22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
14 a 19 de Setembro 2003 - Joinville - Santa Catarina
VI-011 - MELHORIA DO DESEMPENHO AMBIENTAL NO PROCESSO DE
BIOLAVAGEM DA CETREL S. A.: APLICAÇÃO DO FATOR 10
José Artur Lemos Passos (1)
Engenheiro Sanitarista pela Universidade Federal da Bahia (jan/84), com curso de
especialização em Gerenciamento de Resíduos Perigosos pela CDG (Carl Duisberg
Gesellschaft) na Alemanha (out/91 a dez/92). Mestrando no curso de Gerenciamento e
Tecnologia Ambiental no Processo Produtivo (UFBA – 2002/2003). Responsável pela área
de Tratamento e Disposição Final dos Resíduos Sólidos Especiais da CETREL S/A –
Empresa de Proteção Ambiental do Pólo Petroquímico de Camaçari-Ba.
Endereço(1): Rua Timbó, 623 – Aptº 301, Caminho das Árvores, Salvador - Ba - CEP:
41820-660 - Brasil - Tel: (071) 834 -6826 e-mail: [email protected].
RESUMO
Sendo a Biolavagem um processo de tratamento de resíduos, portanto tecnologia fim de
tubo, o produto gerado é o resíduo tratado e passível de disposição no aterro industrial da
Cetrel.
Foi escolhido o processo de Biolavagem para aplicar o conceito de Fator 10 num horizonte
de 50 anos, ou seja, identificar os impactos negativos oriundos do processo e sugerir
melhorias para reduzir estes impactos em até 10 vezes.
Os resíduos provenientes do processo de Biolavagem são os efluentes da lavagem com
água, o lodo biológico após a lavagem biológica e efluentes gasosos gerados no tanque de
mistura/aeração provenientes do próprio resíduo.
Partindo do pressuposto que resíduo é matéria prima mal aproveitada e consequentemente
desperdício, não podemos considerar este pressuposto na Biolavagem, pois o resíduo é
produzido pelas empresas que contratam a Cetrel para tratá-lo.
Apesar dos resíduos gerados na Biolavagem ( água pós lavagens, lodo pós lavagem
biológica e gases ), não podemos considerar estes resíduos como matéria prima mal
aproveitada.
Pelas melhorias propostas no processo em estudo, foi conseguido um fator de redução de
1,65 no consumo de diesel, um aumento de 3% no consumo de energia elétrica ( não houve
fator de redução ) e uma redução de 100% no consuma da água proveniente do poço de
abastecimento ( água limpa ). Neste caso, a água limpa será substituída pelo efluente
líquido tratado da ETE – Estação de Tratamento de Efluentes da Cetrel.
Sendo a Biolavagem uma tecnologia fim de tubo, para se conseguir o Fator 10 pretendido, a
Cetrel deverá complementar as ações junto às empresas geradoras, a fim de que as mesmas
não gerem mais resíduo ou gerem menos, oferecendo serviços como controle de não
geração de resíduos na fonte, programas de treinamento, melhorias de processo,
substituição de matérias primas etc.
O desafio é não gerar resíduos! Não gerar poluição!
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologias limpas, resíduos perigosos, biolavagem, solos
contaminados, fator 10.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho pretende analisar o processo de Biolavagem de Solos Contaminados,
Unidade Operacional instalada na Cetrel S/A – Empresa de Proteção Ambiental, oriundos
das diversas empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari e também de outros Estados,
propondo mudanças que levem à melhoria de seu desempenho ambiental.
O processo de Biolavagem consiste na transformação de resíduos Classe I (solos
contaminados) em resíduos Classe II ou resíduos passíveis de disposição em aterros
industriais específicos. Antes da implantação deste processo, os solos contaminados tinham
como destino final apenas a incineração que envolviam grandes custos.
Apesar de se tratar de um processo "fim de tubo", a Biolavagem pode ser ambientalmente
otimizada. Os solos contaminados são a matéria prima do processo que gera solo
descontaminado como produto e resíduos que são os efluentes encaminhados para
tratamento na ETE – Estação de Tratamento de Efluentes da CETREL
Cada etapa do processo foi analisada sob o ponto de vista da Tecnologia Limpa em termos
de minimização de resíduos, levantamento qualitativo dos impactos ambientais, propostas
de mudanças no processo, insumos etc, estimando o desempenho ambiental obtido após a
implementação das medidas que são propostas para reduzir os impactos existentes, tendo
como "meta" a redução destes impactos em até 10 vezes ( Fator 10 ).
A CETREL S/A – Empresa de Proteção Ambiental foi criada em outubro de 1977, mas
iniciou efetivamente a operação dos seus sistemas de tratamento de efluentes e resíduos
industriais em junho de 1978, juntamente com as unidades do complexo industrial do Pólo
Petroquímico de Camaçari - Bahia, tornando assim o primeiro complexo industrial
brasileiro dotado de completa infra-estrutura ambiental.
É uma Empresa privada desde fevereiro de 1991 e está licenciada pelo órgão ambiental do
estado da Bahia ( CRA- Centro de Recursos Ambientais ) para operar o sistema de resíduos
sólidos perigosos deste complexo industrial.
O sistema é composto de aterros industriais, estocagem temporária de resíduos perigosos,
sistema de tratamento de resíduos por ‘landfarming ", unidade de tratamento biológico por
biolavagem, incinerador de resíduos líquidos organoclorados e incineradores para resíduos
sólidos perigosos.
Além deste sistema de resíduos sólidos, a Empresa opera os seguintes sistemas: Coleta,
transporte, tratamento e disposição final de efluentes líquidos; Rede de monitoramento do
ar; Sistema de gerenciamento da água subterrânea e o Sistema de disposição oceânica (
emissários terrestre e submarino ).
A Empresa atua também no mercado nacional prestando serviços de Engenharia Ambiental
( consultoria, projetos, investigação de áreas contaminadas, remediação de áreas,
monitoramento do ar, monitoramento de águas subterrâneas, entre outros ) e dispõe do
laboratório brasileiro mais completo para prestação de serviços na área ambiental.
OBJETIVO
O objetivo do trabalho é propor medidas para reduzir os impactos existentes no processo de
Biolavagem, tendo como meta a redução destes impactos em ate 10 vezes ( Fator 10 ).
Cada etapa do processo foi analisada sob o ponto de vista da Tecnologia Limpa em termos
de minimização de resíduos, levantamento qualitativo dos impactos ambientais, propostas
de mudanças no processo, insumos etc, estimando o desempenho ambiental obtido após a
implementação das medidas.
METODOLOGIA
A metodologia empregada contempla na identificação de impactos ambientais associados
às Entradas e Saídas em cada etapa do processo e a definição dos indicadores de
desempenho ambiental de cada etapa.
Foram definidos 04 indicadores, sendo 01 de eficiência de processo e 03 sobre consumo de
recursos naturais.
CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO
O processo tem o objetivo de transformar resíduos Classe I em resíduos Classe II ou
resíduos passíveis de disposição em aterros industriais específicos, após o processamento
dos mesmos em operação de lavagem e biolavagem. O processo é conduzido em uma fase
líquida, densa e lodosa, com sólidos em suspensão em alta concentração, dependendo de
processos físico/biológicos para separar e dar destino final às partículas e ao lodo que
contém os contaminantes.
As tecnologias de processamento em fase líquida de solos contaminados e resíduos
perigosos buscam obter soluções aquosas que carreiem poluentes, degradando-os tanto
quanto possível ou absorvendo-se em partículas finas e argilosas em suspensão.
Os processos se baseiam nas seguintes propriedades e mecanismos:
Os compostos orgânicos voláteis normalmente apresentam boa dissolução na massa líquida
e facilidade de dessorção para a atmosfera;
Os compostos semi-voláteis apresentam coeficiente de adsorção carbono/água elevado,
favorável a agregação das substâncias orgânicas nas partículas finais argilosas ou do lodo
ativado;
Os contaminantes são adsorvidos por partículas finas (silte, argila) e carbono orgânico, ao
invés de partículas com granulometria elevada (areia gravilhão).
A grande vantagem do processo em fase líquida é a velocidade das reações biológicas
comparáveis àquelas verificadas no processo de lodo ativado. A fase sólida residual, livre
das características que lhe conferem periculosidade, pode ser disposta diretamente em
aterros industriais ou encaminhadas para uma fase intermediária de biodegradação em fase
sólida.
As tecnologias utilizadas para lavagem de solos contaminados e resíduos têm como
objetivo principal a transferência do contaminante da fase sólida para a fase líquida. A
etapa de lavagem pode ser realizada sem uso de biomassa, permitindo a introdução de
ácidos, bases e tensoativos na solução aquosa, com agitação intensa.
A Biolavagem, no caso a degradação em um "'Reator Biológico Lodoso" denominado
"Slurry Reactor", envolve um conjunto de processos físicos e biológicos tendo a sua
aplicabilidade potencial em processar uma faixa abrangente de poluentes orgânicos como
aromáticos, óleos combustíveis, solventes, fenóis, organoclorados etc, adsorvidos em
matrizes semelhantes a solo.
FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE BIOLAVAGEM
IDENTIFICAÇÃO DE ENTRADAS E SAÍDAS
1a Etapa – Preparação da matéria prima
Entrada
Saída
EPI´s & Ferramentas (ancinho, pás)
Retroescavadeira
Combustível
Matéria–prima impura ou mistura
EPI´s e ferramentas usados
Materiais grosseiros segregados;
Matéria-prima preparada
Gases de combustão
2a Etapa – amostragem da matéria prima
Entrada
Saída
EPI´s & amostradores
Balde de coleta
Matéria–prima coletada
EPI´s
Balde vazio
3a etapa – transporte da matéria prima da estocagem para pesagem e colocação no tanque
Entrada
Saída
EPI´s
Retroescavadeira p/ alimentar caçamba;
Caçamba;
Matéria–prima;
Balança
Combustível
EPI´s
Retroescavadeira
Caçamba;
Matéria-prima
Gases de combustão
4a etapa – espalhamento do material no tanque com uso da retroescavadeira
Entrada
Saída
EPI´s
Retroescavadeira;
Matéria-prima sem espalhar
Combustível
EPI´s
Retroescavadeira
Matéria-prima espalhada
Gases de combustão
5a etapa – colocação da água no tanque, agitação e descarte do efluente liquido
Entrada
Saída
Água de poço;
Energia elétrica;
Matéria–prima;
Sistemas de bombas e aeradores / misturadores
Solução aquosa contaminada p/ ETE;
Energia elétrica;
Produto semi-acabado;
Aeradores/misturadores;
Gases de combustão
6a etapa – colocação do lodo no tanque, agitação e descarte da fase lodosa
Entrada
Saída
Lodo ativado;
Carro de sucção p/ transporte de lodo;
Energia elétrica;
Aeradores/misturadores;
Produto semi-acabado.
Fase lodosa p/ ETE;
Energia elétrica;
Produto acabado;
Aeradores/misturadores.
7a etapa – retirada do produto do tanque para o pátio
Entrada
Saída
EPI´s
Retroescavadeira;
Produto acabado;
Combustível.
EPI´s;
Retroescavadeira;
Produto acabado;
Gases de combustão.
8a etapa – amostragem final
Entrada
Saída
EPI´s & amostradores;
Balde de coleta;
Matéria–prima coletada.
EPI´s;
Balde vazio;
Matéria-prima coletada.
9a etapa – Transporte do produto final biolavado para aterro
Entrada
Saída
Retroescavadeira;
Caçamba;
Produto acabado;
Combustível.
Retroescavadeira;
Caçamba;
Produto acabado;
Gases de combustão.
INDICADORES DE DESEMPENHO AMBIENTAL
Ind. A = Consumo específico de água = Consumo de água [ m3]
Massa do resíduo tratado [ kg ]
Ind. B = Consumo de energia elétrica [ kwh ]
Massa de resíduo tratado [ kg ]
Ind. C = Consumo de combustível ( diesel/gasolina) [ litros ]
Massa de resíduo tratado [ kg ]
Obs : resíduo tratado = solo descontaminado = produto final
INDICADOR DE EFICIÊNCIA DE PROCESSO:
Ind. D = Concentração de mat. org. de entrada – Concentração de mat. org. de saída
Concentração de mat. org. de entrada
Teoricamente quanto menor a concentração do poluente (medido como matéria orgânica )
no produto final, maior a eficiência do processo de Biolavagem, e menor o impacto
associado ao produto na sua disposição final.
A hipótese acima é verdadeira, mas para reduzir a concentração da matéria orgânica
(poluente) a valores abaixo do limite permitido pela legislação ambiental ( < 2% pela
extração com n-hexano), demandaria um aumento no consumo dos insumos água,
combustível e energia elétrica, sendo mais impactante ambientalmente que encaminhar o
produto ( resíduo tratado e aprovado) para a disposição final, contendo valores de matéria
orgânica próximos do limite permitido.
O produto final é encaminhado para a disposição em aterro industrial onde a base de
impermeabilização é constituída por barreiras físicas artificiais formada por manta de
PEAD( polietileno de alta densidade) com espessura de 2,0 mm e coeficiente de
permeabilidade de 1x 10-11 cm/seg e uma camada de argila compactada com espessura de
1,0 m e coeficiente de permeabilidade menor ou igual a 1x 10-7 cm/seg.
Esta barreira física correspondente um tempo de migração de aproximadamente 350 anos
para que o poluente / líquido contaminante ( chorume e/ou percolado ) atravesse a manta e
a camada de argila, alcançando o solo, caso não tenha sido retirado durante a operação do
aterro ( através das drenagens de fundo ).
Este tempo é suficiente para que a própria natureza promova a degradação da matéria
orgânica e, além disso, uma redução na concentração final da matéria orgânica de 1,9%
para 1,5% ou menos não resultará em ganho ambiental que justifique outras lavagens.
Diante do exposto não foi considerado o indicador de eficiência de processo como
indicador de desempenho ambiental.
IDENTIFICAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS ÀS ENTRADAS E
SAÍDAS (massa e energia).
Princípio de massa e energia: qualquer material que entra em um escopo de balanço
avaliado também deve deixá-lo.
Entradas
Etapas
Saídas
Impactos
- 80 t matéria prima impura
- 240 l de óleo diesel
1
- 60 t matéria prima preparada
- 20 t resíduo sólido
- gases de combustão do diesel
Poluição atmosférica causada pela emissão de gases da combustão do óleo diesel e pela
emissão de voláteis provenientes do manuseio da matéria prima
1 kg de matéria prima preparada
2
1 kg de matéria prima preparada
Pequena emissão de voláteis face ao manuseio da amostra
- 60 t de matéria prima preparada
- 48 l de óleo diesel para a retro
- 2 l de óleo diesel para a caçamba
3
- 60 t de matéria prima preparada
- gases de combustão do diesel
- Poluição atmosférica causada pelos gases oriundos da combustão do óleo diesel
- Poluição atmosférica causada pela emissão de voláteis provenientes do manuseio da
matéria prima
- Contaminação do solo pelo possível derramamento de materiais durante o transporte
- 60 t de matéria prima preparada
- 16 l de óleo diesel para a retro
4
- 60 t de matéria prima espalhada
- gases de combustão
- Poluição atmosférica causada pelos gases oriundos da combustão do óleo diesel
- Poluição atmosférica causada pelo desprendimento de gases durante o espalhamento
- Contaminação do solo causada pela desagregação do material aderido aos pneus da retro.
- 880 m3 de água de poço
- 60 t de matéria prima preparada
- 1584 kwh de energia elétrica
5
- 880m3 de efluente
- 60 t de produto semi-acabado
- Poluição atmosférica causada pelos gases oriundos da agitação
- Consumo de recurso natural (água de poço).
- Contaminação do lençol freático por infiltração do efluente no solo, em caso de
rompimento da linha.
- 24 m3 de lodo ativado
- 60 t de produto semi acabado
- 2,5 l de diesel
- 1584 kwh de energia elétrica
6
- 24 m3 de lodo para a ETE
- 60 t de produto acabado (solo biolavado)
- gases de combustão
- Poluição atmosférica causada pelos gases oriundos da combustão do óleo diesel
- Poluição atmosférica causada pelos gases desprendidos durante a agitação.
- Contaminação do lençol freático por infiltração do efluente no solo, em caso de
rompimento da linha.
- 60 t de produto acabado
- 64 l de diesel
7
- 60 t de produto acabado
- gases de combustão
Contaminação do solo causada pela desagregação do material aderido aos pneus da retro.
1 kg de matéria prima preparada
8
1 kg de matéria prima preparada
Pequena emissão de voláteis face manuseio da amostra
- 60 t de produto acabado
- 80 l de óleo diesel para a retro
- 4 l de óleo diesel para a caçamba
9
- 60 t de produto disposto no aterro
- Gases de combustão
- Emissão de particulado no enchimento da caçamba com o produto e ao bascular a
caçamba, no aterro.
- Poluição do solo devido ao derramamento de produto no trajeto para o aterro.
- Grande área de aterro ocupada por produto.
MEMORIAL DE CÁLCULO DAS ETAPAS:
Etapa
Memória
1
Massa de saída = 60t ( matéria prima );
Tempo gasto da retroescavadeira = 30 horas
Consumo de diesel = 8 l/h x 30 h = 240 l de diesel
MELHORIA: Consumo de energia elétrica da peneira mecânica = 3 kWh x 20 horas = 60
kwh (base de calculo: 1 batelada)
2
Não tem cálculos.
3
Tempo gasto da retro para carregar a caçamba = 6 horas
Consumo de diesel = 8 l/h x 6 h = 48 litros.
Percurso da caçamba para pesar o resíduo e encher o tanque = 10 km
Consumo de diesel = 10 km / (5 km/l) = 2 litros (consideramos consumo da caçamba = 5
km/l)
4
Massa = 60t
Tempo gasto da retro para espalhamento do resíduo = 2 horas
Consumo de diesel = 8 l/h x 2 h = 16 l de diesel
5
Massa = 60t
Consumo de água = 880 m3
Consumo de energia elétrica dos motores/agitadores (02) = = 02 x 72 horas x 11 kw ) =
1584 kwh
6
Massa = 60t
Consumo de lodo = 24 m3
Consumo de energia elétrica dos motores/agitadores (02) = = 02 x 72 horas x 11 kw ) =
1584 kwh
Percurso do carro a vácuo da ETE ate a unidade de biolavagem = 10km
Consumo de diesel do carro a vácuo = 10 km / (4 km/l) = 2,5 l
MELHORIA: Consumo de energia elétrica da bomba que trabalhará com água ou lodo =
(880 m3 de água + 200 m3 de lodo) / (50m3/h) x 1,5 kW = 21,6 horas x 1,5 kW = 32,4
kWh
7
Massa = 60t
Tempo de funcionamento da retro para transportar o resíduo biolavado para o pátio de
secagem = 8 horas.
Consumo de diesel = 8 l/h x 8 h = 64 l de diesel.
8
= Etapa 2
9
Massa = 60t
Tempo de funcionamento da retro para carregar caçamba = 10 horas
Consumo de diesel da retro = 8 l/h x 10h = 80 l de diesel.
Percurso da caçamba para levar o produto para o aterro = 20 km
Consumo de diesel da caçamba para levar o produto para o aterro = 20 km / (5 km/l) = 4
litros de diesel.
QUALIFICAÇÃO DOS IMPACTOS ECONÔMICOS E AMBIENTAIS
No processo de biolavagem, os aspectos, e conseqüente impactos associados às etapas ( ver
item anterior), se resumem basicamente em 03 grandes aspectos/impactos:
Emissão de substâncias voláteis para a atmosfera com conseqüente poluição do ar na área
de influência da biolavagem;
Infiltração no solo de substâncias tóxicas presentes no resíduo ( matéria prima ) decorrente
de derramamentos durante o transporte, com conseqüente contaminação do solo e água
subterrânea;
Infiltração do efluente contaminado gerado nas lavagens/biolavagens no solo, decorrente de
rompimento/vazamento da tubulação que transporta este efluente para tratamento na
Estação de Tratamento de Efluente – ETE da Cetrel, com conseqüente contaminação do
solo e água subterrânea.
Destes 03 aspectos/impactos, em ordem decrescente de prioridade, temos 3 Þ 2 Þ 1, a seguir
comentados:
Apesar do derramamento do resíduo ( matéria prima ) no solo está com uma concentração
maior de contaminante, a sua ocorrência é imediatamente identificada e também corrigida
com a retirada e raspagem deste solo.
Com relação a emissão de substâncias voláteis para a atmosfera e a conseqüente poluição
do ar, este impacto é mais identificado num raio de aproximadamente 10 m da unidade de
biolavagem.
Já a infiltração do efluente contaminado, e conseqüente contaminação do solo e água
subterrânea, este impacto é o mais difícil de ser identificado, pois refere-se a vazamento de
tubulação enterrada e consequentemente o seu impacto é o mais abrangente.
Em termos econômicos, também o impacto da infiltração do efluente contaminado é o que
causaria maior prejuízo financeiro, pelo fato de ser de difícil identificação da área a ser
remediada.
Vale salientar que a unidade de biolavagem dispõe de procedimentos operacionais e os
mesmos contemplam os aspectos e impactos ambientais associados a cada etapa do
processo, como também uma avaliação dos perigos e riscos e os seus devidos controles.
IDENTIFICAÇAÇÃO DE OPORTUNIDADES DE MINIMIZAÇÃO ( massa e energia):
Melhorias na 1a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Peneira Mecânica – Melhoria do processo
Aumento da produtividade;
Construção do pátio de separação próximo à unidade de forma a reduzir/eliminar etapa de
transporte
Consumo de diesel (l): 240 / 80
Energia Elétrica (kwh) = 0 / 60
Melhorias na 2a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Avaliar a possibilidade de eliminar esta etapa
Melhorias na 3a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Colocar balança próximo à área de preparação p/ diminuir trajeto e conseqüentemente
reduzir os impactos associados ao transporte, além de reduzir o consumo de óleo diesel.
Consumo de diesel (l): 50 / 48
Melhorias na 4a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Instalação de uma calha em concreto, através da qual a matéria prima peneirada será
introduzida no tanque de biolavagem, pelo arraste da água de recirculação proveniente da
ETE.
Consumo de diesel (l): 16 / 0
Melhorias na 5 etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Substituir água de poço pelo efluente tratado da ETE
Água de poço (m3): 880 / 0
Energia elétrica (kwh): 1584 / 1584
Melhorias na 6a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Instalação de linha e sistema de bombas para transportar lodo para o tanque de biolavagem,
eliminando o carro de sucção.
Consumo de diesel (l): 2,5 / 0
Energia Elétrica (kwh): 1584 / 1616,4
Melhorias na 7a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Não identificado
Consumo de diesel (l): 64 / 64
Melhorias na 9a etapa
Ganhos ambientais: Antes / Depois
Não identificado
Consumo de diesel (l): 84 / 84
Total dos consumos (antes / depois)
Fator de redução
Diesel (l): 456,5 / 276
1,65
Energia Elétrica (kwh): 3168 / 3260,4
0,97
Agua (m3): 880 / 0
Redução total
RESULTADOS OBTIDOS
Após a identificação dos impactos ambientais associados às Entradas e Saídas (massa e
energia) de cada etapa do processo, foi elaborado um memorial de cálculos destas etapas,
feita a qualificação dos impactos econômicos e ambientais, identificou-se as oportunidades
de minimização e finalmente chegou-se ao fator de redução dos impactos.
Pelas melhorias propostas no processo em estudo, foi conseguido um fator de redução de
1,65 no consumo de diesel, um aumento de 3% no consumo de energia elétrica (não houve
fator de redução) e uma redução de 100% no consuma da água proveniente do poço de
abastecimento (água limpa). Neste caso, a água limpa será substituída pelo efluente líquido
tratado na estação de tratamento de efluentes da Cetrel S/A.
Sendo a Biolavagem uma tecnologia fim de tubo, para se conseguir o Fator 10 pretendido, a
Cetrel S/A deverá complementar as ações junto às empresas geradoras, a fim de que as
mesmas não gerem mais resíduo ou gerem menos, oferecendo serviços como controle de
não geração de resíduos na fonte, programas de treinamento, melhorias de processo,
substituição de matérias primas etc.
CONCLUSÕES
Diante do exposto, verifica-se que no caso do processo em estudo só se conseguirá este
Fator 10, através de atuação junto aos geradores de resíduos, conscientizando-os da
importância da não geração, os seus benefícios não só ambientais como também
econômicos.
O trabalho junto às empresas deverá ser em cima do conceito de Produção + Limpa (P+L)
que é a aplicação continua de uma estratégia ambiental preventiva integrada aos processo,
produtos e serviços para aumentar a eco-eficiência e evitar ou reduzir os danos ao homem e
ao ambiente.
O desafio é não gerar resíduos ! Não gerar poluição !
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Árvore de perdas do processo de Biolavagem (material produzido pelo corpo técnico da
Cetrel);
Fontes Lima, F. J. et al – BIOLAVAGEM – Tratamento Biológico de Solos Contaminados
e Resíduos Perigosos – Anais do 19º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental;
PR 3.3-13 Rev.: 1– Lavagem Biológica de Solos Contaminados e Resíduos Perigosos
(procedimento operacional produzido pelo corpo técnico da Cetrel);
Passos, J. A . L. et al – Elaboração de um mini projeto de melhoria de desempenho
ambiental do processo de Biolavagem da Cetrel S. A . – Mestrado em Gerenciamento e
Tecnologia Ambiental no Processo Produtivo UFBA/Escola Politécnica 2002;
Passos, J. A . L. - Evolução da Gestão de Resíduos Sólidos Perigosos no Pólo Petroquímico
de Camaçari – Ba – Anais do 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental.
Download

22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e