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opinião NA EDUCAÇÃO
Educação a Distância?
Para quê?
Apesar de a Educação a Distância (EaD) já estar entre nós, brasileiros, há algum tempo, essa modalidade de educação ainda
enfrenta vários desafios, e vem, pouco a pouco, tentando abrir
espaço com muito empenho.
Mesmo sendo um modo de ensinar e aprender não tão recente,
ela ainda nos causa estranheza! Alguns ainda veem a EaD como
aqueles antigos cursos por correspondência, porém, já evoluímos
para muito além disso. Então, tenho aproveitado todas as chances
que surgem para trazê-la mais próxima de nós! É também uma
tentativa de buscar enxergar os aspectos da EaD que podem contribuir com a nossa educação, considerando, é claro, as limitações
que ela apresenta e que devem ser trabalhadas.
Não trago novidades para quem atua no universo da EaD, porém, como vejo muita resistência e preconceitos em relação a essa
modalidade, meu bate-papo é mais voltado àquelas pessoas que
buscam informações sobre a aprendizagem a distância, àquelas
pessoas que ainda não sabem bem o que pensar da EaD, àquelas
pessoas que ainda sentem um pouco de rejeição por ela, sejam
alunos, professores ou profissionais do mundo corporativo...
Não abordo aqui diretamente os deveres das instituições que
ofertam essa modalidade de educação, mas, é fato, elas precisam
ter real compromisso com o aluno e com uma educação de qualidade. Obviamente, esses aspectos são condições inegociáveis
para uma instituição atuar.
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E, neste momento, a fala de Garcia Arétio – renomado pesquisador de EaD – se encaixa muito bem. Ele nos diz que um dos
grandes problemas da EaD é que todos acham que sabem como
fazê-la, apenas praticando a transposição da lógica do ensino presencial para o semipresencial ou a distância. Essas pessoas não se
dão conta da seriedade e complexidade da EaD.
Falando sobre as resistências, por que elas ainda existem e
persistem? Bem, sabemos que, nos últimos tempos, a EaD tem se
valido muito das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs),
porém, muitos brasileiros ainda lutam para ter acesso e para
aprenderem a lidar com elas. Portanto, ainda estão um pouco à
margem. Mas uma das maiores fontes de resistência é a dificuldade de mudarmos a nossa mentalidade sobre a educação.
Muitos, duvidando da qualidade da EaD, dizem que essa modalidade não consegue acompanhar a evolução do aprendiz de
forma adequada e nem dá conta da distância emocional, da sensação de isolamento que o aluno sente . Sobre isso, o professor
Moran nos socorre ao explicar que, apesar de o professor e o
aluno não estarem juntos fisicamente, podem estar conectados,
via internet, ou mesmo estabelecerem proximidade, utilizando
outras tecnologias (fax, telefone, correio, CDROM, vídeo, webconferência, televisão, rádio).
É importante pensar: um curso, só por ser presencial, necessariamente apresenta alto nível de qualidade? E, necessariamente, a
OÃÇACUDE AN Eopinião
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EaD é de baixa qualidade por ser a distância? Talvez, esses pensamentos venham da pouca intimidade com essa nova forma de ensinar e aprender. E como em um dominó chinês, esse entendimento traz outra ideia equivocada: fazer um curso a distância é mais
fácil do que realizá-lo presencialmente. Pois é, isso é um mito!
É certo que a EaD proporciona tempo e local mais flexíveis, mas
a dedicação aos estudos não diminui. Muitos aprendizes atestam
que a modalidade a distância parece demandar ainda mais esforço
e uma autonomia muito maior do que assistir às aulas presenciais.
Daí, você pode pensar: “parece que EaD exige mais tempo, esforço, ambiente adequado para estudo! E ainda por cima não é vista
como uma educação de qualidade... Será que vale a pena fazer
curso a distância?”
Bem, é nesse momento que se torna fundamental parar e pensar: qual o sentido que a aprendizagem pretendida tem para você?
Quais as suas reais possibilidades de realizá-la e de comprometer-se com ela? Você teria oportunidade de ter acesso a esse ou àquele conhecimento, se tivesse de frequentar um curso presencial?
Tais reflexões são importantes para uma conscientização sobre o
assunto, pois muitos buscam essa modalidade de estudo, mas poucos têm informações de como se preparar para aprender a distância.
No contraponto disso, temos as instituições, que devem esclarecer melhor os candidatos aos cursos sobre as particularidades da
EaD. De candidato a aluno, continuam as instituições com o dever
de orientá-lo acertadamente quanto ao modo de estudar e autogerenciar a aprendizagem e ajudá-lo a fazer um planejamento.
Falamos de oferecer, em ambiente virtual de aprendizagem (AVA),
acompanhamento aos alunos e a possibilidade de haver comunicação, interação, entre todos os envolvidos no processo. São ações
pedagógicas voltadas para a aprendizagem que contam com ferramentas virtuais.
No outro lado da moeda, está a discriminação que muitos docentes
e/ou gestores fazem da EaD. Eles não aceitam bem essa modalidade e
fazem muitas comparações com o ensino presencial. Porém, não cabe
mais comparar essas duas modalidades, porque EaD e presencial fazem
parte de processos completamente diferentes um do outro.
O que devemos perceber é que os professores precisam aprender a “fazer” EaD. Ensinar a distância é muito diferente de ensinar
presencialmente, mesmo para docentes com larga experiência em
ensino. O educador precisa desenvolver diferentes habilidades, a
fim de lidar com estratégias para ensinar a distância e ajudar o
aluno a construir o seu conhecimento.
E se você acha que as críticas param por aí, enganou-se... Até
mesmo propagandas e diálogos de algumas novelas menosprezam as pessoas que escolhem a aprendizagem a distância. Mas,
por que tanto incômodo ao ponto de se importarem em fazer “merchandising negativo”? Daí, fica a dúvida: os responsáveis por tais
propagandas e textos teriam outro tipo de visão se soubessem, ou
melhor, compreendessem que estamos falando de uma modalidade de educação em que os seus atores interagem em momentos e
espaços diferentes, mediados por alguma tecnologia? Bem, se não
forem considerados outros interesses, e sim apenas a evolução do
entendimento, provavelmente, sim, a visão seria outra!
Precisamos enxergar que grande parte da população de jovens
e adultos tem necessidade de continuar os seus estudos, ou de
se desenvolver, ou de se aprimorar profissionalmente, mas não
apresenta condições de se “sujeitar” a salas de aulas e horários
rigidamente fixados. Penso que reconhecer que a EaD possibilita
a muitos a oportunidade de ter acesso ao conhecimento, de um
modo eficaz, é um primeiro e grande passo rumo à mudança da
mentalidade sobre educação!
Cassandra Amidani
Cientista da Educação, com especialização em Recursos Humanos
e Mestrado em Educação, linha de pesquisa em evasão na EaD
(UnB); Professora universitária; Designer Educacional; Sóciadiretora da Saber EaD, instituição de educação especializada em
EaD e na elaboração de materiais pedagógicos.
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