Produção, v. 18, n. 3, set./dez. 2008, p. 540-555
Indicadores de desempenho dos Sistemas de
Gestão Ambiental (SGA): uma pesquisa teórica
Lucila Maria de Souza Campos UNIVALI
Daiane Aparecida de Melo UNIVALI
RESUMO
Este artigo tem por objetivo apresentar os principais tipos de indicadores de desempenho que podem ser utilizados por empresas que possuem
um sistema de gestão ambiental (SGA). Neste contexto, o artigo apresenta uma abordagem da gestão ambiental e dos indicadores de medição de
desempenho, enfatizando a importância dos indicadores de desempenho ambiental para um SGA e para a organização. Trata-se de uma pesquisa
teórica que investigou artigos, teses, dissertações e documentos publicados por empresas que possuem seus SGA certificados. Estes indicadores
foram divididos de acordo com os requisitos da norma ISO 14001. Por fim, o artigo inicia uma discussão de como estes indicadores podem tornar-se
estratégicos ou parte da estratégia ambiental de uma organização.
PALAVRAS-CHAVE
Indicadores, desempenho, ambiental, Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
Performance indicators of Environmental Management
System (EMS): a theoretical research
ABSTRACT
This paper intends to present the main types of performance indicators that can be used for companies that have an environmental management system
(EMS). Is this context, the paper presents an overview about environmental management and performance indicators, emphasizing the importance of
environmental indicators for the performance of an EMS and for the organization. This is a theoretical research based on papers, thesis, dissertations and
other published documents of companies with EMS certified. The indicators was divided according to the ISO 14001 requirements. Finally, the paper begins
a discussion about how these indicators can became strategics or part of an environmental strategic of an organization.
KEY WORDS
Indicators, performance, environmental, Environmental Management System (EMS).
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1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o cenário mundial de avanços
tecnológicos enfatiza assuntos relacionados à preservação
ambiental. A gestão ambiental se tornou uma importante
ferramenta de modernização e competitividade para as
organizações.
Cada vez mais, o setor produtivo em diferentes países
está incorporando em seus custos aqueles relacionados com
a questão ambiental, implicando necessidades de mudanças
significativas nos padrões de produção, comercialização e
consumo. Estas mudanças respondem a normas e dispositivos legais rígidos de controle (nacionais e internacionais),
associados a um novo perfil de consumidor. É fundamental
que as empresas busquem uma relação harmônica com o
meio ambiente, mediante a adoção de práticas de controle
sobre: os processos produtivos e o uso de recursos naturais
renováveis e não-renováveis (CARTILHA FIESP, 2003).
Nessa direção, emerge a demanda de empresas em busca
de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que possa ser
aplicado no gerenciamento e controle das ações das empresas sobre o ambiente. Assim, a implantação de um SGA, mais
especificamente o SGA segundo a norma NBR ISO 14001
(a mais difundida mundialmente), faz com que o processo
produtivo seja reavaliado continuamente, refletindo na
busca por procedimentos, mecanismos e padrões comportamentais menos nocivos ao meio ambiente.
No entanto, a implantação de um SGA não garante o seu
gerenciamento por si só. Na concepção de Hronec (1994) as
medidas são “sinais vitais” da organização que qualificam
e quantificam o modo como as atividades atingem suas
metas. As medidas ajudam a empresa a estabelecer o grau
de evolução ou estagnação de seus processos, fornecendo
informações adequadas para que possam ser tomadas ações
preventivas e/ou corretivas em busca das metas e objetivos
estabelecidos por ela. Por sua vez, estas informações serão
úteis também para a tomada de decisão dos gestores e um
melhor alinhamento dos objetivos e metas ambientais às
estratégias da organização (CAMPOS, 2001; CAMPOS;
SELIG, 2002).
A literatura concernente à mensuração do desempenho
destaca que para se conseguir um ambiente de gestão eficaz é imprescindível incorporar um sistema de medidas
que assegure o alinhamento das atividades com o objetivo
maior da organização. A qualidade da sua tomada de decisão
em relação a cada atividade e a sua execução também será
influenciada pela existência de um sistema apropriado de
medidas (CAMPOS, 2001).
Neste contexto, as empresas que não monitoram um conjunto de indicadores de desempenho ambiental podem não
estar gerenciando sua performance, tampouco a performance de seu SGA. Assim, para garantir o sucesso nos resultados
visando uma maior competitividade, faz-se necessário que
as empresas monitorem continuamente indicadores de desempenho ambiental.
Desta forma, o presente trabalho trata-se de uma pesquisa
teórica que tem por objetivo apresentar uma abordagem da
gestão ambiental e contextualizá-la no ambiente atual das
organizações, onde atualmente emerge uma demanda de
certificações de SGA. Em seguida apresenta-se uma abordagem dos indicadores de desempenho ambiental, enfatizando
a importância destes para as empresas que desejam melhorar
continuamente seu SGA e obter vantagem competitiva no
mercado.
2. GESTÃO AMBIENTAL
Fiorillo e Rodrigues (1996, p. 25) afirmam que a preocupação mundial com o meio ambiente decorre de um simples
fator: proteger o meio ambiente. Em última análise, proteger
o meio ambiente significa proteger a própria preservação da
espécie humana. Diante disto, a nova consciência ambiental,
surgida no bojo das transformações culturais que ocorreram
nas décadas de 1960 e 1970, ganhou dimensão e situou o
meio ambiente como um dos princípios fundamentais do
homem moderno. Nos anos 1980 e 1990, os gastos com proteção ambiental começaram a ser vistos pelas empresas líderes não como custos, mas como investimentos para o futuro
e, paradoxalmente, como possível vantagem competitiva. A
atitude e a postura dos gestores das organizações em todos os
segmentos econômicos nos anos 1990 passaram de defensivas
e reativas para ativas e criativas e assim entram na visão estratégica das organizações (CAMPOS, 2001; LOPES, 2004).
Destaca-se aqui que tanto os acidentes ambientais 1
quanto as conferências internacionais2 contribuíram de
forma significativa para essa nova consciência ambiental
e para o acirramento da pressão da opinião pública e das
regulamentações sobre as empresas, emergindo uma maior
preocupação das empresas em dar uma atenção especial à
questão ambiental.
Após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente – Rio-92, o desenvolvimento sustentável3 se consolidou como o grande destaque na luta pelas causas ambientais,
e para Boog e Bizzo (2003) poderá acontecer de forma cada
vez mais eficaz se forem utilizados parâmetros confiáveis
para as medições das ações que indicam seu desempenho.
A Agenda 21, fruto dessa Conferência Mundial, define
propostas de ações em âmbitos regional e local para alcançar
o desejado desenvolvimento sustentável (MMA, 1998). Esta
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necessidade de parâmetros relevantes e confiáveis para a
medida do desempenho ambiental pode ser atendida com a
NBR ISO 14031, que traz uma série de exemplos de indicadores de desempenho ambiental que podem ser utilizados
para avaliar o desempenho ambiental das empresas.
2.1 Sistemas de Gestão Ambiental
Segundo Maimon (1996), pesquisas revelam que medidas
de gestão ambiental alteram a imagem da empresa para fins
institucionais, e estão se constituindo cada vez mais como
prioridades em suas etapas futuras de gestão empresarial e de
investimentos financeiros nas empresas brasileiras. Exemplos recentes de desastres ecológicos envolvendo a maior
empresa do Brasil e uma das maiores do mundo do setor
petrolífero, a Petrobras, provocam mudanças de estratégias
e de sua alta administração, visando torná-la uma empresa
de excelência em gestão ambiental integrada.
A
Europeu de Eco-Gestão e Auditorias. Foi adotado pelo
Conselho da UE em junho de 1993, e é aberto à participação voluntária das empresas desde abril de 1995.
• NBR ISO 14001: norma do conjunto ISO 14000 que especifica os requisitos de tal sistema de gestão ambiental,
tendo sido redigida de forma a aplicar-se a todos os tipos
e portes de organizações, não estabelecendo requisitos
absolutos para desempenho ambiental.
3. INDICADORES DE MEDIÇÃO DO DESEMPENHO
Como definição, um indicador é uma ferramenta que
permite a obtenção de informações sobre uma dada realidade, tendo como característica principal poder sintetizar
diversas informações, retendo apenas o significado essencial
dos aspectos analisados (MITCHELL, 2004).
Para Merico (1997, p. 61) e Hammond et al.
(1995, p.1), o termo indicador origina-se do latim
indicare, que significa anunciar, tornar público, estimar. Segundo Adriaanse (1993), os indicadores
têm como objetivo simplificar, quantificar, analisar e comunicar. Assim, os fenômenos complexos
são quantitativos e tornados compreensíveis por
vários segmentos da sociedade, através dos indicadores.
Dentro deste contexto, pode-se dizer que os indicadores
são ferramentas utilizadas para a organização monitorar
determinados processos (geralmente os denominados críticos) quanto ao alcance ou não de uma meta ou padrão
mínimo de desempenho estabelecido. Visando correções de
possíveis desvios identificados a partir do acompanhamento
de dados, busca-se identificação das causas prováveis do não
cumprimento de determinada meta e propostas de ação para
melhoria do processo. Estes dados ainda fornecem informações importantes para o planejamento e o gerenciamento
dos processos, podendo contribuir no processo de tomada
de decisão.
Outro fator relevante é a finalidade dos indicadores. Eles
servem para medir o grau de sucesso da implantação de uma
estratégia em relação ao alcance do objetivo estabelecido. Entretanto, é fundamental que seja observado o fato de que “...
um indicador muito complexo ou de difícil mensuração não
é adequado, pois o custo para sua obtenção pode inviabilizar
a sua operacionalização” (CORAL, 2002, p.159).
Hronec (1994) cita cinco benefícios das medidas de desempenho: i) satisfação dos clientes; ii) monitoramento do
processo; iii) e iv) benchmarking de processos e atividades,
respectivamente; e, por último, v) a geração de mudanças.
Porém, é necessário que as medidas de desempenho estejam
corretas para haver a mudança com sucesso.
gestão ambiental se tornou uma
importante ferramenta de modernização
e competitividade para as organizações.
Lopes (2004) afirma que para utilizar as estratégias ambientais competitivas a partir do uso de normas e certificações em empresas, as organizações poderão optar por um de
três níveis de ecogerenciamento: 1) limitar-se à conformidade legal; 2) adotar uma postura proativa, antecipando-se e
ultrapassando as regulamentações; ou 3) orientar-se para a
sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.
O primeiro nível deveria ser obrigatório, mas muitas vezes
é deixado de lado pela falta de fiscalização e punições. O
segundo é limitado por pressupor uma legislação mais exigente e necessitar de pressões de consumidores. Por último,
orientar-se para a sustentabilidade e responsabilidade social
dependerá da disponibilidade de tecnologias apropriadas,
consenso social e novo sistema de valores.
Os principais modelos de Sistemas de Gestão Ambiental
que evidenciam a evolução destes são:
• Responsible Care: Programa desenvolvido pela Canadian
Chemical Producers Association – CCPA, surgido no Canadá em 1984 e implantado em diversos países a partir de
1985, encontra-se atualmente em mais de 40 países com
indústrias químicas.
• Norma Britânica BS 7750: iniciou-se em 1991, e teve
sua primeira publicação em junho do mesmo ano com
a formação de um comitê técnico no British Standards
Institution (BSI).
• EMAS – Eco-Management and Audit Scheme: Sistema
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Para a FNQ – Prêmio Nacional da Qualidade e Tachizawa (2005), o sistema de medição de desempenho deve ser
definido a partir da missão da organização e das estratégias
relacionadas com essa missão, por meio da identificação dos
fatores críticos de sucesso do seu negócio. Os fatores críticos
de sucesso são determinados a partir da missão e da estratégia empresarial; um fator crítico de sucesso é o processo
crítico que pode ser alvo de melhorias.
Quanto aos tipos de indicadores, de acordo com Lima
(2004, p.13) ocorre uma confusão conceitual a respeito da
distinção entre Indicadores Ambientais, Indicadores de
Desenvolvimento Sustentável e Indicadores de Desempenho
Ambiental. Para o autor, indicadores ambientais traduzem
dados relativos a determinado
componente ou conjunto de
componentes de um ou vários
ecossistemas; já os indicadores
de desenvolvimento sustentável compreendem informações
relativas às várias dimensões da
sustentabilidade: dimensões econômica, social, ambiental e
institucional; e, por último, os indicadores de desempenho
ambiental preocupam-se em refletir os efeitos sobre o meio
ambiente dos processos e técnicas adotados para realizar as
atividades de uma organização, sendo este o foco de nosso
estudo.
1996; DITZ; RANGANATHAN, 1997; TYTECA et al. 1997;
DEMAJOROVIC; SANCHES, 1999). Spangenberg e Bonniot
(1998) e Gasparini (2003) também mostram estudos sobre
o estabelecimento destes indicadores. Todos vêm realizando
pesquisas e empreendendo ações para o estabelecimento de
indicadores eficientes.
Como referência conceitual à seleção de indicadores de
desempenho ambiental emerge a norma ISO 14031 – “Gestão Ambiental – avaliação do desempenho ambiental4 – diretrizes” (NBR ISO 14031, 2004) que trata especificamente
das diretrizes para a avaliação de desempenho ambiental e
a adoção de indicadores de desempenho ambiental, a qual
lista mais de 100 indicadores ilustrativos.
3.1 Indicadores de desempenho ambiental
Os indicadores de desempenho ambiental visam demonstrar as práticas organizacionais no sentido de minimizar os
impactos ao meio ambiente decorrentes de suas atividades.
Esses indicadores referem-se ao uso de recursos naturais
demonstrados em valores monetários e em valores absolutos
de quantidade ou consumo, considerando também as iniciativas de gerenciamento ambiental, os impactos significativos
relacionados ao setor da atividade e as respectivas ações de
minimização (GASPARINI, 2003).
Em pesquisa realizada por Pacheco (2001), sobre a inserção de indicadores de medição do desempenho para o
sistema de gestão ambiental, foi ressaltada a relevância da
inserção de indicadores de desempenho relacionados aos
objetivos estratégicos, para o alcance do sucesso do SGA
da empresa. Para Pacheco, o sistema de medição composto
por indicadores de desempenho deve estar relacionado aos
fatores críticos de sucesso para o SGA, contribuindo, assim,
de forma efetiva para a melhoria do desempenho ambiental,
aumentando sua competitividade.
O estabelecimento de indicadores de desempenho ambiental tem sido o foco de atenção de diversos estudos em
todo o mundo (ATKINSON; HAMILTON, 1996; IMD,
3.2 Conjunto dos indicadores de desempenho
ambiental gerencial e operacional identificados no
“estado da arte”
Foram investigados indicadores de desempenho gerenciais e operacionais que possam monitorar os SGA de
empresas certificadas. Assim, foram pesquisados indicadores de desempenho no estado da arte, chegando-se a um
total de aproximadamente 200 indicadores possíveis de
serem utilizados pelas empresas, mostrados nos quadros
a seguir.
Analisando a norma NBR ISO 14031, percebeu-se que
a mesma apresenta tanto exemplos de indicadores de desempenho gerencial como de desempenho operacional. Os
indicadores gerenciais estão agrupados nas seguintes seções:
implementação de política e programas, conformidade,
desempenho financeiro e relações com a comunidade; já os
indicadores operacionais foram agrupados pela norma nas
seções: materiais, energia, serviços de apoio às operações
da organização, instalações físicas e equipamentos, fornecimento e distribuição, produtos, serviços fornecidos pela
organização, resíduos e emissões. Assim, nota-se que os
indicadores operacionais podem ser apropriados para medir
o desempenho ambiental das operações de uma organização,
P
ara Hronec (1994), as medidas são “sinais vitais”
da organização que qualificam e quantificam o
modo como as atividades atingem suas metas.
A NBR ISO 14031 descreve duas categorias gerais de indicadores a serem considerados na condução da Avaliação de
Desempenho Ambiental: Indicador de Condição Ambiental (ICA) e o Indicador de Desempenho Ambiental (IDA),
o qual é classificado em dois tipos: Indicador de desempenho
gerencial e operacional.
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podendo ser agrupados com base nas entradas e saídas das
instalações físicas e equipamentos da organização.
Os demais exemplos de indicadores foram levantados a
partir de cartilhas, artigos, dissertações e teses que tiveram
como objetivo analisar indicadores de desempenho ambiental para monitorar os SGAs das empresas. Os indicadores
de desempenho ambiental gerencial e operacional foram
A
foram identificados em artigos e um indicador foi identificado a partir de uma dissertação.
Observa-se que os indicadores citados na NBR ISO 14031
e no artigo de Feem e Mattei (1998) são todos relacionais
a “números de” ou “grau de”. Diferente dos indicadores
apresentados por Pacheco (2001) e Demajorovic e Sanches
(1999), relacionados a índice, percentual e freqüência.
Percebe-se também, que não há um
consenso entre os indicadores apresentados por estas fontes, no que concerne
a este item de política ambiental. Observa-se, ainda, que estão, de alguma
forma, presentes nestes indicadores de
desempenho sobre política ambiental
preocupações com objetivos e metas,
com a comunidade, sindicatos, investimentos financeiros,
fornecedores, prestadores de serviços e requisitos ambientais
relacionados a descrições de trabalho.
Para o requisito “4.3.2 Requisitos legais e outros” foram
identificados quatorze indicadores de desempenho ambiental
gerencial, mostrados no Quadro 2. Deste total, quatro indicadores foram encontrados dentro da Cartilha FIESP-CIESP, que
identifica indicadores de desempenho ambiental da indústria.
A cartilha apresenta exemplos práticos de empresas que já utilizam estes indicadores para gerenciar seu SGA. Cinco indicadores foram identificados a partir de artigos e dois indicadores
em dissertação. Na tese de Campos (2001) também foram loca-
s empresas que não monitoram um conjunto
de indicadores de desempenho ambiental
podem não estar gerenciando sua performance.
distribuídos por requisito da norma NBR ISO 14001 com a
respectiva fonte, os quais estão ilustrados a seguir. Não foram
identificados indicadores apenas para três requisitos da norma: 4.4.4. Documentação; 4.4.5. Controle de documentos, e
para o requisito 4.5.4. Controle de registros, já que a utilização de indicadores para estes requisitos é menos relevante.
Para o primeiro requisito “4.2. Política ambiental” foram
identificados treze indicadores de desempenho ambiental
gerencial, mostrados no Quadro 1 a seguir. Destes, oito foram citados como exemplos de indicadores para Avaliação
do Desempenho Ambiental pela NBR ISO 14031, no item
implementação da Política e Programas. Quatro indicadores
Quadro 1: Indicadores identificados no requisito 4.2: Política ambiental.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
4.2 Política
ambiental
No de objetivos e metas atingidos
FONTE
No de unidades organizacionais atingindo os objetivos e metas ambientais
Grau de implementação de códigos de gestão e práticas de operação
No de iniciativas implementadas para prevenção da poluição
NBR ISO 14031 (2004)
Política e programas
No de níveis gerenciais com responsabilidades ambientais específicas
No de empregados que têm requisitos ambientais em suas descrições de trabalho
No de fornecedores e prestadores de serviço consultados sobre questões ambientais
No de prestadores de serviço contratados com SGA implementado ou certificado
No de fornecedores certificados com a norma ambiental
FEEM e MATTEI (1998)
Índice percentual de clientes satisfeitos com o desempenho ambiental
PACHECO (2001)
Percentual de atuação em responsabilidade ambiental
Freqüência de relacionamento com o sindicato e com a comunidade vizinha
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
Percentual de resultado total investido em ações ambientais
Fonte: Dados da pesquisa.
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lizados dois indicadores que podem ser usados para monitorar
este requisito da norma. Por fim, foi citado apenas um indicador
pela NBR ISO 14031 para este requisito.
No caso deste requisito, há uma série de observações a
serem feitas. Primeiro, o fato da NBR ISO 14031 apresentar
apenas um indicador, relacionado ao número de multas e
penalidades ou custos a elas atribuídos. Isto demonstra uma
visão bastante reducionista por parte da norma a respeito
deste requisito. Observa-se, ainda, no Quadro 2, que há indicadores que na forma como estão apresentados são de difícil
mensuração, como por exemplo: cumprimento da legislação
(TOCCHETTO, 2004) e recuperação de danos ambientais
(GASPARINI, 2003). Segundo Coral (2002, p.159) “... um
indicador muito complexo ou de difícil mensuração não é
adequado, pois o custo para sua obtenção pode inviabilizar
a sua operacionalização”.
Ainda com relação a este requisito de “requisitos legais
e outros”, nota-se também um certo consenso em torno
de indicadores relacionados a multas, infrações ou não
conformidades legais, queixas, parâmetros legais, licenças
e passivos, ou seja, todos relacionados a aspectos legais.
Observa-se ainda uma referência à certificação (no indicador “certificações ambientais obtidas”), um aspecto que não
é legal, mas sim normativo.
Na busca de indicadores para atender o requisito “4.3.3
Objetivos, metas e programas” foram identificados vinte
e quatro indicadores de desempenho ambiental gerencial,
dos quais treze indicadores estavam listados na NBR ISO
14031 nos itens implementação da política e programas e
relacionamento com a comunidade, mostrados no Quadro
3. Três indicadores foram encontrados dentro da Cartilha
FIESP-CIESP. Também foram localizados seis indicadores a
partir de artigos e dois indicadores em dissertações.
Observa-se, para este requisito, um número bastante
elevado de indicadores expressos somente pelo “número
de” (41,67% dos indicadores), sobretudo nos indicadores
apresentados pela NBR ISO 14031. Estes indicadores podem
não ser representativos, pois não estariam expressos em percentuais ou índices. Os cinco indicadores apresentados por
Bergamini (1999) e Pacheco (2001), por sua vez, parecem
ser os mais adequados sob o ponto de vista de mensuração
e qualidade da informação, pois trabalham com índices, índices percentuais ou total por tonelada produzida. Nota-se,
ainda, um consenso em torno de indicadores relacionados a
funcionários/empregados e produtos e/ou materiais.
Ao verificar indicadores para monitorar o requisito
“4.4.1 Recursos, funções, responsabilidades e autoridades”, foram identificados vinte indicadores de desempe-
Quadro 2: Indicadores identificados no requisito 4.3.2: Requisitos Legais e outros.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
FONTE
4.3.2 Requisitos
legais e outros
No de multas e penalidades ou os custos a elas atribuídos
NBR ISO 14031 (2004)
Cumprimento da legislação
TOCCHETTO (2004)
N de queixas relatadas do meio ambiente
FEEM e MATTEI (1998)
o
o
N de não conformidades legais registradas
CAMPOS (2001)
Parâmetros legais de descarte de efluentes exigidos pela legislação
Total de infrações e multas ambientais
GASPARINI (2003)
Recuperação de danos ambientais
Total do passivo ambiental da organização em sua comunidade
No de multas
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
No de acidentes ocorridos ao longo da trajetória da empresa
Extensão de áreas protegidas ou restauradas
Licenças ambientais obtidas
NATURA apud Cartilha
FIESP (2003)
Certificações ambientais obtidas
GRI/MEPI apud Cartilha
FIESP (2003)
Extensão de áreas da organização em áreas legalmente protegidas
NATURA apud Cartilha
FIESP (2003)
Fonte: Dados da pesquisa.
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nho ambiental gerencial, sendo que dez destes indicadores foram propostos por Gasparini na sua dissertação
(GASPARINI, 2003). Seis indicadores estavam listados
como exemplos na NBR ISO 14031 no item desempenho
financeiro. Foram localizados ainda quatro indicadores
em artigos. Todos estes indicadores estão apresentados
no Quadro 4, a seguir.
No caso deste requisito, de “Recursos, funções, responsabilidades e autoridades”, percebe-se uma grande quantidade
de indicadores (85%) relacionados a aspectos financeiros
(investimento, receita, custos, fundos e retorno). O que demonstra uma preponderância do aspecto financeiro, quando
se pensa em desempenho ambiental, para este requisito.
Nota-se, ainda, a presença de um indicador, apresentado por
Gasparini (2003), que pode ser considerado relevante, mas
de difícil mensuração, o indicador “desempenho ambiental
na cadeia produtiva”.
Para monitorar o requisito “4.4.2 Competência, treinamento e conscientização” foram identificados seis indicadores de desempenho ambiental gerencial. Três indicadores
estavam listados como exemplos na NBR ISO 14031, no
item relações com a comunidade, e três indicadores foram
identificados a partir de artigos. Estes indicadores estão
apresentados no Quadro 5.
Quadro 3: Indicadores identificados no requisito 4.3.3: Objetivos, metas e programas.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
4.3.3 Objetivos,
metas e
programas
No de empregados que participam em programas ambientais
FONTE
No de empregados que tenham recebido premiações e reconhecimento em comparação ao
número total de empregados que participaram do programa
No de empregados treinados x número que necessita treinamento
No de pessoas contratadas individuais treinadas
Níveis de conhecimentos obtidos pelos participantes de treinamentos
No de sugestões dos empregados para a melhoria ambiental
No de pesquisas com empregados sobre o seu conhecimento das questões
ambientais da organização
NBR ISO 14031
(2004)
Implementação da
Política e programas
No de produtos com plano explícito de “gestão de produtos”
No de produtos projetados para desmontagem, reciclagem ou reutilização
No de produtos com instrução relativa ao uso e disposição final ambientalmente segura
No de programas educacionais ambientais ou materiais fornecidos à comunidade
Recursos aplicados para apoiar os programas ambientais da comunidade
No de locais com programas de vida selvagem
Participação em programas de proteção ambiental
NBR ISO 14031
(2004)
Relacionamento com a
comunidade
Investimento em apoio a programas comunitários
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
No de Tecnologias Limpas
TOCCHETTO (2004)
Consumo de energia por empregado ou por valor adicionado
Emissão de CO2 por tonelada produzida
BERGAMINI (1999)
Total de resíduos por tonelada produzida
Índice percentual de sugestões para o SGA
Índice percentual de Programas de Gestão Ambiental implantados
PACHECO (2001)
Programas, metas e objetivos para a substituição de materiais
Programas, metas e objetivos para transportes relacionados com a organização
NATURA/GRI apud
Cartilha FIESP (2003)
Programas, metas e objetivos para a conservação da biodiversidade
Fonte: Dados da pesquisa.
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Percebe-se, para este requisito, que há um foco maior em
questões relacionadas a treinamento/atividades, pois dos seis
indicadores, três deles remetem-se a esta questão.
Com relação ao requisito “4.4.3 Comunicação”, também foram selecionados seis indicadores de desempenho ambiental gerencial. Quatro indicadores estavam
listados como exemplos na NBR ISO 14031, no item
relações com a comunidade, dois indicadores foram obtidos a partir de uma tese e um indicador de um artigo
científico. Os indicadores verificados são apresentados
no Quadro 6.
Observa-se, neste requisito, preocupação com aspectos ligados à comunidade (presentes em 2 indicadores), a clientes
(1 indicador) e à mídia (1 indicador). Dois dos indicadores
(um de Toccheto, 2004 e outro de Campos, 2001) são praticamente iguais. Um dos indicadores da NBR ISO 14031
não deixa claro o que exatamente está medindo, o indicador
“número de locais com relatórios ambientais”.
Para o requisito “4.4.7. Preparação e resposta a emergências” foram identificados seis indicadores de desempenho
ambiental gerencial, mostrados no Quadro 7, a seguir. Destes, quatro foram extraídos de um artigo e dois indicadores
foram listados como exemplos de indicadores para Avaliação
do Desempenho Ambiental pela NBR ISO 14031, no item
Conformidade.
Os indicadores apresentados no Quadro 7, demonstram
uma grande preocupação e consenso com questões relacionadas a riscos e emergências. Porém, os indicadores apre-
Quadro 4: Indicadores identificados no requisito 4.4.1: Recursos, funções, responsabilidades e autoridades.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
FONTE
4.4.1 Recursos,
funções,
responsabilidades,
autoridades
Investimentos em equipamentos de controle ambiental
BOOG e BIZZO (2003)
Investimentos relacionados ao meio ambiente
Percentual do investimento relacionado ao meio ambiente
FEEM e MATTEI,
(1998)
Gerentes com responsabilidade ambiental
Custos (operacional e de capital) que são associados com os aspectos
ambientais de um produto ou processo
Retorno sobre o investimento para projetos de melhoria ambiental
Economia obtida através da redução do uso dos recursos, da prevenção
de poluição ou da reciclagem de resíduos.
Receita de vendas atribuíveis a um novo produto ou subproduto projetado
para atender ao desempenho ambiental ou aos objetivos de projeto
NBR ISO 14031
(2004)
Desempenho
financeiro
Fundo para pesquisas e desenvolvimento aplicados a projetos com significância ambiental
Responsabilidade legal ambiental que pode ter um impacto material
na situação financeira da organização
Investimento em educação e treinamento ambiental
Investimento em projetos e programas de melhoria ambiental
Desempenho ambiental da cadeia produtiva
Investimento em ações compensatórias
Investimento na extração de matérias-primas
Investimento em atualização tecnológica
GASPARINI (2003)
Investimento em transporte e distribuição
Investimento em consumo
Investimento em reciclagem e reutilização
Investimento em eliminação
Fonte: Dados da pesquisa.
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sentados por Cunha e Junqueira (2004) não deixam claro de
que forma as mensurações serão feitas, relatando apenas os
aspectos a serem avaliados.
Ao verificar indicadores para monitorar o requisito “4.5.2
Avaliação dos requisitos legais e outros” foram identificados
cinco indicadores de desempenho ambiental gerencial,
mostrados no quadro a seguir. Dos cinco indicadores, três
foram listados como exemplos de indicadores para Avaliação
do Desempenho Ambiental pela NBR ISO 14031 no item
conformidade e dois foram identificados em artigos.
No caso deste Quadro 8, que contempla os indicadores
relacionados a avaliação de requisitos legais, percebe-se
Quadro 5: Indicadores identificados no requisito 4.4.2: Competência, treinamento e conscientização.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
Progresso nas atividades de remediação local
4.4.2
Competência,
treinamento e
conscientização
o
N de iniciativas locais de limpeza ou reciclagem, patrocinadas ou auto-implementadas
Índices de aprovação em pesquisas na comunidade
FONTE
NBR ISO 14031 (2004)
Relações com a
comunidade
Treinamento ambiental
TOCCHETTO (2004)
Atividades e treinamentos desenvolvidos no campo ambiental
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
Investimento em atividades para conscientização ambiental
Fonte: Dados da pesquisa.
Quadro 6: Indicadores identificados no requisito 4.4.3: Comunicação.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
FONTE
4.4.3
Comunicação
No de consultas ou comentários sobre questões relacionadas ao meio ambiente
No de locais com relatórios ambientais
NBR ISO 14031
(2004)
Relações com a
comunidade
No de reclamações da comunidade
TOCCHETTO (2004)
o
N de reportagens da imprensa sobre o desempenho ambiental da organização
No de reclamações relacionadas a algum aspecto ambiental feitas pela comunidade
Percentual de reclamações relacionadas a algum fator ambiental, feitas por algum visitante/cliente
CAMPOS (2001)
Fonte: Dados da pesquisa.
Quadro 7. Indicadores identificados no requisito 4.4.7: Preparação e resposta a emergências.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
4.4.7 Preparação
e resposta a
emergências
No de simulados de emergências realizados
Percentagem de simulados de preparação e respostas a emergências que
demonstraram a prontidão planejada
FONTE
NBR ISO 14031, (2004)
Conformidade
Planos de ação de emergência
Resposta a emergências
Plano de gerenciamento de riscos
CUNHA e JUNQUEIRA
(2004)
Comunicação de riscos
Fonte: Dados da pesquisa.
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que todos são indicadores de fácil mensuração, portanto
adequados para auxiliarem na gestão do desempenho de
um SGA.
Ao localizar indicadores para monitorar o requisito
“4.5.3 Não conformidade, ação corretiva e ação preventiva”
foram identificados apenas três indicadores de desempenho ambiental gerencial, dos quais
dois foram encontrados dentro da
Cartilha FIESP-CIESP e um na NBR
ISO 14031, no item conformidade.
Os indicadores verificados são mostrados no Quadro 9.
Nota-se que este requisito possui
o menor número de indicadores identificados na literatura
pesquisada, apesar de ser um item importante para a gestão
do desempenho de um SGA, pois trata das não conformidades e ações corretivas e preventivas do sistema. Dos três
indicadores listados, dois tratam do número de ações corretivas (NBR ISO 14031), um do número e tipo de incidências
de não cumprimento de padrões (ou seja, conformidades) e
um terceiro de número de penalidades. Interessante notar
que o primeiro indicador da NATURA/GRI possui aspecto
quantitativo além do qualitativo, quando se refere ao tipo
de incidência.
Para o requisito “4.3.1. Aspectos ambientais” foram
identificados oitenta e quatro indicadores de desempenho
ambiental operacional, mostrados no quadro 10. Deste
total, uma quantia relevante de indicadores (trinta e sete,
ou seja, 44% do total) foi citada como exemplo pela NBR
ISO 14031, nos seguintes itens de controle operacional:
U
m sistema de indicadores de desempenho deve
ser definido a partir da missão da organização
e das estratégias relacionadas com essa missão.
materiais; energia; serviço de apoio às operações da organização; resíduos e emissões. Outro número relevante de
indicadores (vinte e três) foi verificado dentro da Cartilha
FIESP-CIESP, a qual identifica indicadores de desempenho
ambiental da indústria. Os indicadores deste requisito
foram citados pelo GRI5 e pelas empresas Natura, MEPI6;
MAHLE7; que já utilizam os indicadores apresentados.
Também foram identificados quatorze indicadores de
desempenho operacional em artigos. Por fim, foram verificados ainda doze indicadores de desempenho ambiental
a partir de pesquisa em dissertações e teses.
Quadro 8: Indicadores identificados no requisito 4.5.2: Avaliação dos requisitos legais e outros.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
4.5.2 Avaliação
dos requisitos
legais e outros
Tempo para responder ou corrigir os incidentes ambientais
Grau de atendimento a regulamentos
Grau de atendimento dos prestadores de serviço com requisitos e expectativas pela
organização em contratos
FONTE
NBR ISO 14031 (2004)
Conformidade
No de relatórios impressos positivos e negativos das atividades ambientais da companhia
No de iniciativas do meio ambiente externo relatadas para suportar a companhia
FEEM e MATTEI (1998)
Fonte: Dados da pesquisa.
Quadro 9: Indicadores identificados no requisito 4.5.3: Não Conformidade (NC), Ação Corretiva (AC) e Ação Preventiva (AP).
Requisito ISO
14001
4.5.3 Não
Conformidade,
Ação Corretiva
e Ação
Preventiva
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO GERENCIAL
No de ações corretivas identificadas que foram encerradas ou não
No e tipo de incidências de não cumprimento dos padrões nacionais
ou internacionais vigentes
No de penalidades em caso de não conformidade com questões ambientais
FONTE
NBR ISO 14031 (2004)
Conformidade
NATURA/GRI apud
Cartilha FIESP (2003)
Fonte: Dados da pesquisa.
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Quadro 10: Indicadores identificados no requisito 4.3.1: Aspectos ambientais.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO OPERACIONAL
4.3.1 Aspectos
Ambientais
Quantidade de materiais usados por unidade de produto
Quantidade de materiais processados, reciclados ou reutilizados
FONTE
Quantidade de materiais de embalagem descartados ou reutilizados por unidade de produto
Quantidade de outros materiais auxiliares reciclados ou reutilizados
Quantidade de matéria-prima reutilizada no processo de produção
NBR ISO 14031
(2004)
Materiais
Quantidade de água por unidade de produto
Quantidade de água reutilizada
Quantidade de materiais perigosos usados no processo de produção
Quantidade de energia usada por ano ou por unidade do produto
Quantidade de energia usada por serviço ao cliente
Quantidade de cada tipo de energia usada
Quantidade de energia gerada com subprodutos ou correntes de processo
NBR ISO 14031
(2004)
Energia
Quantidade de unidades de energia economizadas devido a programas de conservação de energia
Quantidade de resíduos por ano ou por unidade de produto
Quantidade de resíduos perigosos, recicláveis ou reutilizáveis produzidos por ano
Quantidade de resíduos para disposição
Quantidade de resíduos armazenados no local
Quantidade de resíduos contratados por licenças
NBR ISO 14031
(2004)
Resíduos
Quantidade de resíduos convertidos em material reutilizáveis por ano
Quantidade de resíduos perigosos eliminados devido a substituição de material
Quantidade de emissões específicas por ano
Quantidade de emissões específicas por unidade de produto
Quantidade de energia desperdiçada, liberada para a atmosfera
Quantidade de emissões atmosféricas com potencial depleção da camada ozônio
Quantidade de emissões atmosféricas com potencial de mudança climática global
Quantidade de material específico descarregado por ano
Quantidade de material específico descarregado na água por unidade de produto
Quantidade de material destinado para aterro sanitário por unidade de produto
NBR ISO 14031
(2004)
Emissões
Quantidade de energia desperdiçada liberada para a água
Quantidade de efluentes por serviço ou cliente
Ruído medido em determinado local
Quantidade de radiação liberada
Quantidade de calor, vibração ou luz emitida
Quantidade de materiais perigosos usados por prestadores de serviços contratados
Quantidade de produtos de limpeza usados por prestadores de serviços contratados
Quantidade de materiais recicláveis e reutilizáveis usados pelos prestadores de serviços contratados
Quantidade ou tipo de resíduos gerados pelos prestadores de serviços contratados
NBR ISO 14031
(2004)
Serviço de apoio
às operações da
organização
Massa mensal de resíduos da classe I, II e III gerados
CUNHA (2001)
Massa mensal de resíduos reciclados em tonelada por tonelada de perfis produz
(continua)
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Reciclagem de resíduos
Consumo de matérias-primas
Geração de gases
Consumo de materiais de embalagens
TOCCHETTO (2004)
Geração de resíduos sólidos
Padrões físicos-químicos dos efluentes
Consumo de recursos não-renováveis
Geração de resíduos sólidos por unidade produzida
Geração de efluentes líquidos por unidade produzida
Consumo de energia por unidade produzida
Consumo de água por unidade produzida
GASPARINI (2003)
Consumo de matéria-prima por unidade produzida
Consumo de material reciclado ou reutilizado por unidade produzida
Volume total de efluentes líquidos
Volume total de efluentes líquidos industriais
Volume total de efluentes líquidos orgânicos
Volume de água reutilizado
NATURA apud Cartilha
FIESP (2003)
Volume de eletricidade auto-gerada
Volume de eletricidade adquirida
Volume dos resíduos retornados para o processamento ou recomercialização
Volume total de resíduos por tipo de material e destino
NATURA/GRI apud
Cartilha FIESP (2003)
Volume de resíduos utilizados por outras indústrias
Volume de resíduos utilizados por outras indústrias em toneladas ano
Quantidade de CO2 equivalentes
Consumo total de água
Volume total de resíduos
Consumo total de combustíveis
NATURA/GRI/ MEPI
apud Cartilha FIESP
(2003)
Consumo de materiais reciclados (pré e pós-consumo)
Consumo de materiais para embalagens
Consumo específico de energia
Sólidos em suspensão na atmosfera
No de emissões atmosféricas
No de emissões de poluentes
Percentual de toxicidade das matérias-primas
No de vazamentos de óleo nos efluentes
Percentual de consumo de óleo combustível, hidrogênio e gás natural
Índice de resíduos gerados por unidade produzida
Índice percentual de resíduos reciclados
BOOG e BIZZO (2003)
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
PACHECO (2001)
Efluente líquido contaminado por óleo sujo
Consumo de areia verde
Consumo de água industrial
Efluentes líquidos contaminados por óleo sujo
MAHLE apud Cartilha
FIESP (2003)
Lâmpadas com metal pesado / área de construção
Co-disposição de resíduo em aterro
Consumo total de energia
MEPI apud Cartilha
FIESP (2003)
Fonte: Dados da pesquisa.
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Analisando os indicadores do Quadro 10, percebe-se
que todos eles estão associados a aspectos ambientais,
como: materiais utilizados, energia, água, matéria-prima,
materiais perigosos, resíduos, emissões atmosféricas,
efluente, radiação, geração de calor, entre outros. Observase também que, neste requisito, os indicadores da NBR
14031 são de alguma forma repetidos nos demais trabalhos e representam uma coletânea bastante abrangente de
indicadores.
Para o requisito “4.4.6. Controle operacional” foram identificados vinte e dois indicadores de desempenho ambiental
operacional, mostrados no Quadro 11. Destes, a maioria
(treze) foi citada como exemplo pela NBR ISO 14031. Também foram identificados seis indicadores de desempenho
operacional em artigos. Por fim, foram localizados outros
três na tese de Campos (2001).
Através dos indicadores apresentados no Quadro 11,
nota-se que os indicadores da NBR ISO 14031 também são
abrangentes e que os demais indicadores, obtidos através de
artigos e teses, assemelham-se aos indicadores do Quadro
10, que representam os aspectos ambientais.
E, para o último requisito verificado “4.5.1. Monitoramento e medição” foram identificados vinte indicadores de
desempenho ambiental operacional, mostrados no Quadro
12, a seguir. Destes, a maioria também foi citada como exemplo pela NBR ISO 14031.
No caso destes indicadores, observa-se certa semelhança
entre os mesmos e alguns indicadores apresentados em
requisitos anteriores, como os requisitos de controle operacional e aspectos ambientais.
Quadro 11: Indicadores identificados no requisito 4.4.6: Controle operacional.
Requisito
ISO 14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO OPERACIONAL
4.4.6
No de partes de equipamentos com peças projetadas para fácil desmontagem, reciclagem e reutilização
Controle
No de horas por ano que uma peça específica do equipamento está em operação
operacional
No de situações de emergência (por exemplo: explosões) ou operações não rotineiras (por exemplo:
paradas operacionais) por ano
Área total de solo usada para fins de produção
Área de solo usada para produzir uma unidade de energia
Consumo médio de combustível da frota de veículos
FONTE
NBR ISO 14031
(2004)
Instalações
físicas e
equipamentos
o
N de veículos da frota com tecnologia para redução da poluição
No de horas de manutenção preventiva dos equipamentos/ano
Consumo médio de combustível da frota de veículos
o
N de carregamentos expedidos por meio de transporte por dia
No de veículos da frota com tecnologia para redução da poluição
Nº. de viagens a negócios por modo de transporte
NBR ISO 14031
(2004)
Fornecimento e
distribuição
Nº. de viagens de negócios economizadas em decorrência de outros meios de comunicação
Consumo de água mensal por pessoa
Consumo de energia elétrica por pessoa
CAMPOS (2001)
Percentual de resíduos gerados
Percentual de emissão de CO2 por unidade de produto produzido
Percentual de resíduos produzidos por recurso utilizado
Consumo específico de água e Recirculação da água
Riscos associados aos processos produtivos e de consumo
Produtos finais gerados na empresa que apresentam algum grau de toxicidade e risco
Produtos de maior risco
BERGAMINI
(1999)
BOOG e BIZZO
(2003)
DEMAJOROVIC
e SANCHES
(1999)
Fonte: Dados da pesquisa.
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando os cerca de 200 indicadores apresentados nos
12 Quadros, observa-se, em linhas gerais, um conjunto de
indicadores interessante e abrangente tanto para aspectos
relacionados ao desempenho operacional quanto para o desempenho gerencial. Porém, observa-se também que alguns
indicadores são vagos, ou de difícil mensuração. Muitos,
ainda, apesar de fontes diferentes, traduzem condições semelhantes, e outros, podem ser considerados redundantes nas
classificações apresentadas, como por exemplo, os indicadores apresentados para os requisitos de “controle ambiental”,
“aspectos ambientais” e “monitoramento e medição”, respectivamente, Quadros 10, 11 e 12.
Alguns indicadores, como destacamos nas observações
dos requisitos “política ambiental” e “objetivos, metas e
programas” (respectivamente quadros 1 e 3), referem-se
apenas a “números de”, ou seja, são indicadores absolutos, que não expressam uma comparação ou uma razão,
e, portanto, podem não estar apresentando informações
consistentes. Indicadores medidos através de porcentagens
ou índices, por exemplo, podem ser considerados mais adequados para avaliar o desempenho, pois expressam algum
tipo de relação.
Quanto aos indicadores de desempenho ambiental
identificados no estado da arte, é importante salientar que
estes não se limitam aos exemplos identificados, e convém
que não sejam entendidos como necessários nem mesmo
apropriados para todas as organizações. Como sugere a
própria norma NBR ISO 14031 (2004), as organizações,
suas políticas, objetivos e estruturas variam muito. Assim, cada organização deve selecionar indicadores que
reconheça como importantes para definir seus critérios de
desempenho ambiental.
Mas como estes indicadores podem ser estratégicos ou
parte da estratégia ambiental de uma organização? Uma
das alternativas é definir os indicadores de desempenho
ambiental alinhando-os à política, aos objetivos e as metas
Quadro 12: Indicadores identificados no requisito 4.5.1: Monitoramento e medição.
Requisito ISO
14001
NOME DOS INDICADORES
DE DESEMPENHO OPERACIONAL
4.5.1
Monitoramento
e Medição
No de produtos introduzidos no mercado com propriedades perigosas reduzidas
FONTE
No de produtos que podem ser reutilizados ou reciclados
Percentagem do conteúdo de um produto que pode ser reutilizado ou reciclado
Índice de produtos defeituosos
o
N de unidades de subprodutos gerados por unidade de produto
NBR ISO 14031
(2004)
Produtos
No de unidades de energia consumidas durante uso do produto
Duração do uso do produto
No de produtos com instrução referente ao uso e à disposição ambientalmente seguros
Quantidade de agentes de limpeza usados por metro quadrado
Quantidade de combustível consumido
Quantidade de licenças vendidas de processos melhorados
No de casos de incidentes de riscos de crédito ou insolvências relacionados a questões
ambientais (organizações financeiras)
NBR ISO 14031
(2004)
Serviços fornecidos
pela organização
Quantidade de materiais usados durante os serviços de pós-venda dos produtos
Total de energia elétrica
Volume de água consumido
CUNHA (2001)
Investimento em gás natural
Geração de energia elétrica na própria organização
Co-geração de vapor e energia elétrica por meio de combustão de gás natural
DEMAJOROVIC e
SANCHES (1999)
Investimentos em fontes de energia mais eficientes
Redução de emissão de poluentes gasosos e líquidos
Fonte: Dados da pesquisa.
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da organização. Desta forma, ter um sistema de indicadores de desempenho pode ser fundamental para melhorar
a eficiência e eficácia do SGA da empresa, no entanto,
faz-se necessário que a empresa tenha claro sua missão,
estratégias e fatores críticos de sucesso para definição e uso
freqüente destes indicadores.
NOTAS
1. Como os que ocorreram nas décadas de 1970 e 80: Chernobyl na União Soviética; Seveso na Itália; Bhopal na Índia
e Basiléia na Suíça. No Brasil, pode-se destacar: o vazamento
de um oleoduto em Vila Socó, Cubatão-SP; o descarrilamento e vazamento de um trem carregado de combustível
na Bahia; o vazamento de um reservatório de uma indústria
petroquímica no Rio de Janeiro; o derrame de cerca de 1,3
mil toneladas de óleo na Baía de Guanabara-RJ em 2000; e o
afundamento de uma balsa que despejou 1,8 milhão de litros
de óleo em Barbacena-PA (VATIMBELLA, 1992; VALLE,
1995; ALBERTON, 2003).
2. Dentre as principais destacam-se: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente em Estocolmo (1972),
a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da
Flora e Fauna ameaçadas de extinção (1975), o Protocolo
de Montreal (1987), a Rio ECO-92 (1992) e o Protocolo de
Kyoto (1997).
3. O conceito de Desenvolvimento Sustentável mais difundido diz que desenvolvimento sustentável é “aquele que
atende às necessidades do presente sem comprometer a
possibilidade de gerações futuras atenderem às suas próprias
necessidades” (CMMAD, 1988, p. 46).
4. Segundo esta norma, a avaliação do desempenho
ambiental é, ao mesmo tempo, um processo e uma ferramenta de gestão interna, planejada para prover o gerenciamento com informações confiáveis e verificáveis,
em base contínua, visando determinar se o desempenho
ambiental de uma organização está adequado aos critérios estabelecidos pela administração da organização. A
norma é aplicável a todas as organizações, independentemente do tipo, tamanho, localização e complexidade
(NBR ISO 14031, 2004).
5. GRI – Global Reporting Initiative
6. MEPI – Measuring the Environmental Performance of
Industry
7. MAHLE – Fábrica da MAHLE unidade Mogi-Guaçu
Artigo recebido em 26/03/2007
Aprovado para publicação em 03/06/2008
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SOBRE OS AUTORES
Lucila Maria de Souza Campos
Programa de Pós-Graduação em Administração e Turismo (PPGAT/UNIVALI)
End.: Servidão Canarinho, 317 – Rio Tavares – Florianópolis/SC – CEP 88.048-440
E-mails: [email protected] e [email protected]
Daiane Aparecida de Melo
Programa de Pós-Graduação em Administração e Turismo (PPGAT/UNIVALI) e SENAI Jaraguá do Sul
End.: Rua Patrício Antonio Teixeira, 317 – Jd. Carandaí – Biguaçu/SC – CEP 88.160-000
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