1 JOÃO FONSECA DE OLIVEIRA CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DE BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO E ESTIMATIVA DE PERDA DE SOLOS EM ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Agronomia, da Universidade Federal de Goiás, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Agronomia, área de concentração: Solo e Água. Orientador: Prof. Dr. Nori Paulo Griebeler Coorientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas Goiânia, GO – Brasil 2012 2 Termo de Ciência e de Autorização para Disponibilizar as Teses e Dissertações Eletrônicas (TEDE) na Biblioteca Digital da UFG Na qualidade de titular dos direitos de autor, autorizo a Universidade Federal de Goiás–UFG a disponibilizar gratuitamente através da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – BDTD/UFG, sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o documento conforme permissões assinaladas abaixo, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. 1. Identificação do material bibliográfico: [ ] Dissertação [x] Tese 2. Identificação da Tese ou Dissertação: Autor(a): João Fonseca de Oliveira CPF: 195625781-00 E-mail: [email protected] Seu e-mail pode ser disponibilizado na página? [ x]Sim [ ] Não Vínculo Empregatício do(a) Autor(a): Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-INEP Agência de fomento: Sigla: País: UF: CNPJ: Título: CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DE BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO E ESTIMATIVA DE PERDA DE SOLOS EM ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS Palavras-chave: estruturas de drenagem; parâmetros de infiltração; modelos Título em outra língua: Physical-Hydric characterization of basins of accumulation and infiltration and evaluation of soil loss on unpaved roads. Palavras-chave em outra língua: drainage structures; infiltration parameters; models. Área de concentração: Solo e Água Data defesa: 16 de março de 2012. Programa de Pós-Graduação: Agronomia Orientador(a): Nori Paulo Griebeler CPF: E-mail: Co-orientador(a): Carlos Alberto Lauro Vargas CPF: E-mail: Co-orientador(a): CPF: E-mail: [email protected] [email protected] 3. Informações de acesso ao documento: Liberação para disponibilização?1 [x] total [ ] parcial Em caso de disponibilização parcial, assinale as permissões: [ ] Capítulos. Especifique: __________________________________________________ [ ] Outras restrições: ______________________________________________________ Havendo concordância com a disponibilização eletrônica, torna-se imprescindível o envio do(s) arquivo(s) em formato digital PDF não-criptográfico da tese ou dissertação. O Sistema da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações garante aos autores, que os arquivos contendo eletronicamente as teses e ou dissertações, antes de sua disponibilização, receberão procedimentos de segurança, criptografia (para não permitir cópia e extração de conteúdo, permitindo apenas impressão fraca) usando o padrão do Acrobat. ____________________________ Assinatura do(a) autor(a) Data: 02 / 05 / 2010 Em caso de restrição, esta poderá ser mantida por até um ano a partir da data de defesa. A extensão deste prazo suscita justificativa junto à coordenação do curso. Todo resumo e metadados ficarão sempre disponibilizados. 1 3 JOÃO FONSECA DE OLIVEIRA “CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DE BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO E ESTIMATIVA DE PERDA DE SOLOS EM ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS”. Tese DEFENDIDA e APROVADA em 16 de março de 2012, pela Banca Examinadora constituída pelos membros: ______________________________ Prof. Dr. Nori Paulo Griebeler Presidente-EA/UFG ____________________________________ Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas EEC/UFG _______________________________ Prof. Drª. Vladia Correchel EA/UFG _________________________________ Prof. Dra. Maria da Glória Bastos UFLA _________________________________ Prof. Dr. Maurício Martines Sales EEC/UFG _________________________________ Prof. Dr. Ricardo Santos Silva Amorim UFMT 4 AGRADECIMENTOS A Deus, Senhor da minha vida e Mestre maior da construção de todos os trabalhos deste mundo. A meus pais, Abel Martins de Oliveira e Maria Fonseca de Oliveira (em memória trabalhos deste mundo.) que com muita sabedoria deram a mim, as condições necessárias para vencer desafios paltado nos princípios de dignidade e humanidade. À minha família, Vânia Maria Correia de Oliveira, esposa, Henrique Fonseca Correia de Oliveira e Karina Fonseca Correia de Oliveira, filhos, pelo apoio e incentivo durante todo o período de estudos e trabalhos. Ao Prof. Dr. Nori Paulo Griebeler, orientador sempre presente com dedicação e sabedoria, pela contribuição indispensável na construção deste trabalho e do meu conhecimento. Ao Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas, coorientador sempre atencioso e com contribuições indispensáveis durante todo tempo na construção deste trabalho. Aos professores, funcionários e colegas do Programa de Pós- Graduação em Agronomia da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás. Aos amigos Paulo César, Doutorando em Agronomia e Ana Paula, Mestranda em Agronomia, funcionários do IFET de Goiás, Campus de Urutaí, que além da amizade, tornaram possível os trabalhos de campo. Ainda nesse quesito, pelas contribuições e apreço, agradecimento especial a Iveraldo Candido Moreira, técnico em georreferenciamento e graduando em Engenharia de Agrimensura. Aos colegas de trabalho no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Marco César Araújo Pereira (Mestre em Estatística), Pedro Henrique de Moura Araújo (Mestre em Ciências da Computação) e Gustavo Caetano Oliveira de Faria Almeida (Mestre em Química) pelo companheirismo e contribuições fundamentais para construção deste trabalho. 5 SUMÁRIO LISTA DE TABELAS........................................................................................ 6 LISTA DE FIGURAS......................................................................................... 7 RESUMO............................................................................................................ 9 ABSTRACT...................................................................................................... 11 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 13 2 2.1 2.2 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................... CARACTERIZAÇÃO DAS ESTRADAS........................................................ EROSÕES E IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS DAS ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS.............................................................................................. Perda de solos em estradas não pavimentadas................................................ Sistemas de contenção dos processos erosivos em estradas não pavimentadas................................................................................................... CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO....................................... Densidade do solo e porosidade........................................................................ Textura, limites de Atterberg e curva granulométrica.................................. Classificação táctil – visual............................................................................... Infiltração........................................................................................................... EVAPORAÇÃO.................................................................................................. ESTRUTURAS DE DRENAGEM EM ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS............................................................................................. CUSTOS DE CONSTRUÇÃO PARA ESTRUTURAS DE DRENAGEM EM OBRAS RODOVIÁRIAS.................................................................................. Custos de Propriedade..................................................................................... Custo de Oportunidade do Capital................................................................. Seguros e Impostos........................................................................................... 15 15 16 2.2.1 2.2.2 2.3 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.4 2.5 2.6 2.6.1 2.6.2 2.6.3 3 3.1 3.2 3.2.1 3.2.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.4 3.5 MATERIAL E MÉTODOS............................................................................. LOCALIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DAS BACIAS..................................... CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO...................................... Ensaio táctil – visual......................................................................................... Determinação das taxas de infiltração............................................................ MONITORAMENTO........................................................................................ Monitoramento da precipitação...................................................................... Equacionamento dos volumes acumulados de água...................................... EVAPORAÇÃO................................................................................................. DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE VOLUMÉTRICA DAS BACIAS E VOLUME SEDIMENTADO............................................................................. 3.6 SISTEMA DE BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO EM SÉRIE 3.7 PERDA DE SOLOS........................................................................................... 3.7.1 Perda de solos da área de contribuição externa para cada bacia................. 3.7.2 Perda de solos da área de estrada correspondente a cada bacia.................. 3.8 ESTIMATIVA DO CUSTO DE CONSTRUÇÃO PARA BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO................................................................. 18 19 20 21 22 23 24 25 26 28 28 29 29 30 30 31 33 34 35 35 36 38 38 40 41 41 44 44 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................... DENSIDADES, TEXTURA, MASSA ESPECÍFICA, LIMITES DE ATTEBERG E GRANULOMETRIA................................................................ Densidade do solo e porosidade....................................................................... Textura............................................................................................................... Massa específica e Limites de Atterberg........................................................ CLASSIFICAÇÃO TÁTIL-VISUAL................................................................ DETERMINAÇÃO DAS TAXAS DE INFILTRAÇÃO................................... Precipitação e volume infiltrado pelo monitoramento.................................. Coeficientes de rendimento e de infiltração para cada bacia....................... Infiltração e evaporação de bacia de acumulação e infiltração quando fixada altura ou raio....................................................................................... DIMENSIONAMENTO TEÓRICO E CONSTRUTIVO DE BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO................................................................. Volumes teórico-geométrico e construtivo...................................................... Dimensionamento de bacias de acumulação e infiltração em série............... PERDAS DE SOLOS......................................................................................... Perda de solos da área de contribuição externa em cada bacia.................... Perda de solos da área de contribuição das estradas em cada bacia............ PERÍODO DE MANUTENÇÃO PARA BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO.................................................................................................. ESTIMATIVA DE CUSTOS PARA BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO.................................................................................................. 48 48 5 CONCLUSÕES.................................................................................................. 79 6 REFERÊNCIAS................................................................................................. 81 4 4.1 4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.2 4.3 4.3.1 4.3.2 4.3.3 4.4 4.4.1 4.4.2 4.5 4.5.1 4.5.2 4.6 4.7 48 50 52 53 54 58 60 63 65 65 69 71 71 74 76 77 APÊNDICES.................................................................................................................. 88 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Tabela 2. Tabela 3. Tabela 4. Tabela 5. Tabela 6. Tabela 7. Tabela 8. Tabela 9. Densidade do solo seco, massa específica dos grãos e porosidade das bacias I e II obtidas antes (Sa) e após (Sd) o armazenamento do escoamento superficial........................................................................ Percentuais de frações texturais dos solos constituídos por material de origem das bacias I e II e depositados por meio de processos erosivos, antes da utilização (Sa), depois (Sd) e solo erodido (Se). Limites de Atterberg e densidade de partícula dos solos pertencentes às bacias de acumulação e infiltração e dos solos erodidos.............. Classificação táctil-visual do solo investigado no interior das bacias I e II.................................................................................................. Volume geométrico (Vg), volume de construção antes (Vc) e depois da utilização (Vd), volume de solo erodido e depositado (Vse) e diferença de volume entre o construído e o geométrico (Vap) das bacias I e II................................................................................. Valores de volumes escoado e espaçamentos máximos obtidos pelo software estradas para bacias I e II................................................... Fatores componentes da USLE: Erosividade (R), erodibilidade (K), fator dependente do comprimento e declividade de rampa (LS), fator cobertura vegetal (C) e fator prática conservacionista (P).............. Áreas de contribuição externa (Ext) e de estrada (Est) com respectivas perdas de solo da bacia I. Áreas de contribuição externa (Ext) e de estrada (Est) com respectivas perdas de solos da bacia II.......................................... 48 51 52 53 65 66 71 73 73 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Estrada que apresenta acumulação de escoamento superficial, indicando erosão no leito da estrada (CODASP, 2007).................. 18 Figura 2. Figura 3. Bacias de acumulação e infiltração (DAEP, 2006).............................. 20 31 Figura 4. Figura 5. Figura 6. Figura 7. Figura 8. Figura 9. Figura 10. Figura 11. Figura 12. Figura 13. Figura 14. Figura 15. Figura 16. Figura 17. Figura 18. Figura 19. Figura 20. Figura 21. Figura 22. Figura 23. Figura 24. Figura 25. Figura 26. Figura 27. Construção das bacias de acumulação e infiltração, Campus do Instituto Federal Goiano, Urutaí, GO.................................................. Pontos de coleta (A, B, C e D) de amostras para caracterização fílico-hídrica do solo nas bacias de acumulação e infiltração .......... Amostras indeformadas para determinação da densidade do solo.... Ensaio e análise táctil-visual dos solos das bacias ............................. Determinação da infiltração por anéis concêntricos antes e posterior a utilização das bacias ....................................................................... Pluviômetro instalado nas imediações das bacias de acumulação e infiltração............................................................................................. Bacia de acumulação e infiltração de água, indicando a presença de régua para acompanhamento da altura de lâmina d’água .................. Bacia da cumulação e infiltração recém-construída .......................... Levantamento altimétrico em pontos da superfície interna da bacia de acumulação e infiltração II, locados por estiletes........................... Esquema ilustrativo da deposição de partículas de solo no fundo da bacia de acumulação e infiltração ..................................................... Deposição de material erodido nas bacias de acumulação e infiltração ............................................................................................ Infiltração pelo método dos anéis concêntricos (infiltrômetro) na bacia I .............................................................................................. Infiltração pelo método dos anéis concêntricos (infiltrômetro) na bacia II .............................................................................................. Esquema do processo de infiltração inicial em uma bacia de acumulação e infiltração ................................................................... Esquema de bacia de acumulação e infiltração com infiltração reduzida e equiparada no seu horizonte superficial.......................... Esquema de bacia de acumulação e infiltração com taxas mínimas de infiltração ..................................................................................... Variação dos volumes infiltrados – bacias I e II............................... Acumulação da precipitação, volume retido e volume infiltrado – bacia I ............................................................................................. Acumulação da precipitação, volume retido e volume infiltrado – bacia II ............................................................................................ Infiltração e evaporação em função da variação do raio com volume e profundidade fixos............................................................................ Infiltração e evaporação em função da variação da profundidade com volume e raio fixos ...................................................................... Bacia I (a) e II (b) antes da utilização pelo escoamento superficial.... Médias mensais em estação pluviométrica de Ipameri-GO (INMET) Esquema de bacias de acumulação e infiltração com func. em série Detalhe de bacia de infiltração com vegetação. Cidade de Portland em 2004. Manual de Águas Pluviais................................................... 31 32 33 34 35 36 39 39 49 50 55 55 56 57 58 59 61 61 63 64 67 69 70 76 9 RESUMO OLIVEIRA, J. F. de. Caracterização físico-hídrica de bacias de acumulação e infiltração e estimativa de perda de solos em estradas não pavimentadas. 2012. 96 f. Tese (Doutorado em Agronomia: Solo e Água)–Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, 20121. Este trabalho foi desenvolvido tendo como objetivos a determinação de características físico-hídrica do solo em locais de construção de estruturas de drenagem e avaliação de perdas de solos em estradas não pavimentadas, visando a redução dos impactos provenientes dos processos erosivos nestas estradas por meio de projetos e modelos de dimensionamento. Para obtenção desses valores, foram construídas duas bacias de acumulação e infiltração nas margens da Rodovia Geraldo Silva Nascimento, em área pertencente ao Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFET), Campus Urutaí, zona rural de Urutaí-GO. O trabalho foi coordenado na Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (EA/UFG), complementando com a utilização do laboratório de Mecânica dos Solos da Escola de Engenharia Civil da UFG e IFET de Urutaí-GO. As dimensões das bacias de acumulação e infiltração construídas foram 5,40 m e 4,70 m de raio e 2,10 m e 1,52 m de profundidade respectivamente para as bacias I e II. Em seguida, com finalidade de determinação de perdas de solos, foi feito o levantamento topográfico das áreas de contribuição de cada bacia, determinando as inclinações e suas características de vegetação, uso e manejo. Paralelamente, foram realizados testes de infiltração com anéis concêntricos, ensaio táctil-visual, ensaios de caracterização de amostras de solos coletadas dentro das bacias, levantamento topográfico de suas cotas, antes e depois de serem preenchidas pelo escoamento. A precipitação local e o comportamento do volume acumulado e infiltrado da água proveniente do escoamento superficial tiveram monitoramento diário no período de 22/01/10 a 27/05/10. Os resultados encontrados de densidade do solo, massa de partículas, curva granulométrica, textura e limites de Atterberg mostraram que os valores estão de acordo com as características de solos tropicais. Os solos das bacias de acumulação e infiltração tiveram reduções na porosidade 11,28% e 9,80% nas bacias I e II respectivamente, devido ao selamento superficial provocado pelo sedimento transportado e depositado no interior das bacias. O método de anéis concêntricos subestimou as taxas de infiltração. As medidas com os anéis foram de 5 mm h-1 e 26 mm h-1 e no monitoramento foram de 8 mm h-1 e 27 mm h-1 para as bacias I e II respectivamente, o que pode ser explicado pela maior área de abrangência e carga hidráulica usadas no monitoramento. A relação entre os volumes totais, infiltrado e acumulado no período permitem determinar o coeficiente de rendimento (nr) da bacia na função de infiltra2ção, sendo que para bacia I obteve-se nr = 14,78% e nr = 52,63% para a bacia II. Simulações com variações da profundidade com demais dimensões fixas da bacia quanto a infiltração e evaporação mostraram ser recomendado a variação do raio. A aplicação da Equação Universal de Perda de Solo (USLE) na determinação de perdas de solo na área de contribuição externa com cobertura de brachiaria brizantha gerou resultados de 9,42 t ha-1 e 6,32 t ha-1 referentes às bacias I e II respectivamente. Entretanto as perdas de solos calculadas de 64,19 t ha-1 e 26,48 t ha-1 nas áreas de estradas das bacias I e II respectivamente, no período considerado, são valores que mostram a intensidade do processo erosivo no local. Diante dos resultados é possível afirmar que seja recomendável a manutenção anual das bacias de acumulação e infiltração em estradas não pavimentadas. 1 Orientador: Prof. Dr. Nori Paulo Griebeler. EA-UFG. Coorientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas. EEC-UFG. 10 Os dados determinados pelo nível ótico, manipulados pelo software Gnu Octave gerou gráficos de superfície indicando que o volume construído superestimou o volume geométrico da bacia, indicando a possibilidade de adoção de coeficiente de segurança para o volume de cálculo. Para evitar o transbordamento de líquido acumulado motivado por chuvas contínuas recomenda-se o dimensionamento de bacias com funcionamento em série. Considerando as características dos solos locais, os parâmetros de infiltração, evaporação, perdas de solos nas áreas de contribuição das estradas e relações entre volumes teórico-construtivo devem ser utilizados em projetos e modelos de dimensionamento de sistemas de drenagem em estruturas de acumulação e infiltração em estradas não pavimentadas. Palavras-chave: estruturas de drenagem, parâmetros de infiltração, modelos. 11 ABSTRACT OLIVEIRA, J. F. de. Physical-Hydric characterization of basins of accumulation and infiltration and evaluation of soil loss on unpaved roads. 2012. 96 f. Thesis (PhD. in Agronomy: Soil and Water)–Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, 20122. The aim of this study was to determine the physical-hydric characteristics of soil at construction sites of drainage structures and to evaluate the soil loss on unpaved roads, aiming at a reduction on the impacts originated from erosion processes on these roads by means of projects and scaling models. To obtain these values, two accumulation and infiltration basins were built on the banks of the Rodovia Geraldo Silva Nascimento, on an area owned by the IFET-Goiano, Campus Urutaí-GO, rural zone of Urutaí-GO. The work was coordinated at the Escola de Agronomia of Universidade Federal de Goiás (EA/UFG), and complemented at the laboratories of Escola de Engenharia Civil of UFG and IFET from Urutaí-GO. The dimensions in which basin I and basin II were built are respectively, 5,40m and 4,70m wide and 2,10m and 1,52m deep. In addition, in order to determine the soil loss, a topographic study of the contributing areas of each basin was made, determining the inclination and the characteristics of its vegetation cover, usage and management. In parallel, infiltration tests using infiltrometers rings, tactile-visual examination, analysis of soil samples collected in the basins, topographic studies of its quotas before and after being filled by the runoffs were performed. The local precipitation and the behaviour of the volume of water accumulated and infiltrated arising from the superficial runoff had daily monitoring during the period between 22/01/10 to 27/05/10. The results found in soil bulk density, particles mass, granulometric curve, textures and Atterberg limits showed that the values are in accordance with the characteristics of soils in tropical areas. The soil in the accumulation and infiltration basins I and II had a reduction in porosity from 11,28% to 9,80% respectively, due to the encrustation, impermeability, and blockage of the pores of the dislodged soil particles, transported and deposited in the interior of the basins. The method of the infiltrometers underestimated the infiltration rates, as the values were 5 mm h-1 and 26 mm h-1, and during monitoring 8 mm h-1 e 27 mm h-1 to basins I and II respectively, which can be explained by the broader range and hydraulic power used in monitoring. The relation between the total volumes, infiltrated and accumulated during the period allows to determine the coefficient of performance of the basins as regards infiltration, considering that basin I obtained nr = 14,78% and basin II nr = 52,63%. Simulations with variation of height together with other fixed dimensions of the basin regarding infiltration and evaporation showed that a variation of width is recommended. The USLE approach to soil loss in the external contribution area covered with brachiaria brizantha had results of 9,42 t ha-1 and 6,32 t ha-1 in reference to basins I and II respectively. Notwithsta3nding, the soil loss calculated at 64,19 t ha-1 e 26,48 t ha-1 in the road areas of basins I and II respectively, during the considered period, are values that indicate the intensity of erosive processes on unpaved roads. In view of the results it is possible to affirm that annual maintenance is recommended on accumulation and infiltration basins on unpaved roads. The data determined by the optical level manipulated by the software Gnu Octave created surface graphics indicating that the constructed volume overestimates the geometric volume of the basin, and consequently the necessity of a security coefficient for volume calculation in scaling. To avoid the overflow of 2 Adviser: Prof. Dr. Nori Paulo Griebeler. EA-UFG. Coadviser: Prof. Dr. Carlos Alberto Lauro Vargas. EEC-UFG. 12 accumulated liquid caused by continuous rains scaling of the basins operating in series is recommended. Considering the characteristics of the local soil, the infiltration parameters, evaporation, soil loss in contributing areas of the roads and the relation between the theoretical-constructive volumes, projects and scaling drainage systems models should be used in accumulation and infiltration structures on unpaved roads. Key words: drainage structures, infiltration parameters, models. 13 1 INTRODUÇÃO A malha viária de qualquer país é fundamental para impulsionar avanços no seu desenvolvimento econômico e social, pois constitui a principal interligação entre o setor produtivo e os consumidores. Esta malha permite também o acesso da população aos serviços, incluindo saúde comércio, educação e lazer, sendo equívoco pensar em estradas não pavimentadas como problema restrito ao setor rodoviário. As estradas não pavimentadas somam cerca de 90% (CNT, 2008) de toda a malha rodoviária brasileira, englobando desde as estradas de pequeno porte, originárias de caminhos rurais sem projeto, até rodovias projetadas pela engenharia rodoviária. Devido à importância destas estradas no desenvolvimento da nação, condições adequadas de tráfego tornam-se uma necessidade, todavia mantê-las conservadas constitui processo dispendioso. Uma das principais formas de degradação das estradas não pavimentadas é a erosão, que em grande parte é devido à deficiência nos seus sistemas de drenagem, tornando ineficiente o disciplinamento do escoamento superficial. Assim, as estradas acumulam o escoamento superficial, umedecendo o leito e elevando a energia cinética, desencadeando processos de degradação na plataforma da estrada e em suas margens. Neste sentido, para reduzir a degradação das estradas pela erosão, além dos estudos de capacidade de suporte, devem ser aplicadas técnicas para sua adequada drenagem, o que pressupõe a construção de estruturas para a adequada coleta, retenção e infiltração do escoamento superficial. Estas estruturas devem reduzir a energia do escoamento e favorecer a infiltração da água, interferindo assim, favoravelmente para a redução do potencial erosivo, dos riscos de cheias e de assoreamento de mananciais, além de possibilitar incrementos na umidade do solo e na elevação dos volumes d'água nos lençóis freáticos. No Brasil, tanto as estradas não pavimentadas como os sistemas de drenagem nestas, quando existem, são construídos sem apoio de metodologias e técnicas adequadas. Estas também se mostram bastante generalistas, sem a devida consideração da gama de fatores envolvidos, e os estudos são bastante incipientes, mostrando a necessidade da 14 realização de pesquisas e do desenvolvimento de técnicas mais adequadas às diferentes regiões do país. Desse modo, técnicas construtivas associadas aos parâmetros de caracterização e às características físico-hídricas do solo local como porosidade, permeabilidade e taxas de infiltração fazem com que estradas e meio ambiente trabalhem em harmonia, proporcionando bem estar aos usuários e redução de impactos ao meio ambiente. Um tipo de estrutura comumente utilizada é a implantação de bacias de acumulação e infiltração com a finalidade de receber o escoamento superficial e retê-lo para que seja infiltrado. O dimensionamento dessas estruturas é dependente do volume de escoamento gerado, o qual depende das características de precipitação pluviométrica e das áreas de contribuição ao escoamento. O seu correto funcionamento depende principalmente das características do solo no qual será construído, sobretudo quanto a sua capacidade de infiltração de água. Já a sua vida útil ou o intervalo para manutenção está atrelado diretamente com as características e quantidades de sedimentos presentes no escoamento superficial. Nesse sentido, os objetivos gerais deste trabalho foram determinar por meio de monitoramento e ensaios realizados em laboratórios, a caracterização dos solos e dos sedimentos, parâmetros físico-hídricos em bacias de acumulação e infiltração, o dimensionamento e a quantificação das perdas de solo em estradas não pavimentadas. Especificamente, o objetivo foi avaliar o funcionamento de bacias de acumulação e infiltração em relação à dinâmica de água proveniente do escoamento superficial em estradas não pavimentadas. 15 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 CARACTERIZAÇÃO DAS ESTRADAS Estradas podem ser definidas como faixas do terreno com características adequadas para permitir o deslocamento de pessoas e veículos. Cunha (2010) destaca que as estradas vicinais são entendidas como elementos geográficos presentes nas paisagens rurais. Estas, desde caminhos primitivos ou vias modernas com grande infraestrutura, permitiram e permitem a interligação entre regiões, influenciando no aspecto social, econômico e cultural das nações. Estas estradas podem ser originadas de um caminho que se desenvolveu pelo uso durante anos, ou podem ser projetadas e construídas de acordo com um projeto geométrico, seções transversais e um sistema de drenagem, sendo construídas usando-se o solo natural local na camada final (Banque Mondiale, 1998). As estradas não pavimentadas são de grande importância econômica e social para o país, pois é por meio delas que são feitas as ligações entre as comunidades produtoras e as grandes rodovias pavimentadas. Desta forma, estas contribuem para o escoamento de diferentes tipos de produtos até os centros de consumo e terminais de exportação, constituindo ainda, um importante elo entre o meio rural e urbano (Alves, 2009). Esse tipo de estrada caracteriza-se por não ter um pavimento asfáltico ou outro, diretamente aplicado sobre a pista que irá receber o tráfego. No contexto mundial o Brasil ocupa a quinta posição em área geográfica (8,5 milhões de km2) e a quarta posição em extensão rodoviária (CIA, 2009). Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT, 2008), o Brasil possui 1751872 km de rodovias pavimentadas e não pavimentadas, sendo que 14,4% são de rodovias estaduais, 78,8% são de rodovias municipais e 6,8% são federais. As estradas não pavimentadas são a maioria, sendo 88,9%, contra apenas 11,1% de rodovias pavimentadas, ou seja, somente 196.093 km de rodovias asfaltadas. Até o final da década de 1990, estrada não pavimentada era um componente da questão ambiental pouco lembrado e estudado no Brasil. 16 2.2 EROSÕES E IMPLICAÇÕES PAVIMENTADAS AMBIENTAIS DAS ESTRADAS NÃO Com o passar dos anos percebeu-se que grande parte dos problemas ambientais no meio rural tem contribuição advinda de águas drenadas do leito de estradas, sem práticas de conservação, tanto na região lindeira quanto nas erosões iniciadas nas laterais destas estradas ou nas voçorocas formadas pela manutenção equivocada destes caminhos (Gonçales Junior, 2006). Segundo Trombulak & Frissel (2000), os principais impactos ambientais causados por estradas são aqueles advindos dos processos erosivos, da mortalidade de espécies animais devido à colisão com veículos, da modificação do comportamento animal, da alteração do meio ambiente, da dispersão de animais e da expansão de núcleos ou de comunidades rurais. A área de influência direta de uma estrada geralmente envolve no mínimo suas faixas de domínio e interfere diretamente na drenagem das microbacias. Quando da abertura de uma estrada, a intervenção antrópica atua diretamente sobre o ambiente natural, e quando da manutenção ocorre a necessidade de uso dos recursos naturais, principalmente cascalho e produtos fósseis, quando da pavimentação. Tanto as estradas pavimentadas quanto as não pavimentadas interferem grandemente na impermeabilização da superfície do solo. Uma das alterações provocadas pela construção de estradas é a interferência na paisagem, perturbando um ambiente em equilíbrio, muitas vezes seccionando linhas de escoamento naturais. A densidade de drenagem da bacia hidrográfica aumenta consideravelmente com a inclusão das estradas rurais, pois elas durante eventos de chuva acabam se transformando em cursos de água efêmeros. Em um estudo em uma Bacia Hidrográfica no município de Guarapuava, Estado do Paraná, Cunha (2010) encontrou que a densidade de drenagem, devido as estradas, passou de 1,37 km km-2 para 4,9 km km-2. Os resultados apresentados por esse autor ressaltam ainda que a quantidade de caminhos e estradas não pavimentadas supera a quantidade de estradas principais e que estão em todas as unidades geomorfológicas da bacia. Antonangelo & Fenner (2005) enfocam que no conceito de desenvolvimento sustentável, aparece a adequada construção e manutenção de estradas como fatores essenciais para a preservação do meio ambiente, destacando que estradas de uso florestal mal planejadas, construídas e/ou mantidas podem causar acelerada erosão do solo, 17 afetando, principalmente, a qualidade da água dos rios. Este mesmo enfoque é ressaltado por Corrêa (2005), salientando que, em estradas florestais, o principal problema ambiental é o desencadeamento de processos erosivos, uma vez que, essas funcionam como canais, transportando água e sedimentos, os quais causam o assoreamento e a poluição de mananciais. Thomaz & Melquiades (2009), com objetivo de discriminar a proveniência de sedimento em bacia rural em Guarapuava no Estado do Paraná, constataram que o sedimento depositado no canal fluvial apresenta maior similaridade com os materiais das estradas do que com o barranco do rio. A suposição estabelecida no presente estudo foi de que os depósitos de sedimentos existentes no canal fluvial são formados, sobretudo, por material recentemente transportado das estradas rurais não pavimentadas. Observaram ainda que o sedimento oriundo das estradas é constituído na sua maioria de material fino, com considerável teor de argila, tendo como elemento químico mais abundante, o ferro. Ward & Trimble (2004) destacam que o sedimento sólido é o mais significativo de todos os poluentes, por sua concentração na água, seus impactos no uso da água e seus efeitos no transporte de outros poluentes. A maioria das bacias de captação de água para consumo está localizada em áreas rurais e, portanto, são influenciadas pelo excesso de sedimentos encontrados no sistema fluvial. Quando se trata de mananciais de abastecimento de água, o tempo e o custo do processo de tratamento aumentam em casos de excesso de turbidez. De acordo com Morais et al. (2004), o escoamento não controlado das águas pelas estradas provoca o surgimento de grandes erosões nas suas laterais ou mesmo no seu leito, colocando em risco os usuários, deteriorando as estradas, provocando assoreamento, poluição e enchentes, além da destruição de bueiros e pontes. Esses efeitos respondem pela desestabilização dos serviços de transporte no meio rural em períodos de chuvas e o encarecimento da manutenção da malha viária. Na Figura 1 é mostrado um exemplo de estrada com problemas de drenagem, onde é possível perceber que ocorre concentração do escoamento na pista de rolamento, transformando-a em um canal escoadouro, o que causa sua deterioração e interfere nas características hidrológicas de toda a bacia de contribuição. Conforme Vestena & Thomaz (2006), as estradas, carreadores e caminhos são implantados em diferentes unidades geomorfopedológicas, muitas vezes, sem considerar a aptidão do terreno, o que faz com que a sua conservação seja realizada com dificuldade. 18 Deste modo, muitas estradas internas das propriedades tornam-se intransitáveis devido ao forte processo erosivo que se instala sobre o leito. Figura 1. Estrada que apresenta acumulação de escoamento superficial, indicando erosão no leito da estrada (Zoccal, 2007). 2.2.1 Perda de solos em estradas não pavimentadas Mesmo com a importância estratégica que as estradas possuem, a falta de manutenção e projetos adequados provoca vários danos ambientais, dentre os mais graves, as perdas de solo e consequentemente, os impactos dessas nos recursos hídricos. Grace III et al. (1998) salientam que, de forma geral, cada componente da estrada contribui para a composição do total erodido pela mesma e que em áreas florestais, mais de 90% do sedimento produzido provêm das estradas, sendo este devido principalmente à drenagem inadequada. O Estado de São Paulo, de acordo com Zoccal (2007), tem cerca de 250 mil km de estradas, das quais, aproximadamente 220 mil km são de estradas vicinais, produzindo perdas de solo anuais estimadas em mais de 200 milhões de toneladas. Salienta ainda que cerca de 70% deste solo chega aos mananciais em forma de sedimentos transportados pela água, causando assoreamento e poluição, aumentando a degradação do meio ambiente e reduzindo a qualidade e quantidade de água, sendo que as estradas não pavimentadas contribuem com 50% do solo carreado aos mananciais e 70% das erosões existentes. Oliveira et al. (2010), em trabalho sobre perda de solos em estradas florestais na região Centro-Leste do estado de Minas Gerais, obtiveram resultados que mostram que a maior parte dos sedimentos é proveniente dos deslocamentos de massas, entretanto as estradas florestais não pavimentadas também apresentam valores elevados de perdas. Os 19 resultados encontrados pelos autores sugerem a necessidade de melhores práticas de controle da erosão em estradas e a manutenção dos taludes vegetados para evitar perdas de solo e de água. Considerando a largura média de 6 m, em trechos de estradas florestais avaliadas no norte do estado de Santa Catarina, Corrêa (2005) constatou perdas de solos na ordem de 10,71 t km-1 no período de março de 2003 a junho de 2004. Baihua et al. (2010), em trabalho de revisão sobre perdas da solo em estradas não pavimentadas em regiões de países diferentes, encontraram valores que variam de 1,4 g m-2 mm-1 ano-1 a 19,5 g m-2 mm-1 ano-1. Estes valores indicam grandes variações nas determinações e estimativas, dificultando o estabelecimento de índices. Estas grandes diferenças podem estar associadas a diferentes metodologias de determinação, bem como as características dimensionais das estradas, da precipitação, e as condições dos solos e relevo, bem como do uso das vias. 2.2.2 Sistemas de contenção dos processos erosivos em estradas não pavimentadas Segundo Griebeler et al. (2005), a redução dos problemas de erosão nas estradas de terra pode ser obtida pela adoção de medidas que evitem que a água proveniente do escoamento superficial, tanto aquele gerado na própria estrada como o proveniente das áreas às suas margens, acumule-se na estrada e passe a utilizá-la para o seu escoamento. Catelani et al. (2004) destacam que a não conservação de estradas vicinais resulta no transporte de sedimentos e que os problemas de erosão do solo nas margens das estradas com o conseqüente carreamento de materiais para os leitos dos rios são fatores que agravam as condições ambientais e a qualidade dos recursos hídricos. Já Casarin & Oliveira (2009) destacam que a erosão provocada pela água no leito e nas margens das estradas rurais de terra está intimamente relacionada à má drenagem, sendo um dos principais fatores para sua degradação. Ressaltam que, para que o sistema de drenagem seja feito de forma adequada é necessário o conhecimento da erodibilidade, capacidade de infiltração de água no solo e da adoção de práticas mecânicas de elevação do greide e interceptação de águas através de dispositivos de captação. Algumas formas de evitar o escoamento da água sobre o leito da estrada são o abaulamento da pista de rolagem, a construção de canais de drenagem e a condução do escoamento para bacias de acumulação e infiltração ou outros sistemas localizados às margens das vias (Griebeler et al., 2005). 20 A construção de bacias de acumulação e infiltração pode contribuir expressivamente para adequação do sistema de drenagem, controle dos processos erosivos e redução do assoreamento de nascentes, rios e lagos, pois o escoamento superficial é armazenado nestas, favorecendo sua infiltração e evaporação (Figura 2). Figura 2. Bacias de acumulação para armazenamento e infiltração (DAEP, 2006). Silva (2009) salienta que a implantação de bacias de acumulação e infiltração destinadas à contenção do escoamento superficial proveniente das estradas consiste em uma alternativa de grande potencial de uso, principalmente, nas situações em que não há sistemas de terraceamento para os quais possa ser conduzido o escoamento superficial. 2.3 CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO Para a agricultura, solo é a camada na qual se pode desenvolver vida, porém sob o ponto de vista da mecânica dos solos, é um corpo passível de ser escavado, sendo utilizado dessa forma como suporte para construções ou material de construção. Segundo Machado et al. (2005), o solo é parte integrante de qualquer construção, afinal é ele que dá sustentação ao peso e também determina características fundamentais do projeto em função de seu perfil e de características físicas como estrutura, textura, drenagem e capacidade de suporte de carga. O solo como material de construção e manutenção de estradas poderá ser usado, principalmente, em aterros para finalidades as mais diversas, como sub-bases e bases de pavimentos. Nesses casos, os estudos da capacidade de suporte de cargas, 21 características de infiltração, bem como susceptibilidade à erosão do solo, auxiliam na construção e principalmente na manutenção das estradas. A capacidade de suporte adequada para cada estrada conforme seu uso pode ser obtido com a estabilização de solos, cujo processo confere uma maior resistência às cargas e à erosão, por meio de compactação, da correção granulométrica e da sua plasticidade (Vargas, 1977). Por tais motivos o conhecimento dos parâmetros hidromecânicos do solo são fundamentais para a estabilização do solo quanto à resistência (capacidade de suporte) percolação e resistência a erosão. Entre os principais parâmetros do solo tem-se a densidade, porosidade, textura, limites de Atterberg, índices de infiltração entre outros. 2.3.1 Densidade do solo e porosidade A densidade do solo pode ser considerada como um dos atributos físicos do solo de maior influência tanto na resistência do solo como na porosidade e consequentemente no seu coeficiente de permeabilidade. Essa influência tem relação também com a textura do solo, pois enquanto solos argilosos possuem maior porosidade e se compactam mais facilmente, nos arenosos ocorre o oposto. Sampaio et al. (2006) salientam que a resistência do solo está vinculada à sua densidade, ou seja, quanto mais conseguirmos compactar o solo, aumentando sua densidade, maior resistência e estabilidade desse se obterá. A densidade seca máxima e a umidade ótima determinada no ensaio descrito como Ensaio Normal de Compactação ou Ensaio Proctor mostram que apenas no teor de umidade ótimo se atinge a máxima massa específica seca (kg.m-3), que corresponde à maior resistência do solo. Braida et al. (2006) salientam que por meio da curva de compactação é possível observar que posterior ao seu ponto de umidade ótima, quanto maior a umidade menor a resistência do solo. De acordo com Guerra (2001), a porosidade está relacionada de maneira inversa com a densidade do solo, ou seja, à medida que a porosidade aumenta diminui a densidade do solo, conseqüentemente ocorre à redução da infiltração da água no solo. Considerando o perfil do solo, a densidade tende a aumentar com a profundidade devido às pressões exercidas pelas camadas superiores que provocam a compactação, reduzindo a porosidade total, pois essa está dividida em macro e microporos. 22 Alves Sobrinho et al. (2003) mostram que selamento também reduz a porosidade, destacando que solos sob condições de incidência de chuvas intensas, podem formar um selo superficial com redução da porosidade total (principalmente da macroporosidade), diminuindo a taxa de infiltração de água no solo e, conseqüentemente, facilitando o processo erosivo. Schaefer (2002) mostra que o solo desprotegido de cobertura, exposto às chuvas, recebe a maior parte da energia cinética da precipitação, quebrando os agregados e iniciando o processo de erosão. Com a destruição dos agregados, as partículas menores em suspensão penetram e obstruem os poros, diminuindo a permeabilidade e formando o selamento superficial, influenciando a infiltração de água no solo. 2.3.2 Textura, limites de Atterberg e curva granulométrica A textura do solo tem influência direta na taxa de infiltração de água, como também na aderência ou força de coesão das partículas. Os teores de areia, silte e argila do solo determinados pelo ensaio de granulometria, influem diretamente no ponto de aderência aos implementos de preparo do solo seja para plantio ou para obras. O estudo do comportamento do solo frente às solicitações a ele impostas é de fundamental importância. Dessa forma o conhecimento dos limites de Atterberg torna-se necessário em obras de sistemas de drenagem, visto que representam os sucessivos estados físicos do solo. Barreto et al. (2001) avaliam que entre os parâmetros físicos do solo para fins de drenagem, a condutividade hidráulica depende da fluidez da água, que é proporcional a sua viscosidade e densidade, e da macroporosidade que, por sua vez, é função da textura e da estrutura. Santos et al. (2002) destacam o estudo granulométrico para monitoramento da camada superficial do solo quanto à análise de resistência dessa camada superficial do solo quanto à análise de resistência dessa aos processos erosivos a aos processos erosivos desenvolvidos pelo impacto das chuvas. Thurler (1989) ressalta a importância da granulometria sobre propriedades do solo. O autor, estudando relações entre propriedades físicas do solo em condição natural, concluiu que a partir da granulometria é possível estimar a porosidade de distintos solos. 23 Machado (1986) e Fernandes (2000) destacaram a granulometria, os limites de Atterberg, o equivalente de areia, a compactação, o índice de suporte Califórnia (CBR) e a resistência à compressão simples (RCS), como os parâmetros geotécnicos considerados de suma importância para caracterização geotécnica de solos empregados como subleito ou camadas de pavimento de rodovias. 2.3.3 Classificação táctil – visual A classificação táctil-visual é uma classificação através da qual é possível classificar os solos em função das partículas que os constituem. Em geral, o mais importante é conhecer o estado em que o solo se encontra. À classificação inicial, se acrescenta às informações correspondentes à compacidade (das areias) ou à consistência (das argilas). É muito utilizada quando o projeto não justifica, economicamente, a realização de ensaio de laboratório, seja porque se está em fase preliminar de estudo, em que ensaios de laboratório não são disponíveis ou porque é necessário descrever um solo sem dispor de resultados de ensaios. O tipo de solo e o seu estado têm de ser estimado, o que é feito por meio de uma identificação táctil-visual, manuseando-se o solo e sentindo sua reação ao manuseio. Através de análise táctil-visual, perfil de umidade, distribuição granulométrica e a densidade das partículas da amostra pode se comprovar a classificação típica do solo apresentada no perfil dos relatórios de sondagem SPT (Standard Penetration Test ou Teste Modelo de Penetração). Por meio desses resultados, consegue-se classificar o solo quanto à característica arenosa, pouca presença de finos (silte e argila) e rápida absorção de água nas camadas iniciais, de acordo com o perfil de umidade, evidenciando a permeabilidade do solo (Câmara & Pereira, 2005). Geraldo & Diniz (2002) recomendam para a determinação da resistência e permeabilidade dos materiais do subsolo, a execução, ao longo do furo de sondagem, de ensaios específicos para cada horizonte, devendo, os materiais terrosos para a construção, ser classificados através de uma análise táctil-visual e ensaios de caracterização desenvolvidos em laboratórios. 24 2.3.4 Infiltração A infiltração da água no solo é um processo dinâmico de penetração vertical e lateral da água através da superfície do solo. O conhecimento da taxa de infiltração da água no solo é de fundamental importância para definir técnicas de conservação do solo, planejar e delinear sistemas de irrigação e drenagem, bem como auxiliar na composição de uma imagem mais real da retenção da água e aeração no solo (Paixão et al., 2004). Cunha et al. (2008) salientam que a compreensão da infiltração de água no solo permite entender a atuação dos processos e mecanismos de erosão, que tem sua origem no desequilíbrio hidrológico ocasionado pela ocupação do solo, quase sempre acompanhado pela remoção da cobertura vegetal. Brandão et al. (2006) afirmam que ainda não existe consenso sobre quais métodos de determinação apresentam melhores resultados para a infiltração, principalmente quando se trata de solos formados em regiões de clima tropical, como é o caso do Brasil. Estudos revelam que os valores encontrados da capacidade de infiltração do solo, determinada por anéis infiltrômetros, são maiores que os estabelecidos pelo simulador de chuvas. Os testes comparativos de infiltração com anéis e o simulador de chuvas evidenciam que a diferença entre os dois métodos pode estar ligada ao impacto direto das gotas com a superfície do solo, que ocorre no simulador e não ocorre nos anéis (Costa et al., 1999). Além dos métodos diretos para medição da infiltração, existem as estimativas realizadas por meio de modelos matemáticos. Paixão et al. (2004), em experimento com solos de textura arenosa após realizar um total de 65 testes de infiltração com anéis, concluíram que para as condições locais do estudo, o modelo proposto por Horton (1940) foi o que apresentou o melhor desempenho na estimativa de valores médios da taxa de infiltração quando comparado como os demais modelos empíricos. Já o procedimento utilizando regressões não lineares apresentou as melhores estimativas dos valores médios da taxa de infiltração por meio do ajuste da função potencial, seguido da função exponencial. No caso de estradas e bacias de acumulação e infiltração existem fatores que limitam a infiltração da água no solo. A alta compactação nas estradas devido às técnicas 25 de construção e ao tráfego, tornam-a praticamente impermeável, já nas bacias, o acúmulo de finos gera uma camada ou crosta de baixa permeabilidade, limitando a infiltração. Brandão (2003) destaca que as crostas se formam a partir do empoçamento da água e a partir desse, por meio do rearranjo de partículas do solo no fundo das poças, sendo que as maiores sedimentam mais rapidamente formando a camada do fundo e as partículas mais finas depositam-se mais lentamente, formando a camada superior. Os grãos de solo são depositados a poucos milímetros de profundidade nos vazios entre os agregados, induzindo o decréscimo da taxa de infiltração e aumento da densidade. Levien et al. (2000) salientam a importância da determinação da taxa de infiltração de água no solo sob condições de selamento superficial, uma vez que esta é necessária nos estudos de conservação de solo e de água, pois se sabe que esta condição existe e é variável com o manejo dado ao solo. Esta limitação, ou seja, a não consideração da presença de selamento superficial, aliada a suposição de estacionariedade da intensidade de precipitação do evento de chuva, reduz a exatidão de modelos utilizados (CHU, 1978). Em pesquisa sobre dinâmica de água em terraços posicionados em nível, Castro (2001) obteve resultados que demonstraram a influência dos manejos agrícolas na deposição de água e solo sobre o canal do terraço e estas na formação de selamento superficial e na capacidade de infiltração de água no canal, variando conseqüentemente a condutividade hidráulica durante o tempo de utilização. 2.4 EVAPORAÇÃO A evaporação é o fenômeno do ciclo hidrológico que consiste na passagem da água do estado líquido para o estado gasoso à temperatura ambiente quando observada em condições naturais. A taxa de evaporação é dependente da superfície da água em contato com o ar, da temperatura ambiente e da ventilação. Para o caso de água armazenada em bacia de acumulação e infiltração, devido às condições da superfície da água em contato com o ar, a evaporação pode ser considerada funcionalmente, análoga à situação de reservatórios. Pereira et al. (2009) salientam que estimativas confiáveis de evaporação nos reservatórios sejam essenciais tanto no planejamento e gerenciamento dos recursos hídricos quanto em estudos de impacto ambiental. Mostram ainda, preocupação com os problemas existentes na gestão de recursos hídricos relacionados às inconsistências 26 observadas nas vazões calculadas a partir de séries históricas, as quais são representadas por reduções expressivas nas vazões com o aumento da área de drenagem e às perdas de água por evaporação nos reservatórios. O desenvolvimento de métodos confiáveis para estimativa da evaporação em lagos, baseados em informações climatológicas de fácil obtenção, ainda é um desafio. Roque & Sansigolo (2001) salientam que a maioria dos métodos atualmente disponíveis estima a evaporação a partir de observações de temperatura, umidade, velocidade do vento e radiação solar ou usa as medidas de evaporação feitas em tanques instalados em estações meteorológicas situadas no ambiente terrestre. 2.5 ESTRUTURAS DE DRENAGEM EM ESTRADAS NÃO PAVIMENTADAS Em uma análise das linhas de escoamento superficial em uma bacia hidrográfica é fácil notar que as estradas pavimentadas ou não, comumente interceptam as linhas de fluxo do escoamento natural da bacia, interferindo assim, em toda a dinâmica do ciclo hidrológico. Desta forma, as estruturas de drenagem devem ser pensadas a partir das áreas de contribuição externas à estrada, impedindo que o escoamento atinja o leito e que o escoamento gerado nessa seja rápida e adequadamente conduzido para fora da superfície de rolamento. A drenagem deve também impedir que elevadas energias de escoamento causem erosões às margens das estradas, por meio de estruturas adequadas para recebê-las. Demarchi et al. (2003) ressaltam que as estradas frequentemente interferem nos padrões naturais de drenagem e tendem a promover a concentração das águas de vários modos e, a superfície compactada da pista de rolamento restringe a infiltração, levando a um aumento nas taxas de escoamento superficial. A construção ou a manutenção inadequada fazem das estradas não pavimentadas, grandes canais escoadouros que além de afetarem as condições de tráfego, aceleram os processos erosivos, os quais se tornam mais graves em declives acentuados. É necessário que a plataforma da estrada seja construída e mantida com abaulamento. Devem ser planejados e dimensionados canais de drenagem e saídas laterais para a água de escoamento e que esta seja adequadamente conduzida ou acondicionada por estruturas próprias, como sistemas de terraceamento, canais escoadouros ou bacias de acumulação e infiltração. 27 CWP (2001) recomenda que o objetivo da bacia de acumulação e infiltração seja o armazenamento temporário do escoamento superficial e que esta deverá permitir a infiltração através do fundo e das paredes da bacia, devendo apresentar um projeto específico. Casarin & Oliveira (2009), em pesquisa para desenvolver um sistema de contenção de águas pluviais em trecho de estrada rural encaixada no terreno, destacam que a construção das bacias de acumulação e infiltração partiu de locação técnica, em função do declive do local, da área de exposição, do tipo de solo e da precipitação local, visando diminuir a erosão por escoamento de águas. Demarchi et al. (2003) advertem que os municípios devem orientar o desenvolvimento de um bom sistema de drenagem para os caminhos rurais, o que é uma questão bastante elementar. Entretanto, essa orientação requer muita atenção na fase de projeto, pois é preciso que este leve em conta os fatores climatológicos, topográficos, geológicos e o tipo de solo, uma vez que a susceptibilidade à erosão das áreas atingidas pelo traçado da estrada determina as diretrizes que devem ser tomadas para a adoção de dispositivos tecnicamente eficientes a um custo relativamente baixo. Um dos problemas existentes para isto é a falta de metodologias, estudos e desenvolvimento de técnicas adequadas e confiáveis para drenagem em estradas não pavimentadas sob diferentes condições de relevo, solos e clima. Neste sentido, Griebeler et al. (2005) desenvolveram um modelo para determinação do espaçamento máximo entre desaguadouros em estradas não pavimentadas, tendo como base a vazão do escoamento no canal da estrada e a resistência que esse canal apresenta. O modelo permite a entrada de parâmetros de precipitação, características geométricas da estrada, do sistema de drenagem e de acumulação de água e as características de resistência do solo. Silva (2009) desenvolveu um modelo para a determinação do volume requerido para bacias de acumulação e infiltração instaladas em estradas não pavimentadas, a partir da consideração de uma série sintética de dados diários de precipitação. Silveira & Goldenfum (2004), em trabalho de pré-dimensionamento de estruturas de drenagem em estradas não pavimentadas, estabelecem que a bacia de acumulação e infiltração tenha seu volume dimensionado para liberar o escoamento máximo da área por ela controlada. 28 2.6 CUSTOS DE CONSTRUÇÃO PARA ESTRUTURAS DE DRENAGEM EM OBRAS RODOVIÁRIAS Conforme estabelecido pelo DNIT (2008) por meio do Sistema de custos referenciais de obras 2 e 3 (SICRO2 e SICRO3), os custos relativos a obras rodoviárias para projetos de construção e manutenção são regidos pelos seguintes parâmetros: 2.6.1 Custos de Propriedade a. Depreciação Em termos genéricos, a depreciação é considerada como a parcela do custo operacional correspondente ao desgaste e à obsolescência do equipamento que ocorrem ao longo de sua vida útil. Assim sendo, seu valor total corresponde à diferença entre o preço do equipamento novo e o valor residual que ele ainda possui ao final de sua vida útil. O cálculo da depreciação para efeito de custeio é realizado considerando os parâmetros de período de vida útil, valor de aquisição de equipamento novo e o valor residual e, ainda, da definição da forma como imputar este ônus ao custo operacional horário. b. Valor de Aquisição Os valores de aquisição dos equipamentos, utilizados nos cálculos do seu custo horário, são sempre aqueles objetos de coleta pelo Sistema de custos de infraestrutura de transportes (Sinctran), em cada Estado, correspondentes às cotações de fabricantes ou grandes revendedores, para venda à vista de equipamentos novos, mais a carga tributária que sobre eles incide (ICMS e IPI). c. Valor Residual Os percentuais utilizados pelo DNIT (2008) para estimar os valores residuais dos equipamentos, isto é, aqueles que o mercado estaria disposto a pagar por eles, no estado em que se encontram, após o transcurso de sua vida útil, foram apoiados em atualizações das pesquisas realizadas pelo SICRO2 junto ao mercado de máquinas usadas nas praças do Rio de Janeiro e São Paulo, tendo-se chegado para trator de esteira com até 200 KW de potência, um valor de 20%. d. Vida Útil 29 Para o cálculo da vida útil do equipamento, conforme orientações do DNIT, foi estabelecida a condição de tipos de solos e superfície de operação como sendo uma argila com umidade, significando condições médias. e. Critério de Depreciação Para o cálculo da depreciação dos equipamentos, o SINCTRAN adota o método da “linha reta”, cujos procedimentos de cálculo são simples, e representam bem o custo que se pretende determinar. 2.6.2 Custo de Oportunidade do Capital No que diz respeito aos juros relativos ao capital aplicado em equipamentos, existem duas alternativas de imputação. Na primeira, eles são imputados diretamente no cálculo do custo horário do equipamento. Outra forma de fazê-lo seria computar seu valor agregado ao resultado da operação global, ou seja, remetê-lo ao BDI (Bens e despesas diretas). O SINCTRAN adota este segundo critério. A margem de lucro prevista é que deve remunerar o custo do capital investido em equipamento de construção. Cabe lembrar que, considerar os custos do capital aplicado como remuneração deste fator de produção não significa que se deva computá-los aos níveis de juros de mercado na ponta da captação. O critério justo seria de remunerá-lo pelo seu custo de oportunidade, ou seja, pelo nível médio de rendimento que este capital poderia obter, em condições semelhantes de risco. Como, entretanto, seria extremamente difícil definir o que poderia ser considerada uma condição semelhante de risco, tomou-se como referência as opções de baixo risco apresentadas pelo mercado, que compensam taxas mais baixas com a segurança da aplicação. 2.6.3 Seguros e Impostos De uma maneira geral, devido ao alto custo envolvido e a baixa freqüência de sinistros, os grandes frotistas e prefeituras na sua maioria não fazem seguro de todos seus equipamentos em companhias seguradoras, a não ser em casos especiais. Eles próprios bancam os riscos, representados principalmente por avarias, já que os roubos de equipamentos de maior porte são raros. Consideram-se, a título de Seguros e Impostos, somente o IPVA e o seguro obrigatório necessários para a regularização do veículo. 30 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 LOCALIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DAS BACIAS Os dados foram coletados em bacias de acumulação e infiltração construídas às margens da Rodovia Geraldo Silva Nascimento, em área pertencente ao Instituto Federal Goiano (IFT), Campus Urutaí, GO, localizado na zona rural do Município de Urutaí, GO, e processados na Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, GO. As duas bacias para acumulação e infiltração do escoamento superficial foram construídas em 21/01/2010, período chuvoso para a região, sendo nominadas de Bacia I, localizada nas coordenadas, longitude 48º12’97’’W e latitude 17º29’42’’S, e Bacia II, localizada nas coordenadas, longitude e latitude 17º29’67’’S, sendo de aproximadamente 295 m, a distância entre as bacias. Os locais pré-estabelecidos para implantação das bacias de acumulação e infiltração I e II foram escolhidos por estarem em estrada de fácil acesso e por estarem próximos da sede do IFT. Essas características dos locais foram observadas por ser necessárias para a implantação das bacias de acumulação e infiltração e facilitar o monitoramento diário. As dimensões construídas foram, respectivamente, para a Bacia I e Bacia II, de 5,40 m e 4,70 m de raio; 2,10 m e 1,52 m de profundidade e 65,08 m3 em 30,42 m3 de volume, sendo estas determinadas utilizando o software Estradas, com o qual é possível estimar também a vazão afluente. Os dados básicos para entrada no software foram a semilargura da estrada de 3 m, a declividade de 10% (ambos medidos no local), o período de retorno da precipitação de 3 anos para a localidade Ipameri-GO, erodibilidade e tensão crítica de cisalhamento de 0,006 g cm2 min-1 Pa-1 e 3,70 Pa, respectivamente (OLIVEIRA et al, 2009). Estes valores do trabalho citado foram utilizados porque são parâmetros determinados em solos de estradas semelhantes aos solos do local de construção das bacias. Para a construção das bacias utilizou-se um trator de pneu com lâmina frontal (Figura 3). 31 Figura 3. Construção das bacias de acumulação e infiltração, Campus do Instituto Federal Goiano, Urutaí, GO. 3.2 CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO Para a caracterização físico-hídrica do solo foram coletadas amostras de solo em ambas as bacias, antes e depois da retenção do escoamento superficial. Em cada uma das bacias foram coletadas amostras, com profundidade máxima de 40 cm da superfície da bacia já escavada, em cinco pontos distintos, distribuídos de forma que o material coletado representasse as condições de campo e abrangência, possibilitando uma melhor caracterização (Figura4). Figura 4. Pontos de coleta (A, B, C, D e E) de amostras para caracterização físico-hídrica do solo nas bacias de acumulação e infiltração. Após a coleta do material em cada um dos cinco pontos, as amostras individuais foram agrupadas em amostra única, acondicionadas e catalogadas como 32 amostra I para bacia de acumulação e infiltração I e, II para a bacia II, sendo levadas ao laboratório para determinação de densidade específica do solo, granulometria, textura, limites de Atterberg, porosidade e índice de atividade de argila. As amostras iniciais (Sa) foram coletadas em 22/01/2010, após o término da construção e antes da ocorrência das primeiras precipitações. Após a retenção (Sd) do escoamento superficial pelas bacias, em 27/04/2010, foi realizada novamente coleta de material ao lado dos pontos das amostras iniciais, de modo a evitar a coleta de material sedimentado no furo da coleta inicial. Para tanto, antes desta coleta, foi também removida a camada superficial de material advindo do escoamento superficial, visando apenas a coleta do solo pertencente a base original da bacia. O solo erodido (Se), transportado e depositado em cada bacia de acumulação e infiltração pela água proveniente do escoamento superficial foi também amostrado e submetido aos mesmos ensaios, tendo sido também utilizado para a coleta das amostras, o método dos cinco pontos, porém procedeu-se de forma que apenas os sedimentos depositados fossem coletados. Além das análises de caracterização também foi também realizado um ensaio táctil-visual no solo do centro de cada bacia e a determinação de sua densidade. Para determinação da densidade do solo foi utilizado um amostrador UHLAND para coleta de amostras indeformadas (Figura 5), as quais foram levadas à estufa por 24 horas a 105ºC e pesadas em balança de precisão no laboratório de física do solo do IFG. Figura 5. Amostra indeformada para determinação da densidade do solo. 33 De posse da massa e do volume conhecido do anel coletor, determinou-se a densidade seca do solo ρd (g cm-3) de cada bacia utilizando a Equação 1. ρd M D (1) Em que: ρd corresponde à densidade do solo seco (g cm3); M a massa da amostra seca (g) e V ao volume interno do anel (cm3). A porosidade foi determinada por meio da Equação 2. n(%) (1 ρd )100 ρs (2) Em que: n é a porosidade total (%); ρd é a densidade do solo seco; e ρs é a densidade específica do solo. 3.2.1 Ensaio táctil - visual Este ensaio foi realizado, em cada bacia, após o período chuvoso, por meio de uma perfuração utilizando um trado de 1 ½ polegadas de diâmetro e 1 m de comprimento. As amostras foram retiradas em um furo nos pontos centrais de cada bacia para que as camadas dos solos pudessem ser observadas de forma mais abrangente (Figura 6). Figura 6. Ensaio e análise táctil-visual dos solos das bacias O ensaio foi executado com a observação e a análise de amostras a cada camada de 20 cm de profundidade seqüencialmente, anotando-se as características e 34 valores observados. Anotações foram realizadas sempre que detectadas variações observadas visualmente ou pelo tato no manuseio do solo, como a textura. Para realização das anotações foram seguidas as determinações da Norma NBR 6484 – Solo (ABNT 199X). Esta Norma prescreve o método de execução de sondagens de simples reconhecimento de solos pelo standard penetration test (SPT), teste de penetração padrão, também chamado de sondagem à percussão e por meio de ensaio táctil-visual, cujas finalidades, para aplicações em áreas da Engenharia são: a determinação dos tipos de solo em suas respectivas profundidades de ocorrência, a posição do nível de água e os índices de resistência à penetração. 3.2.2 Determinação das taxas de infiltração As taxas de infiltração da água no solo nas bacias de acumulação e infiltração foram determinadas antes da ocorrência das precipitações através do método do infiltrômetro de anéis, concêntricos, conforme (Bernardo, 1995) (Figura 7). Os testes foram realizados até que o fluxo de entrada de água no solo se tornou constante, ou seja, até a obtenção da taxa de infiltração estável (Tie). Figura 7. Determinação da infiltração por anéis concêntricos antes e posterior à utilização das bacias. 35 3.3 MONITORAMENTO Foram monitoradas as precipitações, o volume e o rebaixamento da água nas bacias por meio de leituras do nível da água na régua em cada bacia e do pluviômetro diariamente. A infiltração também foi medida por meio do monitoramento do rebaixamento da água nas bacias. Pelo monitoramento, a taxa de infiltração de cada bacia foi obtida por meio da razão entre o volume infiltrado e a quantidade de horas correspondentes às leituras diárias. Quando a bacia ainda estava com água e houve novo acúmulo de água proveniente de uma nova precipitação, o processo de infiltração foi considerado constante, tomando como variação de altura para cálculo do volume infiltrado, a variação da altura medida no dia anterior. Este procedimento foi necessário devido ao fato de não ter sido monitorada a vazão afluente na bacia. 3.3.1 Monitoramento da precipitação Para monitorar a precipitação durante o período chuvoso e pelo tempo que as bacias foram utilizadas, foi instalado um pluviômetro a 50 m de distância da localização da bacia II (Figura 8). Figura 8. Pluviômetro instalado nas imediações das bacias de acumulação e infiltração. 36 As leituras no pluviômetro foram executadas de forma sistemática, padronizadas no tempo de 24 horas, sendo os totais precipitados verificados todos os dias às 9 horas. 3.3.2 Equacionamento dos volumes acumulados de água Com objetivo de monitorar as variações diárias do volume de água acumulado provocadas pela precipitação, infiltração e evaporação, foi utilizada uma régua graduada milimetricamente, feita com um tubo de PVC (Policloreto de Vinila) com diâmetro de 40 mm, fixada no centro de cada bacia (Figura 9). No processo de fixação da régua foi deixada uma altura de 10 cm, antes do marco inicial (valor zero), como fator de segurança para que o material solto, proveniente do movimento da máquina durante a construção, pudesse assentar sem mascarar o resultado da medição do volume. Esse procedimento foi motivado porque a expectativa é que a maior parte deste material, presente na área interna da bacia, se acomode na parte mais baixa logo após as primeiras chuvas. Figura 9. Bacia de acumulação e infiltração de água, indicando a presença da régua para acompanhamento da altura de lâmina d’água. As leituras do nível de água na bacia foram realizadas concomitantemente a leitura do pluviômetro. O monitoramento teve início em 22/01/2010 data do término da construção e montagem da régua em cada bacia de acumulação e infiltração, com encerramento em 05/05/2010, data em que a água das bacias havia infiltrado ou evaporado completamente. Com os dados obtidos por meio das leituras da régua, foi calculado o volume acumulado conforme Equação 3, executado diariamente durante o período e utilizadas para 37 o cálculo, nas equações de calota esférica do hemisfério sul, pois as bacias de acumulação e infiltração foram consideradas geometricamente como calotas esféricas. Vc(h) h 2 (3R h) 3 (3) Em que: Vc(h) é o volume acumulado (m3); h é a leitura da lâmina d’água na bacia (m) e R é o raio da bacia (m). O volume infiltrado para cada dia de leitura foi obtido pela diferença de volumes correspondentes as variações diárias das alturas do líquido na régua entre os dias posteriores e anteriores, calculados (Equação 3). Pelo resultado dessa diferença obtêm-se o volume infiltrado juntamente com o evaporado e pela subtração desse do evaporado, temse o volume infiltrado. O volume infiltrado e evaporado em dias que houve precipitação, ou seja, nesse caso, a leitura da régua forneceu variação negativa devido ao acréscimo de volume, o volume infiltrado e evaporado foi estimado como sendo igual ao do dia anterior, pois os processos de infiltração e evaporação continuam existindo desde que haja água na bacia, proveniente do escoamento superficial, exigindo que os processos de infiltração e evaporação continuam atuando. Com os valores do volume infiltrado a cada dia, determinado por meio dos valores das leituras da régua, foi possível determinar a infiltração em cada bacia de acumulação e infiltração, utilizando equações algébricas de calota esféricas do hemisfério sul (Equações 4 e 5). Alat 2Rh I (VIx1000) (Alatx24) (4) (5) Em que: Alat é a área superficial interna da bacia (m2); I é a infiltração (mm h-1) e VI é o volume infiltrado (m3). 38 3.4 EVAPORAÇÃO Para a determinação da evaporação foi utilizado como referência 160 mm mês1 de média para evaporação em lagos (PEREIRA et al., 2009), considerando o funcionamento de uma bacia de acumulação e infiltração em termos de evaporação, semelhante a um lago. O volume evaporado diariamente foi determinado pela multiplicação do coeficiente diário de evaporação (5,33 mm dia-1) pela área máxima do espelho d’água correspondente a altura medida na régua, independente da variação ocorrida no período (Equação 6). Vev 5,33 (2R h) h 1000 (6) Em que: Vev é o volume evaporado (m3 dia-1); h é a leitura da lâmina d’água na bacia (m) e R é o raio da bacia (m). Depois de calculados os dados de volumes acumulados, infiltrados e evaporados, foram gerados tabelas e gráficos que permitiram interpretar o comportamento da infiltração e evaporação em cada bacia de acumulação e infiltração. 3.5 DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE VOLUMÉTRICA DAS BACIAS E VOLUME SEDIMENTADO O dimensionamento das bacias é realizado com base em relações geométricas, no entanto, a sua construção nem sempre acompanha o perfil projetado, devido ao tipo de equipamento e limitações de manobras ou capacidade operacional do operador. Com objetivo de averiguação entre diferenças nas dimensões e formas, foram comparadas as dimensões calculadas pela geometria com aquelas construídas em campo, cujo volume real foi determinado com auxílio de um nível ótico. A leitura das cotas nas bacias foi realizada após a sua construção e no final do período chuvoso, quando do seu completo esvaziamento, permitindo comparar as duas leituras e também a quantificação do material erodido e depositado no seu interior (Figura 10). 39 Figura 10. Bacia de acumulação e infiltração recém-construída. Para maior regularidade da descrição da bacia quando do levantamento das cotas com o nível ótico, foram distribuídos regularmente piquetes na sua área interna, obedecendo a uma malha quadrada de 1,08 m de lado para a bacia I e 0,94 m para a bacia II. A leitura de mira foi realizada em cada ponto predeterminado pelos piquetes, obtendose a cota e permitindo a descrição da superfície interna das bacias (Figura 11). Figura 11. Levantamento altimétrico em pontos da superfície interna da bacia de acumulação e infiltração II, locados por estiletes. Após a obtenção dos volumes de construção das bacias, os valores foram confrontados com os respectivos volumes teóricos determinados por meio de equações matemáticas. 40 Os valores obtidos do levantamento com o nível ótico foram também utilizados no software Gnu Octave, versão 6.6.1 (http://www.gnu.org/software/octave/), gratuito, para determinar figuras tridimensionais, referentes às bacias construídas, possibilitando a visão do formato real de cada bacia de acumulação e infiltração após a sua construção. 3.6 SISTEMA DE BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO EM SÉRIE Bacias de acumulação e infiltração com funcionamento em série ao compará-lo com bacia isolada oferecem redução de dimensões, pois uma ou mais bacias são dimensionadas para acumular o mesmo volume de uma. Para dimensionamento de sistema de bacias em série, o volume deve ser calculado partindo pela Equação 5, porém cada bacia da série possui uma equação correspondente ao seu raio e altura. O volume total é obtido pela soma das equações individuais das n bacias do sistema, que depois de desenvolver algebricamente, (Equação 7). Vc(h) (h1 R1 h 2 R 2 2 2 3 3 3 h1 h 2 h 2 ... h n R n n ) 3 3 3 (7) Em que: Vc(h) é o volume da bacia, m3; h1 é a altura ou profundidade da bacia 1, m; R1 é o raio da bacia 1, m; h2 é a altura ou profundidade da bacia 2, m; R2 é a raio da bacia 2, m; hn é a altura ou profundidade da bacia n, m; Rn é a raio da bacia n, m. A Equação 7 permite dimensionar bacias com funcionamento em série em função de um volume total pré-determinado, ou seja, um volume único pode ser substituído por uma série de outros, cuja soma é equivalente ao volume total de projeto. Esse sistema de dimensionamento pode ser utilizado conforme as condições locais exigirem. 41 3.7 PERDA DE SOLOS Cada bacia de acumulação e infiltração possui uma área de contribuição específica, constituída de uma parte relativa à estrada que por gravidade escoa diretamente para bacia e outra de contribuição externa coberta por pastagem de brachiaria que também por gravidade escoa diretamente para bacia ou indiretamente através da própria estrada. A identificação das áreas de contribuição de cada bacia de acumulação e infiltração foi feita por meio de um receptor geodésico GPS. A metodologia utilizada foi procedida por meio de Sistemas Globais de Navegação por Satélites (GNSS) utilizando um equipamento Hipper Lite mais L1/L2 da marca Topcon, método relativo stop and go. Primeiramente foi percorrida a linha divisória das águas relativa à área de contribuição total e marcando concomitantemente todos os pontos necessários para o cálculo. Posteriormente com a mesma metodologia, foram marcados os pontos referentes à demarcação da área de contribuição pertencente às estradas, possibilitando a separação e identificação das áreas externas e de estrada propriamente ditas. Por identidades de características funcionais de escoamento superficial, evaporação e infiltração foram também consideradas como áreas de estradas, aquelas pertencentes aos desaguadouros. A determinação do valor do material erodido e depositado em cada bacia de acumulação e infiltração visou gerar estimativas das perdas de solos originárias de cada estrada utilizada no monitoramento. 3.7.1 Perda de solos da área de contribuição externa para cada bacia Para estimar a perda de solo da área de contribuição externa de cada bacia foi utilizada a Equação Universal de Perda de Solo (USLE), proposta por Wischmeier & Smith (1978). A RKLSCP (8) Em que: A é a perda de solo em unidade de massa por unidade de área e unidade de tempo, Mg ha-1 ano-1; R é o fator erosividade da chuva, MJ mm ha-1h-1ano-1; K é o fator erodibilidade do solo, Mg h MJ-1 mm-1; 42 LS é o fator topográfico, adimensional; C é o fator de uso/manejo do solo, adimensional; P é o fator práticas conservacionistas, adimensional. Para o cálculo dos valores de erosividade referentes ao período de monitoramento, foram tabulados os dados de chuva observados por meio do pluviômetro, iniciando no primeiro dia, 22/01/10, e fechando o período em 22/04/10, sendo o último dia coincidente com o fim das precipitações no local. A média anual das precipitações foi obtida de uma série histórica de treze anos da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em Ipameri-GO por ser regionalmente mais próxima ao local do experimento. A metodologia utilizada para gerar os índices de erosividade (Rr) das áreas de estudo, obedeceu a critérios de cálculo com base nas precipitações médias mensais e anuais relativos às séries históricas da região dos solos estudados, de acordo com o modelo descrito por Silva (2004), conforme a Equação 9, autoria de Morais et al. (1991). 1, 0852 Mx2 Rr 36,849 P (9) Em que: Rr é a representação do índice de erosividade médio (MJ mm ha-1 h-1); Mx é a precipitação média mensal (mm); P é a precipitação média anual (mm); e 36,849 é o parâmetro empírico da equação. Também foi utilizada para gerar os índices de erosividade (EI30) cuja soma dos valores mensais constitui o R, a metodologia proposta por Bertoni & Lombardi Neto (2008), que utilizam séries históricas de dados de chuvas de um determinado local, tendo o EI30 obtido pela Equação 10. EI 30 67,355( p 2 0,85 ) P (10) -1 -1 -1 Em que: EI é a média mensal do índice de erosão, MJ ha mm h mês ; p é a precipitação média mensal, mm; P é a precipitação media anual, mm. 43 O fator K foi estimado pelo método proposto por Wischmeier et al. (1971), expresso pela Equação 11: 2,1.10 12 MOM K 4 1,14 3,25EST 2 2,5PER 3 0,1317 100 (11) Em que: M é a soma dos teores de silte (%) e areia muito fina (%) multiplicados por 100 menos o teor de argila (%), sendo a textura feita com uso do NaOH 1 mol L-1 como dispersante; MO é o teor de matéria orgânica do solo (%), sendo que neste trabalho foi considerado para matéria orgânica teor de 6,5%, utilizando-o para as bacias I e II. Esse percentual corresponde a um valor médio, obtido entre os resultados de Latossolo e Argissolo determinados por vários métodos de quantificação de teor de matéria orgânica, coforme Silva et al. (1999); EST e PER são códigos, adimensionais, correspondentes à estrutura e permeabilidade do solo, respectivamente. No presente trabalho, as classes de estrutura e permeabilidade foram codificadas de acordo com Wischmeier et al. (1971), com base na descrição geral dos perfis dos solos, observadas pelo análise táctil-visual executado in loco nos solos de cada bacia e nos resultados da textura. A estrutura foi considerada como 4 e permeabilidade 5, que foram obtidos, tomando como base, as frações texturais do material erodido e sedimentado em cada bacia, que pelo método de classificação textural do triângulo, indicou textura franco argilosa para as bacias I e II, conforme Lemos & Santos (1996). Para o cálculo do fator topográfico foi utilizada a fórmula desenvolvida por Bertoni & Lombardi Neto (2008). LS 0,00984L0,63S1,18 (12) Em que: S corresponde ao grau de declive (%) e L é o comprimento de rampa do terreno (m). A declividade e o comprimento de rampa foram obtidos por meio do levantamento topográfico e determinações locais de declividade. O fator uso e manejo (C) refere à relação entre perdas de solo de terreno cultivado em determinadas condições e perdas correspondentes a um terreno mantido continuamente descoberto, ou seja, nas 44 mesmas condições em que o fator K (erodibilidade) foi avaliado. O fator prática conservacionista (P), que refere à relação entre as perdas de solo de um terreno cultivado com determinada prática e as perdas quando se planta morro abaixo, adimensional, foram obtidos de acordo com Bertoni & Lombardi Neto (2008), sendo utilizado tanto para a bacia I quanto para a II, C = 0,404 e P = 0,500. 3.7.2 Perda de solos da área de estrada correspondente a cada bacia A perda de solo para cada trecho de estrada que, constitui a área de escoamento superficial das bacias de acumulação e infiltração, foi obtida por operação de subtração entre o volume total de sedimento acumulado em cada bacia e sua respectiva perda de solo da área de contribuição externa à estrada, calculada pela USLE. Para possibilitar a subtração foi feita a equalização das unidades de perda de solo, cujos valores em volume foram transformados em toneladas por meio da densidade do material erodido obtida no ensaio de caracterização. 3.8 ESTIMATIVA DO CUSTO DE CONSTRUÇÃO PARA BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO A estimativa do custo de construção para bacia de acumulação e infiltração em estradas não pavimentadas deve ser parte integrante do modelo e foi desenvolvida conforme metodologia e conceitos estabelecidos pelo DNIT (2008), através do (SICRO 3). Para fins de orçamento, optou-se pelo trator de esteira com lâmina como equipamento básico de construção, devido ser mais adequado funcionalmente para construção de bacias de acumulação e, seguindo as determinações do DNIT (2008) foram consideradas as seguintes despesas para o cálculo do custo horário do equipamento: Custos de propriedade; Depreciação; Custo de oportunidade do capital; Seguros e impostos; Custos de manutenção; Reparos em geral; Material rodante / pneus; Partes de desgaste (bordas cortantes, dentes de caçamba, ferramenta de penetração no solo, entre outras); Custos de operação; Combustível; Filtros e lubrificantes e Mão de obra de operação. O custo horário é utilizado para o cálculo dos custos unitários dos serviços que o equipamento produz, conforme as equações seguintes: 45 CD VA Vr nHTA (13) Em que: CD é o custo de depreciação, R$ h-1; Vr é o valor residual; VA é o valor de aquisição; N é a vida útil, anos; e HTA é a quantidade de horas trabalhadas, h. Para estimar a quantidade de horas necessárias na construção de cada bacia de acumulação foi utilizada a produção média estimada de tratores de esteira, conforme sua potência, para escavação de solo (m3 h-1). Tendo como material de 1ª categoria (areia, arenoso, argila comum e cascalho, etc) e material de 2ª categoria (argilito, rochas em decomposição, massapé, etc), tendo o DTM (distância média de transporte) de 15 m por aproximar do valor máximo do diâmetro de uma bacia tecnicamente viável para efeito de construção. De acordo com o DNIT (2008), para as condições estabelecidas, usando um trator de esteira do tipo Komatsu D-50, sua produção estimada (PE) é de 115 m3 h-1 para solo de 1ª categoria e 92 m3 h-1 para solo de 2ª categoria. Portanto, foi possível determinar a quantidade de horas trabalhadas por bacia de acumulação e infiltração por meio da equação 13, tendo o volume obtido através da equação 3. HTA V PE (14) Em que: HTA é a horas trabalhadas pelo trator em cada bacia de acumulação, h; V é o volume de solo, m3; e PE é a produção estimada para o trator, m3 h-1. Portanto, o cálculo do Custo horário de utilização do equipamento foi feito utilizando a Equação 15. Vr VA r(%) 100 (15) 46 Em que: Vr é o valor residual que é igual ao coeficiente residual, R$; r é o coeficiente residual, adimensional; e VA é o valor de aquisição do equipamento, R$. CJ VM.i HTA (16) Em que: CJ é o custo de juros, reais; VM é o valor médio do equipamento, R$; e i é a taxa de juro anual. CM VA.Km nHTA (17) Em que: CM é o custo de manutenção, R$; e Km é o coeficiente de manutenção. CMA 0,13428 Kw C (18) Em que: CMA é o custo horário do equipamento, R$; Kw é a potência; e C é o custo de um litro de óleo diesel, R$. SB SMH (1 Enc arg os(%) ) 100 (19) Em que: SB é o salário base, reais; e SMH é o salário mínimo horário, R$. CMO E SB (20) Em que: CMO é o custo horário da mão de obra de operação, reais; E é o escala salarial; e SB é o salário base, R$. CH CD CJ CM CMA CMO Em que: CH é o custo horário, R$. (21) 47 Para a máquina considerada no uso da construção da bacia de acumulação e infiltração, foi obtido através de tabelas do SICRO 3, coeficiente de manutenção (Km) com valor de 0,8, sendo também dado o padrão salarial para operador de equipamento pesado ou operador de máquina médio-pesada de linha no valor de 3,5 (escala salarial da mão de obra da região Centro-Oeste) e fator de encargos sociais (ES) de 2,263. Esse coeficiente refere a cada região onde está sendo construída a obra, por ser relacionado com o custo da mão de obra do local. O salário mínimo hora é dado através do salário mínimo atual dividido por 220 (valor orçamentário de quantidade de horas trabalhadas mensalmente dado pelo SICRO 3). Ao resultado final do cálculo do custo horário produtivo de cada equipamento, conforme DNIT é permitido acrescentar o percentual de 3%, para remunerar as despesas com horas improdutivas visto que essas não foram incluídas no cálculo do valor hora do equipamento. O valor em reais para construção de cada bacia de acumulação pode ser obtido, multiplicando o valor do custo horário pela quantidade de horas necessárias para construção de cada obra. VT(R$) ETAxCH (22) Em que: VT é o valor total em reais para construção da bacia; ETA é a horas trabalhadas pelo trator, h; e CH é o custo horário, R$ h-1. 48 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 DENSIDADES, TEXTURA, MASSA ESPECÍFICA, LIMITES DE ATTERBERG E GRANULOMETRIA. Os ensaios executados de densidade, massa específica, textura, limites de Atterberg e curva granulométrica, forneceram informações que possibilitaram obter características do solo local, essenciais para a construção e manutenção das obras. 4.1.1 Densidade do solo e porosidade Com os valores da densidade do solo seco (ρ) e massa específica dos grãos (δ) para amostras de solos colhidas antes (Sa) e depois (Sd) da utilização das bacias de acumulação e infiltração obtidas por meio dos ensaios de laboratório, foram determinadas as porosidades nas duas situações, conforme mostrado na Tabela 1. Tabela 1. Densidade do solo seco, massa específica dos grãos e porosidade das bacias I e II obtidas antes (Sa) e após (Sd) o armazenamento do escoamento superficial. Material Densidade do solo seco (ρ, g cm-3) Massa específica dos grãos (δ, g cm-3) Porosidade (n, %) 1 DP – Desvio padrão. Bacia I Bacia II Sa Sd Média DP1 Sa Sd Média 1,42 1,74 1,58 ± 0,16 1,41 1,71 1,56 2,72 2,74 2,73 ± 0,01 2,88 2,91 2,89 47,78 36,50 42,14 ± 5,64 51,04 41,24 46,14 DP ± 0,15 ± 0,02 ± 4,90 Segundo Hillel (1980) para um mesmo solo, a porosidade é inversamente proporcional à densidade. Este comportamento pode ser observado nos dados de densidade do solo e porosidade apresentados na Tabela 1, indicando que houve acréscimo da densidade com consequente redução da porosidade. As diferenças entre os valores de densidade do solo antes e depois da utilização das bacias I e II foram elevadas em 0,32 g cm-3 e 0,30 g cm-3 e da porosidade reduzidos de 49 11,3% e 9,8% respectivamente, das camadas dos solos constituintes das bacias de acumulação e infiltração. Estes valores estão de acordo com o intervalo de densidades seca de solos e porosidades de solos em camadas encrostadas e compactados, conforme resultados de 1,0 g cm-3 a 1,6 g cm-3 para densidades e variação de 22,40% na porosidade, obtidos em trabalho de Stone et al. (2002), que tiveram como objetivo verificar como o encrostamento superficial e a formação de camadas coesas ou compactadas afetam as propriedades físicas e transmissão de água em solos da região do cerrado brasileiro. As bacias em forma de calota esférica, como as utilizadas neste trabalho, devido as suas características geométricas, tendem a concentrar os sedimentos na parte central, conforme esquematizado na Figura 12, interferindo no processo de infiltração. Com determinado tempo de uso da bacia de acumulação e infiltração, o material sedimentado de forma acumulativa e gradativa no sentido das bordas para o centro ou fundo dessa faz com que a obstrução e entupimento dos poros também aconteçam gradativamente, seguindo o mesmo sentido da sedimentação e acumulação do material erodido, transportado e depositado na bacia. Figura 12. Esquema ilustrativo da deposição de partículas de solo no fundo da bacia de acumulação e infiltração. O esquema da Figura 12 foi obtido por meio de observações e fotos das bacias I e II sobre o comportamento de acomodação de partículas de solos em suspensão na água acumulada nas bacias, durante todo o período de monitoramento. O sistema funciona como um decantador natural de partículas de solo procedentes de processos erosivos nas áreas de contribuição, as quais ficam em suspensão na água armazenada pela bacia de acumulação e infiltração. 50 Por meio dos dados da Tabela 1, que apresentam alterações nas densidades do solo seco e porosidades, infere-se que a redução da porosidade nos solos das bacias de acumulação e infiltração é proveniente do entupimento dos poros provocado pelo acúmulo de material erodido e depositado nas superfícies internas das bacias de acumulação e infiltração (Figura 13). Figura 13. Deposição de material erodido nas bacias de acumulação e infiltração. Ao diminuir a umidade desse tipo de solo, a ponto de exceder seu limite de contração, suas forças de coesão rompem-se criando placas em formatos de bijus hexagonais com uniformidade geométrica variada. Esse material é oriundo dos processos erosivos no leito das estradas e de áreas de contribuição externa à cada bacia de acumulação e infiltração (Figura 13). O solo ao ser transportado pelo escoamento superficial é depositado e sedimentado na superfície interna das bacias de acumulação e infiltração causando selamento, encrostamento e redução do volume de armazenamento da bacia por acumulação. 4.1.2 Textura As amostras de solos constituintes do material de origem (Sa) das bacias e do material resultante de processos erosivos (Se) apresentaram valores de frações texturais diferentes para cada bacia. Isso se justifica, pois mesmo estando próximos os locais de 51 implantação de cada bacia de acumulação e infiltração, os solos possuem algumas características diferentes (Tabela 2). Tabela 2. Percentuais de frações texturais dos solos constituídos por material de origem das bacias I e II e depositados por meio de processos erosivos, antes da utilização (Sa), depois (Sd) e solo erodido (Se). Bacia I Material Sa Sd Se Bacia II Média DP1 Sa Sd Se Média DP Argila (%) 32,70 31,58 29,65 31,31 1,26 41,36 40,93 32,99 38,43 3,85 Silte (%) 13,78 17,72 26,09 19,20 5,13 20,53 21,24 32,95 24,91 5,69 Areia fina (%) 32,50 21,72 2,05 Areia media (%) 18,80 18,18 19,12 18,70 0,39 7,92 8,38 7,07 7,79 0,54 Areia grossa (%) 1,77 2,14 1,50 1,80 0,26 3,58 3,47 3,50 3,52 0,08 Pedregulho (%) 0,45 DP – Desvio padrão. 1,17 1,04 0,89 0,32 4,20 2,17 4,55 3,64 1,05 29,2 22,59 28,10 4,12 22,42 23,81 18,94 1 Da Tabela 2 podem ser observado que os valores texturais do material erodido e depositado dentro das bacias mostram alterações, sobretudo, da quantidade de silte. Estes materiais, ao decantarem na superfície interna da bacia, tendem a se infiltrar nos poros obstruindo-os. Schaefer et al. (2002) salientam que o fenômeno do selamento superficial é decorrente da formação de uma camada superficial de maior densidade, pela destruição dos agregados do solo causada pelo impacto das gotas de chuva, dispersão e entupimento dos poros. As partículas menores em suspensão penetram e obstruem os poros, alterando a estrutura e arranjo dos grãos de solo, diminuindo a permeabilidade e formando o selamento superficial, influenciando na infiltração de água no solo. Os dados de textura apresentados na Tabela 2 indicam que a camada formada pelos sedimentos é constituída na sua maioria por partículas de argila e de silte com valor elevado também para areia fina. Estas partículas, especialmente o silte e a areia fina, são desprendidas e transportadas com facilidade pelas forças de arraste do escoamento superficial. Indicando ainda, que a camada sedimentada apresenta menor quantidade de argila que o solo da bacia, porém maior quantidade de silte, alterando os valores da composição textural e, consequentemente as relações hídricas. A nova composição textural está registrada no acréscimo dos teores de silte para os solos das bacias antes e depois de sua utilização (Bacia I: 13,78 % para 17,72%; Bacia II: 20,53 % para 21,24 %) com pequena variação nos teores das frações de argila e 52 areia. Essa variação encontrada nos percentuais pode ser resultado da própria variabilidade do ensaio, ou também da amostra coletada. 4.1.3 Massa específica e Limites de Atterberg Na Tabela 3 são apresentados os resultados oriundos dos ensaios para determinação do limite de liquidez (LL - teor de umidade que indica a passagem do estado plástico para o estado líquido), limite de plasticidade (LP - o teor de umidade que indica a passagem do estado semissólido para o estado plástico), índice de plasticidade (IP quantidade de água necessária para que um solo passe do estado plástico ao líquido. Esse último mede a tendência à expansão do solo) e índice de atividade da argila (Ia), além da densidade de partículas dos solos das bacias I e II antes e depois de serem utilizadas e também do material sedimentado. Tabela 3. Limites de Atterberg e densidade de partícula dos solos pertencentes às bacias de acumulação e infiltração e dos solos erodidos Bacia I Solo 1 - δ (g cm ³) Bacia II Sa Sd Se Média DP Sa Sd Se Média DP 2,72 2,74 2,88 2,91 2,71 2,72 0,01 2,79 2,86 0,05 2 35,5 34,50 30,00 33,33 2,39 40,50 39,00 37,7 39,07 1,14 3 21,00 19,60 16,80 19,13 1,75 24,90 24,00 21,00 23,30 1,67 4 14,50 14,90 13,20 14,20 0,73 15,60 15,00 16,70 15,77 0,70 LL (%) LP (%) IP (%) 5 Ia 0,44 0,47 0,45 0,45 0,01 0,38 0,37 0,51 0,42 0,06 ρ – Massa específica dos grãos (g cm-3); 2LL – Limite de liquidez; 3LP – Limite de plasticidade; 4IP – Índice de plasticidade; 5Ia – Índice de atividade da argila. 1 Os valores das massas específicas antes (As) e depois (Sd) da utilização mostram acréscimo tanto para a bacia I quanto para a II. Esse acréscimo dos valores das massas específicas dos grãos pode ser explicado por meio da textura do material erodido que foi depositado no interior das bacias. Os resultados apresentado na Tabela 2 indicam que os teores de silte do solo erodido depositado no interior das bacias I e II são superiores aos dos solos originais das bacias. Esse material junto com a argila se aloja pelo sistema de poros provocando uma nova composição textural e o selamento do solo. Os resultados do solo (Se) confirmam que o silte é o material mais erodível. 53 O índice de atividade da fração argilosa (Ia) que avalia o potencial da fração argila em conferir plasticidade e coesão ao solo mostra, através dos resultados presentes na Tabela 3 (Ia ≤ 0,75), que o tipo de argilomineral constitui indicativo de argila 1:1, ou seja, presença expressiva de caulinita (Tabela 3). A esse respeito, Tanaka & Ranieri (2006) comentam que o Ia deve ser entendido como o grau de plasticidade da fração argila e que, os seus valores podem ser entendidos como tendo alguma relação com os argilo minerais presentes. A indicação de solo de baixa atividade dado pelos valores do Ia mostra que pode haver no local de construção das bacias e áreas de contribuição, solos granulares, soltos de baixa coesão, de elevada susceptibilidade aos processos erosivos. Isso pode também ser explicado pelo quantidade de material erodido no interior de cada bacia. 4.2 CLASSIFICAÇÃO TÁCTIL-VISUAL N Tabela 4 estão apresentados os resultados do ensaio tátil-visual in situ dos solos pertencentes às bacias I e II, tendo sido executado após a utilização dessas pela acumulação de água originária do escoamento superficial no período considerado. Os resultados da análise táctil-visual obtidos por investigação in situ nos solos do interior de cada bacia de acumulação e infiltração mostram diferenças acentuadas à medida que se aprofunda nos horizontes desses solos. Tabela 4. Classificação táctil-visual do solo investigado no interior das bacias I e II Profundidade (cm) 0–8 8 – 20 20 – 40 40 – 60 60 – 80 0 – 10 10 – 20 20 – 30 30 – 40 40 – 60 60 – 80 Classificação táctil-visual Bacia I Sedimento argiloso-siltoso amarelado homogêneo c/ pequena parcela de areia Argila vermelha-amarela homogênea com algumas porções de silte e areia Argila vermelha coesa-compacta uniforme com algumas porções de areia e pedregulho Argila vermelha coesa-plástica uniforme com algumas porções de areia e pedregulho Argila vermelha homogênea com algumas porções de areia e pedregulho Bacia II Sedimento argilo-siltoso amarelado c/ pequenas porções de areia fina Argila vermelha-amarela homogênea pouca sedosa e algumas porções da areia fina e pedregulho Mistura de argila vermelha c/ quebra de homogeneidade por porções de areia fina e pedregulho Mistura de argila vermelha com por porções menores de areia fina e maior de pedregulho Solo argiloso misturado com pedregulho e pequenas porções de areia fina e média Solo pedregulhoso misturado com argila vermelha e pequenas porções de areia fina e média 54 Na Tabela 4 é possível observar que na bacia I, em aspecto geral, o solo é argiloso e homogêneo, no entanto, entre 20 cm a 60 cm de profundidade, há uma camada coesa e compactada. Retomando aos dados da Tabela 4 referentes à bacia II, observa-se que o solo constituinte é argiloso e uniforme, mas a partir de 30 cm de profundidade, existe um acréscimo de forma cada vez mais acentuada em relação à profundidade, de areia e principalmente pedregulho. A investigação prévia do perfil do solo e a identificação de camadas mais permeáveis, através do furo a trado e análise tátil-visual até uma profundidade correspondente a um metro abaixo da profundidade projetada da bacia, mostra-se uma ferramenta útil na determinação do melhor local para construção da bacia. Os resultados encontrados no perfil abaixo da base das bacias podem servir como indicativo da eficiência da bacia em infiltrar o escoamento superficial retido. Apesar de serem bacias bastante próximas no terreno, o perfil observado mostra-se bastante diferente, apontando para comportamentos também diferentes. Em termos de dimensionamento e implantação destas estruturas, as diferenças observadas reforçam a necessidade de verificação individual de parâmetros ou de maior detalhamento destas características para o estabelecimento de um projeto padrão para cada local. Tomando-se por base que o levantamento de dados para projetos para este tipo de obra normalmente não são adequadamente executados, o uso de análises a campo poderá facilitar e melhorar a eficiência destas obras. 4.3 DETERMINAÇÃO DAS TAXAS DE INFILTRAÇÃO As taxas de infiltração do solo local das bacias de acumulação e infiltração determinadas através do método do infiltrômetro depois de calculadas e plotadas apresentaram resultados com indicativo de solos tropicais. Os resultados de infiltração para as bacias de acumulação e infiltração I e II apresentam características distintas entre as bacias, sendo que a bacia de acumulação e infiltração I apresentou menores valores de infiltração pelo método de anéis concêntricos. O formato das curvas encontrado para as bacias I e II apresenta indicativo de que os solos locais podem ser argilosos. Pelos resultados encontrados na análise táctilvisual, teores texturais, taxas de infiltração e observação visual do relevo e paisagem do 55 local das obras, há indicativos de que a bacia I e II pode estar em Argissolo e Latossolo respectivamente (Figuras 14 e 15). Figura 14. Infiltração pelo método dos anéis concêntricos (infiltrômetro) na bacia I. Figura 15. Infiltração pelo método dos anéis concêntricos (infiltrômetro) na bacia II. Os valores de 5 mm h-1 e 26 mm h-1 encontrados para as infiltrações das bacias I e II respectivamente, estão de acordo com os resultados de Pinheiro et al. (2009), que em experimento realizado em Lontras-SC e utilizando a mesma metodologia encontraram valores médios de infiltração variando entre 4,8 mm h-1 e 30 mm h-1. Pelos dados apresentados na Tabela 2, é possível observar que o solo da bacia de maior infiltração (bacia II) apresenta maior variação da quantidade de argila do que a bacia com menor permeabilidade (bacia I). Isto reforça o fato de que é necessário estudar 56 as características dos índices físicos (parâmetros físico-hídricas) do perfil do solo (em profundidade), estrutura do solo e não apenas da camada superficial. A análise textural mostra que os sedimentos são constituídos de material na sua maioria por argilas, siltes e outras partículas com pequenos diâmetros. Por possuírem características peculiares, formam uma espécie de camada selante e impedidora. A penetração da água através da superfície fica prejudicada pelo entupimento dos poros causado pelo deslocamento e re-arranjamento das partículas finas pelo perfil do solo. As particularidades mostradas na constituição dos horizontes do solo da bacia II pela análise táctil-visual confirmam a capacidade de infiltração apresentada, cerca de aproximadamente cinco vezes maior, em relação à da bacia I. O que também pode ser explicado por meio dos valores das taxas de infiltração mostrados pelo método do infiltrômetro e no monitoramento, pois depois de cheia pela água do escoamento superficial, esvaziou-se por completo em apenas 24 horas. Mesmo que o solo apresente condições internas favoráveis de transmissão e de armazenamento de água, as condições da superfície acabam por reduzir a taxa de infiltração ao longo do tempo, pela presença de camadas de impedimento no horizonte superficial (Figura 16). Isto foi relatado por Castro (2001), salientando que a infiltração é um processo dinâmico que não depende apenas das condições iniciais do solo como a porosidade, grau de cobertura, umidade antecedente e umidades dos horizontes, mas também da formação ou reformação do selamento na superfície do solo. A infiltração sobre a superfície interna da bacia de acumulação e infiltração possui taxa máxima no período de início de seu funcionamento, ou seja, imediatamente após a sua construção (Figura 16). Figura 16. Esquema do processo de infiltração inicial em uma bacia de acumulação e infiltração. 57 No início, quando os poros do solo local ainda se encontram desobstruídos e livres, a infiltração da água armazenada na bacia de acumulação proveniente da enxurrada acontece mantendo um fluxo normal de percolação, porém o processo vai se alterando a medida que a bacia vai sendo usada pelo escoamento superficial. Esse processo se repete a cada período chuvoso. Considerando o solo local homogêneo, é possível que o processo de infiltração ocorra de forma regular em toda a superfície de contato do líquido com o solo, porém se acentua no centro ou fundo da bacia de acumulação e infiltração devido à maior carga hidráulica. Dessa forma, a infiltração tende a reduzir-se consideravelmente ao longo do tempo, podendo se equiparar as suas taxas em toda a superfície de contato, por motivo da obstrução e entupimento acentuado e gradativo dos seus poros no sentido do centro para as bordas (Figura 17). Figura 17. Esquema de bacia de acumulação e infiltração com infiltração reduzida e equiparada no seu horizonte superficial. O processo de obstrução à infiltração ocorre de modo sistemático e constante com a ocorrência das chuvas, pois essas promovem enxurradas que por falta de um sistema de drenagem adequado, resultam em acumulação e concentração no leito das estradas não pavimentadas, transportando e depositando as partículas de solos erodidas na bacia de acumulação. A redução da porosidade e conseqüentemente na taxa de infiltração no interior da bacia tende a ser maior no seu fundo, pois o sedimento vai para a parte mais baixa, porém a continuação do processo por período alongado pode levar a taxas mínimas de infiltração (Figura 18). 58 Figura 18. Esquema de uma bacia de acumulação e infiltração com taxas mínimas de infiltração. A infiltração da bacia, ao chegar ao estágio mostrado pelo esquema da Figura 18, indica o limite de sua vida útil para infiltração apresentando necessidade de manutenção. Este período pode ser estimado por meio dos dados de porosidade e acúmulo de material erodido no interior da bacia de infiltração e acumulação. O entendimento desse processo e a sua caracterização são fundamentais para o planejamento deste tipo de obra, uma vez que a manutenção do sistema é essencial para a sua eficiência. 4.3.1 Precipitação e volume infiltrado pelo monitoramento Os resultados de volume obtidos por meio da leitura da régua, volume estimado, volume evaporado e volume infiltrado foram calculados por meio dos dados do monitoramento da precipitação e leitura da régua, conforme apresentado nas Tabelas dos apêndices. Na Figura 19 estão apresentadas as variações do volume infiltrado em cada bacia de acumulação e infiltração, durante todo o período chuvoso de observação e monitoramento. Pelos dados da figura, é possível observar que a infiltração na bacia I variou de um valor inicial próximo de 8 mm h-1 para menos de 4 mm h-1 no final, tendo algumas variações relativamente pequenas, mas sempre maior do que zero. Estes baixos valores de infiltração explicam o fato de esta bacia ter esvaziamento completo apenas no final do período de observação, apresentando infiltração inferior em comparação com a outra bacia (Apêndices A e B). 59 Figura 19. Variações dos volumes infiltrados - bacias I e II A infiltração inicial da bacia I, de aproximadamente 8 mm h-1 é superior à taxa de infiltração efetiva (Tie) obtida pelo método do infiltrômetro que foi de 5 mm h 1. Com base na Figura 19 é possível concluir que a bacia I, devido às características do solo local, tem maior atuação nas funções de evaporação e acumulação do que como bacia de infiltração, vez que permanece maior tempo com volume acumulado sujeito à evaporação, enquanto atua na infiltração, para seu esvaziamento. Em situações de utilização de bacia de acumulação e infiltração como dessedentação de animais ou como acumulação e retenção de materiais provenientes de indústrias, bacias com as características físico-hídrica da I são mais recomendadas, uma vez que mantém água por maior período. Ressalta-se, porém que nestes casos, outros elementos devem ser observados, como o pisoteio da base da bacia e o acúmulo de resíduos presentes no efluente industrial, o que não é o caso deste estudo. Os dados apresentados no gráfico mostram uma variação inicial de mais ou menos 27 mm h-1 de taxa de infiltração efetiva (Tie) para aproximadamente 15 mm h-1 no final do período para a bacia II. Pelo método do infiltrômetro a taxa de infiltração determinada foi de 26 mm h-1. Os valores da taxa de infiltração encontrados justificam o esvaziamento total observado nesta bacia em algumas ocasiões ao longo do período de análise. Bacias de acumulação e infiltração que possuem os atributos da bacia II são mais indicadas para obras em estradas pavimentadas e principalmente não pavimentadas, pois além de mitigarem os efeitos dos processos erosivos, devido às suas altas taxas de 60 infiltração, podem favorecer o abastecimento do lençol freático. Essa premissa é válida, no entanto não suficiente, tendo em vista que as condições dos terrenos às margens das estradas são variáveis. Esses dados, no entanto, devem ser utilizados para o dimensionamento das bacias, uma vez que um dos aspectos mais importantes na sua eficiência é que permaneçam com água durante um pequeno período, de modo que possam exercer adequadamente a função de reter o escoamento superficial, no momento em que ocorram as precipitações. No caso da bacia II, devido às características do solo local, a função com maior relevância é a infiltração, pois o total acumulado se infiltra com maior rapidez. Confrontando os resultados obtidos para as taxas de infiltração das bacias de acumulação e infiltração, verifica-se que o método do infiltrômetro de anéis concêntricos subestimou as taxas de infiltração, pois tanto para a bacia I quanto para a II, o método forneceu resultados inferiores aos obtidos pelo método do monitoramento. A subestimação das taxas de infiltração observadas nos resultados fornecidos pelos testes do infiltrômetro em relação ao monitoramento diário pode ser motivada pela diferença na abrangência da área de contato do líquido com o solo e pela carga hidráulica. No anel, esta área corresponde à base interna do anel com diâmetro de 25 cm, enquanto que as bacias apresentam diâmetros acima de 9 m, devendo ainda ser contada a área de infiltração lateral, ou nos taludes, o que não ocorre nos infiltrômetros de anéis. Outro aspecto é que a base da bacia, onde foi executado o teste de infiltração com o infiltrômetro de anel, é a região que mais sofre a compactação pelo processo de construção da bacia, o que pode interferir na taxa de infiltração. Verifica-se também que, tanto a infiltração medida com o infiltrômetro de anel quanto à obtida por meio do monitoramento confirmam as características de infiltração esperadas com base na análise das camadas do perfil do solo realizada por meio do ensaio táctil visual. Esse ensaio juntamente com o monitoramento apresentaram resultados que indicam infiltração menor na bacia de infiltração e acumulação I e maior na bacia II. A bacia I apresentou um perfil em ordem crescente de quantidade de pedregulho no sentido vertical. 4.3.2 Coeficientes de rendimento e de infiltração para cada bacia Valores da precipitação, volumes retido e infiltrado encontrados por meio do 61 monitoramento foram acumulados periodicamente a cada cinco dias para cada bacia de acumulação e infiltração, possibilitando observações dos dados agrupados em períodos de cinco dias (Figuras 20 e 21). Figura 20. Acumulação da precipitação, volume retido e volume infiltrado– bacia I Figura 21. Acumulação da precipitação, volume retido e volume infiltrado – bacia II Nas Figuras 20 e 21 estão representados os resultados da precipitação, do volume retido e do volume infiltrados acumulados a cada cinco dias, das bacias de acumulação e infiltração I e II, durante o período de monitoramento. O volume infiltrado acumulado corresponde ao total infiltrado paulatinamente no dia a dia, enquanto que o volume retido representa a acumulação do que já estava armazenado e retido no dia 62 anterior acrescido de outros volumes advindos do escoamento superficial proveniente de cada nova precipitação. De posse dos dados, pode-se calcular a relação entre volume infiltrado e volume total retido acumulado no período. O valor obtido pela operação matemática dessa relação pode ser considerado como um coeficiente de rendimento de cada bacia de acumulação e infiltração (nr), pois mostra a eficiência da bacia relativa à infiltração em relação à acumulação de escoamento superficial no período de armazenamento até a infiltração total desse. Com os valores da relação entre total de volume infiltrado e volume total retido acumulado, torna-se possível afirmar que bacias com coeficientes de rendimento maiores são mais eficientes para infiltrar e menos para acumular. Isso se justifica, pois permanecem com menos líquido armazenado por maiores períodos, considerando que cada bacia possui características próprias construtivas e físico-químicas do solo local. Os coeficientes de rendimento das bacias de acumulação e infiltração I e II são respectivamente (nrI = 15,42%; nrII = 43,89%). Por esses valores observa-se que a eficiência para infiltração da bacia II é superior em relação a bacia I, como pode ser observado pelas Figuras 20 e 21 ou pelo próprio monitoramento, mostrando que a bacia II no período de armazenamento, esvaziou-se totalmente várias vezes, fato ocorrido completamente, apenas no final do período na bacia I. Por meio da Tabela 5 é possível também determinar os valores da relação entre volume total infiltrado e precipitação total. Dessa relação obtém-se um valor que pode ser chamado de coeficiente de infiltração, pois expressa a capacidade de infiltração da bacia em relação à precipitação. Em relação à precipitação, o coeficiente de infiltração estabelecido neste trabalho apresenta semelhança com o coeficiente de Runoff, pois esse determina a precipitação efetiva relativa ao escoamento superficial de uma determinada bacia hidrográfica, enquanto que o coeficiente de infiltração estabelece a precipitação efetiva na infiltração da bacia de acumulação e infiltração. Mesmo considerando que cada bacia possui características particulares de solo e construção, esse coeficiente permite afirmar que bacias com maiores coeficientes de infiltração são mais eficientes em relação a essa função, pois nessas, o líquido armazenado infiltra mais rapidamente. 63 Infere-se ainda que para a segurança de um sistema de drenagem superficial adequado em estradas não pavimentadas, os espaços entre desaguadouros para obras em solos com as mesmas características do solo da bacia I, deverão ser menores do que para a II, quando volumes e dimensões de projetos forem iguais. Este aspecto é de suma importância, uma vez que, atualmente, o espaçamento entre desaguadouros é definido com base nas condições escoamento, geometria dos canais e de resistência dos solos das estradas. Aksoy & Kavvas (2005) recomendam que para projeto de bacia de acumulação e infiltração nos USA, o tempo máximo de permanência da água na bacia não deve exceder a 24 horas. Dessa forma, neste trabalho, apenas a bacia II atende a recomendação, porém para bacia I, se possível pode ser sugerida a troca do local de implantação, bacias com funcionamento em série ou estudos de outras formas de suprir a drenagem exigida no projeto. 4.3.3 Infiltração e evaporação de bacia de acumulação e infiltração quando fixada a profundidade A Figura 22 apresenta o comportamento da infiltração, variando o raio da bacia de acumulação e infiltração, fixando altura e volume, considerando um período fixo de 24 horas para infiltrar todo o volume. Figura 22. Infiltração e evaporação em função da variação do raio com volume e profundidade fixos 64 A Figura 23 apresenta o comportamento da infiltração e evaporação, variando a profundidade da bacia de acumulação e infiltração, fixando o raio e volume durante o processo. Figura 23. Infiltração e evaporação em função da variação da profundidade com volume e raio fixos Pela Figura 22 é possível observar que o comportamento da infiltração perante a variação do raio e demais dimensões apresenta pouca variação. Nesse caso o raio deverá ter valor igual ou superior à profundidade. Quanto à evaporação, mantém-se quase constante com valores próximos de zero, devido às dimensões pequenas das superfícies do líquido dentro da bacia exposta aos fatores determinantes de evaporação. As condições de evaporação em bacias de acumulação e infiltração fazem com que os resultados sejam considerados despresíveis. Quando se varia a profundidade e são fixadas as demais dimensões, o comportamento da infiltração apresenta também pouca variação (Figura 23). A evaporação mantém constante, pois fixando o raio, a área superficial do líquido armazenado na bacia exposta aos fatores estimulantes da evaporação também mantém constante. Por meio da Figura 22 é possível observar que variando a profundidade de até 6,00 m e fixando o raio (R = 6,00 m) e volume (V = 1,00 m³), a infiltração acumulada chegou a aproximadamente a 7 mm/h, sendo que a maior variação possível da altura constitui no valor do próprio raio, devido a aspectos geométricos e construtivos. Paro o dimensionamento, como os casos apresentados nas Figuras 22 e 23, em solos com características semelhantes devem recomendar a construção de bacias com profundidade igual ao raio. As situações simuladas indicam que o formato da bacia (calota 65 esférica) em função de variações do raio ou profundidade, tem pequena influência na sua infiltração. 4.4 DIMENSIONAMENTO TEÓRICO E CONSTRUTIVO DE BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO 4.4.1 Volumes teórico-geométrico e construtivo As bacias de acumulação e infiltração devem ser dimensionadas de modo que o seu volume seja adequado para reter todo o volume de escoamento superficial advindo da seção da estrada, devendo a forma construtiva ser também adequada à disponibilidade de equipamento, experiência do operador e limitações de área para sua implantação. Com os dados altimétrico e planimétrico levantados por meio do nível ótico nos pontos definidos pelos estiletes em cada bacia, foram calculadas a área superficial interna e área superficial lateral interna para as dimensões reais obtidas em campo, além do volume real de construção. Calculados os volumes de cada bacia, determinaram-se as diferenças em valores numéricos dos volumes, em relação aos valores definidos pelas equações da geometria e pela construção in loco através do trator de pneu de cada bacia de acumulação e infiltração conforme mostra a Tabela 5. Tabela 5. Volume geométrico (Vg), volume de construção antes (Vc) e depois da utilização (Vd), volume de solo erodido e depositado (Vse) e diferença de volume entre o construído e o geométrico (Vap) das bacias I e II. Bacia I Material Vg Volume (m³) 65,08 Bacia II Vc Vd Vse Vap Vg Vc 92,46 71,13 21,33 27,38 30,42 46,01 Vd Vse 39,25 6,76 Vap 15,59 Pelos resultados apresentados na Tabela 5, indicam 21,33% e 6,76% de solo erodido e depositado nas bacias I e II respectivamente em relação ao volume total de cada bacia. A relação entre volume geométrico e o construtivo é de 70,38% e 66,12% para as bacias I e II respectivamente, indicando que o volume construtivo é superestivado. As bacias I e II foram também simuladas pelo software estradas, utilizando como dados básicos de erodibilidade e tensão crítica de cisalhamento, valores obtidos por 66 Oliveira et al. (2009), tendo optado por valores referentes à estradas com características de solos mais próximos possíveis da estrada que contém as bacias deste trabalho. Os resultados obtidos mostram que a metodologia utilizada pelo software estradas difere do utilizado neste trabalho (Tabela 6). Tabela 6. Valores de volume escoado e espaçamentos máximos obtidos pelo software estradas para as bacias I e II. Características Espaçamento máximo (m) Profundidade (h, m) Raio (R, m) Volume escoado (m3) Bacia I 62,00 2,10 6,47 69,13 Bacia II 60,00 1,52 7,29 63,47 Os valores da Tabela 5 mostram que há variação considerável entre os volumes obtidos pelas equações da calota esférica do hemisfério sul, estabelecida como forma geométrica para bacia de acumulação e infiltração, e, volumes reais conseguidos por meio da construção no campo. Essa diferença de valores dos volumes é justificada pelo movimento da máquina (trator ou pá-mecânica) no interior da bacia durante a construção da obra. Enquanto geometricamente, o formato da bacia apresenta-se regular e plenamente abaulado, devido ao comprimento do chassi da máquina e a inclinação dos taludes internos da bacia, o formato real obtido pela construção da bacia torna-se alongado verticalmente e pouco abaulado, impondo irregularidades construtivas na superfície (depressões, murundus e saliências). Na Figura 24 são apresentados gráficos de superfícies tridimensionais que representam as dimensões em valores reais gerados a partir do levantamento topográfico com nível ótico em cada bacia de acumulação e infiltração. Considerando a escala trabalhada, as figuras apresentam o formato real das bacias. Nesta Figura é possível perceber que a bacia II possui um formato mais uniforme do que a bacia I, porém notam-se irregularidades gerais na superfície interna de cada uma. Essas características construtivas dependem da localização da obra, suas dimensões, do tipo de solo e porte da máquina utilizada. Máquinas maiores possuem mais facilidade de movimentação em bacias com dimensões maiores, enquanto que máquinas menores movimentam-se com mais facilidade em bacias de acumulação e infiltração de diâmetros menores. 67 a) b) Figura 24. Bacia I (a) e II (b) antes da utilização pelo escoamento superficial. Os valores percentuais entre o volume teórico-geométrico e volume construtivo (Pg/c) das bacias I e II mostram uma pequena redução na bacia I. Essa redução pode ser 68 explicada pela relação entre o raio e a profundidade, facilitando ou dificultando a movimentação da máquina. Maior raio implica maior espaço para desenvoltura da máquina, possibilitando menor afunilamento e superfícies com maiores regularidades. A execução da obra dentro dessas condições patrocina uma forma real dada pela construção, mais próxima da teóricogeométrica. Mesmo considerando as características singulares de cada local de construção e o fato de que neste trabalho apenas duas bacias de acumulação e infiltração foram utilizadas, torna-se interessante a determinação de um coeficiente de segurança (Kg/crelação entre volumes geométricos e construtivos). O uso deste no coeficiente no dimensionamento de bacias de acumulação e infiltração pode evitar a superestimação do preço devido ao superdimensionamento. Pelos dados deste trabalho, para o dimensionamento pode ser indicado como coeficiente de segurança (kg/c) de 0,80 para volume de cálculo, devido aos aspectos construtivos, pois mesmo considerando o maior valor obtido (0,70), que mais se aproxima do real definido em campo, ainda restam 10% como segurança ou margem de erro para o dimensionamento. A utilização do volume teórico-geométrico no dimensionamento por meio da Equação 11 requer a multiplicação dessa pelo coeficiente de segurança para volume obtido da diferença entre os volumes construtivo e teórico, ou seja, o volume obtido pela equação 11 multiplicado por 0,80. A determinação deste coeficiente de redução está relacionada com a influência dos fatores específicos deste trabalho como característica do solo estudado, máquina utilizada e operário, porém outros casos precisam ser estudados de modo que o estabelecimento deste não seja entendido como padrão. Ressalta-se ainda que a relação entre raio e profundidade de trabalho deva ser estudada para as máquinas utilizadas na construção das bacias, uma vez que diferentes locais, empresas ou órgãos disponibilizarão máquinas diferentes. Outro aspecto é que para situações nas quais a bacia de acumulação e infiltração funcione de forma isolada, a vazão de saída deve ser desconsiderada, porém quando o funcionamento for em série, apenas o volume de saída da última bacia deve ser desconsiderado. 69 4.4.2 Dimensionamento de bacias de acumulação e infiltração em série O dimensionamento efetuado com os requisitos de volumes pode ser executado pela Equação 16, porém é necessário considerar no cálculo características do solo local por meio de parâmetros de infiltração, evaporação e construtivos, associados às condições de precipitação da região (Figura 25). Figura 25. Médias mensais em estação pluviométrica de Ipameri-GO (INMET). Pela Figura 25 é possível observar que as precipitações da região têm os maiores volumes entre outubro e abril, período que contém os meses de monitoramento. Nessa estação, dependendo da intensidade pluviométrica, as bacias de acumulação e infiltração podem permanecer cheias, enquanto nos outros seis meses, vazias. Tomando como referência meses de maiores precipitações e considerando uma bacia ainda sem a deposição de material erodido, mas que esteja cheia de água, se continuar chovendo, é possível que ocorra o transbordo do líquido armazenado. Esse evento é possível, pois com a continuidade do escoamento superficial que se deposita na bacia, sua capacidade de infiltração e evaporação pode ser superada. Para considerar essa perspectiva, uma das formas de evitar a extrapolação do volume de cálculo por chuvas contínuas, é dimensionar bacias com funcionamento em série, ou seja, enquanto a primeira tem função prioritária de dissipação de energia e decantação dos sedimentos, as demais recebem apenas os excessos, tanto de líquido como de material erodido (Figura 26). 70 Essa forma de dimensionamento pode resultar em 3 bacias com menores diâmetros, implicando em facilidades de locação da obra às margens das estradas, além de reduzir impactos. As bacias de acumulação e infiltração I e II deste trabalho podem ser substituídas por sistemas de bacias com funcionamento em série equivalentes aos respectivos volumes e com implantação facilitada, pois nem sempre as margens das estradas oferecem condições favoráveis às construções de bacias de maiores dimensões. Figura 26. Esquema de bacias de acumulação e infiltração com funionamento em série. A bacia I com 5,40 m, 2,10 m e 65,08 m3 de raio, altura e volume, respectivamente, por um sistema com três bacias em séries, que pode ser dimensionado, calculando o raio da terceira bacia após a fixação das dimensões das duas primeiras bacias e a altura da terceira. O sistema de bacias em série substituto da bacia I, após dimensionamento, utilizando a Equação 7, pode funcionar com o seguinte formato: Primeira bacia: R1 = 1,50 m; h1 = 1,00 m; V1 = 3,66 m3 Segunda bacia: R2 = 3,50 m; h2 = 1,50 m; V2 = 21,20 m3 71 Terceira bacia: R3 = 3,90 m; h3 = 2,00 m; V3 = 40,22 m3. Esse sistema pode oferecer ainda como vantagem, acréscimo no período de manutenção ou manutenção periódica apenas na primeira bacia implicando vantagem econômica. Isso é possível, pois a água advinda da estrada ao ser armazenada sofre na primeira bacia um pré-tratamento para em seguida deslocar para as outras com menor quantidade de material em suspensão. 4.5 PERDAS DE SOLOS 4.5.1 Perda de solo da área de contribuição externa em cada bacia A estimativa de perda de solo da área de contribuição externa à estrada para cada bacia ocorreu por meio da Equação Universal de Perda de Solo (USLE) via investigação dos fatores relacionados à chuva, erodibilidade do tipo de solo, comprimento e declividade de rampa, uso e manejo de solo e cobertura vegetal. Os fatores constituintes da USLE para cada bacia de acumulação e infiltração foram determinados conforme a metodologia proposta para sua utilização, cujos valores estão apresentados na Tabela 7. Tabela 7. Fatores componentes da USLE: Erosividade (R), erodibilidade (K), fator dependente do comprimento e declividade de rampa (LS), fator cobertura vegetal (C) e fator prática conservacionista (P). Bacia I Material R Fatores K LS Bacia II C P R K LS C P 3.843,25 0,039 0,3112 0,4040 0,5000 3.843,25 0,041 0,1987 0,4040 0,5000 O fator R foi determinado em função do histórico diário de precipitação, com informações de volume precipitado, decorrentes do período (22/01/10 a 24/04/10) que somaram três meses de monitoramento e da média anual das precipitações de uma série histórica de treze anos do INMET em Ipameri-Go no valor de 1447 mm. Comparativamente, Cabral et al. (2005) encontraram 1535 mm de média anual, no período de 1971 a 2000. 72 O fator R obtido pela metodologia de Bertoni & Lombardi Neto (2008) foi de 1.381,86 MJ ha-1 mm h-1, enquanto que por Silva (2004), o valor foi 3.843,25 MJ ha-1 mm h-1, tendo utilizado para o cálculo da perda de solos o último valor por ser o maior, indicando maior adequação para os solos da região deste trabalho, a equação descrita em Silva (2004). O valor de R (3.843,25 MJ ha-1 mm h-1) presente na Tabela 8 constitui a erosividade do período de observações que foi resultado por uma chuva acumulada de 323,70 mm. Considerando que essa erosividade refere-se aos três meses finais do período de precipitação regional é possível afirmar que o valor está dentro do intervalo encontrado para as condições brasileiras que varia de 5.000 MJ ha-1 mm h-1 a 12.000 MJ ha-1 mm h-1 (Cogo, 1988) e equivalente a 8.342 MJ encontrado por Cabral et al. (2005) na área representada pela carta topográfica de Morrinhos - GO, com observações mensais e anuais de nove postos pluviométricos, referentes a trinta anos de observações, incluindo Pires do Rio - GO a 18 km do local. As precipitações observadas durante o período de monitoramento que geraram o fator R podem ser consideradas baixas, se compararmos com as médias anuais de séries históricas da região. Como o fator R é diretamente dependente da precipitação, isso indica que em períodos atípicos de precipitações como o observado nesse trabalho ou fenômenos como El Niño e La Niña, cujas precipitações apresentam baixos ou altos valores, consequentemente os valores do fator R também podem oscilar em função dos efeitos desses fenômenos. Os resultados obtidos para erodibilidade K (0,039 t h MJ-1 mm-1) dos solos de montante da bacia de acumulação e infiltração I e K (0,041 t h MJ-1 mm-1) para II são valores próximos, indicando características de susceptibilidade aos processos erosivos semelhantes, o que justifica pela proximidade que se encontram as bacias, aproximadamente 295 m de distância. Freire (2001) destaca valores médios de erodibilidade, entre 0,0232 a 0,0626 para Latossolo e próximos de 0,0433 em Argissolo, encontrados em regiões de solos tropicais cobertos com pastagens cultivadas. Os solos das bacias de acumulação e infiltração I e II não foram classificados, porém apresentam características de Argissolo e Latossolo respectivamente. Os resultados calculados para o fator LS (0,3112 e 0,1987), respectivamente bacias I e II, foram obtidos por meio dos dados levantados topograficamente e por 73 medições locais do comprimento de rampa L (52,65 m) com declividade de rampa S (2,25 %) e L (98,70 m) e S (1,10 m) das bacias de acumulação e infiltração I e II respectivamente. Os valores foram levantados no local onde foram construídas as bacias. Na Tabela 8 estão apresentadas as perdas de solos calculadas em valores totais especificamente para cada área de contribuição externa e de estrada referente às bacias de acumulação e infiltração I e II. Pelos dados das Tabelas 8 e 9 pode ser observado que a perda de solo da área de contribuição externa à estrada da bacia I é superior em relação à II. Isso pode ser explicado pela interferência direta na USLE dos valores superiores do fator LS, além das características dos solos locais de implantação das obras referentes às bacias de acumulação e infiltração. Tabela 8. Áreas de contribuição externa (Ext) e de estrada (Est) com respectivas perdas de solos da bacia I. Bacia I Material Valores Áreas de contribuição Perdas de solos Ext.(m²) Est.(m²) Ext.(t ha-1) 3.255,03 5.307,24 9,42 Est.(t ha-1) Total(t) 64,19 37,11 Tabela 9. Áreas de contribuição externa (Ext) e de estrada (Est), com respectivas perdas de solos da bacia II. Bacia II Material Valores Áreas de contribuição Perdas de solos Ext.(m²) Est.(m²) Ext.(t ha-1) 11.276,83 1.978,81 6,32 Est.(t ha-1) Total(t) 26,48 11,56 Os valores das perdas de solos 9,42 t ha-1 e 6,32 t ha-1 em toneladas por hectare, referentes às áreas de contribuição externa às estradas das bacias I e II respectivamente, mostram estar em conformidade com dados da literatura, visto que os resultados foram originários dos últimos três meses do período chuvoso. Comparativamente Bono et al. (2011) encontraram valores de perdas de solos que variaram de 18 t ha-1 por ano a 6,8 t ha-1 por ano em experimento realizado em um Latossolo com cobertura de Brachiaria Brizantha em São João Del Rei - MG. O comparativo entre esse resultado e os obtidos nesse trabalho está confrontado pelo indicativo de que o solo onde construiu a bacia II apresenta características de Latossolo de região tropical. 74 4.5.2 Perdas de solo da área de contribuição das estradas em cada bacia Em relação às perdas de solo das áreas de contribuição das estradas, os valores presentes na Tabela 8 mostram uma maior taxa para bacia I em relação à bacia II, o que pode ser explicado pelos fatores LS, pois este já observado na área de contribuição externa, também está presente nas condições de solos da estrada. Pela diferença e considerando estradas com mesma largura, é possível admitir que além das características de cada solo, o aumento do comprimento de rampa eleva a energia do escoamento pelo aumento na vazão, bem como aumenta a área para desagregação de solo, tendendo assim a elevar as perdas. Considerando uma média de 6 m de largura para as áreas de estradas das bacias I e II, as perdas de solo são 38,51 t km-1 e 15,89 t km-1 respectivamente. As perdas de solos de 64,19 t ha-1 e 26,48 t ha-1 nas áreas de estradas das bacias de acumulação e infiltração I e II respectivamente, no período considerado, são resultados que mostram a intensidade dos processos erosivos perante as condições e características particulares dos solos de estradas não pavimentadas. Correa & Cruz (2010) obtiveram cumulativamente para vários tratamentos em trecho de 100 m de estradas florestais não pavimentadas e áreas de contribuição adjacentes 11,21 t km-1 anual de perda de solo na região de Itaiópolis – SC em dois tipos de solos: Cambissolo Húmico Distrófico típico e Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico típico. MacDonald et al. (2001), em trabalho realizado na St John, US Virgin Islands, utilizando sistema de filtro para captar sedimentos provenientes de erosão, encontraram o valor de 4,6 g m-2 mm-1 ano-1 de perda de solos em estradas não pavimentadas. Sidle et al. (2004) estimaram em 10,3 g m-2 mm-1 ano-1 a perda de solo em estradas não pavimentadas na Peninsular Malaysia. Ziegler et al. (2001), em trabalho realizado com simulador de chuvas na Tailândia, encontraram 35,9 g m-2 mm-1 ano-1 para perda de solo em estradas não pavimentadas. As características de precipitação e de solos referentes aos resultados obtidos pelos trabalhos executados nos USA, Malaysia e Tailândia são específicas, porém utilizando os valores de perda de solo unitária desses locais para estimar as perdas de solo da estrada que contém as bacias I e II, resultam 4,02 t ha-1, 9,01 t ha-1 e 31,41 t ha-1, respectivamente. 75 Os dados de perda de solo em estradas não pavimentadas encontrados na literatura internacional mostram diferenças variadas entre os valores, mesmo considerando que cada perda de solo é originária de solo e precipitação com características específicas. Essa variação encontrada entre os valores reflete a falta de uma metodologia própria para a determinação de perda de solo em estradas não pavimentadas, além da necessidade de mais estudos e pesquisas. O comparativo de resultados de perdas de solo em estradas não pavimentadas fica comprometido, pois além da escassez de dados na literatura na nacional, as condições de cada estrada avaliada e as características dos solos, das precipitações e do tráfego locais, por serem variadas, podem levar a conclusões de comparações equivocadas. Essas informações também não se mostram claras nos materiais consultados. No entanto, considerando que estradas são constituídas de solos descobertos, que recebem diretamente o impacto da gota, os resultados obtidos estão compatíveis com os dados da literatura, pois Martins et al. (2003) encontraram 144,51 t ha-1 ano-1 de perdas de solo para solos descobertos em Aracruz – ES e Amada et al. (2002), em Argissolo Vermelho distrófico arênico sem cobertura vegetal com experimento sob chuva natural, desenvolvido em Santa Maria - RS obtiveram 151,44 t ha-1 ano-1 de perdas de solo. Esses valores aproximam-se dos valores encontrados, uma vez que o período analisado neste trabalho corresponde aproximadamente a 50% do período de chuvas. 4.6 PERÍODO DE MANUTENÇÃO PARA BACIAS DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO Pela Tabela 5, o percentual médio de material erodido e depositado na bacia é de 19% determinado no monitoramento, podendo chegar ao final da estação chuvosa a 38% do seu volume, pois o monitoramento foi de três meses para uma estação chuvosa de seis. Esse valor indica que a manutenção de bacias de acumulação e infiltração deve ser anual, pois a cada ano de utilização, reduz aproximadamente 1/3 do espaço disponível de armazenamento e acumulação da água proveniente do escoamento superficial. Considerando ainda, a redução de porosidade presente na Tabela 3, esse tempo para manutenção de bacias também se adéqua à função de infiltração das bacias de acumulação e infiltração. 76 O Stormwater Best Management Practices Manual (2004) destaca que as bacias de infiltração são susceptíveis às altas taxas de insucesso devido ao entupimento dos poros por sedimentação. Dessa forma é necessário o pré-tratamento das águas pluviais, a fim de remover a maior quantidade de sólidos em suspensão no escoamento superficial antes deste atingir a bacia. Para tanto, apresentam sistemas de pré-tratamento, tais como desarenadores, valas com represas, faixas-filtro ou pré-sedimentação. A recomendação é de 24 horas, o período de esvaziamento total para bacia de acumulação e infiltração. No mesmo manual é recomendada ainda a existência de vegetação nas bacias de acumulação e infiltração, buscando reduzir a ocorrência de alterações na infiltração por um período maior, pois as raízes das plantas ajudam a manter ou aumentar o espaço poroso nos solos subjacentes e trabalhar como amortecedores vegetativos em torno do perímetro da bacia, no controle da erosão e na remoção de nutrientes advindos dos sedimentos (Figura 27). Essas recomendações fazem parte de um conjunto de técnicas que estão sendo utilizadas em regiões dos USA tendo como principal objetivo o alongamento do período de manutenção, porém a utilizá-las no Brasil depende de mais estudos e pesquisas que considerem as características da precipitação e dos solos locais. Os dados obtidos por este trabalho indicam que novas formas de dimensionamento devem ser testadas, utilizando aspectos inerentes à construção da obra e a função da superfície de contato entre líquido e solo. A vegetação da superfície interna da bacia pode facilitar a infiltração da água armazenada. Figura 27. Detalhe de bacia de infiltração com vegetação. Cidade de Portland em 2004. Manual de Águas Pluviais. 77 4.7 ESTIMATIVA DE CUSTOS PARA BACIA DE ACUMULAÇÃO E INFILTRAÇÃO Para estimar os custos de construção das bacias de acumulação e infiltração, foram utilizados os valores estabelecidos pelo DNIT para composição de custos de obras rodoviárias. Na especificação do trator de pneus foi tomado o cuidado para que seus dados fossem semelhantes aos do trator usado na construção das bacias, sendo demais dados do uso atual, conforme mostra a seguir. Po = 82 kw; n = 4 anos; HTA = 2000 horas; VA = R$ 200.000,00; r = 20%; i = 20% AA; Ke = 0,80; Cl = R$ 1,90 (custo do litro de óleo diesel); Salário mínimo (2011) = R$ 545,00; encargos sobre a mão de obra = 126,30%. Para o cálculo do número de horas necessárias para a construção das bacias de acumulação e infiltração foi considerado o valor de 10 m3 por hora de produção média estimada para o trator utilizado. Esse valor considera também o fato de que, em construção de bacias de acumulação e infiltração, além do trabalho de cortar o material, há ainda a limpeza do local, retirada do material para fora, dificuldade de movimentação da máquina devido à inclinação dos cortes e o acabamento da obra. Com esse valor de produção média estimada, utilizando a Equação 12, tem-se: Bacia I – HTA = 6,505 horas Bacia II – HTA = 3,042 horas Estes dados ao serem manipulados por meio das equações 11, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19 forneceram como resultados, os valores: R = R$ 40.000,00; CD = R$ 20,00; VM = R$ 160.000,00; CJ = R$ 16,00; CM = R$ 20,00; CMA = R$ 20,92; CMO = R$ 5,61 e CH = R$ 82,56. O valor de R$ 82,56 (custo horário de construção para bacia de acumulação e infiltração) foi obtido considerando apenas o operador, isto é, sem serviços de ajudante. Por meio do valor horário de construção e da quantidade de horas para cada bacia de acumulação e infiltração, obteve-se o valor total de construção, sendo para bacia I R$ 537,05 e bacia II R$ 351,15. Rabelo et al. (2008), utilizando um trator de esteira, modelo Caterpillar D-40, encontraram 2,50 horas para implantação total de bacia de acumulação e infiltração com raio de 6,67 m e volume 69,75 m3, em estrada no município de Morrinhos-GO. Considerando que esse valor foi obtido por trator com potência relativamente superior ao 78 trator utilizado para implantação das bacias I e II desse trabalho, comparativamente é possível afirmar que os valores estão em conformidade. A metodologia estabelecida neste trabalho para cálculo de custos de implantação de bacia de acumulação e infiltração pode ser utilizada em projetos e modelos de sistemas de drenagem em obras rodoviárias, pois usa como base, dados obtidos de solo e equipamentos de construção do próprio local. Esses valores ao serem utilizados em modelos de dimensionamento podem ser associados a outros empíricos para determinação dos parâmetros de projetos. Instituições que trabalham nessa área, principalmente Estados e Prefeituras, muitas das vezes, carentes de técnicas acessíveis à realidade local, poderão fazer dessa metodologia, uma ferramenta de combate aos seus problemas de drenagem em áreas rurais, reduzindo custos de implantação e manutenção de suas obras de drenagem em estradas não pavimentadas. Os órgãos públicos podem usar ainda, em processos de licitação obras, vez que os procedimentos estão em conformidade com as determinações do SICRO/DNIT. De posse dos dados obtidos relativos às bacias de acumulação e infiltração neste trabalho, sugere-se que é possível desenvolver um novo modelo de dimensionamento de sistemas de drenagens em estradas não pavimentadas, por meio de bacias de acumulação e infiltração, usando alguns parâmetros do modelo “estradas” de Griebeler (2005) e complementado com outros ainda não considerados por esse. O dimensionamento com base nos estudos apresentados por este trabalho, além das dimensões físicas propostas pelas equações postas, poderá determinar também os custos de construção da bacia de acumulação e infiltração isolada ou em série de sistemas de drenagem em estradas não pavimentadas. A opção de bacias de acumulação e infiltração com funcionamento de forma isolada ou em série pode ser definida no local com o auxílio dos parâmetros e ensaios trabalhados nesse estudo. 79 5 CONCLUSÕES i) Os valores médios da porosidade da bacia I mostraram uma redução de 11,28 %, enquanto que na bacia II houve uma redução de 9,8 % após o armazenamento do escoamento superficial num período chuvoso de três meses. ii) Os valores de textura indicam que a camada formada pelos sedimentos é constituída por partículas finas, predominantemente argila, silte e areia fina, sendo franco argilosa, a classe textural. iii) A camada sedimentada apresenta menor quantidade de argila que o solo da bacia, porém maior quantidade de silte. iv) Os valores das massas específicas dos grãos dos solos pertencentes às bacias de acumulação e infiltração antes e depois da utilização mostram um pequeno acréscimo tanto para a bacia I quanto para a II, podendo ser entendido apenas como variação própria do parâmetro medido. v) Os valores dos limites de Atterberg do material erodido e depositado no fundo das bacias mostraram pouca variação em relação àqueles obtidos do solo de construção de cada bacia. vi) O uso da análise táctil-visual por meio do furo de trado mostrou-se bastante eficiente quanto à descrição do perfil, permitindo correlações confirmadas com as taxas de infiltração nas bacias. vii) O monitoramento da lâmina d’água nas bacias mostrou redução nas taxas de infiltração de ambas as bacias, indicando que o material erodido, transportado e depositado na bacia provocou obstrução dos poros do solo de sua base. viii) O volume geométrico observado foi, em média, 68% do volume construtivo, indicando que os aspectos construtivos superestimaram os valores do cálculo teórico utilizado no dimensionamento das bacias. ix) A quantificação do volume de solo sedimentado nas bacias I e II, referente somente à estrada, indicou, respectivamente, perdas de 64,19 t ha-1 e 26,48 t ha-1 para o período avaliado. Estes valores mostram a intensidade dos processos erosivos perante as condições e características particulares dos solos de estradas não pavimentadas. 80 x) A variação encontrada entre os valores de perda de solos em estradas não pavimentadas referentes a esse trabalho e outros encontrados na literatura reflete a falta de uma metodologia própria para a determinação de perda de solo em estradas não pavimentadas, além da necessidade de mais estudos e pesquisas. xi) Os resultados observados para a infiltração e para as perdas de solos apontam para a necessidade de manutenção anual em bacias de acumulação e infiltração na região do estudo. 81 6 REFERÊNCIAS AKSOY, H.; KAVVAS, M. L. Longevity of Infiltration Basins. Catena, Birmingham, v. 64, p. 247–271, oct. 2005. ALVES, M. A. N. Características geotécnicas de estradas não-pavimentadas no município de Bauru-SP. 2009. 96 f. 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(m³) 22/jan 0 0 0 0 0 0 0 22/1-26/1 61,5 65,39 14,55 0,59 46,21 31,66 0,28 27/1-31/1 21,7 73 15,81 0,98 1,53 14,42 0,07 1/2-6/2 0 14,07 6,96 0,44 0 0 0 7/2-10/2 20,5 3,04 1,14 0,21 0,18 0,18 0 11/2-15/2 2 0,25 0,29 0,04 0 0 0 16/2-20/2 24 24,59 1,41 0,37 4,35 2,49 0,06 21/2-25/2 10 41,94 5,32 0,61 4,03 2,91 0,15 26/2-2/3 38 48,55 7,66 0,62 40,2 11,2 0,45 3/3-7/3 23,5 64,67 2,07 0,93 31,46 12,98 0,45 8/3-12/3 10,5 41,31 4,83 0,75 0,56 1 0,06 13/3-17/3 0 27,07 4,63 0,61 14,4 0 0,23 18/3-22/3 0 7,53 1,7 0,33 0,06 0,19 0,02 23/3-27/3 19 5,64 1,46 0,27 0,62 0,54 0,01 28/3-1/4 31,5 13,66 2,22 0,36 13,47 2,16 0,16 2/4-6/4 61,5 131,2 11,99 1,29 61,22 14,19 0,34 7/4-11/4 26,31 50,71 12,1 0,82 6,44 4,49 0,27 12/4-16/4 0 24,74 2,5 0,59 0,19 0,3 0,03 17/4-21/4 0 12,26 1,58 0,42 0 0 0 22/4-26/4 0 3,32 2,15 0,21 0 0 0 27/4-01/5 0 0,14 0,37 0,03 0 0 0 100,74 10,47 224,92 98,71 2,58 Total 350,01 653,08 Ev – Volume evaporado acumulado 89 Apêndice B. Precipitação, leitura da régua e valores correspondentes aos cálculos efetuados da bacia I. Precipitação Leitura Volume Volume Volume infiltrado pluviômetro régua pela régua estimado e evaporado (cm) 0 (m³) (m³) (m³) (m³) 22/1/2010 (mm) 0,00 0 0 0 0 23/1/2010 34,00 20,83 0 0,00 0,00 12,00 115 90 20,83 24/1/2010 12,97 12,97 7,86 0,19 7,67 25/1/2010 3,00 76 9,33 9,33 3,64 0,16 3,48 26/1/2010 12,50 119 22,25 25,89 3,64 0,24 3,40 27/1/2010 10,00 110 19,12 19,12 6,77 0,22 6,55 28/1/2010 9,00 102 16,53 16,53 2,59 0,21 2,38 29/1/2010 0,00 97 15,00 15,00 1,53 0,20 1,33 30/1/2010 2,70 91 13,25 13,25 1,75 0,19 1,56 31/1/2010 0,00 75 9,10 9,10 4,15 0,16 3,99 1/2/2010 0,00 53 4,61 4,61 4,49 0,11 4,38 2/2/2010 0,00 45 3,34 3,34 1,27 0,10 1,17 3/2/2010 0,00 38 2,39 2,39 0,95 0,08 0,87 4/2/2010 0,00 35 2,03 2,03 0,36 0,08 0,28 5/2/2010 0,00 32 1,70 1,70 0,33 0,07 0,26 6/2/2010 0,00 25 1,04 1,04 0,66 0,06 0,60 7/2/2010 10,00 20 0,67 0,67 0,37 0,04 0,33 8/2/2010 0,00 18 0,54 0,54 0,13 0,04 0,09 9/2/2010 6,00 16 0,43 0,43 0,11 0,04 0,07 10/2/2010 4,50 14,5 0,35 0,35 0,08 0,03 0,05 11/2/2010 0,00 9 0,14 0,14 0,21 0,02 0,19 12/2/2010 2,00 5 0,04 0,04 0,1 0,01 0,09 13/2/2010 0,00 5 0,04 0,04 0 0,00 0,00 14/2/2010 0,00 3 0,02 0,02 0,02 0,01 0,01 15/2/2010 0,00 1 0,01 0,01 0 0,00 0,00 16/2/2010 0,00 0 0,00 0,01 0 0,00 0,00 17/2/2010 5,50 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 18/2/2010 16,50 3 0,02 0,02 0 0,00 0,00 19/2/2010 0,00 90 12,97 13,18 0,21 0,19 0,02 20/2/2010 2,00 85 11,61 11,61 1,57 0,18 1,39 21/2/2010 2,50 80 10,32 10,32 1,29 0,17 1,12 22/2/2010 0,00 72 8,40 8,40 1,92 0,15 1,77 23/2/2010 7,50 70 7,95 7,95 0,45 0,15 0,30 24/2/2010 0,00 72 8,40 8,85 0,45 0,15 0,30 25/2/2010 0,00 65 6,88 6,88 1,97 0,14 1,83 26/2/2010 0,00 57 5,32 5,32 1,56 0,12 1,44 27/2/2010 0,00 50 4,11 4,11 1,21 0,11 1,10 28/2/2010 31,00 100 15,91 17,12 1,21 0,21 1,00 1/3/2010 0,00 85 11,61 11,61 5,51 0,18 5,33 2/3/2010 7,00 85 11,61 11,61 0 0,00 0,00 3/3/2010 10,00 95 14,41 14,41 0,2 0,20 0,00 Data Volume Volume evaporado Infiltrado (m³) 0 90 Precipitação Leitura Volume Volume Volume infiltrado Volume Volume pluviômetro régua pela régua estimado e evaporado evaporado infiltrado (mm) (cm) (m³) (m³) (m³) (m³) (m³) 4/3/2010 7,00 93 13,82 13,82 0,59 0,19 0,40 5/3/2010 6,50 89 12,69 12,69 1,13 0,18 0,95 6/3/2010 0,00 87 12,14 12,14 0,55 0,18 0,37 7/3/2010 0,00 85 11,61 11,61 0,53 0,18 0,35 8/3/2010 0,00 80 10,32 10,32 1,29 0,17 1,12 9/3/2010 0,00 75 9,10 9,10 1,22 0,16 1,06 10/3/2010 0,00 69 7,73 7,73 1,37 0,15 1,22 11/3/2010 0,00 65 6,88 6,88 0,85 0,14 0,71 12/3/2010 10,50 67 7,30 8,15 0,85 0,14 0,71 13/3/2010 0,00 65 6,88 6,88 1,27 0,14 1,13 14/3/2010 0,00 62 6,27 6,27 0,61 0,13 0,48 15/3/2010 0,00 60 5,88 5,88 0,39 0,13 0,26 16/3/2010 0,00 56 5,13 5,13 0,75 0,12 0,63 17/3/2010 0,00 42 2,91 2,91 2,22 0,09 2,13 18/3/2010 0,00 38 2,39 2,39 0,52 0,08 0,44 19/3/2010 0,00 33 1,81 1,81 0,58 0,07 0,51 20/3/2010 0,00 29 1,40 1,40 0,41 0,06 0,35 21/3/2010 0,00 25 1,04 1,04 0,36 0,06 0,30 22/3/2010 0,00 23 0,88 0,88 0,16 0,05 0,11 23/3/2010 5,00 20 0,67 0,67 0,21 0,04 0,17 24/3/2010 5,00 19 0,60 0,60 0,07 0,04 0,03 25/3/2010 0,00 15 0,38 0,38 0,22 0,03 0,19 26/3/2010 9,00 38 2,39 2,62 0,22 0,08 0,14 27/3/2010 0,00 31 1,60 1,60 1,01 0,07 0,94 28/3/2010 0,00 22 0,81 0,81 0,79 0,05 0,74 29/3/2010 0,00 25 1,04 1,83 0,95 0,06 0,89 30/3/2010 5,00 23 0,88 0,88 0,28 0,05 0,23 31/3/2010 1,50 19 0,60 0,60 0,28 0,04 0,24 1/4/2010 25,00 80 10,32 10,60 0,28 0,17 0,11 2/4/2010 20,50 130 26,36 26,64 1,22 0,26 0,96 3/4/2010 22,00 140 30,36 30,64 1,22 0,28 0,94 4/4/2010 10,00 135 28,33 28,33 2,31 0,27 2,04 5/4/2010 9,00 130 26,36 26,36 1,97 0,26 1,71 6/4/2010 0,00 112 19,80 19,80 6,56 0,23 6,33 7/4/2010 0,00 96 14,70 14,70 5,1 0,20 4,90 8/4/2010 0,00 85 11,61 11,61 3,09 0,18 2,91 Data 9/4/2010 0,00 77 9,58 9,58 2,03 0,16 1,87 10/4/2010 0,00 70 7,95 7,95 1,63 0,15 1,48 11/4/2010 0,00 65 6,88 6,88 1,07 0,14 0,93 12/4/2010 0,00 61 6,07 6,07 0,81 0,13 0,68 91 Data Pluviômetro Leitura Volume Volume Volume infiltrado Volume Volume precipitação régua pela régua estimado e evaporado evaporado infiltrado (mm) (cm) (m³) (m³) (m³) (m³) (m³) 13/4/2010 0,00 57 5,32 5,32 0,75 0,12 0,63 14/4/2010 0,00 55 4,96 4,96 0,36 0,12 0,24 15/4/2010 0,00 53 4,61 4,61 0,35 0,11 0,24 16/4/2010 0,00 48 3,79 3,79 0,82 0,10 0,72 17/4/2010 0,00 43 3,05 3,05 0,74 0,09 0,65 18/4/2010 0,00 38 2,39 2,39 0,66 0,08 0,58 19/4/2010 0,00 37 2,27 2,27 0,12 0,08 0,04 20/4/2010 0,00 35 2,03 2,03 0,24 0,08 0,16 21/4/2010 0,00 39 2,52 2,52 0,24 0,08 0,16 22/4/2010 0,00 27 1,22 1,22 1,3 0,06 1,24 23/4/2010 0,00 23 0,88 0,88 0,33 0,05 0,28 24/4/2010 0,00 19 0,60 0,60 0,28 0,04 0,24 25/4/2010 0,00 15 0,38 0,38 0,23 0,03 0,20 26/4/2010 0,00 12 0,24 0,24 0,22 0,03 0,19 27/4/2010 0,00 8 0,11 0,11 0,17 0,02 0,15 28/4/2010 0,00 4 0,03 0,03 0,15 0,01 0,14 29/4/2010 0,00 1 0,00 0,00 0,08 0,00 0,08 30/4/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 2/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 3/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 4/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 5/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 6/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 30/4/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 2/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 3/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 4/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 5/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 6/5/2010 0,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 92 Apêndice C. Precipitação, leitura da régua e valores correspondentes aos cálculos efetuados da bacia II. Data Precipitação Leitura Volume Volume Volume infiltrado Volume Volume pluviômetro régua pela régua estimado e evaporado evaporado infiltrado (mm) (cm) (m³) (m³) (m³) (m³) (m³) 22/1/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 23/1/2010 34,00 152 30,42 30,42 0 0 0 24/1/2010 12,00 60 1,3 1,3 29,12 0,06 29,06 25/1/2010 3,00 0 0 0 1,3 0 1,3 26/1/2010 12,50 98 13,19 14,49 1,3 0,17 1,3 27/1/2010 10,00 32 1,48 1,48 13,01 0,06 12,95 28/1/2010 9,00 6 0,05 0,05 1,43 0,01 1,42 29/1/2010 0,00 0 0 0 0,05 0 0,05 30/1/2010 2,70 0 0 0 0 0 0 31/1/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 1/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 2/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 3/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 4/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 5/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 6/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 7/2/2010 10,00 11 0,18 0,18 0 0 0 8/2/2010 0,00 0 0 0 0,18 0 0,18 9/2/2010 6,00 0 0 0 0 0 0 10/2/2010 4,50 0 0 0 0 0 0 11/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 12/2/2010 2,00 0 0 0 0 0 0 13/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 14/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 15/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 16/2/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 17/2/2010 5,50 0 0 0 0 0 0 18/2/2010 16,50 2 0,01 0,01 0,01 0 0,01 19/2/2010 0,00 49 3,42 3,43 0,01 0,01 0 20/2/2010 2,00 25 0,91 0,91 2,52 0,05 2,48 21/2/2010 2,50 10 0,15 0,15 0,76 0,02 0,74 22/2/2010 0,00 0 0 0 0,15 0 0,15 23/2/2010 7,50 0 0 0 0 0 0 24/2/2010 0,00 45 2,89 2,97 0,08 0,08 0 25/2/2010 0,00 25 0,91 0,91 2,06 0,05 2,02 26/2/2010 0,00 15 0,33 0,33 0,58 0,03 0,55 27/2/2010 0,00 10 0,15 0,15 0,18 0,02 0,16 28/2/2010 31,00 120 19,44 19,62 0,18 0,1 0,08 1/3/2010 0,00 90 11,19 11,19 8,43 0,16 8,27 8,91 2,28 0,14 2,14 2,28 0,15 2,13 2/3/2010 7,00 80 8,91 3/3/2010 10,00 85 10,02 12,3 93 Data Pluviômetro Leitura Volume Volume Volume infiltrado Volume Volume pluviômetro régua pela régua estimado e evaporado evaporado Infiltrado (mm) (cm) (m³) (m³) (m³) (m³) (m³) 4/3/2010 7,00 88 10,72 10,72 1,58 0,16 1,43 5/3/2010 6,50 60 5,09 5,09 5,63 0,11 5,52 6/3/2010 0,00 40 2,29 2,29 2,8 0,08 2,72 7/3/2010 0,00 27 1,06 1,06 1,23 0,05 1,18 8/3/2010 0,00 16 0,37 0,37 0,69 0,03 0,66 9/3/2010 0,00 10 0,15 0,15 0,22 0,02 0,2 10/3/2010 0,00 5 0,04 0,04 0,11 0,01 0,1 11/3/2010 0,00 0 0 0 0,04 0 0,04 12/3/2010 10,50 0 0 0 0 0 0 13/3/2010 0,00 70 6,87 8,17 1,3 0 1,3 14/3/2010 0,00 50 3,64 3,56 4,61 0,09 4,52 15/3/2010 0,00 35 1,76 1,76 1,8 0,07 1,73 16/3/2010 0,00 22 0,7 0,7 1,06 0,04 1,02 17/3/2010 0,00 12 0,21 0,21 0,49 0,02 0,47 18/3/2010 0,00 6 0,05 0,05 0,16 0,01 0,15 19/3/2010 0,00 3 0,01 0,01 0,04 0,01 0,03 20/3/2010 0,00 0 0 0 0,01 0 0,01 21/3/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 22/3/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 23/3/2010 5,00 0 0 0 0 0 0 24/3/2010 5,00 0 0 0 0 0 0 25/3/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 26/3/2010 9,00 20 0,58 0,58 0 0 0 27/3/2010 0,00 5 0,04 0,04 0,55 0,01 0,54 28/3/2010 0,00 0 0 0 0,04 0 0,04 29/3/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 30/3/2010 5,00 0 0 0 0 0 0 31/3/2010 1,50 0 0 0 0 0 0 1/4/2010 25,00 90 11,19 13,47 2,28 0,16 2,12 2/4/2010 20,50 105 15,06 17,34 2,28 0,03 2,25 3/4/2010 22,00 105 15,06 15,06 2,28 0,18 2,1 4/4/2010 10,00 100 13,71 13,71 1,35 0 1,34 5/4/2010 9,00 85 10,02 10,02 3,69 0,01 3,68 6/4/2010 0,00 60 5,09 5,09 4,93 0,11 4,82 7/4/2010 0,00 45 2,89 2,89 2,2 0,08 2,12 8/4/2010 0,00 34 1,66 1,66 1,23 0,06 1,16 9/4/2010 0,00 26 0,98 0,98 0,68 0,05 0,63 10/4/2010 11/4/2010 0,00 0,00 20 15 0,58 0,33 0,58 0,33 0,4 0,25 0,04 0,03 0,36 0,22 12/04/2010 0,00 10 0,15 0,15 0,18 0,02 0,16 94 Data Precipitação Leitura Volume Volume Volume infiltrado Volume Volume pluviômetro régua pela régua estimado e evaporado evaporado Infiltrado (mm) (cm) (m³) (m³) (m³) (m³) (m³) 13/4/2010 0,00 5 0,04 0,04 0,11 0,01 0,1 14/4/2010 0,00 0 0 0 0,04 0 0,04 15/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 16/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 17/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 18/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 19/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 20/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 21/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 22/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 23/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 24/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 25/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 26/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 27/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 28/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 29/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 30/4/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 1/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 2/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 3/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 4/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 5/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 6/5/2010 0,00 0 0 0 0 0 0 95 Apêndice D. Cotas levantadas pelo nível ótico antes do uso da bacia I (m) Bacia I 0,00 -0,06 -0,24 -0,33 -0,42 -0,46 -0,30 -0,20 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,30 -0,63 -0,91 -0,95 -0,99 -0,74 -0,51 -0,20 -0,05 0,00 0,00 -0,51 -0,89 -1,24 -1,45 -1,38 -1,19 -0,95 -0,43 -0,08 0,00 0,00 -0,74 -1,20 -1,49 -1,93 -1,85 -1,76 -1,29 -1,02 -0,10 0,00 0,00 -0,75 -1,25 -1,67 -2,07 -2,01 -1,89 -1,60 -1,21 -0,33 0,00 -0,02 -0,75 -1,58 -1,38 -1,91 -2,10 -1,92 -1,95 -1,75 -0,65 0,00 0,00 -0,77 -1,24 -1,80 -1,87 -1,96 -1,90 -1,74 -1,33 -0,79 0,00 0,00 -0,63 -1,10 -1,63 -1,77 -1,97 -1,86 -1,66 -1,20 -0,78 0,00 0,00 -0,28 -0,83 -1,25 -1,49 -1,61 -1,44 -1,35 -0,89 -0,59 0,00 0,00 -0,01 -0,32 -0,77 -0,94 -1,05 -0,98 -0,97 -0,67 -0,28 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,08 -0,33 -0,47 -0,57 -0,54 -0,37 -0,16 0,00 Apêndice E. Cotas levantadas pelo nível ótico dpois do uso da bacia I (m) Bacia I 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,06 -0,23 -0,44 -0,15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -1,08 -0,47 -0,73 -0,77 -0,75 -0,52 -0,33 0,00 0,00 0,00 -0,11 -0,81 -1,02 -1,24 -1,20 -1,07 -0,90 -0,55 -0,02 0,00 0,00 0,00 -1,02 -1,32 -1,44 -1,39 -1,40 -1,21 -0,81 0,00 -0,73 -1,27 -1,63 -1,65 -1,63 -1,55 -1,48 -0,95 -0,26 0,00 0,00 -0,63 -1,17 -1,58 -1,72 -1,78 -1,70 -1,45 -1,06 -0,30 0,00 0,00 -0,43 -1,03 -1,40 -1,66 -1,80 -1,72 -1,42 -0,93 -0,32 0,00 0,00 -0,43 -1,03 -1,29 -1,46 -1,52 -1,40 -1,07 -0,66 -0,13 0,00 0,00 -0,11 -0,69 -0,87 -1,07 -1,02 -0,99 -0,67 -0,21 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,52 -0,64 -0,49 -0,47 -0,19 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,22 -0,17 -0,01 -0,10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Apêndice F. Cotas levantadas pelo nível ótico antes do uso da bacia II (m) Bacia II 0,00 -0,11 -0,06 -0,11 -0,23 -0,25 -0,28 -0,13 -0,08 -0,08 0,00 0,00 -0,08 -0,20 -0,37 -0,70 -0,66 -0,62 -0,41 -0,18 -0,06 0,00 -0,20 -0,23 -0,52 -0,79 -0,97 -1,06 -0,98 -0,75 -0,46 -0,15 0,00 -0,20 -0,47 -0,76 -1,05 -1,30 -1,29 -1,23 -1,07 -0,75 -0,30 -0,04 -0,17 -0,52 -0,96 -1,26 -1,53 -1,52 -1,50 -1,28 -0,98 -0,32 0,00 -0,13 -0,55 -0,98 -1,48 -1,50 -1,52 -1,52 -1,34 -0,98 -0,44 0,00 -0,06 -0,43 -0,94 -1,33 -1,49 -1,43 -1,40 -1,15 -0,80 -0,35 -0,02 -0,03 -0,21 -0,69 -1,12 -1,23 -1,32 -1,18 -0,96 -0,54 -0,19 -0,03 0,00 -0,03 -0,43 -0,70 -0,93 -1,04 -0,78 -0,61 -0,25 -0,08 0,00 0,00 0,00 -0,04 -0,19 -0,48 -0,42 -0,34 -0,15 -0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,01 -0,01 -0,09 -0,10 -0,13 0,00 96 Apêndice G. Cotas levantadas pelo nível ótico depois do uso da bacia II (m) Bacia II 0,00 0,00 -0,10 -0,06 -0,16 -0,37 -0,56 -0,65 -0,59 -0,42 -0,12 0,00 0,00 -0,06 -0,06 -0,11 -0,23 -0,20 -0,13 0,00 0,00 0,00 -0,09 -0,18 -0,45 -0,71 -0,89 -0,96 -0,87 -0,71 -0,38 -0,06 0,00 -0,09 -0,36 -0,67 -1,03 -1,11 -1,21 -1,09 -0,99 -0,65 -0,24 0,00 -0,09 -0,36 -0,81 -1,14 -1,22 -1,26 -1,27 -1,15 -0,80 -0,34 0,00 0,00 -0,45 -0,85 -1,20 -1,20 -1,15 -1,20 -1,10 -0,81 -0,25 0,00 0,00 -0,43 -0,81 -1,18 -1,14 -1,13 -1,07 -1,05 -0,76 -0,26 0,00 -0,07 -0,14 -0,58 -1,00 -1,12 -1,08 -0,93 -0,91 -0,54 -0,24 0,00 -0,05 -0,05 -0,31 -0,64 -0,86 -0,96 -0,79 -0,54 -0,26 -0,01 0,00 0,00 -0,01 -0,01 -0,07 -0,33 -0,38 -0,42 -0,10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,11 -0,06 -0,02 0,00