UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI FÁBIO CARLOS DA SILVA ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICOECONÔMICA COM SOLUÇÃO DE ENGENHARIA PARA O ELEVADO COSTA E SILVA – MINHOCÃO SÃO PAULO 2007 FÁBIO CARLOS DA SILVA ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICOECONÔMICA COM SOLUÇÃO DE ENGENHARIA PARA O ELEVADO COSTA E SILVA - MINHOCÃO Trabalho de Conclusão de Curso como exigência parcial para a obtenção do Título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi. Orientador: Prof. Dr. WILSON SHOJI IYOMASA SÃO PAULO 2007 ii FÁBIO CARLOS DA SILVA ESTUDO DE VIABILIDADE TÉCNICOECONÔMICA COM SOLUÇÃO DE ENGENHARIA PARA O ELEVADO COSTA E SILVA - MINHOCÃO Trabalho de Conclusão de Curso como exigência parcial para a obtenção do Título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi. Trabalho___________________em:____de______________________de 2007 _____________________________ Prof. Dr. Wilson Shoji Iyomasa _____________________________ Dra. Eng. Gisleine Coelho de Campos Comentários: ____________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ iii Dedico essa pesquisa aos Engenheiros que, assim como eu, acreditam em um futuro de qualidade para a Construção Civil Brasileira. iv AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu filho, por suportar a ausência do pai durante os estudos, que foi e será realizado sempre em busca da melhor condição de trabalho. A todos os professores do Curso de Engenharia Civil, pela paciência demonstrada nas aulas, tendo como objetivo principal o entendimento do conteúdo proposto. Ao Prof. Dr. Wilson Shoji Iyomasa, orientador desta pesquisa, pela dedicação e atenção e por tornar possível a realização desta. A todos meus amigos, pela paciência dispensada nos momentos em que tive que me ausentar das conversas, passeios e festas, para que fosse realizado este estudo. Aos colegas de trabalho, pela força e companheirismo desempenhados dentro e fora da empresa, nunca deixando que minha motivação diminuísse. A todos da empresa PLANOS ENGENHARIA que de alguma maneira colaboraram para o desenvolvimento dos meus estudos acadêmicos, assim como na elaboração deste estudo. v RESUMO O elevado Costa e Silva - “Minhocão”, foi construído, em 1970, a partir da necessidade de ligar as regiões Leste-Oeste da cidade de São Paulo. Entretanto, essa via trouxe problemas para a região central da cidade, como poluição sonora, visual, ambiental, degradação dos imóveis locais, do comércio e desvalorização da área do entorno. Essa via elevada passa a aproximadamente 3 (três) m da janela dos apartamentos, tirando a privacidade dos moradores e perturbando o sono com o barulho dos automóveis. Assim, o presente trabalho traz estudos de algumas alternativas de projetos como solução para o problema do elevado, que vão desde a demolição até a sua permanência. As alternativas contemplam obras em vias elevadas e/ou em túnel, assim são apresentadas metodologias executivas de via em túnel com os processos em NATM e em “Shield”, e vias elevadas com diversos processos, destacando-se a técnica de balanços sucessivos. Uma das alternativas sugeridas foi a construção de um novo corredor de tráfegos Leste-Oeste, mantendose parte da atual via elevada. Para isso, foi prevista a instalação de abafadores de som e a execução da reurbanização do entorno do elevado como medida mitigadora dos impactos destacados, tendo em vista que essa nova via captaria todo o tráfego que se destina às regiões leste e oeste de São Paulo. Para a construção dessa alternativa em substituição ao elevado atual Costa e Silva foi previsto, preliminarmente neste estudo, um período de 3 anos para instalação dos abafadores de som e construção do boulevard superior e de mais 3 anos para a construção da via Leste-Oeste. Palavras Chave: Elevado, “Minhocão”, Estudo de Viabilidade, Alternativas, Soluções vi ABSTRACT The elevated road called Costa and Silva – or “Minhocão”, was built, in 1970, starting from the need of connecting the East side to the West side of the city of São Paulo. However, this road brought problems for the central area of the city, as sound, visual and environment pollution, degradation of the local properties, for the trade and the depreciation of the neighboring area. This elevated road runs approximately 3 (three) m far from the windows of the apartments, taking the residents' privacy away and disturbing their sleep with the noise of the cars. So, the present work brings the study of some alternatives of projects as a solution for the problem of the elevated road which varies from demolition to its permanence. The alternatives bring works in elevated roads and/or in tunnels, which are presented as executive methodologies of road in tunnel with the processes in NATM and in “Shield”, and elevated roads with several processes, standing out the technique of successive swinging. One of the suggested alternatives was the construction of a new East/West corridor of traffic, keeping the current elevated road. To make it possible, it was foreseen the installation of sound dampers and the execution of re-urbanization works in the neighboring area of the elevated road, as mitigating solution for the outstanding impacts, considering that the new road would capture the whole traffic that is directed to the East and West areas of São Paulo. For the construction of this alternative in substitution of current Costa and Silva elevated road it was foreseen, preliminarily in this study, a period of 3 years for the installation of the sound dampers and the construction of the superior boulevard and 3 years more for the construction of the East/West. Key words: Elevated road, “Minhocão”, Viability Survey, Alternatives, Solutions. vii LISTA DE FIGURAS Figura 5.1 – Vista geral de uma obra de túnel, pode-se observar as seções acabadas e alguns detalhes, como da drenagem interna, pavimento e ciclovia .............................................................................................. 16 Figura 5.2 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em solo. Pode-se observar a execução das enfilagens e o corte transversal do túnel ..... 17 Figura 5.3 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em solo. Na parte superior, detalhe da colocação das cambotas metálicas e execução do concreto projetado .......................................................................... 18 Figura 5.4 – Corte laterais e frontais de um túnel. Na parte superior concretagem do invert provisório. Pode-se notar as cambotas, as enfilagens. Eventualmente, executa-se o aterro do invert provisório para proteção e permitir o trânsito no interior do túnel ................................. 19 Figura 5.5 – Na parte superior: remoção parcial do invert e execução da remoção do rebaixo; escavação total do rebaixo e o prolongamento das cambotas .............................................................. 20 Figura 5.6 – Detalhes dos tratamentos nas frentes de escavação: enfilagens com tubos tipo schedule, Drenagem Horizontal Profunda – DHP, cambotas metálicas ................................................. 21 Figura 5.7 – Detalhes de execução de pavimento de concreto rígido, dentro de um túnel viário ..................................................................... 22 Figura 5.8 – Seqüência de execução de túnel em rocha, mostrando os passos que são seguidos para execução do túnel .......................................... 23 Figura 5.9 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em rocha. Na parte superior execução da perfuração para desmonte da abóboda ............ 24 Figura 5.10 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em rocha. Na parte superior, detalhe da execução de tirantes e na parte inferior pode-se notar a execução de concreto projetado ................. 25 Figura 5.11 – Execução da escavação do rebaixo de um túnel em rocha. Na parte superior, detalhe da execução da perfuração para desmonte do rebaixo ......................................................................... 26 Figura 5.12 – Seqüência de montagem do Shield em poços .................................. 30 viii Figura 5.13 – Couraça do equipamento Shield, utilizada para proteger o equipamento de escavação .............................................................. 31 Figura 5.14 – Detalhe do Backup do Shield, rebocado pelo TBM e se deslocando sobre rodas por dentro do túnel escavado, composto, além das estruturas em forma de pórticos, por vários equipamentos e sistemas necessários aos trabalhos de construção do túnel ............ 32 Figura 5.15 – Detalhe do Backup do Shield, visto por dentro e detalhe de alguns sistemas como iluminação, ventilação e drenagem e do transportador de segmentos ..................................................... 33 Figura 5.16 – Detalhe da montagem dos anéis, como se dá o posicionamento dos segmentos .................................................................................. 36 Figura 5.17 – Método de escavação com Shield. Na parte superior detalhe dos macacos de avanço e na parte inferior o equipamento Shield em processo de escavação ..................................................................... 37 Figura 5.18 – Detalhe da travessia do equipamento de escavação Shield em poços ........................................................................................... 39 Figura 5.19 – O equipamento de escavação Shield quando faz a travessia em estações, no caso de execução de estações do Metrô. Na parte superior observa-se o equipamento por completo em uma travessia, em corte longitudinal ........................................... 40 Figura 5.20 – Esquema ilustrativo de ponte ............................................................ 44 Figura 5.21 – Esquema ilustrativo de viaduto .......................................................... 44 Figura 5.22 – Seqüência de execução de estacas metálicas para vias elevadas onde as fundações sejam projetadas para a execução com estacas metálicas .............................................................................. 55 Figura 5.23 – Seqüência de execução de tubulões a ar comprimido, no caso fundações onde a projeto determine a necessidade de utilizar tubulões ............................................................................................. 56 Figura 5.24 – Seqüência de execução de blocos de concreto, no detalhe os blocos estão sendo executados sobre os tubulões ...................... 57 Figura 5.25 – Vista geral da seqüência executiva de blocos de concreto ............... 58 ix Figura 5.26 – Execução de pilares para obras onde há a necessidade de pilares, pois algumas obras, dependendo do vão, as aduelas são apoiadas direto nos blocos, não havendo necessidade dos pilares ................. 59 Figura 5.27 – Concretagem das aduelas. Na parte superior pode-se observar os apoios diretos nos blocos, sem a necessidade de pilares ............ 60 Figura 5.28 – Seções transversais e longitudinais das aduelas e seção longitudinal dos encontros. Na parte superior observa-se o apoio da fundação em estacas escavadas ....................................... 61 Figura 5.29 – Meia vista e meio corte longitudinais de uma ponte com o processo executivo em balanços sucessivos .................................... 62 Figura 6.1 – Construção do Elevado. (Acervo PMSP) ............................................ 72 Figura 6.2 – Construção do Elevado. (Acervo PMSP) ............................................ 72 Figura 6.3 – Vistas para principais regiões e acessos ............................................ 73 Figura 6.4 – Situação atual do Elevado. (Nilton Fukuda/AE) .................................. 74 Figura 6.5 – Pedestres e ciclistas passeando pelo Elevado aos finais de semana. (TGI 2000) ....................................................................... 75 Figura 6.6 – Domingo no “Minhocão” – bicicletas no lugar dos carros. (www.sampaonline.com.br) ................................................................. 76 Figura 6.7 – Algumas das propagandas que existiam no Elevado antes da Lei “Cidade Limpa” .............................................................................. 77 Figura 6.8 – Vista de uma das alças de saída, ao fundo pode-se observa a quantidade de lixo amontoados no entorno. (TGI 2000) ..................... 78 Figura 6.9 – Motivos para não demolir o “Minhocão”. (Revista Vejinha, 01/02/06) ............................................................................................. 81 Figura 6.10 – Principais eixos de deslocamento ..................................................... 83 Figura 6.11 – Implantação do abafadores para diminuir a poluição sonora ............ 84 Figura 6.12 – Terminal de Integração Pompéia – implantação esquemática .......... 84 Figura 6.13 – Terminal de Integração Pompéia – corte longitudinal ....................... 85 Figura 6.14 – Alternativa 1A – Túnel sob a Avenida do Estado com 3 faixas – em Corte ........................................................................................... 85 Figura 6.15 – Alternativa 1B – Implantação da Via Expressa com 3 faixas – em Corte ........................................................................................... 86 x Figura 6.16 – Alternativa 1B – Túnel sob as vias Rua da Figueira e Avenida Mercúrio com 3 faixas – em Corte ..................................................... 86 Figura 6.17 – Alternativa 1C – Implantação da Via Expressa em Elevado – em Corte ........................................................................................... 87 Figura 6.18 – Alternativa 1C – Implantação da Via Expressa em Elevado – em Planta e em Vista ........................................................................ 87 Figura 6.19 – Demolição do Elevado e implantação de um boulevard inferior ........ 88 Figura 6.20 – Implantação dos abafadores, boulevard, corredor de ônibus elétrico e urbanização ....................................................................... 88 Figura 6.21 – Alternativas 1A e 2A – Traçado em Túnel ......................................... 89 Figura 6.22 – Alternativas 1B e 2B – Novo Traçado ............................................... 90 Figura 6.23 – Alternativas 1C e 2C – Localização do Sistema Proposto ................ 91 Figura 6.24 – Cronograma Físico para a Alternativa 1A ......................................... 96 Figura 6.25 – Cronograma Físico para a Alternativa 1B ......................................... 96 Figura 6.26 – Cronograma Físico para a Alternativa 1C ......................................... 96 Figura 6.27 – Cronograma Físico para a Alternativa 2A ......................................... 96 Figura 6.28 – Cronograma Físico para a Alternativa 2B ......................................... 97 Figura 6.29 – Cronograma Físico para a Alternativa 2C ......................................... 97 xi LISTA DE TABELAS Tabela 5.1 – Impactos e medidas identificadas como possíveis de ocorrer em obras urbanas ..................................................................................... 69 Tabela 6.2 – Comparativo entre as Alternativas com eventual demolição do Elevado ......................................................................................... 95 Tabela 6.3 – Comparativo entre as Alternativas com reaproveitamento do Elevado ......................................................................................... 95 Tabela 6.4 – Resumo do Estudo de Viabilidade para todas as Alternativas ........... 97 xii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS RMSP Região Metropolitana de São Paulo NATM New Austrian Tunneling Method TBM Tunnel Boring Machines PVC Poli Cloreto de Vinila JGH Jet Grouting Horizontal DHP Drenagem Horizontal Profunda EPB Earth Pressure Balanced RN Referência de Nível IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis DEPRN Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais GRAPOHAB Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental DAEE Departamento de Águas e Energia Elétrica DUSM Departamento do Uso do Solo Metropolitano SVMA Secretaria do Verde e Meio Ambiente DEPAVE Departamento de Parques e Áreas Verdes SABESP Saneamento Básico do Estado de São Paulo ELETROPAULO Eletricidade de São Paulo COMGÁS Companhia de Gás de São Paulo DSV Departamento do Sistema Viário CET Companhia de Engenharia de Tráfego xiii SUMÁRIO p. 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................1 2 OBJETIVOS ....................................................................................................3 2.1 OBJETIVO GERAL............................................................................................3 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO...................................................................................3 3 METODOLOGIA DO TRABALHO ...................................................................4 4 JUSTIFICATIVA ............................................................................................. 6 5 OBRAS CIVIS VIÁRIAS PARA TRANSPOSIÇÃO EM ÁREA URBANA ...... 7 5.1. Túneis .......................................................................................................... 7 5.1.1. Histórico ............................................................................................. 7 5.1.2. Métodos Construtivos ...................................................................... 10 5.1.2.1. Método NATM 5.1.2.2. Tuneladoras 5.2. Via Elevada ............................................................................................... 42 5.2.1. Histórico ........................................................................................... 44 5.2.2. Processo de Execução .................................................................... 46 5.2.2.1. Concreto Moldado no Local com Cimbramento 5.2.2.2. Elementos Pré-Moldados para Vãos Extensos 5.2.2.3. Balanços Sucessivos 5.2.2.4. Deslocamentos Sucessivos 5.3. Instrumentação Geotécnica ....................................................................... 64 5.4. Impactos Ambientais ................................................................................. 67 6 ESTUDO DE CASO - O ELEVADO COSTA E SILVA ................................. 71 6.1. Conhecimento do Local ............................................................................. 71 6.1.1. Histórico ........................................................................................... 71 6.1.2. Características Funcionais e Situação Atual .................................... 73 6.1.3. Situação Atual da Ligação Leste-Oeste ............................................ 74 6.1.4. Aspectos Ambientais ....................................................................... 76 xiv 6.2. Propostas de Projeto Básico ..................................................................... 78 6.2.1. Conceituação Básica e Modelo Proposto ........................................ 80 6.2.2. As Alternativas ................................................................................. 80 6.2.3. Concepção Estrutural ...................................................................... 92 6.2.4. Obras de Melhorias Físicas e Operacionais .................................... 93 6.2.5. Características Técnicas .................................................................. 93 6.3. Estudo de Viabilidade Técnico-Econômico ................................................ 94 6.4. Plano de Impacto Ambiental e Impacto na Fluidez do Tráfego ................. 98 7 ANÁLISE CRÍTICA .....................................................................................100 8 CONCLUSÕES ...........................................................................................103 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 105 1 1 INTRODUÇÃO O projeto para construção do Elevado Costa e Silva foi idealizado na gestão do Prefeito Faria Lima (1965-1969), porém esse projeto foi abandonado devido às reações negativas já manifestadas, na época, por técnicos e pela população paulistana. Entretanto, em 1970, o projeto foi retomado por Paulo Maluf, em sua primeira passagem pela prefeitura e, após 11 meses de obras, ergueu-se o elevado, que logo foi batizado por “Minhocão”. Segundo os pesquisadores que estudam a ocupação de centros urbanos, o “Minhocão” não é propriamente uma obra de arquitetura, e sim de engenharia, que causou impacto inegável na paisagem urbana da região central de São Paulo, e contribuiu significativamente para acentuar o processo de deterioração dessa região. Pode-se afirmar que, o “Minhocão”, moderno na época de sua construção, foi fruto da febre mundial dos anos de 1960 e 1970, quando a solução dos problemas viários era a construção de vias elevadas exclusivas para automóveis. Essa solução foi sempre contestada pela população atingida pela múltipla poluição: sonora, ambiental e visual. Além desses problemas e da degradação do ambiente, o Elevado Costa e Silva trouxe outro problema grave para a cidade: o isolamento gradual do centro de São Paulo. Várias atividades econômicas do centro da cidade foram migrando para outras áreas, como a região da Avenida Paulista, depois para as avenidas Faria Lima, Berrini e marginal do rio Pinheiros. Em decorrência da migração das atividades econômicas surgiram outros problemas: a necessidade em expandir o sistema de infra-estrutura, a inserção de novas rotas de tráfego, o aumento da rede de transporte coletivo, entre outros. E é nesse contexto que surgem, atualmente, alternativas de obras civis para a substituição das vias elevadas urbanas que causam impactos ao meio ambiente. 2 Na cidade de São Paulo o “Minhocão” requer uma solução de engenharia que considere a população paulistana, bem como, o histórico da arquitetura da cidade e o meio ambiente urbano. Acredita-se que uma solução técnico-econômica para o “Minhocão” deve trazer qualidade de vida não apenas para os paulistanos, mas também para todos que residem na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP. 3 2 OBJETIVO O presente trabalho tem por objetivo desenvolver estudo e pesquisa sobre a viabilidade técnico-econômica de um empreendimento de obra de engenharia civil de grande porte na cidade de São Paulo. A complexidade do estudo para execução de obra viária em centros urbanos, como a metrópole paulista, oferece uma grande oportunidade para o desenvolvimento desse estudo como tema de trabalho de conclusão de curso de Engenharia Civil. 2.1 Objetivo Geral O objetivo geral deste trabalho é apresentar uma avaliação técnico-econômica de estudos de alternativas para solucionar os atuais impactos causados pelo Elevado Costa e Silva. Tais alternativas técnicas variam desde a remoção completa do elevado até a sua manutenção, porém com perspectiva de uso diferenciado. Como alternativa no caso da remoção total do elevado, estudou-se a substituição por túneis urbanos. E para o caso de sua manutenção foram apresentadas alternativas de uso de parte da estrutura, associada às alternativas de trânsito local. 2.2 Objetivo Específico O objetivo específico do presente trabalho é estudar e avaliar os aspectos positivos e negativos de cada alternativa estabelecida. Destaque especial deve ser dado às potencialidades futuras de cada uma das alternativas, indicando os prováveis impactos ao meio ambiente, decorrentes da construção dessa obra viária urbana. É necessário ressaltar que as alternativas estudadas visam atender a melhoria da qualidade de vida da população paulistana, bem como às necessidades do sistema viário urbano da cidade de São Paulo. 4 3 METODOLOGIA DO TRABALHO A abordagem dada ao trabalho é a de mostrar em primeiro momento, as soluções possíveis, por meio de estudos de alternativas para o Elevado Costa e Silva. Essas alternativas têm como alvos a busca de soluções para as poluições ambiental, visual e sonora, além do objetivo principal que é em dar uma nova solução para a ligação Leste-Oeste, função atualmente desempenhada pelo Elevado Costa e Silva. A primeira parte do trabalho, relativo ao capítulo teórico de estruturas viárias, foi desenvolvida com base em livros, artigos técnicos de periódicos, teses, sites da Internet, em relatórios de Consultoria de Engenharia de Planejamento, visitas ao Elevado, entre outros documentos técnicos. Concluída a etapa de busca de documentos técnicos, passou-se para a etapa da organização dessas informações técnicas direcionada para atender ao estudo de caso. A principal etapa do presente trabalho foi o desenvolvimento do estudo de caso, que exigiu intenso estudo de relatórios já produzidos, bem como a avaliação e análises das alternativas de obras civis propostas ao atual sistema viário existente. Os métodos construtivos de cada uma das alternativas foram avaliados e analisados. Destaque especial no estudo foi dado aos impactos ambientais, sobretudo da poluição sonora, decorrentes da operação da nova alternativa a ser construída. No estudo de caso são apresentadas as 6 (seis) alternativas estudadas para solucionar os problemas causados pelo “Minhocão”. A etapa final do estudo foi a elaboração do presente texto que compõe o trabalho de conclusão de curso de Engenharia Civil. 5 4 JUSTIFICATIVA Em cidades como a de São Paulo, a fluidez do tráfego é fundamental para melhorar a qualidade de vida da população. Contudo, em épocas passadas, em especial nas décadas de 1960 e 1970, as soluções que se buscavam visavam única e exclusivamente a melhoria do tráfego de veículos no centro da cidade. Assim, foram construídos inúmeros sistemas viários em vias elevadas. As grandes cidades do mundo, como Tókio, Nova York, Cidade do México, ainda, sustentam esse tipo de obra, que paulatinamente estão sendo substituídas por obras que além de trazerem soluções ao sistema viário procuram reduzir os impactos ao meio ambiente: visual e sonoro. Nessa linha de solução as obras subterrâneas viárias são as primeiras a serem analisadas. Além disso, as soluções ao sistema viário, também, têm como alvo a revitalização dos centros abandonados, a eliminação de áreas decadentes e, principalmente, a redescoberta da arquitetura dos edifícios históricos. A construção de túneis e viadutos requer o conhecimento de uma série de fundamentos e conceitos técnicos para proporcionar uma ampla visão dos mais variados tipos de sistemas estruturais e construtivos. Nesse sentido, o presente trabalho ofereceu uma grande oportunidade ao aluno em aprofundar no estudo de métodos construtivos de túneis e vias elevadas. Além disso, o estudo de caso trouxe aspectos que devem ser considerados na solução do sistema viários das cidades, como: Ö Verificar e registrar por meio de dados e fotos, o grau de poluição atual da região onde está inserido o Elevado Costa e Silva na Cidade de São Paulo; Ö Compreender as conseqüências de um processo de degradação, que foi causado pelo próprio homem, na sua busca incessante em satisfazer suas necessidades imediatas sem pensar nas gerações futuras; Ö Mostrar quão necessário são os investimentos contínuos para refazer construções, denominadas de “mal necessário”, que um dia procurou solucionar problemas imediatos, como é o caso do Elevado; Ö Apresentar soluções de engenharia para o Elevado, tanto para a manutenção quanto para remoção. 6 A participação do aluno no desenvolvimento do estudo estimulou-o a elaborar o presente trabalho. A facilidade na coleta das informações, a disponibilidade dos dados técnicos, as questões de engenharia civil na busca de soluções ambientalmente corretas, a atualidade do, a necessidade em aprofundar nos estudos de obras de grande porte, como túneis e vias elevadas, também, contribuíram para o desenvolvimento da presente pesquisa. 7 5 OBRAS CIVIS VIÁRIAS PARA TRANSPOSIÇÃO EM ÁREA URBANA São apresentados, em linhas gerais, os principais tipos de obras civis viárias e os processos construtivos para a transposição de áreas densamente ocupadas. Para atender aos estudos da presente pesquisa destacaram-se os túneis viários urbanos e a via elevada. Como os impactos ambientais no meio urbano decorrentes da construção de túneis ou via elevada são distintos, procurou-se, também, dar destaque especial a esse tema. Procurou-se estudar os atuais impactos devido ao uso do elevado Costa e Silva, bem como avaliar os possíveis impactos durante o processo construtivo das alternativas de obra, como na operação do sistema viário implantado. 5.1 Túneis A seguir estão apresentados, em linhas gerais, um breve histórico de túneis e as metodologias de execução existentes para túneis em NATM (New Austrian Tunneling Method) e tuneladora (SHIELD). 5.1.1 Histórico Os túneis existem há milhares de anos e pode ser considerado um dos mais antigos tipos de construção civil realizados pelo homem. Inicialmente eram apenas passagens abertas artificialmente em rochas ou solo, com o intuito de permitir o escoamento de água, acesso às minas e a comunicação mais rápida entre locais, onde o relevo topográfico se colocava como obstáculo. São conhecidos túneis com cerca de 150 m de comprimento desde o Egito Antigo. No ano 532 a.C., os gregos abriram uma galeria de 100 m utilizada para captar água de fontes existentes entre rochas. Há registros de que os gregos 8 iniciavam as escavações simultaneamente nos dois extremos e se encontraram no meio da montanha. Já os romanos usaram os túneis para interligar suas redes de aquedutos, chegando a criar tecnologias, como a aplicação de calor. Essa tecnologia está baseada no princípio de que uma rocha aquecida e resfriada rapidamente quebrase facilmente, devido ao aparecimento de fissuras e trincas, tornando-se mais fáceis para ser escavada. No passado abriam-se túneis sem qualquer estudo prévio do maciço, quanto à natureza dos solos ou das rochas a ser escavada. Esse procedimento ocasionou uma série de fracassos, sobretudo pela ocorrência de fenômenos não previstos, como desmoronamentos e excessiva infiltração de água, que não só encarecia o custo das obras como prolongava de maneira considerável, o período de execução, além de colocar em perigo os trabalhadores das frentes de obra. Esses fenômenos ocorreram mesmo em túneis abertos em regiões consideradas como constituídas inteiramente em rocha de boa qualidade. A escavação de túneis em terrenos brandos, ou pouco competentes, sempre constituiu um grande desafio, finalmente vencido em 1825, por Marc Isambard Brunel, com a construção do túnel sob o Rio Tâmisa mediante avanço de uma couraça (em inglês - shield), que evoluiu com o tempo e hoje se desdobra em diversos tipos de máquinas tuneladoras (Tunnel Boring Machines – TBM) (METRÔ, 2004). Outra grande evolução da técnica de engenharia de túneis é a utilização de máquinas para a escavação em rochas competentes e duras em substituição à escavação com uso de explosivos. Na escavação de rochas, muitas vezes a utilização de couraça pode ser dispensada. No Brasil, o Metrô de São Paulo foi o primeiro a usar uma máquina tuneladora de grande diâmetro, que a população paulistana logo apelidou de “tatuzão”. Esse método construtivo, com diferentes máquinas e tecnologias, foi aplicado desde a Linha 1 (Azul), executada nos anos 70 até o novo projeto da Linha 4 (Amarela), 9 em execução, que previa, inicialmente, a utilização de duas máquinas para a escavação dos túneis ao longo de 12,8 km: uma para escavar o trecho dos sedimentos da Bacia de São Paulo e a outra para rochas alteradas do préCambriano (ROCHA, 2006). A escavação é efetuada por meio de equipamento mecanizado com frente aberta ou fechada, sob a proteção da couraça. Imediatamente atrás, ainda dentro da couraça (eventualmente fora dela quando o maciço permitir) é montado o revestimento segmentado e pré-moldado de concreto ou metálico (METRÔ, 2004). O avanço da máquina se dá pela reação de macacos contra os anéis de revestimento já montados. No caso de escavação com TBM para rocha, sem couraça, o é feito com uso de sapatas ancoradas nas paredes laterais do túnel. A abertura de túneis por esse processo é a mais apropriada para as áreas densamente ocupadas proporcionando: menor impacto na superfície, menor volume de desapropriações, facilidades para o remanejamento de grandes interferências enterradas, reduzidas interrupções do tráfego e preservação do patrimônio histórico. Porém, de aplicação reduzida o que só ocorre em linhas de metrô e túneis de interligação para tráfego de veículos e composições, nas grandes cidades (Rocha, 2006). O presente trabalho enquadra-se em túneis viários, assim destacam-se alguns tipos principais de método de construção dos mesmos, como em maciços rochosos, focando os métodos de construção de túneis em NATM e SHIELD. Devido à vastidão do tema sobre método de construção de túneis, procurou-se priorizar alguns aspectos considerados importantes no presente trabalho. 10 5.1.2 Métodos Construtivos Nos subitens que seguem descrevem-se os dois principais métodos construtivos de túneis: o NATM (New Austrian Tunneling Method); e as tuneladoras, incluindose nessa categoria os denominados Shield e TBM – Tunnel Boring Machine. 5.1.2.1 Método NATM O método NATM ou novo método austríaco de abertura de túneis foi idealizado por Rabcewicz (RABCEWICZ, 1974 e WAGNER, 1970), que aplicou esse método entre 1956 e 1958 na construção de um túnel na Venezuela. O método constitui-se em um processo de construção de túneis, concebido com o desenvolvimento da escavação em várias etapas sucessivas de avanço. Uma das características principais do NATM é a aplicação de estrutura delgada, como chumbadores, e concreto projetado de espessura reduzida (WAGNER, 1970). Na parte superior (abóbada) logo após a abertura aplicam-se os elementos de sustentação e o concreto projetado delgado, e o mais cedo possível, fecha-se a parte inferior da escavação com concreto projetado em forma de arco invertido (invert). Em geral, no meio urbano é necessário ter acesso ao local do túnel, que é feito por meio de um poço de acesso. Além desse poço, que também pode ser escavado pelo NATM, a seqüência executiva desse método, na abertura de um túnel, obedece as seguintes etapas de atividades (MELLO, 1998) Ö Execução parcializada do túnel (abóbada/bancada e/ou side drift) ou em seção plena (total); Ö Revestimento Estrutural: Î Em maciço competente, a instalação de tirantes ou chumbadores esporádicos; Î Em maciço constituído por rocha alterada ou solo, instalam-se cambotas (treliça metálica ou perfil do tipo I, depende do projeto) e tela metálicas; Î Em maciço rochoso fraturado e em solo aplicam-se concreto projetado com alta resistência inicial (é comum o uso de aditivos no cimento); 11 Î Em maciço de solo aplica-se imediatamente o concreto projetado no piso da escavação para constituir o arco invertido (invert) para a estabilização da escavação; Î Ocasionalmente em maciço rochoso e sistematicamente em maciço constituído por solo, executa-se proteção das frentes de escavação por meio de enfilagens (perfuração com argamassa de cimento, em geral, com a inserção de barra metálica ou de PVC) e sistemas de drenagem. O NATM consiste na escavação seqüencial do maciço, utilizando concreto projetado, associado a outros elementos como cambotas e telas metálicas, além de chumbadores e sistemas de drenagem. Recentemente, o concreto projetado com tela metálica vem sendo substituído por concreto com fibra de aço. A aplicação de cada um desses elementos de estabilização depende das características geológico-geotécnicas do maciço (METRÔ, 2004). Em alguns casos, em especial em áreas urbanizadas, para a construção do túnel é necessária a escavação de poço acesso de grande diâmetro para permitir a remoção do material resultante da escavação dos túneis, seja pelo método NATM ou com a utilização do Shield. O poço é utilizado também para a instalação dos equipamentos necessários a execução da escavação dos túneis, suprir de materiais as frentes de escavação, permitir a instalação de redes de utilidades e o sistema de ventilação. Portanto, é necessário construir nas proximidades desse poço um canteiro de obras e serviços de apoio para a execução das tarefas previstas (GEHRING, 1989). Como o método construtivo dos poços de acesso difere um pouco dos túneis, ainda que o NATM seja empregado nos dois tipos de escavação, no presente trabalho não será abordado o método executivo para a construção de poços de acesso. Na construção de túnel pelos princípios do NATM, o avanço do túnel é conseguido mantendo-se tanto quanto possível a qualidade do maciço. O método 12 NATM permite também a execução dos túneis com seção variável, o que se tornaria inviável a escavação do túnel com emprego de Shield ou tuneladora (Rocha, 2006). A escavação do emboque e do túnel, em geral, é feita de forma parcializada, visando, principalmente, evitar a instabilização na frente de escavação e os recalques superficiais. Essa parcialização visa, ainda, minimizar o tempo de aplicação dos elementos de estabilização (tirantes, chumbadores, concreto projetado, etc.) e manter a qualidade do maciço. Os controles tecnológicos são necessários e fazem parte do NATM. Devem ser realizados os ensaios do concreto projetado, nos materiais empregados, como brita, cimento, areia, aço, entre outros. Devem ser instalados também dispositivos de instrumentação geotécnica para controle de recalques superficiais e da convergência da seção do túnel, em caráter sistemático e de acordo com o definido no projeto executivo e nas especificações técnicas (NEGRO et al., 1992). Portanto, para os serviços preliminares, que são executados para dar início à construção do túnel pelo método NATM, promovem-se os seguintes tipos de atividade e instrumentação, por exemplo, em regiões onde o nível d’água atinge a cota de escavação do túnel: Ö Rebaixamento do lençol d’água com a instalação de poços profundos com bombas submersas espaçadas, por exemplo, de 9,00 m e localizados lateralmente ao longo do percurso do túnel com seção que pode ser simples ou dupla; Ö Para o monitoramento do nível d’água e para acompanhar a execução da instalação de poços profundos são instalados alguns piezômetros. Para o controle de recalques são instalados em seções transversais ao longo do percurso dos túneis, marcos superficiais e tassômetros. Para iniciar a escavação, em determinadas condições do terreno deve-se, previamente, ser executado o reforço do maciço na periferia da parte superior da calota, que pode ser com a execução de colunas de JGH (Jet Grouting Horizontal) com diâmetro, por exemplo, de 50 cm. 13 Simultaneamente, procede-se a execução nas camadas drenantes, por exemplo de areia, de drenos horizontais profundos com uso ou não de bombas a vácuo. O início da escavação de túnel em solo pelo método NATM, em seção plena, a partir da parede do poço de acesso, é precedido por tratamento no contorno da abóbada por meio de enfilagens. Em seguida, procede-se a demolição parcial do maciço, escavando-o em forma de ferradura, iniciando-se pelo diafragma de concreto do poço ou do concreto projetado, para a conformação da seção de emboque do túnel. Para reforçar a seção de abertura instala-se a primeira cambota da abóbada no alinhamento da quebra da abertura no poço. A instalação dessa cambota, em geral, é feita em quatro etapas, como a seguir descritas: Ö Primeira etapa: lançamento da primeira camada de concreto projetado (por exemplo de ~ 4 cm de espessura) diretamente no solo; Ö Segunda etapa: colocação da cambota treliçada ou perfil I e execução parcial da segunda camada de concreto projetado, com espessura que, dependendo do tipo de maciço e solicitação, pode variar de 10 cm até 35 cm; Ö Terceira etapa: complementação da segunda camada de concreto projetado no passo anterior; Ö Quarta etapa: instalação da tela metálica na face interna e execução da camada final de concreto projetado. A escavação pode ser efetuada com módulos de avanço de 0,80 m, onde o maciço é de baixa resistência mecânica, e de até 2 m onde o maciço é constituído por rocha sã. A escavação para instalação das cambotas, em solo, é executada manualmente, com o emprego de ferramentas pneumáticas, em maciços rochosos usam de explosivos (JOHANSEN e MATHIESEN, 2000). No caso de construção de túneis em solo pelo método NATM, em seção plena, após a instalação de todos os elementos de sustentação (cambotas, chumbadores, concreto projetado na abóbada) e quando o avanço atingir dois diâmetros do túnel, por exemplo, procede-se a remoção de parte do núcleo central de estabilização, e imediatamente executa-se a concretagem do invert. 14 Essa escavação poderá ser executada com o emprego de mini-escavadeiras hidráulicas, sendo o material escavado carregado com uso de dumper e levado até o poço de acesso, e içado por meio de guindaste ou pórtico, instalado na periferia superior do poço. Em seguida o material pode ser basculado em caminhões e transportados para o bota-fora. Nos túneis em solo, quando a escavação atingir o comprimento do tratamento efetuado, por exemplo, 9 m dos 11 m tratados do maciço, procede-se nova campanha de tratamento com a execução de colunas, por exemplo, do tipo JGH com diâmetro que pode atingir 0,50 m. Em geral, a inclinação dessas colunas é de ~10% e o comprimento é o mesmo da etapa anterior, se não ocorrer alteração no maciço em escavação. No caso, da presente descrição haverá um transpasse de aproximadamente 2,00 m entre as duas séries de colunas de JGH. No caso de escavação de grande diâmetro, é possível avançar com a escavação parcializada: avanço na abóbada, seguido da remoção do piso (rebaixo) em forma de bancada. Escavações maiores, em solo, com diâmetros superiores a 15 m, exigem que o avanço seja efetuado por meio da escavação de galerias laterais (side drift). Após a escavação dessas galerias remove-se a abóbada, para em seguida promover o rebaixamento do túnel. Para a execução dos últimos metros da escavação de um túnel, seja para a paralisação do avanço, seja para aguardar a chegada da frente oposta, a parede frontal do túnel deve ser protegida por meio tratamento do tipo pregagem ou agulhamento. Esse tratamento consiste em executar colunas horizontais do tipo JGH dispostas e localizadas conforme definido no projeto. Quanto à estabilidade das edificações lindeiras e existentes na região da escavação do túnel deverão ser constantemente monitoradas, por meio de pinos de recalques instalados nas estruturas das edificações. São necessárias campanhas prévias de leituras da instrumentação antes do início das escavações. Para construção dos túneis pelo método do NATM, além da utilização de equipamentos rotineiros para execução de obras e serviços de engenharia civil, 15 são necessários outros sistemas de apoio, imprescindíveis para facilitar a execução dos trabalhos de escavação. Esses principais sistemas necessários são: Ö Sistema de drenagem das águas de infiltração, que devem ser escoados em valetas provisórias até poços de drenagem. Com uso de bombas submersas as águas devem ser conduzidas por meio de tubulações para tratamento adequado, e depois para o destino final ou retornar para o uso na construção do túnel; Ö Sistema de redes elétricas para funcionamento de equipamentos e iluminação; Ö Sistema de ventilação e exaustão; Ö Sistema de comunicação; Ö Sistema de abastecimento de água potável. A instalação desses sistemas deverá ser iniciada antes do início das escavações do túnel, e deverá ser incrementada, mantida e acompanhar o progresso da execução das obras de construção do túnel. As Figuras 5.1 a 5.7 ilustram a metodologia executiva para a concepção de túneis pelo método NATM em solo e as Figuras 5.8 a 5.11 em rocha. Figura 5.1 – Vista geral de uma obra de túnel, pode-se observar as seções acabadas e alguns detalhes, como da drenagem interna, pavimento e ciclovia (PLANOS ENGENHARIA, 2006d). 16 Figura 5.2 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em solo. Pode-se observar a execução das enfilagens e o corte transversal do túnel (PLANOS ENGENHARIA, 2006d). 17 Figura 5.3 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em solo. Na parte superior, detalhe da colocação das cambotas metálicas e execução do concreto projetado (PLANOS ENGENHARIA, 2006d). 18 Figura 5.4 – Corte laterais e frontais de um túnel. Na parte superior concretagem do invert provisório. Pode-se notar as cambotas, as enfilagens. Eventualmente, executa-se o aterro do invert provisório para proteção e permitir o trânsito no interior do túnel (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 19 Figura 5.5 – Na parte superior: remoção parcial do invert e execução da remoção do rebaxio; escavação total do rebaixo e o prolongamento das cambotas (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 20 Figura 5.6 – Detalhes dos tratamentos nas frentes de escavação: enfilagens com tubos tipo schedule, Drenagem Horizontal Profunda – DHP, cambotas metálicas (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 21 Figura 5.7 – Detalhes de execução de pavimento de concreto rígido, dentro de um túnel viário (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 22 Figura 5.8 – Seqüência de execução de túnel em rocha, mostrando os passos que são seguidos para execução do túnel (PLANOS ENGENHARIA, 2006d). 23 Figura 5.9 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em rocha. Na parte superior execução da perfuração para desmonte da abóboda (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 24 Figura 5.10 – Execução da escavação da abóboda de um túnel em rocha. Na parte superior, detalhe da execução de tirantes e na parte inferior pode-se notar a execução de concreto projetado (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 25 Figura 5.11 – Execução da escavação do rebaixo de um túnel em rocha. Na parte superior, detalhe da execução da perfuração para desmonte do rebaixo (PLANOS ENGENHARIA, 2006e). 26 27 5.1.2.2 Tuneladoras Segundo Lunardi (1995), as escavações mecanizadas são cada vez mais comuns e competem, econômica e tecnicamente, com as escavações a fogo. Segundo de Mello (1998), a grande velocidade do avanço, comparada com a escavação a fogo tradicional, e a eliminação do desconforto ambiental provocado pelas detonações, constituem vantagens adicionais importantes. Têm a vantagem, também, de manter a frente e o perímetro do túnel em situação muito estável e segura. Em geral, os maciços, cujas resistências da rocha intacta não ultrapasse 30 MPa, podem ser escavados por escarificação mecânica. Ainda segundo Lunardi (1995), o sucesso destes equipamentos, “Tunel Boring Machines” no caso de escavação em rocha, depende das características e propriedades do maciço, pois devem escavar, sem problemas operacionais, todos os tipos litológicos e feições estruturais, identificados durante a fase de investigações preliminares. “Os raios de curvaturas são limitados, e a presença de água, não identificada nas investigações preliminares, pode representar problemas. Normalmente só são empregados em túneis de mais de um quilometro de extensão, devido a dificuldades de transporte, montagem e mobilização” (LUNARDI, 1995). O processo construtivo consiste em escavação feita mecanicamente por meio de máquinas dotada de cabeça giratória, acionada por motores elétricos. a) Especificação dos equipamentos a serem utilizados Ö Especificação de uma tuneladora O equipamento shield a ser descrito nesse trabalho será um TBM (Tunnel Boring Machine) tipo EPB (Earth Pressure Balanced). Esse tipo de equipamento tem sido fabricado pelas empresas Lovat, a Herrenknecht, a Kawasaki, entre outras empresas. 28 As dimensões são variáveis, e o diâmetro, principal característica construtiva do túnel, mas comum e disponível no mercado situa-se ao redor de 10 m, podendo chegar até 20 m, em casos especiais. As principais partes desse tipo de equipamento são: Î Cabeçote de corte; Î Couraça frontal (dianteira) com o acionamento principal do cabeçote de corte; Î Articulação da couraça, entre a couraça dianteira e intermediária; Î Couraça intermediária; Î Cauda do shield; Î Transportador helicoidal; Î Eclusa de pessoal e material; Î Cabine de operação: com capacidade para 5 pessoas; Î Detector de gases; Î Back-up: rebocado pelo TBM e se deslocando sobre rodas por dentro do túnel escavado, composto, além das estruturas em forma de pórticos, por vários equipamentos e sistemas necessários aos trabalhos de construção do túnel. Esses equipamentos são os seguintes: Correias transportadoras; Transportador de segmentos; Monovias de descarga dos segmentos; Sistema de injeção de argamassa - sistema de grout; Sistema de condicionamento do solo; Sistema de transporte vertical para descarga de tambores de graxa, trilhos, tubos e demais materiais e acessórios; Sistema de telefonia para comunicação entre as várias áreas de serviço; Sistema de combate a incêndios com vários extintores estrategicamente locados; Banheiro, refeitório, escritório e bancada de serviço para apoio às atividades de produção; Tanque de coleta e decantação de águas; Local adequado para estocagem de trilhos e montagem da linha ferroviária dupla para o sistema de transporte ferroviário; 29 Transformadores elétricos e carretéis de cabos de média tensão; Iluminação. b) Montagem do shield A montagem inicia-se com o posicionamento do berço da couraça. Uma vez posicionado o berço, a parte inferior da seção média da couraça é posicionada sobre o berço. A 3ª peça a descer é a parte inferior da seção dianteira da couraça. A 4ª peça a ser posicionada é a parte inferior da cauda da couraça. Uma vez unidas as três partes inferiores da couraça, inicia-se a montagem das partes internas do shield. A peça seguinte a ser montada é a placa circular, onde fica alojado todo o mecanismo de rotação do cabeçote. Em seguida, monta-se o cabeçote de rotação, o eretor, os macacos de avanço, a cabine de operação, as eclusas e assim por diante. Concluída a montagem dos componentes internos do TBM, monta-se a parte superior da couraça do meio, frente e cauda. Concluída essa fase, arrasta-se o shield para dentro do túnel de emboque, abrindo espaço para a montagem do último pórtico do back-up, que participa do sistema provisório de produção para o início de operação do TBM. Concluída essa montagem, esse pórtico deve ser deslocado para dentro do túnel de transição previamente escavado, em geral pelo método NATM, abrindo-se novamente o espaço para iniciar a montagem do penúltimo pórtico do back-up; segue-se nessa seqüência até que todo o sistema de partida esteja montado. Após o TBM executar o comprimento de túnel necessário para abrigar o restante do back-up, a operação do TBM deve ser interrompida e executa-se a montagem do sistema definitivo de produção. Além do back-up completo, instala-se o pátio ferroviário com basculadores de vagonetas e desvios necessários para atender ao ciclo de produção da máquina. As Figuras de 5.12 a 5.15 ilustram a montagem do Shield, a Couraça, o Backup. Figura 5.12 – Seqüência de montagem do Shield em poços (PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 30 Figura 5.13 – Couraça do equipamento Shield, utilizada para proteger o equipamento de escavação (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 31 Figura 5.14 – Detalhe do Backup do Shield, rebocado pelo TBM e se deslocando sobre rodas por dentro do túnel escavado, composto, além das estruturas em forma de pórticos, por vários equipamentos e sistemas necessários aos trabalhos de construção do túnel (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 32 Figura 5.15 – Detalhe do Backup do Shield, visto por dentro e detalhe de alguns sistemas como iluminação, ventilação e drenagem e do transportador de segmentos (PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 33 34 c) Procedimentos de escavação Para se iniciar a escavação com o TBM, é necessário verificar os seguintes itens: Ö O último anel montado deve estar fechado, ou seja, todos os segmentos completamente montados e todos os parafusos do anel apertados; Ö Deve estar à disposição vagonetas de terra vazias estacionadas e prontas para serem carregadas; Ö As redes de água, de drenagem e as redes de linhas elétricas devem ser verificadas quanto à possibilidade do avanço de mais um anel; Ö O reservatório de argamassa deve conter material suficiente para o avanço de um anel; Ö O sistema de condicionamento do solo deve estar abastecido e pronto para iniciar a operação; Ö O sistema de força de avanço deve estar programado, ou seja, cada pistão de avanço deve estar com sua pressão de trabalho previamente regulada; Ö A pressão do solo na frente de escavação deve estar previamente estabelecida, de acordo com as condições geológicas do local a ser escavado, e considerado o cuidado extra, no caso de haver construções na área de influência da escavação do TBM; Ö Os dados de controle de recalques da superfície e de prédios próximos devem ser de conhecimento do operador e esse deve estar preocupado em minimizar esses recalques. As pressões a serem aplicadas pela máquina no solo à frente e a pressão da argamassa a ser injetada no espaço anelar atrás são os principais meios de controle de recalques. Uma vez que o TBM começa a escavar e avançar ao mesmo tempo, essa será a operação mais crítica do ciclo. Toda a equipe deve estar alerta e quase todos os sistemas de produção deverão estar sendo solicitados. A velocidade em que a máquina escavar é função da capacidade de cada sistema individualmente; por exemplo, se faltar vagoneta de transporte de terra vazia, argamassa, graxa para a injeção ou aditivo para condicionamento do solo, a escavação deve ser interrompida. 35 Durante a escavação ocorre o avanço da máquina e, portanto, todas as dificuldades de dirigibilidade também ocorrem nesse momento. Além da geometria do eixo projetado do túnel, a geologia interfere bastante na dirigibilidade da máquina. Assim, à medida que o tipo de material escavado for se alterando, a máquina responde de forma diferente e as pressões dos pistões de avanço precisam ser corrigidas. Deve-se também redobrar a atenção com relação à rotação da máquina. Como durante a escavação o cabeçote de corte aplica um momento de torção na máquina, essa, por ser cilíndrica, girará em torno de seu próprio eixo. Essa rolagem da máquina deve ser controlada dentro de certos limites, para não prejudicar a operação. Quando a rolagem atingir o limite, deve-se inverter o sentido de rotação do cabeçote de escavação. Usa-se, então, pequenas barbatanas contra o solo para minimizar esse efeito. Usar-se-á também um sensor de inclinação que interrompe automaticamente a rotação do cabeçote quando a rolagem atingir o limite para o qual o equipamento estiver regulado. As Figuras 5.16 e 5.17 apresentam os desenhos ilustrativos da montagem dos anéis e a escavação com a utilização do Shield. Figura 5.16 – Detalhe da montagem dos anéis, como se dá o posicionamento dos segmentos (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 36 Figura 5.17 – Método de escavação com Shield. Na parte superior detalhe dos macacos de avanço e na parte inferior o equipamento Shield em processo de escavação (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003a). 37 38 e) Arraste da tuneladora A travessia de uma estação, por exemplo, pode ser realizada pelo procedimento tradicional, ou seja, com a colocação de segmentos sobre berço de concreto ao longo do trecho, ou de forma mais rápida e econômica, com o equipamento denominado “andador de shield”, deslocando-se sobre contrapiso de concreto, numa velocidade da ordem de 30 m por hora. Os serviços mais demorados são: o desemboque do shield, quando esse entra na estação e é colocado sobre o berço do andador; a concretagem da ordem de de 20 m de rampa de concordância entre os anéis e o contrapiso da estação para a passagem do back-up, e o processo da nova partida após a travessia. O sistema de travessia da tuneladora (shield) em poços e em estações, quando em obras do metrô, está ilustrado nas Figuras 5.18 e 5.19. Figura 5.18 – Detalhe da travessia do equipamento de escavação Shield em poços (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003c). 39 Figura 5.19 – O equipamento de escavação Shield quando faz a travessia em estações, no caso de execução de estações do Metrô. Na parte superior observa-se o equipamento por completo em uma travessia, em corte longitudinal (LOVAT, 2005. HERRENKNECHT, 2007. PLANOS ENGENHARIA, 2003c). 40 41 f) Execução de trecho de túnel com tuneladora A entrada de segmentos é dificultada pelo back-up que ocupa o espaço dentro do poço. São feitas paradas programadas de produção para a complementação do back-up e, por fim, para a montagem do pátio ferroviário, quando então se tem o sistema definitivo de produção totalmente implantado. Nessa fase inicial, a produção média esperada, em geral, é de 4,5 m por dia. Com o sistema de produção definitivo montado, a produção média prevista pode superar 12 m por dia. No caso da Linha 4 – Amarela, espera-se atingir quase 30 m por dia (ROCHA, 2006). Os anéis montados pela tuneladora sobre o berço são calçados com cunhas de madeira, compensando o espaço anelar. Posteriormente, são desmontados alguns anéis para a ligação do túnel com o poço de ventilação. Para a montagem dos últimos 10 anéis do trecho em questão, novamente a produção é reduzida devido à operação de desemboque. Durante a operação de desemboque, a produção média prevista é de cerca de dois anéis por dia, ou seja, 3 m/dia, aproximadamente. Os segmentos que chegam na tuneladora devem ser, inicialmente, verificados e, em seguida, transferidos para o transportador, que armazenará um anel completo e entregará ao eretor um segmento por vez, na seqüência exata em que devem ser montados. Assim, a primeira peça é a que possuir o furo zero, a segunda peça é a contígua à direita, a terceira peça é a contígua à esquerda, e assim por diante. Os principais cuidados de montagem são: Ö As faces dos segmentos devem estar limpas; Ö Toma-se o cuidado para não danificar, nem cortar a cinta de vedação; Ö Alinhar perfeitamente as peças; Ö As juntas longitudinais do anel, que está sendo montado, não devem coincidir com as juntas longitudinais do anel anterior. Além de apertar corretamente os 42 parafusos, os macacos de avanço devem encostar para manter as peças nas posições de montagem; Ö Pelo peso próprio, o anel tem tendência de se deformar, e compensar essa tendência deve ser preocupação em todas as montagens de anéis; Ö Os parafusos devem ser apertados com o torque especificado, e os segmentos não devem ser danificados com choques ou batidas, para garantir o melhor acabamento possível ao túnel. A escavação do trecho seguinte e, portanto, o próximo avanço da máquina somente deve ser iniciado com o anel totalmente montado e com todos os parafusos corretamente apertados. As maiores cargas sofridas pelo anel ocorrem durante o avanço da tuneladora. O transporte interno ao túnel é por ferrovia. As locomotivas têm peso em ordem de marcha de 200 kN, com motores de tração elétricos para minimizar a poluição do ar interno ao túnel. O sistema de freio é pneumático de segurança, e as vagonetas de terra têm caçambas de basculamento lateral, freios pneumáticos de segurança e capacidade de transportar 200 kN de material escavado. 5.2 Via Elevada As vias elevadas parecem mais apropriadas para serem utilizadas como vias de travessia para a metrópole paulista. Podem adaptar-se às condições do ambiente construído da metrópole, assim como contribuir para a sua estruturação urbana. As atuais tecnologias de estruturas viárias permitem a construção de pistas que facilmente ultrapassem a altura da maioria dos prédios da metrópole, assim como vãos livres cujos pilares estariam espaçados a mais de uma quadra uma da outra. Para que as pistas e pilares atinjam valores acima de 50 m, é necessário optar pela supressão dos acessos dos veículos. As vias elevadas nessas condições podem ser concebidas como grandes pontes, e as possibilidades de projeto se ampliam, como mostra o recente projeto do 43 arquiteto Norman Foster para a “Pont du Millau”, França, 2005 com vãos de 342 m e altura da pista de 245 m, em estrutura metálica com cabos estaiados. A grande durabilidade dessas novas estruturas, previstas para mais de cem anos, exige que sejam considerados alguns cenários prováveis para serem incorporados ao projeto. Um deles é a utilização de pistas com pouca declividade, e percursos mínimos, para redução do consumo de combustível e de tempos de viagem. Prever facilitações para realizar eventuais transformações no sistema rodoviário, como a de vias informatizadas, ou de compartilhamentos de seu espaço, para uso ferroviário e de novas redes de infra-estrutura urbana. Ponte é uma construção destinada a estabelecer a continuidade de uma via de qualquer natureza. O obstáculo a ser transposto pode ser de natureza diversa, e em função dessa natureza são associadas as seguintes denominações: Ö Ponte (propriamente dita) - quando o obstáculo é constituído de curso de água ou outra superfície líquida como por exemplo um lago ou braço de mar (Figura 5.20); Ö Viaduto - quando o obstáculo é um vale ou uma via (Figura 5.21). 44 Figura 5.20 – Esquema ilustrativo de ponte Figura 5.21 – Esquema ilustrativo de viaduto 5.2.1 Histórico As vias elevadas nada mais são do que viadutos ou pontes, pois têm as mesmas características construtiva e funcional. Assim, descreve-se um breve histórico sobre pontes e viadutos. O histórico das pontes, pode ser visto, de forma resumida, a partir dos materiais empregados na sua construção. Desta forma tem-se, na ordem cronológica, segundo LEONHARDT (1979), os seguintes tipos de pontes: Ö Pontes de madeira - a madeira tem sido empregada desde a antiguidade na construção de pontes, inicialmente com arranjos estruturais bastante simples. Destaca-se que com este material chegou-se a construir pontes com vãos consideráveis, como o de uma ponte construída em 1758, sobre o rio Reno, com 118 metros de vão; Ö Pontes de pedra - a pedra, assim como a madeira, era empregada desde a antiguidade, na construção de pontes. Os romanos e os chineses já construíam abóbadas em pedra antes de Cristo. Os romanos chegaram a construir pontes, em forma de arco semicircular com até 30 metros de vão. Foi 45 grande o número de pontes em pedra construídas pelos romanos; a maior parte destas desabaram, principalmente por problemas de fundação ou então foram demolidas por questões bélicas, mas existem algumas que permanecem até os dias de hoje. Na idade média as abóbadas ficaram mais abatidas, chegando a atingir vãos da ordem de 50 metros; Ö Pontes metálicas - embora as primeiras pontes metálicas tenham surgido no fim do século XVIII, em ferro fundido, foi a partir da metade do século seguinte, com o desenvolvimento das ferrovias - que produziam cargas bem mais elevadas que as que ocorriam até então - é que floresceu o emprego do aço na construção das pontes. Cabe destacar que já a partir de 1850 construíamse pontes em treliça com 124 metros de vão; Ö Pontes de concreto armado - as primeiras pontes em concreto apareceram no início deste século. Eram pontes de concreto simples em arco triarticulado, com o material substituindo a pedra. Embora já se empregasse o concreto armado na execução do tabuleiro das pontes de concreto simples, foi a partir de 1912 que começaram a construir pontes de viga e de pórtico em concreto armado, com vãos de até 30 m; Ö Pontes de concreto protendido - embora as primeiras pontes em concreto protendido tenham sido feitas a partir de 1938, foi após a Segunda Guerra Mundial que o concreto protendido começou a ser empregado com grande freqüência, por causa da necessidade de se reconstruir rapidamente um grande número de pontes destruídas durante a guerra. Nas construções, de uma maneira geral deve-se atender os seguintes quesitos: segurança, economia, funcionalidade e estética. No caso das pontes, dois destes quesitos merecem ser destacados: a estética e a funcionalidade. Para determinadas pontes, nas quais o impacto visual no ambiente é importante, a estética assume um papel de grande destaque, justificando inclusive, em determinados casos um aumento do custo. Reforçando ainda este aspecto, salienta-se que na construção de uma rodovia, as pontes e os viadutos são denominados de obras de arte. 46 No projeto das pontes deve-se visar o atendimento das condições de uso, com um mínimo de manutenção, buscando assim evitar transtornos de uma interrupção do tráfego, que em determinadas situações pode-se tornar calamitosa. 5.2.2 Processo de Execução Os processos de execução a serem apresentados referem-se às pontes de concreto. O assunto é aqui tratado de forma bastante sucinta, com um caráter introdutório. Assim, tendo em vista o processo de execução, as pontes são aqui classificadas em: Ö Construção com concreto moldado no local; Ö Construção com elementos pré-moldados; Ö Construção com balanços sucessivos; Ö Construção com deslocamentos progressivos. A construção com concreto moldado no local é a denominação aqui apresentada para o tipo tradicional de execução de concreto armado, e que consiste na concretagem da superestrutura no local, com o emprego de fôrmas apoiadas em cimbramento fixo. As construções com o emprego de elementos pré-moldados, na forma mais comum, consistem no lançamento de vigas pré-moldadas por meio de dispositivo adequado, seguido da aplicação de parcela adicional de concreto moldado no local, em fôrmas que se apóiam nas vigas pré-moldadas, eliminando - ou reduzindo drasticamente - o cimbramento (LEONHARDT, 1979). Em linhas gerais, a construção de pontes em balanços sucessivos é feita a partir dos lados dos pilares, em segmentos; a fôrma para a moldagem de cada segmento é sustentada pelo segmento anterior, sendo, portanto, necessário que o concreto desse segmento anterior esteja com a resistência adequada. Também, neste caso, elimina-se - ou reduz-se drasticamente - o cimbramento. Existe 47 também a alternativa de se fazer estes segmentos pré-moldados (LEONHARDT, 1979). As construções com deslocamentos progressivos consistem na execução da ponte em segmentos, em local apropriado junto à cabeceira da ponte; à medida que o concreto de cada segmento vai adquirindo a resistência adequada, a ponte é progressivamente deslocada para o local definitivo, também eliminando - ou reduzindo drasticamente - o cimbramento (LEONHARDT, 1979). Destaca-se ainda que nessa apresentação dos processos construtivos são apresentados os aspectos gerais de cada um dos processos construtivos sem a preocupação em demonstrar detalhes específicos. 5.2.2.1 Concreto Moldado no Local Com Cimbramento Para os processos construtivos com moldagem no local, o cimbramento estrutura de suporte das fôrmas - pode ser fixo ou móvel: Ö O cimbramento é considerado fixo, quando após a sua utilização, ele deve ser desmontado, podendo ou não ser reutilizado em outras partes da ponte; Ö O cimbramento é considerado móvel, quando existem dispositivos que permitem o seu deslocamento, sem desmontá-lo, após a desmoldagem de um segmento ou tramo da ponte. Normalmente os cimbramentos fixos têm apoios intermediários enquanto que nos cimbramentos móveis é mais comum o caso sem apoios intermediários. a) Com cimbramento fixo Trata-se do processo construtivo mais antigo e que pode ser denominado de tradicional. O cimbramento deve ser seguro e garantir as dimensões previstas no projeto, de forma que o emprego de fundações provisórias para o cimbramento é comum. O cimbramento deve ser projetado para suportar o peso do concreto fresco e as 48 sobrecargas provenientes de pessoas e de equipamentos a serem empregados na construção. Além disso, o cimbramento deve ser projetado de forma a não perturbar demasiadamente as condições de tráfego ou de escoamento da área no local de implantação. Embora seja denominado de tradicional, este processo pode apresentar variações, de acordo com o tipo de ponte e em função das condições de construção da obra: em viga, em pórtico ou em arco. Um exemplo de ponte construída com cimbramento especial é a Ponte de Amizade sobre o Rio Paraná, na qual foi utilizado um arco metálico em treliça, construído em balanços sucessivos, para servir de cimbre para a moldagem de arco de concreto da ponte (PFEIL, 1987). Para um estudo mais profundo sobre os cimbramentos das estruturas de concreto pode-se consultar (PFEIL, 1979). No passado não muito longínquo, empregava-se quase que exclusivamente a madeira na execução do cimbramento. Hoje em dia é cada vez mais freqüente o emprego do cimbramento metálico. Existem firmas especializadas no fornecimento de elementos para a montagem de cimbramento, mediante aluguel ou mesmo venda. Dependendo das condições do local de construção da obra, o cimbramento pode se tornar um dos principais problemas na construção do empreendimento, o que acarretou o aparecimento de técnicas que contornam as dificuldades provocadas pelo cimbramento convencional e, portanto, reduzem o custo da construção. b) Com cimbramento móvel O princípio da construção civil com cimbramento móvel consiste em concretar um segmento da ponte, que pode ser um tramo completo ou um trecho que tenha condição de auto-sustentação após a desforma. Uma vez que o concreto tenha 49 adquirido a resistência necessária, o cimbramento é deslocado para o segmento seguinte, e assim sucessivamente. A construção de obras com o emprego de cimbramento móvel e com apoios intermediários é pouco utilizado, pois só seria interessante quando o terreno for relativamente plano e resistente, e tiver o seu nível pouco abaixo do nível da ponte (LEONHARDT, 1979). Os cimbramentos móveis sem apoios intermediários, ou seja, que se apoiam nos pilares da ponte, são indicados quando não ocorrem as condições indicadas no parágrafo anterior, isto é, quando o terreno é acidentado, solo pouco resistente, e nível da ponte muito acima do nível do terreno. Além disso, o processo de construção com cimbramento móvel é indicado quando a ponte possui três ou mais vãos, preferencialmente iguais, e seção transversal constante (LEONHARDT, 1979). Embora não seja obrigatoriamente feito com cimbramento móvel, existe a possibilidade de substituir o concreto moldado por aduelas pré-moldadas, solidarizadas com protensão posterior. Esta alternativa é uma outra forma de utilizar aduelas pré-moldadas, além dos balanços sucessivos. Um exemplo desta forma de construção de pontes é o sistema construtivo com o emprego de aduelas pré-moldadas para espaços entre vãos da ordem de 15 a 35 m. Nesse sistema empregam-se aduelas pré-moldadas montadas com auxílio de estrutura metálica provisória, apoiada nos pilares. As aduelas solidarizadas mediante protensão formam o tabuleiro rebaixado. 5.2.2.2 Elementos Pré-moldados para Vãos Extensos Este processo construtivo consiste no emprego de elementos pré-moldados que, geralmente, tem o comprimento suficiente para vencer os vãos de pontes, de forma a dispensar o cimbramento. 50 A idéia básica é subdividir o tabuleiro em faixas longitudinais (no caso de pontes de laje), ou em vigas longitudinais (no caso de pontes de vigas), as quais são unidas por concreto moldado no local, e em geral protendidas transversalmente. No caso das pontes de vigas, em geral, as lajes são moldadas no local, visando a redução do peso dos elementos pré-moldados; as fôrmas das lajes ficam, nesse caso, escoradas nos próprios elementos pré-moldados. Os elementos pré-moldados podem ser executados em fábricas ou mesmo em instalações adequadas junto ao local de construção da ponte. Embora seja um mercado pouco explorado, comparado com países mais desenvolvidos, existem empresas no Brasil que fornecem elementos pré-moldados para a execução de pontes de laje com vãos não muito grandes, compatíveis com as possibilidades do seu transporte. Um dos principais condicionantes neste tipo de execução são os equipamentos de elevação e transporte para a colocação dos elementos pré-moldados no local definitivo, os quais dependem fundamentalmente do peso desses elementos. Para a colocação dos elementos pré-moldados, as alternativas mais empregadas são, o uso de guindastes quando o seu acesso no local é possível, e o uso de treliça de lançamento que se apóiam em partes já executadas da ponte (normalmente as travessas de apoio). A segunda alternativa é mais indicada quando se tem uma sucessão de tramos iguais. Com esse processo descrito foi construída a primeira obra em concreto protendido do Brasil: a Ponte do Galeão sobre a Baía de Guanabara, construída em 1949, tem quinze tramos simplesmente apoiados, e seção transversal formada por dezenove vigas pré-moldadas de concreto protendido colocadas uma ao lado da outra; o transporte e a colocação das vigas foram feitos por meio de dois guindastes flutuantes. Quando o comprimento da ponte é muito grande e, portanto possui muitos vãos, o lançamento das vigas por meio de treliça, nas posições mais distantes fica muito 51 moroso. Para essas situações, existe a alternativa apresentada em LEONHARDT (1979), de executar as vigas na sua posição definitiva, com o auxílio de treliças e pórticos que substituem o cimbramento convencional, neste processo utiliza-se ainda a cura térmica que possibilita realizar uma protensão parcial dos elementos 24 horas após a sua moldagem, podendo resultar num processo mais vantajoso que o emprego de elementos pré-moldados. Nesse processo, pode-se dizer que há a substituição dos elementos prémoldados fora do local definitivo, por elementos moldados no local, porém são mantidas as principais características do processo construtivo, como por exemplo, a execução da laje moldada sobre as vigas já executadas, o que justifica reunir os dois processos no mesmo grupo. 5.2.2.3 Balanços Sucessivos A idéia de se construir pontes ou mesmo outros tipos de estruturas, a partir dos apoios não é nova, pois já existia na antiguidade, com o emprego de madeira e pedra. O princípio do processo é simples: consiste em executar a ponte em segmentos, e cada segmento apoiando-se no segmento anterior já executado, de forma progressiva, a partir dos apoios, até cobrir todo o espaço a ser vencido. É atribuída ao Engenheiro Emílio Baumgart, a construção da primeira ponte em concreto empregando essa técnica. Trata-se da ponte sobre o rio do Peixe ligando as cidades de Herval do Oeste e Joaçaba em Santa Catarina, construída em 1930, com um vão central de 68 m. Esta ponte foi destruída pela enchente que ocorreu na região em 1983 (CASADO, 1965). Posteriormente, com o desenvolvimento da tecnologia de concreto protendido, no início da década de 1950, o processo teve um grande impulso, principalmente na Alemanha, de forma a consagrá-lo como um dos principais processos para construção de pontes. 52 O processo é particularmente indicado para as seguintes situações: Ö Quando a altura da ponte em relação ao terreno é grande; Ö Em rios com correnteza violenta e súbita; Ö Em rios e canais onde é necessário obedecer gabaritos de navegação durante a construção. Quanto à seqüência de construção, as pontes em balanços sucessivos podem ser executadas a partir dos pilares intermediários ou a partir dos encontros. Para agilizar a construção das pontes com balanços sucessivos - no caso de moldagem no local a velocidade de construção é da ordem de 1 m por dia, correspondendo a segmentos de 3 m ou 6 m de comprimento, concretados a cada 3 dias ou 6 dias - foi desenvolvida a técnica dos balanços sucessivos com elementos (aduelas) pré-moldados. Nas primeiras pontes feitas com essa nova técnica, a ligação entre os elementos pré-moldados era feita com argamassa comum de cimento, que necessitava de um certo tempo para o seu endurecimento, o que não permitia aproveitar todos os benefícios da pré-moldagem. Foi desenvolvido então um processo para a execução dessa ligação, empregado pela primeira vez em 1964 na ponte de Choisy le Roy sobre o Rio Sena na França, denominado "junta conjugada colada", que consiste no seguinte (CASADO, 1965): Ö Cada aduela é concretada tendo como fôrma de uma de suas faces, a face da aduela que na montagem a precedeu; Ö Na montagem, as juntas são tomadas com cola epóxica, com aproximadamente 1 mm de espessura; Ö As aduelas são providas de encaixe tipo macho-fêmea, que facilitam o seu posicionamento. Utilizando esse processo, o prazo de construção pode ser significativamente reduzido. Segundo PFEIL (1975), na ponte Rio-Niterói, onde esta técnica foi empregada, conseguia-se executar 13 m de ponte por dia, por treliça, o que 53 possibilitou um avanço médio de 7,7 m por dia, contra um avanço médio de 3,2 m por dia, estimada para o caso de junta argamassada e 0,8 m por dia, estimado para o caso de balanço sucessivo com moldagem no local. O processo em balanços sucessivos consiste na execução da estrutura em segmentos, aduelas de comprimento variável de 3,00 a 10,00 m, constituindo balanços que, em geral, são equilibrados pelo avanço simultâneo dos mesmos para os vãos vizinhos. Normalmente, a execução se processa simetricamente em relação ao apoio até a metade dos vãos adjacentes a ele, e o vão é fechado, evitando-se articulações centrais; o mesmo processo é, então, concluído para os vãos vizinhos. Dessa forma, os momentos de desequilíbrio são relativamente pequenos e os dispositivos de engastamento no apoio, sempre exigidos no processo, ainda que provisórios, podem ser projetados economicamente. Quando os balanços são desiguais, ou se pretende partir de um apoio para os seguintes em execução contínua, é usual a utilização de apoios provisórios intermediários ou estais ajustáveis ao desenvolvimento do vão, suportados por torres provisórias e ancorados no apoio anterior. Os segmentos podem ser concretados no local ou podem ser pré-moldados. No primeiro caso, a concretagem é executada com fôrmas deslocáveis em balanço, suportadas pelos trechos já concluídos e, no segundo, as aduelas são prémoldadas contra a face frontal da aduela imediatamente anterior, de modo a obter-se o maior ajustamento possível nas superfícies a serem ligadas futuramente (PFEIL, 1979). A ligação entre as aduelas é feita por meio de cabos de protensão, que poderão, ou não, fazer parte da cablagem definitiva do trecho, e com o auxílio de cola polimerizável à base de resina epóxi, aplicada às juntas dos elementos a serem ligados. 54 As funções básicas da cola são a de lubrificar e compensar as imperfeições das juntas de montagem e, após a polimerização, participar da resistência da junta aos esforços tangenciais e de compressão. Como a cola não apresenta resistência ao cisalhamento, antes da polimerização, as juntas são projetadas de forma a transmitir esses esforços pelas chavetas de cisalhamento. A tendência atual é a de prover a superfície da junta de um entarugamento, regularmente espaçado, de forma a prescindir da resistência ao cisalhamento da cola, mesmo após a polimerização. Nas concretagens dos próximos elementos, funciona como um reforço na ligação do concreto novo com o já curado. Parte ou a totalidade dos cabos definitivos podem ser enfiados, posteriormente, e protendidos em saliências das aduelas, fora das juntas, permitindo maior rendimento e independência das operações de montagem e de protensão definitiva. A operação de injeção dos cabos pode ser efetuada no interior do caixão, com maior conforto, segurança e controle. A extrusão das aduelas pode ser feita por diversos processos adequados às condições particulares de cada local de construção. Em geral, os dispositivos de posicionamento se apóiam sobre a parte da estrutura já concluída. As treliças de lançamento têm utilização, freqüentemente, adequadas aos esforços gerados pelos segmentos que são concretados. As treliças são suportadas por tirantes verticais que transpassam a seção da ponte e ancoram a parte anterior da mesma. As Figuras de 5.22 a 5.29 indicam os detalhes construtivos. Figura 5.22 – Seqüência de execução de estacas metálicas para vias elevadas onde as fundações sejam projetadas para a execução com estacas metálicas (PLANOS ENGENHARIA, 2006a). 55 Figura 5.23 – Seqüência de execução de tubulões a ar comprimido, no caso fundações onde a projeto determine a necessidade de utilizar tubulões (PLANOS ENGENHARIA, 2006a). 56 Figura 5.24 – Seqüência de execução de blocos de concreto, no detalhe os blocos estão sendo executados sobre os tubulões (PLANOS ENGENHARIA, 2006b). 57 Figura 5.25 – Vista geral da seqüência executiva de blocos de concreto (PLANOS ENGENHARIA, 2006b). 58 Figura 5.26 – Execução de pilares para obras onde há a necessidade de pilares, pois algumas obras, dependendo do vão, as aduelas são apoiadas direto nos blocos, não havendo necessidade dos pilares (PLANOS ENGENHARIA, 2006b). 59 Figura 5.27 – Concretagem das aduelas. Na parte superior pode-se observar os apoios diretos nos blocos, sem a necessidade de pilares (PLANOS ENGENHARIA, 2006b). 60 Figura 5.28 – Seções transversais e longitudinais das aduelas e seção longitudinal dos encontros. Na parte superior observa-se o apoio da fundação em estacas escavadas (PLANOS ENGENHARIA, 2006c). 61 Figura 5.29 – Meia vista e meio corte longitudinais de uma ponte com o processo executivo em balanços sucessivos (PLANOS ENGENHARIA, 2006c). 62 63 5.2.2.4 Deslocamentos Sucessivos Este processo construtivo consiste em executar segmentos da superestrutura com 10 m a 30 m de comprimento (cerca de 1/4 a 1/2 do vão), atrás dos encontros. Após o endurecimento do concreto são protendidos e depois deslocados, na direção do eixo longitudinal da ponte, sobre apoios especiais de teflon, com auxílio de macacos hidráulicos, de forma a possibilitar a execução de outro segmento na posição em que foi feito o anterior, e assim sucessivamente. No primeiro segmento é colocada uma estrutura metálica auxiliar para diminuir os esforços solicitantes, na fase de deslocamento da superestrutura. Este processo reúne as vantagens da produção em canteiro (concretagem de segmentos de maneira sistemática, local de trabalho protegido, transporte dos materiais a distância menores), com as do concreto moldado no local (estrutura monolítica sem juntas enfraquecedoras, sem necessidade de dispositivos pesados para elevação e transporte). Em contrapartida, durante a fase de construção ocorrem esforços solicitantes elevados e de sentido contrário ao dos esforços da situação definitiva. Isto pode resultar em consumo de armadura bem maior que o da construção moldada no local, além disso, há necessidade de compatibilizar a protensão da etapa de deslocamento com a protensão necessária para a situação definitiva. Este processo de construção, segundo LEONHARDT (1979), é adequado para pontes com no mínimo 150 m de comprimento e também no mínimo 3 vãos. Os vãos podem ter de 30 m a 140 m, não devendo porém ser muito diferentes entre si. Em determinadas situações, podem ser empregados apoios provisórios ou balanço estaiado por cabos inclinados. No Brasil, tem-se notícia de utilização deste processo na construção de três pontes junto à barragem de Três Irmãos - SP, com comprimentos de 180 m, 150 m e 90 m. 64 5.3 Instrumentação Geotécnica A instrumentação é de extrema importância na realização de obras civis, principalmente em obras subterrâneas e em vias elevadas, assim destacam-se alguns instrumentos que facilitam a execução dos serviços (LPC LATINA, 2005 / NEGRO et. Al., 1992): Ö Pinos para medidas de convergência/divergência e nivelamento interno; relacionam-se com a reavaliação do método construtivo e dimensionamento dos revestimentos; Ö Marcos de recalque profundo (tassômetros) para avaliação dos deslocamentos provocados, em profundidade; relacionam-se com a reavaliação do método construtivo e dimensionamento dos revestimentos; Ö Medidores de nível d’água e piezômetros para avaliação do efeito da construção ou sistemas de rebaixamento sobre os níveis freáticos e piezométricos locais; relacionam-se com segurança da frente de escavação e recalques à superfície; Ö Inclinômetros verticais para avaliação de deslocamentos horizontais em profundidade geralmente associados à verificação da segurança dos taludes ou paredes de emboques e desemboques; Ö Perfilômetros ou Inclinômetros horizontais para medida de deslocamentos verticais, com continuidade, dentro do maciço a ser escavado; relacionam-se com a reavaliação da segurança e método construtivo; Ö Outros como provas de carga em placas para fundação de cambotas, medidas de tensão em concreto, entre outros; Ö Pinos e placas superficiais para avaliação de recalques; Ö Pino de Recalque para Edificações / Estruturas São utilizados para leitura e registro da variação do deslocamento vertical (recalques) de edificações ou estruturas em relação a um ponto fixo de referência, conhecido como Referência de Nível (RN). Tem por objetivo monitorar o recalque de edificações ou estruturas localizadas em zonas afetadas pela construção de um determinada obra, ou atividade que interfira no maciço que serve de fundação para as referidas edificações ou estruturas. 65 Ö A Estação Total A estação total consiste de um teodolito eletrônico acoplado a um distanciômetro com precisão aproximada de 3“, uma vez estacionada, ajusta seu nivelamento automaticamente. Para dar início à leitura é visado o RN, e em seguida os pinos de recalques desejados. As leituras obtidas são anotadas. Ö Nível Óptico de Precisão É um aparelho que consiste num nível óptico de precisão com o qual são determinados os desníveis dos pontos onde estão instalados os pinos de recalques, em relação a um RN. Ö Marco de Recalque Superficial O marco de recalque superficial consiste em uma chapa de aço, tendo soldada em seu centro um tubo de aço. Os marcos de recalques são utilizados para leitura e registro da variação do deslocamento vertical (recalques) da superfície de maciços de solo ou rocha, potencialmente afetados pela construção de uma determinada obra, ou atividade que interfira neste, em relação a um ponto fixo de referência, conhecido como Referência de Nível (RN). Ö Marco de Recalque Profundo (Tassômetro) O marco de recalque profundo (Tassômetro) consiste num instrumento constituído por uma haste de ferro galvanizado, chumbada no fundo de uma perfuração vertical no maciço. São utilizados para leitura e registro da variação do deslocamento vertical (recalques) em profundidade de maciços de solo ou rocha, potencialmente afetados pela construção de uma determinada obra, ou atividade que interferirá neste, em relação a um ponto fixo de referência, conhecido como Referência de Nível (RN). Ö Pinos de Convergência e Nivelamento Usualmente o pino de convergência consiste em um vergalhão, tendo soldado em uma extremidade um chumbador convencional galvanizado. Os pinos de convergência são utilizados para medição e registro dos dados referentes a variação do comprimento das cordas internas de uma escavação subterrânea (usualmente em NATM) e recalques dos pontos definidos por sua extremidade, 66 esta medição é comumente conhecida como medida da convergência / divergência e nivelamento interno. Tem por finalidade monitorar o comportamento de uma escavação subterrânea, durante a construção ou não, detectando a variação das medidas acima mencionadas. Ö Medidores de Nível d’água e Piezômetros Esses instrumentos são utilizados para medição e registro da profundidade da superfície do lençol freático. Tem por finalidade monitorar o comportamento do lençol freático quando sujeito a alguma atividade de obra, tais como: rebaixamento do lençol freático, escavação das obras subterrâneas, entre outros. O medidor de nível d’água é composto por um tubo de PVC rígido perfurado num trecho de 100 ± 10 cm a partir da extremidade superior. O piezômetro é composto por um tubo vertical, aberto nos dois lados, conectado a massa de água. É utilizado para a leitura do nível d´água e possui um sensor na forma de interruptor de corrente elétrica. Ö Inclinômetros O inclinômetro é composto por um tubo especial de alumínio, ranhurados em forma de cruz, para a introdução posterior do torpedo de leitura. Tem por finalidade monitorar a variação do deslocamento horizontal, em duas direções ortogonais, de pontos no interior de um maciço afetado por alguma atividade relacionada com a implantação de uma obra subterrânea. 67 5.4 Impactos Ambientais A identificação dos possíveis impactos durante a fase de execução (ou implantação) do empreendimento é de suma importância para a definição das medidas a serem adotadas para a compensação de seus efeitos e para a elaboração de programas e ações a serem desenvolvidas, visando a otimização dos impactos positivos e a minimização/mitigação dos impactos negativos. Basicamente, o plano de trabalho para a mitigação dos impactos ambientais deve envolver a implantação de programas ambientais e a elaboração de relatórios periódicos de desempenho ambiental, visando apresentar todas as informações que serão monitoradas durante as obras (PLANOS ENGENHARIA, 2003b). Esses programas farão parte do Plano de Ação Ambiental, elaborado com a finalidade de agrupar as medidas mitigadoras, potencializadoras ou compensatórias previstas para os impactos ambientais identificados. Os programas básicos que deverão ser desenvolvidos são: Ö Gerenciamento do meio ambiente; Ö Diretrizes para projeto e implantação; Ö Desapropriações e realocações; Ö Comunicação social; Ö Monitoramento do meio físico, segurança e saúde. Além desses programas ambientais, deverá haver também uma interação institucional com os demais órgãos envolvidos com a obra, visando implementar medidas mitigadoras efetivas e/ou potencializar impactos positivos que venham a ocorrer durante a execução do empreendimento. Os órgãos com os quais poderá haver uma interação durante a fase em obras são: Ö IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Ö DEPRN - Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais; 68 Ö GRAPOHAB – Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais; Ö CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental; Ö DAEE- Departamento de Águas e Energia Elétrica; Ö DUSM – Departamento do Uso do Solo Metropolitano; Ö SVMA- Secretaria do Verde e Meio Ambiente/DEPAVE - Departamento de Parques e Áreas Verdes; Ö SABESP – Saneamento Básico do Estado de São Paulo; Ö ELETROPAULO – Eletricidade de São Paulo; Ö COMGÁS; Ö TELEFONICA; Ö Secretaria dos Transportes/DSV - Departamento do Sistema Viário; Ö Governo Estadual; Ö Prefeitura Municipal; Ö Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Entende-se por impacto ambiental, o resultado de uma atividade, processo, operação ou dispositivos que induzam, produzam ou possam produzir alterações nas condições ambientais, tornando-as impróprias, nocivas ou ofensivas à saúde, bem-estar público, fauna e flora, prejudiciais à segurança e ao uso da comunidade (Lei Nº 7.488, de 14 de Janeiro de 1981). Em geral, os impactos previstos para as obras estão relacionados a: Ö Desapropriações; Ö Interferências com a vegetação; Ö Instalação de canteiros de obras; Ö Remanejamento do sistema viário (tráfego); Ö Remanejamento de redes de serviços públicos; Ö Execução das estações e poços de ventilação; Ö Execução dos túneis; Ö Transporte e deposição de materiais excedentes; Ö Interferências com patrimônios históricos e/ou culturais; Ö Outros. 69 A Tabela 5.1 apresenta uma síntese dos impactos e medidas identificadas como possíveis de ocorrer, quando da execução das obras e serviços efetuados em regiões metropolitanas, e sua inserção nos respectivos programas ambientais: Tabela 5.1: Impactos e medidas identificadas como possíveis de ocorrer em obras urbanas Obra/Impacto Desapropriação e relocação de população e casas comerciais A desapropriação poderá causar impactos na economia da região, além de mudanças na rotina da população vizinha. Esse impacto pode ser positivo ou negativo para os proprietários, dependendo das características atuais de uso, dos planos de aproveitamento futuro e da compatibilidade entre os valores de compensação financeira e de mercado do imóvel. Execução das demolições Esse impacto está concentrado na construção de estações, poços, emboques e o pátio. Essa atividade poderá causar desconforto à vizinhança, tendo em vista a poluição sonora, poluição atmosférica, vibrações e problemas de estabilidade de edificações remanescentes que poderão ser ocasionadas com as demolições. Instalação de canteiros de obras A instalação dos canteiros nas frentes de obras poderá prejudicar o tráfego, gerar poluição atmosférica e contaminar o solo por derramamento de óleos por máquinas e equipamentos. Desvios de tráfego Sobrecarga de tráfego devido a desvios para a realização de obras, fechamento de ruas, circulação de veículos pesados que poderão danificar o pavimento e geração de distúrbios à população vizinha. Medidas Manter conversações com proprietários através da abertura de um canal de comunicação entre os interessados o CONSÓRCIO e o Metrô. Apresentar um cadastro e plano de realocação das populações envolvidas. Programas ambientais Programa de Comunicação Social Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Desapropriação e Realocação. Implantar um monitoramento ambiental das emissões de ruídos e vibrações, bem como o controle de emissões atmosféricas. Acompanhar as obras e identificar os locais considerados com potencial de risco à população. Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Diretrizes para Projeto e Implantação Realizar o monitoramento da poluição atmosférica, sinalização, ruídos e efluentes líquidos periodicamente. Auxiliar à CET no controle de tráfego e implantação de sistema de sinalização diurna e noturna eficiente. Auxiliar à CET no controle de tráfego e implantação de sistema de sinalização diurna e noturna eficiente. Recuperação das vias danificadas pela passagem de veículos pesados. Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Programa de Comunicação Social Remanejamento de redes de serviços Elaboração de cadastro unificado das Programa de Gerenciamento públicos interferências existentes; do Meio Ambiente As obras poderão ocasionar danos ou Planejamento das principais Programa de Comunicação interrupção temporária nas redes interferentes necessidades de remanejamento e Social dos serviços públicos, tais como: redes de divulgação na comunidade. Diretrizes para Projeto e água e esgoto, energia elétrica, telefonia, Implantação drenagem de águas pluviais, além de coleta de lixo e transporte coletivo por ônibus e peruas de lotação. Escavações e revestimento das estações e Monitoramento dos recalques e Programa de dos poços de acesso Gerenciamento do Meio vibrações por equipe especializada. Formulação de planos de contingência Ambiente Essas atividades poderão gerar vibrações e ruídos durante o período em obras, afetando a Incorporação das diretrizes das Programa de população de entorno. especificações e normas técnicas. Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Também poderão ser gerados: poluição do ar decorrente de escavações e carregamento de Diretrizes para Projeto e caminhões; recalques nos terrenos próximos à Implantação obra; poluição das águas e rebaixamento do lençol freático; interferências com tráfego e riscos de acidentes de grande e pequeno porte. Escavação de túneis em NATM Monitoramento dos recalques e Programa de Durante a escavação, haverá a geração de vibrações por equipe especializada. Gerenciamento do Meio gases, poeira e ruídos que poderão afetar, Formulação de planos de contingência Ambiente principalmente, os operários das obras, além Incorporação das diretrizes das Programa de de recalques, vibrações e problemas de especificações e normas técnicas. Monitoramento do Meio estabilidade. Físico, Segurança e Saúde Diretrizes para Projeto e Implantação 70 Tabela 5.1: Impactos e medidas identificadas como possíveis de ocorrer em obras urbanas continuação Obra/Impacto Escavação de túneis em “shield” Os impactos são semelhantes ao túnel em NATM, havendo a geração de gases, poeira e ruídos que poderão afetar os operários das obras. Também verifica-se o risco de recalques, vibrações e problemas de estabilidade. Depósitos de materiais excedentes (DMEs) Os impactos decorrentes de DMEs incidem sobre o trânsito de veículos pesados em área urbana; interferências no tráfego; lançamento de material particulado na atmosfera; danos na pavimentação e deposição de material em local que possa causar danos ao meio ambiente. Reurbanização das áreas Os impactos que poderão ocorrer são basicamente positivos, pois incluem a execução de projeto paisagístico; limpeza; remoção de tapumes; ligações com o sistema viário, entre outros. O impacto negativo nessa fase está relacionado aos pequenos acidentes com pedestres e interferências no tráfego para a finalização das obras. Interferências com a vegetação Esse impacto poderá ocasionar a intervenção em áreas verdes protegidas, ou mesmo a supressão de vegetação arbustiva/arbórea, diminuindo a quantidade de áreas verdes no município. Medidas Monitoramento dos recalques e vibrações por equipe especializada. Formulação de planos de contingência Incorporação das diretrizes das especificações e normas técnicas Programas ambientais Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Diretrizes para Projeto e Implantação Utilizar locais sem restrições Programa de ambientais; Gerenciamento do Meio Licenciar nos órgãos ambientais Ambiente (Cetesb, DEPRN, Ibama) a deposição Programa de do material excedente; Monitoramento do Meio Recuperar o local após o uso. Físico, Segurança e Saúde Executar as medidas de segurança e sinalização previstas no monitoramento ambiental; Informar aos órgãos interessados quanto a interferência com sistemas da rede pública e finalização das obras. Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Comunicação Social Os serviços de supressão de vegetação de qualquer porte somente serão iniciados por ocasião da emissão da autorização dos órgãos licenciadores competentes (DEPRN, DEPAVE e IBAMA); Os serviços serão executados com a utilização de equipamentos adequados e com as devidas medidas de segurança aos trabalhadores e transeuntes. Interferências com patrimônios históricos Impedir que as obras de execução do e/ou culturais Metrô afetem patrimônios históricos e Esse impacto está relacionado a qualquer culturais, através de medidas de alteração que a obra projetada possa vir a controle que monitorem qualquer causar sobre os bens históricos e culturais. alteração em prédios tombados; Adotar as técnicas estipuladas em projeto, visando não causar impacto em áreas tombadas. Programa de Gerenciamento do Meio Ambiente Programa de Monitoramento do Meio Físico, Segurança e Saúde Fonte: PLANOS ENGENHARIA (2003b) Diretrizes para Projeto e Implantação 71 6 ESTUDO DE CASO: O ELEVADO COSTA E SILVA Se há algo importante para uma cidade, é a cada dia estar mais urbanizada, estruturada, formando o ambiente urbano viável para se viver. Têm-se sensações agradáveis ao visitar um prédio bem conservado, passar por uma avenida onde a arquitetura mostre sua importância. Entretanto, andando pelas grandes cidades do país, pode-se encontrar “monstros” da paisagem urbana. Em São Paulo, a maior e mais movimentada cidade do Brasil, o “Minhocão”, apelido do conhecido Elevado Costa e Silva, foi construído sobre avenidas e ruas da cidade, como um trecho da Avenida São João. Ao longo de três quilômetros de comprimento, o viaduto passa cerca de cinco metros da janela dos apartamentos dos prédios, já existentes no local antes da sua construção em 1970. Pode-se afirmar que houve deterioração na região próxima: os prédios se desvalorizaram, o barulho e a poluição causados fizeram da região um lugar detestável após a construção do “Minhocão”. 6.1 Conhecimento do Local Neste item são apresentadas as características gerais do local onde está construído o Elevado Costa e Silva, bem como os aspectos ambientais. 6.1.1 Histórico O prefeito de São Paulo, Faria Lima, durante a sua gestão (1959-1969), idealizou uma obra de engenharia na região central da cidade, e por causa de reações contrárias de técnicos, de paisagistas e da população, não foi realizada em sua gestão. Na gestão seguinte, o então prefeito Paulo Maluf, "desengavetou" os papéis e em 11 meses inaugurou o viaduto (Figuras 6.1 e 6.2), abrangendo o espaço da Praça 72 Roosevelt, Consolação, atingindo o Largo Padre Péricles, no bairro de Perdizes, sobre a Rua Amaral Gurgel e a Avenida General Olímpio da Silveira. Figura 6.1: Construção do Elevado. (Acervo PMSP) Figura 6.2: Construção do Elevado. (Acervo PMSP) Passando a cinco metros dos prédios de apartamentos, sua extensão é de 3,4 quilômetros, ligando a zona central à Zona Oeste de São Paulo. Como obra inédita, o “Minhocão” é constantemente alvo de críticas, principalmente em campanhas políticas. Arquitetos não o consideram como obra de arquitetura; 73 técnicos, paisagistas e a população local, que por causa da obra tiveram seus imóveis desvalorizados, criticam os diversos impactos negativos que a obra teve na região em que foi construída. Após sua construção a região sofreu expressiva alteração de sua paisagem e degradação, em diversos aspectos, causada pelo grande fluxo de veículos, aumento da poluição sonora, invasiva aos edifícios e outros efeitos colaterais típicos de construções de viadutos (Figura 6.3). Figura 6.3: Vistas para principais regiões e acessos. 6.1.2 Características Funcionais e Situação Atual A construção do Elevado Costa e Silva atendeu por quatro décadas de funcionamento urbano. É importante lembrar que desde a década de 20 os engenheiros Ulhôa Cintra e Prestes Maia já haviam elaborado os estudos e 74 planos. Funcionando de forma conjugada com a Radial Leste, o elevado criou, no início dos anos 70, a segunda grande ligação diametral de São Paulo, pois até aquele momento tinha-se apenas a grande ligação norte/sul. O elevado Presidente Arthur da Costa e Silva é uma grande via para o transporte rodoviário urbano, concebido e construído numa época em que a discussão do tráfego expresso pautou o planejamento de muitas cidades, nas décadas de 1960 e 1970, principalmente nos Estados Unidos. Cerca de 40 anos antes, em São Paulo, a priorização das grandes avenidas e eixos viários expressos já era o fio condutor do Plano de Avenidas de Prestes Maia. Desde então, vê-se em diversas iniciativas da administração pública o foco em obras de grandes proporções, que cortam a cidade de maneira inócua em nome de um rodoviarismo perverso. Além disso, impacta negativamente o meio ambiente e jamais alcançou a eficiência do transporte motorizado individual. Figura 6.4: Situação atual do Elevado. (Nilton Fukuda/AE) 6.1.3 Situação Atual da Ligação Leste-Oeste O “Minhocão” tem como característica mais evidente facilitar o ‘descolamento’ físico no sistema rodoviário urbano da cidade de São Paulo. Foi projetado como componente de um eixo metropolitano (Leste-Oeste), em escala alheia aos bairros. Há poucos acessos e sua interferência ambiental é notoriamente nociva às ruas e edifícios do entorno. Conclui-se, dessa maneira, que sua localização é fruto de algum grau de arbitrariedade e que, preservada a função de ligação Leste-Oeste, essa via expressa poderia estar em outro local. 75 Um fato curioso observado é que, nos horários de pico, o “Minhocão” fica freqüentemente congestionado, enquanto que as avenidas General Olímpio da Silveira e Amaral Gurgel têm volume sensivelmente menor. Outra característica também bastante inquietante é que o elevado é destinado exclusivamente ao transporte individual, já que em seu leito não trafegam ônibus. Além do corredor de ônibus, existem na região não menos do que 3 estações de metrô: República (com duas linhas), Mackenzie (em construção) e Marechal Deodoro, além do terminal Barra Funda que pode ser facilmente alcançado pelo Memorial da América Latina. É necessário planejar um sistema de interseção entre o transporte público já existente e as novas funções a serem instaladas na área. O elevado tem 3,4 km, erguidos sobre as avenidas São João e Amaral Gurgel. A Companhia de Engenharia e Tráfego de São Paulo (CET) estima que aproximadamente 80 mil veículos circulam diariamente pela via. O tráfego de automóveis é proibido aos domingos e à noite, de 21:30 às 6:30 h, de segundafeira a sábado. Nos fins de semana também o “Minhocão” fica aberto para ciclistas e pedestres, numa tentativa de dar um novo valor para a sua existência no centro paulistano (Figuras 5 e 6). Figura 6.5: Pedestres e ciclistas passeando pelo Elevado aos finais de semana. (TGI 2000) 76 Figura 6.6: Domingo no “Minhocão”: bicicletas no lugar dos carros. (www.sampaonline.com.br) 6.1.4 Aspectos Ambientais Barreira "invisível" ao nível do chão, o “Minhocão” deixa uma sombra de enorme extensão, uma manta lúgubre que impede até uma das mais tradicionais formas de especulação imobiliária, a associação de novos lançamentos à presença do metrô. O que acontece em qualquer região da cidade quando se anuncia uma extensão do metrô? Há uma revolução localizada: investidores em polvorosa começam a vasculhar o entorno do local anunciado para viabilizar novos lançamentos imobiliários. O valor dos terrenos sobe vertiginosamente. Pois bem, o que ocorreu nas quadras contíguas ao “Minhocão” quando surgiu o metrô? Nada de positivo se acrescentou à paisagem de suas imediações, com exceção dos gigantescos painéis publicitários como pode ser observado na Figura 6.7. Ao contrário de outras grandes obras viárias, que depois de concluídas geram novas atividades, sob a ampla projeção do elevado nada resiste, nada se desenvolve, tudo estagna, regride e apodrece. O simples anúncio da desativação do “Minhocão” talvez tivesse, agora, um impacto semelhante ao da construção do metrô. 77 Figura 6.7: Algumas das propagandas que existiam no Elevado antes da Lei “Cidade Limpa”. Devido à Lei Cidade Limpa, foram retirados os outdoors, banners, placas e outros tipos de propaganda que tomavam toda, ou quase toda, a fachada de prédios e comércios. Essa Lei Municipal n° 14.223/07, foi regulamentada pela Prefeitura de São Paulo, pelo decreto publicado no Diário Oficial da Cidade em 6 de dezembro de 2006, que tem como objetivo eliminar a poluição visual em São Paulo, proíbe todo tipo de publicidade externa, como outdoors, painéis em fachadas de prédios, backlights e frontlights. Também ficam vetados anúncios publicitários em táxis, ônibus e bicicletas. A legislação ainda faz restrições aos anúncios indicativos, aqueles que identificam no próprio local a atividade exercida. Nessa extensa região de insegurança, onde ao anoitecer predomina o clima de pânico, existem algumas ilhas de resistência com atividades significativas, normalmente diurnas. Destacam-se o comércio da rua Santa Ifigênia, o conjunto residencial da alameda Barão de Limeira, a recuperação de casarões nos Campos Elísios pela empresa Porto Seguro e o Bar Léo. No entanto, muitas pessoas deixam de ir à maravilhosa Sala São Paulo, na estação Júlio Prestes, por 78 se sentirem inseguras no trajeto e encontrarem verdadeiros depósitos de lixo (Figura 6.8). Atualmente se vive um saudável processo de discussão e reavaliação do planejamento da Cidade de São Paulo. Com elaboração de um novo Plano Diretor, programas de recuperação das áreas centrais estão tomando corpo, secretarias estaduais e municipais estão se deslocando para o centro. Ao mesmo tempo haverá a incorporação do Rodoanel, as ampliações das vias paralelas às marginais e o desenvolvimento de centros de bairros. E o “Minhocão”? O que fazer com ele e qual sua efetiva validade como solução viária? É um momento oportuno para incluir na pauta o seu desmonte. Figura 6.8: Vista de uma das alças de saída, ao fundo pode-se observa a quantidade de lixo amontoados no entorno. (TGI 2000) 6.2 Propostas de Projeto Básico O apetite de profissionais e estudantes pelas questões urbanísticas introduzidas pela construção do “Minhocão”, que pode ser medido pelo grande número de projetos e idéias já apresentados em revistas e periódicos é, sem dúvida, um 79 alento. Fica comprovado que os grandes desafios acabam por promover grandes oportunidades de propostas. No entanto, para que estas idéias ganhem a dimensão de um urbanismo verdadeiramente reparador, isto é, um urbanismo capaz de rever seus próprios fracassos, é preciso que estas idéias, muitas vezes grandes e inspiradas mas ainda pouco substanciais, ganhem a dimensão verdadeiramente técnica que esta revisão teórica e prática exige. Para iniciar uma reflexão cuidadosa sobre o futuro do elevado Costa e Silva ou de qualquer outro equipamento viário é preciso reconhecer a necessidade de estabelecer com mais cuidado o plano da mobilidade em São Paulo. Que seja pelo menos sistêmico dentro das possibilidades atuais, isto é, dentro do quadro construído, lembrando, que mobilidade é um princípio e não uma resultante dos processos de desenvolvimento urbano. Com isso enfatiza-se que o sistema viário e o transporte público de massa de alta capacidade, sobretudo como é o caso do metro, são elementos de estruturação e desenvolvimento urbano. As novas formas de distribuição das atividades no território metropolitano obrigam a mobilidade e a acessibilidade a reverem seus princípios, isso é, não se trata apenas de alcançar pontos distantes, mas, sobretudo de cruzar lugares específicos e necessários para o desempenho das funções urbanas do conjunto da população. A rede viária corta e une estes lugares com os quais o projeto deve possuir os mesmos compromissos que possui com os longínquos pontos que articula. Assim, as propostas que surgem da demolição do elevado devem ser seriamente consideradas e não poderão repetir um dos equívocos mais graves de sua construção no início dos anos 70: basear-se numa análise setorial e, acima de tudo, excessivamente fragmentada da questão da mobilidade e da acessibilidade em São Paulo. Os programas de obras organizados pelos poderes públicos baseados em procedimentos exclusivamente setoriais, sempre condicionados por uma maior eficiência no deslocamento, impuseram ao território urbano uma lógica que privilegiou a expansão urbana em detrimento dos setores consolidados. Diante da relação que se estabelece entre o problema - uma circulação urbana deficiente - e a solução introduzida - um sistema viário desobstruído e emancipado dos problemas da trama viária existente - vale lembrar uma 80 excelente observação de Lewis Mumford, que sugere a seguinte leitura: quando no campo do planejamento e do projeto urbano, o mal que se propõe enfrentar e o remédio indicado pelos urbanistas não se distinguem mais um do outro, encontra-se diante de uma situação de um processo urbano virulento e ruinoso. 6.2.1 Conceituação Básica e Modelo Proposto O projeto de transformação do elevado Costa e Silva deve ser entendido como parte de um projeto mais amplo de requalificação de toda a região central de São Paulo. É o entendimento de que esta “cicatriz” destrói o “tecido urbano” e de que somente com a compreensão da real extensão além-“Minhocão” poderá resultar um projeto eficaz. Desta maneira, a proposta apresentada trata não apenas do viaduto em si, como também das áreas imediatas e dos bairros adjacentes, num esforço de entender toda a dinâmica do Centro. O conceito desenvolvido nesse projeto é aquele que considera tanto a ausência do elevado quanto a sua presença sob outra perspectiva. A idéia, desenvolvida a partir da constatação de que parte da população sequer vincula o viaduto às suas queixas sobre o lugar, é tornar visível algo que não comparece no quadro de referências sobre a área da cidade. O desconforto das imagens geradas, claramente vinculadas ao processo de estranhamento atinente às artes contemporâneas, aponta para uma solução não imediata, mas para o que se julga primeira e fundante etapa de qualquer projeto dessa natureza: uma percepção mais clara e refletida sobre uma localidade, uma leitura que descarta apenas os problemas percebidos de suas partes, conseqüências de uma intervenção desastrosa. Procura-se assim trazer visibilidade à complexa realidade dessa área da cidade. Evita-se a destruição por completo porque essa decisão guardaria uma lógica tão violenta quanto seu processo de decisão e edificação. É necessário construir social e coletivamente sua destruição, na contramão dos desmandos tão comuns em relação aos processos decisórios sobre o urbano e que tem no elevado Costa e Silva um paradigma revelador. 6.2.2 As Alternativas Nesta proposta de projeto básico são apresentadas 6 (seis) alternativas como solução para o elevado. Foram estudadas alternativas que sejam possíveis, tanto 81 no aspecto técnico e urbanístico, quanto do ponto de vista de alocação dos recursos. Sob esse enfoque, se contemplam: Ö A demolição do elevado; Ö O reaproveitamento do elevado. Em Fevereiro de 2006, a Revista Vejinha divulgou um painel com 10 motivos para não demolir o “Minhocão”, conforme mostrado na Figura 6.9: Figura 6.9: Motivos para não demolir o “Minhocão” (Revista Vejinha, 01/02/06). 82 Em ambas as situações contempladas, foram analisados os aspectos de acomodação do tráfego de veículos no eixo leste-oeste, bem como o seu crescimento, uma vez que, mensalmente, a frota da cidade de São Paulo recebe 15.000 veículos. Para isso, foram estudadas alternativas que contemplem esse deslocamento em relação à região, com as seguintes estruturas: Ö Em túnel; Ö Mista, parte em túnel e parte em elevado; Ö Em elevado. Outro fator determinante no estudo proposto é a eliminação do tráfego de ônibus acionados a diesel na região do elevado. Para isso, foram consideradas: Ö A construção de um corredor exclusivo de ônibus elétricos ligando o terminal Pompéia com o terminal Parque Dom Pedro; Ö A construção dos dois terminais. A Figura 6.10 mostra uma apresentação da região com os principais eixos de deslocamentos. Figura 6.10: Principais eixos de deslocamento. 83 84 As alternativas estudadas são as seguintes: Ö Para todas Î Instalação de abafadores de ruído e paisagismo nas laterais do elevado (Figura 6.11). Figura 6.11: Implantação do abafadores para diminuir a poluição sonora. Î Construção do Corredor de Ônibus Elétricos e dos Terminais Pompéia e Parque Dom Pedro (Figuras 6.12 e 6.13). Figura 6.12: Terminal de Integração Pompéia – implantação esquemática. 85 Figura 6.13: Terminal de Integração Pompéia – corte longitudinal. Ö Específicas – com eventual demolição do elevado Î 1A - Construção da Nova Via Leste-Oeste em túnel sob a Avenida dos Estados, e posterior demolição do elevado (Figura 6.14). Figura 6.14: Alternativa 1A – Túnel sob a Avenida do Estado com 3 faixas – em Corte. 86 Î 1B - Construção da Nova Via Leste-Oeste de forma mista, em túnel, sob o Parque Dom Pedro, e em elevado sobre a Avenida dos Estados, e posterior demolição do Elevado (Figuras 6.15 e 6.16). Figura 6.15: Alternativa 1B – Implantação da Via Expressa sobre a Av. dos Estados com 3 faixas – em Corte. Figura 6.16: Alternativa 1B – Túnel sob o Parque Dom Pedro (Rua da Figueira e Avenida Mercúrio) com 3 faixas – em Corte. 87 Î 1C - Construção da Nova Via Leste-Oeste em elevado sobre o Parque Dom Pedro e Avenida dos Estados, e posterior demolição do elevado (Figuras 6.17, 6.18 e 6.19). Figura 6.17: Alternativa 1C – Implantação da Via Expressa em elevado – em Corte. Figura 6.18: Alternativa 1C – Implantação da Via Expressa em elevado – em Planta e em Vista. 88 Figura 6.19: Demolição do elevado e implantação de um boulevard inferior. Ö Específicas – com reaproveitamento do elevado As alternativas que contemplam o reaproveitamento do elevado, podem ser iniciadas com a implantação de estruturas metálicas e abafadores, construção do boulevard superior, implantação de corredor de ônibus elétrico, implantação de estações de acesso e urbanização da região sob o elevado (Figura 6.20). Figura 6.20: Implantação dos abafadores, boulevard, corredor de ônibus elétrico e urbanização. 89 Î 2A - Construção da Nova Via Leste-Oeste em túnel sob a Avenida dos Estados, e posterior reaproveitamento do elevado (Figura 6.21). Figura 6.21: Alternativas 1A e 2A - Traçado em Túnel. 90 Î 2B - Construção da Nova Via Leste-Oeste de forma mista, em túnel, sob o Parque Dom Pedro, e em elevado sob a Avenida dos Estados, e posterior reaproveitamento do Elevado. Figura 6.22: Alternativas 1B e 2B – Novo Traçado. 91 Î 2C - Construção da Nova Via Leste-Oeste em elevado sobre o Parque Dom Pedro e Avenida dos Estados, e posterior reaproveitamento do elevado (Figura 6.23). Figura 6.23: Alternativas 1C e 2C – Localização do Sistema Proposto. 92 6.2.3 Concepção Estrutural A concepção estrutural do elevado e da Via Expressa propostos é fundamentada no método construtivo de balanços sucessivos. Conforme citado no subitem 5.2.2 anterior, a construção de elevados em balanços sucessivos é feita a partir dos lados dos pilares, em segmentos; a fôrma para a moldagem de cada segmento é sustentada pelo segmento anterior, sendo, portanto, necessário que o concreto desse segmento anterior esteja com a resistência adequada. Também, neste caso, elimina-se - ou reduz-se drasticamente - o cimbramento. Existe também a alternativa de se fazer estes segmentos pré-moldados (LEONHARDT, 1979). Para maiores detalhes, o processo executivo de vias elevadas em balanços sucessivos está descrita no subitem 5.2.2.3 apresentado anteriormente. Para as alternativas as quais leva em consideração a construção de túneis, o mesmo poderá ser executado pelo processo de NATM, que constitui-se de um processo de construção concebido com o desenvolvimento da escavação em várias etapas sucessivas de avanço. Uma das características principais do NATM é a aplicação de estrutura delgada, como chumbadores, e concreto projetado de espessura reduzida (WAGNER, 1970). Na parte superior (abóbada) logo após a abertura aplicam-se os elementos de sustentação e o concreto projetado delgado, e o mais cedo possível, fecha-se a parte inferior da escavação com concreto projetado em forma de arco invertido (invert). O processo de execução de túneis pelo método NATM está descrito no subitem 5.1.2.1 descrito anteriormente. 93 6.2.4 Obras de Melhorias Físicas e Operacionais Os parâmetros que nortearam o estudo são os seguintes: Ö Restabelecer na região do elevado, o padrão de qualidade de vida; Ö Solucionar o problema do transporte público na região, oferecendo um sistema moderno e não poluente; Ö Solucionar o problema do escoamento de veículos, na ligação leste-oeste, considerando que na região Oeste será implantado o Bairro Novo, e considerando também o potencial de crescimento da região vizinha à Avenida Marquês de São Vicente; Ö Acomodar o crescimento de tráfego a longo prazo; Ö Criar novos espaços de lazer, cultura e comércio para revalorizar a região. 6.2.5 Características Técnicas As características técnicas do projeto proposto pelas alternativas mostradas requer intervenções para viabilizar a idéia, serão necessárias as seguintes: Ö De curto prazo Î Instalar abafadores de ruídos nas laterais do Elevado; Î Criar paisagismo na lateral desse sistema de abafadores para melhorar o aspecto visual. Ö De médio prazo Î Construir os terminais Pompéia e Parque D. Pedro, onde ocorrerá a transferência dos usuários para o sistema de ônibus elétricos; Î Instalar o cabeamento para o funcionamento dos ônibus elétricos e colocá- los em operação. Î Construir uma nova via Leste-Oeste, ligando a Avenida Radial Leste com a Avenida Marquês de São Vicente. Essa ligação poderá ser: Subterrânea, passando sob o Parque Dom Pedro, sob as pistas da Avenida dos Estados, cruzando o Rio Tamanduateí e chegando à Avenida Marquês de São Vicente; Mista, subterrânea e elevada, passando em túnel sob o Parque Dom Pedro e continuando em elevado pela Avenida dos Estados até a Avenida Marquês de São Vicente; 94 Em elevado, ligando a Avenida Radial Leste à Avenida Marquês de São Vicente em estrutura de concreto sobre as pistas da Avenida dos Estados, no cruzamento do Rio Tamanduateí e no trecho até a Avenida Marquês de São Vicente. Î Ou, construir uma nova Via Leste-Oeste ligando a Radial Leste com a Avenida Pompéia, utilizando, para isso, o leito ferroviário. Nesse caso, serão efetuadas as seguintes intervenções: Construção de trecho subterrâneo da via férrea; Adequação das instalações na Estação da Luz e na Estação Barra Funda, em função da tunelização do leito ferroviário. Para isso, serão construídas plataformas subterrâneas e novos acessos; Implantação de pista rodoviária, parte a céu aberto e parte subterrânea, com ligações com as principais avenidas da região. Î Demolir o elevado (Alternativas 1); Î Ou (Alternativas 2), reformular a utilização do elevado instalando uma área de lazer, cultural e de comércio sobre o mesmo, fazendo com que o tráfego de veículos fique encapsulado e não produza ruídos aos moradores locais. Nessa alternativa, poderá ser criado um paisagismo intenso e agressivo, de forma a envolver toda essa cápsula, em que se transformará o elevado. Poderão ser também utilizados recursos de comunicação visual para minimizar a volumetria do elevado; Î Reurbanizar a região sob o elevado, com ações de enterramento de redes de utilidades, instalação de painéis de propaganda iluminados envolvendo os pilares, no caso da alternativa escolhida ser a de reformulação de uso, e instalação de equipamentos urbanos com visual personalizado. 6.3 Estudo de Viabilidade Técnico-Econômico Para a concepção do estudo de viabilidade técnico-econômico foram elaboradas para o presente estudo as planilhas orçamentárias para obras a serem executadas, cronogramas físicos, estudo de tráfego, estudo de receita para uma eventual cobrança de tarifa para tráfego na via expressa, e o estudo de viabilidade para cada alternativa. 95 As Tabelas 6.2 e 6.3 destacam a características e custos para cada alternativa elaboradas para o presente estudo. Tabela 6.2 – Comparativo entre as Alternativas com eventual demolição do elevado COM DEMOLIÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA Código 1A Custo 1.1A Instalação de Abafadores de Ruído e Paisagismo 2.1A Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos 3.1A Construção da Via Leste-Oeste em Túnel 4.1A Demolição do Elevado Costa e Silva 5.1A Urbanização da Região sob o Elevado TOTAL - 1A Código 1B Custo 1.1B Instalação de Abafadores de Ruído e Paisagismo 18.700.225,60 2.1B Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos 605.493.960,17 3.1B 26.750.770,75 8.528.625,00 9.621.353,00 Código 1C Custo 1.1C Instalação de Abafadores de Ruído e Paisagismo 18.700.225,60 2.1C Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos Construção da Via Leste-Oeste em Solução Mista, com Túnel e Elevado 428.770.209,05 3.1C Construção da Via Leste-Oeste em Elevado 282.369.694,36 4.1B Demolição do Elevado Costa e Silva 26.750.770,75 4.1C Demolição do Elevado Costa e Silva 26.750.770,75 5.1B Urbanização da Região sob o Elevado 8.528.625,00 5.1C Urbanização da Região sob o Elevado 669.094.934,52 9.621.353,00 TOTAL - 1B 492.371.183,40 9.621.353,00 18.700.225,60 8.528.625,00 TOTAL - 1C 345.970.668,72 Tabela 6.3 – Comparativo entre as Alternativas com reaproveitamento do elevado COM REAPROVEITA DO ELEVADO COSTA E SILVA Código 2A Custo 1.2A Instalação de Estrutura Metálica, Abafadores e Paisagismo 2.2A Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos 3.2A Instalação de Estrutura Metálica e Construção do Boulevard Superior 4.2A Urbanização da Região sob o Elevado 5.2A Construção da Via Leste-Oeste em Túnel TOTAL - 2A Código 2B Custo 1.2B Instalação de Estrutura Metálica, Abafadores e Paisagismo 18.700.225,60 2.2B Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos 15.411.375,00 3.2B Instalação de Estrutura Metálica e Construção do Boulevard Superior 8.528.625,00 4.2B Urbanização da Região sob o Elevado 605.493.960,17 5.2B Construção da Via Leste-Oeste em Solução Mista, com Túnel e Elevado 27.193.978,00 675.328.163,77 2C Custo 1.2C Instalação de Estrutura Metálica, Abafadores e Paisagismo 27.193.978,00 18.700.225,60 2.2C Construção de Estações de Transferência e Implantação do Sistema de Ônibus Elétricos 18.700.225,60 15.411.375,00 3.2C Instalação de Estrutura Metálica e Construção do Boulevard Superior 15.411.375,00 8.528.625,00 4.2C Urbanização da Região sob o Elevado 428.770.209,05 5.2C Construção da Via Leste-Oeste em Elevado 27.193.978,00 TOTAL - 2B Código 498.604.412,65 8.528.625,00 282.369.694,36 TOTAL - 2C 352.203.897,96 As Figuras de 6.24 a 6.29, destacam os cronogramas físicos considerados para a execução das obras destacadas em cada alternativa, tanto para a solução com a demolição do elevado, quanto pelo seu reaproveitamento: Alternativa 1A - Com Demolição Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ABAFADORES DE RUÍDO E PAISAGISMO ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 9.621.353 # # # # # # CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM TÚNEL 18.700.226 # # # # # # # # # # # # # # # 605.493.960 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # DEMOLIÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA 26.750.771 # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DO TRECHO ONDE HAVERÁ A DEMOLIÇÃO 8.528.625 # # # # # # TOTAL 669.094.935 96 Figura 6.24: Cronograma Físico para a Alternativa 1A Alternativa 1B - Com Demolição Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ABAFADORES DE RUÍDO E PAISAGISMO ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 9.621.353 # # # # # # CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS 18.700.226 # # # # # # # # # # # # # # # CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM SOLUÇÃO MISTA, COM TÚNEL E ELEVADO 428.770.209 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # DEMOLIÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA 26.750.771 # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DO TRECHO ONDE HAVERÁ A DEMOLIÇÃO 8.528.625 # # # # # # TOTAL 492.371.183 Figura 6.25: Cronograma Físico para a Alternativa 1B Alternativa 1C - Com Demolição Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ABAFADORES DE RUÍDO E PAISAGISMO ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 9.621.353 # # # # # # CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS 18.700.226 # # # # # # # # # # # # # # # CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM ELEVADO 282.369.694 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # DEMOLIÇÃO DO ELEVADO COSTA E SILVA 26.750.771 # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DO TRECHO ONDE HAVERÁ A DEMOLIÇÃO 8.528.625 # # # # # # TOTAL 345.970.669 Figura 6.26: Cronograma Físico para a Alternativa 1C Alternativa 2A - Com Reaproveitamento do Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA, ABAFADORES E PAISAGISMO 27.193.978 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS 18.700.226 INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA E CONSTRUÇÃO DO BOULEVARD SUPERIOR 15.411.375 ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 ANO 7 ANO 8 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DA REGIÃO SOB O ELEVADO 8.528.625 # # # # # # CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM TÚNEL 605.493.960 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # TOTAL 675.328.164 Figura 6.27: Cronograma Físico para a Alternativa 2A Alternativa 2B - Com Reaproveitamento do Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA, ABAFADORES E PAISAGISMO 27.193.978 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS 18.700.226 INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA E CONSTRUÇÃO DO BOULEVARD SUPERIOR 15.411.375 ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 ANO 7 ANO 8 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DA REGIÃO SOB O ELEVADO 8.528.625 # # # # # # CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM SOLUÇÃO MISTA, COM TÚNEL E ELEVADO 428.770.209 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # TOTAL 498.604.413 Figura 6.28: Cronograma Físico para a Alternativa 2B 97 Alternativa 2C - Com Reaproveitamento do Elevado Costa e Silva INVESTIMENTO (R$) ATIVIDADES INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA, ABAFADORES E PAISAGISMO 27.193.978 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA E IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS 18.700.226 INSTALAÇÃO DE ESTRUTURA METÁLICA E CONSTRUÇÃO DO BOULEVARD SUPERIOR 15.411.375 ANO 1 ANO 2 ANO 3 ANO 4 ANO 5 ANO 6 ANO 7 ANO 8 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # URBANIZAÇÃO DA REGIÃO SOB O ELEVADO 8.528.625 # # # # # # CONSTRUÇÃO DA VIA LESTE-OESTE EM ELEVADO 282.369.694 # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # TOTAL 352.203.898 Figura 6.29: Cronograma Físico para a Alternativa 2C A Tabela 6.4 resume o resultado do Estudo de Viabilidade elaborado para as Alternativas. Tabela 6.4 – Resumo do Estudo de Viabilidade para todas as Alternativas 98 A alternativa 2B apresentada na Tabela 6.4, foi destacada por ser uma alternativa sugerida, onde os motivos que nortearam à escolha são os seguintes: Ö Eliminação dos impactos ambientais que são causados pelo elevado, a saber: Î Ruído; Î Poluição visual; Î Falta de equipamentos urbanos. Ö Implantação de área pública de lazer, cultura e comércio; Ö Implantação de sistema de transporte público moderno e não poluidor; Ö Formalização de Parceria Público-Privada entre a Prefeitura e uma empresa Concessionária para a execução das intervenções, e operação, conservação e manutenção da Nova Via Leste-Oeste; Ö Cobrança de tarifa urbana aceitável pelos usuários, no valor de R$ 1,00; Ö Não necessidade de investimentos vultuosos por parte da Prefeitura, cabendo à mesma aportes anuais, durante os 25 anos de Concessão, de pequeno valor (R$ 21.450,00). 6.4 Plano de Impacto Ambiental e Impacto na Fluidez do Tráfego O presente trabalho é apresentado na tentativa de melhorar a qualidade de vida dos quatro bairros que são sombreados pelo elevado Costa e Silva. Barra Funda, Vila Buarque, Consolação e Santa Cecília tanto na qualidade ambiental, visual, sonora e na fluidez do tráfego na região. Pois, além da solução de engenharia para o tráfego, estão apresentadas soluções urbanísticas para a região. Em resumo, o trabalho contempla as seguintes observações e alternativas para a questão do tráfego: Ö O elevado não é imprescindível como equipamento para transporte; Ö A função de ligação Leste-Oeste poderá ser melhor desempenhada pela via expressa, com menor impacto ambiental; Ö Mantêm-se as avenidas existentes sob o elevado, caracterizando um eixo de alta capacidade, porém com uma relação direta com os bairros que corta; Ö Prioriza-se a relação atualmente frágil entre os bairros dos dois lados do “Minhocão”, hoje segregados; 99 Ö A nova via expressa, juntamente com o antigo eixo (que passará a ter escala mais local), formará um sistema de múltiplas escalas no sentido Leste-Oeste, com relação direta com o centro e outras vias importantes. A cidade prescinde do elevado, mas não dispensa uma via expressa eficiente, que reflita a escala da metrópole. A proposta em que se baseia o trabalho sugere tanto a demolição quanto o reaproveitamento do elevado, e pode-se construir uma via expressa para fazer a Ligação Leste-Oeste. Parte do fluxo atual de 80 mil veículos por dia hoje poderá ser absorvida pelas avenidas sob o “Minhocão”. Esse fluxo poderá ter um caráter metropolitano também, mas será, sobretudo, um tráfego integrado às funções e espaços dos bairros lindeiros. A maior parte do fluxo, ou seja, aquele que apenas cruza o centro para ligar Leste a Oeste, será desviado para um novo caminho pela via expressa. É interessante, também, pois se aproveita de uma outra cicatriz existente que dificilmente será suprimida: a região do rio Tamanduateí. Seria, assim, uma maneira de agrupar os equipamentos mais agressivos, minimizando seu impacto. 100 7 ANÁLISE CRÍTICA Como solução para os problemas de circulação e tráfego da cidade de São Paulo nos anos 60 e 70, e de certa forma, da solução viária introduzida com a construção da Radial Leste, foi construído o elevado Costa e Silva, o familiar “Minhocão”. Entretanto, o impacto da construção desse elevado, como solução do tráfego urbano, trouxe consigo a degradação do espaço na área onde foi construído. As alternativas estudadas no presente projeto procuram realçar um pouco a região central da cidade, e são oferecidas opções desde a demolição total ou parcial até a sua a permanência como elevado para tráfego de veículos. Os estudos mostraram que caso o elevado seja demolido causará um efeito catalisador no processo de revitalização do centro de São Paulo. As soluções apresentadas neste trabalho foram classificadas em seis alternativas da seguinte maneira: grupos 1 e 2 e classificadas em A, B e C, onde as soluções do grupo 1 contemplam a demolição do elevado e as do grupo 2 a sua permanência. As características das soluções são as seguintes: Ö A: construção da nova via Leste-Oeste em túnel sob a Avenida dos Estados; Ö B: construção da nova via Leste-Oeste de forma mista, em túnel sob o Parque Dom Pedro e em elevado sobre a Avenida dos Estados; Ö C: construção da nova via Leste-Oeste em elevado sobre o Parque Dom Pedro e Avenida dos Estados. As alternativas do grupo 1, apesar de apresentarem menores investimentos financeiros, conforme comparativo das Tabelas 6.2 e 6.3 apresentadas anteriormente, trazem como solução, a demolição do elevado e requerem maiores aportes anuais pela Prefeitura Municipal de São Paulo, esses aportes seria fruto de uma parceria público-privada entre a Prefeitura e uma empresa particular que 101 seria responsável pela execução das obras e operação da nova via Leste-Oeste. Assim, as alternativas do grupo 2 viabilizam-se por necessitar de menores aportes pela Prefeitura e também pela permanência do elevado, causando menores transtornos ao entorno do elevado e solucionando os problemas ambientais, além da implantação de área pública de lazer e cultura. Após análise das alternativas apresentadas, considerando o momento histórico e as possibilidades de benefícios socioambientais, a atual ociosidade do elevado, a possibilidade de adensar e expandir o uso da infra-estrutura instalada e dos equipamentos públicos existentes na área de abrangência do “Minhocão”, é notório o prejuízo que essa construção transporte viário trouxe para os moradores das edificações mais baixas e para o comércio de rua, que estão entre os mais prejudicados e descaracterizados na região. Existem muitos imóveis na região do elevado que possuem valor histórico, e necessita apenas de atitudes que realcem a região e os próprios imóveis. A cidade de São Paulo é um organismo dinâmico e nela tudo pode ser reparado. É preciso almejar o melhor, e hoje não faltam mecanismos e tecnologias para isso. O “Minhocão” exerce hoje uma péssima influência sobre os bairros que circunda. Os “negros tentáculos” do elevado têm diferentes alcances: Ö Na área de influência imediata, existe sombra eterna e falta de ventilação no nível da rua. O “Minhocão” transforma as ruas por onde passa num grande subterrâneo soturno e insalubre; Ö Passando tão próximo dos edifícios criam condições desumanas para se morar ou trabalhar: barulho e sujeira são completados pela paisagem triste, quando se abre uma janela dos segundos andares dos prédios; depara-se diretamente na altura dos carros, cujos motoristas assistem ao cotidiano das famílias enquanto estão parados nos engarrafamentos freqüentes. Os primeiros andares, abaixo do nível dos carros, não têm sequer a chance de ver o sol; Ö Vários quarteirões a partir do “Minhocão” sofrem com a desvalorização dos imóveis, sendo o mais grave a situação dos edifícios mais próximos da via elevada. A perda de interesse imobiliário resulta em imóveis maltratados, 102 baixa densidade, má conservação e usos em dissonância com a oferta de infra-estrutura, como galpões industriais obsoletos ou subutilizados; Ö É indiscutível que, apesar de se tratar de uma via elevada e não constituir um obstáculo físico de circulação entre seus dois lados, existe uma clara diferenciação no padrão dos bairros a nordeste e a sudoeste do elevado. É um símbolo dessa divisão e impede que bairros como Campos Elíseos, com suas belas “casas do café” e grandes lotes, participem da dinâmica de Santa Cecília ou Higienópolis. No entanto, não existem somente pontos negativos na região, pelo contrário: observam-se grande quantidade de estabelecimentos de ensino, tanto públicos quanto privados. Hospitais, bibliotecas, teatros e importantes praças estão também presentes no entorno do elevado. Estão todos, no entanto, perfeitamente desarticulados e isolados uns dos outros. As 4 estações de Metrô existentes podem significar um importante acesso à região, junto das importantes avenidas que estão presentes: Angélica, São João, Pacaembu, Consolação, Amaral Gurgel, Duque de Caxias, entre outras. É uma questão para ser pensada, planejada e organizada com órgãos competentes da cidade São Paulo, e com interesse na realização do projeto, onde questões econômicas e ambientais são fundamentais para a concepção do projeto. 103 8 CONCLUSÕES Dentre as alternativas analisadas, há uma variedade bastante grande desde a remoção até a manutenção do elevado, mas a presente pesquisa indicou que a alternativa 2B é a que apresenta melhores condições técnicas de implantação a curto prazo, investimentos menos onerosos face ao elevado já existir e estar em operação, assim como causaria menor impacto na revitalização da cidade, em função dos pontos negativos já apresentados na análise crítica. O problema financeiro da execução da proposta escolhida é, sem dúvida, bastante considerável. No entanto, o projeto evita ao máximo as intervenções de grande porte como as soluções chamadas “faraônicas” do passado, sendo assim bastante precisa em seu custo-benefício. Os maiores investimentos da operação seriam a instalação do trecho subterrâneo sob o Parque Dom Pedro, obra da maior importância, as desapropriações dos equipamentos próximos à região do elevado e a própria demolição do “Minhocão”, no caso das alternativas que sugerem a demolição do mesmo. Um aspecto importante da proposta é a de que ela é composta por diversas funções articuladas, podendo ser entendida como um conjunto de ações com certo grau de independência quanto à sua implantação, que pode ser feita por etapas e ao longo do tempo, absorvendo os novos condicionantes vindouros de maneira flexível. Esta proposta de solução para o elevado, trará muitos benefícios à região, como a redução da poluição atmosférica, sonora e visual; além das vantagens econômicas, como a valorização de comércios do entorno do elevado, de instituições privadas e públicas, de imóveis e outros. E como conseqüência da execução do projeto, tem-se a reurbanização de todo os locais próximos ao elevado, dando vida e destacando as edificações, valorizando-as novamente. 104 Finalizando, cabe ainda ressaltar que na tomada de decisão a alternativa sugerida foi a mais viável economicamente, após a verificação de que todas as variáveis que influem no sistema foram convenientemente estudadas. 105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASADO, C. F. Puentes de hormigón armado pretensado. Madrid, Editorial Dossat, 1965. GEHRING, J. Alguns Conceitos na Utilização do NATM. Caderno Especial de Túneis, Editora Pini, Sistemas Construtivos, São Paulo, 1989. p.41-47. GORSKI, Michel Todel. Abaixo o elevado. 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