1.1.1 Leis de Faraday Durante a passagem de uma corrente elétrica através de uma solução do sal de um certo metal, a massa deste metal que se deposita no cátodo é proporcional : a) à carga que atravessa a solução; b) à massa equivalente do metal. As leis de Faraday enunciadas acima podem ser resumidas pela equação : ∆m = M I t / z F1 1.1.2 (11) Problemas: 1- Uma mesma quantidade de eletricidade atravessou duas células eletrolíticas contendo sulfato de cobre (CuSO4) e nitrato de prata (AgNO3) respectivamente. As reações nos cátodos nas duas células são: Célula 1 Cu 2+ + 2e → Cu(s) Célula 2 Ag + + e → Ag(s) Se 3,18g de Cu foram depositados na célula 1, quantos gramas de Ag foram depositados na célula 2? ( massas atômicas : Cu = 63,6 ; Ag = 108 ) 2- A mesma quantidade de eletricidade que deposita 10,0g de prata de uma solução de nitrato de prata, foi passada através de uma solução contendo cátions ouro, de carga desconhecida. 6,08g de ouro foram depositados. Qual a carga dos íons de ouro? Na célula com nitrato de prata a reação é: Ag+ + e → Ag(s). ( massas atômicas: Ag = 108; Au = 197 ) 3- A galvanização é um processo de recobrimento de peças de ferro ou aço com uma fina camada de zinco metálico. Este processo protege as peças contra a ferrugem. 3,27g de zinco são depositados sobre uma lata de aço quando uma corrente de 5,36 A passa durante 30 minutos através de um célula eletrolítica contendo uma solução de um sal de zinco. Qual a massa equivalente do zinco na solução? (massa atômica: Zn = 65,4) 4- A bateria "chumbo-ácido" usada nos carros consiste de seis células ligadas em série e apresenta uma capacidade de "100 ampère-hora". Uma capacidade de 100 ampère-hora significa que a bateria pode fornecer uma corrente de 100 ampère durante uma hora ou uma corrente de 1 ampère durante 100 horas ou qualquer combinação corrente-tempo 1 ∆m ou m = massa em gramas proveniente da redução no cátodo ou da oxidação no ânodo de uma certa espécie eletroativa. M = massa molar da espécie eletroativa em gramas / mol. I = corrente elétrica em Ampère que atravessa a célula eletrolítica durante a eletrólise. t = tempo da eletrólise em segundos. z = número de cargas do íon ( número de elétrons cedidos ou recebidos ) F = constante de Faraday = 96485 C / mol ( C = Coulomb ) M / z = massa equivalente ou equivalente-grama I t = carga elétrica que atravessa a célula eletrolítica. Ampère.segundo = Coulomb 16 cujo produto é 100. Quantos quilogramas de PbSO4 estão depositados nos eletrodos de uma bateria "chumbo-ácido" quando ela se encontra totalmente descarregada? 5- A Figura 7 ilustra a prateação de um garfo. Um tarugo de prata e o próprio garfo são respectivamente o ânodo e o cátodo da célula eletrolítica. Quando a corrente passa, prata se deposita sobre o garfo a partir dos íons de prata da solução. A concentração da solução não varia durante a eletrólise uma vez que os íons de prata consumidos na redução são repostos pela oxidação do tarugo de prata. Se uma corrente de 1,0A passa durante 1,0 h através do sistema de prateação, qual a espessura do depósito de prata se a área do garfo é 30 cm2 ? A densidade da prata é cerca de 10 g cm -3. Admita uma eficiência de corrente de 89% ( isto é apenas 89% da corrente é consumida na produção do depósito de prata.) Massa atômica Ag = 108 Tarugo de prata garfo Solução de AgNO3 Figura 7 – Prateação de um garfo ATENÇÃO • A palavra cátodo está sempre associada a uma redução, independentemente da célula ser galvânica ou eletrolítica. • A palavra ânodo está sempre associada a uma oxidação, independentemente da célula ser galvânica ou eletrolítica. • O sinal do cátodo é positivo se a célula é galvânica e negativo se é eletrolítica. • O sinal do ânodo é negativo se a célula é galvânica e positivo se é eletrolítica. 2.10 Termodinâmica dos Sistemas Eletroquímicos Vimos que a existência de uma dupla camada elétrica na interface metal/solução eletrolítica determina a presença de um campo elétrico e, portanto o estabelecimento de uma diferença de potencial elétrico entre as duas fases postas a contato. Esta diferença de potencial elétrico entre as duas fases é a Diferença de Potencial Absoluto M Metal/Solução ou simplesmente Potencial de Eletrodo Absoluto ∆φ S. ∆φMS = φM - φS2 2 ∆φMS = diferença de potencial absoluto metal/solução ou potencial de eletrodo absoluto φM = potencial interno ou Galvani do metal 17 Diferenças de potenciais elétricos entre fases diferentes não são mensuráveis. ∆φMS é uma diferença de potenciais elétricos entre duas fases diferentes e portanto não pode ser medida. 2.10.1 Diferença de Potencial Elétrico de uma Pilha Não podemos medir o potencial elétrico absoluto de um eletrodo. Por outro lado, sabemos que é sempre possível medir a diferença de potencial elétrico entre pontos de uma mesma fase ou entre peças da mesma espécie de metal. Por isso, sempre medimos a diferença de potencial elétrico entre dois eletrodos procedendo da seguinte forma: ligamos a cada eletrodo um fio de cobre e os conectamos a um voltímetro ou a um circuito potenciométrico (dispositivo que mede diferença de potencial). O potencial medido é um potencial relativo medido entre fases iguais (cobre). Exemplo: na Figura 8 temos a pilha padrão de Weston cujo potencial elétrico é dado pela equação 13. Solução de CdSO4 Solução de CdSO4 CdSO4 (s) CdSO4 (s) Hg2SO4(s) Cd ( Hg ) Hg(L) + - Cu Cu’ e V e Figura 8 . Pilha Padrão de Weston A diferença de potencial elétrico medida ou diferença de potencial Galvani ∆φ para esta pilha é a soma das diferenças de potencial Galvani em cada interface: ∆φ = (φCu - φHg) + ( φHg - φpasta) + ( φpasta - φsol) + ( φsol - φcrist) + ( φcrist -φamal) + (φamal - φCu') (12) e portanto ∆φ= ( φCu - φCu' ) (13) φS = potencial interno ou Galvani da solução 18 ATENÇÃO A diferença de potencial elétrico medida ou potencial Galvani de uma pilha é igual em sinal e grandeza ao potencial elétrico do terminal condutor da direita menos o potencial elétrico do terminal da esquerda da pilha. ∆φ= ( φdireita - φesquerda ) O significado de "esquerda" e "direita" se refere diagrama. Portanto, ∆φ = ( φ cátodo - φ ânodo ) (14) à pilha como está escrita em (14’) 2.10.2 Força Eletromotriz de uma Pilha A Força Eletromotriz de uma pilha ( fem ou simplesmente E ) é definida como sendo a diferença de potencial elétrico desta pilha quando a corrente através da célula tende a zero ou seja quando a pilha se encontra em circuito aberto. fem = E = ∆φ I→ 0 (15) Para medirmos a fem usamos um voltímetro digital que apresenta uma alta impedância de entrada ( alta resistência interna ) e portanto a corrente que circula durante a medida é muito pequena. Caso não tenhamos este voltímetro usamos o método da compensação ou potenciométrico. 2.10.3 Pilhas reversíveis termodinâmicamente Uma pilha é dita reversível termodinâmicamente se, ao aplicarmos à pilha uma tensão que difere de sua força eletromotriz de uma quantidade infinitesimal, ocorrer a inversão da reação A reversibilidade de uma pilha só pode ser satisfeita quando a corrente através da célula tende a zero e a reação da pilha está em equilíbrio. Nestas condições a tensão da célula é a força eletromotriz. Verificação da reversibilidade Aplicando a uma pilha uma tensão externa φ igual e de sinal oposto à sua força eletromotriz, não há passagem de corrente elétrica. Os equilíbrio nas interfaces metal/solução são mantidos e não há realização da reação da pilha. Diminuindo esta tensão aplicada de uma quantidade infinitesimal ∆φ, há passagem de corrente elétrica e a reação da pilha ocorre num dado sentido. Por outro lado, aumentando a tensão aplicada de ∆φ, a passagem de corrente se dá no sentido oposto e a reação da pilha é invertida. Esta inversão ocorre porque o sistema se encontra em equilíbrio. Para uma pilha ser reversível, é necessário que ambos os eletrodos sejam reversíveis. 19 A irreversibilidade termodinâmica de uma pilha depende da natureza das reações dos eletrodos e da construção da pilha. Pilhas apresentando potencial de junção líquida são pilhas inerentemente irreversíveis. A pilha de Daniell construída de acordo com a Figura 5 a) apresenta potencial de junção líquida. A junção líquida é formada de um lado pelos íons Zn2= e SO42- e do outro pelos íons Cu2+ e SO42- . A junção líquida é eliminada usando-se um eletrólito comum aos dois eletrodos como por exemplo na pilha de Weston. Caso isto não seja possível, o potencial de junção líquida é diminuído usando-se uma ponte salina contendo por exemplo KCl ( K+ e CL- apresentam praticamente a mesma mobilidade ). 2.10.4 Energia Livre e Força Eletromotriz Num processo reversível à pressão e temperatura constante, um sistema pode fornecer um trabalho útil. Este trabalho útil é o trabalho máximo não de expansão que este sistema pode fornecer e é igual à diminuição da energia livre de Gibbs ( ∆G ) do processo - ∆G = W max (16) No caso de uma reação ocorrendo numa célula eletroquímica este trabalho útil é um trabalho elétrico3 - ∆G = W max = QE (17) e - ∆G = QE = zFE (18) A equação (18) é a equação fundamental das pilhas. A equação (18) nos mostra que a diminuição de energia livre entre dois estados é igual ao trabalho elétrico realizado pelo sistema quando o mesmo sofre uma transformação reversível, ao passar de um estado a outro. A força eletromotriz pode ser entendida como uma medida da variação da energia livre da reação da pilha. Exemplo: Pilha de Daniell E0 = 1,100 V a 25oC Zn ZnSO4 (1molal) CuSO4 ( 1molal) Cu ∆G0 = -2 x 96485 x 1,100 = - 212297 J / mol Se a variação de energia livre do sistema ∆G é negativa o sistema produz um trabalho elétrico sobre as vizinhanças. É o caso de uma pilha. 3 - ∆G = W max = QE ; ou - ∆G = QE = zFE ∆G = variação de energia livre da reação – Joules / mol; Q = zF = quantidade de carga resultante da reação – Coulombs / mol; z = número de elétrons por átomo que reage; F = Faraday = 96485 Coulombs / mol; E = força eletromotriz da pilha - volts. 20 ∆G < 0 e E > 0 reação espontânea Se ∆G é positivo as vizinhanças produzem trabalho elétrico sobre o sistema, é o caso de uma célula eletrolítica. ∆G > 0 e E < 0 reação não espontânea Resumindo ∆G = - zFE se ∆G < 0 E>0 se ∆G > 0 E < 0 se ∆G = 0 a reação ocorre espontaneamente no sentido como está escrita. a reação ocorre espontaneamente no sentido oposto de como está escrita E = 0 a reação atingiu o equilíbrio 2.10.5 Entropia, Entalpia e Força Eletromotriz Podemos aplicar a equação (19) ∆G = ∆H - T∆S 4 à reação de uma pilha em condições reversíveis (corrente I → 0 ) e sob pressão e temperatura constante. Esta equação (19) pode ser rescrita como: Da termodinâmica ∆H = ∆G + T∆S (20) ∆S = - ( ∂∆G / ∂T) P (21) temos: portanto de acordo com a equação 18 ( - ∆G = zFE ) resulta ∆S = zF (∂E / ∂T) P (22) sendo (∂E / ∂T) P o coeficiente de temperatura da pilha. ATENÇÃO - A equação (22) nos permite obter o valor de ∆S para a reação da medidas da força eletromotriz em várias temperaturas. pilha a partir de 4 ∆H é o calor total da reação da pilha; ∆G representa o trabalho elétrico realizado pela pilha; T∆S é o calor trocado com as vizinhanças que não é transformado em trabalho útil. Este calor é positivo se a pilha receber calor das vizinhanças e negativo se a pilha ceder calor. 21 - Com as equações (18, 20, 22) obtemos ∆H para a reação da pilha. - O conhecimento do valor da força eletromotriz e de sua variação com a temperatura nos permite obter o valor da força eletromotriz em qualquer temperatura e consequentemente os valores de ∆H , ∆G e ∆S para a reação da pilha. 1) 2) 3) ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ 2.10.6 Exercícios Encontre a equação que relaciona ∆H e E. Para a pilha padrão de Weston a 25oC sabemos que: E = 1,01832 V e dE/dT = - 5,00 x 10-5 V.K-1 . Calcule ∆G, ∆H e ∆S, a 25oC. Entre 00C e 90oC, a força eletromotriz da pilha Pt(s) H2 (g,P=1atm) HCl (aq,m=0,1) AgCl(s) Ag(s) é dada por : E/V = 0,35510 - 0,3422(10-4) t - 3,2347(10-6) t 2 + 6,314 (10-9) t3 sendo t a temperatura em graus Celsius. Escreva a reação da pilha Calcule E para a pilha a 0oC, 15oC, 30oC, 45oC, 60oC, 75oC, e 90oC. Faça um gráfico de E em função de t Obtenha ∆G a 30oC e 60oC Obtenha ∆H a 30oC e 60oC Obtenha ∆S a 30oC e 60oC 2.10.7 Força Eletromotriz Padrão e Constante de Equilíbrio Da Termodinâmica Química, temos que a variação de energia livre padrão ∆Go está relacionada com a constante de equilíbrio por meio da seguinte equação ∆Go = - RT lnK (23) sendo K a constante de equilíbrio. Para o estado padrão a equação (18) resulta: - ∆Go = zFEo (24) Substituindo a equação (23) na (24) obtém-se a relação entre a força eletromotriz padrão e a constante de equilíbrio Eo = ( RT / zF ) ln K (25) 2.10.8 Exercícios 1) Os valores de Eo são tabelados a 25oC. Neste caso, a equação (25) pode ser escrita como: Eo = (0,0592 / z ) logK . Ache o valor 0,0592 e especifique suas unidades. 22 2) Sabendo-se que a pilha de Daniell tem Eo = 1,100V a 25oC, calcule a constante de equilíbrio da reação Cu2+ + Zn Cu + Zn2+ a esta temperatura. 2.10.9 Força Eletromotriz e Concentração Verifica-se experimentalmente que a força eletromotriz de uma célula depende da natureza dos reagentes e produtos, de suas atividades e da temperatura. Para estabelecermos essa dependência com as atividades, vamos considerar a reação de célula genérica numa pilha reversível, a T e P constantes aA + bB = mM + nN (26) Para esta reação, ∆G5, a variação de energia livre é : aMm x a Nn ∆G = ∆G + RT ln a a A x aBb Tratando-se de uma reação de pilha, são válidas as equações (18) e (24) o ∆G = - zFE e (27) ∆Go = - zFEo 6 Substituindo-se as equações acima na equação (27) resulta: aMm x a Nn E = E − RT ln a (28) a A x aBb A equação 28 que relaciona força eletromotriz de uma pilha com a atividade das espécies presentes é conhecida como EQUAÇÃO de NERNST da pilha. o Para um único eletrodo cuja equação genérica é7 Ox + ze = Red A equação de Nernst resulta: E = E o + RT ln aox ared (29) (30) Ou E = E o − RT ln ared aox (31) 5 sendo ∆GO a variação de energia livre padrão quando os reagentes e os produtos da reação (26) se encontram nos seus estados padrão de atividade unitária. 6 sendo Eo é a força eletromotriz padrão da pilha que se obtém quando os componentes da pilha se encontram nos seus estados padrão. 7 Sendo Red = forma reduzida Ox = forma oxidada 23 2.10.10 Atividade em soluções iônicas A atividade é usada em situações reais tais como uma solução real, um gás real Tc... Se a situação for ideal ou tender para a idealidade como no caso de uma solução muito diluída usamos a concentração. Para um eletrólito qualquer em solução temos: C ν+ A ν- → ν+ C + + ν- A - (32) Sendo ν o número total de íons (ν+ + ν-). Para esta solução iônica definimos : ¾ a = atividade do eletrólito, ¾ a + = atividade do cátion, ¾ a - = atividade do ânion, ¾ a -+ = atividade iônica média, com = a a + − = (a aν+ + . aν− − = aν+ − ν + + .a ν − − ) 1 (33) ν ( 34 ) Exemplo: La 2(SO 4 ) 3 = 2 La 3+ + 3 SO 4 2-, a[La 2(SO 4 ) 3] = a 2 (La 3+) . a3 (SO4 2-) = a5 a+− = a 1 5 Como não existe um modo de "medir" as atividades iônicas individuais, usamos no seu lugar a atividade iônica média. A atividade iônica está relacionada com a molalidade da a+ = γ + . m+ ; a− = γ − . m− solução por meio do coeficiente de atividade ionico8. (35 ) A expressão a seguir relaciona a atividade iônica média com a molalidade da solução, a +− = γ +− . m (ν ν+ + .ν ν− − ) 1 ν (36 ) 8 sendo a+ e a- = atividade iônica, γ+ e γ- = coeficiente de atividade iônico, m + e m - = molalidade do íon, 24 Os coeficientes de atividade média são obtidos experimentalmente por vários métodos ( ver livro de físico-química ). Estes coeficientes dependem da molalidade dos íons em solução como podemos verificar no exemplo abaixo para o HCL: γ+ - [ HCl ] 0,001 0,01 0,1 1,0 0,966, 0,904, 0,796, 0,809 2.10.11 Exercícios 1) A partir dos valores de γ+ - calcular a atividade do eletrólito e a atividade média dos íons em solução 0,1 molal. KCl H2SO4 CuSO4 La(NO3)3 In2(SO4)3 Resolução para o H2SO4 γ+ - = 0,769 γ+ - = 0,265 γ+ - = 0,16 γ+ -= 0,33 γ+ -= 0,035 a+- = 0,265. ( 22.11 ) 1/3 . 0,1 ; H2SO4= 2H+ + SO4 2- ; a+- = 0,042066 a = (a+- )3 = 7,443 x 10 -5 3) Deduza a equação 36 sabendo-se que ( ν+ γ+ = γ+ .γ − ν− − ) 1ν ; m+ =ν+.m e m− =ν−.m 2.10.12 Potencial de Eletrodo e Potencial de Eletrodo Padrão O potencial de eletrodo absoluto pode ser definido mas não pode ser medido. O que medimos é sempre a diferença de potencial entre dois eletrodos. Embora exista essa impossibilidade de medida, é conveniente operar com potenciais de eletrodo individuais. No sentido de solucionar o problema da medida de potenciais de eletrodo individuais, resolveu-se montar pilhas onde um dos eletrodos é o eletrodo cujo potencial se deseja conhecer e o outro eletrodo é sempre o mesmo , ou seja, é um eletrodo de referência. Adotou-se como Eletrodo de Referência o Eletrodo Padrão de Hidrogênio cujo potencial elétrico foi arbitrariamente posto igual a zero em qualquer temperatura. O Eletrodo Padrão de Hidrogênio é representado por Pt H2 ( 1 atm. ) H+ 1( a + = 1 ) (37) 25 Esse eletrodo é um eletrodo de hidrogênio,no qual a pressão do gás é 1 atm. e a solução formada por íons H + com uma atividade iônica a + = 1. De acordo com a IUPAC a pilha formada com o eletrodo padrão de hidrogênio e um outro eletrodo qualquer tem por diagrama, onde o eletrodo padrão de hidrogênio é considerado o ânodo: Pt H2 ( 1 atm. ) H+ 1( a + = 1 ) Mz+ (a = x para x =1 ou x ≠1 ) M (38) Quando x ≠ 1 (39) E = E ( Mz+/ M ) Explicação: a fem da pilha ( E ), de acordo com a equação (14), é: E = E ( Mz+/ M ) – Eo ( H + / H2 ) (40) Como por convenção Eo ( H + / H2 ) = 0, a força eletromotriz da célula é dada pela (39) Apesar de E ser uma diferença de potencial nos referimos a ela como um Potencial de Eletrodo. Quando x =1 E = Eo = Eo ( Mz+/ M ) (41) A força eletromotriz da célula é a força eletromotriz padrão Eº: Eo = Eo ( Mz+/ M ) - Eo ( H + / H2 ) (42) Como por convenção Eo ( H + / H2 ) = 0, a força eletromotriz padrão da célula é dada pela equação 41. Apesar de Eo ser uma diferença de potencial e devido à convenção da equação 38 nos referimos a ela como um Potencial de Eletrodo Padrão de Redução. Este potencial se encontra tabelado a 25ºC. RESUMO POTENCIAL DE ELETRODO = FORÇA ELETROMOTRIZ DE UMA CÉLULA, COM O ELETRODO PADRÃO DE HIDROGÊNIO COMO ELETRODO DE REFERÊNCIA. SOMENTE AS ATIVIDADES DAS ESPÉCIES DO ELETRODO DE REFERÊNCIA SÃO IGUAIS A 1. POTENCIAL DE ELETRODO PADRÃO = FORÇA ELETROMOTRIZ PADRÃO DE UMA CÉLULA COM O ELETRODO PADRAO DE HIDROGÊNIO COMO ELETRODO DE REFERÊNCIA. AS ATIVIDADES DE TODAS AS ESPÉCIES SÃO IGUAIS A 1. 26 2.10.13 Tabela de Potenciais-Padrão de Redução Na tabela 1 são apresentados alguns eletrodos e seus potenciais padrão de redução ordenados no sentido de potenciais mais negativos para potenciais mais positivos. Esta tabela de potenciais segue a convenção da IUPAC, conforme citado em 2.6.12. Esta tabela é também conhecida como série eletromotriz ou fila de tensões eletrolíticas. 27 TABELA 1 - POTENCIAIS PADRÃO DE REDUÇÃO A 25oC Semi-Reação Eo /Volts Li + + e = Li - 3,05 K+ + e = K - 2,92 Ca 2+ + 2e Na + + = Ca - 2,76 e = Na - 2,71 Mg 2+ + 2e = Mg - 2,38 Al 3+ + 3e = Al - 1,67 Zn(CN)4 2- + 2e = Zn + 4 CN - - 1,26 ZnO2 2- + 2 H 2O + 2e = Zn + 4 OH- - 1,22 Mn 2+ + 2e - 1,18 = Mn Zn(NH3)42+ + 2e = Zn + 4NH3 - 1,03 Sn(OH)6 2-+2e = HSnO2- + H 2O + 3OH- - 0,90 Fe(OH)2 + 2e = Fe + 2OH- - 0,88 2 H 2O + 2e = H2 + 2OH - - 0,83 Zn 2+ + 2e = Zn - 0,76 Cr3+ + 3e = Cr - 0,74 Ag2S + 2e = 2Ag + S2- - 0,69 Fe 2+ + 2e = Fe - 0,44 Bi2O3 + 3 H 2O + 6e = 2Bi + 6OH - - 0,44 Pb + SO4 2- - 0,36 Ag(CN)2- + e = Ag + 2CN- - 0,31 Ni 2+ + 2e = - 0,25 AgI + = Ag + I- PbSO4+ 2e = e Sn 2+ + 2e Pb 2+ + 2e = = Ni Sn Pb Cu(NH3)42+ + 2e = Cu + 4NH3 - 0,151 - 0,14 - 0,13 - 0,12 28 Fe 3+ + 3e = 2H+ + 2e = AgBr + e = Fe - 0,04 H2 0,00 Ag + Br- 0,095 Ag + Cl- 0,22 Hg2Cl2 + 2e = 2Hg + 2Cl - 0,27 Cu 2+ + 2e = Cu 0,34 AgCl + e = Ag(NH3)2+ + e = Ag + 2NH3 0,37 Cu + + e Cu 0,52 I2(aq) + 2e = 2 l- 0,54 Hg2SO4 + 2e = 2Hg + SO4 2- 0,61 Fe 3+ + e = Fe 2+ 0,77 Ag+ + e = Ag 0,80 = Br2(aq) + 2e = 2Br - 1,09 O2 + 4H+ + 4e = 2H2O 1,23 MnO2 + 4H+ + 2e = Mn 2+ + 2 H2O 1,28 Cr2O7 2- + 14H + + 6e = 2Cr3+ + 7 H2O 1,33 Cl2(g) + 2e = 2Cl - 1,36 2ClO3- + 12H+ + 10e = Cl2 + 6 H2O 1,47 8H+ + MnO4- + 5e = 1,49 Mn2+ + 4 H2O PbO2 + SO4 2- + 4H+ + 2e = PbSO4 + 2 H2O 1,69 H2O2+ 2H+ + 2e = 2 H2O 1,78 S2O8 2- + 2e = 2SO4 2- 2,00 F2 + 2e = 2F- 2,87 29