Gestão Social como caminho para a
redefinição da esfera pública
Florianópolis/SC
26 a 28 de Maio de 2011
Arte urbana, política cultural e cultura digital no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop
(Diadema - SP)
Andrea Paula dos Santos1
Resumo:
O objetivo do artigo é apresentar práticas e produtos artísticos,
culturais e educativos desenvolvidos com gestão compartilhada e
usos das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no Ponto
de Cultura Casa do Hip Hop (Diadema). O local é considerado,
desde 2005, palco da política cultural do governo federal,
descentralizada pelo país, reconhecendo a arte urbana como
dimensão política e criativa da esfera pública na região
metropolitana de São Paulo. Partimos de uma perspectiva teóricametodológica interdisciplinar entre Artes e Humanidades, na qual o
desenvolvimento e a popularização de TICs levaram a gestão
compartilhada, a política cultural e a produção artística, cultural e
educativa a incluir cada vez mais a utilização de computadores, de
mídias, e outros recursos em processos de criação, produção,
edição, circulação e divulgação no universo cibercultural,
possibilitando uma cultura digital.
No estudo de caso,
investigamos como se configuram tais processos, abrangendo
intercâmbios em rede na internet e usos de softwares livres e/ou
proprietários, conhecendo quem os utiliza e de que forma são
utilizados. A pesquisa observou que a gestão compartilhada da
política cultural e as manifestações artísticas, educativas e culturais
utilizam as TICs de forma hibridizada, em sintonia com as próprias
linguagens da arte urbana do movimento hip hop (música, dança,
artes visuais), apesar do financiamento e incentivo da política
cultural federal da cultura digital com utilização de softwares
livres. Favoreceu-se a organização e colaboração em redes de
compartilhamento por meio da internet, em processos complexos,
com hibridização e intercâmbio identitário e subjetivo entre
sujeitos, grupos e linguagens.
Palavras-chave: política cultural, arte urbana, cultura digital.
1
Professora Adjunta - Universidade Federal do ABC (UFABC). E-mail: [email protected].
www.rgs.wiki.br
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1. Arte urbana, política cultura e cultura digital num estudo de caso da cultura hip hop
O objetivo do artigo é apresentar práticas e produtos artísticos, culturais e educativos
desenvolvidos com gestão compartilhada e usos das tecnologias de informação e comunicação
(TICs) no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop (Diadema). O local é considerado, desde 2005,
palco da política cultural do governo federal, descentralizada pelo país, reconhecendo a arte
urbana como dimensão política e criativa da esfera pública na região metropolitana de São
Paulo. Partimos de uma perspectiva teórica-metodológica interdisciplinar entre Artes e
Humanidades, na qual o desenvolvimento e a popularização de TICs levaram a gestão
compartilhada, a política cultural e a produção artística, cultural e educativa a incluir cada vez
mais a utilização de computadores, de mídias, e outros recursos em processos de criação,
produção, edição, circulação e divulgação no universo cibercultural, possibilitando uma
cultura digital. (HARVEY, 2008; JAMESON, 1996; LÉVY, 1999, 2010; CASTELLS,
2003a, 2003b; LEMOS, 2004; SANTAELLA, 2007; SILVEIRA, 2010).
O objeto da investigação foi definido ao longo do desenvolvimento de um projeto de
pesquisa maior sobre um amplo mapeamento da cultura digital nos Pontos de Cultura, isto é,
das práticas e dos produtos artísticos, culturais e educativos desenvolvidos por sujeitos e
grupos que frequentam os Pontos de Cultura (CULTURA em três dimensões, 2010;
SAVAZONI & COHN, 2010). Busca-se observar como estes usam as tecnologias de
informação e comunicação em redes, com destaque para uma pesquisa comparativa sobre a
utilização da internet e de softwares livres e/ou proprietários disponíveis junto às
comunidades, pesquisando quem os utiliza e de que forma são utilizados em processos de
criação, produção, edição, circulação, divulgação de manifestações artísticas, educativas e
culturais.
A escolha do Ponto de Cultura Casa do Hip Hop foi inspirada no foco da temática da
importância da arte urbana; das culturas juvenis nas periferias das grandes cidades, com
destaque para o movimento hip hop; e do protagonismo de movimentos culturais como este,
ao longo da primeira década do século XXI, na formulação e na gestão compartilhada da
política cultural e na produção cultural, artística e educativa na região metropolitana de São
Paulo, no caso o ABC paulista. Por isso, nosso objetivo aqui é tratar das concepções e das
condições atuais de gestão compartilhada da política cultural no Ponto de Cultura Casa do Hip
Hop, ao encerrar-se um ciclo de apoio e investimento federal pelo Ministério da Cultura, entre
2005 e 2010, deixando para a ampla bibliografia já produzida tratar da história e das
características específicas da cultura hip hop nas regiões metropolitanas mundo afora e
brasileiras, com destaque para São Paulo, onde ela tem grande expressão e organização
(MAGRO, 2002; NOVAES, 2002; ROTTA et. al., 2002; SALLES, 2004; SCANDIUCCI,
2005; WELLER, 2006; LEAL, 2007; MORENO & ALMEIDA, 2009; SENO, 2010; BLOG
Casa do Hip Hop, 2011).
Para tanto, construímos uma noção de política cultural como um conjunto de
formulações e ações do Estado em parceria com a sociedade, com foco em arte e cultura, por
meio da interlocução e do apoio a sujeitos, grupos, movimentos sociais, culturais e artísticos
que buscam melhorar a qualidade de vida das pessoas e das comunidades, favorecendo a
criação e a gestão compartilhada de bens culturais e artísticos, que constituem e passam a ser
reconhecidos como patrimônios culturais e artísticos materiais e imateriais, graças ao
desenvolvimento de políticas públicas. Para alguns estudiosos, o exercício da política cultural
relaciona-se diretamente com as transformações na cultura política brasileira em seu processo
de democratização e de protagonismo de movimentos sociais, culturais e artísticos na
conquista da chamada cidadania clássica, com sua luta por direitos básicos, caminhando para
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a busca da garantia de uma cidadania ampliada, com o reconhecimento de diferenças, ao
mesmo tempo que estas são criticadas como base para legitimar desigualdades, confrontando
identidades e subjetividades em disputa na busca do estabelecimento de cidadanias culturais
(FEIJÓ, 1992; CHAUÍ, 1995; COELHO, 2004, 2008; HALL, 2001). Partimos da ideia de que
quanto maior o alcance, a complexidade e a democratização do acesso à formulação e gestão
de políticas culturais, maiores são as possibilidades de reconfiguração do próprio universo
artístico e cultural, organizado em redes plurais na cultura digital, colocando a questão da arte
urbana como aquela realizada em espaços públicos, sem ser necessariamente “encomendada”
ou aceita pelas instituições tradicionais, para repensar as fronteiras entre arte e cultura,
identidades, subjetividades e estilos de vida (GIDDENS, 2002; RANCIÈRE, 2005;
GUATTARI, 2006; CANCLINI, 2000, 2003, 2005; JAMESON, 1996; HARVEY, 2008;
SENO, 2010). O estudo de caso do Ponto de Cultura Casa do Hip Hop, em Diadema – SP,
traz à tona um exemplo que problematiza distinções fechadas entre práticas culturais,
artísticas, educativas e de formulação e execução de política cultural, por meio dos impasses e
das dificuldades da gestão compartilhada de recursos públicos entre sujeitos ligados ao
movimento hip hop, à prefeitura e ao governo federal para garantir a existência e a
continuidade de manifestações em torno de uma certa cidadania cultural.
2. Construção de uma metodologia interdisciplinar num estudo de caso em política
cultural: nas fronteiras entre artes e humanidades
A investigação foi iniciada com informações dadas por uma pesquisa disponível em
wikis, feita pelo Pontão Nós Digitais, contendo dados parciais sobre um mapeamento da
cultura digital nos Pontos de Cultura da Grande SP (PONTÃO Nós digitais, 2011). Nessa
direção, nossa pesquisa partiu do fato de que na própria concepção de uma das principais
políticas culturais do governo federal – representada pela existência dos chamados Pontos de
Cultura, descentralizados por todo o país por meio do reconhecimento da ação de grupos
culturais e do seu financiamento – já está inclusa a montagem de uma infraestrutura mínima
para o trabalho cultural numa perspectiva de cultura digital que abarca a aquisição, a
instalação e os usos de tecnologias de informação e de comunicação com softwares livres
(TURINO, 2010; PONTO de Cultura, 2011).
É por isso que partimos do pressuposto de que o Ponto de Cultura, como política
cultural do governo federal, priorizou financiar e incentivar o desenvolvimento e a
democratização de gestão e formulação de políticas culturais, bem como práticas e produtos
artísticos, culturais e educativos por meio dos usos das tecnologias de informação e
comunicação, sobretudo das redes digitais na internet e de softwares livres (TURINO, 2010;
SAVAZONI & COHN, 2010). Nossa hipótese é de que tal financiamento e incentivo
potencializou a gestão compartilhada da política cultural, assim como a produção cultural e
educativa com a utilização de softwares livres, favorecendo a organização, o intercâmbio e a
colaboração de sujeitos e grupos em redes de compartilhamento por meio da internet.
Também partimos do pressuposto de que a utilização das tecnologias de informação e
comunicação em atividades culturais, educativas e artísticas se desenvolve atualmente em
processos complexos, com hibridização e intercâmbio identitário e subjetivo de sujeitos,
grupos e linguagens (CANCLINI, 2000, 2005; SANTAELLA, 2004, 2007), o que possibilita
a utilização tanto de softwares livres quanto proprietários para criação de produtos e também
para sua circulação em redes de compartilhamento na cultura digital.
Portanto, nossa pesquisa também partiu da hipótese de que, apesar do financiamento e
do apoio ao uso de softwares livres na estruturação dos Pontos de Cultura – expandindo e
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recriando gestão e política cultural, práticas e produtos artísticos, culturais e educativos –
sujeitos e grupos também procuram hibridizar linguagens e desenvolver processos de criação,
produção, edição, circulação, divulgação que utilizam de forma combinada e/ou comparativa
softwares livres e proprietários (CANCLINI, 2008; SANTAELLA, 2004, 2007). Esses tipos
de utilização, que nos propusemos a estudar, podem levar sujeitos e grupos a construírem
informações precisas sobre quais ferramentas relacionadas às tecnologias de informação e
comunicação necessitam ser criadas, desenvolvidas, aprimoradas e acessadas em redes de
compartilhamento para que tanto a gestão cultural e as políticas culturais quanto a produção
artística, cultural e educativa ligada a arte urbana possam ter mais possibilidades de criação e
expressão, melhor qualidade dos produtos, bem como de formas de acesso, circulação e
divulgação em nível local, nacional e global.
Outro pressuposto da pesquisa no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop é que a política
cultural desenvolvida por meio dos Pontos de Cultura transforma o próprio sentido do que é
política, arte, cultura, cultura política, educação, identidades, subjetividades, estilos de vida,
percepções e cidadanias culturais (CHAUÍ, 1995; HALL, 2001; GIDDENS, 2002;
CASTELLS, 2002; CANCLINI, 2005, 2008; TURINO, 2010) ao privilegiar o apoio e o
desenvolvimento de uma cultura digital livre, baseada em redes de compartilhamento no
universo cibercultural e na disseminação de ferramentas ligadas aos softwares livres. Nesse
sentido, nossa hipótese é de que os Pontos de Cultura podem permitir o ativismo e a ação
política recriados e pluralizados por novos movimentos culturais entrelaçados com
tradicionais movimentos sociais pela democratização da informação, da cultura e da
educação, cada vez mais discutida, propagada e ampliada em redes digitais, pela internet
como um novo espaço público de discussões e definições políticas que ultrapassam visões
mais fechadas do que significa atualmente se fazer política cultural e/ou política no sentido
mais amplo (LÈVY, 1999; LEMOS; 2004; SAVAZONI & COHN, 2010; SILVEIRA, 2010).
A cidadania cultural, a mudança do papel de consumidores passivos para ativos produtores
culturais, o crescimento da diversidade da produção cultural descentralizada, a invenção de
novas linguagens estéticas, subjetividades e identidades culturais (CANCLINI, 2005; HALL,
2001; SANTAELLA, 2003, 2004, 2007) são alguns dos aspectos dos processos de produção
artística, cultural e educacional que parecem emergir com força nas novas políticas culturais,
da qual os Pontos de Cultura tais como a Casa do Hip Hop, em Diadema (SP), atuam como
polos desenvolvedores de tais processos, práticas e produtos.
A construção da metodologia do projeto abrangeu o desenvolvimento de trabalho de
campo interdisciplinar, considerando as contribuições teóricas mais recentes do campo da
gestão social que dão destaque para os pontos relacionados a metodologias não
convencionais, não tecnicistas, que questionam práticas de investigação positivistas
consagradas, que não valorizam o papel dos sujeitos de pesquisa e da interatividade na
construção de novos conhecimentos (GIANELLA, 2008). Nesse sentido, nossa metodologia
buscou conhecer as condições e as estratégias de formulação e gestão compartilhada da
política cultural, com sistematização e análise de desenvolvimento de práticas, processos,
produtos culturais, artísticos e educativos, em conjunto com a avaliação da própria política
desenvolvida entre 2005 e 2010, no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop. Transitando entre
pesquisa quantitativa e qualitativa, elaboramos e a utilizamos um instrumento de pesquisa,
um questionário respondido por meio de entrevistas abertas. Pudemos mapear, tanto
quantitativa quanto qualitativamente, aspectos referentes à concepção e à gestão
compartilhada da política cultural e suas relações com as tecnologias de informação e
comunicação, especialmente as práticas com softwares livres e proprietários que são
utilizados, por quais sujeitos e grupos e em que circunstâncias.
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Nessa direação, uma metodologia interdisciplinar implica em considerar os usos das
tecnologias de informação e comunicação, sobretudo as utilizações de ferramentas tais como
softwares livres e proprietários do ponto de vista cultural, artístico, educacional e tecnológico.
Além disso, é preciso investigar questões que envolvem aspectos ligados a estrutura e
infraestrutura de tecnologias de informação e comunicação, a arquitetura de rede, aos
equipamentos audiovisuais e de som, buscando conhecer a fundo os processos criados por
sujeitos e grupos em torno da diversidade de práticas artísticas, culturais e educativas com
softwares livres e/ou proprietários.
Portanto, a metodologia do projeto visou conhecer, em termos quantitativos e
qualitativos, como foi a construção da política cultural do Ponto de Cultura na Casa do Hip
Hop, como é sua gestão compartilhada, que práticas e produtos culturais e educativos são
criados e/ou circulam a partir dos usos das tecnologias de informação e comunicação,
sobretudo das redes de compartilhamento e dos softwares livres por sujeitos e grupos das
comunidades. Nesse sentido, nossa pesquisa quis saber se há ênfase na utilização de softwares
culturais, para trabalhar texto, som e audiovisuais, bem como de que formas sujeitos e grupos
avaliam as diferenças, as vantagens e as desvantagens de se utilizar softwares livres ou
proprietários, considerando quais são as sugestões e os apontamentos para melhorias e
desenvolvimento de softwares livres por parte dos que frequentam o Pontos de Cultura. Outra
meta da pesquisa era mapear se existem especificamente movimentos sociais e culturais,
comunidades de ativistas da cultura digital, de que forma estes atuam, questionando a
existência ou não do debate sobre propriedade intelectual, direitos autorais, democratização
do acesso às tecnologias de informação e comunicação, à educação e à cultura de um modo
geral.
Para tanto, além da pesquisa quantitativa e qualitativa no caso estudado, foi importante
perceber sua ligação direta aos chamados Pontões de Cultura, cujas existências precisam ser
reconhecidas e investigadas, por serem responsáveis pela articulação de vários Pontos de
Cultura, alguns deles com foco específico na questão da cultura digital. Nossa perspectiva
metodológica busca igualmente entender a ligação entre os Pontos de Cultura nos Pontões, e
também nas Redes de Pontos de Cultura, que existem a partir de convênios efetivados pelo
Ministério da Cultura com municípios como, por exemplo, Diadema, na região do ABC
paulista, para sua implantação.
Outro aspecto importante para a construção da metodologia do trabalho de campo no
nosso estudo de caso foi a investigação do objeto, dos pressupostos e das hipóteses desta
pesquisa junto à chamada Ação Cultura Digital que, segundo o MinC, mostra a prioridade e a
especificidade da cultura digital como política cultural transversal do governo federal junto
aos Pontos de Cultura, Pontões de Cultura e Redes de Pontos de Cultura, levando-nos a
necessidade de investigar suas práticas como desdobramento e parte fundamental da política
cultural descentralizada no financiamento e apoio de grupos e comunidades nas várias regiões
brasileiras. Parte desses produtos e práticas podem ser conhecidos através da plataforma
culturadigital.br e dos Fóruns de Cultura Digital, que reuniram uma gama de atividades e de
debates que interessam aos pressupostos e hipóteses da nossa pesquisa (SAVAZONI &
COHN, 2010).
No caso estudado, procedemos, como relataremos adiante, ao desenvolvimento do
instrumento de pesquisa (questionário para entrevistas abertas) e à sistematização de
informações que mapeiam e exemplificam quantitativa e qualitativamente formas de gestão
compartilhada, práticas, produtos e processos favorecidos pela política cultural do governo
federal quanto aos usos das tecnologias de informação e comunicação, sobretudos as redes de
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compartilhamento e os softwares livres em comparação com os proprietários nessas várias
instâncias.
Assim, o trabalho de campo buscou levantar, num estudo de caso, como se configuram
tais processos, abrangendo intercâmbios em rede através da internet e de softwares livres e/ou
proprietários, conhecendo quem os utiliza e de que forma são utilizados, por meio das ações
de gestores, agentes e produtores culturais e dos processos (criação/produção;
edição/montagem; circulação/distribuição/divulgação).
O questionário foi dividido nos seguintes blocos de informações:
1) Identificação e histórico de dados da pesquisa e do/a pesquisador/a:
a) Origem de dados da amostra; pesquisador/a; contatos feitos, data;
b) Histórico de Contatos Telefônicos e/ou Visitas.
2) Identificação e histórico do objeto de pesquisa:
a) Nome e Classificação do Ponto de Cultura/Pontão/Rede;
b) Data de Fundação;
c) Localização;
d) Site;
e) Editais;
f) Financiamentos e Infraestruturas Iniciais.
3) Equipamentos Audiovisuais e de Som, Arquitetura de Rede, Sistemas Operacionais e
Softwares:
a) Equipamentos audiovisuais e de som;
b) Arquitetura de Rede;
c) Sistemas Operacionais e Softwares.
4) Atividades, Processos e Produtos Artísticos, Culturais, Educativos.
a) Atividades culturais (oficinas; eventos);
b) Processos de produção (produção fotográfica, produção audiovisual; produção musical;
produção de texto);
c)Produtos (música; vídeo; foto; blog/site; textos impressos).
d) Circulação/Divulgação/Promoção (de atividades; processos de produção e produtos
educativos, culturais e artísticos).
Segue abaixo a sistematização e parte das análises em construção dos resultados do
estudo de caso, realizado por meio do questionário acima para o Ponto de Cultura Casa do
Hip Hop – Diadema, SP, por bloco de informações obtidas.
3. Resultados do estudo de caso no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop: relato do
trabalho de campo em torno de um balanço da política cultural
Quanto ao primeiro bloco de informações, sobre a origem de dados da amostra para o
estudo de caso e os contatos feitos pela pesquisadora, já adiantamos anteriormente que o
Ponto de Cultura Casa do Hip Hop foi escolhido pela temática dos movimentos culturais e
arte urbana ser objeto de interesse específico e por ser um Ponto de Cultura da região do ABC
paulista, considerada região metropolitana de São Paulo, onde a arte urbana e a gestão e
formulação de políticas culturais caminham juntas. Como dissemos, partimos de dados
prévios fornecidos por wiki disponível na internet pelo Pontão Nós Digitais sobre Pontos de
Cultura na Grande São Paulo que, inclusive, já fez um mapeamento específico sobre Pontos
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de Cultura e Cultura Digital, disponibilizando on line algumas informações prévias sobre
Pontos com Rede em Construção/ Pontos com Redes GNU/Linux e Pontos com Redes
Proprietárias, que foram pré-inseridas no questionário para serem checadas, complementadas
ou contestadas. A pesquisa foi realizada entre janeiro, fevereiro e início de março de 2011,
com análises e sistematização de informações.
Durante a realização do estudo de caso, observamos a importância de registrar no
instrumento de pesquisa o histórico de contatos telefônicos e/ou visitas, sendo cada contato
registrado com dados sobre nome e função de quem foi contatado, data e duração dos
contatos, com campos abertos para até quatro contatos e informações adicionais, para
conseguir dimensionar quantas pessoas foram entrevistadas, como se constituiu uma rede de
entrevistados para dar conta de atender ao instrumento de pesquisa e quanto tempo foi
necessário para obter os quatro blocos de informações solicitados pelo estudo de caso.
Ao todo foram realizados três contatos telefônicos, para consolidação das informações.
O primeiro foi com Cláudia, responsável pelo atendimento e pela limpeza, durou cinco
minutos. Após a apresentação do motivo da pesquisa, houve indicação do contato para falar
por telefone em outro horário, com os coordenadores Djalma ou Nelson. O segundo contato
foi com Djalma, que respondeu parte do questionário, com as informações que sabia, por 20
minutos. Djalma é Agente de Cultura da Prefeitura de Diadema e trabalha no Ponto de
Cultura e Centro Cultural Canhema, que ocupam o mesmo espaço, de terça à sábado das 9 as
18 horas. A entrevista por telefone mostrou que as informações da pesquisa quantitativa e
qualitativa não se separavam, pois o entrevistado falava de ambas simultaneamente já que ao
responder uma questão, acabava por responder outra. Confirmou algumas informações
prévias provindas do wiki do Pontão Nós Digitais e acrescentou novas informações. Outros
dados levantados: Djalma tem 29 anos, e mora num bairro próximo à comunidade, o que
revela o perfil jovem e morador da região metropolitana de quem atua na gestão dos
equipamentos culturais da política cultural do Ponto de Cultura Casa do Hip Hop, em
Diadema, SP.
O terceiro contato foi com Renato, confirmando a necessidade de entrevistas com
instrumento de pesquisa quantitativo e qualitativo, pelas mesmas razões expostas acima. A
entrevista por telefone durou pouco mais de uma hora e obteve informações adicionais sobre a
existência de mais uma rede de Pontos de Cultura do ABC paulista – denominada Pontão Sete
Cidades, com 29 Pontos de Cultura – sediada na prefeitura de Diadema, e também sobre o
Telecentro no Centro Cultural Canhema/Casa do Hip Hop. O colaborador afirmou que o
Telecentro é uma ação que se diferencia do Ponto de Cultura Casa do Hip Hop e do Pontão
Sete Cidades porque é uma outra ação, um Ponto de Cultura Digital, construído a partir de um
edital específico para isso. Renato indicou outra pessoa a ser entrevistada para informações
específicas sobre esse novo Ponto de Cultura, cujas informações de contato seriam enviadas a
partir da solicitação por e-mail porque ele não dispunha do contato em mãos. Tais
informações confirmavam a estruturação da política cultural proposta pelo governo federal
naquele local, organização de Pontos de Cultura e de Redes de Pontos de Cultura (Pontões),
que buscavam ser transversalizadas pela ação de cultura digital, também configurada como
um Ponto de Cultura específico. Outros dados obtidos apontaram o papel simultâneo de gestor
e agente da política cultural, produtor cultural e artista, pois Renato é simultaneamente músico
(MC), produtor cultural do movimento hip hop e atual coordenador do Pontão Sete Cidades,
além de ter sido coordenador do Ponto de Cultura Casa do Hip Hop, entre 2009 e 2010.
Ainda fornecendo outros contatos e informações adicionais, Renato informou sobre os
coordenadores: Djalma (agente contratado pela prefeitura por meio do convênio com Minc
para Ponto de Cultura); Nelson (coordenador da Casa do Hip Hop); Beto Crioulo
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(coordenador desde do Ponto de Cultura – visto como uma das ações da Casa). Também disse
que a Rede de Pontos chamada Pontão Sete Cidades foi criada a partir da ideia de gestão de
Pontos de Cultura da região do ABC, acrescentando que a Rede está sediada na Secretaria
Municipal de Cultura de Diadema. O entrevistado chamou de “rede primeira” os nove Pontos
de Cultura conveniados entre Prefeitura e MinC por meio de um edital lançado em 2005.
Atualmente, a rede conta com 29 Pontos de Cultura, sendo vinte novos conveniados pelo
edital de 2010.
No segundo bloco de informações do instrumento de pesquisa, pudemos confirmar o
exercício e a gestão da política cultural federal no nome da Casa do Hip Hop e sua
classificação como Ponto de Cultura por parte dos próprios sujeitos da pesquisa. Informação
importante foi quanto à data de fundação da Casa do Hip Hop, em 1999, e ao seu
reconhecimento como Ponto de Cultura em 2005, ao ganhar edital do MinC nesse ano, fato
que, para um dos colaboradores, mostrou o empenho da política cultural em incentivar e
apoiar as iniciativas de manifestações dos movimentos culturais e artísticos ligados à arte
urbana já existentes.
As entrevistas confirmaram a localização e o blog da Casa do Hip Hop, cujas
informações foram obtidas em pesquisa prévia na internet no wiki do Pontão Nós Digitais, o
que também demonstra a relevância da organização dos Pontos de Cultura em redes de
Pontões e da ação de cultura digital como fonte de investigação e referência para
conhecimento e divulgação da política cultural.
Sobre a temática dos Editais e Financiamentos, as informações apuradas foram as
seguintes:
. Editais:
 2005 – Casa do Hip Hop, sediada no Centro Cultural Canhema, é reconhecida como
Ponto de Cultura por ganhar edital.
 2006/2007 – Montagem de Telecentro no Ponto de Cultura Casa do Hip Hop/Centro
Cultural Canhema, por ganhar edital.
 2009 - ganhou edital do Prêmio Agente Cultura Viva.
 2009 – ganharam (Prefeitura Minc) edital para o Pontão de Cultura Sete Cidades.
. Financiamentos e Infraestruturas Iniciais:
 Edital 2005: 3 parcelas de 60 mil reais, mais o KIT Digital para o Ponto de Cultura.
 Edital 2006/2007: para montagem do Telecentro com softwares livres.
 2009 - ganhou edital do Prêmio Agente Cultura Viva (para construção do estúdio, que
ainda não ocorreu).
 Edital 2009: bolsas por um ano para 4 jovens (380,00) – 15 mil (custos do projeto,
transporte, alimentação, atividades de formação, recursos que ainda não vieram).
 A pesquisa desenvolvida neste estudo de caso revelou que a avaliação da política
cultural não se separou do histórico das informações sobre editais, financiamentos e
infraestruturas iniciais, o que aponta para o papel destacado dos sujeitos, dos grupos,
dos movimentos culturais e artísticos como criadores, gestores e críticos das políticas
culturais. Na parte que consideramos como de avaliação da política, feita pelo
colaborador do Ponto de Cultura, ele relatou que, apesar da Casa do Hip Hop ter se
tornado Ponto de Cultura pelo edital de 2005 – quando eles ganharam oficialmente o
valor de 180 mil – a aplicação do financiamento só ocorreu entre 2006 e 2007. Houve
toda uma explicação de que a primeira parcela foi recebida, mas a Prefeitura de
Diadema não soube e/ou teve problemas para receber e gastar o dinheiro, além de não
ter prestado contas, o que inviabilizou a chegada da segunda parcela no segundo ano.
Houve a necessidade, depois de dois anos, do pessoal do MinC vir ao município e
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fazer conferências/reuniões técnicas e novos planos de trabalho para que os sujeitos do
grupo cultural e artístico ligados ao movimento hip hop e, principalmente, os da
prefeitura tentassem resolver o que estava errado e aprendessem e/ou acessassem os
recursos federais.
O ex-coordenador do Ponto de Cultura, atual coordenador do Pontão Sete Cidades,
simultaneamente músico e produtor cultural, explicou que todo o processo de construção e
gestão da política cultural foi e é muito difícil. Relatou, por exemplo, que o financiamento
proveniente do edital em que eles ganharam um Prêmio em 2009, cujos recursos permitem a
construção de um estúdio para produção musical, ainda não foi aplicado, está emperrado,
aparentemente pelo mesmo tipo de problema burocrático ocorrido no edital de 2005, entre as
indas e vindas de papeladas e documentos dentro da própria prefeitura (Secretaria de Cultura
e Dep. Jurídico) e o MinC. Renato Souza falou que os novos vinte Pontos de Cultura da
região do ABC paulista, reconhecidos no edital de 2010, e que se encontram em rede no
Pontão Sete Cidades, ainda não começaram, de fato, a funcionar com os recursos financeiros
federais, o que está previsto para 2011. Portanto, foi importante para o estudo de caso
considerar o histórico de editais/financiamentos para e chegar a um dos Pontos de Cultura
mais antigos e/ou estruturados, com um movimento de arte urbana organizado há um bom
tempo, como é a Casa do Hip Hop, para conseguir perceber a montagem, a gestão
compartilhada e o desenvolvimento da arquitetura de rede, da cultura digital e das práticas de
produção artística e cultural que foram se firmando com tecnologias de informação e
comunicação por meio da política cultural federal.
Nas observações adicionais, destacamos que Renato Souza disse que, para obter
informações específicas sobre o Telecentro como Ponto de Cultura é preciso fazer outro
questionário com Robson Varandas, que é o responsável pela ação de cultura digital, o que
apontou para a coexistência da ação de prudução cultural e artística de arte urbana com a de
cultura digital com softwares livres nos Pontos de Cultura que funcionam no mesmo Centro
Cultural, apoiado pela Prefeitura de Diadema. Informou também que o KIT Digital ganho
pelo Ponto de Cultura Casa do Hip Hop no primeiro edital de 2005 era fornecido como um
acréscimo, não sendo comprado com o valor das parcelas, o que se transformou nos outros
editais subsequentes, nos quais a parte dos equipamentos já era retirada do valor financiado no
edital.
Sobre o KIT Digital, o ex-coordenador ainda observou que o grupo cultural podia
escolher equipamentos a partir de uma lista, mas obrigatoriamente tinha que ter computador
(laptop/ um de gabinete/desktop), filmadora, máquina fotográfica, impressora e ponto de
internet. A internet a rádio entrou pela rede da prefeitura, quando foi montado o Telecentro
como Ponto de Cultura, no edital de 2006/2007, para trabalhar especialmente com a
linguagem de cultura digital em torno dos softwares livres, que conta com dez
computadores/desktop. Pelo convênio da Prefeitura com o MinC são pagos estagiários e um
coordenador, que também é um dos coordenadores do Pontão Sete Cidades. Há três
Telecentros de Pontos de Cultura em Diadema, e o colaborador entrevistado destacou que
todos os softwares do Telecentro são livres e os do computador/desktop do Ponto de Cultura
também porque era a política de cultura digital dos editais, apontando para o conhecimento
dos termos e dos sentidos da política cultural que foi proposta e abraçada pelos sujeitos dos
movimentos de arte urbana.
O terceiro bloco de informações apurou a existência e as condições dos equipamentos
audiovisuais e de som, da arquitetura de rede, e dos sistemas operacionais e softwares
utilizados. Foi constatada a existência de um projetor, um DVD, uma TV 29 Polegadas, uma
filmadora e o roubo de uma câmera fotográfica, todos provenientes do KIT Digital de 2005,
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que chegou ao longo de 2006 e 2007, conforme entrevista. Foram financiados equipamentos
de som, apontando para a predominância da atividade artística musical no Ponto de Cultura
Casa do Hip Hop, que conta com duas mesas de som, dois subs, dois retornos, duas caixas
amplificadas, e oito microfones, quatro com fio e quatro sem fio. O equipamento de som foi
descrito como bem grande e detalhado por Djalma, o agente cultural contratado pelo convênio
com a prefeitura. Também foi confirmada a informação, por ambos os entrevistados, de que
há previsão para 2011 de construção de um estúdio de som em uma sala, com compra de
equipamentos. Nesse ponto do estudo de caso, observamos que a política cultural federal,
apesar dos entraves na gestão do financiamento e de aquisição dos equipamentos, procurou
investir no movimento cultural e artístico organizado, tentando proporcionar melhores
condições para o desenvolvimento das atividades da Casa do Hip Hop como Ponto de Cultura,
o que esbarra na administração e aplicação efetiva dos recursos financeiros destinados. Tais
dados apontam para a necessidade qualificação de gestores das políticas culturais nos
movimentos culturais e artísticos e, sobretudo, junto ao poder público.
Sobre a Arquitetura de Rede foi confirmada a entrega do Kit Digital, como parte dos
recursos da política cultural destinados ao movimento hip hop no Edital de 2005, ao ser
afirmada a existência de dois computadores, sendo um desktop/gabinete e um
notebook/laptop, e de duas impressoras, com rede de internet a rádio, cuja utilização
específica trataremos mais adiante. Sobre sistemas operacionais, foi apurada a utilização de
softwares livres e proprietários sendo que no computador desktop o sistema operacional é só
em software livre (Gnu/Linux/Ubuntu), e no notebook, é hibridizado com software
proprietário (Windows), operando em dual system, de acordo com as necessidades. É
importante destacar que Djalma, agente de cultura contratado pela prefeitura, afirmou que o
computador/desktop é da Prefeitura e este só usa software livre (Ubuntu), e o notebook tem o
software proprietário, e este sim seria do Ponto de Cultura. Renato, ex-coordenador do Ponto
de Cultura Casa do Hip Hop, músico e produtor cultural, disse que ambos os equipamentos
são do Ponto de Cultura. Djalma ressaltou que há bloqueio de uso da internet e de softwares
livres no desktop, por parte da rede da prefeitura, o que gera briga para acessar redes sociais e
alguns formatos de imagens porque o computador não tem placa de video. Foi apurado na
entrevista, por exemplo, que o Youtube é bloqueado, e ainda houve destaque para o fato de
que “a parte do som”, ou seja, de produção musical, não dá para ser feita no desktop porque
este não tem programa proprietário.
Tais informações apontam os limites da produção cultural e artística quando da
utilização dos recursos existentes no Ponto de Cultura, demonstrando que a política de cultura
digital livre é desenvolvida, mas é hibridizada com a cultura digital proprietária. Isto porque
os softwares livres não conseguem atender, neste caso estudado, todas as necessidades dos
processos de produção artística, sobretudo aquelas relacionados à música, foco importante do
movimento hip hop, que exigem arquitetura de rede e softwares culturais considerados mais
completos e sofisticados.
A pesquisa apurou que, para fazer música e produção musical, músicos-produtores
usam os seguintes softwares proprietários: Acid, Reason, Sound Forge, Protools). O Protools
foi mencionado como o que a maioria dos estúdios usa para finalizar edição de som, segundo
Renato. O único software livre que o músico/produtor cultural conhece é o Audacity, pouco
utilizado devido as dificuldades de comandos enumeradas: por exemplo, não é um programa
multipista, pois abre só numa trilha. Se precisar gravar um violão, uma bateria, uma voz em
lugares diferentes, não consegue. Dos softwares proprietários, só o Sound Forge não permite
isso. O Audacity permite gravar trechos, longos e pequenos, usar para fazer arte final,
tratamento, correções. Para o entrevistado, comando é o grande problema.
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Necessidades/dificuldades: arrastar música ou uma parte dela de um lado a outro; demora
muito tempo para descobrir como recorta ou como cola pedaços de música de um lado para o
outro, comandos essenciais para a produção musical. Como não utiliza com frequência,
afirmou que não sabe se dá ou não para fazer isso, devido à dificuldade de conhecimento de
comandos para utilização.
Quanto à produção audiovisual, feita com menos frequência, os usos de softwares
livres e proprietários, a exemplo da produção musical, também são hibrdizados. Para Renato,
por exemplo, o software livre PiTiVi é bem limitador. Segundo ele, vem no pacote do
Ubuntu, e o uso do Movie Maker é considerado mais fácil, com mais recursos. Ele afirma que
se for jogar uma foto dentro do vídeo para fazer uma transição, é possível. E ainda é possível
fazer o tipo de movimento de transição, no meio, por exemplo. O colaborador disse que pode
alongar o áudio para o tempo que a imagem vai rolar, aproveitando a imagem mais tempo, e
no outro (PiTiVi) não é possível fazer isso. No Movie Maker é possível repetir a imagem, se
quiser que ela dure mais tempo (é como se tivesse congelado), no outro não. Além de que a
inserção de foto só pode ser feita no começo ou no final do vídeo, e se há um jeito de se fazer
isso, ele ainda não descobriu como faz no software livre e, segundo Renato, o software
proprietário Adobe Première faz tudo isso. No entanto, a grande limitação da produção
audiovisual no Ponto de Cultura foi apontada devido ao fato da filmadora miniDV necessitar
de fitas e do grupo não dispor de recursos para adquiri-las, o que aponta para outro tipo de
dificuldade relacionada à estruturação e à manutenção dos recursos permanentes e de
consumo pela política cultural.
Por outro lado, foi afirmado que há muita produção de imagem fotográfica, e que
utiliza-se, conforme a necessidade de formato ou a facilidade de uso, os softwares dos
sistemas operacionais livres e/ou proprietários. Um dos colaboradores destacou, por exemplo,
a necessidade de se modificar formatos de imagens para acessar no software livre (p. ex.
JPEG). Além disso, quanto à produção cultural em formatos de texto, planilha e apresentação,
foi citado o uso do BrOffice, utilizado normalmente para produção de texto (poesia, letra de
música, prestação de contas, projeto, planilha, relatório) pois, de acordo com os entrevistados,
possui praticamente os mesmos recursos embora o grupo acabe vez ou outra querendo “usar o
Word” porque acostumou. Renato disse que costuma usar o livre pela discussão que se tem
sobre o software livre. Ele disse que prefere usar o livre por isso e porque na edição de texto
não tem tanta diferença, o que indica o sentido de apropriação da política cultural de cultura
digital livre de forma intencional, como pretendia de início o governo federal e os
movimentos de cultura digital livre.
Quanto aos usos de navegadores na internet, foi mais citado o software livre. Renato
destacou que o Firefox é melhor que o Explorer, pois é mais “lógico”: memoriza um numero
maior de sites que você acessa; possui ferramentas mais ágeis (por exemplo, com o início de
uma letra, aparece sites que são acessados); dá opções. O Firefox tem menos inibidores de
vídeo, ao contrário do Explorer, com várias páginas que não são acessadas. Há conflitos entre
navegadores proprietários e livres quanto a instalar plugins (por exemplo, Flash) o que obriga
a atualizar mais vezes. O colaborador destacou que busca-se manter o blog, e superar o fato
do blog por vezes ficar parado. O termo usado é “qualificar o blog”, definindo um responsável
especializado para isso. Não podemos esquecer, nesse ponto, a menção de um colaborador
quanto ao bloqueio de redes sociais pela internet disponibilizada pela prefeitura no desktop do
Ponto de Cultura, o que dificulta o trabalho no Ponto de Cultura em torno da distribuição da
produção musical nas redes sociais, pensada desde o início pelo grupo cultural.
4. Considerações finais: gestão compartilhada e hibridismos político-culturais
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Em suma, a Casa do Hip Hop desenvolve uma diversidade de atividades culturais
(oficinas; eventos); processos de produções culturais (produção fotográfica, produção
audiovisual; produção musical; produção de texto), com foco na produção musical; produtos
(música; vídeo; foto; blog/site; textos) com foco na música; realizando circulação, divulgação
e promoção de atividades, processos de produção e produtos educativos, culturais e artísticos.
As manifestações da arte urbana, especialmente da cultura hip hop, são mistas, híbridas
(música, dança, poesia, grafite), e para a realização de eventos e oficinas são mobilizadas a
arquitetura de rede, os equipamentos audiovisuais e os sistemas operacionais livres e
proprietários. Os entrevistados ressaltaram a necessidade de se pedir emprestado
equipamentos de som e de edição de som/estúdio para pessoas e grupos relacionados ao Ponto
de Cultura quando da realização de oficinas, eventos e produtos artísticos e culturais.
Houve destaque para registrar, no estudo de caso, as atividades do processo de
produção musical, tais como gravação, edição, masterização, finalização de Som/Música no
Home Studio (estúdio em casa) de um membro da comunidade que mora no bairro vizinho.
Os artistas estão num processo de finalização de um EP, que é um disco menor, com seis/sete
faixas. A proposta de produção musical começou na Casa do Hip Hop por conta de uma
atividade com o grupo cultural Produtto Paralelo – um coletivo que atua no Ponto de Cultura
(PRODUTTO Paralelo, 2011). Renato explicou como é o processo de produção musical: os
artistas-produtores (beatmakers, como se chama no hip hop) fazem as batidas das músicas; há
o sorteio no Ponto de Cultura de quais músicas serão gravadas em encontros de MCs, com
escolha das batidas, processos registrados em alguns vídeos. A edição e finalização é feita no
estúdio da casa de um dos músicos-produtores por ainda não haver o estúdio (em construção)
no Ponto de Cultura. A distribuição está planejada para abril/maio de 2011, e sua ideia já
nasceu para suporte na internet com arquivo zipado gratuito. Preveem usar o suporte do CD
para promoção e lançamento, com distribuição gratuita e talvez promoção em eventos, com 5
reais o ingresso e ganha-se o CD. São três beatmakers (os músicos que fazem batidas) e dez
MCs (os que fazem as poesias/letras do RAP, juntando ritmo e poesia). Não se faz a divisão
de tarefas e funções, seja na gestão compartilhada da política cultural, seja nos processos de
produção, o que, segundo Renato, neste último caso, seria o ideal: ter especificidade da
função de produção, direção, etc. para otimizar a tarefa de cada um. Considera que isso é uma
desvantagem, e como vantagem considera que todos aprendem sobre o que deve ser feito.
Como dito anteriormente, aguardam do estúdio ganho em edital, e cuja chegada é prevista
com atraso em 2011, para desenvolver processos de produção musical no próprio Ponto de
Cultura Casa do Hip Hop. É importante destacar que os produtos já são pensados inicialmente
para circular para maior público prioritariamente pela internet, com hibridização de
tecnologias de informação e comunicação, de linguagens artísticas e culturais, e de formas de
circulação e consumo. Em oficinas e eventos a circulação é vista como uma forma de
promoção, materializada em CD como mídia em poucas quantidades, e é considerada de
alcance mais restrito.
Por fim, ressaltamos que a pesquisa observou que a política cultural, suas práticas de
gestão compartilhada e manifestações artísticas, educativas e culturais utilizam as TICs de
forma hibridizada, em sintonia com as próprias linguagens da arte urbana do movimento hip
hop (música, dança, artes visuais). Houve financiamento e incentivo com problemas de gestão
entre prefeitura e governo federal, potencializando a cultura digital em termos com a
utilização de softwares livres, ainda assim favorecendo organização e colaboração de sujeitos
e grupos em redes de compartilhamento por meio da internet, em processos político-culturais
complexos, com hibridização e intercâmbio identitário e subjetivo de sujeitos, grupos e
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linguagens. Ao entrevistar pessoas atenciosas, que se dispuseram a falar, observamos que os
colaboradores não conseguiam separar as informações quantitativas e qualitativas, bem como
a avaliação da própria implantação e gestão compartilhada da política cultural, por conta do
perfil dos sujeitos dos grupos, simultaneamente, artistas, produtores, agentes da política
cultural, sujeitos protagonistas e organizados nos movimentos sociais, culturais e artísticos
que enxergam na arte e na cultura uma forma de melhoria da qualidade de vida de suas
comunidades.
Por isso, sistematizamos os blocos de informações do estudo de caso neste artigo para
tentar proporcionar uma visão mais abrangente do processo de estruturação do Ponto de
Cultura Casa do Hip Hop, de desenvolvimento de produções artísticas, culturais e educativas
e de avaliação da política cultural, suas ligações com a arte urbana e com os movimentos
sociais e culturais organizados na região metropolitana de São Paulo. Consideramos, a partir
dessa experiência, que pudemos ter uma percepção em profundidade do objeto de pesquisa,
com dados consistentes, que simultaneamente criticam e dão credibilidade ao esforço e ao
investimento feito pela política cultural federal, destacando suas realizações, limites e
impasses, apontados pelos próprios sujeitos que a desenvolvem cotidianamente em processos
híbridos e complexos, em que arte e cultura se mesclam à cultura política e a política cultural
na busca por direitos básicos e por cidadania cultural no início do novo século.
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