthus niruri 09 Boldinho Plectranthus barbatus 07 Andiroba Carapa guianense Aubi. 07 Hortelã da folha grande Menta sp. 07 Babosa Aloe arborecens Mill; A. vera 06 QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DAS PLANTAS MEDICINAIS MAIS CITADAS NAS DUAS LOCALIDADES ESTUDADAS Local M A R U D Á M A I A N D E U A Planta Parte usada Modo de uso Indicação popular Algodão Folhas Chá, sumo Jucá Folhas/baga Chá/maceração Infecção respiratória/dor no ouvido Infecção/anemia Pariri Folhas Chá Anemia/cólicas menstruais Gengibre Raiz Sumo Náuseas/infecção respiratória Pirarucu Folhas Chá, sumo Gastrite/anti-inflamatório Quebra pedra Boldinho (Chile) Andiroba Raiz Chá Pedra nos rins Folhas Chá Dor no estomago/fígado Óleo Uso externo Inchaços externos Hortelã (folha grande) Goiabeira Folhas Chá Diarreia/verminose Grelo Chá Diarreia Jucá Folhas/baga Chá/maceração Infecção/anemia Verônica Casca/entrecasca Chá Manjericão Folhas/galhos Mastruz Folhas Chá/macerado para banho Sumo/suco/maceração Sucuuba Casca/leite Chá/tomar o leite Erva cidreira Folhas/galhos Chá Hortelã (folha grande) Boldo (folha grande) Barbatimão Folhas Chá Anemia/cicatrização/inflamação no útero/corrimento Tosse/gripe/inflamação/dor no dente/dor de cabeça Inflamação/baque/tosse/verme/ corrimento vaginal/pulmão/dor no peito Dor no peito/asseio vaginal/cicatrização/inflamação Calmante/tosse/gripe/dor de cabeça/cólica Diarreia/verminose Folhas Chá Fígado/estômago/acidez Casca/entrecasca Chá/banho de assento Anador Folhas Chá Inflamação/controlar a menstruação/diarreia Dores (cabeça, ouvido, corpo) Observa-se que a Menta sp. e Caesalpinia ferrea M. são espécies de uso comum nas localidades em epígrafe, considerando as dez mais citadas. Ainda assim, há uma utilização mais ampla do jucá (Caesalpinia ferrea M.) pela população da ilha de Maiandeua, já que se constatou por meio das entrevistas que esta é a espécie de maior utilização. Em Marudá, esta mesma espécie apresenta-se como a segunda mais utilizada pelo grupo Erva-vida. Quanto a espécie hortelã da folha grande (Menta sp.) existe uma distância ainda maior percebida no patamar de utilização das duas localidades, para a qual o uso é muito mais frequente pelos moradores da APA AlgodoalMaiandeua, que a citaram como a sétima espécie da flora medicinal mais utilizada, enquanto no Distrito Pesqueiro de Marudá esta droga vegetal aparece como a nona opção entre as dez. A questão de gênero transformando pescadoras em erveiras Em Marudá, como na maioria das comunidades de pescadores, na questão referente à divisão de trabalho, a figura masculina assume o papel de mantenedor da família, conforme estudo em comunidades pesqueiras realizado por Simonian (2006), que refere que todas as atividades ligadas à pesca na parte aquática e algumas realizadas “em terra”, como eventuais consertos das redes de pescar são também praticados pelas mulheres, mas, não são computados e valorizados. Autores como Muraro (1995), referem quer ainda hoje prevalece nos grupos sociais familiares uma postura organizacional baseada no patriarcado. Nas comunidades de menor contingente populacional, as mulheres, mesmo que exerçam atividades laborais idênticas ou de maior destaque que a dos homens, ainda são vistas como meras coadjuvantes no grupamento social família (SIMONIAN, 2005). Essa reflexão encontra ressonância no observado por Maneschy (1995) sobre a atividade feminina na região bragantina, a qual compõe, também, a área pesqueira do nordeste do Pará, onde ficou enfatizado serem as tarefas conhecidas como “cuidados do lar” como as preferencialmente citadas, a despeito de ajudarem seus maridos no ofício da pesca. A situação vivenciada pelas mulheres marudaenses, pescadoras em sua grande maioria, invisíveis e não reconhecidas neste ofício por seus companheiros, sofreu um processo de mutação que se relaciona diretamente com a escassez progressiva da captura do pescado, observada há quase duas décadas na comunidade pesqueira de Marudá. A evidente e crescente dificuldade para o homem cumprir com a “obrigação” de trazer o alimento para o lar -a maioria era filho de pescador, aprendera o ofício acompanhando o pai desde criança e poucos sabiam fazer algo além de pescar- redundou em oportunidade para que a mulher passasse a exercer outras atividades, mesmo que fora do lar, objetivando angariar recursos para alimentar a si e a prole. Essa alteração nos papéis da organização familiar tradicional dos pescadores, até então hegemônica, conforme refere Alencar (1997), foi passível de ser observado no distrito pesqueiro de Marudá, com a mulher pescadora local apresentando um novo comportamento, refletido no processo de transformação do trabalho, no caso específico da formação do grupo feminino Erva Vida, a partir do acréscimo da função de erveira, considerando que detinham este saber tradicional sobre o poder curativo das plantas medicinais, adquirido com seus ancestrais por meio da oralidade, da vivência e da cultura de conversas (MORAES, 2007). O uso do saber popular sobre plantas medicinais como remédio, de forma fragmentária e voltada exclusivamente para os familiares e vizinhos do entorno de suas casas, acabou alterando a rotina dessas pescadoras-erveiras e provendo mobilidade social motivada pelas contingências sociais e econômicas dessas mulheres. Trabalhando em grupo, as componentes do Erva Vida foram paulatinamente se transmudando de pescadoras em erveiras, mudança que acenaram desde o início com quebras de paradigmas familiares e com perspectivas de ocupação e renda. Em Marudá o conhecimento e trabalho com plantas medicinais é feito exclusivamente pelo gênero feminino. Na APA Algodoal-Maiandeua foi observado um comportamento diferenciado com relação ao saber e uso das plantas medicinais como remédio. Primeiramente, não foi percebida a formação de uma associação ou grupamento de especialistas neste saber, apesar do significativo número de conhecedores e prescritores de remédios elaborados com plantas medicinais. Outro fato a se destacar é que esta cultura, na APA, é difundida indistintamente entre os gêneros, sendo encontrado tanto homens como mulheres detentores do saber e que o propagam entre os comunitários. A diversidade constatada entre os dois locais estudados, no que concerne a postura dos gêneros na condução do uso e propagação de um saber cultural, aponta para a validade do trabalho em grupo como elemento motriz para propiciar vantagens coletivas. Por conseguinte, a diversificação do conhecimento entre os gêneros fortifica a atividade laboral e multiplica o contingente de conhecedores deste saber. Considerações finais Compartilhar com o dia-a-dia dos comunitários, nas duas localidades, significou fazer parte de rodas de conversas (TEIXEIRA, 2008) com senhoras e senhores que preparam seus remédios para tratar dos problemas de saúde que os comunitários enfrentam com o avançar da idade, principalmente. Senhoras e senhores de diferentes faixas etárias, especialmente aquelas pessoas de sessenta, oitenta, noventa anos de idade ou mais que, em suas lúcidas declarações, se ressentem pelo fato das pessoas mais jovens das comunidades não darem a importância devida ao cultivo e preservação, não apenas das espécies medicinais, mas, também, dos conhecimentos e práticas acerca do preparo destas plantas para remediar seus males. O dia a dia da pesquisa, dos contatos e da vivência ensejou validar a importância que o conhecimento ancestral sobre plantas medicinais propiciou às mulheres erveiras de Marudá, outrora pescadoras sem visibilidade. De mulheres cerceadas em seus direitos e anseios, emergiu guerreiras dispostas a se sentirem parte, terem voz, realizarem e serem reconhecidas. Autonomia foi a consequência natural e hoje o objeto de preocupação em Marudá, assim como na APA social, ambiental, cultural, espiritual, ético e político, ou seja, o desenvolvimento em escala humana. Neste contexto, o conhecimento local e tradicional de uma dada comunidade aparece como condição essencial, uma vez que materializa certas articulações essenciais entre memória, identidade e participação coletiva (MONTEIRO; NÓBREGA, 2008). Em se tratando de sociedades tradicionais, os conhecimentos, ou seja, a história e memória podem conduzir ao pertencimento e ao desenvolvimento social, político e humano de comunidades relegadas ao descaso por parte das políticas públicas nacionais, regionais ou locais. Referências bibliográficas ALENCAR, E. Gênero e trabalho nas comunidades pesqueiras. In: Furtado, L.; Leitão. W.; Mello, A. (Org.). Realidade e perspectiva na Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1997. AMARAL, D. D. et al. Conservação da flora litorânea. In: JARDIM, M. A. G. (Org.). Diversidade biológica das áreas de proteção ambiental: Ilhas do Combu e Algodoal-Maiandeua - Pará, Brasil. Belém: MPEG, MCT, CNPq. 2009. p. 359-379. (Coleção Adolpho Ducke). AMOROZO, M. C. M. 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