0
UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL
FABIANA MONHON
ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA
COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE
TRÊS DE MAIO (RS)
Ijuí (RS)
2012
1
FABIANA MONHON
ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA
COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE
TRÊS DE MAIO (RS)
Monografia apresentada ao Curso de Graduação
em Economia, do Departamento de Ciências
Administrativas, Contábeis, Econômicas e da
Comunicação
(DACEC),
da
Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do
Sul (UNIJUÍ), requisito parcial para obtenção do
título de Bacharel em Economia.
Orientadora: Ms. Marlene Köhler Dal Ri
Ijuí (RS)
2012
2
A Banca Examinadora abaixo-assinada aprova a Monografia:
ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA
COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE
TRÊS DE MAIO (RS)
elaborada por
FABIANA MONHON
como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Economia.
Ijuí (RS), 05 de dezembro de 2012.
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________
Ms. Marlene Köhler Dal Ri
Orientador
_______________________________________
Prof.
Examinador Titular
3
RESUMO
A oferta de crédito no Brasil nos últimos anos vem crescendo e merece atenção especial. O
crédito para veículos é um exemplo disso, e apresenta crescimento expressivo nos últimos
anos, chegando a 20% do PIB industrial, passando a ser um dos setores que mais faz
investimentos no país. O Brasil se tornou o 3° maior mercado automobilístico do mundo,
ficando atrás apenas da China e dos EUA. O tema do presente estudo tem como objetivo
analisar a participação da Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste RS no mercado de
financiamento de veículos no município de Três de Maio (RS). O estudo permitiu concluir
que a participação neste mercado chega a 18% dos veículos financiados. Foi possível também
identificar que a preferência nos financiamento é por veículos usados, com representatividade
de 69%. O estudo se caracteriza como pesquisa exploratória e descritiva, pois busca estudar e
descrever dados sobre o crédito de veículos e a participação da instituição financeira no
mercado em análise.
Palavras-chave: Crédito. Participação de mercado. Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste
de Três de Maio/RS.
4
LISTA DAS SIGLAS
BACEN
–
Banco Central do Brasil
CADIN
–
Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades
Federais
CEPAL
–
Comissão Econômica para a América Latina
CMN
–
Conselho Monetário Nacional
PIB
–
Produto Interno Bruto
SAF
–
Sistema de Amortização Francês
SERASA
–
Centralização de Serviços dos Bancos S/A
SPC
–
Serviço de Proteção ao Crédito
5
LISTA DAS FIGURAS
Figura 1.
Figura 2.
Figura 3.
Figura 4.
Figura 5.
Figura 6.
Figura 7.
Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS..............
Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira Cooperativa de Crédito do
RS....................................................................................................................
Percentual de associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS......................
Financiamentos aprovados para aquisição de veículos pela Unidade de
Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS....................
Evolução mensal dos valores dos carros novos e usados – período de jan. a
jun. 2012..........................................................................................................
Valores totais a serem pagos anualmente à Unidade de Atendimento Três
de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS..................................................
Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de
Atendimento de Três de Maio, Cooperativa Sicredi Noroeste RS.................
34
35
39
41
42
45
48
6
LISTA DE QUADROS
Quadro 1.
Quadro 2.
Quadro 3.
Quadro 4.
Quadro 5.
Quadro 6.
Quadro 7.
Quadro 8.
Quadro 9.
Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)..........................
Distribuição dos associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS.............
Distribuição dos associados da Unidade de Atendimento Três de Maio –
Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS ............................................
Número total de veículos emplacados em Três de Maio, RS em 2012......
Número total de veículos financiados pela Unidade de Atendimento da
Sicredi Noroeste RS, 3 de Maio, RS - 1º semestre 2012............................
Valor total de financiamentos de veículos pela Unidade de Atendimento
Três de Maio – 1º semestre 2012................................................................
Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros novos
junto à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi
Noroeste RS................................................................................................
Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros
usados junto à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa
Sicredi Noroeste RS...................................................................................
Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de
Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS................
30
38
40
40
40
41
43
44
48
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 11
1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ........................................................................ 11
1.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) ........................................................................... 13
1.3 RENDA ......................................................................................................................... 14
1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR ................................................................. 15
1.5 CRÉDITO ...................................................................................................................... 17
1.5.1 Análise do crédito ...................................................................................................... 20
1.5.2 Limite de crédito ....................................................................................................... 22
1.5.3 Análise de crédito pela cooperativa .......................................................................... 23
1.5.4 Custo do crédito bancário ......................................................................................... 24
1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS ............................................................. 25
1.6.1 Juros bancários ......................................................................................................... 26
1.7 FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS ............................................................................ 27
1.8 TABELA PRICE............................................................................................................ 28
1.8.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price ................................ 28
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................................... 31
2.1 CLASSIFICAÇÃO DO ESTUDO .................................................................................. 31
2.2 TIPOS DA PESQUISA .................................................................................................. 32
2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS .............................................................. 32
2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ........................................................... 32
3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ......................................................................... 33
3.1 HISTÓRICO DA COOPERATIVA SICREDI................................................................ 33
3.1.1 A Sicredi no Brasil..................................................................................................... 33
3.1.2 Sicredi Noroeste RS ................................................................................................... 36
3.1.3 Missão da Sicredi Noroeste RS ................................................................................. 38
3.1.4 Visão da Sicredi Noroeste RS.................................................................................... 38
3.1.5 Valores da Sicredi Noroeste RS ................................................................................ 38
3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS ............................................................................... 39
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 46
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 50
ANEXOS ............................................................................................................................ 53
8
INTRODUÇÃO
Nos tempos atuais não só o mercado brasileiro como também as grandes corporações
passam por um período em que o setor financeiro ocupa posição privilegiada e está entre os
mais lucrativos do mercado capitalista mundial. Seus produtos, indispensáveis ao
desenvolvimento de qualquer empreendimento empresarial, também se firmam como
necessários e até fundamentais para a manutenção da economia e da família que hoje já não
passa sem um produto financeiro de crédito.
Em se tratando de operações de crédito com alta lucratividade, as instituições
financeiras utilizam ferramentas fortíssimas de marketing, disponibilizando-as de forma
acessível ao consumidor e, assim, despertando nele um grande desejo de consumo que vai
além das necessidades básicas de sobrevivência.
Dados obtidos na imprensa do Brasil anunciam diariamente o impacto causado pela
alta disponibilidade de crédito. Isso pode ser observado na alteração dos hábitos de consumo
da classe C, em maior grau, bem como das classes D e E, que provocaram alteração em todo
mercado financeiro. Essas três classes, que em 2006 correspondiam a 77% do total, tornaramse alvo da grande oferta de crédito, alavancando o consumo de produtos mais caros e com
prazos cada vez mais longos, os quais até então eram considerados supérfluos e
excessivamente caros.
No final de setembro de 2012 o volume de crédito do sistema financeiro brasileiro
fechou com crescimento de 15,8% em relação ao R$ 1,93 trilhão registrado em setembro de
2011, alterando a relação crédito/PIB de 47,4% para 51,5% na comparação dos períodos,
segundo dados fornecidos pelo Banco Central do Brasil (2012).
Propulsor do crescimento, o crédito aquece a demanda no mercado interno e atua
diretamente no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de bens e serviços
9
produzidos no País. Quando há crescimento na demanda de crédito esta é diretamente
proporcional ao aumento produtivo de bens e, por consequência, ao aumento da renda da
população, passando a empregar mais gente, o que melhora o nível de vida das pessoas que
passam a comprar mais.
Contudo, o público consumidor de crédito precisa ficar atento, pois a diversidade de
financiamentos e as instituições que atuam neste mercado são inúmeras e merecem atenção na
hora de fazer as contas. Fatores como taxas de juros, tarifas, prazos, sistema de amortização
devem ser levados em consideração ao tomar um crédito. A análise se torna fundamental para
saber se está sendo feito um bom negócio, tanto para pessoas jurídicas como físicas.
Neste contexto, o objetivo do presente estudo é analisar os financiamentos de veículos
concedidos pela Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS aos seus associados no período
de janeiro a junho de 2012.
O estudo tem ainda como objetivos específicos: a) caracterizar o ambiente de estudo e
realizar a coleta do referencial teórico acerca do tema em estudo; b) conceituar e analisar a
metodologia do crédito; c) analisar e verificar como se comporta o crédito para estes
associados da Cooperativa; d) analisar a participação de mercado da Cooperativa neste
município e o montante de juros gerados com as liberações do período.
Considerando todo o cenário até aqui apresentado, o presente estudo propõe ainda
responder a seguinte questão: qual o volume de financiamento de veículos concedidos pela
Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste aos seus associados no período do estudo e qual
sua participação de mercado no município de Três de Maio?
Existem pelo menos dois tipos de justificativa para a realização do presente estudo: a
de natureza econômica e a de cunho pessoal. Do ponto de vista econômico é muito importante
que as pessoas envolvidas diretamente no processo de liberação de crédito possam, mediante
análise econômica, ter uma visão geral do comprometimento dos associados durante todo o
período de existência do financiamento. Este conhecimento geral pode trazer benefícios
quanto às decisões e estratégias que necessitam ser tomadas no momento da concessão do
crédito. Do ponto de vista pessoal, o estudo interessa à acadêmica por estar trabalhando
atualmente em uma Cooperativa de Crédito, mais precisamente no Sicredi, pertencente à
região onde foi realizado o estudo. Sua realização permite a concretização de duas aspirações:
contribuir para a solução de problemas sociais e concluir sua graduação em Economia.
10
O estudo está estruturado em três capítulos. O primeiro é composto pela revisão
bibliográfica
do
tema, onde
são
apresentados os conceitos de
cooperativismo,
desenvolvimento econômico, renda, crédito, juros, financiamento de veículos, correção
monetária, entre outros, tendo por base a literatura de autores que se destacam nesta área.
No segundo capítulo apresenta-se a metodologia utilizada ao longo do estudo, em que
se apresenta a pesquisa, o tipo do estudo, os instrumentos de coleta de dados e a análise e
interpretação dos dados.
E, finalmente, no terceiro capítulo é apresentada a caracterização da instituição em
estudo e a planilha dos dados obtidos com a realização da pesquisa. Nas considerações finais
consta a conclusão a que se chegou com o estudo.
Esta pesquisa possibilita conhecimentos que contribuem para a atuação de
profissionais que desejam ter um referencial a respeito do assunto, bem como um meio de
gerar novas informações que dizem respeito ao tema.
11
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo visa a estudar o enfoque de alguns estudiosos a respeito do processo de
desenvolvimento econômico, crédito, consumo, juros, tabela Price e financiamento de
veículos. A partir desse embasamento teórico é possível analisar com maior segurança os
dados obtidos com a pesquisa foco deste estudo.
1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Estudos de Souza (1993, p. 18) revelam que o desenvolvimento econômico é definido
“[...] pelo aumento contínuo dos níveis de vida, incluindo maior consumo de produtos e
serviços básicos para o conjunto da população [...]”. O autor ainda define desenvolvimento
econômico como a combinação de crescimento sustentado, reestruturação produtiva com
aprofundamento tecnológico e melhores indicadores sociais da população em geral.
Traduzindo os conceitos expressos por Souza (1993), pode-se afirmar que se trata de
um processo em que a renda nacional real de uma economia cresce durante um determinado
período de tempo. Neste caso, a renda nacional pode ser entendida como o produto total de
bens e serviços gerados pelo país em termos reais e não monetários.
Nesse sentido, Souza (1993) explica que a expressão monetária de renda nacional é
corrigida por um índice apropriado de preço de bens de consumo e de capital e, caso o
desempenho da economia for superior ao da população, a renda real per capital também
aumentará. Esse processo de desenvolvimento reflete a atuação de forças que atuam durante
certo período de tempo, representando modificações em algumas variáveis. Contudo, mesmo
que os detalhes do processo variem sob diferentes condições no espaço e no tempo, algumas
características são básicas, favorecendo o crescimento do produto nacional, considerada uma
variação particular a longo prazo.
Conclui-se, então, que o desenvolvimento econômico aproxima a economia das
demais ciências, não se limitando ao crescimento da produção em uma região, mas tratando
especialmente de aspectos qualitativos referentes ao crescimento.
Nesse mesmo rumo Furtado (1964, p. 43) define o desenvolvimento econômico como
“[...] um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades
humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma
diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas”.
12
Furtado (1964) segue referenciando os estudiosos que se destacaram nos estudos da
dialética do desenvolvimento econômico e apresenta os nomes mais expressivos no tema.
Inicialmente apresenta o pensamento de Quesnay (1758), que por meio do seu estudo Tableau
Économiquerelacionou o sistema econômico à semelhança do funcionamento do organismo
humano. O autor explica que no século 18 a agricultura era considerada pelos fisiocratas
como uma atividade produtiva e que o desenvolvimento dependia do aumento da
produtividade agrícola. Nesse sentido, a redução de impostos era defendida enquanto que os
gastos supérfluos eram condenados, assim como tudo o que prejudicasse a comercialização
agrícola. O sistema visava à capitalização da agricultura e à geração de excedentes para levar
o desenvolvimento às demais atividades econômicas.
Outro autor igualmente destacado por Furtado (1964) foi Smith, que destacou a
acumulação de capital, o crescimento populacional e a produtividade da mão de obra como
responsáveis pelo desenvolvimento econômico, introduzindo assim a divisão de trabalho
como possibilidade de promover o progresso econômico.
Na sequência, Furtado (1964) apresenta os estudos de Ricardo, que defende as
inovações tecnológicas como responsáveis pelo desenvolvimento econômico. De outra banda,
decepcionou-se com os rendimentos decrescentes da agricultura com os quais trabalhou, uma
vez que a terra se tornou cada vez mais escassa em decorrência de sua exploração e do
crescimento populacional em relação ao estoque de capital.
Já para Schumpeter, também citado por Furtado (1964), distinguiu as noções de
estática e de dinâmica da economia, relacionando à primeira o fluxo regular da atividade e à
segunda a perturbação do ciclo vicioso da estabilidade provocada pelo investimento das
inovações tecnológicas. Demonstrou otimismo ao preconizar o desaparecimento dos
problemas sociais caso as economias tivessem um crescimento semelhante ao do passado.
Resumindo, Schumpeter considera o desenvolvimento econômico um fenômeno que surgiu
da própria esfera econômica, mas com características novas.
Esses conceitos históricos são confirmados por Bielschowsky (2000), os quais
permitem compreender que na América Latina e, particularmente no Brasil, os ideais de
desenvolvimento foram alavancados a partir dos estudos da Comissão Econômica para a
América Latina (CEPAL), cuja organização foi fundada nos anos 48 pela ONU e apoiada por
economistas preocupados com o desenvolvimento de suas nações.
13
Os estudos da CEPAL contribuíram no sentido de avaliar a divisão internacional do
trabalho, que dividia as nações de acordo com a disponibilidade dos fatores de produção. A
contribuição foi no sentido de mostrar o grau de dependência dos países ricos em recursos
naturais aos países industrializados, ricos em tecnologia e capital. Como resultado,
Bielschowsky (2000) apresenta a visão dos economistas em relação ao processo substituidor
de importação adotado pelas economias latinas para criar suas indústrias nacionais.
Para concluir, Shapiro (1994) afirma que se vive um período em que o
desenvolvimento econômico passa por ajustes institucionais, fiscais e jurídicos necessários
para obter incentivos aos investimentos e inovações, fornecendo condições para um sistema
eficiente de produção e distribuição de bens e serviços.
O próximo item trata do Produto Interno Bruto (PIB) e suas formas de cálculo e
aplicações.
1.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB)
Segundo entendimento de Gordon (2000), o Produto Interno Bruto (PIB) é um
indicador bastante utilizado na macroeconomia do país. Com o objetivo de calcular a
atividade econômica de uma região, o PIB representa a soma monetária de todos os bens e
serviços finais produzidos numa região, país, estado ou cidade durante um determinado
período de tempo.
Nesse sentido, portanto, o PIB pode ser entendido como uma medida de fluxo de
produção de um determinado período de tempo. Ele não mensura, no entanto, estoques de
capital (economia), considerados itens determinantes, como por exemplo, capital social,
humano, natural, etc.
Em sua apuração, o PIB leva em conta unicamente bens e serviços finais, não
considerando os bens de consumo intermediário. Ao agir dessa forma, evita-se o problema da
contagem repetida, ou seja, os casos em que os valores gerados na cadeia de produção são
contabilizados duas vezes no somatório do PIB.
Cabe neste momento apresentar a fórmula do cálculo do PIB de uma região:
PIB = C+I+G+X-M
14
Onde:
C = consumo privado
I = investimentos totais feitos na região
G = gastos dos governos
X = exportações
M = importações
A fim de facilitar a compreensão do cálculo de formação do PIB, apresentam-se os
estudos de Sandroni (2004, p. 459), em cuja ótica o Produto Interno Bruto é calculado a partir
das remunerações pagas no território econômico de um país. Ou seja, utiliza em sua fórmula o
cálculo dos salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos. Além disso, são considerados ainda
os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital, subtraindo-se os
subsídios desse montante.
O autor ainda refere que ao resultar da soma do consumo das unidades familiares e do
governo, acrescido das variações de estoque, menos as importações de mercadorias e serviços,
somadas as exportações, o PIB assume a designação de Despesa Interna Bruta.
Conclui-se daí que o PIB, embora sendo um indicador linear, pode demonstrar de
forma per capita, o montante que cada indivíduo receberia se a produção interna bruta fosse
distribuída igualmente entre os habitantes. Nesse caso, a fim de obter o PIB per capita dividese o seu valor pela população de uma determinada região, o que não é uma medida de renda
pessoal, uma vez que o PIB não considera o nível de desigualdade de renda de uma sociedade.
Dentro desse mesmo contexto, o item que segue faz referência à renda obtida com a
produção.
1.3 RENDA
A renda é conceituada por Vasconcellos e Garcia (2004) como a soma dos
rendimentos pagos aos fatores de produção para obter o produto num determinado espaço de
tempo, sendo composto de aluguéis, lucros, salários e juros.
Os autores ainda fazem referência à Renda Nacional, a qual conceituam como a soma
de todas as rendas provenientes dos fatores de produção no ano, ou seja, o custo dos salários e
ordenados, juros, aluguéis, lucros e transferências do Governo para o setor privado.
15
Conclui-se daí que ao gerar um volume de produção está se gerando também uma
renda correspondente que se transforma na capacidade de compra das pessoas. Nesse caso, a
fim de aumentar a capacidade de compra ou a demanda, a economia precisa aumentar a sua
produção e, em consequência, a sua renda. Depreende-se então que a melhoria da qualidade
de vida das pessoas é obtida mediante o crescimento contínuo da renda, que deverá superar a
maior taxa de crescimento da população.
Isso tudo leva a compreender que a riqueza de um país não pode ser medida pela
quantidade de recursos minerais que guarda em seu subsolo, mas sim pela sua capacidade de
gerar um volume de produção per capita. Em outras palavras, ao se aumentar um nível de
produção por meio de novos investimentos, aumenta-se também o nível de renda na
economia, uma vez que não há como gerar um volume de produção sem uma correspondente
geração de renda.
Em consequência da disponibilização de crédito surge o consumo, item que será
analisado no texto a seguir.
1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR
Segundo denotam os estudos de Stiglitz (2004), a economia possui duas interpretações
da teoria do consumo – uma microeconômica e outra macroeconômica. A primeira,
denominada microeconômica, estuda a função “consumo” e suas particularidades, como
gosto, moda, clima, preço dos produtos e demais variáveis que influenciam os consumidores.
Por outro lado, a segunda teoria, chamada macroeconômica, analisa a visão agregada, ou seja,
o lado estrutural e político ao invés das particularidades. O consumo, nesse ínterim, é uma
função do nível de renda recebida num determinado tempo, subtraídos os impostos. É esta
renda que estará à disposição das pessoas para ser consumida.
Aplicando esta teoria à prática percebe-se que a classe social caracterizada como rica
direciona uma parte de sua renda para o consumo e outra para a poupança. Já a classe social
caracterizada como pobre não consegue fazer uma poupança e direciona quase toda sua renda
para o consumo. Com isso, não consegue pechinchar no momento de fazer suas compras,
porque não consegue juntar o dinheiro para fazer uma compra à vista, ao contrário do que faz
a classe rica.
Estudos de Mansfield (1996) revelam que a propensão marginal a consumir calcula o
quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda
16
disponível em uma unidade monetária. O autor explica que esta propensão é definida como a
variação do consumo a uma nova renda disponível, que pode ser expressa em forma de
equação da seguinte maneira:
PMC=
dC
A fórmula apresentada anteriormente revela como as mudanças de consumo mudam à
medida que a renda se altera. Por outro lado, a análise keynesiana formula a seguinte
expressão para o consumo:
C = C0 + cYD
Conclui-se daí que a expressão acima seja válida para intervalos de variação dos
resultados nos casos em que a propensão marginal a consumir for constante.
Onde:
 C = Consumo
 C0 = Consumo autônomo ou fixo
 c = Propensão marginal a consumir
 YD = Renda disponível Y(1 − t)
 (1-c) = b = Propensão marginal a poupar
Ao refletir sobre o tema “propensão marginal a consumir” percebe-se a necessidade de
falar também da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Para tanto, apresenta-se os
estudos de Keynes (1990, p. 48), segundo o qual é possível descobrir que o volume de
emprego ocorre em função da interseção da função de oferta com a demanda. Em outras
palavras, “relaciona determinado volume de emprego com o produto das vendas que se espera
realizar desse volume de emprego”.
Keynes (1990) passa a relacionar os fatores objetivos da propensão marginal, que são
compostos pela variação do salário real, da diferença entre renda e renda líquida, das
variações imprevistas nos valores de capital não considerados no cálculo da renda líquida, da
17
relação de troca de bens presentes e futuros, da variação da política fiscal, das modificações
das expectativas acerca da relação entre os níveis presentes e futuros, da variação da política
fiscal, das modificações das expectativas acerca da relação entre os níveis presentes e futuros
da renda.
A seu ver, o autor deixa claro que a função consumo é bastante estável e que o
principal fator que o influencia é a renda, sendo os demais fatores subjetivos.
Em seguida Keynes (1990) faz referência aos fatores subjetivos, que são compostos
pela precaução (poupar para imprevistos), previdência (preparar-se para a velhice e outros
gastos futuros, desfrutar de gastos crescentes), independência (estar livre para fazer algo),
iniciativa (poupar para realizar sonhos, projetos de vida).
O autor refere que esses fatores variam de acordo com as instituições e a organização
da sociedade, com os hábitos quanto à raça, educação, convenções, religião e atitudes morais
correntes, com as esperanças atuais e a experiência passada, com a distribuição de renda, com
o nível de vida e com o estado da tecnologia. Ademais, os fatores subjetivos permitem
concluir que as variações de curto prazo no consumo dependem mais das alterações na renda
do que das variações da propensão a consumir.
Keynes (1990) conclui afirmando que, apesar de levarem o indivíduo a poupar, os
fatores subjetivos não influenciam o volume da poupança agregada, o qual resulta da
comparação entre a taxa de juros e a eficiência marginal do capital.
Após descrever algumas características do consumo e da propensão marginal a
consumir, o texto que segue analisa o crédito e suas concessões.
1.5 CRÉDITO
No entendimento de Santos (2003, p. 76), crédito é a troca de um valor presente por
uma promessa de reembolso futuro que, em função do risco, não é necessariamente certa. Em
suas palavras, o autor afirma que se trata da “modalidade de financiamento destinada a
possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes”. Dessa forma
compreende-se que a concretização das transações comerciais entre a organização e seus
clientes é o maior objetivo de uma empresa.
As instituições de crédito são sabedoras de que no momento em que um crédito é
concedido surge o risco agregado de todos os problemas e benefícios inerentes à transação. O
18
cenário econômico sofre constantes alterações, podendo ocorrer inclusive uma recessão
econômica e, consequentemente, a inadimplência, reduzindo as probabilidades de
recebimento de crédito, tanto por parte das empresas como de pessoas físicas.
Nesse sentido, Schrickel (2000, p. 112) expressa que “crédito é todo ato de vontade ou
disposição de alguémdestacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um
terceiro, com a expectativade que esta parcela volte a sua posse integralmente depois de
decorrido o tempo estimado”.
Em sua percepção, portanto, crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém em
ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta
parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo estipulado. O empréstimo
pode ser monetário ou em forma de bens para uso ou venda, e o seu pagamento pode ser
parcelado ou a vista (SCHRICKEL, 2000).
O crédito, contudo, é baseado em duas premissas fundamentais: confiança e tempo.
Neste caso, a confiança expressa a garantia de receber o montante emprestado, enquanto
tempo refere o prazo concedido entre a aquisição do crédito e a liquidação da dívida. O fator
“tempo” consta em todas as atividades econômicas do país, seja na compra de bens de
consumo por pessoas físicas, na reforma e manutenção de bens, nos gastos em saúde,
educação, lazer e moradia. Ou ainda entre pessoas jurídicas, seja na compra de matérias
primas, máquinas e equipamentos para produção de bens, bem como no financiamento do
comércio exterior e de seus clientes.
O crédito pode ser ampliado o que contribui para expandir os negócios já existentes.
Este pensamento sustenta o conceito moderno de maximização de lucros.
A realidade vivida hoje na economia é a facilidade de obtenção de crédito, tanto para
pessoas físicas como jurídicas, sendo responsável por alavancar o crescimento econômico.
Por um lado, essa facilidade de crédito proporciona maiores investimentos pelas empresas e a
aquisição de bens pelas famílias; por outro lado, entretanto, pode levar ao endividamento,
especialmente quando não há um planejamento adequado de retorno e pagamento da dívida.
É fundamental, portanto, a participação das instituições de crédito nesse cenário, as
quais são responsáveis pela liberação de crédito aos seus clientes.
Historicamente, no Brasil, a primeira instituição financeira foi criada em 1808, logo
após a chegada de D. João VI, e fechou em 1829, sendo chamada de “Banco do Brasil”. Após
alguns anos foi criada a primeira agência de crédito privada, chamada “Banco do Ceará”, que
19
também não durou e foi fechada três anos após. Em 1938 foi criado o primeiro banco
comercial no Rio de Janeiro, o qual teve sucesso e originou outros empreendimentos
semelhantes no país.
A história da origem das instituições financeiras nos Estados Unidos difere um pouco
das do Brasil, pois em 1811 aquele país já contava com 90 bancos e em 1813 eram 208 casas
de crédito. Enquanto isso, em 1851 o Brasil inaugurava o terceiro banco, sugerido por Irineu
Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá. Naqueles tempos o banco tinha a missão de ser
um instrumento poderoso em prol da riqueza da nação.
Enquanto isso, no setor cooperativo, a cidade de Rochdale, na Inglaterra, foi a pioneira
ao fundar, em 1844, a primeira caixa de crédito cooperativo do mundo. Tratava-se de uma
cooperativa de consumo e visava a organização dos tecelões, cuja jornada de trabalho chegava
a 15 horas por dia, reflexo do ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial.
No Brasil e na América Latina, essa espécie de cooperativa de crédito surgiu em 1902,
na cidade de Nova Petrópolis (RS), e hoje se constitui na Sicredi Pioneira RS. Na época ela
representava uma forma de organização econômica coletiva dos pequenos agricultores do sul
do país. Mais adiante, em 1925, foi criada a primeira Central de Caixas Rurais, chamada de
União Popular do Rio Grande do Sul, atual Sicredi Metrópolis RS.
Com a evolução industrial e a aceleração dos negócios as cooperativas de crédito
saíram do seu círculo imediato e passaram a financiar dívidas públicas. Hoje, com a
possibilidade do crédito bancário, este passou a movimentar a economia, garantindo o
comércio e os meios de troca. Os bancos, neste cenário, estão adiantando capital sob o risco
emitente de perdas com a não devolução do capital emprestado.
O crédito, nas palavras de Stiglitz (2004), detém a força da economia, ou seja,
determina os rumos da economia. A tal ponto isso é verdadeiro que a maioria das transações
comerciais não tem nada a ver com a moeda e sim com o crédito.
Ademais, no atual contexto da economia mundial, as instituições financeiras devem
ser capazes de criar formas de processamento das informações sobre os rumos do mercado
econômico, compreendendo assim as variações do crédito. E, ao liberarem empréstimos
precisam analisar as condições externas da política monetária, conscientes de que possuem
competência para aumentar o poder de compra da população e, consequentemente, alavancar
o mercado.
20
Dessa forma pode-se concluir que o crédito agiliza as atividades econômicas, ou seja,
é a troca no tempo e no espaço, permitindo a quem não dispõe de recursos financeiros a
comprar um produto ou realizar um serviço mediante a promessa de pagamento futuro
mediante o cálculo de juros.
Na prática, uma instituição financeira concede empréstimos aos seus clientes a partir
dos depósitos efetuados por seus clientes, constituindo-se num negócio mediante promessa de
pagamento futuro. Nesse momento, a taxa de juros será a compensação pela prestação de
serviços.
Analisando a organização das instituições de crédito, cabe citar o pensamento de
Keyes e Kalecki, dois fundadores da macroeconomia:
[...] contrariando o senso comum que o crescimento da renda da comunidade e dos
lucros empresariais depende da disposição de um grupo social, especialmente dos
empresários, mas também dos consumidores, do governo ou dos estrangeiros, de
gastar acima de sua renda corrente, isto é de colocar mais dinheiro na economia do
que está tirando. (apud SHAPIRO, 1994, p. 79).
De acordo com os autores, o crédito favorece a possibilidade de o povo e as empresas
gastarem acima de sua renda. Ou seja, mediante a obtenção do crédito as pessoas podem
adquirir moradia, bens e até alimentação, facilitando a execução de projetos para os quais,
muitas vezes, não possuem recursos próprios suficientes. Por outro lado, o crédito também
pode endividar pessoas e até empresas, sendo considerado o responsável pelo processo
inflacionário.
1.5.1 Análise do crédito
Trata-se da expressão que designa o processo de avaliação do potencial de retorno do
tomador do crédito pelo agente cedente, ou seja, identifica os riscos inerentes à concessão,
bem como os clientes que no futuro poderão deixar de honrar suas obrigações. A análise de
crédito, portanto, visa a identificar a idoneidade do cliente e sua capacidade financeira para
amortizar a dívida que pretende contrair.
Blatt (1999, p. 93) complementa que “esse processo cobre uma estrutura mais ampla
do que simplesmente analisar o crédito de um cliente e dados financeiros para a tomada de
decisão com propósitos creditícios”.
21
Enquanto isso, Santos (2003) expressa que o processo de análise e concessão de
crédito recorre ao uso de duas técnicas: a subjetiva e a objetiva ou estatística, em que a
primeira diz respeito ao julgamento humano e a segunda se baseia em processos estatísticos.
Schrickel (2000, p. 27) manifesta sua opinião a respeito da primeira técnica, ou seja, a
subjetiva: “a análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito dentro de
um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas”. O que significa
dizer que grande parte da análise de crédito é realizada mediante julgamento do agente de
crédito, principalmente com base na sua habilidade e experiência.
Santos (2003) segue afirmando que esta técnica considera ainda a disponibilidade de
informações e a sensibilidade de cada analista quanto à aprovação do crédito.
Ao que se pode concluir que a análise subjetiva do tomador do crédito conta com a
experiência do agente de crédito, habilitado a identificar fatores de caráter, capacidade, capital
e condições de pagamento. Esta análise, entretanto, não pode ser realizada de forma aleatória,
mas sim baseada em conceitos técnicos que guiarão a tomada da decisão.
Apresenta-se a seguir as palavras de Schrickel (1994, p. 64), as quais confirmam a
importância da análise de crédito pelas instituições financeiras:
A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de
um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas. Esta
habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações, não raro,
complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de ser implementada.
Cabe à instituição financeira analisar cuidadosamente uma concessão de crédito,
mediante o estudo da possibilidade de pagamento do tomador, além de fazer as
recomendações relativas ao empréstimo.
Ainda nessa mesma ótica tem-se as palavras de Rosa Júnior (2002), para quem a
política de concessão de crédito envolve equilíbrio entre lucro nas vendas a prazo e custo de
manutenção de uma política de valores a receber, além de possíveis prejuízos de dívidas
incobráveis. Em resumo, pode-se descrever como a política do trade off1 entre risco e retorno.
Outrossim, ressalta o autor, a agilidade nas operações mercantis da economia moderna é
fundamental para a circulação de riquezas, o que somente é possível mediante a introdução e
liberação do crédito.
1
Trade off: é uma expressão que define uma situação em que há conflito de escolha. Ele se caracteriza em uma
ação econômica que visa à resolução de problema mas acarreta outro, obrigando uma escolha. Ocorre quando se
abre mão de algum bem ou serviço distinto para se obter outro bem ou serviço distinto (WIKIPÉDIA, 2012).
22
Existem, porém, limites a serem impostos no momento da concessão do crédito, os
quais serão estudados a seguir.
1.5.2 Limite de crédito
No entendimento de Sá (1999), ao conceder crédito a um determinado cliente, a
instituição bancária precisa também definir um valor máximo, ou seja, um limite de valor a
ser liberado. Isso decorre igualmente do fator de risco ao qual a instituição está exposta.
Entretanto, este limite de crédito precisa ser constantemente avaliado para o fim de novas
contratações, podendo o tomador do crédito melhorar ou piorar sua situação econômica.
Ao que Schrickel (2000, p. 139) expressa: “o limite de crédito é o valor total do risco
que o emprestador deseja assumir no relacionamento com determinado cliente”.
As instituições financeiras possuem serviços e órgãos aliados que auxiliam a detectar
clientes de risco que exigem uma análise mais rigorosa da sua ficha cadastral no sentido de
impor limites da concessão. Nesse sentido pode-se citar a Centralização de Serviços dos
Bancos S/A (Serasa), o Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e
Entidades Federais (Cadin), e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
Neste mesmo rumo Rosa Júnior (2002) afirma que o prazo de validade de um
determinado limite de crédito varia de seis meses a um ano, e durante esse período podem ser
feitas novas operações à medida que vençam as anteriores, sempre obedecendo ao valor
previamente fixado. O autor também define os parâmetros que estabelecem os limites de
crédito:
 Quanto o cliente merece de crédito: variável que pode assumir diversas grandezas,
dependendo da qualidade do risco apresentado e do porte do cliente, sendo também
chamado de “parâmetro técnico”;
 Quanto se pode oferecer de crédito ao cliente: variável ligada à capacidade de quem vai
conceder o crédito e está ligado a parâmetros legais; e
 Quanto se deve conceder de crédito ao cliente: variável que decorre da política de
crédito adotada pelo banco, com vistas à diversificação e pulverização da carteira de
crédito.
A instituição financeira, ao limitar o crédito concedido ao cliente não está
considerando o valor de que ele necessita, ou que ele pode pagar. O limite de crédito é fixado
pela instituição financeira com o fim de conhecer o cliente, identificar suas necessidades e os
23
riscos de pagamento. Ao agir dessa forma o banco se permite uma avaliação mais segura, com
a possibilidade de conceder novos empréstimos no futuro.
Além disso, cada instituição segue normas específicas, devendo encarar o crédito
como um processo complexo que envolve experiência e conhecimento, além de métodos
assertivos e utilização de instrumentos e técnicas adequadas.
1.5.3 Análise de crédito pela cooperativa
A análise de crédito, portanto, pode ser entendida como uma tarefa complexa e de
fundamental importância numa instituição financeira. O principal produto de uma instituição
de crédito é o dinheiro, o qual não pode ser vendido (emprestado) à vista, razão porque
emprestar dinheiro mediante cobrança de juros se torna o negócio central da instituição.
Nakane (2003) expressa que o principal objetivo da análise de crédito numa instituição
financeira é identificar os riscos eminentes dos empréstimos, evidenciando conclusões quanto
à capacidade de pagamento do tomador, bem como fazendo recomendações em relação ao
melhor tipo de empréstimo a ser concedido.
A concessão ou não de crédito, portanto, ocorre a partir da análise da proposta de
crédito do solicitante e, em caso de pessoa jurídica, dos balancetes, faturamentos, questionário
de avaliação, resumo do balanço, ramo da atividade, etc.
Já uma cooperativa de crédito, segundo Nakane (2003), considera as seguintes
questões por ocasião da análise do pedido de empréstimo: função da área de cadastro, tarefa
de análise de crédito, raciocínio do especialista, informações para análise, quocientes
econômico-financeiros, tomada de decisão, e o parecer final.
Nakane (2003) faz uma reflexão sobre cada uma dessas questões, a iniciar pela área de
cadastro e análise de crédito, as quais visam a indicar uma margem referencial da capacidade
econômico-financeira dos possíveis tomados de crédito e coobrigados ao sistema financeiro.
A tarefa de análise de crédito visa analisar o solicitante e verificar se a instituição financeira
aprova ou não o crédito solicitado. Em caso positivo deve informar o montante a ser liberado.
De outra banda, a importância do resumo da situação do balanço da empresa decorre
da necessidade de calcular os índices dos quocientes econômico-financeiros, os quais
envolvem liquidez corrente e geral, imobilização, endividamento, garantias de capitais de
terceiros e lucratividade sobre vendas.
24
Nesse contexto, uma cooperativa de crédito faz a juntada de toda a documentação que
embasará tecnicamente o parecer final, onde se destaca o formulário da agência com a
proposta de crédito e os pareceres.
Finalmente, pareceres que apresentarem conceitos “insatisfatório” e “regular”
provavelmente terão suas propostas negadas, enquanto que conceitos como “satisfatório” e
“bom” terão a liberação do crédito solicitado.
1.5.4 Custo do crédito bancário
Estudos de Costa (2004) revelam que o Brasil apresenta um conjunto de fatores
negativos no que se refere à relação crédito/PIB, com a presença de altas taxas de juros e
elevados spreads2 bancários. Em relação aos padrões mundiais percebe-se uma baixa oferta
de crédito no país, ocasionada pelo alto custo do crédito, combinado com o baixo crescimento
da economia.
Costa (2004, p. 88) assim se expressa com relação ao spread bancário:
Primeiramente há que se definir precisamente o que seja spread. Este é definido
como a diferença entre o custo de captação dos bancos e o custo cobrado por ele
quando concede um empréstimo. Portanto, não seconfigura aí o lucro do banco, pois
há que se deduzir os custos vinculados à atividade de captação e empréstimo.
Estudos de Troster (1993) e Nakane (2003) revelam que o custo do crédito de uma
economia possui uma série de variáveis macroeconômicas e estruturais, entre as quais pode-se
citar as seguintes: a taxa básica de juros, determinada pelo Banco Central;os recolhimentos
compulsórios dos bancos na autoridade monetária;a taxa de inadimplência bancária;a base
jurídica para a renegociação ou recuperação dos empréstimos não pagos;a carga tributária
incidente sobre as operações de crédito; e o grau de estabilidade da economia.
Depreende-se então que o crédito não depende tão somente da autoridade monetária,
mas também dos aspectos fiscais, institucionais e jurídicos. Além disso, está subordinado aos
agentes econômicos no que se refere à manutenção da estabilidade econômica e institucional.
A partir disso Troster (1993) e Nakane (2003) trazem alguns conceitos quanto aos
custos dos créditos bancários:
2
Spreads bancários: diferença entre o preço de compra (procura) e venda (oferta) de uma ação, título ou
transação monetária. Por exemplo, se uma ação na bolsa de valoresfor comprada a 10 centavos e vendida a 1
real, tem-se um spread de 90 centavos. Grande parte do lucro obtido pelos corretores de títulos advém desta
diferença. (WIKIPÉDIA, 2012).
25
 Custos operacionais e administrativos – a atividade bancária é sofisticada e exige mão
de obra muito qualificada, tecnologia avançada, investimentos vultosos e infraestrutura
complexa.
 Custo compulsório – recolhimentos sobre depósitos à vista, a prazo e caderneta de
poupança.
 Subsídios cruzados – a existência de crédito direcionado a taxas subsidiadas (por
exemplo, crédito rural) faz com que parte do spread bancário cobrado sobre operações no
segmento livre reflita uma compensação por estas operações.
 Custo do Fundo Garantidor de Crédito – fundo constituído com a contribuição de
instituições financeiras para proteger correntistas, investidores e poupadores contra a
intervenção, liquidação extrajudicial e falência.
 Custos tributários – taxas de tributos diretos e indiretos cobrados sobre a intermediação
financeira.
 Custos de inadimplência – taxa de inadimplência deduzida do índice de empréstimos
define o percentual efetivamente recebido pelo banco.
 Risco jurídico – ineficiência da aplicação da justiça no Brasil (com processos e custos
demorados) agrava ainda mais os custos com inadimplentes.
O item que segue apresenta o tema dos juros, e visa apresentar seu conceito e natureza,
a fim de esgotar o assunto relativo ao crédito.
1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS
Segundo conceitua Keynes (1990), os juros são a remuneração paga pelo tomador de
um empréstimo junto ao detentor do capital emprestado.
Em sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, Keynes (1990, p. 98)
apresenta o conceito econômico de jurocomo “instrumento de políticas de desenvolvimento
econômico com manipulação da oferta monetária disponível”.
Já a taxa de juros, afirma Keynes (1990), é responsável pela regulação do crescimento
econômico de um país, ou seja, do equilíbrio entre a estabilidade e a instabilidade desse
crescimento, da inflação e das causas de desemprego. Sua oscilação incentiva ora a poupança,
ora o investimento, cuja função, respectivamente, é a decrescente e a crescente. Segundo
opinião dos economistas neoclássicos, se o mercado de fundos de empréstimos for deixado
livre, a instabilidade é passageira e o mercado se auto-organiza.
26
A seu ver, entretanto, o Governo deve intervir na economia de um país a fim de evitar
que a instabilidade se transforme em crise porque o poupador, responsável pela
disponibilidade de moeda nos cofres, deixa de investir no mercado de capitais em função do
receio do retorno do seu investimento no mercado.
O equilíbrio a ser buscado pelo Governo, portanto, é no sentido de intervir em
situações como naquelas em que se houver mais gente poupando do que consumindo ou
investindo na economia, o excesso de mercadoria levará à suspensão ou redução da produção
e, em decorrência disso, o desemprego. Por outro lado, de houver excesso de procura pela
produção, ocorre a inflação, em outras palavras, o aumento dos custos.
A teoria keynesiana permite concluir, então, que a moeda e o crédito bancário
estimulam a atividade econômica. Nesse cenário, o investimento depende da rentabilidade que
deverá ser superior ao custo. Por outro lado, quanto menor a taxa de juros na concessão de
crédito bancário, maior a possibilidade de investimentos.
1.6.1 Juros bancários
Em seus estudos, Keynes (1990) afirma que os juros são determinantes do
investimento, e afetam diretamente o nível de emprego e de renda.
Pesquisas realizadas em material do curso de Economia, organizado por Dal Ri
(2009a), revelam que, a fim de normatizar o funcionamento das instituições financeiras e suas
operações, foi criado em 31 de dezembro de 1964, por meio da Lei n. 4.595/64, o Conselho
Monetário Nacional (CMN), cuja atuação ocorre por meio de seu agente executivo – o Banco
Central do Brasil (Bacen).
Passados alguns anos, em 21 de setembro de 1988, o Bacen emitiu a Resolução n.
1.524/88, a qual constituiu os chamados “Bancos Múltiplos”, estendendo a competência dos
bancos comerciais a outras instituições integrantes do sistema financeiro nacional. Com isso,
leque de suas atividades foi ampliado no sentido de financiar, a curto e médio prazos, o
comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. Além disso, o
banco comercial passou a descontar títulos; realizar operações de abertura de crédito, simples
ou em conta corrente; realizar operaçõesespeciais, inclusive de crédito rural, de câmbio e
comércio internacional; captar depósitos àvista e a prazo fixo; obter recursos junto a
instituições oficiais; obter recursos no exterior, pararepasse; efetuar operações acessórias ou
de prestação de serviços, inclusive medianteconvênio com outras instituições.
27
Ainda segundo o mesmo material organizado por Dal Ri (2009a), em decorrência da
concessão de empréstimos pelos bancos comerciais, houve a multiplicação da moeda criada
pelo Bacen, impedindo que as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras se
desvencilhassem da taxa de juros oferecida pelo Governo aos investidores nacionais e
estrangeiros. Essa taxa de juros passou a regular a oferta de dinheiro no país e,
consequentemente, controlar a inflação, tentando atrair recursos internos e externos a fim de
financiar investimentos e rolar a dívida do Governo.
Depreende-se daí que a taxa de juros praticada num país é uma espécie de reguladora
do seu crescimento econômico, bem como da sua estabilidade ou instabilidade, da inflação e
das causas de desemprego. Constitui-se, assim, num instrumento econômico capaz de
fortalecer o mercado que sofre as pressões com as crises mundiais.
Convém esclarecer ainda que a oferta de moeda se refere ao volume de papel-moeda
em poder da população e aos depósitos à vista nos bancos comerciais. Nesse contexto, o
Bacen atua de forma a estipular um percentual sobre os depósitos recebidos pelos bancos
comerciais, o qual serve como reserva (compulsório), cujo excedente é emprestado em forma
de empréstimos bancários (DAL RI, 2009a).
No item que segue o estudo faz referência ao financiamento de veículos, com destaque
para a taxa de juros e a garantia de pagamento pelo tomador do empréstimo.
1.7 FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS
O mercado financeiro disponibiliza de uma linha de crédito para o financiamento de
veículos, a qual pode ser utilizada tanto por pessoas físicas como jurídicas, de grande ou de
pequeno porte. Ela é liberada para aquisição de veículos como automóveis e utilitários, tanto
nacionais como importados, novos ou usados. O crédito é liberado mediante o pagamento de
uma taxa de juros prefixada, em prestações mensais.
Como garantia do empréstimo, a instituição financeira utiliza a alienação fiduciária do
próprio bem, objeto do empréstimo, além do aval de uma pessoa física, sem restrição de
crédito.
A fim de compreender a fórmula de cálculo utilizada nesses empréstimos, passa-se a
seguir a descrever a Tabela Price, que é um método de amortização de dívidas.
28
1.8 TABELA PRICE
A Tabela Price é um sistema francês de amortização, criado em 1771, por Richard
Price. Inicialmente, ela foi apresentada em sua obra Observations on Reversionary Payments,
e visava calcular o pagamento de pensões e aposentadorias. Foi somente a partir da Segunda
Revolução industrial que sua forma de cálculo foi aproveitada para amortizações de
empréstimos. Sua característica principal é apresentar prestações ou parcelas iguais
(CAMPOS FILHO et al., 2009).
No texto que segue apresenta-se um breve relato histórico desse sistema, que foi
criado há mais de 200 anos e que ainda hoje é considerado um método bastante eficaz no
cálculo das amortizações de empréstimos.
1.8.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price
Segundo Sandroni (2010), Richard Price foi um filósofo que nasceu na Inglaterra, em
23 de fevereiro de 1723. Atuou como padre da igreja dissidente da Grã-Bretanha e foi político
republicano liberal apoiador da Revolução Americana. Seu pai, Rhys Price, foi ministro
calvinista de linha extremamente puritana e disciplinadora, e faleceu em 1740, quando
Richard tinha 17 anos. Naquele ano mudou-se para Londres, indo morar com seu tio Samuel
Price, onde completou seus estudos na C. Academy, em Tenter Ailey, Moorfields. Lá adquiriu
instrução e influência de John Eames. Em 1748 tornou-se ministro presbiteriano e sua
primeira assistência como ministro religioso foi par George Streatfield.
Posteriormente, em 1758, Richard Price publicou a obra que seria considerada mais
tarde como a mais importante de seu repertório – Review of the Principal Questions in
Morals. E em 1769 entrou no campo da estatística, com a publicação de Northampton
Mortality Tables (Tábuas de Mortalidade de Northampton), cuja obra tinha sido encomendada
pela seguradora inglesa Equitable Society. Sua produção permitiu calcular a probabilidade de
vida e de morte na Inglaterra, e serviu de cálculo de seguro e de aposentadoria (SANDRONI,
2010).
A partir dessas obras, em 1771, Richard Price publicou Observations on Reversionary
Payments (Observação sobre Devolução de Pagamentos Reversíveis), editada até a sétima
edição em 1812.
29
Foi a partir da Segunda Revolução Industrial, entretanto, que a Tabela Price ficou
conhecida como método de amortização de empréstimo em função do grande incentivo ao
consumo, assumindo a denominação “Sistema Francês de Amortização”.
O procedimento adotado para o cálculo desta modalidade de amortização é uma
padronização das prestações durante o período de pagamento dos valores mediante o uso de
regime de juros compostos, a partir dos quais é definido o valor das parcelas do empréstimo,
dos juros e da amortização do valor emprestado.
Estudos de Dal Ri (2009b) apresentam como exemplo um financiamento no valor de
R$ 10.000,00 para ser amortizado em cinco prestações anuais iguais à taxa de juros de 20%
ao ano. Os valores e o procedimento deste cálculo podem ser realizados mediante a utilização
da fórmula para séries uniformes de amortização imediata:
Pv  PMT .
(1  i) n  1
i(1  i) n
Onde:
 PV = valor do financiamento
 PMT = o valor das parcelas
 n = número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento
 i = a taxa unitária contratada
Cálculo: 1.000,00  PMT .
(1  0,20)5  1
PMT= 3.343,80
0,20x(1 0,20)5
A fim de apurar e demonstrar a forma como os valores são amortizados pela Tabela
Price, a qual é interativa, deve-se mensalmente e a partir do primeiro mês, calcular o saldo
devedor pelo seguinte processo:
– multiplicar o saldo devedor do período anterior por 1 + juros;
– subtrair o valor a ser pago do valor dos juros para formação da cota de amortização;
– no último mês o saldo devedor deverá ser igual a zero.
30
Nº
Prestação
Juros
Cota amortização
0
1
3.343,80
2.000,00
1.343,80
2
3.343,80
1.731,24
1.612,56
3
3.343,80
1.408,73
1.935,07
4
3.343,80
1.021,72
2.322,08
5
3.343,80
557,3
2.786,50
∑
16.718,99
6.718,99
10.000,00
Quadro 1. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF)
Fonte: Dal Ri (2009a).
Saldo devedor
10.000,00
8.656,20
7.043,65
5.108,58
2.786,50
-
Conforme Dal Ri (2009a), a partir das informações disponibilizadas no Quadro 1
pode-se elaborar algumas considerações sobre a Tabela Price:
1) as prestações são constantes até o final do período (valor de R$ 3.343,80);
2) os juros são calculados sobre o saldo devedor anterior (10.000,00 x 20% = 2.000,00) e
assim sucessivamente;
3) a cota de amortização representa o valor pago menos os juros calculados (3.343,80 –
2.000,00 = 1.343,80) e assim sucessivamente;
4) o saldo devedor para cada período é obtido por meio da diferença entre o saldo devedor
anterior e a cota de amortização (10.000,00 – 1.343,80 = 8.656,20) e sucessivamente;
5) os juros decrescem a cada período (é fácil verificar, pois como estes são calculados sobre
o saldo devedor e decrescem a cada período após serem amortizados, os juros sobre este
saldo ficam menores e assim a cota que amortiza o saldo começa a ser crescente, até que a
última cota de amortização fica igual ao saldo devedor do período anterior).
Após referenciar brevemente o tema em questão, a partir da busca de autores
renomados, o capítulo que segue traz o percurso metodológico cumprido no decorrer do
estudo para, finalmente, apresentar os resultados a que se chegou com a realização da
pesquisa.
31
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este capítulo trata da metodologia do estudo. Segundo Lakatos e Marconi (2001, p.
83), metodologia “é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que permitem alcançar o
objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões”.
A metodologia é, portanto, o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com
maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimento válido e verdadeiro
– traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões.
2.1 CLASSIFICAÇÃO DO ESTUDO
Esta pesquisa pode ser classificada como documental, bibliográfica e de estudo de
caso. No entendimento de Gil (2007, p. 45), uma investigação documental “baseia-se em
materiais que ainda não receberam tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados
de acordo com os objetos da pesquisa”. Nesse sentido podem ser elencados como documentos
os seguintes: correspondência pessoal, documentos cartoriais, registros de batismo, epitáfios,
registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, comunicações informais,
filmes, microfilmes, fotografias, videotape, informações em disquetes, diários, cartas
pessoais, entre outros. Gil (2007) destaca ainda que os documentos constituem fonte rica e
estável de dados.
Enquanto isso, Ruiz (1982, p. 58) faz menção à pesquisa bibliográfica, a qual constitui
a relação de obras consultadas ou citadas por um autor no momento de elaboração de um
texto. Para o autor:
Bibliografia é o conjunto de livros escritos sobre determinado assunto ao
longo da evolução da Humanidade. E a pesquisa bibliográfica consiste no
exame desse manancial, para levantamento e análise do que já se produziu
sobre o determinado assunto que assumimos como tema de pesquisa
científica. (RUIZ, 1982, p. 58).
Já estudo de caso é designado por Gil (2002) como o estudo no qual se pretende obter
um conhecimento profundo e exaustivo de uma determinada realidade. O autor explica que o
estudo de caso visa fornecer uma visão global do problema, identificando fatores que
influenciam. Tratado de forma profunda e exaustiva, o estudo de caso permite grande
detalhamento do conhecimento, sendo utilizado na exploração de situações reais onde os
limites não são definidos, preservando a particularidade do objeto estudado.
32
2.2 TIPOS DA PESQUISA
Conforme definição proposta por Vergara (2002), esta pesquisa é do tipo exploratório
ou descritivo, uma vez que busca estudar e descrever dados sobre o crédito de veículos
liberado pela Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste RS, Unidade de Três de Maio.
A exemplo das demais instituições financeiras, a Sicredi Noroeste RS vem investindo
em crédito, especialmente na linha de financiamento de veículos. Nesse sentido, trabalha na
divulgação do crédito junto às revendas de veículos, por meio da imprensa escrita, falada e
eletrônica. A instituição consegue realizar inúmeros contratos em função das facilidades
proporcionadas aos clientes, como parcelamento estendido, baixas prestações e o principal –
realização do sonho do carro próprio.
2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
No presente estudo buscou-se fundamentar a teoria em obras de estudiosos do tema, os
quais estão relacionados no Referencial Bibliográfico. Além disso, contou-se com a
disponibilização de documentos do Sicredi Noroeste RS, os quais foram fundamentais na
construção do estudo.
2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Referências econômicas foram fundamentais para a análise e interpretação dos dados.
Além disso, a análise de dados obtidos em documentos do Sicredi Noroeste RS permitiu
conhecer as formas de calcular a quantidade de crédito concedido em financiamentos para
aquisição de veículos.
Partiu-se inicialmente de uma pesquisa junto ao Detran, onde se identificou o total de
veículos transferidos e emplacados no município de Três de Maio no primeiro semestre de
2012. A partir dessas informações obteve-se o percentual de associados que procuraram a
Sicredi Noroeste RS de Três de Maio para financiar seu veículo, chegando-se assim à
participação de mercado.
Ressalta-se que o estudo utilizou somente dados dos associados da Sicredi Noroeste
RS do município de Três de Maio. A sistematização dos dados serviu de ferramenta para
alcançar os objetivos inicialmente propostos.
33
3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
A Cooperativa Sicredi, agência de Três de Maio, objeto deste estudo, pertence à
Cooperativa Sicredi Noroeste do RS, cuja forma jurídica é Cooperativa de Crédito de Livre
Admissão de Associados Noroeste do RS.
O Sistema Sicredi possui uma expressiva representação, uma vez que é formado por
113 cooperativas de crédito que compõem mais de 2,1 milhões de associados. Essas
cooperativas estão ligadas a uma Central Estadual, organizadas em quatro grupos de Estados
distintos: RS/SC, PR/SP, MT e MS.
A expressiva estrutura do Sistema Sicredi, formada por Cooperativas Centrais e
Singulares, levou o grupo a constituir uma holding, denominada Sicredi Participações, que foi
conduzida por um Conselho de Administração formado pelo Presidente de cada Central
Estadual e por um Presidente de Cooperativa de cada Estado.
Esta holding é responsável pelo controle das empresas do Sistema Sicredi, como a
Confederação Sicredi, a Fundação Sicredie o Banco Cooperativo Sicredi S/A. A este último
estão ligadas ainda a Corretora de Seguros, a Administradora de Cartões, a Administradora de
Bens e a Administradora de Consórcios.
Um fato de expressiva importância foi a parceria firmada em 2010 com o sistema
holandês Rabo Financial Institutions Development (RD), participante do grupo holandês
Rabobank, que atua em 40 países. Com esta parceria o sistema holandês passou a transferir
uma experiência de 160 anos de organização, e a investir nas atividades econômicas do
quadro associativo da Cooperativa Sicredi.
3.1 HISTÓRICO DA COOPERATIVA SICREDI
Descreve-se, a seguir, um pouco da história da Cooperativa Sicredi no Brasil, com
destaque para a chegada do padre Theodor Amstad em Nova Petrópolis, no RS, e o desenvolvimento do espírito cooperativo que representava a união dos produtores rurais da época.
3.1.1 A Sicredi no Brasil
Em 1844, com a segunda fase da Revolução Industrial, os trabalhadores sofriam com a
exploração da sua mão de obra e com os baixos salários. Rochdale, na Inglattera, foi pioneira
34
ao organizar os tecelões, cuja carga horária chegava a 15 horas por dia, fundando uma
cooperativa de consumo para alterar a perspectiva de sua inserção no mercado econômico.
Passados alguns anos, em 07/09/1858, foi fundada no Rio Grande do Sul, a Colônia
Imperial Nova Petrópolis, no terceiro distrito do município de São Sebastião do Caí. Em sua
sede, chamada de Stadplatz, foram instalados os imigrantes teutos, todos evangélicos,
originários de Hunrück (Alemanha). E na Linha Imperial, a cerca de sete quilômetros dali, no
Kaiserthal, instalaram-se os católicos, vindos da Boêmia.
A exemplo do que aconteceu com a maior parte dos imigrantes, esta colônia também
não recebeu o apoio prometido pelo governo, e teve sérias dificuldades para se organizar.
Nesta história cabe destaque para o padre Theodor Amstad S. J., suíço de língua alemã,
pertencente à ordem jesuíta, que aqui aportou em 1885 com o objetivo de ser vigáriooperador, dando atendimento espiritual aos imigrantes em suas visitas em itinerários
religiosos. Nessas visitas passou a conhecer a história de cada morador, e percebeu que, além
de apoio espiritual, precisavam também de assistência social e econômica.
Figura 1. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS.
Fonte: Cooperativa Sicredi Noroeste RS (2012).
O padre logo percebeu que a melhor maneira de ajudá-los seria reuni-los em grupos, e
passou a organizar diversas associações. Surgiu assim a Caixa de Economia e Empréstimos
Amstad de Nova Petrópolis, que utilizou o sistema Raiffeisen, constituindo-se na primeira e
mais antiga Cooperativa de Crédito do Brasil e das Américas.
Aspectos como a distância dos grandes centros urbanos, a inexistência de bancos na
região e as dificuldades de locomoção fizeram com que o padre Amstad idealizasse uma
organização de crédito no estilo de cooperativismo de crédito europeu a fim de solucionar os
problemas vigentes. E, em 25/02/1900 lançou na Vila de Santa Catarina da Feliz, atual
35
município de Feliz, a sua ideologia cooperativista, sendo que a partir dela foram realizados
vários encontros para discutir a fundação da cooperativa.
Dois anos após, em 28/12/1902, com a presença de 20 pessoas que assinaram a ata,
foram aprovados os estatutos da então Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e
Empréstimos de Nova Petrópolis, atual Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de
Associados Pioneira da Serra Gaúcha – Sicredi Pioneira RS, uma das 10 maiores cooperativas
de crédito do Brasil.
Na ocasião o próprio padre Amstad redigiu a ata de fundação, totalmente escrita em
língua alemã, da qual se obteve uma tradução:
Ata de fundação da Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de
Nova Petrópolis, realizada na casa do Sr. Nicolau Kehl, dia 28 de dezembro de
1902, em Linha Imperial. Os 19 sócios abaixo assinados fundaram definitivamente a
Caixa de Economia e Empréstimos Amstad e aprovaram os estatutos apresentados
com pequenas alterações. Pela elaboração abnegada e bem feita dos estatutos pelo
Sr. Anton Maria Feix a assembleia agradeceu calorosamente. Logo após o registro a
Caixa deverá começar a funcionar. As cotas de capital de giro deverão ser pagas até
o dia 15 de janeiro do próximo ano. Como tesoureiro provisório foi escolhido o Sr.
Josef Neumann Senior e encarregado de tomar as devidas providências. (SICREDI
NOROESTE RS, 2012).
Este foi o ponto de partida da maior rede de organizações do sistema Raiffeisen da
América do Sul, e logo se seguiram as cooperativas de crédito de Bom Princípio, Lajeado,
São José do Herval, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Cerro Largo, etc., que até 1964
formavam uma rede 62 cooperativas, todas filiadas à Central de Caixas Rurais.
A figura 2, que segue, retrata a imagem da casa que abrigava a Caixa Rural de Nova
Petrópolis, no início do século 20, considerada a primeira cooperativa de crédito do RS.
Figura 2. Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS.
Fonte: Cooperativa Sicredi Noroeste RS (2012).
36
Após alguns anos, a Caixa Amstad já dominava totalmente o movimento financeiro, e
era considerado o “banco” não só dos colonos, mas de toda a região de Nova Petrópolis.
Em 1964 foi criada a Lei n. 4.595, chamada “Lei da Reforma Bancária” que passou a
estipular uma série de exigências quanto a proibições e alterações às quais as cooperativas de
crédito precisaram se adaptar. Com isso, houve uma certa decadência do cooperativismo de
crédito, e em 1977 restavam apenas 15 cooperativas das 62 que existiam no Rio Grande do
Sul, sendo, inclusive, dissolvida a Cooperativa Central das Caixas Rurais.
Passados alguns anos, em 27 de outubro de 1980, foi constituída a Cooperativa Central
de Crédito do Rio Grande do Sul – Cocecrer/RS, originada a partir da junção de nove
cooperativas de crédito que haviam composto o Raiffeisen no Estado.
A ideia de unificar a identidade de todas as cooperativas de crédito ao Sistema de
Crédito Cooperativo foi firmada em 10 de julho de 1992, quando todas as cooperativas, a
Cocecrer/RS e suas filiadas passaram a adotar a marca de “Sicredi”.
No texto que segue faz-se referência à Sicredi Noroeste RS, apresentando dados de sua
origem e principais fatos históricos.
3.1.2 Sicredi Noroeste RS
A criação da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Noroeste do
RS – Sicredi Noroeste foi a semente embrionária que originou o surgimento de outras
cooperativas de crédito na região, todas seguindo os ensinamentos e doutrina do padre
Theodor Amstad.
Em Crissiumal foi criada, em 1946, uma cooperativa de crédito no estilo Caixa
Popular Raiffeisen, mais tarde denominada de Credicris. Em 1952 um grupo de pessoas com
objetivos comuns se reuniu em Horizontina a fim de constituir e implantar a Caixa Rural
daquele município, denominada de Copercreal. E em 1981, na comunidade de Três de Maio,
foi criada a Credimaio, numa iniciativa dos empreendedores e líderes de Três de Maio e
Independência.
Em função de inúmeras dificuldades econômicas decorrentes da situação do país,
algumas unidades fecharam seus pontos de atendimento, enquanto outros se reestruturam a
fim de reduzir custos. Nesse sentido, o Sicredi Central sugeriu a união das Sicredis do interior
do Estado, cujo tema originou vários encontros onde foram traçadas estratégias e decisões.
37
Enfim, no dia 01/07/1995 aconteceu a incorporação da Sicredi de Horizontina, e em maio de
1996 houve a fusão das Sicredis Crissiumal e Três de Maio, que ocorreu mediante o
atendimento de duas condições básicas: a) a entidade jurídica, com seu CNPJ, seria o de
Crissiumal; b) a sede de processamento e de administração seria em três de Maio.
Outro assunto foi a decisão do nome fantasia da Cooperativa de Crédito, que passou a
ser Sicredi Noroeste. No dia 26 de junho do mesmo ano, em nova Assembleia Geral
Extraordinária, com a presença das duas cooperativas, houve a homologação de toda essa
mudança, sendo proposta a criação de novo Estatuto, com mudança de área de atuação e de
nome.
Em junho daquele ano ocorreu formalmente a constituição da Sicredi Noroeste
mediante a junção das operações Ativas, Passivas, de Serviços e de Recursos Humanos.
Naquele momento as contas dos associados de Crissiumal passaram a ser processadas em Três
de Maio, sendo mantido o mesmo número original, enquanto as contas dos associados de Três
de Maio receberam números sequentes aos de Crissiumal.
Na data de 16/06/2004 a Resolução do Banco Central n. 3.106, de 25/06/2003, alterou
a natureza jurídica da Sicredi Noroeste para Cooperativa de Livre Admissão de Associados
Noroeste do Rio Grande do Sul.
Atualmente, a Superintendência da Cooperativa Sicredi Noroeste do RS está
localizada na cidade de Três de Maio, município onde está sendo realizado este estudo.
Destaca-se que a cidade suporta, além da Superintendência, duas Unidades de Atendimento
(Centro e Rua Horizontina), contando com uma população de 23.736 habtantes (segundo
Censo do IBGE de 2011), dos quais 10.169 são associados do Sicredi Noroeste (42,84%).
Outro dado interessante é que a Sicredi Noroeste RS abrange hoje 12 municípios da
região Noroeste do Estado, sendo eles: Três de Maio, Independência, Inhacorá, Alegria, São
José do Inhacorá, Boa Vista do Buricá, Humaitá, Crissiumal, Tiradentes do Sul, Nova
Candelária, Doutor Mauricio Cardoso e Horizontina.
O quadro 2, a seguir, apresenta a distribuição dos associados desses municípios,
relacionando-os à população e sua classificação como pessoas físicas e pessoas jurídicas.
38
Assoc.
% participa- Assoc.
Total
% participaPopulação
PF
ção PF
PJ
Empresas
ção PJ
Crissiumal
6.884
6.564
14.084
46,60%
320
774
41,30%
Horizontina
7.744
7.193
18.348
39,20%
551
1.134
48,60%
Humaitá
3.112
3.008
4.919
61,20%
104
288
36,10%
Boa Vista do Buricá
3.422
3.173
6.574
48,30%
249
664
37,50%
Tiradentes do Sul
3.632
3.530
6.461
54,60%
102
205
49,80%
Maurício Cardoso
2.477
2.379
5.313
44,80%
98
217
45,20%
São Jose do Inhacorá
1.594
1.508
2.200
68,50%
86
103
83,50%
Independência
3.327
3.198
6.618
48,30%
129
273
47,30%
Alegria
2.483
2.389
4.301
55,50%
94
179
52,50%
Inhacorá
1.525
1.461
2.267
64,40%
64
32
200,00%
Nova Candelária
1.884
1.780
2.751
64,70%
104
132
78,80%
Três de Maio
10.169
9.379
23.726
39,50%
790
1.484
53,20%
Sicredi Noroeste
48.253
45.562
97.562
46,70%
2.691
5.485
49,10%
Quadro 2. Distribuição dos associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Município
Associados
3.1.3 Missão da Sicredi Noroeste RS
Estudos de Oliveira (2005) revelam que “a missão é a razão de ser da empresa,
procura-se determinar qual o negócio da empresa, pro que ela existe, ou, ainda em que tipos
de atividades a empresa deverá concentrar-se no futuro”.
Nesse sentido, pode-se descrever a missão da Sicredi Noroeste RS como: “Valorizar o
relacionamento, oferecer soluções financeiras para agregar renda e contribuir para a melhoria
da qualidade de vida dos associados e da sociedade”.
3.1.4 Visão da Sicredi Noroeste RS
De outra banda, Oliveira (2005) expressa que a visão de uma empresa é caracterizada
como os limites que os proprietários e principais executivos da empresa conseguem visualizar
dentro de um período de tempo mais longo. A visão, portanto, proporciona a definição do
planejamento estratégico a ser desenvolvido e implementado pela empresa.
No caso da Sicredi Noroeste RS, sua visão pode ser apresentada da seguinte forma:
“Ser reconhecido pela sociedade como instituição financeira cooperativa, com excelência
operacional e gestão, voltada para o desenvolvimento econômico e social”.
3.1.5 Valores da Sicredi Noroeste RS
Segundo Oliveira (2005) “os valores representam o conjunto dos princípios e crenças
fundamentais de uma empresa, e fornecem sustentação a todas as suas principais decisões”.
39
Aplicados à Sicredi Noroeste RS, os valores podem ser interpretados como: a)
preservação irrestrita da natureza cooperativa do negócio; b) respeito à individualidade do
associado; c) valorização e desenvolvimento das pessoas; d) preservação da instituição como
sistema; e) respeito às normas oficiais e internas; e f) eficácia e transparência na gestão.
3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS
Conforme documentos apresentados pela Cooperativa de crédito Sicredi Noroeste RS
referentes à região da pesquisa pode-se verificar que do total dos associados desta cooperativa
de crédito, a unidade de Três de Maio/RS é a maior, com mais de 21% do total desta
cooperativa, conforme pode se verificar graficamente:
14,27%
21,07%
3,90%
16,05%
3,16%
5,15%
6,45%
6,89%
7,09%
3,30%
5,13%
Crissiumal
Tiradentes do Sul
Alegria
Horizontina
Dr. Mauricio Cardoso
Inhacorá
7,53%
Humaitá
São Jose do Inhacorá
Nova Candelária
Boa Vista do Buricá
Independência
Três de Maio
Figura 3. Percentual de associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Ao analisar os dados do município de Três de Maio, RS, percebe-se que mais de 40%
dos habitantes deste município são associados desta Unidade de Atendimento da Sicredi
Noroeste RS. Salienta-se, porém, que não foi possível verificar o número de habitantes deste
município que possuem contas bancárias em toda sua rede bancária.
O quadro 3, a seguir, apresenta a distribuição de associados da Sicredi Noroeste RS
que compõem a população do município de Três de Maio.
40
Município
Associados
Pessoa
Física
Associados
Pessoa
Jurídica
Total de
Associados
População
PIB per
capita
PIB
Três de Maio
9.379
790
10.169
23.726
417.949.608
17.616
Quadro 3. Distribuição dos associados da Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa de Crédito
Sicredi Noroeste RS. Fonte: dados da pesquisa (2012).
Conforme dados obtidos junto ao Detran de Três de Maio, o número total de veículos
que se encontram emplacados neste município no ano de 2012 é de 13.532, dos quais 7.411
Três de Maio
7.411
3.119
951
561
88
Quadro 4. Número total de veículos emplacados em Três de Maio, RS, em 2012.
Fonte: Detran de Três de Maio, RS (set. 2012).
1
27
Total
Outros
Trator de Rodas,
Trator Esteiras e
Trator Misto
Ônibus e
Microônibus
Reboque e SemiReboque
Caminhão e
Caminhão Trator
Motocicletas,
Motonetas,
Ciclomotores
Automóvel
Município
são automóveis.
13.532
Segundo dados deste departamento, em 2012, até o mês de junho, foram emplacados
235 carros novos, dos quais 41 novos e 91 usados foram financiados pela Unidade de
Atendimento desta Cooperativa. O quadro 5, a seguir, apresenta o número de veículos
financiados (novos e usados) no período da pesquisa.
Período
Carros novos
Carros usados
Total
Valor total (R$)
Janeiro/2012
8
17
25
385.900,01
Fevereiro/2012
6
16
22
349.563,72
Março/2012
6
14
20
269.406,34
Abril/2012
5
10
15
268.264,04
Maio/2012
9
18
27
398.155,44
Junho/2012
7
16
23
447.396,96
Total
41
91
132
2.118.686,51
Quadro 5. Número total de veículos financiados pela Unidade de Atendimento da Sicredi Noroeste RS, Três de
Maio – 1º semestre de 2012. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Observou-se que durante os meses pesquisados, a procura por financiamentos de
carros usados nesta Unidade de Atendimento da Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS
representa aproximadamente 69%. O gráfico a seguir apresenta os percentuais mensais dos
veículos financiados no período da pesquisa.
41
100,00%
80,00%
60,00%
68,00% 72,73% 70,00% 66,67% 66,67% 69,57%
40,00%
20,00%
32,00% 27,27% 30,00% 33,33% 33,33% 30,43%
0,00%
jan-12
fev-12
mar-12
Carros novos
abr-12
mai-12
jun-12
carros usados
Figura 4. Financiamentos aprovados para aquisição de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Do total dos valores financiados, em média 46% são destinados à compra de carros
novos. Ressalta-se, contudo, que por questões éticas comerciais não foi possível obter os
valores exatos de cada carro novo ou usado financiado, e sim apenas o valor total dos
financiamentos mensais, bem como os percentuais aproximados entre os valores financiados
de carros usados e novos. Ainda conforme informações obtidas, nenhum veículo foi
totalmente financiado, em média a Unidade de Atendimento Três de Maio financiou 80% do
valor de compra de cada veículo, cujo detalhe, porém, não é objeto desta pesquisa. A seguir, o
quadro 6 apresenta os valores destinados a financiamentos de veículos nesta Unidade de
Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS:
Período
Carros novos (R$)
Carros usados (R$)
Total financiado
Janeiro/12
177.514,00
208.386,01
385.900,01
Fevereiro/12
160.799,31
188.764,41
349.563,72
Março/12
123.926,92
145.479,42
269.406,34
Abril/12
123.401,46
144.862,58
268.264,04
Maio/12
183.151,50
215.003,94
398.155,44
Junho/12
205.802,60
241.594,36
447.396,96
Total
974.595,79
1.144.090,72
2.118.686,51
Quadro 6. Valor total de financiamentos de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – 1º sem./2012.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Os valores apresentados no quadro 6 podem ser visualizados no gráfico a seguir, onde
se pode fazer uma comparação entre o montante de veículos novos e usados financiados pela
referida Unidade de Atendimento.
42
250.000,00
200.000,00
150.000,00
100.000,00
50.000,00
jan-12
fev-12
mar-12
Carros Novos (R$)
abr-12
mai-12
jun-12
Carros usados (R$)
Figura 5. Evolução mensal dos valores dos carros novos e usados – período janeiro a junho/2012.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Os resultados da pesquisa revelam que os meses de março e abril de 2012 foram os
que apresentaram menor número de financiamentos de veículos e, consequentemente, os
valores monetários financiados ficaram em patamar reduzido nesse período. Uma explicação
pode ser os problemas climáticos ocorridos neste ano que afetaram a produção de grão do
município em estudo.
Para a concessão do crédito de financiamentos as instituições financeiras devem
cumprir normatização do Banco Central do Brasil. A partir dos dados apresentados
anteriormente com relação aos valores totais financiados pela Unidade de Três de Maio da
Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS, constata-se que um total de 132 carros foram
financiados no período em análise, perfazendo um total de R$ 2.118.686,51 a serem pagos em
36 messes, com parcelas mensais fixas a uma taxa média de 2,10% a.m. para carros novos e
2,70% para carros usados.
Considerando que o valor total de financiamentos para carros novos foi de R$
974.595,79, a serem pagos em 36 meses a uma taxa de 2,10% ao mês, e utilizando a fórmula
para séries uniformes de amortização imediata, normalmente utilizada para este tipo de
financiamento, tem-se que:
974.595,79  PMT x .
(1  2,10%)36  1
2,10%(1  2,10%)36
Parcelas  R $ 38 .852 ,92
43
Onde:
 PV = valor do financiamento = R$ 974.595,79
 PMT = o valor das parcelas = R$ 38.852,92
 n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do
financiamento de 36 meses
 i = a taxa mensal cobrada de 2,10%.
Ao se observar o cálculo anteriormente apresentado percebe-se que o valor dos 41
carros novos financiados neste período em análise resultou numa prestação total a ser
restituída à instituição credora no valor de R$ 38.852,92 mensais, para pagamento em 36
meses, a uma taxa de 2,10%. Com isso, os tomadores deste financiamento pagarão uma taxa
de juro anual nominal de 25,20% e uma taxa de juro efetiva anual de 28,3243%, perfazendo
no período uma taxa efetiva de 111,31%. Ou seja, neste total de empréstimo os clientes
pagarão o capital emprestado de R$ 974.595,79 em 36 prestações mensais de R$ 38.852,92
durante três anos (36 meses), totalizando R$ 1.398.705,25, valor que inclui o capital
financiado mais os juros contratuais que representam R$ 424.109,46.
O quadro 7, a seguir, apresenta os valores das prestações, juros e amortizações que
serão efetuadas durante cada ano. Em complementação, o Anexo 1 deste estudo apresenta a
memória de cálculo dos valores apurados mensalmente.
Total quota de
amortização
1º ano
466.235,08
218.243,53
247.991,55
2º ano
466.235,08
148.001,66
318.233,42
3º ano
466.235,08
57.864,27
408.370,81
Total
1.398.705,25
424.109,46
974.595,79
Quadro 7. Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros novos junto à Unidade de
Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Período
Total das prestações
Total de juros
Conforme já mencionado inicialmente, este estudo utilizou a Tabela Price para o
cálculo dos juros. Nesse sentido, os juros são cobrados sobre o saldo devedor de cada período
em que é amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que só no primeiro ano o
total de juros cobrados representa aproximadamente 50% do valor total dos pagamentos das
prestações.
Considerando que o valor total de financiamentos para carros usados foi de R$
1.144.090,72 a serem pagos em 36 meses a uma taxa de 2,70% ao mês, e utilizando a fórmula
44
para séries uniformes de amortização imediata, indicada para este tipo de financiamento, temse que:
1.144.090,72  PMT x .
(1  2,70%)36  1
2,70%(1  2,70%)36
Parcelas  R $ 50 .084 ,55
Onde:
 PV = valor do financiamento = R$ 1.144.090.72
 PMT = o valor das parcelas = R$ 50.084,55
 n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do
financiamento de 36 meses
 i = a taxa mensal cobrada de 2,70%.
Ao se observar o cálculo anteriormente apresentado percebe-se que o valor dos 91
carros usados financiados neste período em análise resultou numa prestação total a ser
restituída à instituição credora de R$ 50.084,55 mensais, em 36 meses, a uma taxa de 2,70%.
Com isso, os tomadores deste financiamento pagarão uma taxa de juro anual nominal de
32,40% e uma taxa de juro anual efetiva de 37,67%, perfazendo um total de 160,94% de juros
no período financiado. Ou seja, neste total de empréstimo os clientes pagarão o capital
emprestado de R$ 1.144.090,72 em 36 prestações mensais de R$ 50.084,55 durante três anos
(36 meses), totalizando R$ 1.803.043,91, cujo valor engloba o capital financiado mais os
juros contratuais que representam R$ 658.953,19.
O quadro 8, a seguir, apresenta os valores das prestações, juros e amortizações que
serão efetuadas durante cada ano, enquanto que o anexo 2 deste estudo apresenta a memória
de cálculo dos valores apurados mensalmente.:
Período
Total das prestações
Total quota de
amortização
267.806,83
368.694,77
507.589,12
1.144.090,72
de carros usados junto à Unidade de
Total de juros
1º ano
601.014,64
333.207,80
2º ano
601.014,64
232.319,86
3º ano
601.014,64
93.425,52
Total
1.803.043,91
658.953,19
Quadro 8. Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos
Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
45
Da mesma forma como ocorre com o financiamento dos carros novos, neste caso
também foi utilizada a Tabela Price para calcular a taxa de juros incidente sobre os
empréstimos.
Outro dado importante revelado pela pesquisa foi com relação ao valor total dos
financiamentos realizados pela Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi
Noroeste RS no primeiro semestre de 2012, tanto para carros usados como para carros novos,
o qual foi estimado em R$ 2.118.686,51 a serem pagos num prazo de três anos.
O gráfico a seguir permite visualizar esses dados, proporcionando melhor compreensão dos montantes financiados e o respectivo processo de quitação das dívidas.
1.200.000,00
1.000.000,00
800.000,00
total prestação
600.000,00
total de juros
400.000,00
total quota de amortização
200.000,00
1o.ano
2o.ano
3o.ano
Figura 6. Valores totais a serem pagos anualmente à Unidade de Atendimento Três de Maio.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Como se pode observar, estes financiamentos foram calculados segundo a Tabela
Price de amortização, em que as prestações são constantes até o final do período, os juros
calculados sobre o saldo devedor decrescem a cada período e, consequentemente, as
amortizações da dívidam crescem até o final de sua quitação.
Isso leva a concluir que deverá sair da economia doméstica da região um montante de
R$ 3.201.749,16 para quitar estes valores financiados, dos quais R$ 1.083.062,65 será para o
pagamento de juros. Em outras palavras, trata-se de valores que deixarão de circular na
economia doméstica deste município, passando a circular pelo mercado financeiro.
46
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste estudo foi realizar uma análise do crédito concedido pela Unidade de
Atendimento de Três de Maio, da Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS, para
financiamentos de veículos novos e usados. Além de verificar o montante de valores que a
Unidade disponibilizou no 1º semestre de 2012 a seus associados, o estudo buscou conhecer
também o retorno que essas transações irão gerar com o respectivo pagamento de juros.
A fim de alcançar os objetivos propostos, entretanto, foi necessário conhecer o
contexto em que o tema se insere. Nesse sentido, cabem algumas observações que foram
feitas no decorrer do estudo.
Ao analisar os ensinamentos econômico-financeiros da macroeconomia (BACEN,
2012), fica claro que o PIB é um dos indicadores utilizados para calcular a atividade
econômica de uma região. Outrossim, a relação entre o PIB e o volume de crédito no sistema
financeiro brasileiro totalizaram R$ 2,24 trilhões no final de setembro de 2012, constatandose um crescimento de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, que foi de R$
1,93 trilhão, havendo uma ampliação da relação crédito/PIB de 47,4% para 51,5% na
comparação dos períodos, segundo dados do Banco Central do Brasil. É necessário ressaltar,
entretanto, que esta oferta de crédito poderá se tornar um círculo vicioso para a economia,
pois levará os consumidores a uma condição elevada de endividamento, afetando toda a
economia.
Cabe ressaltar que a melhoria da qualidade de vida das pessoas é obtida por meio do
crescimento contínuo da renda, ou seja, através do aumento da renda per capita. Na economia,
ao se gerar um volume de produção, gera-se em consequência uma renda correspondente que,
por sua vez, transforma-se em capacidade de compra das pessoas. Para aumentar a capacidade
de compra da economia ou a demanda agregada, esta terá, necessariamente que aumentar a
produção para que haja um aumento da renda. Portanto, aumentando a demanda e tomando
47
por base estes conceitos, provavelmente os beneficiários que obtiveram seus créditos
aprovados, e se não obtiverem outra receita para melhorar sua qualidade de vida, estarão neste
período, necessariamente, reduzindo seu consumo.
Isso comprova o que já foi afirmado anteriormente no capítulo do Referencial Teórico
deste estudo, em que estudiosos afirmam que o nível de renda é um determinante do consumo.
Portanto, as famílias com rendas mais baixas, desprovidas de poupança, que cedem aos
impulsos do consumo intenso, na ânsia de consumir e realizar sonhos e desejos, esquecem que
este tem um custo elevado.
Quanto mais crédito disponível à população, mais ela compra. Sabe-se que se o
consumo aumentar rápido demais e as indústrias não conseguirem atender à demanda, a
inflação dispara, seguindo a lei da oferta e da procura – se a oferta é bem menor que a
procura, os preços tendem a subir. Isso torna o investimento nas empresas essencial para
evitar o reaquecimento inflacionário em épocas de crédito farto.
Por outro lado é necessário que as instituições promovam a expansão de crédito. Caso
isso não ocorra poderá haver um conjunto de ações que colocam em risco o crescimento
econômico. Caso as instituições dificultem a expansão de crédito, é necessário alterar a
política de juros, elevando as suas taxas. Ao subir as taxas de juros, automaticamente o
mercado desaquece. Já o crédito a prazos muito longos traz riscos para as instituições, porque
a partir do quinto ano, no caso de financiamento de veículos, os proprietários de carro
começam a ter despesas de manutenção, podendo assim deixar de pagar as parcelas do
crédito. Outro fator de risco desta linha de financiamento em estudo é que o carro perde valor
e as instituições ficam sem garantia, o que pode gerar uma onda de calotes e até uma crise no
setor.
Para os agenciadores deste mercado, que no caso são as instituições financeiras e,
neste estudo, uma Cooperativa de Crédito, pode-se confirmar que até o presente momento
seus associados apresentam pouca inadimplência nos financiamentos em 2012, podendo a
mesma ser considerada praticamente nula.
Partindo-se dos dados apresentados neste estudo com relação ao crédito concedido e
conforme objeto de estudo, tem-se que somente no primeiro semestre de 2012 foram
contraídos 132 empréstimos para aquisição de veículos na Unidade de Atendimento Três de
Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS, financiados em 36 meses, com parcelas mensais
fixas a uma taxa entre 2,10% e 2,70% a.m., em média.
48
Referente aos valores apurados nesta pesquisa verifica-se que o volume destinado para
132 veículos é relativamente expressivo. Cabe também resaltar que dos 235 carros novos
emplacados pelo Detran deste município, esta Unidade de Atendimento participou com
aproximadamente 18% nessas aquisições, os quais foram financiados pelos seus associados.
Ressalta-se, portanto, que esta Unidade tem participado com seus produtos para atender à
demanda de seus associados.
Estima-se que, não havendo inadimplência por parte dos contratantes dos referidos
financiamentos, a Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS
receberá somente de juros nos próximos três anos o montante de R$ 1.083.062,65, os quais
representam 51% do capital amortizado.
Período
Total das prestações
Total de juros
Total quota de amortização
Carros novos
1.398.705,25
424.109,46
974.595,79
Carros usados
1.803.043,91
658.953,19
1.144.090,72
Total
3.201.749,16
1.083.062,65
2.118.686,51
Quadro 9. Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento Três de Maio –
Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
O gráfico a seguir representa os números apresentados anteriormente, possibilitando
uma melhor compreensão.
2.000.000,00
1.500.000,00
1.000.000,00
500.000,00
0,00
Carros novos
Total prestação
Total juros
Carros usados
Total quota amortização
Figura 7. Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento Três de Maio –
Cooperativa Sicredi Noroeste RS.
Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012).
Recomenda-se que no momento de tomar um crédito, os seus objetivos de utilização
sejam claros. Se este for utilizado para investimento poderá trazer retorno futuro, porém, o
49
crédito puramente tomado para consumo pode se tornar uma armadilha e seu montante pago
ser multiplicado por altos juros aplicados na linha de financiamento do “crédito pessoal”.
O crédito permite que os clientes antecipem suas realizações futuras e que as paguem
em parcelas mensais. Consequentemente, ocorre um aumento das vendas no comércio que,
aquecidas pelas vendas compram mais, gerando uma necessidade de produção para as
indústrias, as quais, por sua vez, necessitam de mais matéria prima.
Ao encerrar este estudo, percebe-se que nem todos os objetivos determinados
inicialmente foram atingidos, pois a obtenção de algumas informações estava além das
possibilidades da acadêmica. Ficam pendentes, portanto, no término desta monografia, as
seguintes questões:
1. Os associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS no município de Três de Maio estão
cumprindo com seus compromissos sem necessidade futura de renegociar os créditos
concedidos em financiamento de veículos?
2. Frente à mudança ocorrida no mercado financeiro automobilístico, como redução de IPI e
taxas de juros, os associados que contraíram seus financiamentos a taxas mais altas
tomarão alguma atitude?
3. De que forma os associados estão suprindo junto ao consumo normal que foram
comprometidos com o financiamento de veículos?
4. Com tantas instituições financeiras no município do estudo, porque a participação da
Cooperativa é tão expressiva neste segmento?
Fica aqui o desafio para novos estudos a fim de dar continuidade ao tema e responder
às questões anteriormente elencadas. A compreensão desse dinâmico universo possibilita a
tomada de decisões que possam leva ao desenvolvimento econômico de todos os segmentos.
50
REFERÊNCIAS
ABRÃO, Carlos Henrique. Cartões de crédito e débito. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2005.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Decreto nº 4.961, de 20 de janeiro de 2004. Boletim do
Banco Central do Brasil. Dez. 2005. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?bolist
20051201p>. Acesso em: 25 mar. 2012.
______. Boletim econômico-financeiro. Brasília, DF, set. 2012. Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br>. Acesso em: 12 abr. 2012.
BIELSCHOWSKY, R. (Org.). Cepal e Cofecon – Cinquenta anos de pensamento na
Cepal. Rio de Janeiro: Record, 2000. v. I e II.
BLATT, A. Avaliação de risco e decisões de crédito: um enfoque prático. São Paulo: Nobel,
1999.
CAMPOS FILHO, Ademar et al. Declaração em defesa de uma ciência matemática e
financeira. São Paulo: Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, 2009.
COOPERATIVA SICREDI NOROESTE RS. Disponível em: <http://www.sicredi.com.br>.
Acesso em: 29 set. 2012.
COSTA, A. C. A. Ensaios em microeconomia bancária. 2004. Tese (Doutorado em
Economia) – Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.
DAL RI, Marlene K Conteúdo da disciplina de Finanças e Mercado de Capitais. Curso de
Economia. Ijuí, RS: Ed. da Unijuí, 2009a.
______. Elementos de economia e finanças. 2. ed. ampl. Ijuí, RS: Ed. da Unijuí, 2009b
(Coleção Educação a Distância, Série Livro-Texto).
DETRAN. Departamento de Trânsito. Disponível em: <http://www.detran.rs.gov.br>. Acesso
em: 11 nov. 2012.
FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para o trabalho científicos. 16. ed. Porto
Alegre: Dáctilo Plus, 2012.
FURTADO, C. Dialética do desenvolvimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura,
1964.
51
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2007.
GORDON, Robert J. Macroeconomia. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000.
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. São Paulo:
Atlas, 1990.
LAKATOS; Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho
científico. 6. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2001.
MANSFIELD, E. Economia empresarial: teoria, aplicação e casos. Trad. José Dias
Ferreira. Lisboa: Instituto Piaget, 1996.
NAKANE, Marcio I. Concorrência e spread bancário: uma revisão da evidência para o Brasil.
In: BANCO CENTRAL DO BRASIL. Economia bancária e crédito: avaliação de 4 anos do
projeto juros e spread bancário. São Paulo, dez./2003.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento estratégico. 22. ed. São Paulo:
Atlas, 2005.
ROSA JÚNIOR, Luiz E. F. Títulos de crédito. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2002.
RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo:
Atlas, 1982.
SÁ, Geraldo Tosta de. Administração de investimentos: teoria de carteiras e gerenciamento
do risco. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.
SANDRONI, Paulo. Novíssimo dicionário de economia. 6. ed. São Paulo: Best Seller, 2004.
______. Dicionário de economia on-line. 2010. Disponível em: <http://www.introducaoa
economia.files.wordpress.com/2010/03/dicionario-de-economia-sandroni.pdf>. Acesso em: 7
jul. 2012.
SANTOS, José Odálio dos. Análise de crédito – empresas e pessoas físicas. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2003.
SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Análise de crédito – concessão e gerência de empréstimos.
5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
SHAPIRO, Edward. Análise macroeconômica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994.
SOUZA, N. J. Desenvolvimento econômico. São Paulo: Atlas, 1993.
STIGLITZ, Joseph. Valor. São Paulo, 18 jun. 2004. C12.
TROSTER, Roberto Luis. Spread bancário no Brasil. São Paulo: Febraban, 1993.
52
VASCONCELLOS, Marco Antonio S.; GARCIA, Manuel E. Fundamentos de economia. 2.
ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas,
2002.
WIKIPÉDIA. Conceitos mobiliários. Disponível em: <http://www.ikipedia.com.br>. Acesso
em: 12 out. 2012.
53
ANEXOS
54
ANEXO 1
MEMÓRIA DE CÁLCULO DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS
FINANCIAMENTO DE CARROS NOVOS
Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS
Total financiado:
Prazo:
Taxa de juros:
Valor da prestação:
Número
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
Total
Prestação
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
38.852,92
1.398.705,25
R$ 974.595,79
36 meses
2,10% ao mês
R$ 38.852,92
Juros
20.466,51
20.080,40
19.686,17
19.283,67
18.872,72
18.453,13
18.024,74
17.587,35
17.140,77
16.684,81
16.219,28
15.743,98
15.258,69
14.763,21
14.257,33
13.740,82
13.213,46
12.675,04
12.125,30
11.564,02
10.990,95
10.405,85
9.808,46
9.198,53
8.575,79
7.939,97
7.290,80
6.627,99
5.951,27
5.260,33
4.554,89
3.834,63
3.099,24
2.348,42
1.581,82
799,13
424.109,46
Quota de
amortização
18.386,41
18.772,53
19.166,75
19.569,25
19.980,21
20.399,79
20.828,19
21.265,58
21.712,15
22.168,11
22.633,64
23.108,95
23.594,23
24.089,71
24.595,60
25.112,11
25.639,46
26.177,89
26.727,62
27.288,90
27.861,97
28.447,07
29.044,46
29.654,39
30.277,14
30.912,96
31.562,13
32.224,93
32.901,66
33.592,59
34.298,04
35.018,29
35.753,68
36.504,51
37.271,10
38.053,79
974.595,79
S/D
974.595,79
956.209,38
937.436,85
918.270,10
898.700,85
878.720,64
858.320,85
837.492,67
816.227,09
794.514,94
772.346,83
749.713,19
726.604,24
703.010,00
678.920,29
654.324,69
629.212,59
603.573,13
577.395,24
550.667,62
523.378,71
495.516,74
467.069,67
438.025,21
408.370,81
378.093,68
347.180,72
315.618,59
283.393,66
250.492,00
216.899,41
182.601,38
147.583,08
111.829,40
75.324,89
38.053,79
(0,00)
55
ANEXO 2
MEMÓRIA DE CÁLCULO DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS
FINANCIAMENTO DE CARROS USADOS
Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS
Total financiado:
Prazo:
Taxa de juros:
Valor da prestação:
Número
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
Total
Prestação
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
50.084,55
1.803.043,91
R$ 1.144.090,72
36 meses
2,70% ao mês
R$ 50.084,55
Juros
30.890,45
30.372,21
29.839,98
29.293,37
28.732,01
28.155,49
27.563,41
26.955,34
26.330,85
25.689,50
25.030,83
24.354,38
23.659,66
22.946,19
22.213,46
21.460,94
20.688,10
19.894,40
19.079,26
18.242,12
17.382,37
16.499,41
15.592,62
14.661,33
13.704,91
12.722,66
11.713,88
10.677,88
9.613,90
8.521,19
7.398,98
6.246,47
5.062,84
3.847,25
2.598,85
1.316,73
658.953,19
Quota de
amortização
19.194,10
19.712,34
20.244,58
20.791,18
21.352,54
21.929,06
22.521,15
23.129,22
23.753,71
24.395,06
25.053,72
25.730,17
26.424,89
27.138,36
27.871,10
28.623,62
29.396,45
30.190,16
31.005,29
31.842,43
32.702,18
33.585,14
34.491,94
35.423,22
36.379,65
37.361,90
38.370,67
39.406,68
40.470,66
41.563,36
42.685,58
43.838,09
45.021,71
46.237,30
47.485,71
48.767,82
1.144.090,72
S/D
1.144.090,72
1.124.896,62
1.105.184,27
1.084.939,69
1.064.148,51
1.042.795,97
1.020.866,91
998.345,76
975.216,54
951.462,84
927.067,78
902.014,06
876.283,89
849.859,00
822.720,64
794.849,54
766.225,93
736.829,47
706.639,32
675.634,03
643.791,59
611.089,41
577.504,27
543.012,34
507.589,12
471.209,47
433.847,57
395.476,90
356.070,23
315.599,57
274.036,21
231.350,63
187.512,54
142.490,83
96.253,53
48.767,82
(0,00)
Download

análise do financiamento de veículos por uma cooperativa de