ATITUDES E COMPORTAMENTOS DAS COMUNIDADES COSTEIRAS COM RELAÇÃO À PRESERVAÇÃO DO PEIXE-BOI-MARINHO NO ESTADO DO CEARÁ: O CASO DE ICAPUÍ [email protected] Apresentação Oral-Agropecuária, Meio-Ambiente, e Desenvolvimento Sustentável ROGÉRIO CÉSAR PEREIRA DE ARAÚJO; HELOÍSA CUNHA DE SOUZA; RAFAEL REIS ALENCAR OLIVEIRA. UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, FORTALEZA - CE - BRASIL. ATITUDES E COMPORTAMENTOS DAS COMUNIDADES COSTEIRAS COM RELAÇÃO À PRESERVAÇÃO DO PEIXE-BOIMARINHO NO ESTADO DO CEARÁ: O CASO DE ICAPUÍ Grupo de Pesquisa: Agropecuária, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Resumo O peixe-boi-marinho, Trichechus manatus manatus (LINNAEUS, 1758), único mamífero marinho herbívoro existente, atualmente encontra-se na lista de animais ameaçados de extinção do IBAMA (2001) e da IUCN (2000). A ocorrência dessa espécie no litoral do município de Icapuí, Estado do Ceará, frente à sua forte interação com as comunidades costeiras locais, configura-se motivo de imensa preocupação quanto à sua preservação. Para entender melhor as atitudes e comportamento da comunidade de Icapuí com relação a esta espécie, aplicou-se um questionário com 57 questões fechadas do tipo escala de Likert junto às lideranças e representantes do poder municipal de Icapuí. Investigaram-se questões sobre a existência e efetividade das leis de preservação da biodiversidade marinha, a efetividade da gestão dos recursos naturais costeiros pelo poder público, os modelos de gestão costeira e os valores da comunidade com relação aos recursos naturais. Pode-se concluir que a comunidade de Icapuí demonstrou atitudes e comportamentos de apoio à preservação do peixe-boi-marinho, contudo constatou-se que a comunidade encontra-se insatisfeita com o desempenho dos órgãos ambientais e do poder público local, e que a comunidade desconhece completamente as leis relacionadas com a proteção da biodiversidade marinha. Palavras-chaves: Peixe-boi-marinho, biodiversidade, escala de Likert, preservação, Icapuí. Abstract The Antillean manatee, Trichechus manatus manatus (LINNAEUS, 1758), the unique sea mammal herbivorous existent, at present it is included in the threatened animals list of IBAMA (2001) and IUCN (2000). The occurrence of this species on the coast of municipality of Icapuí, state of Ceará, given its strong interaction with the coastal local communities, is reason for concern regarding its preservation. In order to understand better the attitudes and behaviors of the community of Icapuí regarding the preservation of this species, it was applied to leaders and key respondents of the public sphere a questionnaire of 57 closed-ended questions of the Likert scale type. It was investigated issues concerning 1 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural the existence and effectiveness of the marine biodiversity preservation Acts, the effectiveness of the coastal natural resources by the government, the models of coastal management and the community values regarding the natural resources. We could conclude that the community of Icapuí showed attitudes and behaviors supporting the preservation of the Antillean manatee, however we could verify that the community is unsatisfied with the performance of the environmental agencies and state and municipal government, and that the community is completely unknown of the Acts related to the marine biodiversity protection. Key Words: Antillean manatee, biodiversity, Likert scale, preservation, Icapuí-CE. 1 INTRODUÇÃO O Brasil possui a maior biodiversidade1 do mundo tanto em ambiente terrestre quanto marinho, acolhendo 14% da biota mundial (COUTO et al., 2003; COSTA et al., 2005). Até o presente, o número total de espécies registradas para as águas marinhas do Brasil totaliza cerca de 8.100, sem considerar a fauna de águas profundas que é completamente desconhecida (COUTO et al., 2003). Segundo a Earth Trends, em 2002, o número total de mamíferos conhecidas no Brasil era de 394, sendo que 81 eram consideradas ameaçadas de extinção. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em sua lista de espécies ameaçadas de extinção de 2003, inclui 66 espécies de mamíferos. A Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature (IUCN, 2000), no mesmo ano, inclui 74 espécies de mamíferos brasileiros (COSTA et al. 2005).2 A distribuição por habitat dos mamíferos ameaçados no Brasil estão assim distribuídos: 29% nos ambientes marinhos, 18% na Mata Atlântica, 13% nos Pampas, 12% no Cerrado, 11% no Pantanal, 7% na Amazônia e 6% na Caatinga (COSTA et al. 2005). Os impactos das atividades humanas nos ecossistemas costeiros têm sido apontados como a principal causa do grande número de espécies marinhas ameaçadas. Dentre outros fatores, destacam-se a sobre-exploração dos recursos marinhos, alteração física, atividades petrolíferas, pesca costeira, a caça, a pesca acidental em redes de espera ou espinhel, poluição química, turismo e tráfego aquático (COSTA et al. 2005; COUTO et al., 2003). Ambas as espécies de peixe-boi que ocorrem no Brasil – o peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis Natterer, 1883) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus manatus Linnaeus, 1758) – estão em perigo, sendo que o peixe-boi-marinho é o mamífero aquático mais ameaçado no país (COSTA et al. 2005). O peixe-boi-marinho é um mamífero herbívoro aquático, encontrado em águas oceânicas e estuarinas em nove estados brasileiros (AL, AP, CE, MA, PA, PB, PE, PI e 1 Para Edward O. Wilson, que primeiro cunho o termo biodiversidade, biodiversidade representa a diversidade de todas as formas de organismos vivos, cobrindo três escalas biológicas diferentes onde o homem tem interesse direto: ecossistemas, espécies e genes. Diversidade genética é a diversidade de genes dentro dos indivíduos de uma espécie, diversidade de espécies é representativa do número de espécies e diversidade ecológica refere-se aos ecossistemas diferentes – habitats – numa paisagem. Cada uma dessas escalas depende dos dois outros e todos estão em perpétua evolução (GARNIER, 2008). 2 A divergência entre a lista brasileira e a lista da IUCN deve-se ao escopo da lista, nacional versus global, divergência de opinião entre os especialistas e desatualização. 2 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural RN) (LIMA, 1999). Considerado criticamente em perigo, esta situação tem sido determinada pela morte intencional e acidental dos indivíduos: o encalhe de filhotes, a captura acidental em redes de emalhe, tapagem, arrasto e currais de pesca, seguidos de morte intencional (IBAMA, 1997, 2001). Atualmente, a população remanescente desse mamífero marinho na costa brasileira é estimada em cerca de apenas 278 animais na região nordeste e 207 na região norte (LIMA, 1997). A proteção do peixe-boi-marinho depende da efetividade do arcabouço legal, institucional e político relacionado à proteção da biodiversidade brasileira. Os marcos legais importantes para a proteção da diversidade biológica são os seguintes: a Constituição Federal de 1988 que eleva a proteção ambiental à competência da União e dos Estados (art. 24, VI) (LIMA, 1999); a Lei de Crimes Ambientais, aprovada em 1998; os decretos que definem a lista de espécies ameaçadas e as áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade (COSTA et al. 2005); os princípios e diretrizes da Política Nacional da Biodiversidade (Decreto no. 4.339 de 22 de agosto de 2002) que enaltecem o valor intrínseco da diversidade biológica, independente de seu valor para o homem ou potencial para uso humano, devendo assegurar-lhe um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Poder Público e à coletividade, o dever de defendê-lo e preserva-lo para as gerações presentes e futuras (artigo 2, parágrafo I e V); a Lei de Proteção à Fauna (n°. 5.197, de 03de janeiro de 1967) que em seu artigo 3º declara que “é proibido o comércio de espécies da fauna silvestre e de produtos e objetos que impliquem a sua caça, perseguição, destruição ou apanha...”; a legislação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), instituída em 2002, que incorpora novas categorias de áreas protegidas tais como reservas extrativistas marinhas (RESEX) e reservas de desenvolvimento sustentável (RDS), onde o uso sustentável dos recursos ajudariam a conservar a biodiversidade e melhoraria o padrão de vida de sua população. No âmbito institucional, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) coordena o Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO), que apóia diversas pesquisas e iniciativas de conservação, incluindo planos de manejo para espécies ameaçadas (COSTA et al. 2005). Até 2007, o IBAMA, instituição vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), era responsável pelo estabelecimento e gerenciamento das áreas protegidas no Brasil. Com sua reestruturação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) passou a ser responsável pelas áreas protegidas do governo federal. A conservação dos ambientes marinhos brasileiros começou apenas recentemente nos anos 80 com o estabelecimento de várias unidades de conservação marinha, incluindo a Reserva Biológica do Atol das Rocas (Rio Grande do Norte), o Parque Nacional Marinho de Abrolhos (Bahia), a Reserva de Comboios (Espírito Santo) e a Reserva Biológica de Santa Isabel (Sergipe). Nesse período, tiveram início também projetos visando proteger certas espécies ameaçadas, incluindo as tartarugas marinhas, peixe-boi-marinho, e a baleia jubarte (COUTO et al., 2003). Em 1980, visando proteger o peixe-boi-marinho, foi criado o Projeto Peixe-boimarinho que tem como objetivo desenvolver estudos, programas e projetos de pesquisa, conservação e manejo do peixe-boi-marinho. O projeto desenvolve ações educativas nas comunidades litorâneas buscando conscientizar e incentivar a população à adotar voluntariamente medidas que preservem esta espécie. No Estado do Ceará, estudos foram realizados pela Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos 3 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (AQUASIS) que integrava o REMANE (Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos no Nordeste) e estava vinculada à Fundação de Mamíferos Aquáticos (FMA) (LIMA, 1999). Devido às falhas das abordagens convencionais de gerenciamento dos recursos naturais e frente aos desafios encontrados no campo da conservação e manejo dos ecossistemas marinhos, diversas abordagens estão surgindo e recebendo crescente atenção no meio acadêmico, em órgãos governamentais e não governamentais. Uma abordagem que vem se destacando são as Áreas de Proteção Marinhas (APMs) que são áreas marinhas que estão sob algum nível de restrição de uso, podendo, no Brasil, serem enquadradas dentro das categorias previstas no SNUC, Sistema Nacional de Unidades de Conservação, ou até mesmo em Áreas Militares da Marinha, entorno de plataformas de petróleo, práticas de manejo de comunidades locais e outras situações onde a atividade humana é de alguma forma controlada. Em 2004, o 7º Encontro da Conferência das Partes (COP7) para o Conservação da Diversidade Biológica (CBD, do inglês Convention on Biological Diversity) declarou que as APMs, como parte de uma abordagem mais ampla de gerenciamento marinho e costeiro, são uma das ferramentas essenciais para a conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha e costeira. O Encontro destacou que esta ferramenta permite adotar a ‘abordagem ecossistêmica’ e o ‘princípio da precaução’, e que contribuem para: (a) proteger a biodiversidade; (b) uso sustentável dos componentes da biodiversidade; e (c) gerenciar conflitos, aumentar o bem-estar econômico e melhorar a qualidade de vida (DIEGUES, 2008). No Ceará existem duas áreas de ocorrência do peixe-boi-marinho: Setor Extremo Oeste, litoral do município de Barroquinha (divisa com o Piauí), principalmente no estuário do Rio Timonha; e Setor Leste, litoral dos municípios de Fortim, Aracati e Icapuí, já na divisa com o Rio Grande do Norte (AQUASIS, 2003). A área de estudo desta pesquisa está localizada no Setor Extremo Leste do Ceará, litoral do município de Icapuí, que é considerado uma das principais áreas de ocorrência de peixes-bois marinhos. Por esta razão, em Quitérias-Icapuí, o IBAMA instalou uma base de observação do peixe-boimarinho. Embora, duas Áreas de Proteção Ambiental3 tenham sido instituídas neste município, esta ferramenta não tem mostrado suficiente para incentivar a preservação do peixe-boi-marinho no município. No intuito de reduzir a vulnerabilidade da biodiversidade marinha face ao contexto legal, institucional e política ambiental corrente, outras abordagens de gerenciamento dos recursos costeiros precisam ser investigadas, principalmente com relação aos seus efeitos sobre as comunidades costeiras. No caso específico de Icapuí, cogita-se a criação de uma Unidade de Conservação (Reserva Biológica4 ou Extrativista Marinha) como estratégia para proteger sua diversidade biológica marinha. Portanto, este artigo tem como objetivo analisar as atitudes e comportamentos da comunidade de Icapuí com relação à proteção da biodiversidade marinha, em particular do peixe-boi-marinho, levando em consideração as dimensões institucionais, políticas e modelos de gerenciamento costeiro, utilizando um questionário com questões fechadas do tipo escala de Likert. Os resultados desta pesquisa são úteis para orientar a elaboração de 3 Segundo o SNUC, as APAs têm como objetivos básicos de proteger a biodiversidade, disciplinar o processo de ocupação e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais. 4 Reserva Biológica Marinha, de acordo com o SNUC, prevê a proteção integral da biota e atributos naturais existentes, havendo a desapropriação de áreas particulares incluídas em seus limites, a proibição de visitação pública e a pesquisa científica, dependentes de autorização prévia do órgão responsável. 4 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural políticas para proteção da diversidade biológica marinha e gestão dos recursos costeiros levando em consideração as atitudes das comunidades costeiras. Este artigo é dividido em outras três seções. A segunda seção trata dos aspectos metodológicos: delimitação da área de estudo; detalhamento do método da escala de Likert; definição do questionário; delineamento da análise estatística; e fonte dos dados. A terceira seção apresenta o resultado da análise de confiabilidade, o perfil dos respondentes e a discussão das respostas dos respondentes à escala de Likert. Finalmente, na última seção, são apresentadas as conclusões e sugestões para futuras pesquisas. 2 2.1 METODOLOGIA Área de Estudo A área de estudo está inserida no município de Icapuí no estado do Ceará, abrangendo os principais núcleos populacionais distribuídos ao longo dos 63 quilômetros do litoral, onde há incidência de peixe-boi-marinho. O município de Icapuí, de acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), em 2000, possuía 16.052 habitantes, sendo que 70,9% viviam na zona rural. A densidade demográfica, no mesmo ano, era de 37,5 hab/km2, com uma taxa geométrica 1,8%. A taxa de urbanização mostra-se em declínio, passando de 37,3% em 1991 para 29,0% em 2000. A taxa de mortalidade infantil no município (10,68 por mil nascidos vivos) é consideravelmente inferior à média do estado (18,28 por mil nascidos vivos). O município possui o IDH=0,631, nível médio de IDH, colocando-se na 92º posição, em 2000, na classificação nacional (IPECE, 2007). Em 2004, o PIB de Icapuí alcançou R$ 60.387.000,00 e uma PIB per capita de R$ 3.495,00, abaixo da média estadual (R$ 4.170,00). O PIB por setor está distribuído da seguinte forma: agropecuária, 16,5%; indústria, 30,2%; e serviços, 53,4% (IPECE, 2007). Portanto, o setor de serviços é o que mais contribui para a economia do município. De acordo com Segundo et al. (2003), Icapuí enfrenta a mesma dificuldade de outros municípios da zona costeira, caracterizadas pela sobre-exploração dos estoques pesqueiros, especulação imobiliária e conflitos pelo uso dos recursos naturais. 2.2 Método 2.2.1. Escala de Likert O método utilizado nesta pesquisa é denominado de Escala de Likert que foi desenvolvido por Rensis Likert, em 1932. Este método consiste em usar uma soma escalar para avaliar as atitudes dos respondentes de um questionário. As escalas de Likert atribuem valores às percepções qualitativas de uma dada declaração (questão, afirmação), permitindo tornar empiricamente observáveis os conceitos abstratos incorporados nas declarações e que podem ser utilizadas como indicadores para monitorar mudanças no comportamento dos indivíduos. Este método é usado amplamente para investigar como os respondentes classificam uma série de declarações, sendo útil para capturar os sentimentos, 5 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural opiniões e atitudes dos respondentes. Também é aplicado em pesquisas de mercado para avaliar as percepções dos consumidores sobre uma ampla gama de questões, permitindo investigar suas várias dimensões. Como mencionado anteriormente, a escala de Likert buscam capturar mudanças nas atitudes e comportamentos dos respondentes. Atitude é um constructo5 hipotético que representa a preferência ou rejeição do indivíduo por um item. Em outras palavras, as atitudes são visões positivas, negativas ou neutras com relação à um “objeto”, isto é, uma pessoa, comportamento ou evento. Similarmente, Baron e Byrne (1994) definem atitudes como aglomerados relativamente duradouros de sentimentos, crenças, e tendências comportamentais direcionadas às pessoas, idéias, objetos ou grupos. As pessoas podem também ser “ambivalentes” com relação a uma meta, significando que simultaneamente possuem um viés positivo e negativo direcionado à atitude em questão. As atitudes são compostas por várias formas de julgamentos que podem ser representadas por um modelo baseado no afeto (sentimento), mudança de comportamento (ações) e cognição (crença) 6. A Figura 1 faz uma representação esquemática das relações entre os componentes da atitude. FIGURA 1 – Atitude e seus componentes Fonte: Spooncer (1992) Resultante das interações dos sentimentos, crenças e comportamento, a atitude sofre a ação de estímulos que levam às manifestações das emoções, ações ostensivas e respostas cognitivas. A atitude é o resultado do complexo conjunto destas relações: a resposta afetiva é uma resposta psicológica que expressa a preferência do indivíduo por uma entidade; a intenção comportamental é uma indicação verbal da intenção de um indivíduo; e a resposta cognitiva é uma avaliação cognitiva da entidade para formar uma atitude. Muitas das atitudes dos indivíduos é o resultado da aprendizagem observacional de seu ambiente (SPOONCER, 1992). 5 Constructo é aquilo que é elaborado ou sintetizado com base em dados simples, como, por exemplo, os constructos científicos (MICHAELIS, 2008). 6 Cognição é um conceito usado de várias formas por diferentes disciplinas, mas é geralmente aceito como o processo de pensamento. 6 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural A Escala de Likert ou escala de atributos é utilizada como método para atribuir valores às percepções qualitativas dos respondentes com relação a um conjunto de declarações que representam suas atitudes, comportamento e cognição que retratam questões sendo investigadas. Na construção da escala de atributos, podem-se considerar vários tipos de declarações, como por exemplo: as declarações de atitudes que se referem aos estados psicológicos que incluem as percepções mantidas pelas pessoas, seus pensamentos, idéias e sentimentos sobre uma dada matéria; as declarações de comportamento que se ao que as pessoas fazem ou fizeram no passado; e as declarações cognitivas que se ao que as pessoas sabem, com o que estão familiarizadas, as habilidades que possuem etc. A aplicação da escala de Likert pode dar origem a três tipos de vieses, quais sejam: (i) Tendência central: o respondente pode evitar usar as categorias de respostas extremas; (ii) Resposta de aceitação: o respondente concorda com as declarações como apresentadas; (iii) Aceitação social: o respondente tenta mostrar a si mesmo ou a seu grupo uma imagem socialmente desejável. A construção do questionário deve levar em consideração a possibilidade de ocorrência desses vieses e medidas devem ser adotadas para minimizá-los. 2.3 Questionário Os dados da pesquisa foram coletados por meio de questionário estruturado composto de questões fechadas na forma de escala simétrica de Likert de cinco pontos. A escala de Likert apresenta cinco níveis discretos, assim definidos: 1=discordo fortemente, 2=discordo, 3=nem concordo nem discordo, 4=concordo e 5=concordo fortemente. De acordo com Stone (2003) apud Okcert (2005), na elaboração de um questionário utilizando escala de Likert devem-se considerar algumas regras básicas que são: (i) evitar declaração factual; (ii) fazer declarações no presente; (iii) evitar ambigüidade; (iv) evitar declarações que todos endossam; (v) manter declarações objetivas, claras e simples; (vi) manter declarações curtas e de mesma extensão; (vii) expressar apenas um conceito por item; (viii) evitar sentenças compostas; (ix) assegurar um nível apropriado de dificuldade na leitura; (x) evitar frases com dupla negação; e (xi) não usar “e” ou “ou”, ou ainda listas de exemplos. O questionário possui 34 itens da escala de Likert, dispostos alternadamente na forma direta e reversa, ou seja, as declarações foram arranjadas de tal forma que o respondente tivesse que avaliar declarações afirmativas e negativas alternadamente, com o intuito de evitar os vieses das respostas. O questionário é composto de seis partes. A primeira parte (introdução) é dedicada à identificação do questionário (número do questionário, nome do anotador e data de aplicação do questionário) e apresentação da natureza e objetivos da pesquisa, bem como o caráter sigiloso da pesquisa. As outras quatro partes são denominadas por A, B, C, e D, descritas abaixo. A Parte A procura capturar as atitudes e percepções dos respondentes com relação à existência e efetividade das leis ambientais relacionadas à proteção da biodiversidade. Com esta finalidade, foi apresentado aos respondentes declarações que tratam de aspectos relacionados ao conhecimento, cumprimento, penalidades e informação das leis de preservação da biodiversidade. As declarações desta parte são apresentadas no Quadro 1. 7 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural A Parte B procura capturar as atitudes e comportamentos dos respondentes com relação à efetividade do poder público na preservação da biodiversidade, e em particular do peixe-boi-marinho. Neste sentido, foram apresentadas declarações que tratavam da execução de políticas de preservação ambiental, da disponibilidade de recursos para execução das políticas, das restrições na execução das políticas, da relação das comunidades com o poder público e dos conflitos e integração das ações dos órgãos governamentais. As declarações da Parte B são apresentadas no Quadro 2. Código Declaração A1 As leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas não são cumpridas pelo órgão ambiental competente (IBAMA). As comunidades têm conhecimento das leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas. As leis ambientais de preservação do peixe-boi-marinho não são cumpridas em Icapuí. As leis ambientais são suficientes para motivar a comunidade a proteger as plantas e animais marinhos. As punições previstas na lei ambiental para quem comete crime ambiental não são suficientes para intimidar quem prejudica os animais e plantas marinhas. As leis ambientais que protegem as plantas e animais marinhos devem ser mais rigorosas. Os órgãos ambientais (IBAMA, SEMACE) não conseguem conscientizar a comunidade de Icapuí sobre o conteúdo das leis de preservação das plantas e animais marinhos. A2 A3 A4 A5 A6 A7 Código B8 B9 B10 B11 B12 B13 B14 QUADRO 1 – Declarações da Parte A Declaração O órgão ambiental (IBAMA) executa bem as políticas e ações de preservação das plantas e animais marinhos. O órgão ambiental (IBAMA) não coloca a preservação das plantas e animais marinhos como prioridade em suas ações políticas. O órgão ambiental (IBAMA) dispõe de recursos (pessoal e equipamentos) suficientes para executar sua missão de proteger os animais e plantas marinhas. O órgão ambiental (IBAMA) é impedido de proteger as plantas e animais marinhos porque as comunidades tradicionais não aceitam restrições na pesca e coleta dos produtos marinhos (peixe, ostras, mexilhões, etc.) O órgão ambiental (IBAMA) tem o apoio da comunidade na execução da sua política de preservar as plantas e animais marinhos. O poder público não consegue proteger as plantas e animais marinhos por causa dos conflitos existentes entre os órgãos ambientais. Os poderes públicos federal, estadual e municipal trabalham de forma coordenada para a preservação das plantas e animais marinhos. QUADRO 2 – Declarações da Parte B A Parte C procura capturar as atitudes e comportamentos dos respondentes quanto às formas de gestão dos recursos costeiros, e suas repercussões sobre a preservação da biodiversidade. Foram considerados três modelos de gestão dos recursos costeiros, assim definidos: gestão participativa (GP) que objetiva integrar o planejamento, a pesquisa, e a tomada de decisão, fazendo a comunidade local participar ativamente e compartilhar as responsabilidades com o Estado, reduzindo o controle deste, no entanto, sem eliminá-lo; gestão comunitária (GC) em que as decisões são tomadas exclusivamente pela comunidade 8 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural local, ficando a participação do Estado a critério da comunidade; e gestão estatal (GE) em que o Estado tem o controle exclusivo das decisões, cujas políticas e decisões são centralizadas e impostas de cima-para-baixo, podendo excluir as comunidades locais desse processo. As questões apresentadas nessa parte estão relacionadas com a vulnerabilidade do peixe-boi-marinho, participação comunitária na gestão ambiental, eficiência da fiscalização, criação de unidades de conservação, gestão compartilhada e atuação de organizações não-governamentais. As declarações da Parte C são apresentadas no Quadro 3. A Parte D procura capturar os valores, atitudes e comportamentos que a comunidade detém com relação aos recursos marinhos, e em particular com relação à preservação do peixe-boi-marinho. Neste sentido, foram apresentadas declarações que destacavam o valor das espécies marinhas, o conhecimento sobre a importância do peixeboi-marinho, as atitudes relacionadas à preservação do peixe-boi-marinho, as oportunidades econômicas a partir da preservação do peixe-boi-marinho. As declarações da Parte D são apresentadas no Quadro 4. Código Declaração C15 O aumento da ameaça de extinção do peixe-boi-marinho acontece porque quem cuida da política ambiental é o governo. Haveria uma maior proteção do peixe-boi-marinho se houvesse uma maior participação da comunidade na elaboração da política ambiental. A ameaça de extinção do peixe-boi-marinho aumentou porque não existe nenhuma fiscalização ou controle da pesca marinha. A preservação do peixe-boi-marinho depende da criação, em Icapuí, de uma Reserva Biológica Marinha, onde a pesca seria proibida. A preservação das plantas e animais marinhos não acontece por falta de um plano local de gerenciamento dos recursos costeiros. A preservação dos animais e plantas marinhas seria melhor se fosse executada pela própria comunidade, sem a participação do poder público. A comunidade tem o apoio de organizações não-governamentais para a preservação dos animais e plantas marinhas ameaçadas. C16 C17 C18 C19 C20 C21 Código D22 D23 D24 D25 D26 D27 D28 D29 D30 QUADRO 3 – Declarações da Parte C Declaração O pescador valoriza somente as espécies marinhas que servem para o consumo próprio e comércio. A comunidade não tem conhecimento da importância do peixe-boi-marinho para natureza. A população de Icapuí está preocupada em proteger o peixe-boi-marinho. A comunidade não busca ajuda do órgão ambiental quando há encalhe do peixe-boi-marinho. A comunidade toma alguma providência para salvar o peixe-boi-marinho quando este encalha na praia. O pescador não procura salvar o peixe-boi-marinho quando ele se emalha na rede de pesca. A comunidade sabe que o peixe-boi-marinho pode gerar renda e emprego através da atividade turística. Os técnicos dos órgãos ambientais que trabalham na preservação do peixe-boi não criam problemas para os pescadores artesanais. A comunidade participa de atividades de preservação ambiental promovidas pelos órgãos ambientais (IBAMA). 9 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural Código Declaração D31 As pessoas da comunidade não denunciam a pesca ilegal (compressor, caçoeira, captura de lagosta miúda, pesca durante o defeso). A comunidade solicita ao órgão ambiental a realização de programas de proteção ambiental (fiscalização, monitoramento, educação ambiental, etc.). A comunidade de Icapuí não pretende transformar o mar de Icapuí em área exclusiva para preservação dos animais e plantas marinhas. A comunidade sabe que o óleo dos barcos de pesca pode afetar a saúde do peixe-boi-marinho. D32 D33 D34 QUADRO 4 – Declarações da Parte D 2.4 Análise Estatística 2.4.1. Natureza dos Dados e Análise Estatística A escala de Likert gera um conjunto de dados quantitativos em uma escala ordinal, uma vez que cada item da escala de Likert faz o respondente revelar em qual das alternativas (categorias) ordinais ele pertence. Portanto, a análise apropriada dos itens individuais da escala de Likert deve reconhecer a natureza discreta da resposta, caso contrário pode-se incorrer em erro de inferência. Desta forma, os dados devem ser sumarizados pelas freqüências absolutas ou relativas para as várias categorias de respostas dos itens. Portanto, a análise estatística, predominantemente descritiva, baseia-se no cálculo da média, desvio padrão, valores máximos e mínimos das escalas numéricas, freqüências relativas e absolutas das características demográficas dos respondentes e das respostas aos itens de Likert. Os dados quantitativos são codificados e analisados usando o programa estatístico SPSS – Statistic Package for Scientifc Studies, versão 12.0 para Windows. 2.4.2. Análise de Confiabilidade Confiabilidade é a propriedade que uma escala possui de consistentemente refletir o constructo que se está medindo. Em outras palavras, uma escala é confiável se uma pessoa ao responder o questionário em dois momentos distintos gera o mesmo escore, ceteris paribus. Em termos estatísticos, a confiabilidade reflete a idéia de que os itens individuais (ou conjunto de itens) de um questionário devem produzir resultados consistentes. A confiabilidade pode ser medida por dois métodos: Split-half Reliability (SHR) e Cronbach’s Alpha (CA). O método SHR é considerado a forma mais simples de medir a confiabilidade. Este método consiste em dividir o conjunto de dados ao meio, dando origem a dois subconjuntos, para os quais é calculado um escore. Uma escala é confiável quando o escore de um indivíduo para a metade da escala é igual (ou similar) ao escore da outra metade, de tal forma que, entre vários participantes, os escores das duas metades do questionário apresentam correlação perfeita. Portanto, um valor alto de correlação entre as duas metades é um indicativo de confiabilidade. Este método possui a desvantagem de apresentar medidas de confiabilidade que variam em função da forma como o conjunto de dados é divido. Para superar este problema, Cronbach (1951) propôs uma medida em que os dados são divididos em todas as formas possíveis e computados coeficientes de 10 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural correlação para cada uma das divisões, cuja média é a medida de confiabilidade, denominada de Cronbach’s Alpha (α). Um valor de CA (α) entre 0,7 e 0,8 é uma medida aceitável de confiabilidade, sendo valores substancialmente baixos um indicativo de uma escala não confiável. Cortina (1993) destaca que tais guias gerais precisam ser usados com cautela porque o valor de alfa depende do número de itens na escala. O CA (α) é afetado por itens de escores reversos que são utilizados para reduzir o ‘viés de resposta de aceitação’, podendo até conduzir a um valor de CA negativo. Para evitar este problema, os itens reversos devem ser invertidos antes de se realizar a análise de confiabilidade que devem abranger todos os itens e subescalas. Este estudo realiza a análise de confiabilidade por meio do método de Cronsbach’s Alpha, sendo analisados os seguintes parâmetros: (i) Alpha se o item for eliminado: mostra o valor de alfa quando certo item é eliminado; (ii) Correlação total: é obtido ao calcular as correlações entre cada item e o escore total do questionário. Se um item apresentar correlação menor do que 0,3, isto demonstra que este item não está correlacionado com a escala, podendo ser eliminado; (iii) Cronbach’s Alpha: mede a confiabilidade geral da escala que deve assumir valores entre 0,7 e 0,8, ou em torno disto. 2.5 Fonte de Dados Os dados utilizados nesta pesquisa foram de natureza primária e secundária. Os dados primários foram obtidos por meio de questionários aplicados a 57 informanteschaves, representados pelas lideranças políticas e comunitárias do município de Icapuí, dentre eles presidentes de associações comunitárias e colônia de pescadores, vereadores e secretários da prefeitura. A aplicação dos questionários foi realizada no período de 5 e 8 de novembro de 2008 por três estudantes do curso de Engenharia de Pesca da UFC, devidamente treinados. Os anotadores percorreram 63 quilômetros do litoral do município de Icapuí, abrangendo os três distritos do município (sede de Icapuí, Ibicuitaba e Manibú), 17 comunidades e quatorze praias, visitando preferencialmente as vilas de pescadores onde havia ocorrência do peixe-boi-marinho. Os dados secundários consistiram do conjunto de informações obtidas em artigos, boletins, jornais, revistas científicas, monografias e dissertações disponibilizados na internet e/ou bibliotecas de instituições como a Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Chico Mendes de Conservação à Biodiversidade (ICMBio), Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (AQUASIS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP) e Prefeitura Municipal de Icapuí. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Nesta seção, primeiramente, são apresentados os resultados da análise de confiabilidade do questionário, e, em seguida, discutem-se os resultados das escolhas feitas pelos respondentes para as escalas de Likert. 3.1 Análise de Confiabilidade 11 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural O valor do teste de confiabilidade Cronbach’s Alpha de todos os itens do questionário, após eliminar os itens que apresentaram baixa correlação com o escore total do questionário, foi de 0,8083, evidenciando, portanto, um grau de confiabilidade bom. De acordo com Pasquali (2003 apud BARROS FILHO et al., 2005), valores próximos de 1 indicam consistência interna boa. Gabriel e Tritapepe (2008) ressaltam que, para uma pesquisa exploratória, se aceita valores de Cronbach’ s Alpha acima de 0,6. Do total de 34 itens de Likert originalmente incluídos no questionário, somente 18 deles apresentaram correlação maior ou igual a 0,3 e Alpha em torno de 0,80. Os itens, com seus respectivos valores de α, que tornaram o questionário confiável foram: A1 (0,8031), A2 (0,7945), A5 (0,8069) e A7 (o,832), da Parte A; B8 (0,7965), B9 (0,8066), B12 (0,7925) e B14 (0,7935), da Parte B; somente C17 (0,7971), da Parte C; e D23 (0,7973), D24 (0,8018), D25 (0,7981), D26 (0,8022), D27 (0,7899), D28 (0,8038), D31 (0,8009), D32 (0,7975) e D33 (0,8010), da Parte D. O questionário com itens confiáveis ficou formado por 4 itens da Parte A, 4 itens da Parte B, 1 item da Parte C e 9 itens da Parte D, totalizando 18 itens. O teste de confiabilidade da Parte A obteve valor Alpha de 0,6040, tendo sido mantidos os itens A1, A3, A5 e A7 e eliminados os itens A2, A4 e A6. Este resultado confirmou parcialmente o teste de todos os itens do questionário por ter excluído o item A2 e incluído A3. A Parte B obteve valor Alpha de 0,6489, tendo sido mantido os itens B8, B9, B12 e B14 e eliminados os itens B10, B11 e B13. Este resultado confirmou completamente o resultado obtido na aplicação do teste para todos os itens do questionário. A Parte C obteve valor Alpha negativo, tanto para todos os itens desta parte (-0,4416) quanto para os itens eliminados, bem como para a ‘correlação total do item corrigido’. Este resultado confirma o teste de todos os itens do questionário, quando apenas o item C17 foi mantido por contribuir com a boa confiabilidade do questionário. A Parte D obteve o maior valor de Alpha entre as partes (0,7447), tendo sido excluído do grupo os itens D22, D29 e D31. Este resultado confirmou parcialmente o teste aplicado para todos os itens do questionário, uma vez que ambos os testes incluíram os D23, D24, D25, D26, D27, D28, D32 e D33; e divergiram quanto à inclusão dos itens D30 e D34, incluídos no teste da Parte D, e o item D31, incluído no teste de todos os itens. O valor Alpha da Parte D foi o que mais se aproximou do Alpha obtido quando avaliado todos os itens do questionário (0,8083). Dos resultados obtidos para o teste de Cronbach’s Alpha, tanto para o questionário como um todo quanto para suas partes, pode-se concluir que uma vez eliminados os itens com baixa correlação, o questionário apresentou níveis satisfatórios de confiabilidade (bom), ou seja, com Alpha apresentando valores superiores a 0,6. Apenas a Parte C não apresentou confiabilidade que pode ser devido à elevada complexidade dos constructos envolvidos na tarefa de avaliar os modelos de gestão dos recursos naturais na zona costeira, ou pelo fato do respondente desconhecer os modelos de gestão, ou ainda por não estar familiarizado com este tipo de questão. 3.2 Análise da Escala de Likert A análise da escala de Likert das partes A, B e D foi restringida aos itens que contribuíram para a confiabilidade do questionário, seja no teste do questionário como um 12 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural todo ou de suas partes individuais. A Parte C, embora não tenha obtido confiabilidade, também é analisada no intuído de identificar os fatores que determinaram tal resultado. 3.2.1. Parte A – Percepção e efetividade das leis de proteção da biodiversidade marinha Os escores dos itens da escala de Likert da Parte A demonstraram que os respondentes concordam ou concordam fortemente (n=34 ou 59,6%) que ‘as leis de preservação da biodiversidade marinha não são cumpridas pelo órgão ambiental competente’ (A1); discordam ou discordam fortemente (n=32 ou 56,1%) que ‘as comunidades têm conhecimento das leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas’ (A2); discordam ou discordam fortemente (n=36 ou 63,2%) que ‘as leis ambientais de preservação do peixe-boi-marinho não são cumpridas em Icapuí’ (A3); concordam ou concordam fortemente (n=35 ou 61,4%) que ‘as punições previstas na lei ambiental (...) não são suficientes para intimidar quem prejudica os animais e plantas marinhas’ (A5); e concordam ou concordam fortemente (n=47 ou 88,5%) que ‘os órgãos ambientais não conseguem conscientizar a comunidade de Icapuí sobre o conteúdo das leis de preservação das plantas e animais marinhos’ (A7) (Tabela 1 do Anexo). O percentual de respondentes indecisos, ou seja, que responderam ‘nem concordo nem discordo’, que é uma resposta de neutralidade diante da declaração, foi relativamente baixa em todos os itens da Parte A, assim distribuídos: A1 (12,3%), A2 (8,8%), A3 (5,3%), A5 (15,8%) e A7 (3,5%). Como ficou evidenciado, o item que mais levou à indecisão foi A5 que questionou sobre a adequação das punições previstas para crimes contra a biodiversidade. O desvio padrão para os itens da Parte A demonstra que todos os itens apresentaram dispersão em torno da média, variando entre 1,20 e 1,28. O item que apresentou maior dispersão (1,28) foi A1 que questionou sobre o cumprimento das leis ambientais de preservação da biodiversidade por parte do órgão ambiental competente (IBAMA). 3.2.2. Parte B – Efetividade do poder público na proteção da biodiversidade Os escores dos itens da escala de Likert da Parte B demonstraram que os respondentes discordaram ou discordaram fortemente (n=37 ou 64,9%) que ‘o órgão ambiental (IBAMA) executa bem as políticas e ações de preservação das plantas e animais marinhos’ (B8); concordaram ou concordaram fortemente (n=32 ou 56,1%) que ‘o órgão ambiental (IBAMA) não coloca a preservação das plantas e animais marinhos como prioridade em suas ações políticas’ (B9); concordam ou concordam fortemente (n=32 ou 56,1%) que ‘o órgão ambiental (IBAMA) tem o apoio da comunidade na execução da sua política de preservar as plantas e animais marinhos’ (B12); concordam ou concordam fortemente (n=24 ou 42,1%) que ‘o poder público federal, estadual e municipal trabalham de forma coordenada para a preservação das plantas e animais marinhos’ (B14), enquanto a grande maioria (n=33 ou 57,8%) discorda, discorda fortemente ou é indiferente à esta declaração (Tabela 2 do Anexo). O percentual de respondentes indecisos, ou seja, que responderam ‘nem concordo nem discordo’, foi elevada comparada aos escores da Parte A, assim distribuídos: B8 (12,3%), B9 (19,3%), B12 (17,5%) e B14 (7%). O menor número de indecisos ocorreu 13 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural para o item B14 que questionou sobre a coordenação entre os poderes públicos (federal, estadual e municipal) para execução de ações de preservação da biodiversidade. O desvio padrão dos itens da Parte B demonstra que todos os itens apresentaram dispersão em torno da média, variando entre 1,08 e 1,26. O item que apresentou menor dispersão foi B9 enquanto o que apresentou maior dispersão (1,26) foi B14. Observou-se que o maior desvio padrão dos escores dos itens desta parte também ficou evidenciado pelo fato de que a escala de maior freqüência não foi apoiada pela maior proporção das respostas do grupo para algumas declarações. No item B14, que questiona a coordenação entre o poder público federal, estadual e municipal, a maior freqüência recai sobre a escala ‘concordo’ (n=21 ou 36,8%), embora a maioria dos respondentes tenha declarado que discorda ou discorda fortemente (n=29 ou 50,8%) desta declaração, demonstrando que a maioria dos respondentes acredita que os poderes públicos atuam de forma descoordenada. 3.2.3. Parte C – Modelos de gestão dos recursos costeiros Os escores dos itens da escala de Likert da Parte C demonstraram que os respondentes discordam ou discordam fortemente (n=34 ou 59,6%) que ‘o aumento da ameaça de extinção do peixe-boi-marinho acontece porque quem cuida da política ambiental é o governo’ (C15); concordam ou concordam fortemente (n=52 ou 91,3%) que ‘haveria uma maior proteção do peixe-boi-marinho se houvesse uma maior participação da comunidade na elaboração da política ambiental’ (C16); discordam ou discordam fortemente (n=23 ou 42,1%) que ‘a ameaça de extinção do peixe-boi-marinho aumentou porque não existe nenhuma fiscalização ou controle ambiental’ (C17), embora a grande maioria (n=27 ou 47,4%) concorde ou concorde fortemente com esta declaração; concorda ou concorda fortemente (n=32 ou 56,2%) que ‘a preservação do peixe-boi-marinho depende da criação, em Icapuí, de uma Reserva Biológica Marinha, onde a pesca seria proibida’ (C18); concordam ou concordam fortemente (n=35 ou 61,5%) que ‘a preservação das plantas e animais marinhos não acontece por falta de um plano local de gerenciamento dos recursos costeiros’ (C19); discordam ou discordam fortemente (n=43 ou 75,6%) que ‘a preservação dos animais e plantas marinhas seria melhor se fosse executada pela própria comunidade, sem a participação do poder público’ (C20); concordam ou concordam fortemente (n=32 ou 56,2%) que ‘a comunidade tem o apoio de organizações nãogovernamentais para a preservação dos animais e plantas marinhas ameaçadas’ (C21) (Tabela 3 do Anexo). O percentual de respondentes indecisos da Parte C ficou assim distribuído: C15 (21,1%), C16 (1,8%), C17 (10,5%), C18 (17,5%), C19 (14%), C20 (7%) e C21 (5,3%). O maior número de indecisos foi observado no item C15 que afirma que a causa do aumento da ameaça de extinção do peixe-boi-marinho deve-se ao governo por ser ele o responsável pela execução da política ambiental. O menor número de indecisos ocorreu para o item C16 que sugere que uma maior participação da comunidade na elaboração da política ambiental poderia resultar numa maior proteção do peixe-boi-marinho. O desvio padrão dos itens da Parte C demonstra que todos os itens apresentaram dispersão em torno da média, variando entre 0,93 e 1,27. O item que apresentou maior dispersão (1,27) foi C17 que afirma que o aumento da ameaça de extinção do peixe-boimarinho é devido à inexistência de fiscalização e controle da pesca marinha. Por sua vez, 14 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural os itens com menor desvio padrão foram C15 e C16, respectivamente com 0,93 e 0,95, o primeiro questiona o papel do governo na proteção do peixe-boi-marinho e o segundo questiona o papel da comunidade na elaboração da política ambiental voltada para proteção do peixe-boi-marinho. 3.2.4. Parte D – Valores da Comunidade Relativo ao Uso dos Recursos Costeiros Com relação aos valores atribuídos pela comunidade ao peixe-boi-marinho, os respondentes concordam ou concordam fortemente (n=44 ou 77,2%) que ‘o pescador valoriza somente as espécies marinhas que servem para o consumo próprio e comércio’ (D22); concorda ou concorda fortemente (n=36 ou 63,2%) que ‘a comunidade não tem conhecimento da importância do peixe-boi-marinho para a natureza’ (D23). Com relação à atitude da comunidade com relação à proteção do peixe-boimarinho, os respondentes concordam ou concordam fortemente (n=25 ou 43,8%) que ‘a população de Icapuí está preocupada em proteger o peixe-boi-marinho’ (D24), embora a maioria dos respondentes (n=32 ou 56,1%) discorde, discorde fortemente ou esteja indiferentes a esta declaração; discordam ou discordam fortemente (n=45 ou 74%) que ‘a comunidade não busca ajuda do órgão ambiental quando há encalhe do peixe-boi-marinho’ (D25); concordam ou concordam fortemente (n=45 ou 79%) que ‘a comunidade toma alguma providência para salvar o peixe-boi-marinho quando este encalha na praia’ (D26); discorda ou discorda fortemente (n=27 ou 47,3%) que ‘o pescador não procura salvar o peixe-boi-marinho quando ele se emalha na rede de pesca’ (D27), embora a maioria dos respondentes (n=30 ou 52,7%) concorde, concorde fortemente ou esteja indiferente a esta declaração (Tabela 4 do Anexo). Em termos de conhecimento sobre os benefícios que podem obter com o peixe-boimarinho, os respondentes discordam ou discordam fortemente (n=28 ou 49,1%) que ‘a comunidade sabe que o peixe-boi-marinho pode gerar renda e emprego através da atividade turística’ (D28), embora a maioria dos respondentes (n=29 ou 50,9%) concorde, concorde fortemente ou esteja indiferentes a esta declaração. Quanto às ações dos órgãos ambientais e da comunidade com relação á proteção da biodiversidade, os respondentes concordam ou concordam fortemente (n=30 ou 52,6%) que ‘a comunidade participa de atividades de preservação ambiental promovidas pelos órgãos ambientais (IBAMA)’ (D30); concordam ou concordam fortemente (n=36 ou 60,1%) que as pessoas da comunidade não denunciam a pesca ilegal’ (D31); concordam ou concordam fortemente (n=29 ou 50,9%) que ‘a comunidade solicita ao órgão ambiental a realização de programas de proteção ambiental’ (D32), embora quase a mesma proporção de respondentes (n=26 ou 45,6%) discorde, discorde fortemente ou esteja indiferente a esta declaração. Com relação ao interesse de criação de uma unidade de conservação, os respondentes concordam ou concordam fortemente (n=23 ou 40,4%) que ‘a comunidade de Icapuí não pretende transformar o mar de Icapuí em área exclusiva para preservação dos animais e plantas marinhas’ (D33), embora a maioria dos respondentes (n=34 ou 59,7%) discorde, discorde fortemente ou estejam indiferentes a esta declaração. O percentual de respondentes indecisos da Parte D ficou assim distribuído: D22 (7%), D23 (10,5%), D24 (22,8%), D25 (10,5%), D26 (7%), D27 (24,6%), D28 (14%), D30 (22,8%), D31 (10,5%), D32 (12,3%) e D33 (28,1%). O maior número de indecisos foi 15 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural observado para o item D33 que questiona sobre a intenção da comunidade de Icapuí em criar uma unidade de conservação visando preservar animais e plantas marinhas em seu litoral. Esse elevado número de respostas neutras pode refletir a indiferença ou ignorância dos respondentes com relação a essas questões. Comparado às outras partes, a Parte D foi a que gerou a maior freqüência de respostas neutras comparado às outras partes. A medida de dispersão dos itens da Parte D demonstra que todos os itens apresentaram dispersão em torno da média, variando entre 0,98 e 1,28. O item que apresentou maior dispersão (1,28) foi D32 que afirma que a comunidade solicita ao órgão ambiental a realização de programas de proteção ambiental, evidenciando pouca convicção do grupo com relação a esta declaração. Por outro lado, os itens com menor desvio padrão, ou seja, obtiveram valores em torno de 1, foram D25, D30, D26 e D27. O item D25, que obteve o menor desvio padrão, questiona o fato de a comunidade buscar ajuda do órgão ambiental quando da ocorrência de encalhe do peixe-boi-marinho, o que demonstrou forte convicção dos respondentes com relação a esta declaração. 4 CONCLUSÕES E SUGESTÕES O questionário elaborado de acordo com o método da escala de Likert se mostrou efetivo para capturar as atitudes, comportamento e cognição das lideranças comunitárias e políticas com relação à proteção da biodiversidade em Icapuí. Uma vez eliminados os itens com baixa correlação com o escore total do questionário, este instrumento apresentou bom nível de confiabilidade, tanto para todos os itens quanto para as partes do questionário. Apenas a parte C do questionário não apresentou a confiabilidade desejada, o que pode ter sido determinada pela complexidade do construto ou falta de familiaridade com as questões relacionadas aos modelos de gestão costeira. A Parte A do questionário, que trata da existência e efetividade das leis ambientais, dá margem a respostas contraditórias por parte dos entrevistados e que podem ser determinadas por convicção baseada no senso comum. Isto fica evidenciado pelo fato de que, mesmo reconhecendo que a comunidade de Icapuí desconhece as leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas, os respondentes acreditam que essas mesmas leis não são cumpridas pelo órgão ambiental competente, embora sejam cumpridas pela comunidade de Icapuí, e que as punições pelos crimes ambientais não são suficientes para inibir o descumprimento das mesmas. Porém, a grande maioria reconhece que os órgãos ambientais não desenvolvem campanhas de conscientização sobre o conteúdo das leis de preservação das plantas e animais marinhos na comunidade. A Parte B do questionário evidencia que as lideranças de Icapuí nutrem sentimentos de reprovação com relação à atuação do órgão ambiental, em particular o IBAMA. Isto porque a maioria dos respondentes declararou que o órgão ambiental não executa bem as políticas de preservação das plantas e animais marinhos, mesmo porque não coloca esta questão como prioridade em suas ações políticas, e ainda porque o poder público (federal, estadual e municipal) não atuam de forma coordenada em prol da proteção da biodiversidade. Porém, os respondentes enalteceram que o órgão ambiental tem o apoio da comunidade de Icapuí na execução de suas políticas. Apesar dos itens da Parte C não mostrarem confiabilidade, algumas conclusões podem ser inferidas a partir das respostas dos entrevistados sobre os modelos de gestão costeira, e que, posteriormente, merecem uma investigação mais aprofundada. As 16 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural lideranças políticas e comunitárias não responsabilizam o governo quanto ao aumento da vulnerabilidade do peixe-boi-marinho à sua extinção, porém acreditam que uma maior participação da comunidade e a elaboração de um plano de gestão costeria, ou mesmo a criação de uma unidade de conservação de proteção integral (como uma reserva biológica marinha) seriam necessárias para promover uma maior proteção da espécie. Porém, os respondentes reconhecem que delegar a competência de proteger o peixe-boi-marinho à própria comunidade não resultaria em melhores resultados. Ainda sobre esta parte, os respondentes reconhecem o apoio de organizações não governamentais na proteção da biodiversidade marinha de Icapuí e não têm clareza quanto ao papel da fiscalização e controle ambiental na proteção do peixe-boi-marinho. A Parte D do questionário dá evidência de que os respondentes acreditam que o pescador atribui valor apenas para as espécies marinhas que servem para consumo próprio e comércio e que a comunidade não tem conhecimento da importância do peixe-boimarinho para o ecossistema, embora reconheçam que determinadas práticas realizadas no setor pesqueiro possa prejudicar a espécie (derramamento de óleo, redes de pesca). Por outro lado, a população está preocupada em proteger o peixe-boi-marinho, à medida que busca ajuda ao órgão ambiental quando ocorre encalhe do peixe-boi-marinho ou toma providências neste sentido. Entretanto, a comunidade desconhece a oportunidade que o peixe-boi-marinho pode oferecer em termos de geração de renda e emprego por meio da atividade turística. As escolhas dos respondentes evidenciam que a comunidade solicita ao órgão ambiental a realização de programas ambientais e que a presença dos técnicos de órgãos ambientais não cria constrangimento aos pescadores artesanais. Contraditoriamente, a comunidade não está disposta a denunciar a pesca ilegal realizada em suas águas e indecisa quanto a intenção da comunidade em transformar o mar de Icapuí em área exclusiva para preservação dos animais e plantas marinhas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, M.D.O. Peixe- Boi Marinho, Trichechus manatus manatus: Ecologia e Conhecimento Tradicional no Ceará e Rio Grande do Norte, Brasil. 2007. 118 f. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal) – Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2007. ANTUNES, L.R.; RODRIGUES, G.S.; BUSCHINELLI, C.C.A.; RORIGUES, I.A. Gestão Sustentável da Biodiversidade na APA da Barra do Rio Mamanguape (PB). In: Seminário Internacional de Ciência e Tecnologia na América Latina: A Universidade como promotora do Desenvolvimento Sustentável, 3, 2005. Anais... Disponível em: < http://www.cori.unicamp.br/CT2006/inscricoes.php> Acessado em: 25 out. 2008. 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Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus): distribuição, status de conservação e aspectos tradicionais ao longo do litoral nordeste do Brasil. Série Meio Ambiente em Debate, n. 30, 76p. Brasília: Edições IBAMA, 1999. 18 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural SEGUNDO, J.J.; PAULINO, A.G.L.; ARAÚJO, V.F.. Políticas Sociais de combate à pobreza em Icapuí, Ceará, Brasil. Cidadania participativa: um espaço em construção. Produto 4, 200, 2003. 19 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural ANEXOS TABELA 1 – Distribuição de freqüência absoluta e relativa, média e desvio padrão dos itens da escala de Likert quanto à existência e efetividade das leis de preservação da biodiversidade marinha (Parte A) Declarações A1. As leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas não são cumpridas pelo órgão ambiental competente (IBAMA). A2. As comunidades têm conhecimento das leis ambientais de preservação dos animais e plantas marinhas. A3. As leis ambientais de preservação do peixe-boimarinho não são cumpridas em Icapuí. A4. As leis ambientais são suficientes para motivar a comunidade a proteger as plantas e animais marinhos. A5. As punições previstas na lei ambiental para quem comete crime ambiental não são suficientes para intimidar quem prejudica os animais e plantas marinhas. A6. As leis ambientais que protegem as plantas e animais marinhos devem ser mais rigorosas. A7. Os órgãos ambientais (IBAMA, SEMACE) não conseguem conscientizar a comunidade de Icapuí sobre o conteúdo das leis de preservação das plantas e animais marinhos. Concordo Nem Concordo Desvio Concordo Média Fortemente Nem Discordo Padrão N Discordo Fortemente Discordo 57 5 (8,8%) 11 (19,3%) 7 (12,3%) 21 (36,8%) 13 (22,8%) 57 8 (14,0%) 24 (42,1%) 5 (8,8%) 15 (26,3%) 57 9 (15,8%) 27 (47,4%) 3 (5,3%) 57 12 (21,1%) 23 (40,4%) 57 3 (5,3%) 57 57 3,46 1,28 5 (8,8%) 2,74 1,25 13 (22,8%) 5 (8,8%) 2,61 1,25 7 (12,3%) 13 (22,8%) 2 (3,5%) 2,47 1,17 10 (17,5%) 9 (15,8%) 18 (31,6%) 17 (29,8%) 3,63 1,23 2 (3,5%) 5 (8,8%) 7 (12,3%) 19 (33,3%) 24 (42,1%) 4,02 1,11 5 (8,8%) 3 (5,3%) 2 (3,5%) 25 (43,9%) 22 (38,6%) 3,98 1,20 TABELA 2 – Distribuição de freqüência absoluta e relativa, média e desvio padrão dos itens da escala de Likert que descrevem a efetividade do poder público na preservação da biodiversidade marinha (Parte B) Declarações B8. O órgão ambiental (IBAMA) executa bem as políticas e ações de preservação das plantas e animais marinhos. B9. O órgão ambiental (IBAMA) não coloca a preservação das plantas e animais marinhos como prioridade em suas ações políticas. B10. O órgão ambiental (IBAMA) dispõe de recursos (pessoal e equipamentos) suficientes para executar sua missão de proteger os animais e plantas marinhas. B11. O órgão ambiental (IBAMA) é impedido as plantas e animais marinhos porque as comunidades tradicionais não aceitam restrições na pesca e coleta dos produtos marinhos (peixe, ostras, mexilhões, etc.) B12. O órgão ambiental (IBAMA) tem o apoio da comunidade na execução da sua política de preservar as plantas e animais marinhos. B13. O poder público não consegue proteger as plantas e animais marinhos por causa dos conflitos existentes entre os órgãos ambientais. B14. O poder público federal, estadual e municipal trabalham de forma coordenada para a preservação das plantas e animais marinhos. N Discordo Fortemente Discordo Nem Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Desvio Média Fortemente Padrão 57 15 (26,3%) 22 (38,6%) 7 (12,3%) 12 (21,1%) 1 (1,8%) 2,33 1,14 57 2 (3,5%) 12 (21,1%) 11 (19,3%) 24 (42,1%) 8 (14,0%) 3,42 1,08 57 11 (19,3%) 15 (26,3%) 9 (15,8%) 16 (28,1%) 6 (10,5%) 2,84 1,32 57 14 (24,6%) 18 (31,6%) 11 (19,3%) 11 (19,3%) 3 (5,3%) 2,49 1,21 57 5 (8,8%) 10 (17,5%) 10 (17,5%) 26 (45,6%) 6 (10,5%) 3,32 1,15 57 2 (3,5%) 15 (26,3%) 15 (26,3%) 19 (33,3%) 6 (10,5%) 3,21 1,06 57 10 (17,5%) 19 (33,3%) 4 (7,0%) 21 (36,8%) 3 (5,3%) 2,79 1,26 20 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural TABELA 3 – Distribuição de freqüência absoluta e relativa, média e desvio padrão dos itens da escala de Likert que descrevem os modelos de gestão ambiental da zona costeira (Parte C) N Discordo Fortemente Discordo Nem Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Fortemente Média Desvio Padrão 57 4 (7,0%) 30 (52,6%) 12 (21,1%) 10 (17,5%) 1 (1,8%) 2,54 0,93 57 2 (3,5%) 2 (3,5%) 1 (1,8%) 23 (40,4%) 29 (50,9%) 4,32 0,95 57 3 (5,3%) 21 (36,8%) 6 (10,5%) 16 (28,1%) 11 (19,3%) 3,19 1,27 57 3 (5,3%) 12 (21,1%) 10 (17,5%) 23 (40,4%) 9 (15,8%) 3,40 1,15 57 0 14 (24,6%) 8 (14,0%) 23 (40,4%) 12 (21,1%) 3,58 1,08 57 15 (26,5%) 28 (49,1%) 4 (7,0%) 7 (12,3%) 3 (5,3%) 2,21 1,13 57 5 (8,8%) 17 (29,8%) 3 (5,3%) 27 (47,4%) 5 (8,8%) 3,18 1,21 Declarações C15. O aumento da ameaça de extinção do peixe-boimarinho acontece porque quem cuida da política ambiental é o governo. C16. Haveria uma maior proteção do peixe-boimarinho se houvesse uma maior participação da comunidade na elaboração da política ambiental. C17. A ameaça de extinção do peixe-boi-marinho aumentou porque não existe nenhuma fiscalização ou controle da pesca marinha. C18. A preservação do peixe-boi-marinho depende da criação, em Icapuí, de uma Reserva Biológica Marinha, onde a pesca seria proibida. C19. A preservação das plantas e animais marinhos não acontece por falta de um plano local de gerenciamento dos recursos costeiros. C20. A preservação dos animais e plantas marinhas seria melhor se fosse executada pela própria comunidade, sem a participação do poder público. C21. A comunidade tem o apoio de organizações nãogovernamentais para a preservação dos animais e plantas marinhas ameaçadas. TABELA 4 – Distribuição de freqüência absoluta e relativa, média e desvio padrão dos itens da escala de Likert que descrevem as atitudes, comportamento e cognição com relação aos recursos naturais marinhos (Parte D) Declarações D22. O pescador valoriza somente as espécies marinhas que servem para o consumo próprio e comércio. D23. A comunidade não tem conhecimento da importância do peixe-boi-marinho para natureza. D24. A população de Icapuí está preocupada em proteger o peixe-boi-marinho. D25. A comunidade não busca ajuda do órgão ambiental quando há encalhe do peixe-boi-marinho. D26. A comunidade toma alguma providência para salvar o peixe-boi-marinho quando este encalha na praia. D27. O pescador não procura salvar o peixe-boimarinho quando ele se emalha na rede de pesca, D28. A comunidade sabe que o peixe-boi-marinho pode gerar renda e emprego através da atividade turística. D29. Os técnicos dos órgãos ambientais que trabalham na preservação do peixe-boi não criam problemas para os pescadores artesanais. D30. A comunidade participa de atividades de preservação ambiental promovidas pelos órgãos ambientais (IBAMA). D31. As pessoas da comunidade não denunciam a pesca ilegal (compressor, caçoeira, captura de lagosta miúda, pesca durante o defeso). D32. A comunidade solicita ao órgão ambiental a realização de programas de proteção ambiental (fiscalização, monitoramento, educação ambiental, etc.) D33. A comunidade de Icapuí não pretende transformar o mar de Icapuí em área exclusiva para preservação dos animais e plantas marinhas. D34. A comunidade sabe que o óleo dos barcos de pesca pode afetar a saúde do peixe-boi-marinho. N Discordo Fortemente Discordo Nem Concordo Nem Discordo Concordo Concordo Fortemente Média Desvio Padrão 57 3 (5,3%) 6 (10,5%) 4 (7,0%) 27 (47,4%) 17 (29,8%) 3,86 1,13 57 2 (3,5%) 13 (22,8%) 6 (10,5%) 24 (42,1%) 12 (21,1%) 3,54 1,17 57 2 (3,5%) 17 (29,8%) 13 (22,8%) 19 (33,3%) 6 (10,5%) 3,18 1,09 14 (24,6%) 31 (54,4%) 6 (10,5%) 4 (7,0%) 2 (3,5%) 2,11 0,98 57 57 2 (3,5%) 6 (10,5%) 4 (7,0%) 31 (54,4%) 14 (24,6%) 3,86 1,03 57 6 (10,5%) 21 (36,8) 14 (24,6%) 15 (26,3%) 1 (1,8%) 2,72 1,03 57 2 (3,5%) 26 (45,6%) 8 (14,0%) 16 (28,1%) 5 (8,8%) 2,93 1,12 57 4 (7,0%) 8 (14,0%) 12 (21,1%) 30 (52,6%) 3 (5,3%) 3,35 1,03 57 2 (3,5%) 12 (21,1%) 13 (22,8%) 26 (45,6%) 4 (7,0%) 3,32 1,00 57 1 (1,8%) 14 (24,6%) 6 (10,5%) 19 (33,3%) 17 (29,8%) 3,65 1,20 57 6 (10,5%) 13 (22,8%) 7 (12,3%) 22 (38,6%) 7 (12,3%) 3,26 1,28 57 2 (3,5%) 16 (28,1%) 16 (28,1%) 16 (28,1%) 7 (12,3%) 3,18 1,09 57 1 (1,8%) 8 (14,0%) 5 (8,8%) 26 (45,6%) 17 (29,8%) 3,88 1,05 21 Porto Alegre, 26 a 30 de julho de 2009, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural