O USO DAS REDES DIGITAIS NA CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO E DO
CONHECIMENTO: A COMUNICAÇÃO DOS NOVOS TEMPOS
Case Museu das Minas e do Metal – Rede MMM e Midiateca
Camila Vieira Dutra¹
Resumo: Este trabalho visa discutir como o uso das redes digitais e sociais colaboram
nos processos de construção do conhecimento e da educação, traçando um novo perfil
social, explorando as novas formas de Comunicação, tendo como base o case do Museu
do Minério e das Minas, que a partir da criação de roteiros articulados juntamente com a
experiência adquirida durante a visitação presencial e virtual no site, faz uso das redes
midiáticas para desenvolver novas formas de interação e ampliar seu desenvolvimento
educacional com o publico.
Palavras-chave: Museu do Minério e das Minas; Educação; Redes Sociais; Redes
Digitais; Comunicação Social
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¹ Concluinte do Curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda.
Centro Universitário Newton Paiva. E-mail: [email protected]
INTRODUÇÃO
A tecnologia é uma das mais inteligentes conquistas do homem em sua existência e
possibilitou novos cenários e sentidos para a comunicação social. Cada vez mais o
número de pessoas que utilizam as tecnologias digitais aumenta consideravelmente,
fazendo-se necessário, novos formatos e estratégias para a disseminação de tanta
informação. No mundo contemporâneo descortina-se o mundo digital. Espaço este
ilimitado para navegação, considerado um transformador no sistema social.
A Comunicação Social aliada às novas mídias reinventa a cada dia um novo padrão e
uma nova metodologia para os estudos sociais. A cultura digital disseminou-se, e vários
conceitos sobre a virtualização foram compondo a grade comunicacional, sendo
considerado como a soma de muitas transformações sociais, como por exemplo, o
nascimento da “Sociedade da Informação” na década de 70, que parte do contexto das
mudanças e transformações técnicas, organizacionais e administrativas da época.
Assim, estes recursos tecnológicos possibilitados a partir da digitalização resgatam a
noção de uma comunicação bidirecional, ou seja, de todos para todos. Ribeiro (2005),
afirma a urgência em encarar o grande desafio que as tecnologias digitais e sociais
oferecem na criação de espaços virtuais de produção e utilização do conhecimento,
afirmando ainda que as tecnologias digitais, além de potencializarem as práticas
tradicionais no desenvolvimento do processo de virtualização, parecem também
constituir um grande avanço na medida em que incorporam potencialmente todos os
medias anteriores, e constituem uma forma, porventura mais eficaz de integração.
DESENVOLVIMENTO
O Museu do Minério e das Minas é considerado um espaço turístico e cultural de Belo
Horizonte. Rico em história e arte possui um acervo diferenciado, que busca atrair seu
público fazendo uso da criatividade e elaborando novas abordagens no conceito museu.
O espaço museográfico destaca-se pela inovação de suas atrações apresentando salas
com espaços de atrações interativas em 3D, um rico acervo digital, imagens
cenográficas e efeitos holográficos.
O museu é um espaço diferenciado, capaz de promover a socialização e promover novas
experimentações artísticas e culturais, podendo ser considerado ainda como um portal
para o mundo filosófico e para o conhecimento das artes, capaz de construir e cativar
um instinto pesquisador nas pessoas. O espaço que o museu oferece, pode ser
considerado como um espaço de ligações importantes: do futuro com o presente, da
teoria com a prática, do conhecimento com a cultura. É ainda um espaço capaz de dar
vida aos fatos acontecidos no passado, construindo novas formas de entendimento
social, renovando o conhecimento a partir de perspectivas individuais.
RIVIERE (1990) define o museu como “uma instituição a serviço da sociedade que
adquire, conserva, comunica e expõe com a finalidade de aumentar o saber,
salvaguardar e desenvolver o patrimônio, a educação e a cultura, bens representativos da
natureza e do homem”
Fronza-Martins (2006) comenta que os espaços culturais vêm se adequando a um
formato novo. Assim, o museu vem revendo nas últimas décadas sua posição perante a
sociedade, visto as diversas mudanças no cenário tecnológico, social e cultural.
Segundo ele, “a questão da educação em museus possui um importante foco de interesse
na atualidade, tanto no que diz respeito ao seu papel social, quanto no que se refere às
práticas realizadas nesse espaço e suas possíveis reflexões. Percebe-se o interesse não
apenas na organização e preservação de acervos, mas também na ênfase da
compreensão, desenvolvimento e promoção da divulgação, bem como na formação de
público como forma de disseminar conhecimentos por meio de uma ação educativa”.
Com um projeto inovador, o Museu das Minas apresentou no evento 4ª Primavera dos
Museus 2010 atividades que interligassem as novas tecnologias da Comunicação com as
ações do museu. O evento realizou mais de 700 atividades culturais no pais, discutindo
o acesso a museus e à cultura artística, apoiado nas redes digitais, sociais e na
comunicação colaborativa.
Unificando comunicação e informação no qual o público teria a oportunidade de
participar da construção desse processo, o Museu do Minério e das Minas se adaptou
aos novos formatos midiáticos e, neste sentido, apostou nas novas tecnologias e uso das
redes como ferramenta, em que atualmente disponibiliza em seu site, a Midiateca.
Midiateca é o espaço no qual se armazenam os conteúdos divulgados no site, incluindo
as mídias dos Roteiros Interativos e materiais produzidos pelos colaboradores da Rede
MMM.
A Rede MMM (uma abreviação de Museu do Minério e das Minas) é o espaço que
abriga e relaciona os conteúdos produzidos pelos colaboradores, que variam desde
escolas (públicas e privadas do Ensino Fundamental e Médio), grupos credenciados ao
Museu e interessados a partir do trabalho feito com o Núcleo Educativo do Museu.
“Nos museus (por mais específicos que sejam) e em todo o conjunto do
patrimônio cultural e ambiental encontram-se os argumentos capazes de
facilitar o trabalho de educação. As possibilidades são ricas e variadas. O
fundamental é não perder de vista o fato de que o objeto cultural assemelhase a um caleidoscópio de constante mudança. O objeto cultural flui
permanentemente e como tal está em metamoforse. Ele não é imposto, é
proposto. Ele não é o fim, é o meio. Ele não é um texto acabado, é um
pretexto” (CHAGAS, 1996, p. 86).
Conta-se inicialmente na Rede MMM com pouco mais de 125 colaboradores e o
conteúdo disponível no site vai aos poucos exercendo sua função educativa e social,
usando da rede social como difusor e formando uma grande teia de experiências do
conhecimento.
Atualmente o museu trabalha com Roteiros Interativos, e uma das propostas do
educativo é fazer com que as pessoas definam os próprios roteiros, como um caminho,
dentro das atrações que o museu oferece. Atualmente os roteiros disponíveis são Mama
África, Viajeiros e Horizontes.
Cavalcanti e Nepomuceno (2006) apresentam uma idéia de Inteligência Coletiva em
rede, que é uma nova forma de produzir conhecimento em rede, através de conexões
sociais e de ações dirigidas por comunidades, que se utilizam ou se apropriam de
ferramentas interativas, disponíveis nos ambientes de rede.
CONCLUSÃO
Pode-se concluir que as redes sociais são um fenômeno mundial. O uso de um sistema
que tivesse como base a rede social, fez com que o Museu das Minas e do Metal criasse
uma estratégia importante: atingir um público novo. Potencializando o crescimento de
usuários colaborativos e informação/conteúdo de qualidade no ciberespaço, construindo
sentidos reais para o processo educacional.
O MMM pode ser considerado uma “Rede de filiação” ou “Rede Associativa”, que são
constituídas de dois tipos de redes de modos e os atores e os grupos. Estes grupos se
relacionariam por conexões de pertencimento. Segundo Recuero (2009) é possível que
os dois possam estar presentes em uma mesma rede. Porém depende da forma como as
pessoas as escolhem para observar.
.
FIGURA 1 – Exemplo de Rede associativa a partir de conexões
recíprocas. Fonte www.exito.pro.br: Redes sociais e sites de
relacionamento: em busca de comunidades. Acesso em 14/12/2010
No mundo, atualmente podem ser considerados exemplos de museus interativos, os
seguintes museus:
•
Palais de la Découverte (1950), em Paris;
•
Exploratorium (1969), nos Estados Unidos;
•
Museu da Villette (1980), em Paris;
•
Center (Experimental Prototype Community of Tomorrow), nos
Estados Unidos;
•
Participativo de Ciências para Crianças (1988), na Argentina
•
Museu Espaço Ciência Viva, no Brasil.
REFERENCIAS
CHAGAS, Mário. Museália. Rio de Janeiro: JC, 1996.
Conexão Professor. Citações e referências a documentos eletrônicos/online/disponível;
<www.conexaoprofessor.rj.gov.br/temas-especiais-26l.asp acesso em 14/12/2010
FRONZA-MARTNS. DA MAGIA A SEDUÇÃO: a importância das atividades
educativas não-formais realizadas em Museus de Arte. Campinas, SP, 2009.
RECUERO, Raquel, Redes Sociais na Internet. Editora Sulina, 2009, 191 p. 1 167
Edição. SP
BITTER, Daniel. Museu Como Lugar de Pesquisa: O museu como espaço de
pesquisa e produção de conhecimento. Coleção Salto para o futuro, Ano XIX – nº 3 –
maio de 2009.
MARANDINO, Marta. Museu como lugar de Cidadania: Museus e educação. (org.)
Coleção Salto para o Futuro, Ano XIX – nº 3 – maio de 2009
Museu
do
Mnério
e
das
Minas.
Citações
e
referências
a
eletrônicos/online/disponível; <www.mmm.org.br. Acesso em 14/12/2010
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