Diretrizes para a elaboração de indicadores de custos no Governo Federal PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Diretrizes para a elaboração de indicadores de custos no Governo Federal BRASÍLIA - 2011 Estudo contratado pela Secretaria do Tesouro Nacional no âmbito do projeto Integração para eficiência da gestão. Autor: Lino Martins Assessoria Técnica da Secretaria do Tesouro Nacional: André Luiz Santana Ferrari Arthur Roberto Pereira Pinto Julio Cesar de Campos Fernandes Luciana Miranda de Siqueira Lima Maria Clara Estevam Kladi Ozineide Gomes dos Santos Welinton Vitor dos Santos Revisão: Secretaria do Tesouro Nacional Fabiana Rodopoulos Felipe Bardella Embaixada Britânica Daniel Grabois Raíssa Ferreira Design: Júlio Leitão. Prefácio Com o objetivo de proporcionar melhor conteúdo informacional que subsidie as decisões governamentais na alocação eficiente dos recursos e gerar condições apropriadas à promoção da qualidade do gasto público, a Secretaria do Tesouro Nacional oficializou por meio de sua Portaria nº 157, em 09 de março de 2011, a criação do Sistema de Custos do Governo Federal. Este ato representa um marco histórico nos esforços de desenvolvimento da administração pública brasileira por meio da eficiência organizacional e do accountability no gerenciamento dos recursos públicos pela União. O referido sistema governamental se insere em um contexto de mudanças que estão sendo implantadas na Contabilidade Pública brasileira desde o início deste século, com a transição de um enfoque tradicionalmente orçamentário para o patrimonial, considerando-se, ainda, aspectos de gestão por resultados na execução dos serviços públicos. Sua implantação atende ao art. 50, § 3º da Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, que obriga a Administração Pública a manter sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial; não obstante, também converge para a consolidação dos demais instrumentos legais decorrentes da Reforma do Aparelho do Estado e da Gestão Pública em nosso país. De fato, a criação do Sistema de Custos do Governo Federal significa a institucionalização de uma nova frente de trabalho pela integração dos sistemas brasileiros de gestão governamental, na qual se carrega o desafio de interligar a Contabilidade Pública da União com os processos gerenciais das organizações do setor público, em prol de uma resposta mais efetiva aos anseios da sociedade pela melhoria da qualidade do gasto público. Como base tecnológica no provimento de insumos informacionais para esse novo mecanismo da administração pública, surge o Sistema de Custos do Governo Federal – SIC, um sistema informatizado de apoio à gestão a ser utilizado nos três poderes, tanto pelos órgãos executores de políticas públicas quanto pelos órgãos centrais de planejamento e de controle, o qual permite o cruzamento de dados e informações que subsidiarão as decisões nas instituições do setor público, em âmbito governamental ou organizacional, viabilizando o desenvolvimento da cultura de gerenciamento dos custos nessas organizações. A concepção e evolução do SIC decorreram de um extenso e complexo projeto, envolvendo importantes parcerias institucionais no setor público com a comunidade acadêmica e organismos internacionais, sob a condução do Ministério da Fazenda, mediante ações conjuntas de sua Secretaria Executiva com a Secretaria do Tesouro Nacional, a qual hoje se responsabiliza pela consolidação e coordenação dos processos surgidos com esse projeto. Neste sentido, a Lei nº 10.180, de 06 de fevereiro de 2001, que organiza e disciplina o Sistema de Contabilidade Federal do Poder Executivo, estabelece competência à STN para tratar dos assuntos relacionados à área de custos na administração pública federal. Em meio a esse longo processo, nossa equipe contou com a colaboração da Embaixada Britânica, a qual por meio de convênio com a Secretaria do Tesouro Nacional contratou uma Consultoria com o objetivo de desenvolverem-se indicadores de custos para as áreas de Saúde, Educação e Defesa Nacional. Em virtude desse importante projeto, a Secretaria do Tesouro Nacional pôde contar com o precioso acompanhamento consultivo do Professor Lino Martins, cuja extensa e bem sucedida trajetória de feitos pela Contabilidade Pública de nosso país dispensa, por si, comentários mais detalhados sobre a alta relevância de sua participação no aperfeiçoamento desse projeto do Estado brasileiro. Desde o início dos trabalhos do Tesouro Nacional para desenvolvimento do SIC, o Prof. Lino Martins tem contribuído com sua importante visão crítica, provendo forte sustentação com a segurança acadêmica e profissional de quem conhece tão intimamente os caminhos históricos da adequação das Ciências Contábeis ao contexto do Serviço Público. Assim, acolhemos com otimismo e satisfação as observações e orientações apresentadas pelo professor nesta publicação, importantes frutos colhidos com seu trabalho de parceria nesta empreitada do Governo Federal. Gilvan da Silva Dantas Subsecretário de Contabilidade Pública da Secretaria do Tesouro Nacional Ministério da Fazenda Apresentação Ao ser convidado como consultor na implantação do sistema de custos do governo federal, por intermédio do Projeto Integração para Eficiência da Gestão, desenvolvido no Ministério da Fazenda com o apoio da Embaixada Britânica tive a sensação de que tal fato representava a realização de um sonho antigo, acalentado desde 1975 quando fiz parte da equipe responsável pela fusão dos patrimônios dos antigos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Desde aquela época constatei a necessidade da implantação de um sistema de custeamento que permitisse a avaliação e evidenciação correta do patrimônio da nova unidade da federação surgida a partir do comando do artigo 8º da Lei Complementar n. 20/1974. Foi com base neste pensamento que realizamos a presente consultoria cujo propósito foi uma reflexão sobre os grandes desafios para o estabelecimento de um modelo de custos mediante a utilização de ferramentas e tecnologias que possam melhorar os processos operacionais e, deste modo, mostrar formas de atender ao aumento das demandas sem, necessariamente, recorrer ao aumento dos recursos, seja por financiamento ou acréscimo da base tributária. O objetivo é dar sentido e finalidade à idéia de uma gestão administrativa e financeira que permita aos governantes o cumprimento permanente da meta de “fazer mais ações governamentais com menos recursos”. No que se refere ao controle, o sistema de custos pode resultar em um interessante instrumento de controle da economia, eficiência e eficácia no desenvolvimento das atividades dos entes públicos, por meio da determinação dos desvios produzidos, que deverão ser analisados com a devida cautela, pois não devemos esquecer a possibilidade de ocorrer a denominada ineficiência planificada que, paradoxalmente, pode ter origem exatamente na falta de um sistema estruturado de custos. A utilização dos conceitos de custo nas entidades governamentais é importante para conhecer a formação dos custos das atividades, programas e projetos com a conseqüente contribuição para o conhecimento dos efeitos econômicos, financeiros e políticos sobre o cidadão. Apesar das inúmeras vantagens com a implantação de um sistema de custeamento com indicadores de gestão, no entanto, é preciso estudar as vinculações constitucionais para determinadas áreas, como educação e saúde, pois atualmente, em face da inexistência de uma contabilidade de custos, é possível que os entes públicos estejam gastando cada vez mais recursos e diminuindo, a cada ano, as metas físicas. Encerrada nossa participação cabe agradecer não só à equipe do Núcleo de Informações de Custos como também aos grupos setoriais dos Ministérios selecionados com a qual estivemos reunidos para conhecer os processos internos envolvendo os inputs, os outputs e, principalmente, a forma como avaliam as metas e os resultados alcançados por suas ações. O desafio permanente das áreas escolhidas e do Núcleo de Informações de Custos (NUINC) da Secretaria do Tesouro Nacional é refletir sobre o impacto que o sistema de custos trará para a administração publica, principalmente, a partir do estudo dos processos que levam aos resultados. Neste sentido, julgamos importante o treinamento dos servidores para que os desafios colocados neste relatório sejam vencidos no menor prazo possível. Ao aceitar participar deste projeto de consultoria fomos movidos pela convicção de que a implementação de um sistema de custos é um fator relevante para a mudança dos paradigmas atuais, excessivamente voltados para o raciocínio da legalidade formal e não para a essência de uma administração pública gerencial e liberta das amarras de uma burocracia sufocante. Lino Martins da Silva Consultor em Gestão Pública Professor Voluntário do Programa de Mestrado em Contabilidade da UERJ. E-mail: [email protected] Sumário Introdução....................................................................................................... 13 I - Plano das Atividades a serem desenvolvidas .......................................... 16 1. Introdução............................................................................................................ 16 2. Como entendemos as necessidades do Governo Federal....................................... 16 3. Questões Preliminares............................................................................................19 4. Objetivos do trabalho:........................................................................................... 20 5. Áreas prioritárias................................................................................................... 20 6. Metodologia......................................................................................................... 21 7. Aspectos a serem considerados na aplicação da metodologia................................ 21 8. Bases para utilização de indicadores...................................................................... 22 9. Fatores criticos de sucesso..................................................................................... 24 10. Proposta de metodologia para construção dos indicadores.................................. 24 11. Plano de visitas e atividades a serem desenvolvidas.............................................. 25 II – Relatório Preliminar das Visitas e Atividades Desenvolvidas ............. 16 1. Preliminares.......................................................................................................... 28 2. Desenvolvimento da Reunião................................................................................. 28 3. Atividades a serem desenvolvidas.......................................................................... 29 4. Sistemas de avaliação por meio de indicadores...................................................... 32 5. Considerações sobre nossa visão do problema....................................................... 32 6. Conclusões e próximas ações................................................................................ 34 III – Áreas Estabelecidas no Desenvolvimento de Indicadores................. 35 1. Preliminares.......................................................................................................... 36 2. Características do sistema Contábil........................................................................ 37 3. Indicadores como mecanismo de avaliação da gestão – utilizando a experiência acumulada............................................................................................. 42 4. Abordagens mais utilizadas em relação aos indicadores......................................... 44 5. Proposta de indicadores de custos......................................................................... 49 Anexo I ..................................................................................................................... 60 IV – Proposta de Diretrizes para Disseminação da Cultura de Custos na Administração Pública Federal 1. Aspectos Gerais.................................................................................................... 62 2. Aspectos normativos............................................................................................. 64 2.1 – Características da normatização do CFC...................................................... 64 2.2 – Características especificas do Sistema de Informações de Custos do Governo Federal..................................................................................... 65 2.3 – Perspectiva jurídica na avaliação das políticas públicas.................................. 67 3. Recomendações para a implantação do sistema de custos..................................... 68 3.1 – Etapas do processo de formação de custos.................................................. 68 3.2 – Vantagens da visão de processo .................................................................. 70 3.3 – Responsabilidade pelas informações de custo ..............................................74 3.4 – Estrutura matricial ...................................................................................... 74 3.5 – Atitude das gerencias e plano de treinamento............................................. 75 4. Conclusão............................................................................................................. 76 4.1 – Oportunidades de melhoria......................................................................... 76 4.2 – Dimensionamento da equipe....................................................................... 77 4.3 Acumulando e analisando dados.................................................................... 77 Referências Bibliográficas Consultadas...................................................................... 78 Introdução A presente publicação apresenta todo o desenvolvimento da execução do Projeto de Integração para Eficiência da Gestão, com vistas à implementação do sistema de custos do Governo Federal e deste modo realizar diagnóstico sobre desafios a serem enfrentados pelos administradores para implementação efetiva de um sistema de indicadores que permita não só o cumprimento de um dispositivo legal, mas também e principalmente levar os administradores à obtenção do valor máximo dos recursos da organização com o mínimo de custos para a viabilização de programas e ações do governo. O trabalho está estruturado em 4 capítulos. O primeiro refere-se ao Plano das Atividades que foram desenvolvidas no curso da consultoria e incluem os objetivos do trabalho, as áreas prioritárias que foram definidas, os principais aspectos a serem considerados na aplicação da metodologia, as bases para utilização de indicadores e os fatores críticos de sucesso de um sistema de custos. Neste capitulo foi incluído um breve histórico sobre a exigência de implantação de sistema de custos na administração pública, a partir da Lei 4.320/64 e do Decreto-Lei 200/67 culminando com a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que estabelece a obrigatoriedade de obediência às normas de contabilidade pública. Neste capítulo constam ainda algumas reflexões sobre os indicadores mais característicos fazendo uma classificação segundo o objeto a mensurar que implica no estabelecimento de prioridades relacionadas com o objetivo da administração e segundo o âmbito de atuação que implica no conhecimento dos indicadores internos e externos. O segundo capitulo apresenta o relatório preliminar das visitas e atividades desenvolvidas, apresentando os sistemas de avaliação de indicadores e a visão do problema esclarecendo a importância de identificar: (a) Objetivos e metas da área selecionada; (b) o modo como os gestores pretendem alcançar as metas estabelecidas e (c) de que modo o indicador escolhido medirá as ações e/ou produtos O terceiro capítulo apresenta análises e considerações sobre as áreas estabelecidas no desenvolvimento de indicadores partindo das características do sistema contábil do setor público, fortemente influenciado pelo enfoque orçamentário que constitui elemento inibidor da implementação da contabilidade patrimonial e, por via de 11 conseqüência, da implementação efetiva do sistema de custos pretendido, seja pela legislação, seja pelos administradores das diversas esferas de governo. Além destes aspectos, o capítulo 3 também inclui estudo sobre experiências do próprio Governo Federal na construção de indicadores como mecanismo de avaliação da gestão e as principais abordagens utilizadas em relação aos indicadores, finalizando com uma proposta de indicadores de custos para as atividades selecionadas, indicando a necessidade de obtenção de resposta para as seguintes questões: (a) Para que serve a atividade ou programa? (b) O que se deseja medir? (seleção de prioridades); (c) Qual o impacto das informações na gestão do negócio? (d) Sob quais perspectivas se deseja analisar e avaliar os custos? (comparabilidade); (e) Quais serão os principais usuários da informação? (f) Qual a periodicidade desejada para obter as informações? Finalmente o capitulo IV trata das características do sistema de custos na administração pública representadas pelo (a) nível de custeamento; (b) conteúdo do custo e (c) momento em que o custo deve ser calculado. Também trata de proposta de diretrizes para disseminação da cultura de custos na administração pública federal a partir dos atos normativos do Conselho Federal de Contabilidade e do próprio Sistema de Informações de Custos Governo Federal. Neste capitulo também se inclui um singelo estudo sobre a perspectiva jurídica na avaliação das políticas públicas que, em certo sentido, é inibidora do processo de mudança e, conseqüentemente, da plena utilização de sistemas de custos no setor público. Ainda no capitulo IV são apresentadas recomendações para a implantação do sistema de custos e as etapas do processo de formação de custos mostrando as vantagens da visão de processo (horizontal) em contraponto com a visão estrutural e orgânica (vertical), concluindo com a indicação das oportunidades de melhoria e dimensionamento das equipes com a sugestão de implantar núcleos de custos em cada área selecionada com base nos princípios da estrutura matricial ou de duplo comando. 12 I PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 13 1. Introdução Este relatório técnico atende ao produto 1 do Projeto de Integração Institucional para a melhoria da eficiência do Gasto Público, código PSF LCHG 0543, ou seja, relatório do detalhamento do escopo da pesquisa, levantamento de dados e metodologia a ser empregada pelo sistema de custos do Governo Federal O relatório foi concebido com base no Termo de Referência e nas reuniões ocorridas em Brasília nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2010. O desenvolvimento está organizado em três partes: • Como entendemos as necessidades do Governo Federal; • Questões preliminares • Objetivos do trabalho • Áreas prioritárias • Metodologia • Aspectos a serem considerados na aplicação da metodologia • Bases para utilização de indicadores • Fatores críticos de sucesso • Proposta de metodologia para construção dos indicadores. • Plano de visitas e atividades a serem desenvolvidas. I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 2. Como entendemos as necessidades do Governo Federal Na área governamental a definição, explicitação ou redefinição da Missão esta introduzida na própria Constituição Federal e a cada periodo eleitoral é acompanhada por uma definição de valores que orientam a vida da organização, como, por exemplo, a qualidade dos serviços prestados ao cidadão que constitui fator importante para a definição das orientações estratégicas, fatores criticos de sucesso ou planos para identificação e otimização do gasto público. Para efetivação dos objetivos acima a Constituição Federal estabeleceu como instrumentos de planejamento: a) O Plano Plurianual que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada; b) As Diretrizes Orçamentárias que compreende as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercicio financeiro subsequente, orientando a elaboração da lei orçamentária anual, dispondo sobre as alterações na legislação tributária e estabelecendo a política de aplicação das agencias financeiras oficiais de fomento. 14 c) A Lei orçamentária anual que compreende: (i) O orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituidas e mantidas pelo Poder Público; (ii) O orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; (iii) O orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituidos e mantidos pelo Poder Público. Nossa visão sobre as necessidades da administração pública partem de periodo anterior à Constituição de 1988 quando tanto a Lei 4.320/64 como o Decreto-lei 200/67 estabeleciam que a administração pública deveria implementar sistema de custos, como a seguir: (i) Lei 4.320/64 • Art. 99. Os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeiro comum. • Art. 100 As alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução orçamentária, bem como as variações independentes dessa execução e as superveniências e insubsistência ativas e passivas, constituirão elementos da conta patrimonial. (ii) Decreto-lei 200/67 • Art. 14. O trabalho administrativo será racionalizado mediante simplificação de processos e supressão de contrôles que se evidenciarem como puramente formais ou cujo custo seja evidentemente superior ao risco. • Art. 25, inciso IX - Acompanhar os custos globais dos programas setoriais do Govêrno, a fim de alcançar uma prestação econômica de serviços. • Art. 30, § 3º É dever dos responsáveis pelos diversos órgãos competentes dos sistemas atuar de modo a imprimir o máximo rendimento e a reduzir os custos operacionais da Administração. • Art. 79. A contabilidade deverá apurar os custos dos serviços de forma a evidenciar os resultados da gestão • Art. 94, inicos XI - Instituição, pelo Poder Executivo, de reconhecimento do mérito aos servidores que contribuam com sugestões, planos e projetos não elaborados em decorrência do exercício de suas funções e dos quais possam resultar aumento de produtividade e redução dos custos operacionais da administração. • Art. 95. O Poder Executivo promoverá as medidas necessárias à verificação da produtividade do pessoal a ser empregado em quaisquer atividades da Administração Direta ou de autarquia, visando a colocá-lo em níveis de competição com a atividade privada ou a evitar custos injustificáveis de operação, podendo, por via de decreto executivo ou medidas administrativas, adotar as soluções adequadas, inclusive 15 I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS • Art. 73. Nenhuma despesa poderá ser realizada sem a existência de crédito que a comporte ou quando imputada a dotação imprópria, vedada expressamente qualquer atribuição de fornecimento ou prestação de serviços cujo custo exceda aos limites prèviamente fixados em lei. a eliminação de exigências de pessoal superiores às indicadas pelos critérios de produtividade e rentabilidade. O artigo 79 do Decreto-lei 200/67 foi posteriormente regulado através do Decreto nº 93.872/1986, o qual detalhou a forma pela qual a contabilidade deveria apurar os custos dos serviços, bem como determinou punição para as unidades que não disponibilizassem as informações pertinentes para permitir essa evidenciação: Art. 137. A contabilidade deverá apurar o custo dos projetos e atividades, de forma a evidenciar os resultados da gestão. § 1º A apuração do custo dos projetos e atividades terá por base os elementos fornecidos pelos órgãos de orçamento, constantes dos registros do Cadastro Orçamentário de Projeto/ Atividade, a utilização dos recursos financeiros e as informações detalhadas sobre a execução física que as unidades administrativas gestoras deverão encaminhar ao respectivo órgão de contabilidade, na periodicidade estabelecida pela Secretaria do Tesouro Nacional. § 2º A falta de informação da unidade administrativa gestora sobre a execução física dos projetos e atividades a seu cargo, na forma estabelecida, acarretará o bloqueio de saques de recursos financeiros para os mesmos projetos e atividades, responsabilizando-se a autoridade administrativa faltosa pelos prejuízos decorrentes. Por sua vez a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) (Lei Complementar 101/2000) estabeleceu como destaques da evidenciação contábil os seguintes: (i) Art. 4° LRF • Evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios • Origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos • Avaliação da situação financeira e atuarial dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial • Demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado. I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS • Informes sobre os Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos (ii) Art. 50 LRF • Obediência às normas de contabilidade pública • Segregação das disponibilidades de caixa, dos recursos vinculados; • Regime de competência para Despesa e compromissos • Apuração complementar do resultado do fluxo financeiro • Receitas e despesas previdenciárias apresentadas em demonstrativos específicos • Evidenciar na escrituração o montante e variação da dívida pública • Destacar a aplicação das receitas de alienações • Avaliação da eficiência dos programas com a manutenção da contabilidade de custos; • Consolidação das contas nacionais e por esfera de governo • Normas gerais editadas pelo Conselho de Gestão Fiscal 16 Todos os dispositivos acima referidos levam à identificação do que entendemos como as necessidades da administração pública para a efetiva mudança dos processos de trabalho que permitam a integração institucional para melhoria da eficiência do gasto público como é o propósito do presente trabalho. Assim, o propósito do presente trabalho é buscar soluções com o objetivo de reduzir o déficit de informações de custos com a finalidade de identificar as diversas potencialidades para o efetivo uso do Sistema de Informações de Custos do Governo Federal (SICGOV), entre as quais se destacam: (i) Ausência de instrumentos que permitam a identificação dos objetos de custo. (ii) Identificação de indicadores baseados nas informações geradas pelo SICGF (iii) Ausência de diretrizes para disseminação da cultura de custos na Administração Pública Federal; 3. Questões Preliminares Uma questão preliminar que merece ser discutida no momento em que o setor público pretende estabelecer parâmetros para a implementação de sistemas de custos e qualidade do gasto é fazer com que tanto dirigentes, como técnicos tenham a exata visão do que seja a visão do Contador de Custos e do Analista de Custos, cada um com preocupações distintas como mostra a Figura 01: CONTADOR DE CUSTOS X ANALISTA DE CUSTOS O ANALISTA DE CUSTOS Pergunta: Pergunta: Quanto custou? Porque custou? (onde, como, quando, quem, o que?) Quanto custou? Objetivos Objetivos Avaliação de Estoques Balanços, Orçamentos e Preços Custo/Indicador/Produto/ Avaliação de desempenho Análise custo-benefício Otimização dos recursos Figura 01 – Diferenças entre o Contador de Custos e o Analista de Custos. 17 I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS O CONTADOR DE CUSTOS 4. Objetivos do trabalho: Com as preliminares elencadas acima nosso trabalho terá o seguinte objetivo principal e secundário: • Principal - subsidiar decisões governamentais de alocação mais eficiente do gasto público • Secundário - identificar oportunidades de melhoria e potencialidades de uso das informações geradas pelo sistema de Informação de Custos do Governo Federal. 5. Áreas prioritárias De acordo com o planejado as áreas a serem priorizadas serão a da Saúde, Educação e Defesa cujas análises envolverão aspectos relacionados com a visão institucional e programática em seus aspectos financeiros e físicos, como mostra a Figura 02 a seguir: O trabalho a ser desenvolvido implica na identificação, por parte dos agentes de cada uma das áreas, dos programas e projetos prioritários conjugados com a visão de custos parciais, já introduzida nas premissas do Sistema de Custos de Informações de Custos do Governo Federal que tomam por base os sistemas estruturantes. Abrir um centro médido na cidade de Samambaia Custo: 10.000,00 Início: 1/1/2000 Término:1/6/2000 Proj. 2 Proj. 4 Quando cumprirá as metas? Proj. 5 Plano de Avaliação Quando Necessita dos Recursos? VISÃO DE CUSTOS Gastos com pessoal Aluguéis Bens móveis Equipamentos e Materiais de escrit. Indicadores/ Direcionadores/ Base de apropriação trol e Proj. 3 Iniciar atendimento no mês de julho NECESSIDADES Escritório 1 Médicos 2 Enfermeira 1 Chefe do centro 1 Aux. Administrativo 1 Móveis 5 Equipamentos 8 Veículos 1 Computadores 3 Programa de Execução Programa Anual de Caixa Figura 02 – Identificação de nossa área de atuação. 18 Con I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS Proj. 2 METAS 1000 pacientes por mês 3000 1000 5000 1000 Área de atuação desta consultoria 6. Metodologia A metodologia do trabalho será conduzida em quatro fases, desde o entendimento da estrutura institucional dos órgãos selecionados (Saúde, Educação e Defesa) até a apresentação de sugestões para aperfeiçoamento e definição dos objetos de custo e recomendações para sua implementação a médio e longo prazo, alem de um plano de transição e implementação dos indicadores de custo. Neste senƟdo as quatro fases estão assim estruturadas como Figura 04: FASE 1 FASE 2 FASE 3 FASE 4 Análise, Diagnóstico e Verificação Assessorar no desenvolvimento de indicadores Sugestões para aperfeiçoamento Diretrizes para disseminação da cultura de custos • Estabelecer uma visão clara da estrutura das informações geradas. • Entender os atributos de satisfação das partes interessadas. • Reuniões com áreas estabelecidas; • Definição do modelo e dos objetos de custo. • Conhecer necessidades de informações de custo • Sugestões de aperfeiçoamento do SIC. • Plano de transição e implementação. • Identificação de ações de curto prazo PRODUTO 3 PRODUTOS 1 E 2 • Plano de trinamento. • Recomendações para impementação a médio e longo prazo. • Revisão e homologação da consultoria. PRODUTOS 4 E 5 Figura 04 – Metodologia do trabalho Nosso trabalho deverá levar em conta a preocupação com o funcionamento da administração pública em especial levando em consideração que a administração pública é influenciada por princípios tais como a hierarquia, a uniformidade, a impessoalidade e o formalismo que tem sido censurados pela ausência de resposta às demandas da sociedade, cuja dinâmica e pluralismo exigem respostas rápidas, sensíveis e em constante evolução, como é o caso do sistema de custos que constitui, como comprovado no inicio deste relatório, uma exigência legal e, mais que isso, uma necessidade dos administradores para auxiliá-los no processo de tomada de decisões. 19 I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 7. Aspectos a serem considerados na aplicação da metodologia Entretanto, no desenvolvimento de qualquer sistema de informações de custos é preciso levar em conta uma relação ótima entre a velocidade de sua obtenção e a precisão de seus elementos componentes. Uma informação conhecida rapidamente, mesmo que não muito rigorosa, é muito mais útil do que quando essa mesma informação é obtida por intermédio de um processo rigoroso, preciso e detalhado, mas cujo conhecimento só ocorra várias semanas ou meses depois. 8. Bases para utilização de indicadores O respaldo legal e conveniência de uma avaliação e controle da atuação das entidades públicas esta apoiada nos seguintes fundamentos • Principio da economicidade, eficiência e eficácia constantes da Constituição Federal e que orientam no sentido de que a administração pública deve ser gerida de maneira que possa utilizar os recursos públicos da melhor forma possível. • Principio da responsabilidade constante não só da Constituição, como também da Lei de Responsabilidade Fiscal ao estabelecer que as pessoas que administram os negócios públicos devem ser responsáveis por uma gestão prudente e eficiente dos recursos que lhe são confiados e ao final de períodos determinados devem prestar contas de suas ações. Para cumprir os fundamentos acima a administração pública deve utilizar indicadores cuja construção depende dos seguintes requisitos: (i) Concentração nos aspectos essenciais (seletivo); (ii) Facilidade de compreensão, de cálculo e de uso (simplicidade); (iii) Representativo do fenômeno observado (cobertura); (iv) Existência, acessibilidade e disponibilidade das informações para seu cálculo, em qualidade adequada e em tempo útil; I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS (v) Estabilidade conceitual dos componentes do indicador e do próprio indicador; (vi) Baixo custo de geração, manutenção e disponibilização Conhecidos os requisitos acima os responsáveis pelas áreas escolhidas precisam estabelecer as etapas a serem cumpridas para o desenvolvimento dos indicadores, a saber: • Identificação de atividades a serem medidas; • Estabelecimento de metas para cada atividade; • Definição dos objetos de custos • Determinação dos indicadores de custos. • Identificação de responsáveis para cada etapa do processo de mensuração; • Identificação da necessidade de ações corretivas; • Implantação de mudanças para realinhamento do desempenho; • Identificação da necessidade de novas metas. 20 Durante as etapas acima, aprovadas pelas respectivas áreas, devem ser identificados os indicadores mais característicos de cada programa, fazendo uma classificação segundo o objeto a mensurar e segundo o ambito de atuação. Classificação segundo o objeto a mensurar A classificação segundo o objeto a mensurar implica no estabelecimento de prioridades relacionadas com o objetivo da administração. Assim temos como principais tipos os seguintes: • Indicadores de resultado. Compreende a medição dos resultados obtidos em comparação com os esperados, vale dizer dos produtos ou serviços produzidos; • Indicadores de processo: correspondem aos indicadores que tratam das atividades e, portanto, do processo de transformação de insumos em produtos ou serviços. • Indicadores de estrutura: tratam de medir aspectos relacionados com o custo e a utilização dos recursos e, por sua natureza, estão relacionados com o principio da economicidade. Esquematicamente as relações entre os diferentes indicadores e os elementos de sua mensuração podem ser representadas como na Figura 05, a seguir: Indicadores estratégicos Fatores externos Recursos fornecidos (inputs) Atividades de transformação (outputs intermediários) Resultados produzidos (outputs finais e outcomes) Indicadores de estrutura (economicidade) Indicadores de processo (eficiência) Indicadores de Resultado (eficácia) Figura 05 – Tipos dos indicadores segundo o objeto Primeira perspectiva – é um conjunto de atividades que transformando recursos vão produzir um resultado, indicando que a êssencia é a transformação dos recursos e, neste caso, o produto é o meio que viabiliza a existencia de uma atividade; Segunda perspectiva – é um resultado que será produzido através de atividades transformadoras de recursos, indicando que a essencia é o resultado produzido e, portanto, a atividade é o meio que possibilita a realização do produto. Neste aspecto, ao estabelecer os indicadores é preciso que os mesmos sejam classificados segundo o objeto que se pretende mensurar. Isto evita a ocorrência de uma armadilha quando da sua definição pois existe uma tendência para a visão do interior do sistema (atividade) em face da dificuldade para uma visão do produto a ser entregue ao beneficiário das ações do governo (resultado). 21 I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS Em face do esquema acima as organizações podem apresentar duas perspectivas completamente diferentes que devem ser levadas em consideração por parte das equipes setoriais de custos: Estas caracteristicas estão sendo incluidas no relatório, apenas, para que na modelagem dos indicadores sejam bem definidos o tipo de indicador, vale dizer, não cair na armadilha, muito comum em instituições altamente burocratizadas, de confundir os meios com os fins e vice-versa. Classificação segundo o âmbito de atuação Já a classificação segundo o âmbito de atuação implica no conhecimento dos indicadores internos e externos. No âmbito interno devem fazer referencia a variáveis relacionadas com o funcionamento da entidade enquanto no âmbito externo os indicadores devem referir-se à repercussão que produzem para fora da entidade. 9. Fatores criticos de sucesso Para a construção dos indicadores é preciso que as equipes envolvidas estejam conscientes dos seguintes fatores-chave de sucesso: • Comprometimento com o processo de mudança. • Envolvimento e participação dos servidores • Capacidade para reestruturar o serviço de atendimento, orientado para o cliente, missão, metas e objetivos • Indicadores de desempenho mensuráveis - Fazer benchmarking em outras entidades • Implementar e gerenciar um projeto piloto I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS • Capacidade para vencer o obstáculo da burocracia 10. Proposta de metodologia para construção dos indicadores A metodologia proposta para a construção de indicadores envolve as seguintes etapas: (a) Identificação das atividades (b) Conhecimento das necessidades de informação por parte da administração nos diversos níveis (estratégico, tático e operacional); (c) Seleção dos indicadores segundo os objetos a serem mensurados. A Figura 06 mostra as etapas desse processo de construção: 22 Identificar atividades Conhecer os objetivos (O que esperam os gestores?) Conhecer os atributos de qualidade. (O que espera o cidadão?) Conhecer as necessidades de informação Seleção dos indicadores Idoneidade, utilidade e facilidade Ciclo dos processos Adequação aos objetivos Referências internas e externas Formalização do sistema de indicadores Técnicas do BSC Informação para os gestores Subsídios para a prestação de contas Figura 06 Etapas do processo de construção de indicadores A partir da aprovação da metodologia por parte da equipe dos responsáveis técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional e das visitas para coleta dos elementos necessários junto às áreas priorizadas (Saúde, Educação e Defesa) estaremos dando inicio à leitura do material coletado para o cumprimento das etapas seguintes. 23 I - PLANO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 11. Plano de visitas e atividades a serem desenvolvidas II RELATÓRIO PRELIMINAR DAS DESENVOLVIDAS 25 II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS VISITAS E ATIVIDADES 1. Preliminares No dia 14 de outubro participamos de reunião com a equipe setorial do Ministério da Saúde quando foi apresentada uma pauta que incluía como foco os seguintes temas: (i) Programas e ações relevantes (ii) Existência de sistemas internos de gestão (INFRASIG) (iii) Percepção do Comitê sobre o apoio da Alta Administração do órgão (iv) Entendimento pelos integrantes do Comitê do modelo conceitual e de dados do SIC. (v) Percepção do Comitê sobre os possíveis usos da informação de custos e potenciais usuários internos e externos. 2. Desenvolvimento da Reunião Durante a reunião ficou claro, desde logo, que o Ministério da Saúde já mantém em sua estrutura um órgão que se insere no tema de custos, mas que está focado no âmbito da economia da Saúde tratando, de modo especifico, do Sistema Único de Saúde (SUS). II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Ficou claro, portanto, não existir um software que padronize os procedimentos de coleta dos elementos de custo tendo em vista que tais iniciativas vêm sendo adotadas de modo independente pelos participantes do SUS nas diversas esferas de Governo. Foi apresentado o Sistema de Informações de Custos e verificada uma carência de informações relacionada com o não preenchimento do Sistema de Planejamento (SIGPLAN) exatamente nos campos relacionados com os indicadores físicos que são de fundamental importância para a implementação do sistema de custos. Os representantes do Comitê do Ministério da Saúde acordaram em identificar dois ou três programas relevantes que possam servir de piloto para estabelecer as atividades e produtos que permitam a construção de indicadores No desenvolvimento da escolha desses programas é importante identificar: (a) Objetivos e metas da área selecionada; (b) Definição sobre o modo como os gestores pretendem alcançar as metas estabelecidas; (c) Demonstrar de que modo o indicador escolhido medirá as ações e/ou produtos Durante a reunião também foi esclarecido sobre a necessidade de envolvimento dos executivos e administradores para implementação de indicadores dos programas. Neste sentido, o dirigente principal deve estar ativamente envolvido na criação e implementação de sistemas necessários à organização que dirige. Também é relevante considerar que não basta o dirigente estar pessoalmente envolvido com a missão e as metas dos diversos níveis da organização, mas sim na disseminação das expectativas de desempenho e dos resultados para a organização. 26 3. Atividades a serem desenvolvidas Com base na reunião com o Comitê do Ministério da Saúde podemos propor uma orientação metodológica para a construção dos indicadores na administração pública nos três aspectos já abordados no primeiro relatório, quais sejam: (a) Indicadores de resultado. (b) Indicadores de processo (c) Indicadores de estrutura Para melhorar o processo de comunicação sugere-se que o Núcleo de Custos da STN adote um cardápio terminológico a ser utilizado por todos os usuários e comitês setoriais. Desta forma pretende-se que não ocorram conflitos interpretativos que podem prejudicar o entendimento e, por via de conseqüência, a construção dos indicadores de custo. Na escolha dos indicadores piloto para as atividades selecionadas os membros dos Comitês devem responder às seguintes questões básicas: • Para que serve a atividade ou programa? • O que se deseja medir? (seleção de prioridades) • Qual o impacto das informações na gestão do negócio? • Sob quais perspectivas se deseja analisar e avaliar os custos? (comparabilidade) • Quais serão os principais usuários da informação? • Qual a periodicidade desejada para obter as informações? Principais atribuições - Subordinação técnica - Subordinação administrativa - Usos de informática - Materiais - Recursos Humanos - Planejamento e Administração dos recursos financeiros. Organograma e quadro de pessoal (quantidades) - Chefia - Setores segundo os níveis na estrutura. - Servidores à disposição de outros órgãos - Servidores de outros órgãos à disposição do setor. Processos de negócio Sistema de informações Fornecedor interno Insumo Fornecedor externo Insumo Cliente interno Produto Cliente externo Produto - Sob gestão do setor - Desenvolvidos por terceiros; - Desenvolvidos pela própria área. - Sistemas necessários. - Informações necessárias, mas não disponíveis em sistema - Informações existentes em sistema, mas não disponíveis imediatamente. 27 II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Nossa sugestão é que a análise, diagnóstico e abrangência das informações de custos do Governo Federal leve em consideração os seguintes fatores a serem levantados e identificados pelos Comitês Setoriais para cada área escolhida como piloto: Indicadores de desempenho e/ou de custos. - Atuais - Necessários - Possibilidade de comparação de custos com outras entidades (Benchmarks) Objetos de Custeio - Atuais - Necessários Após o levantamento acima serão estabelecidas as prioridades das atividades ou programas, os destinatários das informações, os critérios de periodicidade e o estabelecimento das referenciais comparativas, como mostram os quadros a seguir: PRIORIZAÇÃO DAS ATIVIDADES/PROGRAMA % de tempo gasto na atividade/projeto Prioridade (0 – 10) Atividade/Programa DESTINATÁRIOS DA INFORMAÇÃO DE CUSTOS Usuários Atividades/Programas prioritários II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Estratégico Tático Operacional PERIODICIDADE DAS INFORMAÇÕES Atividades/programas prioritários Anual Semestral/trimestral Mensal/semanal ESTABELECIMENTO DE REFERENCIAIS Atividades/programas prioritários Referencias (qualidade, quantidade, tempo e custo) 28 Os indicadores devem ser coerentes com os critérios gerais do próprio órgão e por isso é recomendável que o desenho dos mesmos seja realizado a partir das áreas operacionais até atingir os objetivos e metas estratégicas. Em geral pode recomendar-se a adoção dos seguintes focos na construção dos indicadores que devem ser distribuídos a todos os membros dos Comitês de Custos dos Ministérios da Saúde, Educação e Defesa: Metas Estratégicas Unidade Administrativa Custos ENTIDADE ou PROGRAMA Atividades/ Programas População atendida Indicadores Todos sabemos que as organizações sempre podem ter atividades que não apresentam qualquer valor agregado e que podem ser decorrentes de inúmeros fatores entre as quais podem ser destacados os seguintes: a) Exigências de natureza tecnológica b) Exigências de natureza política c) Exigências da autoridade reguladora. 29 II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS No estudo para a construção dos indicadores é imprescindível identificar, na medida do possível, as atividades que agregam valor aos programas e às organizações mediante a segregação daqueles que possam ser repensados ou até eliminados por não afetarem nem a qualidade e nem a eficácia da ação desenvolvida. Este entendimento é fundamental tendo em vista que estamos tratando de um projeto cujo objetivo principal é a geração de informações de custos e a melhoria da qualidade dos gastos, 4. Sistemas de avaliação por meio de indicadores Os sistemas de custos e informações gerenciais de qualquer entidade do Setor Público devem, além da delimitação do seu objeto (função, programa, projeto, produto) atender as seguintes características: • O nível de custeamento • O conteúdo do custo • O momento em que o custo deve ser calculado. Nível Custo pleno ou integral Custo de produção Custo de distribuição Custos completos Custos parciais (diretos e variáveis) Momento Custo real/Custo histórico Custo pré-determinado Custo padrão. II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Conteúdo Os indicadores a serem construídos devem levar em conta os aspectos físicos e financeiros de modo a observar, numa primeira abordagem, os resultados das instituições e dos programas segundo critérios definidos pela administração. Nada impede, entretanto, que no futuro, além destes aspectos, a administração possa avançar em análises mais detalhadas incluindo os produtos e os clientes. 5. Considerações sobre nossa visão do problema No nosso relatório 1 foram incluídos diversos dispositivos legais que induzem num primeiro momento à obrigatoriedade de implantação de um sistema de custos no setor público (art. 50, § 3° e legislações anteriores). Num segundo momento a análise criteriosa e sistemática do normativo legal revelará, por derradeiro, que um sistema de custos para a administração pública só será possível com a implementação da contabilidade patrimonial. É a própria Lei Complementar 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) que no inciso III, § 2o ao criar o Anexo de Metas Fiscais esclarece que o mesmo deve conter: III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos; 30 Neste sentido não será demais perguntar qual seria o motivo da LRF incluir demonstrativo da evolução do patrimônio liquido, já que o mesmo é resultante do confronto entre ativos (bens e direitos) e passivos (obrigações). Portanto, não teria sentido implantar sistema de custos sem a avaliação integral dos elementos componentes do patrimônio liquido. Por último cabe destacar, no que se referem aos usuários das informações, dois aspectos importantes a serem considerados antes de qualquer discussão sobre o tema: • o sistema de custos e informações gerenciais é corporativo, devendo, portanto atender, em primeiro lugar, a instituição como um todo (visão horizontal ou de processos) e não departamentos isolados (visão vertical ou funcional); • o nível de detalhe das informações fornecidas pelo sistema, para a sua implantação inicial, não deverá ser suficiente para que a média gerência e o pessoal envolvido na operação seja medido, pelo menos não diretamente ou com o refinamento necessário para análises mais profundas. • A nosso juízo o que se pretende é a criação de um sistema que traga respostas práticas dentro do menor espaço de tempo possível e que a necessidade do detalhamento ou foco em aspectos específicos seja percebida durante a vida útil deste sistema, ocasião em que poderá ser dado tratamento apropriado. • A história da implantação de sistemas de custos está repleta de situações em que o refinamento do sistema foi gradual de forma a que não sejam concentrados esforços e recursos em aspectos não relevantes, muitas vezes, identificados erroneamente em uma primeira abordagem, e sim que aqueles possam ser mais bem avaliados e tratados de forma adequada quando da real justificativa de sua necessidade. Assim, Patrick Gibert1 depois de observar que “a precisão dos valores obtidos é falaciosa, já que a confiabilidade das regras de repartição dos custos é limitada”, critica sobretudo o método dos custos completos por conduzir a “resultados de difícil utilização”. Pelo que temos observado o propósito da implantação do sistema de custos é a obtenção de uma solução prática tendo em vista que uma solução de custos totais, além de dispendiosa e demorada, seria de difícil consecução e desnecessária diante da realidade e das necessidades do Governo Federal. Consideramos que a implementação de uma contabilidade de custos totais no setor público não deve tornar-se, ironicamente, mais um desperdício. Estamos convencidos de que seja no setor público ou no setor privado, a contabilidade de custos integrais nunca foi concebida para auxiliar os gestores no processo decisório. 1 PATRICK Gibert. Le Contrôle Dans Les Organisations Publiques. Ed. Les Editions D`Organisation (coleção Management Public). 31 II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS A abordagem acima proposta esta relacionada com idéia de custos parciais que não são específicos das empresas industriais ou comerciais, mas são bastante utilizados nas empresas prestadoras de serviços e, neste sentido, é relevante buscar o referencial teórico que dá respaldo à idéia de custos parciais que eliminam a inconveniência e os defeitos da busca do custo integral e completo para as Entidades do Setor Público. Conclusões e próximas ações • Conclusão Um ponto crucial que colocamos a titulo de conclusão é que o sistema de custos não deve gerar controles ou requisitar informações que impliquem mais trabalho e portanto, mais custos, para os órgãos, departamentos e unidades orçamentárias ou administrativas medidas, sendo assim, fundamental que, na identificação dos objetos de custo e também dos indicadores não-financeiros se considere a disponibilidade de dados para o seu cálculo. Deve ficar claro que, quando se fala da geração de mais trabalho ou esforço por uma área ou indivíduo, a preocupação é com a criação de novas rotinas periódicas como análises, pesquisas, alimentação de informações etc. Esta recomendação não inclui, naturalmente, as alterações ou melhorias dos dados já existentes nos sistemas estruturantes que tenham o propósito de recuperação ou tratamento de informações necessárias para o cumprimento do cronograma de implementação inicial do piloto selecionado para construção do sistema de informações de custo do governo Federal (SIC) II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS • Próximas ações Uma vez aprovado o presente Relatório ficamos à disposição para marcar reunião com as Equipes Setoriais dos Ministérios selecionados, em especial, Educação e Defesa, com o objetivo de dar inicio ao levantamento e estudo das etapas seguintes. 32 III ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO 33 II – RELATÓRIO PRELIMINAR DAS VISITAS E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DE INDICADORES 1. Preliminares No primeiro relatório apresentado (produto 1) alinhamos nosso entendimento sobre as necessidades do Governo Federal e indicamos a relevância na efetivação dos objetivos constantes da Constituição Federal que indica como instrumentos de planejamento: a) O Plano Plurianual que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada; b) As Diretrizes Orçamentárias que compreende as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercicio financeiro subsequente, orientando a elaboração da lei orçamentária anual, dispondo sobre as alterações na legislação tributária e estabelecendo a política de aplicação das agencias financeiras oficiais de fomento. c) A Lei orçamentária anual que compreende: (i) O orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; (ii) O orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES (iii) O orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. Naquela oportunidade enfatizamos que nossa visão sobre as necessidades da administração pública tem origem em período anterior à Constituição de 1988 quando a Lei 4.320/64, o Decreto-lei 200/67 e a Lei de Responsabilidade Fiscal estabeleceram que a administração pública deveria implementar sistema de custos com o objetivo de avaliar a eficiência dos programas e das ações do Governo. Naquela oportunidade concluímos que o propósito do presente trabalho é a busca de soluções com o objetivo de reduzir o déficit de informações de custos com a finalidade de identificar as diversas potencialidades para o efetivo uso do Sistema de Informações de Custos do Governo Federal (SICGOV), entre as quais se destacam: (i) Ausência de instrumentos que permitam a identificação dos objetos de custo. (ii) Identificação de indicadores baseados nas informações geradas; (iii) Ausência de diretrizes para disseminação da cultura de custos na Administração Pública Federal; No curso do trabalho participamos de reuniões com representantes das áreas selecionadas com o objetivo de conhecer quais os programas escolhidos para serem incluídos no projeto piloto relativo à criação de indicadores de custos que, aliados aos indicadores qualitativos existentes servirão de base para a implementação efetiva do sistema de custos no Governo Federal. Assim, nosso entendimento sobre o escopo do trabalho corresponde à identificação do tipo de indicadores que podem ser aplicados favorecendo a medição de custos nas áreas selecionadas. Portanto, uma vez apresentados os relatórios será necessário e imprescindível que o Núcleo de Informações de Custos – NUINC – juntamente com as respectivas áreas efetue a validação dos indicadores mediante classificação nos seguintes tipos: 34 (i) indicador-chave: expressa o conceito ou dimensão mais relevante do objetivo proposto. Todos os Programas, particularmente os finalísticos (que ofertam bens e/ ou serviços para a sociedade), devem possuir pelo menos uma medida desse tipo; (ii) indicadores complementares: são medidas que expressam tanto a dimensão mais relevante quanto as demais dimensões inseridas no objetivo. Por exemplo, em um programa cujo objetivo seja “a formação inicial e continuada à distância” deverá incluir indicadores que expressem o nível de ocupação dos beneficiados após sua formação. (iii) indicadores específicos: expressam necessidades próprias de determinados interessados no Programa e são identificados principalmente quando os dois anteriores não atenderem ao que se deseja mensurar. 2. Características do sistema Contábil A implementação de indicadores exigirá que o sistema contábil possibilite, a partir da visão orçamentária, uma visão dos elementos de custo necessários à mensuração dos objetos de custo. Para isso deve possuir as seguintes características: a) Proporcionar uma clara separação entre custos de investimentos e custos operacionais; b) Permitir uma apropriação dos custos operacionais aos objetos de custo que forem definidos. c) Permitir a identificação dos custos variáveis (diretos e indiretos) a serem apropriados aos objetos de custo. Em relação a cada uma das características cabem as seguintes observações: Os custos de investimentos e os custos operacionais devem ser claramente separados, porque eles são administrados de modo fundamentalmente diferente. Os custos de investimentos, uma vez acumulados, dão origem a um ativo gerador de benefícios efetivos ou potenciais futuros indicando sua disponibilidade para serem utilizados em mais de um ciclo produtivo. É importante considerar que a classificação dos custos de investimentos não pode ser influenciada pelo conceito dual de despesas correntes x despesas de capital vez que o relevante, neste caso, sempre será o produto final a ser obtido. Assim, todos os custos associados com a aquisição de equipamentos e instalações devem ser apropriados em contas do ativo. São custos das quais resultam ativos cujos benefícios serão acumulados para utilização e consumo em mais de um ciclo de produção de bens e serviços. Por sua vez os custos operacionais medem os recursos consumidos em um determinado período de tempo, um mês ou um ano, na operação de uma atividade. Eles incluem os custos com a força de trabalho, materiais consumidos pelo uso e serviços recebidos. São incorporados aos objetos de custo e fazem parte do resultado do exercício, produzindo uma variação diminutiva no patrimônio liquido da entidade. b) Permitir uma apropriação dos custos operacionais aos objetos de custo que forem definidos. 35 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES a) Separação entre custos de investimento e custos operacionais Ao realizar uma tarefa, qualquer que seja ela, ocorre o consumo de recursos. A despesa é a medida monetária dos recursos consumidos. A institucionalização de um sistema de custos e de indicadores correspondentes implica em nova visão do fluxo de informações por meio de um elemento intermediário entre a visão orçamentária e a visão financeira na forma constante da figura 1 SISTEMA ORÇAMENTÁRIO CENTROS DE RESPONSABILIDADE SISTEMA FINANCEIRO UNIDADE ORÇAMENTÁRIA UNIDADE DE DESPESA FUNÇÕES VARIAÇÕES DIMINUTIVAS OBJETO DE CUSTOS DESPESAS CORRENTES • Despesas de Custeio • Outras despesas DESPESAS DE CAPITAL • Investimento • Inversões CRÉDITOS DISPONÍVEIS DESPESA EMPENHADA DESPESA LIQUIDADA Unidades Físicas Unidades Monetárias RESULTADO VARIAÇÕES AUMENTATIVAS RESULTADO VARIAÇÕES QUALITATIVAS • Aquisição de Bens DESPESA PAGA Integração PATRIMÔNIO PASSIVO CIRCULANTE III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Figura 1 - Fluxo contábil e de custos com afetação aos resultados quantitativos e qualitativos. ATIVO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE (+) Bens PASSIVO NÃO VITVULANTE (-)Dívida PATRIMÔNIO LÍQUIDO RESULTADO c) Permitir a identificação dos custos variáveis (diretos e indiretos) a serem apropriados aos objetos de custo. Os estudos de custos e de seus indicadores revelam não existir qualquer duvida sobre a necessidade da coleta dos custos diretos de cada programa, ação ou unidade representadas pelos custos de mão de obra e encargos sociais além do custo dos materiais consumidos e do custo dos serviços básicos. Entretanto, nos estudos de custos públicos, sempre ocorrem dúvidas sobre a validade da utilização de critérios de rateio para os custos indiretos tendo em vista o grande volume de rateios que serão necessários quando se trata da administração pública. 36 Neste aspecto todo o referencial teórico indica que, no setor público, deve ser utilizado o critério dos custos parciais, ou seja, dos custos variáveis diretos que apropria os custos de estrutura (fixos) e os variáveis indiretos, ao período em que ocorram. Assim, o método do custo variável escapa das críticas efetuadas ao método do custo pleno ou completo que determina a “estocagem” dos custos estruturais. O método do custo variável direto está em consonância com a idéia de que o custo tem origem no esforço interno da entidade e seu calculo e análise independem do resultado final que tem relação de dependência com ações oriundas do mundo externo da entidade, seja pela arrecadação da receita tributária, seja pela venda ou distribuição dos produtos ou serviços produzidos. A figura 2 indica o critério de apropriação utilizado no método dos custos variáveis diretos: Custos Variáveis CUSTOS VARIÁVEIS DIRETOS Custos de Produtos e Serviços CUSTOS VARIÁVEIS DIRETOS Custos de Estrutura Conta de Resultados Variação Patrimonial Diminutiva CUSTOS FIXOS Figura 2 – Método dos custos variáveis diretos A partir de um exemplo simplificado de serviço público ele demonstra que o responsável do serviço pode basear-se nos custos completos para propor um preço de um serviço a ser fornecido para a administração. Entretanto, não pode determinar, a partir desses custos integrais, quanto deverão aumentar os seus recursos se, por exemplo, o volume dos serviços aumentarem em 10%. Claro que ele pode acompanhar a evolução do percentual físico de execução mas, sem uma análise complementar, este acompanhamento não permite o controle da eficiência dos serviços. Após tal reflexão o mesmo autor conclui “Na maior parte dos casos, daqui resulta que os decisores não sabem o que fazer com os resultados de uma contabilidade analítica, cuja existência se torna, ironicamente, mais um dos vários desperdícios”. 1 GILBERT, Patrick. Le controle de gestion dans lês organisations publiques. Ed. Les Editions d`organization (coleção “Management Public). 37 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES A aplicação do método dos custos diretos tanto na administração pública, como na área empresarial decorre da deficiência do método dos custos completos para auxiliar o processo decisório. Este aspecto foi defendido por GILBERT1 depois de anotar que “a precisão dos valores obtidos é falaciosa, já que a confiabilidade das regras de repartição dos custos é limitada” e apresentar uma crítica severa ao método dos custos completos que apresentam resultados de difícil utilização gerencial. Outros autores, especializados na gestão hospitalar, A. Genom e G. Pinson2 denunciam especificamente as carências da contabilidade de custos tradicional no setor da saúde e recordam que a contabilidade de custos hospitalares é uma contabilidade de custos completos que tende a uma repartição cada vez mais apurada, e em cascata dos encargos comuns. Recordam ainda que esta contabilidade de custos tem duplo objetivo: (i) O controle da gestão, através de um conhecimento dos custos integrais o mais verdadeiros possível; (ii) A definição de preço das diárias que traduzam a verdade dos preços. Após tais reflexões perguntam se estes objetivos são conciliáveis e denunciam a perversão que tem origem no objetivo de tarifação levando o diretor de um hospital a operar uma transferência de encargos para os serviços menos vigiados (serviços recentemente implantados). Concluem seus estudos afirmando que a contabilidade de custos completos não é o utensílio de que os administradores necessitam e enumeram como razões: (i) Ela revela-se de um manuseio pesado e moroso (os administradores necessitam de tomar decisões rápidas). (ii) Baseia-se em divisões arbitrárias dos custos indiretos, quer ao nível da apropriação dos encargos indiretos, quer ao nível da transposição dos setores de apoio (cozinha, lavanderia, administração, etc.) para os setores principais. (iii) Alem da complexidade verifica-se normalmente a base anual enquanto os gestores necessitam informações plurianuais. III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES No final esses autores destacam, em especial, que os custos fixos se reportam muito mais a um período de tempo do que a um produto especifico e, por isso, recomendam a utilização do custo direto. A principal razão para exclusão dos custos indiretos é a manutenção de um sistema mais simples pois a alocação dos custos indiretos exigiria procedimentos adicionais tanto para os Contadores como um esforço adicional para os administradores sem que tal medida evidencie beneficio compensador para o processo decisório da administração pública. Certamente num estagio posterior, após a assimilação dos conceitos de custos, é possível o refinamento dos custos com a introdução gradativa dos custos totais. A figura 3 evidencia o fluxo do sistema de custos e a etapa relacionada com o estabelecimento dos indicadores de custos. 2 Gestions Hospitalieres, no 180, Novembro de 1978. 38 Dados Orçamentários Dados Financeiros Execução Orçamentária e Financeira INSTITUCIONAL (por órgão) POR NATUREZA Pessoal e Encargos FUNCIONAL PROGRAMÁTICA Classificação Legal das Despesas Material de Consumo Serviços de Terceiros Obras e Instalações Função Programa Projetos/ Atividades CUSTOS VARIÁVEIS (DIRETOS) Equipamento e Material Permanente Reconhecimento dos Elementos de Custos Depreciação CUSTOS VARIÁVEIS (INDIRETOS) • Materiais Amortização Identificados com os objetos de custos • Pessoal • Serviços Exaustão • Outros Critérios de apropriação CUSTOS ACUMULADOS POR OBJETO DE CUSTO Mensuração Física Metas previstas x Metas realizadas Indicadores selecionados Avaliação dos Resultados Custos Operacionais INVESTIMENTOS RESULTADO: Variações Patrimoniais Bens de uso comum Bens do Patrimônio Administrativo Balanço Patrimonial Ativo não financeiro Figura 3 - Fluxo do sistema contábil integrado ao sistema de custos 39 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES COMPARAÇÃO 3. Indicadores como mecanismo de avaliação da gestão – utilizando a experiência acumulada. Um indicador é definido por diversos autores como uma relação racional associada a um programa, uma ação ou um produto que, através de sua comparação com determinados padrões, permite conhecer as mudanças estabelecidas nas principais variáveis em diferentes momentos de sua execução. Alem disso permite comparações com indicadores de outras entidades, programas ou serviços com características similares, possibilitando o estabelecimento de um controle seletivo das informações relevantes da entidade. Em geral a utilização de indicadores permite saber quanto e como foram gastos os recursos, permitindo avaliar adequadamente a ação dos responsáveis pela implementação dos programas e projetos estabelecidos. Dentre as vantagens da implementação de um sistema de indicadores qualitativos e quantitativos podem ser elencadas: • Clareza nos objetivos • Obtenção de informação sobre as atividades realizadas • Conhecimento dos resultados • Melhoria na prestação de contas • Controle e melhoria na utilização dos recursos III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES • Motivação dos funcionários a partir da possibilidade de incentivos em função dos resultados alcançados. Nas entidades públicas, onde o controle é sempre prioritário, a realização de medições por meio de indicadores constitui uma ferramenta para que o gestor possa tomar decisões corretas em relação à continuidade não só da entidade como também de cada programa ou ação isoladamente considerada. A utilização de indicadores permite além do controle financeiro um aprendizado valioso para a melhoria continua dos sistemas gerenciais da instituição. Portanto, os indicadores podem ser definidos como unidades de medida que permitem o acompanhamento e avaliação periódica das variáveis chaves de uma organização mediante comparação com outros indicadores tanto de origem interna como de origem externa. No âmbito da União é relevante considerar a publicação do Guia Metodológico que apresenta uma síntese conceitual e uma metodologia de construção de indicadores de desempenho de Programas, no intuito de auxiliar gestores e dirigentes na compreensão e escolha de medidas que de fato expressem os resultados esperados. Tal guia inclui as seguintes conseqüências positivas esperadas: (i) melhor entendimento dos papéis desempenhados pelos atores envolvidos; (ii) melhoria na qualidade do planejamento, implementação e avaliação de Programas; (iii) fortalecimento dos resultados na ótica da eficiência e eficácia das ações governamentais; 40 (iv) uniformidade em conceitos, abordagens e diretrizes sobre indicadores; (v) otimização da comunicação dos resultados das ações de governo. O referido guia define indicador como: Um indicador é uma abstração que expressa uma dada realidade, mas não é a única; sempre que possível o gestor de uma política pública deve buscar outras formas de medição (pesquisas amostrais, contratação de avaliações externas, auditorias etc.) dos efeitos esperados no público-alvo do Programa. (MP 2010:p. 19) (nosso grifo) O foco do Guia Metodológico são os Indicadores de Programa que tem o propósito de medir os efeitos ou benefícios no público alvo, decorrentes dos produtos e serviços entregues pelas ações empreendidas no contexto do Programa, ou seja, expressam a resultante dos projetos e atividades implementadas. Assim, à luz do objetivo proposto, os indicadores são os principais instrumentos (mas não necessariamente os únicos) para verificar se os resultados do Programa foram satisfatórios ou insatisfatórios, daí a necessidade de uma boa definição do que se pretende entregar (ações) e alcançar (objetivo). Conforme definição acima, o indicador é tratado como uma abstração, vale dizer, envolve uma visão qualitativa da gestão. Assim, tendo em vista o esforço já efetuado na construção de indicadores qualitativos por parte da Administração Pública Federal, julgamos conveniente que a construção dos indicadores de custos com foco em aspectos quantitativos estejam em consonância com o Modelo Lógico de Programas evitando, deste modo, duplicidade de esforços e inconsistências na sua formulação. Para garantir tal conformidade será preciso que na estruturação de indicadores de custos seja observado o mesmo referencial conforme figura 4 Ação 1 Resultado Ação 2 Problema Ação 3 Indicadores Público-alvo Figura 4 – Etapas para estruturação dos indicadores segundo o Guia Metodológico. 41 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Objetivo Também é de significativa importância seguir as recomendações sobre as grandes ciladas quando da implantação de indicadores de custos. Tais reflexões têm o objetivo de evitar esforços que não agreguem valor ao processo ou aos produtos esperados pela administração. Entre as ciladas ou mitos o referido Guia indica os seguintes: a) Deve-se medir tudo - Quem quer medir tudo acaba não medindo nada; deve-se medir o que é relevante, significativo, útil; medir custa tempo e dinheiro. b) A Medição deve ser absoluta - Raramente uma medida consegue atender a todas as propriedades dos indicadores como validade, confiabilidade, simplicidade, especificidade, disponibilidade, economicidade e outras. Uma boa prática é trabalhar com aproximações a partir de dados já existentes. c) Medir por medir - As medidas devem ter significância, não devem ser operacionalizadas por obrigação ou imposição legal, mas por constituírem ferramentas úteis a todo o ciclo de gestão das políticas públicas. Medir e depois decidir o que fazer com as medidas não faz sentido. d) Dependência tecnológica - Primeiro deve ser concebida a sistemática, depois o sistema de informações. O sistema de suporte não precisa, necessariamente, ser perfeito ou baseado no “estado da arte” da tecnologia, mas deve ser funcionalmente útil e agregar valor à análise. 4. Abordagens mais utilizadas em relação aos indicadores. III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Nas abordagens de natureza organizacional podem ser encontradas três visões por parte de diversos autores: a) A primeira visão defende um modelo de medição que abranja toda a organização e, portanto, defende sua generalização para todas as organizações. b) A segunda visão acreditam que o modelo de indicadores deve levar em conta as características intrínsecas de cada organização e, consequentemente, tem como preocupação os aspectos de implementação dos indicadores e dos correspondentes sistemas de medição. c) A terceira visão inclui os que se destacam pela preocupação de contribuir para a pesquisa do tema de uma forma mais generalizada e, portanto, sem experiências práticas. Esses estudos levaram a dois modelos de indicadores: O primeiro denominado SMART – Strategic Measurement Analysis and Reporting Technique, foi desenvolvido por Richard Lynch e Kelvim Cross com o objetivo de permitir a implementação de um sistema de avaliação de desempenho com quatro níveis de objetivos e indicadores conforme figura 5. 42 Objetivos MISSÃO OBJETIVOS INDICADORES DE EFICÁCIA INDICADORES DE INPUT’S INDICADORES DE OUTPUT’S Indicadores INDICADORES DE EFICIÊNCIA OPERAÇÕES Figura 5 - Pirâmide de Avaliação de Desempenho (adaptado pelo autor) O segundo foi desenvolvido sob a denominação de PMM – Performance Measurement Matrix e esta estruturado com base numa matriz de avaliação que, segundo os seus autores, reflete a necessidade de um equilíbrio na medição de desempenho. Este equilíbrio será assegurado através de quatro dimensões de indicadores: “cost ou “non cost” e “external” ou “internal” que constituem, respectivamente, duas linhas e duas colunas da matriz. Indicadores qualitativos Indicadores quantitativos INTERNA EXTERNA % da população atendida; % de redução das áreas verdes. Custos médios das compras anteriores do mesmo material ou serviço. % de satisfação com determinados programas. Preços médios dos fornecedores de bens e serviços % de redução do analfabetismo. Relação entre receitas e despesas. Numero de servidores Custo de material Tempo médio na tramitação de processos Custo de mão de obra Custo de serviços terceirizados Percentual de utilização de mão de obra. Custos específicos (investimentos) Figura 6 – Matriz PMM. 43 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Como pode ser observado no exemplo apresentado na figura 6 a seguir, existem, por um lado, os indicadores quantitativos que medem o desempenho com base no custo e que podem ser de natureza interna ou externa; por outro lado, também inclui indicadores qualitativos que medirão o desempenho com base, na definição do Guia já referido, numa abstração e que também poderão ser de natureza interna ou externa. Para implementar um efetivo sistema de indicadores é necessário fazer a leitura do sistema de planejamento e orçamento para saber sobre cada um deles: Se a formulação esta suficientemente clara e específica? A resolução desta questão, muitas vezes pode revelar a necessidade de auxilio de especialistas da área. Por exemplo, num programa cujo objetivo seja “a construção de unidades habitacionais” será necessário obter dos responsáveis qual foi o padrão de construção estabelecido no planejamento e no orçamento de obras. No que se refere ao período abrangido pelo indicador é preciso adotar uma adequada conceituação para evitar inconsistências ao longo dos diversos períodos levando à geração de relatórios de custos que dificultem ou inviabilizem uma adequada tomada de decisões. Neste aspecto é possível vislumbrar três exemplos: (i) Indicadores que relatam o número de incidentes que ocorreram durante um determinado periodo especificado como, por exemplo, o coeficiente de acidentes nauticos nos últimos 12 meses. (ii) Indicadores que se aplicam a uma determinada data como o número de livros distribuidos no dia XX. (iii) Indicadores que abrangem uma determinada faixa de usuários ao longo de um período de tempo. Tal periodo deve ser cuidadosamente especificado como, por exemplo, a porcentagem de pacientes que sobreviveu a partir de 12 meses do inicio do tratamento de uma determinada doença. Releva notar que este último indicador é particularmente complexo (mas pode ser especialmente importante para programas de saúde). Para calcular o indicador mais adequado o programa precisa: (a) avaliar a condição do paciente no momento em que iniciou o tratamento e (b) avaliar cada cidadão 12 meses após essa data. III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES O estabelecimento dos indicadores de custos implica principalmente na coleta de dados orçamentários e financeiros e seu reconhecimento como elementos de custo dos programas, produtos ou serviços que se deseja mensurar. Uma vez reconhecidos, tais elementos serão apropriados aos objetos de custo previamente definidos, permitindo seu enquadramento nos indicadores de custos selecionados com o objetivo de avaliação dos resultados e comparação entre as metas previstas e as metas realizadas para o período definido. O sistema de indicadores de custos deve relacionar em termos físicos e financeiros o custo real ao custo planejado e, uma vez que os custos planejados estão expressos em termos de elementos de cada programa (ou seja, nos elementos de custo) isto significa que a contabilidade de custos deve coletar os custos reais desses elementos que incluem o material, a mão de obra e outros custos inerentes à produção de bens ou serviços. Assim, nossa visão das necessidades que levaram ao presente estudo esta situada na preocupação para que os dirigentes concentrem esforços na produção de indicadores de custos que permitam identificar os parâmetros que possibilitem o conhecimento dos custos unitários de cada programa ou ação, conforme exemplo do quadro 1 a seguir: 44 Quadro 1 Exemplos de áreas e unidades de custo PROGRAMA EDUCAÇÃO SAÚDE OBRAS E CONSERVAÇÃO SEGURANÇA UNIDADE DE CUSTO CUSTO POR ALUNO HOMENS-HORA P/ ALUNO CUSTO P/ PACIENTE INTERNADO CUSTO P/ TONELADA DE LIXO COLETADA CUSTO P/ TONELADA DE ASFALTO PRODUZIDO CUSTO P/ KM ASFALTADO CUSTO P/ INTERNO EM PRESÍDIO CUSTO P/ HH DE POLICIAMENTO Para êxito na implementação de um sistema de indicadores de custos é necessário que o sistema contábil permita a geração de outras informações como, por exemplo, a capacidade instalada no centro de custos, a quantidade de pessoas que trabalham direta e indiretamente na produção de bens e serviços bem como a utilização de serviços terceirizados. Isto significa que, alem dos aspectos estritamente financeiros e do reconhecimento de déficits e superávits, é imprescindível a identificação dos parâmetros físicos, em especial, os utilizados quando da elaboração da proposta orçamentária e consubstanciados na Lei de Orçamento Anual. Tabela 1 Despesa de reparo e manutenção Comparação global entre a fixação e a realização FIXAÇÃO REALIZADA VARIAÇÃO 2.100 1.900 200 Os dados da execução orçamentária acima indicam um aparente cumprimento do orçamento, seja pelo atendimento dos limites do crédito orçamentário fixado, seja por ter gasto valor menor do que foi autorizado gerando, em linguagem orçamentária, uma economia de recursos. Entretanto, quando os dados financeiros são confrontados com as metas İsicas estabelecidas, verifica-se outra realidade, como demonstrado na Tabela .... 45 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Assim, se um determinado orçamento inclui, por exemplo: reparos e manutenção de edifícios no total de 2.100 unidades monetárias e se o montante despendido foi de 1.900 unidades monetárias, pode-se dizer, dentro do aspecto do controle financeiro formal que o responsável atingiu o objetivo desejado, qual seja não ultrapassar os créditos orçamentários e realizou aquilo a que se propôs. Mas se o indicador de custos mostrar que somente 1/3 da meta prevista foi realizada e que o responsável, para cumprir 1/3 da meta deveria gastar 700 unidades monetárias, mas gastou 1.900 é possível vislumbrar uma ineficiência como se demonstra a seguir: Tabela 2 Despesa de reparo e manutenção Comparação incluindo as metas fixadas e realizadas Em unidades monetárias META FIXADO % $ 100 2.100 100 2.100 100 -0- META REALIZADO VARIAÇÃO TIPO DE VARIAÇÃO $ $ 1/3 1.900 (200) TOTAL 1/3 (700) (1.400) VOLUME DE ATIVIDADE 1.200 1.200 VARIAÇÃO DE ORÇAMENTO A tabela acima mostra que um sistema de indicadores de custos permite ampliar as análises efetuadas sobre a execução do orçamento e viabiliza o reconhecimento de que ele é a interpretação financeira do plano de governo que torna realidade as políticas públicas. Entretanto, o plano financeiro terá maior utilidade a partir de análises que incluam um sistema de indicadores que evidencie aspectos relacionados com a economicidade, a eficiência e a eficácia das ações desenvolvidas. Em decorrência do exposto pode-se afirmar que um sistema de indicadores de custos deve atender aos seguintes requisitos: 1. definição mais clara da missão de cada unidade 2. definição dos objetivos a serem alcançados pelos vários departamentos e serviços; III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 3. demonstrar a extensão em que o resultado excedeu ou não o alcance dos objetivos; 4. demonstrar analiticamente o montante e as razões das variações ocorridas permitindo reformular as ações e prioridades; 5. auxiliar no uso eficiente dos recursos disponíveis: Pessoal, Material e Equipamentos; 6. auxiliar no estabelecimento de padrões comuns de eficiência (indicadores de desempenho) entre as várias áreas de responsabilidade; 7. proporcionar uma base sólida para futuras políticas e, se necessário, permitir a revisão das atuais; 8. facilitar o controle centralizado sobre as atividades descentralizadas; 9. facilitar ajustamentos de programas e ações em decorrência de análises relacionadas com a economicidade, a eficiência e a eficácia. 46 5. Proposta de indicadores de custos De todo exposto verifica-se que um indicador deve medir a realização de objetivos previamente definidos. Assim, é necessário conhecer os resultados de anos anteriores e fixar as metas estabelecidas para os anos seguintes (a serem definidos pela administração). Um bom indicador deve ser a) Pertinente para permitir a apreciação dos resultados obtidos e para isso deve apresentar uma relação lógica com o objetivo fixado. Deve permitir mensurar especificamente sua realização. b) Útil e consequentemente deve estar associado a um objetivo permitindo observações sobre aspectos substanciais do resultado pretendido. c) Sólido indicando que alem da relação lógica o indicador deve permitir a apreciação da melhoria pretendida e do objetivo a mensurar. d) Verificável permitindo que a qualquer momento os gestores tenham acesso a informes intermediários sobre o status dos custos e respectivos indicadores. Na construção de indicadores de custos sempre surgem questões relacionadas à sua estrutura levando, em conseqüência, a limitações que somente ficarão claras a partir da análise crítica da equipe do Núcleo de Informações de Custos e das respectivas áreas interessadas. Entre as limitações podemos relacionar as seguintes: a) Um indicador em valores absolutos deve ser utilizado com prudência porque apresenta o risco de ter origem num contexto pouco controlável. b) Sempre que um indicador absoluto for utilizado é recomendável estabelecer uma escala. Tal procedimento é indispensável na apresentação de resultados anteriores comparados com o valor-alvo com o objetivo de estabelecer uma perspectiva temporal. Para evitar interpretações erradas de um indicador é recomendável, sempre que possível, associá-lo a um segundo indicador permitindo o equilíbrio nessas interpretações. Por sua vez a utilidade dos indicadores estará garantida a partir da sua disponibilidade em intervalos regulares permitindo, deste modo, comparações de tempo, de espaço e entre os responsáveis pela produção de bens e serviços. De todas as reuniões mantidas com as diversas áreas verifica-se que o sistema de custos e de indicadores pressupoe o agrupamento dos custos previstos em relação aos serviços ou produtos resultantes dos processos internos de cada órgão, conforme o fluxo da figura 7 a seguir:3 3 JESUS, Alfredo Fernandes de. Aplicação do orçamento baseado em atividades na mensuração de indicadores de desempenho em organização hospitalar do comando da aeronáutica. Dissertação de Mestrado – Programa de Mestrado em Contabilidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2003. 47 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES c) Os dados medidos para o sistema de custos devem ser quantificados e estarem disponiveis de modo a possibilitar comparações permenanentes. Input Processo Output Figura 7: Fluxo dos indicadores de desempenho ao longo da execução orçamentária Também ficou claro que os diversos recursos adquiridos por um órgão ou unidade podem ser financiados por diversos programas. Por isso é recomendável que a determinação dos recursos necessários aos processos organizacionais não tenha vinculação direta com a classificação funcional-programática que, por força de dispositivos legais sempre atuará de forma limitadora ao processo de evidenciação de custos. De todas as experiências relatadas julgamos que a solução dada pelo Exército através do sistema SISCUSTOS é a que melhor viabiliza a ligação entre a execução orçamentária e o planejamento mediante o desdobramento dos programas em projetos e atividades e estas em grupos de custos que, por sua vez, se dividem nos centros de custos como o menor nível de alocação dos recursos. A figura 8 apresenta a idéia global do SISCUSTOS que a nosso juízo deveria ser incorporada aos conceitos que estarão sendo estabelecidos pelo Núcleo de Informações de Custos, ainda que com algumas adaptações. III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES Função Subfunção GC – Grupo de Custos CC – Centro de Custos (Menor nível de alocação de recursos) Fonte: Seção de Custos/D Cont/SEF/EB PROGRAMA Pjt/Atv Pjt/Atv GC 1 GC 2 GC 3 CC 1 CC 2 CC 3 Bens Serviços Pessoal Figura 8 – SISCUSTOS. 48 Pjt/Atv Simulando um exemplo pode-se verificar que o sistema referido pode evidenciar os indicadores de desempenho e de custos, com seus respectivos parâmetros, que poderiam ser utilizados para avaliar a execução orçamentária em questão e, principalmente, a administração do período, tanto por parte dos gestores, como por parte dos cidadãos, dada sua simplicidade e abrangência dos mesmos, conforme exemplo tabela 3 a seguir: Tabela 3: Indicadores de desempenho e de custos em conformidade com o Plano Plurianual – Exemplo do Ministério da Saúde. OUTCOMES SETORES DE PRODUÇÃO OUTPUTS Diretos Taxa de portadores de insuficiência renal crônica em tratamento com Eritropoetina Atendimento realizado (pessoas) Número de pessoas atendidas (a) INPUTS ELEMENTOS DO CUSTO Material $ Pessoal e Encargos $ Serviços de Terceiros $ Apropriação da Depreciação e outros custos $ $ SOMA Complementareis (CUSTOS R$) Material $ Pessoal e Encargos $ Serviços de Terceitos $ Apropriação da Depreciação e outros custos $ $ TOTAL (b) $$ Custo unitário por pessoas Atendidas (b/a) $ De todas as apresentações efetuadas verifica-se que o Sistema de Custos do Exercito adota terminologia condizente com a sistemática de custos a nível local e que, a nosso juízo, poderá ser integrada ao Sistema de Custos do Governo Federal que vem sendo implementado. Para isso deverá ser verificada uma solução tecnológica, No anexo I efetuamos algumas adaptações aos termos utilizados em relação às Atividades do Governo, Atividades de Custeio, Despesa Pública, Custo, Grupo de Custos, Centro de Custos, Produtos ou Serviços, Custo Direto, Custo Indireto, Direcionadores de Custos, Objetos de Custo e Macroatividade ou, conforme diretriz recente do Governo Federal, Macroprocesso. A seguir são apresentados os quadros com os diversos programas, ações e produtos os quais incluímos o indicador de custos sugerido: 49 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES SOMA F F TIPO 6322 – Distribuição de materiais e livros didáticos para o Ensino Médio Taxa de frequencia liquida ao Ensino Fundamental da população na faixa etária de 7 a 14 anos (%) Taxa de analfabetismo da população na faixa ertária de 15 anos ou mais na Região Nordeste. Taxa de analfabetismo da população na faixa etária de 15 anos ou mais na área rural Taxa de analfabetismo da população na faixa etária de 15 anos ou mais (%) Taxa de analfabetismo da população na faixa etária de 15 a 29 anos (%) Percentual da população na faixa etária de 15 anos ou mais com escolaridade inferior à 4ª série (%) 1060 - Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos Taxa de frequencia liquida ao ensino médio da população na faixa etária de 15 a 17 anos (%) 8823 - Distribuição de Materiais e Livros Didáticos para a Educação de Jovens e Adultos. Exemplar distribuído 4046 – Distribuição de materiais e livros didáticos para o ensino fundamental Taxa de frequencia liquida a pré-escola da população na faixa etária de 4 a 6 anos. Taxa de frequencia bruta no ensino médio (%) Material distribuido Exemplar distribuído Exemplar distribuído Taxa de frequencia à escola da população na faixa etária de 0 a 3 anos (%) 4045 – Distribuição de acervos bibliográficos para Educação Básica PRODUTO Aluno formado AÇÕES 8429 Formação Inicial e Continuada a Distância 1061 – Brasil escolarizado PROGRAMA MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA (AÇÃO) SELECIONADOS III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 50 Unidade Unidade Unidade Unidade Unidade UNIDADE DE MEDIDA Custo por material distribuido Custo por exemplar distribuído Custo por exemplar distribuído; Custo por exemplar distribuído. Custo por aluno formado INDICADOR DE CUSTOS A A (sem indicador) 0621 Preparo e Emprego da Força Aérea (sem indicador) 0640 Ensino Profissional da Aeronáutica PROGRAMA Bem preservado 2521 Preservação de Bens Imóveis do Patrimônio Histórico e Cultural Custo por m2 do bem preservado. Unidade Unidade m3 Aluno capacitado Refeição servida Combustível adquirido 2B25 Formação, Aperfeiçoamento e Especialização de Oficiais e Civis 2868 Manutenção e Suprimento de Combustíveis e Lubrificantes 2864 Alimentação de Pessoal Unidade PRODUTO Custo por km hora de utilização. Custo por m adquirido Custo por refeição servida. Custo por aluno capacitado INDICADOR DE CUSTOS Custo por embarcação fiscalizada. INDICADOR DE CUSTOS Unidade UNIDADE DE MEDIDA UNIDADE DE MEDIDA Embarcação fiscalizada PRODUTO 2502 Registro e Fiscalização de Embarcações AÇÕES AÇÕES Índice de Preservação do Patrimônio Material - IPPM (percentagem %) Número de Registros de Bens Culturais de Natureza Imaterial (unidade) 0167 Brasil Patrimônio Cultural Coeficiente de Acidentes Náuticos (1/1.000) 10639 Segurança da Navegação Aquaviária PROGRAMA MINISTÉRIO DA DEFESA - AERONÁUTICA TIPO F F TIPO MINISTÉRIO DA DEFESA - MARINHA III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 51 F F TIPO (sem indicador) 0638 Ensino Profissional do Exército (sem indicador) 0628 Reaparelhamento e Adequação do Exército Brasileiro PROGRAMA MINISTÉRIO DA DEFESA – EXÉRCITO BRASILEIRO 4428 Pesquisas de Interesse Militar Pesquisa realizada Aluno capacitado Aluno capacitado 2779 Ensino Médio nos Colégios Militares 8965 Formação, Aperfeiçoamento e Especialização de Militares e Civis do Exército Aluno capacitado Unidade Unidade Unidade unidade Custo por HH utilizada na pesquisa. Custo por aluno capacitado. Custo por aluno capacitado. Custo por aluno capacitado Custo unitário especifico de cada unidade adquirida. Unidade Meio terrestre adquirido 8981 Aquisição de Meios Terrestres 2777 Ensino Fundamental nos Colégios Militares Custo por HH utilizado na modernização. Custo por HH utilizado na implantação. % de execução física Unidade Custo por m2 construído Custo por m2 construído INDICADOR DE CUSTOS % de execução física unidade UNIDADE DE MEDIDA Organização militar modernizada Brigada implantada (segundo o padrão de construção) Aquartelamento construído Construída (segundo o padrão de construção) Unidade habitacional PRODUTO 5375 Modernização Operacional das Organizações Militares do Exército 11UT Implantação da 11ª Brigada de Infantaria Leve 11UB Construção e Instalação do Aquartelamento do Comando Militar do Planalto 1485 Construção de Próprios Nacionais Residenciais para as Forças Armadas AÇÕES III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 52 F TIPO Eritropoetina (percentagem) Taxa de Portadores de Insuficiência Renal Crônica em Tratamento com 2522 Produção de Fármacos, Medicamentos e Fitoterápicos 8415 Manutenção e Funcionamento das Farmácias Populares 2272 Gestão e Administração do Programa (centro de acumulação de custos não apropriáveis às demais ações) 4370 Atendimento à População com Medicamentos para Tratamento dos Portadores de HIV/AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis 4705 Apoio para Aquisição e Distribuição de Medicamentos Excepcionais Unidade farmacêutica produzida Farmácia mantida Xxxxxx Paciente atendido Unidades distribuidas Atendimento realizado (pessoas) Milhar unidade Xxxxxxx unidade unidade Unidade Serviço apoiado Taxa de Esquemas Terapêuticos para Tratamento da Tuberculose Disponibilizadopelo SUS (percentagem) Unidade Farmácia implantada 7660 Implantação de Farmácias Populares 20AH Apoio à Estruturação dos Serviços de Assistência Farmacêutica na Rede Pública (% de execução física) UNIDADE DE MEDIDA Unidade implantada PRODUTO 7i25 Apoio à Implantação de uma Unidade de Produção de Medicamentos em Manaus - AM AÇÕES Disponibilizado pelo SUS (percentagem) Taxa de Esquemas Terapêuticos para o Tratamento da Hanseníase 1293 Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos PROGRAMA MINISTÉRIO DA SAÚDE III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 53 Custo da unidade produtora Custo por medicamento produzido. Custo por m2 de farmácia mantida. Custo por HH por unidade mantida. Custo por HH utilizada na gestão da ação. Custo por paciente atendido. Custo por unidade distribuída Custo por população atendida. Custo por HH do serviço apoiado Custo por m2 da unidade implantada. Custo por m2 da unidade implantada INDICADOR DE CUSTOS F TIPO Taxa de Aperfeiçoamento do Trabalho e da Educação em Saúde (%) 1436 Aperfeiçoamento do Trabalho e da Educação na Saúde PROGRAMA 6149 Residência de Profissionais de Saúde – SUS 8612 Formação de Profissionais Técnicos de Saúde Fortalecimento das Escolas Técnicas/Centros Formadores do SUS (unidade) Profissional qualificado (unidade) profissional beneficiadol (unidade) atendimento apoiado Serviço especializado del Curso apoiado 8628 Apoio ao Desenvolvimento da Graduação, Pós graduação stricto e lato sensu em Estratégias para o SUS. 8541 Educação Profissional, Educação Permanente e PósGraduação em Saúde e em Ciência e Tecnologia em Saúde Profissional habilitado PRODUTO 8630 Apoio à Melhoria da Capacidade de Gestão AÇÕES III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 54 Unidade Custo por profissional qualificado. Custo por profissional beneficiado Custo por aluno atendido Unidade Unidade Custo por aluno atendido. Custo por profissional habilitado. INDICADOR DE CUSTOS Unidade Unidade UNIDADE DE MEDIDA F F TIPO Taxa de inspeções sanitárias em indústrias de medicamentos (%) Taxa de inspeções sanitárias em hospitais (%) Densidade de incidência de sepses neonatal por cateter venoso central (1/1.000) Coeficiente de notificação de reação adversa grave a medicamentos (índice numérico) 1289 Vigilância e Prevenção de Riscos Decorrentes da Produção e do Consumo de Bens e Serviços Casa” (%) Taxa de cobertura do auxílio-reabilitação psicosocial do Programa “De Volta Pra com mais de 100.000 Habitantes (percentagem) Taxa da População Coberta por Equipes de Saúde da Família em Municípios Taxa da População Coberta por Equipes de Saúde da Família (%) População atendida 20AB Incentivo Financeiro aos Estados, Distrito Federal e Municípios para Execução de Ações de Vigilância Sanitária. Milhar % de execução física Unidade População beneficiada Edifício construído (segundo o padrão de construção) Unidade Unidade Unidade unidade Unidade UNIDADE DE MEDIDA Serviço estruturado População atendida Equipe mantida População atendida Unidade da federação apoiada PRODUTO 7694 Construção do EdifícioSede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária 8581 Estruturação da Rede de serviços de atenção básica de saúde 8730 Atenção básica em saúde bucal 8735 Alimentação e Nutrição para a Saúde 1214 Atenção Básica em Saúde Taxa da População Coberta por Equipes de Saúde Bucal (%) AÇÕES PROGRAMA III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 55 Custo por população atendida. Custo por m2 construído Custo por população beneficiada. Custo por HH do serviço estruturado. Custo por população atendida. Custo por equipe mantida. Custo por população beneficiada Custo por unidade apoiada. INDICADOR DE CUSTOS F TIPO Taxa de Incidência de Aids (1/100.000) Taxa de Cura da Tuberculose (%) Taxa de Cura da Hanseníase (%) Taxa de Cobertura Vacinal de Hepatite B em Menores de 1 Ano (%) Proporção de Casos Notificados Encerrados Oportunamente (%) Incidência Parasitária Anual de Malária na Amazônia Legal - IPA (1/1.000) 1444 Vigilância, Prevenção e Controle de Doenças e Agravos PROGRAMA Custo por população coberta. Custo por população atendida. Milhar População atendida 6161 Aquisição, Acondicionamento e Distribuição de Insumos para Prevenção e Controle de doenças. Milhar Sistema modernizado População coberta INDICADOR DE CUSTOS Custo por HH aplicada no sistema modernizado. UNIDADE DE MEDIDA % de execução física PRODUTO 3994 Modernização do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde – VIGISUS AÇÕES III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES 56 Finalizando, o quadro a seguir apresenta nossa sugestão para que o Nucleo de Informações de Custos cadastre em Banco de Dados todos os indicadores qualitativos e quantitativos relacionados com a visão orçamentária e a visão de custos permitindo, deste modo, o acompanhamento permanente através de telas dinâmicas que podem ou não estar disponiveis para toda a comunidade de usuários e gestores, conforme decisão a ser tomada em conjunto. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO VISÃO DE CUSTOS VISÃO ORÇAMENTÁRIA Custos de materiais Pessoal Material Serviços Outros Custos de mão de obra Custos de serviços contratados. Outros custos diretos OBJETO DE CUSTOS (Brasil escolarizado) INDICADORES QUALITATIVOS INDICADORES QUANTITATIVOS a) Taxa de frequencia à escola da população na faixa etária de 0 a 3 anos (%) a) Total de alunos Matriculados b) Taxa de frequencia bruta no ensino médio (%) INDICADOR DE CUSTOS d) Taxa de frequencia liquida ao Ensino Fundamental da população na faixa etária de 7 a 14 anos (%) c) Total do material e Livros didáticos para ensino fundamental d) Material e Livros didáticos para ensino médio e) Taxa de frequencia liquida ao ensino médio da população na faixa etária de 15 a 17 anos (%) f) Recursos humanos em tempo integral g) Recursos humanos em tempo parcial (incluindo contratações) 57 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES c) Taxa de frequencia liquida a pré-escola da população na faixa etária de 4 a 6 anos. b) Total de livros distribuídos para educação básica Anexo I a) Atividades de Governo - São ações de governo, direcionadas para a produção de bens e serviços, que consumirão os recursos financeiros disponibilizados na Lei Orçamentária Anual (LOA). b) Atividades de Custeio – São as rotinas desenvolvidas por uma organização que contribuem para a obtenção de um bem ou serviço. Caracterizam-se pela utilização efetiva dos insumos geradores do bem ou serviço. c) Despesa Pública – Conjunto de dispêndios do Estado ou de outra pessoa do direito público, destinado ao funcionamento dos serviços público e que são integrantes do Orçamento Anual. d) Custo - É a apropriação de todas as despesas (resultantes ou independentes da execução orçamentária) realizadas na elaboração de um produto ou na execução de um serviço (consumo de recursos por atividade). e) Grupo de Custos (GC) – É a agregação de Centros de Custos afins para atingir um mesmo objetivo e vincular a um programa (projeto/atividade). O GC representa uma macroatividade ou o macro-processo da organização. III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES f) Centro de Custos (CC)- É o menor nível de alocação de recursos humanos, serviços, materiais e patrimoniais, representando uma atividade (objeto de custeio) geradora de um produto (bem ou serviço). g) Produtos ou Serviços - São os objetos das ações do governo, indicando aquilo que elas produzem. h) Custo Direto variável - É a parcela do custo total diretamente identificada com o produto ou com o processo de trabalho. Custo indireto variável – É a parcela do custo total que é proporcional ao volume produzido e que possa ser apropriada aos produtos ou aos processos de trabalho; j) Custo Indireto fixo - É a parcela do custo total que não é identificada diretamente com o produto ou atividade. São custos relacionados com a infraestrutura cuja apropriação depende de critérios de rateio.. k) Objetos de Custo: representam a razão pela qual as atividades se realizam. l) Macroatividade ou Macro-processo: é a agregação de CC afins e tem o propósito de facilitar a seleção dos Centros de Custos pelos Gerentes de Custos. 58 IV PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS PÚBLICA FEDERAL 59 III – ÁREAS ESTABELECIDAS NO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES NA ADMINISTRAÇÃO 1. Aspectos gerais A leitura da Constituição Federal de 1988 revela que os procedimentos de fiscalização contábil, financeira e orçamentária inseridos no art. 70 da Constituição Federal são de meridiana clareza em relação à necessidade de um sistema de custos quando estabelecem que: IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL “a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder”(grifo nosso). Em que pese a Constituição referir-se à economicidade verifica-se que no cotidiano da Administração Pública ainda prevalece a falsa idéia de que o artigo 35 da Lei 4.320/64 referese ao sistema contábil, contrariando estudos recentes que mostram tratar-se de dispositivo com perfeita adesão à execução financeira do orçamento anual, conforme leitura atenta do referido artigo: - “Art. 35 - Pertencem ao exercício financeiro: (I) - as receitas nele arrecadadas (II) - as despesas nele legalmente empenhadas.” Tal dispositivo indica que, na contabilidade das organizações públicas, o resultado orçamentário deve ser apurado mediante uma aderência dos fatos orçamentários à sua conformidade com a lei. Neste contexto os ordenadores das despesas orçamentárias estariam sempre submetidos a um esquema de checagem normativa e legal que envolve os seguintes requisitos: (i) Toda a operação orçamentária deve ser contabilizada quando apoiada em documentos hábeis; (ii) O registro contábil das despesas orçamentária só é feito após cuidadoso exame do documento a ele relativo (liquidação); (iii) As receitas orçamentárias são contabilizadas no exercício em que forem arrecadadas; (iv) As despesas orçamentárias são contabilizadas quando legalmente empenhadas. Os dispositivos acima são claros e estão inseridos na Lei 4.320/64 no campo relacionado com o planejamento, o orçamento e a apuração do resultado orçamentário e financeiro. Não tem relação com o patrimônio como objeto de estudos da Contabilidade, principalmente, no que se refere: (i) à organização dos serviços de contabilidade (art. 85), (ii) ao processo de evidenciação dos elementos patrimoniais representados pelos Bens e Direitos (Ativos) e pelas Obrigações (Passivos) (art. 89), (iii) à universalidade dos registros (art. 93) e (iv) ao acompanhamento das alterações do patrimônio ou situação liquida (art. 109). Assim, verifica-se que a importância da implementação de um sistema de custos na Administração Pública tem origem na Lei 4.320/94 que, no artigo 79, estabeleceu que o órgão 60 incumbido da elaboração da proposta orçamentária ou a outro indicado na legislação, caberá o controle do cumprimento do programa de trabalho em termos monetários e em termos de realização de obras e prestação de serviços, esclarecendo, ainda, no parágrafo único desse mesmo artigo que “esse controle far-se-á, quando for o caso, em termos de unidades de medidas, previamente estabelecidas para cada atividade.” Portanto, sob o aspecto legal a exigência de um sistema de custos é obrigatória desde 1964. Entretanto, somente a partir da Constituição de 1988, com os avanços da tecnologia, foi possível dar inicio a ações para cumprimento a tal exigência, principalmente, com a introdução de três princípios da administração pública moderna ou seja a Economicidade (CF art. 70), a Eficácia e a Eficiência (CF art. 74). ECONOMIA Compra de inputs ao menor custo Input físico/ Input custo EFICIENCIA Relação ótima entre inputs e outputs Output físico/ Input físico EFICÁCIA Impacto dos outputs sobre os objetivos Valor output/ Output físico Figura 1 – Eficiência, eficácia e economia no setor público De todo o exposto verifica-se que, sob o enfoque legal, a Administração Pública necessita implementar um sistema de informações de custos que permita a conjugação dos dados financeiros com indicadores físicos relacionados com o cumprimento das metas estabelecidas tanto para os programas como para projetos e ações do Governo. Nosso propósito ao participar deste projeto, na condição de Consultor, não foi apenas o de abordar aspectos da legalidade formal. Até porque um efetivo sistema de custos necessita muito mais do que reflexões legais para sua implementação. Necessita de uma cultura de custos, de uma consciência de custos, pois se trata de uma verdadeira transformação que será processada na administração pública brasileira. Tal transformação é, não só, difícil de visualizar, como também árdua de atingir. Mas isso é exatamente o que organizações prestadoras de serviço ao público precisam enfrentar para romper o aparente conflito entre a perspectiva jurídica decorrente do processo orçamentário-legal e a avaliação das políticas publicas, conforme será tratado mais adiante. Acredita-se que o sistema de custo possa minimizar os traumas relacionados com a quebra da administração patrimonialista e burocrática e o florescer da administração gerencial da eficiência, da eficácia e da efetividade das ações governamentais. Um sistema de informações de custos pode viabilizar estudos que expliquem a “crise de expectativas” representado por um crescente abismo entre o que as organizações públicas estão fornecendo e o que as pessoas estão demandando. É preciso considerar, portanto, que tal abismo pode ameaçar o futuro do setor público como nós o conhecemos na atualidade. É desta forma que vemos a necessidade e a validade de implantação de um sistema de custos na administração pública que pode ser observado pelo aspecto organizacional e tecnológico. 61 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Na figura 1 procuramos evidenciar de que forma o sistema de custos pode servir de apoio para as análises sobre a eficiência e economia no setor público: No aspecto organizacional os administradores estão, cada vez mais, preocupados com a obtenção de resultados tendo em vista, por um lado, a limitação de recursos e, por outro, as pressões pelo aumento dos serviços, levando os governos, cada vez mais, a buscar alternativas que permitam fazer mais por menos. IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL No aspecto tecnológico os administradores têm que considerar as transformações não somente no modo de atuação dos governantes, como também o que o cidadão espera em termos dos serviços que lhe são entregues. Além disso, a tecnologia constitui instrumento fundamental na produção de informações mais acessíveis permitindo que o cidadão tenha acesso continuo às informações relacionadas com as ações do governo. Este fato requer que os gerentes e funcionários precisem justificar suas decisões em tempo real. Assim, o Sistema de Informações de Custos se insere num contexto de mudanças na Contabilidade Pública brasileira por intermédio da alteração do enfoque essencialmente orçamentário para o enfoque no patrimônio como objeto de estudos da Contabilidade. 2. Aspectos Normativos 2.1 – Características da normatização do CFC. Na estruturação do sistema de custos e na sua normatização recomenda-se a observância de algumas linhas de ação com base na Norma de Custos que vem sendo estudada pelo Conselho Federal de Contabilidade e está em fase de aprovação pelo plenário daquela autarquia. A referida Norma estabelece a conceituação e as regras básicas para implantação de subsistema de custos no setor público, cabendo destaque para as seguintes: a) Objeto de custo é a unidade foco que se deseja mensurar e avaliar custos; b) Os principais objetos de custos são formados a partir de informações levantadas dos subsistemas; • Orçamentário: a dimensão dos produtos e serviços prestados, identificados e mensurados a partir do planejamento público, podendo se valer ou não das classificações orçamentárias existentes; • Patrimonial: a dimensão dos produtos e serviços prestados, identificados e mensurados a partir transações quantitativas e qualitativas afetas ao patrimonial da entidade consoante os Princípios de Contabilidade (Res. CFC 750/93 c/c Res. CFC 1.111/07). c) O Sistema de Informações de Custos do Setor Público está apoiado em três elementos: a) Sistema de acumulação; b) Sistema de custeio e c) Método de custeio. • Sistema de acumulação corresponde à forma como os custos são acumulados e apropriados aos bens e serviços e está relacionado ao fluxo físico, real, da produção. • O sistema de custeio está associado ao modelo de mensuração e deste modo podem ser custeados os diversos agentes de acumulação de acordo com diferentes unidades de medida, dependendo das necessidades dos tomadores de decisões. • Método de custeio se refere ao método de apropriação de custos e esta associado ao processo de identificação e associação do custo ao objeto que está sendo 62 custeado, Os principais métodos de custeio são: i) direto; ii) variável; iii) absorção; iv) por atividade; v) pleno. Por outro lado o referido documento estabelece que a escolha do método deve estar apoiada na disponibilidade de informações e no volume de recursos necessários, para obtenção das informações ou dados. As entidades podem adotar mais de uma metodologia de custeamento, dependendo das características dos objetos de custeio. Alem das regras acima referidas a Norma inclui os seguintes atributos da informação de custos: a) Relevância, entendida como a qualidade que a informação tem de influenciar as decisões de seus usuários auxiliando na avaliação de eventos passados, presentes e futuros; c) Oportunidade refere-se simultaneamente à tempestividade e à integridade do registro dos elementos de custo e das respectivas variações, determinando que sejam efetuadas de imediato e com a extensão adequada, independentemente das causas que as originaram. d) Valor social deve proporcionar maior transparência e evidenciação do uso dos recursos públicos; e) Fidedignidade, referente à qualidade que a informação tem de estar livre de erros materiais e de juízos prévios, devendo para esse efeito apresentar as operações e acontecimentos de acordo com sua substância e realidade econômica e não meramente com a sua forma legal; f) Especificidade As informações de custos devem ser elaboradas de acordo com a finalidade especifica pretendida pelos usuários. g) Comparabilidade entende-se a qualidade que a informação deve ter, de registrar as operações e acontecimentos de forma consistente e uniforme, a fim de conseguir comparabilidade entre as distintas instituições com características similares. É fundamental que o custo seja mensurado por um mesmo critério no tempo e quando o critério for mudado esta informação deve constar em nota explicativa. h) Adaptabilidade deve-se permitir o detalhamento das informações em razão das diferentes expectativas e necessidades informacionais das diversas unidades organizacionais e seus respectivos usuários. i) Granularidade o sistema deve ser capaz de produzir informações em diferentes níveis de detalhamento, mediante a geração de diferentes relatórios, sem perder o atributo da comparabilidade. 2.2 – Características especificas do Sistema de Custos do Governo Federal. O Sistema de Custos do Governo Federal (SIC) utiliza dados dos sistemas estruturantes de governo como base para a geração de informações, principalmente os capturados pelos sistemas de informação contábeis e financeiros. Tem por objetivo fornecer informações para subsidiar decisões governamentais de alocação mais eficiente do gasto público. Sua implantação atende ao art. 50, § 3º da Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina que a Administração Pública mantenha sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial. De acordo com a Lei nº 10.180, de 6 de fevereiro de 2001, a qual organiza e disciplina o 63 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL b) Utilidade, a informação de custos deve ser útil a gestão tendo a sua relação custo benefício sempre positiva; Sistema de Contabilidade Federal do Poder Executivo, cabe à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) a competência para tratar de custos na Administração Pública Federal. O referido sistema esta apoiado nos seguintes objetos de custo: a) Custo por Órgão Superior, Órgão e Unidade Orçamentária b) Custo por Programa. c) Custo por Ação (Projeto/Atividade) IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL d) Custo por produto ou serviço Esses objetos de custo permitirão a determinação dos custos mensais do órgão ou setor escolhido, apropriados pelos setores principais segundo seus elementos de custo (pessoal, material, serviços de terceiros e encargos). Deste modo os administradores passam a ter informações para decisão de uma política interna de disciplinamento das despesas e custos e de um procedimento externo para comparações com outras entidades, quando for o caso. Do mesmo modo que o sistema de contabilidade geral pública, o sistema de custos deve ser estruturado de maneira tal que, a qualquer momento, quando for conveniente, permita a extração de dados com a finalidade de auxiliar no processo de tomada de decisões. Por outro lado, no âmbito do setor público, pode ocorrer que um objeto de custo sejam formado pela agregação de elementos de custo (material, pessoal, serviços e encargos) de outros programas ou das ações. Por isso é recomendável que a determinação dos recursos necessários aos processos organizacionais não tenha vinculação direta com a classificação funcional-programática que, por força de dispositivos legais sempre atuará de forma limitadora ao processo de evidenciação de custos. Durante nossa consultoria verificamos que pelo menos um órgão da Administração Federal resolveu o problema mediante a criação de Centros de Custos que por sua vez são reunidos em Grupos de Custos com relação direta aos projetos ou ações que deseja custear. Até onde foi possível nosso entendimento da solução acima estamos convencidos de que ela viabiliza a ligação entre a execução orçamentária e o planejamento, mediante o desdobramento dos programas em projetos e ações (atividades) e estas em grupos de custos que, por sua vez, se dividem nos centros de custos como o menor nível de alocação dos recursos. Tal procedimento foi descrito no Relatório 3 apresentado em reunião promovida com os componentes do Núcleo de Informações de Custos – NUINC da Secretaria do Tesouro Nacional conforme figura 2 a seguir: Figura 2 Estrutura de apuração de custos 64 Função GC – Grupo de Custos CC – Centro de Custos (Menor nível de alocação de recursos) Fonte: Seção de Custos/D Cont/SEF/EB Subfunção PROGRAMA Pjt/Atv GC 1 GC 2 GC 3 CC 1 CC 2 CC 3 Bens Serviços Pessoal Pjt/Atv A criação de Centros de Custos, como acima, permite dividir a Entidade ou Departamento em unidades de mensuração de custos e que não são necessariamente as mesmas previstas na estrutura orgânica formal e legal. Sua finalidade é, através da acumulação dos custos ocorridos nessa unidade “informal”, permitir que os gerentes controlem a eficiência e o desempenho do respectivo setor com foco no produto ou resultado final. Em qualquer Entidade existem custos variáveis e custos fixos e, entre estes, existem os comuns a todos os produtos e os específicos de cada produto. Existem custos que poderão ser racionalmente distinguidos, especificados e localizados, e que são controlados pelo encarregado de cada setor. Também existem outros que só podem ser identificados de modo arbitrário, sem critério rígido. Evidentemente os valores desses últimos não devem servir como elemento de controle, pois decisões tomadas baseadas neles conduzirão certamente a conclusões erradas. A análise desta última questão revela a necessidade da implantação do Custo Direto, ou seja, de Custos parciais, conforme já mostramos em relatório anterior. Alem disso a base para o estabelecimento dos centros de custo é primordialmente, a fixação de responsabilidades, e, secundariamente, o conhecimento do custo de cada objeto de custo, seja ele um órgão, um programa, um projeto, uma ação ou um produto/serviço. 2.3 – Perspectiva jurídica na avaliação das políticas públicas. Um desafio que deve merecer a reflexão de todos que estejam envolvidos na implementação do sistema de custos é o fato de que, tradicionalmente, os diferentes modelos de avaliação da eficiência, eficácia e economicidade das políticas públicas e seus indicadores, ignoram a perspectiva jurídica do mesmo modo que os operadores do direito permanecem alheios às questões da produtividade administrativa e social. Entretanto, alguns estudos vêm sendo efetuados nos últimos anos, tanto no âmbito da ciência jurídica, como no domínio da ciência administrativa e da ciência política demonstrando que está em andamento uma substancial mudança nas relações entre o direito e a avaliação das políticas públicas, vale dizer, da eficiência, eficácia e eficiência. 65 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Pjt/Atv Neste sentido, um juízo de valor positivo sobre a eficácia da regulamentação jurídica depende do que for considerado “um equilíbrio aceitável entre a realização dos seus objetivos, por um lado, e a quantidade e a qualidade de conseqüências não desejadas, por outro lado” (MIERS e PAGE: 19901). Na realidade, “se a lei é um ato finalístico, também interessa saber se os efeitos queridos pelo legislador correspondem àqueles que os resultados deixam entrever” (CANOTILHO: 19872). IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Para isso é fundamental que os administradores, de todos os níveis, determinem estudos com o fito de identificar claramente os objetivos da regulação, o que, como é óbvio, se torna difícil em muitos casos. Tais estudos teriam como foco a avaliação do grau de afastamento entre a “Law in the books” e a “Law in action”, pondo em relevo o complexo problema da interpretação do pensamento legislativo, que deve ser objeto de análise rigorosa. Tendo em vista o grande apreço que o setor público brasileiro tem à legalidade formal é preciso a realização desses estudos para que a implementação do sistema de custos não venha a ser abortada no nascedouro. Deste modo, deve ser preocupação permanente dos responsáveis pelo Sistema de Custos do Governo Federal, o estabelecimento de justificativas com vistas ao alinhamento entre a eficiência dos indicadores e a regulação jurídica vez que, esta última, sempre colocará dificuldades quando da confrontação entre os resultados obtidos por uma regulamentação qualquer e os meios humanos e financeiros utilizados para que os resultados sejam atendidos. (RANGEON: 19893). 3. Recomendações para a implantação do sistema de custos 3.1 Etapas do processo de formação de custos Qualquer nova ação relacionada com as etapas do processo de informações de custos do Governo Federal deve ser precedida da releitura da apresentação realizada em abril de 2009 pela equipe técnica do Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO Naquele documento ficou definido que o ambiente que disponibiliza informações e funcionalidades para suporte a decisão estará estruturado na tecnologia de Data Warehouse que corresponde a uma abordagem para sistemas de apoio à decisão que envolve os seguintes aspectos: • Um processo especial para o tratamento dos dados com garantia da qualidade (consistência) dos dados; • Uma organização de dados diferenciada sem redundância de dados e com prioridade para melhor performance das transações de atualizações de dados com foco na integração. 1 MIERS, David R. & PAGE, Allan C. Legislation, Sweet & Maxwell, London, 1990, p. 212. CANOTILHO, Jose Joaquim Gomes. “Relatório sobre programa, conteúdos e métodos de um curso de Teoria da Legislação”, separata do Vol. LXIII (1987) do Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, p. 5. 3 RANGEON, Francois. Reflexions sur l`effectivité du droit”. Center Universitaire de Recherches Administratives et Politiques de Picardie. 2 66 • Software especial para suporte a decisão constituído de banco de dados com capacidade de otimização para tratamento de informações e navegação na base de dados, com flexibilidade, sem necessidade de programação prévia. No que se refere à implantação do sistema de custos é recomendável que o Governo Federal procure adequar suas ações na forma como previsto na minuta do Conselho Federal de Contabilidade já referida e que indica a necessidade de um processo sistemático e gradual, respeitando assim as etapas naturais do processo de formação dos custos dentro dos seus respectivos níveis hierárquicos (institucionais e organizacionais, funcionais e processuais) incluindo as seguintes etapas: a) Identificação dos objetos de custos; c) Alocação dos custos diretos aos objetos de custos; d) Identificação dos custos indiretos; e) Escolha do modelo de alocação dos custos indiretos que deve observar sempre a relevância e, principalmente, a relação custo/benefício; f) Tratamento dos custos indiretos de acordo com o modelo que for adotado; A figura 3 a seguir mostra o fluxo de informações gerenciais de custos: Fluxo de Informações Gerenciais de Custos Figura 3 Fluxo das informações gerenciais Uma vez estruturado o Sistema de Custos do Governo Federal será possível a obtenção de informações gerenciais de qualquer entidade do Setor Público que devem, além da delimitação do seu objeto (função, programa, projeto, produto) atender as seguintes características: • O nível de custeamento • O conteúdo do custo • O momento em que o custo deve ser calculado. 67 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL b) Identificação dos custos diretos; A figura 4 a seguir mostra as características representadas pelo nível, o conteúdo e o momento em que o custo será identificado e calculado: Nível Custo pleno ou integral Custo de produção Custo de distribuição IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Custos completos Custos parciais (diretos e variáveis) Momento Custo real/Custo histórico Custo pré-determinado Custo padrão. Conteúdo Figura 4 – Características para identificação dos custos Os indicadores de custos devem levar em conta os aspectos físicos e financeiros permitindo a realização de análises e avaliação da informação de custos, viabilizando, numa primeira abordagem, a verificação dos resultados dos órgãos e entidades e dos programas e ações, segundo as prioridades estabelecidas e, em segundo lugar, a confrontação dos resultados desses indicadores de custo com os indicadores de efetividade dos respectivos programas orçamentários conforme registros no Plano Plurianual. 3.2 – Vantagens da visão de processo Na implantação de um sistema de custos a visão de processos permitirá observar com nitidez se a necessidade dos administradores esta focada nas atividades (meios) ou nos resultados produzidos (fins) em termos de bens e serviços, conforme figura 5 a seguir VISÃO DAS ATIVIDADES X VISÃO DOS RESULTADOS Atividades de transformação Cidadão ATIVIDADES DE APOIO Recursos fornecidos ATIVIDADES PRIMÁRIAS RESULTADOS PRODUZIDOS Bens e Serviços É um resultado produzido, através de atividades transformadoras de recursos É um conjunto de atividades, que transformando recursos, vão produzir um resultado Figura 5 Visão de processo 68 Ao definir o conceito de Cadeia de Valor, Michael Porter4 tinha em mente facilitar a identificação nas organizações, das atividades ou processos chaves que, de fato, criem valor e se relacionem no real objetivo da existência das organizações. No caso de indústrias especificas o método de análise das atividades também é um meio de criar diferenças competitivas entre as organizações, pois a empresa que visualizar mais rapidamente suas atividades/processos terá a vantagem de alcançar novos mercados, criar inovações com seus produtos ou serviços e reduzir custos e despesas. Isto leva a uma vantagem competitiva sobre as demais entidades. Em qualquer organização o relacionamento entre os elementos que formam o custo da atividade ou do processo permite a observação do resultado sob dois aspectos: a visão do custeio (vertical) e a visão do processo (horizontal), conforme a Figura 6. Recursos Visão de Processo Direcionadores de Custos Ações (Atividades) Medidas de Desempenho Objetos Figura 6 – Visão de processos em um sistema de custos A visão vertical permite responder às três perguntas básicas: o que foi gasto, como foi gasto e para que foi gasto. Já a visão do processo é o relacionamento horizontal entre os fatores que compõem a formação dos bens ou dos serviços produzidos. As informações geradas na visão de processo normalmente não são de natureza financeira. Os direcionadores de custos funcionam como indicadores da causa que originou a execução das ações. Análises sobre aspectos negativos da existência dos direcionadores podem ser importantes na busca de melhores resultados no que se refere à eficiência na utilização dos recursos. Além disso, a visão horizontal incorpora o conceito dos indicadores de desempenho. Os indicadores funcionam como medidores da execução das atividades comparadas a padrões pré-estabelecidos ou com atividades realizadas por outras áreas da organização pública ou mesmo com atividades realizadas por entidade congêneres representadas por outras esferas estaduais ou municipais (benchmarking). 4 Porter, Michael E. – Competitive Advantage 69 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Visão de Custeio Os indicadores de desempenho podem ser utilizados para medir a qualidade dos produtos ou serviços, bem como podem indicar a satisfação dos usuários. A análise desses indicadores leva ao aperfeiçoamento de equipamentos e procedimentos (ações e processos) para melhor atender a esses mesmos usuários. Além de indicar a eficiência na utilização dos recursos responde às seguintes questões: a) Como estamos fazendo? b) Por que estamos fazendo? IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL c) Como podemos melhorar? Na administração pública, conforme já foi observado, existe grande dificuldade para implantar qualquer sistema de acumulação de custos que conjugue a classificação das despesas constante do orçamento (institucional, funcional programática e por natureza), de utilização obrigatória nos entes públicos, com a implementação do sistema de custos. Entretanto, o estudo do sistema orçamentário e da metodologia do sistema de custos deve levar ao desenho de um fluxo de informações para a obtenção do custo sem o abandono da classificação legal das despesas atualmente vigente, conforme pode ser observado na Figura 7 a seguir e que já foi apresentado em relatório anterior: 70 DADOS ORÇAMENTÁRIOS Institucional (por órgão) FuncionalProgramática: Função Sub-função Programa Projeto Atividade Execução orçamentária e financeira • Pessoal e Encargos Sociais - Pessoal Reconhecimento dos elementos de custos Custos Variáveis Indiretos (identificados com os objetos de custo) Indicadores - Serviços Critérios de apropriação Custos acumulados por objeto de custos Comparação: Metas previstas X Metas realizadas Mensuração física Avaliação dos resultados Custos Operacionais Resultado - Variações Patrimoniais • Juros e Encargos da Divida • Outras Despesas Correntes • Obras e Instalações • Equipamentos e Materiais Permanentes Classificação legal das despesas Custos Diretos: - Materiais Por natureza: Indicadores selecionados Investimentos Bens de uso comum Bens de Ativo Permanente Balanço Patrimonial Ativo Não Financeiro Figura 7 – Fluxo de informações para acumulação de custos 71 Depreciação Amortização Exaustão IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL • • • • • DADOS FINANCEIROS Em decorrência do exposto recomenda-se que o sistema de custos do Governo Federal esteja apoiado numa visão de processos cujo objetivo terá sempre uma relação de atendimento, da melhor forma possível, dentro dos recursos disponíveis, ao público foco da organização. Esse público pode ser, habitantes, empresas nos diversos setores, associações de classes e outros que de alguma forma contribuem com seus impostos para viabilizar a máquina pública. IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL 3.3 – Responsabilidade pelas informações de custo Sendo a Administração Pública uma organização complexa será necessário definir os responsáveis pela geração de informações bem como sua análise, avaliação e verificação da consistência em todos os níveis da estrutura organizacional ao qual se refiram tais informações, abrangendo todas as instancias e níveis de responsabilidade. Por outro lado, a responsabilidade pela fidedignidade das informações de origem dos sistemas primários deve ser do gestor da entidade onde a informação estiver sendo gerada, enquanto a responsabilidade pela consistência conceitual e a conformidade contábil é do órgão responsável pelas informações contábeis do sistema de custos. Neste aspecto é importante para implementação do sistema de custos a inclusão, entre as rotinas de liquidação da despesa, da obrigatoriedade de lançamento das informações relativas ao centro de custo onde os custos apropriados se localizem e aos indicadores físicos correspondentes. O ideal seria a geração de travas no sistema de liquidação da despesa de modo a impedir o prosseguimento do processo que não informe os dados relativos ao centro de custos. Este mesmo procedimento deverá ser aplicado quando da aquisição de bens do Ativo que devem ser tombados e incorporados ao patrimônio, como condição indispensável para dar inicio à apropriação dos custos da depreciação, amortização ou exaustão ou, ainda, a reavaliação ou perda de valor recuperável. 3.4 – Estrutura Matricial Em relação à estrutura do Sistema de Informações de Custos nossa sugestão é que seja implementada uma estrutura matricial em que o Núcleo de Informações de Custos tenha atribuições de órgão normativo e coordenador de todas as ações desenvolvidas pelos Agentes ou Grupos Setoriais de Custos a serem formalmente instituídos em cada órgão ou Ministério. A competência normativa diz respeito à orientação sobre assuntos relacionados com o tema de custos permitindo uma desejada atuação célere e flexível para soluções em abstrato e em concreto, de questões inerentes ao sistema de custos em cada órgão ou em cada unidade. Assim, enquanto o Núcleo de Informações de Custos estará subordinado administrativamente ao Tesouro Nacional, os Agentes ou Grupos Setoriais de cada órgão teriam uma dupla subordinação: a) Técnica – ao Núcleo de Informações de Custo b) Administrativa – ao titular do órgão onde estiverem inseridos na condição de Agentes Setoriais de Custos. A estrutura matricial sugerida resulta de nossas conclusões a partir das reuniões realizadas tanto com representantes do Ministério da Fazenda, como das áreas selecionadas em cada Ministério. 72 A tabela 1, a seguir, mostra a existencia de três condições ambientais julgadas necessárias para a implementação de uma estrutura matricial. Cada uma dessas condições exigirá uma resposta simultanea da organização para saber da possibilidade da adoção ou adaptação da referida estrutura matricial. Tabela 1- Condições necessárias para a implementação de uma estrutura matricial. Pressão do ambiente Ligação comportamental Dois ou mais setores críticos; funções, produtos, serviços, mercados, áreas; Equilíbrio de poder, comando duplo, decisões tomadas simultânemente Condição 2 A execução das tarefas incertas, complexas e interdependentes Alta capacidade de processamento das informações. Condição 3 Economias de escala. Recursos humanos compartilhados e utilizados de modo flexivel. A partir da adoção da estrutura matricial é fundamental, no âmbito de cada Ministério ou órgão, que seus dirigentes estejam em permanente contato com os Agentes ou Núcleos de Custos locais a quem incumbirá, com base nas orientações técnicas e normativas emitidas pelo órgão técnico (NUINC), estabelecer e gerar os relatórios e informações necessárias para a tomada de decisões por parte dos gestores do referido órgão. Alem disso, como pessoas conhecedoras do órgão onde atuam, devem agir, durante a implantação, como agentes moderadores na busca permanente de sinergias que minimizem os riscos da não implantação do sistema de custos e deste modo prejudicando a melhoria do processo decisório. Também é importante que os gerentes saibam que o novo sistema de custos não resolverá todos os problemas da entidade, mas, antes de tudo é uma ferramenta que bem utilizada, trará resultados positivos. Com tal estrutura, acredita-se que ocorrerá uma adequada avaliação dos seguintes instrumentos gerados pelos administradores públicos: (i) Prestação de contas sobre a boa utilização dos recursos (accountability) (i) Tomar decisões em base mais racional tanto em relação a estratégias (relação com a prospectiva) como em relação à otimização do uso dos recursos. (iii) Compartilhar informações entre os diversos órgãos afins. 3.5 – Atitude das gerencias e plano de treinamento Para o sucesso do sistema de informações de custo, como elemento chave de controle e informações para a gerência é essencial que a direção de cada órgão tenha plena consciência do que sucederá durante a fase de implantação do sistema e inclua tal projeto na pauta de suas realizações emblemáticas para a melhora da administração pública. Em decorrência é de fundamental importância que o dirigente principal de cada área esteja ativamente envolvido na criação e implementação de sistemas necessários à organização que dirige. Neste sentido temos opinião de que não basta, apenas, o envolvimento com a missão e as metas dos diversos níveis da organização, mas sim na determinação das expectativas de desempenho em termos de custos, dos resultados para a organização e dos benefícios para os usuários dos bens e serviços produzidos. 73 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Condição 1 Para isso julgamos necessário que a administração estabeleça um plano de treinamento que envolva basicamente duas áreas distintas: (i) Gestão de pessoas cujo enfoque abandone o conceito operacional de “departamento de pessoal” para o enfoque estratégico, alinhado e direcionado à contribuição para o alcance dos objetivos da organização, vale dizer do comprometimento. IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL (ii) Gestão estratégica de custos, com o objetivo de apresentar aos participantes os conceitos do sistema tradicional de custos, bem como as técnicas de identificação da cadeia de valor, posicionamento estratégico e os direcionadores de custos para as diversas áreas. 4. Conclusão 4.1 – Oportunidades de melhoria A implementação definitiva de um sistema de custos e dos indicadores de custos deve estar em consonância com os indicadores de efetividade constantes do Plano Plurianual. Neste sentido julgamos oportuno alertar que neste ano (2011) um novo Plano Plurianual estará sendo enviado ao Congresso Nacional, relativo ao período 2012 a 2016. Por isso sugerimos uma revisão dos indicadores de efetividade e/ou dos indicadores de custos com o objetivo de gerar uma integração entre os elementos do planejamento e os indicadores de custos. A figura 8 mostra essa integração: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO OBJETO DE CUSTOS (Brasil escolarizado) INDICADORES QUALITATIVOS INDICADORES QUANTITATIVOS a) Taxa de frequencia à escola da população na faixa etária de 0 a 3 anos (%) b) Taxa de frequencia bruta no ensino médio (%) c) Taxa de frequencia liquida a pré-escola da população na faixa etária de 4 a 6 anos. a) Total de alunos que concluíram o curso b) Total de livros distribuídos para educação básica c) Total do material e Livros didáticos para ensino fundamental INDICADORES DE CUSTOS Figura 8 – Integração dos indicadores qualitativos, quantitativos e de custos Por outro lado, sugerimos uma revisão no Sistema de Planejamento – SIGPLAN tendo em vista que nas diversas apresentações a que assistimos ficou a impressão de que diversos campos relevantes para o entendimento e utilização de indicadores não incluem qualquer dado. Tem em vista que os dados do sistema de planejamento representam o elemento de partida para todo o processo de execução orçamentária e, consequentemente, das avaliações a serem implementadas pelo sistema de custos sugerimos a realização de uma análise da documentação do sistema, É fundamental que tais análises sejam efetuadas por órgão independente daqueles que desenvolveram o sistema ou que o operam. 74 Essa análise teria o objetivo de conhecer e avaliar o modelo de dados verificando sua consistência com as regras estabelecidas, bem como se as tabelas existentes foram construídas de forma a manter a integridade referencial entre as informações contidas no banco de dados. 4.2 – Dimensionamento da equipe Neste aspecto observamos, durante as reuniões, que a equipe do Núcleo de Informações de Custos deveria ser redimensionada tendo em vista a complexidade da estrutura do Governo Federal e a multiplicidade de temas a serem tratados. Para resolver esta questão vislumbramos duas soluções: (i) de um lado o treinamento relacionado com os processos e sua qualidade mediante a implementação de projeto do tipo “Vendo o Ministério “X” fazer” cujo produto final seria o mapeamento dos processos de cada setor e a identificação de uma cadeia de valor onde apareçam atividades que agregam e as que não agregam valor ao serviço público. (ii) Do outro o redimensionamento da equipe na medida em que novos programas ou ações estiverem sendo incluídas nas análises de custos. 4.3 – Acumulando e analisando dados O Núcleo de Informações de Custos deve ter, entre outras, a função de validar a consistência dos dados coletados e acumulados no sistema de custos e, principalmente, a análise dos indicadores de custos informando à administração os setores que atingiram os objetivos traçados. Neste aspecto, cabe alertar que no setor público sempre será mais fácil a coleta de dados e a análise das informações geradas pelo sistema de custos, mas a comparação com as metas estabelecidas exige interpretações e muitas vezes mudanças no curso das ações estabelecidas. Neste aspecto a postura recomendada é considerar que a coleta e análise de dados não constitui uma atividade conduzida para seu próprio uso interno, mas sim para obtenção de respostas tendo por base os padrões estabelecidos. Recomenda-se que os responsáveis pelo sistema de custos do Governo Federal incluam de modo emblemático o principio de que “sem padrão de comparação, não hà medição; sem medição, não há controle”. O lema acima está em consonância com o entendimento de que a implementação de um sistema de custos só terá sentido desde que integrado numa política de introdução de um sistema de qualidade e da introdução de uma cultura de qualidade total pois, cada da vez mais ganha força a idéia de que medir o desempenho global da administração é conhecer o grau de satisfação dos seus funcionários e dos seus clientes/usuários. Hoje parece não se admitir que haja organizações bem posicionadas no seu desempenho que não possuam clientes/usuários e funcionários satisfeitos plenamente. 75 IV – PROPOSTA DE DIRETRIZES PARA A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Partindo do principio de que o conhecimento de custos implica no conhecimento dos processos de trabalho e das regras de cada negócio que se pretende custear julgamos necessário evitar que numa discussão sobre custos tenhamos do lado do Ministério da Fazenda funcionários generalistas, enquanto as demais áreas do Governo serão representadas por especialistas. O objetivo não é replicar no Núcleo de Custos as estruturas mas simplesmente alertar para a necessidade de uma reflexão sobre a possibilidade de ocorrer um “gap” de conhecimento que pode ser prejudicial a implementação do sistema de custos. Referências Bibliográficas Consultadas AID - Agência para o Desenvolvimento Internacional. 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