XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. MAPEAMENTO DO FLUXO DE VALOR EM UM SISTEMA PRODUTIVO: APLICAÇÃO EM UMA CÉLULA DE SOLDAGEM Gustavo Weber (UNIJUI ) [email protected] Fernanda Pasqualini (UNIJUI ) [email protected] Dieter Rugard Siedenberg (UNIJUI ) [email protected] Este artigo visa proporcionar conhecimentos sobre a ferramenta mapeamento do fluxo de valor e realizar o mapeamento do fluxo de valor de uma célula de soldagem de um produto “A” descrevendo um mapa do estado atual e propondo um mapa do estaado futuro com as melhorias identificadas e consideradas necessárias. A metodologia aplicada foi a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental, a pesquisa de campo e o estudo de caso. Os dados foram coletados no chão de fábrica, analisados e propostas melhorias no processo da célula de soldagem. Os resultados mostraram que as reduções dos estoques no processo da célula de soldagem influenciaram diretamente a redução do lead time de produção (26,1%). Com a redução do lead time de produção, a porcentagem das atividades que agregavam valor aumentaram em 17% e com a redistribuição da carga de trabalho entre as estações de solda, a capacidade máxima de produção da célula de soldagem passou de 4,3 para 5,7 produtos por turno de trabalho, significando um aumento de 33%. Palavras-chaves: Produção Enxuta, Desperdícios, Mapeamento do Fluxo de Valor XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Introdução Os processos de fabricação têm sido aprimorados e a melhoria contínua sempre estará presente em virtude das necessidades e das constantes adequações às demandas dos mercados. Neste sentido, a eliminação de perdas também é algo a ser almejado. Nesse contexto que se encaixa o Mapeamento do Fluxo do Valor (MFV), avaliando o desempenho da operação e identificando as oportunidades de melhorias. O MFV é uma ferramenta utilizada na produção enxuta que descreve em detalhes o fluxo de materiais e informações da produção de um produto ou de uma família de produto. Para Rother e Shook (2003), o mapeamento é dividido em mapa do estado atual e mapa do estado futuro. O mapa do estado atual descreve o que está acontecendo com o fluxo de material e com o fluxo de informações para que seja possível analisar o processo, identificar, reduzir ou eliminar os desperdícios ou atividades que não agregam valor ao processo produtivo e com isto construir o mapa do estado futuro o qual mostra como seria o processo se as melhorias propostas fossem implementadas. Desse modo, o objetivo deste trabalho é proporcionar conhecimentos sobre a ferramenta MFV implementando-o em uma célula de soldagem de um determinado produto em uma empresa metal mecânica multinacional, na unidade fabril de Horizontina/RS, a fim de descrever o mapa do estado atual e propor um mapa do estado futuro com as melhorias identificadas e consideradas necessárias. 1 A Produção Enxuta Para Black (1998, p. 121), o “sistema de manufatura deve entregar produtos de qualidade ao preço mais baixo possível dentro do menor período de tempo possível” e é neste contexto que entra a mentalidade enxuta ou lean thinking que segundo o Lean Institute Brasil (2012) é “uma estratégia de negócios para aumentar a satisfação dos clientes através da melhor utilização dos recursos”. O objetivo é fornecer valor aos clientes com custos baixos através da identificação de melhoria dos fluxos dos processos. Estas melhorias em processos nada mais são do que eliminação de desperdícios e para Maximiano (2004, p. 210) eliminar desperdícios significa “reduzir ao mínimo a atividade que não agrega valor ao produto”. 2 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Para Ohno (1997), uma inspeção cuidadosa de qualquer área de produção revela desperdício e espaço para melhorias e através de uma observação atenta pode-se dividir o movimento dos trabalhadores em desperdícios e em trabalho e este último em trabalho sem valor adicionado e trabalho com valor adicionado. Ohno (1997) divide o desperdício na produção nas seguintes categorias: Superprodução; Espera; Transporte; Muita maquinização (processamento demasiado); Inventários; Movimentação desnecessária; e Fabricação de pecas e produtos defeituosos. 1.1 Princípios da Mentalidade Enxuta A ideia da mentalidade enxuta é entregar um produto ou serviço no menor tempo possível, com qualidade e baixos custos através da melhoria do fluxo produtivo pela eliminação ou redução dos desperdícios. Para isso, baseia-se em cinco princípios: Valor: A definição do valor é o ponto de partida para a mentalidade enxuta e é o cliente quem o define. O importante é identificar a necessidade do cliente, atendê-la e cobrar por isso um preço específico, a fim de manter a empresa competitiva. Fluxo de Valor: Identificar o Fluxo de Valor significa analisar toda a ação (agregando valor ou não) necessária para trazer um produto por todos os fluxos essenciais a cada produto. Fluxo Contínuo: A ideia é criar um fluxo de processo constante, sem paradas, sem desperdícios, sem grandes estoques em processamento, ou seja, dar fluidez para os processos e atividades tendo como resultado imediato a redução dos tempos de concepção de produtos, de processamento de pedidos e dos estoques. Produção Puxada: Nos pontos do fluxo de valor onde o fluxo contínuo não é possível, será necessário fabricar em lotes. Segundo Rother e Shook (2003) o objetivo de colocar um sistema puxado entre dois processos é ter uma maneira de dar a ordem exata de produção ao processo anterior, sem tentar prever a demanda posterior e programar este processo. Perfeição: É o aperfeiçoamento contínuo em direção a um estado ideal. Este estado ideal deve nortear todos os esforços da empresa juntamente com os membros da cadeia (montadores, fabricantes de diversos níveis, distribuidores e revendedores) para juntos dialogar e buscar continuamente melhores formas de criar valor. 3 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 1.2 Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV) Rother e Shook (2003) definem o MFV de uma maneira simples na qual a ideia é seguir o caminho da produção de um produto desde o consumidor até o fornecedor e com estas informações desenhar uma representação visual de cada processo no fluxo de material e de informação para através destes enxergar o valor e identificar as fontes de desperdício. O fluxo de informação é aquele que diz para cada processo ou etapa o que fabricar ou fazer em seguida, é o movimento da informação proveniente dos clientes até o ponto em que seja necessária para desencadear cada operação. O fluxo de material é o movimento do material dentro da fábrica. Para Lean Institute Brasil (2012) é a movimentação de itens físicos ao longo do fluxo de valor. Esta movimentação deve acontecer em uma sequência bem definida de processos, de modo que quantidades pequenas do produto possam fluir diretamente de etapa a etapa sendo puxado sempre pelo próximo processo. Para Rother e Shook (2003) o MFV segue as seguintes etapas: Selecionar uma família de produtos; desenhar o mapa atual; desenhar o estado futuro; e implementar. Uma família de produtos é um grupo de produtos que passam por etapas semelhantes de processamento e utilizam equipamentos comuns nos processos. O segundo passo é desenhar o estado atual e este é realizado a partir da coleta de informações no chão de fábrica. Estas informações também serão necessárias para desenvolver um mapa do estado futuro que é o passo seguinte. As ideias sobre o estado futuro virão à tona enquanto o mapeamento do estado atual estiver sendo feito do mesmo modo que o estado futuro mostrará importantes informações sobre o estado atual que não haviam sido percebidas anteriormente. O próximo passo é preparar um plano de trabalho e implementação que nada mais é do que um planejamento de como chegar ao estado futuro. Um fato importante a ser entendido é que este não é o fim do processo, ou seja, o estado futuro se torna realidade e um novo mapa do futuro deverá ser feito, ou seja, entra em cena um processo de melhoria contínua focada no fluxo de valor. Para o mapeamento são utilizados um conjunto de símbolos ou ícones para representar os processos e os fluxos. Além disso, o mapeamento começa pelas demandas do consumidor que é desenhada no canto superior direito com um ícone fábrica e abaixo do ícone uma caixa de dados das necessidades dos clientes. O próximo passo do mapeamento é desenhar os processos básicos de produção que são representados por uma caixa de processo. Rother e 4 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Shook (2003) listam alguns dados típicos de processo, são eles: T/C (tempo de ciclo): frequência com que uma peça ou produto é realmente completada em um processo; TR (tempo de troca); Disponibilidade (disponibilidade real da máquina); Número de operadores, Tempo de trabalho (menos os intervalos), entre outros. Embaixo das caixas de processo e dos triângulos de estoque deve-se desenhar uma linha do tempo para registrar o lead time de produção. Os lead times para cada triângulo de estoque são calculados dividindo a quantidade em estoque pelos pedidos diários do cliente. Um menor lead time de produção está relacionado com um maior número de giros do estoque (ROTHER e SHOOK, 2003). O mapa do estado futuro é obtido a partir do mapa do estado atual e aplicando nele conceitos e técnicas da produção enxuta para construir um processo que produza apenas o que o próximo processo necessita em um fluxo contínuo que gere o menor lead time, a mais alta qualidade e o custo mais baixo. 2 Procedimentos Metodológicos 2.1 Tipo de Estudo Este estudo no critério de quanto aos fins pode ser caracterizado como uma investigação ou pesquisa exploratória, pois segundo Vergara (2009) é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. Os meios de investigação utilizados para o estudo exploratório foram a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental, a pesquisa de campo e o estudo de caso. Para Vergara (2009) a pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado como livros e revistas. A pesquisa ou investigação documental é realizada em documentos conservados no interior dos órgãos públicos ou privados de qualquer natureza ou com pessoas. Para Lakatos e Marconi (2002) esta pesquisa tem a característica de que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos escritos ou não denominados de fontes primárias as quais podem ser recolhidas no momento em que o fato ocorre ou depois. A pesquisa de campo para Vergara (2009) é a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu o fenômeno e pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não. Para Lakatos e Marconi (2002) consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, porém com controles adequados e com objetivos preestabelecidos que indicam o que deve ser coletado. Ainda, é um estudo de caso que para Charoux (2006) apresenta as características de 5 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. ter a realidade como fonte direta de informações para o pesquisador o qual fica em contato direto com a situação que está sendo analisada e visa a descoberta de novos aspectos. 2.2 Coleta de Dados A pesquisa bibliográfica foi realizada tendo como base principal os livros. Para uma pequena parte foi utilizado a internet. A pesquisa documental utilizou-se de documentos da empresa. A pesquisa de campo foi realizada no local onde ocorreram os fatos e foi através de observação não participante, porém com objetivos preestabelecidos que indicavam o que deveria ser coletado e/ou desenhado. O estudo de caso foi realizado através de observações diretas no local de trabalho e posteriormente fora do mesmo. 2.3 Análise de Dados Os dados foram analisados antes e durante a confecção dos mapas de fluxo de valor utilizando como base de referência ou análise de interpretação a referência bibliográfica previamente estudada. A primeira etapa foi a identificação da família de produtos com o registro das etapas de soldagem para cada produto. Posteriormente é realizada a criação e interpretação do mapa de estado atual, sendo algumas das informações descritas ao longo do estudo e outras expostas através de gráficos. Após a análise e identificação de possíveis melhorias, estas são adicionadas ao mapa de estado atual através de ícones de necessidades de Kaizen para posteriormente confeccionar o mapa de estado futuro. 3 Apresentação e Análise de Resultados 3.1 Caracterização da empresa O trabalho foi realizado tendo como fonte de estudo um processo de soldagem de uma empresa metal mecânica multinacional localizada na cidade de Horizontina, Rio Grande do Sul. Nesta unidade são produzidas colheitadeiras de grãos, plantadeiras, plataformas de corte e plataformas de milho. Desde que foi fundada, em 1837, a empresa já assistiu a muitas mudanças nos seus negócios, produtos e serviços. A mudança traz sempre oportunidade e a empresa continua dedicada às pessoas ligadas à terra: agricultores, fazendeiros, proprietários rurais e construtores. No Brasil, as unidades fabris que compõem a empresa são: Catalão/GO Fábrica de Colhedoras de Cana e Pulverizadores; Horizontina/RS – Fábrica de Plantadeiras e Colheitadeiras; Montenegro/RS - Fábrica de Tratores; Indaiatuba/SP - Banco e Escritório Regional; e Campinas/SP – Centro de Distribuição de Peças. 6 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 3.2 Coleta de Dados e Mapa do Estado Atual Os dados coletados são referentes ao processo de soldagem de uma determinada linha de produtos da empresa e por motivo de preservação de informações o mesmo será identificado apenas como família de produto “A” ou simplesmente produto “A”. Não serão utilizados códigos ou nomes de peças. Os tempos apresentados também sofreram a aplicação de um determinado fator de multiplicação para que seu real valor seja preservado. Estas medidas de proteção dos dados foram solicitações da empresa. A identificação da família de produtos foi simples porque a família de produtos possui apenas duas variações. Estas variações da família de produtos passam pelas mesmas etapas do processo, seguindo os mesmos fluxos de produção e também utilizam os mesmos recursos ou equipamentos. As variações do produto aqui chamadas de A1 e A2 passam primeiramente pela estação de solda 1. É nesta estação que praticamente ocorre o nascimento do produto, através da união pelo processo de soldagem de diversas peças individuas juntamente com outros pré-conjuntos soldados. Posteriormente o produto segue para a estação de solda 2 onde novamente recebe pelo processo de soldagem a agregação de mais itens individuais e conjuntos soldados e assim da mesma forma na estação de solda 3. Por este motivo a partir deste ponto do trabalho usa-se a denominação de produto “A” para o desenvolvimento do estudo. Depois de identificada a família de produtos, partiu-se para o desenho do estado atual. Observa-se que para este estudo o cliente final será o processo de pintura e não o cliente externo, pois o foco do estudo é a célula de soldagem. Na coleta de informações realizadas observa-se que o produto “A” passa por quatro postos de solda até o cliente final que é a pintura. Esta sequência de postos ou estações de solda representam o maior lead time do processo de solda e por este motivo serão utilizadas para o cálculo do lead time de produção. Nestas estações de solda são adicionadas peças oriundas de supermercados, almoxarifados, processos anteriores ou outros conjuntos soldados provenientes de estações de pré-soldagem. No mapa de estado atual mostra três pontos de estoque na linha principal de soldagem sendo um deles entre a estação de solda 3 e a pintura, outro entre a estação de solda 1 e a estação de solda 2 e o outro entre a estação de pré-solda 1 e a estação de solda 1. Observa-se que na estação de solda 3 trabalham dois operadores. Esta estação de solda recebe peças do almoxarifado, do supermercado e de outra estação de pré-soldagem chamada “pré-solda 6. As 7 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. peças da estação de pré-solda vem do supermercado o qual é abastecido pelo processo de primários onde existem centrais de corte laser e prensas dobradeiras. O processo de primários é abastecido pelo almoxarifado em um processo empurrado. Na estação de solda 2 também trabalham dois operadores. Esta estação recebe pré-conjuntos soldados oriundos de três processos de solda chamados de pré-solda 4, pré-solda 5 e pré-solda 6 e outras peças do supermercado e almoxarifado. A estação de pré-solda 4 recebe itens de um processo de jateamento por granalha de aço, do almoxarifado e do supermercado. A estação de pré-solda 5 recebe peças do almoxarifado e do supermercado. A estação de pré-solda 6 recebe itens do almoxarifado, do supermercado e de primários quando a mesma fornece peças para a estação de solda 2 e do almoxarifado e do supermercado quando a mesma fornece peças para a estação de solda 3. O processo de jateamento que antecede o processo da présolda 4 recebe itens do almoxarifado. O supermercado é abastecido pelo processo de primários o qual é abastecido pelo almoxarifado. Na estação de solda 1 trabalha apenas um operador. Esta estação recebe conjuntos soldados oriundos de três processos de solda chamados de pré-solda 1, pré-solda 2 e pré-solda 3 e outras peças provenientes do supermercado e almoxarifado. A estação de pré-solda 1 recebe itens de um processo de jateamento por granalha de aço, almoxarifado, supermercado e primários. A estação de pré-solda 2 apresenta a mesma lógica de recebimento que a estação de pré-solda 1. A estação de pré-solda 3 recebe itens do almoxarifado e do supermercado. O supermercado é abastecido pelo processo de primários o qual é abastecido pelo almoxarifado. Os almoxarifados são abastecidos por fornecedores externos os quais recebem as informações dos pedidos emitidos pelo controle da produção (SAP). Informações de programação também são enviadas as estações de soldagem. Seguindo a análise do mapa atual, observa-se que a linha do tempo nos mostra um tempo de processamento de 766 minutos e um lead time de produção de 1,91 dias. Observa-se que somando os tempos de ciclos da linha de tempo do mapa atual constata-se que 47% do tempo total do lead time de produção é utilizado para agregar valor e 53% do tempo não agrega valor ao produto. Neste caso da célula de soldagem é o tempo das peças em estoque, ou seja, peças que estão paradas esperando o seu momento de serem processadas. Um ponto importante observado é que o cliente o qual neste caso é a pintura, recebe 4 peças por dia que também é a capacidade máxima de produção da célula de soldagem pois a estação 8 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. de solda 2 tem o maior tempo de ciclo, ou seja, 386 minutos. Como trabalham dois operadores este tempo para o cálculo da capacidade de produção da célula é dividido por dois resultando em um valor de tempo de ciclo de 193 minutos. Dividindo o tempo do turno de trabalho que é 845 minutos pelo novo tempo de ciclo (193 minutos) obtém-se o valor de capacidade produtiva máxima de 4,3 produtos “A” em um turno de trabalho. 3.3 Mapa do Estado Futuro Aplicando os conceitos e técnicas da produção enxuta nas oportunidades de melhorias registradas no mapa de estado atual obtém-se o mapa de estado futuro da Figura 1 onde se observa que referente à oportunidade de melhoria em relação aos estoques, houve a eliminação do estoque entre a pré-solda 1 e a estação de solda 1 e a redução da metade do estoque entre a estação de solda 1 e a estação de solda 2. A eliminação total do estoque entre estas duas estações não foi possível porque existe uma distância física a ser percorrida pelo produto entre estas estações e a eliminação total do estoque acarretaria em tempos de espera na estação de solda 2 pois esta distância dificulta a chegada do produto no momento exato da necessidade. As outras oportunidades de melhoria que são a estação de solda gargalo, alto tempo de ciclo e desbalanço de linha foram trabalhadas ao mesmo tempo até pelo fato de que uma está ligada diretamente a outra. No mapa do estado futuro observa-se que o tempo de ciclo de 386 minutos da estação de solda 2 foi reduzido para 293 minutos através da aplicação do conceito de balanço de linha onde retirou-se 93 minutos de trabalho desta estação e foi transferido para a estação de solda 3 a qual tinha 200 minutos de trabalho e agora possui 293 minutos. Com esta atividade a estação de solda 2 deixou de ser o único gargalo dividindo agora esta característica com a estação de solda 3, porém agora as duas estações possuem o mesmo tempo de ciclo de 293 minutos. Esta carga de trabalho destas duas estações de solda não pode ser compartilhada com as outras estações de trabalho devido às características das ferramentas ou dispositivos de solda existentes em cada estação de solda. Figura 1 – Mapa do Fluxo de Valor Futuro 9 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Fonte: Autores Seguindo a análise do mapa de estado futuro, observa-se que a redução dos estoques influenciaram os valores da linha do tempo. O tempo de processamento de 766 minutos se manteve, pois não foi reduzido e sim apenas transferido de uma estação de solda para outra, porém o lead time de produção passou de 1,91 dias para 1,412 dias, significando uma redução de 26,1%. Observa-se que somando os tempos de ciclos da linha de tempo do mapa futuro constata-se que 64% do tempo total do lead time de produção é utilizado para agregar valor em comparação aos 47% do mapa de estado atual, resultando em uma melhoria de 17% no tempo de agregação de valor ao produto “A”. Por consequência houve uma redução do tempo que não agrega valor ao produto de 53% para 36% do tempo total. Esta redução no lead time de produção significa que o cliente Pintura vai receber o produto em um menor tempo contando a partir da data da emissão do pedido do produto “A”. Com uma melhor distribuição da carga de trabalho entre as estações de solda 2 e 3 o que resultou em um tempo de ciclo para cada estação de 293 minutos, possibilita um aumento na capacidade máxima de produção da célula de soldagem. Isto é possível porque nestas estações existem dois operadores em cada uma e dividindo este tempo de 293 minutos por dois resulta em um valor de tempo de ciclo de 146,5 minutos. Dividindo o tempo do turno de trabalho que é 845 minutos pelo novo tempo de ciclo (146,5 minutos) obtém-se o valor de capacidade produtiva máxima de 5,7 produtos “A” em um turno de trabalho. Comparando esta nova capacidade produtiva com a anterior de 4,3 obtém-se um aumento de 33%. 10 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Conclusão O MFV é algo surpreendente, este processo realmente expõe o sistema produtivo graficamente de uma maneira simples mas com informações que permitem em questão de segundos ter o entendimento geral do funcionamento de um sistema produtivo geral ou de uma determinada etapa do processo. Neste caso ele permitiu criar o mapeamento do estado atual, apresentar suas oportunidades de melhorias e posteriormente apresentar um mapa com as melhorias já aplicadas. Os resultados analisados mostram que é possível uma evolução no processo de soldagem da célula do produto “A” aplicando os conceitos da produção enxuta. As reduções dos estoques no processo da célula de soldagem influenciaram diretamente no lead time de produção permitindo que o cliente que neste caso foi a pintura, recebesse o produto “A” em um menor tempo a partir da solicitação do cliente. Este tempo foi 26,1% menor do que o lead time de produção inicial. Com a redução do lead time de produção o qual foi resultado da redução das atividades que não agregavam valor, as atividades que agregavam valor tiveram um maior peso no tempo total de manufatura do produto resultando em um aumento de 17%, passando de 47% para 64%, pode-se afirmar que houve uma melhoria na eficiência da célula de soldagem. Com a redistribuição da carga de trabalho entre as estações de solda 2 e 3 permitiu que a capacidade máxima de produção da célula de soldagem passasse de 4,3 produtos “A” por turno para 5,7 produtos significando um aumento de 33%. Isto pode representar para a empresa o fato de não ser necessário abrir um segundo turno de trabalho caso a demanda do mercado aumentar dentro deste incremento de capacidade. Referências Bibliográficas BLACK, J. T. O Projeto da Fábrica com Futuro. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. CHAROUX, Ofélia M.G. Metodologia: processo de produção, registro e relato do conhecimento. ed. rev. São Paulo: DVS Editora, 2006. GOUNET, Thomas. Fordismo e toyotismo na civilização do automóvel. São Paulo: Boitempo, 1999. LAKATOS, Eva M; MARCONI, Marina de A. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 11 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Lean Institute Brasil. 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