UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO ESCOLA DE MINAS COLEGIADO DO CURSO DE ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO - CECAU PEDRO HENRIQUE SOUSA PRADO CONTROLE E MONITORAMENTO DA TEMPERATURA DE UM AMBIENTE UTILIZANDO UM CONJUNTO MICROCONTROLADOR/PC MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO Ouro Preto, 2011 PEDRO HENRIQUE SOUSA PRADO CONTROLE E MONITORAMENTO DA TEMPERATURA DE UM AMBIENTE UTILIZANDO UM CONJUNTO MICROCONTROLADOR/PC Monografia apresentada ao Curso de Engenharia de Controle e Automação da Universidade Federal de Ouro Preto como parte dos requisitos para a obtenção do Grau de Engenheiro de Controle e Automação. Orientador: Henor Artur de Souza Ouro Preto Escola de Minas – UFOP Dezembro/2011 P896c Prado, Pedro Henrique Sousa. Controle e monitoramento da temperatura de um ambiente utilizando um conjunto microcontrolador/pc. [manuscrito] / Pedro Henrique Sousa Prado. – 2011. 87f. : il., color., graf., tab. Orientador: Prof. Dr. Henor Artur de Souza. . Monografia (Graduação) – Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Minas. Colegiado do Curso de Engenharia de Controle e Automação. Área de concentração: Engenharia de Controle e Automação. 1. Automação industrial. 2. Sistemas difusos. 3. Controle automático. 4. Conforto térmico. I. Universidade Federal de Ouro Preto. II. Título. CDU: 681.5 Fonte de catalogação: [email protected] SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO 1.1Descrição do problema 1.2Objetivo 1.3Metodologia 1.4Estrutura do trabalho 2SISTEMAS DE CONTROLE 2.1Histórico dos sistemas de controle 2.2 Controle em malha fechada 2.3Controlador PID 2.3.1Ação Proporcional 2.3.2Ação Integral 2.3.3Ação Derivativa 2.4Controlador FUZZY PI 2.5Controle de sistemas de climatização 3MICROCONTROLADORES 3.1Arquiteturas dos microcontroladores 3.1.1Arquitetura CISC 3.1.2Arquitetura RISC 3.2Principais Componentes de um microcontrolador 3.2.1Memória 3.2.2Arithmetic Logic Unit (ALU) 3.2.3 Temporizadores e contadores 3.2.4 Interfaces de entrada e saída 3.2.5 Interrupções 3.3Microcontroladores PIC 3.3.1Microcontrolador PIC18F4550 3.3.1.1- Diagrama de pinos PIC18F4550 3.3.1.2- Diagrama de blocos PIC18F4550 3.3.1.3- Organização da Memória de Programa 3.3.1.4- Memória de Dados 3.3.2Comunicação USB/CDC em microcontroladores PIC 4ESTUDO DE CASO 4.1O objeto de estudo 4.2Proposta do sistema de controle 4.2.1Microcontrolador 4.2.2Sensor LM35 4.2.3Ventoinha 4.3Montagem do sistema de controle 4.4Desenvolvimento do software de controle 4.5Aplicação Web 4.6Resultados obtidos 5CONCLUSÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXO I (Código) 8 10 11 11 11 13 13 14 16 17 18 19 19 21 24 25 25 26 26 26 27 27 27 27 28 29 30 30 32 32 34 35 35 37 37 37 38 39 41 43 44 47 48 LISTA DE FIGURAS Figura 2.1– Diagrama de blocos de um sistema de controle em malha fechada 14 Figura 2.2– Regiões das combinações possíveis entre as entradas 21 Figura 3.1– Desenho esquemático de um microcontrolador. 25 Figura 3.2– Microcontrolador PIC18F4550 29 Figura 3.3– Diagrama de pinos DIP do microcontrolador PIC18F4550. 30 Figura 3.4– Diagrama em Blocos do PIC18F4550. 31 Figura 3.5– Organização da Memória do PIC18F4550. 32 Figura 3.6– Memória de Dados do PIC18F4550. 33 Figura 4.1 – Visão frontal e lateral da maquete. 33 Figura 4.2 – Visão traseira e lateral da maquete 36 Figura 4.3– Visão superior do telhado da maquete 36 Figura 4.4– Sensor LM35 38 Figura 4.5– Ventoinha 39 Figura 4.6– Kit Picminas e Protoboard 40 Figura 4.7– Sistema de controle montado 40 Figura 4.8– Diagrama elétrico. 41 Figura 4.9–Diagrama USB/CDC 42 Figura 4.10– Tomcat Servidor 43 Figura 4.11– Tela principal. 44 Figura 4.12– Módulo NI USB-6009 45 Figura 4.13– Evolução temporal da temperatura interna do ambiente. 46 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Efeitos no sistema das ações proporcional, integral e derivativa. 17 LISTA DE ABREVIATURAS USB - Universal Serial Bus – Barramento universal serial CDC - Communications device class - Comunicações classe de dispositivo. HTML - HyperText Markup Language - Linguagem de marcação de Hipertexto. HVAC - Heating, Ventilation and Air Conditioning – Aquecimento, Ventilação e condicionamento de Ar. CISC- Complex Instruction Set Computer. Conjunto de instruções complexas. RISC – Reduced instruction Set Computer - Conjunto reduzido de instruções de computador. RAM – Random Access Memory - Memória de Acesso Aleatório. EEPROM – Electrically Erasable Programmable Read-Only Memory - Memória eletricamente apagável somente leitura programável. ALU - Arithmetic Logic Unit - Unidade lógica e aritmética. HID - Human interface device class - Classe de dispositivos de interface humana P – Proportional – Proporcional D – Derivative – Derivativo I – Integral – Integral LISTA DE SÍMBOLOS e(t ) é o sinal de erro do processo; k p é o ganho proporcional do controlador PID. Ti é denominado tempo integral do controlador PID (s) Td é o Tempo derivativo do controlador PID (s) uPI nT é a ação de controle no instante atual do controlador fuzzy PI. uPI nT T é a ação de controle no instante passado do controlador fuzzy PI. unT incremento da ação de controle do controlador fuzzy PI. K u é o ganho de saída do controlador fuzzy PI. K i é uma constante de sintonia do controlador fuzzy PI. K é uma constante de sintonia do controlador fuzzy PI. r nT T é a variação do erro do controlador fuzzy PI. enT T é o erro anterior do controlador fuzzy PI. L é a faixa das variáveis de entrada do controlador fuzzy PI RESUMO O aumento da preocupação do homem com relação a seu bem estar e conforto é uma coisa inerente à evolução da humanidade. Quanto mais evoluídas se tornam as pessoas mais exigentes ficam com relação a seu conforto e bem estar. O uso de aparelhos que permitem o condicionamento do ambiente é uma técnica comumente usada e difundida no cenário atual. No entanto, o uso de aquecimento e/ou resfriamento artificiais de ar em edificações causam um grande impacto do ponto de vista energético e ambiental. Tais aparelhos consomem grande quantidade de energia e são responsáveis por 1/3 da energia consumida. No cenário brasileiro, o uso do ar condicionado e a iluminação são responsáveis por 48 % do consumo de energia elétrica no setor de edifícios comerciais e públicos. Diante disso, a busca por sistemas de climatização que garantem um menor consumo de energia é uma área tecnológica bastante promissora nos próximos anos. Nesse contexto a escolha das técnicas de controle, utilizadas em ambientes, como o controle da temperatura e umidade do ar, podem ter um impacto significativo no consumo de um sistema de climatização de ambientes. O controle on-off é comumente utilizado nesse tipo de sistema, porém, tal controle possui uma baixa robustez e um baixo rendimento energético. Neste trabalho apresenta-se o controle fuzzy PI como uma técnica alternativa para o controle da temperatura interna do ambiente construído e realiza-se um estudo sobre como implementar os controladores nebulosos num sistema de climatização, visando obter as condições de conforto dos usuários. O sistema de controle proposto tem como base um microcontrolador PIC18F4550 e é aplicado em um modelo de edificação em escala reduzida. O microcontrolador é capaz de comunicar-se via USB/CDC com um computador, o que possibilita a visualização da dinâmica do sistema de controle em tempo real. O software de aquisição e visualização de dados desenvolvidos é uma aplicação web e foi desenvolvido na plataforma HTML/JavaScript. Por ser uma aplicação web, é possível a visualização do sistema de controle de qualquer ponto na rede, visto que a maquina servidor opera como um servidor local. Além de uma interface IHM muito amigável, o sistema de controle desenvolvido neste trabalho apresentou desempenho adequado, mostrando-se robusto com relação às perturbações impostas intencionalmente no ambiente. Palavras-chave: controle fuzzy, controle inteligente, conforto térmico, comunicação CDC ABSTRACT The increase of man's concern with respect to your well being and comfort is something inherent in the evolution of humanity. The more advanced people become, the more demanding are in relation to their comfort and welfare. The use of devices that enable the environmental conditioning is a technique commonly used and widespread in the current scenario. However, the use of heating and/or artificial cooling of air in buildings cause a great impact in terms of energy and environmental. Such devices consume large amounts of energy and are responsible for 1/3 of the energy consumed. In the Brazilian context, the use of air conditioning and lighting account for 48% of electricity consumption in the sector of commercial and public buildings. Therefore, the search for HVAC systems that ensure a lower consumption of energy is a promising area of technology in the coming years. In this context the choice of control techniques, used in environments such as control of temperature and humidity, can have a significant impact on the consumption of an HVAC system environments. The on-off control is commonly used in this type of system, however, such control has a low strength and low energy efficiency. This paper presents the fuzzy PI control as an alternative technique to control the internal temperature of the built environment and carried out a study on how to implement the fuzzy controllers in HVAC system, to obtain conditions for the comfort of users. The proposed control system is based on a PIC18F4550 microcontroller and is applied in a model of building small-scale. The microcontroller is able to communicate via USB/CDC with a computer, which enables the visualization of the dynamics of the control system in real time. The acquisition software and data visualization developed is a web application platform and was developed in HTML/JavaScript. Being a web application, it is possible to visualize the control system anywhere on the network, since the server machine operates as a local host. In addition to a very friendly HMI interface, the control system developed in this study presented adequate performance, proving to be robust with respect to perturbations in the environment intentionally inflicted. Keywords: fuzzy control, intelligent control, thermal comfort, USB/CDC Communication 1- INTRODUÇÃO O organismo humano se relaciona com o meio ao seu redor respondendo a estímulos como luz, som, calor, ventos, entre outros, e busca se adaptar utilizando o mínimo de energia possível, por meio de um conjunto de reações de ordem fisiológica e psicológica. Estas reações são, em geral, respostas às condições ambientais que um determinado espaço arquitetônico, em torno do individuo, pode propiciar. No entanto, a sensação de conforto não depende apenas dos estímulos que o ambiente construído, no qual o homem esta inserido, pode propiciar. Essa sensação de conforto é influenciada também por fatores ligados a experiências pessoais anteriores de cada individuo, onde este fator, por sua vez, garante que nem todas as pessoas em um mesmo ambiente possuem mesmo de satisfação do conforto térmico (ASHRAE 55: 2004). De modo geral, os estímulos do meio podem ser medidos com mais facilidade que as sensações, pois estas correspondem ao sentimento e à avaliação subjetiva sobre o ambiente. As condições de conforto e, conseqüentemente, a sensação de conforto, envolvem um conjunto significativo de fenômenos inter-relacionados, que podem ser agrupados em um conjunto representativo de exigências mínimas. Em linhas gerais, estas exigências correspondem às características que um ambiente deve apresentar para o desempenho adequado e confortável de diversas atividades humanas. Tais exigências podem ser sintetizadas como a faixa de temperatura e umidade do ar relativas ao conforto térmico; o conforto visual, que se relaciona com a iluminação do ambiente; o conforto acústico, que esta relacionada com os níveis de ruídos e ao isolamento acústicos; o conforto táctil, relativo às condições de eletricidade estática, rugosidade, umidade e temperatura das superfícies; e também a qualidade do ar e a presença de odores. Embora sejam diversos os elementos que contribuem para a sensação de conforto, caracterizada pela intensidade das respostas fisiológicas e psicológicas do individuo ao meio que o cerca, a satisfação do ambiente térmico representa o fator predominante e que modifica, além das reações de caráter subjetivo aos estímulos do meio ambiente 9 físico, outros fatores que contribuem para sensação de conforto, tais como idade, raça, sexo, adaptabilidade ao meio, atividade física realizada (XAVIER, 1999, 2005). O conforto térmico tem sido durante as últimas décadas objeto de muitas pesquisas, que se tem por base a compreensão de como essa situação pode ser atingida, de que maneira ela se processa, quais variáveis que a envolvem, quais são os índices mais relevantes, quais seus efeitos sobre a saúde e produtividade humana e também quais fatores que a ela podem ser relacionados (FANGER, 1972; SZOKOLAY, 1987, GIVONI, 1976, 1992). A pesquisa em conforto ambiental nas edificações tem procurado tomar novas atitudes frente à arquitetura e a automação predial. Em fase do pré-projeto da edificação é feita uma análise sobre o material a ser utilizado, o clima do local e as variáveis construtivas da planta da edificação. Quando se pretende alcançar as condições de conforto num ambiente já construído, usam-se artifícios da automação predial acopladas às técnicas de controle para condicionamento do ambiente. No entanto, apesar dos vários fatores que influenciam o conforto dos usuários de uma edificação, as condições internas de conforto de um ambiente são ditadas basicamente pelo valor da temperatura e umidade relativa do ar. As técnicas de controle aplicadas visam atender os pré-requisitos de projeto. Estes prérequisitos podem estar relacionados, por exemplo, à manutenção da temperatura e/ou umidade do ambiente em torno de uma referência estabelecida pelo projetista, em função das exigências dos usuários. Ao se projetar um sistema de controle, é imprescindível em algumas ocasiões o conhecimento do modelo matemático do processo. Porém, quando o sistema possui um modelo bastante complexo ou é de natureza não linear, em alguns casos, essa modelagem pode ser complicada. No entanto, é possível que um operador humano seja capaz de controlar diversos sistemas sem compreender a matemática, ou todos os detalhes físicos envolvidos. Se opondo aos controladores convencionais, em que se descreve analiticamente o algoritmo por equações diferenciais ou algébricas, no controle fuzzy utiliza-se regras 10 lógicas no algoritmo de controle, visando assim a incorporação da experiência humana nas rotinas de controle. Os controladores fuzzy são bastante robustos e com grande capacidade de incorporar conhecimentos de outros sitemas (ZADEH1, 1965, apud SANDRI; CORREA, 1999). Estes controladores são considerados modelos versáteis quanto se tem um modelo físico de alto grau de complexibilidade e difícil representação matemática (SANDRI; CORREA, 1999). 1.1. Descrição do problema Com o intuito de avaliar as interações térmicas do ambiente externo com o ambiente interno de uma edificação, desenvolveu-se um protótipo de um modelo de edificação em escala reduzida. Propõem-se o controle fuzzy de temperatura capaz de manter a temperatura interna do ambiente em escala reduzida em um valor constante, visto que os controles convencionais não apresentam um desempenho robusto devido a complexidade do sistema. O controlador fuzzy desenvolvido será baseado em um controlador PI, resultando em um controlador fuzzy PI. Realiza-se o controle fuzzy em um dispositivo microcontrolador PIC184550, que por sua vez se comunica com o computador via comunicação USB/CDC, garantindo a visualização das variáveis do sistema em tempo real. As variáveis são apresentadas em uma aplicação web desenvolvida em JavaScrip. A atuação no sistema é feita com o objetivo de manter a temperatura do sistema no valor de referência. Se a temperatura é maior que a de referência do sistema, o atuador tem a capacidade de insuflar uma massa de ar frio no ambiente interno, fazendo com que o ambiente se resfrie até a temperatura de referência. 1 ZADEH, L. A. Fuzzy Sets, Information and Control. 1965, v. 8, p. 338-353. 11 1.2. Objetivo Estudar, implementar e analisar um sistema de controle fuzzy PI de temperatura num modelo de edificação em escala reduzida utilizando um microcontrolador PIC18F4550 interfaceado com um microcomputador via USB/CDC. 1.3. Metodologia O desenvolvimento do trabalho engloba: (a) revisão sobre conforto térmico, lógica Fuzzy, controle fuzzy PI, microcontroladores, desenvolvimento de softwares; (b) montagem do modelo do ambiente em escala reduzida; e (c) proposição e implementação do sistema de controle no ambiente. A execução do trabalho foi baseada no seguinte roteiro de atividades: Estudo de como desenvolver, na prática, um sistema de controle nebuloso (fuzzy) que seja baseado em um controlador PI; Estudos sobre o microcontrolador PIC18F4550. O desenvolvimento e montagem do sistema de controle no microcontrolador PIC18F4550. Sintonia do controlador; Desenvolvimento da comunicação do microcontrolador com um microcomputador. Desenvolvimento de um Software para a aquisição de dados e monitoramento do controle proposto; 1.4. Estrutura do trabalho O presente trabalho encontra-se estruturado em cinco capítulos mais a lista de referências bibliográficas e um anexo. 12 No capítulo 1 apresenta-se uma introdução, uma descrição do problema proposto e uma apresentação dos objetivos e da metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho. No Capítulo 2 aborda-se uma discussão sobre sistemas de controle e são apresentados fundamentos de diversas técnicas de sistemas de controle. Aborda-se o problema de se modelar matematicamente sistemas reais e quando se utilizar controle nebuloso. Ao fim apresenta-se as equações do controlador fuzzy PI utilizado no presente trabalho. No Capítulo 3 são abordados os fundamentos dos microcontroladores. É feita uma descrição detalhada do microcontrolador PIC18F4550 pertencente à família PIC18 da MICROCHIP. No Capítulo 4 apresenta-se o desenvolvimento prático do trabalho desenvolvido. É apresentado os componentes eletrônicos utilizados na montagem bem como os diagramas de ligação e resultados obtidos. Além disso, realiza-se uma abordagem acerca da aplicação web desenvolvida em HTML/JavaScript. No Capítulo 5 é feita uma abordagem conclusiva sobre o trabalho. Finalmente são apresentadas as referências bibliográficas utilizadas, e um anexo apresentando o código fonte do software desenvolvido para o microcontrolador no software MPLAB IDE V8.60. 2- SISTEMAS DE CONTROLE Embora muitas vezes não se perceba todos os dias participa-se ativamente ou passivamente de diversos sistemas de controle. Sempre que o ser humano participa de um determinado processo com a função de monitorá-lo, está participando do fechamento de uma malha. O primeiro dispositivo que utilizava controle em malha fechada que se tem conhecimento é o relógio de água inventado por volta de 300 a.C. Este relógio operava por meio do gotejamento de água, a uma taxa constante, dentro de um reservatório medidor. O nível do reservatório medidor podia ser usado para informar o tempo decorrido (HEY, 1997). 2.1- Histórico dos sistemas de controle No decorrer dos anos vários trabalhos contribuíram para consolidação da teoria de controle na atualidade. Segundo Ogata (2003) o primeiro trabalho significativo de controle automático foi o regulador centrífugo construído por James Watt para o controle de velocidade de uma máquina a vapor, no século XVIII. Alguns termos importantes surgiram no decorrer do desenvolvimento do controle automático, como, por exemplo, o próprio termo “automático” que implica no controle efetuado sem a intervenção humana e o termo “realimentado” que foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1920 quando do desenvolvimento de sistemas telefônicos e amplificadores eletrônicos de realimentação por Bode, Nyquist e Black na Bell Telephone Laboratories (DORF; BISHOP, 2005). Durante a década de 1940, por exemplo, os métodos de resposta de freqüência tornaram possível aos engenheiros projetar sistemas de controle em malha fechada satisfazendo os requisitos de desempenho. Nesta mesma década, Walter R. Evans trabalhando na indústria aeronáutica desenvolveu uma técnica gráfica para traçar as raízes de uma equação característica de um sistema com retroação cujos parâmetros mudam de valor sobre uma faixa particular de valores, tal método denominado lugar das raízes foi o principal método para projetos de sistemas de controle neste período (OGATA, 2003). 14 Tendo em vista que os sistemas modernos, dotados de muitas entradas e muitas saídas, se tornam cada vez mais complexos, a descrição de um sistema de controle envolve um grande número de equações. A teoria de controle clássica, que trata somente de sistemas com uma única entrada e uma única saída, tornou-se insuficiente para lidar com sistemas de entradas e saídas múltiplas. A partir de 1960, a disponibilidade dos computadores digitais tornou possível a análise, no domínio do tempo, de sistemas complexos, ensejando o desenvolvimento da moderna teoria de controle baseada nas técnicas de análise e síntese por meio de variáveis de estado. Esta teoria foi desenvolvida com o objetivo de tratar a complexidade crescente dos sistemas modernos e atender às rigorosas exigências quanto ao peso, exatidão e custos de projetos relativos às aplicações militares, espaciais e industriais. Durante o período de 1960 a 1980, foram investigados os controles ótimos de sistemas determinísticos e estocásticos bem como o controle adaptativo e o controle com aprendizado. De 1980 aos dias de hoje, os desenvolvimentos na moderna teoria de controle têm se concentrado no controle robusto. 2.2- Controle em malha fechada O controle de sistemas em malha fechada utiliza um sinal de medição atual da saída do sistema para comparar com um sinal de referência previamente estabelecido. O sinal de saída medido é chamado de sinal de realimentação ou feedback. Na figura 2.1 mostra-se o diagrama de blocos e o fluxo de informações de um sistema de controle em malha fechada SISO (Single Input Single Output). Figura 2.1 – Diagrama de blocos de um sistema de controle em malha fechada 15 onde R(S) é o sinal de entrada; Y(S) o sinal de saída da planta e E(S ) o sinal de erro atuante (diferença entre R(S) e Y(S)). Em geral, indica-se a função de transferência (modelo matemático) de malha fechada por T(S ), a função de transferência no caminho da alimentação direta e representada por G(S ) e a função de transferência no caminho da realimentação por H(S ). Tem-se, portanto, que a função de transferência em malha fechada para o diagrama apresentado é T ( s) Y ( s) Gc( s)Gp( s) R( s) 1 Gc( s)G( s) H ( s) (2.1) O elemento de medição (sensor) é a parte do sistema responsável por realizar a medição de alguma propriedade do sistema, bem como a sua conversão em alguma variável física que possa ser interpretada pelo sistema de controle. Em alguns casos, isto não ocorre e torna-se necessário a utilização de elementos transdutores e transmissores para converter e adequar o sinal ao sistema de controle. Ocorre em muitos casos também de o próprio elemento sensor ser o elemento transdutor do sinal. O sinal obtido pelo elemento de medição é, então, enviado ao controlador, que é a parte mais importante do sistema de controle. O controlador funciona como o cérebro do sistema, tomando decisões baseadas em informações disponíveis e repassando-as ao elemento final de ação (atuador). O atuador é o elemento do sistema de controle responsável por exercer a ação sobre o processo de modo a colocá-lo dentro dos padrões desejados. Um sistema de controle em malha fechada utiliza-se de uma função que relaciona o sinal de saída com o sinal de entrada. Geralmente a diferença entre o sinal de saída e o sinal de entrada (sinal de erro do sistema) de um processo sob controle é amplificada e utilizada no controle do processo, fazendo com que a diferença entre estes sinais seja reduzida. O controle de um sistema por meio de uma malha fechada oferece inúmeras vantagens. O uso da realimentação faz com que a resposta do sistema seja relativamente insensível a distúrbios e variações internas dos parâmetros do sistema (OGATA, 2003). Dessa maneira, pode-se utilizar componentes relativamente imprecisos e baratos para obter o controle preciso de determinado sistema. Por outro lado, um sistema de controle em malha fechada faz com que o número de componentes e a complexidade no sistema 16 de controle aumentem, dentre eles o sensor que, geralmente, é o elemento de maior custo do sistema de controle. Além disso, os sensores podem introduzir ruídos e imprecisões no sistema. O controle em malha fechada é utilizado para fornecer o máximo de desempenho e robustez ao sistema. Qualitativamente, o desempenho de um sistema de controle pode ser avaliado pela sua capacidade em manter a variável controlada próximo a um valor desejado, mesmo em presença de perturbações externas. A robustez deve proporcionar ao sistema de controle um bom desempenho tanto para pequenas quanto para grandes perturbações. 2.3- Controlador PID O controlador PID (proporcional, integral e derivativo) é de longe o algoritmo de controle mais utilizado. A maior parte dos sistemas em malha fechada são controlados pelo PID ou por esse algoritmo com pequenas variações. Esse tipo de controlador tem sua saída da seguinte forma 1 1 de(t ) u (t ) k p e(t ) e( )d Td T dt i 0 (2.2) onde u (t ) é o sinal de controle; k p é o ganho proporcional do controlador; e(t ) é o sinal de erro do processo; Ti é denominado tempo integral do controlador e Td é o Tempo derivativo do controlador. O ajuste de um controlador PID, que é denominado sintonia do controlador, é feito variando os valores de k p , Ti e Td . Na tabela 3.1 apresenta-se um resumo da influência das ações proporcional, integral e derivativa no controlador PID. 17 Tabela 2.1 – Efeitos no sistema das ações proporcional, integral e derivativa. Ação Proporcional Tempo de Subida Diminuição Integral Derivativo Sobreelevação Aumento Tempo de Estabelecimento Sem Alteração Erro Estacionário Diminuição Diminuição Aumento Aumento Elimina Sem alteração Diminuição Diminuição Sem Alteração Fonte: LOURENÇO, 1997. O processo de selecionar parâmetros do controlador que garantam uma dada especificação de desempenho foi bastante estudado por Ziegler-Nichols² (1942, apud OGATA, 2003). Eles sugeriram regras para a sintonia de controladores PID baseadas na resposta experimental ao degrau ou no valor de Kp que resulta em uma estabilidade marginal, quando somente uma ação proporcional é utilizada. As regras sugerem um conjunto de valores k p , Ti , Td . que vão proporcionar uma operação estável ao sistema. Contudo, o sistema resultante pode exibir um máximo sobre-sinal grande devido à resposta ao degrau, o que e inaceitável. Nesse caso, e necessário fazer uma série de sintonias finas até que um resultado aceitável seja obtido. De fato, as regras de ZieglerNichols2 (1942, apud OGATA, 2003) fornecem estimativas dos valores dos parâmetros e proporcionam um ponto de partida na sintonia fina, e não os valores definitivos de k p , Ti , Td logo na primeira tentativa (OGATA, 2003). Ziegler e Nichols2 (1942, apud OGATA, 2003) propuseram dois métodos para a sintonia de controladores PID. O primeiro método é baseado em um processo de malha aberta, ao passo que o segundo método é baseado no ganho crítico da malha fechada. 2.3.1- Ação Proporcional No controle puramente proporcional a ação de controle é proporcional ao sinal de erro atuante e sua equação é descrita da seguinte forma: 2 Ziegler, J. G. And N. B. Nichols (1942). “Optimum Settings for Automatic Controllers,” Trans. ASME, 64, 759-768. 18 g C (t ) K p E (t ) (2.3) onde g C (t ) é a saída do controlador; K p é o ganho proporcional e E(t) é o erro atuante no processo. Para que o sinal de erro atuante seja nulo, é necessário que o valor da variável manipulada seja igual ao valor de referência (setpoint). Quando a condição desejada, ou seja, valor da variável manipulada é igual ao setpoint, nenhuma energia é entregue ao processo, o que faz com que volte a surgir um sinal de erro. Por causa disto, um controle puramente proporcional nunca consegue atingir a condição desejada. Muitos controladores que operam apenas no modo proporcional adicionam um valor constante à variável manipulada para garantir que na condição desejada alguma energia seja entregue ao sistema. Este valor é denominado bias (polarização) e quando ajustável permite que se obtenha uma estabilização próxima da condição desejada. Este tipo de controle é uma forma simples de controle realimentado (ASTROM; HAGGLUND, 1988). 2.3.2- Ação Integral A ação integral atua de sistema gerando uma resposta na saída do controlador que é proporcional a amplitude e duração do sinal de erro atuante. A ação integral tem o efeito de eliminar o erro característico de um controle puramente proporcional. A ação integral funciona da seguinte maneira: em intervalos regulares, a ação integral corrige o valor da variável manipulada, somando a esta o valor do erro atuante. Este intervalo de tempo é o tempo integral (Ti). Na equação (2.4) descreve-se matematicamente uma ação de controle integral. g c (t ) K p E (t ) ki E (t )dt (2.4) A ação integral adiciona um pólo na origem da função de transferência do controlador, eliminando assim o erro estacionário de posição, independentemente do sistema que se 19 pretende controlar. Se, por um lado, como já referimos anteriormente, a ação integral elimina o erro estacionário, por outro, ela aumenta o tempo de estabelecimento e piora a estabilidade relativa, o que usualmente é indesejável (LOURENÇO, 1997). 2.3.3- Ação derivativa A função da ação derivativa é melhorar a estabilidade em malha fechada do sistema. Assim como o controle integral, o controle derivativo não é, isoladamente, uma técnica de controle, pois não é empregado sem o acompanhamento de uma ação de controle proporcional. A ação de controle derivativa consiste em uma resposta na saída do controlador que é proporcional a velocidade de variação do erro atuante, conforme se descreve na equação (2.5). dE (t ) g C (t ) k p E (t ) K d dt (2.5) A ação derivativa tem o efeito de reduzir a velocidade das variações do valor da variável controlada, evitando que ela se eleve ou reduza muito rapidamente. O termo derivativo só atua quando há variação no erro. Se o processo esta estável, seu efeito é nulo. Durante perturbações ou na partida do processo, quando o erro está variando, o derivativo sempre atua no sentido de atenuar as variações, sendo, portanto, a sua principal função melhorar o desempenho do processo em regime transitório. Embora o controle derivativo não afete diretamente o erro estacionário, ele aumenta o amortecimento do sistema, permitindo, assim, a utilização de um valor mais levado do ganho K , o que vai resultar em maior precisão de regime permanente (OGATA, 2003). 2.4- Controlador fuzzy PI Quando se pretende aplicar os conceitos fuzzy em sistemas tem-se a necessidade de se determinar a lei de controle. Esta lei relaciona as entradas do sistema com a saída do controlador. A relação entre entradas e saídas no controlador fuzzy é obtida por meio de 20 conhecimentos especialistas do sistema, ou seja, técnicas de inteligência artificial. Geralmente a lei de controle é apresentada como uma fórmula matemática discreta, possibilitando assim o uso do controle em qualquer dispositivo digital que tenha capacidade de realizar cálculos (Controladores lógicos programáveis, DSP, microcontroladores). Existem varias etapas para se obter as equações de um controlador fuzzy PI. Dentre essas etapas estão a fuzzificação das entradas, a base de regras do controlador e a defuzzificação. A dedução da lei de controle do controlador fuzzy PI é apresentada em Oliveira (2008) e tem como base as seguintes equações. uPI nT uPI nT T Ku uPI nT (2.6) u nT LK i enT T K r nT 22 L K i enT T Nas regiões IC1, IC2, IC5 e IC6 (2.7) u nT LK i enT T K r nT 22 L K r nT Nas regiões IC3, IC4, IC7 e IC8 (2.8) u nT 1 K r nT L 2 Nas regiões IC9 e IC10 (2.9) u nT 1 K i enT T L 2 Nas regiões IC11 e IC12 (2.10) u nT 1 K r nT L 2 Nas regiões IC13 e IC14 (211) u nT 1 K i enT T L 2 Nas regiões IC15 e IC16 (2.12) unT 0 Nas regiões IC18 e IC20 (2.13) unT L Nas regiões IC17 (2.14) unT L Nas regiões IC19 (2.15) onde uPI nT é a ação de controle no instante atual; uPI nT T é a ação de controle no instante passado; K u ganho de saída do controlador fuzzy; unT é o incremento da ação de controle; Ki K e são constantes de sintonia do controlador PI; enT T é o 21 erro do controlador(Variável de entrada); r nT T é a variação do erro anterior do controlador (Variável de entrada); L é a faixa das variáveis de entrada do controlador. Os valores de entradas definem as regiões do controlador que esta trabalhando. Na figura 2.2 exemplifica-se a definição das regiões citadas nas equações (2.7) a (2.15). Figura 2.2 – Regiões das combinações possíveis entre as entradas Fonte: Adaptada de TANG; CHEN; LU, 2001 2.5- Controle de Sistemas de Climatização Existem vários tipos de abordagens para tratar o problema de conforto térmico em edificações climatizadas artificialmente. Tais soluções visam promover melhores condições de conforto térmico no interior de ambiente. Em controle de ambientes, a abordagem mais difundida é a que faz o tratamento das condições climáticas no interior do ambiente tomando-se como parâmetros de controle a otimização tanto da temperatura como da umidade relativa do ar. O controle em malha 22 fechada típico nesse tipo de abordagem abordagem é realizado com a realimentação do sinal de temperatura e umidade relativa, que é mensurado através de sensores no ambiente no qual se efetua a climatização artificial. Nas ultimas décadas vários trabalhos foram desenvolvidos nessa perspectiva. Na seqüência apresenta-se alguns trabalhos relacionados com essa abordagem onde procura-se compreender os pontos positivos e negativos em variar as duas principais variáveis que afetam as condições higrotérmicas no interior de uma edificação. Astrom,; Hagglund e Wallenborg (1993) apresentam uma tentativa de otimização melhorando o desempenho de controladores digitais em sistemas HVAC(heating, ventilation, and air conditioning) por meio de um mecanismo de auto-ajuste. Utilizandose de estruturas de controle digitais, evitando-se assim problemas de discretização de estruturas contínuas para tratamento das variáveis consideradas no sistema, apresenta-se uma melhora no desempenho para sistemas de baixa ordem, atuando-se na temperatura interna do ambiente e na pressão dos dutos de ventilação do sistema. Já Dumur; Boucher e Murphy (1997) propõem uma estratégia que antecipa futuras mudanças no set-point de temperatura para manter o sinal o mais próximo possível do valor ideal. Tal estratégia, primeiramente testada em controladores do tipo proporcional, integral e derivativo (PID), é proposta para um controlador preditivo generalizado (GPC). Oliveira et al. (2003) verificam que no contexto de conforto, para se obter a sensação de conforto térmico, pode ser suficiente ajustar uma faixa de temperatura em virtude de se obter um controle regularizado em um valor pré-estipulado. Tal característica é então explorada por uma lei de controle baseada em sistemas fuzzy. Pode-se citar ainda, como estratégia de controle para temperatura e umidade relativa, o trabalho proposto por Rentel-Gomez e Velez-Reyes (2001) onde, desprezando-se a hipótese de alto consumo de energia, utiliza-se de uma técnica de controle multivariável de temperatura e umidade relativa em cascata para manter seus respectivos valores o mais próximos possível dos set-points pré-determinados. A estratégia de controle proposta possui dois laços na malha de controle, o laço interno utiliza-se de uma lei de 23 controle não-iterativa para desacoplar as duas variáveis de saída (temperatura e umidade relativa internas do ambiente) em relação as entradas (variáveis do sistema de climatização e perturbações), já o laço externo, voltado a estabilização e controle propriamente dito, utiliza-se de um controlador do tipo proporcional e derivativo (PD). Apresentam-se ainda resultados onde atuam-se em cada variável separadamente, considerando-se nulas as infiltrações entre o ambiente e o clima externo. No trabalho em questão, utiliza-se uma malha de controle baseado no controle regulatório da temperatura interna do modelo de edificação em escala reduzida. Esse controle tem por objetivo manter a variável de processo (temperatura) em valores desejados (setpoints), ou oscilando em faixas pré-definidas. A atuação do controlador é feita com a insuflação de ar frio na instalação a partir de uma ventoinha. 3- MICROCONTROLADORES O microcontrolador pode ser definido como um circuito integrado composto por um microprocessador e dispositivos periféricos. Pode-se dizer que existe dispositivos periféricos essenciais, tais como: memória de programa e de dados; e também periféricos de acessórios como: interfaces de entrada e saída de dados. Encontra-se em um microcontrolador vários dispositivos eletrônicos como conversor analógico digital (AD), comparadores, interfaces de comunicação como USB/SERIAL, geradores de pulsos, temporizadores, entre outros. São muito populares devido ao seu baixo custo. Isso possibilita a utilização de microcontroladores como soluções de vários projetos que tem como prioridade o baixo consumo de energia e baixo custo. Os microcontroladores possuem freqüência de clock de poucos MHz e são considerados lentos comparados aos microprocessadores utilizados em computadores convencionais, no entanto ele são bastante adequados para aplicações típicas. Além disso esses dispositivos consomem pouca energia, variando na faixa de miliwatts de potencia consumida (HORENSTEIN, 2006). Outra grande vantagem dos microcontroladores é a fácil programação e reprogramação, o que o torna uma ferramenta importante em vários sistemas embarcados como celulares, eletrodomésticos, equipamentos de automação industrial, relógios, alarmes, brinquedos e outros, pois podem ser desenvolvidos para aplicações especificas. Atualmente, grande parte dos componentes eletrônicos utilizados possuem microcontroladores em sua arquitetura. Os microcontroladores possuem uma capacidade de processamento que depende da família de processadores que os mesmos utilizam. Apresenta-se a organização de um microcontrolador padrão na figura 3.1. 25 Figura 3.1- Desenho esquemático de um microcontrolador. Fonte PICMINAS, 2011. 3.1- Arquiteturas dos microcontroladores A organização interna dos microcontroladores pode se dar de várias formas diferentes, e isso impactará diretamente em sua capacidade de armazenamento, consumo de energia, programação e desempenho. Os fabricantes de microcontroladores implementam a arquitetura organizacional dos microcontroladores seguindo paradigmas e conceitos consolidados pela computação. As arquiteturas mais utilizadas são a arquitetura CISC (“Complex Instruction Set Computer”) e a RISC (“Reduced instruction Set Computer”). 3.1.1- Arquitetura CISC A arquitetura CISC tem como base a utilização de instruções mais complexas, objetivando assim a diminuição do numero de instruções que o programa necessita para ser implementado. Nesses dispositivos o numero de ciclos por instruções pode aumentar 26 assim como o próprio tempo de relógio. Pode-se citar como exemplo de utilização da arquitetura CISC os processadores da família de microcontroladores Intel 8051, que possuem cerca de 100 instruções. 3.1.2- Arquitetura RISC A arquitetura RISC tem como base a utilização de instruções de baixa complexidade, o que gera um baixo tempo médio de execução das instruções de maquina. Essa redução de tempo, por sua vez, gera um menor numero de ciclos por instruções, no entanto, o numero de instruções utilizadas no programa aumenta consideravelmente em relação a arquitetura CISC. Pode-se citar como exemplo de utilização da arquitetura RISC os microcontroladores da família PIC. A exemplo disso tem-se o PIC da família 16F que possui um pouco mais de 30 instruções. Pode-se dizer que os dispositivos que utilizam a arquitetura RISC tem como objetivo a redução máxima do tempo de ciclo de via de dados. 3.2- Principais Componentes de um microcontrolador Um microcontrolador pode ser subdividido em vários componentes. A seguir descrevese as principais partes dos sistemas microcontrolados. 3.2.1 Memória Um dos componentes principais de um microcontrolador é a memória. A memória de sistemas microprocessados pode ser dividida em dois grupos, sendo eles: memória de programa (FLASH) e memória de dados (RAM – Random Access Memory e EEPROM - Electrically-Erasable Programmable Read-Only Memory). A utilização da memória de programa está relacionada com o armazenamento de tarefas que o microcontrolador deve executar. Já a memória de dados é utilizada para armazenar os resultados e dados utilizados pelo microcontrolador. Apesar das diferenças, ambas memórias possuem um tamanho limitado quando se compara com outros dispositivos. 27 3.2.2 Arithmetic Logic Unit (ALU) Em um microcontrolador, o modulo Arithmetic Logic Unit(ALU) é responsável pelas operações lógicas realizadas nesse dispositivo. A ALU é considerada a central de processamento do dispositivo e tipicamente realiza operações lógicas de comparação como maior, menor, igual; operações booleanas como and, or, xor; operações aritméticas como adição, subtração, incrementação, multiplicação e divisão. 3.2.3 Temporizadores e contadores A noção de tempo e execução de rotinas nos sistemas microcontrolados é realizadas pelos temporizadores e contadores. Podem gerar pulsos, rotinas em períodos específicos, entre outros. Seus parâmetros são alteráveis, tornando o seu uso programável para uso especifico ou geral. 3.2.4 Interfaces de entrada e saída Os microcontroladores se interfaceam com outros dispositivos através de portas de entradas e saídas. Essa transmissão de dados com o meio externo pode ser via comunicação serial, paralela e USB. Uma comunicação bastante utilizada em microcontroladores é a comunicação USB/CDC no qual a comunicação do tipo serial é emulada na porta USB. 3.2.5- Interrupções O programa principal pode ser interrompido pelas chamadas rotinas de interrupção. Pode-se dizer que as interrupções são modificações que ocorrem no fluxo de controle causada por uma ação externa. A interrupção opera como um sinal de controle enviado para à CPU, quando se detecta um determinado evento. Após isso, a CPU é forçada a tratar o evento externo. É possível dividir o tratamento de interrupções em três etapas, que são descritas a seguir: 28 detecção da fonte da interrupção, ou seja, qual dispositivo que gerou a ação externa; executar as ações relacionadas com o tipo de interrupção gerado; retornar ao ponto do programa em que estava quando iniciou atendimento à interrupção; Quanto um ou mais dispositivos enviam o sinal de interrupção ao mesmo tempo as interrupções são atendidas de acordo com o grau de prioridade. São prioritárias para atendimento as interrupções devidas a: emergências de hardware, tais como atendimento a reset(reinicicalização) e erros de hardware (erro de paridade de memória,etc.); eventos de alta prioridade; E/S de dispositivos de alta velocidade. 3.3- Microcontroladores PIC Os microcontroladores PIC são uma família de dispositivos fabricados pela Microchip. Esses dispositivos utilizam uma arquitetura RISC e possuem freqüências de clock de até 40MHz. Além disso, eles podem ter até 2048 Kword de memória de programa e até 3968 bytes de memória RAM. Podem ser encontrados com diversos periféricos internos, tais como: temporizadores/contadores, memória EEPROM interna, gerador, comparador, amostrador PWM, conversores A/D de até 12 bits, interface de barramento CAN, I2C,SPI, entre outros. Existem basicamente três famílias de PICs sendo elas diferenciadas pelo tamanho da palavra de memória de programa: 12,14 e 16 Bits. Todos estes dispositivos possuem um barramento interno de dados de oito bits. Outra característica importante da arquitetura PIC reside na semelhança e compatibilidade entre os diversos chips. Isto facilita grandemente a migração de um MCU para outro, pois os princípios básicos e grande parte dos registradores não diferem entre si (HORENSTEIN, 2006). 29 3.3.1 - Microcontrolador PIC18F4550 O microprocessador PIC18f4550 (figura 3.2) reúne, em um circuito integrado, todos os elementos de uma CPU RISC de alto desempenho, sendo fabricados em encapsulamentos PLCC, TQFP, DIP ou SOIC. Apresenta-se algumas características desse dispositivo (DATASHEET, 2006). Frequencia de Operação: 48 MHz; - Memória de Programa (instruções): 16384; Memória de Dados (bytes): 2048; - Portas de E/S: Portas A, B, C, D, E; - Total de Pinos de E/S: 20; Total de canais de captura de entrada: 1; Comunicação Serial – Enhanced UART: 2; Comunicação Serial – SPI (3-wire/4-wire): 3; Comunicação Serial – I2C: 2; Comunicação Paralela (PMP/PSP): Não; Streaming Parallel Port (SPP) for USB streaming transfers: Sim; Packages: PLCC, TQFP, DIP ou SOIC; Set (Instruções): 75/ 83 com Set de Instruções Estendida Habilitado; Timers: 4. Figura 3.2- Microcontrolador PIC18F4550 30 3.3.1.1- Diagrama de pinos PIC18F4550 O diagrama de pinos do PIC18F4550 oferece os nomes de todos os pinos contidos neste componente. Pode-se observar o diagrama na Figura 3.3: Figura 3.3: Diagrama de pinos DIP do microcontrolador PIC18F4550. Fonte: DATASHEET..., 2006. 3.3.1.2- Diagrama de blocos PIC18F4550 Neste diagrama pode-se verificar como cada parte deste componente funcionará. Cada bloco contém uma função executada pelo microcontrolador PIC18F4550, figura 3.4: 31 Figura 3.4: Diagrama em Blocos do PIC18F4550. Fonte: DATASHEET..., 2006. 32 3.3.1.3- Organização da Memória de Programa A memória de programa deste componente se comporta conforme o esquema apresentado na figura 3.5. Figura 3.5: Organização da Memória do PIC18F4550. Fonte: DATASHEET..., 2006. 3.3.1.4- Memória de Dados. A memória de dados é onde o microcontrolador lê e escreve dados durante a operação normal. Geralmente é do tipo volátil, embora memórias não-voláteis possam ser 33 utilizadas (DATASHEET..., 2006). Observe-se no diagrama mostrado na figura 3.6 a estrutura de memória de dados do PIC18F4550. Figura 3.6- Memória de Dados do PIC18F4550. Fonte: DATASHEET...,2006. 34 3.3.2- Comunicação USB/CDC em microcontroladores PIC A especificação USB (USB-IF) define classes de comunicação para os mais variados tipos de comunicação (interrupção, transferência em massa, etc. Dentre essas classes de comunicação que o padrão USB define, duas classes foram consideradas para desenvolver dois tipos de comunicação USB: CDC e HID. A classe de comunicação CDC (Connected Device Configuration),desenvolvida nesse projeto, se enquadra em uma série de classes que definem transferências genéricas de dados, como transferência de sinais de controle e dados em modems, cabos Ethernet e, para o caso deste trabalho,transferências que emulam a transmissão de dados através da comunicação serial RS232 (AXELSON, 1996). A especificação CDC descreve a subclasse Abstract Control Model(IARSYSTEMS) para a emulação serial através do USB. Basicamente, para que a emulação RS232 possa ser realizada duas interfaces (classes) USB são necessárias: Communication Interface Classe Data Interface Class. A primeira interface encarrega-se de notificar ao servidor – neste caso uma estação de controle, um computador pessoal – do status da conexão USB-RS232 oriunda do dispositivo.A segunda interface define a forma como os dados serão enviados já que, no padrão RS 232, os dados são mandados em sua forma crua (raw data), sem qualquer formatação (AXELSON, 1996). 4. ESTUDO DE CASO 4.1. O objeto de estudo Este trabalho tem como principal objetivo o estudo, implementação, e análise de um sistema de controle fuzzy PI de temperatura num modelo de edificação em escala reduzida (OLIVEIRA,2008). Além disso, é realizada um interfaceamento do microcontrolador com um computador, possibilitando, por parte do usuário, a visualização e o interfaceamento em tempo real com o sistema de controle. O modelo de edificação em escala reduzida é uma casa de madeira em dimensões reduzidas. Apresenta-se o modelo nas figuras 4.1, 4.2, 4.3. A maquete possui as dimensões de 62,5 cm de largura, um comprimento de 62 cm e uma altura de 37 cm. Figura 4.1 – Visão frontal e lateral da maquete 36 Figura 4.2 – Visão traseira e lateral da maquete Figura 4.3– Visão superior do telhado da maquete 37 4.2. Proposta do sistema de controle No presente trabalho, realiza-se um controle realimentado (feedback) no qual a temperatura interna é a variável controlada no processo. Objetivando o controle da temperatura interna do modelo em escala reduzida, desenvolve-se um sistema de controle que tem a capacidade de insuflar uma massa de ar ao ambiente de maneira que sua temperatura estabilize num valor pré-estabelecido (setpoint). Para se obter uma malha de controle em malha fechada, utiliza-se o dispositivo LM35 como sensor, uma ventoinha como atuador e um microcontrolador PIC18F4550, que é o principal responsável pela aplicação do controle. A seguir, descreve-se alguns dos componentes utilizados neste estudo. 4.2.1- Microcontrolador Na presente trabalho, o microcontrolador PIC18F4550, tem um papel muito importante no sistema de controle. Ele é responsável por calcular a tensão média a ser entregue ao atuador a partir do algoritmo de controle fuzzy, ou seja, ele fornece a potência necessária a ventoinha, de maneira que este insufle uma quantidade de ar necessária para a manutenção da temperatura interna do ambiente em um valor de referência préestabelecido. 4.2.2. Sensor LM35 O LM35 é um sensor de temperatura de precisão fabricado pela National Semiconductor, figura 4.4. Este dispositivo possui uma tensão de saída diretamente proporcional à temperatura na escala Celsius, sendo de 10 mV/ºC. O LM35 não nescessita de qualquer calibração e possui uma boa exatidão, valores de temperatura com variações de 0,25 ºC ou até mesmo 0,75 ºC dentro da faixa de temperatura de -55 ºC a 150 ºC. Como ele possui uma saída de tensão direta, é muito fácil realizar-se o seu interfaceamento com dispositivos de leitura analógicos. No presente estudo, o sinal de tensão do sensor é amplificado por um amplificador operacional e posteriormente enviado para a porta analógica do microcontrolador. 38 Figura 4.4 – Sensor LM35 Este sensor permite uma alimentação VS variando na faixa de 4 a 20 Vdc e drena apenas 60 µA de sua fonte de alimentação, o que gera um baixo aquecimento por efeito joule. O sensor LM35 pode ser encontrado em vários tipos de encapsulamentos, cujo a escolha depende do tipo de aplicação em que se utiliza o dispositivo. O encapsulamento mais comum é o TO-92, que se assemelha muito com um transistor. 4.2.3. Ventoinha A ventoinha é o atuador do sistema de controle, figura 4.5. Este dispositivo tem as características de um motor de corrente continua e tem a função de insuflar uma quantidade de ar frio no ambiente interno, de tal modo que se mantenha a temperatura constante em um valor de referência. 39 Figura 4.5 – Ventoinha O controle da quantidade de ar a ser insuflado no ambiente é feito por meio de um controle da potencia da ventoinha. A potência desenvolvida no dispositivo é controlada pelo microcontrolador por meio de uma modulação por largura de pulsos. Pode-se variar o ciclo de trabalho de 0% a 100%. A ventoinha operando com um ciclo de trabalho de 100 % irá girar em sua velocidade máxima, e consequentemente em sua tensão máxima, 12V, ao passo que com um ciclo de trabalho de 0 % a ventoinha se desligada, 0V. 4.3. Montagem do sistema de controle Inicialmente a montagem do sistema é realizada em um protoboard e no kit PicMinas 18F4550, figura 4.6 (TORRES; MARTINS,2010). No interior do ambiente encontra-se somente o sensor de temperatura, que se comunica com o circuito eletrônico de medição de temperatura, situado no ambiente externo. Este circuito é composto por um amplificador operacional e duas resistências. A ventoinha se encontra acoplada em uma das janelas do modelo de edificação em escala reduzida. Apresenta-se na figura 4.7 o sistema de controle montado. 40 Figura 4.6 – Kit Picminas e protoboard. Fonte: TORRES; MARTINS,2010. Figura 4.7 – Sistema de controle montado. Na figura. 4.8 apresenta-se o diagrama elétrico do sistema de controle. Observa-se neste esquema elétrico que a saída do sensor de temperatura é amplificada pelo dispositivo LM741. Essa amplificação é ditada pelas resistências acopladas ao amplificador e no presente trabalho é de 11 vezes. Verifica-se que quanto maior o sinal de voltagem entregue ao conversor AD do microcontrolador, maior será a precisão da medição, logo, 41 a utilização do LM741 para amplificar a temperatura nos fornece um grande aumento da precisão do sistema. Figura 4.8 – Diagrama elétrico. Utiliza-se um diodo em paralelo com a ventoinha, denominado diodo de roda livre. Este dispositivo tem a função de proteger o circuito eletrônico, o transistor em particular, de uma descarga reversa da força contra-eletromotriz gerada na ventoinha. Com o diodo de roda livre esta descarga elétrica da força contra eletromotriz circulará em torno do diodo e não mais no transistor. Utiliza-se os botões RESET e MUDA SETPOINT, que são responsáveis por reiniciar o sistema e alterar o valor de referencia do controle regulatório, respectivamente. Os dados do processo podem ser vistos em dois dispositivos. O primeiro deles é o leitor LCD. No display LCD é possível a leitura da temperatura interna do ambiente, do ciclo de trabalho do cooler e da temperatura de referência (setpoint). Já a segunda forma de leitura se baseia no interfaceamento do sistema com o microcomputador, que permite a visualização na tela de um computador domestico. 4.4. Desenvolvimento do software de controle O ambiente de desenvolvimento do software é o MPLAB IDE V8.60. No anexo I apresenta-se os passos de desenvolvimento do software. Essa ferramenta oferece uma série de funcionalidades, como geração do código fonte, compilação e teste do chip 42 escolhido pelo projetista, em um ambiente amigável e de fácil compreensão. Utilizou-se a linguagem C. Sendo assim, necessita-se de um compilador para converter essa linguagem de alto nível para a linguagem de máquina do microcontrolador. A escrita do código se subdivide em três partes. A primeira delas é o programa destinado a aquisição de sinais externos, valores de temperatura, por exemplo, e envio de sinais para dispositivos externos. Nessa etapa, utiliza-se bibliotecas para conversão analógica/digital, acesso as saídas PWM e interface com o display LCD. Posteriormente, desenvolveu-se uma parte do código dedicado ao sistema de controle. Nessa parte, é possível calcular o ciclo de trabalho a ser aplicado na ventoinha a partir de cálculos da lei de controle fuzzy PI. A última parte do software é destinada a comunicação USB/CDC, figura 4.9. É realizado o empacotamento dos dados e através de uma interface com componentes eletrônicos, é possível enviar esses dados para um computador que tenha porta USB. Os dados podem ser observados em tempo real, com taxa de amostragem de 1 s. Os dados recebidos pelo computador fazem parte de uma emulação da porta serial. Figura 4.9 – Diagrama USB/CDC. Analisando o sistema com uma visão global, este software faz a leitura do sensor de temperatura em intervalos regulares, de maneira que se possa compará-la com a temperatura desejada no ambiente. Com essa comparação, gera-se o sinal de erro do sistema, que representa a diferença do estado atual para o estado de referência. Em seguida, a partir da lei de controle do controlador fuzzy PI, calcula o incremento necessário na saída do controlador para controlar a temperatura interna do ambiente. Esse incremento é adicionado a saída atual, e a saída do controlador é atualizada, 43 fazendo com que a potência da ventoinha diminua de acordo com o incremento. Após a compilação do software de controle, este deverá ser gravado no microcontrolador. 4.5. Aplicação Web Por meio da conexão USB/CDC os dados são enviados para um computador para o monitoramento. Desenvolveu-se no presente estudo um software para realizar a interface homem maquina (IHM) do sistema. Este software é uma aplicação web realizada com o Java Script. A aplicação via web foi desenvolvida no software Eclipse e permite que qualquer computador ligado na rede seja capaz de monitorar o controle de temperatura do modelo em escala reduzida. Para disponibilizar a aplicação para web, utiliza-se o servidor Tomcat, figura 4.10 (SIMPSON,2007). Figura 10 –Servidor tomcat. Apresenta-se na figura 4.11 a tela principal do sistema de monitoramento desenvolvido. 44 Figura 4.11– Tela principal aplicação Java. 4.6. Resultados obtidos Com o sistema de controle em malha fechado montado, inicia-se o processo de ajuste e sintonia do controlador fuzzy PI. Diante das equações discreta do controlador, é possível concluir que a sintonia deste sistema depende apenas das constantes K , K i e K u e dos parâmetros T (tempo de amostragem) e L, L (faixa das variáveis de entrada do controlador). A dinâmica de sistemas térmicos é caracterizada por uma resposta lenta, com isso utiliza-se o tempo de amostragem de 1 s. Já o parâmetro L é definido com o valor fixo igual a 1. Com isso tem-se, T L 1 . Após vários experimentos realizados no processo, conclui-se que os melhores valores dos ganhos do controlador são: K 10 Ki 1 K u 40 45 O sistema desenvolvido permite ao usuário a visualização em tempo real do sistema de controle, no entanto, para se gerar o gráfico da evolução temporal da temperatura, utiliza-se o módulo NI USB-6009 para aquisição de dados, figura 4.12. Utiliza-se o Software Labview para o armazenamento dos dados no computador. Figura 4.12 – Módulo NI USB-6009 Apresenta-se na figura 4.13 a evolução da temperatura interna do ambiente sob a atuação do sistema de controle fuzzy PI. Inicialmente a temperatura do ambiente varia entre 31 e 32 graus. Aos 30 s, estipula-se 25 °C como referência e o sistema de controle é ligado. A temperatura do ambiente se estabiliza no valor de referência 3 min após o sistema de controle iniciar sua operação. 46 Figura 4.13 - Evolução temporal da temperatura interna do ambiente. 47 5. CONCLUSÕES Neste trabalho desenvolve-se em um microcontrolador da família PIC18F4550 um controlador fuzzy PI para o controle da temperatura interna de um ambiente em escala reduzida. Por meio de um estudo acerca dos controladores nebulosos foi possível obter as leis de controle discretas do controlador fuzzy PI, possibilitando assim uma implementação pratica. O microcontrolador utilizado é capaz de fazer a leitura do sensor de temperatura e calcular a potência a ser entregue ao atuador para que se controle a temperatura do ambiente. Além disso, o microcontrolador se comunica com um computador doméstico por uma conexão USB/CDC, possibilitando assim a visualização em tempo real do sistema de controle. O sistema de controle proposto no trabalho apresentou um desempenho satisfatório, visto que o mesmo conseguiu conduzir à temperatura de referência em aproximadamente 3 min. A IHM (Interface Homem Maquina) para visualização dos dados no computador é uma aplicação WEB e foi desenvolvida na plataforma HTML/JavaScript. Essa aplicação possibilita a visualização em tempo real do sistema de controle de qualquer ponto ligado a rede. Além disso, em virtude dessa aplicação ter suas bases na plataforma Java, pode-se acompanhar o controle do sistema em qualquer dispositivos, como por exemplo, smartphones, tablets, visto que os mesmos tem a capacidade de emular aplicações Java. Como sugestões para trabalhos futuros propõem-se a utilização de um sistema que permita não só resfriar o ambiente construído, mas também aquecê-lo. Além disso, a aplicação WEB desenvolvida no trabalho pode ser hospedada em um servidor na internet, possibilitando assim que o controle seja acessado e visualizado de qualquer computador que possua o serviço de internet. 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN SOCIETY FOR HEATING, REFRIGERATING AND AIR CONDITIONING ENGINEERING. Thermal environmental conditions for human occupancy. ANSI/ASHRAE 55:2004. Atlanta, 2004. ASTROM, K. J.; HAGGLUND, T. Automatic Tuning of PID Controllers. 1º Edição. United States of America: Instrument Society of America, 1988. ASTROM, K. J.; HAGGLUND, H.; WALLENBORG, A. Automatic tuning of digital controllers with applications to hvac plants. Automatica 29(5), 1993. AXELSON, J. Parallel port complete: programming, interfacing and using the PC’s parallel printer port. 1996. Disponível em: <http://www.lvr.com/parprtib.htm#Chapter1>. Acesso em: 25 de novembro de 2011. DATASHEET do microcontrolador PIC18F4550 disponível em http://ww1.microchip.com/downloads/en/DeviceDoc/39632e.pdf. Acesso em 10 de novembro de 2011. DORF, R. C.; BISHOP, R. H. Modern Control Systems. 10º Edição. United States of America: Pearson Prentice Hall, 2005. DUMUR, D.; BOUCHER, P.; MURPHY, K. M. Comfort control in residential housing using predicitve controllers. United States of America: IEEE International Conference on Control Applications. Hartford, CT, USA, 1997. FANGER, P. O., Thermal Comfort, Analysis and Application in Environmental Engineering, McGraw-Hill, New York, 1972. 245 p. GIVONI, B. Man, climate and architecture. Londres: Elsevier, 1976. 49 GIVONI, B. Confort Climate Analysis and Building Design Guidelines. Energy and Buildings, n. 18 p. 11/23, 1992. HEY, H. L. Projeto Reenge - Caderno Didático de Sistemas de Controle I. 1º ed. Santa Maria, 1997. HORENSTEIN, M. N., Microeletrônica circuitos & dispositivos, Rio de Janeiro. Editora Prentice-Hall do Brasil, 1996 LOURENÇO, J. Sintonia de Controladores PID. Rio de Janeiro: 1997. OGATA, K. Engenharia de Controle Moderno. 4º Edição. São Paulo: Prentice Hall, 2003. OLIVEIRA, I. S. Controle fuzzy PI de temperatura num modelo de edificação em escala reduzida. 2008. Monografia (Trabalho de Final de Curso em Engenharia de Controle e Automação). Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, 2008. OLIVEIRA, G. H. C.; ARAÚJO, H. X.; COELHO, L. S.; MENDES, N. Using fuzzy logic in heating control systems. Hawaii, USA: In: Proc. of the 6-th ASME-JSME Thermal Engineering, Vol1,p 1-6, 2003. RENTEL-GOMEZ, C.; VELEZ-REYES, M. Decoupled control of temperature and relative humidity using avariable-air-volume hvac system and non-interacting control. In: Proc. of the 2001 IEEE International Conference on Control Applications. IEEE. Mexico City, Mexico. pp. 1147/1151, 2001. SANDRI, S.; CORREA, C. Lógica Nebulosa. In: ESCOLA DE REDES NEURAIS, 5., 1999, São José dos Campos. Anais... São José dos Campos: ITA, 1999, p. c73-c90. SIMPSON, B. Tomcat Howto, 1ª ed. 2007 Disponível <http://pub.admc.com/howtos/tomcat/tomcat.pdf>. Acesso em: 13 de dez. 2011. em: 50 SZOKOLAY, S. V. Thermal Design of Buildings. Australia: Raia Education Division, 1987. TANG, W.; CHEN, G.; LU, R. A modified fuzzy PI controller for a flexible-joint robot arm with uncertainties. Fuzzy Sets and Systems, Houston, v. 118 , n. 1, p. 109119, 2001. TORRES, F. E.; MARTINS, H. R. Apostila didática PICMinas: Sistemas microcontrolados, V. 1. Editora Axoon, 2010. XAVIER, A. A. P. Condições de conforto térmico para estudantes de 2º grau na região de Florianópolis. Florianópolis. 1999. 198 p. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1999. XAVIER, A. A. P. Predição de conforto térmico em ambientes internos com atividade sedentária: Teoria física aliada a estudos de campo. 2005. 251 p. Tese (Doutorado). Faculdade de Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005. ANEXO I CÓDIGO FONTE DO SOFTWARE DE CONTROLE Apresenta-se o código fonte, em linguagem C, do controlador fuzzy PI, implementado no microcontrolador PIC18F4550. Este código foi desenvolvido no compilador MPLAB IDE V8.60/C18. /********************************************************************** ******** * * Monografia Pedro Henrique Sousa Prado * Professor: Henor Artur de Souza * * * ********************************************************************** ******** ********************************************************************** *******/ /** I N C L U D **********************************************************/ #include <p18F4550.h> #include <stdio.h> #include <stdlib.h> #include <string.h> #include <adc.h> #include "GenericTypeDefs.h" #include "Compiler.h" #include "usb_config.h" #include "usb_device.h" #include "usb.h" #include "HardwareProfile.h" #include "usb_function_cdc.h" #include "my_xlcd.h" #include <pwm.h> #include <delays.h> #include <timers.h> #include <stdlib.h> E S /** CONFIGURATION **************************************************/ #pragma config PLLDIV = 5 // (20 MHz crystal on PICDEM FS USB board) #pragma config CPUDIV = OSC1_PLL2 #pragma config USBDIV = 2 // Clock source from 96MHz PLL/2 #pragma config FOSC = HSPLL_HS #pragma config FCMEN = OFF #pragma config IESO = OFF #pragma config PWRT = OFF #pragma config BOR = ON #pragma config BORV = 3 #pragma config VREGEN = ON //USB Voltage Regulator #pragma config WDT = OFF #pragma config WDTPS = 32768 #pragma config MCLRE = ON #pragma config LPT1OSC = OFF #pragma config PBADEN = OFF // #pragma config CCP2MX = ON #pragma config STVREN = ON #pragma config LVP = OFF // #pragma config ICPRT = OFF // Dedicated In-Circuit Debug/Programming #pragma config XINST = OFF // Extended Instruction Set #pragma config CP0 = OFF #pragma config CP1 = OFF // #pragma config CP2 = OFF // #pragma config CP3 = OFF #pragma config CPB = OFF // #pragma config CPD = OFF #pragma config WRT0 = OFF #pragma config WRT1 = OFF // #pragma config WRT2 = OFF // #pragma config WRT3 = OFF #pragma config WRTB = OFF // Boot Block Write Protection #pragma config WRTC = OFF // #pragma config WRTD = OFF #pragma config EBTR0 = OFF #pragma config EBTR1 = OFF // #pragma config EBTR2 = OFF // #pragma config EBTR3 = OFF #pragma config EBTRB = OFF /** D E F I N E ************************************************************/ #define LEDAmarelo #define LEDVermelho PORTDbits.RD0 PORTDbits.RD1 S #define VDD 5 #define BOTAO_1 #define BOTAO_2 PORTEbits.RE1 PORTEbits.RE2 /** V A R I A V E I S G ****************************************/ // variáveis par uso das rotinas de USB char USB_Out_Buffer[CDC_DATA_OUT_EP_SIZE]; char RS232_Out_Data[CDC_DATA_IN_EP_SIZE]; L O B A I S D O S unsigned char NextUSBOut; unsigned char NextUSBOut; unsigned char LastRS232Out; // Number of characters in the buffer unsigned char RS232cp; // current position within the buffer unsigned char RS232_Out_Data_Rdy = 0; USB_HANDLE lastTransmission; int temp_ref=19; float y,errodecd,porcentagempwmf; unsigned int ciclo; // Ciclo de trabalho do PWM2 int le1=27, le2=27,erroint,errodec,porcentagempwm; /** P R O T O T I P O ***********************************/ static void ConfigSystem (void); static void InitializeUSBSystem(void); void ProcessIO(void); void USBDeviceTasks(void); void YourHighPriorityISRCode(); void YourLowPriorityISRCode(); void BlinkUSBStatus(void); void UserInit(void); void InitializeUSART(void); void putcUSART(char c); unsigned char getcUSART (); S P R I V A //interrupcoes void HighPriorityISRCode(); void LowPriorityISRCode(); /** F U N C O E ************************************************************/ S /********************************************************************** ******** * Funcao: void main(void) * Entrada: Nenhuma (void) * Saída: Nenhuma (void) * Descrição: Função principal do programa. * * Este pograma envia um pacote de 5 caracteres continuamente para a USB simulada e * ecoa de volta para a USB tude que ele recebeu dele. * Ver o código em main(..) e ProcessIO(..) ********************************************************************** *******/ void main(void) { unsigned long i,k; char example_string[5],bufferint[2],bufferdec[2],potpwm[3],tempreff[2]; unsigned char pacote[11]; int Num_CAD_bin = 0; float Num_CAD_volts = 0.0; float Num_CAD_graus = 0; float resolucao = 5/1023.0; int b, conversaoh, conversaol,x,decPart ,intPart; double decPartd; ConfigSystem (); InitializeUSBSystem(); OpenPWM2(254); // PWM period =[(period ) + 1] x 4 x TOSC x TMR2= 0,34ms #if defined(USB_INTERRUPT) USBDeviceAttach(); #endif k=0; while (1){ // APENAS TESTE: Cria um delay ----for(i=0;i<30000;i++){ Nop(); } #if defined(USB_POLLING) // Check bus status and service USB interrupts. USBDeviceTasks(); // Interrupt or polling method. If using polling, must call // this function periodically. This function will take care // of processing and responding to SETUP transactions // (such as during the enumeration process when you first // plug in). USB hosts require that USB devices should accept // and process SETUP packets in a timely fashion. Therefore, // when using polling, this function should be called // frequently (such as once about every 100 microseconds) at any // time that a SETUP packet might reasonably be expected to // be sent by the host to your device. In most cases, the // USBDeviceTasks() function does not take very long to // execute (~50 instruction cycles) before it returns. #endif // Application-specific tasks. // Application related code may be added here, or in the ProcessIO() function. if (BOTAO_1) { temp_ref=temp_ref+1; if(temp_ref>=31) { temp_ref=18; } } // Temperatura SetDDRamAddr(0x00); putrsXLCD("TEMP:"); SetChanADC(ADC_CH0); for(i = 0; i < 5; i++) { Delay100TCYx(1); if(!BusyADC()) { // Lê o valor convertido e armazena na variável Num_CAD_bin=ReadADC(); // Inicia a nova Conversão ConvertADC(); } } Num_CAD_volts = Num_CAD_bin*resolucao; Num_CAD_graus = Num_CAD_volts*100; y=Num_CAD_graus; // // Num_CAD_graus = Num_CAD_volts*100; y=Num_CAD_graus-50; // CONVERTENDO Y FLOAT PARA INTEIRO E JOGANDO PARA LCD intPart= (int)y; decPartd=y-intPart; decPartd=decPartd*100; decPart=(int)decPartd; SetDDRamAddr(0x05); putIntXLCD(intPart); SetDDRamAddr(0x07); putrsXLCD("."); SetDDRamAddr(0x08); putIntXLCD(decPart); SetDDRamAddr(0x40); putrsXLCD("P:"); // Calcula % do ciclo para enviar para software porcentagempwmf=ciclo-21; porcentagempwmf=porcentagempwmf/10; porcentagempwm=(int)porcentagempwmf; if (porcentagempwm<=70) { porcentagempwm=0; SetDDRamAddr(0x42); putrsXLCD("00"); SetDDRamAddr(0x44); putrsXLCD("%"); } else { SetDDRamAddr(0x42); putIntXLCD(porcentagempwm); // COLOCAR O CICLO EM % SetDDRamAddr(0x44); putrsXLCD("%"); } SetDDRamAddr(0x46); putrsXLCD("Tf:"); SetDDRamAddr(0x49); putIntXLCD(temp_ref); // Fazendo o buffer para jogar o char para a porta serial itoa(intPart,bufferint); itoa(decPart,bufferdec); itoa(porcentagempwm,potpwm); itoa(temp_ref,tempreff); pacote[0] = 0xFF ; pacote[1] = 11 ; // STX // MSG_SIZE= // dados (incrementando a variavel k de 0 até 120) pacote[2] = bufferint[0]; // DATA_HIGH=0x00 pacote[3] = bufferint[1]; // DATA_LOW= k pacote[4] = bufferdec[0]; pacote[5] = bufferdec[1]; pacote[6] =potpwm[0]; pacote[7] =potpwm[1]; pacote[8] =tempreff[0]; pacote[9] =tempreff[1]; pacote[10] =0xEE ; // ETX k++; if(k>120) k=0; if(mUSBUSARTIsTxTrfReady()){ mUSBUSARTTxRam((unsigned char*)pacote,12); // buffer } // --------------------------------ProcessIO(); envia o } } /********************************************************************** ******** * Funcao: static void ConfiguraSistema(void) * Entrada: Nenhuma (void) * Saída: Nenhuma (void) * Descrição: ConfiguraSistema é a rotina de configuração principal do PIC. * Seu objetivo é configurar as portas de I/O e os periféricos * do microcontrolador para que os mesmos trabalhem da maneira * desejada no projeto. * ********************************************************************** *******/ static void ConfigSystem (void) { // Configura seu sistema aqui!!! // Lembre-se de organizar entradas separada das saidas e fazer uma descrição da configuração // Ex: // Configura LED's do KitPIC: saida digital // TRISxxbits.TRISxx=0; // PINxx - Rxx: saida digital LED_VERDE // TRISxxbits.TRISxx=0; // PINxx - Rxx: saida digital LED_VERMELHO // // Configura Botões do KitPIC: entradas digitais // TRISxxbits.TRISxx=1; // PINxx - Rxx: entrada digital - BOTAO_1 // TRISxxbits.TRISxx=1; // PINxx - Rxx: entrada digital - BOTAO_2 ADCON1 |= 0x0F; // configura todas as portas como digitais // Depois do reset, RE1 e RE2 sao configuradas como entrada analogicas // por default. (pag 125 datasheet) // para informaçoes sobre ADCON1 : pag 262 datasheet. ADCON1 |= 0x0F; // configura todas as portas como digitais //Configura o conversor AD OpenADC( //Parâmetro Config ADC_FOSC_64 & ADC_RIGHT_JUST & ADC_2_TAD, ADC_CH0 & ADC_INT_OFF & ADC_REF_VDD_VSS, ADC_6ANA ); OpenXLCD(); // Inicializa o LCD // CONFIGURAÇÃO PWM TRISC=0b11111001; LATC= 0x00; // Set channel C1 and C2 as PWM output. // Initialize the PORTC. OpenTimer2(T2_PS_1_16 & TIMER_INT_OFF); // Timer2 is used for the time base of the PWM. set timer2 before PWM works. TRISD = 0x00; LEDAmarelo =0; LEDVermelho // Coloca toda a porta D como saída. // apaga os LEDs =0; // configura o TMR0 para clock interno e prescaler dividindo por 64 T0CONbits.T0CS = 0; // clk interno T0CONbits.PSA = 0; // habilita prescaller // coloca prescaler em 256 T0CONbits.T0PS0 = 1; T0CONbits.T0PS1 = 1; T0CONbits.T0PS2 = 1; T0CONbits.T08BIT=0; // configura para 16 bits // habilita interrupções INTCON2bits.TMR0IP=0; // Interrupt priority bit set to 0 - low priority. INTCONbits.TMR0IE = 1; // enable Timer 0 interrupts INTCONbits.PEIE = 1; // enable peripheral interrupts T0CONbits.TMR0ON=1; // liga o timer INTCONbits.TMR0IF = 0; // limpa o flag de interrupçao INTCONbits.GIE = 1; // enable all interrupts }//end ConfiguraSistema /********************************************************************** ******** * Funcao: void Tratamento_High_Interrupt(void) * Entrada: Nenhuma (void) * Saída: Nenhuma (void) * Descrição: Função de tratamento das interrupções de ALTA prioridade * Nessa função deve-se lembrar de fazer a seguinte lista: * 1- verificar qual foi a causa da interrupção, comparando * os flags de cada tipo de interrupção. * 2- tratar a interrupção selecionada. * 3- limpar o flag que causou a interrupção!!! Importante * para garantir que não ocorrerá uma chamada indesejada ao sair * do tratamento da interrupção. * * Ao sair dessa função é usado o retorno do tipo "retfie fast", * pois esta função é declarada como ALTA prioridade com a diretiva * #pragma interrupt * ********************************************************************** *******/ // ATENÇÃO NA SINTAXE de declaração com #pragma interrupt = Alta prioridade #pragma interrupt Tratamento_High_Interrupt void Tratamento_High_Interrupt(void) { //Check which interrupt flag caused the interrupt. //Service the interrupt //Clear the interrupt flag //Etc. #if defined(USB_INTERRUPT) USBDeviceTasks(); #endif }// end Tratamento_High_Interrupt /********************************************************************** ******** * Funcao: void Tratamento_High_Interrupt(void) * Entrada: Nenhuma (void) * Saída: Nenhuma (void) * Descrição: Função de tratamento das interrupções de BAIXA prioridade * Nessa função deve-se lembrar de fazer a seguinte lista: * 1- verificar qual foi a causa da interrupção, comparando * os flags de cada tipo de interrupção. * 2- tratar a interrupção selecionada. * Importante * sair * * * * a diretiva * * 3- limpar o flag que causou a interrupção!!! para garantir que não ocorrerá uma chamada indesejada ao do tratamento da interrupção. Ao sair dessa função é usado o retorno do tipo "retfie", pois esta função é declarada como BAIXA prioridade com #pragma interruptlow ********************************************************************** *******/ // ATENÇÃO NA SINTAXE de declaração com #pragma interruptlow = Baixa prioridade #pragma interruptlow Tratamento_Low_Interrupt void Tratamento_Low_Interrupt(void) { float erro; // Erro da temperatura static float erro_anterior; // Erro anterior da temperatura static float out_fuzzy_anterior; // Saída anterior do controlador Fuzzy PI unsigned int control_on = 1; // Variável que diz o estado do sistema de controle // *** Ganhos do controlador Fuzzy PI *** int ciclotint; const int Ki = 1; const int K = 10; const int Ku = 40; // Ganho de controle incremental float out_fuzzy; // Saída do controlador Fuzzy PI float taxa; // Taxa em que o erro varia float abs_taxa; // Módulo da taxa float abs_erro_ant; // Módulo do erro anterior float out_inc_fuzzy; // Incremento na saída do controlador Fuzzy PI erro = temp_ref - y; // Calcula o erro erroint= (int)erro; errodecd=erro-erroint; errodecd=errodecd*100; errodec=(int)errodecd; if (erro >= 0.5) { control_on = 0; // Desliga o sistema de controle ciclo=0; SetDCPWM2(ciclo); // Desliga o cooler } if (control_on) { taxa = erro - erro_anterior; // Calcula a derivada do erro erro_anterior = erro; abs_erro_ant = fabs(erro_anterior); // Calcula o módulo do erro abs_taxa = fabs(taxa); // Calcula o módulo da derivada do erro // *** Calcula a saída da base de regras do controlador nebuloso *** // *** Regiões IC1, IC2, IC5 e IC6 *** if ((K * abs_taxa <= Ki * abs_erro_ant) && (Ki * abs_erro_ant <= 1)) out_inc_fuzzy = (Ki * erro + K * taxa) / (2 * (2 - Ki * abs_erro_ant)); // *** Regiões IC3, IC4, IC7 e IC8 *** else if ((Ki * abs_erro_ant <= K * abs_taxa) && (K * abs_taxa <= 1)) out_inc_fuzzy = (Ki * erro + K * taxa) / (2 * (2 - K * abs_taxa)); // *** Regiões IC9 e IC10 *** else if ((Ki * erro > 1) && (K * abs_taxa < 1)) out_inc_fuzzy = 0.5 * (K * taxa + 1); // *** Regiões IC11 e IC12 *** else if ((K * taxa > 1) && (Ki * abs_erro_ant < 1)) out_inc_fuzzy = 0.5 * (Ki * erro + 1); // *** Regiões IC13 e IC14 *** else if ((Ki * erro < -1) && (K * abs_taxa < 1)) out_inc_fuzzy = 0.5 * (K * taxa - 1); // *** Regiões IC15 e IC16 *** else if ((K * taxa < -1) && (Ki * abs_erro_ant < 1)) out_inc_fuzzy = 0.5 * (Ki * erro - 1); // *** Região IC17 *** else if ((Ki * erro > 1) && (K * taxa > 1)) out_inc_fuzzy = 1; // *** Regiões IC19 *** else if ((Ki * erro < -1) && (K * taxa < -1)) out_inc_fuzzy = -1; // *** Regiões IC18 e IC20 *** else out_inc_fuzzy = 0; // *** Calcula a saída do controlador fuzzy PI *** out_fuzzy = out_fuzzy_anterior + Ku * out_inc_fuzzy; ciclo = (int)out_fuzzy; // Seta o ciclo de trabalho do cooler if (ciclo<<0) { ciclo=ciclo*(-1); } if (ciclo > 1020) ciclo = 1020; // Saturação no máximo if (ciclo < 255) ciclo = 255; // Saturação no mínimo out_fuzzy = ciclo; SetDCPWM2(ciclo); out_fuzzy_anterior = -out_fuzzy; } TMR0L = 0xB4; TMR0H = 0xB3; // recarrega o timer LEDVermelho = !LEDVermelho; LEDAmarelo = !LEDAmarelo; // apaga os LEDs INTCONbits.TMR0IF = 0; // limpa o flag de interrupçao }//end Tratamento_Low_Interrupt /** V E C T O R R E M A P P I N G ******************************************/ // Seção necessária para informar ao compilador C18 onde são os novos endereços //da memória de programa que ele deve alocar as rotinas de tratamento do "reset" //do microcontrolador e das rotinas de tratamento de interrupção. // //ATENÇÃO: COPIAR ESTA SEÇÃO DO CODIGO PARA TODO ARQUIVO "main.c" DOS PROJETOS QUE //UTILIZAM O BOOTLOADER PARA GRAVAÇÃO IN-CIRCUIT através do BOOTLoader. // Alocação da função de tratamento das interrupções de ALTA prioridade // no endereço 0x1008 da memória de programa. // #pragma code REMAPPED_HIGH_INTERRUPT_VECTOR = 0x001008 void _high_ISR (void) { _asm goto Tratamento_High_Interrupt _endasm } // Alocação da função de tratamento das interrupções de BAIXA prioridade // no endereço 0x1018 da memória de programa #pragma code REMAPPED_LOW_INTERRUPT_VECTOR = 0x001018 void _low_ISR (void) { _asm goto Tratamento_Low_Interrupt _endasm } #pragma code // Diretiva que retorna a alocação dos endereços // da memória de programa para seus valores padrão /** V E C T O R R E M A P P I ******************************************/ // Rotina necessária para o compilador C18 saber onde é o início do vetor de // "reset". // Copiar na íntegra esta parte do código dentro do arquivo "main.c" de TODO // projeto usado com o Bootloader no PIC. N G // protótipo usado pelo compilador C18 extern void _startup (void); // See c018i.c in your C18 compiler dir #pragma code REMAPPED_RESET_VECTOR = 0x1000 void _reset (void) { _asm goto _startup _endasm; } #pragma code /**Rotinas da USB***************************************************************/ /******************************************************************** * Function: static void InitializeSystem(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: InitializeSystem is a centralize initialization * routine. All required USB initialization routines * are called from here. * * User application initialization routine should * also be called from here. * * Note: None *******************************************************************/ static void InitializeUSBSystem(void) { #if (defined(__18CXX) & !defined(PIC18F87J50_PIM)) ADCON1 |= 0x0F; // Default all pins to digital #elif defined(__C30__) AD1PCFGL = 0xFFFF; #elif defined(__C32__) AD1PCFG = 0xFFFF; #endif #if defined(PIC18F87J50_PIM) || defined(PIC18F46J50_PIM) //On the PIC18F87J50 Family of USB microcontrollers, the PLL will not power up and be enabled //by default, even if a PLL enabled oscillator configuration is selected (such as HS+PLL). //This allows the device to power up at a lower initial operating frequency, which can be //advantageous when powered from a source which is not gauranteed to be adequate for 48MHz //operation. On these devices, user firmware needs to manually set the OSCTUNE<PLLEN> bit to //power up the PLL. { unsigned int pll_startup_counter = 600; OSCTUNEbits.PLLEN = 1; //Enable the PLL and wait 2+ms until the PLL locks before enabling USB module while(pll_startup_counter--); } //Device switches over automatically to PLL output after PLL is locked and ready. #endif #if defined(PIC18F87J50_PIM) //Configure all I/O pins to use digital input buffers. The PIC18F87J50 Family devices //use the ANCONx registers to control this, which is different from other devices which //use the ADCON1 register for this purpose. WDTCONbits.ADSHR = 1; // Select alternate SFR location to access ANCONx registers ANCON0 = 0xFF; // Default all pins to digital ANCON1 = 0xFF; // Default all pins to digital WDTCONbits.ADSHR = 0; // Select normal SFR locations #endif #if defined(PIC18F46J50_PIM) //Configure all I/O pins to use digital input buffers. The PIC18F87J50 Family devices //use the ANCONx registers to control this, which is different from other devices which //use the ADCON1 register for this purpose. ANCON0 = 0xFF; // Default all pins to digital ANCON1 = 0xFF; // Default all pins to digital #endif #if defined(PIC24FJ64GB004_PIM) //On the PIC24FJ64GB004 Family of USB microcontrollers, the PLL will not power up and be enabled //by default, even if a PLL enabled oscillator configuration is selected (such as HS+PLL). //This allows the device to power up at a lower initial operating frequency, which can be //advantageous when powered from a source which is not gauranteed to be adequate for 32MHz //operation. On these devices, user firmware needs to manually set the CLKDIV<PLLEN> bit to //power up the PLL. { unsigned int pll_startup_counter = 600; CLKDIVbits.PLLEN = 1; while(pll_startup_counter--); } //Device switches over automatically to PLL output after PLL is locked and ready. #endif // // // // // // // // // // // // // // // The USB specifications require that USB peripheral devices must never source current onto the Vbus pin. Additionally, USB peripherals should not source current on D+ or D- when the host/hub is not actively powering the Vbus line. When designing a self powered (as opposed to bus powered) USB peripheral device, the firmware should make sure not to turn on the USB module and D+ or D- pull up resistor unless Vbus is actively powered. Therefore, the firmware needs some means to detect when Vbus is being powered by the host. A 5V tolerant I/O pin can be connected to Vbus (through a resistor), and can be used to detect when Vbus is high (host actively powering), or low (host is shut down or otherwise not supplying power). The USB firmware can then periodically poll this I/O pin to know when it is okay to turn on the USB module/D+/D- pull up resistor. When designing a purely bus powered peripheral device, it is not possible to source current on D+ or D- when the host is not actively providing power on Vbus. Therefore, implementing this bus sense feature is optional. This firmware can be made to use this bus // sense feature by making sure "USE_USB_BUS_SENSE_IO" has been defined in the // HardwareProfile.h file. #if defined(USE_USB_BUS_SENSE_IO) tris_usb_bus_sense = INPUT_PIN; // See HardwareProfile.h #endif // If the host PC sends a GetStatus (device) request, the firmware must respond // and let the host know if the USB peripheral device is currently bus powered // or self powered. See chapter 9 in the official USB specifications for details // regarding this request. If the peripheral device is capable of being both // self and bus powered, it should not return a hard coded value for this request. // Instead, firmware should check if it is currently self or bus powered, and // respond accordingly. If the hardware has been configured like demonstrated // on the PICDEM FS USB Demo Board, an I/O pin can be polled to determine the // currently selected power source. On the PICDEM FS USB Demo Board, "RA2" // is used for this purpose. If using this feature, make sure "USE_SELF_POWER_SENSE_IO" // has been defined in HardwareProfile.h, and that an appropriate I/O pin has been mapped // to it in HardwareProfile.h. #if defined(USE_SELF_POWER_SENSE_IO) tris_self_power = INPUT_PIN; // See HardwareProfile.h #endif UserInit(); USBDeviceInit(); //usb_device.c. Initializes USB module SFRs and firmware //variables to known states. }//end InitializeSystem /********************************************************************** ******** * Function: void UserInit(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This routine should take care of all of the demo code * initialization that is required. * * Note: * ********************************************************************** *******/ void UserInit(void) { unsigned char i; InitializeUSART(); // Initialize the arrays for (i=0; i<sizeof(USB_Out_Buffer); i++) { USB_Out_Buffer[i] = 0; } NextUSBOut = 0; LastRS232Out = 0; lastTransmission = 0; mInitAllLEDs(); }//end UserInit /********************************************************************** ******** * Function: void InitializeUSART(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This routine initializes the UART to 19200 * * Note: * ********************************************************************** *******/ void InitializeUSART(void) { #if defined(__18CXX) unsigned char c; #if defined(__18F14K50) //ANSELHbits.ANS11 = 0; // Make RB5 digital so USART can use pin for Rx ANSELH = 0; #ifndef BAUDCON #define BAUDCON BAUDCTL #endif #endif UART_TRISRx=1; // RX UART_TRISTx=0; // TX TXSTA = 0x24; // TX enable BRGH=1 RCSTA = 0x90; // Single Character RX SPBRG = 0x71; SPBRGH = 0x02; // 0x0271 for 48MHz -> 19200 baud BAUDCON = 0x08; // BRG16 = 1 c = RCREG; // read #endif #if defined(__C30__) #if defined( __PIC24FJ256GB110__ ) // PPS - Configure U2RX - put on pin 49 (RP10) RPINR19bits.U2RXR = 10; // PPS - Configure U2TX - put on pin 50 (RP17) RPOR8bits.RP17R = 5; #elif defined(__PIC24FJ64GB004__) // PPS - Configure U2RX - put on RC3/pin 36 (RP19) RPINR19bits.U2RXR = 19; // PPS - Configure U2TX - put on RC9/pin 5 (RP25) RPOR12bits.RP25R = 5; #else #error Verify that any required PPS is done here. #endif UART2Init(); #endif #if defined(__C32__) UART2Init(); #endif }//end InitializeUSART #if defined(__18CXX) #define mDataRdyUSART() PIR1bits.RCIF #define mTxRdyUSART() TXSTAbits.TRMT #elif defined(__C30__) || defined(__C32__) #define mDataRdyUSART() UART2IsPressed() #define mTxRdyUSART() U2STAbits.TRMT #endif /********************************************************************** ******** * Function: void putcUSART(char c) * * PreCondition: None * * Input: char c - character to print to the UART * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: Print the input character to the UART * * Note: * ********************************************************************** *******/ void putcUSART(char c) { #if defined(__18CXX) TXREG = c; #else UART2PutChar(c); #endif } /********************************************************************** ******** * Function: void mySetLineCodingHandler(void) * * PreCondition: USB_CDC_SET_LINE_CODING_HANDLER is defined * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function gets called when a SetLineCoding command * is sent on the bus. This function will evaluate the request * and determine if the application should update the baudrate * or not. * * Note: * ********************************************************************** *******/ #if defined(USB_CDC_SET_LINE_CODING_HANDLER) void mySetLineCodingHandler(void) { //If the request is not in a valid range if(cdc_notice.GetLineCoding.dwDTERate.Val > 115200) { //NOTE: There are two ways that an unsupported baud rate could be //handled. The first is just to ignore the request and don't change //the values. That is what is currently implemented in this function. //The second possible method is to stall the STATUS stage of the request. //STALLing the STATUS stage will cause an exception to be thrown in the //requesting application. Some programs, like HyperTerminal, handle the //exception properly and give a pop-up box indicating that the request //settings are not valid. Any application that does not handle the //exception correctly will likely crash when this requiest fails. For //the sake of example the code required to STALL the status stage of the //request is provided below. It has been left out so that this demo //does not cause applications without the required exception handling //to crash. //--------------------------------------//USBStallEndpoint(0,1); } else { DWORD_VAL dwBaud; //Update the baudrate info in the CDC driver CDCSetBaudRate(cdc_notice.GetLineCoding.dwDTERate.Val); //Update the baudrate of the UART #if defined(__18CXX) dwBaud.Val = (GetSystemClock()/4)/line_coding.dwDTERate.Val-1; SPBRG = dwBaud.v[0]; SPBRGH = dwBaud.v[1]; #elif defined(__C30__) dwBaud.Val = (((GetPeripheralClock()/2)+(BRG_DIV2/2*line_coding.dwDTERate.Val))/BRG_DIV2 /line_coding.dwDTERate.Val-1); U2BRG = dwBaud.Val; #elif defined(__C32__) U2BRG = ((GetPeripheralClock()+(BRG_DIV2/2*line_coding.dwDTERate.Val))/BRG_DIV2/lin e_coding.dwDTERate.Val-1); //U2MODE = 0; U2MODEbits.BRGH = BRGH2; //U2STA = 0; #endif } } #endif /********************************************************************** ******** * Function: void putcUSART(char c) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: unsigned char c - character to received on the UART * * Side Effects: None * * Overview: Print the input character to the UART * * Note: * ********************************************************************** *******/ unsigned char getcUSART () { char c; #if defined(__18CXX) if (RCSTAbits.OERR) // in case of overrun error { // we should never see an overrun error, but if we do, RCSTAbits.CREN = 0; // reset the port c = RCREG; RCSTAbits.CREN = 1; // and keep going. } else c = RCREG; // not necessary. EUSART auto clears the flag when RCREG is cleared // PIR1bits.RCIF = 0; // clear Flag #endif #if defined(__C30__) || defined(__C32__) c = UART2GetChar(); #endif return c; } /******************************************************************** * Function: void ProcessIO(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function is a place holder for other user * routines. It is a mixture of both USB and * non-USB tasks. * * Note: None *******************************************************************/ //rom char example_string[] = {65,66,67}; void ProcessIO(void) { //char example_string[3]; //Blink the LEDs according to the USB device status BlinkUSBStatus(); // User Application USB tasks if((USBDeviceState < CONFIGURED_STATE)||(USBSuspendControl==1)) return; if (RS232_Out_Data_Rdy == 0) // only check for new USB buffer if the old RS232 buffer is { // empty. This will cause additional USB packets to be NAK'd LastRS232Out = getsUSBUSART(RS232_Out_Data,64); //until the buffer is free. if(LastRS232Out > 0) { RS232_Out_Data_Rdy = 1; // signal buffer full RS232cp = 0; // Reset the current position } } if(RS232_Out_Data_Rdy && mTxRdyUSART()) { putcUSART(RS232_Out_Data[RS232cp]); ++RS232cp; if (RS232cp == LastRS232Out) RS232_Out_Data_Rdy = 0; // teste ecoa o que foi recebido pelo PIC!! if(mUSBUSARTIsTxTrfReady()){ mUSBUSARTTxRam((unsigned char*)&RS232_Out_Data[RS232cp],1); // envia o buffer } //teste } if(mDataRdyUSART()) { USB_Out_Buffer[NextUSBOut] = getcUSART(); ++NextUSBOut; USB_Out_Buffer[NextUSBOut] = 0; } if((USBUSARTIsTxTrfReady()) && (NextUSBOut > 0)) { putUSBUSART(&USB_Out_Buffer[0], NextUSBOut); NextUSBOut = 0; } } CDCTxService(); //end ProcessIO /******************************************************************** * Function: void BlinkUSBStatus(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: BlinkUSBStatus turns on and off LEDs * corresponding to the USB device state. * * Note: mLED macros can be found in HardwareProfile.h * USBDeviceState is declared and updated in * usb_device.c. *******************************************************************/ void BlinkUSBStatus(void) { static WORD led_count=0; if(led_count == 0)led_count = 10000U; led_count--; #define mLED_Both_Off() #define mLED_Both_On() #define mLED_Only_1_On() #define mLED_Only_2_On() {mLED_1_Off();mLED_2_Off();} {mLED_1_On();mLED_2_On();} {mLED_1_On();mLED_2_Off();} {mLED_1_Off();mLED_2_On();} if(USBSuspendControl == 1) { if(led_count==0) { mLED_1_Toggle(); if(mGetLED_1()) { mLED_2_On(); } else { mLED_2_Off(); } }//end if } else { if(USBDeviceState == DETACHED_STATE) { mLED_Both_Off(); } else if(USBDeviceState == ATTACHED_STATE) { mLED_Both_On(); } else if(USBDeviceState == POWERED_STATE) { mLED_Only_1_On(); } else if(USBDeviceState == DEFAULT_STATE) { mLED_Only_2_On(); } else if(USBDeviceState == ADDRESS_STATE) { if(led_count == 0) { mLED_1_Toggle(); mLED_2_Off(); }//end if } else if(USBDeviceState == CONFIGURED_STATE) { if(led_count==0) { mLED_1_Toggle(); if(mGetLED_1()) { mLED_2_Off(); } else { mLED_2_On(); } }//end if }//end if(...) }//end if(UCONbits.SUSPND...) }//end BlinkUSBStatus // ********************************************************************** ******************************** // ************** USB Callback Functions **************************************************************** // ********************************************************************** ******************************** // The USB firmware stack will call the callback functions USBCBxxx() in response to certain USB related // events. For example, if the host PC is powering down, it will stop sending out Start of Frame (SOF) // packets to your device. In response to this, all USB devices are supposed to decrease their power // consumption from the USB Vbus to <2.5mA each. The USB module detects this condition (which according // to the USB specifications is 3+ms of no bus activity/SOF packets) and then calls the USBCBSuspend() // function. You should modify these callback functions to take appropriate actions for each of these // conditions. For example, in the USBCBSuspend(), you may wish to add code that will decrease power // consumption from Vbus to <2.5mA (such as by clock switching, turning off LEDs, putting the // microcontroller to sleep, etc.). Then, in the USBCBWakeFromSuspend() function, you may then wish to // add code that undoes the power saving things done in the USBCBSuspend() function. // The USBCBSendResume() function is special, in that the USB stack will not automatically call this // function. This function is meant to be called from the application firmware instead. See the // additional comments near the function. /********************************************************************** ******** * Function: void USBCBSuspend(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: Call back that is invoked when a USB suspend is detected * * Note: None ********************************************************************** *******/ void USBCBSuspend(void) { //Example power saving code. Insert appropriate code here for the desired //application behavior. If the microcontroller will be put to sleep, a //process similar to that shown below may be used: //ConfigureIOPinsForLowPower(); //SaveStateOfAllInterruptEnableBits(); //DisableAllInterruptEnableBits(); //EnableOnlyTheInterruptsWhichWillBeUsedToWakeTheMicro(); //should enable at least USBActivityIF as a wake source //Sleep(); //RestoreStateOfAllPreviouslySavedInterruptEnableBits(); //Preferrably, this should be done in the USBCBWakeFromSuspend() function instead. //RestoreIOPinsToNormal(); //Preferrably, this should be done in the USBCBWakeFromSuspend() function instead. //IMPORTANT NOTE: Do not clear the USBActivityIF (ACTVIF) bit here. This bit is //cleared inside the usb_device.c file. Clearing USBActivityIF here will cause //things to not work as intended. #if defined(__C30__) #if 0 U1EIR = 0xFFFF; U1IR = 0xFFFF; U1OTGIR = 0xFFFF; IFS5bits.USB1IF = 0; IEC5bits.USB1IE = 1; U1OTGIEbits.ACTVIE = 1; U1OTGIRbits.ACTVIF = 1; Sleep(); #endif #endif } /********************************************************************** ******** * Function: void _USB1Interrupt(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function is called when the USB interrupt bit is set * In this example the interrupt is only used when the device * goes to sleep when it receives a USB suspend command * * Note: None ********************************************************************** *******/ #if 0 void __attribute__ ((interrupt)) _USB1Interrupt(void) { #if !defined(self_powered) if(U1OTGIRbits.ACTVIF) { IEC5bits.USB1IE = 0; U1OTGIEbits.ACTVIE = 0; IFS5bits.USB1IF = 0; //USBClearInterruptFlag(USBActivityIFReg,USBActivityIFBitNum); USBClearInterruptFlag(USBIdleIFReg,USBIdleIFBitNum); //USBSuspendControl = 0; } #endif } #endif /********************************************************************** ******** * Function: void USBCBWakeFromSuspend(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: The host may put USB peripheral devices in low power * suspend mode (by "sending" 3+ms of idle). Once in suspend * mode, the host may wake the device back up by sending non* idle state signalling. * * This call back is invoked when a wakeup from USB suspend * is detected. * * Note: None ********************************************************************** *******/ void USBCBWakeFromSuspend(void) { // If clock switching or other power savings measures were taken when // executing the USBCBSuspend() function, now would be a good time to // switch back to normal full power run mode conditions. The host allows // a few milliseconds of wakeup time, after which the device must be // fully back to normal, and capable of receiving and processing USB // packets. In order to do this, the USB module must receive proper // clocking (IE: 48MHz clock must be available to SIE for full speed USB // operation). } /******************************************************************** * Function: void USBCB_SOF_Handler(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: The USB host sends out a SOF packet to full-speed * devices every 1 ms. This interrupt may be useful * for isochronous pipes. End designers should * implement callback routine as necessary. * * Note: None *******************************************************************/ void USBCB_SOF_Handler(void) { // No need to clear UIRbits.SOFIF to 0 here. // Callback caller is already doing that. } /******************************************************************* * Function: void USBCBErrorHandler(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: The purpose of this callback is mainly for * debugging during development. Check UEIR to see * which error causes the interrupt. * * Note: None *******************************************************************/ void USBCBErrorHandler(void) { // No need to clear UEIR to 0 here. // Callback caller is already doing that. // Typically, user firmware does not need to do anything special // if a USB error occurs. For example, if the host sends an OUT // packet to your device, but the packet gets corrupted (ex: // because of a bad connection, or the user unplugs the // USB cable during the transmission) this will typically set // one or more USB error interrupt flags. Nothing specific // needs to be done however, since the SIE will automatically // send a "NAK" packet to the host. In response to this, the // host will normally retry to send the packet again, and no // data loss occurs. The system will typically recover // automatically, without the need for application firmware // intervention. // Nevertheless, this callback function is provided, such as // for debugging purposes. } /******************************************************************* * Function: void USBCBCheckOtherReq(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: When SETUP packets arrive from the host, some * firmware must process the request and respond * appropriately to fulfill the request. Some of * the SETUP packets will be for standard * USB "chapter 9" (as in, fulfilling chapter 9 of * the official USB specifications) requests, while * others may be specific to the USB device class * that is being implemented. For example, a HID * class device needs to be able to respond to * "GET REPORT" type of requests. This * is not a standard USB chapter 9 request, and * therefore not handled by usb_device.c. Instead * this request should be handled by class specific * firmware, such as that contained in usb_function_hid.c. * * Note: None *******************************************************************/ void USBCBCheckOtherReq(void) { USBCheckCDCRequest(); }//end /******************************************************************* * Function: void USBCBStdSetDscHandler(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: The USBCBStdSetDscHandler() callback function is * called when a SETUP, bRequest: SET_DESCRIPTOR request * arrives. Typically SET_DESCRIPTOR requests are * not used in most applications, and it is * optional to support this type of request. * * Note: None *******************************************************************/ void USBCBStdSetDscHandler(void) { // Must claim session ownership if supporting this request }//end /******************************************************************* * Function: void USBCBInitEP(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function is called when the device becomes * initialized, which occurs after the host sends a * SET_CONFIGURATION (wValue not = 0) request. This * callback function should initialize the endpoints * for the device's usage according to the current * configuration. * * Note: None *******************************************************************/ void USBCBInitEP(void) { CDCInitEP(); } /******************************************************************** * Function: void USBCBSendResume(void) * * PreCondition: None * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: The USB specifications allow some types of USB * peripheral devices to wake up a host PC (such * as if it is in a low power suspend to RAM state). * This can be a very useful feature in some * USB applications, such as an Infrared remote * control receiver. If a user presses the "power" * button on a remote control, it is nice that the * IR receiver can detect this signalling, and then * send a USB "command" to the PC to wake up. * * The USBCBSendResume() "callback" function is used * to send this special USB signalling which wakes * up the PC. This function may be called by * application firmware to wake up the PC. This * function should only be called when: * * 1. The USB driver used on the host PC supports * the remote wakeup capability. * 2. The USB configuration descriptor indicates * the device is remote wakeup capable in the * bmAttributes field. * 3. The USB host PC is currently sleeping, * and has previously sent your device a SET * FEATURE setup packet which "armed" the * remote wakeup capability. * * This callback should send a RESUME signal that * has the period of 1-15ms. * * Note: Interrupt vs. Polling * -Primary clock * -Secondary clock ***** MAKE NOTES ABOUT THIS ******* * > Can switch to primary first by calling USBCBWakeFromSuspend() * * * * * The modifiable section in this routine should be changed to meet the application needs. Current implementation temporary blocks other functions from executing for a period of 1-13 ms depending on the core frequency. * According to USB 2.0 specification section 7.1.7.7, * "The remote wakeup device must hold the resume signaling * for at lest 1 ms but for no more than 15 ms." * The idea here is to use a delay counter loop, using a * common value that would work over a wide range of core * frequencies. * That value selected is 1800. See table below: * ========================================================== * Core Freq(MHz) MIP RESUME Signal Period (ms) * ========================================================== * 48 12 1.05 * 4 1 12.6 * ========================================================== * * These timing could be incorrect when using code * optimization or extended instruction mode, * or when having other interrupts enabled. * Make sure to verify using the MPLAB SIM's Stopwatch * and verify the actual signal on an oscilloscope. *******************************************************************/ void USBCBSendResume(void) { static WORD delay_count; USBResumeControl = 1; // Start RESUME signaling delay_count = 1800U; do { delay_count--; }while(delay_count); USBResumeControl = 0; // Set RESUME line for 1-13 ms } /******************************************************************* * Function: void USBCBEP0DataReceived(void) * * PreCondition: ENABLE_EP0_DATA_RECEIVED_CALLBACK must be * defined already (in usb_config.h) * * Input: None * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function is called whenever a EP0 data * packet is received. This gives the user (and * thus the various class examples a way to get * data that is received via the control endpoint. * This function needs to be used in conjunction * with the USBCBCheckOtherReq() function since * the USBCBCheckOtherReq() function is the apps * method for getting the initial control transfer * before the data arrives. * * Note: None *******************************************************************/ #if defined(ENABLE_EP0_DATA_RECEIVED_CALLBACK) void USBCBEP0DataReceived(void) { } #endif /******************************************************************* * Function: BOOL USER_USB_CALLBACK_EVENT_HANDLER( * USB_EVENT event, void *pdata, WORD size) * * PreCondition: None * * Input: USB_EVENT event - the type of event * void *pdata - pointer to the event data * WORD size - size of the event data * * Output: None * * Side Effects: None * * Overview: This function is called from the USB stack to * notify a user application that a USB event * occured. This callback is in interrupt context * when the USB_INTERRUPT option is selected. * * Note: None *******************************************************************/ BOOL USER_USB_CALLBACK_EVENT_HANDLER(USB_EVENT event, void *pdata, WORD size) { switch(event) { case EVENT_CONFIGURED: USBCBInitEP(); break; case EVENT_SET_DESCRIPTOR: USBCBStdSetDscHandler(); break; case EVENT_EP0_REQUEST: USBCBCheckOtherReq(); break; case EVENT_SOF: USBCB_SOF_Handler(); break; case EVENT_SUSPEND: USBCBSuspend(); break; case EVENT_RESUME: USBCBWakeFromSuspend(); break; case EVENT_BUS_ERROR: USBCBErrorHandler(); break; case EVENT_TRANSFER: Nop(); break; default: break; } return TRUE; } /** EOF main.c *************************************************/