THE USE OF TOURISM TO CREATE SOCIAL AND SPATIAL REPRESENTATIONS OF DEVELOPMENT IN RECIFE/PERNAMBUCO: Perspectives of social inclusion or a social illusion, by touristic jobs? O USO DO TURISMO NA FORMAÇÃO DE REPRESENTAÇÕES SOCIOESPACIAIS DO DESENVOLVIMENTO EM RECIFE/PERNAMBUCO: Perspectivas de inclusão ou ilusão social, pelos empregos turísticos? Cláudio Jorge Moura de Castilho (Prof. Adjunto dos Programas de Graduação e Pós-Graduação em Geografia – Universidade Federal de Pernambuco; [email protected] e clá[email protected] – Doutor em Géographie, Aménagement du Territoire et Urbanisme) Abstract This article is an attempt to analyse the tourism as an ideologic mechanism used by social groups (low and upper classes at the same time) which contribute to create social and spatial representations, to keep the social reality without deep transformations. These representations are established based on positive ideas and images of spatial touristifications as an instrument for promoting the social and spatial development in Recife, by its role in the growth of touristic jobs in the city. However, in an urban space of an historic and geographic context based in underdevelopment conditions, never these kind of development can become true. Key words: The Use of Tourism, Spatial Touristification, Social and Spatial Representations, Social and Spatial Development Resumo Este artigo analisa o turismo como um mecanismo ideológico, utilizado por grupos sociais (ricos e pobres ao mesmo tempo), com vistas à formulação de representações socioespaciais que contribuem à manutenção da realidade vigente. Isto se faz mediante a propagação de idéias e imagens positivas da turistificação do espaço como uma atividade promotora do desenvolvimento em Recife, na medida em que dinamiza os empregos turísticos. Todavia, sob uma conjuntura histórico-geográfica marcada por uma realidade onde a pobreza e a miséria sempre estiveram fortemente presentes na paisagem urbana, a concretização do citado desenvolvimento nunca se realizará no Brasil. Palavras Chave: O Uso do Turismo, Turistificação do Espaço, Representações Socioespaciais, Desenvolvimento Socioespacial. 1. Para começar: qual é o sentido do turismo no mundo de hoje? Na fase contemporânea do processo de mundialização, cada lugar tenta integrarse ao mundo mediante a promoção de atividades de serviços. É nesse contexto que, tentando suprir a ausência do Estado desenvolvimentista, as instâncias locais do Estado brasileiro têm procurado elaborar estratégias de gestão objetivando preparar os seus respectivos lugares para se tornarem “pólos” dinâmicos de serviços dos quais se destacam os serviços turísticos. As atividades que dão suporte ao turismo, acham-se incluídas na categoria de serviços pessoais os quais fazem parte de uma rede composta de outros serviços que se destacam no “capitalismo informacional” (serviços à produção, serviços de distribuição e serviços sociais). Com a mundialização do turismo, diversificam-se e ampliam-se as possibilidades de integração de lugares com potencial para se tornarem destinos turísticos, contribuindo à expansão do espaço turístico mundial, inclusive no Brasil; país que também entra no mercado global do turismo. Mas em que medida vale a pena inserir lugares de regiões subdesenvolvidas no mercado global do turismo, sem se pensar nas possibilidades concretas de integração socioespacial dos seus moradores? As áreas costeiras tropicais ensolaradas do Nordeste constituem espaços potenciais para a expansão global dos negócios de interesse turístico (BECKER, 1995) como espaços de expansão e diversificação do capitalismo. As elites hegemônicas tentam criar estratégias espaciais para garantir a (re) integração do seu lugar à economia global. Recife, sozinho, não possui fortes potenciais para atender às demandas de turistas das regiões mais ricas do mundo; mas constitui o núcleo de uma importante área metropolitana onde existem atrações demandadas por aqueles turistas: muito sol, praias extensas, mares tépidos, rica gastronomia regional e fortes tradições histórico-culturais. Dessa maneira, Recife + aqueles lugares turísticos ligados a esta cidade, através de redes e fluxos socioespaciais estabelecidos ao longo do tempo, ressurgem com todo vigor, reforçando a retórica da mundialização, visto que esta se concretiza a partir dos fragmentos, das diferenciações e das heterogeneidades existentes em cada lugar. Faz-se mister lembrar que, na prática, o acesso aos investimentos diretos, que se encontram em disponibilidade, é bastante seletivo em todas as escalas de conceitualização, concentrando-se nos espaços que se organizam como lugares turísticos localizados nas metrópoles mais importantes do Nordeste. Daí a permanência de problemas como: exploração, pobreza, miséria, prostituição etc. A reflexão sobre a concentração dos investimentos apenas em alguns lugares suscitou programas de interiorização do turismo em outros lugares, a exemplo do Programa Nacional de Municipalização do Turismo/PNMT (1994/1995). Mas em que medida tais programas podem ser concretizados, sendo capazes de promover o desenvolvimento (socioespacial) dos municípios? Parece-nos que se repete, também no interior, o mesmo que ocorre nos grandes centros urbanos, ou seja, as prefeituras, sem alternativas permanentes em contexto de crise, lançam mão da retórica do turismo como um fator de promoção do desenvolvimento. Essa orientação global para todos os municípios brasileiros indistintamente, que os obriga a lançarem-se em busca de atrativos turísticos próprios para a conquista de segmentos de mercado, induz administradores e empresários locais a verem no turismo a solução decisiva para o rápido desenvolvimento socioeconômico [...], fazendo com que diminua o interesse pelas outras atividades econômicas que podem ser realizadas pelo município, ou por consórcios municipais, ou, em alguns casos, com ênfase maior na atividade turística, o que provoca uma superaceleração desta em detrimento das demais, prejudicando a própria sustentabilidade do desenvolvimento turístico. (BENI, 1999, p.82) Tem-se, pois, que apresentar às populações ali residentes alternativas que lhes façam vislumbrar perspectivas de desenvolvimento. Em Recife, nos anos 1990, nota-se claramente o compromisso de gestões urbanas com a promoção do turismo como a estratégia mais evidente para se chegar ao desenvolvimento. A partir da aproximação das relações do setor público com o privado, intensificam-se as experiências de revitalização de zonas histórico-simbólicas da cidade localizadas nos bairros históricos de Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista; busca-se incentivar o retorno de atividades ligadas ao lazer, entretenimento e comércio àqueles lugares, suscitando, também, um incipiente processo de “gentrificação” no âmbito da (re) localização e do consumo daqueles serviços por grupos sociais abastados; a elaboração de uma imagem positiva da cidade calcada no marketing “Recife Alto Astral” a fim de vendê-la para o mundo, atraindo investimentos diretos e turistas. Ao conjunto dessas experiências de urbanismo, com base no turismo como atividade motriz, chamamos de “turistificação”, la mise en tourisme (CAZES, 1996), ou seja, a qualificação de um espaço no sentido da sua transformação em um lugar para o desenvolvimento de atividades ligadas ao turismo. Os espaços que foram objeto dessa turistificação, aqueles que receberam investimentos públicos e privados, foram os mesmos de antes, beneficiando diretamente, através dos incentivos fiscais, apenas aqueles segmentos socioeconômicos da sociedade que já dispunham de capital para ampliar seus negócios. Nota-se também que não se concretizou uma sólida política de geração de emprego e renda para os pobres da cidade, deixando-os à deriva, apesar de se fazer projeções de integração, no plano do discurso do crescimento e da diversificação dos empregos ligados ao setor do turismo. É bastante comum, da parte dos homens políticos, dos administradores públicos e dos empresários, declarações do tipo “o turismo trará o desenvolvimento da cidade e aumentará o número de empregos diretos e indiretos” mediante os quais se criam representações socioespaciais as quais terminam influindo no cotidiano das pessoas, a partir da criação de atitudes e táticas de ação a fim de integrar-se à dinâmica urbana contemporânea. A gestão urbana continua, assim, a mesma. Seleciona-se espaços turistificáveis para a concentração de investimentos econômicos, o que se acha estreitamente ligado não somente à ação de um Estado neoliberal mas também às especificidades da organização histórico-espacial do Recife, núcleo de uma metrópole de região subdesenvolvida onde uma parcela enorme da sua população (+ de 48% em 1990 e 2000) é constituída de pobres. Ademais, vale ressaltar que, devido ao agravamento da crise socioeconômica brasileira, a sociedade local tem reivindicado a ampliação das possibilidades de empregos e/ou ocupações. Mas em que medida essas projeções se concretizam, ou constituem representações socioespaciais capazes de extrapolar os interesses de atenuar tensões sociais inerentes à “globalização perversa”. 2.O turismo ainda é uma saída para os pobres? Existem indivíduos que se acham inseridos numa atividade formal do mercado de trabalho urbano (os contratados), aqueles que ainda estão vivendo de táticas informais de ocupação, sem nenhum vínculo com o mercado formal, e aqueles que, pertencendo ao setor informal, mantêm alguns laços com o setor formal (os subcontratados e aqueles que executam ocupações ocasionais). Essa diversidade, no âmbito da vinculação ao mercado de trabalho, vai ser responsável pela heterogeneidade socioespacial dos pobres da cidade. A inserção no mercado de trabalho formal, desejada por todos, depende de uma série de redes sociais tecidas e estruturadas ao longo da história de vida de cada indivíduo, construindo um conjunto do que Sen (2000, p.54) chama entitlemens. Com efeito, esses entitlements constituem um privilégio de pouca gente, mormente numa metrópole onde a pobreza tem-se achado em processo de crescimento, de acordo com os dados mais recentes dos quais dispomos. Ademais, as crises socioeconômicas conjunturais vêm justapor-se à crise estrutural, marcada pelo desmonte do modelo fordista-keynesiano de desenvolvimento o qual não se fizera presente em Recife na sua plenitude. Apesar da cidade ter conhecido um pequeno esboço do que se chamou alhures “turismo fordista” (DONAIRE, 1998) com a sua forma espacial mais visível representada pela orla marítima dos bairros de Pina e Boa Viagem, expandindo-se ao sul pela orla da praia de Piedade, no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes, a cidade ainda não constitui um verdadeiro pólo turístico de massa, em comparação com os pólos de Rio de Janeiro e Salvador, por exemplo. Nos nossos dias, ocorre também que os serviços sociais inerentes à (re) produção social deixam de receber grandes atenções da parte do Estado o qual, à ausência de uma pressão mais forte dos movimentos sociais em processo de desmobilização social, deixa de cumprir com o seu papel de promover o bem-estar da sociedade. Nesse sentido, sobre que mecanismos as elites dirigentes poderiam se basear para manter a sua hegemonia? A solução estaria na requalificação de espaços para o investimento em serviços mediante a qual se promoveria a elaboração de representações socioespaciais, criando perspectivas para a geração de empregos, rendas e mesmo ocupações ocasionais? Como em praticamente todo o mundo, surge a perspectiva da promoção do turismo como atividade capaz de promover o desenvolvimento. Daí se organizam espaços para expandir, diversificar e modernizar atividades do turismo, tentando criar “pólos” turísticos para a atração de investimentos diretos. Concomitantemente, no plano do discurso sociopolítico, usam-se as obras realizadas nos espaços turistificados, como “sistemas de objetos” e fator de desenvolvimento da cidade. Segundo gestores desse processo, “à medida que Recife torna-se o maior pólo turístico do Nordeste, passa a receber grande quantidade de turistas os quais deixam muitos dólares na cidade, suscitando a geração de empregos e mesmo de ocupações para todos os excluídos”. Vale lembrar que, se nos anos 1980 havia posições que criticavam o turismo, hoje o turismo é defendido por todos, e sem exceção, fazendo parte da plataforma dos programas políticos governamentais; o que é bastante ressaltado nos períodos eleitorais. Nisso, os indivíduos pertencentes aos grupos sociais pobres sem perspectivas objetivas de integração socioespacial às atividades já existentes passam a ver na inserção da cidade ao mercado global do turismo uma saída para os seus problemas econômicos imediatos, o que nos faz pensar na globalização também como uma fábula, ou seja, “o mundo tal como nos fazem crer” (SANTOS, p.18, 2000) e não como ele é. Além disso, como a grande maioria das atividades de prestação de serviços constituem atividades mais flexíveis no que diz respeito à instalação de seus objetos no espaço e ao engajamento de pessoas, variando, desde o proprietário de uma pequena pensão, até ao subempregado, num hotel ou num restaurante, essas atividades tornam-se mais procuradas; o que se faz necessário em uma realidade onde, além da fraqueza do setor secundário, existe um permanente exército de trabalhadores de reserva. Podemos aventar a conjectura de um turismo que se desenvolve mais no plano do discurso político-ideológico do Estado, como panacéia para a resolução imediata da problemática socioeconômica da cidade, inserindo-a à economia global, do que no plano da sua concretização efetiva. Ademais, a lógica da gestão urbana continua pontual, não irradiando os seus efeitos de crescimento de modo consolidado para o seu entorno e fragmentando a organização socioespacial. Diante do exposto, Araújo (2000) adverte-nos para o fato que se continua a ter no Brasil um processo de desenvolvimento em pontos restritos do espaço os quais ela denomina focos de desenvolvimento. Estamos mais uma vez diante de uma criação de um discurso pragmático em que se apresenta o espaço como um pólo de desenvolvimento que não é; produzido através de uma estratégia fugaz de melhoria do seu aspecto urbanístico-paisagístico, mas que não irradiar os benefícios criados. Podemos compreender um pólo de desenvolvimento como um passo ao processo de concretização do desenvolvimento socioespacial. Com efeito, é pelo papel polarizador de um lugar que o turismo poderia constituir um fator de desenvolvimento socioespacial, induzindo, por sua vez, o desenvolvimento. Assim: pela base, o caráter contraditório desse processo [proposição por meio de medidas compensatórias que reproduz um desenvolvimento espacialmente desigual] ensejaria as possibilidades de desenvolver potencialidades locais não contempladas pelo nível de generalidades, que tende a ocorrer em decisões estratégicas. (BENEVIDES, 1999, p.33) Quanto à concepção de desenvolvimento, vale dizer que o simples crescimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento visto que a realidade não pode ser reduzida a apenas uma dimensão da vida humana. Assim sendo, preferimos adotar a expressão desenvolvimento socioespacial: como um processo de superação de problemas e conquista de condições (culturais, técnicotecnológicas, político-institucionais, espaço-territoriais) propiciadoras de maior felicidade individual e coletiva [exigindo] a consideração simultânea das diversas dimensões constituintes das relações sociais (cultura, economia, política) e, também, do espaço natural e social. É evidente que, desse ângulo de abordagem, o crescimento econômico e o progresso técnico são totalmente insuficientes como parâmetros definitórios (podendo, até mesmo, ser antes parte do problema que da solução: pense-se, por exemplo, no crescimento que se dá à custa de taxas ascendentes de degradação ambiental ou no progresso técnico que se faz acompanhar por desemprego tecnológico e exclusão). (SOUZA, 1999, p.19) Além do mais, o desenvolvimento de qualquer atividade humana precisa ser discutido com todos os habitantes e não apenas com uma minoria de privilegiados, ou seja, a gestão territorial dos recursos espaciais, sociais e culturais deve ser discutida com toda a sociedade, pois somente assim é que se pode vislumbrar a concretização de um desenvolvimento socioespacial o qual é sempre permanente. Convém lembrar que esta concretização, sob o contexto da globalização perversa, pode ser utopia. Porém, concordamos com Boaventura de Souza Santos quando diz que: A utopia é a expressão de novas possibilidades e vontades humanas, por via da oposição da imaginação à necessidade que existe, em nome de algo radicalmente melhor que a humanidade tem direito de desejar e porque merece a pena lutar.” (apud RODRIGUES, 1999, p.44) Além das especificidades histórico-espaciais locais, do forte processo de seleção social, da crise do Estado desenvolvimentista e da inconsistência da proposta de desenvolvimento pelo turismo, um outro entrave à concretização do desenvolvimento socioespacial em Recife é traduzido pelo baixo nível de organização e de mobilização dos indivíduos, não somente como agentes, mas como atores socioespaciais. Os indivíduos que se inserem no mercado de trabalho do turismo se definem mais como agentes do processo de turistificação do que como atores, visto que eles parecem apenas enquadrarem-se ao sistema sem influir nem mesmo nas decisões que lhes concernem. Segundo Touraine (1992), o ator é “l’individu ou le groupe qui modifie son environnement social, les relations dont il est un des termes” e o agente é “l’individu ou le groupe à travers lesquels se manifeste la logique du système”. 3. Turistificação do Espaço Urbano: estratégia ou miragem de desenvolvimento? Diante de todos os entraves acima levantados, podemos dizer que o turismo não constitui uma saída para os pobres e muito menos uma estratégia de desenvolvimento socioespacial. Tal como ele se concretiza, temos mais um mecanismo de crescimento econômico que leva apenas à atenuação de tensões sociais em decorrência das crises econômicas. Se, por um lado, não se investe em serviços sociais; por outro, procura-se melhorar o aspecto visível do espaço urbano e isto nos seus pontos mais estratégicos, engendrando condições à formulação de representações socioespaciais para a manutenção da realidade existente e, por sua vez, para a (re) legitimação das elites dirigentes locais. Acreditamos, portanto, que o turismo per se não pode ser colocado como a principal estratégia para a concretização do desenvolvimento socioespacial dos lugares na medida em que se trata de uma atividade voltada, sobretudo, para o encorajamento do consumo. Ademais, o perfil do turista que freqüenta Recife não se baseia em categorias profissionais de alta renda, predominando os estudantes, professores e assemelhados, de acordo com pesquisas feitas pela Sudene. Além do mais, grande parte da renda média dos turistas, de acordo com a mesma pesquisa, nunca ultrapassa os U$ 2 900. Por outro lado, o peso do turista nacional ainda é forte em relação ao internacional, o que coloca Recife na posição de um lugar de destino também de turistas domésticos; diferentemente do que almejam as elites locais que sempre procuram dar prioridade aos investimentos que atraiam, de preferência, turistas internacionais na perspectiva de que são estes que têm maiores condições de trazer os “dólares” tão sonhados pelo empresariado e pelos segmentos sociais que pensam que se integrarão ao setor formal da cidade mediante o turismo. O fato de sempre ter ocupado uma posição de destaque na região foi um fator que atraiu muitos visitantes. Por este motivo, Recife possui um considerável sistema de objetos a partir do qual se pode pensar na implantação de um pólo turístico: hotéis com capacidade para receber pessoas pertencentes aos diversos segmentos socioeconômicos do turismo nacional e internacional, um importante porto que se moderniza, uma malha viária em processo de ampliação e modernização ligando a cidade a outras áreas turísticas na metrópole e na região e um aeroporto (inter) nacional (CASTILHO, 1999). No momento em que as elites hegemônicas utilizam-se da turistificação do espaço para produzir imagens estereotipadas do lugar, elas o fazem visando à integração deste lugar à economia globalizada, passando muitas vezes por cima das especificidades locais. À medida que essa integração se concretiza, a globalização aprofunda ainda mais a seletividade dos lugares e, neste sentido, o turismo não passa de uma miragem para grande parte da sociedade local. De todo modo, o conjunto das ações acima referidas, vinculadas à promoção do turismo urbano, concretizadas em objetos e ações que trazem em si um conteúdo simbólico, contribuem para a formulação de representações socioespaciais mediante as quais os diversos segmentos sociais conseguem elaborar práticas de existência e, no caso de alguns poucos, desenvolver-se; o que, decerto, contribui para a continuidade da expansão do capitalismo tal como ele sempre foi. Diante do exposto, cabe lembrar, conforme Santos (1997, p.101-102), que, nos nossos dias: a ideologia não pode apenas ser vista em termos puramente subjetivos, como estando ‘toda apenas na cabeça’ dos outros, mas também a partir de sua realidade concreta, fatual. A ideologia produz símbolos, criados para fazer parte da vida real, e que freqüentemente tomam a forma de objetos. A ideologia é, ao mesmo tempo, um dado da essência e um dado da existência, neste fim de século XX. Ela está na estrutura do mundo e também nas coisas. Ela é um fator constitutivo da história do presente. A realidade inclui a ideologia e a ideologia é também real. A ideologia, outrora considerada como falsa, portanto não-real, de fato não é algo estranho à realidade, nem é aparência apenas. Ela é mais do que aparência, porque é real. [...] Desse modo, há objetos que já nascem como ideologia e como realidade ao mesmo tempo. É assim que eles se dão como indivíduos e que eles participam da realidade social. Nessas condições, a totalidade social é formada por mistos de ‘realidade’ e ‘ideologia’. É assim que a história se faz. Ademais, concordando com a idéia do espaço geográfico como um conjunto indissociável, solidário e contraditório de sistemas de objetos e ações (SANTOS, 1997), os quais não podem ser analisados separados uns dos outros, tentamos considerar a realidade na sua totalidade. Os sistemas de ações não se reduzem às ações dos grupos sociais dirigentes; mas referem-se também ao conjunto das ações dos demais agentes sociais que contribuem direta e/ou indiretamente para a produção do espaço urbano mediante a formulação das suas representações socioespaciais. As relações sociais produtoras do espaço urbano, pelo turismo, suscitam a formulação de representações socioespaciais mediante as quais os diversos segmentos da sociedade, envolvidos com a dinâmica espacial esboçada, criam expectativas de vida e se orientam visando à sua integração ao contexto da globalização do turismo. Mas tal integração cria representações tanto para fazer permanecer, como para mudar as relações sociais existentes. As representações sociais constituem um: corpus organizado de conhecimentos e uma das atividades psíquicas graças às quais os homens tornam inteligível a realidade física e social, inserem-se num grupo ou numa ligação cotidiana de trocas, e liberam os poderes de sua imaginação. (MOSCOVICI, 1978, p.28) As representações sociais referem-se ao conhecimento específico, às imagens, às idéias e aos valores produzidos pelos homens na sua vida social, que lhes permitem comunicar-se e (re) interpretar o espaço cotidiano no qual se comunicam e atuam. Seria muito mais pertinente executar ações à qualificação de indivíduos-cidadãos para obterem condições iguais de participação; pois somente assim é que, não somente o turismo, como também qualquer outra atividade que se fixe na cidade, poderá ser fator de desenvolvimento. 4. Representações Socioespaciais: Perspectivas de Permanência ou Mudança Social Segundo Moscovici (1991), por natureza, as representações são ancoradas, interiorizadas e não inculcadas, em redes de interações mentais; na medida em que conhecimentos, valores, imagens e linguagens são modelados no curso de um processo de comunicação em que cada um produz representações para utilizá-las e utilizam-nas para produzi-las no curso de uma troca contínua e inacabada. As representações criadas pelas elites hegemônicas em Recife tentam orientar o crescimento da atividade turística visando à obtenção da sua própria (re) legitimação no poder: “Cidade Estratégica”, “Cidade Competitiva”, “Cidade Alto Astral”, “Pólo Turístico” as quais têm como meta a formação de uma identidade legitimadora, “no intuito de expandir e racionalizar sua dominação [das elites] em relação aos atores sociais”. (CASTELLS, 1999b, p.24) Contudo, será que nos níveis locais do mundo atual não há tentativas de criação e/ou esboços de identidades legitimadoras? Até mesmo porque a globalização acontece mediante os lugares que se qualificam para tornarem-se um espaço da globalização. Os pobres interiorizam cognitivamente o discurso das elites no poder, estabelecem condutas para integrarem-se à dinâmica do turismo, reforçando aquelas identidades. Daí se tentam criar táticas e/ou estratégias de ação para a sua integração pelo turismo. Eles acreditam no turismo como possibilidade, sem, todavia, questionar em que medida a sua integração se dará de fato. As representações sociais não são: meros enunciados sobre a realidade, mas teorias sociais práticas sobre objectos [sic] relevantes na vida dos grupos. Enquanto teorias são organizações de crenças, atitudes, e explicações; enquanto teorias sociais, são produzidas no quadro das comunicações quotidianas suscitadas pelas identidades sociais [...] o conceito de representação social ganhará em clareza se restringido às representações sociais cujo sujeito é um grupo social e se associado aos processos de produção de sentido enquanto decorrentes das interacções no interior de grupos e da lógica das relações intergrupais. (VALA, p.151) . Enquanto conceito mediador da identidade do sujeito coletivo e do conjunto de idéias norteadoras da sua ação, as representações cumprem com a função de alinhavar o micro com o macro. Elas estão na esfera do cotidiano e norteiam as ações do sujeito e as estruturas psicomentais impulsionadoras dos passos da sociedade. A representação social, segundo Lipiansky (1991), possui uma natureza discursiva que se expressa por comportamentos e condutas. Possuindo uma função prático-social de figuração do mundo, de comunicação, de interpretação e de orientação das condutas, elas contribuem, num nível simbólico, à integração dos indivíduos a esta ordem e à instalação de uma coesão grupal. Isso ocorreu quando os recifenses aceitam o discurso do turismo como fator de desenvolvimento. Jodelet (1991) diz que as instâncias e os meios institucionais, as redes de comunicação midiáticas ou informais intervêm na sua elaboração, fazendo o caminho do processo de influência, e até mesmo de manipulação social: “o turismo está mudando a cidade [com a revitalização], isto é bom para nós”; “o turismo gera emprego e renda para todos”. A representação é um elemento integrado a um sistema de idéias especulativas, práticas e políticas no interior do qual ela representa uma força de organização e de correspondência; possuindo propriedades funcionais específicas tais como organização do real, orientação das condutas desejáveis/permitidas e das comunicações contribuindo para a interpretação e o façonnement do real – do espaço. Devemos, assim, considerar a contribuição da geografia cujas preocupações estão voltadas para o papel do espaço no processo da construção de representações sociais. Miossec (1977, p.55) considerou o espaço turístico, antes de tudo, como uma imagem (global, atual e tradicional) que os turistas e os organizadores de excursão fazem dele. Convém ressaltar a esse respeito que a imagem, como nos lembra Amerio (1991), constitui uma das três dimensões da representação social: a imagem evocada pelo objeto, a idéia que se acopla à imagem e o próprio objeto. Consideramos, também, a formação de uma imagem redentora (CASTILHO, 1999), justamente aquela que é interiorizada pelos indivíduos com vistas à inserção no circuito do capital (empresários) e no mercado de trabalho (trabalhadores). Numa rede de relações, cada indivíduo desenvolve suas próprias representações do seu meio de vida as quais lhes permitem imaginar e praticar seu mundo. Este espaço mental, progressivamente formado e deformado pelos nossos sentidos, no curso do aprendizado da vida, alarga-se e complexifica-se antes de se estreitar, aprofundando-se com o tempo. (BAILLY et al, 1995, p.42) No momento de cada deslocamento espacial, cada indivíduo situa seu objetivo em função do seu conhecimento da cidade, das significações sociais, culturais e territoriais que lhe atribuem. Cada espaço percorrido contém símbolos, sentidos e valores. A partir dos seus deslocamentos cotidianos, os indivíduos apropriam-se subjetivamente da organização espacial calcada na turistificação de lugares, vislumbrando perspectivas de mudança, mediante a criação de atitudes, calculando o melhor lugar para instalar um pequeno negócio, apreender formas de comportamento na sociedade contemporânea, bem como captar as opções para obterem uma qualificação mediante a qual possam inserir-se no mercado de trabalho (CASTILHO, 1999). Os discursos dos políticos e dos empresários contêm os símbolos e as representações atrelados às imagens espaciais do turismo, contribuindo à criação de expectativas positivas, sobretudo aos indivíduos que esperam a sua integração. A partir dessas expectativas, estes indivíduos se orientam e criam táticas de ação para conquistarem o seu lugar. Para os pobres, as mudanças ocorridas no espaço, baseadas no turismo, indicam que a Prefeitura faz o que pode para criar empregos. Por isso, eles procuram, sempre que dispõe de tempo e dinheiro, fazer um curso de “qualificação” para uma atividade ligada ao turismo a fim de esperarem uma oportunidade para integrarem-se a essa dinâmica. Por isso, adotamos a expressão representações socioespaciais, dando ênfase simultaneamente às duas dimensões da representação que os homens formulam ao longo da sua existência. Caberia ainda aqui lembrar que, no Brasil, devemos sempre pensar na emergência de uma organização espacial visando à retomada do lento processo de construção de um espaço para os cidadãos (SANTOS, 1987) visto que, somente como cidadãos, os indivíduos, enquanto indivíduos e não meros consumidores terão condições de alcançar a sua mudança simultânea de status social e espacial. Não se pode, portanto, priorizar as reformas urbanístico-paisagísticas e o crescimento de atividades econômicas mediante o discurso baseado nos “efeitos multiplicadores” do turismo como uma atividade que mecanicamente gera ocupações, sem se refletir sobre que tipos de ocupações ela é capaz de gerar (empregos ou simplesmente ocupações ocasionais?) e sobre a relevância das medidas empreendidas para a sociedade como um todo. Segundo Ascher (apud CAZES, 1992), não é o turismo per se que promove o desenvolvimento de uma região subdesenvolvida. Pensar em desenvolvimento é pensar na sociedade como um todo. Na medida em que o turismo, em vez de simplesmente se ajustar a uma realidade marcada por heteronomia, disparidade e preconceitos (eventualmente até agravando esses problemas), contribuir, de algum modo, para minorar esse quadro, ele estará, sem ressalvas, sendo um fator de desenvolvimento socioespacial (SOUZA, op. cit, p.21) (itálicos no original) Como a lógica do crescimento urbano em Recife sempre foi seletiva e excludente, delimitando áreas no interior do seu espaço – o centro histórico-tradicional, a ilha do Recife e o “novo” centro, o bairro de Boa Viagem – para atrair investimentos, apenas alguns lugares são beneficiados, continuando a grande maioria alijada formalmente do processo. A distribuição espacial dos fixos ligados ao turismo, onde existe a possibilidade de engajar pessoas pertencentes aos grupos sociais mais pobres da cidade, acha-se bastante concentrada nesses dois setores da cidade (CASTILHO, 1999). É a partir dos lugares turistificados que se constroem representações. O conjunto de mudanças que ocorrem em Recife suscita a formulação de representações mediante as quais os pobres também vislumbram a possibilidade de mudar de status socioespacial. A representação constitui nesse sentido uma perspectiva de abandono das condições da pobreza, apesar dos entraves inerentes às condições sociais. Existem instituições que oferecem cursos de preparação de pessoas às funções executadas naqueles equipamentos. Os cursos de garçom, cozinheiro, mensageiro, copeiro, “agente” de viagem, secretário, língua estrangeira e computação são os mais procurados pelos pobres porque são os mais acessíveis às suas condições de existência. Um outro fator que continua a desempenhar um papel importante para o engajamento de pessoas no mercado de trabalho formal é a aproximação dos indivíduos com relação à localização das atividades de interesse turístico. A preocupação maior dos principais agentes vinculados ao turismo traduz-se mais pela sua inserção à economia urbana existente do que pela sua mudança, o que se deve às especificidades históricas inerentes ao subdesenvolvimento do país. Um outro aspecto importante acerca das representações é que, segundo Amerio (1991), longe de apresentar apenas um reductional aspect; apresenta também um aspecto de possibilidade, calcado nas condições sociomateriais de existência, para a transformação da sociedade, afastando-se da perspectiva única da produção de garantias ideológicas das condutas ou das abstinências prescritas para legitimar essas mesmas prescrições bem como as estruturas que as suportam e que as engendram. Amerio coloca duas questões pertinentes, mormente num contexto conjuntural e estrutural de metrópole subdesenvolvida: qual é a realidade que cria as representações sociais? e quem verdadeiramente as cria? Referindo-se à primeira, achamo-nos num sistema de classes e de papéis ou num sistema de recursos materiais e simbólicos que nos tornam desiguais, litando o produto das representações sociais. Daí, segundo nós, temos um turismo: limitado, concentrado, dual e polarizado. Quanto à segunda questão, ele indaga se é o diálogo formal cotidiano ou as agências de formação de idéias que agem através da difusão, propagação, propaganda que as criam. Mas, a despeito de todas as dificuldades enfrentadas pelos agentes sociais, será que não há práticas de resistência à globalização perversa que apontem uma superação da realidade social existente? Será que as diversas práticas de caráter inovador que se esboçam contemporaneamente na cidade não possuem condições de elaborar o que Castells (1999b, p.24) chama identidade de resistência e identidade de projeto? 5. Conclusão Os questionamentos acima esboçados fazem-nos confirmar que o turismo em Recife atende muito mais aos interesses ideológicos de “ordens distantes”, através da difusão do discurso estratégico das classes sociais hegemônicas locais vinculadas à globalização do que aos interesses do conjunto da sociedade local. É evidente que o turismo elabora representações que engendram modificações no âmbito da organização do espaço urbano, repercutindo nos mercados da qualificação e do trabalho, aumentando as esperanças de mobilidade social para muitos segmentos da sociedade. Porém, à medida que se concretiza, seguindo uma lógica seletiva e excludente, nunca o turismo conseguirá concretizar o desenvolvimento socioespacial. Nota-se, em contrapartida, a concretização de um modelo de turismo de enclave, polarizado e pontual, o qual se traduz por uma organização socioespacial fragmentada e desigual. O caso de Recife mostra que a estratégia de “urbanização turística” tem reforçado ainda mais a estrutura socioespacial historicamente desigual da cidade como um todo, o que é próprio de uma realidade espacial de região subdesenvolvida. Podemos falar que houve melhorias de cunho paisagístico, urbanístico e funcional, mormente em poucos lugares da cidade. Mas somente alguns segmentos da sociedade local (empresários e trabalhadores que dispõem de entitlements) tiveram acesso aos benefícios engendrados pela dinâmica urbana contemporânea. A grande maioria da sociedade continua alijada dessa dinâmica. Sendo assim, em que medida poderemos falar que o turismo promove o desenvolvimento socioespacial? Sequer ele promove o desenvolvimento urbano propalado pelas elites. No que tange aos pobres da cidade, não encontramos nenhum que tenha alcançado a sua mobilidade socioespacial, ou seja, a mudança de status social e espacial. Por outro lado, há indivíduos que, por meio da sua inserção no mercado de trabalho formal, tiveram um melhoramento das suas condições objetivas de vida e ponto. O turismo como mecanismo de desenvolvimento em Recife, parece estar presente mais no plano do discurso dos administradores “públicos”, políticos, empresários e segmentos mais desfavorecidos da sociedade urbana; do que no das reais possibilidades de mudança social. Com isso, o discurso do turismo faz-se eficaz à medida que formula representações socioespaciais mediante as quais a sociedade assimila, aceita, crê e cria atitudes a fim de conseguir mudar de vida sem, porém, questionar as “fórmulas de vida” que lhes são apresentadas. Nisso mantém-se o atual modelo da sociedade capitalista, uma herança histórica da formação urbana brasileira. Referências AMERIO, Piero. Idées, sujets et conditions sociales d’existence. in: AEBISCHER, V. et al. Idéologie et représentations sociales. Cousset: Del Val, 1991. ARAUJO, Tânia Bacelar de. 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