CURRÍCULO, DIFERENÇAS E
INCLUSÃO SOCIAL
Prof. DR. IVAN AMARO
UERJ – UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e
não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. (...) É nesse
sentido também que a dialogicidade verdadeira, em que os sujeitos
dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no respeito a ela, é
a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados,
assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos. É preciso deixar
claro que a transgressão da eticidade jamais pode ser vista como virtude,
mas como ruptura com a decência. O que quero dizer é o seguinte: que
alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o quê, mas se assuma
como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas
genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a
superioridade da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as
mulheres, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é
imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos
condicionamentos a enfrentar.”
(Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire)
1. QUADROS DA DESIGUALDADE E DA EXCLUSÃO:
HÁ OUTROS RUMOS?
2. COTIDIANO ESCOLAR, CURRÍCULO E DIFERENÇAS:
REDES INTRINCADAS DE PODERES E SABERES EM DISPUTA
3. O CURRÍCULO DAS DIFERENÇAS RUMO A UMA
PEDAGOGIA DECOLONIAL: CONTESTAR O APAGAMENTO DO
“OUTRO”, PRODUZIR OUTROS CONHECIMENTOS
4. LUTAS EM PROCESSO...
1. QUADROS DA DESIGUALDADE E DA
EXCLUSÃO: HÁ OUTROS RUMOS?
Vídeo: “A Batalha do Passinho”
“Nós, das comunidades do rio de janeiro,
encontramos um jeito de fazer uma cultura
nossa”
nossa
“... E quem tem poder hoje, na favela, ou é
dançarino ou é traficante...”
Quando lemos a respeito de vidas perdidas com frequência nos
são dados números, mas essas histórias se repetem todos os dias,
e a repetição parece interminável, irremediável. Então, temos de
perguntar, o que seria necessário não somente para apreender o
caráter precário das vidas perdidas na guerra, mas também para
fazer com que essa apreensão coincida com uma oposição ética e
política às perdas que a guerra acarreta? [...] Como a comoção é
produzida por essa estrutura do enquadramento? E qual é a
relação da comoção com o julgamento e a prática de natureza
ética e política? Afirmar que uma vida é precária exige não apenas
que a vida seja apreendida como uma vida, mas também que a
precariedade seja um aspecto do que é apreendido no que está
vivo. [...] deveria haver uma maneira mais inclusiva e igualitária
de reconhecer a precariedade, e que isso deveria tomar forma
como políticas sociais concretas no que diz respeito a questões
como habitação, trabalho, alimentação, assistência médica e
estatuto jurídico.
(BUTLER, 2015, p. 29-30)
- A desigualdade na América Latina
- Políticas de redução da desigualdade no Brasil: programas
de transferência de renda
- Bolsa Família: criado em 2003, 14 milhões de famílias
atendidas em 05/2015, benefício médio de R$ 167, 95. Mais
de 3 milhões já deixaram o programa espontaneamente.
- Permanecem, ainda, quadros de violência, discriminação,
preconceitos vivenciados por mulheres, negros, indígenas,
nordestinos, gays, lésbicas, transexuais, transgêneros,
travestis, pessoas com deficiência...
2. COTIDIANO ESCOLAR, CURRÍCULO E DIFERENÇAS:
REDES INTRINCADAS DE PODERES E SABERES EM
DISPUTA
- Perspectiva não essencialista em relação às diferenças.
-Cotidiano escolar é um espaçotempo complexo, multifacetado,
plurissignificativo
- “Outros sujeitos sociais, outras pedagogias”
- Cotidiano e Currículo como espaçostempos de conexões, de
acontecimentos, de contradições, de dissensos, de consensos...
- Indagam-se, tencionam-se e implicam-se...
- Praticantes do currículo: pensaragir o currículo
- Práticas efetivas e cotidianas são as astúcias para fugir dos
enquadramentos (Michel de Certau)
- “Currículos pensadospraticados”
- Diferenças como constituição do conhecimento-emancipatório.
(Conhecimento que se constrói ao longo de uma trajetória entre a
ignorância concebida como colonialismo e o saber como
solidariedade)
3. O CURRÍCULO DAS DIFERENÇAS RUMO A UMA
PEDAGOGIA DECOLONIAL: CONTESTAR O
APAGAMENTO DO OUTRO, PRODUZIR
CONHECIMENTOS OUTROS
- SUPERAR O EPISTEMÍCIDO...
“A desigualdade e a exclusão são dois sistemas de pertença
hierarquizada. No sistema de desigualdade, a pertença dá-se pela
integração subordinada enquanto que no sistema de exclusão a pertença
dá-se pela exclusão. A desigualdade implica um sistema hierárquico de
integração social. Quem está embaixo está dentro e a sua pertença é
indispensável. Ao contrário, a exclusão assenta num sistema igualmente
hierárquico mas dominado pelo princípio da segregação: pertence-se
pela forma como se é excluído. Quem está embaixo, está fora.”
(Boaventura de Sousa Santos)
- Pensamento Abissal / Pensamento Pós-Abissal
- A injustiça social global está diretamente associada à
injustiça cognitiva global
- As ideias etnocêntricas apresentam limites epistemológicos
- A concepção de diferenças tem assumido centralidade no
campo da educação. Pode assumir uma dimensão nova de ser
e pensar das pessoas. Pode mudar a forma como ver e pensa o
mundo.
- “Queerificar o currículo”: estranhar, desconcertar, desconfiar
dele. É questionar o que está colocado nas indicações
epistemológicas, políticas e culturais veiculadas pelos
discursos curriculares sobre o que ensinar, o que aprender.
- Saberesfazeres – processo de resistência a favor de um
currículo decolonial.
- Currículo como potência de práticas cotidianas pluriversais,
não discriminatórias, não estigmatizantes
4. LUTAS EM PROCESSO...
- É possível que os currículos pensadospraticados apontem
princípios potenciais de enfrentamento às discriminações.
- Podem indicar caminhos que se contraponham às lógicas
binárias, essencialistas.
- Apresentam indícios de potência para desconstruir a
epistemologia moderna hegemônica.
- Intensificar a discussão e a problematização sobre a
temática das relações de gênero, etnicorraciais, das
sexualidades, das diversas manifestações cultura que
adentram se se corporificam no cotidiano escolar.
- Há possibilidades de constituir uma pedagogia decolonial e
intercultural crítica.
“... visibilizar, enfrentar y transformar las estructuras e
instituciones que diferencialmente pocisionan grupos,
práticas y pensamientos dentro de un orden y lógica que a
la vez y todavia, es racial, moderno y colonial... asumir
esta tarea, implica un trabajo decolonial dirigido a quitar
las cadenas y desclavizar las mentes; a desafiar e derribar
las estructuras sociales, políticas y epistémicas de la
colonialidad.”
(WALSH, 2007)
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