UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS - GRADUAÇÃO LATO SENSO
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
UMA PROPOSTA EDUCACIONAL VOLTADA AO EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA PARA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
O CASO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO
CABO DE SANTO AGOSTINHO-PE
Eduardo Rogério Braga Costa e Silva
Orientadora:
prof.ª Priscila Barcellos
RECIFE
2009
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS - GRADUAÇÃO LATO SENSO
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
UMA PROPOSTA EDUCACIONAL VOLTADA AO EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA PARA CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
O CASO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO
CABO DE SANTO AGOSTINHO-PE
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre
– Universidade Candido Mendes como requisito parcial
para obtenção do grau de especialista em Educação
Ambiental.
Por: Eduardo Rogério Braga Costa e Silva
AGRADECIMENTOS
A Deus pela luz que guia minha vida e minhas conquistas.
A minha esposa pela atenção, pelas palavras de apoio e pelo incentivo
constante que forma imprescindíveis para mais uma vitória em minha vida.
A meus filhos por toda paciência e compreensão nos momentos de ausência
em dediquei a conclusão deste.
Ao Instituto a Vez do mestre pela oportunidade em ampliar meus
conhecimentos acadêmicos.
A professora Priscila Barcellos por toda atenção, solicitude e sugestões que
nortearam meu caminho durante a realização desta monografia.
A todos que integram o corpo pedagógico e administrativo da Escola João
Círiaco.
Aos amigos, em fim a todos que participaram na elaboração deste.
Dedico a meus pais, esposa e filhos
RESUMO
O homem sempre na busca do desenvolvimento socioeconômico explorou os
recursos minerais sem dar conta dos futuros transtornos que poderia causar a si
mesmo. Transtornos tão sérios que afetam e ameaçam sua sobrevivência no
planeta terra. Diante desta situação alertas passam a ser dados e a comunidade
científica toma a frente das discussões sobre a temática meio ambiente, surgindo
em um dos encontros o ideal da Educação como canal promotor de uma mudança
de atitudes e comportamentos da sociedade capitalista se formalizando através da
Educação Ambiental. E por ser a Geografia uma disciplina que sempre abordou a
relação do homem com o espaço se reveste de uma responsabilidade ímpar na
construção de uma sociedade consciente de seu papel na conservação do meio
ambiente. Mas, em muitos espaços onde o ato de educar acontece muitos não
atentaram para práticas sustentáveis, nem mesmo para a importância do meio
ambiente, e um deles é a Escola João Ciríaco. Daí surge nossa proposta de estudo
cujo objetivo principal consistiu em criar e implementar uma proposta de
conscientização ambiental através do exercício da Educação Ambiental tendo a
Geografia como viés no processo, a partir dos problemas ambientais existentes no
entorno da escola. Nosso trabalho foi de cunho bibliográfico, constituído por
discussões qualitativas e que está estruturado em três capítulos: o primeiro abordou
os passos da Educação ambiental no âmbito mundial e nacional, enquanto o
segundo expos os principais problemas ambientais do entorno da escola João
Ciríaco e o último denotou nossa proposta para chegarmos a formação da
consciência ambiental do alunado. Esperamos contribuir positivamente para
construção de outros trabalhos e ampliar a disseminação da Educação Ambiental.
Palavras-Chave:
Escola
João
Ciríaco,
Geografia,
Educação
Ambiental.
METODOLOGIA
O nosso trabalho monográfico se caracterizou como uma pesquisa
bibliográfica com elementos descritivos e uma abordagem discursiva que culmina na
elaboração de uma proposta para o exercício da Educação Ambiental na Escola
cerne de nosso estudo.
A coleta de dados ocorreu através de uma fonte bibliográfica pela qual
procedemos com m levantamento de material visitando bibliotecas da Universidade
Federal de Pernambuco, onde captamos livros sobre Educação Ambiental.
Visitamos o Núcleo de Apoio a Pesquisa Acadêmica - NAPA localizado no 5 º andar
do Centro de Filosofia e Ciências Humanas - CFCH da UFPE na intenção de adquirir
material sobre a Bacia Hidrográfica do Pirapama, Poluição por resíduos sólidos,
ocupação irregular de áreas colinosas, além de proceder com um levantamento de
artigos científicos de interesse ao nosso embasamento teórico na internet.
Prosseguimos nossa coleta de informações num contato mais direto com uma
das gestoras da escola João Círiaco, neste em uma conversa informal obtivemos
dados referentes ao corpo administrativo, docente, espaço físico, quantitativo de
alunos, dentre outros. Em seguida procedemos com um roteiro fotográfico, cujas
imagens devidamente selecionadas ilustram o segundo e o terceiro capítulo.
A pesquisa bibliográfica e a conversa informal, nos permitiu o acesso a
informações que não poderíamos desprezar, mesmo sendo nossa pesquisa
bibliográfica, pois foram a base na elaboração da proposta que se configura como
um canal na melhoria das perspectivas educacionais.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I – OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ÂMBITOS
MUNDIAL E NACIONAL
10
1.1 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental
1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil
11
15
CAPÍTULO II – OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA
JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE
18
2.1 A Poluição do Rio Pirapama
2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos
2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas
18
22
27
CAPÍTULO III – UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NA ESCOLA JOÃO CIRÍACO
31
3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João Ciríaco
31
3.2 Geografia Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos a
Consciência Ambiental
33
3.3 Sugestões de Atividades para Aulas de Geografia a Partir da Temática Meio
Ambiente
37
CONCLUSÃO
41
REFERENCIAS
42
ÍNDICE
44
FOLHA DE AVALIAÇÃO
46
8
INTRODUÇÃO
No transcorrer de sua história o homem, segundo as necessidades que
surgiam, moldou sua relação com o meio ambiente ao ponto de desencadear
inúmeros impactos, não sentidos imediatamente, os quais se agravam e ameaçam a
vida de todo nosso planeta.
Inúmeras situações referentes à espoliação dos recursos naturais convergem
para um quadro de degradação ambiental, como o destino inadequado de resíduos
sólidos, devastação de florestas, extermínio de espécies animais e vegetais,
emergem movimentos de caráter ambiental dando o alerta para o caos estabelecido
pela sociedade capitalista ao meio ambiente.
Vários encontros científicos realizados e ainda são na intenção de discutir a
respeito dos aspectos degradantes que caracterizam o meio ambiente na atualidade.
Destes
encontros,
flui
eminentemente
a
necessidade
de
uma
mudança
comportamental da sociedade global visando a promoção da sustentabilidade. E
num dos encontros realizados no século XX se percebe que a Educação pode
transformar o homem agressor, no homem conservador e responsável capaz de
utilizar os recursos naturais sem trazer danos irreparáveis ao meio ambiente.
Sendo para tanto, o exercício da Educação Ambiental no espaço escolar e
fora dele o elo fundamental entre a consciência ambiental e meio ambiente. Mas, em
muitos espaços onde o ato de educar acontece muitos não atentaram para práticas
sustentáveis, nem mesmo para a importância do meio ambiente, e um deles é a
Escola João Ciríaco. Daí surge nossa proposta de estudo cujo objetivo principal
consiste em criar e implementar uma proposta de conscientização ambiental através
do exercício da Educação Ambiental tendo a Geografia como viés no processo, a
partir dos problemas ambientais existentes no entorno da escola.
Para realizar nosso trabalho acadêmico utilizamos como procedimento
metodológico
a
pesquisa
de
cunho
bibliográfico,
constituindo-se
em
um
9
levantamento de informações bibliográficas resultando num estudo qualitativo da
temática proposta.
Com propósito de atingir nosso objetivo chave, o referido trabalho se encontra
estruturado assim: o primeiro capítulo faz uma breve retrospectiva da Educação
Ambiental âmbito mundial e nacional; o segundo aborda os principais problemas
ambientais encontrados no bairro da Charneca no município do Cabo de Santo
Agostinho onde localiza-se a Escola João Ciríaco que constituem o ponto de partida
na elaboração de ações e atividades promotoras da consciência ambiental de nossa
comunidade escolar; O último capítulo denota nossas ações propostas desde um
trabalho conjunto com outras disciplinas afins da Geografia, como direcionadas a
própria Geografia.
Desta maneira, pretendemos fornecer subsídios a novos estudos acadêmicos,
ao mesmo tempo firmando a importância da Educação Ambiental nas discussões
em âmbito local e global sobre os problemas que atingem o meio ambiente e suas
possíveis soluções.
10
CAPITULO I
OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS
ÂMBITOS MUNDIAL E NACIONAL
Ao relacionar-se com o meio ambiente no decorrer dos séculos o homem
provocou inúmeras agressões, que de inicio não foram de imediato percebidas, mas
hoje deverás sentidas pelos próprios agressores.
O marco para o aceleramento das ações impactantes sobre o meio ambiente
foi a tão conhecida Revolução Industrial, que firma o status de desenvolvimento a
todo aquele estado nação que a promovesse. Sendo tal promoção tida como
visionária da contemporaneidade, mas cujo lado avesso do discurso capitalista deixa
os traços da relação do homem com o espaço nas paisagens que expõe a
irracionalidade de quem se diz tão racional, pois a tão famosa Revolução Industrial
condicionou uma alteração comportamental da sociedade em geral, culminando por
exemplo, num consumo desenfreado de produtos cujas embalagens são
descartadas inadequadamente contribuindo tanto no aparecimento como na
perpetuação da poluição por resíduos sólidos.
A poluição nos seus mais variados aspectos, o efeito estufa, as chuvas
ácidas, o aumento no nível dos oceanos, a extinção de espécies animais como
vegetais, o desmatamento dentre outros integram a lista dos problemas de ordem
ambiental da contemporaneidade capitalista (BRANCO, 1997).
E como não se pode mais omitir nem fechar os olhos para os problemas
ambientais que assola em países ricos ou pobres os alertas começaram a ser dados
através dos movimentos ambientalistas no século XX que
partiram da constatação de que os recursos naturais estavam sendo sobreutilizados e degradados pela intensa urbanização e industrialização ocorrida
após Segunda Guerra, motivando a discussão de questões como poluição,
custos ambientais de novas tecnologias e crescimento econômico.
(AFONSO, 2006, p. 19).
11
E para Mendonça (2004) o cerne do desenvolvimento e andamento dos
movimentos de cunho ambientalistas foi a publicação do livro de Rachel Carson em
1962 intitulado de Primavera Silenciosa, onde era denunciado os abusos cometidos
ao meio ambiente a partir da utilização dos recursos naturais em face da
sobrevivência humana.
Contudo, não é suficiente levar a público em escala mundial o que está
acontecendo com o meio ambiente, sendo relevante imbuir discussões que avaliem
a proporção dos problemas ambientais ao mesmo tempo possam construir
alternativas condicionadoras de mudanças no comportamento da sociedade
capitalista.
A mudança esperada não ocorreria com a criação de Leis, Normativas,
Decretos e sim na promoção da consciência ambiental através do ato de educar, ou
seja, através da educação. Daí temos a Educação Ambiental como percussora na
formação de um cidadão crítico, participativo, interventor e consciente durante a
relação mantida com o meio ambiente atrelando práticas sustentáveis.
1.2 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental
Os movimentos ecológicos oriundos das iniciativas de intelectuais e estudantes
franceses nos anos 60 condicionaram a realização de vários encontros de cunho
científicos cuja temática central era a degradação do meio ambiente, sendo notório a
realização em 1968 da Conferência da Biosfera na cidade de paris.
Uma década a frente a Organização das Nações Unidas – ONU realizou um
Congresso na Iugoslávia onde surge a perspectiva educativa sob o enfoque
ambientalista, configurando a educação ambiental, que neste mesmo evento teve a
elaboração de sua definição como:
Processo que visa formar uma população mundial consciente e preocupada
com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma
população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de
espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe
permitam trabalhar individual e coletivamente para resolver os problemas
atuais e impedir que se repitam.(VICTORIANO, 2000, p. 28).
12
Ainda mais exatamente no ano de 1977 na Geórgia, ex - república da União
Soviética, a Organização das Nações Unidas – ONU em parceria com o Programa
das Nações Unidas Para o Meio Ambiente explicitam a Educação Ambiental em
suas abordagens e discussões.
Tais eventos possibilitaram emergir os pilares norteadores de uma prática
educativa desenvolvida nas escolas, sindicatos, associações voltada à formação da
consciência ambiental, ou seja, os objetivos e princípios da Educação Ambiental
(REIGOTA, 2001).
Seus objetivos são em número de seis conforme Pelicioli (2005), a saber:
Conscientização - Levar os indivíduos e os grupos associados a tomarem
consciência do meio ambiente global e de problemas conexos e de mostrarem
sensíveis aos mesmos;
Conhecimento - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir uma compreensão
essencial do meio ambiente global, dos problemas que estão a ele interligados e o
papel e lugar da responsabilidade crítica do ser humano;
Comportamento - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir o sentido dos valores
sociais, um sentimento profundo de interesse pelo meio ambiente e a vontade de
contribuir para sua proteção e qualidade;
Competência - Levar os indivíduos e os grupos a adquirir o savoir-faire necessário à
solução dos problemas;
Capacidade de Avaliação - Levar os indivíduos e os grupos a avaliar medidas e
programas relacionados ao meio ambiente em função de fatores de ordem
ecológica, política, econômica, social, estética e educativa;
Participação - Levar os indivíduos e os grupos a perceber suas responsabilidades e
necessidades de ação imediata para a solução dos problemas ambientais;
E de maneira breve expomos seus princípios, listados a seguir, de acordo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN’s (1998):
•
considerar o meio ambiente em sua totalidade: em seus aspectos natural e
construído, tecnológicos e sociais;
•
construir um processo permanente e contínuo durante todas as fases do
ensino formal;
13
•
aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de
cada área de modo que se consiga uma perspectiva global da questão ambiental;
•
examinar as principais questões ambientais atuais e naquelas que podem
surgir, levando em conta uma perspectiva histórica;
•
insistir no valor e na necessidade de cooperação local, nacional e
internacional para prevenir os problemas ambientais;
•
considerar de maneira explícita os problemas ambientais nos planos de
desenvolvimento e crescimento;
•
promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de
aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar suas
consequências;
•
estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a
sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para
resolver problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente,
sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria
comunidade;
•
ajudar os alunos a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas
ambientais;
•
ressaltar a complexidade dos problemas ambientas e, em conseqüência, a
necessidade de desenvolver o sentido crítico e as atitudes necessárias para resolvêlos;
•
utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e um a ampla gama de
métodos para transmitir e adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente,
ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais.
Já nos fins do século XX novos encontros aconteceram firmando no cenário
educativo mundial a Educação Ambiental e um dos mais importantes aconteceu na
cidade do Rio de Janeiro, a conhecida ECO-92, sendo seguido pela Conferência
Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública
Para a Sustentabilidade, ocorrida em Telassônica, Grécia. Nesta o foco foi a
formação de professores em Educação Ambiental e a troca de experiências
(LOUREIRO, 2004).
14
No século atual em Johannesburgo, África do Sul, um novo encontro discutiu
a importância da Educação como caminho para o exercício de práticas sustentáveis
direcionadas ao desenvolvimento sustentável que para Afonso (2006) só poderá ser
almejado se:
• todos
tenham
suas
necessidades
básicas
atendidas
e
lhes
sejam
proporcionadas oportunidades de concretizar seu desejo de uma vida melhor;
• os padrões de consumo sejam mantidos dentro do limite de interferência que
o meio natural pode suportar;
•
as necessidades humanas sejam atendidas de modo igualitário, assegurando
a todos as mesmas oportunidades;
•
a evolução demográfica esteja em equilíbrio com o potencial produtivo dos
ecossistemas;
• os sistemas naturais que sustentam a vida na terra - atmosfera, águas, solos
e seres vivos - não sejam degradados;
• o acesso equitativo aos recursos ameaçados seja garantido, reorientado-se
os avanços tecnológicos no sentido de aliviar as pressões de sobre-utilização dos
recursos;
•
os recursos renováveis sejam utilizados dentro dos limites que permitam sua
regeneração natural;
•
os recursos não renováveis sejam utilizados de modo racional, com ênfase na
reciclagem e no uso eficiente, de modo que não esgotem antes de haver substitutos
adequados;
os impactos negativos sobre a qualidade do ar, da água e dos demais elementos
naturais sejam minimizados, a fim de manter a integridade global do sistema.
Mas para promovermos um desenvolvimento de caráter sustentável não só
deverá ocorrer alterações no modo de vida da sociedade em geral, como também na
estrutura política e econômica do sistema capitalista o que fere os princípios
neoliberais, se transformando as prática sustentáveis em mero sonho. Por outro
lado, poderemos sim construir uma consciência ambiental através de atividades
educativas que não fujam a nossa realidade e que despertem a responsabilidade de
cada ser humano na gestão e manutenção dos recursos naturais possibilitando a
harmonia entre os diversos ecossistemas que formam o meio ambiente.
15
1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil
Os primeiros movimentos que enfocaram a Educação Ambiental no cenário
nacional foram muito vagarosos e ainda restritos conforme Mendonça (2004) as
Organizações Não Governamentais – ONGs sem de uma maneira explícita abordar
a relação sociedade natureza o que caracterizou a existência de uma corrente
filosófica
conhecida
por
ecológico-preservacionista
(MININNI-MEDINA
apud
RIBEIRO, 2006). A propagação desta corrente não seria ideal diante dos princípios e
objetivos da Educação Ambiental já listados anteriormente, pois tal corrente prima
por uma Educação Ambiental estética onde a harmonia pregada no estabelecimento
de uma convivência com o meio ambiente não denota a responsabilidade dos
homens com a natureza.
Inserir por inserir na grade curricular do ensino básico conteúdos ecológicos
sem fazer a ponte com as ações econômicas, políticas e sociais não revelam a
criticidade fundamental para o despertar da consciência ambiental, isto aconteceu
nos anos 80 não revelando avanços significativos do exercício da Educação
Ambiental.
Na última década do século XX surge ao lado da corrente ecológicopreservacionista um enfoque crítico na prática da Educação Ambiental, surge uma
nova corrente: a socioambiental que busca enfatizar a relação homem x natureza e
consigo mesmo sem mascarar a degradação ambiental implícita na paisagem,
contemplando ainda nas abordagens conteudistas a formação da consciência
ambiental (RIBEIRO, 2006).
Com a criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs pelo Ministério
da Educação Esporte e Cultura temos a inclusão da temática meio ambiente no
currículo da Educação Básica, porém não instituindo a Educação Ambiental como
uma disciplina independente, mas um ponto de intercessão entre as demais
disciplinas induzindo a ocorrência da interdisciplinaridade, ou seja, a integração
harmoniosa sem nenhuma interferência no estudo do objeto de cada disciplina,
contudo buscando um caminho mais seguro e interessante no aprendizado do aluno.
16
Como denota Loureiro (2004) a instituição da política nacional de Educação
Ambiental pela Lei nº 9795/99 e regulamentada pelo decreto nº 4281/02 conduziu ao
objetivo1 dos PCNS através da vinculação da questão ambiental ao processo de
ensino e aprendizagem por meio de atividades curriculares ou não, aproximando o
aluno de sua realidade ambiental facilitando o aprendizado, a formação do cidadão a
partir de habilidades condizentes com a sustentabilidade.
A primeira Conferência Nacional de Educação Ambiental realizada em fins da
década 90 teve como principal produto um documento onde foram listados 45
problemas, 125 recomendações atrelados a cinco temáticas: A Educação Ambiental
e as vertentes do desenvolvimento sustentável; Educação Ambiental formal - papel,
desafios, metodologias, capacitação; Educação Ambiental no processo de gestão
ambiental - metodologia e capacitação; Educação Ambiental e as políticas públicas PRONEA, políticas urbanas, de recursos hídricos, agricultura, ciência e tecnologia; e
Educação Ambiental, ética, formação da cidadania, educação, comunicação e
informação da sociedade (RIBEIRO, 2006). E dentre os 45 problemas destacam-se:
a necessidade de revisão do conceito de desenvolvimento sustentável, a falta de
capacitação de educadores para a Educação Ambiental, a carência de pesquisas
para ajudar, por exemplo, o desenvolvimento de metodologias pedagógicas de
Educação Ambiental, a ausência do tratamento interdisciplinar, a falta de materiais
didáticos adequados para o trabalho de sala de aula e, entre os disponíveis, a não
adequação para a realidade local de quem ensina etc.
Em 2001 há a criação do Sistema Brasileiro de Informação em Educação
Ambiental e Práticas Sustentáveis (SIBEA) que procura organizar, sistematizar e
difundir informações produzidas em Educação Ambiental no país, articulando as
ações governamentais fragmentadas.
______________
1
A conscientização ambiental do aluno para assumirem posições de proteção e melhoria do meio, se
dotando do senso de responsabilidade e de solidariedade no uso dos bens comuns e dos recursos
naturais colocando em prática o respeito por si mesmo e ao próximo.
17
Vários direcionamentos ocorreram envolvendo a prática da Educação
Ambiental no Brasil, mas muito há por fazer principalmente no tocante as
metodologias adotadas na abordagem dos conteúdos da temática meio ambiente,
pois se os alunos forem considerados depósitos conteudistas jamais teremos a
conscientização dos mesmos em relação a problemática ambiental, como também a
participação na elaboração de soluções promotoras da sustentabilidade e que
assegurem as gerações futuras os recursos naturais necessários a sua
sobrevivência.
18
CAPÍTULO II
OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA
JOÃO CIRÍACO NO MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO
AGOSTINHO - PE
A Escola João Ciríaco localiza-se no bairro da Charneca que apresenta duas
características marcantes no tocante ao desenvolvimento urbano do município do
Cabo de Santo Agostinho: desordenação e aceleração o que possibilitou a
ocorrência de problemas ambientais, como a poluição dos cursos d’água, a
ocupação desordenada de áreas colinosas, deposição de lixo a céu aberto, retirada
de vegetação nativa, poluição do ar, dentre outros.
E do conjunto de problemas mencionados anteriormente, a poluição do rio
Pirapama que corre em proximidades, a deposição de lixo a céu aberto e a
ocupação desordenada de áreas colinosas associada à retirada da vegetação nativa
consistem nos problemas mais relevantes do entorno da escola João Ciríaco.
2.1 A Poluição do Rio Pirapama
A poluição hídrica pode ser entendida como uma ação humana que degrada
os cursos de água através do lançamento de resíduos sólidos, dejetos domésticos
ou ainda industriais nas massas líquidas (SCHIVARTCHE, 2005).
O rio Pirapama (figura 1 e 2) drena uma área de 600,000 Km2, abrangendo
sete municípios: Vitória de Santo Antão, Moreno, Pombos, Escada, Ipojuca,
Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho que compõe 57,2% da área
abrangida pela Bacia Hidrográfica do rio Pirapama (ATLAS DE BACIAS
HIDROGRÁFICAS DE PERNAMBUCO, 2006).
19
Figura 1 Rio Pirapama no centro do Cabo de Santo Agostinho
Fonte: www.cabo.pe.gov.br
Figura 2 Cachoeira do Pirapama no município de Escada
Fonte: www.promata.pe.gov.br
20
Toda rede hidrográfica do Pirapama sofre com a poluição, cuja causa está no
lançamento direto de esgotos domésticos não tratados devido a condições sanitárias
inadequadas e ocupação irregular do solo, sendo reforçada pelos dejetos das
agroindústrias estabelecidas na região.
Assim, percebemos que o processo de degradação dos cursos d’água de
forma geral, está associado ao crescimento urbano desordenado, e no caso
particular da área da Bacia do rio Pirapama situada no município do Cabo de Santo
Agostinho tem suas raízes seculares na época de implantação dos primeiros
engenhos. Ao longo dos anos se comprova a má qualidade da água na Bacia do
Pirapama, pela Companhia Pernambucana de Meio Ambiente - CPRH que realiza o
monitoramento, só em 2006 foram monitoradas onze estações conforme o quadro 1.
Quadro 1
Estações de coleta na Bacia do rio Pirapama
ESTAÇÃO
PP-10
PP-20
PP-24
CORPO D’ÁGUA
LOCAL
Rio Pirapama
Ponte do antigo Engenho Pirapama, 2,5 Km a
jusante do Engenho Pitu - Vitória de Santo
Antão.
Rio Pirapama
A jusante do Engenho Cachoeirinha e Destilaria
JB após cachoeiras - Vitória de Santo Antão.
Riacho da Destilaria Saindo da PE-45 na entrada do Engenho
Sibéria, ao lado da ruína da ponte de madeira Sibéria
Vitória de Santo Antão.
PP-68
Riacho dos Macacos
A jusante da Destilaria Inexport/Laísa - Cabo de
Santo Agostinho.
PP-60
Rio Utinga de Cima
PP-62
Rio Pirapama
PP-64
Rio Pirapama
PP-68
Rio Gurjaú
PP-75
Rio Pirapama
Na confluência do rio Pirapama e Utinga – Cabo
de Santo Agostinho.
A montante da cidade do Cabo de Santo
Agostinho, em frente a FUNDAC - Cabo de
Santo Agostinho.
A
jusante
das
indústrias
Petroflex
e
Acoolquímica - Cabo de Santo Agostinho.
Ponte na antiga rodovia, a 2200m a montanted a
BR-101- Cabo de Santo Agostinho.
Ponte de acesso ao antigo Engenho Cedro Cabo de Santo Agostinho.
PP-80
Rio Pirapama
Fonte: CPRH, 2006
Na ponte a jusante da Corn Products- Cabo de
Sant.o Agostinho
21
Vários parâmetros são avaliados, porém os mais importantes consistem em
indicadores primários do grau de poluição e das condições para a preservação do
meio, a saber: o Oxigênio Dissolvido - OD, a Demanda Bioquímica de Oxigênio DBO e os Coliformes Fecais - CF.
A existência de coliformes fecais nas águas indica incorporação as mesmas
de matéria fecal, tendo a E. Coli, como uns dos microrganismos patogênicos
presentes. Estando sua presença associada ao lançamento de esgotos domésticos
não tratados. Já o DBO é usado na caracterização de esgotos domésticos e
industriais, principalmente quando avalia o potencial de gerar poluição orgânica.
Mensura ainda a quantidade de oxigênio necessário em meio aquático, à respiração
de microrganismos anaeróbios para consumirem matéria orgânica introduzida na
forma de esgotos, ou mesmo de outros resíduos orgânicos. O Oxigênio Dissolvido
também revela a poluição das águas por matéria orgânica, pois baixos teores
indicam ocorrência de atividade bacteriana intensa na decomposição de matéria
orgânica que por ventura foi jogada na água (SOUZA, RUFIANO, 2007).
Os resultados divulgados pela CPRH do monitoramento realizado em 2006,
permite chegar as seguintes conclusões:
Comprometimento da qualidade da água pelo lançamento de esgotos
domésticos, agroindústrias e indústrias. No trecho a jusante da destilaria JB e na
Cidade do Cabo de Santo Agostinho correspondem ao ponto mais comprometido
pela poluição;
Os níveis de Coliformes evidenciam o lançamento de esgotos domésticos em
todo trecho monitorado;
Os altos valores de temperatura, DBO, fósforo indicam lançamento de dejetos
da indústria canavieira;
Valores de OD a montante do reservatório e no trecho final do Pirapama no
Cabo de Santo Agostinho.
Daí temos um quadro que evidencia a necessidade de controle e fiscalização
das fontes responsáveis pela má qualidade da água na Bacia do rio Pirapama.
22
2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos
Nossa sociedade cada vez mais influenciada pelo marketing e tendo os meios
de comunicação como veículo direto para estabelecer um contato entre produtos e
consumidores, produz incessantemente resíduos sólidos, conhecidos meramente
por lixo que conforme Cavinatto (2003) significa cinzas, pois a origem de sua palavra
tem raízes no latim. Nos dicionários da Língua Portuguesa apresenta os seguintes
significados: sujeira, imundice, coisas sem valor.
O lixo recebe uma classificação considerando a origem e a sua forma, a
saber:
• Quanto à forma pode ser classificado em líquido, sólido e gasoso. O sólido
consiste em plástico, vidro, papel. Enquanto o líquido é representado por
substâncias oriundas das atividades agrícolas e industriais. Já o gasoso se faz
representar por substâncias em estado gasoso que se concentram na atmosfera e
causam transtornos ao meio ambiente e a saúde dos homens.
•
Quanto ao local em que é produzido, se classifica em:
Doméstico: resulta das atividades diárias em uma casa. Em nosso país uma
pessoa gera em média 500g de resíduos por dia.
Industrial: tem sua origem atrela muitas vezes ao não aproveitamento
adequado da matéria - prima durante o processo produtivo ou ao na tratamento
adequado dos resíduos.
Atômico: é produzido a partir do uso de material radioativo em atividades
agrícolas, industriais, na medicina, em pesquisas, na produção de energia. Caso
não seja armazenado adequadamente o lixo radioativo poderá trazer sérios
transtornos a vida. Um exemplo foi o acidente ocorrido na cidade de Goiânia no
estado de Goiás em 1987, onde uma máquina de radioterapia foi deixada em um
ferro velho. Uma cápsula contendo elemento radioativo que estava no equipamento
foi manipulada por pessoas que se encontravam no local e esta ação levou algumas
pessoas a morte.
Hospitalar: é proveniente de todo material descartável e não descartável
como restos de material orgânico humano.
23
Agrícola: está relacionado à produção de dejetos pela pecuária e uso
excessivo de fertilizantes. Muitos criadores, por não possuírem recursos não dão o
tratamento adequado aos dejetos dos animais e estes são desviados para cursos
d’água próximos as propriedades, poluindo e tornando imprópria a água para o
consumo. Os fertilizantes em excesso, proporcionam a produção exacerbada de
nitratos, que chegam aos mananciais e também tornando a água imprópria para o
consumo humano e animal. No caso dos humanos a ingestão de água com alto teor
de nitrato pode levar ao desenvolvimento de um câncer no estômago.
E por ser o lixo considerados coisa sem valor é jogado a céu aberto, nos
córregos, nas ruas, em terrenos abandonados. Sendo as embalagens do tipo use e
jogue fora como as garrafas PET que causam sérios transtornos ao meio ambiente
por levarem anos para se degradar como evidencia o quadro 2.
Quadro 2
Tempo de Degradação Para Certos Resíduos Sólidos
Material
Tempo de Degradação
Papel
3 meses
Plástico
50 a 400 anos
Metal
50 anos lata de ferro
500 anos lata de alumínio
Vidro
4 mil a 1 milhão de anos
Filtro de Cigarro
5 anos
Chiclete
5 anos
Borracha
Tempo Indeterminado
Fonte: II Encontro estadual de novas tecnologia para o aperfeiçoamento científico – 2006
24
Cavinatto e Rodrigues (2003) afirmam que no Brasil cada habitante produz
diariamente cerca de 200 a 500g de resíduos sólidos, onde metade corresponde a
restos alimentares, que poderiam ser reaproveitados transformados em adubo.
Na década de 30 do século XX o Brasil começou a implantar um sistema de
compostagem que representou avanços na tratamento do lixo urbano, mas com a
mudança na composição do lixo onde predominam os materiais não biodegradavéis,
sendo o método abandonado gradativamente. Sendo nos anos 80 do século
mencionado anteriormente implantadas novas usinas de compostagem, contudo
uma das maiores dificuldades é falta de orientação a população na separação do
material de refugo, como implantação de coleta seletiva na maioria das cidades
brasileiras (OLIVEIRA; SILVA, 2007).
Muitos dos materiais descartados nas ruas ou mesmo colocados em cestos
de lixo apresentam papel, papelão, vidro, plástico, metal os quais podem ter nova
finalidade, que não denegrir a paisagem além de tornar o ambiente atrativo a
animais transmissores de doenças como ratos, baratas e mosquitos.
Dentre as doenças temos a dengue e a leptospirose. O agente causador da
dengue, o mosquito Aedes aegypti, encontra no lixo o ambiente ideal para sua
reprodução. É uma doença que só atinge os humanos e persiste por quinze dias até
que o sistema imunológico seja capaz de debelar o A. aegypti. Já leptospirose é
uma enfermidade de caráter infeccioso provocada pela bactéria leptospira,
transmitida pelos roedores domésticos (Op. cit).
A prefeitura realiza uma coleta dos resíduos diariamente que após
recolhimento são direcionados a um local denominado de pista preta, um lixão,
ambiente considerado como solução imediata para destino do lixo urbano.
Entende-se por lixão (ões) área (s) vaga (s) afastada (s) da (s) cidade (s)
onde o lixo é depositado à céu aberto esperando-se que a ação do tempo
combinada com a ação microbiana o decomponha ( CAVINATTO, 2003 ).
25
Mesmo realizando uma coleta diária, encontramos resíduos dispersos pela
ruas e encostas do bairro da Charneca (figura 3).
Figura 3 Resíduos sólidos jogados em rua da Charneca
Costa e Silva, 2009
Então, não basta coletar e dá um destino aos resíduos, que serão
continuamente produzidos, o que de fato pode ser adotado como solução imediata
para tal problema ambiental é a prática da coleta seletiva e da reciclagem que são
bastante praticadas no mundo desenvolvido, onde habitualmente o material
reaproveitado é depositado em Postos de Entrega Voluntária - PEVs. Cada PEV
apresenta uma cor que identifica o tipo de material a ser depositado, por exemplo:
no recipiente verde deve ser depositado papel e papelão, no azul o plástico, no
recipiente de cor amarela metais e no vermelho o vidro. Mas os municípios que
pensam em adotar tais práticas devem se dotar antes, de infra-estrutura para tal fim,
como possuir usinas de reciclagem e compostagem capazes de absorver todo
material recolhido dos PEV’s (OLIVEIRA; SILVA, 2007).
Promovendo o hábito da reciclagem e da coleta seletiva o poder público pode
reduzir os custos com a limpeza urbana podendo direcionar mais recursos as áreas
26
de educação e saúde além de minimizar os impactos ao meio ambiente
(CAVINATTO, 2003 ; RODRIGUES; CAVINATTO, 2003).
Todavia não podemos cruzar os braços e sempre esperar das esferas
governamentais soluções, então se cada indivíduo tomar consciência de sua
responsabilidade para com o meio ambiente e passar a separar seu lixo doméstico,
depositando o material selecionado nos suportes para lixo que existem na frente das
residências, ou entregando-os diretamente a pessoas que vivem da venda de
material reciclável, reaproveitando casacas de verduras, frutas fazendo uso de
novas receitas, não teremos tanto desperdício, em país onde a fome está presente.
O óleo de frituras por outro lado que não deve ser reaproveitado na cozinha em
função dos danos a saúde que pode provocar, pode muito bem ser transformado em
sabão, ou seja, existe uma outra alternativa em seu reaproveitamento.
Bárbara (1993) enuncia ações que constam no quadro 3 e no seu ponto de
vista podem ajudar a reduzir o lixo doméstico e reciclar.
Quadro 3
Dicas Para Reduzir e Reciclar o Lixo Doméstico
Reduzindo o Lixo
Reutilizando o Reciclado
Não Aceite saco de papel ou plástico, se Roupas usadas podem ser dadas a
vai jogar fora depois;
outras pessoas;
Escreva nos dois lados do papel ou use Brinquedos, livros, jogos velhos podem
papel reciclado;
Compre
ser usados por outros;
bebidas
com
vasilhame As sobras de alimentos podem ser
reaproveitável;
Evite
comprar
embalagens.
Fonte: Bárbara, 1993
dadas a animais;
alimentos
com
muitas Doe os jornais, revistas para escolas ou
entidades que recolham.
27
As dicas acima, não são uma receita pronta o que as tornaram válidas, é a
conscientização da sociedade para práticas cotidianas redutoras do desperdício e
matenedoras do bem-estar.
2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas
As áreas colinosas do Cabo de Santo Agostinho particularmente da Charneca
foram ocupadas de forma espontânea e desordenada (figura 4), não se
diferenciando das outras áreas que integram a Região Metropolitana do Recife RMR. Estando a escolha por tais áreas atreladas a dois fatores: disponibilidade por
terras e o baixo valor imobiliário.
Figura 4 Área colinosa do bairro da Charneca
Costa e Silva, 2009
A origem da população que passou a habitar tais áreas está associada ao
fluxo migratório do Agreste e Sertão pernambucano do século XX, cujo objetivo do
deslocamento consistia na melhoria da qualidade de vida na capital diante das
dificuldades em suas áreas de origem. Sendo os migrantes detentores de força de
vontade e coragem, porém desprovidos de recursos financeiros e assim acabaram
28
habitando terrenos considerados inóspitos do ponto de vista sócio-econômico, pois
não possibilitavam a implantação de empreendimentos como por exemplo
shoppings (CAMPOS, 2003).
Cabe lembrar que parte da área colinosa se encontra ocupada com a cultura
da cana-de-açúca (figura 5) e criatório de animais através do sistema extensivo, este
fato está ligado ao processo de colonização sofrido pelo Nordeste brasileiro, onde a
exploração da terra se fez a partir da empresa açucareira no século XVI. A
persistência
da
cultura
canavieira,
também
gera
transtornos
ambientais
caracterizados pela perca da fertilidade do solo.
Neste processo de ocupação a vegetação nativa é retirada, cortes são
realizados nas encostas sem prévia consideração dos aspectos físicos-naturais o
que associado as condições climáticas locais, onde os invernos são geralmente
rigorosos apresentando índices pluviométricos elevados, em alguns momentos
superiores a 2000 mm anuais, agravam os movimentos de massa, mais conhecidos
por deslizamento de encostas.
Figura 5 Área colinosa na Charneca com cultura canavieira
Costa e Silva, 2009
29
O alto índice pluviométrico amplia a ocorrência dos processos erosivos, ou
seja, deslizamentos das barreiras, já mencionado, além de alagamentos nas áreas
mais baixas devido a redução da área para infiltração das águas pluviais que se
encontram ocupadas com moradias precárias e de baixo valor imobiliário.
No tocante a vegetação nativa, mais conhecida por mata atlântica, sua
retirada irracionalmente pela ação antrópica como afirma Ferreira e Bezerra (2007)
gera transtornos gravíssimos, dentre eles temos:
•
deslizamento de encostas;
•
erosão acelerada até formação de voçorocas;
•
redução da capacidade de armazenamento de água em reservatórios;
•
assoreamento dos reservatórios e cursos de água, gerando inundações;
•
extinção de fauna ;
• proliferação de doenças como a leishmaniose, cujo mosquito transmissor
migra das áreas desmatadas para as áreas urbanizadas.
E conforme Correa (2006) independe da retirada da cobertura vegetal original,
seja para a implantação de atividades agrícolas ou o estabelecimento de moradias a
falta de vegetação gera dois problemas diretos, principalmente na área de encostas
da Região Metropolitana do Recife - RMR: o aumento da infiltração e do escoamento
superficial que gera a erosão.
Assim, diante dos problemas que a retirada da vegetação pode causar se faz
necessário à conservação do que ainda resta perante sua importância na
manutenção do equilíbrio ambiental (figura 6), já que para Ferreira e Bezerra (2007)
atua como:
•
retentora e estabilizadora dos solos;
•
amortecedora da chuva, favorecendo a infiltração da água;
•
impede um maior carreamento de sedimentos diminuindo a erosão;
•
integradora do ciclo hidrológico;
•
produtora de sombras, o que permite a manutenção da temperatura ;
•
fornece oxigênio através da fotossíntese;
•
refúgio de fauna;
30
•
amenizadora da poluição atmosférica e da propagação de resíduos;
• responsável pela potencialidade e pela qualidade do manancial para o
abastecimento de água.
Figura 6 Resquício de mata atlântica na Charneca
Costa e Silva, 2009
Senão atentarmos, diante de tanta importância da vegetação vamos nos deparar
num futuro próximo com o agravamento de problemas que já interferem na
qualidade de vida das populações urbanas: o ar impuro, a água potável escassa,
além do aumento incondicional da temperatura.
E em condições adversas os próprios habitantes de áreas urbanas e
colinosas, por não terem conhecimento dos possíveis transtornos na ocupação
irregular e indevida são os que mais sofrem as consequências por vezes fatal, pois
colocam a vida em risco.
31
CAPÍTULO III
UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NA ESCOLA JOÃO CIRÍACO
Ao longo dos anos lecionando na Escola João Ciríaco percebemos a
necessidade de despertar no alunado a consciência ambiental, assim surge nossa
proposta para exercitar de maneira interdisciplinar a Educação Ambiental tendo a
Geografia como viés a partir da realidade no entorno da escola
3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João
Ciríaco
A Escola João Círiaco (figura 7) pertence a rede pública de ensino do governo
municipal do Cabo de Santo Agostinho e localiza-se no bairro da Charneca, sendo
inaugurada em 1999.
Figura 7 Escola João Ciríaco
Costa e Silva, 2009
32
A escola supracitada oferece a comunidade local Ensino Básico, nas
modalidades Fundamental I, Fundamental II e Educação de Jovens e Adultos – EJA,
com um total de quinhentos e oitenta e quatro alunos.
Atualmente seu corpo administrativo é formado por três pessoas: duas
diretoras e uma secretária, enquanto o corpo docente apresenta vinte integrantes,
sendo sete dedicados ao Ensino Fundamental I e os outros ao Fundamental II e a
Educação de Jovens e Adultos - EJA.
O conjunto educacional conta com uma boa infra-estrutura, constituído por
oito salas de aula amplas que apresentam boa iluminação e ótima ventilação. Além
de uma biblioteca (figura 8) dotada de recursos didáticos como livros, DVD, TV,
aparelho de som, que podem auxiliar numa abordagem mais atrativa dos conteúdos
tornando o processo de ensino aprendizagem mais prazeroso.
Ainda apresenta com uma cozinha onde a merenda é preparada, sala de
professores, sala destinada à gestão, seis banheiros, um pátio coberto e um jardim
bastante conservado.
Figura 8 Biblioteca da Escola João Ciríaco
Costa e Silva, 2009
33
3.2 Geografia e Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos
a Consciência Ambiental
A Geografia desde seus primeiros ensaios na Antiguidade, ainda que se
constituísse em uma ciência de síntese e descrição das paisagens terrestres
apresentava o meio ambiente permeando seus estudos. Porém, com a
determinação de seu objeto de estudo no qual o homem passa a ser visto como
integrante ativo do meio ambiente, que promove ações muitas vezes incoerentes
resultantes em degradação do meio ambiente. E tais ações são percebidas e
enfatizadas nos estudos da Geografia, o que a torna uma ponte sólida na formação
de uma consciência ambiental, se tornando uma parceira incondicional da Educação
Ambiental através do ato de educar. Já que conforme Dias (2005) o analfabetismo
ambiental é a maior ameaça à sustentabilidade do ser humano na terra, estando a
sobrevivência da espécie humana na dependência da efetividade do ato de educar
que conduzirá a uma ampliação do campo da perspicácia e mudanças nas atitudes
as quais serão traduzidas pela palavra responsabilidade.
Então a partir de um enfoque geográfico, apoiado no Projeto Político
Pedagógico da escola e dos PCN’s temos um caminho para a formação da
consciência ambiental que será construída pelo processo de aprendizagem que
aproxima o aluno da sua realidade, buscando assim sua sensibilização, despertando
o intimo, mexendo com seu lado emocional desencadeando novas formas de ver e
relacionar-se com o mundo, de maneira tal, que promova a valorização, a proteção
da natureza e a gestão racional dos recursos naturais (PELICIONI, 2005).
Mas, para um êxito numa proposta educacional que evidencie o exercício da
Educação Ambiental precisamos de uma prática pedagógica onde o aluno participe
ativamente do processo de ensino e de aprendizagem sempre apoiado no que lhe
cerca, na sua vivência, de maneira a refletir e questionar formando suas opiniões.
Isto pode ser obtido desenvolvendo a prática crítico-social dos conteúdos,
pois seus pressupostos pedagógicos fomentam o princípio de uma formação crítica
do educando.
34
Para Libâneo (1986) os pressupostos da prática pedagógica supracitada
consideram a aprendizagem como um ato de conhecimento a partir da realidade
concreta, isto é, da situação real vivida pelo aluno, num processo de compreensão,
reflexão e crítica, como instrumento para interferir e modificar a realidade.
Assim, o processo em si deve se constituir em uma aprendizagem
significativa, supondo em primeiro lugar, a verificação dos conhecimentos prévios do
aluno, para em seguida, ampliar, reorganizar e sistematizar o conhecimento que o
aluno já traz consigo.
Como ainda denotam, os pressupostos, o professor por ser peça fundamental
na promoção da prática crítico-social, que se viabiliza no diálogo e na
problematização das abordagens feitas em sala de aula, permitindo a criança a
reconhecer o conhecimento científico através de debates e da construção coletiva
das idéias e pensamentos, deve desencadear o ensino e a aprendizagem num
processo dinâmico de ação-reflexão-ação e não
um processo resultante da
mecanicidade muitas vezes deveras utilizada pelos docentes em suas aulas.
Então se o docente adotar uma prática pedagógica onde o aluno é visto não
como um gravador que repete, repete e repete as informações de uma aula, mais
passa ser um elemento chave na aprendizagem, onde é estimulado a pensar e
expor seus argumentos e idéias sendo guiado por um diálogo democrático temos um
caminho na formação de cidadãos críticos e ativos capazes de construir uma
sociedade mais justa.
Porém, não devemos esquecer que neste processo a escolha dos conteúdos
a ser abordado em sala de aula e as situações didáticas precisam estar em
consonância ao propósito de garantir ao aluno a participação no processo de ensino
aprendizagem, pois o mesmo é um ser ativo neste processo (REIGOTA, 2001).
Daí nosso ponto de partida para elencar os conteúdos abordados nas aulas
não só de Geografia como nas disciplinas afins constituem os três blocos temáticos
sugeridos pelos PNC’s: os ciclos da natureza, sociedade e meio ambiente, manejo e
conservação ambiental.
35
O primeiro bloco conteudista, evidenciado pelo quadro 4, busca a
compreensão dos processos da natureza como dinâmicos e sujeitos a alterações de
ordem antrópica e um deles é o ciclo da água. Assim, são levantadas indagações
sobre a interferência do homem e suas consequências (PCN’s, 1998).
Quadro 4
Conteúdos do Bloco Ciclos da Natureza
CONTEÚDOS
•
escalas geológicas de tempo e de espaço para compreensão da vida;
•
gravidade da extinção de espécies e da alteração irreversível de ecossistemas;
•
alterações nos fluxos naturais em situações concretas;
•
alterações na realidade local a partir do conhecimento da dinâmica dos
ecossistemas mais próximos;
•
outras interpretações das transformações na antureza;
Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998
O segundo bloco, exposto no quadro 5, a abordagem é mais diretas sobre a
relação do homem com o seu meio de vida, como por exemplo: interagir sem agredir
o meio ambiente e a sociedade (Ibid).
Quadro 5
Conteúdos do Bloco Sociedade e Meio Ambiente
CONTEÚDOS
•
reconhecer os tipos de uso e ocupação dos solo na localidade;
•
influência entre os vários espaços;
•
valorização da diversidade cultural na busca de alternativas de relação entre
sociedade e natureza;
•
análise crítica de atividades de produção e práticas de consumo;
Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998
36
O terceiro e último bloco conteudista, como mostra o quadro 6, apresenta
conteúdos que convergem para a conservação e manutenção da qualidade dos
recursos naturais, permitindo identificar alterações provocadas na forma de
exploração do meio ambiente local possibilitando desenvolver o senso crítico
ampliando o campo da discussão e busca de soluções pelo aluno e pela
comunidade (Ibid).
Quadro 6
Conteúdos do Bloco Manejo e Conservação Ambiental
CONTEÚDOS
•
valorização
do
manejo
sustentável
como
busca
de
uma
nova
relação
sociedade/natureza;
•
crítica ao uso de técnicas incompatíveis com a sustentabilidade;
•
levantamento de construções inadequadas em áreas urbanas e rurais;
•
conhecimento dos problemas causados pelas queimadas nos ecossistemas
brasileiros;
•
conhecimento e valorização de alternativas para a utilização dos recursos naturais;
•
conhecimento e valorização de técnicas de saneamento básico;
•
conhecimento e valorização de práticas que possibilitem a redução na geração e a
correta destinação do lixo;
•
conhecimento de algumas áreas tombadas como Unidades de Conservação;
•
reconhecimento das instâncias do poder público responsáveis pelo gerenciamento
das questões ambientais;
Fonte: PCN Ensino Fundamental II Temas Transversais - Meio Ambiente, 1998
Tendo este direcionamento para escolha dos conteúdos envolvendo questões
ambientais, a pedagogia crítico social dos conteúdos e o Plano Político Pedagógico
da Escola João Ciríaco propomos ações para a o exercício da Educação Ambiental
de forma conjunta com as disciplinas de Língua Portuguesa, História, Ciências,
Educação Artística, Matemática e Geografia.
A
priori
desenvolveremos
interdisciplinaridade:
as
seguintes
atividades
na
ótica
da
37
• em datas que denotem o meio ambiente, ou algum elemento que o integre,
como semana do meio ambiente, dia mundial da água, dia da árvore realizar
caminha ecológica com distribuição de muda de árvores, realizar um mutirão com
alunos de toda escola para retirada de resíduos sólidos do rio Pirapama;
•
promover ciclo de palestras juntamente com os agentes de saúde que
atendem a área sobre poluição e suas conseqüências para a saúde do homem e do
meio ambiente;
•
implantar a coleta seletiva na escola;
• promover aulas-passeio, ou melhor, trabalhos de campo tanto na comunidade
em que a escola está inserida como extrapolar seus limites territoriais ampliando a
visão da realidade ambiental do aluno;
• elaboração de um jornal mensal, onde o alunado terá canal aberto para
denunciar agressões ao meio ambiente, como ainda dá respectivas soluções;
•
elaboração de uma cartilha ambiental junto aos alunos do Ensino
Fundamental I;
• incentivar a participação mais efetiva do corpo docente nas atividades
ambientais promovidas pela Secretaria de Meio Ambiente em parceria com a
Secretaria de Educação do município do Cabo de Santo Agostinho de maneira a
estender as experiências ao alunado;
Ainda em paralelo às atividades interdisciplinares, sugerimos algumas
atividades para serem desenvolvidas nas aulas de Geografia diante de sua
proximidade com a Educação Ambiental e com os conteúdos que envolvem a
temática meio ambiente de maneira a reafirmar o objetivo de construir a consciência
ambiental através da sensibilização do aluno ao colocá-lo frente a frente com a
realidade ambiental de sua comunidade.
3.3 Sugestões de Atividades Para Aulas de Geografia a Partir da
Temática Meio Ambiente
1ª Sugestão de Atividade
Trabalhando o tema Lixo.
38
Nesta atividade o professor deve esclarecer o que pode ser considerado lixo e
as formas de lixo, chamando a atenção que hoje nem tudo que jogamos fora pode
ser considerado lixo, existindo um reaproveitamento e consequentemente reduzimos
a carga de resíduos jogados sem cautela em qualquer lugar.
Procedimento da atividade:
O professor pode dividir a turma em grupos e em cada grupo deixar material
tipo: latas de ferro ou alumínio, garrafas PET, papéis, sacolas plásticas, jornais,
revistas, embalagens de maionese, etc. Logo depois levantar o questionamento: O
que representa todo este material para eles (alunos)? E diante dos questionamentos
apresentados proceder com a definição de lixo e apresentar suas formas. Mantendo
os grupos deve sugerir que elaborem painéis que chamem atenção para o que deve
ser considerado lixo ou não.
2ª Sugestão de Atividade
Trabalhar com o tema: o destino do lixo de sua comunidade.
Com
esta
temática
o
professor
pode
levar
a
formação
de
uma
conscientização por parte do aluno para os problemas que o destino incorreto do lixo
pode trazer e provocá-los a pensar em soluções.
Procedimento da atividade:
Após esclarecer o que é lixo e suas formas de classificação o professor pode
sugerir para que cada aluno faça um croqui do seu trajeto até a escola, localizando
neste os focos de lixo á céu aberto.
3ª Sugestão de Atividade
Trabalhar o tema reciclagem e coleta seletiva
39
Ao trabalhar tal temática na sala de aula o professor deve estimular o hábito
no aluno de separar o material reciclável do não reciclável em suas residências e na
escola.
Procedimento da atividade
Em aulas prévias o professor deve questionar a importância da coleta seletiva
e da reciclagem como alternativas na conservação do meio ambiente. Para em aulas
posteriores, propor a elaboração de quatro recipientes para comportar material
reciclável na sala de aula, sendo um verde, uma amarelo, um vermelho e um azul. E
todo material recolhido deverá ser repassado a catadores do bairro.
4ª Sugestão de Atividade
Trabalhando a temática poluição dos recursos hídricos.
Através da abordagem da poluição hídrica denotar a importância para
manutenção dos mananciais de água potável que ainda restam e que podem
assegurar a sobrevivência das gerações futuras da espécie humana.
Procedimento da Atividade
Levar os alunado para uma aula-passeio num curso de água mais próximo da
comunidade, no nosso caso o Pirapama. E diante de um fato real expor todos os
transtornos possíveis oriundos da poluição das águas. Em seguida realizar
conjuntamente uma limpeza das margens separando o que pode ser reciclável
dando um novo destino a tais resíduos e colocar em exposição no pátio da escola ou
na biblioteca.
5 ª Sugestão de Atividade
Trabalhando o tema água fonte de vida
40
Ao abordar a importância da água para a vida de todos os seres que habitam
nosso planeta, o professor deve provocar a sensibilidade do aluno e sua
responsabilidade em usar um recurso natural tão precioso racionalmente evitando
seu desperdício.
Procedimento da atividade
O professor deve iniciar sua aula com a música Terra Planeta Água de
Guilherme Arantes. Após repetir várias vezes, pode repassar a cada aluno folha de
papel, lápis em cores e solicitar que através de desenhos livres expressem situações
reveladas pela letra da música.
6ª Sugestão de Atividade
Trabalhando o tema: mata atlântica e sua devastação
Ao colocar em exposição tal temática o professor deve evocar o papel do
aluno como cidadão na conservação do meio ambiente e especialmente dos
resquícios da mata atlântica salvo sua importância.
Procedimento da atividade
Convocar o alunado para um aula-passeio a áreas onde existam resquícios
de mata atlântica e abordar no decorrer da aula a importância na manutenção
destas áreas verdes em meio ao espaço urbano, as consequências de sua
devastação como também suas características florísticas e faunísticas. Instruindo
quanto ao registro de imagens da área e de todo o trajeto da aula. Numa aula
seguinte orientar o alunado na construção de um painel fotográfico denunciando a
agressão ao ecossistema mata atlântica, como na confecção de um relatório
avaliativo da situação testemunhadas.
41
CONCLUSÃO
Toda prática pedagógica ao abordar a temática meio ambiente deve ser
repensada para não mascararem os problemas existentes através de uma ótica
poética embutida na exposição de conteúdos ambientais, como ainda cada
educador deve ter plena consciência de sua responsabilidade como mediador na
formação do cidadão através de um processo de ensino e aprendizagem em que
envolve o aluno na construção do conhecimento, na formação de opiniões e ideais.
Para tanto, é necessário aproximar o aluno dos fatos que o cercam buscando
a interação do educando com sua realidade ambiental até mesmo socioeconômica,
que muitas vezes dita sua relação com o espaço em que vive. Além de promover a
sensibilização a partir da percepção aguçada em vista a metodologia a dotada pela
escola e por seus educadores. Então deve-se utilizar uma metodologia estimuladora
dos sentidos e facilitadora da assimilação crítica do que lhe é apresentado por parte
do educador e da sociedade em geral.
E diante da necessidade de formar cidadãos críticos dotados da consciência
ambiental e de responsabilidade que se expressem através de suas práticas
cotidianas, seja num ambiente escolar ou na comunidade em que vivem a Escola
João Ciríaco tendo a Geografia como viés no exercício de práticas ambientais
sustentáveis assume um compromisso em desenvolver a postura crítica de seu
alunado com as atividades e ações propostas validando os princípios e objetivos da
Educação Ambiental.
Assim, educar não consiste meramente em repassar conteúdos, mas em
levantar questionamentos, mediar a formação de opiniões, quebrar tabus, modificar
estruturas e formas de pensar. Sabemos que é uma tarefa difícil com muitos
percalços e obstáculos, contudo se fazemos valer nossos ideais de uma Educação
de qualidade porque não começar a mudança a partir de nossa escola.
42
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RIBEIRO, Márcio Willyam. Os conteúdos ambientais em livros didáticos de
Geografia do 1º e 2 º ciclos no ensino fundamental. Paraná: 2006. 109 f.
Dissertação (Mestrado) Setor de Educação-UFPA.
SCHIVARTCHE, Fábio. Poluição urbana : as grandes cidades morrem. Você
pode salvá-las. São Paulo: Editora Terceiro Nome-Mostarda Editora, 2005.
SOUZA, Cecília Maria Alexandre; RUFIANO, Maria Auxiliadora. Problemas
geoambientais do rio Jaboatão: uma contribuição do ensino da geografia à
educação ambiental. Belo Jardim-PE: 2007. 27 f. Monografia (Especialização).
Departamento de Geografia. Faculdade de Formação de Professores de Belo Jardim
- FABEJA.
VICTORIANO, Célia Jurema Aito. Canibais da Natureza: educação ambiental,
limites e qualidade de vida. Petrópolis/RJ: Vozes, 2000.
44
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTOS
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS ÂMBITOS MUNDIAL E
NACIONAL
10
1.3 Os ensaios para a consolidação da Educação Ambiental
1.2 Os caminhos da Educação Ambiental no Brasil
11
15
CAPÍTULO II
OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DO ENTRONO DA ESCOLA JOÃO CIRÍACO NO
MUNICÍPIO DO CABO DE SANTO AGOSTINHO - PE
18
2.1 A Poluição do Rio Pirapama
2.2 A Poluição por Resíduos Sólidos
2.3 Ocupação Desordenada de Áreas Colinosas
18
22
27
CAPÍTULO III
UMA PROPOSTA PARA O EXERCÍCIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA
JOÃO CIRÍACO
31
3.1 Localização e Caracterização Físico-Espacial da Escola João Ciríaco
31
3.2 Geografia Educação Ambiental: Estratégias Para Alcançarmos a Consciência
Ambiental
33
3.3 Sugestões de Atividades para Aulas de Geografia a Partir da Temática Meio
Ambiente
37
45
CONCLUSÃO
41
REFERENCIAS
42
ÍNDICE
44
FOLHA DE AVALIAÇÃO
46
46
FOLHA DE AVALIAÇÃO
Nome da Instituição: Universidade Candido Mendes
Título da Monografia: Uma Proposta Educacional Voltada ao Exercício da
Educação Ambiental Como Estratégia Para Conservação do Meio Ambiente o
Caso da Escola João Ciríaco no Município do Cabo de Santo Agostinho-PE.
Autor: Eduardo Rogério Braga Costa e Silva
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