FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS - FGV – EESP ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUÍS DE QUEIROZ - ESALQ - USP EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA MESTRADO PROFISSIONAL EM AGROENERGIA FERNANDO ANTÔNIO DA COSTA FIGUEIREDO VICENTE GESTÃO ESTRATÉGICA DA SEGURANÇA DO TRABALHO NA ÁREA INDUSTRIAL DE UMA USINA DE ETANOL, AÇÚCAR E ENERGIA ELÉTRICA SÃO PAULO 2012 FERNANDO ANTÔNIO DA COSTA FIGUEIREDO VICENTE GESTÃO ESTRATÉGICA DA SEGURANÇA DO TRABALHO NA ÁREA INDUSTRIAL DE UMA USINA DE ETANOL, AÇÚCAR E ENERGIA ELÉTRICA Dissertação apresentada à Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas como requisito para obtenção do título de Mestre em Agroenergia Campo de Conhecimento: Agronegócios Orientador (a): Prof. Dra. Mirian Rumenos Piedade Bacchi SÃO PAULO 2012 AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. Vicente, Fernando Antônio da Costa Figueiredo Gestão estratégica da segurança do trabalho na área Industrial de uma usina de etanol, açúcar e energia elétrica Fernando Antônio da Costa Figueiredo Vicente. - 2012. 121f. Orientadora: Mirian Rumenos Piedade Bacchi Dissertação (MPAGRO) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. 1. Segurança do trabalho. 2. Segurança do trabalho - Indicadores. 3. Prevenção de acidentes. 4. Açúcar - Usinas. 5. Álcool como combustível. I. Bacchi, Miriam R. Piedade. II. Dissertação (MPAGRO) - Escola de Economia de São Paulo. III. Título. CDU 331.823 FERNANDO ANTÔNIO DA COSTA FIGUEIREDO VICENTE GESTÃO ESTRATÉGICA DA SEGURANÇA DO TRABALHO NA ÁREA INDUSTRIAL DE UMA USINA DE ETANOL, AÇÚCAR E ENERGIA ELÉTRICA Dissertação apresentada à Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas como requisito para obtenção do título de Mestre em Agroenergia Campo de conhecimento: Agronegócios Data de Aprovação: / / Banca Examinadora ______________________________________ Profa. Dra. Mirian Rumenos Piedade Bacchi (orientadora) ESALQ - USP ______________________________________ Profa. Dra. Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes ESALQ - USP ______________________________________ Prof. Dr. Gilberto Tadeu Shinyashiki EESP-USP Dedicatória Dedico a todos os colaboradores da Usina Alta Mogiana, responsáveis pelo desenvolvimento, aperfeiçoamento e implantação desse modelo de Gestão, transformando a “segurança” como valor pessoal e organizacional, visando resultado na qualidade de vida com lucratividade para todos. AGRADECIMENTOS A Deus, senhor da minha vida e da minha vontade. À minha esposa Eurídice, pelo exemplo de busca do conhecimento. À minha filha Fernanda, pela companhia. Estudar ao seu lado foi verdadeiro privilégio. Aos meus filhos Ângelo, Susana e ao nosso anjo Sofia, pelo incentivo. Aos meus pais Sofia Helena e José Vicente, pela semente que plantaram em meu coração na busca de servir ao próximo, com eficiência e espírito cristão. Ao Luiz Octavio Junqueira Figueiredo, superintendente da usina, responsável pela minha formação em segurança e pela liberdade na gestão. Aos diretores Luiz Eduardo Junqueira Figueiredo, Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo e Luiz Otávio Junqueira Figueiredo Filho pelo apoio na aprovação do mestrado. Ao ex-ministro Roberto Rodrigues por tornar o sonho do mestrado profissional possível. Aos gerentes Francisco Eduardo A. J. Spadoni, Demétrius Barbosa de Freitas, Fernando Antônio dias dos Reis e Eng.º Tarcísio Zanquetta e aos funcionários Cláudio Cruz e Cléia C. S. Dutra que representam os setores Elétrica e Controle de Qualidade, pelo exemplo vivo do resultado “acidente zero”. Ao SESMT da usina representada pelo Gerente José Altino Donizete Marques, pelo suporte técnico imprescindível para a evolução dos índices de segurança. Aos colegas Vera Lúcia Martins Guedes, Alceu Luiz Gonçalves Júnior, Nilson Augusto Ambrósio, Ronildo Campos da Silva, Donizeti Ap. Izidoro, Sinésio Antônio Guedes, Luiz Carlos Bortoleti, Viviane Raquel de Souza Perri Paro, Guilherme Nehrebecki e Margarete Ap. Pacheco, pela dedicação no aperfeiçoamento profissional das lideranças da divisão industrial. Ao Prof. Dr. Arlélio Leite dos Santos pelo incentivo ao aprimoramento da “arte de educar”. Ao Prof. Celso Atienza responsável pela incorporação dos princípios fundamentais de segurança. À Profa. Dra. Márcia Azanha, pela postura profissional, paciência e preocupação em fazer o melhor. Ás funcionárias Ana Gabriela Rodrigues de Souza e Simone Ap. de Souza Fagundes de Almeida pelo apoio administrativo e técnico na execução dessa dissertação. Aos meus amigos da FGV Augusto, Godoy, Kleber, Luis, Marcelo, Massi, Mauro, Nilton, Omar, Ricardo, Silvio, Tati e Walter que contribuíram sempre para vencermos os desafios do mestrado e principalmente, pela sabedoria de vida de cada um; conhecê-los e conviver todos os finais de semana por 21 meses foi muito especial. Aos meus alunos de pós graduação, pelas experiências recebidas a cada aula, contribuindo fortemente para a evolução da segurança no setor sucroenergético. RESUMO RESUMO Conseguir lucratividade em uma usina produtora de etanol, açúcar e energia elétrica, sem acidentes do trabalho, passou a ser grande desafio. Portanto, a Gestão de Segurança transformou-se em estratégica, buscando levar o valor empresarial “segurança” como instrumento fundamental na execução da produção. Levantamos a história da implantação do Sistema de Gestão da Segurança da usina e também checamos através de indicadores universais de segurança, se os números alcançados, apresentam evolução satisfatória, procurando identificar as ações aplicadas e os resultados. No processo de evolução desse sistema, a usina tornouse a primeira do mundo na obtenção de uma Certificação Internacional de Segurança (OHSAS 18001) do setor sucroenergético, além de alcançar quarto lugar em processamento de cana no Brasil. Aplicando o Instrumento ICOS – Inventário de Clima Organizacional de Segurança em 2005 e novamente em 2011, avaliamos se com crescimento da produção, aliado ao aumento do número de trabalhadores, o valor segurança manteve-se presente. Também apuramos possíveis fatores como tempo de empresa, escolaridade, proporção de acidentes e entrevistas com os responsáveis que contribuíram para a existência de setores há 16 anos sem perder um dia de trabalho por acidente. Finalmente, concluímos que lidar com gestão da segurança, capacita a empresa para enfrentar dificuldades do mercado, pois sucesso hoje, pode não valer para o dia seguinte caso ocorra acidente. Prevenir, educar, buscar conhecimento, celebrar, cobrar resultados e ousadia, definem o estilo de administração da usina estudada. Palavras-chave: Gestão da segurança, Pesquisa na Segurança, Indicadores de Segurança, OHSAS 18001. ABSTRACT ABSTRACT Achieve profitability in a plant ethanol producer, sugar and electric power, without accidents at work, went on to be major challenge. Therefore, the Security Management has become strategic, seeking to bring business value "security" as a fundamental instrument in the implementation of production. Raise the history of implementation of the safety management System of the power plant and also we checked through universal indicators of security, if the numbers achieved satisfactory evolution, present trying to identify the actions taken and the results. In the process of evolution of that system, the plant became the first in the world in obtaining International certification (OHSAS 18001) security sector, as well as achieve Cosan 4th cane processing in Brazil. Applying the ICOS Instrument – Organizational Climate inventory safety in 2005 and again in 2011, we evaluate whether with production growth, coupled with the increase in the number of employees, the security value remained present. Apuramos also possible factors such as company time, schooling, proportion of accidents and interviews with officials who contributed to the existence of sectors there are 16 years without losing a day of work by accident. Finally, we found that deal with security management, empowers the company to face difficulties on the market, because success can not be worth today, for the following day in the event of an accident. Prevent, educate, seeking knowledge, celebrate, collect results, and daring, define the plant's administration style studied. Keywords: security management, Security Research, security Indicators, OHSAS 18001. LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Modelo de Sistema de Gestão SST para Norma OHSAS ........................ 33 Figura 2 - Organograma Simplificado do Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho ................................................................................................ 53 Figura 3 - Dimensionamento do SESMT .................................................................. 70 LISTA DE QUADROS LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Informações Sobre os Questionários Realizados na Pesquisa ..... 29 Quadro 2 - Definições do Sistema de Gestão ................................................. 31 Quadro 3 - Definições de Clima de Segurança no Trabalho ........................... 40 Quadro 4 - Dimensões do ICOS ...................................................................... 41 Quadro 5 - Fatos que Motivaram a Criação do Sistema de Gestão ................ 44 Quadro 6 - Identificação dos Perigos .............................................................. 67 Quadro 7 - Controle de Riscos ........................................................................ 68 LISTA DE TABELAS LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Caracterização da Amostra - Escolaridade .................................... 79 Tabela 2 – Caracterização da Amostra – Tempo de Empresa ........................ 80 Tabela 3 - Caracterização da Amostra – Acidente do Trabalho....................... 80 Tabela 4 - Caracterização da Amostra – Sexo ................................................ 81 Tabela 5- Caracterização da Amostra – Idade................................................. 81 Tabela 6 - Caracterização da Amostra – Estado Civil ...................................... 82 Tabela 7- Caracterização da Amostra – Religião............................................. 82 Tabela 8 - Caracterização da Amostra – Turno ............................................... 82 Tabela 9 - Caracterização da Amostra – Chefia .............................................. 82 Tabela 10 - Caracterização da Amostra – % de funcionários por setor ........... 83 Tabela 11 – Média e Amplitutde ...................................................................... 84 Tabela 12 – Resumo maior e menor média setorial por ano ............................ 85 Tabela 13 – Acidentes com afastamento 2011 ............................................... 89 Tabela 14 – Classificação das notas por setor ................................................ 96 Tabela 15 – Proporção de tempo de empresa setorial 2005 ........................... 96 Tabela 16 - Proporção de tempo de empresa setorial 2011 ............................ 97 Tabela 17 - Proporção de escolaridade setorial 2005..................................... 98 Tabela 18 - Proporção de escolaridade setorial 2011..................................... 98 Tabela 19 – Proporção de Acidentes setorial 2005 ......................................... 99 Tabela 20 - Proporção de Acidentes setorial 2011 ........................................ 100 LISTA DE GRÁFICOS LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Número de acidentes com afastamento por ano Divisão Industrial ....................................................................................... 47 Gráfico 2 – Tempo de Empresa ...................................................................... 73 Gráfico 3 – Recebeu orientação sobre segurança .......................................... 74 Gráfico 4 – Opinião sobre o time do SESMT................................................... 74 Gráfico 5- Qualidade dos EPI´s ....................................................................... 74 Gráfico 6 – Programa mais bem sucedido ...................................................... 75 Gráfico 7- Ordem de responsabilidade na segurança ..................................... 75 Gráfico 8 – Contribuição para segurança ........................................................ 76 Gráfico 9 – Nota da empresa na segurança .................................................... 76 Gráfico 10 – Nota do colaborador na segurança ............................................. 77 Gráfico 11 – Conhece o regulamento.............................................................. 77 Gráfico 12 – Regulamento de segurança foi um marco................................... 78 Gráfico 13 – Escolaridade 2005 - Geral........................................................... 79 Gráfico 14 – Escolaridade 2011 - Geral........................................................... 79 Gráfico 15 – Tempo de Empresa 2005 ............................................................ 80 Gráfico 16 – Tempo de Empresa 2011 ............................................................ 80 Gráfico 17 – Idade 2005 .................................................................................. 81 Gráfico 18 – Idade 2011 .................................................................................. 81 Gráfico 19 – Média x Amplitude ....................................................................... 84 Gráfico 20 – Quantidade de cana processada em milhões ............................. 85 Gráfico 21 – Número de funcionários da Divisão Industrial ............................. 86 Gráfico 22- Produção de açúcar – sacas/milhões ........................................... 86 Gráfico 23 – Produção de Etanol sem GL/milhões.......................................... 87 Gráfico 24 – Produção de energia elétrica exportação/MWh .......................... 87 Gráfico 25 – Acidentes sem afastamento Divisão Industrial ........................... 88 Gráfico 26- Número de acidentes com afastamento por ano Divisão Industrial ....................................................................................... 88 Gráfico 27 – Quantidade de dias perdidos Divisão Industrial .......................... 90 Gráfico 28 – Taxa de Frequência - Indústria ................................................... 90 Gráfico 29 – Taxa de Gravidade - Indústria.................................................... .91 Gráfico 30 – Funcionários Novos x Antigos.......................................................91 Gráfico 31 – Nota ICOS ................................................................................. .92 Gráfico 32 – Recorde de anos sem acidentes com afastamento - Indústria....93 Gráfico 33– Recorde de dias sem acidentes com afastamento - Indústria .... .93 Gráfico 34 – Custo com EPI`s............................................................................94 Gráfico 35 – Custo com segurança e medicina do trabalho ........................... .94 Gráfico 36 – Horas de Treinamento...................................................................95 Gráfico 37 – Partes do corpo atingidas - Indústria............................................95 Gráfico 38 – Tempo de Empresa C.Q. 2005......................................................97 Gráfico 39– Tempo de Empresa C.Q. 2011.......................................................97 Gráfico 40 – Tempo de Empresa Elétrica 2005.................................................98 Gráfico 41 – Tempo de Empresa Elétrica 2011.................................................98 Gráfico 42 – Escolaridade C.Q. 2005................................................................99 Gráfico 43 – Escolaridade C.Q. 2011................................................................99 Gráfico 44 – Escolaridade Elétrica 2005............................................................99 Gráfico 45 – Escolaridade Elétrica 2011............................................................99 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS ART- Análise de Risco da Tarefa ARTH- Administração de Recursos e Talentos Humanos CAT- Comunicação de Acidente do Trabalho CIPA- Comissão Interna de Prevenção a Acidentes CLT- Consolidação de Leis do Trabalho DIN- Divisão Industrial EPI Equipamento de Proteção Individual ICOS- Inventário de Clima Organizacional INSS- Instituto Nacional de Seguro Social ISO- Organização Internacional para Padronização MSAM- Manual do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional NBR- Norma Brasileira NTEP- Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente do Trabalho OHSAS- Occupational Health and Safety Assessment Series PCA- Programa de Conservação Auditiva PCMSO- Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional PDCA- Plan – Do – Check – Act – (Planejar, Fazer, Verificar e Agir) PPR - Programa de Participação nos Resultados PPRA- Programa de Prevenção de Riscos Ambientais RD- Representante da Direção RPS- Regulamento da Previdência Social SESMT- Serviço Epecializado em Segurança e Medicina do Trabalho SGEAM- Sistema de Gestão Empresarial da Alta Mogiana SIPAT- Semana Interna de Prevenção a Acidentes do Trabalho SSAM- Sistema de Segurança da Alta Mogiana SST- Sistema de Segurança do Trabalho SUB- Sistema Único de Benefícios UAM- Usina Alta Mogiana UF´s- Unidade Funcional SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 23 2 OBJETIVOS .................................................................................................. 26 3 METODOLOGIA ........................................................................................... 28 4 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 30 4.1 Sistema de Gestão de Segurança do Trabalho ................................................... 31 4.2 Certificação OHSAS 18001:1999 “Occupacional Health and Safety Assessment Series” ............................................................................................. 32 4.3 Indicadores de Segurança ................................................................................... 35 4.4 Pesquisa sobre Clima na Segurança do Trabalho ............................................... 40 5 SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DA ALTA MOGIANA ............... 43 5.1 Motivação para a Criação .................................................................................... 44 5.2 Histórico do Sistema de Gestão de Segurança na Usina Alta Mogiana ............... 45 5.3 Descrição do Sistema de Gestão de Segurança Alta Mogiana ............................ 49 6 CERTIFICAÇÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL DA ALTA MOGIANA ............................................................................................. 61 6.1 6.2 6.3 6.4 6.5 Estrutura Organizacional ..................................................................................... 62 Planejamento para Identificação dos Perigos, Avaliação e Controle de Riscos ... 66 Análise Crítica do Sistema de Segurança da Usina Alta Mogiana ....................... 69 Organização da Área de Segurança do Trabalho ................................................ 69 Espiritualidade ..................................................................................................... 71 7 RESULTADOS .............................................................................................. 72 7.1 Pesquisa aplicada em 2001 ................................................................................ 73 7.2 ICOS aplicada em 2005 e 2011 .......................................................................... 78 7.3 Quantidade de Trabalhadores, Cana Processada, Açúcar, Etanol e Energia Elétrica .............................................................................................................. 85 7.4 Eficiência do Sistema de Gestão de Segurança da Usina Alta Mogiana ............. 88 7.5 Medição do Clima de Segurança ........................................................................ 91 7.6 Indicadores de Segurança .................................................................................. 93 7.7 Evolução da Segurança entre Setores ............................................................... 96 8 CONCLUSÃO ............................................................................................. 102 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................... 106 10 ANEXOS ................................................................................................... 111 10.1 Pesquisa sobre Segurança no Trabalho 2005 e 2011 ....................................... 112 10.2 Pesquisa sobre Segurança no Trabalho 2001 .................................................. 116 10.3 Cartão Pare ...................................................................................................... 118 10.4 Entrevista Colaborador Cláudio Paulo Cruz (Sistemas Elétricos)...................... 119 10.5 Entrevista Colaboradora Cléia de Souza Dutra (Controle de Qualidade) ........ 121 23 1. INTRODUÇÃO 24 1 INTRODUÇÃO A visão moderna de gestão empresarial tem deixado claro que as melhores empresas possuem crença genuína de que os recursos humanos são imprescindíveis para o sucesso nos negócios. No mercado cada dia mais competitivo, a busca pela perpetuação do empreendimento passa sem dúvida pela criação de ambiente organizacional que ofereça as melhores condições de instalação e operação aliadas ao desenvolvimento profissional e pessoal do trabalhador. Assim sendo, a Gestão da Segurança passa a ser vista como estratégica, a medida que ela influencia no desempenho dos negócios e na vida dos envolvidos no trabalho. Visto que passamos pelo menos um terço de nosso tempo no ambiente laboral, como poderemos aceitar condições operacionais inseguras para executá-lo? Tendo como fontes o Ministério da Saúde, o sociólogo José Pastore e a empresa de gerenciamento de riscos Marsh, foi publicado pelo jornal O Estado de São Paulo em 21 de janeiro de 2012, que existe estimativa de gastos de R$ 71 bilhões de reais ao ano com acidente de trabalho. Dada a enorme quantidade de trabalhadores informais (sem carteira assinada) que existe no País (em torno de 35% do total), acredita-se ser justificado supor que o custo financeiro ultrapasse R$ 100 bilhões. Pela gravidade da situação dos acidentes de trabalho, pretende-se apurar a influência do clima organizacional de segurança como instrumento de avaliação, que possa apontar conjunto de ações administrativas que tenham como meta redução desses acidentes. A motivação pelo tema surgiu pelo fato do autor do trabalho ser diretor industrial de uma agroindústria açucareira (Usina Alta Mogiana), e, tendo sido graduado em 1995 no curso de Engenharia de Segurança, passou a refletir sobre sua responsabilidade na geração de ambiente de trabalho seguro, em que a produção do açúcar, etanol e energia elétrica pudessem ser alcançadas com menor número possível de acidentes do trabalho. Vale ressaltar que a determinação do Eng.º Celso Antienza (Presidente do Sindicato dos Engenheiros de Segurança do Estado de São Paulo e professor do autor deste trabalho), que assim se expressa a respeito: 25 “Não existe situação de acidente que não possa ser prevista”. “A busca pelo acidente zero não é um sonho”. A crença nesses dois princípios passou a ser desafio que pretendeu-se enfrentar, através da determinação do conjunto de ações que necessitam ser implantadas e que formam “sistema” que busque garantir essas metas na empresa. Existe extenso aparato institucional (normas e leis) que regem o mercado de trabalho brasileiro no que diz respeito à saúde e segurança do trabalho, a saber: a) Constituição de 1988 – Artigo 7º inciso XXII – “relação dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança”. Artigo 7º inciso XXII – “adicional de remuneração para as atividades penosas insalubres e perigosas, na forma da lei”. b) Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. c) Normas regulamentadoras Todas essas informações regem o funcionamento do modelo brasileiro, que deixam claras as obrigações dos empregados e empregadores. Contudo, apesar do conjunto de leis e normas existentes, 2496 brasileiros perderam as vidas e 723.452 acidentes ocorreram em 2009, de acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (Diesat 2009), demonstrando que somente leis não têm conseguido gerar resultado eficaz na qualidade da saúde e segurança do trabalhador. 26 2. OBJETIVOS 27 2 OBJETIVOS Desta forma, pretende-se, através da realização de um estudo de caso na área industrial da Usina Alta Mogiana, verificar: (i) O Sistema de Gestão de Segurança da Usina Alta Mogiana tem sido eficiente no cumprimento de suas metas? (ii) Avaliar como comportou-se a medição do Clima de Segurança em 2005 comparado a 2011. (iii) Como têm evoluído os indicadores de segurança. (iv) Os resultados da gestão de segurança e sua evolução variam entre os setores da empresa? Quais as variáveis que explicam tais variações? HIPOTESE 1: A Gestão de Segurança da usina contribui para a melhoria do clima organizacional e consequentemente para a redução dos acidentes. HIPOTESE 2: Apesar da Gestão de Segurança na Indústria ser única, os resultados alcançados setorialmente são diferentes. 28 3. METODOLOGIA 29 3 METODOLOGIA O trabalho compreende um estudo de caso, desenvolvido na Usina Alta Mogiana, localizada no norte do Estado de São Paulo, na cidade de São Joaquim da Barra (400 km de São Paulo). Para tanto, expõem-se inicialmente, a criação do Sistema de Segurança da mesma, denominado como SSAM, seu funcionamento e normas, bem como a evolução de alguns indicadores de Acidentes de Trabalho (que são apresentados ao longo do tempo e entre setores). Também objetiva-se mostrar o processo de obtenção da Certificação OHSAS 18001, destacando-se a Usina Alta Mogiana, como a primeira usina no mundo a consegui-lo. Ademais, através de levantamento de dados primários, serão analisados os dados de dois questionários aplicados conforme o quadro abaixo: Quadro 1 - Informações sobre os questionários realizados na pesquisa TIPO ANO N˚ DE RESPONDENTES Questionário da UAM 2001 226 Questionário ICOS (Portugal) 2005 328 Questionário ICOS (Portugal) 2011 400 O questionário ICOS (Silva et al., 2004), aplicado em 2 anos diferentes 2005 e 2011, permitirá também analisar indicadores sociais dos respondentes, e sua evolução ao longo do tempo. Esse questionário foi validado estatisticamente através da tese de Gonçalves (2007). Pretende-se utilizar para interpretação dos resultados da pesquisa os seguintes materiais: - Sistema de Gestão de Segurança do Trabalho; - Pesquisa sobre Segurança do Trabalho; - Indicadores de Segurança - Certificação OHSAS 18001 30 4. REVISÃO DE LITERATURA 31 4 REVISÃO DE LITERATURA 4.1 Sistema de Gestão de Segurança do Trabalho A identificação de todas as ações que formam o Sistema de Gestão, definem comprometimento da empresa em tornar segurança no trabalho valor de organização. Assim sendo, apresenta-se algumas definições para sistema de gestão, expostos no Quadro 2, como mostra abaixo: Quadro 2 - Definições de Sistema de Gestão Referências Cruz (1998) Benite (2004) Norma BS8800 Norma ISO 14000 Definições “O sistema de gestão, refere-se à segurança e saúde dos funcionários e/ou de outras partes interessadas que possam ser afetadas pelos processos, operação, produtos, serviços e demais atividades da organização”. “ Os sistemas de gestão são um conjunto de elementos relacionados dinamicamente que interagem entre si para funcionar como um todo, tendo como função dirigir e controlar uma organização com um propósito determinado”. “O sistema de gestão é um conjunto em qualquer nível de complexibilidade, de pessoas, recursos, políticas e procedimentos, componentes esses que, interagem de modo apropriado para assegurar que uma tarefa seja realizada, ou para alcançar ou manter resultado específico”. “O sistema de gestão contempla a análise crítica da situação inicial, as políticas de saúde e segurança do trabalho, o planejamento, a implementação e operação, certificação e ações corretivas, e, por fim, a análise crítica pela administração”. Neste trabalho considera-se sistema de gestão, como conjunto das políticas, programas, procedimentos, definição de responsabilidades, controles, diretrizes, regulamentos, recursos físicos, financeiros e humanos, com diferentes graus de complexibilidade que visam prover condições seguras de trabalho e facilitar práticas de segurança na busca do acidente zero. É fundamental nessa implantação do Sistema que a empresa ajude o trabalhador a transferir todo esse aprendizado profissional para a vida pessoal, quando da realização das atividades normais do dia a dia, em casa, nos passeios, vivenciando os conceitos aprendidos, para tornar a 32 própria vida e de seus familiares mais segura. O autor também acredita que o resultado da aplicação do sistema de gestão está sendo atingido, quando atitudes tomadas com segurança passam a ser automáticas, tornando-se rotineiras e incorporadas como “valor pessoal”. 4.2 Certificação OHSAS 18001:1999 “Occupacional Health and Safety Assessment Series” Essa Norma foi resposta à permanente demanda por parte dos usuários, para avaliação dos resultados dos sistemas de gestão, bem como para permitir, através da contratação de organização externa, possível certificação compatível com sistemas existentes da ISO 9000 (qualidade) ISO 14000 (meio ambiente) e ISO 22000 (segurança do alimento). Todo o trabalho descrito nessa norma teve como principal apoio a norma britânica BS 8800 que levou quinze meses para ser discutida e aprovada oficialmente, tendo entrado em vigor no dia 15 de maio de 1996 na Inglaterra. Nesse documento foram ouvidos empresários, contratantes, consumidores, clientes e fornecedores, órgãos regulamentadores e/ou fiscalizadores, acionistas, seguradoras, que tornou objetividade clara a medida que minimiza riscos para os trabalhadores e outros, melhora o desempenho dos negócios e estabelece imagem responsável das organizações perante ao mercado. Essa norma contempla: - especificação dos requisitos para sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho; - capacita a organização para desenvolver e implementar política e objetivos que levem em consideração requisitos legais e informações sobre os riscos da segurança e acidente do trabalho; - aplicação a todos os tipos e pontos de organizações bem como das diferentes condições geográficas culturais e sociais; - formalização do comprometimento de todos os níveis e funções de organizações e especialmente da alta direção; - estabelecer objetivos e processos para atingir comprometimentos da política de segurança e saúde do trabalho; 33 - recomenda execução de ações necessárias para melhorar desempenho e demonstrar conformidades e não conformidades do sistema de gestão de segurança; - promove boas práticas do sistema de gestão de segurança de maneira balanceada com necessidades socioeconômicas; - cumprimento da legislação municipal estaduais federal e subscrita. A figura abaixo demonstra como é o modelo da gestão da Saúde e Segurança do Trabalho segundo a norma OHSAS 18001:2007. Melhoria Contínua Política de SST Análise crítica pela direção Planejamento Verificação e ação corretiva Implementação e operação Figura 1 - Modelo de Sistema de Gestão SST para norma OHSAS Fonte: BS OHSAS 18001:2007. Nota – Esta norma OHSAS é baseada na metodologia conhecida como PDCA (Plan-Do-Check-Act=Planejar – Fazer – Verificar – Agir). O PDCA pode ser descrito resumidamente da seguinte forma: . Planejar: estabelecer objetivos e processos necessários para atingir os resultados de acordo com política de SST da organização. . Fazer: implementar processos. . Verificar: monitorar e medir processos em relação a política e aos objetivos de SST, aos requisitos legais e outros, e relatar resultados. . Agir: executar ações para melhorar continuamente o desempenho da SST. 34 Por ser norma auditada por organização de terceira parte, ela tem sua certificação válida por período de três anos, podendo sofrer auditorias semestrais ou anuais, conforme tempo e experiência da organização no tema segurança. Seu grande mérito é a execução do planejamento para identificação dos perigos, avaliação e controle de riscos. Através desse planejamento feito para cada atividade laboral executada pelo trabalhador, é possível: - identificação das medidas necessárias para eliminar ou mitigar riscos da atividade a ser executada; - definição dos equipamentos de proteção individual/coletiva que podem ser necessárias; - definição do plano para capacitação e treinamento a que o trabalhador deve ser preparado para execução da atividade com segurança; - necessidade ou não da realização de permissão de trabalho para atividades específicas (perfuração, produtos químicos, trabalho em altura, etc). O grande desafio para implantação dessa certificação nas organizações, é a necessidade de documentar-se todos possíveis problemas relacionados às condições de trabalho, à capacitação dos envolvidos, às necessidades de recursos humanos e materiais para criar, manter e tornar realidade o sistema de gestão de segurança. A visão da realidade de cada atividade desenvolvida dentro da empresa sob todos aspectos é levantada, permitindo assim, o surgimento das oportunidades para realização das operações de forma segura minimizando riscos de incidentes. Hoje no Brasil tem-se 186 empresas com certificação OHSAS 18001 e das 423 usinas existentes, somente 4 a possuem. 35 4.3 Indicadores de Segurança São indicadores utilizados para mensurar a exposição dos trabalhadores aos níveis de riscos inerentes à atividade econômica, viabilizando acompanhamento das flutuações, tendências históricas dos acidentes e impactos nas empresas e na vida dos trabalhadores, segundo a Previdência Social. Através deles, são desenvolvidos estudos que permitem planejamento de ações buscando controle ou eliminação do risco nas áreas de segurança e saúde do trabalhador. Nos artigos 20 e 21 da lei nº 8213 é apontada a definição de acidente de trabalho conforme ilustrado a seguir: Art. 20. Consideram-se acidentes do trabalho, nos termos do artigo anterior as seguintes entidades mórbidas: I - Doença profissional, aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II - Doença do trabalho, aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais que o trabalho é realizado, com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. § 1˚- Não são considerados como doença do trabalho: a) Doença degenerativa; b) Inerente a grupo etário; c) Que não produza incapacidade laborativa; d) Doença endêmica adquirida por segurado habitante da região a que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. § 2˚ - Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente de trabalho.” “Art.21. Equiparam-se também ao acidente de trabalho, para efeitos desta lei: I – acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da 36 capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para recuperação; II – acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho em consequência de: a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão; e) desabamento, inundação, incêndio e outros fortuitos ou decorrentes de força maior; III - doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício da atividade; IV - acidente sofrido pelo segurado, ainda fora do horário e local de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente de meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado; § 1º - Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. § 2 – “Não é considerada agravação ou complicação de acidente de trabalho a lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do anterior”. 37 Interessante notar que tendo em vista mudanças na metodologia de caracterização de acidentes do trabalho na concessão de benefícios previdenciários a partir de abril de 2007, entende-se como acidentes do trabalho aqueles eventos que tiveram Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT protocoladas no INSS e aqueles que, embora não tenham sido objeto de CAT deram origem a benefício por incapacidade de natureza acidentária. As informações aqui apresentadas são do Sistema de Comunicação de Acidentes do Trabalho, com base nas Comunicações de Acidentes do Trabalho – CAT´s cadastradas nas Agências da Previdência Social ou pela Internet, bem como do Sistema Único de Benefícios – SUB utilizado pelo INSS. Os principais conceitos inerentes ao tema são apresentados a seguir: - Acidentes com CAT registrada: corresponde ao número de acidentes cuja Comunicação de Acidentes do Trabalho – CAT foi cadastrada no INSS. Não é contabilizado reinício de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS. - Acidentes sem CAT registrada: corresponde ao número de acidentes cuja Comunicação de Acidentes do Trabalho – CAT não foi cadastrada no INSS. O acidente é identificado por meio de um dos possíveis nexos: Nexo Técnico Profissional/Trabalho, Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP ou Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente do Trabalho. Esta identificação é feita pela nova forma de concessão de benefícios acidentários. - Acidentes Típicos: são acidentes decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo acidentado. - Acidentes de Trajeto: são acidentes ocorridos no trajeto entre residência e local de trabalho do segurado e vice-versa. - Doença profissional ou do trabalho: são aquelas produzidas ou desencadeadas pelo exercício do trabalho peculiar e determinado ramo de atividade constante do Anexo II do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº3.048, de 6 de maio de 1999; e por doença do trabalho, aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, desde que constante do anexo citado anteriormente. Dados de acidentes do trabalho com CAT registrada são provenientes das comunicações entregues ao INSS. A empresa deve comunicar o acidente de 38 trabalho, ocorrido com empregado, havendo ou não afastamento do trabalho, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob pena de multa variável entre limite mínimo e teto máximo do salário-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada conforme artigo 286 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. A CAT é apresentada em três tipos, a saber: tipo 1 - Inicial, 2 - Reabertura e 3 – Comunicação de Óbito. Assim, CAT é considerada “Inicial” quando corresponder ao registro do evento acidente de trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS; e “Comunicação de Óbito” a correspondente ao falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, ocorrido após emissão da CAT Inicial. As CAT´s de Reabertura e de Comunicação de Óbito vinculam-se, sempre, as CAT´s Iniciais, a fim de evitar-se duplicação na captação das informações relativas aos registros. A contabilização dos registros de CAT´s é feita considerando-se a data da ocorrência do acidente. No caso de doença profissional ou do trabalho, é considerada a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual ou do dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro. Tabulações posteriores podem gerar números diferentes, no caso de registros de acidentes serem realizados em datas posteriores aos fatos geradores, tendo, consequentemente, referência temporal associada a anos anteriores. Dados de acidentes sem CAT registrada são obtidos pelo levantamento da diferença entre conjunto de benefícios acidentários concedidos pelo INSS com data de acidente no ano civil e conjunto de benefícios acidentários concedidos com CAT vinculada, referente ao mesmo ano. Dados de caracterização do acidentado são obtidos do Sistema Único de benefícios – SUB. A informação complementar é que os 15 primeiros dias de afastamento do trabalhador, tem seu custo pago integralmente pela empresa, após isso, cabe ao INSS a responsabilidade pelo restante do tempo envolvido na ocorrência. Relacionamos indicadores mais utilizados pelas empresas: 1) número de acidentes com CAT com afastamento do trabalhador; 2) número de acidentes com CAT sem afastamento do trabalhador; 39 3) horas – homem (hh) – somatória das horas de trabalho de cada empregado; 4) dias perdidos por incapacidade temporário total: São dias subsequentes ao da lesão em que o empregado continua incapacitado para o trabalho (são considerados dias de repouso, feriados, folgas e dias em que a empresa ou estabelecimento estiverem fechados) ou mesmo perdidos exclusivamente devido a indisponibilidade de assistência médica ou recursos diagnósticos necessários. Não é contado o dia da lesão e o dia do retorno ao trabalho. Em caso de óbito ou incapacidade permanente total ou parcial, 6000 dias serão debitados; 5) número de acidentes por parte do corpo atingida; 6) quantidade de horas de treinamento com segurança aplicados a cada trabalhador; 7) quantidade de reais gastos com todas atividades que envolvem segurança e saúde do trabalho; 8) taxa de frequência de acidenes = n˚ de acidentes x 1000000 horas homem de exposição ao risco Essa taxa avalia intensidade dos acidentados, levando-se em conta um milhão de horas trabalhadas. Essa relação constitui expressão mais geral e simplificada do risco (NBR. 14280:20010. O número de acidentes é apurado no período de um ano e a população exposta ao risco de sofrer algum tipo de acidente; 9) Taxa de Gravidade = nº dias perdidos x 1000000 horas homem de exposição ao risco Essa taxa avalia a gravidade dos acidentes, levando-se em conta um milhão de horas trabalhadas. Quanto maior for a gravidade do acidente maior será essa taxa. 10) Índice de gravidade = quantidade de acidentes nº de colaboradores A Previdência Social também costuma calcular as seguintes taxas: 11) Taxa de mortalidade = nº de óbitos por acidente de trab. x 1000000 nº da população exposta ao risco 12) Taxa de letalidade = nº de óbitos por acidente do trabalho nº de acidentes do trabalho registrados 40 4.4 Pesquisas sobre Clima na Segurança do Trabalho Esse tema começou ser estudado na década de oitenta, existindo vários instrumentos utilizados por pesquisadores internacionais, com diferentes definições sobre clima de segurança como constatado no quadro abaixo: Quadro 3 - Definições de clima de segurança no trabalho Autores Zohar (1980) Dedobbeleer & Beland (1991) Copper & Phillips (2004) Coyle et al. (1995) Flin, Mearns, O´Connor e Bryden (2000) Mearns, Whitaker, Flin, Gordon & O´Connor (2000) Olive et al. (2002) Silva et al. (2004) Smith et al. (2006) Definições “Clima de segurança é tipo particular de clima organizacional, que reflete as percepções dos empregados sobre a importância relativa à conduta segura em comportamento ocupacional. O clima pode variar de altamente positivo até nível neutro, e no nível médio reflete o clima de segurança em cada empresa”. “Clima de segurança é visto como atributo individual, que é composto de dois fatores: comprometimento da gerência com a segurança e envolvimento dos empregados com a segurança”. “Diz respeito a percepções compartilhadas e crenças dos trabalhadores mantidas a respeito de segurança em ambiente de trabalho”. “ A mensuração objetiva de atitudes e percepções a respeito da saúde ocupacional e de assuntos de segurança”. “Clima de segurança é característica superficial da cultura se segurança, vista nas atitudes e percepções dos empregados em dado momento”. “É definido como retrato das percepções dos empregados no ambiente atual ou prevalência de condições, que impactam sob a segurança”. “O clima de segurança é percepção das ações positivas empreendidas pela empresa pela segurança”. Com esta perspectiva se pretende que utilização deste conceito vá alem do diagnóstico e que sirva de fatos para o processo interventivo. “O clima de segurança são conjunto de crenças, valores e normas partilhados pelos membros de organização que constituem os pressupostos básicos para a segurança do trabalho. Essa cultura é caracterizada por fatores como por exemplo, comprometimento da direção da empresa, envolvimento dos empregados e existência de uma boa comunicação sobre segurança”. “Clima de segurança é constructo organizacional multidimensional que se acredita ser capaz de influenciar o comportamento de segurança dos empregados nos níveis individual, grupal e organizacional. É contextualizado como percepções compartilhadas dos empregados, relativo ás práticas de segurança, políticas e procedimentos implementados e priorizados, comparados com outras prioridades, como produtividade.Ainda, pode ser visto como retrato de estado prevalente de segurança na organização em ponto distinto do tempo e pode mudar com o passar do tempo”. Fonte: Adaptado de GULDENMUND, 2000 e ZHANG et al. 2002, GONÇALVES 2007, com atualizações do autor. 41 Considerando as definições dos vários autores anteriormente apresentados, neste trabalho o autor define: “Clima na segurança do trabalho pode ser descrito como fotografia na data em que foi aplicada, das percepções individuais de cada funcionário, sobre as políticas e práticas de segurança da empresa”. Para a mensuração do clima foi escolhido o ICOS (Inventário de Clima Organizacional de Segurança). Ele foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa de Portugal que integra a Fundação das Universidades Portuguesas e pertence a várias associações e universitários, como a Columbus, a Associação das Universidades de Língua Portuguesa e a European Academy of Business in Society. Aplicado como instrumento em 15 organizações de diferentes setores (da indústria ao setor de serviços) de Portugal, resumindo 930 participantes. A característica principal é identificação de forças e fraquezas em níveis mais específicos, descritos abaixo: Algumas características gerais do ICOS são expostas a seguir, sendo que o questionário encontra-se no Anexo I. Quadro 4 - Dimensões do ICOS Conteúdo do Clima de Segurança Dimensões Percepção de valores determinados pela gerência (controle e flexibilidade) Percepção de normas sobre os comportamentos esperados (controle e flexibilidade) Nº de Questões 04 Perguntas nº 01 a 04 04 05 a 08 Nº de Questões 06 Perguntas nº 09 a 14 Nº de Questões 03 03 04 04 04 04 Perguntas nº 15 a 17 18 a 20 21 a 24 25 a 28 29 a 32 33 a 36 Nº de Questões 03 02 03 Perguntas nº 37 a 39 40 a 41 42 a 44 Segurança como Valor organizacional Dimensões Segurança como valor organizacional Práticas organizacionais de segurança Dimensões Gerenciamento das atividades de segurança Treinamento de segurança Efetividade da segurança Qualidade das comunicações de segurança Efeitos de Ritmo de trabalho solicitado, na segurança Aprendizado organizacional a partir de acidentes Envolvimento Pessoal com Segurança Dimensões Comprometimento pessoal com segurança Internalização de segurança Orgulho quanto a segurança Acredita-se que o ICOS contribui para que a pesquisa seja realizada de forma sincera, pois: - não existe necessidade da identificação do trabalhador; - a confidencialidade foi garantida aos participantes; 42 - não há respostas certas ou erradas, somente opinião do trabalhador. Para o ICOS considera-se que quanto maior for a pontuação alcançada maior absorção dos conceitos de segurança. Como existem para as primeiras 5 perguntas, escala que varia de 1 a 6 e para as demais 39 perguntas, escala que varia de 1 a 7, foi considerado que para cada resposta das 5 perguntas iniciais, peso de 1,17 para cada pontuação apontada. Com isso manteve-se coerência matemática para equalização das respostas. Ressaltamos ainda que nas perguntas 15,18,19,28,30,31,41,42,43 e 44 as respostas esperadas nas alternativas são de pontuação baixa, ou seja na escala de 1 a 7, o trabalhador que absorvesse conceitos de segurança, escolheria pontuação 1 como correta. Assim sendo, como o resultado considerado como positivo seria para maior pontuação, realizamos uma correção para essas perguntas, onde a pontuação 1 corresponderia a 7 pontos, a pontuação 2 corresponderia a 6 pontos e assim sucessivamente até a resposta 7 que corresponderia 1 ponto. Portanto se existisse um trabalhador que respondesse a todas a questões da forma considerada ideal, a nota máxima alcançaria 7,0. Demonstrando matematicamente teríamos: Para as 5 perguntas iniciais, resposta esperada 6. Peso para cada resposta 1,17 – pontuação final 1,17 x 6 = 7. Logo 5x7 = 35 pontos. Para as 39 perguntas restantes, resposta esperada 7. Peso para cada resposta 1, para pontuação final 1x7=7. Logo 39x7= 276 pontos. 35 pontos + 276 pontos = 311 pontos corresponde a nota máxima 7,0. 39+5 Para podermos comparar os anos 2005 e 2011, somamos a pontuação e dividimos pelo número de respondentes da pesquisa de cada ano. Com isso, pudemos comparar sempre as médias, sejam elas anuais ou setoriais. Logo quanto maior o valor alcançado, melhor seria a incorporação das dimensões da segurança, tendo como teto máximo a nota 7,0. Como exemplo, a menor nota recebida foi 5,43 pelo setor Recepção de Cana e Extração que representaria absorção de 78% (5,43/7,00 ~ 78%) dos conceitos aplicados. 43 5. SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DA ALTA MOGIANA 44 5 SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DA ALTA MOGIANA 5.1 Motivação para Criação A criação do Sistema de Gestão da Usina Alta Mogiana confunde-se com a motivação do Diretor Industrial e autor deste trabalho, visto que diversos acontecimentos marcaram a vida pessoal e profissional, transformando a segurança num dos objetivos de vida, o que certamente influenciou a criação do Sistema de Gestão da empresa citada. Quadro 5 - Fatos que motivaram a criação do Sistema de Gestão ANO ACONTECIMENTOS 1980 Desastre de carro com a família do autor provocado por motorista alcoolizado 1982 Acidente com terceiro na obra de construção da usina 1985 Início da operação da usina 1990 Celebração da conquista de anos sem acidentes 1995 Formação em Engenharia de Segurança 1996 Lançada a exigência de formação técnica e/ou 2º Grau até 2006 para todos funcionários da área industrial 1999 Obtenção do Certificado ISO 9001 1998 Perda da filha do autor – Parada cardíaca 2001 Formação MBA Administração – USP 2001 1ª Dispensa por justa causa – Trabalhador colocou vida em risco 2002 Acidente com terceiro 2003 Acidente por não utilização de EPI 2004 Certificação Internacional OHSAS 18001 - 1ª Usina no Mundo Certificação ISO 22000 2005 Aplicação da pesquisa de Segurança na área industrial 2007 Convite do autor para ministrar aulas sobre segurança em cursos de pós-graduação – PECEGE - FAAP – UDOP Introdução dos resultados de segurança na participação de lucros e resultados 2003 2008 2009 Acidentes com equipamentos rodantes 2010 Maior safra da história – 4ª Usina do Brasil 2011 Ocorrência Extraordinária 2011 Busca de programas atualizados para segurança e ergonomia / visitas AÇÕES / RESULTADOS - Utilização do bafômetro na empresa (medição de teor alcoólico por indivíduo) - Guerra emocional contra o álcool. Contratos deixassem claras as exigências de segurança para terceiros que prestarem serviços na usina - Espiritualidade (missas de início e término de safra); - Oração antes das reuniões; - Cultos ecumênicos - Para cada ano sem acidente o colaborador ganha 1 dia de folga Implantação do regulamento de segurança na Indústria Grande parte dos funcionários voltaram a estudar alcançando meta em 2006. Melhoria do nível educacional industrial Início da cultura da padronização da operação Treinamento de 1º socorros para os funcionários da indústria Dissertação: Gestão Estratégia da Segurança e Saúde Ocupacional Toda equipe industrial vivenciou a aplicação do regulamento existente na UAM - Treinamento da Brigada de Incêndio da UAM - Terceiro receberia mesmo tratamento de exigência que o funcionário da usina para a Segurança do Trabalho - Busca de sistema de Administração que garantisse segurança e saúde com aprovação jurídica e prática Todas atividades têm riscos e medidas preventivas levantadas Segurança do Alimento Tese – Inventário do clima organizacional de Segurança na área industrial da usina de álcool e açúcar - (GONÇALVES, 2007) - Organização das medidas de segurança tomadas e mensuração dos resultados. Conhecimento das implicações financeiras caso as metas de segurança não fossem alcançadas Mudança no regulamento tornando maior a punição para os responsáveis pelos trabalhadores acidentados Crescimento com redução dos acidentes - Reavaliação da seleção - Reavaliação da responsabilidade hierárquica - Implantação do cartão PARE. 45 5.2 Histórico do Sistema de Gestão de Segurança na Usina Alta Mogiana Expõem-se a seguir as principais normas, regulamentos, ações e procedimentos do Sistema de Gestão de Segurança da UAM, destacando-se o “Regulamento de Segurança – 1995”, aplicado a todos os trabalhadores da indústria. A) Regulamento de Segurança – 1995 A UAM iniciou construção em setembro de 1983 com a mudança do autor deste trabalho para São Joaquim da Barra. De 1983 a 1994 a preocupação com segurança baseou-se nas obrigações legais, tendo na CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) grande instrumento de prevenção. Ocorre que devido ao grande número de ocorrências, mostrou-se necessária a busca de conhecimento, o que motivou o responsável pela área (autor do trabalho) ingressar no Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho em 1994. Durante essa formação, ficou claro que a primeira grande mudança que a UAM deveria realizar se resumia em dois pensamentos: “A busca pelo acidente zero não é um sonho” e “Não existe situação de acidente que não possa ser prevista”. Como tornar esses pensamentos em medidas administrativas eficazes? Na preleção de abertura da SIPAT 1995, o autor encontrava uma situação bastante desconfortável, pois a empresa registrou 101 acidentes no ano tendo 331 trabalhadores. Porém, verificou que o setor Controle de Qualidade estava há 5 anos sem nenhum acidente com afastamento. E na abertura do evento em vez de se apresentar os resultados ruins dos demais setores, mostrou-se o resultado excelente do Controle de Qualidade. Começou então, nova gestão de segurança, atento aos resultados não desejados, mas celebrando aquilo de bom que ocorria na empresa. Valorizar atuação setorial passou ser rotina, bem como celebrar conquistas individualmente quando datas anuais sem acidentes eram alcançadas. Porém, ficava claro que alguma medida deveria ser tomada para provocar mudança cultural em relação aos acidentes; e essa medida foi a votação do regulamento de segurança que estipulavam alguns procedimentos em caso de acidente, na SIPAT 1995 para área industrial. 46 1) Medidas disciplinares a serem aplicadas em caso de acidente na Usina Alta Mogiana: a) ocorrência com o trabalhador no ano – Advertência por escrito b) ocorrência com o trabalhador no ano – Suspensão de 1 dia c) ocorrência com o trabalhador no ano – Suspensão de 3 dias d) ocorrência com o trabalhador no ano – Dispensa por justa causa 2) Os trabalhadores que se acidentassem deveriam realizar depoimento na reunião mensal da CIPA e na SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho) anual. 3) Caso fique caracterizado que o acidente foi provocado por “brincadeira de mão” ou “mau gosto”, será aplicada dispensa por justa causa para os envolvidos. 4) Caso fique caracterizado que o acidente foi provocado por outro trabalhador, este receberá punição acima da do acidentado. 5) Toda hierarquia industrial também deverá receber medidas disciplinares, sempre anterior a recebida pelo acidentado. Exemplo: Trabalhador da moenda se acidentou, perdendo no mínimo 1 dia de trabalho, devido a martelada de seu companheiro. Ficaria assim a aplicação do regulamento: - Trabalhador acidentado – advertência por escrito - Trabalhador que provocou acidente – suspensão de 01 dia - Encarregado responsável pelo acidente – advertência verbal Caso ocorresse segundo acidente com um trabalhador da mesma equipe, seu encarregado receberia advertência por escrito por ser a segunda ocorrência do grupo que comanda. A implantação do regulamento teve efeito positivo na redução do número de acidentes conforme ilustrado no gráfico. 47 Gráfico 1 – Número de acidentes com afastamento por ano, Divisão Industrial. Fonte: Dados da UAM Em 2001 a Usina teve a primeira dispensa por justa causa feita pela CIPA, definida pela desobediência de trabalhador em omitir a verdade, ao não tomar todas as medidas definidas em procedimento, para realizar manutenção em equipamento rodante. Essa experiência ocorrida demonstrou seriedade da empresa frente a uma atitude que poderia provocar acidente gravíssimo, com todos os envolvidos nessa manutenção. Para convencer a CIPA para dispensa por justa causa, foi feito filme em que foi colocado um boneco com uniforme da UAM e em seguida ligado o equipamento; o resultado do que sobrou foi levado e todos os membros da comissão que puderam vivenciar a gravidade do ocorrido; por votação, venceu a dispensa por justa causa pelo placar de 13 a favor e 9 contra. O grande segredo do regulamento é não utilizá-lo; ele precisa existir, para conscientização de que existe disciplina e controle sobre as ações que você executa. B) Segurança do Trabalho para Terceiros – 2002 Com o acidente grave de terceiro em 2002 ficou clara a necessidade de: - Manter-se vigilância constante sobre execução das cláusulas de segurança constante nos contratos. - Eleger responsável da usina pela empresa terceira. - Realizar treinamento mensal para os integrantes da brigada de emergência. 48 C) Celebração e Premiação Assim como ocorreria punição para as ocorrências fora do padrão com o Regulamento de Segurança, criou-se critério para a comemoração dos resultados positivos, conforme exposto a seguir. - Completando 1 ano sem acidentes realiza-se cerimônia com todos os funcionários do setor, sendo entregue troféu e faixa a ser colocada no setor. - Para cada ano sem acidente, todos os funcionários do setor, recebem 1 dia de folga a ser tirado quando lhe convier; assim o setor de Controle de Qualidade que está a 16 anos sem acidentes com afastamento, permite que seus funcionários que estejam trabalhando por todo esse tempo, tenham o direito de 16 dias de descanso. Caso o funcionário só esteja trabalhando no setor por 10 anos, terá direito a 10 dias de descanso. Essa solução visa premiar o trabalho da equipe, pois caso ocorra um acidente com afastamento, todos do setor perdem a conquista dos dias de descanso. D) Incorporação dos resultados da Segurança no Programa de Participação dos Resultados – PPR A meta para taxa de frequência e taxa de gravidade foram incorporadas aos resultados a serem buscados anualmente, correspondendo a 4% do total financeiro que pode ser recebido quando os números alcançam ou superam índices definidos. E) Programa de visitas a empresas que tenham resultados em Segurança Foi definido programa de benchmarking para trazer boas práticas de segurança que estejam conseguindo mitigar riscos e zerar acidentes. Ressaltamos o cartão PARE (anexo 02) que será implantando para Safra 2012, cujo objetivo busca conscientização do trabalhador sempre que irá realizar atividade. Se para uma das 8 perguntas a resposta for não, ele não poderá realizar atividade, tendo que procurar orientação junto ao superior. F) Programa Ergonomia 49 A contratação de assessoria específica veio fortalecer a necessidade de melhorias nas condições de trabalho, em setores como ensaque de açúcar, almoxarifado, limpezas de equipamentos e outros. 5.3 Descrição do Sistema de Gestão de Segurança Alta Mogiana O Sistema é composto pelos seguintes itens: A) Elementos e Requisitos Gerais do SSAM: a) as documentações do SSAM estão estabelecidos, estruturados e implementadas em conformidade com os requisitos da norma OHSAS 18001. b) esse sistema está baseado na padronização das atividades que possam comprometer a eficácia do SSAM, através de procedimentos documentados, divulgados e aplicados, assim como, investimentos em competência e treinamento dos colaboradores. c) o SSAM tem como principal objetivo, assegurar que ele não seja somente implementado e mantido, mas também monitorado, analisado e continuadamente melhorado, assim como garantia do desdobramento da Política em todos os níveis da organização. d) o SSAM integra o SGEAM, juntamente com o SQAM (Sistema de Qualidade da Alta Mogiana) estruturado e certificado conforme norma ISO9001, SSPAM (Sistema de Segurança do Produto Alta Mogiana) conforme norma ISO22000 e SGAAM (Sistema de Gestão Ambiental Alta Mogiana) conforme ISO14001. B) Política do SSAM: a) a Política do SSAM é integrada com o sistema de gestão. b) é adequada à natureza e escala de riscos existentes na empresa. c) inclui comprometimento com prevenção de lesões e doenças e com melhoria continua. d) inclui comprometimento de atender os requisitos legais e aplicáveis e outros subscritos que se relacionam perigos. e) é documentada, implementada e mantida. 50 f) é comunicada e disponibilizada as pessoas que trabalham sob o controle da organização, visando que tomem consciência das obrigações individuais em relação a segurança e saúdo no trabalho. g) é analisada de forma a assegurar que permaneça pertinente e apropriada à Usina. C) O Planejamento do Sistema compreende os seguintes itens: C.1) Identificação de perigos, avaliação de riscos e determinação de controles A metodologia adotada para identificação dos perigos, avaliação e controle dos riscos pela implementação das medidas de controle necessárias, levam em consideração os seguintes aspectos: • atividades rotineiras e não-rotineiras • atividades de todo o pessoal que tem acesso às áreas de trabalho (incluindo subcontratados e visitantes). • recursos e facilidades para os locais de trabalho. • requisitos estatutários, regulamentares e da legislação vigente, conforme aplicáveis. • procedimentos, processos e práticas existentes na usina e no mercado. • análise dos dados e do sistema, sobre investigações de incidentes e emergências . • gerenciamento de modificações nas divisões da usina que envolva instalações de equipamentos, construção civil, bem como modificações no SSAM. A metodologia de identificação acima tem como principais características: • é definida quanto ao escopo, natureza e frequência, para assegurar que seja mais pró-ativa que reativa. • provê classificação dos riscos e identificação daqueles que devem ser eliminados ou controlados através de medidas apropriadas. • provê entradas para determinação dos requisitos de recursos e facilidades para os locais de trabalho, identificação das necessidades de treinamento e/ou desenvolvimento de controles operacionais. • provê monitoramento das ações requeridas, para assegurar tanto afetividade, como prazo estabelecido para implementação das mesmas. • resultados das avaliações realizadas e efeitos dos implementados são considerados para estabelecimento dos objetivos. controles 51 • informações obtidas são documentadas e mantidas atualizadas, para registro histórico e para possibilitar análises críticas do desempenho SSAM. Priorização das Ações: • a princípio, todas as atividades e situações de risco são consideradas prioritárias e incorporadas aos diversos programas da Usina, tais como PPRA, PCMSO, etc., assim como aos trabalhos de supervisão diária do SESMT. • avaliações esporádicas (conforto acústico, exposição a agentes químicos, etc) e auditorias podem originar planos de ação complementares, a serem analisados e aprovados pelo SESMT e implementados pelas DIVISÕES envolvidas. C.2) O Cumprimento da Legislação Vigente a) a Usina tem necessária consciência sobre as atividades e operações, que são, ou poderão ser, afetadas pelos requisitos legais, e outros aplicáveis. Desse modo a usina estabelece e mantém sistemática apropriada para identificar e ter acesso, dentro deste universo de informações, aos requisitos aplicáveis às atividades e operações. b) a sistemática estabelecida prevê utilização de diversos meios apropriados para busca, acesso, registro e manutenção das informações aplicáveis, referentes a Segurança e Saúde no Trabalho. c) a Usina assegura também que informações e documentos necessários são mantidos atualizados, devidamente arquivados e que informações relevantes são devidamente comunicadas e esclarecidas aos colaboradores, assim como para as demais partes interessadas. C.3) Objetivos e programa(s) do SSAM A usina estabelece, implementa e mantém documentados para cumprir política e atingir objetivos, vários programas de gestão, considerando as seguintes entradas: • estabelecimento de novos requisitos legais e outros, ou alterações nos • resultados da identificação, avaliação e controle dos riscos. • detalhes da realização dos processos e serviços da UAM. mesmos. 52 • revisões das avaliações de oportunidades para novas, ou diferentes, opções tecnológicas. • atividades de melhoria contínua. • viabilidade dos recursos necessários, para atingir os Objetivos do • programas de controles realizados pelo SESMT. SSAM. O SSAM mantém estabelecidos os seguintes Programas de Gestão: • legais conforme Normas Regulamentadoras: PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. • PCA – Programa de Conservação Auditiva, incluso no PCMSO. • PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. • ART – Análise de Riscos da Tarefa. (Programa próprio do SSAM) • plano de emergência • programas 6S. D) Implementação e Operação do Sistema compreende os seguintes itens descritos a seguir: D.1) Estruturas e Responsabilidades: A usina possui várias estruturas para gerenciamento, realização, verificação e avaliação de atividades e efeitos do SSAM. Cada estrutura, conforme aplicável ao campo de atuação, realiza constante análise dos riscos inerentes às atividades, processos e instalações da UAM, assim como a implementação das medidas e ações para eliminar ou, pelo menos, minimiza os mesmos. As estruturas diretamente ligadas ao SSAM e documentos de referência são: • SESMT- Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho • CIPA • Brigada de Emergência. Além destas estruturas apresentadas, o SSAM conta ainda com suporte e apoio dos seguintes órgãos: • Departamento Jurídico, que atua como consultoria nas questões legais. • GRUPO 6S, nos aspectos referentes ao “Senso de Segurança”, podendo contar com apoio e orientação do Gerente de Gestão. • ARTH – Competência, treinamento e conscientização. 53 Segue abaixo representação do organograma funcional, incluindo funções relacionadas ao SESMT: Figura 2 - Organograma Simplificado do Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Fonte: Dados da UAM. D.2) Competência, treinamento e conscientização do SSAM a) a usina busca assegurar que colaboradores tenham competência, adequada e suficiente, para realização das funções, particularmente daquelas que possam provocar impactos rele de segurança e saúde nos locais de trabalho. b) a competência dos colaboradores são determinadas com base na educação, treinamentos apropriados e experiência que os mesmos possuem, para execução das respectivas tarefas. c) procedimentos são estabelecidos e mantidos de forma a assegurar que cada colaborador que trabalhe em funções e níveis relevantes, estejam conscientes da : • importância da conformidade em relação à Política, Objetivos e Procedimentos em relação aos requisitos do SSAM, incluindo os requisitos de prevenção e resposta às emergências. 54 • das consequências reais e potenciais nas atividades de trabalho, devido ao não cumprimento dos procedimentos operacionais especificados. • dos benefícios de Segurança e Saúde devido à melhoria do desempenho pessoal. d) treinamentos e conscientizações dos colaboradores, são avaliados, através de métodos adequados e registros são mantidos arquivados. e) conforme aplicável, também são realizados treinamentos e conscientização para subcontratados, trabalhadores temporários e visitantes em geral. O treinamento aplicado são estabelecidos de acordo com nível de risco a que os mesmos estarão expostos. D.3) Comunicação, participação e consulta a) A usina estabelece um processo apropriado de comunicação, participação e consulta, o qual assegura que as informações relevantes referentes a segurança e saúde do colaborador, sejam transmitidas, de forma eficaz e eficiente e em tempo hábil, tanto do SSAM para os colaboradores e outras partes interessadas, como destes para o SSAM. b) Os processos de comunicação estabelecidos na usina, inclui atividades: • comunicações realizadas pelo diretor superintendente. • Reuniões gerenciais e setoriais e CIPA. • Divulgação em murais e quadros de avisos, sobre resultados dos programas estabelecidos. • Na intranet e no site da empresa • e outros meios, conforme aplicável. c) A metodologia estabelecida, assegura que os colaboradores sejam, adequadamente: • envolvidos e consultados durante o cumprimento da Política e objetivos • consultados quando for ocorrer alguma mudança que afete ou possa afetar a segurança e saúde nos locais de trabalho. • Representados nos assuntos referentes a segurança e saúde e ao SSAM, com participação na CIPA e na Brigada de Emergência. D.4) Documentação 55 a) A usina estabelece, documenta, implementa e mantém sistema de informações suficientes para descrever elementos centrais e interações entre estes, além de proporcionar orientação adequada para utilização da documentação relacionada promovendo melhoria contínua de sua eficácia de acordo com os requisitos da OHSAS 18001. b) As documentações são mantidas atualizadas e disponíveis, nas revisões pertinentes. O tempo de retenção em arquivo é definido, conforme o tipo de documento, em função da legislação vigente e/ou de critérios próprios da UAM. c) As documentações podem existir sob a forma física (papel, fotos, amostras, etc.) e em meios eletrônicos. A documentação gerada é suficiente e adequada para atender às necessidades do SSAM, assegurando que ele seja claramente compreendido, de modo a ser operacionalizado de forma eficaz e eficiente. d) Os documentos utilizados estão relacionados na lista mestra de documentos, gerados por software específico. e) As documentações seguem a seguinte estrutura: • Nível 1 - MSAM (Manual do Sistema de Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional): • Nível 2 – Procedimentos Documentados e Normas Administrativas. • Nível 3 – Instruções de Trabalho, Identificações de Riscos, Formulários de Gestão, Especificações Técnicas e Documentos de Origem Externa (leis, normas técnicas, decretos, etc). D.5) Controle de Documentos a) A usina estabelece sistemática adequada para controle de documentos e dados, de origem interna ou externa, incluindo critérios para codificação, aprovação, emissão, distribuição, utilização, arquivo, recuperação e revisão dos mesmos. b) A metodologia estabelecida assegura que documentos e dados relevantes sejam mantidos legíveis, tanto na forma física (papel) como na forma informatizada, e sejam localizados de maneira fácil e prontamente removidos de todos os pontos de distribuição e uso, logo que se tornem obsoletos, para impedir utilização intencional (sendo posteriormente eliminados). 56 c) A guarda, preservação e disponibilidade dos documentos distribuídos é atribuição dos Responsáveis dos setores e demais usuários. D.6) Controle Operacional do SSAM a) O SSAM identifica operações e atividades de processos de trabalho, que estão associadas com riscos identificados, as quais requerem aplicação de medidas de controle apropriadas às mesmas. b) As operações e as atividades são planejadas, de forma a assegurar que sejam realizadas sob condições controladas. O planejamento é realizado através do estabelecimento e manutenção de documentos apropriados, que levam em consideração, entre outros aspectos: • cobertura das situações em que a falta de planejamento, possa levar a desvios da Política e objetivos do SSAM. • estabelecimento de critérios apropriados para a realização das operações e das atividades. • riscos identificados de incidentes e doenças ocupacionais em materiais, produtos, equipamentos e serviços adquiridos e/ou utilizados pela UAM. • projetos de locais de trabalho, processos, instalações e equipamentos. c) Os documentos definem, ainda, as responsabilidades pela execução das atividades e operações, bem como controle das mesmas, conforme aplicável. d) Documentos, referentes ao controle de riscos, são revisados periodicamente, e sempre que aplicável, para avaliação e manutenção da adequação e efetividade. As alterações identificadas como necessárias são implementadas tão logo quanto possível. D.7) Prontidão e respostas a emergências a) O SSAM estabelece e mantém planos e procedimentos para: • identificar o potencial dos incidentes e das situações de emergência. • determinar as respostas (atendimentos) quando da ocorrência destes • prevenir e abrandar (mitigar) doenças e lesões que possam estar casos. associados aos mesmos. 57 b) Os documentos do SSAM são analisados, e conforme aplicável são revisados após ocorrência de cada incidente ou situação de emergência, visando assim manter ajustes e melhorias necessárias quanto às respostas emergenciais. c) Os procedimentos e instruções para prevenção e respostas emergenciais consideram • organização e operacionalização da brigada de emergência. • identificação de riscos potenciais de incidentes e emergências. • identificação dos colaboradores que tomarão ações e/ou decisões durante as emergências. • procedimentos de abandono de recinto e identificação das rotas de fuga e pontos de encontro. E) Verificação do SSAM E.1) Monitoramento e medição do desempenho: a) O SSAM estabelece e mantém documentos apropriados para monitoramento e medição do desempenho de Segurança e Saúde em bases regulares, para verificação de aspectos considerando: • se a Política e os Objetivos, bem como requisitos legais e outros aplicáveis estão sendo atingidos. • se programas para treinamento, conscientização, comunicação e consulta para colaboradores, e outras partes interessadas, são efetivos. • se informações do SSAM estão sendo adequadamente geradas e utilizadas, para revisão e/ou melhoria contínua do SSAM. b) medições e monitoramentos realizados no SSAM incluem, mas não se limitam a: • medições quantitativas e qualitativas, apropriadas às necessidades da • monitoramento da extensão em que os objetivos do SSAM são • medições pró-ativas de desempenho, para verificação do atendimento UAM. atingidos. aos requisitos legais e outros aplicáveis, e monitoramento da adequação dos critérios operacionais estabelecidos pelo SSAM. 58 • medições reativas de desempenho, para monitoramento de doenças, incidentes (incluindo-se as quase-perdas) e outras evidências históricas de desempenho deficiente da Segurança e Saúde Ocupacional. c) São utilizadas técnicas de medição e monitoramento apropriadas, como: análise de documentos e registros; análise de resultados de procedimentos implantados; inspeção sistemática dos locais de trabalho; inspeção sistemática dos EPIs; avaliações prévias de novas plantas, instalações, equipamentos, materiais, produtos químicos, tecnologias, processos, procedimentos e padrões de trabalho; avaliações ambientais; avaliações comportamentais dos colaboradores e outras partes interessadas, etc E.2) Investigação de incidentes, não conformidade, ação corretiva e ação preventiva a) O SSAM estabelece e mantém procedimentos para definir responsabilidades e autoridades para: • conduzir e investigar incidentes e não-conformidade. • tomar ações para mitigar consequências destas ocorrências. • Iniciar e monitorar ações corretivas e/ou preventivas necessárias. • Confirmar a efetividade das ações corretivas e/ou preventivas estabelecidas b) Ações corretivas e/ ou preventivas estabelecidas para eliminar as causas reais ou potenciais de não-conformidade são apropriadas tanto à natureza e magnitude dos problemas detectados como aos riscos encontrados para segurança e saúde. c) São mantidos registros apropriados das ações corretivas e/ou preventivas tomadas. d) Quando as ações corretivas e/ou preventivas implementadas introduzem alterações no SSAM, os documentos afetados do SSAM são revisados para os ajustes necessários. E.3) Controle de Registros a) O SSAM estabelece e mantém procedimento para fins de identificação, manutenção e disposição de registros de segurança e saúde ocupacional, incluindo 59 resultados de auditorias e análises críticas, para demonstrar conformidade com a política e objetivos, e com a norma OHSAS18001. b) Os registros são legíveis, identificáveis e rastreáveis às atividades envolvidas. São armazenados e mantidos devidamente protegidos contra danos, deterioração ou perda, e de forma a permitir a pronta recuperação quando necessário. c) O tempo de retenção e o local de arquivo de cada tipo de registro é estabelecido. E.4) Auditoria e) O SSAM estabelece e mantém programa de auditoria e procedimentos específicos referentes à realização de auditorias, com os seguintes objetivos principais, entre outros. • determinar se o SSAM está conforme requisitos da norma OHSAS, com a política e objetivos estabelecidos. • determinar se o sistema SSAM está corretamente implementado e • analisar e revisar resultados das auditorias anteriores. • fornecer informações sobre resultados das auditorais anteriores. mantido. f) Os procedimentos consideram escopo, frequência, metodologia, competência, responsabilidade e critérios para execução de auditoria e apresentação de resultados. g) As auditorais são conduzidas por pessoal independente, ou seja, que não tenha responsabilidade direta sobre as atividades a serem auditadas. h) Ao termino das auditorais, são elaborados relatórios e são registrados as NCs (não conformidades) que desencadeiam ações corretivas/preventivas nos pontos apontados. E.5) Análise crítica pela direção do SSAM a) O SSAM é analisado criticamente ao fim de cada período de safra e entressafra, e sempre que necessário, para assegurar sua continuidade, adequação e efetividade. 60 b) As análises críticas do SSAM são realizadas pelo RD, em reuniões participativas com diretor superintendente, envolvendo, diretores e outras pessoas estratégicas. c) O processo de análise crítica do SSAM assegura que as informações necessárias sejam coletadas, de forma a possibilitar alcance gerencial efetivo na realização das avaliações. • as possíveis mudanças na Política e Objetivos da Segurança e Saúde Ocupacional. • as circunstâncias que originaram mudanças na Política e Objetivos de Segurança e Saúde Ocupacional. • o compromisso com a melhoria contínua do SSAM. d) As análises críticas são documentadas e os arquivos ficam disponibilizados para comunicação e consulta. 61 6. CERTIFICAÇÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL DA ALTA MOGIANA 62 6 Certificação em Segurança e Saúde Ocupacional da Alta Mogiana A partir de um acidente ocorrido em 2002, com a queima da parte interna dos braços de um colaborador por contato com ácido sulfúrico, ficou clara a necessidade de se buscar no mercado instrumento administrativo que fosse reconhecido internacionalmente e que pudesse definir políticas, diretrizes e responsabilidades para execução da Gestão de Segurança do trabalho. Isto porque na apuração verificou-se que contribuíram para o acidente: - equipamentos de Proteção Individual, capa, luva, protetor facial, foram retirados pelo trabalhador que não os colocou. - trabalhador recebeu toda orientação formal do encarregado para execução do serviço, antes de iniciar atividade. Mesmo assim ele desobedeceu e realizou serviço que causou acidente. Ficou claro com essa ocorrência que: - o trabalhador pode ter a opção da não utilização do EPI, sem temer regulamento por tomar essa atitude. - toda orientação da forma de execução foi transmitida verbalmente sem nenhum procedimento escrito. Isso complicou argumentos jurídicos da empresa durante a ação movida pelo trabalhador na justiça do trabalho. - treinamento para execução dessa ordem de serviço não estava documentada, apesar de ter sido realizado. Com isso foi escolhida a Certificação OHSAS 18001 que passa a ser apresentada nos subitens seguintes: 6.1 Estrutura Organizacional Descreve-se a seguir a estrutura organizacional da empresa, definindo responsabilidades de cada função na hierarquia, bem como recursos de materiais necessários para que a empresa estabeleça, documente, implemente e mantenha Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, além de melhorar continuamente a eficácia. Essa estrutura visa estabelecer também diretrizes 63 adotadas pela usina, definindo seus objetivos, responsabilidades, autoridades e planejamento para identificação de perigos e avaliação de riscos e, quando aplicável, a definição das medidas de controle. Estão descritas a seguir algumas definições e generalidades que serão utilizadas, a saber: Definições e Generalidades: • Auditoria: processo sistemático, documentado e independente que determina se atividades e resultados estão conforme o planejamento e norma estabelecida. • Avaliação de Risco: processo de avaliações de riscos, provenientes de perigos, levando em conta adequação de qualquer controle existente e decidindo se o risco é ou não aceitável. • Desempenho: são resultados mensuráveis da gestão da organização em relação aos riscos. Medição do desempenho, medição da eficácia dos controles da organização, e resultados também podem ser medidos em relação à política e objetivos e outros requisitos de desempenho da organização. • Identificação do Perigo: processo de reconhecimento de que existe um perigo e definições das características. • Incidente: evento(s) relacionados ao trabalho, em que lesão ou doença independentemente da gravidade ou fatalidade ocorreu ou poderia ter ocorrido. Acidente é incidente que resulta em lesão, doença ou fatalidade. Incidente no qual não ocorre lesão, doença ou fatalidade pode também ser denominado quaseacidente, quase-perda, quase-desastre ou ocorrência perigosa. • Melhoria Contínua: processo recorrente de aprimoramento do sistema de gestão, com propósito de atingir melhoria geral no desempenho, consistente com política da organização. • Não Conformidade: é não atendimento a requisito. Não-conformidade poder ser qualquer desvio da norma de trabalho, práticas, procedimentos requisitos legais , etc, que possa direta ou indiretamente levar a incidente ou dano material,ou combinação destes. • Objetivos: é meta, em termos do desempenho, que a organização estabelece para ela própria atingir. Convém que os objetivos sejam quantificados, sempre que praticável e coerentes com política da organização. 64 • Partes Interessadas: pessoa ou grupo, interno ou externo ao local de trabalho, interessado ou afetado pelo desempenho da Segurança e Saúde do Trabalho da organização. • Perigo: fonte, situação ou ato com potencial para provocar danos ao ser humano em termos de lesão ou doença, ou combinação destas. • Risco: combinação da probabilidade de ocorrência do evento ou exposição(ões) perigosa(s) com gravidade da lesão ou doença que pode ser ocasionada pelo evento ou exposição.(ões). • Segurança e Saúde no Trabalho: são condições e fatores que afetam, ou poderiam afetar, saúde e segurança dos colaboradores ou outros colaboradores incluindo aqueles temporários, pessoal terceirizados, visitantes ou qualquer outra pessoa no local de trabalho. • Sistema de Gestão: parte do sistema da organização usada para desenvolver e implementar política e gerenciar riscos. ORGANOGRAMA: 1) Diretor Superintendente 2) Diretores de Divisão 3) Gerentes de Departamento C.1) Gerente de Sistema de Gestão 4) Encarregados/Colaboradores A - Responsabilidades Gerais: Descreve-se a seguir as responsabilidades dos níveis hierárquicos citados no organograma: 1) Diretor Superintendente: a) Representante máximo da Alta Administração, detém nível de autoridade e responsabilidade, compatível com sua função, para conduzir os negócios da empresa e de assegurar viabilização e desenvolvimento da mesma. 65 b) Estabelecer Política e Objetivos Gerais do SSAM, em conformidade com a filosofia e diretrizes gerais do Sistema de Gestão Empresarial Alta Mogiana (SGEAM). c) Assegurar suficiente disponibilidade dos recursos humanos, materiais e tecnológicos requeridos para efetiva implementação, manutenção e melhoria contínua do SSAM . d) Efetuar análises críticas periódicas como um todo, tomando como base relatórios elaborados pelo RD, e como referência, Política e Objetivos o SSAM estabelecidos. 2) Diretores e Gerentes de Departamentos das Divisões: a) Estabelecer responsabilidades para que Objetivos Específicos do SSAM na divisão sejam atingidos na natureza do trabalho realizado. b) Assegurar afetiva implementação do SSAM na respectiva Divisão, suprindo necessidades de recursos (humanos, materiais e tecnológicos) e ações de treinamento, conscientização e competência do pessoal. c) Participar de análises críticas periódicas do desempenho e da eficácia do SSAM na respectiva divisão, tomando como base relatórios elaborados pelo RD. 3) Gerente do Sistema de Gestão: a) Estabelecer o SSAM, em conformidade com a filosofia da Gestão Empresarial, Política, Objetivos gerais e específicos estabelecidos, com legislação vigente e requisitos da Norma OHSAS 18001. b) Assessorar para que o SSAM seja devidamente implementado conforme necessidades estabelecidas pela organização, para que o mesmo apresente desempenho requerido em todos os departamentos da UAM. c) Promover ações de trenamento e conscientização para colaboradores, enfocando importância da contribuição de cada um para si mesmo e para cumprimento da Política e Objetivos. d) Acompanhar e/ou definir, implementar ações corretivas e preventivas quando necessário, para manutenção e melhoria do SSAM. 4) Colaboradores do SESMT e Colaboradores em Geral: Engenheiro(s) de Segurança do Trabalho, Técnicos de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, Auxiliares de Enfermagem do trabalho e Colaboradores responsáveis pelas setores e demais colaboradores da Usina, suas responsabilidades gerais estão descritas abaixo: 66 a) Cumprir e fazer cumprir em suas áreas de atuação, conforme aplicável, determinações contidas nos diversos documentos do SSAM, contribuindo efetivamente para desenvolvimento e aplicação da Política e dos Objetivos estabelecidos. b) Apresentar sugestões para melhorias contínuas das diversas atividades que integram o SSAM. c) Manter registros organizados gerados pelo SSAM. 6.2 Planejamento para Identificação dos Perigos, Avaliação, e Controle de Riscos Busca estabelecer sistemática adotada para identificação dos perigos e avaliação e controle dos riscos, visando definição e implementação das medidas de controle apropriadas para eliminação ou redução dos mesmos para isso define como: 1) Engenheiros e Técnicos de Segurança de Trabalho: a) Realizar nos setores levantamento de perigos e riscos, conforme metodologia estabelecida pelo SSAM. b) Estabelecer metodologia de planejamento de identificação dos perigos e avaliação e controle dos riscos. c) Analisar criticamente planejamento feito, para assegurar condução dos riscos a níveis Aceitáveis. d) Verificar efetiva implementação das medidas de controle e se as mesmas são eficazes. 2) Responsáveis pelos Setores a) Treinar responsáveis pelos setores na metodologia adotada e acompanhar levantamentos nos setores. b) Definir e implementar nos setores, conforme necessário, medidas de controle aplicáveis. c) Orientar e treinar colaboradores dos setores quanto a metodologia estabelecida e quanto à efetiva aplicação das medidas definidas para controle dos riscos. 67 d) Analisar criticamente o planejamento do setor, assegurando que conduza riscos a níveis Aceitáveis. 3) Coordenador do SSAM a) Verificar se a sistemática estabelecida e resultados obtidos atendem os requisitos do SSAM. A seguir descrevemos a Metodologia para Identificação dos Perigos, Avaliação e Controle dos Riscos: a) Classificação das Atividades de Trabalho Esta etapa consiste em preparar a lista de atividades de trabalho, abrangendo propriedades, instalações, pessoal e procedimentos, e obter informações necessárias sobre elas. b) Identificação dos Perigos Esta etapa consiste em preparar a lista de atividades de trabalho, abrangendo propriedades, instalações, pessoal e procedimentos, e obter as informações necessárias sobre elas. Quadro 6- Identificação dos Perigos Gravidade Probabilidade Levemente Prejudicial Prejudicial Extremamente Prejudicial Totalmente Improvável Eliminado Eliminado Eliminado Altamente Improvável Risco Trivial Risco Aceitável Risco Moderado Improvável Risco Aceitável Risco Moderado Risco Substancial Provável Risco Moderado Risco Substancial Risco Inaceitável 68 O controle a ser adotado é definido em função da classificação do risco, para manter este em nível Aceitável. Quadro 7 - Controle dos Riscos TIPO DETALHAMENTO Inaceitável O trabalho não deve ser iniciado ou continuado até que o risco tenha sido reduzido. Se não for possível reduzir o potencial do risco, mesmo com recursos ilimitados, o trabalho tem que permanecer proibido. Substancial O trabalho não deve ser iniciado até que o potencial do risco tenha sido reduzido. Recursos consideráveis podem ter que ser alocados para reduzir o risco. Moderado Devem ser feitos esforços para reduzir o potencial do risco, mas os custos de prevenção devem ser medidos cuidadosamente e limitados. Medidas para redução do potencial do risco devem ser implementadas dentro do período de tempo definido. Aceitável Não são requeridos controles adicionais além daqueles normalmente já efetuados e descritos nos documentos de trabalho. É requerido monitoramento para assegurar que controles sejam mantidos. Trivial Sempre que possível, é recomendada tomada de ação e manutenção de registros documentados. Eliminado Sempre que as medidas de controle forem totalmente eficazes eliminando os riscos. c) Análise Crítica do Planejamento Antes da efetiva implementação do planejamento estabelecido, o mesmo é analisado criticamente pelos Engenheiros e Técnicos de Segurança do Trabalho do SSAM, para assegurar que: • controles realizados conduzirão riscos a níveis aceitáveis. • não surgiram novos perigos e riscos. • foram escolhidas soluções mais eficazes e de custos compatíveis com disponibilidades da UAM. • colaboradores afetados consideram que medidas adotadas são necessárias e praticáveis. d) Aplicação da Metologia a) para identificação dos perigos, avaliação e controle dos riscos das atividades rotineiras, é utilizada a metodologia do PPRA – Matriz de Gradação de Risco; b) os resultados obtidos são demonstrados através do ítem de identificação de risco nas instruções pertinentes das atividades, as quais são disponibilizadas nos locais de trabalho para cada UF; 69 c) para atividades não-rotineiras e atividades que requerem permissões de trabalho, é utilizada ferramenta de análise ART; d) subcontratados, visitantes e colaboradores não alocados nas áreas de produção, são orientados acerca dos riscos das atividades que irão desempenhar nas áreas mencionadas, através dos seguintes procedimentos: e) integração de segurança; f) 5” de segurança; g) ART (Análise de Riscos da Tarefa); h) permissões de trabalho. 6.3 Análise Crítica do Sistema de Segurança na Usina Alta Mogiana Essa análise crítica é feita pela direção da empresa buscando avaliar se as metas estão sendo alcançadas. Avalia-se as necessidades de recursos humanos, materiais sempre tendo como foco o Acidente Zero, corrigindo possíveis desvios. A periodicidade da realização é semestral, buscando coincidir com avaliação na safra e na entressafra, além de atender exigências da manutenção da certificação OHSAS, durante 2 visitas realizadas pelo organismo de terceira parte. 6.4 Organização da Área de Segurança do Trabalho A área de Segurança do Trabalho na empresa está difundida pela NR 4 que dimensiona o SESMT (Serviço de Especialização de Engenharia e Medicina do Trabalho) pelo número de funcionários (3.500) e pelo grau de risco (3). 70 Figura 3 - Dimensionamento do SESMT Fonte: Norma Regulamentadora NR-04 Normalmente o SESMT encontra-se no organograma empresarial subordinado aos Recursos Humanos com intenção de identificar, auxiliar e controlar situações de riscos, atos e condições inseguras. Ocorre que na visão gerencial da Usina Alta Mogiana, denominada UAM, a responsabilidade sobre segurança do trabalhador é creditada para ele, seu encarregado, gerente e diretor industriais já demonstrado na estrutura organizacional da OHSAS 18001; o SESMT fica com função de assessorar tecnicamente tudo que se faça necessário desenvolvimento do ambiente de trabalho saudável para as pessoas. para 71 6.5 Espiritualidade Característica importante das pessoas que ocupam cargos de comando é a espiritualidade. Como exemplo disso, temos: 1) realização de cultos ecumênicos no início e final de safra; 2) em todas as reuniões, um minuto de oração é realizado; 3) nas reuniões da coordenação industrial, sempre uma cadeira está separada, simbolizando a presença Divina; 4) o diretor foi peregrino do Caminho de Santiago de Compostela e, 5) em todas inaugurações, presença do padre para abençoar o novo local de trabalho é ítem obrigatório na celebração. 72 7. RESULTADOS 73 7 RESULTADOS Conforme relatado na metodologia, foram aplicados questionários com funcionários da UAM nos anos de 2001, 2005 e 2011 cujo resultados encontram-se a seguir. 7.1 Pesquisa Aplicada em 2001 Apresenta-se a seguir gráficos resultantes da pesquisa realizada em 2001, referentes ao tempo de empresa, orientação sobre segurança, opinião sobre o time do SESMT, qualidade do EPI, programa mais bem sucedido, ordem de responsabilidades na segurança, contribuição para segurança, nota da empresa na segurança, nota do colaborador em segurança e regulamento de segurança. Gráfico 2 – Tempo na empresa. Fonte: Dados da UAM. Observa-se que somente 15% dos colaboradores são novos na empresa (até um ano). Com 297 funcionários teríamos: 1 ano 15% 44 2 anos 5% 15 3 anos 9% 27 4 anos 8% 24 5 anos 7% 21 6 anos ou + 56% 166 100% 297 74 A quantidade de 44 funcionários considerados novos, demonstra que a incorporação dos valores de segurança precisa ser eficaz, para que essa variável não interfira no resultado dos acidentes. Gráfico 3 – Recebeu orientação sobre segurança. Fonte: Dados da UAM. Nota-se que somente 1% ou seja, 2 colaboradores afirmaram que não receberem orientação de segurança ideal para atividade, o que não poderia ter ocorrido, pois na integração a orientação é informada e documentada. Gráfico 4 – Opinião sobre o time do SESMT. Fonte: Dados da UAM. Dentre todos os colaboradores 85% julgaram a atuação do SESMT boa ou excelente; isto demonstra qualidade profissional da equipe de segurança. Gráfico 5 – Qualidade dos EPI´s. Fonte: Dados da UAM. 75 O EPI que a empresa compra atende a 98% dos colaboradores que consideram bom ou excelente. Seria importante levantar os 2% ou seja, 4 colaboradores não estariam sendo atendidos de uma forma ideal no uso do EPI. Gráfico 6 – Programa mais bem sucedido. Fonte: Dados da UAM. Programa de controle auditivo desenvolvido com médico e fonoaudióloga demonstrou ser o preferido pelos colaboradores, afirmando que o maior risco existente na divisão industrial, o ruído, está recebendo tratamento necessário. Dos demais programas ressaltou pouca lembrança na ergonomia, demonstrando que nesse campo temos evoluído lentamente. Também resulta-se a pouca lembrança do programa de emergência, que com certeza implicará em uma mudança na sua gestão. Gráfico 7 – Ordem de responsabilidades na segurança. Fonte: Dados da UAM. Escolha de alternativas que começam com encarregado (cor vermelha) e coordenação industrial (cor verde), demonstram que 71% acreditam que as pessoas que tem poder de comando são os maiores responsáveis para se atingir resultado na segurança do trabalho. Aqui precisamos reavaliar, pois a ordem de 76 responsabilidade deveria começar com o colaborador. Portanto essa conscientização precisa ser reforçada nos treinamentos e posteriormente avaliada sua absorção pelo funcionário. Gráfico 8 – Contribuição para Segurança. Fonte: Dados da UAM. Constatamos que programa de conscientização que vem sendo desenvolvido tem sido eficaz, pois 59% chamam para si a responsabilidade na melhoria do Sistema de Segurança. Essa % fica meio contraditória quando analisamos o gráfico anterior. Logo precisaríamos pensar na busca de um instrumento que pudesse medir mais claramente essa definição de pensamento do colaborador frente a sua segurança. Gráfico 9 – Nota da empresa na Segurança. Fonte: Dados da UAM. Sendo a nota ponderada igual a 8, consideramos corretas as ações que vem sendo tomadas na busca do acidente zero. Seria importante pesquisar o porque 9 funcionários deram nota abaixo da média, para aperfeiçoamento do sistema de segurança. 77 Gráfico 10 – Nota do colaborador na segurança. Fonte: Dados da UAM. O colaborador atingiu nota ponderada 8,1; considerando a pergunta anterior, acreditamos que o sistema de avaliação apresentou-se coerente, visto que as notas foram praticamente iguais. Resulta-se que quando está em jogo uma auto avaliação, ninguém deu uma nota para si abaixo da média. Gráfico 11 – Conhece o regulamento. Fonte: Dados da UAM. Observa-se que 96% afirmam ter conhecimento do regulamento interno (instrumento considerado fundamental para o sucesso da gestão de segurança), que demonstra seu envolvimento bem como cumplicidade com política de segurança, a medida que a continuidade é votada anualmente na Semana Interna de Prevenção. A presença de 4% não saber do regulamento, pede uma reavaliação de possíveis falhas na integração, apesar de o funcionário ter assinado um documento que recebeu a informação. 78 Gráfico 12 – Regulamento de segurança foi um marco. Fonte: Dados da UAM. Considerando como hipótese positiva, teríamos 97% dos colaboradores comungando a idéia de que a implantação do regulamento interno foi a primeira grande ação na busca dos resultados da gestão de segurança. Concordância com sua manutenção reforça nos dias de hoje, de que apesar do regulamento ser instrumento disciplinar rígido, o uso com dois acidentes no ano de 2001 não se faz perceptível. Diante dessas conclusões, procurou-se aprimoramento da avaliação do sistema de segurança da Usina Alta Mogiana através da aplicação do ICOS – Inventário de Clima Organizacional de Segurança, de Silva et. al. (2004), já descrito anteriormente. No ano de 2005 foi aplicado o ICOS na Usina Alta Mogiana a 328 trabalhadores em total de 419; em 2011 esse mesmo questionário também foi aplicado a 400 funcionários em total de 673, sempre dentro da Divisão Industrial. 7.2 ICOS Aplicada em 2005 e 2011 7.2.1 Caracterização da Amostra Quanto à caracterização da amostra, expõe-se a seguir, grau de escolaridade, tempo de empresa e relatos sobre já terem sofrido algum acidente de trabalho na empresas (entrevistamos 328 em 2005 e 400 em 2011): 79 Tabela 1 - Caracterização da Amostra – Escolaridade ESCOLARIDADE 1º Grau 2º Grau Incompleto 2005 2011 Diferença (2011 - 2005) % 13,5 20,6 12,8 15,3 - (0,7) - (5,4) - (3,8) 2º Grau Completo 53,2 49,4 Superior 12,6 22,5 + 9,9 Superior + 2º Grau Completo 65,8 71,9 + 6,1 Total 100,0 100,0 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Escolaridade – Considerando a soma do 2º grau e superior constatamos evolução de 6,1% a mais em 2011. Também ressaltamos aumento de 9,9% do nível superior, alcançado com incentivo ao estudo. Constatamos uma redução de 6% de funcionários com 1º Grau + 2º Grau incompleto, demonstrando que como não se recomenda essa contratação, os funcionários antigos voltaram a estudar. Gráfico 13: Escolaridade 2005 – Geral Fonte: Dados UAM Fonte: Fonte: Gráfico 14: Escolaridade 2011 – Geral Dados UAM Os gráficos mostram uma tendência que a nota ICOS sobe com o aumento da escolaridade, podendo sugerir que maior educação, maior conscientização de segurança. 80 Tabela 2 - Caracterização da Amostra – Tempo de Empresa TEMPO DE EMPRESA Até 2 anos 2,1 a 4 anos 2005 2011 21,2 24,9 21,2 21,0 Diferença (2011 - 2005) % (0,0) (4,0) 4,1 a 8 anos 23,1 22,2 (0,9) Mais de 8,1 anos 30,8 35,7 4,9 100,0 100,0 Total Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Tempo de Empresa – A empresa manteve mesmo índice para entrantes (até 2 anos), subindo número de trabalhadores com mais de 8,1 anos em 4,9%. Nota-se um equilíbrio perto de 50% com menos e com mais de 4 anos. Gráfico 15: Tempo de empresa 2005 Gráfico 16: Tempo de empresa 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Os gráficos mostram uma distribuição de notas que varia com o tempo de empresa, não existindo uma tendência definida. Tabela 3 - Caracterização da Amostra – Acidente de Trabalho ACIDENTE Sim Não Total 2005 2011 Diferença (2011 - 2005) % 37,0 63,0 32,8 67,2 (4,3) 4,3 100,0 100,0 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. O número de não acidentados aumentou em 4,3%. Uma explicação seria o aumento de 419 para 673 funcionários, trabalhando, ou seja o número de homens/hora cresceu 61%. 81 Tabela 4- Caracterização da Amostra - Sexo SEXO Masculino Feminino Total 2005 2011 99,7 0,3 96,3 3,7 100,0 100,0 Diferença (2011 - 2005) % (3,4) 3,4 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Sexo – maior parte é do sexo masculino; o aumento de 3,4% de mulheres, mostra a necessidade de se reavaliar a presença feminina na indústria, frente a escassez de mão de obra. Tabela 5 - Caracterização da Amostra - Idade 2005 2011 Diferença (2011 - 2005) % Até 20 anos 21-25 10,4 36,7 9,9 26,7 (0,5) (10,0) 26-30 16,2 25,8 9,6 31-35 17,4 13,5 (3,9) 36-40 10,1 12,0 2,0 41 em diante 9,2 12,0 2,9 100,0 100,0 IDADE Total Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Idade – maioria tem até 30 anos; sendo que a % de funcionários perto da maioridade diminuiu um pouco. Gráfico 17: Idade 2005 Gráfico 18: Idade 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Analisando os gráficos nota-se uma maior variação das notas de 5,46 a 5,88 em 2011enquanto que em 2005 essa variação foi de 5,37 a 5,94 quanto ao fator idade. 82 Tabela 6 - Caracterização da Amostra – Estado Civil ESTADO CIVIL Solteiro Casado Outros Total 2005 2011 Diferença (2011 - 2005) % 38,3 51,2 35,4 53,7 (2,9) 2,5 10,4 10,8 0,4 100,0 100,0 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Estado Civil – maior porcentagem de casados; Tabela 7 - Caracterização da Amostra – Religião RELIGIÃO Católico Evangélico 2005 2011 77,5 17,7 73,3 21,6 Diferença (2011 - 2005) % (4,2) 4,0 Espírita 3,2 3,7 0,4 Outros 1,6 1,4 (0,2) 100,0 100,0 Total Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Religião – classificados em sua maioria por católicos; Tabela 8 - Caracterização da Amostra – Turno 2005 2011 Diurno Vespertino 20,2 23,3 19,1 15,0 Diferença (2011 - 2005) % (1,1) (8,3) Noturno 22,7 13,3 (9,4) 33,7 52,5 18,8 100,0 100,0 TURNO Fixo das 7 às 17 Total Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Turno – Existe predominância de 53,9% trabalhando durante o dia. Tabela 9 - Caracterização da Amostra – Chefia CHEFIA Sim Não Total 2005 2011 6,5 93,5 7,7 92,3 100,0 100,0 Diferença (2011 - 2005) % 1,2 (1,2) Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Chefia – maior parte dos dependentes não são encarregados ou gerentes. 83 Tabela 10 - Caracterização da Amostra % de funcionários por setor 2005 2011 Diferença (2011 - 2005) % Construção Civil Controle de Qualidade 2,4 4,0 2,9 4,8 0,4 0,8 Fabricação de Açúcar 20,4 22,2 1,8 Fabricação de Álcool 11,9 10,3 (1,6) Geração de Vapor Recepção de Cana e Extração Caldo Sistemas Elétricos 7,6 7,9 0,3 17,4 18,6 1,2 7,9 7,4 (0,5) Sistemas Mecânicos 9,1 7,2 (2,0) (0,4) SETOR Tratamento do Caldo e Evaporação 19,2 18,9 Total 100,0 100,0 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Setor – fabricação de açúcar, Recepção de Cana e Tratamento do Caldo e Evaporação concentram o maior número de funcionários; 7.2.2 Análise das médias, amplitudes e valores máximos e mínimos das amostras Conforme os dados levantados no tópico anterior, podemos concluir que o perfil dos respondentes tanto em 2005 como em 2011 é: Perfil 2005 e 2011 Sexo Masculino Idade Até 30 anos Estado Civil Casado Religião Católica Turno Diurno Hierarquia Não são encarregados ou gerentes Maiores Setores Fabricação de Açúcar Recepção de Cana Tratamento do Caldo e Evaporação Ocorrência de Acidente Não Tempo de empresa Acima de 8 anos Escolaridade 2º Grau Completo 84 Tabela 11 - Média e Amplitude Construção Civil Controle de Qualidade Fabricação de Açúcar Fabricação de Álcool Geração de Vapor Recepção de Cana e Extração de Cana Sistemas Elétricos Sistemas Mecânicos Tratamento do Caldo e Evaporação 2.011 5,61 5,48 5,70 5,48 5,80 5,59 5,61 5,78 6,08 5,68 2.005 5,79 5,64 5,71 5,90 5,63 5,43 5,93 5,59 5,91 5,73 2.011 2,92 1,84 1,82 1,89 2,79 2,06 2,37 1,63 1,45 1,64 2.005 2,38 1,92 2,00 1,76 3,00 2,51 1,96 2,36 1,91 1,89 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Com média de 5,68 em 2011 e 5,73 em 2005, fica claro que o clima organizacional de segurança praticamente não se alterou. Considerando a nota máxima 7, podemos concluir que 5,68 = 81% das 7,00 ações comportamentais de segurança definido pelo ICOS estão incorporadas pelos trabalhadores. Gráfico 19: Média e Amplitude Fonte: ICOS A Média da Amplitude ( ) que gerou o valor de 1,64 para 2011 e 1,89 para 2005 evidenciou 13% de decréscimo no desvio das notas encontradas para 2011, demonstrando que a curva ficou mais concentrada na última pesquisa. 85 Tabela 12 - Resumo Maior e Menor Média Setorial por ano 2005 Maior Sistemas Elétricos -5,93 Média Média Menor Recepção de Cana e Extração do Caldo - 5,43 2011 Tratamento do Caldo e Evaporação – 6,08 Controle de Qualidade - 5,48 Fonte: ICOS – Questionário aplicado. Analisando setorialmente, ocorreu um aumento em 2011 tanto na maior nota, quanto na menor, mostrando melhoria na absorção dos valores de segurança. 7.3 Quantidade de Trabalhadores, Cana Processada, Açúcar, Etanol e Energia Elétrica Gráfico 20 – Quantidade de cana processada em milhões. Fonte: Dados da UAM. Em vermelho anos de aplicação do ICOS 2005 x 2011. Nos anos estudados 2005 e 2011 houve acréscimo de 45% de cana processada, tendo atingido pico em 2010 com 6,13 milhões de toneladas processadas. 86 Gráfico 21 – Número de funcionários – Divisão Industrial. Fonte: Dados da UAM. Aumento de 61% da mão de obra entre os anos de 2005 e 2011. Gráfico 22 – Produção de açúcar – sacas/milhões Fonte: Dados da UAM. Aumento de 33% da produção de açúcar. 87 Gráfico 23 – Produção de Etanol – Álcool sem GL/milhões. Fonte: Dados da UAM. Aumento de 51% da produção de etanol. Gráfico 24 – Produção de energia elétrica exportação MWh. Fonte: Dados da UAM. Aumento de 83% na produção de energia. 88 7.4 Eficiência do Sistema de Gestão de Segurança da Usina Alta Mogiana Diante do aumento da produção e consequentemente aumento da mão de obra, apresentamos abaixo os resultados obtidos, em vermelho anos de aplicação do ICOS 2005 x 2011. Gráfico 25 – Acidentes sem afastamento Divisão Industrial Fonte: Dados da UAM. A quantidade de acidente sem afastamento diminuiu 17 %. Gráfico 26 – Número de acidentes com afastamento por ano – Divisão Industrial. Fonte: Dados da UAM. 89 Os acidentes com afastamento evidenciam aumento de 275 %, sendo que em 2005 a usina possuía 419 trabalhadores e 673 no ano de 2011. Isto serve para reflexão que mesmo tendo sistema de gestão, cada ano é diferente. Lembramos que em 2010, ano de maior produção da história, tivemos uma única ocorrência, sendo o melhor resultado de todos os anos. Descrevemos abaixo as ocorrências de 2011, procurando apontar se as mesmas teriam relação com a escolaridade ou tempo de empresa. Tabela 13 – Acidentes com afastamento 2011 SETOR TEMPO DE EMPRESA ESCOLARIDADE CALDEIRA 2,4 anos 2º Grau CALDEIRA 3,4 anos 2º Grau MOENDA 8,4 anos 1º Grau MOENDA 9 anos 2º Grau MOENDA 3,3 anos 2º Grau TRAT. CALDO / EVAP. 9,2 anos 2º Grau TRAT. CALDO / EVAP. 2,8 anos 2º Grau TRAT. CALDO / EVAP. 1,3 anos 2º Grau FAET 2,3 anos 1º Grau FAAÇ 3,5 anos 2º Grau FFAÇ 2,5 anos 2º Grau Fonte: Dados UAM. Pelo levantamento acima, podemos concluir que os funcionários acidentados possuem até o 2º grau, não havendo a presença de acidentados com nível superior. Com relação ao tempo de empresa variou de 1,3 anos a 9,2 anos, não sendo possível evidenciar relação entre acidente e tempo de empresa. 90 Gráfico 27 – Quantidade de dias perdidos – Divisão Industrial Fonte: Dados da UAM. A quantidade de dias perdidos de 2005 para 2011 reduziu 38 %; as ocorrências envolveram menor gravidade para recuperação. Gráfico 28 – Taxa de Frequência - Indústria. Fonte: Dados da UAM. A taxa de frequência apresenta decréscimo de 70%; a quantidade de acidentes por um milhão de horas trabalhadas diminuiu. 91 Gráfico 29 – Taxa de Gravidade - Indústria. Fonte: Dados da UAM. Por sua vez, a taxa de gravidade por acidente evidencia redução de 73% nos valores encontrados, evidenciando que a quantidade de dias perdidos por um milhão de horas trabalhadas foi menor; logo as ocorrências foram menos graves. 7.5) Medição do Clima de Segurança Gráfico 30 – Funcionários Novos x Antigos. Fonte: Dados da UAM. 92 A interpretação das cores dos gráficos demonstram que dentro das contratações do ano, quantos funcionários permaneceram na usina, sempre comparando os anos de aplicação do ICOS – 2005 x 2011 254 funcionários desde 2005 que permanecem até 2011; 20 funcionários desde 2006 que permanecem até 2011; 72 funcionários desde 2007 que permanecem até 2011; 59 funcionários desde 2008 que permanecem até 2011; 61 funcionários desde 2009 que permanecem até 2011; 61 funcionários desde 2010 que permanecem até 2011; 527 funcionários do total de 673 estão a pelo menos 1 ano na UAM Do total de 673 funcionários em 2011, somente 254 funcionários faziam parte do quadro em 2005, quando realizamos a primeira pesquisa do ICOS. Logo em 6 anos incorporamos 419 funcionários novos, ou seja um aumento de 160% em relação aos antigos. Gráfico 31 – Nota ICOS - Indústria. Fonte: Dados da UAM. Nosso ICOS em 2005 foi 5,73 e 5,68 em 2011. Portanto mesmo com esse aumento gradativo ocorrido do número de funcionários, mantivemos praticamente a mesma nota, garantindo 81% de absorção dos conceitos de segurança. 93 7.6) Indicadores de Segurança Gráfico 32 – Recorde de anos sem acidentes com afastamento por setor – Indústria. Fonte: Dados da UAM. Gráfico 33 – Recorde de dias sem acidentes – Indústria. Fonte: Dados da UAM. Destacamos nos gráficos acima os setores de Controle de Qualidade e Sistemas Elétricos com 16 anos sem acidentes com afastamento. Esses números representam o maior recorde alcançado por um setor em uma usina no Brasil. 94 Gráfico 34 – Custos com EPI´s em reais. Fonte: Dados da UAM. Se comparado o ano de 2005 com 2011, tivemos aumento com custos de EPI´s de 69%. Gráfico 35 – Custos anuais com segurança e medicina do trabalho. Fonte: Dados do Balanço Social da UAM. A comparação realizada pela porcentagem de representação dos custos de segurança em relação a folha de pagamento, demonstram uma variação de 1,46% até 2,11%. Aqui ressaltamos a opção da usina em considerar estratégico o investimento na segurança tendo como principais objetivos: 95 1) Buscar o acidente zero 2) Controlar / mitigar riscos existentes 3) Demonstrar a responsabilidade da organização na busca de melhoria Indicadores de segurança, tendo com isso melhora na produtividade. Gráfico 36 – Horas de treinamento – Indústria Fonte: Dados da UAM. Se comparado o ano de 2005 com 2011, tivemos um aumento nos treinamentos representando 85%. Gráfico 37 – Partes do Corpo atingidas – Indústria Fonte: Dados da UAM. 96 Os números acima confirmam que a parte do corpo mais atingida em acidentes do trabalho, são membros superiores. De acordo com o DIESAT 2009, isso corresponderia a 24% dos acidentes do Brasil. 7.7) Evolução da Segurança entre os setores Tabela 14 - Classificação das notas por setor 2005 2011 1º 2º Sistemas Elétricos Tratamento do Caldo e Evaporação 5,93 5,91 1º 2º Tratamento do Caldo e Evaporação Geração de Vapor 6,08 5,80 3º Fabricação de Álcool 5,90 3º Sistemas Mecânicos 5,78 4º Construção Civil 5,79 4º Fabricação de Açúcar 5,70 5º Fabricação de Açúcar 5,71 5º Construção Civil 5,61 6º Controle de Qualidade 5,64 6º 7º Geração de Vapor 5,63 7º 8º Sistemas Mecânicos Recepção de Cana e Extração de Cana 5,59 8º Sistemas Elétricos 5,61 Recepção de Cana e Extração de 5,59 Cana Fabricação de Álcool 5,48 5,43 9º Controle de Qualidade 9º 5,48 Fonte: Dados UAM. Tentando entender as razões da falta de acidentes há 16 anos nos setores de Sistemas Elétricos e Controle de Qualidade, procurou-se apurar a influência do tempo de empresa, escolaridade e proporção de acidentes para todos os setores. Geração de Vapor Controle de Qualidade Tratamento do Caldo e Evaporação Sistemas Elétricos Sistemas Mecânicos Construção Civil Fabricação de Açúcar Até 2 anos Fabricação Álcool / ETA Proporção por Coluna 2005 Recepção de Cana e Extração do Caldo Tabela 15 - Proporção de Tempo de Empresa Setorial - 2005 0,20 0,18 0,16 - 0,32 0,12 0,10 0,50 0,26 de 2,1 até 4 anos 0,46 0,15 0,36 0,15 0,27 0,19 0,10 0,50 0,14 de 4,1 até 6 anos 0,09 0,15 0,20 0,15 0,11 0,19 0,37 - 0,21 de 6,1 até 8 anos 0,04 0,08 - - 0,09 0,44 0,28 0,23 0,04 0,46 0,03 0,21 0,23 0,46 0,06 Acima de 8 anos 0,40 - 0,30 Soma 4 anos ou + 0,34 0,67 0,48 0,84 0,40 0,69 0,80 - 0,60 Fonte: Dados UAM. 97 Recepção de Cana e Extração do Caldo Fabricação Álcool / ETA Geração de Vapor Controle de Qualidade Tratamento do Caldo e Evaporação Sistemas Elétricos Sistemas Mecânicos Construção Civil Fabricação de Açúcar Tabela 16 - Proporção de Tempo de Empresa Setorial - 2011 Até 2 anos 0,11 0,21 0,21 0,20 0,29 0,06 0,03 0,67 0,28 de 2,1 até 4 anos 0,33 0,12 0,36 0,05 0,13 0,16 0,17 0,17 0,24 de 4,1 até 6 anos 0,16 0,17 0,09 0,10 0,24 0,13 0,07 - 0,11 Proporção por Coluna 2011 de 6,1 até 8 anos 0,17 0,02 0,03 - 0,06 0,16 0,03 0,08 0,07 Acima de 8 anos 0,24 0,48 0,30 0,65 0,28 0,48 0,70 0,08 0,30 Somando 4 anos ou + 0,57 0,67 0,42 0,75 0,58 0,77 0,71 0,16 0,48 Fonte: Dados UAM. Em relação ao tempo de empresa, tais setores como mostrado nas tabelas, se destacam por possuir maior proporção de funcionários com mais de 4 anos de empresa nos anos de 2005 e 2011. Vale ressaltar também que Sistemas de Mecânicos em 2005 e 2011 apresentaram bom índice de permanência de funcionários, estando hoje a 4 anos sem acidentes no setor. Gráfico 38: Tempo Empresa C.Q. 2005 Gráfico 39: Tempo empresa C.Q. 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Ressalta-se as notas baixas para até 2 anos de 5,08 e 4,49. Essas notas sugerem uma possibilidade de melhoria na integração dos novos funcionários, pois corresponderiam a uma absorção de 73% em 2005 e 64% em 2011. 98 Gráfico 40: Tempo Empresa Elétrica 2005 Gráfico41: Tempo Empresa Elétrica 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Ressalta-se as notas altas 6,26 e 6,40 para os funcionários até 2 anos, evidenciando uma absorção da cultura de segurança de 89% em 2005 e 91% em 2011, sendo o oposto ao apurado no C.Q. Não conseguimos detectar diferenciações significativas na nota ICOS x tempo de empresa. Geração de Vapor Controle de Qualidade Tratamento do Caldo e Evaporação Sistemas Elétricos Sistemas Mecânicos Construção Civil Fabricação de Açúcar Fabricação Álcool / ETA Recepção de Cana e Extração do Caldo Tabela 17 - Proporção de Escolaridade Setorial - 2005 1º Grau 0,19 0,13 0,30 0,08 0,13 - 0,20 0,25 0,09 2º Grau/Técnico Incompleto 0,35 0,15 0,22 - 0,24 - 0,12 0,25 0,26 2º Grau/Técnico Completo 0,43 0,67 0,39 0,85 0,55 0,83 0,56 0,50 0,50 0,08 0,93 0,08 0,17 1,00 0,12 - 0,15 0,68 0,50 0,65 Proporção por Coluna 2005 Superior 0,04 0,05 0,09 Soma - 2º Grau + Superior 0,47 0,72 0,48 0,63 Fonte: Dados UAM. Controle de Qualidade Tratamento do Caldo e Evaporação Sistemas Elétricos 0,14 0,09 - 0,08 0,03 0,13 0,50 0,13 0,21 0,10 0,22 - 0,22 0,03 0,07 0,08 0,17 2º Grau/Técnico Completo 0,44 0,40 0,50 0,85 0,46 0,61 0,70 0,25 0,46 0,15 1,00 0,24 0,32 0,93 0,10 0,17 0,24 0,80 0,42 0,70 Superior 0,17 0,36 0,19 Soma - 2º Grau + Superior 0,61 0,76 0,69 Fonte: Dados UAM. 0,70 Fabricação de Açúcar Geração de Vapor 0,19 2º Grau/Técnico Incompleto Construção Civil Fabricação Álcool / ETA 1º Grau Proporção por Coluna 2011 Sistemas Mecânicos Recepção de Cana e Extração do Caldo Tabela 18 - Proporção de Escolaridade Setorial - 2011 99 Nos anos de 2005 e 2011 constatamos que os dois setores dispõe do maior percentual de grau de educação, levando-se em conta o 2º grau/técnico completo e superior. Gráfico 42: Escolaridade C.Q. 2005 Gráfico 43: Escolaridade C.Q. 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Em ambos fica evidente um crescimento da nota com o grau de instrução para o C.Q. Gráfico 44: Escolaridade Elétrica 2005 Gráfico 45: Escolaridade Elétrica 2011 Fonte: Dados UAM Fonte: Dados UAM Não conseguimos evidenciar relação das notas ICOS com a escolaridade nos Sistemas Elétricos. Fonte: Dados UAM. 0,37 0,56 0,61 0,60 0,23 0,77 0,63 Fabricação de Açúcar 0,40 Construção Civil Tratamento do Caldo e Evaporação 0,39 Sistemas Mecânicos Controle de Qualidade 0,44 Sistemas Elétricos Geração de Vapor Sim Não Fabricação Álcool / ETA Proporção por Coluna 2005 Recepção de Cana e Extração do Caldo Tabela 19 - Proporção de Acidente Setorial - 2005 0,24 0,76 0,45 - 0,37 0,55 1,00 0,63 100 Tratamento do Caldo e Evaporação 0,33 0,30 Não 0,61 0,55 0,67 0,26 0,74 0,70 Fabricação de Açúcar Controle de Qualidade 0,45 Construção Civil Geração de Vapor 0,39 Sistemas Mecânicos Fabricação Álcool / ETA Sim Proporção por Coluna 2011 Sistemas Elétricos Recepção de Cana e Extração do Caldo Tabela 20 - Proporção de Acidente Setorial - 2011 0,28 0,72 0,27 0,08 0,32 0,73 0,92 0,68 Fonte: Dados UAM. Na proporção de acidentes setoriais o Controle de Qualidade e Sistemas Elétricos apresentam maiores resultados; evidenciamos também a Construção Civil com melhor resultado, (compreende apenas 10 funcionários que estão a 8 anos sem nenhum acidente). Portanto, para Controle de Qualidade e Sistemas Elétricos em comparação com os demais setores concluímos que: • maior % de funcionários com mais de 4 anos de empresa • maior nível educacional • maior quantidade de colaboradores que nunca sofreram acidentes Analisando as notas do ICOS com o tempo de casa e escolaridade não conseguimos uma explicação para a obtenção do recorde. Resolvemos então realizar junto aos responsáveis pelos 2 setores, uma entrevista individualizada em que buscamos apontar mais características comuns, que contribuiriam para acidente zero por 16 anos; relacionamos abaixo essas características: • em ambos os setores a ocorrência de algum acidente com certeza levaria à alta gravidade, visto que envolveria produtos químicos de laboratório no Controle de Qualidade ou energia elétrica no Sistemas Elétricos. Em ambos, os riscos são altos; • comprometimento dos empregados é total; costumam afirmar que “segurança está no sangue, é cultura”; • equipe sempre se preocupa com o companheiro ao lado; • rotatividade baixa; • considera o setor como família; • todos têm formação técnica; • obedecem rigorosamente procedimentos e normas em cada atividade envolvida; 101 • sentem orgulho de gozar de até 16 dias de descanso a mais do que os outros funcionários; • muito diálogo, orientação e cobrança. Obs.: Em um programa “café da manhã com diretor” realizado mensalmente, o autor teve a oportunidade de sentar ao lado de um funcionário contratado da Elétrica, com 3 meses de empresa; questionado sobre o que estava achando da usina, prontamente respondeu que: “a única coisa que ele tinha certeza, é que não poderia se acidentar, pois se isso ocorresse ele seria pego na cidade pela equipe”. Analisando a resposta dada, constata-se a presença desde o primeiro dia de trabalho, de uma cobrança forte da equipe ao novo funcionário com relação ao seu comprometimento com a segurança em todas as suas atividades. Isto fica evidente, pois a medida que possa ocorrer qualquer acidente com afastamento (pelo menos 1 dia de trabalho perdido), toda a equipe perderá o benefício de usufruir dos dias de folga alcançados pelos 16 anos sem acidente. Ou seja, todos perderão se o acidente acontecer. Portanto está na gestão o grande segredo dos setores Elétrica e Controle de Qualidade, para se alcançar os 16 anos sem acidente com afastamento. 102 8. CONCLUSÃO 103 8 CONCLUSÃO Procuramos definir abaixo o resultado apurado para cada objetivo definido, bem como para as duas hipóteses levantadas: (i) O Sistema de Gestão de Segurança da Usina Alta Mogiana tem sido eficiente no cumprimento de suas metas? Sim. Isto pode ser evidenciado através dos indicadores de segurança que levam em conta um milhão de horas trabalhadas, sendo que para gravidade dos acidentes alcançou-se 70% de redução e para quantidade de acidentes 73%. Em relação a quantidade de dias perdidos reduziu-se 38%. Portanto a eficiência da gestão de segurança está cumprindo metas de redução dos acidentes. (ii) Avaliar como comportou-se a medição do Clima de Segurança em 2005 comparado a 2011. Através do ICOS constatou-se que o clima de segurança que tinha nota média de 5,73 em 2005 alcançou-se 5,68 em 2011, correspondendo em ambos absorção de 81% das dimensões de segurança levantadas pelo questionário, apesar do aumento de 415 novos trabalhadores contratados e aumento do processamento de cana de 45%. Portanto conseguiu-se manutenção do clima mesmo com crescimento da usina. (iii) Como têm evoluído os indicadores de segurança. Considerando o período de 2005 e 2011, ficou claro que os indicadores vêm sofrendo evolução positiva dos quais chamamos a atenção para recordes alcançados de 16 anos sem acidentes no Controle de Qualidade e Sistemas Elétricos. Salienta-se investimento em EPI que cresceu 69% ou seja, R$195.524,00 a mais comparado com o gasto em 2005. Aumento de 15% nas horas de treinamento passando de 9,2 horas por trabalhador ao ano para 10,6 horas por trabalhador ao ano demonstrando comprometimento com a educação de segurança. Busca pela identificação das partes do corpo envolvidas no acidente, assim como classificação dos possíveis motivos para esse conhecimento, contribuem para definição das ações a serem tomadas. Como indicador principal, a taxa de frequência (com redução de 73% no período) e a taxa de gravidade (com 70%) passam a integrar metas anuais constantes na participação de lucros e resultados, correspondendo a partir de 2012 a 15% do prêmio estipulado anualmente. Para o 104 ano fiscal que se encerra em 30 de abril de 2012, a meta foi alcançada na divisão industrial confirmando melhoria nos indicadores de acidentes. (iv) Os resultados da gestão de segurança e sua evolução variam entre os setores da empresa? Quais as variáveis que explicam tais variações? A diferença nos resultados dos anos sem acidentes comprovam variação existente entre os nove setores da divisão industrial. Levantou-se que nível de instrução, tempo de empresa, ocorrência de acidentes com trabalhadores de cada setor, tipo de atividade, quantidade de procedimentos escritos para cada atividade setorial, visão de time e principalmente a qualidade da liderança, seriam possíveis fatores que contribuíram para diferentes resultados. Ficou claro que comprometimento para se alcançar o acidente zero, passa por cada trabalhador do setor e que esse conjunto de fatores apresentam-se fortemente presentes no caso do controle de qualidade e sistemas elétricos, tornando-se setores “exemplos” dentro da organização. Hipótese 1) A gestão de segurança da usina contribui para melhoria do clima organizacional e consequentemente para redução dos acidentes. A importância de se possuir gestão empresarial, para segurança, exige concretamente volume de recursos humanos e materiais que são utilizados para busca do acidente zero. No caso da usina estudada está claro que essa busca na divisão industrial, passou ser meta de todos que ali trabalham. Nas pesquisas aplicadas em 2001, 2005 e 2011 o comprometimento de toda hierarquia industrial, do diretor ao encarregado chegando ao chão de fábrica, pode ser considerado como base para evolução de clima organizacional que com certeza melhora as condições de operação, levando a redução de incidentes. Sendo assim, para que isso seja possível constatamos sistema de gestão, com responsabilidades claramente definidas aliado a conjunto de procedimentos e normas que procuram delinear como cada operação industrial deve ser executada com segurança. Nesse processo, fica claro a busca do equilíbrio entre cobrança e reconhecimento, realizado por indicadores de segurança já apresentados. Concluímos que sendo essa gestão da segurança, valor verdadeiro da organização, constatou-se clima organizacional sadio que colhe como principal resultado a redução dos acidentes. A prova mais contundente dessa afirmação está 105 evidenciada pela redução de 101 acidentes em 1995 com 331 trabalhadores, para 11 acidentes em 2011 com 673 trabalhadores. Portanto a hipótese 1 foi confirmada. Hipótese 2) Apesar da Gestão da Segurança na indústria ser única, os resultados alcançados setorialmente são diferentes. Ressaltamos que, apesar do sistema de gestão ser aplicado para toda divisão industrial, ele conta com particularidades setoriais que definem diferentes atividades. Aliado a essas diferenças, acrescentamos através de entrevistas, diferencial pessoal e comportamental de seus responsáveis, cuja gestão gerou o resultado de 16 anos sem acidentes. Portanto, fica claro que as diferenças nos resultados ocorrem, possibilitando competição sadia entre setores, na busca de se alcançar sempre setor com zero acidente. Logo, a hipótese 2 está comprovada. Para finalizar, destacamos que a organização que opta pela segurança do trabalhador como valor inegociável, trará à gestão resultados diferenciados em todas atividades, pois, para que acidente zero seja obtido, disciplina, conhecimento, resiliência, comprometimento e foco são qualidades necessárias. Em um universo cada vez mais competitivo, a busca pela segurança do outro passa a ser prática mais concreta do mandamento mais importante da Bíblia Sagrada, “Amar ao próximo, como a ti mesmo – (Lucas cap. 10, versículos 27-28”), que com certeza contribuirá para o sucesso de todos. 106 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 107 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14280: cadastro de acidente do trabalho: procedimento e classificação. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http:www.abnt.org.br>. Acesso em: 15 mar. 2012. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001: Sistemas de gestão da qualidade: requisitos. Rio de Janeiro, 2008. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001: Sistemas de gestão ambiental: especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro, 2004. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR, ISO 22000:2006, Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos. Rio de Janeiro, 2006. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9.001:2000 - Sistema de Gestão da Qualidade. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 2000. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto NBR ISO 9002. 1994. Rio de Janeiro. 1994. Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho 2009 – DIESAT. 2009. ATLAS. Equipe de Segurança e Medicina do Trabalho. 45ª Ed. São Paulo: Atlas, 2000. BENITE, A. G. Sistema da gestão da segurança e saúde no trabalho para empresas construtoras. 2004. Dissertação (Mestrado) – 221 p. Escola Politécnica. Departamento de Engenharia de Construção Civil Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. 108 BS, OHSAS 18001:2007, Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho. Rio de Janeiro, 2007. COPPER, M. D.; PHILLIPS, R. A. Exploratory analysis of the safety climate and safety behavior relationship. Journal of Safety Research, 35, p. 497-512, 2004. COYLE, I. R.; SLEEMAN, S. D.; ADAMS, M. Safety climate. Journal of safety research, 26,4, p. 247-254, 1995. CRUZ, S. M. S. Gestão de segurança e saúde ocupacional nas empresas em construção. 1998. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Engenharia. Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1998. DEDOBEELEER, N.; BELAND, F. Is risk perception one of dimensions of safety climte? In: FEYER, A.; WILLIANSON A. (orgs). Occupation Injury: Risk Prevention and Intervention. p. 73-81. London: Taylor and Francis, 1998. FLIN, R.; O`CONNOR, P.; BRYDEN, R. Mensuring safety climate: identifying the common features. Safety Science, 34, p. 177-192, 2000. GONÇALVES, C.M.D.P., Validação do instrumento ICOS – Inventário de Clima Organizacional de Segurança na área industrial de uma usina de álcool e açúcar – 2007. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto. GOMES, R.A., Milhares de mortos, bilhões de prejuízo: o custo humano e econômico dos acidentes do trabalho no Brasil. Fonte: jornal – O Estado de São Paulo, 21ª edição, 21/01/2012. GULDENMUND, F. W. I The nature of safety culture: a review of theory and research. Safety Science, 34, p. 215-257, 2000. SCTE, Instituto Universal de Lisboa: Disonível http://www.repositorio.iscte.pt/handle/10071/1002. Acesso em: 12 de jan. 2012. em: 109 LEVERING, ROBERT. “Ao alcance de todos”, Exame 721. São Paulo, 12-13 ago. 2000. Manual de Cursos – Gestão Moderna de Segurança e Controle de Perdas, 5 ª Ed. DNV Consultoria LTDA. MAGRINI, RUI DE OLIVEIRA. 1999: São Paulo. MEARNS, K.; WHITAKER, S. M.; FLIN, R. Safety climate, safety management practice and safety performance in offshore environments. Safety science. 41, p. 641- 680, 2003. OHSAS 18001, BS 8800:1996. 1999 Ed. Londres: Lloyd´s Register Quality Assurance. Rio de Janeiro. 1996. OLIVE, C.; O`CONNOR, T. M.; MANNAN, M. S. Relationship of safety culture and process safety. Journal of Hazardous Materials, 130, p. 133-140, 2006. QSP, Empresas Certificadas em OHSAS 18001 no Brasil: Disponível em: http://www.qsp.org.br/bs8800.shtml. Acesso em: 5 de fev, 2012. SILVA, S.; LIMA, L. M.; BAPTISTA, C. OSCI: na organisational and safety climate inventory. Safety Science, 42, p. 205-220, 2004. SMITH, G. S.; HUANG, Y-H.; HO, M.; CHEN, P. Y. The relationship between safety climate and injury rates across industries: the need to adjust for injury hazards. Accident Analysis and Prevention, 38, p. 556-562, 2006. VALENTIM, CARRION. Comentários da Consolidação das Leis de Trabalho. 23º Ed. São Paulo: Saraiva 1998. VICENTE, F.A.C.F., Gestão Estratégica da Segurança e Saúde Ocupacional 2001 – Dissertação (MBA) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto; Universidade de São Paulo. 110 ZHANG, H.; WIEGMANN, D. A’; THADEN, T. L. Von; SHARMA, G.; MITCHELL, A. A. Safety culture: a concept n chos? In: 46th Annual Meeting of the Human Factors and Ergonomics Society. Santa Monica, Human Factors na Ergonomics Society, 2002. ZOHAR, D. Safety Climate in industrial organizations: theoretical and applied implications. Journal of Applied Psychology, 65, n.1, p. 96-102, 1980. 111 10. ANEXOS 112 10. ANEXOS Anexo 10.1: ICOS - Pesquisa sobre Segurança no Trabalho - 2005 e 2011 113 114 115 116 Anexo 10.2: Pesquisa sobre Segurança no Trabalho - 2001 117 118 Anexo 10.3: Cartão Pare – Usina Alta Mogiana 119 Anexo 10.4: Entrevista colaborador – Cláudio Paulo Cruz (Sistemas Elétricos) • Evita intermediários: assim que admitidos, faz os treinamentos iniciais com os funcionários novos, evidenciando fatores primordiais para segurança na empresa, bem como as responsabilidades de cada pertinente a esse assunto. Vende a ideia. • Explica cuidadosamente como realizar o trabalho; • Acompanha e/ou deixa alguém experiente responsável por acompanhar o trabalho do funcionário novo após ter atribuído. • Procura entender o modo de ver do outro: aceita sugestões, ouve com atenção e valoriza ideias e colocações do grupo. • Adaptar com experiência: funcionários novos iniciam as atividades com funcionários mais experientes; • Treinamentos específicos: antes do treinamento específico necessário, não permite que funcionários novos iniciem trabalhos em alturas; • Estimula cobrança de ferramentas de segurança necessárias para cada serviço entre funcionários do setor; • Comprometimento Reuniões: reuniões de 5 minutos de segurança são realizadas duas vezes por semana com participação de todos do setor, sem exceção. O que se aplica também para Reunião de Segurança Mensal. O foco de ambas é passar e trocar informações com a equipe, tomar decisões em grupo, estabelecer objetivos e metas, motivar, inspirar, treinar, aconselhar a equipe, bem como melhorar os relacionamentos entre as pessoas; • Presta atenção a tudo que acontece no ambiente de trabalho e cobra essa atenção dos funcionários; • Escuta sempre e toma decisões após ouvir o que o grupo tem a dizer a respeito. • Promover e participa de acontecimentos sociais para integração de todos do setor tanto dentro da empresa (almoço com subordinados) como fora; • Tem interesse pelas pessoas. Conversa, verifica se está bem. Conhece os funcionários a ponto de saber identificar se está bem emocionalmente (percepção de sentimentos), limitando serviços de maior risco; • Considera o setor como família; • Segue rigorosamente normas regulamentadoras de segurança e considera o apoio da diretoria indispensável para prevenção de acidentes através da liberação de compra de equipamentos de segurança. 120 • Acredita que 99,9% da segurança depende de Deus e 0,1% depende dele, dos outros funcionários e da empresa; • Está com o grupo. Usa os termos: "Nós", “Faremos”; • Considera-se: chato, participativo, comprometido e busca sempre o melhor para equipe; • Prefere conversar a punir. Gera advertências apenas em casos extremos (Muito raros); • Inspira confiança e confia. Conversa bastante sobre segurança, pedindo ajuda para utilização de EPIS e ferramentas; • Pede para procurá-lo quando algo estiver fora do padrão (sugere, orienta, comanda e dá assistência); • Dá atenção a todas as solicitações. Agiliza concerto e compra que envolva segurança e dá suporte necessário para desenvolver o trabalho da melhor maneira possível; • Tratar todos com justiça, imparcialidade e atenção; • Atender pedidos na medida do possível; • Oferecer soluções adequadas a queixas; • Reconhecer e elogiar quando necessário; • Diz que todos os funcionários tem o “procedimento no bolso”, sabem exatamente como devem proceder e são capazes de assumir decisões quando necessário; • Frisa aos funcionários que o jeito que saiu de casa, precisa voltar; • Considera sua equipe diferenciada por ser composta por técnicos e já dispor de conhecimentos e riscos que acidentes elétricos podem causar e, • Ainda argumenta que possui 21 funcionários com apenas 5 meses de empresa e que com nenhum deles ocorre nem um simples atendimento no ambulatório; 121 Anexo 10.5: Entrevista colaboradora – Cléia de Souza Dutra (Controle de Qualidade) • Diz que a segurança está no Sangue, já faz parte. É cultura; • Equipe envolvida que e se preocupa com o outro; • Os funcionários dispõem de iniciativa para resolver problemas; • Considera-se participativa, escuta, fala, procura saber como está o dia do funcionário. Mantêm relacionamento próximo; • Como o último acidente ocorrido no setor, acha mais fácil falar sobre isso com funcionários. Pode ser mais crítica, mais dura. • Considera todos como família; • Fica atenta aos acontecimentos. Não pode descuidar, pois foi difícil chegar ao topo, mas é mais difícil ainda se manter nele; • Rotina de Reuniões: 05 minutos de segurança 2 vezes por semana, bem como reunião mensal; • Não leva tudo a ferro e fogo. Escolhe punição apenas em último caso. E nunca chegou a dar punição pelo quesito segurança, apenas comportamental; • Rotatividade de funcionários é baixa; • Formação de todos é Técnica ou Superior; • Considera a saúde o bem maior da vida e que mesmo tendo várias pessoas diferentes, com religiões diferentes, crenças, segurança fala mesma língua – Consegue atingir todos; • Com funcionários novos, aplica primeiros treinamentos. Fica ainda mais cuidadosa (com olhos de mãe), buscando ensiná-lo qualidade, segurança e comprometimento com suas obrigações; • Funcionário novo sempre inicia atividades com funcionários mais experientes; • Considera a bonificação dos dias sem acidentes muito importante para seguimento das metas, mas evidencia ainda mais o fato de ter concorrente direto (empatado – Sistemas Elétricos) como incentivo, bem como valorização da vida em primeiro lugar.