0 UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL FABIANA MONHON ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE TRÊS DE MAIO (RS) Ijuí (RS) 2012 1 FABIANA MONHON ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE TRÊS DE MAIO (RS) Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Economia, do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação (DACEC), da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Economia. Orientadora: Ms. Marlene Köhler Dal Ri Ijuí (RS) 2012 2 A Banca Examinadora abaixo-assinada aprova a Monografia: ANÁLISE DO FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR UMA COOPERATIVA DE CRÉDITO NO MUNICÍPIO DE TRÊS DE MAIO (RS) elaborada por FABIANA MONHON como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Economia. Ijuí (RS), 05 de dezembro de 2012. BANCA EXAMINADORA _______________________________________ Ms. Marlene Köhler Dal Ri Orientador _______________________________________ Prof. Examinador Titular 3 RESUMO A oferta de crédito no Brasil nos últimos anos vem crescendo e merece atenção especial. O crédito para veículos é um exemplo disso, e apresenta crescimento expressivo nos últimos anos, chegando a 20% do PIB industrial, passando a ser um dos setores que mais faz investimentos no país. O Brasil se tornou o 3° maior mercado automobilístico do mundo, ficando atrás apenas da China e dos EUA. O tema do presente estudo tem como objetivo analisar a participação da Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste RS no mercado de financiamento de veículos no município de Três de Maio (RS). O estudo permitiu concluir que a participação neste mercado chega a 18% dos veículos financiados. Foi possível também identificar que a preferência nos financiamento é por veículos usados, com representatividade de 69%. O estudo se caracteriza como pesquisa exploratória e descritiva, pois busca estudar e descrever dados sobre o crédito de veículos e a participação da instituição financeira no mercado em análise. Palavras-chave: Crédito. Participação de mercado. Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste de Três de Maio/RS. 4 LISTA DAS SIGLAS BACEN – Banco Central do Brasil CADIN – Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Federais CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina CMN – Conselho Monetário Nacional PIB – Produto Interno Bruto SAF – Sistema de Amortização Francês SERASA – Centralização de Serviços dos Bancos S/A SPC – Serviço de Proteção ao Crédito 5 LISTA DAS FIGURAS Figura 1. Figura 2. Figura 3. Figura 4. Figura 5. Figura 6. Figura 7. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS.............. Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira Cooperativa de Crédito do RS.................................................................................................................... Percentual de associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS...................... Financiamentos aprovados para aquisição de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS.................... Evolução mensal dos valores dos carros novos e usados – período de jan. a jun. 2012.......................................................................................................... Valores totais a serem pagos anualmente à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS.................................................. Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento de Três de Maio, Cooperativa Sicredi Noroeste RS................. 34 35 39 41 42 45 48 6 LISTA DE QUADROS Quadro 1. Quadro 2. Quadro 3. Quadro 4. Quadro 5. Quadro 6. Quadro 7. Quadro 8. Quadro 9. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF).......................... Distribuição dos associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS............. Distribuição dos associados da Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS ............................................ Número total de veículos emplacados em Três de Maio, RS em 2012...... Número total de veículos financiados pela Unidade de Atendimento da Sicredi Noroeste RS, 3 de Maio, RS - 1º semestre 2012............................ Valor total de financiamentos de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – 1º semestre 2012................................................................ Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros novos junto à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS................................................................................................ Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros usados junto à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS................................................................................... Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS................ 30 38 40 40 40 41 43 44 48 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 11 1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ........................................................................ 11 1.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) ........................................................................... 13 1.3 RENDA ......................................................................................................................... 14 1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR ................................................................. 15 1.5 CRÉDITO ...................................................................................................................... 17 1.5.1 Análise do crédito ...................................................................................................... 20 1.5.2 Limite de crédito ....................................................................................................... 22 1.5.3 Análise de crédito pela cooperativa .......................................................................... 23 1.5.4 Custo do crédito bancário ......................................................................................... 24 1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS ............................................................. 25 1.6.1 Juros bancários ......................................................................................................... 26 1.7 FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS ............................................................................ 27 1.8 TABELA PRICE............................................................................................................ 28 1.8.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price ................................ 28 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................................... 31 2.1 CLASSIFICAÇÃO DO ESTUDO .................................................................................. 31 2.2 TIPOS DA PESQUISA .................................................................................................. 32 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS .............................................................. 32 2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ........................................................... 32 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ......................................................................... 33 3.1 HISTÓRICO DA COOPERATIVA SICREDI................................................................ 33 3.1.1 A Sicredi no Brasil..................................................................................................... 33 3.1.2 Sicredi Noroeste RS ................................................................................................... 36 3.1.3 Missão da Sicredi Noroeste RS ................................................................................. 38 3.1.4 Visão da Sicredi Noroeste RS.................................................................................... 38 3.1.5 Valores da Sicredi Noroeste RS ................................................................................ 38 3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS ............................................................................... 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 46 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 50 ANEXOS ............................................................................................................................ 53 8 INTRODUÇÃO Nos tempos atuais não só o mercado brasileiro como também as grandes corporações passam por um período em que o setor financeiro ocupa posição privilegiada e está entre os mais lucrativos do mercado capitalista mundial. Seus produtos, indispensáveis ao desenvolvimento de qualquer empreendimento empresarial, também se firmam como necessários e até fundamentais para a manutenção da economia e da família que hoje já não passa sem um produto financeiro de crédito. Em se tratando de operações de crédito com alta lucratividade, as instituições financeiras utilizam ferramentas fortíssimas de marketing, disponibilizando-as de forma acessível ao consumidor e, assim, despertando nele um grande desejo de consumo que vai além das necessidades básicas de sobrevivência. Dados obtidos na imprensa do Brasil anunciam diariamente o impacto causado pela alta disponibilidade de crédito. Isso pode ser observado na alteração dos hábitos de consumo da classe C, em maior grau, bem como das classes D e E, que provocaram alteração em todo mercado financeiro. Essas três classes, que em 2006 correspondiam a 77% do total, tornaramse alvo da grande oferta de crédito, alavancando o consumo de produtos mais caros e com prazos cada vez mais longos, os quais até então eram considerados supérfluos e excessivamente caros. No final de setembro de 2012 o volume de crédito do sistema financeiro brasileiro fechou com crescimento de 15,8% em relação ao R$ 1,93 trilhão registrado em setembro de 2011, alterando a relação crédito/PIB de 47,4% para 51,5% na comparação dos períodos, segundo dados fornecidos pelo Banco Central do Brasil (2012). Propulsor do crescimento, o crédito aquece a demanda no mercado interno e atua diretamente no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de bens e serviços 9 produzidos no País. Quando há crescimento na demanda de crédito esta é diretamente proporcional ao aumento produtivo de bens e, por consequência, ao aumento da renda da população, passando a empregar mais gente, o que melhora o nível de vida das pessoas que passam a comprar mais. Contudo, o público consumidor de crédito precisa ficar atento, pois a diversidade de financiamentos e as instituições que atuam neste mercado são inúmeras e merecem atenção na hora de fazer as contas. Fatores como taxas de juros, tarifas, prazos, sistema de amortização devem ser levados em consideração ao tomar um crédito. A análise se torna fundamental para saber se está sendo feito um bom negócio, tanto para pessoas jurídicas como físicas. Neste contexto, o objetivo do presente estudo é analisar os financiamentos de veículos concedidos pela Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS aos seus associados no período de janeiro a junho de 2012. O estudo tem ainda como objetivos específicos: a) caracterizar o ambiente de estudo e realizar a coleta do referencial teórico acerca do tema em estudo; b) conceituar e analisar a metodologia do crédito; c) analisar e verificar como se comporta o crédito para estes associados da Cooperativa; d) analisar a participação de mercado da Cooperativa neste município e o montante de juros gerados com as liberações do período. Considerando todo o cenário até aqui apresentado, o presente estudo propõe ainda responder a seguinte questão: qual o volume de financiamento de veículos concedidos pela Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste aos seus associados no período do estudo e qual sua participação de mercado no município de Três de Maio? Existem pelo menos dois tipos de justificativa para a realização do presente estudo: a de natureza econômica e a de cunho pessoal. Do ponto de vista econômico é muito importante que as pessoas envolvidas diretamente no processo de liberação de crédito possam, mediante análise econômica, ter uma visão geral do comprometimento dos associados durante todo o período de existência do financiamento. Este conhecimento geral pode trazer benefícios quanto às decisões e estratégias que necessitam ser tomadas no momento da concessão do crédito. Do ponto de vista pessoal, o estudo interessa à acadêmica por estar trabalhando atualmente em uma Cooperativa de Crédito, mais precisamente no Sicredi, pertencente à região onde foi realizado o estudo. Sua realização permite a concretização de duas aspirações: contribuir para a solução de problemas sociais e concluir sua graduação em Economia. 10 O estudo está estruturado em três capítulos. O primeiro é composto pela revisão bibliográfica do tema, onde são apresentados os conceitos de cooperativismo, desenvolvimento econômico, renda, crédito, juros, financiamento de veículos, correção monetária, entre outros, tendo por base a literatura de autores que se destacam nesta área. No segundo capítulo apresenta-se a metodologia utilizada ao longo do estudo, em que se apresenta a pesquisa, o tipo do estudo, os instrumentos de coleta de dados e a análise e interpretação dos dados. E, finalmente, no terceiro capítulo é apresentada a caracterização da instituição em estudo e a planilha dos dados obtidos com a realização da pesquisa. Nas considerações finais consta a conclusão a que se chegou com o estudo. Esta pesquisa possibilita conhecimentos que contribuem para a atuação de profissionais que desejam ter um referencial a respeito do assunto, bem como um meio de gerar novas informações que dizem respeito ao tema. 11 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo visa a estudar o enfoque de alguns estudiosos a respeito do processo de desenvolvimento econômico, crédito, consumo, juros, tabela Price e financiamento de veículos. A partir desse embasamento teórico é possível analisar com maior segurança os dados obtidos com a pesquisa foco deste estudo. 1.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Estudos de Souza (1993, p. 18) revelam que o desenvolvimento econômico é definido “[...] pelo aumento contínuo dos níveis de vida, incluindo maior consumo de produtos e serviços básicos para o conjunto da população [...]”. O autor ainda define desenvolvimento econômico como a combinação de crescimento sustentado, reestruturação produtiva com aprofundamento tecnológico e melhores indicadores sociais da população em geral. Traduzindo os conceitos expressos por Souza (1993), pode-se afirmar que se trata de um processo em que a renda nacional real de uma economia cresce durante um determinado período de tempo. Neste caso, a renda nacional pode ser entendida como o produto total de bens e serviços gerados pelo país em termos reais e não monetários. Nesse sentido, Souza (1993) explica que a expressão monetária de renda nacional é corrigida por um índice apropriado de preço de bens de consumo e de capital e, caso o desempenho da economia for superior ao da população, a renda real per capital também aumentará. Esse processo de desenvolvimento reflete a atuação de forças que atuam durante certo período de tempo, representando modificações em algumas variáveis. Contudo, mesmo que os detalhes do processo variem sob diferentes condições no espaço e no tempo, algumas características são básicas, favorecendo o crescimento do produto nacional, considerada uma variação particular a longo prazo. Conclui-se, então, que o desenvolvimento econômico aproxima a economia das demais ciências, não se limitando ao crescimento da produção em uma região, mas tratando especialmente de aspectos qualitativos referentes ao crescimento. Nesse mesmo rumo Furtado (1964, p. 43) define o desenvolvimento econômico como “[...] um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas”. 12 Furtado (1964) segue referenciando os estudiosos que se destacaram nos estudos da dialética do desenvolvimento econômico e apresenta os nomes mais expressivos no tema. Inicialmente apresenta o pensamento de Quesnay (1758), que por meio do seu estudo Tableau Économiquerelacionou o sistema econômico à semelhança do funcionamento do organismo humano. O autor explica que no século 18 a agricultura era considerada pelos fisiocratas como uma atividade produtiva e que o desenvolvimento dependia do aumento da produtividade agrícola. Nesse sentido, a redução de impostos era defendida enquanto que os gastos supérfluos eram condenados, assim como tudo o que prejudicasse a comercialização agrícola. O sistema visava à capitalização da agricultura e à geração de excedentes para levar o desenvolvimento às demais atividades econômicas. Outro autor igualmente destacado por Furtado (1964) foi Smith, que destacou a acumulação de capital, o crescimento populacional e a produtividade da mão de obra como responsáveis pelo desenvolvimento econômico, introduzindo assim a divisão de trabalho como possibilidade de promover o progresso econômico. Na sequência, Furtado (1964) apresenta os estudos de Ricardo, que defende as inovações tecnológicas como responsáveis pelo desenvolvimento econômico. De outra banda, decepcionou-se com os rendimentos decrescentes da agricultura com os quais trabalhou, uma vez que a terra se tornou cada vez mais escassa em decorrência de sua exploração e do crescimento populacional em relação ao estoque de capital. Já para Schumpeter, também citado por Furtado (1964), distinguiu as noções de estática e de dinâmica da economia, relacionando à primeira o fluxo regular da atividade e à segunda a perturbação do ciclo vicioso da estabilidade provocada pelo investimento das inovações tecnológicas. Demonstrou otimismo ao preconizar o desaparecimento dos problemas sociais caso as economias tivessem um crescimento semelhante ao do passado. Resumindo, Schumpeter considera o desenvolvimento econômico um fenômeno que surgiu da própria esfera econômica, mas com características novas. Esses conceitos históricos são confirmados por Bielschowsky (2000), os quais permitem compreender que na América Latina e, particularmente no Brasil, os ideais de desenvolvimento foram alavancados a partir dos estudos da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), cuja organização foi fundada nos anos 48 pela ONU e apoiada por economistas preocupados com o desenvolvimento de suas nações. 13 Os estudos da CEPAL contribuíram no sentido de avaliar a divisão internacional do trabalho, que dividia as nações de acordo com a disponibilidade dos fatores de produção. A contribuição foi no sentido de mostrar o grau de dependência dos países ricos em recursos naturais aos países industrializados, ricos em tecnologia e capital. Como resultado, Bielschowsky (2000) apresenta a visão dos economistas em relação ao processo substituidor de importação adotado pelas economias latinas para criar suas indústrias nacionais. Para concluir, Shapiro (1994) afirma que se vive um período em que o desenvolvimento econômico passa por ajustes institucionais, fiscais e jurídicos necessários para obter incentivos aos investimentos e inovações, fornecendo condições para um sistema eficiente de produção e distribuição de bens e serviços. O próximo item trata do Produto Interno Bruto (PIB) e suas formas de cálculo e aplicações. 1.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) Segundo entendimento de Gordon (2000), o Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador bastante utilizado na macroeconomia do país. Com o objetivo de calcular a atividade econômica de uma região, o PIB representa a soma monetária de todos os bens e serviços finais produzidos numa região, país, estado ou cidade durante um determinado período de tempo. Nesse sentido, portanto, o PIB pode ser entendido como uma medida de fluxo de produção de um determinado período de tempo. Ele não mensura, no entanto, estoques de capital (economia), considerados itens determinantes, como por exemplo, capital social, humano, natural, etc. Em sua apuração, o PIB leva em conta unicamente bens e serviços finais, não considerando os bens de consumo intermediário. Ao agir dessa forma, evita-se o problema da contagem repetida, ou seja, os casos em que os valores gerados na cadeia de produção são contabilizados duas vezes no somatório do PIB. Cabe neste momento apresentar a fórmula do cálculo do PIB de uma região: PIB = C+I+G+X-M 14 Onde: C = consumo privado I = investimentos totais feitos na região G = gastos dos governos X = exportações M = importações A fim de facilitar a compreensão do cálculo de formação do PIB, apresentam-se os estudos de Sandroni (2004, p. 459), em cuja ótica o Produto Interno Bruto é calculado a partir das remunerações pagas no território econômico de um país. Ou seja, utiliza em sua fórmula o cálculo dos salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos. Além disso, são considerados ainda os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital, subtraindo-se os subsídios desse montante. O autor ainda refere que ao resultar da soma do consumo das unidades familiares e do governo, acrescido das variações de estoque, menos as importações de mercadorias e serviços, somadas as exportações, o PIB assume a designação de Despesa Interna Bruta. Conclui-se daí que o PIB, embora sendo um indicador linear, pode demonstrar de forma per capita, o montante que cada indivíduo receberia se a produção interna bruta fosse distribuída igualmente entre os habitantes. Nesse caso, a fim de obter o PIB per capita dividese o seu valor pela população de uma determinada região, o que não é uma medida de renda pessoal, uma vez que o PIB não considera o nível de desigualdade de renda de uma sociedade. Dentro desse mesmo contexto, o item que segue faz referência à renda obtida com a produção. 1.3 RENDA A renda é conceituada por Vasconcellos e Garcia (2004) como a soma dos rendimentos pagos aos fatores de produção para obter o produto num determinado espaço de tempo, sendo composto de aluguéis, lucros, salários e juros. Os autores ainda fazem referência à Renda Nacional, a qual conceituam como a soma de todas as rendas provenientes dos fatores de produção no ano, ou seja, o custo dos salários e ordenados, juros, aluguéis, lucros e transferências do Governo para o setor privado. 15 Conclui-se daí que ao gerar um volume de produção está se gerando também uma renda correspondente que se transforma na capacidade de compra das pessoas. Nesse caso, a fim de aumentar a capacidade de compra ou a demanda, a economia precisa aumentar a sua produção e, em consequência, a sua renda. Depreende-se então que a melhoria da qualidade de vida das pessoas é obtida mediante o crescimento contínuo da renda, que deverá superar a maior taxa de crescimento da população. Isso tudo leva a compreender que a riqueza de um país não pode ser medida pela quantidade de recursos minerais que guarda em seu subsolo, mas sim pela sua capacidade de gerar um volume de produção per capita. Em outras palavras, ao se aumentar um nível de produção por meio de novos investimentos, aumenta-se também o nível de renda na economia, uma vez que não há como gerar um volume de produção sem uma correspondente geração de renda. Em consequência da disponibilização de crédito surge o consumo, item que será analisado no texto a seguir. 1.4 PROPENSÃO MARGINAL A CONSUMIR Segundo denotam os estudos de Stiglitz (2004), a economia possui duas interpretações da teoria do consumo – uma microeconômica e outra macroeconômica. A primeira, denominada microeconômica, estuda a função “consumo” e suas particularidades, como gosto, moda, clima, preço dos produtos e demais variáveis que influenciam os consumidores. Por outro lado, a segunda teoria, chamada macroeconômica, analisa a visão agregada, ou seja, o lado estrutural e político ao invés das particularidades. O consumo, nesse ínterim, é uma função do nível de renda recebida num determinado tempo, subtraídos os impostos. É esta renda que estará à disposição das pessoas para ser consumida. Aplicando esta teoria à prática percebe-se que a classe social caracterizada como rica direciona uma parte de sua renda para o consumo e outra para a poupança. Já a classe social caracterizada como pobre não consegue fazer uma poupança e direciona quase toda sua renda para o consumo. Com isso, não consegue pechinchar no momento de fazer suas compras, porque não consegue juntar o dinheiro para fazer uma compra à vista, ao contrário do que faz a classe rica. Estudos de Mansfield (1996) revelam que a propensão marginal a consumir calcula o quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda 16 disponível em uma unidade monetária. O autor explica que esta propensão é definida como a variação do consumo a uma nova renda disponível, que pode ser expressa em forma de equação da seguinte maneira: PMC= dC A fórmula apresentada anteriormente revela como as mudanças de consumo mudam à medida que a renda se altera. Por outro lado, a análise keynesiana formula a seguinte expressão para o consumo: C = C0 + cYD Conclui-se daí que a expressão acima seja válida para intervalos de variação dos resultados nos casos em que a propensão marginal a consumir for constante. Onde: C = Consumo C0 = Consumo autônomo ou fixo c = Propensão marginal a consumir YD = Renda disponível Y(1 − t) (1-c) = b = Propensão marginal a poupar Ao refletir sobre o tema “propensão marginal a consumir” percebe-se a necessidade de falar também da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Para tanto, apresenta-se os estudos de Keynes (1990, p. 48), segundo o qual é possível descobrir que o volume de emprego ocorre em função da interseção da função de oferta com a demanda. Em outras palavras, “relaciona determinado volume de emprego com o produto das vendas que se espera realizar desse volume de emprego”. Keynes (1990) passa a relacionar os fatores objetivos da propensão marginal, que são compostos pela variação do salário real, da diferença entre renda e renda líquida, das variações imprevistas nos valores de capital não considerados no cálculo da renda líquida, da 17 relação de troca de bens presentes e futuros, da variação da política fiscal, das modificações das expectativas acerca da relação entre os níveis presentes e futuros, da variação da política fiscal, das modificações das expectativas acerca da relação entre os níveis presentes e futuros da renda. A seu ver, o autor deixa claro que a função consumo é bastante estável e que o principal fator que o influencia é a renda, sendo os demais fatores subjetivos. Em seguida Keynes (1990) faz referência aos fatores subjetivos, que são compostos pela precaução (poupar para imprevistos), previdência (preparar-se para a velhice e outros gastos futuros, desfrutar de gastos crescentes), independência (estar livre para fazer algo), iniciativa (poupar para realizar sonhos, projetos de vida). O autor refere que esses fatores variam de acordo com as instituições e a organização da sociedade, com os hábitos quanto à raça, educação, convenções, religião e atitudes morais correntes, com as esperanças atuais e a experiência passada, com a distribuição de renda, com o nível de vida e com o estado da tecnologia. Ademais, os fatores subjetivos permitem concluir que as variações de curto prazo no consumo dependem mais das alterações na renda do que das variações da propensão a consumir. Keynes (1990) conclui afirmando que, apesar de levarem o indivíduo a poupar, os fatores subjetivos não influenciam o volume da poupança agregada, o qual resulta da comparação entre a taxa de juros e a eficiência marginal do capital. Após descrever algumas características do consumo e da propensão marginal a consumir, o texto que segue analisa o crédito e suas concessões. 1.5 CRÉDITO No entendimento de Santos (2003, p. 76), crédito é a troca de um valor presente por uma promessa de reembolso futuro que, em função do risco, não é necessariamente certa. Em suas palavras, o autor afirma que se trata da “modalidade de financiamento destinada a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes”. Dessa forma compreende-se que a concretização das transações comerciais entre a organização e seus clientes é o maior objetivo de uma empresa. As instituições de crédito são sabedoras de que no momento em que um crédito é concedido surge o risco agregado de todos os problemas e benefícios inerentes à transação. O 18 cenário econômico sofre constantes alterações, podendo ocorrer inclusive uma recessão econômica e, consequentemente, a inadimplência, reduzindo as probabilidades de recebimento de crédito, tanto por parte das empresas como de pessoas físicas. Nesse sentido, Schrickel (2000, p. 112) expressa que “crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguémdestacar ou ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativade que esta parcela volte a sua posse integralmente depois de decorrido o tempo estimado”. Em sua percepção, portanto, crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém em ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente após decorrido o tempo estipulado. O empréstimo pode ser monetário ou em forma de bens para uso ou venda, e o seu pagamento pode ser parcelado ou a vista (SCHRICKEL, 2000). O crédito, contudo, é baseado em duas premissas fundamentais: confiança e tempo. Neste caso, a confiança expressa a garantia de receber o montante emprestado, enquanto tempo refere o prazo concedido entre a aquisição do crédito e a liquidação da dívida. O fator “tempo” consta em todas as atividades econômicas do país, seja na compra de bens de consumo por pessoas físicas, na reforma e manutenção de bens, nos gastos em saúde, educação, lazer e moradia. Ou ainda entre pessoas jurídicas, seja na compra de matérias primas, máquinas e equipamentos para produção de bens, bem como no financiamento do comércio exterior e de seus clientes. O crédito pode ser ampliado o que contribui para expandir os negócios já existentes. Este pensamento sustenta o conceito moderno de maximização de lucros. A realidade vivida hoje na economia é a facilidade de obtenção de crédito, tanto para pessoas físicas como jurídicas, sendo responsável por alavancar o crescimento econômico. Por um lado, essa facilidade de crédito proporciona maiores investimentos pelas empresas e a aquisição de bens pelas famílias; por outro lado, entretanto, pode levar ao endividamento, especialmente quando não há um planejamento adequado de retorno e pagamento da dívida. É fundamental, portanto, a participação das instituições de crédito nesse cenário, as quais são responsáveis pela liberação de crédito aos seus clientes. Historicamente, no Brasil, a primeira instituição financeira foi criada em 1808, logo após a chegada de D. João VI, e fechou em 1829, sendo chamada de “Banco do Brasil”. Após alguns anos foi criada a primeira agência de crédito privada, chamada “Banco do Ceará”, que 19 também não durou e foi fechada três anos após. Em 1938 foi criado o primeiro banco comercial no Rio de Janeiro, o qual teve sucesso e originou outros empreendimentos semelhantes no país. A história da origem das instituições financeiras nos Estados Unidos difere um pouco das do Brasil, pois em 1811 aquele país já contava com 90 bancos e em 1813 eram 208 casas de crédito. Enquanto isso, em 1851 o Brasil inaugurava o terceiro banco, sugerido por Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá. Naqueles tempos o banco tinha a missão de ser um instrumento poderoso em prol da riqueza da nação. Enquanto isso, no setor cooperativo, a cidade de Rochdale, na Inglaterra, foi a pioneira ao fundar, em 1844, a primeira caixa de crédito cooperativo do mundo. Tratava-se de uma cooperativa de consumo e visava a organização dos tecelões, cuja jornada de trabalho chegava a 15 horas por dia, reflexo do ambiente adverso da segunda fase da Revolução Industrial. No Brasil e na América Latina, essa espécie de cooperativa de crédito surgiu em 1902, na cidade de Nova Petrópolis (RS), e hoje se constitui na Sicredi Pioneira RS. Na época ela representava uma forma de organização econômica coletiva dos pequenos agricultores do sul do país. Mais adiante, em 1925, foi criada a primeira Central de Caixas Rurais, chamada de União Popular do Rio Grande do Sul, atual Sicredi Metrópolis RS. Com a evolução industrial e a aceleração dos negócios as cooperativas de crédito saíram do seu círculo imediato e passaram a financiar dívidas públicas. Hoje, com a possibilidade do crédito bancário, este passou a movimentar a economia, garantindo o comércio e os meios de troca. Os bancos, neste cenário, estão adiantando capital sob o risco emitente de perdas com a não devolução do capital emprestado. O crédito, nas palavras de Stiglitz (2004), detém a força da economia, ou seja, determina os rumos da economia. A tal ponto isso é verdadeiro que a maioria das transações comerciais não tem nada a ver com a moeda e sim com o crédito. Ademais, no atual contexto da economia mundial, as instituições financeiras devem ser capazes de criar formas de processamento das informações sobre os rumos do mercado econômico, compreendendo assim as variações do crédito. E, ao liberarem empréstimos precisam analisar as condições externas da política monetária, conscientes de que possuem competência para aumentar o poder de compra da população e, consequentemente, alavancar o mercado. 20 Dessa forma pode-se concluir que o crédito agiliza as atividades econômicas, ou seja, é a troca no tempo e no espaço, permitindo a quem não dispõe de recursos financeiros a comprar um produto ou realizar um serviço mediante a promessa de pagamento futuro mediante o cálculo de juros. Na prática, uma instituição financeira concede empréstimos aos seus clientes a partir dos depósitos efetuados por seus clientes, constituindo-se num negócio mediante promessa de pagamento futuro. Nesse momento, a taxa de juros será a compensação pela prestação de serviços. Analisando a organização das instituições de crédito, cabe citar o pensamento de Keyes e Kalecki, dois fundadores da macroeconomia: [...] contrariando o senso comum que o crescimento da renda da comunidade e dos lucros empresariais depende da disposição de um grupo social, especialmente dos empresários, mas também dos consumidores, do governo ou dos estrangeiros, de gastar acima de sua renda corrente, isto é de colocar mais dinheiro na economia do que está tirando. (apud SHAPIRO, 1994, p. 79). De acordo com os autores, o crédito favorece a possibilidade de o povo e as empresas gastarem acima de sua renda. Ou seja, mediante a obtenção do crédito as pessoas podem adquirir moradia, bens e até alimentação, facilitando a execução de projetos para os quais, muitas vezes, não possuem recursos próprios suficientes. Por outro lado, o crédito também pode endividar pessoas e até empresas, sendo considerado o responsável pelo processo inflacionário. 1.5.1 Análise do crédito Trata-se da expressão que designa o processo de avaliação do potencial de retorno do tomador do crédito pelo agente cedente, ou seja, identifica os riscos inerentes à concessão, bem como os clientes que no futuro poderão deixar de honrar suas obrigações. A análise de crédito, portanto, visa a identificar a idoneidade do cliente e sua capacidade financeira para amortizar a dívida que pretende contrair. Blatt (1999, p. 93) complementa que “esse processo cobre uma estrutura mais ampla do que simplesmente analisar o crédito de um cliente e dados financeiros para a tomada de decisão com propósitos creditícios”. 21 Enquanto isso, Santos (2003) expressa que o processo de análise e concessão de crédito recorre ao uso de duas técnicas: a subjetiva e a objetiva ou estatística, em que a primeira diz respeito ao julgamento humano e a segunda se baseia em processos estatísticos. Schrickel (2000, p. 27) manifesta sua opinião a respeito da primeira técnica, ou seja, a subjetiva: “a análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas”. O que significa dizer que grande parte da análise de crédito é realizada mediante julgamento do agente de crédito, principalmente com base na sua habilidade e experiência. Santos (2003) segue afirmando que esta técnica considera ainda a disponibilidade de informações e a sensibilidade de cada analista quanto à aprovação do crédito. Ao que se pode concluir que a análise subjetiva do tomador do crédito conta com a experiência do agente de crédito, habilitado a identificar fatores de caráter, capacidade, capital e condições de pagamento. Esta análise, entretanto, não pode ser realizada de forma aleatória, mas sim baseada em conceitos técnicos que guiarão a tomada da decisão. Apresenta-se a seguir as palavras de Schrickel (1994, p. 64), as quais confirmam a importância da análise de crédito pelas instituições financeiras: A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações, não raro, complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de ser implementada. Cabe à instituição financeira analisar cuidadosamente uma concessão de crédito, mediante o estudo da possibilidade de pagamento do tomador, além de fazer as recomendações relativas ao empréstimo. Ainda nessa mesma ótica tem-se as palavras de Rosa Júnior (2002), para quem a política de concessão de crédito envolve equilíbrio entre lucro nas vendas a prazo e custo de manutenção de uma política de valores a receber, além de possíveis prejuízos de dívidas incobráveis. Em resumo, pode-se descrever como a política do trade off1 entre risco e retorno. Outrossim, ressalta o autor, a agilidade nas operações mercantis da economia moderna é fundamental para a circulação de riquezas, o que somente é possível mediante a introdução e liberação do crédito. 1 Trade off: é uma expressão que define uma situação em que há conflito de escolha. Ele se caracteriza em uma ação econômica que visa à resolução de problema mas acarreta outro, obrigando uma escolha. Ocorre quando se abre mão de algum bem ou serviço distinto para se obter outro bem ou serviço distinto (WIKIPÉDIA, 2012). 22 Existem, porém, limites a serem impostos no momento da concessão do crédito, os quais serão estudados a seguir. 1.5.2 Limite de crédito No entendimento de Sá (1999), ao conceder crédito a um determinado cliente, a instituição bancária precisa também definir um valor máximo, ou seja, um limite de valor a ser liberado. Isso decorre igualmente do fator de risco ao qual a instituição está exposta. Entretanto, este limite de crédito precisa ser constantemente avaliado para o fim de novas contratações, podendo o tomador do crédito melhorar ou piorar sua situação econômica. Ao que Schrickel (2000, p. 139) expressa: “o limite de crédito é o valor total do risco que o emprestador deseja assumir no relacionamento com determinado cliente”. As instituições financeiras possuem serviços e órgãos aliados que auxiliam a detectar clientes de risco que exigem uma análise mais rigorosa da sua ficha cadastral no sentido de impor limites da concessão. Nesse sentido pode-se citar a Centralização de Serviços dos Bancos S/A (Serasa), o Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Federais (Cadin), e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Neste mesmo rumo Rosa Júnior (2002) afirma que o prazo de validade de um determinado limite de crédito varia de seis meses a um ano, e durante esse período podem ser feitas novas operações à medida que vençam as anteriores, sempre obedecendo ao valor previamente fixado. O autor também define os parâmetros que estabelecem os limites de crédito: Quanto o cliente merece de crédito: variável que pode assumir diversas grandezas, dependendo da qualidade do risco apresentado e do porte do cliente, sendo também chamado de “parâmetro técnico”; Quanto se pode oferecer de crédito ao cliente: variável ligada à capacidade de quem vai conceder o crédito e está ligado a parâmetros legais; e Quanto se deve conceder de crédito ao cliente: variável que decorre da política de crédito adotada pelo banco, com vistas à diversificação e pulverização da carteira de crédito. A instituição financeira, ao limitar o crédito concedido ao cliente não está considerando o valor de que ele necessita, ou que ele pode pagar. O limite de crédito é fixado pela instituição financeira com o fim de conhecer o cliente, identificar suas necessidades e os 23 riscos de pagamento. Ao agir dessa forma o banco se permite uma avaliação mais segura, com a possibilidade de conceder novos empréstimos no futuro. Além disso, cada instituição segue normas específicas, devendo encarar o crédito como um processo complexo que envolve experiência e conhecimento, além de métodos assertivos e utilização de instrumentos e técnicas adequadas. 1.5.3 Análise de crédito pela cooperativa A análise de crédito, portanto, pode ser entendida como uma tarefa complexa e de fundamental importância numa instituição financeira. O principal produto de uma instituição de crédito é o dinheiro, o qual não pode ser vendido (emprestado) à vista, razão porque emprestar dinheiro mediante cobrança de juros se torna o negócio central da instituição. Nakane (2003) expressa que o principal objetivo da análise de crédito numa instituição financeira é identificar os riscos eminentes dos empréstimos, evidenciando conclusões quanto à capacidade de pagamento do tomador, bem como fazendo recomendações em relação ao melhor tipo de empréstimo a ser concedido. A concessão ou não de crédito, portanto, ocorre a partir da análise da proposta de crédito do solicitante e, em caso de pessoa jurídica, dos balancetes, faturamentos, questionário de avaliação, resumo do balanço, ramo da atividade, etc. Já uma cooperativa de crédito, segundo Nakane (2003), considera as seguintes questões por ocasião da análise do pedido de empréstimo: função da área de cadastro, tarefa de análise de crédito, raciocínio do especialista, informações para análise, quocientes econômico-financeiros, tomada de decisão, e o parecer final. Nakane (2003) faz uma reflexão sobre cada uma dessas questões, a iniciar pela área de cadastro e análise de crédito, as quais visam a indicar uma margem referencial da capacidade econômico-financeira dos possíveis tomados de crédito e coobrigados ao sistema financeiro. A tarefa de análise de crédito visa analisar o solicitante e verificar se a instituição financeira aprova ou não o crédito solicitado. Em caso positivo deve informar o montante a ser liberado. De outra banda, a importância do resumo da situação do balanço da empresa decorre da necessidade de calcular os índices dos quocientes econômico-financeiros, os quais envolvem liquidez corrente e geral, imobilização, endividamento, garantias de capitais de terceiros e lucratividade sobre vendas. 24 Nesse contexto, uma cooperativa de crédito faz a juntada de toda a documentação que embasará tecnicamente o parecer final, onde se destaca o formulário da agência com a proposta de crédito e os pareceres. Finalmente, pareceres que apresentarem conceitos “insatisfatório” e “regular” provavelmente terão suas propostas negadas, enquanto que conceitos como “satisfatório” e “bom” terão a liberação do crédito solicitado. 1.5.4 Custo do crédito bancário Estudos de Costa (2004) revelam que o Brasil apresenta um conjunto de fatores negativos no que se refere à relação crédito/PIB, com a presença de altas taxas de juros e elevados spreads2 bancários. Em relação aos padrões mundiais percebe-se uma baixa oferta de crédito no país, ocasionada pelo alto custo do crédito, combinado com o baixo crescimento da economia. Costa (2004, p. 88) assim se expressa com relação ao spread bancário: Primeiramente há que se definir precisamente o que seja spread. Este é definido como a diferença entre o custo de captação dos bancos e o custo cobrado por ele quando concede um empréstimo. Portanto, não seconfigura aí o lucro do banco, pois há que se deduzir os custos vinculados à atividade de captação e empréstimo. Estudos de Troster (1993) e Nakane (2003) revelam que o custo do crédito de uma economia possui uma série de variáveis macroeconômicas e estruturais, entre as quais pode-se citar as seguintes: a taxa básica de juros, determinada pelo Banco Central;os recolhimentos compulsórios dos bancos na autoridade monetária;a taxa de inadimplência bancária;a base jurídica para a renegociação ou recuperação dos empréstimos não pagos;a carga tributária incidente sobre as operações de crédito; e o grau de estabilidade da economia. Depreende-se então que o crédito não depende tão somente da autoridade monetária, mas também dos aspectos fiscais, institucionais e jurídicos. Além disso, está subordinado aos agentes econômicos no que se refere à manutenção da estabilidade econômica e institucional. A partir disso Troster (1993) e Nakane (2003) trazem alguns conceitos quanto aos custos dos créditos bancários: 2 Spreads bancários: diferença entre o preço de compra (procura) e venda (oferta) de uma ação, título ou transação monetária. Por exemplo, se uma ação na bolsa de valoresfor comprada a 10 centavos e vendida a 1 real, tem-se um spread de 90 centavos. Grande parte do lucro obtido pelos corretores de títulos advém desta diferença. (WIKIPÉDIA, 2012). 25 Custos operacionais e administrativos – a atividade bancária é sofisticada e exige mão de obra muito qualificada, tecnologia avançada, investimentos vultosos e infraestrutura complexa. Custo compulsório – recolhimentos sobre depósitos à vista, a prazo e caderneta de poupança. Subsídios cruzados – a existência de crédito direcionado a taxas subsidiadas (por exemplo, crédito rural) faz com que parte do spread bancário cobrado sobre operações no segmento livre reflita uma compensação por estas operações. Custo do Fundo Garantidor de Crédito – fundo constituído com a contribuição de instituições financeiras para proteger correntistas, investidores e poupadores contra a intervenção, liquidação extrajudicial e falência. Custos tributários – taxas de tributos diretos e indiretos cobrados sobre a intermediação financeira. Custos de inadimplência – taxa de inadimplência deduzida do índice de empréstimos define o percentual efetivamente recebido pelo banco. Risco jurídico – ineficiência da aplicação da justiça no Brasil (com processos e custos demorados) agrava ainda mais os custos com inadimplentes. O item que segue apresenta o tema dos juros, e visa apresentar seu conceito e natureza, a fim de esgotar o assunto relativo ao crédito. 1.6 O CONCEITO E A NATUREZA DOS JUROS Segundo conceitua Keynes (1990), os juros são a remuneração paga pelo tomador de um empréstimo junto ao detentor do capital emprestado. Em sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, Keynes (1990, p. 98) apresenta o conceito econômico de jurocomo “instrumento de políticas de desenvolvimento econômico com manipulação da oferta monetária disponível”. Já a taxa de juros, afirma Keynes (1990), é responsável pela regulação do crescimento econômico de um país, ou seja, do equilíbrio entre a estabilidade e a instabilidade desse crescimento, da inflação e das causas de desemprego. Sua oscilação incentiva ora a poupança, ora o investimento, cuja função, respectivamente, é a decrescente e a crescente. Segundo opinião dos economistas neoclássicos, se o mercado de fundos de empréstimos for deixado livre, a instabilidade é passageira e o mercado se auto-organiza. 26 A seu ver, entretanto, o Governo deve intervir na economia de um país a fim de evitar que a instabilidade se transforme em crise porque o poupador, responsável pela disponibilidade de moeda nos cofres, deixa de investir no mercado de capitais em função do receio do retorno do seu investimento no mercado. O equilíbrio a ser buscado pelo Governo, portanto, é no sentido de intervir em situações como naquelas em que se houver mais gente poupando do que consumindo ou investindo na economia, o excesso de mercadoria levará à suspensão ou redução da produção e, em decorrência disso, o desemprego. Por outro lado, de houver excesso de procura pela produção, ocorre a inflação, em outras palavras, o aumento dos custos. A teoria keynesiana permite concluir, então, que a moeda e o crédito bancário estimulam a atividade econômica. Nesse cenário, o investimento depende da rentabilidade que deverá ser superior ao custo. Por outro lado, quanto menor a taxa de juros na concessão de crédito bancário, maior a possibilidade de investimentos. 1.6.1 Juros bancários Em seus estudos, Keynes (1990) afirma que os juros são determinantes do investimento, e afetam diretamente o nível de emprego e de renda. Pesquisas realizadas em material do curso de Economia, organizado por Dal Ri (2009a), revelam que, a fim de normatizar o funcionamento das instituições financeiras e suas operações, foi criado em 31 de dezembro de 1964, por meio da Lei n. 4.595/64, o Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja atuação ocorre por meio de seu agente executivo – o Banco Central do Brasil (Bacen). Passados alguns anos, em 21 de setembro de 1988, o Bacen emitiu a Resolução n. 1.524/88, a qual constituiu os chamados “Bancos Múltiplos”, estendendo a competência dos bancos comerciais a outras instituições integrantes do sistema financeiro nacional. Com isso, leque de suas atividades foi ampliado no sentido de financiar, a curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. Além disso, o banco comercial passou a descontar títulos; realizar operações de abertura de crédito, simples ou em conta corrente; realizar operaçõesespeciais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio internacional; captar depósitos àvista e a prazo fixo; obter recursos junto a instituições oficiais; obter recursos no exterior, pararepasse; efetuar operações acessórias ou de prestação de serviços, inclusive medianteconvênio com outras instituições. 27 Ainda segundo o mesmo material organizado por Dal Ri (2009a), em decorrência da concessão de empréstimos pelos bancos comerciais, houve a multiplicação da moeda criada pelo Bacen, impedindo que as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras se desvencilhassem da taxa de juros oferecida pelo Governo aos investidores nacionais e estrangeiros. Essa taxa de juros passou a regular a oferta de dinheiro no país e, consequentemente, controlar a inflação, tentando atrair recursos internos e externos a fim de financiar investimentos e rolar a dívida do Governo. Depreende-se daí que a taxa de juros praticada num país é uma espécie de reguladora do seu crescimento econômico, bem como da sua estabilidade ou instabilidade, da inflação e das causas de desemprego. Constitui-se, assim, num instrumento econômico capaz de fortalecer o mercado que sofre as pressões com as crises mundiais. Convém esclarecer ainda que a oferta de moeda se refere ao volume de papel-moeda em poder da população e aos depósitos à vista nos bancos comerciais. Nesse contexto, o Bacen atua de forma a estipular um percentual sobre os depósitos recebidos pelos bancos comerciais, o qual serve como reserva (compulsório), cujo excedente é emprestado em forma de empréstimos bancários (DAL RI, 2009a). No item que segue o estudo faz referência ao financiamento de veículos, com destaque para a taxa de juros e a garantia de pagamento pelo tomador do empréstimo. 1.7 FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS O mercado financeiro disponibiliza de uma linha de crédito para o financiamento de veículos, a qual pode ser utilizada tanto por pessoas físicas como jurídicas, de grande ou de pequeno porte. Ela é liberada para aquisição de veículos como automóveis e utilitários, tanto nacionais como importados, novos ou usados. O crédito é liberado mediante o pagamento de uma taxa de juros prefixada, em prestações mensais. Como garantia do empréstimo, a instituição financeira utiliza a alienação fiduciária do próprio bem, objeto do empréstimo, além do aval de uma pessoa física, sem restrição de crédito. A fim de compreender a fórmula de cálculo utilizada nesses empréstimos, passa-se a seguir a descrever a Tabela Price, que é um método de amortização de dívidas. 28 1.8 TABELA PRICE A Tabela Price é um sistema francês de amortização, criado em 1771, por Richard Price. Inicialmente, ela foi apresentada em sua obra Observations on Reversionary Payments, e visava calcular o pagamento de pensões e aposentadorias. Foi somente a partir da Segunda Revolução industrial que sua forma de cálculo foi aproveitada para amortizações de empréstimos. Sua característica principal é apresentar prestações ou parcelas iguais (CAMPOS FILHO et al., 2009). No texto que segue apresenta-se um breve relato histórico desse sistema, que foi criado há mais de 200 anos e que ainda hoje é considerado um método bastante eficaz no cálculo das amortizações de empréstimos. 1.8.1 Histórico do Sistema Francês de Amortização – Tabela Price Segundo Sandroni (2010), Richard Price foi um filósofo que nasceu na Inglaterra, em 23 de fevereiro de 1723. Atuou como padre da igreja dissidente da Grã-Bretanha e foi político republicano liberal apoiador da Revolução Americana. Seu pai, Rhys Price, foi ministro calvinista de linha extremamente puritana e disciplinadora, e faleceu em 1740, quando Richard tinha 17 anos. Naquele ano mudou-se para Londres, indo morar com seu tio Samuel Price, onde completou seus estudos na C. Academy, em Tenter Ailey, Moorfields. Lá adquiriu instrução e influência de John Eames. Em 1748 tornou-se ministro presbiteriano e sua primeira assistência como ministro religioso foi par George Streatfield. Posteriormente, em 1758, Richard Price publicou a obra que seria considerada mais tarde como a mais importante de seu repertório – Review of the Principal Questions in Morals. E em 1769 entrou no campo da estatística, com a publicação de Northampton Mortality Tables (Tábuas de Mortalidade de Northampton), cuja obra tinha sido encomendada pela seguradora inglesa Equitable Society. Sua produção permitiu calcular a probabilidade de vida e de morte na Inglaterra, e serviu de cálculo de seguro e de aposentadoria (SANDRONI, 2010). A partir dessas obras, em 1771, Richard Price publicou Observations on Reversionary Payments (Observação sobre Devolução de Pagamentos Reversíveis), editada até a sétima edição em 1812. 29 Foi a partir da Segunda Revolução Industrial, entretanto, que a Tabela Price ficou conhecida como método de amortização de empréstimo em função do grande incentivo ao consumo, assumindo a denominação “Sistema Francês de Amortização”. O procedimento adotado para o cálculo desta modalidade de amortização é uma padronização das prestações durante o período de pagamento dos valores mediante o uso de regime de juros compostos, a partir dos quais é definido o valor das parcelas do empréstimo, dos juros e da amortização do valor emprestado. Estudos de Dal Ri (2009b) apresentam como exemplo um financiamento no valor de R$ 10.000,00 para ser amortizado em cinco prestações anuais iguais à taxa de juros de 20% ao ano. Os valores e o procedimento deste cálculo podem ser realizados mediante a utilização da fórmula para séries uniformes de amortização imediata: Pv PMT . (1 i) n 1 i(1 i) n Onde: PV = valor do financiamento PMT = o valor das parcelas n = número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento i = a taxa unitária contratada Cálculo: 1.000,00 PMT . (1 0,20)5 1 PMT= 3.343,80 0,20x(1 0,20)5 A fim de apurar e demonstrar a forma como os valores são amortizados pela Tabela Price, a qual é interativa, deve-se mensalmente e a partir do primeiro mês, calcular o saldo devedor pelo seguinte processo: – multiplicar o saldo devedor do período anterior por 1 + juros; – subtrair o valor a ser pago do valor dos juros para formação da cota de amortização; – no último mês o saldo devedor deverá ser igual a zero. 30 Nº Prestação Juros Cota amortização 0 1 3.343,80 2.000,00 1.343,80 2 3.343,80 1.731,24 1.612,56 3 3.343,80 1.408,73 1.935,07 4 3.343,80 1.021,72 2.322,08 5 3.343,80 557,3 2.786,50 ∑ 16.718,99 6.718,99 10.000,00 Quadro 1. Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês (SAF) Fonte: Dal Ri (2009a). Saldo devedor 10.000,00 8.656,20 7.043,65 5.108,58 2.786,50 - Conforme Dal Ri (2009a), a partir das informações disponibilizadas no Quadro 1 pode-se elaborar algumas considerações sobre a Tabela Price: 1) as prestações são constantes até o final do período (valor de R$ 3.343,80); 2) os juros são calculados sobre o saldo devedor anterior (10.000,00 x 20% = 2.000,00) e assim sucessivamente; 3) a cota de amortização representa o valor pago menos os juros calculados (3.343,80 – 2.000,00 = 1.343,80) e assim sucessivamente; 4) o saldo devedor para cada período é obtido por meio da diferença entre o saldo devedor anterior e a cota de amortização (10.000,00 – 1.343,80 = 8.656,20) e sucessivamente; 5) os juros decrescem a cada período (é fácil verificar, pois como estes são calculados sobre o saldo devedor e decrescem a cada período após serem amortizados, os juros sobre este saldo ficam menores e assim a cota que amortiza o saldo começa a ser crescente, até que a última cota de amortização fica igual ao saldo devedor do período anterior). Após referenciar brevemente o tema em questão, a partir da busca de autores renomados, o capítulo que segue traz o percurso metodológico cumprido no decorrer do estudo para, finalmente, apresentar os resultados a que se chegou com a realização da pesquisa. 31 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este capítulo trata da metodologia do estudo. Segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 83), metodologia “é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que permitem alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões”. A metodologia é, portanto, o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimento válido e verdadeiro – traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões. 2.1 CLASSIFICAÇÃO DO ESTUDO Esta pesquisa pode ser classificada como documental, bibliográfica e de estudo de caso. No entendimento de Gil (2007, p. 45), uma investigação documental “baseia-se em materiais que ainda não receberam tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa”. Nesse sentido podem ser elencados como documentos os seguintes: correspondência pessoal, documentos cartoriais, registros de batismo, epitáfios, registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, comunicações informais, filmes, microfilmes, fotografias, videotape, informações em disquetes, diários, cartas pessoais, entre outros. Gil (2007) destaca ainda que os documentos constituem fonte rica e estável de dados. Enquanto isso, Ruiz (1982, p. 58) faz menção à pesquisa bibliográfica, a qual constitui a relação de obras consultadas ou citadas por um autor no momento de elaboração de um texto. Para o autor: Bibliografia é o conjunto de livros escritos sobre determinado assunto ao longo da evolução da Humanidade. E a pesquisa bibliográfica consiste no exame desse manancial, para levantamento e análise do que já se produziu sobre o determinado assunto que assumimos como tema de pesquisa científica. (RUIZ, 1982, p. 58). Já estudo de caso é designado por Gil (2002) como o estudo no qual se pretende obter um conhecimento profundo e exaustivo de uma determinada realidade. O autor explica que o estudo de caso visa fornecer uma visão global do problema, identificando fatores que influenciam. Tratado de forma profunda e exaustiva, o estudo de caso permite grande detalhamento do conhecimento, sendo utilizado na exploração de situações reais onde os limites não são definidos, preservando a particularidade do objeto estudado. 32 2.2 TIPOS DA PESQUISA Conforme definição proposta por Vergara (2002), esta pesquisa é do tipo exploratório ou descritivo, uma vez que busca estudar e descrever dados sobre o crédito de veículos liberado pela Cooperativa de Crédito – Sicredi Noroeste RS, Unidade de Três de Maio. A exemplo das demais instituições financeiras, a Sicredi Noroeste RS vem investindo em crédito, especialmente na linha de financiamento de veículos. Nesse sentido, trabalha na divulgação do crédito junto às revendas de veículos, por meio da imprensa escrita, falada e eletrônica. A instituição consegue realizar inúmeros contratos em função das facilidades proporcionadas aos clientes, como parcelamento estendido, baixas prestações e o principal – realização do sonho do carro próprio. 2.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS No presente estudo buscou-se fundamentar a teoria em obras de estudiosos do tema, os quais estão relacionados no Referencial Bibliográfico. Além disso, contou-se com a disponibilização de documentos do Sicredi Noroeste RS, os quais foram fundamentais na construção do estudo. 2.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Referências econômicas foram fundamentais para a análise e interpretação dos dados. Além disso, a análise de dados obtidos em documentos do Sicredi Noroeste RS permitiu conhecer as formas de calcular a quantidade de crédito concedido em financiamentos para aquisição de veículos. Partiu-se inicialmente de uma pesquisa junto ao Detran, onde se identificou o total de veículos transferidos e emplacados no município de Três de Maio no primeiro semestre de 2012. A partir dessas informações obteve-se o percentual de associados que procuraram a Sicredi Noroeste RS de Três de Maio para financiar seu veículo, chegando-se assim à participação de mercado. Ressalta-se que o estudo utilizou somente dados dos associados da Sicredi Noroeste RS do município de Três de Maio. A sistematização dos dados serviu de ferramenta para alcançar os objetivos inicialmente propostos. 33 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA A Cooperativa Sicredi, agência de Três de Maio, objeto deste estudo, pertence à Cooperativa Sicredi Noroeste do RS, cuja forma jurídica é Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Noroeste do RS. O Sistema Sicredi possui uma expressiva representação, uma vez que é formado por 113 cooperativas de crédito que compõem mais de 2,1 milhões de associados. Essas cooperativas estão ligadas a uma Central Estadual, organizadas em quatro grupos de Estados distintos: RS/SC, PR/SP, MT e MS. A expressiva estrutura do Sistema Sicredi, formada por Cooperativas Centrais e Singulares, levou o grupo a constituir uma holding, denominada Sicredi Participações, que foi conduzida por um Conselho de Administração formado pelo Presidente de cada Central Estadual e por um Presidente de Cooperativa de cada Estado. Esta holding é responsável pelo controle das empresas do Sistema Sicredi, como a Confederação Sicredi, a Fundação Sicredie o Banco Cooperativo Sicredi S/A. A este último estão ligadas ainda a Corretora de Seguros, a Administradora de Cartões, a Administradora de Bens e a Administradora de Consórcios. Um fato de expressiva importância foi a parceria firmada em 2010 com o sistema holandês Rabo Financial Institutions Development (RD), participante do grupo holandês Rabobank, que atua em 40 países. Com esta parceria o sistema holandês passou a transferir uma experiência de 160 anos de organização, e a investir nas atividades econômicas do quadro associativo da Cooperativa Sicredi. 3.1 HISTÓRICO DA COOPERATIVA SICREDI Descreve-se, a seguir, um pouco da história da Cooperativa Sicredi no Brasil, com destaque para a chegada do padre Theodor Amstad em Nova Petrópolis, no RS, e o desenvolvimento do espírito cooperativo que representava a união dos produtores rurais da época. 3.1.1 A Sicredi no Brasil Em 1844, com a segunda fase da Revolução Industrial, os trabalhadores sofriam com a exploração da sua mão de obra e com os baixos salários. Rochdale, na Inglattera, foi pioneira 34 ao organizar os tecelões, cuja carga horária chegava a 15 horas por dia, fundando uma cooperativa de consumo para alterar a perspectiva de sua inserção no mercado econômico. Passados alguns anos, em 07/09/1858, foi fundada no Rio Grande do Sul, a Colônia Imperial Nova Petrópolis, no terceiro distrito do município de São Sebastião do Caí. Em sua sede, chamada de Stadplatz, foram instalados os imigrantes teutos, todos evangélicos, originários de Hunrück (Alemanha). E na Linha Imperial, a cerca de sete quilômetros dali, no Kaiserthal, instalaram-se os católicos, vindos da Boêmia. A exemplo do que aconteceu com a maior parte dos imigrantes, esta colônia também não recebeu o apoio prometido pelo governo, e teve sérias dificuldades para se organizar. Nesta história cabe destaque para o padre Theodor Amstad S. J., suíço de língua alemã, pertencente à ordem jesuíta, que aqui aportou em 1885 com o objetivo de ser vigáriooperador, dando atendimento espiritual aos imigrantes em suas visitas em itinerários religiosos. Nessas visitas passou a conhecer a história de cada morador, e percebeu que, além de apoio espiritual, precisavam também de assistência social e econômica. Figura 1. Pe. Theodor Amstad, pioneiro do cooperativismo de crédito no RS. Fonte: Cooperativa Sicredi Noroeste RS (2012). O padre logo percebeu que a melhor maneira de ajudá-los seria reuni-los em grupos, e passou a organizar diversas associações. Surgiu assim a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad de Nova Petrópolis, que utilizou o sistema Raiffeisen, constituindo-se na primeira e mais antiga Cooperativa de Crédito do Brasil e das Américas. Aspectos como a distância dos grandes centros urbanos, a inexistência de bancos na região e as dificuldades de locomoção fizeram com que o padre Amstad idealizasse uma organização de crédito no estilo de cooperativismo de crédito europeu a fim de solucionar os problemas vigentes. E, em 25/02/1900 lançou na Vila de Santa Catarina da Feliz, atual 35 município de Feliz, a sua ideologia cooperativista, sendo que a partir dela foram realizados vários encontros para discutir a fundação da cooperativa. Dois anos após, em 28/12/1902, com a presença de 20 pessoas que assinaram a ata, foram aprovados os estatutos da então Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, atual Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Pioneira da Serra Gaúcha – Sicredi Pioneira RS, uma das 10 maiores cooperativas de crédito do Brasil. Na ocasião o próprio padre Amstad redigiu a ata de fundação, totalmente escrita em língua alemã, da qual se obteve uma tradução: Ata de fundação da Sociedade Cooperativa Caixa de Economia e Empréstimos de Nova Petrópolis, realizada na casa do Sr. Nicolau Kehl, dia 28 de dezembro de 1902, em Linha Imperial. Os 19 sócios abaixo assinados fundaram definitivamente a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad e aprovaram os estatutos apresentados com pequenas alterações. Pela elaboração abnegada e bem feita dos estatutos pelo Sr. Anton Maria Feix a assembleia agradeceu calorosamente. Logo após o registro a Caixa deverá começar a funcionar. As cotas de capital de giro deverão ser pagas até o dia 15 de janeiro do próximo ano. Como tesoureiro provisório foi escolhido o Sr. Josef Neumann Senior e encarregado de tomar as devidas providências. (SICREDI NOROESTE RS, 2012). Este foi o ponto de partida da maior rede de organizações do sistema Raiffeisen da América do Sul, e logo se seguiram as cooperativas de crédito de Bom Princípio, Lajeado, São José do Herval, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Cerro Largo, etc., que até 1964 formavam uma rede 62 cooperativas, todas filiadas à Central de Caixas Rurais. A figura 2, que segue, retrata a imagem da casa que abrigava a Caixa Rural de Nova Petrópolis, no início do século 20, considerada a primeira cooperativa de crédito do RS. Figura 2. Caixa Rural de Nova Petrópolis, primeira cooperativa de crédito do RS. Fonte: Cooperativa Sicredi Noroeste RS (2012). 36 Após alguns anos, a Caixa Amstad já dominava totalmente o movimento financeiro, e era considerado o “banco” não só dos colonos, mas de toda a região de Nova Petrópolis. Em 1964 foi criada a Lei n. 4.595, chamada “Lei da Reforma Bancária” que passou a estipular uma série de exigências quanto a proibições e alterações às quais as cooperativas de crédito precisaram se adaptar. Com isso, houve uma certa decadência do cooperativismo de crédito, e em 1977 restavam apenas 15 cooperativas das 62 que existiam no Rio Grande do Sul, sendo, inclusive, dissolvida a Cooperativa Central das Caixas Rurais. Passados alguns anos, em 27 de outubro de 1980, foi constituída a Cooperativa Central de Crédito do Rio Grande do Sul – Cocecrer/RS, originada a partir da junção de nove cooperativas de crédito que haviam composto o Raiffeisen no Estado. A ideia de unificar a identidade de todas as cooperativas de crédito ao Sistema de Crédito Cooperativo foi firmada em 10 de julho de 1992, quando todas as cooperativas, a Cocecrer/RS e suas filiadas passaram a adotar a marca de “Sicredi”. No texto que segue faz-se referência à Sicredi Noroeste RS, apresentando dados de sua origem e principais fatos históricos. 3.1.2 Sicredi Noroeste RS A criação da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Noroeste do RS – Sicredi Noroeste foi a semente embrionária que originou o surgimento de outras cooperativas de crédito na região, todas seguindo os ensinamentos e doutrina do padre Theodor Amstad. Em Crissiumal foi criada, em 1946, uma cooperativa de crédito no estilo Caixa Popular Raiffeisen, mais tarde denominada de Credicris. Em 1952 um grupo de pessoas com objetivos comuns se reuniu em Horizontina a fim de constituir e implantar a Caixa Rural daquele município, denominada de Copercreal. E em 1981, na comunidade de Três de Maio, foi criada a Credimaio, numa iniciativa dos empreendedores e líderes de Três de Maio e Independência. Em função de inúmeras dificuldades econômicas decorrentes da situação do país, algumas unidades fecharam seus pontos de atendimento, enquanto outros se reestruturam a fim de reduzir custos. Nesse sentido, o Sicredi Central sugeriu a união das Sicredis do interior do Estado, cujo tema originou vários encontros onde foram traçadas estratégias e decisões. 37 Enfim, no dia 01/07/1995 aconteceu a incorporação da Sicredi de Horizontina, e em maio de 1996 houve a fusão das Sicredis Crissiumal e Três de Maio, que ocorreu mediante o atendimento de duas condições básicas: a) a entidade jurídica, com seu CNPJ, seria o de Crissiumal; b) a sede de processamento e de administração seria em três de Maio. Outro assunto foi a decisão do nome fantasia da Cooperativa de Crédito, que passou a ser Sicredi Noroeste. No dia 26 de junho do mesmo ano, em nova Assembleia Geral Extraordinária, com a presença das duas cooperativas, houve a homologação de toda essa mudança, sendo proposta a criação de novo Estatuto, com mudança de área de atuação e de nome. Em junho daquele ano ocorreu formalmente a constituição da Sicredi Noroeste mediante a junção das operações Ativas, Passivas, de Serviços e de Recursos Humanos. Naquele momento as contas dos associados de Crissiumal passaram a ser processadas em Três de Maio, sendo mantido o mesmo número original, enquanto as contas dos associados de Três de Maio receberam números sequentes aos de Crissiumal. Na data de 16/06/2004 a Resolução do Banco Central n. 3.106, de 25/06/2003, alterou a natureza jurídica da Sicredi Noroeste para Cooperativa de Livre Admissão de Associados Noroeste do Rio Grande do Sul. Atualmente, a Superintendência da Cooperativa Sicredi Noroeste do RS está localizada na cidade de Três de Maio, município onde está sendo realizado este estudo. Destaca-se que a cidade suporta, além da Superintendência, duas Unidades de Atendimento (Centro e Rua Horizontina), contando com uma população de 23.736 habtantes (segundo Censo do IBGE de 2011), dos quais 10.169 são associados do Sicredi Noroeste (42,84%). Outro dado interessante é que a Sicredi Noroeste RS abrange hoje 12 municípios da região Noroeste do Estado, sendo eles: Três de Maio, Independência, Inhacorá, Alegria, São José do Inhacorá, Boa Vista do Buricá, Humaitá, Crissiumal, Tiradentes do Sul, Nova Candelária, Doutor Mauricio Cardoso e Horizontina. O quadro 2, a seguir, apresenta a distribuição dos associados desses municípios, relacionando-os à população e sua classificação como pessoas físicas e pessoas jurídicas. 38 Assoc. % participa- Assoc. Total % participaPopulação PF ção PF PJ Empresas ção PJ Crissiumal 6.884 6.564 14.084 46,60% 320 774 41,30% Horizontina 7.744 7.193 18.348 39,20% 551 1.134 48,60% Humaitá 3.112 3.008 4.919 61,20% 104 288 36,10% Boa Vista do Buricá 3.422 3.173 6.574 48,30% 249 664 37,50% Tiradentes do Sul 3.632 3.530 6.461 54,60% 102 205 49,80% Maurício Cardoso 2.477 2.379 5.313 44,80% 98 217 45,20% São Jose do Inhacorá 1.594 1.508 2.200 68,50% 86 103 83,50% Independência 3.327 3.198 6.618 48,30% 129 273 47,30% Alegria 2.483 2.389 4.301 55,50% 94 179 52,50% Inhacorá 1.525 1.461 2.267 64,40% 64 32 200,00% Nova Candelária 1.884 1.780 2.751 64,70% 104 132 78,80% Três de Maio 10.169 9.379 23.726 39,50% 790 1.484 53,20% Sicredi Noroeste 48.253 45.562 97.562 46,70% 2.691 5.485 49,10% Quadro 2. Distribuição dos associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Município Associados 3.1.3 Missão da Sicredi Noroeste RS Estudos de Oliveira (2005) revelam que “a missão é a razão de ser da empresa, procura-se determinar qual o negócio da empresa, pro que ela existe, ou, ainda em que tipos de atividades a empresa deverá concentrar-se no futuro”. Nesse sentido, pode-se descrever a missão da Sicredi Noroeste RS como: “Valorizar o relacionamento, oferecer soluções financeiras para agregar renda e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos associados e da sociedade”. 3.1.4 Visão da Sicredi Noroeste RS De outra banda, Oliveira (2005) expressa que a visão de uma empresa é caracterizada como os limites que os proprietários e principais executivos da empresa conseguem visualizar dentro de um período de tempo mais longo. A visão, portanto, proporciona a definição do planejamento estratégico a ser desenvolvido e implementado pela empresa. No caso da Sicredi Noroeste RS, sua visão pode ser apresentada da seguinte forma: “Ser reconhecido pela sociedade como instituição financeira cooperativa, com excelência operacional e gestão, voltada para o desenvolvimento econômico e social”. 3.1.5 Valores da Sicredi Noroeste RS Segundo Oliveira (2005) “os valores representam o conjunto dos princípios e crenças fundamentais de uma empresa, e fornecem sustentação a todas as suas principais decisões”. 39 Aplicados à Sicredi Noroeste RS, os valores podem ser interpretados como: a) preservação irrestrita da natureza cooperativa do negócio; b) respeito à individualidade do associado; c) valorização e desenvolvimento das pessoas; d) preservação da instituição como sistema; e) respeito às normas oficiais e internas; e f) eficácia e transparência na gestão. 3.2 PLANILHAMENTO DOS DADOS Conforme documentos apresentados pela Cooperativa de crédito Sicredi Noroeste RS referentes à região da pesquisa pode-se verificar que do total dos associados desta cooperativa de crédito, a unidade de Três de Maio/RS é a maior, com mais de 21% do total desta cooperativa, conforme pode se verificar graficamente: 14,27% 21,07% 3,90% 16,05% 3,16% 5,15% 6,45% 6,89% 7,09% 3,30% 5,13% Crissiumal Tiradentes do Sul Alegria Horizontina Dr. Mauricio Cardoso Inhacorá 7,53% Humaitá São Jose do Inhacorá Nova Candelária Boa Vista do Buricá Independência Três de Maio Figura 3. Percentual de associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Ao analisar os dados do município de Três de Maio, RS, percebe-se que mais de 40% dos habitantes deste município são associados desta Unidade de Atendimento da Sicredi Noroeste RS. Salienta-se, porém, que não foi possível verificar o número de habitantes deste município que possuem contas bancárias em toda sua rede bancária. O quadro 3, a seguir, apresenta a distribuição de associados da Sicredi Noroeste RS que compõem a população do município de Três de Maio. 40 Município Associados Pessoa Física Associados Pessoa Jurídica Total de Associados População PIB per capita PIB Três de Maio 9.379 790 10.169 23.726 417.949.608 17.616 Quadro 3. Distribuição dos associados da Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS. Fonte: dados da pesquisa (2012). Conforme dados obtidos junto ao Detran de Três de Maio, o número total de veículos que se encontram emplacados neste município no ano de 2012 é de 13.532, dos quais 7.411 Três de Maio 7.411 3.119 951 561 88 Quadro 4. Número total de veículos emplacados em Três de Maio, RS, em 2012. Fonte: Detran de Três de Maio, RS (set. 2012). 1 27 Total Outros Trator de Rodas, Trator Esteiras e Trator Misto Ônibus e Microônibus Reboque e SemiReboque Caminhão e Caminhão Trator Motocicletas, Motonetas, Ciclomotores Automóvel Município são automóveis. 13.532 Segundo dados deste departamento, em 2012, até o mês de junho, foram emplacados 235 carros novos, dos quais 41 novos e 91 usados foram financiados pela Unidade de Atendimento desta Cooperativa. O quadro 5, a seguir, apresenta o número de veículos financiados (novos e usados) no período da pesquisa. Período Carros novos Carros usados Total Valor total (R$) Janeiro/2012 8 17 25 385.900,01 Fevereiro/2012 6 16 22 349.563,72 Março/2012 6 14 20 269.406,34 Abril/2012 5 10 15 268.264,04 Maio/2012 9 18 27 398.155,44 Junho/2012 7 16 23 447.396,96 Total 41 91 132 2.118.686,51 Quadro 5. Número total de veículos financiados pela Unidade de Atendimento da Sicredi Noroeste RS, Três de Maio – 1º semestre de 2012. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Observou-se que durante os meses pesquisados, a procura por financiamentos de carros usados nesta Unidade de Atendimento da Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS representa aproximadamente 69%. O gráfico a seguir apresenta os percentuais mensais dos veículos financiados no período da pesquisa. 41 100,00% 80,00% 60,00% 68,00% 72,73% 70,00% 66,67% 66,67% 69,57% 40,00% 20,00% 32,00% 27,27% 30,00% 33,33% 33,33% 30,43% 0,00% jan-12 fev-12 mar-12 Carros novos abr-12 mai-12 jun-12 carros usados Figura 4. Financiamentos aprovados para aquisição de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Do total dos valores financiados, em média 46% são destinados à compra de carros novos. Ressalta-se, contudo, que por questões éticas comerciais não foi possível obter os valores exatos de cada carro novo ou usado financiado, e sim apenas o valor total dos financiamentos mensais, bem como os percentuais aproximados entre os valores financiados de carros usados e novos. Ainda conforme informações obtidas, nenhum veículo foi totalmente financiado, em média a Unidade de Atendimento Três de Maio financiou 80% do valor de compra de cada veículo, cujo detalhe, porém, não é objeto desta pesquisa. A seguir, o quadro 6 apresenta os valores destinados a financiamentos de veículos nesta Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS: Período Carros novos (R$) Carros usados (R$) Total financiado Janeiro/12 177.514,00 208.386,01 385.900,01 Fevereiro/12 160.799,31 188.764,41 349.563,72 Março/12 123.926,92 145.479,42 269.406,34 Abril/12 123.401,46 144.862,58 268.264,04 Maio/12 183.151,50 215.003,94 398.155,44 Junho/12 205.802,60 241.594,36 447.396,96 Total 974.595,79 1.144.090,72 2.118.686,51 Quadro 6. Valor total de financiamentos de veículos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – 1º sem./2012. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Os valores apresentados no quadro 6 podem ser visualizados no gráfico a seguir, onde se pode fazer uma comparação entre o montante de veículos novos e usados financiados pela referida Unidade de Atendimento. 42 250.000,00 200.000,00 150.000,00 100.000,00 50.000,00 jan-12 fev-12 mar-12 Carros Novos (R$) abr-12 mai-12 jun-12 Carros usados (R$) Figura 5. Evolução mensal dos valores dos carros novos e usados – período janeiro a junho/2012. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Os resultados da pesquisa revelam que os meses de março e abril de 2012 foram os que apresentaram menor número de financiamentos de veículos e, consequentemente, os valores monetários financiados ficaram em patamar reduzido nesse período. Uma explicação pode ser os problemas climáticos ocorridos neste ano que afetaram a produção de grão do município em estudo. Para a concessão do crédito de financiamentos as instituições financeiras devem cumprir normatização do Banco Central do Brasil. A partir dos dados apresentados anteriormente com relação aos valores totais financiados pela Unidade de Três de Maio da Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS, constata-se que um total de 132 carros foram financiados no período em análise, perfazendo um total de R$ 2.118.686,51 a serem pagos em 36 messes, com parcelas mensais fixas a uma taxa média de 2,10% a.m. para carros novos e 2,70% para carros usados. Considerando que o valor total de financiamentos para carros novos foi de R$ 974.595,79, a serem pagos em 36 meses a uma taxa de 2,10% ao mês, e utilizando a fórmula para séries uniformes de amortização imediata, normalmente utilizada para este tipo de financiamento, tem-se que: 974.595,79 PMT x . (1 2,10%)36 1 2,10%(1 2,10%)36 Parcelas R $ 38 .852 ,92 43 Onde: PV = valor do financiamento = R$ 974.595,79 PMT = o valor das parcelas = R$ 38.852,92 n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento de 36 meses i = a taxa mensal cobrada de 2,10%. Ao se observar o cálculo anteriormente apresentado percebe-se que o valor dos 41 carros novos financiados neste período em análise resultou numa prestação total a ser restituída à instituição credora no valor de R$ 38.852,92 mensais, para pagamento em 36 meses, a uma taxa de 2,10%. Com isso, os tomadores deste financiamento pagarão uma taxa de juro anual nominal de 25,20% e uma taxa de juro efetiva anual de 28,3243%, perfazendo no período uma taxa efetiva de 111,31%. Ou seja, neste total de empréstimo os clientes pagarão o capital emprestado de R$ 974.595,79 em 36 prestações mensais de R$ 38.852,92 durante três anos (36 meses), totalizando R$ 1.398.705,25, valor que inclui o capital financiado mais os juros contratuais que representam R$ 424.109,46. O quadro 7, a seguir, apresenta os valores das prestações, juros e amortizações que serão efetuadas durante cada ano. Em complementação, o Anexo 1 deste estudo apresenta a memória de cálculo dos valores apurados mensalmente. Total quota de amortização 1º ano 466.235,08 218.243,53 247.991,55 2º ano 466.235,08 148.001,66 318.233,42 3º ano 466.235,08 57.864,27 408.370,81 Total 1.398.705,25 424.109,46 974.595,79 Quadro 7. Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos de carros novos junto à Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Período Total das prestações Total de juros Conforme já mencionado inicialmente, este estudo utilizou a Tabela Price para o cálculo dos juros. Nesse sentido, os juros são cobrados sobre o saldo devedor de cada período em que é amortizada a dívida (neste caso, mensalmente). Verifica-se que só no primeiro ano o total de juros cobrados representa aproximadamente 50% do valor total dos pagamentos das prestações. Considerando que o valor total de financiamentos para carros usados foi de R$ 1.144.090,72 a serem pagos em 36 meses a uma taxa de 2,70% ao mês, e utilizando a fórmula 44 para séries uniformes de amortização imediata, indicada para este tipo de financiamento, temse que: 1.144.090,72 PMT x . (1 2,70%)36 1 2,70%(1 2,70%)36 Parcelas R $ 50 .084 ,55 Onde: PV = valor do financiamento = R$ 1.144.090.72 PMT = o valor das parcelas = R$ 50.084,55 n = o número de prestações a serem pagas para quitação do saldo devedor do financiamento de 36 meses i = a taxa mensal cobrada de 2,70%. Ao se observar o cálculo anteriormente apresentado percebe-se que o valor dos 91 carros usados financiados neste período em análise resultou numa prestação total a ser restituída à instituição credora de R$ 50.084,55 mensais, em 36 meses, a uma taxa de 2,70%. Com isso, os tomadores deste financiamento pagarão uma taxa de juro anual nominal de 32,40% e uma taxa de juro anual efetiva de 37,67%, perfazendo um total de 160,94% de juros no período financiado. Ou seja, neste total de empréstimo os clientes pagarão o capital emprestado de R$ 1.144.090,72 em 36 prestações mensais de R$ 50.084,55 durante três anos (36 meses), totalizando R$ 1.803.043,91, cujo valor engloba o capital financiado mais os juros contratuais que representam R$ 658.953,19. O quadro 8, a seguir, apresenta os valores das prestações, juros e amortizações que serão efetuadas durante cada ano, enquanto que o anexo 2 deste estudo apresenta a memória de cálculo dos valores apurados mensalmente.: Período Total das prestações Total quota de amortização 267.806,83 368.694,77 507.589,12 1.144.090,72 de carros usados junto à Unidade de Total de juros 1º ano 601.014,64 333.207,80 2º ano 601.014,64 232.319,86 3º ano 601.014,64 93.425,52 Total 1.803.043,91 658.953,19 Quadro 8. Valores a serem pagos anualmente pelos financiamentos Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). 45 Da mesma forma como ocorre com o financiamento dos carros novos, neste caso também foi utilizada a Tabela Price para calcular a taxa de juros incidente sobre os empréstimos. Outro dado importante revelado pela pesquisa foi com relação ao valor total dos financiamentos realizados pela Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS no primeiro semestre de 2012, tanto para carros usados como para carros novos, o qual foi estimado em R$ 2.118.686,51 a serem pagos num prazo de três anos. O gráfico a seguir permite visualizar esses dados, proporcionando melhor compreensão dos montantes financiados e o respectivo processo de quitação das dívidas. 1.200.000,00 1.000.000,00 800.000,00 total prestação 600.000,00 total de juros 400.000,00 total quota de amortização 200.000,00 1o.ano 2o.ano 3o.ano Figura 6. Valores totais a serem pagos anualmente à Unidade de Atendimento Três de Maio. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Como se pode observar, estes financiamentos foram calculados segundo a Tabela Price de amortização, em que as prestações são constantes até o final do período, os juros calculados sobre o saldo devedor decrescem a cada período e, consequentemente, as amortizações da dívidam crescem até o final de sua quitação. Isso leva a concluir que deverá sair da economia doméstica da região um montante de R$ 3.201.749,16 para quitar estes valores financiados, dos quais R$ 1.083.062,65 será para o pagamento de juros. Em outras palavras, trata-se de valores que deixarão de circular na economia doméstica deste município, passando a circular pelo mercado financeiro. 46 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo deste estudo foi realizar uma análise do crédito concedido pela Unidade de Atendimento de Três de Maio, da Cooperativa de Crédito Sicredi Noroeste RS, para financiamentos de veículos novos e usados. Além de verificar o montante de valores que a Unidade disponibilizou no 1º semestre de 2012 a seus associados, o estudo buscou conhecer também o retorno que essas transações irão gerar com o respectivo pagamento de juros. A fim de alcançar os objetivos propostos, entretanto, foi necessário conhecer o contexto em que o tema se insere. Nesse sentido, cabem algumas observações que foram feitas no decorrer do estudo. Ao analisar os ensinamentos econômico-financeiros da macroeconomia (BACEN, 2012), fica claro que o PIB é um dos indicadores utilizados para calcular a atividade econômica de uma região. Outrossim, a relação entre o PIB e o volume de crédito no sistema financeiro brasileiro totalizaram R$ 2,24 trilhões no final de setembro de 2012, constatandose um crescimento de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 1,93 trilhão, havendo uma ampliação da relação crédito/PIB de 47,4% para 51,5% na comparação dos períodos, segundo dados do Banco Central do Brasil. É necessário ressaltar, entretanto, que esta oferta de crédito poderá se tornar um círculo vicioso para a economia, pois levará os consumidores a uma condição elevada de endividamento, afetando toda a economia. Cabe ressaltar que a melhoria da qualidade de vida das pessoas é obtida por meio do crescimento contínuo da renda, ou seja, através do aumento da renda per capita. Na economia, ao se gerar um volume de produção, gera-se em consequência uma renda correspondente que, por sua vez, transforma-se em capacidade de compra das pessoas. Para aumentar a capacidade de compra da economia ou a demanda agregada, esta terá, necessariamente que aumentar a produção para que haja um aumento da renda. Portanto, aumentando a demanda e tomando 47 por base estes conceitos, provavelmente os beneficiários que obtiveram seus créditos aprovados, e se não obtiverem outra receita para melhorar sua qualidade de vida, estarão neste período, necessariamente, reduzindo seu consumo. Isso comprova o que já foi afirmado anteriormente no capítulo do Referencial Teórico deste estudo, em que estudiosos afirmam que o nível de renda é um determinante do consumo. Portanto, as famílias com rendas mais baixas, desprovidas de poupança, que cedem aos impulsos do consumo intenso, na ânsia de consumir e realizar sonhos e desejos, esquecem que este tem um custo elevado. Quanto mais crédito disponível à população, mais ela compra. Sabe-se que se o consumo aumentar rápido demais e as indústrias não conseguirem atender à demanda, a inflação dispara, seguindo a lei da oferta e da procura – se a oferta é bem menor que a procura, os preços tendem a subir. Isso torna o investimento nas empresas essencial para evitar o reaquecimento inflacionário em épocas de crédito farto. Por outro lado é necessário que as instituições promovam a expansão de crédito. Caso isso não ocorra poderá haver um conjunto de ações que colocam em risco o crescimento econômico. Caso as instituições dificultem a expansão de crédito, é necessário alterar a política de juros, elevando as suas taxas. Ao subir as taxas de juros, automaticamente o mercado desaquece. Já o crédito a prazos muito longos traz riscos para as instituições, porque a partir do quinto ano, no caso de financiamento de veículos, os proprietários de carro começam a ter despesas de manutenção, podendo assim deixar de pagar as parcelas do crédito. Outro fator de risco desta linha de financiamento em estudo é que o carro perde valor e as instituições ficam sem garantia, o que pode gerar uma onda de calotes e até uma crise no setor. Para os agenciadores deste mercado, que no caso são as instituições financeiras e, neste estudo, uma Cooperativa de Crédito, pode-se confirmar que até o presente momento seus associados apresentam pouca inadimplência nos financiamentos em 2012, podendo a mesma ser considerada praticamente nula. Partindo-se dos dados apresentados neste estudo com relação ao crédito concedido e conforme objeto de estudo, tem-se que somente no primeiro semestre de 2012 foram contraídos 132 empréstimos para aquisição de veículos na Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS, financiados em 36 meses, com parcelas mensais fixas a uma taxa entre 2,10% e 2,70% a.m., em média. 48 Referente aos valores apurados nesta pesquisa verifica-se que o volume destinado para 132 veículos é relativamente expressivo. Cabe também resaltar que dos 235 carros novos emplacados pelo Detran deste município, esta Unidade de Atendimento participou com aproximadamente 18% nessas aquisições, os quais foram financiados pelos seus associados. Ressalta-se, portanto, que esta Unidade tem participado com seus produtos para atender à demanda de seus associados. Estima-se que, não havendo inadimplência por parte dos contratantes dos referidos financiamentos, a Unidade de Atendimento Três de Maio da Cooperativa Sicredi Noroeste RS receberá somente de juros nos próximos três anos o montante de R$ 1.083.062,65, os quais representam 51% do capital amortizado. Período Total das prestações Total de juros Total quota de amortização Carros novos 1.398.705,25 424.109,46 974.595,79 Carros usados 1.803.043,91 658.953,19 1.144.090,72 Total 3.201.749,16 1.083.062,65 2.118.686,51 Quadro 9. Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). O gráfico a seguir representa os números apresentados anteriormente, possibilitando uma melhor compreensão. 2.000.000,00 1.500.000,00 1.000.000,00 500.000,00 0,00 Carros novos Total prestação Total juros Carros usados Total quota amortização Figura 7. Valores totais a serem recebidos ao longo de três anos pela Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS. Fonte: elaboração própria a partir dos dados da pesquisa (2012). Recomenda-se que no momento de tomar um crédito, os seus objetivos de utilização sejam claros. Se este for utilizado para investimento poderá trazer retorno futuro, porém, o 49 crédito puramente tomado para consumo pode se tornar uma armadilha e seu montante pago ser multiplicado por altos juros aplicados na linha de financiamento do “crédito pessoal”. O crédito permite que os clientes antecipem suas realizações futuras e que as paguem em parcelas mensais. Consequentemente, ocorre um aumento das vendas no comércio que, aquecidas pelas vendas compram mais, gerando uma necessidade de produção para as indústrias, as quais, por sua vez, necessitam de mais matéria prima. Ao encerrar este estudo, percebe-se que nem todos os objetivos determinados inicialmente foram atingidos, pois a obtenção de algumas informações estava além das possibilidades da acadêmica. Ficam pendentes, portanto, no término desta monografia, as seguintes questões: 1. Os associados da Cooperativa Sicredi Noroeste RS no município de Três de Maio estão cumprindo com seus compromissos sem necessidade futura de renegociar os créditos concedidos em financiamento de veículos? 2. Frente à mudança ocorrida no mercado financeiro automobilístico, como redução de IPI e taxas de juros, os associados que contraíram seus financiamentos a taxas mais altas tomarão alguma atitude? 3. De que forma os associados estão suprindo junto ao consumo normal que foram comprometidos com o financiamento de veículos? 4. Com tantas instituições financeiras no município do estudo, porque a participação da Cooperativa é tão expressiva neste segmento? Fica aqui o desafio para novos estudos a fim de dar continuidade ao tema e responder às questões anteriormente elencadas. A compreensão desse dinâmico universo possibilita a tomada de decisões que possam leva ao desenvolvimento econômico de todos os segmentos. 50 REFERÊNCIAS ABRÃO, Carlos Henrique. Cartões de crédito e débito. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2005. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Decreto nº 4.961, de 20 de janeiro de 2004. Boletim do Banco Central do Brasil. Dez. 2005. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?bolist 20051201p>. Acesso em: 25 mar. 2012. ______. Boletim econômico-financeiro. Brasília, DF, set. 2012. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br>. Acesso em: 12 abr. 2012. BIELSCHOWSKY, R. (Org.). Cepal e Cofecon – Cinquenta anos de pensamento na Cepal. Rio de Janeiro: Record, 2000. v. I e II. BLATT, A. Avaliação de risco e decisões de crédito: um enfoque prático. São Paulo: Nobel, 1999. CAMPOS FILHO, Ademar et al. 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Acesso em: 12 out. 2012. 53 ANEXOS 54 ANEXO 1 MEMÓRIA DE CÁLCULO DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS FINANCIAMENTO DE CARROS NOVOS Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS Total financiado: Prazo: Taxa de juros: Valor da prestação: Número 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Total Prestação 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 38.852,92 1.398.705,25 R$ 974.595,79 36 meses 2,10% ao mês R$ 38.852,92 Juros 20.466,51 20.080,40 19.686,17 19.283,67 18.872,72 18.453,13 18.024,74 17.587,35 17.140,77 16.684,81 16.219,28 15.743,98 15.258,69 14.763,21 14.257,33 13.740,82 13.213,46 12.675,04 12.125,30 11.564,02 10.990,95 10.405,85 9.808,46 9.198,53 8.575,79 7.939,97 7.290,80 6.627,99 5.951,27 5.260,33 4.554,89 3.834,63 3.099,24 2.348,42 1.581,82 799,13 424.109,46 Quota de amortização 18.386,41 18.772,53 19.166,75 19.569,25 19.980,21 20.399,79 20.828,19 21.265,58 21.712,15 22.168,11 22.633,64 23.108,95 23.594,23 24.089,71 24.595,60 25.112,11 25.639,46 26.177,89 26.727,62 27.288,90 27.861,97 28.447,07 29.044,46 29.654,39 30.277,14 30.912,96 31.562,13 32.224,93 32.901,66 33.592,59 34.298,04 35.018,29 35.753,68 36.504,51 37.271,10 38.053,79 974.595,79 S/D 974.595,79 956.209,38 937.436,85 918.270,10 898.700,85 878.720,64 858.320,85 837.492,67 816.227,09 794.514,94 772.346,83 749.713,19 726.604,24 703.010,00 678.920,29 654.324,69 629.212,59 603.573,13 577.395,24 550.667,62 523.378,71 495.516,74 467.069,67 438.025,21 408.370,81 378.093,68 347.180,72 315.618,59 283.393,66 250.492,00 216.899,41 182.601,38 147.583,08 111.829,40 75.324,89 38.053,79 (0,00) 55 ANEXO 2 MEMÓRIA DE CÁLCULO DOS VALORES A SEREM AMORTIZADOS FINANCIAMENTO DE CARROS USADOS Unidade de Atendimento Três de Maio – Cooperativa Sicredi Noroeste RS Total financiado: Prazo: Taxa de juros: Valor da prestação: Número 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 Total Prestação 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 50.084,55 1.803.043,91 R$ 1.144.090,72 36 meses 2,70% ao mês R$ 50.084,55 Juros 30.890,45 30.372,21 29.839,98 29.293,37 28.732,01 28.155,49 27.563,41 26.955,34 26.330,85 25.689,50 25.030,83 24.354,38 23.659,66 22.946,19 22.213,46 21.460,94 20.688,10 19.894,40 19.079,26 18.242,12 17.382,37 16.499,41 15.592,62 14.661,33 13.704,91 12.722,66 11.713,88 10.677,88 9.613,90 8.521,19 7.398,98 6.246,47 5.062,84 3.847,25 2.598,85 1.316,73 658.953,19 Quota de amortização 19.194,10 19.712,34 20.244,58 20.791,18 21.352,54 21.929,06 22.521,15 23.129,22 23.753,71 24.395,06 25.053,72 25.730,17 26.424,89 27.138,36 27.871,10 28.623,62 29.396,45 30.190,16 31.005,29 31.842,43 32.702,18 33.585,14 34.491,94 35.423,22 36.379,65 37.361,90 38.370,67 39.406,68 40.470,66 41.563,36 42.685,58 43.838,09 45.021,71 46.237,30 47.485,71 48.767,82 1.144.090,72 S/D 1.144.090,72 1.124.896,62 1.105.184,27 1.084.939,69 1.064.148,51 1.042.795,97 1.020.866,91 998.345,76 975.216,54 951.462,84 927.067,78 902.014,06 876.283,89 849.859,00 822.720,64 794.849,54 766.225,93 736.829,47 706.639,32 675.634,03 643.791,59 611.089,41 577.504,27 543.012,34 507.589,12 471.209,47 433.847,57 395.476,90 356.070,23 315.599,57 274.036,21 231.350,63 187.512,54 142.490,83 96.253,53 48.767,82 (0,00)