UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
ADUBAÇÃO FOSFATADA NA CULTURA DA SOJA EM
LATOSSOLO VERMELHO CULTIVADO HÁ 16 ANOS
SOB DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO
Reinaldo Carlos Brevilieri
AQUIDAUANA – MS
FEVEREIRO/2012
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
ADUBAÇÃO FOSFATADA NA CULTURA DA SOJA EM
LATOSSOLO VERMELHO CULTIVADO HÁ 16 ANOS
SOB DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO
Acadêmico: Reinaldo Carlos Brevilieri
Orientador: Julio César Salton
“Dissertação apresentada ao programa de
pós-graduação em Agronomia, área de
concentração em Produção Vegetal, da
Universidade Estadual de Mato Grosso do
Sul, como parte das exigências para a
obtenção de título de Mestre em Agronomia
(Produção Vegetal)”.
AQUIDAUANA – MS
FEVEREIRO/2012
iii
Na confusão, busca-se a simplicidade.
Na discórdia, busca-se a harmonia.
Na dificuldade, está a oportunidade.
Albert Einstein
iv
Aos meus queridos pais Renato Carlos
Brevilieri e Ivone Gomes Brevilieri e ao meu
irmão Redney Gomes Brevilieri, pelo apoio,
dedicação, compreensão e confiança.
Pessoas especiais; grandes incentivadores.
v
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, por toda a sabedoria e bênçãos concedidas. Sua
presença, em todos os momentos, asseguraram todo o conforto e entusiasmo para seguir
em frente sempre, rumo ao meus objetivos. Tudo que foi conquistado, cada degrau que
subi até o momento devo a sua graça eterna e incalculável misericórdia.
Aos meus pais. Que nunca mediram esforços e me incentivaram sempre. Sua presença,
em todos os momentos, fez a diferença. Obrigado por tudo. Sou muito grato, por ter
vocês ao meu lado.
Agradeço também ao meu irmão, grande incentivador. Sou grato também a minha exesposa, Marcela Amábile dos Santos Redondo e toda a sua família. Atualmente, apesar
de não estarmos juntos, contribuíram em vários momentos e deixaram teus
ensinamentos.
Ao meu orientador, Julio César Salton, por tudo. Pela paciência, grande amizade,
confiança e respeito. Obrigado por contribuir de uma forma imprescindível na minha
vida profissional. Obrigado pelas cobranças, pela orientação, incentivo e convívio
durante o período de mestrado. A ele ofereço esse trabalho.
Aos pesquisadores Dr. Fábio Martins Mercante e Dr. Micheli Tomazi, pelas
colaborações e considerações na qualificação.
Sinceros agradecimentos aos professores Marcos Antônio Camacho e Elói Panachuki e
também à Mariucy Gomes, secretária do programa de pós graduação. Sou grato por toda
a ajuda, confiança e incentivo que, sem dúvida, fizeram a diferença.
vi
Aos meus grandes amigos e companheiros Jean Sérgio Rosset, Martios Ecco, Hugo
Márcio Leandro, Maira Vicente Soares e a todos os colegas do programa de Pósgraduação em Agronomia da UEMS de Aquidauana. Na convivência, mostraram o
verdadeiro sentido da amizade. Sempre companheiros, quando precisei sempre estavam
dispostos a contribuir. Amizades que levarei por toda a vida.
Sinceros agradecimentos aos amigos Sr. Paulo Batista Mendes e Edson Quintal
Macedo, pessoas incríveis que contribuíram em todas as fases de condução do
experimento, aprendi muito com eles.
A todos os meus grandes amigos e companheiros do laboratório de Solos da Embrapa
Agropecuária Oeste, Dourados. Nunca mediram esforços ao me ajudar, em tudo que
precisei. Em especial, Willian Marra Silva, Mário Paes Kozima, Aroldo, Antônio
Carlos, Ilson França e Paulo Vitro. Ao técnico Mauro Junior e demais funcionários
encarregados pelos trabalhos no campo experimental da Embrapa, estes, muito
contribuíram quando o experimento ainda estava no campo. A estes agradeço pelo
conhecimento e prática fornecidos.
A todos os estagiários de Embrapa Agropecuária Oeste, em especial à Carlise Frota,
Ariane Neiva, Daiane Mendes, Anderson e Fabiano Capato. Pessoas incríveis,
admiráveis, fantásticas. Amigos de verdade.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela
concessão da bolsa de mestrado.
A todos os professores do programa de Pós-graduação em Agronomia da UEMS de
Aquidauana pelos ensinamentos. Enfim, a todos que direta ou indiretamente
contribuíram para a realização deste trabalho.
Muito obrigado!
vii
SUMÁRIO
RESUMO ..................................................................................................................... viiix
ABSTRACT…………………………………………………………………………….ix
CAPITULO 1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS ................................................................ 1
Bioma Cerrado............................................................................................................... 2
Área com cultivo de grãos no Brasil ............................................................................. 2
Importância da soja........................................................................................................ 2
Soja no Brasil ................................................................................................................. 3
Soja no Mato Grosso do Sul............................................................................................................ 4
Sistema plantio direto .................................................................................................... 4
Sistema de integração lavoura - pecuária ...................................................................... 5
Benefícios da integração lavoura - pecuária .................................................................. 7
Distribuição do P no solo sob plantio direto .................................................................. 8
Modos de aplicação do fertlizante fosfatado ............................................................... 12
Fonte do fertilizante fosfatado ..................................................................................... 13
Métodos de avaliar a disponibilidade de P nos solos – Mehlich I e Resina trocadora de
íons .............................................................................................................................. 15
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 17
CAPÍTULO 2 - RESPOSTA DA SOJA À ADUBAÇÃO FOSFATADA EM
LATOSSOLO ARGILOSO COM DISTINTOS HISTÓRICOS DE USO .................... 26
RESUMO .................................................................................................................... 26
ABSTRACT ................................................................................................................ 27
INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 28
MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................... 29
RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................ 32
CONCLUSÕES ........................................................................................................... 37
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 37
viii
RESUMO
O Cerrado, mesmo com solos de baixa fertilidade, representa elevada importância
dentro do cenário agrícola brasileiro, graças ao planejamento do uso e manejo do solo,
associado à adoção do Sistema Plantio Direto (SPD) e ao uso de corretivos e
fertilizantes. Os distintos sistemas de cultivo influenciam na disponibilidade de fósforo
(P) no solo, seu acesso pelas plantas e por fim na produção das culturas. Dentre os
macronutrientes, o fósforo, apesar de requerido em quantidades relativamente menores
que os demais macronutrientes, é dos elementos mais utilizados em adubação nas
condições desse bioma. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a resposta, em
produtividade, da cultura da soja, adubada com crescentes doses de fósforo (P), em
diferentes sistemas de manejo conduzidos durante 16 anos. O delineamento
experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, em esquema fatorial, com quatro
repetições, sendo os fatores representados por cinco doses de P e por três distintos
sistemas de manejo: 1) sistema plantio direto (SPD); 2) sistema de integração lavourapecuária (ILP); 3) sistema de preparo convencional (SPC). Observou-se que a soja
cultivada nos sistemas conservacionistas, ou seja, sob SPD e ILP, não foi responsiva
quanto à produtividade, à medida que se aumentaram as doses de P aplicadas.
Possivelmente, em função dos teores de P no solo estarem acima do nível de suficiência
para a cultura da soja. No SPC, apesar dos teores de P no solo estarem em condições
satisfatórias, as produtividades foram significativamente menores que nos sistemas
conservacionistas. Os teores foliares de P também foram baixos, o que reflete em
deficiência na absorção desse nutriente pelas plantas. Nesse sistema, notou-se aumento
de produtividade da soja na maior dose de P aplicado na linha de semeadura. A soja
cultivada no ILP teve bons rendimentos, mesmo sem a aplicação de adubos durante o
período de utilização da área com pastagem, por dois anos consecutivos, A forma de
manejo do solo pode determinar o grau de eficiência da adubação fosfatada para a
cultura da soja.
Palavras-chave: Glycine max, fósforo, plantio direto, integração lavoura-pecuária.
ix
ABSTRACT
The Brazilian savannas (“Cerrado”), even with low soil fertility, represents high
importance in the Brazilian agricultural landscape, thanks to use planning and soil
management, coupled with the adoption of no-tillage system (SPD) and the use of
fertilizers. The distinct culture systems influence the availability of phosphorus (P) on
the soil, the access by the plants and ultimately yield of crops. Among the
macronutrients, the phosphorus, although required in relatively smaller amounts than
other nutrients, is the most used elements in fertilizer under the conditions of Brazilian
savannas. The objective of this work was to evaluate the yield response of soybean
crops with different levels of P fertilization, under distinct management systems
established over sixteen years. The experiment was arranged in a randomized block
design, with the treatments following a 5 x 3 factorial design, with four replications.
The first factor corresponded to five increasing doses of phosphorus and the second
corresponded to types of management systems: 1) no-tillage system (SPD); 2) croplivestock integration system (ILP); 3) conventional tillage system (SPC).Through
results, it was verified the no significant yield response of soybean cultivated under
SPD and ILP as the phosphorus doses applied increased. It could be due to the fact that
P concentrations was at excess levels to soybean nutritional necessity, remark obtained
through interpretation of soil analysis. In SPC, there was no significant response in
productivity, although P concentrations were high. Foliar contents of P were low,
reflecting the limitation on absorption of this nutrient by the plant. The highest
productivities were found in conservationist management systems. The yield crop of the
soybean cultivated under ILP presented good values, although the P doses were not
applied during two years. The form of soil management can determine the degree of
efficiency of phosphorus fertilization for soybean.
KEY-WORDS: Glycine max, phosphorus, no-till system, crop-pasture system.
CAPITULO 1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS
BIOMA CERRADO
A região do Cerrado representa uma das maiores áreas cultivadas do mundo.
Esta região é importante por sua abrangência, uma vez que ocupa aproximadamente um
quarto do território nacional (SIQUEIRA NETO et al., 2009), cerca de 207 milhões de
hectares (BAYER et al., 2004).
Os Latossolos representam 46% dos solos no Cerrado, com conteúdo médio de
matéria orgânica do solo (MOS) entre 2,5 e 3,0 g kg-1 (FERREIRA et al., 2007). Estes
solos são naturalmente ácidos, pela constituição do material de origem, e pelo elevado
processo de intemperismo, e normalmente, apresentam baixos teores de cátions básicos
(SILVEIRA et al., 2000). São solos que apresentam boas condições para a mecanização,
sendo seu potencial de produção, condicionado pelo uso de corretivos e fertilizantes
(FERREIRA et al., 2007). A existência de uma estação seca e outra chuvosa definidas,
favorece o planejamento do plantio e colheita. Os solos profundos com boa qualidade
física e a topografia plana fizeram do bioma Cerrado, a maior fronteira agrícola
brasileira nas décadas de 1970 e 1980 (SIQUEIRA NETO et al., 2009).
Os solos, quando não são bem manejados, tendem a sofrer perdas significativas
em seus atributos químicos, físicos e biológicos, provocando, em alguns casos, perdas
drásticas na qualidade do solo em extensas áreas. A ação do homem no sistema soloágua-planta-atmosfera, para a produção de alimentos tende a ocasionar alterações,
muitas vezes positivas, como a melhoria das condições para o desenvolvimento das
plantas, outras vezes negativas, como a degradação do solo e a poluição do ambiente
(SOUZA et al., 2006).
A manutenção da qualidade do solo é um dos fatores chave, para se atingir a
sustentabilidade de um sistema de produção, destacando-se o manejo empregado, como
o principal componente (LOSS et al., 2009). Os diferentes usos do solo, empregados na
região dos Cerrados podem modificar efetivamente, as quantidades de matéria orgânica,
e alterar a ciclagem dos nutrientes. Estudos no Cerrado vêm sendo conduzidos, com o
objetivo de desenvolver estratégias para uma utilização sustentável dos solos, no sentido
de reduzir o impacto das atividades agrícolas sobre esse ambiente (TORRES et al.,
2005).
2
ÁREA COM O CULTIVO DE GRÃOS NO BRASIL
A área cultivada com grãos (algodão, amendoim, arroz, feijão, girassol,
mamona, milho, soja, sorgo, aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale), estimada
em 50,66 milhões de hectares, é 1,5% superior à cultivada na safra 2010/11. Em termos
absolutos, corresponde a uma expansão de 742,3 mil hectares (CONAB, 2012).
Segundo esse levantamento, dentre as principais culturas de verão, primeira
safra, o milho e a soja apresentam acréscimos na área de cultivo, enquanto que as de
arroz e feijão apresentam decréscimos, confirmando as expectativas dos levantamentos
anteriores. O algodão que apresentava redução na área de plantio passou a apresentar
crescimento de 0,4%.
Para a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2012), em termos
percentuais, o milho apresenta o maior acréscimo (9,1%) representando um adicional de
718,1 mil hectares, totalizando uma área recorde de plantio de 8,63 milhões de hectares.
A segunda cultura em destaque é a de soja, com ganho de 453,7 mil hectares, 1,9%
superior à safra passada, motivada pela boa rentabilidade e pelos preços atrativos. As
culturas de arroz e feijão apresentam redução na área. O feijão em função das
dificuldades na comercialização e aos preços deprimidos e o arroz pela diminuição de
água nos mananciais.
IMPORTÂNCIA DA SOJA
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma das mais importantes culturas na
economia mundial. Seus grãos são utilizados pela agroindústria (na produção de óleo
vegetal e rações para alimentação animal), indústria química e de alimentos.
Recentemente, vem crescendo também o uso como fonte alternativa de biocombustível
(COSTA NETO & ROSSI, 2000).
O grande incremento na produção mundial de soja pode ser atribuído a diversos
fatores, dentre os quais merecem destaque: o elevado teor de óleo (ao redor de 20%) e
proteínas (em torno de 40%) de excelentes qualidades encontradas no grão; a soja é uma
commodity padronizada e uniforme, podendo, portanto, ser produzida e negociada por
produtores de diversos países, apresentando alta liquidez e demanda; e sobretudo nas
últimas décadas, houve expressivo aumento da oferta de tecnologias de produção, que
3
permitiram ampliar significativamente a área cultivada e a produtividade da oleaginosa
(LAZZAROTTO & HIRAKURI, 2010).
Dentre os fatores que contribuem para o aumento no consumo mundial de soja
está principalmente o crescente poder aquisitivo da população nos países em
desenvolvimento, o que vem provocando uma mudança no hábito alimentar. Assim,
observa-se cada vez mais a troca de cereais por carne bovina, suína e de frango. Tudo
isso, resulta numa maior demanda de soja, ingrediente que compõe 70% da ração para
esses animais (VENCATO et al., 2010). Não menos significativo é o crescente uso de
biocombustíveis fabricados a partir do grão, resultado de um ascendente interesse
mundial na produção e no consumo de energia renovável e limpa (COSTA NETO &
ROSSI, 2000).
Da produção atual de biodiesel, que já atinge quase 2,5 milhões de litros ao ano
no Brasil, estima-se que o óleo de soja representa mais de 80% da matéria-prima
utilizada para a produção de biodiesel, seguido por gordura bovina (12,4%) e óleo de
algodão com 2,1% (ANP, 2011). A decisão do governo de antecipar de 2013 para 2010
a mistura obrigatória de 5% de biodiesel ao diesel mineral, o B5, comprova os
benefícios do uso desse combustível.
SOJA NO BRASIL
A soja apresenta como centro de origem e domesticação o nordeste da Ásia
(China e regiões adjacentes) e a sua disseminação do Oriente para o Ocidente ocorreu
através de navegações (CHUNG & SINGH, 2008).
No Brasil, o primeiro relato sobre o surgimento da soja através de seu cultivo é
de 1882, no estado da Bahia (BLACK, 2000). Em seguida, foi levada por imigrantes
japoneses para São Paulo, e somente, em 1914, a soja foi introduzida no estado do Rio
Grande do Sul, sendo este por fim, o lugar onde as variedades trazidas dos Estados
Unidos, melhor se adaptaram às condições edafoclimáticas, principalmente em relação
ao fotoperíodo (BONETTI, 1981).
A implantação de programas de melhoramento de soja no Brasil possibilitou o
avanço da cultura para as regiões de baixas latitudes, através do desenvolvimento de
cultivares mais adaptados por meio da incorporação de genes que atrasam o
4
florescimento mesmo em condições de fotoperíodo indutor, conferindo a característica
de período juvenil longo (KIIHL & GARCIA, 1989).
O crescimento da cultura da soja no país esteve sempre associado aos avanços
científicos e a disponibilização de tecnologias ao setor produtivo. A mecanização e a
criação de cultivares mais produtivas adaptadas às diversas regiões, o desenvolvimento
de pacotes tecnológicos relacionados ao manejo de solos, ao manejo de adubação e
calagem, manejo de pragas e doenças, além da identificação e solução para os principais
fatores responsáveis por perdas no processo de colheita, são fatores promotores desse
avanço (VENCATO et al., 2010).
A área plantada com soja em 2011/12 foi estimada em 24,63 milhões de
toneladas é 1,9%, ou 453,7 mil hectares superior à cultivada na safra anterior, contudo
apresentará queda de 4,7% na produção comparada à safra 2010/11, respondendo por
71,7 milhões de toneladas produzidas (CONAB, 2012).
Com isso, a soja consolidou sua posição de maior cultura explorada no Brasil, e
passou a apresentar expressiva importância econômica e vem levando o progresso e
desenvolvimento nas diversas regiões de cultivo. No mercado mundial, atualmente o
Brasil participa com cerca de 26,5 e 31,3%, respectivamente, da produção e da
exportação de soja em grão (USDA, 2010). Sendo que na última safra, o Brasil exportou
cerca 28 milhões toneladas de grãos (ABIOVE, 2011).
SOJA NO MATO GROSSO DO SUL
No Estado, a estimativa da área plantada para a safra 2011/12 é de
aproximadamente 1815 hectares, representando um aumento de 3,1% em relação à safra
2010/11. A produção tem tendência de crescimento de 2,1%, chegando a 5,4 milhões de
toneladas, representando um aumento de 5,3% comparado à safra 2010/11 (CONAB,
2012).
SISTEMA PLANTIO DIRETO
No final da década de 1970, no sul do país, surgiu o SPD que se baseava na
manutenção dos restos vegetais na superfície do solo promovendo o plantio “direto na
palha” da cultura anterior, sem haver, portanto, o revolvimento do solo. Futuramente o
5
conceito de plantio direto abrangeria a adoção de rotação de culturas e o uso de plantas
de cobertura na entressafra. No entanto, essas práticas são perfeitamente aplicáveis ao
sistema de preparo convencional (SPC), de modo que, em essência, a única diferença
entre SPD e SPC encontra-se no não revolvimento do solo no primeiro (NUNES, 2010).
No Cerrado o SPD passou a ser adotado no início da década de 1990, sendo que
hoje cerca de 50% de sua área agrícola encontra-se sob esse sistema (FEBRAPDP,
2009).
A literatura fornece inúmeros trabalhos apresentando os efeitos do SPD nas
propriedades do solo sendo que na maioria das vezes contrastando com o SPC. Em
condições brasileiras, as primeiras citações sobre o efeito do preparo reduzido foram
feitas em Minas Gerais, em 1961, por Vieira e Frazier (MUZILLI, 1981).
Posteriormente, os trabalhos pioneiros realizados na região Sul do País enfatizaram a
eficiência do SPD no controle das perdas do solo por erosão (RAMOS, 1976;
WUNSCHE & DENERDIN, 1978).
De maneira geral os efeitos do SPD na fertilidade do solo são o acúmulo de
cátions (Ca+2, Mg+2 e K+) na camada superficial do solo (MUZILLI, 1981, 1983 e 1985;
SIDIRAS & PAVAN, 1985; NUNES et al., 2008), acúmulo de MOS (SÁ, 2001;
CALEGARI, 2006), aumento da CTC (BURLE et al., 1997), aumento da capacidade de
água disponível, sendo que há necessidade de mais estudos no bioma Cerrado, uma vez
que existem poucos experimentos de longa duração que permitam extrair informações
conclusivas sobre alterações na dinâmica da fertilidade do solo sob SPD (LOPES et al.,
2004).
SISTEMA DE INTEGRAÇÃO LAVOURA - PECUÁRIA
A região do Cerrado, com 205 milhões de hectares, em menos de três décadas,
transformou-se na principal área de produção de carne e grãos do Brasil (VILELA,
2001). No entanto, o monocultivo e outras práticas culturais inadequadas, tem causado
perda de produtividade, degradação do solo e dos recursos naturais (MACEDO, 2009).
A integração lavoura-pecuária, segundo ALVARENGA et al. (2006), é a diversificação,
rotação, consorciação ou sucessão das atividades agrícolas e pecuárias dentro da
propriedade rural, de forma harmônica, constituindo um mesmo sistema, de tal maneira
que há benefícios para ambas.
6
Esse sistema tem despertado maior interesse de pesquisadores nos últimos anos
por proporcionar maior estabilidade e sustentabilidade à produção agropecuária, em
relação ao modelo de produção mais especializado, atualmente predominante (SOUZA
et al., 2008). Possibilita, como uma das principais vantagens, que o solo seja explorado
economicamente durante todo o ano ou na maior parte dele, favorecendo o aumento na
oferta de grãos, fibras, lã, carne, leite e de agroenergia a custos mais baixos devido ao
sinergismo que se cria entre a lavoura e pastagem.
Sistemas de integração lavoura-pecuária, compostos por tecnologias sustentáveis
e competitivas, foram, e ainda estão sendo desenvolvidos ou ajustados às diferentes
condições edafoclimáticas do país, o que tem possibilitado a sustentabilidade do
empreendimento agrícola, com redução de custos, distribuição de renda e redução do
êxodo rural em decorrência da maior oferta de empregos no campo (ALVARENGA, et
al., 2006). Estes sistemas contribuem ainda para a manutenção de adequada umidade,
temperatura e matéria orgânica do solo, o que beneficia a flora e fauna do solo, e induz
maior ocorrência de organismos benéficos (CAMPANHOLA, 2002).
A observação de áreas degradadas ou em processo de degradação é comum,
principalmente quando se trata do uso de pastagens. No bioma cerrado, o uso intensivo
de áreas para a produção vegetal e animal tem causado degradação da estrutura do solo,
afetando negativamente o desenvolvimento vegetal e, predispondo o solo à erosão
hídrica (STONE & GUIMARÃES, 2005). A recuperação ou reforma de pastagens
degradadas é um dos principais objetivos da integração, onde a produção de grãos em
uma área degrada de pastagem amortiza os custos de produção além de recuperar a
fertilidade perdida. Em área de lavoura degradada, o uso das pastagens melhora as
condições físicas e biológicas dos solos, por contribuir para uma melhor aeração e
capacidade de infiltração de água, ocasionado pelo acréscimo de matéria orgânica.
Na região do cerrado brasileiro o uso desse sistema de cultivo ainda é pouco
usado pelos produtores. Para essa região ainda são poucas as pesquisas nesse assunto e,
apesar dos benefícios advindos desse sistema, persiste a idéia de que o pastejo animal
interfere negativamente nas propriedades físicas do solo, levando-o a compactação e
consequentes perdas de produtividade para as culturas subsequentes.
7
BENEFÍCIOS DA I NTEGRAÇÃO LAVOURA – PECUÁRIA
Os solos nas áreas agrícolas podem apresentar graves problemas de compactação
e erosão. Por outro lado, a pecuária teve seu nível de produtividade reduzido devido à
degradação, e isso é um problema atual, particularmente na região dos cerrados
(GONÇALVES & FRANCHINI, 2007). A integração lavoura - pecuária é uma
alternativa, seja como meio para minimizar os problemas dos solos cultivados, ou para
recuperar pastagens degradadas. Algumas das vantagens da integração lavoura pecuária, segundo Gonçalves & Franchini (2007), centra-se no fato da lavoura
proporcionar um retorno econômico rápido, ajudando na produção de forragens nas
épocas mais críticas, fornecendo nutrientes e recuperando a produtividade. A pecuária,
por sua vez, propicia à agricultura recuperação do solo pela melhoria de sua estrutura e
ciclagem de nutrientes, aumento na matéria orgânica, melhora o armazenamento de
água no solo e possibilita melhor cobertura dos solos para plantio direto. Para o meio
ambiente, onde é cada vez maior a pressão por técnicas de cultivo autossustentáveis, a
integração lavoura - pecuária contribui para a redução dos impactos ambientais
decorrentes das atividades agrícolas. Avaliações feitas por Galharte & Crestana (2010),
mostraram efeito satisfatório da integração lavoura-pecuária no âmbito da conservação
ambiental. Os autores observaram efeitos positivos significativos em relação à
qualidade da água, do solo e biodiversidade, concluindo que a integração lavourapecuária contribui para minimizar os impactos negativos no meio ambiente.
Além do que foi ressaltado, no ponto de vista biológico, a macrofauna
invertebrada do solo altera-se tanto em densidade como em diversidade, conforme o
sistema de produção. Sendo um parâmetro sensível ao impacto de diferentes tipos de
sistemas de produção, o que possibilita seu uso como instrumento na determinação de
opções de manejo sustentável dos sistemas agropecuários. Sistemas de produção com
diversificação das espécies vegetais promovem uma maior diversidade dos grupos da
macrofauna invertebrada do solo, assim como os sistemas de manejo que estimulam a
dinâmica da matéria orgânica do solo favorecem a densidade total da macrofauna
edáfica. Assim, de modo geral, a estrutura da comunidade edáfica é menos afetada por
práticas de manejo do solo mais conservacionistas como os sistemas de integração
lavoura-pecuária e plantio direto (SILVA et al., 2006).
8
Para o produtor rural, a integração lavoura-pecuária consiste em uma alternativa
para otimizar os rendimentos na propriedade rural. Desde que o pastejo seja bem
manejado, permite, além da maximização do desempenho individual dos animais, obter
um adequado nível de palhada residual para a agricultura (LOPES et al., 2008). A
agricultura em áreas de pastagens por sua vez, propicia maior carga e desempenho
animal individual desde que o pastejo seja adequado. Esse sistema de cultivo também
possibilita um melhor aproveitamento residual da adubação. No entanto, quando fontes
fosfatadas foram aplicadas sobre a pastagem Ramos et al. (2010) não observaram efeito
residual na cultura da soja.
Outro benefício da integração lavoura-pecuária está na maior facilidade de
controle das plantas infestantes. Esse sistema de cultivo reduz a diversidade de espécies
de plantas invasoras e isso representa entre outros fatores, maior eficiência no controle,
seja na etapa de dessecação ou pós-semeadura da cultura. Ikeda et al. (2007) avaliando
diferentes sistemas de cultivo, formas de preparo do solo e níveis de adubação,
verificaram menor número de espécies de plantas infestantes nos sistemas de manejo de
integração lavoura-pecuária em plantio direto. Esses autores concluíram que o sistema
de cultivo e o sistema de preparo do solo foram os fatores mais importantes na
determinação da estrutura florística do banco de sementes.
Mais um benefício é atribuido ao controle de doenças, o sistema de produção
lavoura-pecuária tem influência positiva no controle do mofo-branco na cultura da soja.
DISTRIBUIÇÃO DO P NO SOLO SOB PLANTIO DIRETO
No que se refere ao P no solo observa-se que o SPD proporciona acúmulo de P
na camada superficial do solo (SELLES et al., 1997) devido as aplicações anuais que,
em geral, situam-se até 10 cm de profundidade e pela manutenção dos restos culturais
na superfície, que ao decomporem liberam P nesta camada. Esse fato tem sido
observado tanto pra formas de P consideradas disponíveis (TRIPLETT e VAN DOREN,
1969; HARGROVE, 1985; SIDIRAS e PAVAN, 1985; SÁ, 1999; LOPES et al. 2004),
quanto para as diversas formas de fracionamento (RHEINHEIMER & ANGHINONI,
2001, 2003), sendo este efeito ampliado ao longo do tempo (NICOLODI, 2007;
COSTA, 2008) e em função do tipo de adubação fosfatada (SANTOS, 2009). No
9
entanto, isto ocorre após algum período de implantação do sistema de modo que só pode
ser mensurado em experimentos de longa duração.
Apesar da redistribuição do P do solo ocorrer (DUIKER et al., 2006), a
tendência observada é o acúmulo do nutriente na camada até 5 cm de profundidade no
longo prazo (MERTEN & MIELNICZUK, 1991; COWIE et al., 1996; BAYER &
MIELNICZUK, 1997; FALLEIRO et al., 2004), sendo que abaixo desta camada a
disponibilidade é bastante reduzida (HUSSAIN et al., 1999; ESSINGTON &
HOWARD, 2000).
A aplicação de fertilizantes em SPD é toda feita na camada superficial do solo,
predominantemente no sulco de semeadura e, e, algumas situações, a lanço na
superfície, sem incorporação, o que leva ao acúmulo de nutrientes, como o P e potássio
(K) (SANTOS, 2009). Esse acúmulo também é causado pela liberação de P durante a
decomposição dos resíduos vegetais, baixa mobilidade de P no solo, (COSTA, 2008;
LOPES et al., 2004; DUIKER & BEEGLE, 2006; BRAVO et al., 2007) e pela menor
erosão superficial, que evita a perda do P adsorvido aos sedimentos transportados. Isso
foi constatado por Pavan & Chaves (1996), que observaram aumento das frações de P
lábeis com o controle da erosão do solo proporcionada por adensamento em cafeeiros.
Efeitos indiretos do SPD, provocados pelo aumento da atividade microbiana nas
camadas superficiais, pelo menor contato dos resíduos culturais com o solo (sem
incorporação) e pela maior umidade proporcionada pela presença da matéria orgânica
(MO) (BRAVO et al., 2007), também pode influenciar no acúmulo de P às plantas, já
que formam estoque de P microbiano no solo, liberam o P orgânico através da
decomposição dos resíduos deixados na superfície (LOPES et al., 2004), proporcionam
menor retenção de P pelo solo e reduzem a velocidade de decomposição pela biomassa
microbiana, resultando na mineralização gradual e parcial dos compostos de carbono,
aumentando o conteúdo de matéria orgânica e P orgânico (RHEINHEMER, 2000).
De acordo com Conte (2001), Costa (2008), Sá (1993), Sá et al. (2001) e Selles
et al. (1997), o aumento da concentração de P na camada superficial do solo sob SPD
tem estreita relação com o teor de matéria orgânica. Selles et al. (1997), em seus
estudos, observaram que o acúmulo e distribuição de P lábil na superfície do solo sob
SPD acompanhavam o modelo de distribuição dos resíduos orgânicos. Isso explicou o
fato de eles terem encontrado mais P lábil, extraível por métodos comuns de análise de
fertilidade de solos, na camada entre 7 cm e 10 cm do solo sob SPD, do que do solo sob
10
SPC após cinco anos de experimento. As maiores concentrações de P extraível nos
solos sob SPD ocorreram entre 0 cm e 6 cm, com redução drástica do teor entre 6 cm e
10 cm.
Inúmeros estudos têm mostrado uma distribuição estratificada das formas lábeis
de P devido o tempo de adoção do SPD. De Maria et al. (1999), em um experimento
conduzido por 12 anos, observou que o SPD mostrou ter efeito na capacidade do solo de
acumular P e K, sendo este efeito mais evidente na camada mais superficial do solo.
Para o P, houve aumento considerável do teor na camada mais superficial do solo, já na
primeira amostragem, três anos após a instalação do ensaio. Selles et al. (1997), após
cinco anos de experimento, detectou a interação significativa (P>0,05) entre sistema de
manejo do solo e distribuição do P em profundidade e um aumento de 15 % na
concentração de P nos dez primeiros centímetros de um Latossolo conduzido sob SPD,
em relação ao conduzido sob SPC. Vários trabalhos como os de Rheinheimer &
Anghinoni (2001), Duiker & Beegle (2006) e Sá (1993) encontraram maiores
concentrações de P nas camadas mais superficiais. Os solos mais argilosos
apresentaram maiores concentrações de P nessa camada que os solos arenosos (Sá,
1993). Portanto, vale salientar que a mobilidade e estratificação do P no solo sob SPD
também varia com o tipo de solo, além do tempo de adoção do sistema (SANTOS,
2009).
Apesar do P ter mobilidade muita baixa no solo, esse apresenta grande
mobilidade no interior das plantas, após ter sido absorvido pelas raízes. Assim, em SPD,
a planta pode acabar atuando como um redistribuidor do P no solo, pois, uma vez que os
resíduos culturais não são removidos e não há o revolvimento do solo, as raízes
contendo o P são mantidas no lugar e ao decomporem acabam liberando formas
orgânicas e inorgânicas de P em regiões mais profundas do solo. (SÁ, 2004).
Ainda considerando a participação das raízes das plantas na redistribuição do P
no perfil do solo, a escolha das culturas que compõem a rotação no SPD também é
importante. O uso de plantas com sistemas radiculares fasciculados, como o milho, por
exemplo, podem resultar em uma reciclagem mais intensa do P no solo (DUIKER &
BEEGLE, 2006). Raízes mais densas e com crescimento vertical no solo, podem
transportar e depositar o P, após sua decomposição, nas camadas mais profundas.
11
Logo, ao mesmo tempo em que o manejo no SPD proporciona o acúmulo de P
na camada superficial do solo também pode proporcionar uma redistribuição desse
nutriente em profundidade, resultando na distribuição estratificada de P no solo.
Esse comportamento específico do P, de acúmulo nas camadas superficiais em
solo sob SPD, tem implicações no manejo da adubação fosfatada, principalmente em
áreas já estabilizadas e com muitos anos de adoção desse sistema. Para Duiker & Beegle
(2006), os resultados de seus estudos sugeriram que poderia haver menor necessidade
de adubação fosfatada de correção em áreas sob SPD por longo período de tempo,
devido a alta concentração de P na camada de 0 cm a 5 cm do solo, onde a semente
normalmente é semeada. Schlindwein & Gianello (2008) sugerem a idéia que as
amostragens em SPD devem ser baseadas nas profundidades mais superficiais, ou seja,
de 0 – 10 cm.
Segundo Lopes et al. (2004), na fase inicial, cinco primeiros anos de
implantação do SPD, o P é imobilizado nos novos compartimentos de matéria orgânica,
havendo, portanto, imobilização e acúmulo do P na camada superficial do solo. Em
áreas com mais de 6 anos de implantação do sistema, ou seja, nos locais onde já ocorreu
um aumento e estabilização dos estoques de matéria orgânica do solo, é bastante
provável que haja um uso mais eficiente do P pelas plantas, em função da menor
fixação do mesmo e da maior disponibilização do P-lábil. Com o tempo, isso poderia
representar uma diminuição na aplicação de P nas áreas de SPD, em relação às
quantidades aplicadas em áreas sob SPC, ou, pelo menos, a possibilidade de obtenção
de produtividades maiores em SPD, considerando a mesma quantidade de fertilizante
aplicada nos dois sistemas. Bravo et al. (2007), em seus estudos, também aludiu a
possibilidade de redução nas aplicações anuais de P em solos sob SPD.
Como desvantagem, o acúmulo de P na superfície do solo pode resultar na
saturação na capacidade de retenção de P no solo, deixando parte do nutriente livre para
ser levado pela água que sai do sistema, podendo inclusive contribuir para o
crescimento excessivo de algas e a eutrofização de águas superficiais (RHEINHEMER
et al., 2003; PELLEGRINI, 2005; LIMA, 2005). Outras desvantagens, uma vez o P
concentrado na camada superficial solo, seriam a maior possibilidade de perda por
erosão e a concentração das raízes da planta nessa camada, reduzindo sua área de
exploração por outros nutrientes e por água. Tudo isso poderia ser agravado por um
manejo inadequado do SPD, como, por exemplo, o não uso de rotação de culturas, de
12
curvas de nível, de plantas de cobertura e pelo plantio morro abaixo (SANTOS, 2009).
Nesses casos, a perda de solo superficial e, consequentemente, de P poderia ser maior
que no sistema de plantio convencional (SPC).
MODOS DE APLICAÇÃO DO FERTILIZANTE FOSFATADO
Para que ocorra adequada absorção de P, crescimento e produtividade das
culturas e por fim elevada eficiência dos fertilizantes fosfatados, estes devem ser
aplicados de maneira adequada no solo, permitindo sua melhor localização em relação
às raízes das plantas. O contato do P na solução do solo e raiz se faz em maior parte por
difusão, nesse processo o elemento caminha a curtas distâncias na solução do solo, a
favor de um gradiente de concentração (BARBER, 1966). Os modos de aplicação mais
utilizados são a lanço, na superfície, com ou sem incorporação, no sulco de plantio, em
covas ou em faixas (SOUSA et al., 2004).
O efeito do modo de aplicação do adubo na distribuição do P, absorção pelas
plantas e por consequência nas respostas em rendimento das culturas depende de
diversos fatores como clima, tipo de solo, nível de fertilidade do solo, sistema de cultivo
adotado, dose do fertilizante a ser aplicada, fonte do fertilizante, espécie a ser cultivada,
espaçamento de plantio e distribuição do sistema radicular das culturas, sendo que esses
fatores interagem entre si (ANGHINONI, 2004; PAVINATO & CERETA, 2004).
A eficiência relativa da aplicação do fertilizante fosfatado também se encontra
relacionada ao teor de P inicial no solo. Welch et al. (1966) e Costa (2008) trabalhando
com modo de aplicação de P na cultura do milho concluem que quanto mais deficiente
em P é o solo, maior o rendimento de grãos de milho com o P aplicado na forma
localizada. No entanto, com o aumento do teor de P no solo, esse efeito deixa de existir.
Em condições de baixa fertilidade há resposta diferenciada aos modos de
aplicação de fertilizante, sendo que doses baixas têm a resposta favorecida pelo menor
contato com o solo, como ocorre na aplicação no sulco de semeadura, principalmente no
caso de fontes solúveis (FOX & KANG, 1978; ANGHINONI & BARBER, 1980). Para
fertilizantes de menor solubilidade as respostas são favorecidas pelo maior contato com
o solo, como ocorre nas aplicações a lanço na superfície, Sousa & Lobato (2004)
explicam que isso aceleraria o processo de solubilização desses fertilizantes. De
13
maneira geral ausência de resposta ao modo de aplicação é verificada em solos com
elevados teores de P (HARGROVE, 1985; RANDALL & HOELF, 1988).
A escolha do melhor modo de aplicação também dependerá da dose a ser
aplicada. Sousa e Lobato (2004), em suas recomendações para o Cerrado, afirmaram
que a aplicação de fertilizantes fosfatados a lanço deve ser utilizada para doses
superiores a 100 kg ha-1 de P2O5. No caso de doses inferiores a estas serem aplicadas em
culturas anuais, recomenda-se à localização em sulcos, o que possibilitará melhor uso
do P do fertilizante solúvel em água pelas plantas.
Como o SPD é visto como um sistema em mudança, com propriedades
emergentes em função do tempo, o melhor modo de aplicação de P nesse sistema pode
variar em função do tempo de adoção (NICOLODI, 2007).
FONTE DO FERTILIZANTE FOSFATADO
As rochas fosfáticas representam 99% da matéria prima dos fertilizantes
fosfatados produzidos no mundo que constituem, principalmente de dois grupos de
minerais: as apatitas – fosfatos de cálcio com hidroxila (OH), flúor (F) e cloro (Cl) e as
fosforitas – fosfatos de cálcio substituição parcial do fosfato (PO4-3) por carbonato
(CO3-2), e do cálcio (Ca2+) por magnésio (Mg2+) e sódio (Na+).
Os fertilizantes fosfatos podem ser classificados quanto à solubilidade em água,
citrato neutro de amônio (CNA) e ácido cítrico (AC), analisados de acordo com a
legislação brasileira. Nesse sentido, Sousa et. al (2004) definem 5 classes de
fertilizantes fosfatados:
1)
Fertilizantes com alta solubilidade em água e em CNA – os principais
são o superfosfato simples (SFS), o superfosfato triplo (SFT) e os fosfatos
monoamônico (MAP) e diamônico (DAP). Possuem reconhecida eficiência agronômica
e correspondem a mais de 90% do P2O5 utilizado na agricultura (Moreira et al., 1997;
Lana et al., 2004). Além disso, o SFT é amplamente utilizado como fonte padrão de P
em experimentos que avaliam a eficiência agronômica relativa de fontes de P (BOLAN
et al. 1990).
2)
Fertilizantes insolúveis em água e em AC – correspondem aos fosfatos
naturais brasileiros (Araxá, Patos de Minas, Catalão e outros). Possuem lenta dissolução
no solo e consequentemente baixa eficiência agronômica.
14
3)
Fertilizantes com média solubilidade em água e em CNA –
correspondem aos fosfatos parcialmente acidulados com ácido sulfúrico a partir de
concentrados fosfáticos nacionais. A eficiência agronômica destes fertilizantes é
proporcional a fração solúvel presente neles (SOUSA et. al, 2004).
4)
Fertilizantes insolúveis em água e com alta elevada solubilidade em CNA
e AC – correspondem aos termofosfatos e produtos à base de fosfato bicálcico.
Apresentam eficiência agronômica equivalente aos fertilizantes solúveis em água
quando utilizado na forma moída, tendo a eficiência no ano da aplicação reduzida com a
granulação.
5)
Fertilizantes insolúveis em água e com média solubilidade em AC –
correspondem aos fosfatos naturais sedimentares de alta reatividade como os da
Carolina do Norte, Gafsa, Marrocos e outros. Apresentam eficiência agronômica
equivalente aos fertilizantes solúveis em água quando utilizado na forma moída.
Quando não moídos apresentam menor eficiência inicial (no ano da aplicação) e efeito
residual semelhante ou superior aos fertilizantes solúveis (SOUSA et al. 1999a).
A escolha da fonte de P a ser utilizada normalmente depende de sua eficiência
agronômica (capacidade de suprir as plantas em relação à fonte solúvel em água) e do
custo por unidade de P2O5, considerando-se o transporte, o manuseio e o
armazenamento (PROCHNOW et al., 2003).
Apesar dos fertilizantes fosfatados de elevada solubilidade serem mais eficientes
no curto prazo (BOLLAND & BOWDEN, 1982), é também bastante conhecido como
essas fontes, quando adicionadas aos solos tropicais ácidos, de alta capacidade de
fixação de P, são rapidamente convertidas a formas indisponíveis às plantas, podendo
ter sua eficiência diminuída ao longo do tempo (BOLLAND, 1985; KORDÖRFER et
al., 1999; GHOSAL et al., 2003; PROCHNOW et al., 2003).
MÉTODOS DE AVALIAR A DISPONIBILIDADE DE P NO SOLO – MEHLICH I E RESINA
TROCADORA DE ÍONS
Para avaliar a disponibilidade de nutrientes no solo para as plantas, faz-se a
análise desse solo e, detectando alguma deficiência, pode-se estimar a quantidade a
aplicar de corretivos e fertilizantes de modo racional e econômico (SCHLINDWEIN &
GIANELLO, 2008). Para a avaliação do P disponível às plantas, são geralmente
15
utilizadas soluções extratoras, ou agentes de troca iônica, que visam à quantificação de
P em solução e de formas capazes de repô-lo à solução quando da absorção das plantas
(P-lábil). Entretanto, os métodos atualmente utilizados para avaliação do P disponível
extraem quantidades que muitas vezes não refletem aquela que o solo pode realmente
fornecer às plantas. Como a avaliação da disponibilidade de P nos solos para as plantas
é necessária para embasar as recomendações de adubação fosfatada, os resultados das
adubações acabam perdendo em qualidade (SANTOS, 2009).
As recomendações de quantidades de adubos a aplicar dependem, em grande
parte, da qualidade da diagnose do grau de deficiência de determinado elemento no
solo, proporcionada pelo método de análise (SILVA & RAIJ, 1999), pois essas
recomendações baseiam-se na relação existente entre os teores de P aplicadas e o
rendimento das culturas, assim como na relação entre doses de P aplicadas e o
rendimento em solo com diferentes teores de P.
No Brasil, o extrator Mehlich I, de dissolução ácida, é utilizado em todos os
laboratórios de rotina do país, exceto nos laboratórios do Estado de São Paulo, que
utiliza o método da resina trocadora de íons, extrator de troca iônica.
O extrator Mehlich I, composto por H2SO4 0,025 N e HCl 0,05 N (duplo ácido)
em contato com o solo analisado, provoca a dissolução ácida dos compostos fosfatados
de baixa energia, pela alta concentração de H+, tendo maior efeito sobre os fosfatos de
Ca, seguido dos ligados ao Al e, por último, dos ligados ao Fe. Provoca também um
efeito secundário de troca iônica, onde o íon sulfato (SO4-2) do extrator ocupa o lugar
dos fosfatos adsorvidos nas superfícies dos óxidos e hidróxidos de Fe e Al (LINS, 1987;
GATIBONI, 2003).
O método Mehlich I de extração de P tem como grande vantagem a simplicidade
de extração. Contudo, essa vantagem é apenas para o laboratório e para a determinação
considerada de forma isolada, pois a eficiência de extração do P por esse método sofre
grande influência da capacidade tampão de fosfatos do solo. Por isso, na interpretação
da disponibilidade de P, são usadas características que estão relacionadas com a
capacidade tampão, como o teor de argila ou o valor do fósforo remanescente (FREIRE
et al., 2002). Outra desvantagem é a extração preferencial de compostos de Ca como
mineral primário, em solos com pH mais elevado, ou em solos que receberam adubação
com fosfatos naturais (NOVAIS & SMYTH, 1999; SCHLINDWEIN & GIANELLO,
2008).
16
A utilização da Resina de Troca Iônica na determinação de P extraível de um
solo corrige ou minimiza os problemas de subestimar ou superestimar o disponível
(NOVAIS et al., 2007). No entanto, o método é considerado pouco adequado para
análise de rotina, principalmente pelo longo período de agitação do solo com resina em
suspensão aquosa, em geral de 16 horas, e pela etapa laboriosa de separação da resina
do solo após a agitação (GALRÃO, 1976; SILVA & RAIJ, 1999).
A resina é um material sintético, orgânico, poroso, constituído de esferas sólidas
de diâmetro médio de 1 mm ou menos e com estrutura matricial tridimensional. Existem
resinas que são trocadoras de ânions e outras que são trocadoras de cátions. No primeiro
caso, a resina é base tipo forte, contendo grupos químicos com cargas positivas em sua
estrutura, enquanto que a resina trocadora de cátions é do tipo ácido forte, contendo
grupos químicos com cargas negativas. Normalmente, são utilizadas juntas nas análises
de solo (Resina Trocadora de Íons), pois dariam assim uma visão mais realística do que
ocorre no sistema solo-planta, uma vez que as plantas absorvem cátions e ânions do solo
(LINS, 1987).
O método da resina apresenta boa fundamentação teórica, pois o processo de
adsorção de P pela resina é muito similar ao processo de absorção de P do solo pela
planta. A resina tem uma função semelhante à da raiz de uma planta que, ao absorver o
P da solução, baixando ai sua concentração, rompe o equilíbrio existente entre o P da
solução e o P da fase sólida do solo, promovendo a dissolução ou a dessorção de fosfato
da fase sólida, cuja taxa depende da capacidade tampão do solo. Os sítios de adsorção
de P no solo são ocupados pelo OH, silicatos ou algum outro ânion específico
disponível na solução. Enquanto o dreno de P no solo é a raiz, o dreno na análise do
solo é a resina, e em nenhum momento da transferência de P do solo para a resina é
usado reagente químico, somente água destilada (RAIJ, 2004).
As principais vantagens do método da resina são a extração contínua, em meio
aquoso, de forma similar ao que ocorre no sistema solo-planta; não é utilizado nenhum
reagente químico que poderia dissolver fosfatos não disponíveis para a planta; o pH da
suspensão solo-resina é um pouco menor que 7, coincidindo com a faixa de maior
disponibilidade dos fosfatos do solo; a presença de bicarbonato mantém o
tamponamento da suspensão, favorecendo a reprodutibilidade resultados e tornando-os
menos influenciados por mudanças nas relações entre quantidades de solo, resina ou
17
água; e a presença de resina catiônica retira os cátions de maior valência da solução e
reduz a força iônica do meio, o que favorece a dissolução do P-lábil (RAIJ, 2004).
Ao contrário do método de extração Mehlich I, a resina pode ser usada tanto em
solos ácidos como em solos alcalinos, uma vez que esse método de extração não
superestima a disponibilidade de P em solos tratados com fosfatos naturais; e é o que
apresenta o melhor embasamento teórico para a determinação do chamado fator
quantidade de P em solos, que é o mais importante índice da disponibilidade do
nutriente (SILVA & RAIJ, 1999)
Basta ressaltar que os valores do P disponíveis considerados níveis críticos serão
também variáveis entre os métodos. Torna-se evidente a necessidade de saber qual o
extrator utilizado em uma análise de solo para interpretar o valor do P disponível
encontrado e qual o nível crítico para esse extrator (NOVAIS et al., 2007).
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26
CAPÍTULO 2 - RESPOSTA DA SOJA À ADUBAÇÃO FOSFATADA EM
LATOSSOLO ARGILOSO COM DISTINTOS HISTÓRICOS DE USO
RESUMO
Os solos do Cerrado brasileiro são naturalmente ácidos e pouco férteis, que faz que a
adubação seja uma prática indispensável para suprir as necessidades nutricionais e
garantir um desenvolvimento normal das culturas, e obtenção de adequados
rendimentos. Dentre os macronutrientes, o fósforo (P), apesar de requerido em
quantidades relativamente menores que os demais macronutrientes, é dos elementos
mais utilizados em adubação nas condições desse bioma. O objetivo do presente
trabalho foi avaliar a resposta, em produtividade, da cultura da soja, adubada com
crescentes doses de fósforo (P), em diferentes sistemas de manejo conduzidos durante
16 anos. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, em esquema
fatorial, com quatro repetições, sendo os fatores representados por cinco doses de P e
por três distintos sistemas de manejo: 1) sistema plantio direto (SPD); 2) sistema de
integração lavoura-pecuária (ILP); 3) sistema de preparo convencional (SPC).
Observou-se que a soja cultivada nos sistemas conservacionistas, ou seja, sob SPD e
ILP, não foi responsiva quanto à produtividade, à medida que se aumentaram as doses
de P aplicadas. Possivelmente, em função dos teores de P no solo estarem acima do
nível de suficiência para a cultura da soja. No SPC, apesar dos teores de P no solo
estarem altos não houve resposta em aumento de produtividade. Os teores foliares de P
também foram baixos, o que reflete em má absorção desse nutriente pelas plantas. As
maiores produtividades da soja foram evidenciadas nos sistemas conservacionistas. A
soja cultivada no ILP teve bons rendimentos, mesmo sem a aplicação de adubos durante
o período de utilização da área com pastagem, por dois anos consecutivos. A forma de
manejo do solo pode determinar o grau de eficiência da adubação fosfatada para a
cultura da soja.
PALAVRAS-CHAVE: Glycine max, fósforo, plantio direto, integração lavourapecuária.
27
SOYBEAN YEILD RESPONSE TO PHOSPHATE FERTILIZATION IN
CLAYEY OXISOL WITH DIFFERENT LAND USE HISTORY
ABSTRACT
The greater part of soils under Brazilian savannas (“Cerrado”) present low fertility and
high acidity, which makes the fertilization one essential activity to crops in such areas.
Fertilization provides the necessary nutrients and guarantees balanced development to
the crops in order to obtain the best possible result. In comparison to other
macronutrients, the phosphorus (P) is demanded in lower concentrations, nevertheless it
is one of the most used elements in areas of the Brazilian savanna. The objective of this
work was to evaluate the yield response of soybean crops with different levels of P
fertilization, under distinct management systems established over sixteen years. The
experiment was arranged in a randomized block design, with the treatments following a
5 x 3 factorial design, with four replications. The first factor corresponded to five
increasing doses of phosphorus and the second corresponded to types of management
systems: 1) no-tillage system (SPD); 2) crop-livestock integration system (ILP); 3)
conventional tillage system (SPC).Through results, it was verified the no significant
yield response of soybean cultivated under SPD and ILP as the phosphorus doses
applied increased. It could be due to the fact that P concentrations was at excess levels
to soybean nutritional necessity, remark obtained through interpretation of soil analysis.
In SPC, there was no significant response in productivity, although P concentrations
were high. Foliar contents of P were low, reflecting the limitation on absorption of this
nutrient by the plant. The highest productivities were found in conservationist
management systems. The yield crop of the soybean cultivated under ILP presented
good values, although the P doses were not applied during two years. The form of soil
management can determine the degree of efficiency of phosphorus fertilization for
soybean.
KEY-WORDS: Glycine max, phosphorus, no-till system, crop-pasture system.
28
INTRODUÇÃO
Os solos de Cerrado, em especial os Latossolos, oferecem, em condições
naturais, baixa disponibilidade de P para o favorável desenvolvimento das culturas em
geral. Com isso torna-se necessária a adição de fertilizantes fosfatados para assegurar o
desenvolvimento normal das espécies cultivadas nesse bioma (SOUSA et al., 2008).
Segundo Lima (1995), o fósforo (P) encontra-se entre os nutrientes que causam
as maiores limitações nutricionais ao crescimento da cultura da soja. Estudos realizados
por Malavolta (1980) indicam que são necessários 8,4 kg desse elemento para cada
tonelada de grãos produzida. O autor ressalta que, apesar de ser considerada pequena a
quantidade de P demandada por essa cultura mesmo assim sua exigência é superior às
das culturas do trigo e do milho, com 6,9 e 4,3 kg exigidos, respectivamente. De acordo
com Sousa et al. (1987a), em culturas de sequeiro, para solos muito argilosos (teor de
argila superior a 60%), os níveis críticos de P, ou o mínimo adequado, corresponde a 4,0
mg dm3, para obtenção de 80% do rendimento potencial na ausência de aplicação desse
nutriente em determinado ano agrícola. Esse elemento desempenha um importante papel
nas plantas, uma vez que está fortemente ligado a inúmeros processos metabólicos,
atuando também na constituição do ATP, do DNA e de enzimas, como a fosforilase, por
exemplo. Em baixos teores no solo, a planta tem seu crescimento prejudicado e,
consequentemente tem a produção reduzida (KIMANI & DERERA, 2009).
Ainda há divergências sobre a melhor forma de utilização das diversas fontes
fosfatadas disponíveis no país (Silva et al., 2009). Na avaliação de eficiência de
utilização, é importante levar em consideração aspectos relacionados ao fertilizante
(solubilidade e dose, por exemplo) e as variáveis relacionadas ao sistema solo-planta,
como a forma de aplicação, se há necessidade de aplicação e em que dose, valor obtido
ao interpretar uma análise de solo, histórico de adubação na área e culturas estabelecidas
anteriormente (PROCHNOW et al., 2003; SOUSA et al., 2002; COSTA et al., 2008). A
eficiência da adubação depende de vários fatores, de natureza química, física e
biológica, que podem estar relacionados ao fertilizante, ao tipo e manejo do solo e da
cultura e ao ambiente (BALIGAR & FAGERIA, 1999; ANGHINONI, 2004).
Os fosfatos solúveis, como o Super Fosfato Triplo (SFT) reagem com maior
intensidade no solo que os não solúveis, incrementando a fração P disponível,
favorecendo sua absorção pelas raízes. Porém, as reações de fixação deste nutriente são
29
também favorecidas, principalmente com a aplicação de altas doses em solos oxídicos,
ácidos e intemperizados, o que reduz a sua eficiência ao longo do tempo e ainda são de
alto custo (RESENDE et al., 2006; LANA et al., 2007).
Um dos fatores responsáveis pela baixa disponibilidade de fósforo (P), nos solos das
regiões tropicais, é o fenômeno da fixação do mesmo em reações com componentes do
solo, necessitando, portanto, da aplicação de maiores quantidades de fosfatos para
viabilizar o uso agrícola desses solos (RAIJ, 1991). O principal motivo que condiciona a
fixação ou adsorção desse nutriente está relacionado com a característica da fração
argila (SÁ, 1993). Considerando que as reservas de rochas fosfatadas no país são
escassas, o que aliado aos altos custos desses fertilizantes e o fato de que o nutriente é
um recurso não renovável, justificam-se estudos para otimizar a eficiência no uso de
fertilizantes fosfatados (PROCHNOW et al., 2003). A adição de material orgânico no
solo constitui-se na medida para disponibilizar o P no solo, seja com a adição de
resíduos vegetais, pelo P presente no resíduo como por competição de compostos
orgânicos dos resíduos pelos sítios de troca no solo que reduziriam a fixação
(PAVINATO & ROSOLEM, 2008).
O objetivo do presente trabalho foi avaliar a resposta da cultura da soja à
adubação fosfatada, bem como a utilização de dois diferentes métodos de extração de P,
em sistemas de manejo, estabelecidos há 16 anos num Latossolo argiloso.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado utilizando-se experimento de campo já existente,
implantado em 1995, contendo sistemas e manejo do solo, ocupando área de 16
hectares. Este experimento está localizado no campo experimental da Embrapa
Agropecuária Oeste, coordenadas 22º14'S - 54º49'W e altitude de 430 metros no
município de Dourados, MS em Latossolo Vermelho distroférrico típico, caulinítico,
textura argilosa (Amaral et al., 2000). No local encontra-se vegetação típica do bioma
Cerrado, quanto ao clima, nesta região, é classificado como Cwa – clima mesotérmico
úmido, com predominância de verões quentes e invernos secos (Fietz & Fisch, 2006).
Os sistemas de manejo implantados em 1995 estavam dispostos num esquema
em faixas, sendo selecionados os sistemas:
30
a) SPC: Lavoura em preparo convencional, com monocultivo de soja no verão e
aveia no inverno e preparo do solo utilizando grades de discos (pesada + niveladora),
sendo a cultura da soja adubada em todas as safras com P e K;
b) SPD: Lavoura em plantio direto, com rotação de culturas, tendo no verão soja
e milho, e durante o outono-inverno e primavera as culturas de trigo e aveia para
produção de grãos e nabo e aveia para produção de palha, mantendo a sequência:
..../nabo/milho/aveia/soja/trigo/soja/ ....conforme apresentado na Figura 1. As culturas
de soja, milho e trigo são adubadas em todas as safras, conforme as recomendações
técnicas.
c) ILP: Rotação lavoura – pecuária, com a alternância de soja/aveia com
pastagem (Brachiaria decumbens) conduzida em plantio direto, com ciclos de dois
anos. Durante o período de pastagem, a mesma é submetida à pastejo por bovinos de
corte, com lotação ajustada de forma a manter a oferta de forragem constante, em torno
de 7% (7 kg de massa seca de forragem para cada 100 kg de peso vivo por dia). A
adubação foi realizada apenas para a soja, não se utilizando adubos ou corretivos na
implantação e manutenção da pastagem.
Para o estudo de doses de P, foram selecionadas três faixas que na safra de
inverno 2010 foram cultivadas com aveia, correspondendo aos sistemas e manejo (SPC,
SPD e ILP), nas quais foi implantado o experimento, com delineamento de blocos ao
acaso em esquema fatorial com quatro repetições, sendo os fatores representados por
cinco doses de P aplicados na linha de semeadura e pelos três sistemas de manejo,
totalizando 60 parcelas, sendo 20 parcelas por sistema de manejo. Cada parcela foi
constituída de cinco linhas de 5,0 m, espaçadas 0,45 m entre si, totalizando uma área de
11,25 m2.
Figura 1. Esquema demonstrando a sequencia de cultivos ao longo do tempo nos
diferentes sistemas de manejo e as situações utilizadas para o experimento, na safra
2010/11, marcadas com círculos. SPD: Sistema Plantio Direto, ILP: Integração lavourapecuária, SPC: Sistema preparo convencional, PP: pastagem permanente; M: milho, S:
soja, A: aveia, T: trigo, N: nabo.
31
Antes da implantação do experimento, foi constatado que os teores de P, nos três
sistemas de manejo, estavam acima do valor limite da classe “bom”, considerado
superior a 3,0 mg kg-1 ( TECNOLOGIAS…, 2011). A composição granulométrica do
solo, antes da implantação das culturas da safra 2010/11, está apresentada na Tabela 1.
Tabela 1. Composição granulométrica de um Latossolo Vermelho, submetido a
sistemas de manejo durante 16 anos, em Dourados, MS. 2010.
Sistema
SPD
SPC
ILP
Profundidade
(m)
0 a 0,1
0,1 a 0,2
0 a 0,1
0,1 a 0,2
0 a 0,1
0,1 a 0,2
areia
silte
argila
-1
--------------------- g kg ------------------------131
144
725
131
144
725
198
127
675
198
127
675
131
127
742
115
127
758
Como resultado dos sistemas de manejo utilizados por 16 safras, as quantidades
de matéria seca sobre o solo apresentavam grande variação. Essas quantidades foram
determinadas antes da semeadura da soja (safra 2010/11), por meio de um quadrado de
madeira (0,5m x 0,5m), lançado aleatoriamente, com 15 repetições em cada sistema de
manejo. O material contido no quadrado foi seco em estufa a 40ºC. Os valores médios
obtidos foram de 4143,2 kg ha-1, 3379,2 kg ha-1 e 945,2 kg ha-1 para as faixas com os
manejos SPD, ILP e SPC, respectivamente. Determinaram-se também, os teores de
matéria orgânica do solo (MOS), no aparelho Total Organic Carbon (TOC), após
maceração das 20 amostras, em cada área de manejo, com pistilo em pedra de ágata. Os
teores de MOS, na camada 0 a 0,1 m, foram 509,5 g kg-1; 305,1 g kg-1 e 156,7 g kg-1
para as faixas com os manejos SPD, ILP e SPC, respectivamente. Na camada de 0,1 –
0,2 m notou-se diminuição dos teores de MOS, comparados à camada superficial, sendo
362,2 g kg-1; 157,5 g kg-1 e 110,1 g kg-1 para o SPD, ILP e SPC, respectivamente.
Para a instalação dos tratamentos de adubação, em 17/11/10, foram abertos
sulcos com o auxílio de sachos, nos quais se realizou a adubação fosfatada, respeitando
a dose de cada parcela, definida mediante prévio sorteio, contendo cinco diferentes
doses de P2O5: 0, 30, 60, 120 e 180 kg ha-1, na forma de superfosfato triplo – SFT (42%
de P2O5), O adubo foi aplicado nas linhas de semeadura e levemente incorporado ao
solo. A semeadura da soja (Glycine max) foi realizada em 18/11/10, sendo sementes do
cultivar BRS 291 RR tratadas com fungicida e inoculadas com Bradyrhizobium,
32
estirpes SEMIA 5079 (CPAC 15) e SEMIA 5080. Não foi utilizada adubação potássica
e nitrogenada na semeadura e em cobertura.
Por ocasião do florescimento, coletou-se o terceiro trifólio com pecíolo, a partir
do ápice, com 20 repetições por parcela, para determinação do teor de P no tecido
vegetal, para diagnose nutricional das plantas. A colheita manual foi realizada no dia
16/03/11, após 118 dias da semeadura. Para estimar a produtividade, descartaram-se as
linhas laterais e foram colhidas as plantas de três metros lineares das três linhas centrais
de cada parcela. Os grãos foram pesados e a massa foi corrigida para 13% de umidade.
Após a colheita, foram realizadas coletas de solo, com trado holandês, em duas
profundidades (0-0,1 m e 0,1-0,2 m) nas linhas e entrelinhas de cada parcela. A
amostragem foi realizada, coletando-se uma amostra composta para a linha e entre-linha
em cada parcela. Cada amostra composta foi formada por três sub-amostras na linha e
três sub-amostras na entrelinha, em seguida homogeneizadas. Deste procedimento
resultou em 120 amostras de solo (5 doses x 4 repetições x 3 sistemas de manejo x 2
profundidades), das quais foi determinado os teores de P no solo, estimados pelos
métodos Mehlich-1 ou duplo ácido (EMBRAPA, 1997) e pela Resina trocadora de íons
(RAIJ et al., 1986 adaptado de AMER et al., 1955). As análises de P das amostras de
solo foram realizadas no Laboratório de Química do Solo da Embrapa Agropecuária
Oeste, em Dourados – MS. Os dados foram submetidos à análise estatística e as
médias, comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade com a utilização do
software SAS®.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Considerando os limites estabelecidos de teores de P para tecido foliar de plantas
de soja (TECNOLOGIAS..., 2011) e os valores verificados mediante analise foliar
(Tabela 2), observa-se que de modo geral, para todas as doses de P utilizadas e sistemas
de manejo, os valores se enquadram como teor “suficiente” exceto para o SPC nas doses
0, 30 e 60.
33
Tabela 2. Teor de P na folha da soja, cultivada em um Latossolo Vermelho sob
sistemas de manejo durante 16 anos e submetida a doses crescentes de P, safra 2010/11,
Dourados, MS.
Sistema de
manejo
0
ILP
SPD
SPC
CV (%)
3,32 aA
3,37 aA
2,20 bB
7,41
Doses de P2O5 (kg ha-1)
30
60
120
Teor de P na folha (g kg-1)
3,37 aA
3,47 aA
3,55 aA
3,40 aA
3,52 aA
3,90 aA
2,25 bB
2,35 bB
3,00 bA
5,05
4,60
7,59
180
3,57 aA
3,65 aA
3,00 bA
9,00
Para cada dose de fósforo, médias seguidas pela mesma letra minúscula, na coluna, e para cada tratamento, médias
seguidas pela mesma letra maiúscula, na linha, respectivamente, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de
probabilidade. SPD: Sistema Plantio Direto, ILP: Integração lavoura-pecuária, SPC: Sistema preparo convencional.
Notou-se que as plantas de soja dos sistemas conservacionistas (SPD e ILP)
apresentaram teores foliares de P significativamente mais elevados que os verificados
para o SPC em todas as doses de SFT aplicadas, mesmo onde não houve aplicação de P.
As folhas são consideradas o foco das atividades fisiológicas das plantas, de forma que
as alterações na nutrição mineral são refletidas nas concentrações dos minerais da
mesma (EVENHUIS & WAARD, 1980; BATAGLIA & DECHEN, 1996). Na
interpretação dos resultados das análises de folha de soja são considerados como níveis
de suficiência, para amostras com pecíolo em Mato Grosso do Sul, valores situados
entre 2,3 e 3,4 g kg-1 (TECNOLOGIAS..., 2011). Teores foliares de P abaixo de 2,3 g
kg-1 refletem insuficiente absorção de P pela planta. De acordo com a Tabela 2, o nível
de suficiência, no SPC, somente foi atingido com as doses de 60, 120 e 180 kg ha-1 de
P2O5.
Na Tabela 3 são apresentadas as produtividades da soja, obtidas em função da
dose de adubo fosfatado aplicado em seu respectivo manejo.
Tabela 3. Produtividade da soja cultivada em um Latossolo Vermelho sob sistemas de
manejo durante 16 anos e submetida a doses crescentes de P, safra 2010/11, Dourados,
MS.
Sistema de
manejo
0
ILP
SPD
SPC
CV (%)
2760,9 aA
2879,0 aA
1497,2 bB
8,71
Doses de P2O5 (kg ha-1)
30
60
120
Produtividade (kg ha-1)
2772,8 aA
2904,5 aA
2924,7 aA
2852,2 aA
2871,0 aA
2958,4 aA
1547,5 bB
1591,7 bB
1764,8 bAB
6,57
4,58
5,76
180
2966,3 aA
2950,7 aA
1860,5 bA
17,30
Para cada dose de fósforo, médias seguidas pela mesma letra minúscula, na coluna, e para cada tratamento, médias
seguidas pela mesma letra maiúscula, na linha, respectivamente, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de
probabilidade. SPD: Sistema Plantio Direto, ILP: Integração lavoura-pecuária, SPC: Sistema preparo convencional
Pode-se observar que a leguminosa cultivada sob SPD e ILP, não apresentaram
ganhos em produtividade à medida que aumentaram os níveis de adubo fosfatado
34
aplicado, não se diferindo estatisticamente entre si. Pode ser verificada certa coerência
entre as produtividades e os teores foliares de P, onde as menores produtividades foram
obtidas nos tratamentos em que os níveis de P na folha são inferiores. Para Malavolta
(1980) e Lantmann et al (2000), a grandeza da resposta dessa leguminosa está
condicionada, em primeiro lugar, à disponibilidade de P nos solos. Tem parte também
nessa magnitude o manejo do solo, o tempo de cultivo com culturas anuais associadas à
soja, em que se adube com P, distribuição e disponibilidade de P no perfil do solo como
produto de manejo, principalmente no SPD, e quantidades de P aplicadas anteriormente.
Observou-se também que a produtividade da soja, nos sistemas conservacionistas, foi
superior ao sistema em que houve revolvimento do solo. De acordo com Santos et al
(2008), a produtividade dessa leguminosa é atribuída as condições climáticas e ao
sistema de manejo, este, em sistema conservacionista tende a manter a umidade
principalmente na camada superficial do solo, suprindo a exigência de água, podendo
disponibilizar uma quantidade maior de nutrientes que um solo exposto sujeito aos
efeitos dos raios solares. Sharma et al (2011) observaram resultados similares
conduzindo experimentos de longa duração com rotação de culturas, em Latossolo
argiloso, na Índia. Esses resultados também corroboram com os obtidos por Hickman
(2002) e Houx III et al. (2010), em experimentos de longa duração envolvendo práticas
de cultivo conservacionistas e convencionais, na cultura da soja, por 18 e 20 anos,
respectivamente, em Latossolos muito argilosos. Segundo Rheinheimer et al. (2000),
nos solos cultivados sob rotação e na sucessão trigo/soja, aveia/milho, há recuperação
de P e demais nutrientes aplicados não havendo muitas vezes necessidade de aplicação
de P ou, em caso de manutenção, a aplicação de doses inferiores via adubação.
Marcolan (2006), comparando o suprimento e absorção de P pela soja, em distintos
sistemas de manejo, constatou resultado similar ao obtido nesse experimento. Diferente
desses resultados, De Maria et al. (1999) não encontraram acréscimos de produtividade
da soja, em distintos sistemas de manejo estabelecidos há 10 anos em Latossolo
argiloso. Colomb et al. (2007) também não encontraram diferenças em produtividades
com o acréscimo de P, num experimento no sul da França, após 36 anos de rotação.
Lins et al. (1989), Nolla (2003), Schlindwein & Gianello (2005), Broch et al (2008) e
Valadão Junior et al. (2008) notaram aumentos de produtividade dessa leguminosa
frente à adição de doses crescentes de superfosfato triplo, porém em Latossolos ácidos
35
com carência de P, o que não confere com esse experimento, visto que os teores de P
iniciais foram considerados suficientes para a cultura da soja.
A produtividade da soja deste experimento não está condizente com os teores de
P no solo, onde, para todos os sistemas, os valores de P estão acima do valor limite da
classe “bom” considerado superior a 3 mg kg-1 (TECNOLOGIAS…, 2011). A maior
produtividade encontrada no SPC foi obtida nas parcelas onde foram aplicados 180 kg
ha-1 de P2O5 (Tabela 3).
Após a adubação e a extração realizada pela soja, houve alterações nos teores e
P no solo, as quais podem ser observadas na Tabela 4, para o extrator Mehlich I e na
Tabela 5 para a Resina trocadora de íons.
Tabela 4. Teor de P nas camadas de 0 a 0,1 m e de 0,1 a 0,2 m de um Latossolo
Vermelho, submetido a sistemas de manejo durante 16 anos, amostrado após a colheita
da cultura da soja, safra 2010/11, determinado pelo método Mehlich I, em Dourados,
MS.
Sistema de
manejo
ILP
SPD
SPC
CV (%)
ILP
SPD
SPC
CV (%)
Camada
amostrada
(m)
0 a 0,1
0,1 a 0,2
0
Dose de P2O5 (kg ha-1 P)
30
60
120
180
-3
Teor de P no solo (mg dm )
15,17 b
77,00 a
19,10 b
35,40
11,87 b
23,47 a
11,12 b
16,75
30,82 b
51,17 a
27,97 b
17,48
13,35 b
23,95 a
10,27 b
21,67
42,10 b
85,70 a
57,45 b
32,26
18,45 b
33,97 a
11,80 b
17,86
58,85 b
89,20 a
49,47 b
12,10
21,32 a
27,37 a
14,27 b
23,56
52,50 b
84,82 a
55,42 b
13,67
25,67 a
32,00 a
19,02 b
29,87
Para cada dose de fósforo e camada, médias seguidas pela mesma letra minúscula, na coluna, não diferem entre si pelo
teste de Tukey, a 5% de probabilidade. SPD: Sistema Plantio Direto, ILP: Integração lavoura-pecuária, SPC: Sistema
preparo convencional.
Tabela 5. Teor de P nas camadas de 0 a 0,1 m e de 0,1 a 0,2 m de um Latossolo
Vermelho, submetido a sistemas de manejo durante 16 anos, amostrado após a colheita
da cultura da soja, safra 2010/11, determinado pelo método da Resina trocadora de íons,
em Dourados, MS.
Sistema de
manejo
ILP
SPD
SPC
CV (%)
ILP
SPD
SPC
CV (%)
Camada
amostrada
(m)
0 a 0,1
0,1 a 0,2
0
Dose de P2O5 (kg ha-1 P)
30
60
120
180
-3
Teor de P no solo (mg dm )
18,67 b
85,77 a
38,15 b
26,66
14,15 b
45,95 a
25,75 b
28,34
42,00 b
88,03 a
81,78 a
19,08
16,57 b
34,10 a
19,17 b
13,94
67,63 b
105,05 a
81,33 b
27,93
22,92 b
45,87 a
26,15 b
20,53
94,72 b
113,42 a
79,97 b
13,80
46,25 a
51,35 a
29,80 b
21,19
92,17 b
115,17 a
86,62 b
12,38
59,17 a
63,20 a
32,45 b
25,33
Para cada dose de fósforo e camada, médias seguidas pela mesma letra minúscula, na coluna, não diferem entre si pelo
teste de Tukey, a 5% de probabilidade. SPD: Sistema Plantio Direto, ILP: Integração lavoura-pecuária, SPC: Sistema
preparo convencional.
36
De acordo com a Tabela 4, no SPD, os teores de P foram maiores, em todas as
doses de P aplicadas e testemunha, comparados ao ILP e SPC, que não se diferiram
estatisticamente entre si. Resultado semelhante foi obtido extraindo P pela Resina nas
mesmas camadas amostradas (Tabela 5). Teores adequados de P após a colheita, em
sistemas conservacionistas, podem ser explicados pela adição de C orgânico e à
manutenção dos resíduos em superfície favorecem a decomposição lenta e gradual destes
resíduos, que contêm macro e micronutrientes, em formas orgânicas lábeis, que podem se
tornar disponíveis para a cultura subsequente, mediante a sua mineralização (Calegari,
2004).
No ILP, valores menores de P podem ser atribuídos pela ausência de aplicação
de adubos no período de pastagem somado ao conteúdo de P extraído pela cultura da soja
na safra 2010/11. Para Sousa et al. (2002), teores de P no solo acima de 6,0 mg dm3, são
considerados elevados para solos argilosos (teor de argila > 60%), sendo assim não
haveria necessidade de aplicação de P, em grandes quantidades, para a futura safra. Sousa
et al. (1987b) verificou que o SFT na forma de grão possui maior efeito residual que em
pó, ao cultivar soja em latossolo muito argiloso sob diferentes sistemas de cultivo, sendo
que no sistema conservacionista menores doses de P garantiram maior efeito residual que
no sistema em que houve revolvimento.
Observou-se diminuição dos teores de P, pelos dois extratores, nas camadas
subsuperficiais (0,1–0,2 m) sob SPD (Tabelas 4 e 5). De acordo com o trabalho
realizado por Pavinato & Rosolem (2008) é normal observar o aumento na
disponibilidade de P no solo, com a adição de resíduos vegetais, tanto pelo P presente
no resíduo como por competição de compostos orgânicos dos resíduos pelos sítios de
troca no solo. Esses resultados corroboram com os obtidos por Pauletti et al. (2009)
após 6 anos de adoção do SPD. Nos sistemas conservacionistas isso ocorre devido à
decomposição de resíduos vegetais depositados na superfície do solo, como caso desse
experimento, ao longo dos 16 anos de cultivo. Nunes (2010) observou resultados
similares ao extrair P de solos com 14 anos de cultivo em SPD e SPC. Esses resultados
similares foram obtidos por Rheinheimer & Anghinoni (2001). Segundo os autores, a
redistribuição de P no perfil do solo ocorre em virtude da homogeneização
proporcionada a cada revolvimento anual do arado de discos, independente do modo de
aplicação do adubo. Ao comparar os dois métodos de extração de P notou-se que a
resina apresentou melhor correlação ao associar os teores de P no solo com o P
37
absorvido pela planta encontrado na folha da soja nas camadas superficiais (0–0,1 m) e
subsuperficiais (0,1–0,2 m) em todos os sistemas de manejo (Figuras 2, 3, 4, 5, 6 e 7).
A
B
Figura 2. Relação entre os teores de P extraídos por Mehlich I, nas profundidades de 00,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada sob ILP.
A
B
Figura 3. Relação entre os teores de P extraídos por resina trocadora de íons, nas
profundidades de 0-0,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada
sob ILP.
A
B
Figura 4. Relação entre os teores de P extraídos por Mehlich I, nas profundidades de 00,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada sob SPD.
38
A
B
Figura 5. Relação entre os teores de P extraídos por resina trocadora de íons, nas
profundidades de 0-0,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada
sob SPD.
A
B
Figura 6. Relação entre os teores de P extraídos por Mehlich I, nas profundidades de 00,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada sob SPC.
A
B
Figura 7. Relação entre os teores de P extraídos por resina trocadora de íons, nas
profundidades de 0-0,1 m (A) e 0,1-0,2 m (B) e os teores de P na folha de soja cultivada
sob SPC.
No caso do SFT os maiores teores encontrados pela Resina residem,
principalmente na minimização da readsorção de P pela argila durante a extração, fato
que ocorre na extração por Mehlich I e que leva a adotar para este extrator classes de
acordo com o teor de argila para compensar este efeito (SOUSA et al., 2004). Inocêncio
et al. (2010) notaram eficiência ao utilizarem o método Mehlich I em Latossolo
39
vermelho distroférrico após a colheita de milho, em Dourados, MS. Teoricamente, a
utilização da Resina na determinação de P extraível do solo corrigiria ou minimizaria os
problemas de superestimar o disponível (NOVAIS et al., 2007), uma vez que sua
dinâmica de extração se assemelha com a absorção pela raiz sendo capaz de acessar
apenas o P considerado lábil (RAIJ, 2004). No presente estudo, ao se comparar os dois
métodos de análise, pode-se verificar que o método da Resina discriminou os teores de
P no solo, conforme as classes definidas de disponibilidade de P (TECNOLOGIAS...,
2011).
CONCLUSÕES
Não há resposta em produtividade da soja frente à adição de P em Latossolo
vermelho distroférrico sob sistema plantio direto e integração lavoura-pecuária, em
solos com altos teores de P.
Os sistemas de manejo influenciam na produtividade da soja, sendo esta maior
em sistemas conservacionistas, e na dinâmica de P no solo.
O sistema de Integração-lavoura-pecuária assegurou elevada produtividade da
leguminosa no experimento, mesmo sem adição de adubo no período de pastagem, por
dois anos consecutivos.
A resina trocadora de íons apresentou melhor que o método Mehlich I, após a
colheita da soja, nos três sistemas de manejo.
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adubação fosfatada na cultura da soja em latossolo