XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 Análise da aplicação de diferentes métodos de custeio em uma sociedade cooperativa de produção agrícola Júlio Alberto Wickert (UNOESC) [email protected] José Leônidas Olinquevitch (FURB) [email protected] Osmar Coronado (Dr. em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP) [email protected] Resumo As sociedades cooperativas representam uma parcela importante no contexto econômico brasileiro, sendo por inúmeras invocadas pelos administradores públicos como uma alternativa viável a grupos de cidadãos que vivem à margem do capital produtivo. As cooperativas são entidades com características próprias, mas necessitam de gerenciamento profissional, sob pena de sucumbirem ao capitalismo voraz trazido pela globalização mundial dos negócios. Este estudo procura entender o comportamento dos resultados com a aplicação de diferentes métodos de custeio em uma cooperativa de produção agrícola. Para o alcance deste objetivo, realizou-se estudo exploratório, procurando compreender os procedimentos e a forma de gestão destas sociedades. Para tal, descreve-se as características básicas de uma cooperativa de produção agrícola, classifica-se as despesas e custos que compõem as atividades de uma cooperativa de produção agrícola, aplica-se os diferentes métodos de custeio e analisa-se os resultados obtidos com a aplicação proposta. Palavras-chave: Sociedades cooperativas; custos; métodos de custeio. 1. Introdução Neste artigo, que é uma a síntese do trabalho de conclusão do Curso de Mestrado em Ciências Contábeis, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da FURB (Universidade Regional de Blumenau), buscou-se analisar os métodos, bem como testar a sua aplicação numa cooperativa de produção agrícola, mais especificamente na área de produção de cereais. Entenda-se por produção os aspectos que envolvem diretamente a cooperativa no processo produtivo, que no caso pesquisado é tão somente a secagem, a limpeza, o armazenamento e a conservação da produção de seus associados. 2. Fundamentação teórica 2.1. Sociedades cooperativas O cooperativismo é uma das formas mais evoluídas do associativismo. O associativismo nasceu junto com o homem e provém da necessidade da união para vencer as agruras e os desafios do mundo real. “O cooperativismo foi idealizado por vários precursores e aconteceu de fato em 1844, quando 28 tecelões do bairro de Rochdale, em Manchester na Inglaterra, criaram uma associação que, mais tarde, seria chamada de Cooperativa” (PEREIRA, 1993). Pode-se, caracterizar a cooperativa como uma associação de pessoas com interesses comuns, organizada economicamente e de forma democrática, com a participação livre de todos os que têm idênticas necessidades e interesses, com igualdade de deveres e direitos para a execução de quaisquer atividades, operações ou serviços. 2.2. Terminologia dos custos Para melhor desenvolvimento do estudo faz-se necessário um melhor entendimento da ENEGEP 2005 ABEPRO 1992 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 terminologia dos custos, que segundo Martins (1998), é composta basicamente por três palavras - gastos, custos e despesas - e elas se confundem com desembolsos. Com a abordagem individualizada desses conceitos, procura-se entender as diferenças entre os mesmos. Leone (2000) define gastos como “compromisso financeiro assumido por uma empresa na aquisição de bens ou serviços, o que sempre resultará em uma variação patrimonial seja apenas qualitativa no início e certamente quantitativa em seguida”. Está intrínseca a idéia de que os investimentos são feitos para o alcance do objetivo da empresa e, dessa forma, estes, quando consumidos, tornar-se-ão custos ou despesas. Para Atkinson et al. (2000), custo é definido “como o valor monetário de bens e serviços gastos para se obter benefícios reais ou futuros”. Os autores em tela também dão uma conotação de que os custos referem-se a sacrifícios necessários para a obtenção de receitas futuras; não divergem seus pensamentos daqueles que anteriormente já foram mencionados. As despesas são gastos com características diferenciadas dos custos, pois não há relação direta com a produção, não fazem parte, mesmo que indiretamente, do processo produtivo da entidade. São dispêndios necessários para que a companhia atinja a etapa final de seu objetivo, a comercialização, que é quando se gera efetivamente as receitas. A linha de pensamento sustentada por Maher (2001), e de que despesas são “um custo lançado contra a receita de determinado período contábil; assim, as despesas são deduzidas das receitas do período em questão”. 2.3. Classificação dos custos Não há unanimidade entre os estudiosos com relação a essa matéria, mas segundo Megliorini (2001), os custos podem ser classificados “quanto aos produtos fabricados”, que são os custos diretos e indiretos, que é adotada para alocar os custos quantos aos produtos fabricados e “quanto ao comportamento em diferentes níveis de produção”, que são os custos variáveis e custos fixos e, está relacionada ao nível de produção da indústria, isto é, ao volume de produção alcançado pela unidade produtora, a quantidade de bens ou o volume de serviços gerados pela companhia. A seguir apresentam-se definições em relação às subdivisões apresentadas. Os custos diretos são aqueles que podem ser alocados diretamente às unidades produzidas, sem que para isso haja dificuldades de identificação dos custos que compõem determinado produto. Para Atkinson et al. (2000), os custos diretos são custos “que podem ser identificados diretamente ao produto”. Os mesmos autores destacam que esses “são transferidos aos produtos baseados na quantidade mensurada de recursos para sua produção”. Portanto, não há necessidade de mecanismos para a distribuição deles. Custos indiretos referem-se aos gastos que são debitados ao processo produtivo, sem que haja a possibilidade de apropriação direta aos produtos. Na concepção de Horngren, Foster e Datar (2000), os custos indiretos que estão relacionados com um determinado objeto de custo mas não podem ser identificados com este de maneira economicamente viável. Os custos indiretos são alocados ao objeto de custo através de um método de locação de custo denominados rateios. Os custos variáveis estão diretamente relacionados com a quantidade produzida, levando em consideração tão somente os fatores de produção. Para Iudícibus (1991), custos variáveis são os custos que “variam na mesma proporção das variações ocorridas no volume de produção ou outra medida de atividade”. Percebe-se que a conceituação desse autor está diretamente. E, por fim, os custos fixos que são aqueles que existem independente de existir produção e ENEGEP 2005 ABEPRO 1993 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 que não variam em função das quantidades que efetivamente são produzidas. De acordo Horngren (1985), os custos fixos são “custos que não variam no total, mas que vai diminuindo unitariamente com o aumento do volume”. Esse fenômeno é percebido quando da análise dessa variação. Se não há variação nas unidades monetárias e sim variação nas unidades produzidas, portanto, cada vez mais se terá uma redução no valor unitário se houver variação positiva, o efeito será contrário se a produção for reduzida. 2.4. Métodos de custeio O desafio da contabilidade de custo deve ser o de encontrar a melhor forma de atribuir o ela valor aos produtos, esse desafio está centrado principalmente nos custos indiretos de fabricação. Para Nascimento (1980), métodos de custeios correspondem “às alternativas de que dispõe a contabilidade de custos para valoração dos estoques e determinação do resultado do período”. Neste estudo enfatiza-se aplicação de quatro métodos de custeio, quais sejam: Custeio por absorção, custeio direto, custeio ABC (Activity-based consting) e custeio padrão, as conceituações são apresentadas a seguir. O método de custeio por absorção tem como principal característica a absorção integral de todos os custos incorridos (quer seja esse custo fixo quer seja variável) na produção em custo dos produtos acabados. A ênfase recai no rateio dos custos indiretos de fabricação, que são custos fixos. Para Horgren Foster e Datar (2000), o método de custeio por absorção “é o método de custeio do estoque no qual todos os custos de fabricação, variáveis e fixos, são considerados custos inventariáveis. Isto é, o estoque absorve todos os custos de fabricação”. O método de custeio direto, que por vezes é denominado de método de custeio variável ou método de custeio marginal, é normalmente utilizado para a geração de informações gerenciais, este método baseia-se na premissa de que farão parte do custo dos produtos fabricados somente os custos variáveis. Padovese (2000) ao reportar-se ao o método de custeio direto destaca que “este método de custeio utiliza-se apenas dos custos e despesas que têm relação proporcional e direta com a quantidade de produtos”. O método de custeio baseado em atividades tem seu surgimento mais recente. Este método é basicamente focado na distribuição dos custos às atividades e posteriormente, por meio de métodos próprios, ou seja, os direcionadores de custos (cost driver), atribuí-los aos produtos, procurando, assim, segundo os seus defensores, eliminar as distorções causadas pelos sistemas de rateios presentes em outros métodos de custeio. Tidos quase que por unanimidade como os precursores do ABC, Kaplan e Cooper (1998) definiram o método de custeio baseado em atividades, como o método que permitiu “que os custos indiretos e de apoio fossem direcionados primeiro a atividades e processos e depois a produtos, serviços e clientes. Os sistemas proporcionaram aos gerentes um quadro mais nítido dos aspectos econômicos envolvidos em suas operações”. Diferentemente do que o método de custeio por absorção, que o utiliza critérios de rateio, o método de custeio baseado em atividades, utiliza-se de direcionadores de custos, para alocação dos custos indiretos aos produtos fabricados. Nakagawa (1994) explica que cost driver “é uma transação que determina a quantidade de trabalho (não a duração) e, através dela, o custo de uma atividade”. De outra maneira, o autor afirmar que “o cost driver é um evento ou fator causal que influencia o nível e o desempenho de atividades e o consumo resultante de recursos”. Assim, entende-se por direcionador de custos o mecanismo que faz, em uma primeira etapa, a locação dos recursos despendidos no processo fabril e/ou de serviço às atividades inerentes a sua execução; e, em segunda etapa, a alocação dos custos das atividades aos produtos propriamente ditos, completando o custeamento a que o método ABC ENEGEP 2005 ABEPRO 1994 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 se propõem. O método custeio padrão fundamenta-se inicialmente em atribuir com a maior precisão possível os custos que comporão determinado bem ou serviço. Embasado nessa orientação, o custo padrão servirá como ferramenta para controle e comparação dos desempenhos futuros. Em um sentido de controle dos custos, Vanderbeck e Nagy (2001) definem que “padrão é uma norma com a qual o desempenho real pode ser medido. O objetivo em estabelecer padrões é o de medir eficiência e monitorar custos ao atribuir responsabilidades para desvio padrão”. 3. Metodologia da pesquisa Nesta sessão, apresenta-se o método utilizado para o alcance dos objetivos da presente pesquisa. Inicia-se com as perguntas da pesquisa, que é a forma interrogativa dos objetivos específicos a que se a que se propõe este trabalho. Na seqüência, apresenta-se o delineamento da pesquisa, o objetivo de estudo e os elementos de análise, a coleta e análise de dados, e finalmente as limitações desta pesquisa. 3.1 Perguntas da pesquisa O presente estudo procura fazer uma análise comparativa dos resultados com a aplicação de diferentes métodos de custeio (absorção, variável, padrão e ABC), em uma cooperativa de produção agrícola. Com esta investigação procurou-se responder às seguintes indagações: a) Quais são as características básicas de uma cooperativa de produção agrícola, na área de cereais? b) Como se classificam os custos e as despesas que compõem as atividades de uma cooperativa de produção agrícola? c) Qual o comportamento dos custos dos produtos com a aplicação de diferentes métodos de custeio? d) Como se apresenta o resultado da cooperativa, com aplicação dos métodos de custeio abordados? 3.2 Delineamento da pesquisa A primeira parte do presente trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que, conforme Cervo e Bervian (1983), “procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos, [...] busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema”. Nesta fase da pesquisa, procurou-se explorar o conhecimento já existente, mais especificamente: a) levantamento de aspectos que deram origem ao cooperativismo, sua evolução histórica em termos globais, nacionais e regionais; b) compreensão dos principais preceitos norteadores do cooperativismo, o entendimento de suas doutrinas; c) familiarização de aspectos específicos relacionados às cooperativas agropecuárias de produção agrícola; d) revisão conceitual sobre a terminologia (gastos, custos e despesas) e a classificação dos custos (variáveis/fixos e diretos e indiretos); e) entendimento sobre os métodos de custeio que serão utilizados na presente pesquisa ENEGEP 2005 ABEPRO 1995 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 (absorção, variável, padrão e ABC). Na visão de Gil (1999) a pesquisa exploratória deve ser utilizada quando se quer proporcionar uma visão geral sobre de determinado fato. Portanto, este tipo de pesquisa será aplicado quando o tema escolhido não é muito explorado, impossibilitando ou ao menos dificultando a formulação de hipóteses. A aplicação da pesquisa exploratória fez-se com levantamento de dados, em uma cooperativa do segmento agrícola, sendo estes aplicados aos métodos de custeio estudados. Ao final, comparou-se o comportamento dos custos dos produtos e também a variação nos resultados obtidos com essa aplicação. 3.3 Objeto de estudo e elementos de análise Para Cervo e Bervian (1983), a população “pode referir-se a um conjunto de pessoas, de animais ou de objetos que representam a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um estudo”. Diante do entendimento desses conceitos, definem-se como população para o estudo proposto, todas cooperativas de produção agrícola, localizadas na região Oeste de Santa Catarina, pois estas possuem as mesmas características com relação à sua funcionalidade e, principalmente, em relação aos tipos de produtos que produzem. A amostragem, sob a ótica de Cervo e Bervian (1983), é “uma parte da população, selecionada segundo critérios que garantam sua representatividade”. Para a aplicação da proposta deste estudo, usam-se informações de uma cooperativa de produção agrícola, localizada no Meio-Oeste catarinense, que é a terceira cooperativa singular em faturamento no ranking estadual. 3.4 Coleta de dados A aplicação e adaptabilidade dos métodos de custeio efetuaram-se embasadas em dados de uma cooperativa do segmento. Essa coleta é o resultado de pesquisas in loco, efetuadas no sistema de informações, de análise em documentos e relatórios e de entrevista com gestores da cooperativa. Contudo, no decorrer da pesquisa, verificou-se que parte dos dados não apresentavam condições adequadas para a aplicação do estudo, fazendo-se necessário, então, a formatação desses dados para aplicação. Outros dados, em função do caráter informativo e estratégico que possuem, e, por solicitação da empresa, não puderam ser divulgados integralmente. Procurou-se assim estabelecer formas e critérios que levaram a dados que, mesmo não sendo os reais, não prejudicassem a pesquisa proposta. Há, portanto, integridade nos dados sob o ponto de vista da análise deste estudo. 3.5 Análise e interpretação dos dados O estudo propõe estudar as características básicas das cooperativas do segmento agrícola, entender e classificar as despesas e os custos desse ramo de atividade, testar a aplicabilidade e a adaptação de diferentes métodos de custeios, procurando identificar as variações dos custos dos produtos e os resultados da cooperativa. Nesse contexto, fez-se um estudo exploratório na cooperativa do segmento e a análise dos dados foi efetuada por meio de comparação dos resultados obtidos, em que se procurou identificar e interpretar os motivos dessas variações. O enfoque dessa interpretação e análise foi, sobretudo, para solucionar as interrogações da pesquisa. ENEGEP 2005 ABEPRO 1996 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 4. Conclusões Nesta pesquisa, fez-se uma análise comparativa dos resultados, com a aplicação de diferentes métodos de custeio em uma cooperativa de produção agrícola. Em termos específicos, objetivou-se: descrever as características básicas de uma cooperativa de produção agrícola, na área de cereais; levantar e classificar os custos e as despesas que compõem as atividades de uma cooperativa de produção agrícola; testar a aplicabilidade de diferentes métodos de custeio em uma cooperativa de produção agrícola na área de cereais; e fazer análise dos resultados obtidos com as aplicações dos diferentes métodos. Como base nos estudos e nas análises desenvolvidas, passa-se a apresentar as conclusões relacionadas às perguntas de pesquisa que nortearam o presente trabalho. a) Quais são as características básicas de uma cooperativa de produção agrícola, na área de cereais? As cooperativas de produção agrícola são sociedades de pessoas, formada por produtores agrícolas, que, de forma organizada, procuram maximizar os seus resultados individualmente. A participação da cooperativa nesse processo está no que pode ser denominado a terceira etapa do processo de produção dos agricultores, que é a secagem, o beneficiamento e o acondicionamento da produção; sendo a primeira fase o plantio e o cultivo dos cereais, e a segunda fase a colheita e o transporte até os armazéns das cooperativas, estas sob responsabilidade dos produtores. Outra função importante da cooperativa nesse processo de agregação de valores para a maximização de resultado está na industrialização dos cereais, que, no caso das cooperativas agrícolas, normalmente são a produção de leite e suínos, atividades que consomem a proteína existente nos cereais produzidos pelas cooperativas. Também deve ser destacada a importância da cooperativa na comercialização dos cereais, mesmo que de forma in natura. Com o volume coletado na cooperativa, esta consegue formar grandes lotes para a comercialização nos mercados interno e externo, aumentando significativamente os preços de vendas. A intermediação na comercialização dos insumos agrícolas, necessários para a produção dos seus associados, é também uma atividade importante para eles, pois ocorre aí a possibilidade de redução dos preços; entra em cena novamente o volume de comercialização. b) Como se classificam os custos e as despesas que compõem as atividades de uma cooperativa de produção agrícola? Segundo dados coletados na cooperativa, aproximadamente 95% dos custos totais são classificados como custos variáveis. Desse montante 97% representa a aquisição de cereais, que pode ser considerado como o custo de matéria-prima. Cabe destacar que a unidade estudada não faz nenhum processo de industrialização, apenas recebe a produção, faz o beneficiamento (limpa e seca) e faz o acondicionamento (armazenamento e manutenção desse acondicionamento). Os custos variáveis de produção são principalmente: combustíveis – lenha, gás e óleo diesel; embalagens para o acondicionamento dos cereais; fretes e descargas – refere-se à movimentação interna dos cereais; produtos auxiliares – que são os consumos de componentes para a manutenção dos cereais armazenados. Os principais componentes dos custos fixos são: a mão-de-obra, depreciação, energia elétrica, serviços de manutenção e conservação; seguros. Com relação às despesas, percebe-se que, em torno de 57% são despesas fixas e o saldo é ENEGEP 2005 ABEPRO 1997 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 despesas variáveis. As principais despesas variáveis são: fretes e descargas sobre. As despesas fixas relacionadas são: gastos com pessoal, serviços terceirizados, serviços de manutenção e conservação, depreciação, propaganda e seguros. c) Qual o comportamento dos custos dos produtos com a aplicação de diferentes métodos de custeio? Inicialmente, deve-se ressaltar que a aplicação do método de custeio padrão ficou prejudicado em virtude de não se ter obtido uma satisfatória base de informações para tal, principalmente no aspecto de formação dos custos, no que tange à engenharia de produção. O estudo foi aplicado sobre uma base do passado, os dados da contabilidade de custos e da contabilidade financeira estavam todos disponíveis, porém não se encontrou ou, pelo menos, não foram disponibilizadas as informações relacionadas aos componentes de custos, para que se pudesse formatar o estudo. No que se refere ao comportamento dos custos, em relação à aplicação dos métodos de custeio, percebeu-se que houve poucas variações nos custos dos produtos e, conseqüentemente, nos custos das vendas dos produtos. O fato justifica-se pela pouca representatividade que possuem os custos fixos em relação ao total dos custos da empresa. Percebe-se que o problema dos sistemas de custeamento está na alocação dos fixos ou indiretos aos produtos acabados. Assim, como esses custos são pouco representativos, eventuais distorções ocorridas no processo de rateio ou direcionamento dos custos das atividades não alteraram substancialmente os custos dos produtos entre si. Percebeu-se, ainda, que houve redução significativa nos custos médios de produção, causado pela redução nos custos de aquisição dos cereais. Não houve, no entanto, interferência dos métodos de custeios aplicados. Assim, com o resultado obtido da aplicação dos diferentes métodos de custeio, conclui-se que, se os custos fixos não forem representativos, a aplicação de diversos métodos de custeio não altera significativamente o valor dos custos médios dos produtos. d) Como se apresenta o resultado da cooperativa com aplicação dos métodos de custeio abordados? A aplicação de diferentes métodos de custeio desencadeou também em diferentes resultados para a cooperativa. O fato é justificado pela existência de diferentes critérios na apropriação dos custos aos produtos. Entende-se que os resultados devem ser analisados cada qual para o seu fim específico, ou seja, formatações diferentes encontradas nos resultados devem ser utilizadas para finalidades diferentes. O resultado obtido pelo método de custeio por absorção deve ser utilizado para fins fiscais e societários, como determinam, inclusive, os princípios fundamentais de contabilidade. O resultado obtido pelo método de custeio direto deve ser utilizado para finalidades gerenciais, pois a eles estão vinculadas outras ferramentas de apoio, como ponto de equilíbrio e margem de contribuição, principalmente, no caso em que custos fixos não são representativos no contexto. Quando o resultado for obtido pelo método de custeio baseado em atividades - ABC, pode ser utilizado com a finalidade de gerenciamento das atividades na empresa; deve-se, para tal, observar rigorosamente as definições das atividades que absorverão os custos fixos, como também definir criteriosamente os direcionadores de custos que farão apropriações desses custos aos produtos. Outra finalidade para o resultado obtido pelo método de custeio baseado em atividades - ABC poderia ser a distribuição dos resultados das cooperativas. Conseguiu-se ENEGEP 2005 ABEPRO 1998 XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005 comprovar esse fato com a aplicação do método, pois observaram-se mudanças significativas entre os resultados dos produtos causados pelas diferentes formas de apropriação de custos fixos aos produtos. Entende-se que, ao se fazer a distribuição dos resultados proporcionalmente aos valores apurados em cada produto, estaria beneficiando-se os associados que efetivamente geraram aqueles resultados, na proporção exata desses valores. Com relação ao resultado obtido pelo método de custeio padrão, ele deve ser utilizado especificamente para o planejamento das atividades e para o controle dos custos de produção. Para tanto, deve-se observar rigorosamente todas as características inerentes ao método. REFERÊNCIAS ATKINSON, A.A., et al. (2000) - Contabilidade Gerencial. Tradução André Olímpio Mosselman e Du Chenoy Castro. Atlas. São Paulo. CERVO, A.L. & BERVIAN, P.A. (1983) - Metodologia científica. McGraw-Hill do Brasil. 3ª edição. São Paulo. GIL, A.C. (1999) - Métodos e técnicas de pesquisa social. Atlas. 5ª edição. São Paulo. HORNGREN, C.T. (1985) - Introdução à contabilidade gerencial. Tradução José Ricardo Brandão Azevedo. PHB – Prentice/Hall do Brasil. 5ª edição. Rio de Janeiro. 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