EDUCAÇÃO EM MUSEU: UM MERGULHO NA MARÉ Autor: (Ághatha Amaral); Co-autor: (Camila Cardoso) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro [email protected] ;[email protected] RESUMO: Apresentamos relatos de vivencias nos espaços do Museu da Maré como uma possibilidade de diálogos em educação museal. Narramos caminhos acerca do ato educativo dentro de uma perspectiva ecológica, considerando os espaços do museu em múltiplas dimensões, entendemos se tratar de um espaço de arte, educação, política e sobretudo, memória. Com conversas e escritas ao longo do trabalho damos destaque a trocas e compartilhamento de experiências que nos incentivaram a investigar caminhos teórico práticos de fazer pesquisas em educação hoje e aqui. Considerar as situações de violência que estão sujeitos os cidadãos da favela é um passo para construir alternativas que reivindiquem ações de direitos humanos, dentro de uma perspectiva emancipatória. Palavras-chave: educação em museu, narrativas, práticas emancipatórias, memória INTRODUÇÃO (justificativa implícita e objetivos) O Museu da Maré é um espaço para o registro, preservação e divulgação da história das comunidades do bairro da Maré, na cidade Rio de Janeiro. Tendo sido criado pelo CEASM (Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré) traz desde de sua fundação a missão de realizar práticas de valorização e afirmação da identidade do morador. Atuando também como uma frente formação e divulgação de conhecimentos na comunidade em que se insere. Um local que articula museu/comunidade/sociedade. Em um trabalho coletivo, moradores participaram e doaram diversos objetos que faziam e representavam suas trajetórias de vidas, constituindo assim um modo próprio de contar a história da Maré. Um processo onde a dimensão individual vai tecendo a história social, a memória do lugar. Dentro de uma multiplicidade de processos onde essas “doações” se misturam a objetos arqueológicos, e cenográficos formaram-se coleções, constitui-se um acervo, surge o Museu da Maré com um acervo multidisplinar que não pretendemos aqui encaixar em categoria delimitando fronteiras conceituais. O museu visa dar destaque as trocas e compartilhamentos de experiências; construir ações que estimulam a produção teórica que traz espaços públicos da cidade como lugar de pesquisa. A produção de ações interligadas dentro de uma proposta pedagógica traduzida, também, como texto curricular, no intuito de dialogar com as ações educativas dentro do museu como uma possibilidade de produzir múltiplas narrativas. Dentre os princípios que orientam os valores institucionais propostos pelo Museu da Maré estão: Autonomia, transparência financeira, política e ideológica; recomendações e decisões surgem do próprio conhecimento e não são condicionadas por pressão de sujeitos externos ao cotidiano no local. Proximidade, desenvolver a capacidade de levar em conta as necessidades de nossos interlocutores externos e internos, e de responder a eles de maneira direta, concreta e adequada. Saber ouvir e considerar as expectativas de nossos parceiros institucionais ou voluntários. Excelência, o êxito de nossa missão está ligado a nossa credibilidade e reconhecimento de dentro para fora. Baseia-se em experiências constantemente reavaliadas, com transparência e ética profissional. Cooperação, ajustar atividades, dentro do acordo da parte institucional e de contrato de trabalho, para o desenvolvimento de cooperação no ambiente. Comunicar a cultura presente na comunidade da Maré de forma integrada ao seu contexto socioeconômico. Ser um espaço de produção científica e artística em diversas áreas do conhecimento, articulando instituições de ensino, museu e comunidade. Se constituindo um local de história e memória do bairro da Maré considerando suas especificidades sociais e situação de violência a que está submetida, configurando assim um espaço de resistência cultural. Enriquecer a formação de sujeitos críticos a partir de atividades que integrem pesquisa e ações museológicas, construindo possibilidades com os cidadãos, moradores da favela, no cotidiano de um espaço cultural. As orientações nacionais para educação em museus pontuam algumas ações a serem construídas nos espaços museais dentre estas destacamos alguns pontos que consideramos estarem mais diretamente relacionados com nossa proposta : programas educativos voltados para a população que reside no entrono do museu, uma política escrita sobre educação como parte do plano diretor , ter um integrante com conhecimentos específicos da área de educação para trabalhar junto ao Conselho do museu elaborando ações no e com os espaços. Pensar um museu que conta a história da Maré é pensar a cultura “da favela” (FACINA, 2014) contada por ela mesmo, a violência presente na história e no cotidiano do lugar, que nos afeta e emociona problematiza a noção de direitos humanos, aqui dentro de uma perspectiva emancipatória (SANTOS, 1997), pensar de que modo o projeto educativo do museu dialoga com esta proposta. O museu lança mão da história local em favor da promoção da reflexão crítica ao cenário opressivo, apontando o diálogo como meio, sendo instrumento de combate e favorecimento de dignidade. Promove ações locais que consideram aspectos de relevância sócio cultural dos espaços educativos onde acontecem. METODOLOGIA Trabalhando com a noção de ecologia dos saberes (SANTOS, 2007) entendemos que diferentes culturas produzem modos distintos de entender a realidade e essa multiplicidade é tomada aqui como uma potencialidade. Pensar ações em um território onde a ausência do Estado impossibilita entender o lugar dentro do paradigma “regulação/emancipação” pensar museu dentro e como memória da Maré é considerar redes de relacionamentos que se constroem dentro do paradigma da “apropriação/violência” (SANTOS, 2007). Estar atento a diferentes modos de produzir conhecimentos e culturas entendendo que a luta por melhores condições de vida e de acesso a bens culturais é digna. Pensar em favela, na violência policial, exige trabalhar a noção de direitos humanos, estes abordados aqui dentro de uma proposta emancipatória (SANTOS, 1997). Ao esmiuçar as entrelinhas do cotidiano, destacando o sujeito ordinário como protagonista de seus processos de aprendizagem e modos de usar os conhecimentos formais (CERTEAU, 1994). Entendemos que o museu ao comunicar seu acervo estabelece uma conversa, mediada pelas “obras”, pelo educador museal e pelas experiências dos sujeitos que ali encontram um lugar de troca. As conversas que relatamos tem centralidade na educação em museu, se quando tratamos de fontes de pesquisa a conversa pode causar estranhamento por, em geral, estar associada a processos informais de trocas (PINAR, 2012) no tempo espaço da educação museal, ela é a base do processo educativo Delinear ações continuadas e dinâmicas de estudos e pesquisas entre museu e comunidade tendo como pressuposto o fato de que “Acima de tudo, a pesquisa, em suas interpretações mais ampla ou restrita, é sempre parte de uma longa conversa” (SUSSEKIND, 2014, p.113). Fomentar produção cultural dentro e fora da Maré em um esforço contra-hegemônico de valorização da cultura “da periferia” (FACINA, 2014). Instituir o diálogo como premissa para as trocas de conhecimentos valorizando a interação entre os sujeitos com conhecimentos distintos. A partir de debates com a equipe, divididos em três eixos, que compreenderam: comunicação, conservação e documentação, algumas metas foram estabelecidas coletivamente no intuito de implementar as ideias propostas que surgiram nos encontros. Percebemos que sugestões de trabalhar ações educativas foram as mais apontadas no debate. Propusemos um encontro com a equipe do museu que está diretamente ligada ao que já vinha acontecendo neste segmento. Hoje muitas pessoas conhecem a visão do Museu da Maré por meio externo, e a relação com a comunidade está em processo de construção permanentemente, trabalhamos no intuito de fortalecer e estreitar esta relação. Existem diversas ações que acontecem no e com o museu: Oficinas culturais - Balé/ Teatro/ Dança de salão/ Dança do ventre/ Hip hop/ Alongamento/ Dança livre/ Artesanato/ Desenho. Projeto Jovens Talentos Faperj com formação inicial em setores diversos do museu – biblioteca, arquivo e procedimentos de museologia, dentre outros. Biblioteca com grupos de leitura para crianças. Formação de mediadores através do contato e estudo do acervo e orientação pedagógica A instituição não contava com um setor que sistematizasse as ações educativas e se integrasse ao Plano diretor museológico. Surge assim, como fruto de múltiplos processos, a demanda de um projeto político pedagógico que em diálogo com o plano museológico componha a política educacional do museu. Em um movimento que constrói um plano a partir do que já acontece, em diálogo com diferentes instâncias da instituição e não um plano de fora que estabeleça metas não possíveis de acontecer. Um projeto como fruto de interações entre o grupo. Destacamos aqui alguns pontos que ficaram anotados nas reuniões: Elaborar um plano de trabalho pedagógico, com cronograma, metas, objetivos de curto e longo prazo, e recursos necessários; Avaliar necessidades dos públicos-alvo do museu, através de uma pesquisa de campo. Pensar em ações e planejamento para abrirmos grupos de voluntários no museu para as faixas etárias entre 12-17 anos, e a partir de 60 anos. (adolescentes e idosos - se possível, trabalhando em conjunto). Esses foram os pontos mais relevantes, que nos comprometemos a dar continuidade e realizar. Um projeto político pedagógico, diferente de um Programa Educativo Cultural, apresenta diretrizes de atuação e avaliação da educação museal de cada instituição, de acordo com pressupostos teóricos e metodológicos, com as condições específicas de cada espaço museal e do público que este atende. Mais que um programa de ações é um documento de referência para a construção destas ações e do conjunto dos programas que envolvem o trabalho educativo nas instituições museais. Construir e explicitar um PPP que oriente a concepção, o desenvolvimento e a avaliação das ações educativas, apresentando os referenciais teórico metodológicos que fundamentam este projeto. RESULTADOS E DISCUSSÕES O museu funciona como um espaço de memória local, construído coletivamente. Ações enredadas que relacionam diferentes circunstâncias no local onde se inscreve e onde é escrito. Sujeitos que compõe narrativas que desinvisibilizam a história do lugar, sujeitos historicamente situados em um não lugar da cidade, onde o que existe é a ausência do poder público oficial. Complexificar as conversas sobre processos de exclusão, expropriação de saberes, trazendo outros entendimentos de acervo. As conversas são constitutivas da memória, e a elaboração da exposição permanente foi tecida a partir de ações e conversas com os moradores da Maré. Sociabilidades que podem ser produzidas como alternativas a sujeição cotidiana, e a violência a que são submetidos os cidadãos que vivem nas favelas, trabalhar com educação no museu pode ser um espaço, um lugar de abordar de forma a desnaturalizar esta opressão cotidiana. Dar sentido ao vivido situando a experiência individual dentro de um contexto sócio histórico, educativo e cultural. As narrativas ressignificam o vivido e (re) constroem ações educativas a partir de sua dimensão pessoal e social, ao relatar nossas práticas reestruturamos a experiência a partir do nosso olhar, e este sempre é fruto de um contexto coletivo, histórico e cultural. (SOUZA, 2011) O trabalho com narrativas é uma opção metodológica que busca relações mais horizontais, acreditamos que estas carregam saberes que recebem e são, muitas vezes, colocados em um lugar de menor importância ou em um não lugar (SUSSEKIND, 2014) e pensamos que valorizar estes múltiplos é reforçar a tessitura de muitas formas de conhecer. A noção de direitos humanos se constitui a partir de uma perspectiva ocidental, muitas vezes a serviço politicas colonizadoras, em um processo de cima para baixo. Boaventura (1997) propõe uma abordagem emancipatória dos direitos humanos a partir do que ele denomina ser uma perspectiva multicultural, a política de direitos humanos ao instituir noções de dignidade humana é entendida como uma política cultural. Como alternativa a uma política homogeneizadora a proposta é o diálogo entre o global e o local, Esta relação global local seria um lugar privilegiado para pensar modos definir quais seriam as versões direitos humanos a serem buscadas como “guião emancipatório”. Contextos culturais distintos produzem noções diferentes de dignidade humana e um caminho para que estas estabeleçam uma relação onde exista respeito e possibilidade de trocas enriquecedoras. Estender a ideia de incompletude mutua entre diferentes reinventando a linguagem da emancipação, diferença e igualdade entre e nos grupos que podem ser entre etnias ou raças, entre sexos, entre religiões, entre orientações sexuais. Dentro dos Parâmetros políticos de preservação do acervo, ele é entendido como instrumento educativo para construção da noção de identidade, de morador da Maré, e fomento para o pensamento crítico. A relação com o objeto é diferente por que não é sacralizada, apenas coloca o objeto para passar uma mensagem, os objetos estão em função do museu, assim como o museu não se propõe a sacraliza-los e mantê-los em caráter permanente na instituição. Ver que objetos fazem parte do museu (por que chegou – se serão mantidos - que importância têm) a partir da relação afetiva do objeto com as pessoas que a entregaram na instituição, e que mensagem este carrega consigo. Diversas tipologias: Iconográfico, textual, digital (informático), sonoro, audiovisual, fotográfico, bibliográfico e tridimensional. De caráter histórico, estético, antropológico, etnográfico e arqueológico. Com categorias museológicas, arquivísticas e bibliográficas. O visitante deve se sentir pertencente ao espaço e a comunidade para poder se apropriar. Utilizando o museu da Maré como local legítimo de história e memória social da cidade do Rio de Janeiro e reafirmar que a favela faz parte da cidade, e precisa ser ouvida. Que a polícia, segurança do Estado, deve estar junto ao morador e respeitá-lo como uma pessoa de direitos. Que os moradores não são coniventes com a opressão sofrida pelo tráfico e nem pelo Estado, que usa da violência como resposta a sua ausência. Por meios expositivos, publicações, fóruns, ações educativas e desenvolvimento de pesquisa, torna-se referência de estudos sobre a comunidade, seu contexto histórico e desenvolvimento, o visitante e público deve se sentir pertencente ao espaço e a comunidade para dele se apropriar. Com as atuais demandas a educação ocupa um lugar central nas funções dos museus. A orientação é que partir de seus acervos e o local onde se inserem construam atividades maximizando sua função educativa. Quando pensamos em ação educativa entendemos que todos os funcionários envolvidos nas ações podem vir a desempenhar um papel relevante A necessidade de dar maior atenção a implantação de áreas educativas nos museus, para que estas, em parceria com outras instituições, desenvolvam atividades regulares e contínuas, tem-se tornado crescente, em âmbito mundial e no Brasil. Pode ser um reflexo do pensamento de que uma possibilidade para os museus viverem a vida contemporânea é o estabelecimento de múltiplas relações com os públicos, na perspectiva de construção de um espaço de memória e educação. Aprender a partir e com “objetos” que ao comunicarem com a experiência individual, coletiva, com o espaço tempo onde estão dispostos e expostos recebem significações que ampliam as formas dos sujeitos se relacionarem com os processos de aprendizagem. Uma proposta educacional multidisciplinar que se relaciona com as origens do acervo do museu dialogando com saberes da educação e da museologia Fomentar espaços de valorização da cultura oriunda das favelas é um meio de proporcionar o diálogo e desinvisibilar conhecimentos populares combatendo o fascismo social. Este segundo Santos (2007) é um regime social de relações de poder extremamente desiguais que concedem a parte mais forte o poder do veto sobre a vida da parte mais fraca refletem a pressão da lógica da apropriação/violência sobre a lógica da regulação/emancipação Um processo de segregação social dos excluídos, auxiliado por uma cartografia urbana dividida em dois tipos de zonas, as selvagens e as civilizadas. (SANTOS,2007). Articular o pensamento, e atividades de lazer que atinjam aos moradores e todos os interessados em conhecer a Maré, superando a noção da favela, apenas, como local da ausência e legitimando a cultura produzida nos e com esses espaços. Promover a melhora da autoestima para os moradores em relação a sua condição social levando em conta a questão racial que permeia as relações cotidianas. Segundo a Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003 Combater o racismo, trabalhar pelo fim da desigualdade racial, empreender reeducação das relações étnicorraciais não são tarefas exclusivas da escola e consideramos o museu dentro da favela um espaço privilegiados para discutir questões raciais rompendo com imagens negativas forjadas por diversos meios de comunicação do que é ser negro no Brasil. É fundamental conhecer a complexidade que envolve os processos de construção da identidade negra no Brasil. Sobre a cultura negra recorremos a Gomes (2003) segundo ela carrega estratégias de resistência subvertendo múltiplas tentativas de suprimir suas expressões. A intensa opressão a que foi submetida exige dimensioná-la e situá-la dentro das trocas com outras culturas na tentativa de não reduzi-la e cair na sua folclorização (GOMES, 2003.). CONCLUSÕES Quando assumimos uma postura ecológica em relação aos processos formais de aquisição de conhecimentos buscamos tecer espaços de valorização de culturas locais como alternativa a questões estruturais mais amplas. Ao produzir um texto dentro de uma proposta dialógica a ideia é trazer diferentes vozes que compõe a instituição, museu. Valorizar a cultura local é amplificar sons sujeitos a múltiplos silenciamentos. O museu como memória em permanente construção, se (re) conhece em seu tempo e espaço de modo que as narrativas ali tecidas dão novos significados a cultura produzida neste espaço. Consideramos a partir de nossas avaliações de que muitas pessoas conhecem o Museu da Maré pelo meio acadêmico, ou perpetuam o senso comum da ideia de museu como um local de salvaguarda de objetos antigos, o que não coincide com uma visão interna sobre o propósito da instituição. O museu possuía uma relação pouco estabelecida com a comunidade, o que consequentemente, fragilizava sua atuação perante sua própria visão de missão. Passar por uma experiência de tiroteio é inexplicável. A sensação de não ter nada a fazer e imaginar que pode ser atingido por uma bala com um potencial de arrancar um membro, ou se tornar escudo de uma guerra particular é sobreviver no caos. Este é o tipo de situação que mesmo que coloque em palavras, o medo é maior que qualquer alcance racional de uma pessoa. Imaginemos então estar sujeito a esta situação durante toda a vida. Talvez essa seja uma reflexão pouco feita pelas pessoas do Rio de Janeiro, que não vivem em favelas, o fato é que uma vivência dessa deixa muitas marcas. Ou ao introduzir a situação ao seu cotidiano pode deixar mais que marcas, e se tornar uma nova forma de conduta diante de uma realidade muitas vezes vista só em vídeo games. A sensação de ter de lidar com a dor do medo e encarar a violência como algo ‘tranquilo’, afinal está no dia-a-dia de uma favela, é um sentimento que compartilhado talvez possa esvair, mas nunca minimizar. Diante de um quadro como esse o que se pode fazer com o que há de mais aclamado pela sociedade como solução de um problema de segurança pública são questões urgentes. As Unidades de Polícia Pacificadora, UPP’s, foram idealizadas com o objetivo de desarmar um tráfico extremamente equipado, para que assim esse possa ser fragmentado aos poucos, colocando a favela em poder do Estado. O sentido dessa estratégia está na contenção do avanço do poder bélico de civis fora da lei sobre determinadas áreas. A reflexão nos leva a crer que existe um paradoxo nessa conduta, pois afinal um local que há tempos é colocado como à parte de uma cidade, e que agora necessita ser reintegrado a qualquer custo ou vida nesse paradigma. Tudo pode parecer ser muito óbvio porque ao ligar a televisão e acessar os meios de comunicação nos deparamos com os inúmeros assaltos, dentre outras violências estampadas diariamente, que imediatamente se leva a conexão dos guetos que facilitam as fugas e compras de armas. Talvez o que se queira com a bela palavra pacificação seja a transferência do poder. Entretanto, em parte isso se deve ao forte armamento que chega aos civis ilegalmente. E assim, pode-se se questionar que o tráfico de drogas na verdade é um comércio que nada tem de novo, por mais que as drogas ilegais, assim como as drogas legais tenham alguns efeitos indefensáveis. O que está em jogo é a necessidade de ocupação de uma área por outro grupo que não fazia uma conexão com aquele espaço, o Estado. Em relação as armas afirmamos que um cenário de terror tem elas como protagonistas da impotência diante da potência delas, a sociedade tem medo. A trajetória do museu elabora imagens e discursos que articulam referenciais de pertencimento de seus membros. Fazer pesquisa com educação museal também é identificar, registrar e preservar como os diferentes sujeitos sociais (re) conhecem o espaço e o papel simbólico desempenhado pela instituição na sociedade. O museu como lugar de memória e em constantes transformações, uma preservação como instrumento de (re) criação dinâmica, onde historias locais são percebidas diferentemente no tempo e espaço onde são vividas, subsidiando renovações onde diferentes agentes sociais vivenciam o museu. Assumimos a opção de trabalhar com relatos e com conversas como espaços onde as práticas sociais de reinventam por entender que enquanto escolha política e epistemológica dão voz ao sujeito comum que, na maior parte das vezes, não tem sua voz fixada nos discursos oficiais. Buscar na localidade alternativas a questões globais, requer escutar atentamente o que dizem as vozes locais. (SANTOS, 1997, 2000) No trabalho, na pesquisa, no cotidiano trilhando práticas emancipatórias como alternativas possíveis de não reduzir a realidade que existe ao que existe. Um emaranhado de narrativas de práticas, atravessadas por teorias, compondo uma textura de emancipação social que aponta a novas direções orientadoras. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Educação. Orientações e ações para a educação das relações étnicoraciais. Brasília: SECAD, 2006. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, vol. 1 e vol. 2 1994. FACINA, Adriana. Cultura como crime, cultura como direito: a luta contra a resolução 013 no Rio de Janeiro. Trabalho apresentado na 29a Reunião Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 03e 06 de agosto de 2014, Natal/RN. GOMES, Nilma Lino. Cultura negra e educação. Revista Brasileira de Educação.N. 23. MaioAgo.2003 PINAR, W. THE ANALYTIC MOMENT: ANTI-INTELLECTUALISM AND COMPLICATED CONVERSATION. 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