PERSPECTIVAS PARA A ELABORAÇÃO DE PLANOS MUNICIPAIS DE TURISMO: O CASO DE CORUMBÁ/MS Milton Mariani Professor e Coordenador do Curso de Turismo da Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande, MS. O turismo é um fenômeno social e econômico de consid erável importância no desenvolvimento da sociedade, entre outras coisas pelas grandes quantidades de pessoas que dele participam e por sua ampla distribuição geográfica. A cidade de Corumbá, abriga a maior concentração de hotéis na região e conta com agênc ias de turismo especializadas que oferecem tours pelo centro histórico da cidade e rápidos roteiros fluviais a locais de características turísticas ambientais relevantes. A atividade de pesca também é fortemente representada pela presença de embarcações de barcos-hotéis que navegam pelas águas do rio Paraguai. O planejamento turístico é um processo racional de tomada de decisões, que implica uma reflexão sobre as condições e repercussões econômicas, sociais, culturais, políticas e ecológicas de um território; e, a o mesmo tempo, pensar as bases para ações futuras na esfera do turismo com propósito de estabelecer critérios, normas e programas de desenvolvimento sustentável. Para a elaboração de Planos Municipais de Turismo o conceito de desenvolvimento sustentável foi de fundamental importância para as reflexões, tendo como base o documento publicado em 1987 pela Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas sobre a relação desenvolvimento/meio ambiente e as perspectivas do planeta em face dos dilemas desse binômio, alertando para a necessidade de as nações se unirem na busca de alternativas aos rumos do desenvolvimento econômico vigente, de modo a evitar a degradação ambiental e social planetária. Afirma esse relatório que o crescimento econômico sem melhoria da qualidade de vida das sociedades não poderia ser considerado desenvolvimento. No entanto, o referido relatório reconhece ser possível às nações alcançarem altos níveis de desenvolvimento sem com isso destruir os recursos naturais, conciliando crescimento econômico e conservação ambiental. Desenvolvimento sustentável deve, portanto, significar desenvolvimento social e econômico estável e equilibrado, com mecanismos de distribuição das riquezas geradas e com capacidade de considerar a fragilidade, a interdependência e as escalas de tempo próprias e específicas dos elementos naturais. Significa, ainda, gerar riquezas utilizando os recursos naturais de modo sustentável e respeitar a capacidade de recuperação e recomposição desses recursos, criando mecanismos que permitam o acesso a esses recursos por toda a sociedade. Viabilizar esse conceito na prática implica mudança de comportamento pessoal e social, além de transformações nos processos de produção e de consumo. Para tanto, faz-se necessário o desencadeamento de um processo de discussão e comprometimento de toda a sociedade. Essas características tornam, ainda hoje, o desenvolvimento sustentável um processo a ser implementado. 1 O conceito de sustentabilidade está associado à capacidade de recomposição e regeneração dos ecossistemas. No entanto, a exigência de inserção desse conceito em outros aspectos das relações sociais e do ser humano com a natureza fez com que alguns teóricos passassem a conceituar distintas dimensões desse conceito. Entre essas diferentes dimensões, destacam-se aquelas desenvolvidas por GUIMARÃES (1994) e por SACHS (1993), cujos enunciados são apresentados a seguir: Sustentabilidade ecológica – refere-se à base física do processo de crescimento e tem como objetivo a manutenção de estoques de capital natural, incorporados às atividades produtivas. Sustentabilidade ambiental – refere-se à manutenção da capacidade de sustentação dos ecossistemas, o que implica a capacidade de absorção e recomposição dos ecossistemas em face das agressões antrópicas. Sustentabilidade social – refere-se ao desenvolvimento e tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida da população. Para o caso de países com problemas de desigualdade e de exclusão social, implica a adoção de políticas distributivas e a universalização de atendimento a questões como saúde, educação, habitação e seguridade social. Sustentabilidade política – refere-se ao processo de construção da cidadania para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao processo de desenvolvimento. Sustentabilidade econômica – refere-se a uma gestão eficiente dos recursos em geral e caracteriza-se pela regularidade de fluxos do investimento público e privado. Implica a avaliação da eficiência por processos macrossociais. A temática abordada conduz a uma inequívoca tendência de privilegiar as dimensões ecológica e ambiental da sustentabilidade. Nesse particular, é necessário aprofundar e detalhar esses conceitos, de forma a torná- los referências consistentes às discussões que se seguirão. Nesse sentido, deve-se reconhecer que há evidentes dificuldades na determinação do limite de sustentabilidade de cada recurso, principalmente ao serem consideradas as inter-relações e as sinergias estabelecidas em suas respectivas cadeias reprodutivas e as pressões antrópicas a que esses recursos estão sujeitos. O conceito de gestão ambiental é entendido aqui como o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações e procedimentos para proteger a integridade dos meios físico e biótico, bem como a dos grupos sociais que deles dependem. Suas atividades envolvem o monitoramento, o controle e a fiscalização do uso dos recursos naturais, bem como o processo de estudo, a avaliação, o licenciamento de atividades potencialmente poluidoras, a normatização de atividades, a definição de parâmetros físicos, biológicos e químicos dos elementos naturais a serem monitorados, assim como os limites de sua exploração; e as condições de atendimento dos requerimentos ambientais em geral. A gestão dos recursos naturais é entendida como uma particularidade da gestão ambiental, preocupa-se em especial com o conjunto de princípios, estratégias e diretrizes de ações determinadas e conceituadas pelos agentes sociais e econômicos, públicos e privados, que interagem no processo de uso dos recursos naturais, garantindo- lhes sustentabilidade. A Seção II da Agenda 21, que se refere aos recursos naturais, estabelece a necessidade de desenvolvimento de abordagem integrada de planejamento e gerenciamento dos recursos naturais para minimizar os impactos gerados pelas ações antrópicas e garantir o uso e a conservação desses recursos. Para desenvolver esse tipo de gestão, propõe mecanismos que vão desde o fortalecimento de instrumentos legais e 2 institucionais até o comprometimento de recursos financeiros e humanos, assim como o reforço aos sistemas de pesquisa e informações. Gestão integrada dos recursos naturais consiste no estabelecimento de um conjunto de ações de natureza administrativa, em um determinado espaço ou unidade de planejamento, que considere as inter-relações entre os recursos naturais e as atividades socioeconômicas. Para o exercício efetivo de uma gestão sustentável da atividade turística se faz necessário o estabelecimento de diretrizes que se espelhem em ações e instrumentos que permitam atingir condições que assegurem o uso e a sustentabilidade desses recursos para o desenvolvimento do turismo sustentável. Para um estudo desta natureza, os conceitos básicos aqui empreendidos são: espaço, território, lugar, turismo e desenvolvimento local. Para se fazer um estudo desta natureza será necessário entender a abordagem geográfica do turismo nestes últimos anos. Para isso, a leitura da obra Milton Santos contribuirá no sentido de que o autor analisa a correspondência entre os elementos do espaço e as bases do turismo. Para Santos (1985, p.6), os elementos do espaço são “os homens, as firmas, as instituições, o chamado meio ecológico e as infra-estruturas”. Fazendo o exercício de comparação, os lugares visitados correspondem ao meio ecológico ou à base física do trabalho turístico, com as estruturas de acesso, de apoio e de suporte, que inclui toda a infra-estrutura: transporte, comunicação, hotéis, serviços, segurança e saúde. O homem é o elemento que corresponde à demanda turística e às comunidades receptoras. As firmas são os componentes que correspondem a todas as empresas de serviços e recreação. As instituições são os sistemas que correspondem às normas, às ordens, às leis que regem o turismo. Em Corumbá, fazer este exercício de correspondência exigirá paciência e perseverança, tendo em vista que os elementos do espaço e as bases do turismo vivem em profundas divergências. A atividade turística concorre, no processo de transformação dos territórios, para e por seu uso, bem como com formações sócioespaciais precedentes a sua existência. Apesar desses confrontamentos, a força do turismo é dada por sua capacidade “de criar, de transformar e, inclusive, de valorizar, diferencialmente, espaços que podiam não ter valor no contexto da lógica de produção” (NICOLÁS, 1996, p. 96). O processo de transformação de determinado espaço, em território turístico (KNAFOU, 1996), requer a readequação desse espaço à sua nova funcionalização, ou seja, à nova especialização que lhe é outorgada (NICOLÁS, 1996) . Essa readequação significa, do ponto de vista de uma análise espacial, a criação de um sistema de objetos que dê familiaridade ao novo sistema de ações trazido pela demanda social do turismo (LUCHIARI, 1998). O conceito de território corresponde a frações funcionais (SANTOS, 1997) do espaço. Corresponde ao espaço funcionalizado, apropriado por determinados atores sociais que fazem sentir suas influências num dado momento histórico. Quando se fala de turismo, é preciso ter em mente que está se tratando, de um lado, de uma parcela da população mundial que reúne condições (materiais e imateriais, como recursos financeiros e tempo livre de trabalho) necessárias para o fazer turístico e, de outro, de determinadas porções do espaço eleitas pelo fazer turístico. Uma grande quantidade de pessoas e de lugares no mundo não faz parte do mundo do turismo. O fenômeno do turismo vem assumindo grande importância, desde meados deste século, e seu incremento define incidências espaciais que se tornam objetos das mais diferentes análises, segundo interesses daqueles que procuram investigá- las. Rodrigues 3 (1992, p.72) afirma que: “face a sua complexidade, o turismo deve ser abordado em âmbito multidisciplinar, particularmente pelo conjunto das Ciências Sociais”. Pelo fato do fenômeno do turismo ser um ramo recente e objeto de estudo de muitas ciências, é de fundamental importância analisar as diversas idéias que pairam a respeito deste tema. No início do século, no ano de 1905, NICOLÁS (1996, p.49) afirmava que: [...] El turismo, en sentido moderno, es un fenómeno de nuestro tiempo que se explica por la necesidad crescient de descanso y de cambio de aires, por la aparición y desarollo del gusto por la belleza del paisaje, por la satisfacción y el bienestar que se obtinen de la natureza virgen, pero, muy especialmente, por las crecientes relaciones entre pueblos diferentes, por el aumento de empresas a que da lugar el desarollo del comércio, las industrias y las profesiones y por el perfeccionamiento de los medios de transportes. O turismo era uma atividade aristocrática desde o século XIX. É a criação do turismo de massa que o popularizou, criação esta ligada às transformações no mundo do trabalho – o surgimento de férias remuneradas e a diminuição da jornada de trabalho -, ao processo de urbanização e à melhoria dos meios de transportes. Segundo URRY (1996, p.33-4): O crescimento de um turismo como se representa uma democratização da viagem. Já vimos que a viagem sempre foi socialmente seletiva. Estava à disposição de uma elite relativamente limitada e era indicativa de “status” social. No entanto, na Segunda metade do século XIX, ocorreu um amplo desenvolvimento da viagem de massa por trem. As distinções de “status” passaram a ser traçadas entre diferentes classes de viajantes, porém menos entre aqueles que tinham condições e aqueles que não tinham condições de viajar. (...) o carro e o avião democratizaram ainda mais o deslocamento geográfico. A Organização dos Estados Americanos – OEA define o turismo como “um movimento migratório até o limite máximo de noventa dias, seja internacional ou nacional, sem propósito de nova permanência e sem exercício de uma atividade remunerada, com objetivo: prazer, comercial, industrial, cultural, artístico ou científico” (RABAHY,1980, p. 11). Para a OEA, o turista é um migrante. DE LA TORRE (1992, p. 19) afirmou que turismo é: [...] Um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas interrelações de importância social, econômica e cultural. Alguns autores destacam um ponto básico no conceito, que é a possibilidade de uso do tempo livre para viagem. Neste sentido, MOLINA e ABITIA (1987, p.23) 4 apontaram que o “turismo não é um produto, bem ou serviço, é sim uma atitude frente às possibilidades de utilização de tempo livre, só existindo quando são dados os elementos que o compõem: natureza, cultura, hospedagem e transporte”. Outros autores centram a definição de turismo nas circunstâncias que o condicionam, admitindo suas vantagens e desvantagens. Este é o caso de FUSTER (1974, p.26), que definiu turismo como “um conjunto de organizações privadas ou públicas que surgem para fomentar a infra-estrutura e a expansão do núcleo, as campanhas de propaganda, com efeitos negativos ou positivos nas populações receptoras”. ANDRADE (1995, p.26) desenvolveu a idéia de enquadrar o visitante em alguma modalidade de turismo. Segundo ele, turista é: [...] a pessoa que, livre e espontaneamente por período limitado, viaja fora do local de sua residência habitual, a fim de exercer ações que, por sua natureza e pelo conjunto das relações decorrentes, classificam-se em alguns dos tipos, das modalidades e das formas de turismo. De acordo com URRY (1996), existem algumas características das práticas sociais que são chamadas de turismo: a) é uma atividade de lazer, portanto, pressupõe um oposto, o trabalho regulamentado e organizado; b) surge de movimentos das pessoas para vários destinos e a permanência nestes; c) envolve deslocamento ou viagem, e um período de permanência no lugar novo; d) os lugares de destino e as motivações não estão diretamente ligados ao trabalho; e) nas sociedades modernas o turismo possui um caráter de massa que se opõe ao caráter individual das viagens aristocráticas que ocorriam até o século XIX; f) a ida aos lugares envolve expectativas, construídas pela televisão, cinema, literatura, revistas, discos e vídeos ;g) a paisagem contemplada difere da habitual; h) os signos vão construir uma forma de olhar; i) novos objetos de olhar são permanentemente construídos, levando-se em consideração um parâmetro mutante do que é turístico, ligado também às diferenças sociais, de gênero e gerações. O fenômeno do turismo tornou-se um dos temas que mais vem despertando interesse em estudiosos das mais diferentes áreas. Portanto, os conceitos de lugar e paisagem devem ser tomados para uma melhor compreensão da totalidade. Não há turismo sem lugares. O lugar, além de suporte, é uma base conceitual para a compreensão do fenômeno turístico. O turismo não passa de uma abstração. o que existe de fato são os lugares e as viagens, que somente dentro de uma circunstância formam o chamado turismo. BOORSTIN apud URRY (1996, p. 23) analisando o turismo, considera -o um pseudo-acontecimento, dadas a forma e as circunstâncias em que ele ocorre. O lugar, sim possui materialidade, concretude. Para SANTOS (1994, p.36-7), lugar "é a extensão do acontecer homogêneo e do acontecer solidário e se caracteriza pela própria configuração territorial, pelas normas, organizações e regimes de regulação". É esse acontecimento homogêneo que caracteriza uma comunidade, lugar possibilitador da solidariedade orgânica estudada por DURKHEIN (1981) e que se vai transformando em solidariedade organizacional, com explica Santos. Para entender as comunidades receptoras de turismo, faz-se necessário compreender, antes de tudo, o que é comunidade, já que este é um termo bastante utilizado em estudos como este. Interessa, aqui, a compreensão de como é uma comunidade mais do que sua explicação teórica mais ligada à antropologia. Uma 5 população com seu próprio modo de ser e de sentir, com suas tradições religiosas, artísticas, com seu passado histórico, com seus costumes típicos, com se "estilo" de vida familiar e social, com suas atividades produtivas, com seus problemas e necessidades; vivendo em um determinado espaço (lugar) e tendo, sobretudo, consciência desta vida comum, tudo isto junto é que forma a comunidade. Na concepção de WEBER apud FERNANDES (1992, p.140), comunidade significa "uma relação social, quando a atitude na ação social inspira-se no sentimento subjetivo (afetivo ou tradicional) dos partícipes da construção de um lado, diferente das relações da chamada sociedade onde as relações sociais, as atitudes na ação social inspiram-se numa compensação de interesses por motivos racionais". É nos lugares que se viabilizam as possibilidades do turismo, "uma vez que cada sujeito se situa num espaço, o lugar permite pensar o viver, o habitar, o trabalho, o lazer enquanto situações vividas, revelando, no nível do cotidiano os conflitos modernos" (CARLOS, 1996, p.26). Assim, o turismo acontece em lugares concretos, nos chamados lugares turísticos. O lugar é "em essência, uma produção humana, visto que se reproduz na relação entre espaço e sociedade, o que significa criação, estabelecimento de uma identidade entre comunidade e lugar, identidade essa que se dá por meio da apropriação para a vida" (idem, p.28). O lugar na opinião de SANTOS (1994, p.44), é o "encontro entre possibilidades latentes e possibilidades preexistentes". O desenvolvimento do turismo no Estado de Mato Grosso do Sul começa a viabilizar essas possibilidades latentes, que poderão contribuir para o desenvolvimento local. Como já foi dito anteriormente a importância do local é redescoberta na década de 1980,e como o referido projeto trabalhará com este conceito de forma bastante latente, seria importante refletir e discutir a respeito do desenvolvimento local. O Comitê Econômico Social das Comunidades Européias (1995) define o desenvolvimento local "como o processo da economia e dinamizador da sociedade local, mediante o aproveitamento eficiente dos recursos endógenos existentes em uma determinada zona, capaz de estimular e diversificar seu crescimento econômico, criar empregos e melhorar a qualidade de vida da comunidade local, sendo o resultado de um compromisso que compreende o espaço como lugar de solidariedade ativa, o que implica mudanças de atitudes e comportamentos de grupos e de indivíduos. Para o exercício efetivo de perspectivas para a elaboração de Plano Municipal de Turismo de Corumbá em Mato Grosso do Sul se faz necessário o estabelecimento de diretrizes que se espelhem em ações e instrumentos que permitam atingir condições que assegurem o uso e a sustentabilidade dos recursos naturais para o desenvolvimento do turismo sustentável O “local” aqui se refere a quaisquer lugares homogêneos com potencialidades para o desenvolvimento do turismo como, por exemplo, comunidades, cidades, municípios e regiões, locais de grande interesse turístico e zonas rurais que se encontrem abaixo do nível de planejamento e desenvolvimento regional, que é o caso de algumas localidades do município de Corumbá. A escala “local” é importante para um Plano Municipal Turístico porque os organizadores e responsáveis locais, consultando os seus constituintes, podem desempenhar um papel preponderante na obtenção do sucesso do turismo sustentável. Para a reflexão da elaboração de um Plano Municipal Turístico de Corumbá foram delineadas seis premissas definidas como prioritárias, que estarão acompanhadas dos 6 respectivos desdobramentos em ações consideradas estratégicas em documentos desta natureza. Entretanto, tais ações não esgotam as possibilidades ensejadas pelas referidas estratégias. São as seguintes as premissas prioritárias para a elaboração de um Plano Municipal Turístico de Corumbá em Mato Grosso do Sul: 1)- Da Definição do Conceito de Ecossistema e Patrimônio Histórico - Meio ambiente e patrimônio histórico são fenômenos complexos, constituídos de interrelações entre aspectos físicos, históricos e os seres humanos. Para administrar a ligação entre o turismo e o meio ambiente e o patrimônio histórico com eficiência, será preciso que o poder público e a população local defina estes e que o plano seja traçado de acordo com o que foi definido. 2)- Do Controle dos Impactos Negativos – Há uma clara necessidade de legislação e de um sistema de planejamento do uso do solo e controle de sítios de valor histórico e arqueológico para reduzir o impacto negativo do turismo no meio ambiente e com o patrimônio histórico. Deverá ser elaborado um controle em forma de leis para ajudar a evitar resultados negativos. 3)- Do Encorajamento das Práticas Corretas – É mais positivo encorajar práticas corretas e assegurar que todo novo empreendimento seja: a)- Construído em locais apropriados, sem afetar o meio ambiente e o patrimônio histórico ou arqueológico; b)- Em forma adequada para o lugar e a localidade; c)- Uso de materiais reciclados na construção, sempre que possível; d)- Desenvolvido de forma a minimizar o máximo possível os recursos naturais e a cultura local. 4)- Da Manutenção de um Senso de Proporção – Será preciso se certificar do grau de interesse e de ação seja proporcional ao tamanho do problema. 5)- Do Despertar da Consciência entre Turistas e o Trade Turístico – Alguns danos causados ao meio ambiente e ao patrimônio histórico pela atividade do turismo podem ser evitados, apesar de muitos deles não serem intencionais. Um melhor conhecimento por parte do trade e dos turistas ajudará a reduzir alguns aspectos negativos do turismo sobre o meio ambiente e patrimônio histórico. 6)- Princípio da Manutenção de um Equilíbrio entre a Conservação e o Desenvolvimento - Será necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e patrimônio em seu estado atual e o desenvolvimento necessário para proporcionar empregos e benefícios sociais. As premissas propostas têm como referência não apenas as características do cenário atual da atividade de turismo atualmente desenvolvido no município de Corumbá em Mato Grosso do Sul mas, principalmente, os desafios que se antepõem para a sociedade sul- mato-grossense. Elas têm como objetivo promover mudanças de rumo na abordagem atual do desenvolvimento e auxiliar na construção de um modus operandi desejável, rompendo com as características equivocadas da exploração de recursos naturais observadas atualmente na região. 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