A participação do Idoso na econômia das famílias da Região do
Grande ABC
“Não podemos acrescentar
dias em nossas vidas, mas
podemos acrescentar vida em
nossos dias”
Cora Coralina
1 - Introdução
Este trabalho tem por objetivo analisar a participação do idoso brasileiro na economia
das famílias da Região o Grande ABC.
Desde o início dessa década, a Região do ABC (Santo André, São Bernardo e São
Caetano do Sul) observa um substancial aumento da proporção de domicílios com
presença de idosos (60 anos ou mais) em sua população, conforme resultados da
Pesquisa Sócio-econômica realizada pelo Instituto de Pesquisas da Universidade de São
Caetano do Sul (INPES, 2011). O número de domicílios nesse contexto aumentou cerca
de 46,7% no período entre 2002 e 2011, passando de 30,2%, em 2002, para 44,3%, em
2011. No Grande ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano do Sul, Diadema,
Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), a proporção de famílias com a presença
de idosos em 2011 alcançou 36,5%.
É fato que o aumento do número de idosos nas populações é uma tendência mundial e
inerente ao desenvolvimento social e econômico nos países e ao desenvolvimento das
práticas médicas e profiláticas de forma geral.
Estimativas da ONU dão conta que em 2050 as pessoas com mais de 60 anos
representarão 32% da população mundial e devem superar pela primeira vez na história
o número de crianças. Segundo números divulgados pela entidade, o crescimento anual
da população é de 1,14%, e existe a expectativa de que, esse mês, alcance os 6,6 bilhões
de habitantes. Atualmente, a população mundial é composta por 28% de crianças
(menores de 15 anos), 18% de jovens (de 15 a 24 anos), 44% de adultos (de 25 a 59
anos) e 10% de (acima dos 60 anos). No entanto, é previsto que o número de pessoas
nessa última faixa irá triplicar, dos 705 milhões atuais para quase 2 bilhões em 2050.
Tabela 1 – Projeção de idosos no Brasil até 2050
Estudos internacionais mostram que entre 1960 e meados da década de 80 a taxa de
atividade da população de 55 anos e mais declinou em vários países desenvolvidos. Essa
era inversamente associada à urbanização, desenvolvimento econômico industrial,
ampliação da cobertura previdenciária etc. (DURAN, 1975). Desde então, essa taxa se
estabilizou em alguns desses países e em outros, como Austrália, Estados Unidos e
Japão, aumentou no início dos anos 90 (KURODA (1997, p. 8). Não se sabe até que
ponto esse aumento é resultado do crescimento da esperança de vida ou das dificuldades
de se obter aposentadoria por parte desse segmento.
Além disso, tem se verificado um aumento na participação da PEA idosa no total da
PEA brasileira. Em 1977, 4,5% da PEA brasileira eram compostos de idosos. Em 1997,
essa proporção dobrou tendo atingido 9%. Considerando apenas o efeito das tendências
demográficas, ou seja, do envelhecimento populacional, pode-se esperar um
crescimento intenso desse contingente, o que pode vir a representar 13% da PEA
brasileira no ano 2020 WAJNMAN (1999, p. 184).
A região do ABC é composta atualmente por 14,7% de crianças (15 anos ou menos) e
20,0% de idosos (60 anos ou mais). Enquanto que na região do Grande ABC, há uma
inversão, há 18,9% de crianças (15 anos ou menos) para 15,4% de idosos (60 anos ou
mais). (INPES, 2011).
Todo o contexto apresentado parece justificar a importância latente da temática. Assim,
faz-se necessário entender o seguinte problema: qual o impacto do crescimento do
número de idosos na economia das famílias na região do Grande ABC?
Nesse contexto, alguns objetivos gerais foram propostos:
a) O número de família com idosos tem aumentando em função da presença do idoso
como chefe da família ou como parente do chefe da família?
b) Qual parcela da renda das famílias depende do rendimento do idoso?
c) Há diferença entre a estrutura de gastos de famílias com a presença de idoso e sem a
presença de idosos?
d) Há diferença entre a posse de bens de TIC (Tecnologia da Informação e
Comunicação) entre as famílias com a presença de idosos e sem a presença de idosos?
e) Famílias com presença de idosos são mais ou menos endividadas do que as famílias
sem idosos.
2 – Considerações sobre o tema
O Estatuto do Idoso, criado pela Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003, em seu artigo
primeiro, classifica como idoso todo indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos
“Art. 1o É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às
pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos”. (Brasil, 2003)
Para efeito de análise e, conforme sugere Camarano e El Ghaouri (2002), os domicílios
com a presença de idosos devem ser divididos em dois grupos distintos: domicílio de
idosos (chefe de família idoso) e domicílio com idosos (idosos com algum grau de
parentesco com o chefe da família).
Nesse sentido, a tabela 1 evidencia que o crescimento na proporção de domicílios com a
presença de idosos, foco desse estudo, deu-se em grande parte no grupo de domicílios
onde o idoso é o chefe de família (aumento de 50,2%). O grupo de domicílios onde o
idoso tem algum grau de parentesco com o chefe de família experimentou um aumento
de 31,6% no mesmo período.
Ainda, parece importante o registro de crescimento de mais de sessenta por cento do
número de famílias de 3ª geração no período, passando de 6,9% em 2002 para 11,1%
em 2011
Tabela 2 – Distribuição dos domicílios com a presença de idosos a partir de seu grau de
parentesco com o chefe da família
ABC
GABC
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2011
Domicílios sem
IDOSOS
69,8%
68,6%
66,1%
63,0%
63,9%
62,5%
61,6%
65,1%
59,7%
55,7
%
63,5%
Domicílios com
presença de IDOSOS
30,2%
31,4%
33,9%
37,0%
36,1%
37,5%
38,4%
34,9%
40,3%
44,3
%
36,5%
Domicílios de
IDOSOS (chefe de
família)
24,5%
25,5%
27,3%
30,1%
30,3%
30,9%
32,8%
30,1%
33,9%
36,8
%
30,4%
Domicílios com
IDOSOS (não chefes
de família)
5,7%
6,0%
6,7%
6,9%
5,8%
6,6%
5,6%
4,8%
6,3%
7,5%
6,1%
Domicílios de três
gerações*
6,9%
7,3%
7,5%
9,3%
8,1%
6,9%
8,8%
6,9%
8,6%
11,1
%
10,4%
* 1ª , 2ª e 3ª ou 1ª e 3ª gerações residindo no domicílio, sendo a 1ª geração indivíduo com 60 anos ou mais
Fonte: Pesquisa Socioeconomica do Grande ABC
De forma geral, as tabelas de 2 a 5 apresentam, preliminarmente , um perfil geral do
idoso na região a partir da tipologia de família a qual pertence.
Tabela 3 - Gênero do idoso
Domicílios com presença de
idosos
Domicílios com idosos
(chefe da família)
Domicílios com presença de
idosos (não chefes de família)
ABC
GABC
ABC
GABC
ABC
GABC
Masculino
64,3%
64,3%
72,9%
72,4%
22,0%
24,0%
Feminino
75,6%
74,0%
73,4%
71,7%
86,7%
85,5%
Fonte: Pesquisa Socioeconomica do Grande ABC / 2011
Tabela 4 - Idade dos Idosos
Domicílios com presença de
idosos
Domicílios com presença de
idosos (não chefes de família)
Domicílios com idosos
(chefe da família)
ABC
GABC
ABC
GABC
ABC
GABC
Idade Média
70 anos
69 anos
69 anos
69 anos
72 anos
72 anos
Idade Mediana
69 anos
68 anos
68 anos
68 anos
72 anos
72 anos
Desvio Padrão
7 anos
7 anos
7 anos
7 anos
9 anos
8 anos
277
390
230
325
47
65
Base:
Tabela 5- Escolaridade dos Idosos
Domicílios com
presença de idosos
Domicílios com
presença de idosos
Domicílios com
idosos
(não chefes de
família)
(chefe da família)
Escolaridade da
População em
geral
ABC
GABC
ABC
GABC
ABC
GABC
ABC
GABC
Anos de escolaridade dos
idosos (média)
5 anos
5 anos
6 anos
5 anos
5 anos
4 anos
10 anos
9 anos
Anos de escolaridade dos
idosos (mediana)
4 anos
4 anos
4 anos
4 anos
4 anos
4 anos
11 anos
10 anos
Anos de escolaridade dos
idosos (desvio padrão)
3 anos
3 anos
3 anos
3 anos
3 anos
3 anos
4 anos
4 anos
277
390
230
325
47
65
-
-
Base:
Tabela 6 - Condição de trabalho do idoso
Tipo de Constituição
Domicílio com a
presença de idosos
Domicílio com idosos
(chefe de família)
Domicílio com idosos
(não chefes de família)
ABC
GABC
ABC
GABC
ABC
GABC
Não trabalham
57,8%
56,9%
61,1%
59,6%
41,6%
43,4%
Vinculado à empresas
19,5%
21,2%
16,3%
18,5%
35,3%
35,1%
Autônomo
19,8%
19,5%
19,5%
19,5%
21,5%
19,5%
Empregador
2,9%
2,4%
3,2%
2,4%
1,6%
2,0%
3. Procedimentos Metodológicos
3.1 Público-Alvo
O público-alvo sugerido para esse estudo são as famílias residentes na Região do
Grande ABC.
3.2 Abrangência geográfica
A opção da Região do ABC Paulista justifica-se pelo fato da Região contar com um
mercado consumidor bastante heterogêneo, representativo dos diferentes estratos de
consumo, conforme distribuição das famílias nela residentes classificadas pelo critério
BRASIL (Tabela 1).
Tabela 7 - Distribuição percentual das famílias residentes na
Região do ABC Paulista por estrato de consumo
Classes de consumo
A
B
C
D/E
Total
Critério BRASIL (%)
13,4
51,6
34,1
0,9
100,0
Fonte: USCS - Pesquisa Socioeconômica do ABC, março/2011.
3.3 Forma de coleta de dados
Deverão ser utilizados os bancos de dados da Pesquisa Socioeconômica INPES/USCS,
realizada semestralmente, desde 1994, junto a 1.050 moradores da região, via amostragem
probabilística, cobrindo cerca de 800 variáveis sócio-economica-demográfica da região.
No entanto, na coleta estimada para fevereiro de 2.012, pesquisadora deverá acompanhar
todo o processo de pesquisa, desde revisão do instrumento, preparação do material para
coleta, plano amostral, coleta de dados, codificação, entrada dos dados em banco de dados
do SPSS e tratamento inicial dos dados.
3.4 Metodologia de Análise dos dados
Para atendimento aos objetivos apresentados, propõem-se a realização de estatísticas
descritivas para composição dos perfis sócio, econômico e demográfico das tipologias
familiares com a presença de idosos. Além disso, testes estatísticos não paramétricos
deverão ser utilizado para evidenciar possíveis diferenciações entre tais tipologias
familiares (famílias com idosos, famílias sem idosos, famílias sem idosos).
A seleção a priori dos testes estatísticos não paramétricos justifica-se em função da não
aderência de dados relacionados a consumo e rendimento à distribuição normal (teste
sugeridos: Kruskal-Wallis e Mann-Whitney). Não obstante, de posse dos dados, deverão
ser realizados testes específicos (Kolmogorov-Smirnov) para corroboração da condição
de não normalidade de curva.
5 – Cronograma previsto para execução das atividades referentes ao projeto
Plano Prévio das Atividades (2010-2011)
Ago
Set
2011
Out Nov
Dez
2012
Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Revisão Bibliográfica
Preparação dos instrumentos de coleta de dados
Coleta de dados
Codificação / Tabulação dos Dados
Análise dos dados coletados
Redação final do projeto
8
6. Bibliografia selecionada até o momento
Brasil. Lei n. 10.741, de 1 de outubro de 12003. Estatuto do Idoso. Brasília; 2003. Disponível
em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/Leis/L10.741.html
CAMARANO, A. A. & EL GHAOURI. Família com idosos: Ninhos Vazios? Trabalho
apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado
em Ouro Preto, Minas Gerais. 2002
CAMARANO, Ana Amélia et alli, Como Vive o Idoso Brasileiro in: CAMARANO (org).
Muito Além dos 60: os novos idosos brasileiros, IPEA, Rio de Janeiro, pp 19-74. 1999
CAMARANO, Ana Amélia e EL GHAOURI, Solange Kanso. Idosos Brasileiros: Que
dependência é essa? in: CAMARANO
(org).
Muito Além dos 60: os novos idosos
brasileiros, IPEA, Rio de Janeiro, pp 281-306. 1999
CAMARANO, Ana Amélia e MEDEIROS, Marcelo in: CAMARANO (org). Muito Além
dos 60: os novos idosos brasileiros, IPEA, Rio de Janeiro, pp 1-18. 1999.
DURAND, John D.. The Labor Force in Economic Development: A Comparison of
International Census Data, 1946-1966. Princeton University Press. 1975.
INPES. Pesquisa Socioeconomica do Grande ABC. Instituto de Pesquisas da Universidade
Municipal de São Caetano do Sul., 2011. Disponível em www.uscs.edu.br/inpes.html. 2011
IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Projeção da
População do Brasil por Sexo e Idade para o Período 1980-2050 - Revisão 2008.
KURODA, Toshio. Age Structure and Aging Policy: Japan’s Case. Nishon University. Japan,
July 1997. Trabalho apresentado no XXIII Conferência Internacional de População. China,
Outubro, 1997.
9
WAJNMAN, Simone, OLIVEIRA, Ana Maria H.C e OLIVEIRA, Elzira L. A atividade
econômica dos idosos no Brasil in: CAMARANO (org). Muito Além dos 60: os novos
idosos brasileiros, IPEA, Rio de Janeiro, (1999), pp 181-220
10
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