UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO VANEILA DANIELE LENHARDT SAVARIS ESTUDO DO BALANÇO ELETROLITÍCO E DA PROTEÍNA BRUTA DA RAÇÃO PARA SUÍNOS EM CRESCIMENTO EM CONDIÇÕES DE ALTA TEMPERATURA CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ 2008 VANEILA DANIELE LENHARDT SAVARIS ESTUDO DO BALANÇO ELETROLITÍCO E DA PROTEÍNA BRUTA DA RAÇÃO PARA SUÍNOS EM CRESCIMENTO EM CONDIÇÕES DE ALTA TEMPERATURA Dissertação apresentada ao Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como requisito parcial para a obtenção do grau de mestre em Produção Animal, na Área de Concentração Nutrição de Não – Ruminantes. ORIENTADOR: Prof. Dr. Rony Antonio Ferreira Campos dos Goytacazes 2008 A Deus, pelo dom da existência e discernimento nas minhas decisões; Aos meus pais, João e Dulce, pelo amor, confiança, esforço e coragem; Ao meu marido Gustavo, pelo amor, incentivo e paciência em todos os momentos; Aos meus irmãos Camila e João Paulo, pelo apoio, incentivo e amizade; Aos amigos de todas as horas, por dividirem comigo momentos de alegria e dificuldades; A todos que em algum momento me dedicaram sua atenção e amizade; À vida por garantir momentos de sublime felicidade. Dedico AGRADECIMENTOS A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), por meio do Programa de Pós-Graduação em Produção Animal, pelo apoio e pela oportunidade de realização deste curso; À Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão de bolsa de estudos; Ao professor Rony Antônio Ferreira, pela orientação, pelos ensinamentos, pela amizade e pelos conselhos em todos os momentos; À professora Rita da Trindade Ribeiro Nobre Soares, pelo apoio, pelos conselhos e ajuda nos momentos de desespero; Aos professores Paulo Cesar Pozza e Newton Tavares Escocard de Oliveira, pela valiosa colaboração, pelo incentivo e apoio; A todos os funcionários do setor de suinocultura da UENF, em especial ao “Sr. Zé”, pela valiosa colaboração, pela paciência e pela amizade; Aos funcionários do Laboratório de Sanidade Animal (LSA), Laboratório de Zootecnia e Nutrição Animal (LZNA), e Laboratório de Fitotecnia Setor de Nutrição de Plantas (LFIT), pelo apoio na realização das análises laboratoriais; Aos colegas, professores e funcionários do Programa de Pós-graduação em Produção Animal, pelo convívio, pela atenção e pelo estímulo; Aos amigos Mariana, Julien, Michelle e Leonardo, pela valiosa colaboração e amizade; À amiga, companheira e colega Marize pelas horas passadas juntas entre aulas e experimentos, pelo incentivo, compreensão, convívio, colaboração, atenção e amizade; Às minhas amigas Alexandra, Cristiane, Leiliane, Liliane, Natália e Taiane, que mesmo distantes em algum momento contribuíram com sua palavra amiga; Ao meu amado marido Gustavo, que sempre esteve ao meu lado, até mesmo quando essa não era sua vontade, agradeço pelo amor, carinho, ajuda e compreensão nos momentos de tensão; A todas as pessoas que, de alguma maneira, colaboraram para a realização deste trabalho. “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original” (Albert Einstein). BIOGRAFIA Vaneila Daniele Lenhardt Savaris, filha de João Aloísio Lenhardt e Dulce Maria Simon Lenhardt, nasceu em Toledo aos 17 dias do mês de março de 1982. Em dezembro de 2005, diplomou-se em Zootecnia, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon – PR. Em março de 2006, iniciou o Programa de Pós-Graduação em Produção Animal, em nível de Mestrado, na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Campos dos Goytacazes-RJ, concentrando seus estudos na área de Nutrição de Não-Ruminantes. Em janeiro de 2008, submeteu-se aos exames finais de defesa de dissertação de Mestrado. RESUMO SAVARIS, Vaneila Daniele Lenhardt, M.S., Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Janeiro de 2008. Estudo do balanço eletrolítico e da proteína bruta da ração para suínos em crescimento em condições de alta temperatura. Orientador: Rony Antonio Ferreira. Conselheiros: Rita Trindade Ribeiro Nobre Soares e Paulo Cesar Pozza. O estudo foi realizado para avaliar o efeito do Balanço Eletrolítico (BE) em rações com dois níveis de proteína bruta (PB) para suínos na fase de crescimento criados em alta temperatura. Foram utilizados 48 leitões (24 machos castrados e 24 fêmeas) com peso médio inicial de 28,7±2,2kg, distribuídos em delineamento de blocos ao acaso, constituído de 4 tratamentos (TA - ração com 16,8% de PB; TB – ração com 16,8% de PB com correção do BE para 251 mEq/kg; TC – ração com 13,8% de PB; e TD – ração com 13,8% de PB com correção de BE para 260 mEq/kg) e 4 repetições, sendo cada unidade experimental composta por três animais. O experimento foi encerrado quando os animais atingiram peso médio de 51,4±3,7kg. As variáveis de desempenho avaliadas foram consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso final (PF), consumo de nitrogênio (CN), consumo de lisina (CL), eficiência de utilização do nitrogênio para ganho (EUNG) e conversão alimentar (CA). Semanalmente foram avaliados os parâmetros fisiológicos de freqüência respiratória (FR) e temperatura retal (TR) dos animais. Ao final do período experimental foi realizada coleta de sangue de 32 animais, para mensurar as concentrações sorológicas de uréia, Na, Cl e K. As condições ambientais do galpão foram medidas diariamente. A temperatura média manteve-se em 31,1±6,8°C, com umidade relativa de 68,7±12,5%, velocidade do vento de 0,36±0,3 m/s e temperatura de globo negro de 30,5±4,4°C. Foi calculado o índice de temperatura de globo e umidade (ITGU) em 79,6±4,6. A redução dos teores de proteína da ração reduziu (P<0,05) o CN e melhorou (P<0,05) a EUNG. Os demais parâmetros de desempenho avaliados não foram afetados pelos tratamentos (P>0,05). Não houve diferença (P> 0,05) nas respostas fisiológicas de FR e TR, sendo o mesmo observado para as concentrações séricas de sódio e cloreto. Os suínos que receberam as rações com maior teor de proteína apresentaram maior (P<0,05) concentração de uréia no soro. A correção do BE das rações promoveu redução (P<0,05) nos teores de potássio no soro dos suínos. A correção do balanço eletrolítico em rações (250 meq/kg) com teor de suplementadas proteína com bruta reduzido aminoácidos, não em três influenciou pontos percentuais, negativamente o desempenho de suínos em crescimento (30-50 kg). Os animais foram eficientes em realizar sua homeostase sanguínea em relação às concentrações de sódio e de cloreto, mas não para o potássio. A redução do teor de PB da ração melhorou a eficiência de utilização de N para ganho de peso dos animais. ABSTRACT SAVARIS, Vaneila Daniele Lenhardt Savaris, M.S., Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. January 2008. Study of dietary electrolyte and crude protein for growing swine in high ambient temperature. Major Professor: Rony Antonio Ferreira. Advisors: Rita da Trindade Nobre Soares e Paulo Cesar Pozza. This study was conducted to evaluate the effect of the Dietary Electrolyte Balance (EB), into rations with two levels of Crude Protein (CP) for growing swine under high temperatures ambient. Were used 48 pigs (24 castrated males and 24 females) with initial average weight of 28.7 ± 2.2 kg, allotted using randomized block experimental design constituted of four treatments (TA - diet with 16.8% of CP; TB - diet with 16.8% of CP with correction of EB to 251 mEq/kg; TC - diet with 13.8% of CP and TD - diet with 13.8% of CP with correction of EB to 260 mEq/kg) and four replication, the experimental unit was composed of three pigs. The study was finished when the average weight of the animals was 51.4 ± 3.7 kg. The performance parameters evaluated were the feed intake (FI), the daily gain (DG), finished weight (FW), nitrogen intake (NI), lysine intake (LI), efficiency of N utilization for weight gain (ENUWG) and the gain: feed ration. Weekly the physiologic parameters to respiratory frequency (RF) and rectal temperature (RT) were evaluated. At the finish of the experimental period was collected blood of 32 pigs to measure serum concentration of urea, Na, Cl and K. The environmental conditions was measured daily. The average temperature was 31.1 ± 6.8°C, with relative humidity of 68.7 ± 12.5%, wind speed of 0.36 ± 0.3 m/s and black globe temperature of 30.5 ± 4.4°C. The Black Globe Humidity and Temperature Index (BGHI) calculated was 79.6±4.6. The reduction in ration protein levels decreased (P<0,05) the NI and improved (P<0,05) the ENUWG. The others performance parameters evaluate weren’t influenced by treatments(P>0.05). There weren’t significant difference (P<0.05) for RF, RT, the same was observed for serum concentration of sodium and chlorine. The swine that were fed with rations with high concentrations of CP presented greater (P<0.05) concentrations of urea in the serum. The correction of dietary EB in the rations decreased (P<0.05) the concentration of K in serum pigs. The correction of electrolyte balance in rations (250 meq/kg) with levels of crude protein decreased in three percent points, supplemented with aminoacids, not influenced the performance of growing swine (30-50kg). The animals were efficient in maintenance it sanguine homeostasis of sodiumand chloride, but didn’t for the potassium. The decreased of CP level of ration improved the efficiency of use of N for weight gain of the animals. LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Composição das rações experimentais ....................................... 36 Tabela 2 – Conteúdo de eletrólitos e Balanço Eletrolítico (BE) de alguns ingredientes ................................................................................................... 37 Tabela 3 - Descrição dos contrastes ortogonais empregados na decomposição da soma dos quadrados dos tratamentos.............................. 41 Tabela 4 - Consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso final (PF), consumo de N (CN), consumo de lisina (CL), conversão alimentar (CA), eficiência de utilização do nitrogênio para ganho (EUNG) e relação Lisina:PB de suínos dos 30 aos 50 kg, alimentados com rações experimentais ............................................................................................... 43 Tabela 5 - Médias de uréia, sódio, cloro e potássio, em mg dL-1, no sangue de suínos na fase de crescimento, e significância dos contrastes ortogonais....................................................................................................... 46 Tabela 6 – Frequência respiratória (FR) (mov/minuto) e temperatura retal (TR) (°C) de leitões dos 30 aos 50 kg alimentados com rações contendo diferentes teores de proteína e balanço eletrolítico....................................... 49 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................... 14 2 .REVISÃO DE LITERATURA...................................................................... 17 2.1 Índices do Ambiente Térmico............................................................. 17 2.2 Influência do calor sobre o desempenho animal................................ 19 2.3 Manutenção do pH dos fluídos corporais........................................... 21 2.4 Balanço Eletrolítico das Rações (BER) ............................................. 24 2.5 Redução dos teores de Proteína Bruta (PB) da ração....................... 29 2.5.1 Efeitos sobre o desempenho animal.......................................... 29 2.5.2 Influência na composição corporal............................................. 31 3. MATERIAL E METODOS........................................................................... 34 3.1 LOCAL E ÉPOCA............................................................................... 34 3.2 ANIMAIS E INSTALAÇÕES................................................................ 34 3.3 PERÍODO EXPERIMENTAL............................................................... 34 3.4 RAÇÕES E MANEJO ALIMENTAR.................................................... 35 3.5 CONDIÇÕES AMBIENTAIS............................................................... 37 3.6 PARÂMETROS DE DESEMPENHO.................................................. 38 3.7 PARÂMETROS FISIOLÓGICOS........................................................ 38 3.8 COLETA DE SANGUE....................................................................... 38 3.9 ANÁLISES LABORATORIAIS............................................................ 39 3.9.1 Rações....................................................................................... 39 3.9.2 Soro Sanguíneo.......................................................................... 39 3.10 ANÁLISES ESTATÍSTICAS.............................................................. 40 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................. 42 4.1 CONDIÇÕES AMBIENTAIS............................................................... 42 4.2 PARÂMETROS DE DESEMPENHO.................................................. 42 4.3 PARÂMETROS SANGUÍNEOS.......................................................... 45 4.4 PARÂMETROS FISIOLÓGICOS........................................................ 48 5. CONCLUSÃO............................................................................................. 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 51 14 1. INTRODUÇÃO Os avanços genéticos alcançados na suinocultura, através da maior utilização de plantéis de alto desempenho, têm levado à ocorrência freqüente de animais com problemas de consumo de alimento, principalmente em condições de estresse calórico. Nestas condições ambientais tem sido recomendado o uso de rações com menor teor de proteína bruta (PB) suplementadas com aminoácidos sintéticos. A utilização de rações com níveis reduzidos de proteína bruta suplementadas com aminoácidos sintéticos, de forma a manter uma relação aminoacídica que atenda às necessidades dos suínos, está fundamentada no menor incremento calórico produzido pelo organismo, associado à menor quantidade de calor a ser dissipado pelos animais principalmente em ambiente de calor (FERREIRA, 2001). A redução da PB das formulações pode ser realizada através da redução do farelo de soja, ingrediente protéico amplamente utilizado em rações práticas e importante fonte de potássio na formulação. Aliado a isso, aminoácidos sintéticos são utilizados na maioria das vezes em sua forma ácida, tendo como resultado formulações acidogênicas, podendo interferir no bom desempenho produtivo e reprodutivo dos suínos, visto que é fundamental a manutenção de suas funções metabólicas, onde o pH do sangue e de outros fluídos orgânicos devem ser mantidos admitindo-se flutuações mínimas, de modo a manter a homeostase orgânica. Os eletrólitos da ração exercem influência no equilíbrio acidobásico e, conseqüentemente, afetam processos metabólicos relacionados ao crescimento, à resistência a doenças, à sobrevivência ao estresse e ao desempenho (VIEITES et al., 2005). O estudo do balanço eletrolítico (BE) e correção dos teores destes componentes das rações devem garantir a expressão do potencial genético dos suínos. O BE pode ser definido como o equilíbrio iônico dos fluídos orgânicos que regulam o balanço acidobásico para manutenção da homeostase orgânica. Os três principais íons envolvidos nos processos 15 metabólicos são os cátions sódio (Na+) e potássio (K+), e o ânion cloreto (Cl-). Estes íons foram escolhidos pois sua absorção é maior do que a dos demais por estarem envolvidos diretamente na manutenção do equilíbrio acidobásico. A concentração dos eletrólitos, e o equilíbrio ácido-base, estão relacionados com os mecanismos de absorção digestiva e com as trocas iônicas que ocorrem entre o sistema digestório e o sangue, sendo que a absorção de cátions se faz “contra” os íons H+ e tem efeito alcalinizante em nível sanguíneo, enquanto a absorção de ânions tem efeito inverso em função da saída de íons bicarbonato do sangue. Para a manutenção do equilíbrio acidobasico dentro dos valores fisiológicos o organismo dispõe de sistemas tamponantes principalmente em nível sanguíneo (poder tampão dos hematócitos e do plasma) e renal (MESCHY, 1998). Suínos submetidos a estresse por calor têm comprometimento da sua função respiratória devido ao aumento da freqüência respiratória (FR) podendo provocar alcalose respiratória e conseqüentemente alteração do BE. Para compensar a alcalose respiratória e manter o equilíbrio ácido-base, a excreção de bases (Na, K, Mg e Ca) e bicarbonato (HCO3), através dos rins é aumentada, e a excreção de íons H+ é reduzida (TAVARES e FERREIRA, 2005). Da mesma forma o sistema sanguíneo é particularmente sensível às mudanças de temperatura ambiente e constitui um importante indicador das respostas fisiológicas dos animais aos agentes estressores (GOLZ e CRENSCHAW, 1991). O suíno quando submetido a estresse calórico, poderá apresentar aumento no número de hematócritos, em conseqüência da elevação no número de hemácias. Este é um dos mecanismos sanguíneos de controle dos íons que poderiam influenciar negativamente o equilíbrio ácidobase corporal (BENESI e KOGIVA, 1999). Assim, a concentração de eletrólitos na ração, pode afetar os teores desses no soro sanguíneo influenciando o metabolismo dos suínos. Diversos estudos realizados avaliando redução dos níveis de PB da ração e suplementação com aminoácidos sintéticos confirmaram que para valores de redução até quatro pontos percentuais os índices de desempenho foram mantidos ou melhorados. Entretanto, a correção do BE tem sido utilizada como alternativa de melhora do desempenho em rações tradicionais de 16 animais criados em altas temperaturas, não sendo avaliada em conjunto à redução de PB da ração. Para prevenir este desequilíbrio acidobásico a suplementação de rações através do uso de compostos como bicarbonato de sódio (NaHCO3) e cloreto de potássio (KCl) tem sido amplamente utilizada, principalmente em regiões quentes, como no Nordeste brasileiro. Desta forma, com este estudo teve-se o objetivo de avaliar o efeito do BE em rações com dois níveis de PB suplementadas com aminoácidos sintéticos sobre o desempenho de suínos em fase de crescimento, e o efeito do uso de rações com diferentes BE e dois níveis de PB sobre a freqüência respiratória (FR), temperatura retal (TR), e nas concentrações de eletrólitos (Na, Cl e K) e de uréia no soro sanguíneo de suínos mantidos em ambiente quente. 17 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Índices do Ambiente Térmico Os suínos, como animais endotérmicos, podem expressar seu potencial genético para a produção quando se encontram na zona de conforto térmico. Esta zona de conforto térmico compreende a faixa de temperatura ambiental efetiva, na qual o calor produzido durante os processos de mantença e produção é igual àquele dissipado para o ambiente, sem aumento da produção de calor metabólico. Neste ambiente, a energia necessária à manutenção da homeotermia é mínima, resultando em maior disponibilidade desta para o crescimento ou execução de atividades reprodutivas. A temperatura ambiente pode influenciar, além do desempenho, a composição do ganho. Tem-se verificado que tanto a temperatura ambiente quanto os teores de proteína da ração alteram a taxa de deposição diária de gordura e proteína na carcaça dos suínos na fase de crescimento e terminação (FERGUSON e GOUS, 1997). O conforto térmico é dependente de diversos fatores, alguns ligados ao animal, como peso, idade, estado fisiológico, tamanho do grupo, nível de alimentação e genética; e outros ligados ao ambiente como temperatura e velocidade do ar, umidade relativa, radiação e tipo de piso (SARAIVA et al., 2003). Com a mensuração de apenas um elemento climático não se pode caracterizar o ambiente no qual o suíno está submetido. Flutuações na velocidade do ar, por exemplo, poderão alterar as sensações térmicas dos animais naquele instante. Por isso, o monitoramento de mais elementos climáticos possibilita a descrição mais fidedigna da realidade ambiental nas edificações. Do ponto de vista etológico e fisiológico, o suíno é uma espécie animal sensível à diversidade climática brasileira, na qual predominam dias quentes. Segundo FERREIRA 1998, a utilização de índices bioclimáticos na suinocultura permite avaliação mais precisa da situação ambiental, além da comparação de 18 animais mantidos em diferentes regiões. Esses índices são usados com a finalidade de melhor caracterizar o ambiente térmico e sua adequação a determinado animal. Segundo NÄAS (1995), as variáveis bioclimáticas e de manejo interferem na produção animal e a combinação, aleatória ou não, entre as variáveis vai determinar sua importância, e dessa forma quantificar sua influência no resultado final da produtividade animal. Atualmente existe variado número de índices que podem ser utilizados conforme preferência do pesquisador. Em geral, são considerados dois ou mais elementos climáticos, todavia em alguns são incluídos variáveis biológicas, como a taxa metabólica e o tipo de isolamento animal (BAÊTA e SOUZA, 1997). Dentre todos os índices propostos, para utilização na suinocultura moderna o Índice de temperatura de globo e umidade (ITGU), descrito por BUFFINGTON et al. (1981) é considerado por muitos autores como o mais adequado para avaliar o conforto térmico ambiente, nas condições que os animais estão expostos à radiação solar direta ou indireta, uma vez que combina os efeitos da radiação, velocidade do ar, temperaturas de bulbo seco e bulbo úmido. Para cálculo do ITGU pode ser utilizada a equação seguinte: ITGU= Tgn + 0,36 Tpo – 330,08 Onde: ITGU – Índice de temperatura de globo e umidade; Tgn – Temperatura de globo negro (°K); Tpo – Temperatura de ponto de orvalho (K°). A utilização de índices bioclimáticos permite aos pesquisadores e produtores uma avaliação mais adequada dos elementos climáticos que possam comprometer a produtividade do plantel. Em vários estudos tem sido calculado o ITGU para caracterizar o ambiente térmico no qual os suínos estão submetidos. ORLANDO et al. (2003) 19 obtiveram ITGU calculado de 81,1 como sendo o ambiente de calor para animais em fase de terminação. Estes valores estão próximos aos obtidos por TAVARES et al. (1999) e HANNAS (1999); obtiveram 82,9 e 82,7 respectivamente, com suínos em crescimento. Segundo FERREIRA (2005), valores calculados de ITGU superiores a 80, caracterizam um ambiente de calor para suínos em fase de crescimento, terminação ou de reprodução, em razão da dificuldade que estes animais têm em dissipar o calor corporal para manutenção de sua homeotermia. 2.2 Influência do calor sobre o desempenho animal Conforme referenciado por MARCHETO et al. (2002), um animal encontra-se em estado de estresse quando são necessários ajustes (naturais ou artificiais) em seu comportamento e fisiologia, com a finalidade de permitir a expressão de seu fenótipo e impedir a ação anti-homeostática do ambiente. A faixa de temperatura ambiental efetiva, na qual o animal mantém a homeotermia com mínimo esforço dos mecanismos termorregulatórios, é chamada de zona de termoneutralidade, em que a produção de calor é mínima e constante (TAVARES e FERREIRA, 2005). Qualquer elevação maior na temperatura ambiente, acima daquela considerada como conforto, irá causar aumento na temperatura corporal dos animais, a menos que mecanismos ativos de dissipação de calor como a sudorese ou o ofego estejam funcionando. Um indicador de temperatura corporal do centro do corpo é obtido em animais pela inserção de um termômetro no reto. Embora essa não represente sempre uma média da temperatura corporal profunda, é melhor medir neste local, do que medir em vários locais e chamá-la de temperatura corporal. Isto porque a temperatura retal atinge o equilíbrio mais lentamente que as temperaturas em muitos outros locais (SWENSON e REECE, 1996). O ambiente térmico no qual o suíno é mantido pode influenciar seu consumo de alimento, a taxa, a eficiência e a composição do ganho 20 (ORLANDO, 2001). As altas temperaturas estão associadas à piora no desempenho de suínos, principalmente pela redução no consumo de alimentos e pelo custo energético, associado aos processos de termorregulação (MANNO et al., 2006). Este fato já havia sido relatado por KERR et al. (2003), em um trabalho onde suínos em crescimento foram alojados em dois ambientes, 23 ou 33°C. Os animais alojados em ambiente de 33°C tiveram redução no consumo diário de ração e no ganho de peso diário além de piora na conversão alimentar, em relação àqueles alojados a 23°C. TAVARES et al. (1999) avaliando a influência da temperatura ambiente sobre o desempenho e os parâmetros fisiológicos de leitoas dos 30 aos 60 kg, observaram influência da temperatura ambiente sobre o ganho de peso diário e o consumo de ração dos animais, sendo estes 20,69 e 19,10% inferiores quando os animais estavam submetidos ao ambiente de calor. Estes mesmos autores comprovaram que a redução verificada no ganho de peso dos animais expostos ao calor estava relacionada ao menor consumo de ração dos animais. TAVARES et al. (2000) avaliaram a influência da temperatura sobre o desempenho de suínos dos 30 aos 60 kg, e constataram que os animais alojados a temperatura ambiente de 32°C apresentaram redução do consumo de energia digestível e proteína diários, sendo este fato decorrente do menor consumo de ração por estes animais, quando comparados aos alojados em ambiente de 22°C. Os mesmos autores observaram piora da conversão alimentar dos animais submetidos ao calor. A redução de consumo observada em animais que são submetidos à ambiente de calor decorre da tentativa do animal em reduzir o calor corporal produzido em função da ração consumida, ou seja, dos processos relativos à digestão, absorção e ao metabolismo do alimento, e conseqüentemente essa redução de consumo causará redução no crescimento do animal devido ao não atendimento das suas exigências nutricionais. Além da redução no consumo de alimentos e desempenho, suínos submetidos ao estresse por calor podem apresentar distúrbios no balanço acidobásico causado pelo aumento da freqüência respiratória, que acontece pela tentativa do animal de amenizar o estresse calórico (HAYDON et al., 1990). 21 2.3. Manutenção do pH dos fluídos corporais Para manter o pH dos fluidos corporais constante o organismo animal faz uso de uma combinação de mecanismos, sendo esses de suma importância para a continuidade dos processos metabólicos no organismo animal. Dentre esses mecanismos podem-se citar os sistemas tampões do sangue, os processos realizados pelo sistema respiratório e a excreção e reabsorção feitas pelos rins. Os tampões são soluções que resistem a mudanças de pH quando um ácido ou uma base são adicionados. Os sistemas tampões são formados por um ácido fraco e sua base conjugada (CAMPBELL, 2000). Quando um sistema tampão está presente a adição de um ácido, ou uma base, resulta em um desvio do pH menor que aquele que ocorreria se nenhum tampão estivesse presente (SWENSON e REECE, 1996). Entre os sistemas tampões conhecidos os mais importantes para o metabolismo animal são o do bicarbonato e da hemoglobina. O sistema tampão mais evidente no sangue é o do bicarbonato (base), que se encontra em equilíbrio com o dióxido de carbono (ácido), desta forma quanto maior a quantidade de ácido no sangue, mais bicarbonato e menos dióxido de carbono são produzidos. Da mesma forma pode-se dizer que quanto mais base, menos bicarbonato e mais dióxido de carbono entram na corrente sanguínea (MANUAL MERCK, 2007). O sistema tampão da hemoglobina é considerado o segundo mecanismo utilizado pelos animais para manutenção da homeostase. No pH sanguíneo normal, as moléculas de hemoglobina estão presentes, em parte, na forma proteínato (HOUPT, 2006). De acordo com DEL CLARO (2003), sua molécula contém grande número de grupos ácidos ou básicos e no ponto isoelétrico suas cargas positivas são iguais às negativas. A oxigenação da hemoglobina causa liberação de H+, acidificando o interior da célula; inversamente, a desoxigenação resulta na ligação H+ com a hemoglobina. Assim, o O2 ligado à hemoglobina na superfície respiratória facilita a formação de CO2, enquanto a liberação de O2 da hemoglobina facilita a formação de HCO3 – ( RANDALL et 22 al., 2000). Em meio ácido, os íons hidrogênio reagem com o grupamento carboxílico da proteína evitando a queda brusca no pH do meio, sendo que na presença de hidroxilas, os grupamentos ácidos da proteína cedem seus íons hidrogênio formando água. Caso o animal se encontre em acidose crônica, os ossos proporcionam um reservatório de tampão que contribui para a manutenção do pH (DEL CLARO, 2003). De acordo com BUDDE e CRENSHAW (2003), a reabsorção de hidroxiapatita do osso consome 9,2 mol de ácido para cada 10 mol de Ca++ liberados, e que a reabsorção do HPO4 = pela hidroxiapatita, ocorre como proteção contra o excesso de ácido, sob determinadas condições e para excreção do H2PO4-. Segundo os mesmos autores, a reabsorção óssea também libera carbonatos armazenados que servem como uma proteção adicional. O processo de respiração exerce papel importante no tamponamento do sangue, sendo que o aumento da freqüência respiratória causa acréscimo na concentração de H+ (CAMPBELL, 2000). A resposta do sistema respiratório às mudanças no pH sanguíneo é rápida e ocorre através da eliminação de uma maior quantidade de dióxido de carbono, e conseqüentemente redução do ácido carbônico no sangue. Quando a ventilação do pulmão diminui, a concentração de CO2 aumenta e o pH do sangue cai à medida que os íons hidrogênio e bicarbonato se acumulam. Variações na respiração podem ajustar a excreção de dióxido de carbono e desta forma modular o pH do organismo em pouco tempo (RANDALL, et al. 2000). A respiração é deprimida quando existe aumento do pH sanguíneo, isto faz com que ocorra diminuição da pressão parcial de CO2 (pCO2) no sangue, que causará uma queda no pH, sendo a compensação respiratória para a alcalose metabólica. Quando o quadro for de acidose metabólica haverá um estímulo do processo respiratório aumentando a ventilação pulmonar e reduzindo a pCO2 (DEL CLARO, 2003; MANUAL MERCK, 2007). O sistema respiratório não só desempenha papel regulador do equilíbrio acidobásico do sangue como também pode causar desequilíbrio em determinadas circunstâncias. Conforme descrito por BORGES et al. (2003), 23 animais submetidos a continuado estresse por calor, terão aumento da freqüência respiratória, resultando em perdas excessivas de dióxido de carbono (CO2), que leva à diminuição da pCO2, levando à queda na concentração de ácido carbônico (H2CO3) e hidrogênio (H+). Isto caracteriza a ocorrência de alcalose respiratória, em razão da excessiva eliminação de dióxido de carbono provocada pela hiperventilação pulmonar. Contrariamente, a acidose respiratória ocorre quando a velocidade e a profundidade da respiração são reduzidas, ocasionando a hipoventilação, aumentando a concentração de dióxido de carbono no sangue. A acidose respiratória pode ser iniciada em decorrência de um processo de alcalose metabólica no animal, funcionando como um mecanismo de garantia da homeostase. A urina é a principal forma de eliminação de água pelo organismo do suíno, sendo que seu volume é determinante da quantidade de água a ser removida do corpo. Sua composição varia grandemente, influenciada pela quantidade de solutos e água eliminada ou consumida em relação à necessidade do animal (PATIENCE et al., 1993). O maior regulador fisiológico do balanço hídrico é a ingestão (sede) e a excreção de água. A excreção de água pelos rins é controlada primariamente pelo hormônio andiurético (ADH), ou vasopressina, produzido pelo hipotálamo e liberado pela hipófise posterior (neuro-hipófise). Conforme descrito por HOUPT (2006), este hormônio age sobre o néfron renal, onde permite a reabsorção aumentada de água, reduzindo o volume de urina excretada. Quando o animal sofre privação de água, a concentração do ADH no sangue aumenta e o volume urinário cai, porém quando o animal estiver superidratado, a concentração de ADH será reduzida, o fluxo urinário aumentará e a concentração urinária poderá reduzir-se até aproximar-se daquela do plasma. Quando a concentração osmótica do plasma aumenta, ocorre estímulo para a liberação de ADH e quando a osmoconcentração cai, menos ADH é liberado (HOUPT, 2006). A liberação de ADH pode ser influenciada por fatores hemodinâmicos, como volume e pressão sanguíneos. Com o aumento do volume e, ou, da pressão, ocorre estímulo dos barorreceptores localizados no coração (artérias carótida e aorta). Este sistema barorregulatório é menos sensível às pequenas mudanças no sistema osmótico, mas respondem com maior intensidade às 24 grandes mudanças (PATIENCE, et al. 1993). A excreção da urina também pode ser influenciada pelo complexo renina-angiotensina-aldosterona, hormônios envolvidos na homeostase do volume sanguíneo. O processo se inicia pela secreção da renina pelas células da arteríola aferente de cada glomérulo, a renina converte o angiotensinogênio plasmático (produzido no fígado) em angiotensina I, convertida em angiotensina II pela enzima conversora localizada nas células endoteliais vasculares. A angiotensina II, nos rins, promove a reabsorção do Na+ que ocorre no túbulo proximal inicial e indiretamente pela secreção aumentada da aldosterona do córtex adrenal. Ela também estimula a reabsorção de Na+ nos ductos coletores corticais e medulares (REECE, 2006). A aldosterona aumenta a capacidade do processo de retenção do Na+ pelo corpo e a reabsorção deste eletrólito requer a passagem equivalente de H+ e K+ na direção oposta, sendo importante na manutenção do balanço acidobásico (DEL CLARO, 2003). A aldosterona também é importante na eliminação do excesso de K+ através da urina, e conseqüentemente, na redução de sua quantidade no plasma. A excreção do excesso do íon H+ pelos rins depende da capacidade para controlar a perda ácida, sendo realizada por meio do aumento na excreção de íons fosfato monobásicos e amônia renal, enquanto íons bicarbonato são reabsorvidos para atender as necessidades endógenas (GOLZ e CRENSHAW, 1991). Em caso de acidose, grande parte do bicarbonato filtrado no glomérulo é reabsorvido no túbulo proximal do rim (MESCHY, 1998), o que poderá causar a acidificação da urina do animal. 2.4. Balanço Eletrolítico das Rações (BER) O balanço eletrolítico (BE) também chamado de balanço ácido-base ou equilíbrio cátion-aniônico (ECA) refere-se ao equilíbrio iônico dos fluídos orgânicos que regulam o balanço acidobásico para manutenção da homeostase orgânica. Pode ser definido como a diferença entre os principais cátions e ânions da ração e se refere à acidogenia ou alcalogenia metabólica 25 desta ração. O balanço eletrolítico das rações (BER) pode ser calculado em miliequivalentes (mEq) por kg de ração pelo uso de fórmulas propostas por MONGIN (1980), sendo uma a seguinte: DCAB= (Na+ + K+ + Ca++ + Mg++) – (Cl- + H2PO4- + HPO4- + SO4 -). Ao se considerar a estabilidade destes íons na corrente sanguínea, levando em conta sua reabsorção, os três principais íons envolvidos nos processos metabólicos são os cátions sódio (Na+) e potássio (K+), e o ânion cloro (Cl-). Assim, foi sugerida nova fórmula para determinação do BER, sendo mais utilizada a seguinte: BER = Na+ + K+ - Cl- De acordo com BORGES et al. (2003), o eletrólito pode ser definido como uma substância química, que se dissocia nos seus constituintes iônicos, tendo como função fisiológica principal a manutenção do equilíbrio ácido-base corporal. A homeostase acidobásica refere-se à tendência de um animal em manter a concentração intracelular e extracelular de próton (H+) constante, e este balanço quando bem-sucedido tende a ser zero, pois a formação se equilibra com a excreção (PATIENCE, 1990). O Na+ constitui grande parte das bases do soro sanguíneo, principalmente nos líquidos extracelulares. É o cátion em maior quantidade no líquido extracelular. Intervém no equilíbrio da pressão osmótica e na permeabilidade da membrana celular. A relação Na+ + K+ / Ca++ + Mg++ é essencial ao funcionamento do músculo cardíaco, pois estes estão envolvidos na contração e expansão muscular, e entre suas funções está a de manutenção do equilíbrio acidobasico do organismo e na transmissão dos impulsos nervosos pelo potencial energético associado à sua troca pelo K+ através da membrana celular (ANDRIGUETTO et al., 2002; POND et al., 2005; BERTECHINI, 2006). A absorção intestinal do Na+ ocorre por transporte passivo e ativo. No transporte ativo este é carreado associado à glicose ou aminoácidos. Em outro 26 processo trata-se da troca de íons H+ intracelulares por Na+ luminal por meio de proteínas. Neste processo ocorre absorção acoplada de Cl-, em razão do acúmulo de HCO3- transcelular. Assim, ocorre a troca com o Cl-, sendo este processo chamado de transporte acoplado de NaCl (CUNNINGHAM, 1999). A excreção de Na+ através dos rins e a reabsorção parcial deste, ocorre através dos túbulos renais (POND et al., 2005). O controle do nível plasmático de Na+ ocorre por ação do hormônio aldosterona, que age para aumentar a absorção deste mineral nos túbulos renais, sendo que outros hormônios, como o antidiurético, agem na excreção de sódio em resposta às mudanças na pressão osmótica do líquido extracelular. Em suínos a deficiência de sódio decorre do rápido declínio deste elemento na urina, hemoconcentração e redução do volume plasmático (POND et al., 2005). O cloreto (Cl-) é o íon mais comum e o ânion mais abundante nos fluídos extracelulares dos mamíferos, está distribuído tanto nas células como nos fluidos extracelulares e compõe a secreção gástrica na forma de HCl. Suas funções estão relacionadas à regulação da pressão osmótica extracelular e à manutenção do equilíbrio acidobasico no organismo do animal (ANDRIGUETTO et al., 2002; BERTECHINI, 2006). Ele pode ser absorvido por transporte ativo no intestino e em maior quantidade por difusão no estômago, porém não é absorvido por difusão facilitada no intestino grosso (POND et al., 2005). Também é absorvido por via paracelular, através do co-transporte de glicose e, ou, aminoácidos e pela troca direta por HCO3- intracelular (CUNNINGHAM, 1999). O metabolismo do Cl- é controlado em relação ao do Na+. Desta forma, quando existe um excesso de Na+ excretado na urina, provavelmente ocorrerá um excesso de Cl- sendo excretado também. Este fato ocorre visando à manutenção do equilíbrio das quantidades de cátions e ânions (DEL CLARO, 2003; POND et al., 2005). O potássio (K+) é um cátion monovalente que atua no equilíbrio do excesso de ânions por meio do mecanismo fisiológico da bomba sódio-potássio (LIZARDO, 2006). A bomba transporta ativamente Na+ para fora da célula contra seu forte gradiente eletroquímico e K+ para o interior (ALBERTS et al., 1997). O potássio também está relacionado com rotas bioquímicas importantes como a glicólise e a glicogênese, além da utilização das proteínas, estando 27 ligado à função enzimática celular (ANDRIGUETTO et al, 2002). Ele é necessário nas reações que envolvem a fosforilação da creatina, no funcionamento da enzima piruvato-quinase, no transporte de aminoácidos pela membrana celular e para manter a integridade dos músculos cardíacos e renais (POND et al., 2005). O K+ atravessa a membrana intestinal por transporte ativo, sendo que o aumento de sua concentração no lúmen intestinal favorece um gradiente de concentração que termina com a absorção deste por difusão simples, via paracelular (CUNNINGHAM, 1999). A homeostase do K+ e do Cl- são altamente correlacionadas, sendo que a deficiência de um causa a deficiência do outro. Em nível de túbulo renal a reabsorção de K+ necessita da presença de Cl- (POND et al., 2005). Alguns autores (HAYDON et al, 1990a; PATIENCE, 1990; MESCHY, 1998) têm descrito que o efeito do BE no crescimento dos animais pode ser mediado por interações com o catabolismo de aminoácidos e excreção renal dos íons H+ e por interações com outros íons inorgânicos. O BE da ração depende da quantidade de proteína e do tipo de suplemento de Na+ utilizado, devendo-se lembrar que a redução do nível de PB, associado com a utilização de aminoácidos sintéticos, pode causar uma forte redução no BE, visto que segundo INRA (1989), citado por MESCHY (1998), o BE do suplemento L-lisina HCl é de – 5464 mEq/kg. Além dos efeitos sobre a ração, o equilíbrio eletrolítico dos animais pode ser alterado durante períodos de estresse por calor, ocorrendo aumento da sua freqüência respiratória, afetando negativamente o desempenho de suínos em crescimento e terminação (HAYDON et al. 1990). O aumento seqüencial do BE de 25 até 400 mEq/kg, realizado por HAYDON et al. (1990), em rações para suínos em crescimento (21 a 50 kg) ,resultou em melhora linear no ganho de peso diário e no consumo diário de ração pelos animais. HAYDON e WEST (1990) observaram melhora da digestibilidade ileal aparente da energia, da proteína e de alguns aminoácidos essenciais quando suínos em crescimento receberam rações com BE de 250 e 400 mEq/kg. Entretanto, BUDDE e CRENSCHAW (2003) relataram que mudanças no BE da ração de -35 a 212 mEq/kg não afetaram o desempenho 28 de suínos em crescimento. PATIENCE e CHAPLIN (1997) estudaram três diferentes rações para suínos: uma ração controle (calculada para atender as exigências propostas pelo NRC, 1988), a segunda uma ração ácida contendo altos teores de Cl-, e a terceira com elevado teor de Cl-, porém, suplementada com bicarbonato de Na+ e K+. Segundo os autores, a adição de Na+ e K+ à ração com alto teor de Cl-, permitiu determinar que a acidemia cloreto-induzida poderia ser compensada pela suplementação de sódio e de potássio. Ao adequar o BE de rações para leitões, com cinco semanas de idade e peso médio inicial de 9,34 kg de -100mEq/kg para 200mEq/kg, DERJANT-Li et al. (2001), observaram aumento de 24% no consumo de ração e 36% no ganho de peso dos animais. Além destes resultados, o ajuste do BE promoveu redução nos teores de matéria seca (MS) fecal, devido ao maior consumo de água pelos leitões. LIZARDO (2006) em revisão sobre a utilização de bicarbonato de sódio para suínos, relatou que, aparentemente, os efeitos benéficos do aumento do BE sobre a ingestão de ração em leitões atingem um platô por volta de 350mEq/kg. Rações utilizadas para suínos normalmente não são corrigidas quanto aos seus valores de BE, sendo que o valor diminui ainda mais quando ocorre redução de PB e suplementação com aminoácidos sintéticos. OLIVEIRA et al. (2005) avaliando quatro níveis de PB em rações para suínos, apresentou seus valores de BE sendo estes de: 41, 74, 107 e 148 mEq/kg, respectivamente, para rações com 10, 12, 14 e 16% de PB. Estes valores de balanço eletrolítico são inferiores ao considerado adequado por LIZARDO (2006) para suínos na fase de crescimento, que seria de 250 mEq/kg. A modificação do consumo em resposta às variações do BE parece explicar, pelo menos em parte, os efeitos observados sobre a velocidade de crescimento. Esse fato pode tratar-se de um mecanismo de regulação, feito pelo suíno, que permitiria ao mesmo reduzir os efeitos de uma ração acidogênica ou alcalinogênica, garantindo dessa funcionamento do sistema digestório (MESCHY, 1998). forma, o melhor 29 2.5 Redução dos teores de Proteína Bruta (PB) da ração 2.5.1 Efeitos sobre o desempenho animal Atualmente a maior disponibilidade de aminoácidos sintéticos no mercado proporciona a possibilidade de redução do nível protéico das rações com a suplementação de aminoácidos, desde que se mantenha a relação aminoacídica para que não afete o desempenho dos animais e reduza o custo da produção da atividade (DE LA LLATA et al., 2000). Segundo SARAIVA et al. (2003), teores inadequados de proteína, além de aumentarem a produção de calor, podem influenciar as necessidades de mantença dos animais, em razão, principalmente, do aumento do catabolismo de nitrogênio na urina, como conseqüência do desvio metabólico no ciclo da uréia. Um ponto importante na utilização da técnica de redução de PB, a partir da substituição por aminoácidos sintéticos, é que as rações com aminoácidos são mais próximas do perfil de proteína ideal e, por conseguinte, diminuem as perdas de nitrogênio nos dejetos (ORLANDO et al. 2005 e BERTECHINI, 2006), da mesma forma que podem reduzir os custos com alimentação (KERR et al., 2003). A ingestão de ração desbalanceada altera a concentração dos aminoácidos no plasma e tecidos, com redução substancial do aminoácido que estiver limitante, que vem acompanhado de um decréscimo no consumo e retardamento no crescimento animal (BERTECHINI, 2006). BACHKNUDSEN e JORGENSEN (1990) comentam que uma dificuldade na formulação de rações é alcançar o equilíbrio ótimo de aminoácidos que venha atender as necessidades do animal, principalmente, quando se usam formulações complexas. Como as proporções entre os aminoácidos na proteína variam substancialmente, podem ocorrer situações que se tornam impossíveis, dentro dessa série de matérias-primas disponíveis, atender as necessidades do animal para todos os aminoácidos. Nestes casos a suplementação com aminoácidos sintéticos tem apresentado bons resultados quando se quer manter a proporção ideal entre eles. 30 KERR et al. (1995) verificaram que a redução de 4% no nível de PB da ração de suínos de 8,6 a 50 kg influenciou negativamente a conversão alimentar (CA) somente quando a ração com baixo nível de PB não foi suplementada com os aminoácidos essenciais limitantes. Em estudo avaliando rações com baixos teores de proteína bruta para suínos, OLIVEIRA et al. (2005), concluíram que a redução do teor de proteína da ração para suínos em crescimento, até o limite de 12% não alterou o desempenho e a retenção de proteína, desde que as rações sejam suplementadas com aminoácidos essenciais. FERREIRA et al. (2006) avaliando níveis de 18; 17; 16; 15; 14% de PB de rações para suínos em crescimento, observaram que a redução da concentração de proteína bruta da ração não influenciou a CA. Este resultado decorreu em razão da manutenção da qualidade da proteína fornecida, devido à suplementação adequada com os aminoácidos essenciais limitantes. Resultados de pesquisa negativos em trabalhos com aminoácidos sintéticos podem ser, em parte, devido às limitações de outros aminoácidos que não são suplementados nas rações (BACHKNUDSEN e JORGENSEN, 1990). Ração com nível protéico acima da exigência nutricional indicada para uma dada espécie pode ser agravante em ambiente de temperatura elevada, pois o processo de desaminação conduz a maior incremento calórico, que deverá ser dissipado para o ambiente, aumentando o gasto energético do organismo para manter a homeotermia (LOPES et al., 1994). Conjuntamente a esse maior incremento calórico, está o fato de que quando em ambiente com temperatura elevada, ocorre, naturalmente, a redução de consumo de alimento dos animais, o que leva ao não atendimento de suas exigências nutricionais em relação aos níveis de aminoácidos essenciais. A utilização de rações com níveis reduzidos de PB suplementadas com aminoácidos sintéticos, de forma a manter uma relação aminoacídica que atenda às necessidades dos suínos, está fundamentada no menor incremento calórico produzido pelo organismo, associado à menor quantidade de calor a ser dissipado pelos animais, principalmente em ambiente de calor (FERREIRA, 2001). 31 2.5.2 Influência na composição corporal Alguns estudos têm avaliado a influência do teor de PB na ração sobre as taxas de deposição de proteína e gordura na carcaça de suínos. Com o uso de formulações práticas visando atender à demanda dos animais em proteína bruta, a taxa de deposição de gordura tende a ser maior que a de proteína. Este fato poderia ser devido ao uso de proteína excedente que serviria como fonte de energia para depósito de gordura. É sabido que rações com reduzido conteúdo de PB reduzem a produção de calor corporal, devido ao menor incremento calórico advindo do metabolismo da mesma. Outro ponto importante está relacionado ao menor peso dos órgãos e taxa de síntese e degradação protéica (NOBLET et al., 1987). Segundo ORLANDO et al. (2001), os níveis de PB da ração de suínos criados no calor também podem modificar a composição de carcaça. ORLANDO et al. (2006) avaliando cinco níveis de PB (17,3; 16,0; 14,7; 13,4; e 12,1%) suplementadas com aminoácidos, em rações para leitoas em ambiente termoneutro dos 60 aos 100 kg, observaram que as características de carcaça de área de olho de lombo, espessura de toucinho a 6,5 cm da linha dorso-lombar e dos rendimentos de carcaça, de carne magra, de gordura e de pernil não foram influenciados pela redução dos níveis de PB em fêmeas na fase de terminação. Com relação à deposição de gordura e proteína na carcaça, FERREIRA et al. (2007), estudando cinco diferentes níveis de PB (17; 16; 15; 14 e 13%), suplementadas com aminoácidos sintéticos para machos castrados dos 30 aos 60 kg mantidos em ambiente de alta temperatura, observaram influência dos níveis de PB da ração nestas características. Neste estudo os animais recebendo ração com 14% de PB apresentaram os menores valores de deposição de proteína e de gordura na carcaça, neste caso o possível comprometimento da deposição de proteína e de gordura na carcaça desses animais estaria relacionado aos menores consumos de lisina e de energia digestível desses animais. ORLANDO et al. (2001) estudando a influência dos níveis de PB da 32 ração sobre a deposição de proteína e gordura na carcaça de leitoas dos 30 aos 60 kg criadas em alta temperatura, observaram redução na taxa de deposição de gordura e aumento linear na de proteína até o nível de 19,48% de PB. Porém, quando foi utilizado o modelo “Linear Response Plateau”, foi estimado que a partir dos níveis de 18,38 e 18,12% de PB as taxas de deposição de gordura e de proteína, respectivamente, permaneceram no platô. Segundo os pesquisadores, os resultados de maiores valores de deposição de gordura na carcaça dos animais que receberam as rações com menores níveis de PB, sem o correspondente aumento no consumo de energia digestível, estariam indicando que os níveis de PB abaixo de 18,37% não atenderam as exigências dos animais, o que resultou em deposição da energia excedente em gordura. KERR et al. (2003) em estudo avaliando as influências do nível dietético de proteína e suplementação de aminoácidos e sua relação com a temperatura ambiente em suínos em crescimento, observaram que houve interação da temperatura com as rações em estudo, influenciando os pesos dos órgãos, com exceção do peso do pâncreas. Quando a temperatura ambiente era de 23°C, o peso do pâncreas foi maior nos suínos alimentados com a ração com 12% de PB suplementada com aminoácidos em relação aos alimentados com ração com 12% de PB, porém em temperatura ambiente de 33°C os tratamentos não influenciaram o peso dos órgãos. O peso dos rins dos suínos alimentados com rações contendo16% de PB foi maior do que dos alimentados com 12% suplementada com aminoácidos e das com 12% sem suplementação. Os mesmos autores observaram que as carcaças dos animais alimentados com rações com 12% de PB continham menos água e proteína, porém mais gordura do que as dos animais alimentados com 16% de PB e dos alimentados com 12% de PB suplementada com aminoácidos sintéticos. No entanto, os suínos alimentados com rações com 12% de PB suplementadas com aminoácidos tiveram composição de carcaça similar aos alimentados com 16% de PB. Outro fator relevante quando se menciona a utilização de rações com redução dos níveis de proteína, está relacionado à redução do N excretado por 33 estes animais. Vários experimentos usando este conceito têm apresentado um aumento da retenção do N pelos animais. OLIVEIRA et al. (2005) em estudo para quantificar a influência do teor de proteína (10; 12; 14; 16% de PB) no balanço de nitrogênio e energia em suínos na fase de crescimento, observaram que a redução do teor de PB resultou em menor consumo e excreção de N, sendo que a quantidade de N das fezes decresceu linearmente com a redução do teor de PB da ração. Os autores também observaram que o N eliminado na urina diminui linearmente em razão da menor ingestão de nitrogênio. 34 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Local e época O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, situado em Campos dos Goytacazes (RJ), no período de fevereiro a abril de 2007, época de maiores temperaturas na região. 3.2 Animais e Instalações Foram utilizados 48 leitões mestiços, sendo 24 machos castrados e 24 fêmeas, em fase de crescimento, com peso médio inicial de 28,7±2,2kg. Os animais foram alojados em galpão de alvenaria, coberto com telha de fibrocimento em duas águas, sem forro, com piso de concreto compacto, dividido em baias iguais com área útil de 3,70 m2 cada baia, provido de bebedouro tipo chupeta e comedouro fixo, de concreto com três divisões. 3.3 Período Experimental Os animais foram distribuídos em delineamento experimental de blocos ao acaso, com quatro tratamentos e quatro repetições, sendo a unidade experimental composta por três animais, de ambos os sexos, na baia. A distribuição dos animais foi realizada de modo que todos os tratamentos tivessem o mesmo número de machos e fêmeas. Os animais permaneceram em experimento recebendo ração e água à vontade até atingirem o peso médio 35 final de 51,4±3,7kg. 3.4 Rações e Manejo Alimentar Os tratamentos foram compostos por quatro rações experimentais, onde: • TA: ração com 16,8% de PB e 159 meq/kg; • TB: ração com 16,8% de PB com correção do BE para 251 meq/kg ; • TC: ração com 13,8% de PB e 135 meq/kg; e • TD: ração com 13,8% de PB com correção de BE para 260 meq/kg. Para correção do balanço eletrolítico, as rações dos tratamentos B e D continham bicarbonato de sódio (NaHCO3) e cloreto de potássio (KCl), que foram adicionados em substituição ao inerte (areia lavada) da ração.Os valores de balanço eletrolítico das rações experimentais foram calculados, considerando o peso molecular de cada elemento químico, de acordo com a recomendação de PATIENCE (1990), por meio da fórmula: BE= (Na/23 + K/39 - Cl/35,5) X 1000 As rações experimentais foram formuladas segundo as recomendações de ROSTAGNO et al. (2005), preparadas à base de milho e farelo de soja, sendo formuladas para satisfazer as exigências nutricionais de suínos machos castrados de alto potencial genético com desempenho médio na fase de crescimento, com exceção da PB nos tratamentos C e D que foi reduzida em três pontos percentuais, suplementando-se com aminoácidos sintéticos para atender à relação dos aminoácidos na proporção recomendada por ROSTAGNO, et al. (2005). As rações experimentais são apresentadas na Tabela 1. 36 Tabela 1 - Composição das rações experimentais Ingredientes Milho Farelo de soja Fosfato Bicálcico Calcário Mistura mineral 2 Mistura vitamínica 3 Sal comum BHT Óleo de soja DL-Metionina L – lisina HCl L-Treonina L-Triptofano Areia lavada Bicarbonato de Sódio Cloreto de potássio Total Tratamentos A1 B1 C1 D1 70,250 23,780 1,260 0,637 0,250 0,260 0,408 0,010 1,490 0,038 0,208 0,035 1,374 - 70,250 23,780 1,260 0,637 0,250 0,260 0,408 0,010 1,490 0,038 0,208 0,035 0,089 0,785 0,500 78,000 14,780 1,315 0,652 0,250 0,260 0,410 0,010 1,600 0,119 0,482 0,166 0,036 1,920 - 78,000 14,780 1,315 0,652 0,250 0,260 0,410 0,010 1,600 0,119 0,482 0,166 0,036 0,212 1,100 0,600 100 100 100 100 88,11 16,8 3.954 3.230 159 0,895 0,537 0,582 0,171 0,290 0,182 0,631 0,632 0,557 88,40 16,8 3.961 3.230 251 0,895 0,537 0,582 0,171 0,528 0,393 0,893 0,639 0,553 88,14 13,8 3.958 3.230 135 0,895 0,537 0,582 0,161 0,290 0,181 0,540 0,631 0,524 88,31 13,8 3.949 3.230 260 0,895 0,537 0,582 0,161 0,575 0,478 0,854 0,642 0,528 Composição Nutricional Matéria seca (%)4 Proteína bruta (%)1 EB (kcal/kg)4 EM (kcal/kg)1 BE mEq/kg 5 Lisina dig. (%)1 Met+Cis dig (%)1 Treonina dig. (%)1 Triptofano dig. (%)1 Cloro (%)6 Sódio (%)6 Potássio (%)6 Cálcio (%)6 Fósforo total (%)6 1 Composição calculada segundo ROSTAGNO et al. (2005). 2 Conteúdo/kg : 100 g Fe; 10 g Cu; 1 g Co; 40 g Mn; 100 g Zn; 1,5 g I; 1.000 g excipiente q.s.p. 3 Conteúdo/kg : vit. A – 6.000.000 UI; D - 1.500.000 UI; E – 15.000 UI; B – 1,35; B – 4 g; B – 2 g; ácido pantotênico – 9,35 g; vit K – 1,5 g; ácido nicotínico - 20,0 g; vit. B – 20,0 g; ácido fólico – 0,6 g; biotina – 0,08 g; selênio – 0,3 g; excipiente q.s.p. – 1.000 g. 4 Análises realizadas no Laboratório de Nutrição Animal LZNA-CCTA-UENF 5 BE - Balanço eletrolítico da ração calculado conforme PATIENCE, (1990), BE = (Na/23 + K/39 – Cl/35,5)x 1000. 6 Análises realizadas no Laboratório de Nutrição de Plantas LNP-CCTA-UENF. 37 A adequação dos níveis de PB das rações foi obtida pela variação nos conteúdos de milho e farelo de soja. Os conteúdos de eletrólitos (Na, K e Cl), e o BE de alguns dos ingredientes usados nas rações experimentais estão apresentados na Tabela 2. Tabela 2 – Conteúdo de eletrólitos e Balanço Eletrolítico (BE) de alguns ingredientes Eletrólitos (%) Ingredientes Na K Cl BE1 (mEq/kg) 0,02 0,28 0,05 67 0,02 1,83 0,05 464 Sal comum 2 39,7 - 59,6 41 L – lisina HCl 3 0,02 0,3 19,45 -539 Bicarbonato de Sódio 2 27,0 - - 1174 - 52,4 47,5 1,98 Milho 2 Farelo de soja 2 Cloreto de potássio 2 1 BE - Balanço eletrolítico da ração calculado conforme PATIENCE, (1990), BE = (Na/23 + K/39 – Cl/35,5) x 1000. 2 Composição segundo ROSTAGNO et al. (2005). 3 Composição segundo Ajinomoto® 3.5 Condições Ambientais As condições ambientais do galpão foram monitoradas duas vezes ao dia em horários predeterminados (7:30h e 15:30h), com auxílio de termohigrômetro digital, termômetro de máxima e mínima, termômetro de globo negro e anemômetro digital, mantidos em uma baia vazia no centro do galpão à meia altura do corpo dos animais. As leituras dos equipamentos foram utilizadas para o cálculo do índice de temperatura de globo e umidade (ITGU), segundo BUFFINGTON et al. (1981), para caracterizar o ambiente térmico no qual os animais foram 38 mantidos. 3.6 Parâmetros de Desempenho Durante todo o período experimental foram realizadas pesagens semanais, do resíduo, das sobras de ração e dos animais, para avaliação do desempenho zootécnico. As variáveis de desempenho avaliadas foram: consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso final (PF), consumo de nitrogênio (CN), consumo de lisina (CL), eficiência de utilização do nitrogênio para ganho (EUNG) e conversão alimentar (CA). 3.7 Parâmetros Fisiológicos Para a avaliação dos parâmetros fisiológicos, durante o período experimental, semanalmente a temperatura retal (TR) dos animais foi obtida pela manhã (10:30h), por meio de um termômetro clínico que era introduzido no reto de cada animal durante um minuto, juntamente era feita a freqüência respiratória (FR), obtida pela contagem dos movimentos dos flancos de cada animal durante 15 segundos e este resultado foi multiplicado por 4 para a obtenção dos dados em minutos. 3.8 Coleta de Sangue Ao final do período experimental foi realizada a coleta de sangue dos animais através de punção na veia braquial, para determinação das concentrações de cloreto, sódio, potássio e uréia. As coletas eram realizadas 39 duas horas após o fornecimento da ração, pela manhã (08:00h). Os animais recebiam ração por 30 minutos, após esse período a mesma era retirada dos comedouros, esse procedimento foi realizado seguindo metodologia de DERSJANTI-LI et al. (2001), segundo os autores para garantir que a maior parte dos nutrientes teriam sido absorvidos em nível de intestino delgado. As amostras de armazenadas sangue em tubos coletadas foram vacuntainer com devidamente substância identificadas e aceleradora de coagulação, deixando descansar por 10 minutos, posteriormente eram centrifugados a 3.200 rpm por cinco minutos para a obtenção do soro sanguíneo e estocados a -20ºC. As leituras das concentrações dos eletrólitos e uréia foram realizadas até 48 horas após a obtenção do soro sanguíneo. 3.9 Análises Laboratoriais 3.9.1 Rações As análises de matéria seca (MS) e PB das rações experimentais foram realizadas de acordo com a metodologia descrita por SILVA e QUEIROZ (2002). A EB foi mensurada por meio de bomba calorimétrica. As análises dos minerais: P, Ca, Cl, Na e K foram realizadas de acordo com as técnicas propostas pela A.O.A.C. (1990), no Setor de Nutrição de plantas do Laboratório de Fitotecnia (LFIT) da UENF. 3.9.2 Soro sanguíneo Para obtenção das concentrações séricas fez-se a utilização de “kits” comerciais (Labtest®) para Cl, para uréia (Katal®) e para Na e K (Laborclin®), 40 de acordo com a metodologia proposta pelo laboratório fabricante. As medições de K e Na foram realizadas em fotômetro de chama – BFC 150 da marca Benfer, e as de Cl e uréia no espectofotômetro UV – visível da marca Microlab® 200. 3.10 Análises Estatísticas Para a análise das variáveis de desempenho, o modelo estatístico utilizado foi: Y ij = μ + Ti + Bj+ eij; Y ij = medidas de desempenho referentes ao tratamento i no bloco j; μ = média geral das características; T i = efeito dos tratamentos; i = (1,2,3 e 4) B j = Efeito dos blocos; j = (1,2,3 e 4) eij = erro aleatório, associado a cada observação ij. Os efeitos de Balaço eletrolítico e de proteína bruta sobre as variáveis foram verificados por meio da decomposição dos graus de liberdade e da soma de quadrados de tratamento em contrastes ortagonais, em 5% de probabilidade. Os contrastes ortogonais utilizados estão apresentados na Tabela 3. Todas as análises estatísticas foram efetuadas utilizando-se a versão 9.0 do sistema para análises estatísticas (SAEG) (UFV, 2005). 41 Tabela 3 - Descrição dos contrastes ortogonais empregados na decomposição da soma dos quadrados dos tratamentos Finalidade Contrastes Tratamentos C1 16,8% PB 159 meq/kg +1 16,8% 251 meq/kg +1 13,8% PB 135 meq/kg -1 13,8% 260 meq/kg -1 C2 +1 -1 0 0 C3 0 0 +1 -1 1 – no nível de 16,8% de PB; 2 – no nível de 13,8% de PB. Efeito da PB Efeito dos eletrólitos1 Efeito dos eletrólitos2 42 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Condições Ambientais Durante o período experimental a temperatura média manteve-se em 31,1±6,8°C, com umidade relativa de 68,7±12,5%, velocidade do vento de 0,36±0,3 m/s e temperatura de globo negro de 30,5±4,4°C. Foi calculado o índice de temperatura de globo e umidade (ITGU) em 79,6±4,6. A temperatura média de 31,1°C pode ser caracterizada como estresse por calor para suínos na fase de crescimento (30 a 50kg). Este valor está acima da temperatura máxima de 27°C recomendada para a categoria animal (NÄAS et al., 1995). O valor de ITGU obtido (79,6) caracterizou ambiente de calor para os suínos utilizados neste estudo. Conforme relatos de FERREIRA (2005), valores de ITGU próximos a 80 caracterizam estresse por calor para suínos em crescimento. Condições ambientais semelhantes foram observadas por TAVARES et al. (1999 e 2000), ORLANDO et al. (2001; 2007), e FERREIRA et al. (2007), com valores de ITGU de 82,9 e 83,0; 81,1 e 79,7; e 82,8 respectivamente, para condições ambientais de estresse por calor para os suínos. 4.2 Parâmetros de Desempenho Os resultados de consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso final (PF), consumo de N (CN), consumo de lisina (CL), conversão alimentar (CA), de eficiência de utilização do nitrogênio para ganho (EUNG) e de relação lisina:proteína bruta são demonstrados na Tabela 4. 43 Tabela 4 - Consumo de ração (CR), ganho de peso (GP), peso final (PF), consumo de N (CN), consumo de lisina (CL), conversão alimentar (CA), eficiência de utilização do nitrogênio para ganho (EUNG) e relação Lisina:PB de suínos dos 30 aos 50 kg, alimentados com rações experimentais Tratamentos Variáveis A B C D CV (%) CR (g/dia) 1,86 1,83 1,89 1,85 5,07 GP (g/dia) 0,826 0,797 0,797 0,789 6,72 PF (kg) 51,56 51,52 51,03 50,71 3,08 CN(g/dia) 1* 49,83 49,36 41,82 41,04 4,71 CL (g/dia) 16,65 16,42 16,93 16,62 5,07 EUNG (gGP/gN)1* 16,6 16,15 19,05 19,21 4,55 CA 2,26 2,2 2,3 2,28 6,66 Lisina:PB 6,05 6,05 7,36 7,36 - 1 ( P>0,05) Médias diferem entre si, em contrastes ortogonais * Significativo 5% pelo teste F para C1= TA+TB-TC-TD Os tratamentos utilizados influenciaram (P<0,05) apenas o consumo de nitrogênio e a EUNG, não afetando (P>0,05) as demais variáveis de desempenho avaliadas. Conforme OLIVEIRA et al. (2005), rações contendo 10; 12; 14 e 16% de PB, com exceção do tratamento com 10% de PB, não influenciaram o desempenho dos suínos, quando suplementadas com aminoácidos essenciais. Outro estudo realizado por OLIVEIRA et al. (2006) confirmou os relatos de que rações com 16, 14 e 12% de PB suplementadas com aminoácidos sintéticos não diferiram nos resultados de desempenho apresentado pelos animais, quando comparadas entre si, porém foram superiores quando comparadas com rações contendo 10% de PB e 10% de PB suplementadas com mistura de nitrogênio e de aminoácidos não essenciais. Os resultados obtidos são semelhantes aos apresentados por FERREIRA et al. (2007) estudando suínos em crescimento, onde observaram que o desempenho dos animais alimentados com rações contendo 15 e 13% de PB, devidamente suplementadas com aminoácidos, não diferiu daqueles alimentados com 17 e 16% de PB. O consumo de nitrogênio (CN) diminuiu (P<0,05) com a redução do nível 44 de PB dos tratamentos, sendo que os animais alimentados com as rações experimentais A e B (16,8% PB) apresentaram maior CN em comparação aos alimentados com as demais rações (13,8% PB). No entanto, a eficiência de utilização de nitrogênio para ganho foi influenciada (P<0,05), apresentando relação inversa com o teor de PB. Os suínos alimentados com as rações com 13,8% de PB (tratamentos C e D) apresentaram EUNG superior à daqueles alimentados com as rações com 16,8% de PB (tratamentos A e B). Resultados semelhantes foram obtidos por OLIVEIRA et al. (2005) e FERREIRA et al. (2007), sendo que ambos observaram aumento do consumo de N em rações com maiores níveis de PB, e melhor utilização de nitrogênio para ganho nas rações com menores níveis de PB. Analisando os resultados de desempenho em relação ao BE das rações, os valores obtidos estão de acordo com aqueles apresentados por BUDDE e CRENSCHAW, (2003), que estudando BE da ração de -35 a 212 mEq/kg, não observaram efeito sobre o desempenho de suínos em crescimento. Em estudo conduzido por PATIENCE e CHAPLIN (1997), os autores não encontraram diferenças significativas de CA quando suínos em crescimento foram alimentados com três rações (controle: BE de 163 mEq/kg; ração acidogênica: BE de -20 mEq/kg; e ração acidogênica compensada: BE de 104 mEq/kg), porém, foi observada maior velocidade de crescimento nos animais alimentados com a ração acidogênica comparado às demais. Por outro lado, HAYDON et al., (1990) verificaram que o aumento do BE de 25 até 400 mEq/kg em rações para suínos em crescimento (21 a 50 kg) promoveu melhora linear no ganho de peso e consumo de ração dos animais. Os mesmos autores observaram que o consumo de alimento tendeu ao decréscimo nos níveis de 325 e 400 mEq/kg comparado com o de 250 mEq/kg de BE da ração. LIZARDO et al. (2007) observaram que os suínos alimentados com ração contendo BE de 300 mEq/kg, apresentaram crescimento 7,5% maior do que os alimentados com rações contendo BE de 100 mEq/kg. O maior crescimento foi atribuído à adição de bicarbonato de sódio, que reduziu a concentração excessiva de cloretos. Melhora nos resultados de CA foram apresentadas por HAYDON e WEST (1990), ao serem utilizadas rações com maiores concentrações de eletrólitos. Estes resultados podem estar relacionados ao melhor 45 aproveitamento dos nutrientes da ração no intestino delgado, haja vista que o aumento do BE da ração de -50 para 100, de 100 para 250 e de 250 para 400 mEq/kg melhorou a digestibilidade do nitrogênio, energia e aminoácidos em média em 4,5; 1,8 e 2,1 %, respectivamente. LIZARDO (2006) relatou que poderiam ocorrer mudanças na ingestão voluntária de alimento em resposta às variações do BE, o que caracterizaria a existência de um mecanismo de regulação que permitiria limitar os efeitos de uma ração muito ácida ou muito básica. YEN et al. (1981) observaram que a incorporação de 4% de cloreto de cálcio na ração provocou forte redução do consumo e velocidade de crescimento, enquanto que a adição de 2% de bicarbonato de sódio permitiu normalizar o consumo. Diante do exposto, pode-se inferir que as diferenças nos resultados das diversas pesquisas podem estar relacionadas aos tipos de sais utilizados para suplementar e, ou, corrigir o balanço eletrolítico das rações. A magnitude de redução dos teores de proteína bruta adotada neste estudo pode ter sido insuficiente para demonstrar efeitos de correção do balanço eletrolítico nas rações corrigidas, uma vez que no tratamento com menor nível de PB sem suplementação de eletrólitos, os teores destes atenderam às recomendações das Tabelas Brasileiras para aves e suínos, e os valores de BE estão inseridos dos níveis recomendados e considerados suficientes para não prejudicar o desempenho dos animais. 4.3 Parâmetros Sanguíneos Houve efeito significativo (P<0,05) da redução da proteína bruta sobre as concentrações de uréia do sangue (Tabela 5). Os animais alimentados com rações contendo rações com 16,8% de PB (A e B) apresentaram maiores concentrações séricas de uréia que os animais alimentados com rações contendo 13,8% de PB (C e D). Diante da redução dos teores de uréia no soro observada nas rações com 13,8% de PB (tratamentos C e D), pode-se afirmar que a suplementação 46 de aminoácidos realizada permitiu melhor balanço protéico, caracterizado pela menor formação de uréia via catabolismo de aminoácidos, este fato decorreu da melhor adequação das fórmulas, que se basearam no conceito de proteína ideal, seguindo as proporções aminoacídicas indicadas nas Tabelas Brasileiras (ROSTAGNO et al., 2005). Conforme revisado por TAVARES e FERREIRA, 2005, quando proteína ou aminoácidos é metabolizado, o principal produto final nitrogenado é a amônia que reage praticamente na sua totalidade com o ácido carbônico, liberando íons amônio e bicarbonato, sendo a maior parte destes íons utilizada para a produção hepática de uréia. KERR et al. (2003) encontraram maiores concentrações de uréia no soro de suínos em crescimento alimentados com rações contendo 16 ou 12 % de PB, quando comparadas às concentrações dos animais que consumiram rações com 12% de PB suplementada com aminoácidos sintéticos. Tabela 5 - Médias de uréia, sódio, cloro e potássio, em mg dL-1, no sangue de suínos na fase de crescimento, e significância dos contrastes ortogonais Tratamento Uréia Sódio Cloro Potássio A (16,8% PB e 159 meq/kg) 28,75 144,50 96,00 6,20 B (16,8% PB e 251 meq/kg) 27,25 143,00 95,00 6,00 C (13,8% PB e 135 meq/kg) 15,88 145,25 96,00 6,78 D (13,8% PB e 260 meq/kg) 14,50 142,50 93,75 5,63 CV(%) 10,12 1,54 3,88 7,72 QMResíduo 4,78 4,90 13,67 0,23 Contraste Significância * NS NS NS TA –TB NS NS NS NS TC – TD NS NS NS * TA+TB-TC-TD *Contraste significativo pelo teste F em 5% de probabilidade; NS- Contraste não-significativo pelo teste F em 5% de probabilidade A correção do BE das rações com 13,8% de PB (C e D) promoveu redução (P>0,05) nos teores de potássio no soro dos suínos (Tabela 5). Sendo 47 a borda luminal das células principais renais muito mais permeáveis ao potássio que aos outros íons, e sua excreção só ocorre quando a concentração atinge determinado nível crítico (GUYTON, 1988), é provável que a maior ingestão de potássio observada pelos suínos que consumiram a ração com BE corrigido (D) tenha atingido este limiar de excreção, possivelmente, em razão dos animais tentarem manter constante seu BE sanguíneo. Resultados semelhantes foram observados por DERSJANT-LI et al. (2002), BUDDE e CRENSCHAW (2003), e DEROUCHEY et al. (2003). Porém os resultados diferiram dos encontrados por PATIENCE e CHAPLIN,(1997), que não obtiveram diferenças entre os níveis de K no soro dos animais dos diferentes tratamentos analisados. Ainda segundo DEROUCHEY et al. (2003), existe uma relação negativa entre o pH do sangue e as concentrações de potássio, sendo que esta reflete o movimento do potássio e dos íons H+ dentro e fora das células em resposta às mudanças nos eletroneutralidade valores de pH do sangue. E que além disso, a do fluído extracelular deve ser mantida constante no organismo, assim, a redução de cátions, no caso o K, pode causar uma compensação através da redução dos níveis de Cl. Este fato pode ser usado para ajudar a explicar o motivo da redução das concentrações de K e Cl sanguíneos quando o BE é aumentado na ração. A correção do BE não influenciou (P>0,05) as concentrações séricas de sódio e cloro (Tabela 5). Apesar de os animais que receberam as rações B e D terem consumido diariamente quantidades destes elementos que suplantaram, em média, respectivamente, em 2,3 e 1,8 vezes os demais, eles foram eficientes em manter sua homeostase sanguínea. Por outro lado, as diferenças observadas entre os valores calculados de BE nas rações podem ter sido insuficientes para provocar reações fisiológicas adversas nos suínos (Tabela 1). Com relação à concentração de sódio sanguíneo, os resultados estão em concordância com os encontrados por PATIENCE e CHAPLIN (1997); DERSJANT-LI et al. (2001); e DEROUCHEY et al. (2003), que não encontraram variação nos níveis deste mineral com a variação do BE da ração. Porém diferiu dos resultados encontrados por BUDDE e CRENSCHAW (2003), que observaram um aumento do Na no soro dos animais do tratamento com 48 112 mEq/kg (controle), quando comparados aos tratamentos com -7 e 193 mEq/kg (acidogênica e alcalinogênica, respectivamente), sendo que os dois últimos não diferiram entre si. Os resultados de Cl encontrados neste trabalho estão em discordância com os resultados encontrados na literatura, onde segundo DERSJANT-LI et al. (2001) e BUDDE e CRENSCHAW (2003), o aumento dos níveis dietéticos de BE da ração causará uma redução dos níveis deste no plasma e soro sanguíneo, respectivamente. Segundo estes autores, a concentração deste íon apresenta relação direta com seus teores na ração. Além disso, a maior concentração de Cl no soro está associada à menor concentração de HCO3 no soro ou vice e versa. O aumento do BE da ração pode aumentar as concentrações de HCO3 no sangue (PATIENCE e CHAPLIN,1997). A diferença nos resultados pode ser explicada por este fato visto que nos trabalhos citados os menores BE eram de -100 e -7 mEq/kg, respectivamente, enquanto neste trabalho o menor BE foi de 122 mEq/kg, ou que não ocorre um excesso de Cl na ração oferecida aos animais. 4.4 Parâmetros Fisiológicos Os resultados referentes às respostas fisiológicas de FR e TR apresentadas pelos animais estão demonstrados na Tabela 6. Não foi observado efeito de tratamento (P>0,05) sobre a FR e TR dos suínos em crescimento. Os resultados indicam que estes mecanismos de controle homeotérmico foram eficientes nestes animais. O alto coeficiente de variação (CV), da FR pode estar relacionado à grande amplitude térmica registrada na região no período experimental, que atrelada à alta umidade relativa (UR) do ar registrada (68,7%,) tende a prejudicar a dissipação evaporativa de calor. Conforme revisado por TAVARES e FERREIRA (2005), em suínos, o principal mecanismo de resfriamento evaporativo se dá através do trato 49 respiratório, em condições de alta temperatura ambiente, a primeira resposta respiratória do animal é o progressivo aumento da freqüência respiratória e um decréscimo na profundidade respiratória. Os mesmo autores apresentam alguns resultados experimentais com animais mantidos a 21°C, cuja freqüência respiratória era 43 movimentos por minuto (mov/min), enquanto que a 32°C passou a 75 mov./min. FERREIRA (2005), citou que a FR de suínos, poderá passar de 44 mov/min aos 21° C, para 82 mov/min aos 32°C. Os resultados obtidos estão inseridos na faixa de conforto térmico apresentada em TAVARES et al. (1999 e 2000), que verificaram 39 e 44 mov/min, respectivamente, para animais mantidos a 21 e a 32°C. Também estão de acordo com os resultados apresentados por ORLANDO (2001), de 40 mov./min. para animais mantidos a 21°C. Tabela 6 – Freqüência respiratória (FR) (mov/minuto) e temperatura retal (TR) (°C) de leitões dos 30 aos 50 kg alimentados com rações contendo diferentes teores de proteína e balanço eletrolítico. Variáveis Tratamentos A B C D CV (%) FR 43,00±5,23 45,25±3,30 49,19±5,29 46,25±5,25 9,20 TR 39,25±0,17 39,30±0,08 39,35±0,15 39,28±0,19 0,29 Com relação a TR dos animais, a diferença de 0,1°C observada nos valores médios absolutos estão na amplitude considerada biologicamente normal para os suínos nesta categoria. Os resultados encontrados neste estudo estão de acordo com os encontrados por ORLANDO (2001) e TAVARES et al. (1999), ambos de 39,4°C, e inferiores aos encontrados por TAVARES et al. (2000) que foi de 39,6°C. 50 5. CONCLUSÕES A correção do balanço eletrolítico em rações (250 meq/kg) com teor de proteína bruta reduzido em três pontos percentuais, suplementadas com aminoácidos, não influenciou negativamente o desempenho de suínos em crescimento (30-50 kg). Os animais foram eficientes em realizar sua homeostase sanguínea em relação às concentrações de sódio e de cloreto, mas não para o potássio. A redução do teor de PB da ração melhorou a eficiência de utilização de nitrogênio para ganho de peso dos animais. 51 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AJINOMOTO ANIMAL NUTRITION.Ficha Técnica L-Lisina HCl 99%. Disponível em: www.lisina.com.br/lisina_cristal.aspx. Acesso em: 23 de setembro de 2007. ALBERTS, B.; BRAY, D.; LEWIS, J.; RAFF, MARTIN, et al. Biologia Molecular da célula. 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