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DÉCADA DA MISSIONARIEDADE
14-24 de maio de 2015
Comentários em torno de leituras bíblicas
Evangelho de São João
Sobre a década da missionariedade
Tomando parte ativa nos eventos espirituais da Década da Missionariedade, somos
chamados a redescobrir e novamente compreender que as nossas comunidades paroquiais e as
nossas famílias (igrejas domésticas) são, por sua natureza, missionárias. A tomada de consciência
sobre isso decorre do dom do nosso Batismo, graças ao qual todos os fiéis, pelo poder desse santo
sacramento, assumiram a obrigação de crer, viver, servir e compartilhar com a experiência de sua
fé em Cristo – compartilhar não só com os seus familiares, mas com todo o próximo no meio em
que vivemos. Cristo pensou a comunidade em vista da missão. Portanto, é missão da comunidade
paroquial: permitir a Cristo entrar mais profundamente em nossa vida, como também levar a Boa
Nova para além da nossa comunidade, ampliando as fronteiras do Reino de Deus.
Da Ascensão até o Pentecostes (envio do Espírito Santo), rezamos com toda a comunidade
paroquial pedindo que o Senhor renove a nossa vida em Deus pelo poder e ação do Espírito Santo.
De maneira especial, dedicamos as nossas orações dessa década anual aos nossos paroquianos,
capelães e a todos que sofrem no leste da Ucrânia.
Se devido a certas circunstâncias torna-se impossível perfazer (cumprir) a Década durante
a semana, ou se alguns paroquianos não podem dela participar, é preciso explicar-lhes como fazer
a Década no seio da família: todos os dias encontrar um tempo (5 minutos) para a leitura orante,
em comum, do “Itinerário da Década da Missionariedade” (Palavra de Deus, Reflexão, Palavras
do Metropolita Andrey, Oração) e principalmente refletir sobre o cumprimento da tarefa
missionária diária.
Outra possibilidade: fazer a Década no círculo de oração reunindo várias famílias, por
exemplo, com os vizinhos.
Introdução – Quinta-Feira
Festa da Ascensão de Nosso Senhor, Jesus Cristo
Convite. Neste solene dia da grande festa da Ascensão de Nosso Senhor, Jesus Cristo, convidamos
todos vós a responder ao convite do nosso Patriarca, Sua Beatitude Sviatoslav (Schevtchuk) e pôrse, todos juntos, a caminho em peregrinação para a festa do Pentecostes. Junto com toda a
comunidade paroquial, meditando ao longo dos dez dias seguintes sobre as leituras bíblicas do
Evangelho de São João que ocorrem na Liturgia. Os temas dos dias seguintes, para os quais chama
a nossa atenção São João, nos ajudarão a melhor responder ao apelo de Sua Beatitude Sviatoslav no
tocante à difusão da Boa Nova de Cristo no mundo, destinada a todo aquele que tem sede da
Palavra de Deus1.
1
Esse apelo encontra-se na Carta Pastoral de Sua Beatitude Sviatoslav “PARÓQUIA VIVA – LUGAR DE
ENCONTRO COM O CRISTO VIVO”. Edição da Cúria Patriarcal da IGCU, Kiev, 2012.
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Evangelho de São João. Para muitos, é um dos textos prediletos do Novo Testamento. Esse
Evangelho é simples e o mais acessível, apesar da sua profundidade de pensamento. Percebemos
nele que o autor foi um amigo íntimo de Jesus e que durante toda a sua longa vida ele recordava,
meditava, revivia tudo o que Jesus tinha dito e feito, orava para tudo compreender, concentrava-se
sobre cada detalhe e pretendia ajudar os outros a compreender todos os aspectos de Sua (de Jesus)
missão. Quanta gente no decorrer dos séculos encontrou nesse Evangelho o Cristo vivo! Sua vida,
então, enchia-se de calor, de luz e de esperança. O Evangelho de São João pertence ao número dos
mais relevantes livros da humanidade e é sobretudo importante que esse livro seja lido não só pelos
teólogos, mas por todos os que querem compreender o Amor de Deus para com o gênero humano.
Esse singular testemunho sobre Jesus que complementa os três Evangelhos ditos
“sinópticos” (Mt, Mc, Lc), desvela para nós o cumprimento do plano divino: o Verbo eterno que
permanecia no Pai – Filho de Deus torna-se Filho do Homem e o tão longamente esperado Messias.
Ele, doando-se a si mesmo, ao mesmo tempo nos traz a salvação, isto é, a vida eterna. Sendo a
segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Ele, como Deus, tomou sobre si a natureza humana. Essa
verdade sobre Jesus é o fundamento de todas as verdades. Crer em Cristo é o único caminho para o
Pai e para a vida eterna.
Contrastando com as coisas efêmeras que invadem a nossa vida, João nos dá o alegre
testemunho que Jesus é “Aquele que é”. Justamente com estas palavras Deus primeiramente se
revelou a Moisés no Antigo Testamento (Ex 3, 14). É uma expressão de Jesus extraordinariamente
importante: “Eu Sou”. João a repete cerca de 150 vezes, sete das quais designam de maneira
especial a plenitude de vida que recebemos em Jesus e por meio de Jesus, pois Ele É a verdadeira
luz (9, 5) que brilha nas trevas do mundo. Somente Ele É a porta (10, 7) que conduz à vida eterna;
somente Ele É o verdadeiro bom Pastor (10, 11) que nos conduz à vida, porque somente Ele É o
Caminho, a Verdade e a Vida (14, 6). Enfim, só Ele É a verdadeira Videira (15, 1), da qual
podemos haurir a energia da Vida. E mesmo se viermos a morrer, Ele É a Ressurreição e a Vida
(11, 2).
Testemunha ainda João: apesar de que após a sua gloriosa ressurreição Jesus permanece
sempre invisivelmente no meio de nós, Ele nos deixou o Paráclito que a longo da história guia a
Igreja e a constitui em toda a verdade (3, 5-8; 7, 37-39; cap. 14-16).
A Igreja lê o Evangelho de João no período entre a Páscoa e o Pentecostes, a fim de que,
meditando sobre os peculiares sinais e prodígios da presença de Jesus na história, possamos crescer
no amor e na confiança perante Ele e termos Vida em seu nome (cf. Jo 20, 30-31). Pode-se dizer
que o evangelista João nos guia até o recebimento do dom do Espírito Santo, em nome do Senhor
Ressuscitado.
1. Sexta-Feira: Evangelho de João 14, 1-11.
Jesus: Caminho, Verdade e Vida
Palavra de Deus: Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em
mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou
preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e vos tomarei comigo,
para que, onde eu estou, também vós estejais. E vós conheceis o caminho para ir aonde
vou. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o
caminho? Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai
senão por mim. Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora
já o conheceis, pois o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos
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basta. Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe!
Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai... Não credes que
estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim
mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. Crede-me:
estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras.
Reflexão. Jesus é o Caminho, o único vínculo entre Deus e o homem, entre o céu e a terra. Alguém
poderá dizer que esse caminho é por demais estreito. Na verdade, ele é largo o suficiente para que o
mundo inteiro possa passar por ele, apenas decida escolhê-lo. Ele é a plenitude da Verdade, porque
nos revela toda a verdade sobre Deus e com a sua vinda ao mundo Ele demonstra que Deus cumpre
o que promete. Ele é a Vida, porque participa eternamente da vida divina do Pai e porque com a sua
graça nos concede a possibilidade de participar nessa vida divina. Sendo Vida, Jesus une a sua vida
divina à nossa, já agora e na eternidade. A finalidade da nossa vida: estar com Deus Pai. A pessoa
de Jesus Cristo é o único caminho para consegui-lo.
Palavras do metropolita Andrey. O Altíssimo Deus em sua infinita misericórdia queria o bem
para os homens e buscava meios a fim de reconduzir novamente ao caminho da salvação os que
caíram na servidão do pecado. Para tornar possível a salvação, a toda-poderosa mão de Deus une o
céu e a terra. Sobre o precipício que os separava estende como que uma ponte, pela qual nos é
possível passar daqui para lá – da terra para o céu. Nessa ponte, suspensa sobre precipícios e
abismos intransponíveis, sobe Aquele que disse sobre Si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a
vida” (Jo 14,6). A ponte que liga, por sobre os abismos, o céu e a terra, o Deus Altíssimo e a
humanidade decaída, a luz celeste e as trevas do mundo, a vida eterna e a morte quotidiana, essa
ponte é o próprio Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo. (Lviv, 7 de janeiro de 1939: homilia de
Natal do metropolita Andrey).
Oração. Cristo, vida e caminho, que ressuscitou dos mortos, caminhava na companhia de Cléofas e
Lucas. Eles o reconheceram quando partia o pão em Emaús; e seus corações ardiam quando
conversava com eles pelo caminho, explicando pelas Escrituras o seu padecimento. Com eles,
também nós dizemos: Ele ressuscitou e apareceu a Pedro.
Tarefa missionária. Qualquer que seja o caminho pelo qual a vida nos conduza, o caminho do
trabalho, do estudo, do serviço, do cumprimento das nossas obrigações, façamos o propósito de
amanhã caminharmos o dia inteiro junto com Jesus. Veremos, então, a diferença: caminhando pelas
nossas trilhas não poderemos nos salvar a nós mesmos nem o mundo, mas somente confiando-nos a
Jesus e à sua graça poderemos caminhar em direção do Reino de Deus. Tenhamos a coragem de
viver e testemunhar de tal forma que os outros possam compreender que somente Jesus é o
Caminho, a Verdade e a Vida.
2. Sábado: Evangelho de João 14, 10-21
Espírito Santo Paráclito
Palavra de Deus. Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que
vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as
suas próprias obras. Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa
destas obras. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as
obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o
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que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei. Se me amais, guardareis os meus
mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente
convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o
conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Não vos
deixarei órfãos. Voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós,
porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia conhecereis que estou
em meu Pai, e vós em mim e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os
guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e
manifestar-me-ei a ele.
Reflexão. Jesus Cristo nos convida a agir como Ele agia e a fazer obras como Ele as fazia. Isso nos
parece impossível, mas para tanto Ele nos deu o seu dom especial, o seu Espírito Santo que
permanece em cada um de nós. Deixando este mundo, Jesus prepara seus discípulos, e com isso
também a nós, para tempos de dificuldades e provações. Ele promete que não nos deixará órfãos,
mas nos enviará o Consolador, entidade poderosa que nos sustentará e agirá em nosso favor e junto
com nós. Jesus nos garante que o Espírito Santo jamais nos abandonará (14, 16), nos guiará à
verdade (14, 17) que o mundo não conhece (14, 17). Ele viverá junto de nós e dentro de nós (14,
17), Ele nos ensinará (14, 26) e nos recordará as palavras de Jesus (14, 26; 26). Em outro lugar
Jesus ensina sobre o Espírito Santo: Ele é a fonte da verdade (15, 26) e nos faz descobrir a nossa
pecabilidade e nos mostra o caminho para a justiça, e também nos convence sobre a inevitabilidade
do juízo divino (16, 8). Ele nos faz antever o futuro (16, 13) e revela a glória de Cristo (16, 14). O
Espírito Santo agia entre os homens desde o início do mundo, mas com o dia do Pentecostes (Atos
2) Ele começa a viver e agir no coração de todos os fiéis.
Palavra do metropolita Andrey. As pessoas muito frequentemente abandonam os caminhos de
Deus e seguem seu próprio caminho da perdição do corpo e da alma. Para salvá-las e conduzi-las ao
verdadeiro caminho, Cristo nos concedeu mais um dom, o dom de todos os dons. Dez dias após a
sua Ascensão, Ele nos enviou o seu Espírito Santo. E o Espírito de Deus, que nos foi dado, vive em
nós e guia todos aqueles que apenas desejam entregar-se livremente à sua santa direção, caminhar
pelos caminhos de Deus da vida cristã. E vós, meus caros, também recebestes esse dom, um grande
dom, glorioso, santo, que na alma de cada um acolhe, conduz e ouve a nossa oração. Que infinito
bem, que dom celeste e maravilhoso, que felicidade ser cristão! (Lviv, abril de 1943: carta pastoral
do metropolita Andrey por ocasião da Páscoa).
Oração (m.1). Todas as coisas as concede o Espírito Santo: envia os apóstolos, aperfeiçoa os
sacerdotes, aos néscios concede sabedoria; faz dos pescadores teólogos, concede unidade a toda a
comunidade da Igreja. Consubstancial e glorificado em igualdade com o Pai e o Filho, ó Paráclito –
glória a Vós!
Tarefa missionária. O Espírito Santo dá a cada um, que abre seu coração para Ele, o poder de fazer
obras divinas, a despeito do que isso pode custar e dos obstáculos que se enfrenta. Façamos o
propósito de ao longo do dia de amanhã sermos particularmente sensíveis para com os que precisam
experimentar a bondade de Deus em sua vida e lhes mostrarmos o amor e a misericórdia de Deus.
Tenhamos o cuidado para que o nosso coração não se torne um covil de malfeitores, e sim morada
do Espírito Santo.
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3. Domingo dos Santos Padres: Evangelho de João 17, 1-13
Oração sacerdotal de Jesus
Palavra de Deus. Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse:
Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo
poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe
entregaste. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a
Jesus Cristo que enviaste. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer.
Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes
que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram
teus e os deste a mim e guardaram a tua palavra. Agora eles reconheceram que todas as
coisas que me deste procedem de ti. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste
e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me
enviaste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste,
porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. Já
não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai
santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam
um como nós. Enquanto eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, que me
incumbiste de fazer conhecido. Conservei os que me deste, e nenhum deles se perdeu,
exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. Mas, agora, vou para junto de
ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha
alegria.
Reflexão. Ao final da última ceia, Jesus profere uma longa oração ao Pai, na qual Ele ora por Si
mesmo (vv. 1-5), pelos seus discípulos (vv. 6-19) e pelos que no futuro pela sua pregação crerão no
Evangelho, isto é, por nós (vv. 20-26). No domingo após a Ascensão esse texto é lido como se fosse
um testamento de Nosso Senhor. Jesus pede ao Pai que o glorifique e o faça assentar a seu lado, no
lugar que Ele possuía antes da criação do mundo... As obras que o Pai lhe recomendou, Ele já as
cumpriu, as palavras que era necessário dizer, foram ditas. Tudo o Pai lhe confiou, Ele o revelou
aos seus discípulos eleitos. Portanto, o Senhor ora pelos discípulos para que esses transmitam
adiante suas palavras, para que continuem a Sua obra. Jesus sabe do perigo que ameaça os
discípulos. O mundo os odeia, como odiou a Ele próprio; irá persegui-los e matá-los. Eles não
pertencem ao mundo, mas serão enviados ao mundo e por isso mesmo necessitam de ajuda na
pessoa do Espírito Santo, fonte de unidade, alegria e amor.
Palavra do metropolita Andrey. Se demonstramos o nosso amor ao próximo, amor não só através
de belas palavras, mas sobretudo amor que se concretiza em obras de misericórdia; todos, então,
haverão de reconhecer que somos verdadeiros discípulos de Cristo, compreenderão que cremos de
fato no ensinamento de Cristo e seguimos o seu ensinamento. Que essa característica distintiva de
verdadeiros cristãos se manifeste agora em nossas pessoas. Que todos vejam que somos fiéis à
palavra de Cristo. “Tudo o que fizestes ao um dos meus irmãos mais pequeninos é a mim que o
fizestes”.
(Lviv, 13 de dezembro de 1931: carta pastoral do metropolita Andrey e do episcopado da província
eclesiástica da Galícia ao clero e fiéis: “Em auxílio aos desempregados e pobres”).
Oração (m. 1). O Senhor pôs-se entre os discípulos que levou consigo à montanha, para daí subir
aos céus. Quando eles o adoraram e entenderam plenamente o poder que lhes foi dado, Ele os
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enviou ao mundo inteiro para anunciar a subida aos céus. Cristo-Deus, verdadeiro Salvador de
nossas almas, prometeu-lhes permanecer com eles para sempre.
Tarefa missionária. Na oração de João, capítulo 17, Jesus agradece ao Pai pelo dom de seus
discípulos que Ele lhe deu. Isso significa que a minha vida pertence a Jesus e que eu devo ser um
instrumento em suas mãos, falar com Suas palavras, fazer as Suas obras. Hoje à tarde, ou no
decorrer do dia de amanhã, encontremos um cantinho onde possamos, no silêncio e na paz, rezar
com as palavras: “Senhor, estou aqui! Senhor, sou seu (sua)!” Repitamos essa oração quantas vezes
for necessário para sentirmos a presença de Deus em nossas vidas e manifestarmos a nossa
prontidão para servir a Deus em todas as coisas.
4. Segunda-feira: Evangelho de João 14, 27 – 15,17
Jesus – fonte de paz, verdadeira videira
Palavra de Deus. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize! Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a
vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o
Pai é maior do que eu. E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que
creiais quando acontecerem. Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste
mundo; mas ele não tem nada em mim. O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e
procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui. Eu sou a videira verdadeira,
e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o
que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho
anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si
mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se
não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e
eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer
em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e
será queimado. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós,
pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis
muito fruto e vos torneis meus discípulos. Como o Pai me ama, assim também eu vos amo.
Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu
amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Dissevos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja
completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém
tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se
fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu
senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não
fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e
produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto
pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. O que vos mando é que vos ameis uns aos
outros.
Reflexão. Na última ceia Jesus dá aos seus discípulos a sua paz. A palavra hebraica shalom tem um
sentido muito amplo e profundo, significando: sorte, salvação, liberdade, autenticidade, paz. Paz
não é ausência de guerra; esta palavra designa um conceito positivo com um sentido muito
particular. Na sua raiz, shalom quer dizer: ter saúde, ser forte, valoroso, íntegro, digno, perfeito.
Jesus não só dá a paz; Ele também a sustenta em nós se permanecermos unidos a Ele. Jesus é a
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videira, Deus é o agricultor, e os ramos são os que seguem Jesus. Os ramos produtivos são os
verdadeiros crentes que produzem frutos em abundância em sua vida. Mas aqueles que não
produzem frutos, se separam da videira: são as pessoas que rejeitam Cristo. Viver em Cristo
significa: (1) crer que Ele é o Filho de Deus (1Jo 4, 15); (2) aceitá-lo como Salvador e Senhor (Jo 1,
12); (3) cumprir a vontade de Deus (1Jo 3, 24); (4) conservar a fé (1Jo 2, 24) e (5) pertencer à
Igreja, comunidade dos fiéis (corpo de Cristo). Eis em que consiste a verdadeira paz!
Palavra de metropolita Andrey. Como um ramo não pode florescer e produzir fruto se não está
unido ao tronco, do qual absorve a seiva, assim a alma do cristão se não está inserida, ligada, unida
a Jesus Cristo, não pode viver uma vida cristã e produzir flores e frutos de boas obras. Se ela está
unida a Jesus Cristo, de Cristo faz fluir para ela a força da graça de Deus, da mesma forma como as
seivas fluem do tronco para os ramos. Separado do tronco, o ramo seca; a alma, separada de Cristo,
desvanece-se, debilita-se e morre. Como a seiva deve continuamente fluir do tronco para os ramos,
assim o cristão precisa todos os dias unir-se a Cristo, para dele haurir força e vida (Lavriv, 1 de
maio de 1909: carta pastoral do metropolita Andrey aos fiéis, sobre a comunhão frequente).
Oração (Modelo: “Quando do madeiro”). Quando o bom ladrão Vos reconheceu, ó Cristo, como
uma fecunda videira, tornou-se melhor esse malfeitor sensato, e com um breve grito habilmente
arrebatou o perdão dos seus antigos pecados. Sejamos seus imitadores e digamos todos: Lembraivos de nós, ó Deus do amor!
Tarefa missionária. A nossa vida é tão agitada, mas somos chamados à paz, mesmo nas situações
de tensão social ou de conflitos. Ao longo do dia de amanhã procuremos cultivar em nós a paz de
espírito, aquela paz que o Senhor dá àquele que tem Cristo em seu coração. Que no dia de amanhã a
paz se manifeste nas minhas palavras, nas minhas ações, na minha atitude de vida. Daí, então, será
possível reconhecer que eu sou um ramo vivo da videira de Cristo.
5. Terça-feira: Evangelho de João 16, 2-13
Espírito Santo e o pecado do mundo
Palavra de Deus. Eles vos expulsarão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que
vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram
o Pai, nem a mim. Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos
lembreis de que vo-lo anunciei. E não vo-las disse desde o princípio, porque estava
convosco. Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde
vais? Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração. Entretanto, digo-vos a
verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se
eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da
justiça e do juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em
mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós
já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste
mundo já está julgado e condenado. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as
podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ele vos ensinará toda a
verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas
que virão.
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Reflexão. Nas suas últimas horas de permanência com os discípulos, Jesus os adverte sobre as
perseguições que suas comunidades iriam sofrer no futuro; explicou-lhes para onde, quando e
porque Ele iria embora; garantiu-lhes que não ficariam sozinhos, mas lhes enviaria o Espírito Santo.
Sabia Ele o que estava por vir e não queria que a sua fé vacilasse ou se dissipasse. Não estamos
sozinhos! Em nós vive o Espírito Santo que nos sustenta, nos ensina toda a verdade e nos ajuda. A
presença de Cristo na terra era limitada pelo espaço e tempo. Mas a ação do Espírito Santo supera
todos os limites de espaço e tempo. Por seu intermédio todas as gerações do gênero humano podem
conhecer o que é o pecado e a que consequências ele conduz. Por obra do Espírito Santo, a justiça
divina é acessível a todo o que crê no Senhor Jesus. Nossa esperança na justiça de Deus supera
todas as provações e perseguições por parte do mundo.
Palavra do metropolita Andrey. Cristo fala diretamente às almas com a voz suave de sua graça e
pela silenciosa inspiração do Espírito Santo. Mas como Mestre dos homens, como o Enviado dos
céus para a salvação da humanidade e como testemunho da verdade, Cristo pode falar aos homens
somente por meio de sua santa Igreja. Essa “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tim 3, 15) é
necessária para conservar a palavra de Cristo e transmiti-la de geração em geração. (Pidliute, junhoagosto de 1935: metropolita Andrey, retiro para sacerdotes).
Oração (m. 3). Honremos dignamente hoje a memória das primícias do cristianismo em terras
ucranianas e daqueles que, perseguidos por causa da fé, resplandeceram em heroicas virtudes,
verdadeiros justos e testemunhos do Evangelho de Cristo, porque hoje, na glória de Deus, eles
intercedem pela salvação de nossas almas.
Tarefa missionária. A nossa Igreja que passou por perseguições no século XX, foi sustentada pelo
poder e ação do Espírito Santo. Hoje, nossos irmãos e irmãs em Cristo sofrem terríveis
perseguições, principalmente no Oriente Médio. Ao longo do dia de amanhã unamo-nos em oração
com aqueles que com a sua vida dão testemunho de Cristo perante o mundo pecador e procuremos
encontrar meios para manifestar o amor de Deus àqueles que nos odeiam, pois o amor vence o
mundo.
6. Quarta-feira – Evangelho de João 16, 15-23
A promessa da alegria
Palavra de Deus. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é
meu, e vo-lo anunciará. Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um
pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai. Nisso alguns dos seus
discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de
tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que
significa também: Eu vou para o Pai? Diziam então: Que significa este pouco de tempo de
que fala? Não sabemos o que ele quer dizer. Jesus notou que lhe queriam perguntar e disselhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me
vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver. Em verdade, em verdade vos
digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes,
mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria. Quando a mulher está para dar à luz,
sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da
aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo. Assim
também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso
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coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria. Naquele dia não me perguntareis
mais coisa alguma. Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome,
ele vo-lo dará.
Reflexão. Durante a última ceia, Jesus falou a seus discípulos sobre a sua morte. O Senhor
explicava que em breve Ele ressuscitará e aparecerá a eles. Jesus enfatizava que existe um grande
contraste entre os discípulos e o mundo. O mundo pratica o mal e se alegra com isso, mas os
discípulos são chamados para fazer o bem e alegrar-se com o bem, mesmo quando isso venha trazer
um sofrimento ou sacrifício passageiro. Os valores deste mundo são contrários aos valores do Reino
de Deus. Pensando com categorias deste mundo, certos cristãos poderão pensar que são uns
frustrados. Mesmo que a nossa vida presente seja cheia de dificuldades sofridas por amor a Cristo e
pela sua verdade, Jesus ensina que virá certamente um tempo em que iremos nos alegrar, e esse
tempo já chegou. Ser discípulo de Cristo significa olhar o futuro com confiança e já agora alegrar-se
com o cumprimento das promessas de Deus. Ele vive, Ele nos guia, Ele torna a nossa vida cheia de
Espírito Santo. Não é preciso, portanto, temer os desafios e provações desta vida, pois Cristo já
venceu o mundo e nos aplainou o caminho para a alegria eterna em Deus.
Palavra do metropolita Andrey. Somente pela luz da fé, com uma ponta da nossa razão podemos
conhecer algo do futuro que virá e algo sobre o caminho pelo qual o Espírito nos conduz. Mas,
mesmo que não possamos compreender, podemos experimentar a justa alegria e a satisfação em
face da realidade que em nossa alma vive o Espírito de Cristo, porque nele encontramos a certeza,
uma certeza maior que todas as certezas deste mundo, que Jesus é Filho de Deus, a verdade de
Deus, a sabedoria de Deus. Não necessitamos de provas ou milagres, não são necessários profetas,
pois é o Espírito que nos dá o testemunho (1Jo 5, 6). E “se aceitamos o testemunho dos homens”, e
sem esse testemunho e sem essa fé a vida é impossível, então “o testemunho de Deus é maior... o
testemunho que deu de seu Filho” (1Jo 5, 9-11). O mesmo Espírito testemunha para o nosso
espírito o fato de que somos filhos de Deus (cf. Rm 8, 16). Se recebemos o Espírito de Deus,
quando possuímos o Espírito de Cristo, devemos viver, não segundo o corpo, mas segundo o
espírito, devemos pelo espírito mortificar as nossas obras do corpo (cf. Rm 8, 13). Isso não se refere
somente aos religiosos, mas a todos os cristãos, pois todos receberam o Espírito Santo no
sacramento da Crisma. (Lviv, 12 de junho de 1938: homilia do metropolita Andrey no dia do
Pentecostes).
Oração (m. 8). Jesus, na aparência de um jardineiro, apareceu a Maria, debelando o anseio com o
orvalho de sua palavra e lhe disse: Vá encontrar os meus discípulos e anuncia-lhes a alegria! Pois eu
vou ao meu Pai e meu Deus, para dar ao mundo grande graça.
Tarefa missionária. Talvez alguém de vós se recorda quando da visita do Papa João Paulo II em
Lviv, no dia seguinte, caminhando pela cidade, era possível ver no rosto das pessoas uma grande
alegria. A alegria pertence ao número dos chamados “frutos” do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22-23) e
nessa alegria podemos reconhecer a Sua presença no meio de nós. No decorrer do dia de amanhã,
onde quer que estejamos, procuremos renovar essa alegria, sorrindo para as pessoas que
encontramos, lembrando que somos filhos de Deus, alegrando-se com o fato de que Deus nos ama e
nos quer bem.
7. Quinta-feira: Evangelho de João 16, 23-33
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Palavra de Deus: Naquele dia não me perguntareis mais coisa alguma. Em verdade, em
verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Até agora não
pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja
perfeita. Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não
vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do
Pai. Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós. Pois o
mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus. Saí do Pai e vim ao
mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis
que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura. Agora sabemos
que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso,
cremos que saíste de Deus. Jesus replicou-lhes: Credes agora!... Eis que vem a hora, e ela
já veio, em que sereis espalhados, cada um para o seu lado, e me deixareis sozinho. Mas não
estou só, porque o Pai está comigo. Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim.
No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.
Reflexão. Nesta passagem, Jesus afirma claramente que temos acesso a Deus, direto, pronto e
imediato. Se Jesus proveio do Pai e retorna ao Pai, isso significa que aqueles que pertencem a Jesus
têm a mesma intimidade com Deus, como o próprio Jesus. Quando pedimos alguma coisa a Jesus, o
Pai nos atende. Mas é necessário pedi-lo com confiança na bondade de Deus e com entrega à
vontade de Deus. Podemos ter grande intimidade perante Deus, porque Ele nos ama com um amor
maior que o amor que temos por nós mesmos. Por isso, não devemos desanimar quando nos parece
que o nosso pedido não é atendido, e acreditar que tudo resultará para o nosso bem se buscarmos a
sua vontade e tivermos confiança nele. Os cristãos de maior destaque na história da Igreja foram
sempre pessoas que com toda a humildade confiaram firmemente em Deus em toda a sua vida.
Palavra do metropolita Andrey. Digo-vos: quando tiverdes alguma preocupação, aflição, tristeza
ou enfermidade, pensai sempre que o bom Deus do céu nos enviou seu Filho Unigênito para a nossa
salvação. Pensai que esse Filho de Deus, Jesus Cristo, tem tanto amor por nós em seu coração que
em todas as coisas, até nas mais importantes, podemos procurá-lo com filial confiança e que sempre
encontraremos nele um coração cheio de carinho e amor, sensível aos nossos problemas. Esse
pensamento vai se formando devagar e com o apoio da oração, e quando se tornar hábito em toda a
aflição procurar Jesus Cristo, então, não uma vez, mas cem vezes experimentareis a misericórdia do
amor de Cristo e vós mesmos não percebereis quando, aos poucos, começará arder em vossos
corações o fogo celeste do amor divino que irá purificar, santificar e elevar os vossos corações a
Deus, em Quem, após a morte, encontrareis alegria e felicidade eterna. (Lviv, fevereiro de 1906:
carta pastoral do metropolita Andrey por ocasião da Grande Quaresma).
Oração (m. 6). Vinde, ó fiéis, trabalhemos com disposição para o Senhor que distribui os bens aos
seus servos. Todos nós, de acordo com o que recebemos, multipliquemos o talento da graça: quem
recebeu sabedoria, produza boas obras; outros cumpram com dedicação o seu serviço; outro
compartilhe a sua fé, instruindo o néscio; outro dispense sua riqueza para os pobres. Assim faremos
crescer o que nos foi dado e como fiéis administradores da graça, mereceremos a alegria do Senhor.
Tornai-nos dignos dela, ó Cristo-Deus, pleno de amor.
Tarefa missionária. Cada um de nós já teve alguma experiência de oração que, à primeira vista,
não foi atendida por Deus. Isso poderia provocar dúvida em nós se Deus nos ouve ou, até mesmo,
se Deus existe. No decorrer do dia de amanhã exercitemo-nos na confiança em Deus e com
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frequência repitamos as seguintes palavras: “Pai, seja feita em mim a vossa vontade”. Que de mais
belo pode existir que a realização da vontade de Deus em nossa vida?
8. Sexta-feira: Evangelho de João 17, 18-26
Que todos sejam um
Palavra de Deus. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Santificome por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. Não rogo somente por
eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos
sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em
nós e o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um,
como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo
reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim. Pai, quero que, onde eu estou,
estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste,
porque me amaste antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu
te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de
lhes manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.
Reflexão. Na sua oração sacerdotal, na última ceia, Jesus rezou pela união dos seus discípulos. No
Símbolo da Fé rezamos pela “Igreja una, santa, católica e apostólica”, que deve ser sinal visível da
unidade interna dos filhos de Deus. A nossa união deve ser fundamentada na unidade do Pai, do
Filho e do Espírito Santo. É a unidade que procede do amor divino e retorna a ele. Disse Jesus:
“Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 35).
Por isso, divisões no corpo da Igreja de Cristo são um escândalo perante o mundo e um testemunho
anti-evangélico. Se não existir união entre os filhos de Deus, a nossa pregação não será convincente,
o nosso testemunho será desprovido de força. Os cristãos de todas as gerações são chamados a
cultivar aquela unidade, pela qual rezou Jesus, e pedir fervorosamente ao Senhor que renove essa
união, principalmente onde ela foi ferida por causa da nossa fraqueza e propensão ao pecado.
Palavras do metropolita Andrey. Quanto melhor conhecermos a Igreja, a Esposa de Cristo e Mãe
nossa, tanto mais conheceremos o Espírito que foi dado aos apóstolos e que guia a Igreja e a conduz
ao triunfo, tanto mais, imbuídos desse mesmo espírito, nos tornaremos homens e mulheres de Deus,
pessoas cheias de espírito eclesial. E cada passo dado nesse caminho irá cada vez mais unir-nos uns
aos outros. Tanto mais seremos uma só alma e um só coração. Realizar-se-á em nós o ideal de
Cristo “que todos sejam um” (Jo 17, 24), e daí poderemos – queira Deus – trabalhar com sucesso
na missão que Deus confiou ao nosso povo e à nossa Igreja, na missão da “união das santas Igrejas
de Deus”. (Lviv, 31 de janeiro. Carta pastoral do metropolita Andrey e dos bispos da Província
Eclesiástica da Galícia, Constantino Tchekhovitch e Gregório Khomyshyn, ao clero: “Sobre a
Solidariedade”).
Oração (m. 4). Serviste fielmente, como sacerdote, ao Soberano Cristo-Deus e ofereceste o
sacrifício imaculado. Tu, santo mártir Josafat, ofereceste a Ele o perfeito holocausto – a si mesmo;
por seu amor sofreste valorosamente e derramaste teu sangue. Como verdadeiro pastor e seguidor
de Cristo, não cessaste de pedir: Pai, conservai-os em vosso nome, que todos sejam um! Intercedei
hoje, ó bem-aventurado Josafat, para que todas as Igrejas cheguem à união e todos os fiéis do
rebanho de Cristo alcancem a salvação.
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Tarefa missionária. As discórdias e a falta de união entre os filhos de Deus se manifestam antes de
tudo entre aqueles que são mais próximos entre si: na minha família, entre os meus parentes, na
minha paróquia, na comunidade onde eu vivo. Pode ser que alguém me ofendeu, ou eu ofendi
alguém. Ao longo do dia de amanhã pensemos sobre as pessoas com as quais não nos damos bem,
não vivemos em paz com elas, e rezemos por elas e perdoemos a todos de todo o coração.
9. Sábado: Evangelho de João 21, 15-25
“Apascenta minhas ovelhas”
Palavra de Deus. Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João,
amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe
Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amasme? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus
cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro
entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor,
sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. Em
verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias.
Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde
não queres. Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a
Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me! Voltando-se Pedro, viu que o
seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito,
durante a ceia, e lhe perguntara: Senhor, quem é que te há de trair?). Vendo-o, Pedro
perguntou a Jesus: Senhor, e este? Que será dele? Respondeu-lhe Jesus: Que te importa se
eu quero que ele fique até que eu venha? Segue-me tu. Correu por isso o boato entre os
irmãos de que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse: Não morrerá, mas:
Que te importa se quero que ele fique assim até que eu venha? Este é o discípulo que dá
testemunho de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu
testemunho. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso
que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.
Reflexão. As três perguntas de Jesus sobre o amor são seu contraposto às três negações de Pedro.
Três é o número da plenitude, três é o número da memória. O evangelista usa dois termos diferentes
para designar o verbo “amar”: agapáo (um amor desinteressado) e filéo (amor de amizade).
Portanto, isso quer dizer que Jesus nos ama tanto com um amor inefável, desinteressado, amor de
doação, como com um amor de amigo. Em correspondência, também nós servimos a Ele e ao
próximo porque experimentamos em nós mesmos tanto o seu amor de doação, como também o
amor de amigo fiel. A resposta de Pedro foi uma resposta de amor ao Amor. Toda a sua vida
posterior se transformou em uma vida de serviço, graças à força da única experiência do amor de
Cristo. Até os dias de hoje, esse amor de Deus, que dá o perdão e vida nova, é a causa fundamental
e a força interior do serviço da Igreja.
Palavra do metropolita Andrey. Que ensinamento para nós! Para todos os que antes não tinham
fé! Que consolo para aqueles que não viram, mas acreditaram! Mas dentre os apóstolos quem mais
precisou de ajuda e penitenciamento, ou até de consolo, foi Pedro. Ele, naquelas horas terríveis,
quando Jesus foi levado ao juízo, por três vezes renegou ao Senhor, em vista das palavras da serva,
do outro servo ou do guarda, jurou negando que jamais conheceu a Cristo. (...) Cristo lhe aparece já
no primeiro dia, com certeza conversa com ele mais longamente, o consola, corrige, anima,
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santifica a alma do discípulo, como o oleiro ou o escultor molda o barro, do qual surge uma obra
prima (Lviv, 8-9 de abril de 1939: homilia por ocasião da Páscoa).
Oração (m. 4). Com a tripla pergunta, “Pedro, tu me amas?”, Cristo repara a sua tripla negação.
Por isso ao Conhecedor de todos os segredos diz Simão: Senhor, tu conheces todas as coisas, tu
sabes tudo! Tu sabes que eu te amo! Diz a ele o Salvador: apascenta minhas ovelhas, apascenta
meus eleitos, apascenta meus cordeiros que eu redimi com o meu sangue. Rogai-lhe, ó bemaventurado apóstolo, que nos conceda grande graça.
Tarefa missionária. Como responderíamos nós a uma semelhante pergunta de Jesus? Nós o
amamos? Podemos dizer que somos seus amigos? Se, tendo experimentado o seu amor, estaríamos
prontos para servir aos outros como serviram os apóstolos de Cristo, seus sucessores, os bispos e
todos aqueles que se dedicaram à proclamação do Evangelho? Santo Agostinho diz: “Queres
encontrar o Cristo vivo? Encontra um desvalido e lhe mostra misericórdia e daí olha para dentro
do teu coração, para a fonte desse amor e daí verás a Deus na medida em que te for possível”.
Assim, amanhã, quando na igreja for feita a coleta em prol da ação missionária da nossa
Igreja, prometamos dar a nossa contribuição que corresponda ao amor de Deus para conosco e que
irá ajudar à Igreja demonstrar esse amor onde mais necessário for.
10. Domingo de Pentecostes: Evangelho de João 7, 37-52; 8, 12
Água viva e Luz do mundo
Palavra de Deus. No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava:
Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu
interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11). Dizia isso, referindo-se ao Espírito que
haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus
ainda não tinha sido glorificado. Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam:
Este é realmente o profeta. Outros diziam: Este é o Cristo. Mas outros protestavam: É acaso
da Galileia que há de vir o Cristo? Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e
da aldeia de Belém, onde vivia Davi? Houve por isso divisão entre o povo por causa
dele. Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe lançou as mãos. Voltaram os
guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: Por que
não o trouxestes? Os guardas responderam: Jamais homem algum falou como este
homem!... Replicaram os fariseus: Porventura também vós fostes seduzidos? Há, acaso,
alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele? Este poviléu que não conhece
a lei é amaldiçoado!... Replicou-lhes Nicodemos, um deles, o mesmo que de noite o fora
procurar: Condena acaso a nossa lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele
faz? Responderam-lhe: Porventura és também tu galileu? Informa-te bem e verás que da
Galileia não saiu profeta. Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me
segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida
Reflexão: Jesus aproveitou a imagem da água viva como símbolo da vida eterna (Jo 4, 10). Ele se
refere aqui ao Espírito Santo. Não é apenas uma coincidência: a vida eterna inclui em si a presença
do Espírito Santo. Onde Ele é acolhido, traz consigo a vida eterna. Os líderes dos judeus achavam
que somente eles conheciam a verdade, e por isso faziam oposição à verdade de Jesus,
principalmente porque ela não provinha de suas pessoas. O corajoso Nicodemos acreditou em Jesus
e colocou-se a seu favor justamente quando a maioria dos fariseus consideravam-no como uma
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ameaça e queriam eliminá-lo. Jesus Cristo é o Criador da vida e a sua vida traz luz à humanidade.
Na sua luz nós nos vemos como realmente somos: pecadores que necessitam da salvação. Se
seguimos a Cristo, não vagamos às cegas. Ele ilumina o nosso caminho e nós vemos daí como
devemos viver. Ele é o único que dissipa as trevas do pecado da nossa vida e a enche de paz e
alegria.
Palavras do metropolita Andrey. “Se conhecesses o dom de Deus (Jo 4, 10) – disse outrora Jesus
à samaritana – me pedirias água viva”. Podemos assim caracterizar hoje os cristãos. Se
conhecêsseis o dom de Deus deste santo cálice, se conhecêsseis o que nele está contigo, vos
aproximaríeis com mais frequência desse altar, não deixaríeis nem mesmo uma Divina Liturgia,
durante a qual procuraríeis receber a Santa Eucaristia. Procurais com tanto empenho os bens
temporais, sabeis muito bem como ganhá-los, trabalhais com afinco para ganhá-los, pensando neles
dia e noite. De que adianta, porém, todo o vosso trabalho, toda a vossa luta, se não buscais a bênção
de Deus, se vos esqueceis do que é mais importante. (Lavriv, 1 de maio de 1909. Carta pastoral do
metropolita Andrey: “Sobre a comunhão frequente”).
Oração (m. 4). Na metade da festa da Páscoa, ó Salvador nosso, entrastes no santuário do templo e
postando-vos entre o povo, o ensinastes diligentemente e clamastes: Eu sou a luz do mundo! Quem
me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida imortal.
Tarefa missionária. O dia de hoje pode ser considerado como o dia do nascimento da Igreja. Os
santos apóstolos, tendo recebido o Espírito Santo, encheram-se de coragem para testemunhar Cristo
e a salvação que Ele nos dá. É o dia em que também nós devemos encher-se de coragem para
testemunhar abertamente a nossa vida em Cristo. Jamais esqueçamo-nos de que não estamos
sozinhos, e que o Espírito Santo age no mundo, e que Ele quer agir por meio de nossas pessoas. Ele
pode fazer de nós luz do mundo, se nós lhe permitirmos.
Oração
Ó Cristo Salvador, que o Pai nos enviou do céu, a fim de nos salvar, nos resgatar do
pecado e nos tornar filhos de Deus. Vós que, junto com o Pai celeste, nos enviais o Espírito
Santo por meio do santo banho do batismo e multiplicais esse dom celeste na nossa vida,
permiti-nos compreender a vossa missão e a missão do vosso Espírito Santo, esse inefável
dom do céu, que sois Vós e o vosso Espírito Santo. Concedei-nos a graça de podermos
entender pelo menos um pouco o valor e a dimensão desse dom, e permiti-me também
compreender a vossa natureza humana, por meio da qual poderei chegar ao conhecimento
das obras da vossa divina natureza e da natureza do Espírito Santo. Permiti-me conhecervos, iluminai a minha mente, concedei-me a luz celeste, dai-me a sabedoria que vem de
Deus, para que eu possa alcançar pelo menos uma ínfima parcela da vossa luz. Pois Vós, ó
Cristo, sois a sabedoria divina. Em Vós, na vossa humana natureza estão ocultos todos os
tesouros de sabedoria e ciência (cf. Cl 2, 2). Dai-me a luz que vem do céu para que eu não
só compreenda que Vós sois a Divina Sabedoria, mas que compreenda pelo menos uma só
palavra dessa maravilhosa, santíssima e excelsa sabedoria, que Vós nos concedeis.
Entendo que a Sabedoria Divina que está em Vós como natureza humana supera
toda a mente, mesmo a dos anjos. Entendo que essa Sabedoria está acima dos céus e eu
não posso alcançá-la. Mas Vós traduzistes essa celeste e divina sabedoria para a nossa
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linguagem. Explanastes o firmamento e o céu dos céus em palavras dos mortais, essa
mesma língua pela qual eles expressam até os seus pensamentos pecaminosos.
Propiciai-me dessa tradução da Sabedoria Divina pelo menos uma palavra. Eu creio
e sei que uma só palavra desse livro vale mais que toda a sabedoria humana, que toda a
ciência humana. Peço, então, essa única palavra, não para mim mesmo, mas para aqueles
que me confiastes, para a vossa obra, para a vossa glória, para a vossa Igreja, para o vosso
Reino, e para o vosso corpo.
Por fim, peço uma só palavra em prol da vossa obra na minha alma. Em cada santa
Comunhão Vos me ofereceis, a Vós todo inteiro, a Vós, Cordeiro imolado pela nossa
salvação. Ajudai-me na minha debilidade, permiti-me receber a santa Comunhão tão
dignamente para que se torne para mim não só uma pura participação no vosso Corpo e no
vosso Sangue, mas também a Comunhão da vossa luz, vossa verdade, vosso ensinamento,
vossa sabedoria, comunhão do vosso Espírito, da vossa Vida, da vossa força, da vossa
mente. Amém.
Metropolita Andrey Scheptetskei
Pidliute, 15 de agosto de 1935.
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1 DÉCADA DA MISSIONARIEDADE 14