1 OS DESAFIOS IMPOSTOS PELO USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO AO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO Ana Angélica Pereira Teixeira1 Larissa Cristina Dal Piva Moreira2 RESUMO As inovações tecnológicas influenciam o mundo, as organizações e as pessoas atingindo praticamente todas as atividades. As variações ocasionadas pelo uso de novas tecnologias afetaram diretamente o profissional bibliotecário (responsável pela organização, tratamento e disseminação de documentos e informações) que vem sendo desafiado a rever suas atribuições, seus produtos e serviços, passando a conviver diariamente com a necessidade de mudar suas habilidades para que possa adequar-se as novas tecnologias e exigências da Era da Informação em Rede. Embasado neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar os desafios que são impostos ao bibliotecário a partir do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC‟s) no que diz respeito ao seu uso no gerenciamento informacional. O método de pesquisa utilizado foi o levantamento bibliográfico de materiais sobre o assunto em questão. O estudo demonstra como as TIC‟s desafiam diariamente o bibliotecário, e que esses desafios exigem do mesmo uma transformação no seu perfil e proporcionam a construção de um novo profissional facilitador da aprendizagem e gestor da informação. Palavras-chave: Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC‟s) - Aspectos sociais. Novas Tecnologias. Bibliotecário - Perfil. Gerenciamento Informacional. 1 Introdução Em apenas um século o homem revolucionou os transportes, criou o automóvel, o ônibus, o avião, o jato, facilitou as viagens internacionais, transformou os modos de transmitir a informação, inventou o rádio, o telefone, a televisão, o fax, o satélite, a fibra ótica, o telefone móvel e o computador (COSTA JR., 1999), que em conjunto com a Internet passam a figurar como os principais representantes desta nova era tecnológica e informacional, uma vez que juntos permitem transmitir simultaneamente a mesma informação para milhões de pessoas, facilitando a comunicação e estreitando as fronteiras informacionais. 1 Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI, aluna do curso de MBA em Administração e Gestão do Conhecimento pela FACINTER/UNINTER. 2 Administradora e Relações Públicas (Universidade Federal de Santa Maria - UFSM), Especialista em Gestão de Negócios (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais - IBMEC), Mestre em Administração (Universidade Federal do Paraná – UFPR), orientadora de TCC do Grupo Uninter. 2 As mudanças ocorridas no cenário das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC‟s) têm apresentado uma série de novas questões a serem equacionadas pelos profissionais que lidam diretamente com as mesmas. As informações disponíveis em rede, através da Internet, necessitam ser elaboradas com base em um sério planejamento e devem ser constantemente monitoradas e avaliadas de modo que possam garantir a seus usuários conteúdos confiáveis e relevantes. As variações ocasionadas pelo uso dessas novas tecnologias afetaram diretamente o profissional bibliotecário (responsável pela organização, tratamento e disseminação de documentos e informações) que vem sendo desafiado a rever suas atribuições, seus produtos e serviços, passando a conviver diariamente com a necessidade de mudar suas habilidades para que possa adequar-se às novas tecnologias e exigências da Era da Informação em Rede. Takahashi (2000) define as Tecnologias de Informação e Comunicação como o conjunto de sistemas e equipamentos que são utilizados para tratamento, organização e disseminação de informações. Ainda sobre as TIC‟s, Miguel e Amaral (2007, p. 3) destacam a Internet como principal símbolo da nova era informacional. Na área da informação, a Internet é o símbolo maior desta tendência, significando o que a tecnologia tem de mais avançado, de mais pleno de possibilidades. A Internet, em termos de sistemas de informação, provê acesso imediato a uma quantidade gigantesca de informações científicas, culturais, de lazer, em tempo real, de forma direta pelo usuário, abrindo-lhe possibilidades antes inimagináveis. A Internet veio provocar verdadeira revolução no mundo da informação e do conhecimento. Barreiras são derrubadas, distâncias encurtadas, paradigmas quebrados, atitudes, hábitos e comportamentos transformados. Se, por um lado, encontrou-se solução para uma variedade de pendências, por outro lado, muitos problemas surgiram. Alguns desses problemas afetam diretamente a formação profissional do bibliotecário, que diante de tantas mudanças tem que adequar suas habilidades de modo que possa garantir novas formas para o provimento de informações confiáveis e relevantes para seus usuários. A possibilidade de oferecer serviços manuais de forma on-line sugere que deve haver mudanças no comportamento dos profissionais bibliotecários no que diz respeito as suas habilidades e pensamentos, na medida em que possa atingir seu propósito por excelência: a recuperação da informação para seus usuários. Candido e Araújo 3 (2003) acreditam que as organizações precisam encontrar os mecanismos e modelos que mais se adéquam para a convivência com a informação e o conhecimento, sendo capazes de fazer a interligação entre as tecnologias de gestão e da informação. Dentre estas abordagens, destacam-se a inteligência competitiva e a gestão do conhecimento, as quais permitem a uma organização encontrar os mecanismos mais adequados para o convívio com a informação e o conhecimento. As TIC‟s caracterizam-se como valiosa ferramenta de auxílio na organização e recuperação de informações. O bibliotecário utiliza-se de todos os recursos disponíveis para buscar, armazenar, tratar e disseminar a informação de maneira mais rápida e precisa, planejando serviços e produtos adequados a todos os tipos de usuários, os que já dominam e os que ainda encontram obstáculos no manuseio dessas novas tecnologias. Porém, isso só será possível se o bibliotecário empenharse para se adequar a realidade atual. Neste contexto surge a problemática: quais são os desafios impostos ao profissional bibliotecário a partir do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC‟s no gerenciamento informacional? Assim o presente trabalho tem como objetivo geral analisar: Os desafios impostos ao bibliotecário a partir do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no gerenciamento informacional. Para realização do propósito, pretende-se: • Pesquisar no âmbito literário o impacto sócio-cultural causado pelo surgimento das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC‟s) no gerenciamento da informação. • Averiguar as mudanças ocorridas no perfil profissional do bibliotecário a partir da firmação das TIC‟s. • Discorrer a relação dos bibliotecários com as TIC‟s no seu ambiente de trabalho. • Investigar os pontos positivos e negativos das novas tecnologias para gestão informacional. Assim, pode-se inferir os seguintes pressupostos: • A utilização da TIC‟s gera desafios constantes aos profissionais que a utilizam. Essa afirmação pode ser exemplificada através da necessidade, imposta pelo uso das TIC‟s, de revisão dos métodos utilizados pelo bibliotecário no armazenamento, recuperação e disseminação da informação. 4 • O advento das novas tecnologias vem provocando mudanças radicais no meio econômico, social, educacional e cultural, podendo tornar obsoleta qualquer atividade que permaneça à margem de tais mudanças e consequentemente, exigindo dos profissionais da informação adequação as novas exigências do mercado e do cotidiano da sociedade contemporânea. • As tecnologias de informação e comunicação comportam-se como ferramentas auxiliares de trabalho para qualquer tipo de unidade informacional, uma vez que com a mediação do profissional bibliotecário o processamento, o gerenciamento, a recuperação e a disseminação da informação, através destas tecnologias, podem se tornar mais eficientes e eficazes. • A possibilidade de oferecer serviços extremamente tradicionais de forma online e utilizar informações disponíveis em rede através da Internet vem mudando de maneira positiva e negativa o comportamento dos profissionais bibliotecários, no que diz respeito ao gerenciamento de informações. É relevante citar que não pretende-se explorar aqui todas as TIC‟s direcionadas ao gerenciamento informacional existentes. Tal feito tornar-se inviável devido à velocidade constante de atualizações tecnológicas, o que pode ocasionar a perda de veracidade das informações. Entretanto é possível encontrar neste trabalho exemplos relevantes de como as TIC‟s estão inseridas dentro do ambiente de trabalho do profissional da informação. 2 Referencial Teórico Pode-se dividir a história da humanidade em 3 importantes épocas: a era agrícola, industrial e a digital. Sendo que está última, inicia-se na década de 60 nos Estados Unidos da América com o aperfeiçoamento dos computadores e a criação da Internet pelo Departamento de Defesa Americano e consolida-se na década de 90 quando a abrangência da Internet consegue atingir um número incontável de usuários por todo o mundo e o computador passa a figurar como um instrumento popular de comunicação (MENDES, [200?]). Atualmente, os sistemas de informação e as redes de computadores têm desempenhado um papel importante na comunicação. Segundo Lévy (1993), outras maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a 5 própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais dos mais variados tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturadas por uma tecnologia cada vez mais avançada. O impacto provocado pelo desenvolvimento tecnológico e pelas tecnologias da informação no começo da década de 1990 marca o surgimento da Era da Informação e consequentemente da Sociedade da Informação. Nesta nova era, o capital financeiro cede seu lugar para o capital intelectual, ou seja, o conhecimento passa a ser o recurso organizacional mais importante e valioso. Palhares, Silva e Rosa (2002, p. 3) definem este momento: Entende-se por sociedade da informação como um estágio de desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de seus membros (cidadãos, empresas, poder público) de obter e compartilhar qualquer informação, instantaneamente, de qualquer lugar e da maneira mais adequada. A sociedade da informação designa uma forma nova de organização da economia e da sociedade. 2.1 As Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC’s É neste contexto informacional de intensa mudança que surgem a partir da junção do computador com a televisão e as telecomunicações, as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TIC‟s. (CHIAVENATO, 2003). Cruz (2002, p.186) as definiu como: “conjunto de dispositivos individuais, como hardware, software, telecomunicações ou qualquer outra tecnologia que, faça parte ou gere tratamento da informação, ou ainda, que a contenha”. Agrupadas sob um grande „guarda-chuva‟ chamado groupware as TIC‟s fazem parte de um imenso grupo, que é integrado por várias tecnologias, dentre as quais podemos destacar: o KM: Knowledge Management (Gerência de Conhecimento) e o Eletronic Document Management System (Gerenciamento Eletrônico de Documentos). Resumidamente groupware é qualquer sistema computadorizado que permite que grupos de pessoas trabalhem de forma cooperativa a fim de atingir um objetivo comum (RAMAL, 2002). De forma mais simplificada Marshal (1984, p. 9) conceitua as TIC‟s como “uma espécie de reunião da informática e das comunicações para efeitos de tratamento da informação”. A rápida difusão das TIC‟s causaram mutações no modo de vida das pessoas, assumindo atualmente grande importância na vida coletiva e individual 6 atual. A tecnologia tem origem na sociedade, exercendo uma influência decisiva no seu desenvolvimento. A sociedade tem usufruído dessas tecnologias, nos mais diversos âmbitos da sua vida (por exemplo: trabalho, lazer, educação e outros). A utilização das TIC‟s contribuiu, entre outros, para simplificar processos administrativos proporcionando a redução dos custos que lhe estão associados e contribuindo também para a agilização do relacionamento entre os cidadãos e as empresas. A utilização das TIC‟s em suas mais diversas formas: telefonia móvel, televisão via satélite será ampliada de acordo com a sua importância, sendo inicialmente utilizadas no âmbito restrito das grandes cidades. Sendo de suma importância enfatizar que a Internet ocupa lugar de destaque entre as tecnologias de informação e comunicação, presente em milhares de lares de todo o mundo, tornando-se um dos principais meios de criação, transporte, difusão e armazenamento de informações, sendo um meio diverso e com funcionamento particular, desregulamentado, simples e de baixo custo, servindo como um eficaz componente para o ambiente de negócios, que predomina nos sistemas econômicos atuais. A rede torna-se, portanto, veículo de um bem valioso para os negócios e transações do momento: a informação. 2.2 O Bibliotecário e as Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC’s As mudanças ocorridas nas últimas décadas, transformaram radicalmente a sociedade. O crescimento das redes de comunicações e os avanços tecnológicos modificaram o modo de ser da sociedade e determinaram novas formas de relacionamento, de pensar, de aprender e de trabalhar. Durante muito tempo, o perfil do bibliotecário esteve voltado para a valorização da técnica acima de tudo. Esses profissionais foram por muito tempo omissos à importância do seu papel social e a sua função educativa. A sociedade, por sua vez, desconhecia o bibliotecário, profissional que se mantinha enclausurado nas bibliotecas em seu trabalho solitário e passivo, cada vez mais distante do contato com uma sociedade que necessitava de informação e de um profissional presente às suas necessidades de leitura, pesquisa e estudo. A sociedade não só desconhecia o bibliotecário, mas ignorava a biblioteca por vê-la distante de sua realidade, pois aquele que poderia “quebrar o 7 silêncio” e guiá-la desmistificando a biblioteca de “templo sagrado” a um lugar de construção e aprendizado, ainda insistia em manter-se isolado (FAÇANHA, 2009). O estereótipo de „guardião de livros‟ perseguiu o bibliotecário durante muito tempo. Somente no Renascimento é que começou a se delinear-se na área pública e a diferenciar-se dos outros profissionais (ORTEGA Y GASSET, 2006). De maneira gradativa o bibliotecário trocou a forma pelo conteúdo e assumiu seu papel de agente social, trabalhando o conhecimento e a informação com seu público, no intuito de favorecer o crescimento do indivíduo, a comunicação entre pessoas e grupos, o revigoramento da cultura e a melhoria da qualidade de vida, contribuindo para que a biblioteca deixe de ser reduto do bibliotecário e se torne a casa de todos. A transformação do bibliotecário de „guardião de livros‟ para agente social foi apenas o primeiro de muitos desafios impostos a esse profissional. O surgimento da indústria da informação, em 1962 nos Estados Unidos, dos microcomputadores na década de setenta, e o surgimento das redes de comunicação de dados, em nível comercial, como a Internet (VALENTIM, 2000), contribuíram diretamente para modificação do perfil do bibliotecário que vê o seu objeto de estudo e trabalho, a informação, sendo afetada diretamente pelo surgimento das TIC‟s, que modificam seu suporte, seu formato e seus meios de processamento e disseminação, exigindo desse profissional novos métodos de gerenciamento informacional. Assim como outras organizações, as bibliotecas estão sujeitas a constantes pressões para que possam adaptar-se aos novos tempos, mas mantendo sempre os seus objetivos específicos. As TIC‟s impelem as organizações a pensar em novos métodos de gerenciamento e novos modelos de trabalho. Sendo que para que essa tecnologia seja uma ferramenta eficaz no que diz respeito ao alcance de resultados, as organizações devem desenvolver estratégias para o desenvolvimento de conhecimento e competências (SANTOS; TOLFO, 2006). A ciência e tecnologia dispõem, atualmente, de facilidades que possibilitam aos seus integrantes o acesso e a troca de informações, de forma extremamente rápida e flexível. Este avanço se realiza em função da crescente evolução da tecnologia, principalmente, no que se refere à eletrônica, computação e telecomunicações. O aproveitamento e integração das tecnologias geradas no âmbito dessas áreas propiciaram o desenvolvimento das redes de computadores, as chamadas redes eletrônicas. Com essa infra-estrutura, a comunidade científica e tecnológica – representada por universidades, centros de pesquisa, bibliotecas, 8 escolas e outros, passa a usufruir de ferramentas que lhe permitem tornar disponíveis suas informações em meio eletrônico e possibilitando aos profissionais que administram estas unidades informacionais novos métodos de gerenciamento dos seus produtos e serviços. Dentre os inúmeros produtos oriundos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC‟s), a Internet destaca-se no meio biblioteconômico, por promover a integração de instituições e por oferecer uma enorme variedade de produtos e serviços de informação (VARGAS, 1994). Nessas condições, observa-se que para que o bibliotecário participe da vida produtiva de sua unidade informacional, exige-se dele conhecimentos e habilidades que possibilitem sua vida em sociedade e, como profissionais esperam-se competências para cumprir suas missões específicas. O atual ambiente informacional sofreu influências diretas das inovações tecnológicas, isso fez com que a geração e disseminação da informação e do conhecimento passassem a desempenhar um papel estratégico nas organizações. A frequência e a velocidade da conectividade e da troca de informações têm sido uma atividade cada vez mais intensa e usual nas diversas formas de relacionamentos entre os diversos atores dos mais diferentes segmentos e setores da sociedade. Para Castells (1999), o que caracterizou a presente revolução tecnológica não foi a centralidade de conhecimentos e informações, mas um ciclo de realimentação cumulativo entre inovação e o seu uso. Devido ao volume de informações difundidas, surge então, a necessidade de melhorar o gerenciamento dessas informações, de forma que haja uma melhor gestão do conhecimento no ambiente informacional. Neste sentido, percebe-se a necessidade de as tecnologias da informação contribuírem com as tecnologias de gestão, suprindo a necessidade dos diversos atores sociais e buscando os mecanismos mais adequados para conviver com este cenário de mudança permanente cada vez mais veloz. A massificação da informação exige maior habilidade crítica e maior capacitação profissional do bibliotecário para que essa enorme fonte de dados, na qual apresenta-se dia a dia, seja utilizada de forma produtiva ou imediatamente rejeitada caso não seja de interesse. Partindo dessa reflexão, serão analisados os pontos positivos e negativos do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC‟s), em particular a Internet, no ambiente informacional gerenciado pelo bibliotecário. 9 O bibliotecário ao introduzir o computador como um meio de trabalho não deve deixar que este se torne um artigo de luxo, criando usuários egoístas e antisociais. Ele deve buscar nessa ferramenta, um meio de desenvolver usuários mais críticos, sociais e independentes, repensando assim o seu papel frente a novas tecnologias. Entender o binômio "Computador e Educação" é ter em vista o fato de que essa máquina tornou-se um instrumento, uma ferramenta para aprendizagem, desenvolvendo habilidades intelectuais e cognitivas, possibilitando ao profissional aperfeiçoar suas potencialidades, criatividade e sua capacidade de invenção. Desta maneira, o computador passa a ser um "aliado" do bibliotecário no processo de organização, armazenamento, recuperação e disseminação da informação. Sobre as vantagens advindas pelo uso das TIC‟s pelo bibliotecário, Tarapanoff (1989, p. 105) destaca as que considera mais importantes: a) uso de computadores para facilitar a produção de um produto (serviço) convencional; b) uso de computadores e sistemas de telecomunicações para distribuir os dados eletronicamente; c) uso de vários meios de armazenagem para distribuição de dados requeridos; O uso das TIC‟s trouxe uma série de transformações ao tradicional ambiente das bibliotecas. O computador, que inicialmente foi usado apenas para armazenar informações, oferece atualmente sistemas que possibilitam uma infinidade de recursos de busca, que não pode ser comparada a dos sistemas manuais. Essa transformação fica evidenciada, principalmente, quando falamos dos novos produtos oferecidos por estes centros informacionais: catálogos eletrônicos, bases de dados e sistemas de recuperação de informação on-line (Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, SciELO, Capes e outros), merecem destaque dentre as novas formas de mecanismos de organização que utilizam as TIC‟s no gerenciamento de documentos , facilitando a busca e o acesso aos documentos e relatórios armazenados em seus repositórios (DALL‟IGNA, 2010). O uso do computador deve ser visto como uma forma de se desenvolver inteligência, flexibilidade, criatividade e inteligências mais críticas. Portanto, a informática quando adotada em centros informacionais deve se integrar ao ambiente e à realidade dos que a utilizam, não só como ferramenta, mas como recurso 10 interdisciplinar, constituindo-se também numa poderosa ferramenta com que o bibliotecário possa contar para bem realizar o seu trabalho. Ao refletir de forma mais aprofundada sobre o tema pode-se perceber que como toda tecnologia, a introdução dos computadores no ambiente biblioteconômico acrescentou aspectos positivos, tanto para o bibliotecário quanto para os seus usuários. A diversidade de contextos em que as TIC‟s, atualmente, são empregadas também traz complexidade ao debate sobre o uso das mesmas por bibliotecários e consequentemente por seus usuários. Países grandes, pequenos, desenvolvidos e em desenvolvimento apresentam realidades (sociais e econômicas) bastante diferentes ao que diz respeito à disponibilização e utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação, o que torna praticamente inviável a formulação de juízos universais frente a tantas particularidades. A partir dessas perspectivas e previsões distintas pode-se observar além dos aspectos positivos, aspectos negativos na utilização destas ferramentas. Alguns pesquisadores alertam que o uso do computador em centros informacionais trazem alguns prejuízos de ordem orgânica aos usuários que fazem uso regular dessas novas tecnologias (profissionais bibliotecários e usuários). Seriam eles: risco de cansaço nervoso, tensão ocular, obesidade e isolamento social. As conclusões são de especialistas norte-americanos, que recomendam prudência no uso dos computadores em bibliotecas e outros centros informacionais e educacionais (POTENCIALIDADES, 2005). O uso das TIC‟s geraram mudanças de forma a alterar o papel do profissional e das profissões da informação. No caso da Biblioteconomia, os profissionais bibliotecários perdem cada vez mais espaço no mercado de trabalho para profissionais cuja relação com a informática é mais estreita. Ainda sobre o que se denomina aqui como aspectos negativos da utilização das TIC‟s no gerenciamento de informação por bibliotecários, Targino (2005, p. 3) chama a atenção para outras desvantagens trazidas pelas facilidades de produção possibilitadas pelo uso do computador e da Internet: [...] a inconsistência, instantaneidade e efemeridade das informações; a complexidade de armazenamento; a dificuldade do controle bibliográfico; a banalização da autoria e o desrespeito à propriedade intelectual; o uso aético da informação; a invasão da privacidade x relações impessoais. 11 Reconhece-se que a Internet representa um processo de transformação da sociedade em seus mais diversos âmbitos, mas ela também possui efeitos colaterais para os que a utilizam. A apresentação de aspectos positivos e negativos do uso das TIC‟s no gerenciamento de informações não visa enaltecê-la ou repudiá-la, mas em criar métodos para que o bibliotecário possa reconhecer seus méritos e aprender a lidar criativamente com tais efeitos, buscando sempre aperfeiçoá-la para conviver e ultrapassar suas limitações. 3 Metodologia Para realização da pesquisa, foi feito um levantamento bibliográfico, desenvolvido mediante uma leitura sistemática de materiais já elaborados sobre o assunto em questão, principalmente livros e artigos científicos. Para Gil (2002) a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. O levantamento bibliográfico pode ser entendido como um estudo explanatório, posto que tem a finalidade de proporcionar a familiaridade do aluno com a área de estudo a qual está interessado, bem como sua delimitação. Sendo assim, “a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem” (MARCONI; LAKATOS, 2008, p. 57). 4 Análise dos Dados As Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC‟s mudaram radicalmente o modo de vida das pessoas, quebrando velhos paradigmas, transformando as relações pessoais em virtuais e obrigando aos mais diversos profissionais, principalmente aos da área informacional, uma busca frenética por novas formas de gerenciamento e pela informação mais atualizada, que possibilite colocá-lo a frente das necessidades informacionais de seus usuários. Esses desafios exigem um perfil profissional do bibliotecário diferente do tecnicista visto no século passado e proporcionando a construção de um novo profissional facilitador da aprendizagem e mediador da informação. Nesse contexto, pode-se afirmar que os objetivos pretendidos foram alcançados, pois: 12 • A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC‟s) cria e recria novas formas de interação, novas identidades, novos hábitos sociais, e gera desafios constantes aos profissionais que a utilizam. Os conhecimentos e habilidades empregados em um campo profissional são cada vez menos estáveis; em intervalos de tempo cada vez mais curtos, transformando-se e tornando-se obsoletos, exigindo uma capacitação contínua que possa facilitar a adaptação e assimilação destas mudanças pelo bibliotecário. • Assim como outras organizações, as bibliotecas estão sujeitas a constantes pressões para que possam adaptar-se aos novos tempos, mas mantendo sempre os seus objetivos específicos. As TIC‟s impelem as organizações a pensar em novos métodos de gerenciamento e novos modelos de trabalho. Sendo assim o bibliotecário caricato: “guardião dos livros” e extremamente tecnicista tende a ceder lugar a um novo profissional, cujas principais características são: aptidão ao manuseio das novas tecnologias, mais humano e preparado para o trato de problemas diversos, como cultura e o auxílio aos seus usuários. • As fontes de informação disponíveis em rede surgem absolutamente independentes da geratriz impressa necessitando de tratamento e uso diferenciados, o que exige do bibliotecário um estudo aprofundado dos tipos de fontes, de como são trabalhadas e de como são designadas na rede além de novos critérios para o seu armazenamento e recuperação e disseminação. • Reconhece-se que o uso das TIC‟s no gerenciamento de informações representa um processo de transformação da sociedade em seus mais diversos âmbitos, e como qualquer outra transformação, ela também possui aspectos positivos e negativos para os que a utilizam. Diante de tudo o que foi exposto no presente trabalho, podemos então considerar válidas as hipóteses apresentas no início desta monografia: • A utilização da TIC‟s gera desafios constantes aos profissionais que a utilizam. Essa afirmação pode ser exemplificada através da necessidade, imposta pelo uso das TIC‟s, de revisão dos métodos utilizados pelo bibliotecário no armazenamento, recuperação e disseminação da informação. • O advento das novas tecnologias vem provocando mudanças radicais no mundo, transformando profundamente o meio econômico, social, educacional e cultural brasileiro, podendo tornar obsoleta qualquer atividade que permaneça à margem de tais mudanças e consequentemente, exigindo dos profissionais da 13 informação, onde se inclui o bibliotecário, adequação às novas exigências do mercado e do cotidiano da sociedade contemporânea. • As tecnologias de informação e comunicação comportam-se como ferramentas auxiliares de trabalho para qualquer tipo de unidade informacional, uma vez que com a mediação do profissional bibliotecário o processamento, o gerenciamento, a recuperação e a disseminação da informação, através destas tecnologias, podem se tornar mais eficientes e eficazes. • A possibilidade de oferecer serviços extremamente tradicionais de forma online e utilizar informações disponíveis em rede através da Internet vem mudando de maneira positiva e negativa o comportamento dos profissionais bibliotecários, no que diz respeito ao gerenciamento de informações. 5 Conclusão Contudo, esse estudo demonstrou que a contínua qualificação profissional dos bibliotecários é fundamental para a utilização das TICs e para orientação aos usuários das bibliotecas ao acesso à informação. Esse processo de contínuo aperfeiçoamento e atualização propicia segurança para os profissionais permitindolhes visualizar novas perspectivas e vencer os desafios a que será defrontado durante sua atuação profissional. Enfim, este trabalho poderá ser objeto de estudo a quem desejar inteirar-se sobre este assunto, podendo inclusive ser tomado como uma fonte de estudo para o profissional de Biblioteconomia, e contribuindo para uma nova visão desse profissional. Referências CÂNDIDO, Gesinaldo Ataíde; ARAÚJO, Nadja Macêdo de. As tecnologias da informação como instrumento de viabilização da gestão do conhecimento através da montagem de mapas cognitivos. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3, p. 3845, set./dez. 2003. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v.1 COSTA JR, Hélio Lemes. Ansiedade na era da informação, maio 1999. 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