UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS - GRADUAÇÃO LATO SENSO INSTITUTO A VEZ DO MESTRE UMA PROPOSTA EDUCACIONAL VOLTADA AO EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA PARA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE O CASO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO-PE Eduardo Rogério Braga Costa e Silva Orientadora: prof.ª Priscila Barcellos RECIFE 2009 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS - GRADUAÇÃO LATO SENSO INSTITUTO A VEZ DO MESTRE UMA PROPOSTA EDUCACIONAL VOLTADA AO EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA PARA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE O CASO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO-PE Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental. Por: Eduardo Rogério Braga Costa e Silva AGRADECIMENTOS A Deus pela luz que guia minha vida e minhas conquistas. A minha esposa pela atenção, pelas palavras de apoio e pelo incentivo constante que forma imprescindíveis para mais uma vitória em minha vida. A meus filhos por toda paciência e compreensão nos momentos de ausência em dediquei a conclusão deste. Ao Instituto a Vez do mestre pela oportunidade em ampliar meus conhecimentos acadêmicos. A professora Priscila Barcellos por toda atenção, solicitude e sugestões que nortearam meu caminho durante a realização desta monografia. A todos que integram o corpo pedagógico e administrativo da Escola João Círiaco. Aos amigos, em fim a todos que participaram na elaboração deste. Dedico a meus pais, esposa e filhos RESUMO O homem sempre na busca do desenvolvimento socioeconômico explorou os recursos minerais sem dar conta dos futuros transtornos que poderia causar a si mesmo. Transtornos tão sérios que afetam e ameaçam sua sobrevivência no planeta terra. Diante desta situação alertas passam a ser dados e a comunidade científica toma a frente das discussões sobre a temática meio ambiente, surgindo em um dos encontros o ideal da Educação como canal promotor de uma mudança de atitudes e comportamentos da sociedade capitalista se formalizando através da Educação Ambiental. E por ser a Geografia uma disciplina que sempre abordou a relação do homem com o espaço se reveste de uma responsabilidade ímpar na construção de uma sociedade consciente de seu papel na conservação do meio ambiente. Mas, em muitos espaços onde o ato de educar acontece muitos não atentaram para práticas sustentáveis, nem mesmo para a importância do meio ambiente, e um deles é a Escola João Ciríaco. Daí surge nossa proposta de estudo cujo objetivo principal consistiu em criar e implementar uma proposta de conscientização ambiental através do exercício da Educação Ambiental tendo a Geografia como viés no processo, a partir dos problemas ambientais existentes no entorno da escola. Nosso trabalho foi de cunho bibliográfico, constituído por discussões qualitativas e que está estruturado em três capítulos: o primeiro abordou os passos da Educação ambiental no âmbito mundial e nacional, enquanto o segundo expos os principais problemas ambientais do entorno da escola João Ciríaco e o último denotou nossa proposta para chegarmos a formação da consciência ambiental do alunado. Esperamos contribuir positivamente para construção de outros trabalhos e ampliar a disseminação da Educação Ambiental. Palavras-Chave: Escola João Ciríaco, Geografia, Educação Ambiental. METODOLOGIA O nosso trabalho monográfico se caracterizou como uma pesquisa bibliográfica com elementos descritivos e uma abordagem discursiva que culmina na elaboração de uma proposta para o exercício da Educação Ambiental na Escola cerne de nosso estudo. A coleta de dados ocorreu através de uma fonte bibliográfica pela qual procedemos com m levantamento de material visitando bibliotecas da Universidade Federal de Pernambuco, onde captamos livros sobre Educação Ambiental. Visitamos o Núcleo de Apoio a Pesquisa Acadêmica - NAPA localizado no 5 º andar do Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFCH da UFPE na intenção de adquirir material sobre a Bacia Hidrográfica do Pirapama, Poluição por resíduos sólidos, ocupação irregular de áreas colinosas, além de proceder com um levantamento de artigos científicos de interesse ao nosso embasamento teórico na internet. Prosseguimos nossa coleta de informações num contato mais direto com uma das gestoras da escola João Círiaco, neste em uma conversa informal obtivemos dados referentes ao corpo administrativo, docente, espaço físico, quantitativo de alunos, dentre outros. Em seguida procedemos com um roteiro fotográfico, cujas imagens devidamente selecionadas ilustram o segundo e o terceiro capítulo. A pesquisa bibliográfica e a conversa informal, nos permitiu o acesso a informações que não poderíamos desprezar, mesmo sendo nossa pesquisa bibliográfica, pois foram a base na elaboração da proposta que se configura como um canal na melhoria das perspectivas educacionais. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I – OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ÂMBITOS MUNDIAL E NACIONAL 10 1.1 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental 1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil 11 15 CAPÍTULO II – OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE 18 2.1 A Poluição do Rio Pirapama 2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos 2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas 18 22 27 CAPÍTULO III – UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA JOÃO CIRÍACO 31 3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João Ciríaco 31 3.2 Geografia Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos a Consciência Ambiental 33 3.3 Sugestões de Atividades para Aulas de Geografia a Partir da Temática Meio Ambiente 37 CONCLUSÃO 41 REFERENCIAS 42 ÍNDICE 44 FOLHA DE AVALIAÇÃO 46 8 INTRODUÇÃO No transcorrer de sua história o homem, segundo as necessidades que surgiam, moldou sua relação com o meio ambiente ao ponto de desencadear inúmeros impactos, não sentidos imediatamente, os quais se agravam e ameaçam a vida de todo nosso planeta. Inúmeras situações referentes à espoliação dos recursos naturais convergem para um quadro de degradação ambiental, como o destino inadequado de resíduos sólidos, devastação de florestas, extermínio de espécies animais e vegetais, emergem movimentos de caráter ambiental dando o alerta para o caos estabelecido pela sociedade capitalista ao meio ambiente. Vários encontros científicos realizados e ainda são na intenção de discutir a respeito dos aspectos degradantes que caracterizam o meio ambiente na atualidade. Destes encontros, flui eminentemente a necessidade de uma mudança comportamental da sociedade global visando a promoção da sustentabilidade. E num dos encontros realizados no século XX se percebe que a Educação pode transformar o homem agressor, no homem conservador e responsável capaz de utilizar os recursos naturais sem trazer danos irreparáveis ao meio ambiente. Sendo para tanto, o exercício da Educação Ambiental no espaço escolar e fora dele o elo fundamental entre a consciência ambiental e meio ambiente. Mas, em muitos espaços onde o ato de educar acontece muitos não atentaram para práticas sustentáveis, nem mesmo para a importância do meio ambiente, e um deles é a Escola João Ciríaco. Daí surge nossa proposta de estudo cujo objetivo principal consiste em criar e implementar uma proposta de conscientização ambiental através do exercício da Educação Ambiental tendo a Geografia como viés no processo, a partir dos problemas ambientais existentes no entorno da escola. Para realizar nosso trabalho acadêmico utilizamos como procedimento metodológico a pesquisa de cunho bibliográfico, constituindo-se em um 9 levantamento de informações bibliográficas resultando num estudo qualitativo da temática proposta. Com propósito de atingir nosso objetivo chave, o referido trabalho se encontra estruturado assim: o primeiro capítulo faz uma breve retrospectiva da Educação Ambiental âmbito mundial e nacional; o segundo aborda os principais problemas ambientais encontrados no bairro da Charneca no município do Cabo de Santo Agostinho onde localiza-se a Escola João Ciríaco que constituem o ponto de partida na elaboração de ações e atividades promotoras da consciência ambiental de nossa comunidade escolar; O último capítulo denota nossas ações propostas desde um trabalho conjunto com outras disciplinas afins da Geografia, como direcionadas a própria Geografia. Desta maneira, pretendemos fornecer subsídios a novos estudos acadêmicos, ao mesmo tempo firmando a importância da Educação Ambiental nas discussões em âmbito local e global sobre os problemas que atingem o meio ambiente e suas possíveis soluções. 10 CAPITULO I OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ÂMBITOS MUNDIAL E NACIONAL Ao relacionar-se com o meio ambiente no decorrer dos séculos o homem provocou inúmeras agressões, que de inicio não foram de imediato percebidas, mas hoje deverás sentidas pelos próprios agressores. O marco para o aceleramento das ações impactantes sobre o meio ambiente foi a tão conhecida Revolução Industrial, que firma o status de desenvolvimento a todo aquele estado nação que a promovesse. Sendo tal promoção tida como visionária da contemporaneidade, mas cujo lado avesso do discurso capitalista deixa os traços da relação do homem com o espaço nas paisagens que expõe a irracionalidade de quem se diz tão racional, pois a tão famosa Revolução Industrial condicionou uma alteração comportamental da sociedade em geral, culminando por exemplo, num consumo desenfreado de produtos cujas embalagens são descartadas inadequadamente contribuindo tanto no aparecimento como na perpetuação da poluição por resíduos sólidos. A poluição nos seus mais variados aspectos, o efeito estufa, as chuvas ácidas, o aumento no nível dos oceanos, a extinção de espécies animais como vegetais, o desmatamento dentre outros integram a lista dos problemas de ordem ambiental da contemporaneidade capitalista (BRANCO, 1997). E como não se pode mais omitir nem fechar os olhos para os problemas ambientais que assola em países ricos ou pobres os alertas começaram a ser dados através dos movimentos ambientalistas no século XX que partiram da constatação de que os recursos naturais estavam sendo sobreutilizados e degradados pela intensa urbanização e industrialização ocorrida após Segunda Guerra, motivando a discussão de questões como poluição, custos ambientais de novas tecnologias e crescimento econômico. (AFONSO, 2006, p. 19). 11 E para Mendonça (2004) o cerne do desenvolvimento e andamento dos movimentos de cunho ambientalistas foi a publicação do livro de Rachel Carson em 1962 intitulado de Primavera Silenciosa, onde era denunciado os abusos cometidos ao meio ambiente a partir da utilização dos recursos naturais em face da sobrevivência humana. Contudo, não é suficiente levar a público em escala mundial o que está acontecendo com o meio ambiente, sendo relevante imbuir discussões que avaliem a proporção dos problemas ambientais ao mesmo tempo possam construir alternativas condicionadoras de mudanças no comportamento da sociedade capitalista. A mudança esperada não ocorreria com a criação de Leis, Normativas, Decretos e sim na promoção da consciência ambiental através do ato de educar, ou seja, através da educação. Daí temos a Educação Ambiental como percussora na formação de um cidadão crítico, participativo, interventor e consciente durante a relação mantida com o meio ambiente atrelando práticas sustentáveis. 1.2 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental Os movimentos ecológicos oriundos das iniciativas de intelectuais e estudantes franceses nos anos 60 condicionaram a realização de vários encontros de cunho científicos cuja temática central era a degradação do meio ambiente, sendo notório a realização em 1968 da Conferência da Biosfera na cidade de paris. Uma década a frente a Organização das Nações Unidas – ONU realizou um Congresso na Iugoslávia onde surge a perspectiva educativa sob o enfoque ambientalista, configurando a educação ambiental, que neste mesmo evento teve a elaboração de sua definição como: Processo que visa formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permitam trabalhar individual e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam.(VICTORIANO, 2000, p. 28). 12 Ainda mais exatamente no ano de 1977 na Geórgia, ex - república da União Soviética, a Organização das Nações Unidas – ONU em parceria com o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente explicitam a Educação Ambiental em suas abordagens e discussões. Tais eventos possibilitaram emergir os pilares norteadores de uma prática educativa desenvolvida nas escolas, sindicatos, associações voltada à formação da consciência ambiental, ou seja, os objetivos e princípios da Educação Ambiental (REIGOTA, 2001). Seus objetivos são em número de seis conforme Pelicioli (2005), a saber: Conscientização - Levar os indivíduos e os grupos associados a tomarem consciência do meio ambiente global e de problemas conexos e de mostrarem sensíveis aos mesmos; Conhecimento - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir uma compreensão essencial do meio ambiente global, dos problemas que estão a ele interligados e o papel e lugar da responsabilidade crítica do ser humano; Comportamento - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir o sentido dos valores sociais, um sentimento profundo de interesse pelo meio ambiente e a vontade de contribuir para sua proteção e qualidade; Competência - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir o savoir-faire necessário à solução dos problemas; Capacidade de Avaliação - Levar os indivíduos e os grupos a avaliar medidas e programas relacionados ao meio ambiente em função de fatores de ordem ecológica, política, econômica, social, estética e educativa; Participação - Levar os indivíduos e os grupos a perceber suas responsabilidades e necessidades de ação imediata para a solução dos problemas ambientais; E de maneira breve expomos seus princípios, listados a seguir, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN’s (1998): • considerar o meio ambiente em sua totalidade: em seus aspectos natural e construído, tecnológicos e sociais; • construir um processo permanente e contínuo durante todas as fases do ensino formal; 13 • aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada área de modo que se consiga uma perspectiva global da questão ambiental; • examinar as principais questões ambientais atuais e naquelas que podem surgir, levando em conta uma perspectiva histórica; • insistir no valor e na necessidade de cooperação local, nacional e internacional para prevenir os problemas ambientais; • considerar de maneira explícita os problemas ambientais nos planos de desenvolvimento e crescimento; • promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar suas consequências; • estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para resolver problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente, sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria comunidade; • ajudar os alunos a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais; • ressaltar a complexidade dos problemas ambientas e, em conseqüência, a necessidade de desenvolver o sentido crítico e as atitudes necessárias para resolvêlos; • utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e um a ampla gama de métodos para transmitir e adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente, ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais. Já nos fins do século XX novos encontros aconteceram firmando no cenário educativo mundial a Educação Ambiental e um dos mais importantes aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, a conhecida ECO-92, sendo seguido pela Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública Para a Sustentabilidade, ocorrida em Telassônica, Grécia. Nesta o foco foi a formação de professores em Educação Ambiental e a troca de experiências (LOUREIRO, 2004). 14 No século atual em Johannesburgo, África do Sul, um novo encontro discutiu a importância da Educação como caminho para o exercício de práticas sustentáveis direcionadas ao desenvolvimento sustentável que para Afonso (2006) só poderá ser almejado se: • todos tenham suas necessidades básicas atendidas e lhes sejam proporcionadas oportunidades de concretizar seu desejo de uma vida melhor; • os padrões de consumo sejam mantidos dentro do limite de interferência que o meio natural pode suportar; • as necessidades humanas sejam atendidas de modo igualitário, assegurando a todos as mesmas oportunidades; • a evolução demográfica esteja em equilíbrio com o potencial produtivo dos ecossistemas; • os sistemas naturais que sustentam a vida na terra - atmosfera, águas, solos e seres vivos - não sejam degradados; • o acesso equitativo aos recursos ameaçados seja garantido, reorientado-se os avanços tecnológicos no sentido de aliviar as pressões de sobre-utilização dos recursos; • os recursos renováveis sejam utilizados dentro dos limites que permitam sua regeneração natural; • os recursos não renováveis sejam utilizados de modo racional, com ênfase na reciclagem e no uso eficiente, de modo que não esgotem antes de haver substitutos adequados; os impactos negativos sobre a qualidade do ar, da água e dos demais elementos naturais sejam minimizados, a fim de manter a integridade global do sistema. Mas para promovermos um desenvolvimento de caráter sustentável não só deverá ocorrer alterações no modo de vida da sociedade em geral, como também na estrutura política e econômica do sistema capitalista o que fere os princípios neoliberais, se transformando as prática sustentáveis em mero sonho. Por outro lado, poderemos sim construir uma consciência ambiental através de atividades educativas que não fujam a nossa realidade e que despertem a responsabilidade de cada ser humano na gestão e manutenção dos recursos naturais possibilitando a harmonia entre os diversos ecossistemas que formam o meio ambiente. 15 1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil Os primeiros movimentos que enfocaram a Educação Ambiental no cenário nacional foram muito vagarosos e ainda restritos conforme Mendonça (2004) as Organizações Não Governamentais – ONGs sem de uma maneira explícita abordar a relação sociedade natureza o que caracterizou a existência de uma corrente filosófica conhecida por ecológico-preservacionista (MININNI-MEDINA apud RIBEIRO, 2006). A propagação desta corrente não seria ideal diante dos princípios e objetivos da Educação Ambiental já listados anteriormente, pois tal corrente prima por uma Educação Ambiental estética onde a harmonia pregada no estabelecimento de uma convivência com o meio ambiente não denota a responsabilidade dos homens com a natureza. Inserir por inserir na grade curricular do ensino básico conteúdos ecológicos sem fazer a ponte com as ações econômicas, políticas e sociais não revelam a criticidade fundamental para o despertar da consciência ambiental, isto aconteceu nos anos 80 não revelando avanços significativos do exercício da Educação Ambiental. Na última década do século XX surge ao lado da corrente ecológicopreservacionista um enfoque crítico na prática da Educação Ambiental, surge uma nova corrente: a socioambiental que busca enfatizar a relação homem x natureza e consigo mesmo sem mascarar a degradação ambiental implícita na paisagem, contemplando ainda nas abordagens conteudistas a formação da consciência ambiental (RIBEIRO, 2006). Com a criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs pelo Ministério da Educação Esporte e Cultura temos a inclusão da temática meio ambiente no currículo da Educação Básica, porém não instituindo a Educação Ambiental como uma disciplina independente, mas um ponto de intercessão entre as demais disciplinas induzindo a ocorrência da interdisciplinaridade, ou seja, a integração harmoniosa sem nenhuma interferência no estudo do objeto de cada disciplina, contudo buscando um caminho mais seguro e interessante no aprendizado do aluno. 16 Como denota Loureiro (2004) a instituição da política nacional de Educação Ambiental pela Lei nº 9795/99 e regulamentada pelo decreto nº 4281/02 conduziu ao objetivo1 dos PCNS através da vinculação da questão ambiental ao processo de ensino e aprendizagem por meio de atividades curriculares ou não, aproximando o aluno de sua realidade ambiental facilitando o aprendizado, a formação do cidadão a partir de habilidades condizentes com a sustentabilidade. A primeira Conferência Nacional de Educação Ambiental realizada em fins da década 90 teve como principal produto um documento onde foram listados 45 problemas, 125 recomendações atrelados a cinco temáticas: A Educação Ambiental e as vertentes do desenvolvimento sustentável; Educação Ambiental formal - papel, desafios, metodologias, capacitação; Educação Ambiental no processo de gestão ambiental - metodologia e capacitação; Educação Ambiental e as políticas públicas PRONEA, políticas urbanas, de recursos hídricos, agricultura, ciência e tecnologia; e Educação Ambiental, ética, formação da cidadania, educação, comunicação e informação da sociedade (RIBEIRO, 2006). E dentre os 45 problemas destacam-se: a necessidade de revisão do conceito de desenvolvimento sustentável, a falta de capacitação de educadores para a Educação Ambiental, a carência de pesquisas para ajudar, por exemplo, o desenvolvimento de metodologias pedagógicas de Educação Ambiental, a ausência do tratamento interdisciplinar, a falta de materiais didáticos adequados para o trabalho de sala de aula e, entre os disponíveis, a não adequação para a realidade local de quem ensina etc. Em 2001 há a criação do Sistema Brasileiro de Informação em Educação Ambiental e Práticas Sustentáveis (SIBEA) que procura organizar, sistematizar e difundir informações produzidas em Educação Ambiental no país, articulando as ações governamentais fragmentadas. ______________ 1 A conscientização ambiental do aluno para assumirem posições de proteção e melhoria do meio, se dotando do senso de responsabilidade e de solidariedade no uso dos bens comuns e dos recursos naturais colocando em prática o respeito por si mesmo e ao próximo. 17 Vários direcionamentos ocorreram envolvendo a prática da Educação Ambiental no Brasil, mas muito há por fazer principalmente no tocante as metodologias adotadas na abordagem dos conteúdos da temática meio ambiente, pois se os alunos forem considerados depósitos conteudistas jamais teremos a conscientização dos mesmos em relação a problemática ambiental, como também a participação na elaboração de soluções promotoras da sustentabilidade e que assegurem as gerações futuras os recursos naturais necessários a sua sobrevivência. 18 CAPÍTULO II OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE A Escola João Ciríaco localiza-se no bairro da Charneca que apresenta duas características marcantes no tocante ao desenvolvimento urbano do município do Cabo de Santo Agostinho: desordenação e aceleração o que possibilitou a ocorrência de problemas ambientais, como a poluição dos cursos d’água, a ocupação desordenada de áreas colinosas, deposição de lixo a céu aberto, retirada de vegetação nativa, poluição do ar, dentre outros. E do conjunto de problemas mencionados anteriormente, a poluição do rio Pirapama que corre em proximidades, a deposição de lixo a céu aberto e a ocupação desordenada de áreas colinosas associada à retirada da vegetação nativa consistem nos problemas mais relevantes do entorno da escola João Ciríaco. 2.1 A Poluição do Rio Pirapama A poluição hídrica pode ser entendida como uma ação humana que degrada os cursos de água através do lançamento de resíduos sólidos, dejetos domésticos ou ainda industriais nas massas líquidas (SCHIVARTCHE, 2005). O rio Pirapama (figura 1 e 2) drena uma área de 600,000 Km2, abrangendo sete municípios: Vitória de Santo Antão, Moreno, Pombos, Escada, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho que compõe 57,2% da área abrangida pela Bacia Hidrográfica do rio Pirapama (ATLAS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS DE PERNAMBUCO, 2006). 19 Figura 1 Rio Pirapama no centro do Cabo de Santo Agostinho Fonte: www.cabo.pe.gov.br Figura 2 Cachoeira do Pirapama no município de Escada Fonte: www.promata.pe.gov.br 20 Toda rede hidrográfica do Pirapama sofre com a poluição, cuja causa está no lançamento direto de esgotos domésticos não tratados devido a condições sanitárias inadequadas e ocupação irregular do solo, sendo reforçada pelos dejetos das agroindústrias estabelecidas na região. Assim, percebemos que o processo de degradação dos cursos d’água de forma geral, está associado ao crescimento urbano desordenado, e no caso particular da área da Bacia do rio Pirapama situada no município do Cabo de Santo Agostinho tem suas raízes seculares na época de implantação dos primeiros engenhos. Ao longo dos anos se comprova a má qualidade da água na Bacia do Pirapama, pela Companhia Pernambucana de Meio Ambiente - CPRH que realiza o monitoramento, só em 2006 foram monitoradas onze estações conforme o quadro 1. Quadro 1 Estações de coleta na Bacia do rio Pirapama ESTAÇÃO PP-10 PP-20 PP-24 CORPO D’ÁGUA LOCAL Rio Pirapama Ponte do antigo Engenho Pirapama, 2,5 Km a jusante do Engenho Pitu - Vitória de Santo Antão. Rio Pirapama A jusante do Engenho Cachoeirinha e Destilaria JB após cachoeiras - Vitória de Santo Antão. Riacho da Destilaria Saindo da PE-45 na entrada do Engenho Sibéria, ao lado da ruína da ponte de madeira Sibéria Vitória de Santo Antão. PP-68 Riacho dos Macacos A jusante da Destilaria Inexport/Laísa - Cabo de Santo Agostinho. PP-60 Rio Utinga de Cima PP-62 Rio Pirapama PP-64 Rio Pirapama PP-68 Rio Gurjaú PP-75 Rio Pirapama Na confluência do rio Pirapama e Utinga – Cabo de Santo Agostinho. A montante da cidade do Cabo de Santo Agostinho, em frente a FUNDAC - Cabo de Santo Agostinho. A jusante das indústrias Petroflex e Acoolquímica - Cabo de Santo Agostinho. Ponte na antiga rodovia, a 2200m a montanted a BR-101- Cabo de Santo Agostinho. Ponte de acesso ao antigo Engenho Cedro Cabo de Santo Agostinho. PP-80 Rio Pirapama Fonte: CPRH, 2006 Na ponte a jusante da Corn Products- Cabo de Sant.o Agostinho 21 Vários parâmetros são avaliados, porém os mais importantes consistem em indicadores primários do grau de poluição e das condições para a preservação do meio, a saber: o Oxigênio Dissolvido - OD, a Demanda Bioquímica de Oxigênio DBO e os Coliformes Fecais - CF. A existência de coliformes fecais nas águas indica incorporação as mesmas de matéria fecal, tendo a E. Coli, como uns dos microrganismos patogênicos presentes. Estando sua presença associada ao lançamento de esgotos domésticos não tratados. Já o DBO é usado na caracterização de esgotos domésticos e industriais, principalmente quando avalia o potencial de gerar poluição orgânica. Mensura ainda a quantidade de oxigênio necessário em meio aquático, à respiração de microrganismos anaeróbios para consumirem matéria orgânica introduzida na forma de esgotos, ou mesmo de outros resíduos orgânicos. O Oxigênio Dissolvido também revela a poluição das águas por matéria orgânica, pois baixos teores indicam ocorrência de atividade bacteriana intensa na decomposição de matéria orgânica que por ventura foi jogada na água (SOUZA, RUFIANO, 2007). Os resultados divulgados pela CPRH do monitoramento realizado em 2006, permite chegar as seguintes conclusões: Comprometimento da qualidade da água pelo lançamento de esgotos domésticos, agroindústrias e indústrias. No trecho a jusante da destilaria JB e na Cidade do Cabo de Santo Agostinho correspondem ao ponto mais comprometido pela poluição; Os níveis de Coliformes evidenciam o lançamento de esgotos domésticos em todo trecho monitorado; Os altos valores de temperatura, DBO, fósforo indicam lançamento de dejetos da indústria canavieira; Valores de OD a montante do reservatório e no trecho final do Pirapama no Cabo de Santo Agostinho. Daí temos um quadro que evidencia a necessidade de controle e fiscalização das fontes responsáveis pela má qualidade da água na Bacia do rio Pirapama. 22 2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos Nossa sociedade cada vez mais influenciada pelo marketing e tendo os meios de comunicação como veículo direto para estabelecer um contato entre produtos e consumidores, produz incessantemente resíduos sólidos, conhecidos meramente por lixo que conforme Cavinatto (2003) significa cinzas, pois a origem de sua palavra tem raízes no latim. Nos dicionários da Língua Portuguesa apresenta os seguintes significados: sujeira, imundice, coisas sem valor. O lixo recebe uma classificação considerando a origem e a sua forma, a saber: • Quanto à forma pode ser classificado em líquido, sólido e gasoso. O sólido consiste em plástico, vidro, papel. Enquanto o líquido é representado por substâncias oriundas das atividades agrícolas e industriais. Já o gasoso se faz representar por substâncias em estado gasoso que se concentram na atmosfera e causam transtornos ao meio ambiente e a saúde dos homens. • Quanto ao local em que é produzido, se classifica em: Doméstico: resulta das atividades diárias em uma casa. Em nosso país uma pessoa gera em média 500g de resíduos por dia. Industrial: tem sua origem atrela muitas vezes ao não aproveitamento adequado da matéria - prima durante o processo produtivo ou ao na tratamento adequado dos resíduos. Atômico: é produzido a partir do uso de material radioativo em atividades agrícolas, industriais, na medicina, em pesquisas, na produção de energia. Caso não seja armazenado adequadamente o lixo radioativo poderá trazer sérios transtornos a vida. Um exemplo foi o acidente ocorrido na cidade de Goiânia no estado de Goiás em 1987, onde uma máquina de radioterapia foi deixada em um ferro velho. Uma cápsula contendo elemento radioativo que estava no equipamento foi manipulada por pessoas que se encontravam no local e esta ação levou algumas pessoas a morte. Hospitalar: é proveniente de todo material descartável e não descartável como restos de material orgânico humano. 23 Agrícola: está relacionado à produção de dejetos pela pecuária e uso excessivo de fertilizantes. Muitos criadores, por não possuírem recursos não dão o tratamento adequado aos dejetos dos animais e estes são desviados para cursos d’água próximos as propriedades, poluindo e tornando imprópria a água para o consumo. Os fertilizantes em excesso, proporcionam a produção exacerbada de nitratos, que chegam aos mananciais e também tornando a água imprópria para o consumo humano e animal. No caso dos humanos a ingestão de água com alto teor de nitrato pode levar ao desenvolvimento de um câncer no estômago. E por ser o lixo considerados coisa sem valor é jogado a céu aberto, nos córregos, nas ruas, em terrenos abandonados. Sendo as embalagens do tipo use e jogue fora como as garrafas PET que causam sérios transtornos ao meio ambiente por levarem anos para se degradar como evidencia o quadro 2. Quadro 2 Tempo de Degradação Para Certos Resíduos Sólidos Material Tempo de Degradação Papel 3 meses Plástico 50 a 400 anos Metal 50 anos lata de ferro 500 anos lata de alumínio Vidro 4 mil a 1 milhão de anos Filtro de Cigarro 5 anos Chiclete 5 anos Borracha Tempo Indeterminado Fonte: II Encontro estadual de novas tecnologia para o aperfeiçoamento científico – 2006 24 Cavinatto e Rodrigues (2003) afirmam que no Brasil cada habitante produz diariamente cerca de 200 a 500g de resíduos sólidos, onde metade corresponde a restos alimentares, que poderiam ser reaproveitados transformados em adubo. Na década de 30 do século XX o Brasil começou a implantar um sistema de compostagem que representou avanços na tratamento do lixo urbano, mas com a mudança na composição do lixo onde predominam os materiais não biodegradavéis, sendo o método abandonado gradativamente. Sendo nos anos 80 do século mencionado anteriormente implantadas novas usinas de compostagem, contudo uma das maiores dificuldades é falta de orientação a população na separação do material de refugo, como implantação de coleta seletiva na maioria das cidades brasileiras (OLIVEIRA; SILVA, 2007). Muitos dos materiais descartados nas ruas ou mesmo colocados em cestos de lixo apresentam papel, papelão, vidro, plástico, metal os quais podem ter nova finalidade, que não denegrir a paisagem além de tornar o ambiente atrativo a animais transmissores de doenças como ratos, baratas e mosquitos. Dentre as doenças temos a dengue e a leptospirose. O agente causador da dengue, o mosquito Aedes aegypti, encontra no lixo o ambiente ideal para sua reprodução. É uma doença que só atinge os humanos e persiste por quinze dias até que o sistema imunológico seja capaz de debelar o A. aegypti. Já leptospirose é uma enfermidade de caráter infeccioso provocada pela bactéria leptospira, transmitida pelos roedores domésticos (Op. cit). A prefeitura realiza uma coleta dos resíduos diariamente que após recolhimento são direcionados a um local denominado de pista preta, um lixão, ambiente considerado como solução imediata para destino do lixo urbano. Entende-se por lixão (ões) área (s) vaga (s) afastada (s) da (s) cidade (s) onde o lixo é depositado à céu aberto esperando-se que a ação do tempo combinada com a ação microbiana o decomponha ( CAVINATTO, 2003 ). 25 Mesmo realizando uma coleta diária, encontramos resíduos dispersos pela ruas e encostas do bairro da Charneca (figura 3). Figura 3 Resíduos sólidos jogados em rua da Charneca Costa e Silva, 2009 Então, não basta coletar e dá um destino aos resíduos, que serão continuamente produzidos, o que de fato pode ser adotado como solução imediata para tal problema ambiental é a prática da coleta seletiva e da reciclagem que são bastante praticadas no mundo desenvolvido, onde habitualmente o material reaproveitado é depositado em Postos de Entrega Voluntária - PEVs. Cada PEV apresenta uma cor que identifica o tipo de material a ser depositado, por exemplo: no recipiente verde deve ser depositado papel e papelão, no azul o plástico, no recipiente de cor amarela metais e no vermelho o vidro. Mas os municípios que pensam em adotar tais práticas devem se dotar antes, de infra-estrutura para tal fim, como possuir usinas de reciclagem e compostagem capazes de absorver todo material recolhido dos PEV’s (OLIVEIRA; SILVA, 2007). Promovendo o hábito da reciclagem e da coleta seletiva o poder público pode reduzir os custos com a limpeza urbana podendo direcionar mais recursos as áreas 26 de educação e saúde além de minimizar os impactos ao meio ambiente (CAVINATTO, 2003 ; RODRIGUES; CAVINATTO, 2003). Todavia não podemos cruzar os braços e sempre esperar das esferas governamentais soluções, então se cada indivíduo tomar consciência de sua responsabilidade para com o meio ambiente e passar a separar seu lixo doméstico, depositando o material selecionado nos suportes para lixo que existem na frente das residências, ou entregando-os diretamente a pessoas que vivem da venda de material reciclável, reaproveitando casacas de verduras, frutas fazendo uso de novas receitas, não teremos tanto desperdício, em país onde a fome está presente. O óleo de frituras por outro lado que não deve ser reaproveitado na cozinha em função dos danos a saúde que pode provocar, pode muito bem ser transformado em sabão, ou seja, existe uma outra alternativa em seu reaproveitamento. Bárbara (1993) enuncia ações que constam no quadro 3 e no seu ponto de vista podem ajudar a reduzir o lixo doméstico e reciclar. Quadro 3 Dicas Para Reduzir e Reciclar o Lixo Doméstico Reduzindo o Lixo Reutilizando o Reciclado Não Aceite saco de papel ou plástico, se Roupas usadas podem ser dadas a vai jogar fora depois; outras pessoas; Escreva nos dois lados do papel ou use Brinquedos, livros, jogos velhos podem papel reciclado; Compre ser usados por outros; bebidas com vasilhame As sobras de alimentos podem ser reaproveitável; Evite comprar embalagens. Fonte: Bárbara, 1993 dadas a animais; alimentos com muitas Doe os jornais, revistas para escolas ou entidades que recolham. 27 As dicas acima, não são uma receita pronta o que as tornaram válidas, é a conscientização da sociedade para práticas cotidianas redutoras do desperdício e matenedoras do bem-estar. 2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas As áreas colinosas do Cabo de Santo Agostinho particularmente da Charneca foram ocupadas de forma espontânea e desordenada (figura 4), não se diferenciando das outras áreas que integram a Região Metropolitana do Recife RMR. Estando a escolha por tais áreas atreladas a dois fatores: disponibilidade por terras e o baixo valor imobiliário. Figura 4 Área colinosa do bairro da Charneca Costa e Silva, 2009 A origem da população que passou a habitar tais áreas está associada ao fluxo migratório do Agreste e Sertão pernambucano do século XX, cujo objetivo do deslocamento consistia na melhoria da qualidade de vida na capital diante das dificuldades em suas áreas de origem. Sendo os migrantes detentores de força de vontade e coragem, porém desprovidos de recursos financeiros e assim acabaram 28 habitando terrenos considerados inóspitos do ponto de vista sócio-econômico, pois não possibilitavam a implantação de empreendimentos como por exemplo shoppings (CAMPOS, 2003). Cabe lembrar que parte da área colinosa se encontra ocupada com a cultura da cana-de-açúca (figura 5) e criatório de animais através do sistema extensivo, este fato está ligado ao processo de colonização sofrido pelo Nordeste brasileiro, onde a exploração da terra se fez a partir da empresa açucareira no século XVI. A persistência da cultura canavieira, também gera transtornos ambientais caracterizados pela perca da fertilidade do solo. Neste processo de ocupação a vegetação nativa é retirada, cortes são realizados nas encostas sem prévia consideração dos aspectos físicos-naturais o que associado as condições climáticas locais, onde os invernos são geralmente rigorosos apresentando índices pluviométricos elevados, em alguns momentos superiores a 2000 mm anuais, agravam os movimentos de massa, mais conhecidos por deslizamento de encostas. Figura 5 Área colinosa na Charneca com cultura canavieira Costa e Silva, 2009 29 O alto índice pluviométrico amplia a ocorrência dos processos erosivos, ou seja, deslizamentos das barreiras, já mencionado, além de alagamentos nas áreas mais baixas devido a redução da área para infiltração das águas pluviais que se encontram ocupadas com moradias precárias e de baixo valor imobiliário. No tocante a vegetação nativa, mais conhecida por mata atlântica, sua retirada irracionalmente pela ação antrópica como afirma Ferreira e Bezerra (2007) gera transtornos gravíssimos, dentre eles temos: • deslizamento de encostas; • erosão acelerada até formação de voçorocas; • redução da capacidade de armazenamento de água em reservatórios; • assoreamento dos reservatórios e cursos de água, gerando inundações; • extinção de fauna ; • proliferação de doenças como a leishmaniose, cujo mosquito transmissor migra das áreas desmatadas para as áreas urbanizadas. E conforme Correa (2006) independe da retirada da cobertura vegetal original, seja para a implantação de atividades agrícolas ou o estabelecimento de moradias a falta de vegetação gera dois problemas diretos, principalmente na área de encostas da Região Metropolitana do Recife - RMR: o aumento da infiltração e do escoamento superficial que gera a erosão. Assim, diante dos problemas que a retirada da vegetação pode causar se faz necessário à conservação do que ainda resta perante sua importância na manutenção do equilíbrio ambiental (figura 6), já que para Ferreira e Bezerra (2007) atua como: • retentora e estabilizadora dos solos; • amortecedora da chuva, favorecendo a infiltração da água; • impede um maior carreamento de sedimentos diminuindo a erosão; • integradora do ciclo hidrológico; • produtora de sombras, o que permite a manutenção da temperatura ; • fornece oxigênio através da fotossíntese; • refúgio de fauna; 30 • amenizadora da poluição atmosférica e da propagação de resíduos; • responsável pela potencialidade e pela qualidade do manancial para o abastecimento de água. Figura 6 Resquício de mata atlântica na Charneca Costa e Silva, 2009 Senão atentarmos, diante de tanta importância da vegetação vamos nos deparar num futuro próximo com o agravamento de problemas que já interferem na qualidade de vida das populações urbanas: o ar impuro, a água potável escassa, além do aumento incondicional da temperatura. E em condições adversas os próprios habitantes de áreas urbanas e colinosas, por não terem conhecimento dos possíveis transtornos na ocupação irregular e indevida são os que mais sofrem as consequências por vezes fatal, pois colocam a vida em risco. 31 CAPÍTULO III UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA JOÃO CIRÍACO Ao longo dos anos lecionando na Escola João Ciríaco percebemos a necessidade de despertar no alunado a consciência ambiental, assim surge nossa proposta para exercitar de maneira interdisciplinar a Educação Ambiental tendo a Geografia como viés a partir da realidade no entorno da escola 3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João Ciríaco A Escola João Círiaco (figura 7) pertence a rede pública de ensino do governo municipal do Cabo de Santo Agostinho e localiza-se no bairro da Charneca, sendo inaugurada em 1999. Figura 7 Escola João Ciríaco Costa e Silva, 2009 32 A escola supracitada oferece a comunidade local Ensino Básico, nas modalidades Fundamental I, Fundamental II e Educação de Jovens e Adultos – EJA, com um total de quinhentos e oitenta e quatro alunos. Atualmente seu corpo administrativo é formado por três pessoas: duas diretoras e uma secretária, enquanto o corpo docente apresenta vinte integrantes, sendo sete dedicados ao Ensino Fundamental I e os outros ao Fundamental II e a Educação de Jovens e Adultos - EJA. O conjunto educacional conta com uma boa infra-estrutura, constituído por oito salas de aula amplas que apresentam boa iluminação e ótima ventilação. Além de uma biblioteca (figura 8) dotada de recursos didáticos como livros, DVD, TV, aparelho de som, que podem auxiliar numa abordagem mais atrativa dos conteúdos tornando o processo de ensino aprendizagem mais prazeroso. Ainda apresenta com uma cozinha onde a merenda é preparada, sala de professores, sala destinada à gestão, seis banheiros, um pátio coberto e um jardim bastante conservado. Figura 8 Biblioteca da Escola João Ciríaco Costa e Silva, 2009 33 3.2 Geografia e Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos a Consciência Ambiental A Geografia desde seus primeiros ensaios na Antiguidade, ainda que se constituísse em uma ciência de síntese e descrição das paisagens terrestres apresentava o meio ambiente permeando seus estudos. Porém, com a determinação de seu objeto de estudo no qual o homem passa a ser visto como integrante ativo do meio ambiente, que promove ações muitas vezes incoerentes resultantes em degradação do meio ambiente. E tais ações são percebidas e enfatizadas nos estudos da Geografia, o que a torna uma ponte sólida na formação de uma consciência ambiental, se tornando uma parceira incondicional da Educação Ambiental através do ato de educar. Já que conforme Dias (2005) o analfabetismo ambiental é a maior ameaça à sustentabilidade do ser humano na terra, estando a sobrevivência da espécie humana na dependência da efetividade do ato de educar que conduzirá a uma ampliação do campo da perspicácia e mudanças nas atitudes as quais serão traduzidas pela palavra responsabilidade. Então a partir de um enfoque geográfico, apoiado no Projeto Político Pedagógico da escola e dos PCN’s temos um caminho para a formação da consciência ambiental que será construída pelo processo de aprendizagem que aproxima o aluno da sua realidade, buscando assim sua sensibilização, despertando o intimo, mexendo com seu lado emocional desencadeando novas formas de ver e relacionar-se com o mundo, de maneira tal, que promova a valorização, a proteção da natureza e a gestão racional dos recursos naturais (PELICIONI, 2005). Mas, para um êxito numa proposta educacional que evidencie o exercício da Educação Ambiental precisamos de uma prática pedagógica onde o aluno participe ativamente do processo de ensino e de aprendizagem sempre apoiado no que lhe cerca, na sua vivência, de maneira a refletir e questionar formando suas opiniões. Isto pode ser obtido desenvolvendo a prática crítico-social dos conteúdos, pois seus pressupostos pedagógicos fomentam o princípio de uma formação crítica do educando. 34 Para Libâneo (1986) os pressupostos da prática pedagógica supracitada consideram a aprendizagem como um ato de conhecimento a partir da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo aluno, num processo de compreensão, reflexão e crítica, como instrumento para interferir e modificar a realidade. Assim, o processo em si deve se constituir em uma aprendizagem significativa, supondo em primeiro lugar, a verificação dos conhecimentos prévios do aluno, para em seguida, ampliar, reorganizar e sistematizar o conhecimento que o aluno já traz consigo. Como ainda denotam, os pressupostos, o professor por ser peça fundamental na promoção da prática crítico-social, que se viabiliza no diálogo e na problematização das abordagens feitas em sala de aula, permitindo a criança a reconhecer o conhecimento científico através de debates e da construção coletiva das idéias e pensamentos, deve desencadear o ensino e a aprendizagem num processo dinâmico de ação-reflexão-ação e não um processo resultante da mecanicidade muitas vezes deveras utilizada pelos docentes em suas aulas. Então se o docente adotar uma prática pedagógica onde o aluno é visto não como um gravador que repete, repete e repete as informações de uma aula, mais passa ser um elemento chave na aprendizagem, onde é estimulado a pensar e expor seus argumentos e idéias sendo guiado por um diálogo democrático temos um caminho na formação de cidadãos críticos e ativos capazes de construir uma sociedade mais justa. Porém, não devemos esquecer que neste processo a escolha dos conteúdos a ser abordado em sala de aula e as situações didáticas precisam estar em consonância ao propósito de garantir ao aluno a participação no processo de ensino aprendizagem, pois o mesmo é um ser ativo neste processo (REIGOTA, 2001). Daí nosso ponto de partida para elencar os conteúdos abordados nas aulas não só de Geografia como nas disciplinas afins constituem os três blocos temáticos sugeridos pelos PNC’s: os ciclos da natureza, sociedade e meio ambiente, manejo e conservação ambiental. 35 O primeiro bloco conteudista, evidenciado pelo quadro 4, busca a compreensão dos processos da natureza como dinâmicos e sujeitos a alterações de ordem antrópica e um deles é o ciclo da água. Assim, são levantadas indagações sobre a interferência do homem e suas consequências (PCN’s, 1998). Quadro 4 Conteúdos do Bloco Ciclos da Natureza CONTEÚDOS • escalas geológicas de tempo e de espaço para compreensão da vida; • gravidade da extinção de espécies e da alteração irreversível de ecossistemas; • alterações nos fluxos naturais em situações concretas; • alterações na realidade local a partir do conhecimento da dinâmica dos ecossistemas mais próximos; • outras interpretações das transformações na antureza; Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998 O segundo bloco, exposto no quadro 5, a abordagem é mais diretas sobre a relação do homem com o seu meio de vida, como por exemplo: interagir sem agredir o meio ambiente e a sociedade (Ibid). Quadro 5 Conteúdos do Bloco Sociedade e Meio Ambiente CONTEÚDOS • reconhecer os tipos de uso e ocupação dos solo na localidade; • influência entre os vários espaços; • valorização da diversidade cultural na busca de alternativas de relação entre sociedade e natureza; • análise crítica de atividades de produção e práticas de consumo; Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998 36 O terceiro e último bloco conteudista, como mostra o quadro 6, apresenta conteúdos que convergem para a conservação e manutenção da qualidade dos recursos naturais, permitindo identificar alterações provocadas na forma de exploração do meio ambiente local possibilitando desenvolver o senso crítico ampliando o campo da discussão e busca de soluções pelo aluno e pela comunidade (Ibid). Quadro 6 Conteúdos do Bloco Manejo e Conservação Ambiental CONTEÚDOS • valorização do manejo sustentável como busca de uma nova relação sociedade/natureza; • crítica ao uso de técnicas incompatíveis com a sustentabilidade; • levantamento de construções inadequadas em áreas urbanas e rurais; • conhecimento dos problemas causados pelas queimadas nos ecossistemas brasileiros; • conhecimento e valorização de alternativas para a utilização dos recursos naturais; • conhecimento e valorização de técnicas de saneamento básico; • conhecimento e valorização de práticas que possibilitem a redução na geração e a correta destinação do lixo; • conhecimento de algumas áreas tombadas como Unidades de Conservação; • reconhecimento das instâncias do poder público responsáveis pelo gerenciamento das questões ambientais; Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998 Tendo este direcionamento para escolha dos conteúdos envolvendo questões ambientais, a pedagogia crítico social dos conteúdos e o Plano Político Pedagógico da Escola João Ciríaco propomos ações para a o exercício da Educação Ambiental de forma conjunta com as disciplinas de Língua Portuguesa, História, Ciências, Educação Artística, Matemática e Geografia. A priori desenvolveremos interdisciplinaridade: as seguintes atividades na ótica da 37 • em datas que denotem o meio ambiente, ou algum elemento que o integre, como semana do meio ambiente, dia mundial da água, dia da árvore realizar caminha ecológica com distribuição de muda de árvores, realizar um mutirão com alunos de toda escola para retirada de resíduos sólidos do rio Pirapama; • promover ciclo de palestras juntamente com os agentes de saúde que atendem a área sobre poluição e suas conseqüências para a saúde do homem e do meio ambiente; • implantar a coleta seletiva na escola; • promover aulas-passeio, ou melhor, trabalhos de campo tanto na comunidade em que a escola está inserida como extrapolar seus limites territoriais ampliando a visão da realidade ambiental do aluno; • elaboração de um jornal mensal, onde o alunado terá canal aberto para denunciar agressões ao meio ambiente, como ainda dá respectivas soluções; • elaboração de uma cartilha ambiental junto aos alunos do Ensino Fundamental I; • incentivar a participação mais efetiva do corpo docente nas atividades ambientais promovidas pela Secretaria de Meio Ambiente em parceria com a Secretaria de Educação do município do Cabo de Santo Agostinho de maneira a estender as experiências ao alunado; Ainda em paralelo às atividades interdisciplinares, sugerimos algumas atividades para serem desenvolvidas nas aulas de Geografia diante de sua proximidade com a Educação Ambiental e com os conteúdos que envolvem a temática meio ambiente de maneira a reafirmar o objetivo de construir a consciência ambiental através da sensibilização do aluno ao colocá-lo frente a frente com a realidade ambiental de sua comunidade. 3.3 Sugestões de Atividades Para Aulas de Geografia a Partir da Temática Meio Ambiente 1ª Sugestão de Atividade Trabalhando o tema Lixo. 38 Nesta atividade o professor deve esclarecer o que pode ser considerado lixo e as formas de lixo, chamando a atenção que hoje nem tudo que jogamos fora pode ser considerado lixo, existindo um reaproveitamento e consequentemente reduzimos a carga de resíduos jogados sem cautela em qualquer lugar. Procedimento da atividade: O professor pode dividir a turma em grupos e em cada grupo deixar material tipo: latas de ferro ou alumínio, garrafas PET, papéis, sacolas plásticas, jornais, revistas, embalagens de maionese, etc. Logo depois levantar o questionamento: O que representa todo este material para eles (alunos)? E diante dos questionamentos apresentados proceder com a definição de lixo e apresentar suas formas. Mantendo os grupos deve sugerir que elaborem painéis que chamem atenção para o que deve ser considerado lixo ou não. 2ª Sugestão de Atividade Trabalhar com o tema: o destino do lixo de sua comunidade. Com esta temática o professor pode levar a formação de uma conscientização por parte do aluno para os problemas que o destino incorreto do lixo pode trazer e provocá-los a pensar em soluções. Procedimento da atividade: Após esclarecer o que é lixo e suas formas de classificação o professor pode sugerir para que cada aluno faça um croqui do seu trajeto até a escola, localizando neste os focos de lixo á céu aberto. 3ª Sugestão de Atividade Trabalhar o tema reciclagem e coleta seletiva 39 Ao trabalhar tal temática na sala de aula o professor deve estimular o hábito no aluno de separar o material reciclável do não reciclável em suas residências e na escola. Procedimento da atividade Em aulas prévias o professor deve questionar a importância da coleta seletiva e da reciclagem como alternativas na conservação do meio ambiente. Para em aulas posteriores, propor a elaboração de quatro recipientes para comportar material reciclável na sala de aula, sendo um verde, uma amarelo, um vermelho e um azul. E todo material recolhido deverá ser repassado a catadores do bairro. 4ª Sugestão de Atividade Trabalhando a temática poluição dos recursos hídricos. Através da abordagem da poluição hídrica denotar a importância para manutenção dos mananciais de água potável que ainda restam e que podem assegurar a sobrevivência das gerações futuras da espécie humana. Procedimento da Atividade Levar os alunado para uma aula-passeio num curso de água mais próximo da comunidade, no nosso caso o Pirapama. E diante de um fato real expor todos os transtornos possíveis oriundos da poluição das águas. Em seguida realizar conjuntamente uma limpeza das margens separando o que pode ser reciclável dando um novo destino a tais resíduos e colocar em exposição no pátio da escola ou na biblioteca. 5 ª Sugestão de Atividade Trabalhando o tema água fonte de vida 40 Ao abordar a importância da água para a vida de todos os seres que habitam nosso planeta, o professor deve provocar a sensibilidade do aluno e sua responsabilidade em usar um recurso natural tão precioso racionalmente evitando seu desperdício. Procedimento da atividade O professor deve iniciar sua aula com a música Terra Planeta Água de Guilherme Arantes. Após repetir várias vezes, pode repassar a cada aluno folha de papel, lápis em cores e solicitar que através de desenhos livres expressem situações reveladas pela letra da música. 6ª Sugestão de Atividade Trabalhando o tema: mata atlântica e sua devastação Ao colocar em exposição tal temática o professor deve evocar o papel do aluno como cidadão na conservação do meio ambiente e especialmente dos resquícios da mata atlântica salvo sua importância. Procedimento da atividade Convocar o alunado para um aula-passeio a áreas onde existam resquícios de mata atlântica e abordar no decorrer da aula a importância na manutenção destas áreas verdes em meio ao espaço urbano, as consequências de sua devastação como também suas características florísticas e faunísticas. Instruindo quanto ao registro de imagens da área e de todo o trajeto da aula. Numa aula seguinte orientar o alunado na construção de um painel fotográfico denunciando a agressão ao ecossistema mata atlântica, como na confecção de um relatório avaliativo da situação testemunhadas. 41 CONCLUSÃO Toda prática pedagógica ao abordar a temática meio ambiente deve ser repensada para não mascararem os problemas existentes através de uma ótica poética embutida na exposição de conteúdos ambientais, como ainda cada educador deve ter plena consciência de sua responsabilidade como mediador na formação do cidadão através de um processo de ensino e aprendizagem em que envolve o aluno na construção do conhecimento, na formação de opiniões e ideais. Para tanto, é necessário aproximar o aluno dos fatos que o cercam buscando a interação do educando com sua realidade ambiental até mesmo socioeconômica, que muitas vezes dita sua relação com o espaço em que vive. Além de promover a sensibilização a partir da percepção aguçada em vista a metodologia a dotada pela escola e por seus educadores. Então deve-se utilizar uma metodologia estimuladora dos sentidos e facilitadora da assimilação crítica do que lhe é apresentado por parte do educador e da sociedade em geral. E diante da necessidade de formar cidadãos críticos dotados da consciência ambiental e de responsabilidade que se expressem através de suas práticas cotidianas, seja num ambiente escolar ou na comunidade em que vivem a Escola João Ciríaco tendo a Geografia como viés no exercício de práticas ambientais sustentáveis assume um compromisso em desenvolver a postura crítica de seu alunado com as atividades e ações propostas validando os princípios e objetivos da Educação Ambiental. Assim, educar não consiste meramente em repassar conteúdos, mas em levantar questionamentos, mediar a formação de opiniões, quebrar tabus, modificar estruturas e formas de pensar. Sabemos que é uma tarefa difícil com muitos percalços e obstáculos, contudo se fazemos valer nossos ideais de uma Educação de qualidade porque não começar a mudança a partir de nossa escola. 42 REFERÊNCIAS AFONSO, Cíntia Maria. Sustentabilidade caminho ou utopia ? São Paulo: Annablume, 2006. Atlas de Bacias Hidrográficas de Pernambuco. Recife: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SCTMA, 2006. BRANCO, Samuel Gurgel. O meio ambiente em debate. Moderna, 1997. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Nacionais-Geografia. Brasília: MEC / SEF, 1998. 26a ed. São Paulo: Parâmetros Curriculares CAMPOS, Hernani Löebler. Processo histórico de gestão na bacia hidrográfica do rio Beberibe (PE): uma retrospectiva. Rio de Janeiro (RJ): 2003. 234 f. Tese (Doutorado) Centro de Matemática e da Natureza - Instituto de Geociências. Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. CAVINATTO, Vilma Maria. Saneamento Básico: Fonte de Saúde e Bem Estar. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. 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Petrópolis/RJ: Vozes, 2000. 44 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTOS 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ÂMBITOS MUNDIAL E NACIONAL 10 1.3 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental 1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil 11 15 CAPÍTULO II OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE 18 2.1 A Poluição do Rio Pirapama 2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos 2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas 18 22 27 CAPÍTULO III UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA JOÃO CIRÍACO 31 3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João Ciríaco 31 3.2 Geografia Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos a Consciência Ambiental 33 3.3 Sugestões de Atividades para Aulas de Geografia a Partir da Temática Meio Ambiente 37 45 CONCLUSÃO 41 REFERENCIAS 42 ÍNDICE 44 FOLHA DE AVALIAÇÃO 46 46 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Universidade Candido Mendes Título da Monografia: Uma Proposta Educacional Voltada ao Exercício da Educação Ambiental Como Estratégia Para Conservação do Meio Ambiente o Caso da Escola João Ciríaco no Município do Cabo de Santo Agostinho-PE. Autor: Eduardo Rogério Braga Costa e Silva Data da entrega: Avaliado por: Conceito: