O Turismo enquanto produto econômico: um estudo de caso em Tiradentes
Resumo
Este artigo tem como objetivo promover a discussão sobre o turismo enquanto produto
econômico, analisando suas especificidades, bem como sua dinâmica e suas interações com o
agente autóctone. Para isso, foi escolhida como estudo de caso a cidade mineira de Tiradentes,
visto que atualmente esta se destaca no cenário nacional como referência de turismo cultura
de sucesso. O artigo busca identificar fatores que proporcionaram a “redescoberta” de
Tiradentes, estimulando uma reflexão sobre o a existência de um produto turístico formatado,
comercializável e gerador de impactos econômicos.
Palavras-chave: turismos, impactos econômicos, produto turístico, marketing, Tiradentes.
2
O Turismo enquanto produto econômico: um estudo de caso em Tiradentes
Fabiana Mendonça Pires1
1. Introdução
Muito se tem falado atualmente sobre o turismo e as possibilidades econômicas que este setor
pode proporcionar a um destino turístico, ou seja, para uma economia local, refletindo até
mesmo no âmbito nacional. São muitos os números que demonstram as vantagens positivas
na economia tal como, aumento do número de empregos, da renda da população, do Produto
Interno Bruto - PIB, etc. Dessa forma, a área acadêmica tem um campo fértil de pesquisa para
compreender tanto esses números quanto relacioná-los com outras ciências, a fim de
corroborar para que a atividade turística se desenvolva de uma forma planejada, consciente e
moldada dentro de diretrizes sustentáveis de crescimento.
Este artigo tem por objetivo discutir o tema turismo, buscando analisar sua inter-relação com
o marketing. Para isso, propôs-se uma discussão sobre o turismo enquanto produto, abordando
como estudo de caso a cidade mineira de Tiradentes.
Com a contextualização das mudanças econômicas ocorridas em momentos históricos
distintos em Tiradentes, enfatizando-se a situação atual em que a cidade se encontra com a
inserção da atividade turística, este artigo pretende levantar o tema do turismo enquanto
produto econômico, comercializável, capaz de estimular a economia local e gerar empregos.
Entretanto não se pretende esgotar o tema, mas estimular o debate acadêmico sobre o produto
turístico e os impactos econômicos provenientes da atividade.
Para entender a relação entre a atividade turística e o marketing, foi analisado o tema
marketing de serviços (LOVELOCK & WRIGHT, 2002) e produto turístico (RUSCHMANN,
1997). Para identificar marcos socioeconômicos e históricos de Tiradentes utilizou-se
pesquisa bibliográfica (PELLEGRINI FILHO, 2000).
A técnica de entrevista foi utilizada para levantar informações e opiniões sobre o tema
proposto: o turismo enquanto produto econômico em Tiradentes. Para tal foi realizado um
1
Pires é mestre em Turismo e Meio Ambiente e professora das Faculdades Del Rey e do CEFET-MG (NEAD eTec).
3
estudo qualitativo na cidade de Tiradentes em 17 e 18 de julho de 2004, apresentando um total
de 22 questionários estruturados e dirigidos aos residentes, aleatoriamente, segundo uma
amostragem assistemática, sem significância estatística.
2. O produto turístico
De acordo com Ruschmann (1997), o produto turístico é formado por “um conjunto de bens e
serviços unidos por relações de interação e interdependência que o tornam extremamente
complexo. Suas singularidades o distinguem dos bens industrializados e do comércio, como
também dos demais tipos de serviços”. Porém, entende-se serviço como “um ato ou
desempenho oferecido por uma parte a outra. Embora o processo possa estar ligado a um
produto físico, o desempenho é essencialmente intangível e normalmente não resulta em
propriedade de nenhum dos fatores de produção” (LOVELOCK & WRIGHT, 2002, p. 5).
Conforme as afirmações acima, a atividade turística apesar de ser considerado um serviço que
se distingue dos demais tipos de serviço. Mas o que necessariamente a diferencia e a torna tão
singular? Inicialmente pose-se afirmar que, embora os serviços turísticos incluam elementos
tangíveis como sentar numa poltrona de avião, nadar numa piscina de um hotel, comer uma
comida típica do local visitado, a realidade do serviço turístico é bastante intangível, ou seja,
os benefícios estão relacionados com a natureza da realização.
Outra característica do turismo é que, em muitas vezes, tem-se um envolvimento direto com o
turista. Esse contato entre o visitante com o pessoal de serviços tal como a recepcionista do
hotel, o garçom de um restaurante, o guia turístico, etc. requer que para se oferecer um serviço
de qualidade no setor turístico, os funcionários dos hotéis, restaurantes, centros de
informações turísticas, dentre outros, sejam altamente qualificados, capacitados para atuarem
na área, uma vez que essas pessoas fazem parte do produto turístico, compondo e interferindo
na qualidade do serviço oferecido.
Outro fator que compõe a singularidade do serviço turístico é a sua forma de consumo, ou
seja, o serviço é consumido no momento em que é produzido. Não há como comprar um
serviço de um cruzeiro marítimo, levar para casa e consumi-lo um mês após a compra. O
consumo em tempo real faz com que os serviços variem de cliente para cliente, de dia para
dia. Com isso, falhas podem ocorrer com mais facilidade e freqüência. Essa característica da
4
atividade turística foi observada por um ex-profissional de marketing de bens manufaturados
que passou a atuar na atividade hoteleira - Holiday Inn- e declarou que:
“Não podemos controlar a qualidade de nosso produto tão bem como um
engenheiro de controle da Procter & Gamble em uma linha de produção... Quando
se compra uma caixa de sabão Ariel, pode-se ter uma razoável certeza de 99,44%
de que o produto funcionará na limpeza de roupas. Quando se aluga um quarto do
Holiday Inn, tem-se um percentual menor de certeza de que ele funcionará para
propiciar uma boa noite de sono sem qualquer perturbação, ou sem pessoas
batendo nas paredes e todas as coisas desagradáveis que podem acontecer em um
hotel”. (LOVELOCK & WRIGHT, 2002, 19).
Dessa forma pode-se perceber que são várias as singularidades que diferenciam os serviços
turísticos de outros tipos de serviços, porém para que esse conjunto de bens e serviços seja
considerado produto turístico é preciso que existam atrativos que motivem o deslocamento
dos visitantes; infra-estrutura urbana e turística para atender as necessidades da atividade;
preço e formas de comercialização. E quanto melhor estruturado for o produto turístico
maiores serão os benefícios para o núcleo receptor e maiores serão as chances de se obter os
efeitos econômicos positivos gerados pela atividade, tais como, empregos nas destinações
turísticas e incremento da renda dos habitantes. (RUSCHMANN, 1997).
5
3. Breve análise dos resultados econômicos do Turismo
O turismo vem se destacando como a atividade que mais cresce no mundo, revelando-se como
um negócio de proporções gigantescas. Segundo a World Travel Tourism Council - WTTC, o
turismo movimenta direta e indiretamente US$ 3,8 trilhões por ano o que representou
aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial no ano de 1999 (LAGE;
MILONE, 2000). Acredita-se que esta atividade deverá se expandir 55% na próxima década.
Segundo a estimativa da WTTC, o turismo registrará, no ano 2005, um faturamento de 7,2
trilhões de dólares (Pequenas Empresas, Grandes Negócios, n.º 75).
No Brasil, o turismo é uma das atividades econômicas que mais cresce. Segundo Brasil 2 os
investimentos diretos de empresas estrangeiras no setor de turismo no Brasil passaram de um
patamar equivalente a US$ 2 bilhões na década de 80 para US$ 7 bilhões após a implantação
do Plano Real, representando um crescimento de 3,45 vezes o valor inicial. Enquanto isso,
nesse mesmo período o sistema de incentivos fiscais e o fundo geral de turismo coordenado
pela EMBRATUR liberaram recursos para investimentos da ordem de US$ 299,3 milhões (a
preços de dezembro de 1999). A adoção do turismo como fator de desenvolvimento
econômico justifica-se por apresentar baixo custo de investimento e excelente retorno em
curto período de tempo (EMBRATUR, 1992).
De acordo com dados da EMBRATUR 3 , os principais resultados econômicos desse processo
de desenvolvimento da atividade turística na década de 90 podem ser avaliados através dos
seguintes indicadores:
 A taxa anual de crescimento das chegadas internacionais na década foi de 4,31% com
destaque para o ano 2000, 698,3 milhões de chegadas;
 As receitas diretas obtidas pelos gastos dos turistas nas localidades visitadas atingiram em
2000 o valor de US$ 476 bilhões e uma taxa média anual de crescimento de 5,9%;
 O gasto per capita apresentou o seguinte comportamento na década considerada: passou
de US$ 586,28 em 1990 para US$ 691,94 em 2000.
2
Brasil, Hildemar Silva. Análise Econômica do Turismo no Brasil: Prof. Conferencista ECA-USP 2001. Disponível em
http://www..embratur.org.br Acesso em 28 out 2001.
3
Fonte: FIPE/ USP - EMBRATUR E IBGE (1998)
6
Em Minas Gerais, especialmente, o turismo cresceu 47% entre 1998 e 2001, atingindo um
total de 3.874.574 turistas nesse ano e o segundo lugar em crescimento entre os estados do
país, juntamente com São Paulo, o que representou um acréscimo da receita com o turismo de
aproximadamente 150% em relação a 1998 no estado4.
QUADRO 1
Estatística do Turismo Doméstico 2001 em Minas Gerais
Turismo Receptivo – Minas Gerais (Número de Turistas)
1998
2001
Crescimento
%
2.636.352
3.874.574
1.238.222
46.97
Turismo Receptivo – Brasil (Número de Turistas)
1998
2001
Crescimento
%
38.208.000
45.000.000
6.792.000
17.78
Fonte: FIP/ EMBRATUR 2001
QUADRO 2
Estatística do Turismo Doméstico 2001 em Minas Gerais
Receita Direta Gerada com o Turismo – Minas Gerais
Valores em Reais
1998
2001
Crescimento
%
751.374.000,00
1.867.874.267,00
1.116.500.267,00
148.59
Fonte: FIP/ EMBRATUR 2001
Os efeitos econômicos do turismo não se limitam as atividades que lhe são diretamente
relacionadas. O turismo também produz efeitos indiretos na economia. O gasto realizado pelo
turista resulta em efeitos multiplicadores que afetam de maneira altamente positiva a
formação do produto interno (GÓMEZ, 1990; ACERENZA, 1991).
Em Minas Gerais, os efeitos multiplicadores do turismo podem ser verificados na receita
indireta gerada com o turismo no estado que corresponde 46,81% do total de receita gerada
pela atividade.
4
Segundo dados da Secretaria Do Estado de Turismo de Minas Gerais.
7
QUADRO 3
Estatística do Turismo Doméstico 2001 em Minas Gerais
Receita Indireta Gerada com o Turismo – Minas Gerais
Valores em Reais
1998
2001
Crescimento
%
661.209.120,00
1.643.729.354,00
982.520.234,00
148,59
Receita Total com o Turismo – Minas Gerais
Valores em Reais
1998
1.412.583.120,00
2001
3.511.603.621,00
Crescimento
%
2.099.020.501,00
148.59
Fonte: FIP/ EMBRATUR 2001
O turismo não deve somente proporcionar melhoria na qualidade de vida das pessoas que
viajam, mas também das pessoas residentes nos locais em que se situam os atrativos
turísticos. O incremento da economia, com o aumento do número de empregos e da circulação
de divisas, bem como a transformação urbanística, que se verifica com o desenvolvimento da
infra-estrutura e do aprimoramento cultural, constituem fatores de melhoria da qualidade de
vida dos habitantes dos centros turísticos (SILVEIRA, s.d.).
4. Tiradentes, um produto turístico?
Tiradentes, cidade histórica mineira do período colonial, localizada na região dos Campos das
Vertentes e rota da Estrada Real, faz divisa com São João Del Rei, Prados, Coronel Xavier
Chaves e Santa Cruz de Minas, apresentando uma potencialidade cultural com forte poder de
atração, motivando o deslocamento de turistas.
Essa motivação, por sua vez, tem em suas raízes fatores diversos, tais como: o conservado
conjunto arquitetônico da cidade, reconhecido pelo Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (SPHAN), em 20 de abril de 1938 5; a Maria Fumaça – locomotiva que foi
inaugurada por D. Pedro II, em 1881, ligando as cidades de Tiradentes e São João Del Rei; o
artesanato em madeira, pedra sabão, latão, folha de flandres, tecelagem e prata; a culinária
local que oferece desde pratos típicos mineiros até os mais sofisticados da cozinha francesa,
italiana, etc., servidos nos restaurantes da cidade. Tudo isso se encontra emoldurado pela
Serra São José, reduto ecológico que ocupa área aproximada de 15 quilômetros quadrados e
altitude média de 1.100 metros, servindo de reduto para caminhadas e desfrute de belas
5
Disponível em <http://www.tiradentes.mg.gov.br/index.asp?pagina=inc_roteirohistorico> acesso em 14/jul de 2004
8
paisagens. Tiradentes também conta com eventos religiosos tradicionais como o ritual
religioso da Semana Santa; e eventos promovidos na cidade a partir de 1990 de repercussão
nacional: Mostra de Cinema de Tiradentes e o Festival Internacional de Cultura e
Gastronomia - com participação de chefs estrangeiros e brasileiros.
No passado, mais especificamente no séc. XVIII, Tiradentes viveu o seu auge econômico.
Pertencente à uma região mineradora, a antiga Vila São José tinha na sua terra a fonte de
riqueza que trazia prestígio e prosperidade para a localidade e seus moradores. Porém, a
cobiça e a corrida incessante pelo ouro teve como resultado o esgotamento das jazidas. Ao
final do ciclo do ouro, século XIX, a região da Serra São José, atual Tiradentes, marcada pela
dependência econômica do metal amarelo se transformou num cenário de desencanto e
pobreza, permanecendo durante décadas como “cidade morta” (PELLEGRINI, 2000: 35).
Nesse período de declínio, a cidade deixou grande parte dos seus moradores sem trabalho e
dinheiro.
Atualmente, Tiradentes destaca-se no estado de Minas Gerais pelo seu “despertar” para o
turismo, demonstrando ser um bom exemplo de crescimento econômico com a atividade
turística. Mas essa transformação não ocorreu da noite para o dia: foram 20 anos de trabalho,
buscando um modelo sustentável de desenvolvimento (Meu negócio é Turismo: 1999). Uma
das necessidades imediatas identificadas para esse desenvolvimento era a preocupação de se
ocupar a população autóctone, gerar renda local. Para isso, inicialmente foi identificada a
vocação turística de Tiradentes: Turismo cultural.
Segundo Finguerut, os fatores de sucesso que desencadearam na redescoberta de Tiradentes
foram: obras de recuperação do patrimônio edificado; mobilização da comunidade, ou seja,
envolvimento da população nos diversos processos de desenvolvimento turístico; adequação
dos prédios históricos na atividade econômica, visando uma sustentabilidade natural (dinheiro
para manter o patrimônio); divulgação de Tiradentes com campanhas de TV, a fim de tornar a
cidade um destino conhecido. Para isso a cidade criou uma entidade: Sociedade de Amigos de
Tiradentes – SAT, fomentando o envolvimento comunitário, além disso, buscou-se parcerias:
Rede Globo6 e Fundação Roberto Marinho 7. (Meu negócio é Turismo: 1999)
6
Exposição na mídia de Tiradentes:Minissérie “Hilda Furacão” e novela “Coração de Estudante” exibidas na Rede Globo de
Televisão.
9
Dentre os resultado em Tiradentes pode-se citar: o número de pousadas na cidade mineira,
entre 1989 e 1999, passou de 100 para 500 e de cada 100 moradores que trabalhava na cidade
em 1999, 75 deles dedicam-se a atividades relacionadas com o turismo. Além disso, a cidade
conta com 23 taxistas, 33 charretes, uma rede de hotéis e restaurantes de qualidade,
proporcionando aos turistas infraestrutura turística e conforto8. Com isso, Tiradentes tornouse uma referência de turismo cultural e para manter a cidade movimentada nos diversos
períodos do ano, são realizados eventos como a Mostra de Cinema de Tiradentes que atrai
cerca de 30.000 turistas; o Festival de cultura e gastronomia que conta com a presença de
2.000 visitantes; o Encontro Nacional de Harley Davidson que estimula o deslocamento de
10.000 turistas para Tiradentes; a Semana da Inconfidência, atraindo 8.000 visitantes e por
fim a Festa da Padroeiro da cidade: Santo Antônio, com 3.500 visitantes. (Meu negócio é
Turismo: 1999)
Assim, Tiradentes é visitada hoje por seus eventos, mas também por sua expressividade da
arquitetura colonial, sua harmonia visual da paisagem, seu significado histórico e uma
identidade que compõem o seu diferencial.
5. Indicadores econômicos da atividade turística em Tiradentes: uma análise
Os recursos histórico-culturais e naturais de Tiradentes são utilizados para a comercialização
turística que, hoje em dia, é uma das principais atividades econômicas da cidade, uma
importante fonte de renda local.
Esta observação também pode ser corroborada pela pesquisa de campo, na qual a respeito
das vantagens de se ter o turismo em Tiradentes, todas as respostas referiram-se a impactos
econômicos da atividade turística: maior circulação de dinheiro na cidade e renda para a
população (59,09%) e geração de trabalho (40,91%).
A pesquisa de campo revela também que a grande maioria do entrevistados (81,82%)
trabalhava com alguma atividade relacionada direta/ indiretamente com turismo. E todas as
mulheres entrevistadas trabalhavam com atividades que estavam diretamente relacionadas
com o setor turístico (lojas de souvenir, vestuário, artesanato; hotel/pousada e restaurante) e
7
8
Apoio de R$ 1,5 milhão para a restauração da Igreja Matriz de Santo Antônio (Fonte: BNDES)
Dados referentes ao ano de 1999.
10
apenas 36,36% dos entrevistados do sexo masculino não trabalhavam com atividade
diretamente relacionada ao turismo.
GRÁFICO 1
ÁREA DE ATUAÇÃO DOS RESIDENTES DE TIRADENTES
Área de atuação
Não
relacionado
com turismo
18,18%
Relacionado
direta/
indiretamente
com turismo
81,82%
Fonte: Entrevista semi-estrturada aos residentes de Tiradentes em 17 e 18/07/04.
GRÁFICO 2
ÁREA DE ATUAÇÃO (DETALHADA) DOS RESIDENTES DE TIRADENTES
Fonte: Entrevista semi-estrturada aos residentes de Tiradentes em 17 e 18/07/04
Todos os residentes de Tiradentes que participaram da entrevista, ao serem indagados se
gostariam que os turistas continuassem a visitar a cidade, responderam que sim.
Dessa forma, o patrimônio de Tiradentes se mostra atualmente com outro significado: de uma
exuberância arquitetônica religiosa com funções de prática da fé, o patrimônio passa a ser
11
reconhecido como um produto que pode ser escolhido, adquirido e pago como bem de
consumo, e com grande valor comercial.
O aquecimento da economia de Tiradentes com o advento do turismo vem marcar uma nova
fase na história de Tiradentes que já é marcada por períodos de glória e riqueza, com a
exploração mineradora do séc XVIII; e posteriormente declínio com o esgotamento das
jazidas. (PELLEGRINI, 2000: 35).
6. Conclusão
O artigo demonstrou que são muitos os fatores que proporcionam à Tiradentes singularidades
motivadoras do deslocamento de turistas: o conjunto arquitetônico, a beleza natural da Serra
São José que “abraça” a cidade, a “alma do lugar” que proporciona uma harmonia e sensação
de local especial e único. Porém, isso tudo não seria suficiente se Tiradentes não tivesse se
preparado para receber os turistas, ou seja, envolvido a comunidade, dotada de infra-estrutura
turística eficiente e eficaz, capaz de não só satisfazer as necessidades dos visitantes, mas
encanta-los, tal como a história e beleza arquitetônica o fazem.
O turismo em Tiradentes vem se destacando justamente por se constituir um produto
comercializável que proporciona à cidade benefícios econômicos capazes de estimular uma
economia até então estagnada e falida. É certo que a atividade turística constitui um processo
ainda mais abrangente, complexo, que se entrelaça não só por campos econômicos, mas
também por sócio-culturais. Porém, o intuito desse artigo era analisar o turismo enquanto
produto econômico em Tiradentes e de acordo com os dados coletados na pesquisa notou-se
que os benefícios percebidos pela população entrevistada estavam diretamente relacionados
com questões econômicas: geração de emprego e renda. Para os moradores de Tiradentes que
participaram do levantamento de dados, o turismo tem um significado relevante de
sobrevivência econômica, justificando os benefícios da atividade, ou seja, da produção local
que é o turismo cultural.
12
Referências bibliográficas:
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Disponível em <http://www.tiradentes.mg.gov.br/index.asp?pagina=inc_roteirohistorico>
acesso em 14/jul de 2004
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GOMEZ, V. B. Planificacion Econômica Del Turismo. México: Trilhas, 1990. 373p.
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MEU Negócio é Turismo. Capítulo 10: Turismo cultural: Tiradentes – aprendendo com
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[tradução Saulo Krieger]. São Paulo: Aleph, 2000.
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O Turismo enquanto produto econômico