146 LEVANTAMENTO DE INDICADORES ECONÔMICOS E SOCIAIS COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO DO TURISMO REGIONAL: o caso da Região Administrativa de Franca Daniela Aparecida Ferreira (Uni-FACEF) ∗ Hélio Braga Filho (Uni-FACEF)** INTRODUÇÃO Com enfoque tanto nacional como internacional, o turismo proporciona à comunidade desenvolvimento econômico, social e cultural. È uma atividade econômica que gera grande quantidade de riquezas. Nesse sentido, esse trabalho se propõe a buscar na Região Administrativa de Franca, compreendida por vinte e três municípios, potenciais de interesse turístico de forma que estes sejam explorados contemplando o desenvolvimento econômico, social, cultural e estrutural da região. Embasada em pesquisa qualitativa e quantitativa de caráter exploratório, buscará nos municípios relacionados, identificar, através do recolhimento de documentos e dados econômicos e sociais, a maneira mais adequada de se de promover o turismo como fator do desenvolvimento econômico da região. Como objetivo geral, propõe-se levantar o potencial turistico da região e, através de dados econômicos, mensurar qual(ais) segmento(s) turístico a região se enquadra, e se já existe fluxo considerável de visitantes, localizando os segmentos do turismo que a região comporta em um mapa regional. Junto a esse, a pesquisa se propõe, como objetivos específicos, avaliar o potencial da região com relação aos seus recursos da região, tanto os naturais e culturais, de maneira que possa identificar se este recurso está apropriado para a atividade turística, quanto aos equipamentos urbanos e infraestrutura local e estrutura turística. Aliado a este, um levantamento das entidades que desenvolvem trabalhos relacionados ao desenvolvimento do turismo regional. ∗ Discente do 7° semestre do curso de Turismo e Hote laria do Centro Universitário de Franca – UniFACEF. Bolsista de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP. ** Economista. Professor Doutor em Serviço Social. Docente do curso de Economia do Centro Universitário de Franca – Uni-FACEF. 147 1 O TURISMO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO LOCAL Com enfoque tanto nacional como internacional, o turismo proporciona à comunidade desenvolvimento econômico com diminuição do desemprego e novas possibilidades no mercado de trabalho, desenvolvimento social com a melhoria da infra-estrutura local e melhoria da qualidade de vida da população, desenvolvimento cultural, pois estimula o interesse da comunidade com sua própria cultura, tradições, costumes, folclore e pelo seu patrimônio edificado, “uma vez que os elementos culturais de valor para os turistas são recuperados e conservados, para que possam ser incluídos na atividade turística” e o “intercambio cultural”, que proporciona à comunidade adquirir novas experiências e comento junto aos visitantes e vice-versa (OMT, 2001, p. 220) e, desenvolvimento da consciência ambiental, diminuindo os impactos sobre o natural. É uma atividade econômica que gera grande quantidade de riquezas. Para Dias (2005, p. 88-90) o turismo cumpre um papel dinamizador que atinge vários setores da economia, gerando assim alguns efeitos econômicos do turismo: - Possui efeito multiplicador ao transformar as despesas originadas do turismo em renda para a população de maneira direta ou indireta. Desta forma se inicia uma cadeia de resultados como aumento da oferta de emprego, aumento da arrecadação do governo crescimento do numero de empreendimentos, entre outros; - Pode modificar as estruturas de consumo da população, já que ao aumentar as possibilidades de emprego o nível da renda também aumenta melhorando o consumo da população inserida na localidade em questão; - Na expectativa de novas construções turísticas pode ocorrer especulação sobre o uso do solo, valorizando o espaço; - Por ser uma fonte geradora de trabalho, tanto direto quanto indireto, o turismo gera uma grande quantidade de empregos informais e/ ou temporários; - Pode ser um meio de redistribuição uniforme de renda para a população; e - Pode ocorrer a internacionalização da localidade, originando negociações tanto para importações quanto para exportações de produtos turísticos ou novas tecnologias. 148 Para o início desta pesquisa, foi primordial que se conceituasse alguns termos como, crescimento, desenvolvimento, pólo de desenvolvimento, região,e conseqüentemente desenvolvimento regional, a fim de buscar um melhor entendimento na interpretação dos dados. Uma das polêmicas existentes reside nas definições de crescimento econômico e desenvolvimento. Como crescimento econômico pode-se entender como o crescimento da população e da renda. Já a questão do desenvolvimento se mostra um pouco mais complexa, já que se refere à elevação do nível de vida da população, podendo, segundo Furtado (1980, p. 65 e 67), promover situações antagônicas. As complexas sociedades surgidas do desenvolvimento do capitalismo comportam uma multiplicidade de atores e agentes que em parte são o produto da história de cada uma delas e em parte o fruto da forma e grau de diversificação assumida pelos sistemas produtivos. Dentre eles, dois grupos desempenham papéis fundamentais no processo de desenvolvimento das forças produtivas. Em primeiro lugar está o grupo de agentes que disputam a apropriação de excedente mediante o controle dos meios de produção. (...) O segundo grupo de agentes a considerar são aqueles que participam do sistema produtivo sem, contudo, ter responsabilidade em sua direção. Trata-se da massa de assalariados que se vinculam às empresas de acordo com as condições ditadas pelo mercado de trabalho e a legislação social. Braga Filho (2002, p. 10 e 11), coloca que, caso o produto social seja distribuído de forma desigual, a sociedade na qual está inserido também passará por um processo desigual também. Em certas situações, o desenvolvimento só acontece se anteriormente acontecer o crescimento, e como outra possibilidade, o desenvolvimento ocorre quando existe a distribuição da renda com diminuição absoluta da renda dos extratos mais ricos. Se a elevação da renda não for superior ao crescimento demográfico, toda a sociedade estará empobrecida, assim não existirá desenvolvimento (Clemente e Higashi, 2000, p. 130). Existe ainda o conceito de desenvolvimento auto-sustentado, onde ocorre uma série de transformações da sociedade que se realizam em cadeia de forma auto-sustentada. Uma vez desencadeado, o processo de desenvolvimento apresenta uma sequência de fases criando condições para a fase seguinte. Os indicadores econômicos e sociais devem apresentar um processo duradouro de transformação da sociedade (Clemente e Higashi, 2000, p. 131). 149 Considerando o surgimento de renda e demanda como condição inicial para o processo de desenvolvimento, o governo poderia, mediante transferências de renda, contribuir para o início do processo. Porém, o processo de desenvolvimento é considerado impenetrável, possui trajetória própria e relativamente autônoma, sendo também específico a certas regiões. Cabe ao governo regional descobrir no mercado interno um meio para seguir com o processo e cuidar para que não haja empecilhos, com relação aos serviços públicos, em sua trajetória (Clemente e Higashi, 2000, p. 136). Segundo Ferreira (1989, p. 611-614), o desenvolvimento em longo prazo de uma região pode ser explicado através da interação de três tipos de processo ou forças. Primeiramente, o desenvolvimento de uma região depende de sua participação relativa no uso dos recursos nacionais, sobre os quais as regiões competem explicita ou implicitamente. A expressão “recursos nacionais” é empregada no sentido de recursos móveis, com preferência de caráter financeiro e, se possível, também controlados pelo setor público, ou seja, pelo governo central e instituições funcionalmente descentralizadas. Costuma-se afirmar que a dotação territorial de recursos constitui um elemento motor do desenvolvimento nacional, mas, naturalmente, não é ele o único fator. (...). No segundo aspecto, o desenvolvimento de uma região é afetado pelos efeitos (regionais) implícitos ou indiretos das políticas macroeconômicas e setoriais. Em certos casos, o efeito indireto dessas políticas poderá ser um fator coadjuvante do desenvolvimento regional. Noutros, o efeito poderá ser contraproducente e de tal magnitude que anulará o impacto positivo originado na alocação dos recursos. (...). em terceiro lugar, o desenvolvimento de uma região depende de um conjunto de elementos políticos, institucionais e sociais que podem ser agrupados genericamente sob o título amplo de “capacidade de organização social da região”. Sem a presença destes elementos, poder-se-á gerar, de todos os modos, um processo de crescimento econômico agregado na região, porém não se produzirá o passo qualitativo do crescimento ao desenvolvimento. O desenvolvimento de uma região estimula o desenvolvimento de regiões vizinhas. Após atingir certo nível de desenvolvimento, a região apresenta pressão crescente sobre a oferta de matérias-primas, tornando necessário exportá-las para regiões vizinhas, migrando capital e mão-de-obra qualificada para tais regiões, ocorrendo o processo denominado difusão ou espraiamento do desenvolvimento (Clemente e Higashi, 2000, p. 136). Porém, com esse espraiamento, a região pode polarizar e dominar as demais, atraindo para si os recursos de capital e a população jovem e empreendedora, ocorrendo então o processo de dominação, denominado por Perroux como Teoria da Dominação. Na hipótese de ocorrer espraiamento, os desequilíbrios regionais tenderão a diminuir. Já no caso de ocorrer o processo de dominação, ao contrário do 150 espraiamento, os desequilíbrios regionais tenderão a aumentar (Clemente e Higashi, 2000, p. 137). (...), o crescimento econômico pode produzir aumento ou redução da desigualdade da renda, pois, o crescimento desigual regional, setorial e da produtividade contribui para reforçar ou atenuar essa desigualdade. Devemos ressaltar que a composição setorial da economia, a capacidade empresarial traduzida pelo dinamismo das inovações – nos processos da produção, tecnológicas nos produtos etc; - bem como, da(s) estratégia(s) empregada(s) na busca de novos mercados, a educação e a qualificação da população economicamente mobilizável combinados com políticas públicas orientadas para fomentar o crescimento e o desenvolvimento podem revestir de certa relevância em termos de alternativas de desenvolvimento. (Braga Filho, 2002, p. 09 e 10). Dessa maneira, cabe ao governo a elaboração de políticas publicas que interajam com a sociedade a fim de diminuir as desigualdades econômicas e sociais adquiridas com o tempo. O turismo assume atualmente não somente o papel de a maior atividade econômica do mundo, onde gera grande quantidade de empregos e consequentemente renda, mas também, assume um importante papel no impacto gerado na vida das pessoas e nos locais onde estas se encontram. Como qualquer outra atividade, o turismo gera impactos tanto positivos quanto negativos. A partir daí, a questão do planejamento turístico vem ganhando cada vez mais espaço nos estudos acadêmicos e, aliado a estes, ganha também importância a questão da sustentabilidade. Isso se deve à preocupação que cada vez mais se faz presente com relação à preservação dos recursos naturais e a conscientização de que tudo está ligado, ambiente, economia e sociedade (Hall, 2004, p. 17) No relatório de Brundtland (WCED, apud Hall, 2004, p. 21) define desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade ed as gerações futuras atenderem às próprias necessidades”. Neste relatório, foram identificados cinco princípios básicos de sustentabilidade. São eles: 1. o conceito de planejamento holístico e a criação de estratégias; 2. a importância de preservar processos ecológicos essências; 3. a necessidade de proteger o patrimônio humano e a biodiversidade; 4. a necessidade de buscar um tipo de desenvolvimento que permita à produtividade ser sustentada no longo prazo para as gerações futuras (o conceito de equidade intergeracional); e 5. a meta de atingir um melhor equilíbrio de justiça e oportunidades entre nações (Bramwell e Lane, apud Hall, 2004, p. 21). 151 Para que a atividade econômica seja ambientalmente sustentável, Elkins (1993 apud Hall, 2004, p. 21) coloca alguns limites que devem ser rigorosamente seguidos: Deve-se evitar a desestabilização de características ambientais globais como padrões climáticos e a camada de ozônio; Ecossistemas e características ecológicas importantes devem receber total proteção a fim de conservar a diversidade biológica; Recursos renováveis devem ser mantidos, com cumprimento rigoroso de medidas de colheita sustentável; Recursos não-renováveis devem ser usados tão intensivamente quanto possível; O esgotamento de recursos não-renováveis deve se dar com base em níveis mínimos de expectativas de manutenção de tais recursos, níveis estes em que o consumo deve ser equiparado por novas descobertas desses recursos e inovações tecnológicas; As emissões na biosfera não devem exceder a sua capacidade de absorvêlas; Os riscos de eventos originados por atividades humanas que prejudiquem a vida, isto é, geração de energia nuclear, devem ser mantidos em nível muito baixo. Um fator importante na questão da sustentabilidade está o fato de que o desenvolvimento se refere à criação de valor econômico, onde os recursos naturais são transformados em mercadorias e comercializados, e para que haja um desenvolvimento sustentável é preciso que se amplie essa idéia no sentido de considerar, cada vez mais, a natureza. Dessa maneira, a idéia conservar o capital ambiental adquire grandes dificuldades, já que o sistema político-econômico tem como meta a elevação dos níveis de crescimento econômico (Hall, 2004, p. 23). 1.1 Planejamento estratégico do turismo Por fazer parte das ciências humanas, o planejamento não tem definições precisas e cabe a cada um fazer o seu próprio conceito através dos princípios básicos do assunto (Barretto, 1991, p. 11). Para Baptista (1981, p. 13), o termo planejamento “se refere ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de problemas”. No conceito de Ackoff (1976, p. 03), “é um processo que se destina a produzir um ou mais estados futuros desejados e que não devem ocorrer, a menos que alguma coisa seja feita”. Já Newman (apud Holanda, 1985, p. 36), diz que “planejar 152 é decidir antecipadamente o que deve ser feito. O planejamento é uma linha de ação preestabelecida”. Ao se realizar o planejamento, pretende-se que o crescimento da atividade planejada garanta finalidades já impostas (Bissoli, 2001, p. 25). A coleta e o tratamento cauteloso da informação sobre o futuro. Facilita a informação de nossos objetivos, desejos e aspirações e o seu confronto com a realidade. Constitui um pressuposto da troca de informação e da coordenação de atividades interdependentes, o planejamento representa um ótimo veículo para a análise dessa interdependência e para a compatibilização dos interesses em questão (Ramos apud Bissoli, 2001, p. 25). Ao efetuarmos o planejamento, buscamos adequar os meios aos objetivos a serem alcançados, levando sempre em consideração as mudanças da realidade em que o planejamento está inserido (Dias, 2003, p. 88). O planejamento não é algo estático, mas sim uma atividade constante, mutável e dinâmica. Por ser dinâmica exige um repensar constante, mesmo depois que os objetivos já tenham sido alcançados. Analisando a definição dada ao planejamento pelo ex-ministro Delfim Neto – “o planejamento é uma simples técnica de administrar recursos e, em si mesmo, é neutro” (Holanda, 1985, p. 36). Para que o planejamento do turismo funcione de maneira adequada é necessário que varias camadas da sociedade participem do projeto. Por seu efeito multiplicador, o turismo envolve outros segmentos de forma indireta. Dessa maneira, é essencial a participação de vários setores da comunidade como, investidores, instituições públicas e privadas, assim como residentes do município, dando à comunidade local o direito de participação do planejamento como um todo. O turismo depende da população, em todos os aspectos, para a imprescindível hospitalidade e os investimentos necessários. Assim, o planejamento do turismo deve passar por um programa de conscientização da população para a importância dessa atividade, os empresários do turismo devem se engajar em discussões políticas do seu município, e os estudantes e sindicatos devem ser esclarecidos sobre o turismo e o mercado de trabalho [...]O turismo passa pela conscientização da população para a sua importância. Esse fator é determinante na definição da gestão do turismo. Se é necessária a participação da comunidade, que ela seja ampla e integral, principalmente por parte dos empresários e pequenos investidores no turismo. Essa participação deve, por conseguinte, acontecer também no estabelecimento das normas e regulamentos do turismo (Petrocchi, 1998, p. 61 e 287). 153 Em se tratando de sucesso do planejamento turístico deve-se levar em conta toda a comunidade de uma forma em que todos possam expor suas idéias e opiniões em prol do desenvolvimento. “Seria demagogia querer incorporar as massas, diretamente, no debate do conteúdo de planejamento”, porém, através de representantes, a massa da comunidade referida também possa se expressar (Dias 2003, p. 113). A questão de participação tem relação direta com o conceito de cidadania, à medida que este se refere à condição de um individuo portador de direitos. Não há direito maior de um individuo do que decidir seu próprio destino (Dias, 2003, p. 113). Com o reconhecimento de sua memória, a cidade passa a ser confiante em relação ao seu potencial turístico, o que faz com que seus visitantes ao sentir essa confiança respeitem seu patrimônio, trazendo assim retorno financeiro e cultural. Para que não haja uma impressão negativa no turista com relação ao local visitado, é necessário que a população esteja envolvida em todo o processo de planejamento para a estruturação do turismo, motivando-a e sensibilizando-a para a atividade econômica e social. Caso não haja interação entre a comunidade e os organizadores do turismo local, que têm a função de preparar a comunidade para a atividade turística, esse processo pode ocorrer de maneira contrária, passando para a comunidade local a impressão de que o turista é um invasor, um vilão, fazendo que esse processo se torne um conflito social (Moletta e Goidanich, 2000, p. 62). 2 A REGIÃO ADMINISTRATIVA DE FRANCA A Região Administrativa de Franca, ou RA de Franca é formada pelas Regiões de Governo de Franca e de São Joaquim da Barra, das quais, fazem parte vinte e três municípios conforme listados no Quadro 2.1 e demonstrados na Imagem 2.1. Quadro 2.1: Municípios pertencentes à Região Administrativa de Franca. 1. Aramina 2. Batatais 3. Buritizal 4. Cristais Paulista Região Administrativa de Franca 7. Igarapava 13. Morro Agudo 8. Ipuã 14. Nuporanga 9. Itirapuã 15. Orlândia 10. Ituverava 16. Patrocínio Paulista 19. Ribeirão Corrente 20. Rifaina 21. Sales Oliveira 22. São Joaquim da Barra 154 5. Franca 11. Jeriquara 17. Pedregulho 6. Guará 12. Miguelópolis 18. Restinga Fonte: Fundação SEADE. Quadro elaborado pela autora. 23. São José da Bela Vista Imagem 2.1: Mapa dos municípios pertencentes à Região Administrativa de Franca. Fonte: Instituto de Geografia e Estatística – IGC. Modificado pela autora. Analisando o crescimento populacional desde 1993, onde a RA contava com 561.246 habitantes, houve um crescimento de 21,62% com relação a 2008. Com relação à população e sua divisão em faixas etárias1, pode-se constatar que houve crescimento para a população que se encontra entre 15 e 24 anos, que em 1993 contava com 106.460 habitantes e em 2008 passou a contar com 124.263 habitantes representando uma variação de 16,72%. Também se pode analisar a faixa etária entre 25 e 44 anos, que desde 1993, onde tinha 171.110 habitantes, mantém um crescimento constante, com uma variação de 32,24% para o ano de 2008, que possuía 226.274 habitantes. Uma outra camada da população se refere aos que se encontram na faixa etária entre 45 e 64 anos, onde houve um crescimento de 73,08% de 1993 (83.915 habitantes) a 2008 (145.243 habitantes), representando 20,28% da população total da região em 2008. A população com 65 155 anos ou mais que apesar de ser a minoria da população total regional foi a que demonstrou maior crescimento entre as faixas etárias comparados os anos de 1993 a 2008. Em 1993 esta faixa etária contava com 29.079 habitantes, e em 2008 contava com 52.569 habitantes, representando um crescimento de 80,78%. Em 2008, essa fatia da população representava na população total da RA apenas 7,34% (Figura 2.1). Figura 2.1: População da Região Administrativa de Franca desde 1993 a 2008, dividida por faixas etárias. 250.000 225.000 200.000 175.000 150.000 125.000 100.000 75.000 50.000 25.000 0 1993 1994 1995 1996 1997 0 a 14 anos 1998 1999 15 a 24 anos 2000 2001 25 a 44 anos 2002 2003 45 a 64 anos 2004 2005 2006 2007 2008 65 anos ou mais Fonte: Fundação SEADE. Gráfico elaborado pela autora. Segundo a Fundação SEADE, a taxa de natalidade é medida através da “relação entre os nascidos vivos de uma determinada unidade geográfica, ocorridos e registrados num determinado período de tempo, e a população estimada para o meio do período, multiplicados por 1000”. Usa-se a seguinte fórmula: Taxa de natalidade = Nascidos vivos População ao meio do período x 1.000 Acompanhando os dados conseguidos junto à Fundação SEADE, desde o ano de 1980 até 2007, a taxa de natalidade da população regional demonstra queda. 156 Em 1980 a taxa de natalidade da RA de Franca era de 26,33 e passou para 14,66 no ano de 2007, como demonstrado na Figura 2.2. Figura 2.2: Taxa de natalidade da Região Administrativa de Franca (1980-2007). 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: Fundação SEADE. Gráfico elaborado pela autora. Com relação à taxa de mortalidade, a Fundação SEADE utiliza a seguinte definição: “relação entre óbitos gerais de residentes numa unidade geográfica, ocorridos num determinado período de tempo (em geral, um ano) e a população da mesma unidade estimada ano meio do período”. Esta definição é representada na seguinte fórmula: Taxa de mortalidade = Óbitos gerais de residentes População ao meio do período x 1.000 Segundo os dados da Fundação SEADE, em 2007, a taxa de mortalidade da RA de Franca era 5,86, a menor taxa desde 1993. Em 1991, a taxa era de 5,57, a menor desde 1980 (Figura 2.3). 157 Figura 2.3: Taxa de mortalidade da Região Administrativa de Franca por mil habitantes e por local de residência (1980-2007). 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: Fundação SEADE. Gráfico elaborado pela autora. Para a análise do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, a Fundação SEADE utiliza a seguinte definição: “indicador que focaliza o município como unidade de análise, a partir das dimensões de longevidade, educação e renda2, que participam com pesos iguais na sua determinação”. Esta definição é representada pela seguinte fórmula: IDHM = Índice de longevidade + Índice de educação + Índice de renda 3 x 1.000 Todos os indicadores utilizados para a medição do IDHM são obtidos através do Censo Demográfico realizado pelo IBGE, onde seus valores indicam o nível de desenvolvimento humano. Para a sua avaliação é utilizado o critério definido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, onde o IDHM é situado entre 0 a 1, sendo dividido em três categorias: 1) baixo desenvolvimento humano (IDHM menor que 0,500); 2) médio desenvolvimento humano (IDHM entre 0,500 e 0,800); e alto desenvolvimento humano (IDHM superior a 0,800). 158 No ano de 2000, seis municípios da RA de Franca se apresentaram, de acordo com os critérios do PNUD, com alto nível de desenvolvimento humano, são eles: Batatais – 0,825; Orlândia – 0,824; Franca – 0,82; Sales Oliveira – 0,819; São Joaquim da Barra – 0,81; e Patrocínio Paulista – 0,809. O menor IDHM da RA fica com Jeriquara com 0,748. Os dados do IDHM da RA de Franca estão demonstrados na Figura 2.4. Figura 2.4: Índice de Desenvolvimento Humano – IDH dos municípios da Região Administrativa de Franca. 1 0,9 0,825 0,8 0,794 0,824 0,82 0,79 0,777 0,771 0,759 0,78 0,791 0,789 0,76 0,748 0,767 0,784 0,809 0,819 0,81 0,794 0,757 0,751 0,774 0,753 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 São José da Bela Vista São Joaquim da Barra Sales Oliveira Rifaina Ribeirão Corrente Restinga Pedregulho Patrocínio Paulista Orlândia Nuporanga Morro Agudo Miguelópolis Jeriquara Ituverava Itirapuã Ipuã Igarapava Guará Franca Cristais Paulista Buritizal Batatais Aramina 0 Fonte: Fundação SEADE. Gráfico elaborado pela autora. 3 COMPOSIÇÃO ECONÔMICA REGIONAL Segundo Clemente (2000, p. 24), para se medir a atividade econômica de determinada região deve-se dar certa importância aos fluxos. Milone e Lage (2001, p. 120) explicam os dois tipos de fluxo: o fluxo monetário e o fluxo físico ou real. No fluxo monetário, a empresa efetua pagamentos de fatores (salários, aluguéis, juros, lucros etc), disponibilizando renda para o indivíduo, e este utiliza a renda para o consumo de bens e serviços (incluindo os produtos turísticos). Já o fluxo real é explicado quando o indivíduo oferece os fatores 159 de produção (terra, capital e trabalho) para a empresa, e esta produz bens e serviços que voltam para os indivíduos. Nesse caso, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ser considerado, “pois representa o valor total dos bens e serviços produzidos em certo período”. No ano de 2006 o PIB da RA de Franca era de aproximadamente nove bilhões de reais (R$ 9.164.030.000,00) havendo então um crescimento de 54,20% comparando com 2002, onde o PIB somara quase seis bilhões de reais (R$ 5.942.710.000,00) (Figura 3.1). Figura 3.1: Demonstrativo do PIB dos municípios da Região Administrativa de Franca em milhões de reais correntes em 2006. 10.000,00 9.000,00 8.000,00 7.000,00 6.000,00 5.000,00 4.000,00 3.000,00 2.000,00 1.000,00 Fonte: Fundação SEADE. Gráfico elaborado pela autora. Franca é o município da RA que possui maior participação no PIB total da região com aproximadamente 3 bilhões de reais (R$ 3.310.910.000,00). Esse valor representa no PIB total da região 36,13%, isso é, mais que um terço do PIB da região pertence à Franca. O município da RA que se apresenta como o menor PIB é Rifaina, com aproximadamente vinte e cinco milhões de reais (R$ 25.520.000,00), correspondendo apenas 0,28% do PIB total da região de Franca. São José da Bela Vista São Joaquim da Barra Sales Oliveira Rifaina Ribeirão Corrente Restinga Pedregulho Patrocínio Paulista Orlândia Nuporanga Morro Agudo Miguelópolis Jeriquara Ituverava Itirapuã Ipuã Igarapava Guará Franca Cristais Paulista Buritizal Batatais Aramina Região Administrativa de Franca 0,00 160 CONSIDERAÇÕES Enquanto resultado parcial da pesquisa, os indicadores analisados referentes à RA de Franca, demonstram que o setor de turismo desponta como uma potencial alternativa para o desenvolvimento regional. Para que esse desenvolvimento seja completo em toda a região outros indicadores devem ser considerados, como: taxa de mortalidade, natalidade, violência, educação, saúde pública, entre outros. Se a população local não tiver os requisitos básicos para sobrevivência sanados, a região nunca alcançara seu nível de desenvolvimento pleno. É importante considerar ainda que, apesar do IDHM ser um importante índice para a análise da qualidade de vida da população, este não considera a distribuição de renda, podendo ocorrer o risco de municípios na região onde o IDHM se demonstra alto, porém com a renda mal distribuída. Este efeito denota um falso desenvolvimento humano, fazendo da distribuição de renda um importante fator que será analisado numa posterior fase desta pesquisa. A renda per capita considerada em conjunto com a distribuição da renda permite interferir no comportamento de praticamente todos os outros indicadores do nível de vida. Dessa forma, conforme os dados demonstrados acima, pode-se destacar que a RA de Franca se encontra em fase de crescimento, onde sua população cresce juntamente com sua renda. De 1980 a 2007 a RA apresenta queda em sua taxa de natalidade e também em sua taxa de mortalidade. Seis, dos vinte e três municípios da região se apresentara com alto desenvolvimento humano, são eles: Batatais, Orlândia, Franca, Sales Oliveira, São Joaquim da Barra e Patrocínio Paulista, enquanto os outros municípios se apresentam com médio desenvolvimento humano. A RA de Franca se mostra como grande potencial para a promoção do turismo tanto em âmbito nacional como internacional. Mas há muito que ser formatado. A região não dispõe de uma malha viária adequada, onde as estradas que ligam os municípios se encontram, em muitos casos, em condições precárias, com 161 pavimentação inadequada e com pouca sinalização, principalmente quando se trata de sinalização turística especifica. Os municípios, em sua maioria, não apresentam secretarias de turismo, sendo o assunto subordinado à secretarias de desenvolvimento, esporte e/ ou cultura. A cidade sede da RA, Franca, não apresenta secretaria de turismo, sendo o assunto reportado à secretaria de desenvolvimento do município, e, sente-se uma grande força de vontade por parte da divisão responsável pelo turismo na secretaria em buscar meios de desenvolver o município como potencial turistico juntamente com os municípios da região, porém, a falta de profissionais do turismo no poder público acaba por comprometer o desenvolvimento do setor na cidade. Para que ocorra o desenvolvimento sustentável da região, tanto em aspectos econômicos quanto sociais e ambientais, é preciso que primeiramente haja um planejamento estratégico, onde haja a união do governo, da iniciativa privada e da população regional, visando a melhoria da qualidade de vida de todos, podendo ser o turismo um meio para se promover esse desenvolvimento. Como demonstrado no primeiro capitulo, o turismo possui grande força para alavancar o desenvolvimento de uma região se for planejado de maneira adequada. Cabe às próximas fases dessa pesquisa, identificar os aspectos falhos com relação ao turismo na região através da complementação e finalização da análise das informações econômicas e sociais dos municípios da região relacionando-os com a teoria apresentada sobre o turismo e, elencar os recursos turísticos que a região possui, para que dessa forma, buscar identificar no turismo um meio para a melhoria da qualidade de vida da população regional. 1 Divisão de faixas etárias seguindo os critérios da Organização Mundial do Turismo – OMT, 1995, p.07 In DENKER, Ada de Freitas Maneti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. São Paulo: Futura, 2008. 2 Longevidade: “utiliza a esperança de vida ao nascer (número médio de anos que as pessoas viveriam a partir do nascimento)”; Educação: “considera o número médio dos anos de estudo (razão entre o número médio de anos de estudo da população de 25 anos e mais, sobre o total das pessoas de 25 anos e mais) e a taxa de analfabetismo (percentual das pessoas com 15 anos e mais, incapazes de ler os escrever um bilhete simples)”; Renda: “considera a renda per capita (razão entre a soma da renda pessoal de todos os familiares e o número total de indivíduos na unidade familiar)”. (definições encontradas junto à Fundação SEADE). 162 REFERÊNCIAS ACKOFF, Russel. Planejamento empresarial. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1976. ANSARAH, Marília dos Reis (Org.). Turismo: segmentação de mercado. 3. ed. São Paulo: Futura, 2000. BAPTISTA, Myriam V. Planejamento: introdução à metodologia do planejamento social. São Paulo: Moraes, 1981, p. 13. BARRETTO, Margarita. 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