UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO
DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR
MARIA DE LOURDES LABUTO
UNIVERSIDADE SEMI-PRESENCIAL
PARA PESSOAS DE TERCEIRA IDADE
ORIENTADOR
PROFESSOR VILSON SÉRGIO DE CARVALHO
UCAM / AG.VITÓRIA
2005
9
MARIA DE LOURDES LABUTO
UNIVERSIDADE SEMI-PRESENCIAL
PARA PESSOAS DE TERCEIRA IDADE
Trabalho de conclusão da Pós-Graduação
em Docência do Ensino Superior, realizado
sob a orientação do Professor Vilson
Sérgio de Carvalho e apresentado à
Universidade Candido Mendes, como
requisito para obtenção do título de PósGraduada em Docência do Ensino
Superior,
VITÓRIA - ES
2005
10
RESUMO
Analisou-se a possibilidade de uma Universidade para pessoas de terceira
idade em regime semi-presencial, sem exigências de vestibular e com livre
escolha curricular, tendo por base o Capítulo V da Lei N.º 10.741, de
01/10/2003, do Art.20 ao Art.25, do Estatuto do Idoso. A Pesquisa foi realizada
com cinco indivíduos, com idade entre 45 e 53 anos, sem distinção de sexo,
raça, religião ou etnia, tendo como características comuns, residirem no Bairro
de Andorinhas e ter escolaridade correspondente ao 2º Grau. Para coleta dos
dados foram utilizadas entrevistas com roteiro semi-estruturado com 10
perguntas fechadas e 15 abertas e que deram suporte para a análise de
conteúdo, partindo de temas que enfocavam a problemática, agrupados em
categorias. Considerou-se modificações subjetivas e objetivas na Universidade
para os indivíduos de terceira idade, que não tem, por condições várias,
analisadas nessa pesquisa, de assumir uma assiduidade às aulas; e, ainda,
que o Poder Público apoia legalmente tal direcionamento em relação à
educação do idoso, a existência de uma Universidade Semi-presencial para
essas pessoas talvez fosse o móbile que impulsionaria o progresso
sociocultural em sua totalidade, abrindo campo para novas pesquisas que
possam gerar projetos que viabilizem, de fato, melhor qualidade de vida para
os indivíduos de terceira idade.
11
SUMÁRIO
Resumo...................................................................................... .....................03
Sumário .......................................................................................................... 04
Introdução..................................................................................................... ..05
Capítulo I :
Caracterização
do
Bairro
Pesquisado..........................................................................08
Capítulo II:
O Enfrentamento de Barreiras Sócio-Econômicas que Dificultam a Conclusão
do Estudo Superior para a Pessoa de Terceira Idade ...................................12
2.1 Experiências na Modalidade de Ensino Semi-Presencial para Indivíduos
de Terceira Idade......................................................................................15
Capítulo III:
Apoio do Grupo de Pertença .........................................................................18
Capítulo IV:
Procedimentos ...............................................................................................23
Capítulo V:
Análise dos Dados e Resultados Encontrados...............................................27
5.1 Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho Para Pessoas de 3ª
Idade..........................................................................................................30
5.2 Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-Estima no Indivíduo de
3ª Idade ....................................................................................................35
5.3 A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades ............39
Conclusão......................................................................................................40
Anexos..................................................................................................... .....43
Agradecimentos Pessoais.............................................................................44
Agradecimentos Gerais ..................................................... ..........................45
Referências Bibliográficas ............................................................................46
12
INTRODUÇÃO
“Tudo se encontra no estado mental, porque muitas corridas têm-se perdido,
antes sequer de haver ocorrido; E muitos covardes têm fracassado, antes de
ter seu trabalho começado. Pensa grande e teus feitos crescerão; pensa
pequeno e ficarás atrás; pensa que podes e poderás; Tudo está no estado
mental”
(Claude Bernard)
Esta pesquisa tem como objetivo identificar a viabilidade de uma Universidade
Semi-presencial para indivíduos de terceira idade.
Conforme ÂNGULO (1979), para a Organização Mundial de Saúde, o limite
inicial da velhice, é a idade de 65 anos. Tal valor cronológico é, também, um
referencial em documentos estatísticos da Geriatria. No entanto, na atualidade,
é bastante discutível essa correspondência cronológica quando a mesma é
relacionada com a idade fisiológica real de grande número de indivíduos.
Segundo AIDA (1983), “existem algumas controvérsias no enquadramento de
uma pessoa na categoria de velho ou não. Algumas pessoas, aos 60 anos, já
se sentem muito mais velhas que as outras com 70 e 80 anos”. (p. 7)
Ainda, de acordo com AIDA (1983), é bastante relativo considerar, no Mundo
Moderno, que alguns indivíduos com 50, 60 ou 70 anos sejam velhos.
Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), o indivíduo dos 45 aos 59 anos
é uma pessoa de idade média ou mediana; dos 60 aos 74 anos, o indivíduo é
um idoso; dos 75 aos 90 anos, a pessoa é considerada um ancião; e, a partir
dos 90 anos, o indivíduo é considerado uma pessoa de velhice extrema.
Não existe uma literatura que estabeleça, de fato, a idade inicial para o
indivíduo ser uma pessoa de terceira idade.
Para DEBERT (1998), e de acordo com citação feita por LABUTO (2000), “a
velhice não é um período naturalmente determinado na existência de um
indivíduo, mas sim uma categoria produzida pela sociedade e que varia de
acordo com os diferentes contextos histórico-culturais”(p.7, p.39).
13
Segundo Labuto (2000), o Jornal A Folha de São Paulo, em um artigo sobre
terceira idade, menciona que a expressão “terceira idade”, teve sua origem na
França, em 1970, com o advento das Universités de Troisième Age
(Universidades da Terceira Idade).
A aplicabilidade da expressão “terceira idade” não tem conotação depreciativa
do indivíduo. Mas, sim, como um tratamento não depreciativo, caracterizador
de indivíduos com idade cronologicamente mais avançada,
Ainda segundo DEBERT (1998), “em todas as sociedades é possível observar
a presença de ‘grades de idades’ – e cada cultura tende a elaborar ‘grades
específicas.” (p.7)
Ou seja, os indivíduos tendem a criar produtos sociais determinadores de
parâmetros que englobem etapas de vida, tais como, infância, adolescência,
juventude, terceira idade etc.
Tomando por base todos esses dados sobre o indivíduo considerado de
terceira idade e, também, devido à dificuldade de existir pessoas adultas que
tivessem cursado o Segundo Grau, estabelecemos, como critério dessa
pesquisa, a idade de 45 anos para os indivíduos de terceira idade.
E, por termos conhecimento que um grande número de pessoas de terceira
idade não concluiu o Curso Superior, fato muitas vezes provocador de baixa
estima e elemento que dificulta o tão desejado acesso ao mercado de trabalho
pelo indivíduo ao atingir o ápice de sua vida, considerou-se a possibilidade de
superação desses obstáculos, através de cursos que atendessem à ânsia do
saber cultural desses indivíduos, em uma Universidade Semi-presencial, e em
cumprimento da Lei N.º 10.741, de 1º de Outubro de 2003, que regulamenta o
Estatuto do Idoso e que em seu Capítulo V, que trata da Educação, Cultura,
Esporte e Lazer, em seu Art.21, assegura que
“O Poder Público criará oportunidade de acesso do idoso à educação,
adequando currículos, metodologias e material didático aos programas
educacionais a ele destinados”.
Poder-se-ia perguntar a esses indivíduos se gostariam de cursar uma
Universidade e quais disciplinas seriam interessantes para que tivessem um
aprendizado de nível superior. Ou que cargas horárias de seu ocioso tempo
14
poderiam ser direcionadas para o seu aprimoramento cultural. Ou então, quais
benefícios poderiam advir para eles, se trocassem os seus certificados de nível
de escolaridade de segundo grau por certificados de escolaridade de nível
superior.
Sabemos o quanto o indivíduo de terceira idade é discriminado no âmbito
social e no mercado de trabalho. Ao diplomar-se em um curso superior, o que
isso significaria em seu “devir”.
Considerando que pudesse vir a ocorrer modificações subjetivas e objetivas
nesses indivíduos, e que tais modificações trouxessem uma melhoria na sua
qualidade de vida; e que o indivíduo de terceira idade não tem, muitas vezes,
condições várias, analisadas no decorrer dessa pesquisa, de assumir uma
assiduidade às aulas; e, ainda, que o Poder Público apoia legalmente tal
direcionamento em relação à educação do indivíduo de terceira idade, a
existência de uma Universidade Semi-presencial para essas pessoas talvez
fosse o móbile que impulsionaria, mais ainda, o progresso cultural e social em
sua totalidade.
Após aplicarmos o Pré-teste em um indivíduo de terceira idade, entrevistarmos
outros cinco indivíduos, também de terceira idade, residentes no Bairro
Andorinhas. O Bairro Andorinhas foi escolhido para essa pesquisa, por ser o
bairro da Cidade de Vitória, Espírito Santo, onde se situa a Faculdade Cândido
Mendes, onde é parceira no Movimento Comunitário. Aplicamos o Roteiro
Semi-Estruturado de Entrevista, e, através de estudo bibliográfico específico,
construímos o Capítulo VII que trata da Apresentação e Análise dos Dados e
os seus Sub-itens “Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para
Pessoas de 3ª Idade”, “Conseqüências Decorrentes da Presença de Autoestima no Indivíduo de 3ª Idade” e “A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil
Acesso a Universidades”, o que nos deu embasamento para as Considerações
Finais da Pesquisa.
15
CAPÍTULO I
CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO PESQUISADO
“Quando se sonha sozinho é um sonho,
Quando sonhamos juntos começamos uma nova realidade”
Dom Helder Câmara
CAPÍTULO I
16
CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO PESQUISADO – BAIRRO ANDORINHAS
1.1 Localização
O Bairro Andorinhas pertence ao Município de Vitória, Espírito Santo e possui
uma área de, aproximadamente, 138.300m² e está localizado na Região II da
grande Maruípe, à nordeste da ilha de Vitória, às margens do mangue do Canal
de Camburi, próximo à Ponte da Passagem.
1.2 População
A população do Bairro Andorinhas é de, aproximadamente, 2.118 habitantes.
E, com relação à organização da população, o bairro possui Movimento
Comunitário, Associação de Moradores e Grupo de 3ª Idade.
Além disso, há no âmbito religioso, diversas igrejas e congregações religiosas.
1.3 Características Gerais
Com relação às características sócio-econômicas, as principais atividades
desenvolvidas pela comunidade são autônomas, que vão desde o comércio até
às de mão-de-obra (pedreiros, empregados domésticos e lavadeiras), além de
funcionários públicos e militares.
No entanto, a escolaridade predominante na população ainda é o primeiro
grau. Daí a importância do estímulo do Movimento Comunitário através de
cursos de alfabetização de adultos da 1ª à 4ª série, de Ensino Médio e de
Cursos de Capacitação Profissional. Além disso, o Movimento Comunitário
procura incentivar cursos de nível superior, através da realização de convênios
com algumas Faculdades, dentre elas, a Faculdade Cândido Mendes.
O bairro possui, também, uma creche, uma pré-escola e uma escola de 1º
Grau, que atendem, satisfatoriamente, as necessidades da população.
Com relação à saúde, a Unidade de Saúde (US) Andorinhas oferece os
serviços básicos à população. É na US Andorinhas que a maioria das pessoas
do sexo feminino recebem atendimento pré-natal e as crianças são agendadas
para
acompanhamento.
Os
Agentes
desempenham um
17
de
Saúde
da
US
Andorinhas
atendimento fundamental na área da saúde da população, inclusive com
campanhas direcionadas para educação e prevenção em diversas doenças,
dentre elas, a Diabetes Mellitus, DSTs e a Dengue que tanto tem afligido a
população brasileira nos últimos tempos.
1.4 Histórico
O nome do bairro surgiu em função da existência de uma pedra onde,
freqüentemente, pousavam andorinhas.
O local onde, atualmente, se situa o Bairro Andorinhas, era mangue. Embora
sem nenhum planejamento, o mangue foi invadido pelos primeiros moradores
do bairro e, posteriormente, com o apoio municipal, foi urbanizado.
Na atualidade, com o Projeto Terra atuando nos limites da Poligonal 11, o
Bairro Andorinhas recebeu uma enorme melhoria em sua urbanização.
Tais melhorias vão desde a ciclovia e o calçadão, que unem a Av. Serafim
Derenze, no Bairro Joana D’ Arc, à Ponte da Passagem, no final do Bairro
Andorinhas, à notada melhoria na infra-estrutura do bairro.
O Projeto Terra trouxe para o Bairro Andorinhas a eliminação das palafitas
substituídas por casas de alvenaria no Bairro Joana D’Arc; a construção de
casas de alvenaria onde eram simples casas de madeira; a doação de Módulos
Sanitários a residências que não possuíam sanitários; as Melhorias
Habitacionais (telhados, rebocos externos e internos e pisos) em residências
de alvenaria; a construção de galerias de esgoto, de asfaltamento de ruas e de
becos e servidões; parques, praças, jardins, alambrados, quiosques etc; enfim,
um aparato sem igual, voltado para a melhoria da qualidade de vida da
população dos bairros da área denominada Poligonal 11 (Andorinhas, Joana D’
Arc e Santa Marta) e para o advento de um desenvolvimento sustentável, de
fato, não só para o Bairro Andorinhas e os demais bairros da Poligonal 11, mas
para o Planeta Terra, em sua totalidade.
Paralelamente a isso, o Bairro Andorinhas recebeu, através das ações
integradas da Prefeitura Municipal de Vitória, o apoio das Secretarias
Municipais de educação, saúde, cultura, esportes, ação social, habitação,
geração de rendas, turismo, segurança etc.
18
Dessa forma, o Bairro Andorinhas que teve seu princípio numa pedra “habitat”
de pássaros, torna-se um bairro cada vez mais bonito e valorizado. Um bairro
onde a sua população busca não só o crescimento cultural, o esportivo e o
religioso, mas, também, o aumento de condições que a coloque em posição de
destaque no competitivo mercado de trabalho.
19
CAPÍTULO II
O ENFRENTAMENTO DE BARREIRAS SÓCIO-ECONÔMICAS
QUE DIFICULTAM A CONCLUSÃO DO ESTUDO SUPERIOR
PARA A PESSOA DE TERCEIRA IDADE
“A batalha da vida, nem sempre a ganha o homem mais forte ou o mais
ligeiro;
Porque, cedo ou tarde, o homem que ganha é aquele que acredita poder
fazê-lo”
Claude Bernard
CAPÍTULO II
20
O
ENFRENTAMENTO
DE
BARREIRAS
SÓCIO-ECONÔMICAS
QUE
DIFICULTAM A CONCLUSÃO DO ESTUDO SUPERIOR PARA A PESSOA
DE TERCEIRA IDADE
Num sentido amplo, estamos chamando de barreiras sócio-econômicas todos
os obstáculos de ordem social e econômica, de caráter permanente ou
transitório, que dificultam ou impedem ao indivíduo concretize seus sonhos de
vida.
De acordo com FRANKEL e KOMBLT (1989), ao ser realizado estudos
enfocando o nível social do indivíduo, ficou constatado que, o que mais afeta a
sociedade em geral, tornando-a vulnerável até mesmo às enfermidades, são os
problemas de ordem sócio-econômicas, de habitação, de instrução, de
estabilidade no emprego, etc. (tradução nossa). E essas barreiras sócioeconômicas, segundo VIEIRA (1996), são criadas pelo ser humano e é ele
quem deve aboli-las. As barreiras de ordem social desestruturam o indivíduo
pelas suas próprias diferenças em relação à universalidade, afetando-o física,
psíquica e emocionalmente.
Para VIEIRA (1996),
“É muito comum o idoso sentir-se uma
‘pessoa marginal’ à sociedade que,
geralmente está voltada para interesses
diferentes do seu. A dificuldade de
inserção grupal leva o idoso a se fechar
em seus pares ou isolar-se socialmente
evitando os conflitos que possam surgir
desta diversidade de interesses e hábitos
entre ele e as gerações mais novas.” (p.
152)
Atualmente, esta visão da sociedade de estar excluindo o idoso, está se
modificando, talvez devido ao crescente aumento da população idosa no
mundo, e, também, pelo reconhecimento que os idosos tem adquirido na busca
dos seus direitos de cidadãos. No Brasil já existem grupos de idosos em várias
cidades. Os grupos do município de Vitória, no Espírito Santo, tem sido
destaque no Estado devido à repercussão que esse trabalho tem tido na vida
21
dos idosos, que, segundo afirma Vieira (1996), já estavam excluídos do
mercado de trabalho e consequentemente da sociedade. É muito comum em
nossa sociedade a não valorização do idoso, ao encerrar sua vida “produtiva”
no mercado de trabalho. Passa a ser visto de forma ignorada até mesmo pela
própria família, o que faz com que o idoso se sinta excluído por não exercer
mais a atividade que exercia, passando, quase sempre, a ter uma vida
sedentária, o que pode lhe causar, entre outros problemas, o estresse, devido
à falta de atividade, fazendo-se necessário que haja algum local que integre
este idoso sem nenhuma discriminação, onde ele possa se sentir importante.
Um dos lugares em que isso vem ocorrendo com freqüência, tem sido os
grupos de 3ª idade, onde os idosos se reúnem para troca de informações, além
de desenvolverem atividades culturais, artísticas e de lazer, possibilitando a
sua reinserção social de modo tão relevante que eles não mais se acostumam
à vida de isolamento, delegada aos mesmos, anteriormente.
A sociedade impõe ao indivíduo de terceira idade uma barreira preconceituosa
através da discriminação com a sua atividade no mundo do capital. O
progresso tecnológico traz no seu arcabouço a caixa de ferramentas da
Qualidade Total e a ênfase aos paradigmas do capital pós-modernidade,
através da exaltação de modelos intrínsecos à era da moderna automação e da
robótica. Numa conjuntura social assim, mal há lugar para o cidadão jovem. O
cidadão de terceira idade tem aí uma barreira que afeta tanto o psicossocial do
indivíduo, como também, o econômico.
E, para que esse cidadão tenha melhor qualidade de vida, tanto social como
economicamente falando, é fundamental que a sociedade perceba que o maior
problema não está na idade do indivíduo, pois envelhecer faz parte da
evolução natural do ser e ocorre com todos. O problema está verdadeiramente
na não compreensão social e legal de que ‘todos são iguais perante a lei’.
Apesar da Constituição Federal defender a garantia dos direitos de igualdade,
nem todos cidadãos recebem um tratamento igualitário em nossa sociedade,
talvez porque a mesma aprendeu a valorizar as pessoas mais pelo lado
material do que pelo lado humano, próprio de cada um.
14
A maioria das pessoas se aposenta após os 45 anos de idade. E sabemos o
quanto os aposentados estão sendo massacrados pelo sistema econômico dos
nossos governos. Um indivíduo de terceira idade e aposentado tem, realmente,
muita dificuldade para arcar com despesas de uma Faculdade particular. A
barreira econômica é, indubitavelmente, de grande negatividade financeira, o
que faz com que muitas pessoas que gostariam de concluir seus estudos, não
tenham disponibilidade econômica que viabilizem a realização de seus sonhos.
2.1 EXPERIÊNCIAS NA MODALIDADE DE ENSINO SEMI-PRESENCIAL
PARA INDIVÍDUOS DE TERCEIRA IDADE
Academia Cultural para a Terceira Idade - Oeiras – Portugal
Na cidade de Oeiras, Portugal, existe uma Faculdade para pessoas de terceira
idade, denominada Academia Cultural para a Terceira Idade.
Segundo Moura (2003), a Academia situada à Rua Mouzinho de Albuquerque,
acolhe centenas de pessoas de terceira idade, promovendo a troca de
conhecimentos.
Conforme Moura (2003), alguns dos objetivos da Academia Cultural da
Terceira Idade são atrasar o envelhecimento, através da promoção da cultura,
da alegria e do bem-estar dos seus sócios.
Essa faculdade já existe há 10 anos. Nela são administrados cursos diversos,
dentre eles: Pintura a Óleo, Atelier de Leitura, Informática, Biologia, Genética,
Italiano, Antigüidade Oriental.
Os horários de funcionamento são de acordo com a disponibilidade de tempo
dos alunos. Na sexta-feira, por exemplo, há menos atividades na Faculdade
para que as pessoas possam viajar nos finais de semana, pois muitos dos
alunos são avós.
Segundo Mesquita, Presidente da Faculdade, durante as férias escolares dos
netos, a Faculdade encerra seu expediente.
15
Mas isso não implica na existência da disciplina própria de qualquer
estabelecimento de nível superior. Há limite de faltas e se esse limite for
ultrapassado, o aluno deverá justificar, inclusive com atestado médico.
Essa tolerância se dá pelo fato de que a Faculdade é direcionada para pessoas
de terceira idade. Devido à idade, essas pessoas, às vezes não tem vontade
de sair de casa. Muitas pessoas de terceira idade, ao se aposentarem, perdem
a noção do tempo.
Além disso, na Academia Cultural para a Terceira Idade, não existe vestibular.
As únicas condições exigidas para ingresso nessa Faculdade, “são ter mais de
45 anos e querer saber mais”.
E comenta Mesquita,
“os nossos alunos são pessoas com
preocupações intelectuais. São pessoas
que não se coadunavam com o lar.
Existem outras pessoas, ou porque estão
muito cansadas, ou porque os seus
objetivos e competências são outras, que
se sentem felizes a cuidar dos netos, a
ver televisão, a ir ao cinema. Nós, não”.
(Mesquita, 2003, p. 61).
A Academia é subsidiada pela Câmara Municipal de Oeiras. E, além das aulas
teóricas, há aulas de ginástica e de dança de salão.
A Presidente da Academia, é professora há 36 anos, licenciada pela
Universidade de Coimbra. Com seus 65 anos de idade, Mesquita não pensa
em se aposentar. Para ela, a profissão de professora não deixa ninguém
envelhecer. E acrescenta: “Já contactei com tantas gerações e convivi com
tantas mentalidades que sinto realmente que não posso envelhecer”.
A Faculdade tem 420 alunos matriculados e quando é feito a rematricula o
aluno ficam muito ansiosos porque são eles que escolhem as disciplinas que
vão estudar.
E, ainda de acordo com Mesquita (2003), apesar da Academia Cultural para a
Terceira Idade oferecer uma enorme variedade e quantidade de aulas há
sempre algumas que são mais procuradas pelos alunos. Devido a isso, é
realizada uma seleção aonde os alunos mais antigos têm preferência para
estudarem as disciplinas mais procuradas.
16
Mas a Academia Cultural para a Terceira Idade, além de promover cursos de
teatro, realiza viagens culturais todos os anos com seus alunos á capitais da
Europa.
E, ao busca promover o intercâmbio com a comunidade de Oeiras, a Academia
Cultural para a Terceira Idade faz com que a camada jovem se interesse
socialmente pelos idosos.
17
CAPÍTULO III
APOIO DO GRUPO DE PERTENÇA
18
CAPÍTULO III
APOIO DO GRUPO DE PERTENÇA
De acordo com GOLDSTEIN (In NERI, 1995), as pessoas não mantêm padrões
de comportamento estático por toda a sua existência, mudando de
comportamento para fazer frente às demandas da vida que se alteram ao longo
do seu curso de vida.
Para TAJFEL (1982),
“A experiência social de um indivíduo
modificará suas atitudes, bem como, suas
atitudes modificarão suas percepções
sociais. Sendo assim, as atitudes podem
mudar ou serem mudadas de diferentes
maneiras, dependendo da informação e
experiência que uma pessoa adquire,
bem como da possibilidade de mudança
em seu grupo de pertença.
Vivemos em um meio social em
permanente mudança. Muito do que
acontece tem a ver com as atitudes dos
grupos a que pertencemos ou não, e a
mudança das relações entre grupos exige
reajustamentos permanentes da nossa
compreensão dos acontecimentos e
constantes atribuições causais sobre o
porque e o como das condições de
mudança da nossa vida”(Tajfel apud
Baiôco, 1995, p.9)
O Ser Humano por ser um Ser passível de mudança pode ser influenciado pela
sociedade a qual pertence, de forma a modificar suas atitudes, bem como
transformar o meio em que vive.
Para melhor analisar os nossos pesquisados, foram feitas as seguintes
perguntas a eles:
Para os Sr (a) estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª Idade?
E se esta pessoa participa de um Grupo de 3ª Idade, o que isso pode
representar para o grupo?
19
O que o (a) Sr. (a) acha de um curso universitário para pessoas de 3ª
Idade, sem exigência de vestibular, com aulas semi-presenciais (isto é, com
ida à faculdade apenas em alguns dias na semana), com disciplinas
escolhidas pelo (a) Sr. (a)?
Se houvesse um Curso Universitário da modalidade acima descrita, o (a)
Sr. (a) gostaria de continuar os estudos cursando uma Faculdade?
Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª idade que conclui seus estudos
universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso no mercado
de trabalho? Por que?
Para OLIVEIRA, ao analisar-se o indivíduo
“Sob o ponto de vista psicossocial,
podemos dizer que ao atribuir uma
identidade a um indivíduo, isto é, ao se
categorizar um indivíduo e lhe conferir
atributos de valor, a relação interpessoal
se estabelece com base em suposições a
respeito do indivíduo. Passa-se a tratá-lo
como se ele fosse aquilo que se supõe:
seus comportamentos passam a ser
decodificados como reafirmações de
suposta identidade que lhe foi, a priori,
atribuída. Por sua vez, o indivíduo passa
a se comportar de acordo com as
expectativas que os outros tem dele e
com suas próprias expectativas, as quais
são influenciadas pelas dos outros.”
(Oliveira, 1995: p.22)
O Ser Humano é um Ser social. Portanto, a sua vivência está ligada à
sociedade, onde encontra os seus pares. Sejam eles de um Grupo de 3ª Idade,
sejam de um grupo religioso ou do grupo familiar, sejam colegas de uma
Faculdade ou de trabalho. Enfim, o Ser Humano vive em uma variedade de
grupos, condizentes com as diferentes situações do seu “devir”,
De acordo com LANE (1981)
“A reflexão sobre a própria existência está
vinculada à existência do outro, uma vez
20
que, eu só sou na relação com o outro no mundo. O viver em grupos permite o
confronto entre as pessoas e cada um vai
construindo o seu ‘eu’ neste processo de
interação, através da constatação de
diferenças e semelhanças entre nós e os
outros”.(Lane apud Oliveira, 1995, p.22)
Na tentativa de reforçar a nossa auto-estima e a nossa auto-imagem,
buscamos o aperfeiçoamento cultural muitas vezes inspirados na valorização
dos aspectos positivos que visualizamos no outro.
Na atual conjuntura mundial, onde o capital reina absoluto e a mais-valia é
cada vez mais usurpada do indivíduo, o mesmo sente pesar sobre sua
identidade uma cobrança constante de produção da sua energia, quer física,
quer mental.
Para Salgado (1990), “A perda da juventude é um dos principais estigmas com
que se avalia a velhice. Na atualidade, é comum uma grande valorização da
juventude, sempre tomada como sinônimo de força, competência e
produtividade”.(p.158)
Isso nos faz pensar que ao atingir a terceira idade, o indivíduo vê, quase
sempre, ameaçada a sua cidadania, tornando-se alvo de discriminação
econômica e social.
A situação de maior proximidade da finalização de suas existências, podem
provocar conseqüências capazes de bani-los do cotidiano de uma sociedade
capitalista que considera o idoso incapacitado para o mercado de trabalho.
O fantasma da marginalização e do desemprego permeia a vida do idoso que
não possui recursos ou que recebe apenas um salário mínimo de
aposentadoria. E, muitas vezes é esse idoso quem arca com o sustento de
toda uma família, devido ao alto índice de desemprego.
Observou-se que apenas a minoria dos indivíduos não considera a idade como
agravante influenciável na sua vivência.
Para desmistificar isso, é necessário que os indivíduos reforcem a sua autoestima, conscientizando-se de que são merecedores de uma vida plena no
exercício de suas funções vitais, sejam elas relacionadas com o trabalho ou em
uma faculdade para a terceira idade, ou, ainda, na sua vida em sociedade.
21
Para alguns teóricos, o processo de envelhecimento fisiológico tem inicio no
nascimento do embrião e, quando houver conscientização de que é um fato
irreversível para toda a Humanidade, a velhice será considerada como fase
natural do ‘existir’ de cada um e de todos nós.
Uma grande parcela dos indivíduos, principalmente nos países do Terceiro
Mundo, tem embutida na sua concepção de velhice, conceitos discriminatórios
que nada tem a ver com a realidade do idoso. Segundo SALGADO, (1992), é
costume da sociedade ressaltar apenas as perdas no velho e nunca enaltecer
as
conquistas,
sobretudo
as
de
ordem
psico-emocional
e
cultural,
características da maturidade adquiridas através da história de vida do
indivíduo. No entanto, uma nova concepção de velhice surge na atualidade,
desmistificando todo conceito tido até então a respeito do idoso.
Uma Universidade para Terceira Idade deve motivar os alunos de tal modo que
eles sintam, no aprendizado, algo prazeroso.
Segundo MOURA (2003), os procedimentos metodológicos utilizados pela
Academia Cultural da Terceira Idade, motivam seus alunos de tal forma, que
eles vêm de longe, várias vezes por semana para assistirem as aulas.
Para os indivíduos de terceira idade, da Cidade de Oeiras, Portugal, ir à
Academia Cultural é motivo de alegria e bem-estar. E, ao mesmo tempo em
que afastam a solidão, enriquecem a mente.
22
CAPÍTULO IV
PROCEDIMENTOS
“É preciso livrar-se do compromisso com o êxito para poder criar. O
êxito como objetivo é castrador da criatividade e pode até significar
concessão à mediocridade”
(autor ignorado)
23
CAPÍTULO IV
PROCEDIMENTOS
Utilizamos, nessa pesquisa, de procedimentos exploratórios que, segundo
SELTIZ et all: “Enfatiza a descoberta de idéias e discernimentos”. (In MARCONI
et all, 1995, p.19). E, após delimitarmos o objeto e formularmos hipóteses
sobre o que queríamos pesquisar, buscamos fundamentar os estudos
exploratórios na teoria. Iniciamos, então, a pesquisa bibliográfica com a
finalidade de obtermos maior quantidade de informações sobre o assunto
pesquisado. Segundo Marconi e Lakatos, citado por Labuto M. L. (1998),
“ A pesquisa bibliográfica é um apanhado
geral sobre os principais trabalhos já
realizados, revestidos de importância, por
serem capazes de fornecer dados atuais e
relevantes relacionados com o tema. O
estudo da literatura pertinente pode ajudar
a planificação do trabalho, evitar
duplicações e certos erros, e, representa
uma fonte indispensável de informações,
podendo até orientar as indagações.”
(1995, p.24)
Elegemos o Bairro de Andorinhas, Município de Vitória, Espírito Santo, para
obtermos a amostra dessa pesquisa, por ser o bairro onde se situa a
Faculdade Cândido Mendes, nessa cidade.
Essa delimitação não implica na abrangência da pesquisa que pode ser,
posteriormente, utilizada para a comunidade em geral.
Para uma maior caracterização do Bairro Andorinhas, visitamos o bairro com
freqüência quase diária, fato esse facilitado pelo nosso trabalho de Assistente
Social do Projeto Terra, na Poligonal 11, que é composta por parte dos bairros
Andorinhas, Joana D’ Arc e Santa Marta.
Selecionamos, então, para a amostra dessa pesquisa, seis indivíduos maiores
de 45 anos de idade, sem distinção de sexo, raça, religião ou etnia e que
tivessem, como característica comum, nível de escolaridade similar ao
24
Segundo Grau completo. Essa amostra teve natureza simbólica, não
representando, em absoluto, a totalidade da população do Bairro Andorinhas.
Os indivíduos da amostra foram indicados por Agentes de Saúde, residentes
no Bairro Andorinhas. Aplicamos o Pré-teste em um desses indivíduos, em seu
próprio domicílio, e consideramos as modificações necessárias à aplicabilidade
do questionário, enquanto elemento essencial para coleta de dados para
realização dessa pesquisa. O questionário foi composto por perguntas
fechadas para identificação do pesquisado e de perguntas abertas que
pudessem referenciar o assunto que trata essa pesquisa.
No Pré-teste, o questionário era composto de 14 questões fechadas e 10
questões abertas.
Após realizarmos as devidas alterações no questionário, o mesmo continuou
com o mesmo número de questões fechadas e questões abertas. No entanto, o
enunciado de algumas foi modificado de modo a melhor atender à pesquisa.
Aplicamos, então, o questionário aos outros cinco indivíduos, quatro em seus
domicílios e um em seu local de trabalho. As entrevistas duraram,
aproximadamente, 30 minutos.
Aproveitamos a oportunidade para oferecer, ler e analisar juntamente com os
indivíduos, a cópia do Capítulo V da Lei N.º 10.741, de 1º de Outubro de 2003,
do Art.20 ao Art.25, do Estatuto do Idoso, que trata da Educação, Cultura,
Esporte e Lazer. (anexo).
Após realizarmos a pesquisa de campo, organização e análise dos dados
coletados, buscamos suporte em pesquisa bibliográfica, pautada nas apostilas
do Curso à Distância de Docência do Ensino Superior da Faculdade Cândido
Mendes e em literatura afinizada com o assunto e o indivíduo pesquisado, a fim
de obtermos um maior embasamento teórico.
Utilizando de um estilo sóbrio e preciso, de modo a facilitar o raciocínio do
leitor, iniciamos a redação contextual de nossa pesquisa que, conforme
SEVERINO (1996), “ A fase de redação consiste na expressão literária do
raciocínio desenvolvido no trabalho. Guiando-se pelas exigências próprias da
construção lógica, o autor redige o texto, confrontando as fichas de
documentação, criando o texto redacional em que vão inserir-se” (p. 83)
25
Para maior esclarecimento dos dados pesquisados, compomos a pesquisa,
em 8 Capítulos, assim denominados: Caracterização do Bairro pesquisado, O
Indivíduo de 3ª Idade, Experiências na Modalidade de Ensino Semi-Presencial
para Indivíduos de Terceira Idade, Barreiras Sócio-Econômicas que Dificultam
a Conclusão do Estudo Superior para a Pessoa de Terceira Idade, Apoio do
Grupo de Pertença, Procedimentos, Apresentação e Análise dos Dados,
Resultados com os sub-itens: “Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho
para Pessoas de 3ª Idade”; “Conseqüências Decorrentes da Presença de Autoestima no Indivíduo de 3ª Idade”; “A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil
Acesso à Universidades”. Dessa forma, tentou-se obter uma resposta para a
temática que se propôs estudar.
26
CAPÍTULO V
ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS ENCONTRADOS
“Visão sem ação não passa de um sonho.
Ação sem visão é só um passatempo.
Visão com ação pode mudar o mundo”
Joel Arthur Barker
27
CAPÍTULO V
ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS ENCONTRADOS
A metodologia adotada para a análise dos dados, consistiu na Análise de
Conteúdo.
Segundo DIÁZ (1992), FRANCO (1986) e TRIVINOS (1987) (Apud CADE,
1996, p. 43), a análise de conteúdo pode ser compreendida como um método
usado com o intuito de desvendar a mensagem contida nas comunicações, na
expressão dos indivíduos.
E, para BARDIN (1994), a intenção da análise de conteúdo é compreender o
sentido da comunicação, desviando o olhar para uma outra significação de
natureza psicológica, sociológica, política e histórica.(Bardin apud Cade, 1996
p.43)
Para realizar a análise de conteúdo, utilizamos categorias de modo que nos
possibilitasse decodificar as falas dos indivíduos, isolando temas principais dos
secundários, de modo a facilitar a compreensão do caminho traçado.
As respostas das 10 questões abertas foram agrupadas em itens e sub-itens,
desenvolvidos ao longo da pesquisa.
Como suporte para a análise de conteúdo, utilizamos os dados contidas nas
perguntas fechadas referentes à idade, escolaridade, sexo, estado civil,
situação empregatícia na atualidade, renda pessoal, composição familiar, renda
familiar e se o pesquisado freqüentava ou não Grupos de 3ª Idade.
No decorrer da análise dos dados, à medida que se fazia necessário, era
realizado um retorno ao texto de origem para constatarmos o sentido
verdadeiro das falas dos indivíduos.
Durante a análise, observamos que o universo das respostas ultrapassou em
alguns casos o número de indivíduos devido às perguntas abertas darem
margem a mais de uma resposta.
A partir do momento que os dados foram trabalhados buscou-se analisá-los à
luz de embasamento teórico específico para cada item e sub-item. Para
reforçar os dados coletados, apresentamos recortes das respostas dos
28
indivíduos, expondo as nossas considerações sobre “Universidade Semipresencial para Pessoas de Terceira Idade”.
Após análise dos dados, iniciou-se a apresentação dos resultados obtidos das
falas dos entrevistados e embasados em teoria específica para o assunto
pesquisado que é Universidade Semi-presencial para indivíduos de 3ª Idade.
E os Resultados Encontrados estão bastante explorados em três sub-itens:
“Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade”;
“Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-estima no Indivíduo de 3ª
Idade”; “A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades”.
Dentre os dados analisados, observou-se que três pesquisados eram do sexo
masculino e dois do sexo feminino. No entanto, isso não interferiu nos
resultados que se quis obter.
Também, com relação à pergunta: O Sr (a) freqüenta o Grupo de 3ª Idade?,
as respostas obtidas não interferiram nos resultados da pesquisa porque
nenhum dos pesquisados pertence a Grupos de 3ª Idade. Tal fato foi
constatado nessa pesquisa, ao observar-se a quase inexistência de pessoas
com nível de escolaridade de 2º Grau no Grupo de 3ª Idade do Bairro
Andorinhas. No entanto, ao insistir-se na pergunta: E se esta pessoa participa
de um Grupo de 3ª Idade, o que acha que isso pode representar para ela
perante o grupo? (Referindo-se a uma pessoa de um grupo que concluísse o
nível superior em escolaridade), as respostas foram as seguintes:
“Seria considerada uma pessoa que estava se reintegrando à sociedade”.
(Pesquisado Letra A).
“Seria alguém que estava exercendo a cidadania. Lutando pelos direitos do
idoso, integrando-se à sociedade e no nosso Brasil a terceira idade está
crescendo cada vez mais e o cidadão tem que estar preparado para este
momento”. (Pesquisado Letra B).
“Representaria uma pessoa com garra, que tem vontade de vencer, iria
valorizar mais a pessoa e incentivar as outras a estudar"” (Pesquisado Letra
C).
“Muitos iriam incentivar e outros iriam criticar”. (Pesquisado Letra D)
29
“Só iria trazer coisas boas. É um desafio para aprender coisas novas e estar
inserido na sociedade com ‘gente mesmo’”. (Pesquisado Letra E).
Tais respostas apontaram para um dado que poderia originar outra pesquisa
social, pois é notório o número de pessoas de terceira idade que, ou não
possuem estudo regular ou não completaram o estudo do segundo grau.
Talvez isso se deva ao fato de que, até mesmo entre os pesquisados,
nenhum havia lido o Estatuto do Idoso e o que reza em seu Capítulo V, a
respeito da Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Veja Anexos).
Os demais dados foram analisados e expostos nos sub-itens 8.1
Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade,
8.2 Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-Estima no Indivíduo de
3ª Idade e 8.3 A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades.
E, para expressar a finalização dos Resultados obtidos com a Análise dos
Dados dessa pesquisa, colocaremos as Considerações Finais, onde
tentaremos expor, de maneira clara e precisa, a pesquisa que se propôs
fazer.
5.1 CONSIDERAÇÕES A CERCA DO MERCADO DE TRABALHO PARA
PESSOAS DE 3ª IDADE
Os avanços científicos têm propiciado o aumentando do tempo de vida das
pessoas. E, com a diminuição da natalidade, o Mundo está deixando, cada vez
mais de ser um mundo de jovens.
Conforme RIBEIRO (1995), estamos assistindo, na atualidade, a uma
revolução que está demolindo o antigo modelo de velhice. As pessoas com 60
anos ou mais, não mais aceitam ser consideradas idosas. As mudanças
nessas pessoas, não são apenas em suas atitudes e maneiras de vestir. Mas,
também, cuidam de sua saúde, desmistificando a associação feita, até bem
pouco tempo, de que velhice era sinônimo de doença.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), conforme citação em RIBEIRO
(1995), deixou de considerar saúde como ausência de doenças e sim, como
um estado de bem-estar bio-psicossocial.
30
E em busca desse estado de bem-estar bio-psicossocial é que, segundo
RIBEIRO (1995), “nos últimos anos,..., uma legião de pessoas, em sua maioria
mulheres, de idades variadas (entre 40 e 80 anos), resolveu desafiar os
modelos existentes”.
De acordo com RIBEIRO, essas pessoas
“Saíram de suas casas, muitas vezes
contra a vontade de seus familiares ou
sob o olhar desconfiado dos amigos
para freqüentar os bancos escolares nas
Faculdades Abertas à Terceira Idade.
Resolveram tornar-se agentes dos
acontecimentos:
arregaçaram
as
mangas, armaram-se de conhecimentos
e foram em frente, pois se acreditaram
capazes de ajudar na construção de um
país melhor”. (Ribeiro, 1995: p. 209).
E, paralelamente ao seu bem-estar bio-psicossocial, essas pessoas, como um
grande número de pessoas em faixa etária similar, estão buscando, também, o
seu bem-estar econômico e de seus familiares.
Na Assembléia Geral das Nações Unidas (Resolução 46/91) de 16 de
Dezembro de 1991, os Princípios das Nações Unidas foram adaptados em
favor das pessoas idosas. A ONU conclamou, então, que os governos
incorporassem esses princípios em seus programas governamentais, na
medida do possível. E, dentre esses princípios, destacamos o que diz que “as
pessoas idosas deverão ter oportunidade de trabalho ou ter acesso a outras
possibilidades de obter rendas”.(Cartilha Terceira Idade – A Melhor Idade,
1999).
Para Maria Emília Mesquita, Presidente da Academia Cultural para a Terceira
Idade, Oeiras, Portugal, e professora há 36 anos, a sua idade de 65 anos não
faz com que ela se sinta uma pessoa idosa.
E em pleno auge de sua carreira profissional, Mesquita afirma que “já contactei
com tantas gerações e convivi com tantas mentalidades que sinto realmente
que não posso envelhecer”.(Revista Câmara Municipal de Oeiras, 2003).
Talvez a garra com que a pessoa de 3ª idade demonstre ao assumir uma
posição no mercado de trabalho, tenha sua gênese na vontade de não querer
31
realmente envelhecer. Ou, talvez, esteja também, na necessidade premente
de ser, ela própria, enquanto idosa, arrimo de família.
De fato, as estatísticas afirmam que, na atualidade, existem inúmeros casos
que filhos, genros, noras e, até mesmo netos, que sobrevivem da
aposentadoria de uma pessoa idosa.
Paralelamente a isso, essas pessoas encontram entre os demais membros dos
Grupos de 3ª Idade um reforço especial, psíquico, social, e, muitas vezes,
cultural.
Dessa forma, o indivíduo de 3ª idade ao se sentir fortalecido pelo apoio de seus
pares, busca adquirir maiores conhecimentos para enfrentar o mundo do
trabalho.
As estatísticas apontam que um grande número de idosos, após a
aposentadoria, voltam ao mercado de trabalho.
O indivíduo de terceira idade vem participando ativamente do mercado trabalho
como não apenas como mão de obra. Mas, também, como consumidor em
potencial.
É notório, na atualidade, que o mercado está buscando no indivíduo de terceira
idade, um consumidor há muito tempo esquecido.
Prova disto está na mídia, tanto televisiva quanto jornalística, onde bancos e
organizações várias, públicas e privadas, oferecem aos aposentados, linhas
especiais de crédito, sem quaisquer burocracias para liberação de empréstimos
bancários, exigidas, rigorosamente, para outras clientelas.
O despertar do mercado para a importância desse consumidor tem muito a ver
com a valorização da mão-de-obra dessas pessoas. Isso porque, além de suas
aposentadorias, os indivíduos de terceira idade ao voltarem ao mercado de
trabalho têm a sua renda aumentada.
Nessa pesquisa, observou-se que 80% dos pesquisados trabalham e que
apenas 20% está aposentado. A renda pessoal varia de R$810,00 a R$390,00.
Observou-se, também, que 80% dos pesquisados tem familiares que trabalham
ou que recebem aposentadoria. Devido a isso, a renda familiar varia de
R$1.300,00 a R$450,00. No entanto, 40% dos pesquisados têm familiares
32
desempregados ou menores, que dependem financeiramente de seus salários
para o sustento vital. Isso faz com que a renda “per-capta” sofra uma redução.
Com relação à pergunta
“Para o (a) Sr. (a), estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª idade?”
100% relacionou os estudos como uma necessidade financeira para todos, na
atualidade. Vejamos o Gráfico N.º 01:
“Para o (a) Sr. (a), estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª Idade?”
100 % → Melhoria Financeira
100
50
40
Direito de Cidadania
Inserção na Sociedade
20
Reforço Moral e Espiritual
0
E 40%, considera que, além disso, estudar, para uma pessoa de terceira idade
é um direito de cidadania, algo que insere o idoso na sociedade que tantas
vezes o discrimina. Vejamos algumas dessas respostas:
“”É um desafio para sempre, aprender coisas novas. Estar inserido na
sociedade como ‘gente, mesmo’ “ (Pesquisado letra E).
“Exercer a cidadania, lutar pelos direitos do idoso, integrar-se à sociedade. E,
no nosso Brasil a terceira idade está crescendo cada vez mais e o cidadão tem
que estar preparado para este momento”. (Pesquisado letra B)
E, 20% considera que estudar para uma pessoa de terceira idade é um
elemento de reforço moral e espiritual.
De fato, estudar para qualquer pessoa é realmente tudo isso. E, para um
indivíduo que não teve a oportunidade de estudar em sua juventude, mas que
ao chegar à maturidade enfrenta os bancos escolares com garra, como um
33
desafio a vencer, como um direito de cidadania, estudar torna-se, também, um
elemento de reforço moral e espiritual, além de ser uma necessidade financeira
no mercado de trabalho do mundo moderno.
Daí a nossa pergunta: “Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª Idade que conclui
seus estudos universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso
no mercado de trabalho? “
100% dos pesquisados respondeu que sim, que abre novas chances, em geral,
“Porque as empresas já estão convocando os aposentados que quiserem
trabalhar e o mercado de trabalho neste campo está aumentando muito”.
(Pesquisado letra B). Observemos o Gráfico 02:
“Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª Idade que conclui seus estudos
universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso no
mercado de trabalho?”
100 % → Sim, aumentam as
chances
100
50
0
Depende do próprio
esforço
20
E ao buscar saber o porque desse fato, 20% respondeu que para aumentar as
possibilidades de re-ingresso ao mercado de trabalho não bastaria apenas
voltar a estudar e sim, que “dependeria também do esforço de cada pessoa”.
Na atual conjuntura econômica, onde a qualidade total é exaltada, se o
indivíduo estudar apenas, mas não batalhar para que os conhecimentos
adquiridos sejam aproveitados na profissão escolhida, a ascensão ao mercado
financeiro torna-se, na maioria das vezes, muito mais problemática.
Segundo Zandonadi (2001), aqui no Espírito Santo, foi incluída uma cláusula
na convenção coletiva do Sindicomerciários e da Federação do Comércio que
prevê a contratação de pessoas com mais de 60 anos de idade.
34
Essa convenção prevê que os idosos poderão ter um contrato de trabalho de
R$244,86 durante um período de 6 meses. Só então, caso o empregador
queira manter o contrato, é que o salário poderá superar o valor inicial.
Já, se o indivíduo completar um curso superior, ele poderá habilitar-se,
inclusive para o enfrentamento de concursos públicos, onde a idade mais
avançada é constitucionalmente considerada como um diferencial a favor do
concursado.
5.2 CONSEQUÊNCIAS DECORRENTES DA PRESENÇA DE AUTO-ESTIMA
NO INDIVÍDUO DE 3ª IDADE
Os indivíduos pesquisados têm idade que varia de 45 a 53 anos. Portanto
pessoas que se enquadravam na faixa etária que nos propomos estudar e que
consideramos como de terceira idade para a realização dessa pesquisa.
Ao entrevistar os indivíduos, perguntou-se, a princípio, por que não concluíram
os estudos, cursando uma Faculdade.
Em 60% dos pesquisados, a resposta foi que não haviam concluído os estudos
devido a dificuldades financeira, 20% informou que o cônjuge não permitiu que
concluísse seus estudos e 20% disse que não sabia determinar o porquê de
não ter cursado uma Faculdade durante a sua juventude.
Perguntou-se, então, se achavam que havia limite de idade para alguém
continuar os estudos. Em 100% dos pesquisados, todos foram unânimes em
considerar que não havia limite de idade para estudar.
E ao perguntar porque achavam que não poderia haver limites de idade para
estudar, 80% respondeu que nunca é tarde para aprender coisas novas.
Vejamos algumas respostas:
“Nunca é tarde para se atualizar, para não ficar para trás”.(Pesquisado letra C).
“Quanto mais a pessoa puder aprender é melhor”. (Pesquisado letra D).
De fato, o cérebro humano necessita trabalhar constantemente. E para que o
nosso cérebro trabalhe, o maior combustível é o conhecimento adquirido e que
se adquire quotidianamente. Seja o aprendizado algo simples ou seja ele,
profundamente teórico. É como disseram os pesquisados, na vida:
35
“O aprendizado é constante, é permanente”. (Pesquisado letra E).
ou, “O Ser Humano é um Ser construtivo”. (Pesquisado letra B).
De fato, aprender é algo inerente ao Ser Humano.
Já, para 20% dos pesquisados, estudar depende do querer, sim. Mas depende,
também, do poder financeiro.
No Estatuto do Idoso, Capítulo V, Art.20, o ensino gratuito é considerado um
direito do cidadão. Vejamos o que diz a Lei:
“ O idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões,
espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de
idade”.
Para que a Lei seja cumprida, há que se criar condições para isso. Uma
Universidade para pessoas de terceira idade deveria ser algo que os governos
apoiassem, destinassem verbas específicas que propiciassem o direito a
educação tão perfeitamente legalizado pelo Estatuto do Idoso.
Buscou-se saber o que os pesquisados achavam de um curso universitário
para pessoas de 3ª idade, onde não houvesse exigência de vestibular, com
disciplinas escolhidas por eles próprios e aulas em apenas alguns dias da
semana. Em 40% dos entrevistados foi considerado muito bom, 20% achou
que seria ótimo e os outros 40%, que seria algo maravilhoso.
Perguntamos, então, se houvesse um Curso Universitário na modalidade acima
descrita, se gostariam de continuar os estudos, cursando uma Faculdade.
100% dos entrevistados respondeu afirmativamente que gostariam de cursar
uma Faculdade para terceira idade com aulas semi-presenciais e com
disciplinas previamente escolhidas e sem nenhuma exigência stressante dos
vestibulares.
Na Academia Cultural para a Terceira Idade, na Cidade de Oeiras, Portugal,
segundo Ana Rita Moura (2003), as pessoas “exibem o seu cartão de alunos
com orgulho, vêm de longe várias vezes por semana. Afastam a solidão,
enriquecem a mente. De Segunda a Sexta-feira, o edifício da Academia, ...,
acolhe centenas de associados e promove a troca de conhecimentos”,
Moura conta, ainda, que as pequenas salas da Academia Cultural para a
Terceira Idade ficavam cheias e que as turmas de alunos cruzavam-se, nos
36
corredores, com um sorriso nos lábios. E que, segundo a Direção da
Academia, muitos dos alunos são avôs e avós. Devido a isso, as férias
escolares são determinadas pelas férias escolares dos netos.
Na Academia Cultural para a Terceira Idade, dentre as várias disciplinas,
destacam-se as aulas de educação artística, idioma português e idiomas
estrangeiros, informática, biologia, genética, historia e geografia.
Também os nossos pesquisados tiveram oportunidade de responderem a
pergunta:
Se houvesse uma Faculdade que possibilitasse este tipo de atendimento às
pessoas de 3ª Idade, que disciplinas o (a) Sr. (a) gostaria de cursar?
Como resposta, os desejos de aprendizado dos pesquisados variaram da
forma exposta no Gráfico 03 da pergunta nº 07:
“Se houvesse uma Faculdade que possibilitasse este
atendimento a pessoas de Terceira Idade, que disciplinas o (a)
Sr.(a) gostaria de cursar?
20 % Português
40 %
Matemática
60 % Humanas
Informática
80 % Inglês
20 % Outras
Disciplinas
Francês
Observou-se que 80% dos indivíduos pesquisados demonstrou interesse em
estudar línguas estrangeiras, tais como o Inglês e o Francês; 60% se interessa
por disciplinas da Área de Humanas: Pedagogia, Geografia etc; 40% gostaria
37
de estudar Matemática e Informática; e 20% demonstrou afinidade para
estudar Língua Portuguesa ou outras disciplinas, tais como Educação Artística.
Mas, 100% dos pesquisados demonstrou bastante interesse em ingressar
numa Faculdade sem que haja vestibular.
A Academia Cultural para a Terceira Idade de Oeiras, Portugal, também não
realiza vestibulares. Segundo a Direção da Academia, conforme MOURA
(2003), as únicas condições exigidas para ingresso, são ter mais de 45 anos e
querer saber mais do que já sabem.
E a Presidente da Academia, se incluindo no grupo, enquanto pessoa de
terceira idade (65 anos), acrescenta:
“Os nossos alunos são pessoas com
preocupações
intelectuais.
São
pessoas que não se coadunavam com
um lar. Existem outras pessoas, ou
porque estão muito cansadas ou
porque
os
seus
objetivos
e
competências são outras, que se
sentem felizes a cuidar dos netos, a
ver televisão, a ir ao cinema. Nós
não!”. (Mesquita, 2003: p.61).
Com a finalidade de observarmos se haveria melhoria na auto-estima dos
indivíduos ao terem oportunidade de receberem um diploma universitário,
perguntamos se eles achavam que seriam mais valorizados pelos seus
familiares e amigos se cursassem uma Faculdade.
Também aqui, 100% dos entrevistados responderam afirmativamente.
Mas, o mais importante ao responderem essa pergunta, apenas o pesquisador
pode perceber. Isso porque é impossível repassar para o papel, o brilho nos
olhos de todos os pesquisados, ao imaginarem-se universitários.
É do nosso conhecimento que o indivíduo tem que exercitar a valoração da sua
identidade, do seu auto-conceito, buscando, na sua emoção, no seu bem-estar
e no coping, fontes de resistência à depressão causada pela consciência de
finalização de vida.
Segundo GOLDSTEIN (Apud NERI, 1995), ao obter recursos de fortalecimento
psicológico, auxiliares na superação do stress, o indivíduo se capacita para
38
lidar com os eventos do seu curso de vida e com as demandas do seu dia-adia.
Notamos que os indivíduos entrevistados demonstraram sentir uma certa
alegria, obtida, talvez, pela possibilidade de realizarem um sonho oculto em
seus egos.
A possibilidade vislumbrada de cursar uma faculdade poderia ser elemento
essencial para o indivíduo de terceira idade, tornando-o mais hábil para
enfrentar o mundo do capital.
Através de melhoria no seu grau de instrução, o indivíduo poderia permanecer
integrado no mercado de trabalho, assumindo a sua posição de cidadão na
sociedade a qual pertence.
5.3 A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades
Quando o indivíduo pertence às classes mais carentes da população, a
precariedade, ou, até mesmo, a falta de recursos financeiros são barreiras a
serem enfrentadas no seu cotidiano. Caberia aos governos fornecerem meios
que possibilitassem ao cidadão a superação das barreiras econômicas, que
tanto afetam socialmente o indivíduo,
O orçamento para a educação no Brasil é um dos mais baixos do governo.
Uma política na área da educação que propiciasse o estímulo a cursos
gratuitos profissionalizantes e de nível superior, poderia ser o caminho para
melhores condições de estudo para as pessoas de terceira idade.
Sem políticas públicas direcionadas para a educação, o indivíduo de terceira
idade vê os seus recursos financeiros diminuírem devido a uma aposentadoria
cada vez mais achatada. Isso gera uma sensação de insegurança para o idoso.
Em nossa pesquisa constatamos o quanto é importante para o idoso completar
seus estudos com um curso superior.
É importante para ele, para sua família, seus amigos, seu grupo de pertença.
É importante para a sociedade e para a sua Pátria.
39
CONCLUSÃO
Há momentos em que a gente só precisa de uma luz que penetre em
nossa escuridão e ilumine o nosso caminho;
Há momentos em que a alegria silencia dentro de nós, e a gente só
precisa de uma canção que acaricie a nossa voz e os nossos lábios e
nos anime;
Há momentos em que a gente só precisa de uma palavra que toque o
nosso coração, e, qual mão generosa, nos conduza ao longo do dia;
Há momentos em que a gente precisa de você.
(autor ignorado)
40
CONCLUSÃO
Esta pesquisa teve como objetivo abordar o tema que originou o seu título:
Universidade Semi-presencial para pessoas de terceira idade.
Para alguns, a velhice é vista como finitude, devido às debilitações que
provocam na vida do indivíduo. Para os indivíduos aqui pesquisados isso não
parece constituir uma barreira para a continuidade do viver. Isso porque, a
forma de envelhecer varia de indivíduo para indivíduo, já que o envelhecimento
não é proveniente apenas da idade, mas, é influenciado também, por fatores
sociais, político, culturais, econômicos, etc.
É do conhecimento de todos que, algumas vezes, a sociedade trata a velhice
como se fosse algo que destituísse os indivíduos de sua subjetividade,
considerando-os desprovidos de interesses, habilidades ou opinião própria. Na
nossa pesquisa 100% dos entrevistados responderam que o fator idade não é
um elemento propiciador de barreiras no seu cotidiano. Menos ainda, quando
parte desse cotidiano pode estar direcionada para o aumento de sua
capacidade cultural, através, principalmente, de uma Universidade, cuja
metodologia de ensino esteja condizente com o Estatuto do Idoso, que em seu
Capítulo V, Art. 21, diz que
“O Poder Público criará oportunidade de acesso do idoso à educação,
adequando currículos, metodologias e material didático aos programas
educacionais a ele destinados”.
A legislação é um ponto de reforço ao objeto pesquisado. E as Metas do Plano
Nacional de Educação, buscam “promover a participação da comunidade na
gestão escolar”. (Fonte MEC, Jornal A GAZETA, 14/01/01, p.19).
Portanto, transformar o objeto pesquisado em realidade é algo que compete a
todos. Compete aos estabelecimentos de ensino, ao próprio Poder Público e à
Comunidade em geral.
Segundo NERI (1995), o indivíduo deve buscar reforços tanto em sua
capacidade cognitiva como na rede social a qual pertence.
Para NERI,
41
“O grau de plasticidade é contingente à
capacidade de reserva do indivíduo, a
qual é constituída pelos seus recursos
internos (por exemplo, a capacidade
cognitiva e a saúde física) e pelos
recursos externos (por exemplo, a rede
social, o status econômico) disponíveis
num dado momento. (Néri, 1995:
p.196/197)
Conforme NERI (1995), o conceito de plasticidade fornece uma indicação da
capacidade de mudança do indivíduo e de sua flexibilidade e resistência para
lidar com desafios e exigências. Quando o idoso apresenta plasticidade no
âmbito das relações sociais, poderá estar criando importantes redes de
solidariedade, que poderão ser excelentes fontes de apoio para o a conquista
de seus ideais, de seus direitos de cidadania plena.
O estabelecimento de ensino que quiser legitimar o objeto aqui pesquisado,
talvez seja pioneiro nesse universo na cidade de Vitória.
No entanto, essa pesquisa não esgota o assunto, mas, aponta para a
necessidade de maior exploração do tema, abrindo campo para novas
pesquisas que poderão gerar projetos que viabilizem, de fato, melhor qualidade
de vida para os indivíduos de terceira idade.
42
ANEXOS
1. QUESTIONÁRIO DA ENTREVISTA APLICADA AO PESQUISADO
2. ACADEMIA CULTURAL PARA TERCEIRA IDADE
3. ESTATUTO DO IDOSO – CAPITULO V
4. COMUNICADO À COMUNIDADE DE ANDORINHAS
5. FOLDERES DA CONSULTIME
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AGRADECIMENTOS PESSOAIS
Agradeço primeiramente a DEUS, fonte de inspiração e sabedoria, que me
deu força e proteção para enfrentar e vencer os obstáculos surgidos no
decorrer deste trabalho.
Agradeço aos meus pais (in memorium) que me ensinaram a ter amor pelos
estudos;
Agradeço às minhas três filhas, Miriã de Lourdes, Geórgia Christina e
Elizabeth Rachel por me acompanharem durante este estudo com estímulo,
paciência e carinho.
Agradeço aos meus irmãos e amigos, pelo incentivo que me deram nessa
jornada.
MARIA DE LOURDES LABUTO
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AGRADECIMENTOS GERAIS
AO PROFESSOR ORIENTADOR
pela dedicação em analisar essa pesquisa
À Liderança Comunitária do Bairro de Andorinhas,
pelo apoio para que essa pesquisa fosse realizada
À Líder do Grupo de 3ª Idade do Bairro Andorinhas,
pela colaboração para realização desse trabalho
Às Agentes de Saúde da US Andorinhas,
Marinete e Terezinha,
que prestimosamente indicaram os entrevistados
Aos NOSSOS ENTREVISTADOS, que se dispuseram a responder às
perguntas, dando contextualização a essa pesquisa
A TODOS, que de forma direta ou indireta,
contribuíram para a elaboração desse trabalho
O meu agradecimento sincero,
MARIA DE LOURDES LABUTO
Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus
ouvidos, e escuta as minhas palavras
(SALMOS 17.6.)
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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