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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO NO BAIRRO DO CAJU
Por: Kátia Rodrigues Moreno
Orientador
Prof. Vilson Sérgio de Carvalho
Rio de Janeiro
2007
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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO NO BAIRRO DO CAJU
OBJETIVOS:
Entender como a poluição que tomou conta da
Baía de Guanabara afetou o bairro do Caju em
seus mais diversos aspectos, principalmente
econômico e social.
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AGRADECIMENTOS
A Deus em primeiro lugar, que me permitiu chegar até aqui,
dando-me forças para superar os obstáculos e fazendo-me
confiante no cumprimento desta jornada.
Aos
amigos
do
Museu
da
Limpeza
Urbana/Casa de Banho D. João VI, em
especial a Patrícia Brito Coimbra, por
compartilhar
seu
material
e
saber,
ajudando-me sempre que necessário com
imensa delicadeza.
Ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro pelas fotos
do bairro do Caju de 1927.
Aos amigos da Colônia de Pesca Z-12 e
da Associação dos Moradores da Quinta
do Caju que cederam valioso material para
conclusão deste trabalho.
Ao professores, verdadeiros anjos que iluminaram os ca-.
minhos que percorri para chegar aqui.
À amiga Vânia Duarte Figueiredo pelo
apoio de sempre.
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DEDICATÓRIA
Dedico a minha mãe pelo apoio em todos os
momentos da minha vida, verdadeira mestra
na arte do amor e da educação.
Kátia Rodrigues Moreno
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RESUMO
Esta pesquisa investigou o bairro do Caju revivendo a sua importância
ambiental em tempos idos e procurando mostrar o que resta do bairro atualmente.
O lugar foi perdendo ao longo dos anos seus valores econômico, social e cultural,
graças a poluição que a Baía de Guanabara vem sofrendo. Através deste trabalho
podemos inclusive, conhecer um pouco da História do Rio de Janeiro, valorizando
a História ambiental local e tentando resgatá-la..
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METODOLOGIA
Para a elaboração desse trabalho foram realizadas pesquisas bibliográficas,
em jornais de época, pesquisas de campo, visitas ao
Museu da Limpeza
Urbana/Casa de Banho D. João Vi, à Associação de Moradores da Quinta do Caju
e à Colônia de Pesca Z-12.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I – A Poluição na Baía de Guanabara
10
1.1 – Aspectos Históricos
1.2 - Fontes de Poluição
10
16
CAPÍTULO II – O Outro Lado da Poluição
21
CAPÍTULO III – Um Patrimônio Histórico e Cultural do Bairro
26
CAPÍTULO IV – O Bairro do Caju Antes da Poluição
30
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA CITADA (opcional)
42
ANEXOS
43
ÍNDICE
57
8
INTRODUÇÃO
Muitos que passam pela Avenida Brasil e observam o bairro do Caju,
pensam que no local só existem cemitérios. Não entendem que ainda “existe vida
após a morte”.
Neste trabalho, procuramos pesquisar as origens do bairro e mostrar que
o lugar já fez parte da História do Rio de Janeiro, quando D. João VI ao freqüentar
a sua praia de águas cristalinas, famosa por seus poderes medicinais, lançou no
Rio de Janeiro a moda do banho de mar, tornando o lugar o mais famoso
balneário da época.
No primeiro capítulo vamos navegar pela tão amada Baía de Guanabara e
conhecer um pouco dos seus aspectos históricos e conhecer as fontes de poluição
que acabaram com suas águas antes tão cheias de vida.
No segundo capítulo temos uma visão do que a degradação da Baía
ocasionou ao bairro do Caju, exterminando a Colônia de Pesca Z-5, que chegou a
ser a maior e mais famosa do Brasil, acabando com toda a beleza ambiental local.
No terceiro capítulo faremos uma visita ao Museu da Limpeza
Urbana/Casa de Banho D. João VI, relíquia da História do Rio de Janeiro e do
bairro.
Finalmente, no capítulo quatro, faremos uma incursão pelo bairro do Caju
antes da poluição, visitando sua praia que era tida por medicinal, conhecendo sua
hsitória, seu valor ambiental, sua riqueza econômica que vinha da pesca e sua
gente tranqüila e hospitaleira.
Infelizmente a poluição da Baía de Guanabara afetou de forma irreversível
toda a vida local, exterminando não apenas a parte ambiental, econômica, cultural
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e social local, mas também a esperança de seus moradores em dias melhores, já
que convivem atualmente com diversos problemas de toda sorte.
Após a leitura, com certeza, vamos perceber que embora a esperança não
faça mais parte do dia-a-dia dos moradores do bairro, quem sabe um dia, um
trabalho de recuperação ambiental seja feito no local e todos possamos vislumbrar
que ainda “existe vida após a morte”.
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CAPÍTULO I
A POLUIÇÃO NA BAÍA DE GUANABARA
1.1 – Aspectos Históricos
Ao longo dos 800 km de extensão litorânea do Estado do Rio de Janeiro,
certamente os 131 km do perímetro da Baía de Guanabara, caracterizam-se como
o portal principal de entrada para a zona costeira e o mar, da maior contribuição
de poluição orgânica e inorgânica produzida em terra firme, sem falar daquela
originada no seu corpo d´água, segundo a FEMAR, 1997.
Paisagem exuberante, rios escoando águas límpidas, grande diversidade
de ecossistemas periféricos como manguezais, lagunas, brejos e pântanos, ilhas,
enseadas de águas calmas, costões rochosos, imensos cardumes de peixes de
diferentes espécimes, golfinhos, baleias e mais de 3000 km² de mata tropical
sobre as serras e elevações, com grande número de espécimes vegetais e
animais, foi o que os navegadores portugueses encontraram quando chegaram
em 1502.
A ocupação e o início da colonização da então chamada Baía do Rio de
Janeiro deu-se a partir de 1530, comandada por Martin Afonso, primeiro
Governador a Terra do Brasil.
Os atrativos naturais e riquezas das terras circunvizinhas à Baía, foram
motivos de invasões e guerras entre franceses e portugueses até 1565, quando
definitivamente Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião junto ao Morro
Cara de Cão, na área oeste da entrada da Baía.
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O marco inicial da colonização estava estabelecido e a partir daí, a Baía de
Guanabara começa a sofrer ações impactantes pela construção de aterros e
desmatamentos para o crescimento da ocupação territorial.
O ciclo do açúcar, com a construção de inúmeros engenhos e a expansão
das áreas
de plantio, a construção de fortificações e a expansão das áreas
urbanas e portuárias trouxeram grandes impactos ambientais durante o século
XVII, que através da utilização da mão-de-obra escrava (índios e africanos) faziam
o desmatamento, realizavam aterros e drenavam as várzeas, brejos e
manguezais, segundo a FEMAR, 1997.
O ciclo da mineração do ouro e do café em épocas subseqüentes
trouxeram a devastação ambiental (séculos XVII, XVIII e XIX), traduzidas no
desmatamento dos maciços costeiros e contrafortes da Serra do Mar, mais aterros
de pequenas lagunas e brejos ao longo da orla da Baía de Guanabara e
assoreamento dos principais rios da Baixada, importantes vias de navegação para
transporte da produção do interior até o Porto do Rio de Janeiro (FEMAR, 1997).
A final do século XIX, além dos esgotos in natura, lançados direta ou
indiretamente na Baía, a indústria naval emergente com o crescimento do número
de estaleiros, contribuía para a poluição por óleo, soldas e rejeitos e a indústria
têxtil, como outra expressiva fonte de poluição através de setores de tinturaria e
alvejamento que se estabeleceram em Pau Grande, Santo ALEIXO, Bangu, etc
(FEMAR, 1997).
A intensificação do processo de industrialização marcado pela Primeira
Guerra Mundial (1914-1918) quando se fez necessário a substituição de produtos
importados e que teve continuidade durante a Segunda Guerra Mundial (19391945) e na década de 60, atraíram grandes contingentes populacionais oriundos
de áreas carentes do país, em busca de emprego e melhores condições de vida.
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As décadas de 1950 e 1960 marcaram definitivamente o crescimento do
parque industrial do Rio de Janeiro que se expandia exatamente para as áreas
periféricas da Baía de Guanabara, onde a proximidade dos portos, a terra barata e
a mão-de-obra abundante viabilizaram os empreendimentos.
Paralelamente, o abandono das áreas agrícolas e a miséria do interior,
forçavam o avanço de novos contingentes populacionais para as zonas periféricas
à cidade do Rio de Janeiro, ocupando áreas menos nobres e insalubres, definindo
um vetor de ocupação marcante na direção norte ao longo das áreas oeste e
noroeste, banhadas pelas águas da Baía.
Para se ter idéia do incremento
populacional, a população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro duplicou em
número entre 1940 e 1960, chegando a quase 5.000.000 de habitantes, segundo a
FEMAR, 1997.
A falta de recursos públicos e a dificuldade de impedir o avanço dos novos
habitantes na busca de emprego e melhores condições de vida, estabeleceram
um quadro de ocupação urbana lastimável, principalmente no que se toca ao
saneamento básico.
Os loteamentos clandestinos, as favelas e a ocupação das margens dos
rios se proliferaram intensamente sem o necessário investimento do poder público
em infra-estrutura urbana.
O resultado dessa ocupação não poderia ser outro que não a rápida
degradação da qualidade das águas da Baía de Guanabara sob o ponto de vista
de poluição orgânica provocada pela afluência direta ou indireta dos esgotos
sanitários não tratados.
Somando-se a isso, o crescimento do parque industrial e a decorrente
produção de efluentes líquidos orgânicos e inorgânicos parcialmente ou não
tratados, a ampliação gradual de refinarias de petróleo, terminais de apoio e
postos de combustível, as carências e dificuldades no recolhimento do lixo urbano
13
e os acidentes no manuseio e transporte de cargas tóxicas, contribuíram ao longo
dos anos, para a delicada situação da qualidade das águas da Baía de
Guanabara.
A FEEMA, como órgão ambiental do Estado, pôde, desde 1975, ter a visão
global dos principais problemas da região drenante à Baía, monitorando a
qualidade da água dos principais rios contribuintes e da própria Baía, mapeando
os núcleos urbanos sem sistema de esgotamento sanitário, enquadrando
gradativamente as atividades industriais no Sistema de Licenciamento de
Atividades Poluidoras – SLAP, estabelecido através do Decreto Estadual número
1633, de 21/12/77, e elaborando estudos específicos para o melhor conhecimento
dos mecanismos de poluição e proteção da fauna e da flora (FEMAR, 1997).
Dada a importância cultural e econômica da Baía de Guanabara, já em
1987, a FEEMA apresentou o Programa para Despoluição Gradual do
Ecossistema da Baía de Guanabara, segundo A FEMAR, 1997.
A proposta de um plano a longo prazo para melhoria da qualidade das
águas da Baía e a busca dos recursos financeiros necessários, passaram a ser
meta prioritária dos sucessivos governos do Estado.
Em 1991, iniciou-se conversações com o Banco Interamericano de
Desenvolvimento – BID e com o The Overseas Economic Cooperation Fund –
OECF, ligado ao Governo do Japão para a viabilização de financiamento relativo
à primeira etapa do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – PDBG,
assim proposto pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, envolvendo cinco
componentes principais de ação: Saneamento Básico, Resíduos Sólidos Urbanos,
Macrodrenagem, Mapeamento Digital e Projetos Ambientais Complementares.
Também em 1991, foi assinado entre os governos brasileiro e japonês um
convênio de cooperação técnica para elaboração de estudo amplo sobre os
mecanismos de poluição da Baía, englobando a identificação das principais fontes
de poluição e a interação com as águas da Baía de Guanabara, monitoramento da
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qualidade das águas dos rios afluentes e da própria Baía, aplicação de modelo
hidrodinâmico, acoplado a modelo de qualidade das águas, como instrumento de
previsão, decisões futuras e propostas de ações e investimentos de curto, médio e
longo prazo (FEMAR, 1997).
A agência japonesa, Japan International Cooperation Agency – JICA,
contratou a empresa Kokusai Kogyo Co. Ltd. para que, em conjunto com a
FEEMA, cumprissem as diversas etapas acertadas no convênio, segundo a
FEMAR, 1997.
Os trabalhos que envolveram quase cinco milhões de dólares, foram
desenvolvidos entre março de 1992 e março de 1994, cujo resultado foi a
apresentação do documento “Study on the Recuperation of the Guanabara Bay
Ecosystem”, editado em 5 volumes, segundo a FEMAR, 1997.
Em março de 1994, finalmente após 3 anos de negociações, o governo do
Estado do Rio de Janeiro assinou contratos de financiamento com o BID (BID
782/0C-BR e BID 916/SF-BR) e com a OECF (OECFBZ-P9) para pôr em prática o
início do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (FEMAR, 1997).
O contrato BID 782/0C-BR, no valor de US$ 50.000.000,00 (cinqüenta
milhões de dólares) foi dirigido para investimentos na área de Macrodrenagem
(Bacia do Rio Acari); Resíduos Sólidos Urbanos (usinas de reciclagem e
compostagem, aterros sanitários, incineradores de lixo hospitalar, postos de apoio
à coleta de lixo, recuperação de estações de transferência de lixo e equipamentos
de coleta); Projetos Ambientais Complementares (reforço institucional do sistema
ambiental, melhorias no laboratório da FEEMA, educação ambiental, plano diretor
de gerenciamento dos recursos hídricos, monitoragem dos efluentes das principais
indústrias poluidoras, dos rios e da Baía de Guanabara, etc.) e Mapeamento
Digital (sistema de informações geo-referenciadas em doze municípios).
As
ações, serviços e obras previstas neste contrato devem estar concluídas em
março de 1999 (FEMAR, 1997).
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Os contratos de financiamento BID 916/SF-BR e OECF BZ-P9, no valor
total aproximado de US$ 536.700.000 (quinhentos e trinta e seis milhões e
setecentos mil dólares) foram voltados exclusivamente para a área de
Saneamento Básico (sistemas de abastecimento d´água e esgotamento
sanitário),a cargo da Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE e se
caracterizam em investimentos para ampliação de rede coletora de esgotos,
ligações domiciliares, instalação de hidrômetros domiciliares, ampliação, e
construção de estações de tratamento de esgostos (Niterói, Paquetá, Penha, São
Gonçalo, Alegria e Meriti) e implantação de emissários submarinos (Paquetá e
Niterói), segundo a FEMAR, 1997.
Em dezembro de 1997, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da
Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos – SOSP e da Asssessoria de
Execução do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – ADEG
apresentou o documento-base para formulação da fase II do Programa.
O
documento apresenta, para discussão e avaliação dos demais órgãos do governo
do
Estado,
prefeituras
municipais,
organizações
não
governamentais,
universidades e outros setores interessados, o diagnóstico geral das condições
ambientais da bacia contribuinte à Baía de Guanabara e uma relação de
propostas que deverão compor um plano de ação para a 2ª fase do Programa de
Despoluição da Baía de Guanabara (FEMAR, 1997).
O corpo d´água da Baía recebe, sem tratamento, em torno de 85% dos
esgotos domésticos, produzidos pela população. O Programa de Despoluição da
Baía de Guanabara prevê a construção e ampliação de estações de tratamento e
emissários e redes coletoras até o ano de 2010, beneficiando as áreas de maior
concentração urbana como a região nordeste do Município do Rio de Janeiro,
Nilópolis, São João de Meriti, Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e as Ilhas do
Governador e Paquetá.
16
1.2 - Fontes de Poluição
A principal fonte de poluição orgânica da Baía de Guanabara é a dos
esgotos sanitários não tratados, produzidos pela população residente ao redor.
Os esgotos sanitários são águas servidas, isto é, contém 99,92% da água antes
de ser usada para qualquer finalidade, somada a 0,08% de impurezas
acrescentadas a ela, após o uso específico.
Essas impurezas podem ser
substâncias sólidas, semi-sólidas e líquidas, muitas das quais alteram as
características físicas, químicas e biológicas da água original.
Os esgotos sanitários, de uma maneira geral, trazem na sua composição,
sólidos dissolvidos e em suspensão, sólidos sedimentáveis, DBO (matéria
orgânica), carbono total , diversas formas de compostos de nitrogênio e fósforo,
cloretos, carbonatos (alcalinidade) e graxas.
A JICA estimou, em função de dados per capta, uma produção de carga
orgânica doméstica em torno de 383 t/dia de DBO. Por outro lado, somado a essa
produção, vem a contribuição de cerca de 80 t/dia de DBO proveniente do parque
industrial que se distribui ao norte do Município do Rio de Janeiro e nos Municípios
d São João de Meriti, Nilópolis, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, São
Gonçalo e Niterói, segundo a FEMAR, 1997
As áreas a oeste e a noroeste da Baía geram cerca de 78% da carga
orgânica total de origem doméstica e 70% da contribuição proveniente das
indústrias.
O esgoto doméstico, conforme citado anteriormente, é composto de 99.92%
de água pura e 0,08% de impurezas.
No pequeno percentual de impurezas
encontram-se nutrientes dissolvidos, matéria sólida em suspensão, uma infinidade
de bactérias, fungos, vírus, protozoários e a própria matéria orgânica.
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Um grande número de problemas pode ocorrer em um corpo d´água que
recebe sistematicamente esgotos sanitários não tratados. Dependendo do grau
de renovação das águas do corpo hídrico, os fatores dos processos de
eutrofização podem se manifestar, provocando o crescimento descontrolado de
organismos aquáticos mais resistentes que têm nos nutrientes (nitrogênio e
fósforo), gás carbônico e no oxigênio dissolvido, as principais fontes de
reprodução. Muitas vezes, no processo de crescimento acentuado, certo tipo de
algas se desenvolvem e podem liberar substâncias altamente tóxicas à vida.
A Baía recebe, de forma crônica, 18 t/dia de óleo, sendo 85% originário do
escoamento urbano, via rede de águas pluviais e de esgotos domésticos que, por
sua vez, recebe os despejos dos postos de serviço, da lavagem dos pátios das
empresas de ônibus, o óleo sobre as vias públicas, etc. Além dessas fontes,
ressalta-se, como citado anteriormente, o óleo que chega à Baía, presente nos
efluentes das duas refinarias ((Manguinhos e Duque de Caxias) que são
responsáveis por aproximadamente 17% de todo o óleo processado no país
(Ferreira, 1995).
Em junho de 1989, foi inaugurado o sistema de tratamento biológico dos
efluentes da REDUC, constituído de cinco lagoas aeradas, que removem 12 t/dia
de carga orgânica.
No ramo da metalurgia, são muitas as atividades de pequeno porte,
localizadas de forma dispersa.
Os despejos industriais são ricos em metais
pesados, principalmente quando funcionam setores de acabamento metálico, dos
processos de galvanoplastia e anodização.
Outro setor importante é o alimentício, potencializado pelas indústrias de
beneficiamento de pescado que geram efluentes com alta concentração de
matéria orgânica e nutrientes. A maioria das empresas situa-se nos Municípios de
São Gonçalo e Niterói, proporcionando incômodos pelo odor do próprio efluente e
das substâncias em decomposição.
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A indústria têxtil, mais concentrada no Município de Magé, gera efluentes
ricos em matéria orgânica biodegradável e poluentes tóxicos, orgânicos ou
metálicos, dada a utilização de corantes e pigmentos.
O setor de fabricação de papel e papelão, de uma maneira geral,
recuperam a polpa de celulose, obtidas de terceiros, aproveitando as aparas de
papel para produção de papéis de qualidade inferior. A maioria das empresas
possui sistemas de recirculação interna para o reaproveitamento de água e
matéria prima. Com relação à fabricação de bebidas, os efluentes são ricos em
matéria orgânica biodegradável.
Outro importante foco de poluição é o Aterro Metropolitano de Gramacho,
em Duque de Caxias que iniciou sua operação em 1978, desativando, por
conseqüência os vazadouros de Bangu, Caju, Rio/Petrópolis, Duque de Caxias,
São João de Meriti e Nilópolis, todos implantados em áreas inadequadas.
O
aterro, estabelecido sobre área de manguezal, recebe, em média, por dia, cerca
de 5.700 toneladas de lixo de toda sorte, inclusive o hospitalar. Além disso, é
prática, a disposição final da massa seca dos lodos gerados nas estações de
tratamento existentes na Região Hidrográfica da Baía.
Apesar dos esforços, a tecnologia utilizada na construção e operação deste
Aterro não foi suficiente para impedir a percolação das águas das chuvas e o
carreamento de contaminados tóxicos depositados até a Baía de Guanabara. É
importante citar a poluição por fontes não pontuais decorrentes da lavagem pelas
águas das chuvas dos logradouros públicos cujos detritos são despejados na Baía
de Guanabara através dos cursos d´água.
As fontes não pontuais contribuem predominantemente com carga
poluidora de natureza orgânica e são difíceis de serem quantificadas.
As taxas de sedimentação da Baía, determinadas pela JICA, utilizando o
mesmo método empregado por Godoy et al., sugerem uma taxa atual de 2
19
cm/ano, próxima do valor médio de 1.6 ± 0.6 cm/ano, obtido no estudo
anteriormente citado, segundo a FEMAR, 1997.
Ambas as taxas, para as camadas junto ao sedimento superficial e ao
sedimento do fundo, dos perfis determinados por Godoy et al., estão também
próximas dos valores encontrados por Amador (1980).
Segundo os resultados apresentados por Godoy et al., a primeira inflexão
na idade das camadas de sedimento ocorreu 45 anos atrás, durante o final da
década de 50, como começo do intenso processo de industrialização.
O segundo, ocorreu com a continuação do crescimento industrial somado
ao elevado índice de crescimento populacional (anos 60 e 70) em torno da Baía,
com maior concentração na Baixada Fluminense. Outros fatores também podem
ter colaborado para o crescimento da taxa de sedimentação, como a construção
dos Aterros do Flamengo e da Marina da Glória, a expansão do Aeroporto
Internacional, a ocupação desordenada junto às margens dos rios e a destruição
das matas ciliares.
De uma maneira geral, com base nos estudos realizados, os resultados
indicaram um aumento significativo da taxa de sedimentação entre 0.1 e 0.2
cm/ano para 1 a 2cm/ano, nos últimos 40 – 50 anos.
Estudos realizados em organismos aquáticos da Baía de Guanabara pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro, FEEMA e IBAMA, demonstraram que os
mexilhões carregam concentrações de metais pesados cerca de 4 (quatro) vezes
mais do que o normal, concentrações de cobre e zinco em camarões e
caranguejos são altas da mesma forma que o mercúrio em determinados peixes.
Tais concentrações, ainda estão abaixo daqueles limites preconizados pela
Organização Mundial de Saúde e, assim sendo, a contaminação dos sedimentos
por metais pesados ainda não representa uma ameaça à saúde do homem (JICA,
1994).
20
Por outro lado vem se tornando uma gradativa ameaça para os
ecossistemas e, em especial, na reprodução das diversas espécies aquáticas
(FEMAR, 1997).
21
CAPÍTULO II
O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO
O bairro do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, com nove favelas
existentes, totalizando uma população em cerca de 50.000 habitantes, em sua
grande maioria de origem humilde, sem acesso à cultura ou opção de
entretenimento, é atualmente o retrato da degradação ambiental. Essa população
convive com um ambiente insalubre, dada sua proximidade com a Avenida Brasil,
a existência de fábricas de concreto, a presença de estaleiros (praticamente
desativados) e empresas de importação e exportação, onde acontece o trânsito
diário de conteineires, ocasionando engarrafamentos constantes. Como se não
bastasse a poluição local, o perigo de vida é imenso devido o transporte destes
containeres pelas ruas do bairro, o que já ocasionou a morte de pessoas.
A desvalorização do bairro é antiga. Coube ao presidente Campos Sales
e ao prefeito Francisco Pereira Passos a execução das primeiras grandes obras
de remodelação da cidade, a partir de 1902.
Nessas obras, que envolveram
novos aterros da Baía, foram destruídas as características naturais e as
construções históricas de todo o litoral entre o Caju e Copacabana, onde surgiu a
Avenida Beira-Mar, enquanto os rios da Zona Sul – inclusive o Carioca –
desapareceram engolidos por longos canais artificiais (Hetzel, 1968).
Para construir um cais que permitisse a atracação de grandes navios,
acabou também sendo arrasado o que restava do Saco de São Diogo, criando-se
em seu lugar o estreito e fétido canal do Mangue.
Na zona portuária e também no Centro, onde foram demolidos cerca de 2
(dois) mil prédios para alargar as antigas ruas e criar novas artérias de circulação,
as obras iniciadas por Pereira Passos acabaram por destruir o patrimônio
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arquitetônico e a vida de dezenas de milhares de pessoas, que se viram impelidas
a viver em favelas.
Enquanto a crise social se instalava no Rio de Janeiro,
luxuosos prédios de arquitetura européia eram erguidos na Avenida Central e
grandes armazéns e guindastes criavam uma barreira de cimento e ferro ao redor
do porto, escondendo a destruição das praias, ilhas e mangues, segundo Hetzel,
1968.
Novos aeroportos foram erguidos sobre novos aterros, como o de
Manguinhos, na enseada de Inhaúma, e, posteriormente, o aeroporto do Galeão,
na Ilha do Governador.
Em Manguinhos, a perda do estuário teve grande impacto sobre a
produtividade pesqueira da região, que por séculos havia sustentado a pesca com
enormes cardumes de camarões, sardinhas, corvinas, xaréus e outros peixes. O
desaparecimento dos manguezais, praias e ilhas também afugentou para sempre
belas aves, como guarás e colhereiros, além de acabar com a colônia de
pescadores do Caju, formada por pescadores portugueses e espanhóis chegados
no final do século XIX., segundo Hetzel, 1968
Até o início da década de 1950, a indústria brasileira era voltada
basicamente para a produção de bens de consumo não-duráveis ou semiduráveis,
como alimentos, tecidos, fumo e material gráfico. Ao assumir a Presidência, em
1956, Juscelino Kubitschek, estabeleceu o Plano de Metas, abrindo uma nova
etapa na industrialização do país. Para a Guanabara veio uma série de indústrias
de base, ou pesadas, como a refinaria e as indústrias químicas da Petrobrás, que
se somaram à refinaria de Manguinhos, já existente, e às indústrias farmacêuticas
e químicas internacionais, além de grandes e modernos estaleiros (Hetzel, 1968)
A partir de então, multiplicaram-se de maneira assombrosa os aterros na
orla e na região da baixada, e os efluentes industriais passaram a contaminar
silenciosamente as águas da Baía, que há muito não recebia despejos saudáveis
dos rios. Para sustentar o “progresso” do estado do Rio de Janeiro e do país, o
23
pólo industrial
Guanabara
da baixada passou a lançar diretamente na água e no ar da
substâncias
tóxicas
e
venenosas,
como
metais
pesados,
comprometendo a saúde da fauna, da flora e da própria população.
O crescimento populacional do bairro do Caju ocorreu de forma
desordenada, principalmente na Quinta do Caju (área da colônia de pesca) e no
entorno da Av. Brasil.
A Baía de Guanabara sofreu e sofre com o fato, já que a poluição se
tornou mais intensa no local. Esgotos residenciais e lixo doméstico passaram ser
jogados diariamente em suas águas, devido ao crescimento populacional local
desordenado e a falta de informação e de saneamento básico na época..
Um dos benefícios do bairro era uma antiga fábrica de tecidos, que
encerrou suas atividades há muito tempo.
A “morte” do bairro do Caju começou justamente com os aterros para a
construção dos estaleiros.
As praias foram desaparecendo e a poluição
aumentando.
Por um lado houveram benefícios como a criação de empregos.
O
comércio local também foi beneficiado e o bairro ainda sobrevivia; não mais pela
pesca.
Mas, como tudo o que é bom dura pouco, os estaleiros fecharam suas
portas e um grande número de empregados acabaram sendo demitidos.
O
comércio local sofreu um grande impacto e alguns comerciantes acabaram
fechando suas portas.
Hoje, o Caju é uma “sombra” do que era. Um lugar de aparência triste,
como os próprios cemitérios que ocupam grande parte de sua área.
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O único posto de saúde foi fechado no ano passado, e para infelicidade dos
moradores, não existe nenhum local para substituí-lo. Os hospitais da região estõ
em péssimas condições, inclusive, receberam a visita do atual Governador Sérgio
Cabral no início de janeiro deste ano.
O Governador prometeu reverter este
quadro, o que seria ótimo, porque caso alguém precise de socorro médico durante
a madrugada, só mesmo a solidariedade dos vizinhos poderá servir de amparo.
O transporte é precário e depois de certa hora da noite fica difícil para o
morador retornar à sua residência. Isso é péssimo, principalmente para os jovens
que querem estudar à noite. Nos finais de semana a quantidade de transportes
públicos também é reduzida, o que desanima a sair de casa.
O comércio se resume a uma farmácia, um supermercado, uma vídeo
locadora, um posto de correio, poucas lojas e alguns bares. A maioria de sua
população acaba recorrendo aos mercados em São Cristóvão, Bonsucesso, ou
outros bairros próximos.
Não existe mais a tão famosa praia, famosa por suas águas cristalinas e
medicinais, muito menos os ilustres freqüentadores.
Poucos são os pescadores que ainda sobrevivem de tão antiga profissão.
A Colônia de Pesca Z-12 (antiga Z-5) possui poucos barcos, mais ou menos
quinze botes para a pesca do camarão, quando antes possuía por volta de 60
(sessenta) embarcações de grande porte. Os poucos barcos maiores que ainda
restam já não pescam mais na Baía de Guanabara, seus pescadores precisam
procurar seu sustento em outras águas.
O cinema que existia dentro do Asilo São Luís, há muito encerrou suas
atividades.
As festas juninas que existem no local, fazem parte apenas das
memórias do bairro. Já não temos mais opções de entretenimento.
25
Não vislumbramos mais as pessoas sentadas na porta de suas casas,
“jogando conversa fora” ao entardecer, enquanto observavam seus filhos
brincando.
Campo de futebol para a pelada da garotada, ou dos trabalhadores no fim
de semana, só mesmo na Praça dos Pescadores, onde foi construída uma quadra.
Hoje, As festas juninas, as procissões em homenagem a São Pedro, o
piquenique no domingo de Páscoa, são apenas lembranças de um passado
saudoso.
26
CAPÍTULO III
UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO BAIRRO
No bairro do Caju podemos encontrar uma parte da história do Rio de
Janeiro, mais precisamente em um local denominado Praia do Caju. Neste local
encontramos a Casa de Banho D. João VI, hoje Museu da Limpeza Urbana. Este
patrimônio estava em ruínas quando a Comlurb resgatou a sua integridade física e
histórica.
Com a chegada da família real, o bairro ganhou vulto. A antiga residência
utilizada pela Família Imperial foi transformada em museu atualmente.
Tombada em 1930, a Casa de Banho, totalmente restaurada pela Comlurb,
abriga desde 1996, o Museu da Limpeza Urbana.
O prédio construído em 1810, foi tombado pelo IPHAN (Instituto de
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1938. Restaurado pela COMLURB,
passou a abrigar o Museu da Limpeza Urbana/Casa D. João VI e está aberto ao
público desde novembro de 1996.
O Museu da Limpeza Urbana – Casa de Banho de D. João VI, abriga a
história da limpeza pública da Cidade do Rio de Janeiro e uma parte da memória
do bairro, além de preservar documentos e fotografias sobre as ações
desenvolvidas pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana – Comlurb.
O Museu traz como objetivos o trabalho, a educação, a civilidade, a cultura
e o lazer, voltados para a vida do homem, peça chave em nosso cotidiano.
O local é uma porta aberta para projetos educativos, culturais e de lazer das
comunidades locais. O Museu é extremamente importante porque desenvolve
27
atividades que buscam à valorização do espaço urbano e melhoria da qualidade
de vida dos moradores da região. Entre essas atividades, incluem-se projetos de
educação ambiental, exposições, seminários, espetáculos teatrais e musicais,
pesquisas, interações comunitárias, saraus literários e oficinas diversas.
Um importante projeto desenvolvido dentro deste espaço foi a Agenda 21.
A Agenda 21 é o compromisso assinado entre os governos de mais de 170
países reunidos na Conferência Mundial de Meio Ambiente realizada em junho de
1992 na cidade do Rio de Janeiro.
É o documento consensual que busca através de seus 40 (quarenta)
capítulos reverter o quadro global de degradação ambiental e desequilíbrio social,
promovendo o desenvolvimento sustentável.
A Agenda 21 é um processo contínuo de planejamento participativo pelo
qual o país, estado, cidade, bairro ou região, cria planos de ação ligados às suas
necessidades e destinados a tornar a vida das pessoas mais sustentáveis e
harmoniosas.
Com a Agenda 21 Local, as comunidades aprendem sobre as suas
dificuldades, identificam recursos próprios, estabelecem parcerias e exercem a
prática da cidadania.
Os parceiros envolvidos na Agenda 21 – Local Caju, são: Associação Civil
Fábrica de Sonhos, Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banho D. João VI, Jornal
Folha de Caju, revista Caju ArteCultura, ONG Bioética, Conselho Regional de
Biologia – 2ª região RJ/ES e Rádio Seletiva FM 104,1.. O título do projeto é: Sob
Um Mar de Estrelas, segundo dados do Museu.
Tal empreendimento é fundamental, já que em um bairro de baixa renda,
onde faltam opções culturais e locais para desenvolvê-las, a população,
principalmente os mais jovens, ficam sem nenhum tipo de entretenimento.
28
A proposta do Projeto é implementar a democratização da cultura, reforço à
educação, educação ambiental, debates, entretenimento, geração de trabalho e
renda, esta é a meta do Projeto Sob Um Mar de Estrelas, através da exibição de
filmes, seguidos de debates, ao ar livre em espaços públicos do Caju para toda a
população, do bairro e adjacências.
O objetivo geral do projeto é através da sétima arte promover a cultura,
educação, o humanismo, a geração de trabalho e renda, entretenimento, debate e
reflexão, para um maior e real desenvolvimento humano da população do bairro
do Caju.
Entre seus objetivos específicos, temos: o reforço a educação formal,
ampliar o universo cultural da população, educação ambiental não formal,
fortalecer a identidade cultural da população local, proporcionar entretenimento
para a população, geração de trabalho e renda, promoção de debates e reflexão
através de palestrantes voluntários moradores do bairro ou não, que tenham
alguma identificação ou ligação com o filme exibido, seja no âmbito pessoal ou
profissional. O Projeto, tão cuidadosamente desenvolvido, persiste até os nossos
dias, embora esteja precisando ser reativado.
Sempre valorizando a memória e cultura do bairro, o Museu da Limpeza
Urbana já promoveu Saraus, exposições temporárias, realizou parcerias com o
grupo Jovens Pela Paz, realizou um festival de música, uma Feira de Saúde, um
Evento do Dia da Mulher e implantou uma Sala de Leitura.
Ano passado (2006), a White Martins e a COMLURB realizaram um Projeto
junto às escolas. Cada escola deveria desenvolver um trabalho ligado ao meio
ambiente. A escola vencedora ganharia uma biblioteca. A Sala de Leitura do
Museu para felicidade de todos nós, moradores do Caju, também ganhou uma
biblioteca com mil exemplares com temas variados. Sua inauguração será no dia
23 de janeiro de 2007 (ano corrente), à dez horas e para minha alegria tive a
honra de ser convidada para tão importante evento. O patrocínio é da White
29
Martins, com o apoio do Ministério da Cultura e do Grupo Empresarial Record e
realização do Instituto Oldemburg de Desenvolvimento.
O nome da Sala de
Leitura é Carlos Drummond de Andrade.
Na Sala, os leitores poderão encontrar obras de qualidade sobre os
seguintes assuntos: artes, ciências puras, ciências sociais, Filosofia e disciplinas
relacionadas, Geografia, História, literatura brasileira, literatura infanto-juvenil,
religião, tecnologia e ciências aplicadas .Na verdade é um presente para todos os
moradores, já que o bairro não possuía uma biblioteca.
Em visita ao Museu no mês de dezembro de 2006, na Sala de Exposição
Contemporânea, visitamos uma bela exposição, cujo título é: “Descobrimento do
Brasil”. O mesmo pertence ao Museu Histórico Nacional, sendo uma exposição
itinerante.
Quem puder e tiver interesse em conhecer um pedacinho da história do
nosso Rio de Janeiro, não deve perder a oportunidade de conhecer o Museu, cuja
restauração fez com que a Casa recuperasse a beleza da época de D. João VI.
Para nós moradores, o Museu é motivo de alegria, sendo a nossa única
opção educativa e cultural, onde podemos por breves instantes reviver o glorioso
passado do nosso bairro.
30
CAPÍTULO IV
O BAIRRO DO CAJU ANTES DA POLUIÇÃO
Quem conhece o atual bairro do Caju e depara com um quadro deprimente,
onde a poluição ambiental (em todos os sentidos) decretou sua morada, não
consegue imaginar que o local já foi um recanto paradisíaco, cercado por águas
límpidas e cristalinas. Não pode sequer imaginar que seus moradores possuíam o
que tantos buscam em nossos dias: qualidade de vida!
Muito menos pode
imaginar que o bairro faz parte da História do Rio de Janeiro.
Hoje, o local é povoado por empresas, algumas extintas.
O que foi
deixando pelas ruas do bairro um ar de abandono e solidão.
Moradores existem em bom número, embora, pessoas que desconhecem o
lugar, pensem que é pouco povoado, que no local só encontraremos mesmo a
presença dos cemitérios.
A região do atual bairro do Caju prolongava-se desde o Mangue de São
Diogo (área do atual Gasômetro – sede da CEG), passando pela antiga Praia de
São Cristóvão, Praça Padre Seve, Rua da Igrejinha, Rua Monsenhor Manoel
Gomes), até a Praia do Caju (que passava por toda a extensão da Rua
Monsenhor Manuel Gomes – “rua dos cemitérios”, terminando na rua homônima).
Segundo o crônista do Rio Antigo, Dunlop:
“Era uma região belíssima, de praias com areias
branquinhas e água cristalina, onde não era rara
a visão do fundo da Baía, tendo, como habitantes
comuns
os
camarões,
cavalos-marinhos,
sardinhas e até mesmo baleias.”
31
A História do bairro remonta à época do Brasil Colônia e poucos a
conhecem.
Engana-se quem pensa que era a Quinta da Boa Vista a única propriedade
campestre da família reinante no Rio, porque para esse fim também foi adaptada
outra fazenda deixada pelos jesuítas, no então distante Curato de Santa Cruz,
onde certa vez D. João VI teve a perna esquerda picada por um carrapato, quando
dormia à sombra das árvores.
O insignificante ferimento, aparentemente sem
importância, provocou-lhe depois uma incômoda inchação, infeccionou e o
remédio que o médico da corte recomendou foi banho periódico de água salgada.
Com medo de ser mordido por caranguejos, D. João VI entrava em uma tina
furada que era içada por escravos e em seguida baixada ao mar. A água só
chegava até a altura do ferimento (Museu da Limpeza Urbana).
Assim, ficou registrada a tradição de que neste local, em 1817, aos 50
(cinqüenta) anos de idade, por recomendação médica, D. João VI tomou seu
primeiro banho (Museu da Limpeza Urbana).
Nesta ocasião as terras do bairro do Caju faziam parte da antiga Fazenda
Real de São Cristóvão, de propriedade da Companhia de Jesus. Com a expulsão
dos jesuítas, em 1760, a Fazenda foi loteada em nome da Coroa Portuguesa
banho (Museu da Limpeza Urbana).
A residência utilizada para o tratamento de saúde de D. João VI, é um solar
construído em 1810, por ordem do Comendador Tavares Guerra (rico comerciante
de café), no interior de sua chácara, as margens da Baía de Guanabara.
Estava, assim, lançada a moda dos banhos de mar e convertido o bairro do
Caju no primeiro dos nossos balneários, freqüentado por todos os Bragança,
desde o filho de D. Maria, a Louca, até D. Pedro II. O Caju transformou-se num
ilustre bairro de veraneio com elegantes casas e chácaras..
32
Nesta época o bairro do Caju era repleto de atrativos, tais como: beleza
natural e localização privilegiada às margens da Baía de Guanabara, águas
límpidas, calmas e consideradas medicinais, localização próxima a residência da
família real no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista e também um
local próximo ao centro da cidade.
Onde era o balneário de D. João VI e da Família Imperial, se formou a mais
característica, a mais curiosa das nossas colônias de pesca, com suas redes ao
sol e seus barracões sobre estacas a dois passos da calçada da Rua da Praia do
Caju.
A Rua General Gurjão, bem perto, recorda-nos o General Hilário Gurjão,
paraense, sacrificado na batalha de Itororó em 1869. Nesta é que ficava, aliás, o
portão da quinta real, num lugar onde hoje, porém o que predomina é a
construção naval, com seu velho estaleiro do armador Vicente dos Santos
Caneco, fundado em 1882, e os modernos nipo-brasileiros da Ishikawajima,
montados no Governo Kubitschek , segundo Brasil, 1970.
Estes estaleiros tiveram sua fase de glória e foram uma chance de emprego
para a população local.
Na verdade, com o posterior crescimento destes
estaleiros, vários empregos foram gerados durante anos e não só para a
comunidade local.
O local denominado Quinta do Caju, teve sua formação no início do século
XIX. O lugar já era conhecido por este nome, sendo na época uma propriedade
particular, na verdade, uma Quinta a beira da praia, que ao ser comprada pela
Casa Real, veio a se chamar Quinta do Caju.
D. João VI tomava banhos de mar nesta praia, mas como na Quinta do
Caju não haviam instalações adequadas à Família Imperial, o solar da família
Tavares de Guerra passou a ser a Casa de Banhos da realeza, na Praia do Caju,
local bem próximo.
33
D. João VI mandou construir na Quinta do Caju um cais e uma capela que
hoje não existem mais.
A Quinta do Caju possui uma área de 52 (cinqüenta e dois) mil metros
quadrados e é o local de instalação da colônia dos pescadores. Geograficamente
falando, o lugar é uma ponta de terra que avança pela Baía de Guanabara.
A colônia de pesca foi fundada por pescadores portugueses que vieram de
Póvoa do Varzim, em Portugal, nas últimas décadas do século XIX. Construíram
casas de madeira colorida, típicas da arquitetura popular portuguesa. Até hoje é
possível encontrar algumas dessas construções (Museu da Limpeza Urbana).
Eles trouxeram técnicas que modernizaram a tradição pesqueira carioca.
Descendentes destes portugueses miscigenados com descendentes de índios,
negros e de outras etnias, implantaram no Caju a tradição da pesca e passaram a
celebrar no mês de junho as festas de São Pedro – padroeiro dos pescadores –
com procissões marítima e terrestre.
O local não foi apenas um reduto de chegada de portugueses, mas também
espanhóis, só que em número bem menor.
A forma de ocupação da Quinta do Caju possui algumas peculiaridades.
Próximo a praia se instalaram os que chegaram primeiro, os portugueses mais
antigos, donos de barcos e com melhor situação financeira. No morro residia a
população mais pobre, geralmente funcionários dos donos das embarcações e
com situação financeira inferior.
A Colônia de Pesca Z-5 (hoje Z-12), progrediu e chegou a ser a maior do
Brasil e a servir de referência para as demais. A inauguração da sua sede foi no
dia 25/04/1965, à Rua Circular, nº 12 A, na Quinta do Caju. Foi um momento
muito especial e festejado com solenidade. Seu primeiro presidente foi o Sr. Júlio
34
da Silva Marques. Durante muitos anos ocupou este endereço, onde hoje é uma
creche.
A vida naquela época podia ser bem simples neste pedacinho do Rio de
Janeiro, mas uma coisa era certa: não havia a fome porque a pesca era farta e a
vida era tranqüila e sem a presença da poluição.
A diversão também era garantida e grátis, já que a praia era limpa e ficava
a poucos passos das residências.
Muitos aprenderam a nadar praticamente
“dentro de seus quintais”.
No mês de junho o bairro ficava em polvorosa com a Festa de São Pedro.
A celebração era uma tradição no bairro e permaneceu assim durante muitos
anos.
Esta tradição remonta a chegada dos primeiros moradores.
Não era
apenas o testemunho da fé, mas essencialmente a oportunidade de compartilhar o
prazer de se sentir parte da comunidade e comungar esse estado de espírito.
Vinham pessoas de diversas localidades do Rio de Janeiro para participar desse
evento tão especial e ansiosamente esperado.
Um detalhe importante é que o mês todo era muito especial, já que haviam
três datas para serem comemoradas: Santo Antônio, São João e a festa principal
que era a dedicada ao padroeiro dos pescadores, São Pedro.
Durante este mês tão mágico para os pescadores e para a população local,
a celebração não podia faltar.
Ruas eram enfeitadas, moradores se uniam e
contribuíam para a festa com guloseimas e sua força de trabalho. Em cada rua
que se passasse, durante o dia de Santo Antônio e São João, era comum
encontrar uma festa preparada pelos seus moradores e todos eram bem vindos.
Os festejos dedicados ao padroeiro eram meticulosamente elaborados e
tomavam um final de semana inteiro.
A Festa de São Pedro começava no
sábado. A rua da praça dos pescadores era enfeitada, iluminada e ficava repleta
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de barraquinhas coloridas.
Durante o dia eram realizadas brincadeiras como:
corrida de saco, ovo na colher, pau de sebo, entre outras típicas desta tradição.
Durante a noite a festa continuava com muita música e animação.
No Domingo havia a procissão marítima com a participação dos barcos
enfeitados e cada qual levava a imagem de um santo ou santa. Os barcos eram
decorados com bandeirinhas, luzes e tudo o mais o que a imaginação permitisse e
fosse integrado ao tema. Havia um concurso entre os barcos para verificar quem
era o mais bonito. Os barcos seguiam em direção à Urca onde havia uma missa.
Mas os tripulantes não saltavam ao chegar. As embarcações paravam por alguns
momentos ao som dos sinos da igreja e dos fogos para receber a benção do
padre, que já aguardava os pescadores para a missa.
Ao retornar ao Caju, os santos eram retirados das embarcações e
colocados em andores decorados com flores e luzes e os mesmos eram
conduzidos por moças vestidas de branco para simbolizar a pureza. Só então
começava a procissão por terra. A mesma seguia pelas ruas do bairro e uma
verdadeira multidão acompanhava com velas acessas nas mãos cantando
músicas religiosas e orando. Um padre precedia o cortejo. A procissão parava na
praça próxima à colônia dos pescadores e era realizada uma missa.
Só depois da missa e de agradecer a Deus e a São Pedro pelo ano de
trabalho e pedir proteção e amparo para o restante do ano, é que a festa
começava.
Haviam shows e a música podia ser ouvida de longe e animava a festa que
era extremamente familiar.
No final dos festejos havia a queima de fogos e um fechamento de “ouro”,
quando um quadro com a imagem de São Pedro surgia em meio aos fogos.
Depois de tanta emoção todos voltavam para os seus lares ansiosos pelo próximo
ano.
36
Muitos pensam que a única comemoração popular do bairro do Caju era a
Festa de São Pedro. De forma alguma.
No Domingo de Páscoa pescadores com seus familiares, vizinhos e
amigos, se reuniam e programavam um piquenique na ilha de Paquetá. Era mais
um dia de confraternização e alegria onde todos desfrutavam das águas límpidas
da Baía de Guanabara.
Em um lugar tão agradável e salubre, não podia faltar a presença do
esporte.
Ao contrário do que muitos imaginam, a prática do volei nas areias das
praias começou por volta de 1910, e se estendeu pelas décadas conseqüentes,
nas areias da Praia do Caju. O esporte era praticado por jovens remadores do
Club Atlético Cajuense e por militares do Exército Brasileiro (Wakipédia).
Na atual Rua Monsenhor Manuel Gomes, o provedor da Santa Casa da
Misericórdia José Clemente Pereira, instalou em 1839, numa gleba adquirida de
João Goularte, o primeiro cemitério do Rio de Janeiro para indigentes.
Na ocasião não existiam cemitérios que se pudesse chamar “cristãos” para
indigentes, pois o costume era enterrá-los em valas comuns, em terrenos baldios
na própria cidade, exceto – e a partir do começo do século XIX, os falecidos na
Santa Casa, que para eles havia improvisado um em Santa Luzia, e com capela e
cruzeiro, mas em 1839 transferido para outra área maior, longe do hospital,
adquirida por 10 contos de João Goularte na Ponta do Calafate, no Caju. Seria
esse, e com o nome de Campo Santo da Misericórdia, o primeiro cemitério público
fora do centro urbano e para tão humanitário fim, expressamente construído,
embora só ainda para os sem condições de serem recolhidos as igrejas.
O
cemitério foi inaugurado como nome de Cemitério do Caju, o maior da cidade do
Rio de Janeiro e conservou essa denominação até 1851, passando então a
chamar-se São Francisco Xavier. Tem dois quadros de sepulturas reservados, um
37
destinado ao enterramento dos irmãos da Confraria de São Pedro, e outro, ao
enterramento dos israelitas, realizando-se anualmente, em 13 de setembro, a
visitação às sepulturas dos descendentes da raça de Abraão, conforme ritual do
respectivo culto (Brasil, 1970).
Este não foi o único cemitério construído no Caju.
O cemitério da
Irmandade do Carmo, foi inaugurado em 1859, por ocasião da epidemia de febre
amarela, a Ordem cuidou de estabelecer um cemitério privativo aos irmãos, por ter
o Governo proibido o enterramento nas igrejas. O Cemitério da Ordem 3ª da
Penitência foi inaugurado em 1858, antes desse ano os irmãos eram sepultados
nas igrejas e em catacumbas (Brasil, 1970).
Assim nasceu o Cemitério de S. Francisco Xavier, com gradil e pórtico
(projeto do arquiteto Jacinto Rebelo modificado por Bethencourt Silva) e com
ponte para o desembarque dos cadáveres, porque era por mar nesse tempo que
se faziam quase sempre os enterros. E a exemplo da Ordem de S. Francisco de
Paula, a Terceira do Carmo e a Terceira da Penitência logo teriam os seus
também, e os destas duas Ordens ao lado do do Caju, em áreas que a Santa
Casa lhes cederia. E, enquanto isso, fracassaria o forno crematório (Brasil, 1970).
Ao terreno de João Goulart foram acrescidos outros aos lados, inclusive a
Chácara Morundu, da viúva de Baltazar Pinto dos Reis, cuja “casa-nobre” logo se
transformaria em 1855 numa enfermaria para os pobres, ponto de partida para o
Hospital de N. Sra. Do Socorro (ainda de pé até os nossos dias). Anos depois o
prédio foi dotado de prédio próprio, mais adequado, segundo Brasil, 1970.
Pinto Guerra, rico proprietário português, conhecido por “Guerra Sapateiro”
doou à Santa Casa algumas terras que possuía na região agora habitada pelos
cemitérios. Estas foram adquiridas pelo industrial Teixeira de Azevedo para a
construção da maior fábrica de tecidos do Rio Janeiro à época (1880). Entretanto,
Teixeira logo seria levado à falência e a São Lázaro, entregue ao Banco do Brasil,
acabaria nas mãos do Governo, por 7.000 (sete mil) contos, para que nela se
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instalasse o Arsenal de Guerra (o velho era na Ponta do Calabouço), inaugurado a
11 de novembro de 1902 por Campos Sales. Hoje, ampliado, ele se estende por
ambos os lados da rua, cobrindo-a, e com o tráfego passando por dentro e por
baixo da construção (Brasil, 1970).
O Visconde Ferreira de Almeida (chegado de Portugal com 11 anos e
modesto caixeiro na meninice no Catumbi) fundou em 1890 a Casa São Luís para
a Velhice Desamparada. No interior foi instalado um cinema chamado Mariana e
que era freqüentado pelos moradores do bairro (Brasil, 1970).
Este asilo, hoje um espaço particular, já foi palco de diversas festas juninas.
A entrada era permitida a qualquer pessoa disposta a se divertir. E diversão era o
que não faltava. O ponto culminante da festa era a quadrilha dos Vovôs, que
participavam com muita animação.
Na Rua Carlos Seidl (um grande diretor da Saúde Pública), o Ministro
Ferreira Viana, levantou na mesma década o Hospital São Sebastião, o nosso
primeiro autêntico hospital de isolamento, destinado a prestar bons serviços a
Oswaldo Cruz na sua cruzada saneadora sob o Governo Rodrigues Alves
(Brasil,1970).
Próximo no local denominado Retiro d´América, à linha da Estrada de Ferro
do Rio Rio d´Ouro e à Rua de São Januário, está situado, no alto do Morro da
Caixa D´Água, o Reservatório de São Cristóvão, antigo D. Pedro II, que abastece
de água parte da cidade e que tinha por finalidade, inicialmente, atender ao novo
serviço de abastecimento de água da cidade pelo sistema moderno, baseado na
canalização domiciliar, à maneira de Viena, de que acabava de encarregar-se
Antônio Gabrielli, o mesmo Gabrielli convidado a vir ao Rio de Janeiro pelo
Governo Imperial para dotá-lo também de melhoramento, graças a uma rede geral
de distribuição com reservatórios em diversos bairros, segundo o projeto do
engenheiro militar Jerônimo Morais Jardim (Brasil, 1970).
39
Foi lançada a pedra fundamental da Caixa D´Água, em 12 de dezembro de
1876, em presença da Princesa Regente D. Isabel, Ministro da Agricultura,
Conselheiro Tomás José Coelho de Almeida, Diretor da Obras Públicas, Dr.
Manuel Buarque de Macedo, Tenente-Coronel Jerônimo Rodrigues de Morais
Jardim, encarregado da direção das obras, e empreiteiro Antônio Gabrielli (Brasil,
1970).
O bairro do Caju, como observamos, teve seu tempo de glória, para depois,
infelizmente, ingressar no esquecimento.
40
CONCLUSÃO
O conceito de lugar está ligado a espaços que nos são familiares, que
fazem parte de nossa vida. O nosso lugar nos dá identidade própria e nos permite
estabelecer relações com lugares diferentes no resto do mundo.
O que fazer quando nosso lugar perde sua identidade?
É uma pergunta difícil de responder.
O que posso afirmar, é que realizar esse trabalho foi gratificante, pois tive
a oportunidade de conhecer um pouco mais do meu lugar que possuiu um grande
valor ambiental, com um pedaço da História do Rio de Janeiro encravado em
“suas veias”.
Foi maravilhoso reencontrar um lugar de gente simples sim, mas feliz,
onde o trabalho e o alimento não faltavam, onde a amizade, a solidariedade e a
tradição faziam parte do cotidiano de todos.
Um lugar onde a boa e velha conversa na calçada e as brincadeiras de
roda, amarelinha, corda, pique, pião, bolinha de gude, futebol e muitas outras,
faziam parte da vida da criançada, que hoje vive na frente da televisão e são
prisioneiros dos vídeo games.
Um lugar que possuía uma beleza natural inigualável e onde existia a tão
sonhada qualidade de vida.
41
Foi uma preciosa oportunidade de realizar uma viagem de volta a um
passado cheio de recordações que são verdadeiras jóias raras de nosso bairro e
de nossa gente.
Foi uma oportunidade única de entender como o meio ambiente é
importante, deve ser respeitado e preservado, que faz parte de todos nós.
Finalmente, foi uma oportunidade única de entender como é necessário
que o desenvolvimento sustentável se faça presente em cada cantinho do nosso
planeta, para que não vivamos de recordações e sim de realizações, para que
gerações futuras tenham o seu lugar nesse mundo.
42
BIBLIOGRAFIA CITADA
1 - Associação de Moradores da Quinta do Caju.
2 - Colônia de Pesca Z-12.
3 - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma Avaliação da Qualidade
das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro:1997.
4 - HETZEL, Bia. Baía de Guanabara, São Paulo: Manati, 1968.
5 - LOROSA, Marco Antonio e AYRES Fernando Arduini. Como Produzir Uma
Monografia Passo a Passo...Siga o mapa da mina.Rio de Janeiro: Wak, 2005.
6 – Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banhos D. João VI.
7 - SANTOS, Noronha. As Freguesias do Rio Antigo. Rio de Janeiro: Edições O
Cruzeiro, 1965.
8 - www.wakipedia.org.br
43
ANEXOS
Índice de Anexos
Anexo 1 >> Mapa;
Anexo 2 >> Mapa;
Anexo 3 >> Foto;
Anexo 4 >> Foto;
Anexo 5 >> Foto;
Anexo 6 >> Foto;
Anexo 7 >> Foto ;
Anexo 8 >> Foto;
Anexo 9 >> Reportagem;
Anexo 10 >> Foto;
Anexo 11 >> Foto.
44
ANEXO 1
Mapa
Mapa retirado do livro - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma
Avaliação da Qualidade das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro:1997, 88p..
45
ANEXO 2
Mapa
Mapa retirado do livro - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma
Avaliação da Qualidade das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro:1997, 91p..
46
ANEXO 3
Foto
Foto mostrando os aterros realizados no bairro do Caju, pertencente ao
Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 1927.
47
ANEXO 4
Foto
Foto aérea da Quinta do Caju mostrando a ocupação desordenada. Do lado
direito temos o Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica e do lado
esquerdo o estaleiro da Ishikawajima. Arquivo particular.
48
ANEXO 5
Foto
Foto atual do que resta do antigo varal dos pescadores, local onde os barcos
atracavam e onde as redes eram colocadas para secar. Arquivo particular,
2005.
49
ANEXO 6
Foto
Foto de uma parte da praia do Caju, que já não existe. Arquivo particular.
50
ANEXO 7
Foto
Inauguração da Colônia de Pesca Z-5, em 25 de abril de 1965. Arquivo
particular.
51
ANEXO 8
Foto
Inauguração do píer, no dia 13/03/1981. Arquivo da Colônia de Pescadores
Z-12.
52
ANEXO 9
Reportagem
O Fluminense – Página 13 – Estado do Rio de Janeiro, domingo, 15 e
segunda feira, 16 de março de 1981
“Pier” da Cooperativa do Caju é inaugurado
Rio de Janeiro – Representando o
Governador Chagas Freitas, que não
pôde comparecer à solenidade, o
Deputado Estadual José Pinto (PP-RJ),
inaugurou ontem o pier (ancoradouro
da Cooperativa Mista dos Pescadores
da Colônia do Caju e Colônia de
Pescadores Z-12 “Senhor do Bonfim”.
Estiveram presentes o administrador
regional de São Cristóvão, Luís Cláudio
Tepedino Alves, o diretor do Hospital
São Sebastião, Waldir Tavares, o
diretor da Divisão Médica do Hospital
Clemente Ferreira, Armando Filardi, o
diretor do 1º Distrito de Fiscalização
do Município do Rio de Janeiro, Amir
Miguel e o Major Armando Antônio
Rodrigues, assistente do Parque de
Eletrônica de Material do Rio de
Janeiro, representando seu diretor.
O presidente da Cooperativa Mista dos
Pescadores do Caju, Júlio da Silva
Marques também esteve presente à
solenidade,
explicou
que
a
inauguração do ancoradouro é a
primeira
etapa
do
projeto
de
implantação da Cooperativa, que há
um ano está sendo instalada ali em
área doada pelo Governador
53
Segundo ele, o objetivo principal do
projeto é a instalação de um porto
pesqueiro
no
local,
onde
será
implantada toda a infraestrutura para
atendimento
aos
pescadores,
contando
de
serviço
médico
e
odontológico, fábrica de gelo e
mercados, além de restaurante e área
de lazer.
O projeto do arquiteto Márcio Franco
da Cruz, está sendo executado pela
firma
Tempo
Engenharia
e
Construções
Ltda,
sob
a
responsabilidade
do
engenheiro
Antônio Carlos ª Franco.
Márcio F. da Cruz explicou que, depois
de concluído, o projeto constará com
um prédio de administração, a fábrica
de gelo uma oficina para reparos
navais,
um
mercado
de
pesca
artesanal destinado ao atendimento do
público, duas câmaras frigoríficas para
armazenamento do pescado, vários
boxes para depósito de materiais de
pesca, área de lazer composta de
restaurante, mercado, loja para venda
de materiais de pesca e gêneros
alimentícios aos cooperativados, de
auditório e gabinetes médico e
odontológico, além de uma grande
área destinada para redes.
O presidente da Cooperativa, Júlio da
S.
Marques,
falou
sobre
o
funcionamento da Colônia que existe
há 18 anos e recebe em média 80
embarcações com 20 tripulantes por
dia. “Nossa Cooperativa conta com
cerca de 2.800 associados, dos quais
1/3 moram na comunidade. Outros
residem fora, devido ao preço do
aluguel na área.
Mas, dentro dos
nossos planos, está a construção de
54
um conjunto habitacional para os
cooperadores. A inauguração de hoje
virá dinamizar nosso serviço, pois
teremos o único porto pesqueiro do
Brasil”.
“Poderemos suprir as deficiências do
entreposto da Praça XV que funciona
de 23 às 3h, onde um barco que
chega às 5h não pode descarregar.
Aqui não vai ter esse problema.
Explico que a Cooperativa no ano
passado, recebeu um volume de 20
mil toneladas de pescado, e olha que
foi um ano ruim.
Aqui estaremos
preparados para receber três tipos de
embarcações, de pequeno, de médio e
grande porte”. Sobre a distribuição do
pescado, disse
que “os barcos
cooperativados recebem designação
da Cooperativa, d onde devem vender
os peixes, os melhores preços, sob o
controle da Cooperativa...”
55
ANEXO 10
Foto
Foto da procissão marítima em homenagem a São Pedro, padroeiro dos
pescadores. Arquivo particular.
56
ANEXO 11
Foto
Procissão em homenagem a São Pedro, realizada após a chegada da
procissão marítima. Arquivo particular.
57
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
10
A POLUIÇÃO NA BAÍA DE GUANABARA
10
1.1 – Aspectos Históricos
10
1.2 – Fontes de Poluição
16
CAPÍTULO II
21
O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO
21
CAPÍTULO III
26
UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO BAIRRO
26
CAPÍTULO IV
30
O BAIRRO DO CAJU ANTES DA POLUIÇÃO
30
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA CITADA
42
ANEXOS
43
ÍNDICE
57
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