Pelo Socialismo Questões político-ideológicas com atualidade http://www.pelosocialismo.net _____________________________________________ Publicado em: http://farc-ep.co/?p=2330 Tradução do castelhano de MF Colocado em linha em: 2013/05/20 Nova carta aos indígenas do Cauca Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) Senhores: Autoridades indígenas, Conselho Regional Indígena do Cauca - CRIC, Associação de comunidades indígenas do Norte do Cauca ACIN-CXHAB WALA KIWE, Organização Nacional Indígena da Colômbia – ONIC. Toribío, Cauca. Caros compatriotas e camaradas: Recebam a cordial saudação da nossa organização revolucionária. Dirijo-me a vós na minha condição de Comandante do Estado-maior Central das FARC-EP, a fim de responder à vossa carta de 29 de abril. Começarei por dizer-vos que nada mais longe da intenção do Secretariado Nacional das FARC do que cair em provocações e assumir uma atitude conflituosa com as comunidades indígenas do Cauca. No nosso ânimo pesam laços de afeto e solidariedade muito antigos e profundos para com as comunidades aborígenes do país e do continente, razão pela qual não poderíamos abrigar qualquer sentimento de hostilidade ou confronto para com elas, menos ainda quando os nossos princípios e bandeiras de luta contemplam a cabal reivindicação dos seus seculares direitos violentados. Apesar disso, vejo-me obrigado a fazer algumas precisões, mais com o propósito de vos convidar a analisar as coisas com a serenidade e sensatez que a situação e o momento merecem. Começando por invocar a vossa dignidade e responsabilidade, acusam-nos na vossa carta de termos um cuidadoso plano de guerra elaborado contra os governos autónomos, legítimos e ancestrais dos povos indígenas do país. Honradamente, humanamente, politicamente, podemos assegurar-vos que tal apreciação está rotundamente errada, não corresponde em nada à realidade e mais parece o produto do envenenamento por parte de terceiros interessados. Da nossa parte existe toda a disposição para nos entendermos positivamente convosco, como comunidade, como autoridades indígenas, como irmãos de sonhos e lutas. 1 Estamos certos que do diálogo, de um franco e são intercâmbio, sem terceiros atiçadores pelo meio, nascerá um completo entendimento. Nós também temos sido vítimas do comportamento individual de alguns dirigentes indígenas, sem que por isso nos atrevamos a acusar toda a comunidade ou as suas autoridades. Estamos certos, por exemplo, de que o trabalho do tradicional médico Benancio Taquinás com os serviços de inteligência da Força Aérea e do Exército, que levou a que unidades nossas fossem reiteradamente bombardeadas ou assaltadas, com diversas perdas humanas e materiais, não foi produto de qualquer ordem das entidades indígenas. Por sua própria vontade, ele optou por se colocar ao serviço direto das forças militares no desenrolar da guerra. Se tendes queixas ou denúncias contra guerrilheiros ou milicianos que de algum modo cometeram abusos ou condutas delituosas contra os indígenas ou a sua comunidade, estamos plenamente dispostos e recebê-las e dar-lhes andamento, aplicando os corretivos que os nossos estatutos e regulamentos disciplinares contemplam. Temos normas e princípios muito rigorosos, que todos os nossos combatentes conhecem, porque se lhes ensinam e exigem. Estamos convencidos de que uma relação normal e respeitosa entre nós permitiria o nosso conhecimento e a solução adequada a qualquer atropelo contra vós. Pensamos que, do mesmo modo, essa relação propiciaria que vós désseis a devida solução às condutas abertamente hostis contra nós que provenham de qualquer membro das vossas comunidades. O que, ao contrário, prejudica e abre feridas muito difíceis de reparar são procedimentos sumários e desacertados como os que referem na vossa carta de 29 de abril. Como Comandante do Estado-maior Central das FARC-EP, asseguro-vos que nenhum dos indígenas capturados, julgados e condenados por vós num dia, tem a menor responsabilidade nos factos que lhes imputaram, ainda que vários deles fossem sentenciados a 40 anos de prisão. Tais absurdos, cometidos por vós mesmos contra a vossa própria gente, ao invés de gerar unidade e respeito para com as autoridades da comunidade, servem para dividi-la e semear futuros e graves confrontos que, com sábias e prudentes decisões, teriam podido evitar-se. Eu havia já expressado à ACIN, em carta de 20 de julho do ano passado, os nossos pontos de vista e atitude para com as comunidade e autoridades indígenas do Cauca. Ao mesmo tempo que vos convido a fazer circular entre todos essa missiva, expressolhes a nossa inteira e sincera vontade de dialogar e encontrar entendimentos que nos permitam avançar satisfatoriamente para os nossos mútuos anseios de paz e justiça social. Reitero-vos que não somos vossos inimigos, inclusive a maioria das vossas próprias comunidades assim o entende e assume, facto que, por alguma razão que poderíamos definir e clarificar, parece produzir algum grau de irritação em certo setor das vossas autoridades. Nessas condições, declaramo-nos à espera do contacto para nos reunirmos. Compreenderão que se trata de assuntos que não podem tornar-se públicos, já que um inimigo mortal, vosso e nosso, permanece à espera da menor oportunidade para nos atacar, reprimir e encarcerar-vos a vós por se relacionarem connosco. 2 Reitero-vos o nosso abraço de camaradas e irmãos. Hernán Cortés conseguiu subjugar as comunidades aztecas do México porque juntou ao seu exército outras tribos indígenas que, enganadas, o apoiaram. Huáscar, o irmão de Atahualpa, aliouse a Francisco Pizarro e precipitou o afundamento dos incas. Ainda nos sangra a todos a ferida do terrível drama dos indígenas de Agualongo, ganhos pelos espanhóis para lutar a favor da Coroa e contra o exército libertador de Bolívar. Essas histórias nunca deveriam acontecer e estamos obrigados a impedir que voltem a repetir-se algum dia. Pela Colômbia, por todos os perseguidos deste país, pela justa causa indígena da América é indispensável o nosso entendimento. Estamos dispostos a tudo para o conseguir. Atentamente, Timoleón Jiménez Montanhas da Colômbia, 12 de Maio de 2013 3