UNIVERSIDADE DO CONTESTADO MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC CANOINHAS 2012 ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Regional, no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado, sob orientação da professora Dra. Marley Vanice Deschamps. CANOINHAS 2012 ADRIANA MORO WIECZORKIEVICZ INDICADORES DE MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL DAS FAMÍLIAS NOS MUNICÍPIOS DA 25ª SDR DE SC Esta dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora como requisito parcial para a obtenção do Título de: Mestre em Desenvolvimento Regional E aprovado em sua versão final em _______________, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado (UnC) e Coordenação do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional. ________________________________ Dra. Maria Luiza Milani BANCA EXAMINADORA: ________________________________________ Prof. Dra. Marley Vanice Deschamps (presidente) ________________________________________ Prof.ª Dr.ª Dione Lorena Tinti – UFPR (membro) ________________________________________ Prof. Dr. Armindo José Longhi – UnC/Canoinhas (membro) Os motivos pelos quais se dedica um escrito á alguém, na minha opinião podem ser explicados pelos versos de uma das músicas do grupo Chimaruts: “Mas te vejo, e sinto o brilho desse olhar; que me acalma e me traz força prá encarar, TUDO [...]” Por isso este trabalho é dedicado para: Todas as crianças que já cuidei e aquelas que desejo cuidar... Fabiano, meu companheiro de tudo... A minha família de todos os lados... mesmo que os nomes não sejam citados de um todo... Na força e na fragilidade de minha mãe Clarice; na ingenuidade do coração de criança de meu pai Eraldo; nas diferenças e semelhanças de meus irmãos Mirele e Everton; aos outros irmãos que conquistei...aos filhos “postiços” que ganhei...crianças maravilhosas que não precisaram sobreviver...porque vivem... Aos amigos de casa... e em especial a Luciana, minha nova e velha amiga... (como aconteceu esta amizade? Tão diferente, mas tão....); Para as Doutoras, queridas professores Kleyde Ventura de Souza e Regina Costenaro “[...] Talvez vocês não saibam a diferença que faz uma simples palavra na construção da identidade de um aluno [...]” AGRADECIMENTO Em primeiro lugar o meu agradecimento deve ser aos meus queridos alunos, que se fizeram a razão de ser e fazer este mestrado, que impulsionam a busca pelo conhecimento e o melhor jeito de os fazer entender as nuances do cuidado; A minha orientadora Professora Marley, que com paciência e dedicação me fez enxergar muito além do que a minha formação deixava; por ser também uma mulher forte e elegante, a qual admiro demais; À Universidade do Contestado na pessoa de todos os colegas professores e direção, em especial ao coordenador do Curso de Enfermagem Esvaldo, ao professor Daniel do Curso de Educação Física e a bibliotecária Josiane; Aos professores do Programa de Mestrado em desenvolvimento Regional da UnC, em especial a professora Maria Luiza, coordenadora do Curso e a todos os colegas do curso, que no contexto da dificuldade em pensar minha profissão de uma maneira nova, me fizeram uma nova profissional... Ás enfermeiras Andrea e Eliz, amigas, presenças especiais nestes anos de enfermagem (“preciso dizer que ainda me emociono...”); às colegas e amigas de trabalho Talita, Jaqueline e Fran... As pediatras e também amigas Sarah e Matilde, “o jeito de olhar o outro, transforma o jeito de olhar a si mesmo”. A todos os colegas da Maternidade Dona Catarina Kuss e do Pronto Atendimento Municipal de Mafra. Aos amigos Ademar, Miguel e Mattedi; A todos os outros... “...Preste atenção, Não abra mão dos próprios sonhos... Não tem perdão, não... Não deixe de sonhar, Não deixe de sorrir, Pois não vai encontrar Quem vá sorrir por ti ...” Chimarruts RESUMO A Mortalidade Infantil (MI) representa um evento lamentável, decorrente, na maioria das vezes, de causas evitáveis, por uma combinação de fatores biológicos, sociais, culturais e de falhas do sistema de saúde, e sua redução tem sido observada em todas as regiões do Brasil. Na 25ª SDR do Estado de Santa Catarina também foram observados avanços em relação à queda das taxas de MI, no entanto, se mantém um diferencial interno importante, derivando daí a relevância desta pesquisa, que teve como objetivo geral estudar os indicadores de mortalidade infantil na 25ª SDR, levantando suas principais causas, e como objetivos específicos, levantar as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR no período de 1999 a 2010, relacionando-as com o desempenho econômico dos municípios dessa região, antes e após a descentralização que teve início no ano de 2003; e diferenciar as taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR em relação às condições de óbito. A pesquisa partiu das hipóteses de que as causas de mortalidade infantil nesta regional não estão diretamente relacionadas com a nutrição, saneamento básico e habitação e que os diferenciais observados entre os seus municípios estão relacionados tanto a falta de entendimento quanto aos direitos sociais e a falta de informação sobre a rede de acesso aos tratamentos de saúde e ainda, que o processo de descentralização político-administrativo ocorrido no Estado na última década, não trouxe consigo impacto relevante nas taxas de MI observadas naqueles municípios. Os principais resultados obtidos sugerem que os óbitos de crianças nesta regional têm um importante componente neonatal, e tanto neste como nos óbitos pós-neonatais as causas são discretas, como a falta de acompanhamento no pós-parto, dificuldades no entendimento dos cuidados com os filhos, dificuldade de acesso as redes de saúde de alta complexidade e ainda a distância entre os municípios. Outros eventos, como a baixa escolaridade e a renda não foram significativos para explicar a diferença entre as taxas bem como os problemas com rede de esgoto, desnutrição, entre outros, confirmando a hipótese inicial da pesquisa. Os óbitos infantis na 25ª SDR de SC representam um evento lamentável, com uma tendência de manutenção dos índices da mortalidade com componente neonatal precoce, sendo o reflexo de uma política de gestão ainda insuficiente para o desenvolvimento da região e uma importante situação de subnotificação. Palavras chave: Mortalidade. Infância. Desenvolvimento. ABSTRACT The Infantile Mortality (MI) represents a lamentable, current event, most of the time, of avoidable causes, for a combination of biological, social, cultural factors and of flaws of the system of health, and its reduction has been observed in all the areas in Brazil. In the 25th SDR in the State of Santa Catarina progresses were also observed in relation to the fall of the rates of MI, however, it stays an important internal differential, deriving of there the relevance of this research, that had as general objective to study the indicators of infantile mortality in the 25th SDR lifting its main causes, and as specific objectives, to lift the rates of infantile mortality in the towns of 25th SDR in the period from 1999 to 2010, relating those rates before with the economic acting of the towns of that area and after the decentralization that had beginning in the year of 2003 and, to differentiate the rates of infantile mortality among the towns of 25th SDR in relation to the death conditions. The research cracked of the hypotheses that the causes of infantile mortality in this region are not directly related with the nutrition, basic sanitation and habitation and that the differences observed among its towns are so much related the understanding lack with relationship to the social rights and the lack of information on the access net to the treatments of health and still, that the political-administrative decentralization process happened in the State in the last decade, didn't bring an important impact in the rates of MI observed in those towns. The main obtained results suggest that the children's deaths in this regional one has an important neonatal component, and so much in this as in the deaths pos-neonatais the causes are discreet, as the accompaniment lack in the postparturition, difficulties in the understanding of the cares with the children, access difficulty the nets of health of high complexity and still the distance among the municipal districts. Other events, as the low education and the income were not significant to explain the difference among the rates as well as the problems with sewer net, malnutrition, among others, confirming the initial hypothesis of the research. The infantile deaths in the 25th SDR in SC represent a lamentable event, with a tendency of maintenance of the indexes of the mortality with component neonatal precocious, being still the reflex of an insufficient politics administration for the development of the area and an important situation underreporting. Key Words: Mortality. Childhood. Development. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Taxa anual de queda da Mortalidade Infantil no mundo........................... 37 Figura 2 – Evolução das Taxa Mortalidade Infantil nas Regiões Brasileiras 20012010 ......................................................................................................... 39 Figura 3 – Taxa de Mortalidade Infantil, segundo Macrorregiões de Saúde, Santa Catarina, 2010. (por 1000 nascidos vivos) .............................................. 62 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Número de municípios por faixa de habitantes e população total – Santa Catarina, 2010 ........................................................................................ 59 Tabela 2 – Grau de urbanização proporção de menores de um ano e razão de dependência infantil na 25ª SDR – Santa Catarina, 2010 ...................... 60 Tabela 3 – Comparação entre as taxas de MI 1999-2004 e 2005-2010 nos municípios da 25ª SDR – Santa Catarina............................................... 66 Tabela 4 – Mortalidade Infantil, nascidos vivos e porcentual de MI nos Municípios da 25ª SDR de SC, Estado de Santa Catarina, Região Sul e Brasil referencia SIM-SINASC 2010................................................................. 69 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Características dos óbitos Infantis no município de Itaiópolis no ano de 2010. ................................................................................................. 74 Quadro 2 – Características dos óbitos Infantis no Município de Mafra no ano de 2010. ...................................................................................................... 75 Quadro 3 – Características dos óbitos Infantis no Município de Papanduva no ano de 2010 .................................................................................................. 78 Quadro 4 – Características dos óbitos Infantis no Município de Rio Negrinho no ano de 2010. .......................................................................................... 81 Quadro 5 – Características dos óbitos Infantis no Município de Monte Castelo no ano de 2010. .......................................................................................... 83 Quadro 6 – Características dos óbitos Infantis no Município de São Bento do Sul no ano de 2010 ...................................................................................... 86 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Distribuição dos componentes da Mortalidade Infantil em Santa Catarina no período de 2001 a 2010. (em %) ........................................ 63 Gráfico 2 – Comparação das taxas de MI por triênios (1999-2010) em Santa Catarina e na 25ª SDR. .......................................................................... 64 Gráfico 3 – Comparação das taxas de MI nos município da 25ª SDR em relação ao Estado de SC no triênio 1999-2001 e no triênio 2008-2010. ............. 65 Gráfico 4 – Taxa trienal de Mortalidade Infantil para os municípios da 25ª SDR – Santa Catarina, 1999 a 2010 (por mil nascidos vivos) ........................... 67 Gráfico 5 – Evolução do PIB, em médias trienais, para os municípios da 25ª SDR – Santa Catarina, 1999 a 2009 (em milhões de reais) .............................. 67 Gráfico 6 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Itaiópolis - 1999-2010 referência SIM..................................................... 72 Gráfico 7 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Mafra - 1999-2010 referência SIM.......................................................... 75 Gráfico 8 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Papanduva - 1999-2010 referência SIM. ................................................ 77 Gráfico 9– Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Rio Negrinho - 1999-2010 referência SIM. ................................................... 80 Gráfico 10 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Monte Castelo - 1999-2010. ................................................................... 82 Gráfico 11 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de São Bento do Sul - 1999-2010. .............................................................. 85 Gráfico 12 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Campo Alegre - 1999-2010 .................................................................... 88 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 23 2.1 O PROCESSO SAÚDE E DOENÇA E AS FACES DO DESENVOLVIMENTO .. 23 2.2 INCURSÕES SOBRE A DIMINUIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO E OS MODELOS DE GOVERNABILIDADE .......................................................................................... 27 2.3 A TRANSIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL E NO MUNDO ...... 33 2.4 POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS E SEUS PROGRAMAS DIRECIONADOS À SAÚDE INFANTIL ............................................................................................... 39 2.5 VULNERABILIDADE SOCIAL E SEUS REFLEXOS NA MORTALIDADE INFANTIL ............................................................................................................ 47 2.6 A CLASSIFICAÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS....................................................... 51 3 METODOLOGIA .................................................................................................... 56 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ..................................... 58 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 93 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 99 APÊNDICES ........................................................................................................... 108 APÊNDICE A – Questionário guia de entrevista sobre mortalidade infantil ............ 109 ANEXOS ................................................................................................................. 113 ANEXO A – Dados do número de nascidos vivos e óbitos neonatais no período de 1999 à 2010 na 25ª SDR de Santa Catarina ............................................... 114 ANEXO B – Número de óbitos de crianças no período de 1999 à 2010 por componentes e suas médias trienais nos municípios da 25a SDR de Santa Catarina ............................................................................................................ 115 13 1 INTRODUÇÃO O estudo do processo de desenvolvimento das regiões é uma necessidade premente para a (re)condução do planejamento das ações dos governos, este se apresenta amplo, intrigante e complexo. Apesar disso, os estudos sobre desenvolvimento ainda são insipientes, assim, todas as pesquisas na área que apontam lacunas e soluções para os problemas decorrentes do desenvolvimento ou para chegar a ele, auxiliam na construção de parâmetros confiáveis que precisam ser colocados em pauta nos discursos e nas práticas da sociedade. Isto também ocorre na região do Contestado, onde os diferentes arranjos socioeconômicos, políticos e culturais se exacerbam, sendo uma referência para a criação e instalação de uma nova modalidade de governo no Estado, a política descentralizada. Assim, as Secretarias de Desenvolvimento Regionais (SDRs) instaladas em Santa Catarina têm o objetivo de intervir e transformar a desigualdade e a pobreza, visando a melhoria da qualidade de vida da população (BRANDÃO apud DALLABRIDA, 2010). Estudar as nuances do desenvolvimento regional é uma tarefa árdua que deve ser realizada pelas diferentes interfaces disciplinares, para que cada área de estudo possa colaborar com os conhecimentos pertinentes a sua formação, já que o desenvolvimento se desdobra em questões variadas, não podendo ser foco somente de economistas. O desenvolvimento deve ser assunto a ser discutido de maneira ampla em todos os níveis de ensino, dando condições a toda a sociedade do seu entendimento. Desta forma, dentro do programa de mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado cabem para estudo diferentes focos relacionados ao desenvolvimento e, como importante indicador deste, e de interesse pessoal da pesquisadora, já que como enfermeira pediátrica de formação acompanha várias situações em que as crianças são colocadas em risco, a Mortalidade Infantil é o tema abordado neste trabalho. O conceito de vida/morte em sua dimensão biológica se tornou o fator preponderante na modernidade. A vida da população entendida como recurso humano/material hoje também é tratado sob a égide da produção do consumo. Desta forma, compete ao estado (Razão de Estado) administrar (por meio das políticas públicas) todos os eventos vitais pelos quais passa um ser humano da gestação a sua morte. Assim, mesmo sendo uma prioridade no discurso dos governos, a Mortalidade Infantil ainda representa um evento lamentável, 14 principalmente pela perda precoce da possibilidade de vida, decorrente, na maioria das vezes, de causas evitáveis, de uma combinação de fatores biológicos, sociais, culturais e de falhas do sistema de saúde, que precisam ser contempladas com Políticas Públicas de Saúde e um esforço coletivo e individual efetivo, e não somente como intenção de campanha política (OPAS, 2009). Mas de maneira global, quem são as crianças que ainda morrem? Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 2008) são consideradas crianças aquelas pessoas compreendidas na faixa etária de zero a doze anos, estas estão em toda parte e precisam ser protegidas, cuidadas e acompanhadas. “Nas ruas, nas escolas, nas praças, nas praias” (PRIORE, 2000, p. 7). O seu destino é variado, não há como prever. Há aquelas que estudam, as que cheiram cola, as que brincam, as que roubam. Há as que são amadas e outras que são usadas. Pensando em melhora da qualidade de vida no âmbito das crianças, proporcionado pela redução das condições que levam a mortalidade precoce, é importante considerar que o mundo infantil atual em muitos aspectos continua a reproduzir o pragmatismo de como era a infância no passado. Priore (2000, p. 8) indaga: “Qual o lugar da criança na sociedade? Numa sociedade desigual e vincada por transformações culturais, teremos tratado nossas crianças de forma igual?”. Assim, é preciso se inserir nesta discussão minimamente refletindo a vulnerabilidade infantil, os “ensaios” e programas para a diminuição da mortalidade na infância, o acompanhamento dessas crianças que não morreram, sempre partindo do que historicamente este tema apresenta. Apesar de todos os percalços vivenciados pelas crianças e suas famílias para a sobrevivência, o direito a vida é assegurado pela constituição brasileira. O Estado de certa forma intervém no processo de nascimento, crescimento e desenvolvimento infantis. Nesse sentido, a mortalidade infantil tem sido considerada, historicamente, um dos problemas mundiais mais graves, e sua redução um indicativo de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de desenvolvimento. Desde os primórdios, com a evolução das espécies e a sobrevivência dos mais fortes, já podiam ser vistos indicativos do que poderia reduzir os riscos para que a mortalidade acontecesse na infância - uma melhor alimentação, acesso à água sem contaminação e cuidados de saúde. Segundo IBGE (1999) existem evidências muito fortes de que o processo de transição da mortalidade de altos para baixos níveis e o consequente aumento na 15 esperança de vida ao nascer, tenha sido um fenômeno mundial após a Segunda Guerra. Também aponta que a transição se deve em partes a revolução da saúde pública após os anos de 1930. Segundo Macinko, Guanai e Marinho apud Almeida e Szwarcwld (2012) a década de 1990 teve importante avanço no que diz respeito à redução da Mortalidade Infantil no Brasil, em decorrência a forte expansão dos cuidados primários de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos Programas de Agentes Comunitárias da Saúde e Programa Saúde da Família (PSF). Já no século XXI, ano 2000, reconhecendo a gravidade que representa a mortalidade infantil, e a relação direta que o desenvolvimento deveria ter nas quedas desses níveis, e o impacto desses indicadores nas relações entre os países, 191 chefes de Estados do Mundo firmaram metas para serem atingidas até o ano de 2015. Estas metas refletem, na verdade, consensos acerca de objetivos que devem ser atingidos na busca do desenvolvimento das nações (OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO, ODM, 2007). Nesta declaração em que consta os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ficou estabelecido aquilo que se pretende alcançar no ano de 2015: que 500 milhões de pessoas no mundo saiam da linha da pobreza extrema, mais de 300 milhões de pessoas não passem mais fome e que 30 milhões de crianças deixem de morrer antes de completar cinco anos (ODM, 2007). Pensando nesses objetivos, Kim Bolduc (Coordenadora - Residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil apud ODM, 2007) questionou se esses planos e ações desenvolvidas melhorariam a vida das pessoas no mundo, porque conforme a Declaração das Nações Unidas sobre o direito ao desenvolvimento, o ser humano deve ser o principal participante e beneficiário de uma política de desenvolvimento. Outra importante pactuação foi realizada na reunião da Comissão Intergestores Tripartite no dia 26 de janeiro de 2006 e aprovado na reunião do Conselho Nacional de Saúde do dia 09 de fevereiro de 2006, chamado de Pacto pela Vida, na qual foram estabelecidas metas para serem alcançadas pelos Estados e Municípios, assim como nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio. Neste documento o eixo II diz respeito também à redução da mortalidade de crianças, esperando-se para este indicador síntese de desenvolvimento, estimular a sua investigação, visando subsidiar intervenções para este evento (BRASIL, 2007). As taxas de mortalidade infantil (TMI) são calculadas se verificando entre mil crianças nascidas vivas, quantas morreram antes de completar um ano de vida no 16 mesmo período. Essas mortes são utilizadas como uma representação, já que existe maior risco de mortalidade nesta etapa da vida. Também é utilizada para facilitar a comparação entre diferentes países ou regiões. O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes para cada mil nascimentos (REDE, 2008). A redução das taxas de Mortalidade Infantil é resultado de intensas campanhas de vacinação, da descoberta de novos medicamentos, da conscientização sobre a importância do pré-natal, de uma assistência adequada à mulher durante este período, acompanhamento cuidadoso das mães em gestação considerada de risco entre outras ações (SILVA et al., 2011). Segundo IBGE (1999) o governo vem pondo em prática suas políticas para diminuir a mortalidade na infância, a principal delas são os programas de distribuição de renda, mas somente isto não basta, deve também priorizar qualificar as equipes médicas e equipar hospitais de regiões carentes, dando condições mínimas de saúde para a população. Legitimamente existe uma enorme distância entre o mundo infantil descrito pelas organizações internacionais, pelas não governamentais ou pelas autoridades e, aquela no qual a criança se encontra cotidianamente imersa: “O mundo do qual a criança deveria “ser” ou “ter” é diferente daquele onde ela vive, ou na maioria das vezes sobrevive” (PRIORE, 2000, p. 8). Priore (2000) cita Nava (19--?) o qual sugere que ser criança num país marcado por diferenças regionais e de condição social tão variada, com falta de acesso de todas as formas, falta de comida e outros, está vinculado a uma identidade dada pela pobreza material e intelectual. Material no que diz respeito à infraestrutura urbana, acessibilidade entre outras condições. Intelectual naquilo que se apreende, principalmente, em se tratando de cuidados, necessidades humanas básicas e cultura. Por isso, pensar em redução da mortalidade infantil como retrato do desenvolvimento, traz a tona outras variáveis que dizem respeito a conceitos de família e sociedade, princípios da educação e da cidadania. A questão central pode não ser nem mesmo o entorno territorial, saneamento, falta de alimento, e sim de outros aspectos que ainda estão obscuros. Rocha (2002, p. 52) aponta: “a infância não acontece da mesma forma para todas as crianças e as histórias se diversificam a cada experiência”. Por isso, o desenvolvimento de uma região, apesar de estar associado à qualidade de vida, pode ou não ser condição sine qua non para a redução da mortalidade infantil, já que em estudos anteriores podemos observar que 17 em momentos de crise econômica, o Brasil conseguiu ter redução da mortalidade (IBGE, 1999). É possível então que países em desenvolvimento, até mesmo aqueles muito pobres ainda consigam reduzir seus índices de mortalidade com boa qualidade de vida? Isto pode acontecer dependendo da maneira diferenciada da organização de seu capital humano? Outras influências como a cultura e a religião podem ser evidenciáveis na redução da mortalidade infantil? Cabe ressaltar que os mais baixos níveis de mortalidade infantil são encontrados em países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, os índices se encontram em queda por ainda se apresentarem em níveis elevados, havendo, portanto, margem para que essa redução se efetive. Por outro lado, nos Países desenvolvidos a margem de queda é menor, justamente por se encontrarem em patamares bastante reduzidos de mortalidade infantil. Assim, países em desenvolvimento, como o Brasil, segundo Rede (2008) invariavelmente possuem taxas de mortalidade infantil maiores que os desenvolvidos. O Brasil ocupava a posição de número 91 entre 196 países do mundo no ranking de mortalidade, com uma taxa de 47,1 óbitos por nascidos vivos em 1999 e 19 mortes por 1000 nascidos vivos no ano de 2008 (PINHEIRO; PERES; D’ORSI, 2010) e em 2011 passou a ocupar a posição número 90 no ranking. Entre os países que apresentam uma maior mortalidade de crianças, está no topo da lista o Afeganistão, são 165 mortes em mil nascidos. Entre os países nos quais menos morrem crianças, há San Marino, Cingapura, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo e Suécia. Nestes países acontecem, em média uma ou duas mortes em mil por ano (BRASIL, 2012). Apesar de o Brasil apresentar melhoras nos indicadores de mortalidade infantil devido a uma melhor nutrição e a melhorias na saúde infantil, não se pode negar que a maior contribuição vem dos programas de distribuição de renda. Estes têm desempenhado um papel fundamental no processo de inclusão econômica e social de parcela da população brasileira menos favorecida (ODM, 2007). Mesmo assim, ainda é chocante pensar que, em um país com um dos melhores Produtos Internos Brutos do mundo - PIB (10ª posição, segundo IBGE, 2007), a posição no ranking de mortalidade ainda seja tão ruim. Em relação a este aspecto, o mais indignante ainda é saber que essas mortes ocorrem na sua maioria por causas primitivas, evitáveis, como a diarreia (DIMENSTEIN, 2011, p. 61): 18 A ONU estima que 1,8 milhões de crianças morrem de diarréia por ano no mundo. São 1,8 milhões de vidas que poderiam ser poupadas com medidas simples, como o acesso da população a água encanada e sistema de esgoto. No mundo, são 2,5 bilhões de pessoas que não possuem esgoto. No cenário atual, o acesso à assistência a saúde é um dos principais componentes para a redução das taxas de mortalidade infantil no Brasil, todavia, ainda há desigualdades entre as regiões do país. Mesmo tendo uma importante queda nas taxas de mortalidade infantil, a Região Norte é a mais preocupante. Já a Região Sul, mantém suas taxas em declínio contínuo e lento. O Estado de Santa Catarina apresentou em 2010 uma taxa de 10,5% em relação à mortalidade infantil, enquanto o Brasil manteve sua taxa geral em 19,9%. Esses dados denotariam um relevante sucesso do Estado de Santa Catarina, o qual se diferencia dentro do país, todavia, nem todos os indicadores atestam que o mesmo realmente tem os seus problemas de desigualdade ou pobreza resolvidos. No ano 2000, 16,2% dos habitantes de Santa Catarina estavam abaixo da linha da pobreza, não usufruindo os benefícios gerados de seu desenvolvimento, refletidos em seus índices. Silva e Panhoca (2007) afirmam que 24,6% das crianças residentes no Estado vivem abaixo da linha da pobreza. Embora alguns indicadores de vulnerabilidade mostrem valores altos na determinação do Índice de Desenvolvimento Humano de algumas regiões do Estado, este, quando desmembrado em grupos de municípios, faz transparecer desigualdades significativas. Essas desigualdades entre os municípios de um mesmo estado, ou até mesmo de uma mesma região, denotam aspectos históricos e políticos de desenvolvimento. Segundo Santos (2004, p. 107) “Santa Catarina é um verdadeiro mosaico étnico”. A população é diversificada, sendo que de uma cidade para outra, pode-se perceber diferenças marcantes. O Estado de Santa Catarina costuma ser reconhecido como tendo menos desigualdade social e econômica em seus municípios em relação aos outros estados do país, o que seria um estado com “pouca ou nenhuma pobreza”, ou seja, não revelaria regiões extremamente atrasadas em detrimento de outras muito desenvolvidas (TAVARES; JÚNIOR, 2009). De maneira geral, o estado tem tentado diminuir as desigualdades, e com a descentralização político-administrativa ocorrida a partir de 2003, existe uma impressão que sugere a sensação de maior presença governamental nas regiões (BIRKNER; TOMIO, 2008). Apesar dessa generalizada autonomia, pequenos 19 municípios, devido à incapacidade de recolher recursos fiscais suficientes e organizar uma governança capacitada, são muitas vezes incapazes de exercer plenamente essa autonomia (BICKNER, 2011). Para melhorar os índices gerais do Estado, a busca de medidas em relação à melhora da saúde da população e uma atividade central em saúde pública é fundamental para reduzir as desigualdades, neste montante, o principal indicador de qualidade de vida inicia com o registro sistemático de dados de mortalidade e de sobrevivência. Segundo Rede (2008), os indicadores de saúde foram desenvolvidos para assegurar um controle sobre ações desenvolvidas e facilitar a quantificação e avaliação das informações produzidas. São medidas-sintese que contêm informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. A região Sul do país já apresenta índices bastante satisfatórios em relação à Mortalidade Infantil. Preterivelmente no estado de Santa Catarina, o risco de morrer antes de completar um ano de vida na última década foi reduzido em quase um terço (28,5%), sendo que no ano 2000 a taxa aproximada de mortalidade infantil era de 15,8% e em 2010 foi de 10,5%. A maior redução (40,8%) ocorreu na mortalidade pós-neonatal (28 á 364 dias) (DATASUS, 2011). Assim, levando em consideração a quarta meta dos objetivos de desenvolvimento do Milênio, no que concerne à redução da mortalidade infantil, uma importante estratégia é a adoção das políticas públicas de saúde que comprovadamente possam reduzir o risco de morte, principalmente por causas evitáveis. Os estados e municípios devem, além de pactuar, buscar a realização de ações que considerem necessárias ao alcance das metas e objetivos gerais propostos. No caso da mortalidade infantil, foi pactuado em todo o Brasil que entre os anos de 2010/2011 a redução deveria ser de 2,4% no geral para este período em relação ao anterior, 2008/2009. Todavia a queda ficou em 0,9%. Por isso, o incentivo e execução de estratégias para melhorar a Saúde Integral da Criança deve ser foco principal dos gestores em todos os municípios. Segundo Frota et al. (2010) em 2010, o Mistério da Saúde publicou que o Brasil mantém queda sustentada de mortalidade infantil no período de 1990 a 2008: Entre 1990 e 2008, a mortalidade neonatal caiu 36% (a quantidade de óbitos baixou de 46.893 para 29.881). No mesmo período, a mortalidade infantil geral (de 0 até 12 meses de vida) teve redução de 54%: o número de 20 mortes caiu de 95.476 para 43.601 (MINISTÉRIO DA SAÚDE apud FROTA, 2010, p. 130). Mais precisamente segundo dados do UNICEF, no ano de 1990 morreram 49 crianças antes de completar um ano de vida no Brasil por mil nascidos vivos, já em 2008, o número de mortes foi de 18 por mil (DIMENSTEIN, 2011). Em Santa Catarina pode se observar que a tendência de queda da mortalidade infantil se mantém. Todavia, após 10 anos do delineamento dos objetivos a serem alcançados no milênio, pode-se perceber diferenciações na sua conformação nas diferentes regiões do Estado, mesmo elas tendo a mesma maneira de gestão pela conformação política proposta. No Planalto Norte, observa-se uma importante queda no indicador de Mortalidade Infantil (DATASUS, 2011), todavia ainda é visível um distanciamento entre os municípios da própria região e seus pares e os resultados alcançados em relação a este importante indicador de desenvolvimento. Desta forma, esta dissertação teve como questão norteadora, quais seriam as características dos óbitos infantis nos municípios do Planalto Norte Catarinense na última década (1999 a 2010) e, entre as duas regiões que o formam, foi escolhida a 25ª Secretaria de Desenvolvimento Regional, que abrange os municípios de Mafra, São Bento do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho, Itaiópolis, Papanduva e Monte Castelo. Para responder a questão norteadora desta dissertação, foi delineado como Objetivo Geral estudar os indicadores de mortalidade infantil na 25ª SDR de SC, levantando suas principais causas, e como Objetivos Específicos, levantar as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR de SC no período de 1999 a 2010; verificar as causas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR de SC no ano de 2010; relacionar as taxas de mortalidade infantil da 25ª SDR de SC com o PIB dos municípios dessa região antes e após a descentralização que iniciou a partir do ano de 2003; diferenciar as taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR de SC em relação às condições de óbito. A pesquisa partiu das hipóteses de que as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SRD decaíram na última década acompanhando a tendência do Estado de SC e tendenciando a alcançar os objetivos de desenvolvimento do milênio; que na região da 25ª SDR de SC as causas de mortalidade infantil não estão diretamente relacionadas com a nutrição, saneamento básico e habitação; que a diferenciação das taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR de 21 SC está relacionada à falta de entendimento dos direitos sociais e de informação sobre a rede de acesso aos tratamentos de saúde; e, que as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR de Santa Catarina decaíram na última década, todavia não havendo relevante impacto relacionado ao aumento do PIB e/ou após o processo de descentralização do governo. Todo o conteúdo da pesquisa está apresentado em três fases: a primeira contempla a revisão da literatura pertinente ao assunto para posterior embasamento da discussão; na segunda parte estão organizados os passos metodológicos para alcançar os objetivos propostos e na terceira parte se apresentam os dados da pesquisa, suas análises e as discussões propostas para a temática, assim, os dados levantados por meio da pesquisa puderam ser melhor visualizados depois de descrito em uma série explicativa de dados, sendo apresentados os dados de mortalidade por causas nos referidos municípios no ano de 2010, dados referentes às taxas gerais de mortalidade infantil no período de 1999 a 2010 por município, seguidos da descrição das entrevistas apresentadas em quadros. Na sequência os dados de mortalidade foram relacionados com os valores de PIB de cada município. Foi possível diferenciar as taxas de mortalidade infantil nos municípios da 25ª SD de Santa Catarina, podendo perceber no decorrer da dissertação que, mesmo fazendo parte de uma mesma região e, o processo de descentralização da economia em muito ser indicado como fundamental para aproximar a população dos serviços essenciais, melhorando a renda e respectivamente as condições vida, ainda existem causas discretas, intrínsecas aos próprios municípios, ou seja, que devem ser providos de maneira individual. Foi motivação para a realização desta pesquisa a escassez de trabalhos que abordam as desigualdades intra e inter-regionais no estado de Santa Catarina sob o ponto de vista social e econômico. Em particular, pode-se perceber a escassez de trabalhos relacionados ao desenvolvimento regional a partir da óptica do indicador de mortalidade infantil. Apontamentos foram feitos entre as teorias do desenvolvimento e os dados alcançados com a coleta empírica, respondendo as questões norteadoras desta pesquisa assim como gerando novas indagações. Com a leitura da dissertação será possível considerar que as taxas de mortalidade infantil se apresentam como indicadores importantes, não só para se medir o nível de saúde de determinada população residente em espaços específicos, mas também do seu nível socioeconômico, desde que investigados 22 como bastante clareza. Com a organização dos dados, pretende-se mostrar sobre as condições de saúde, aspectos relacionados à nutrição, saneamento básico e habitação, e também sobre as causas discretas para ocorrência dessa fatalidade de morrer na infância que é intrínseca de comunidades e/ou regiões distintas entre outras. Dessa forma, ir ao domicílio, conhecer as famílias que tiveram óbitos de suas crianças, estudar as condições de vulnerabilidade que ainda levam a mortalidade das mesmas pode auxiliar na compreensão do complexo processo de desenvolvimento da região. Pesquisar os indicadores de mortalidade infantil na 25ª SDR de Santa Catarina e relacioná-los com o desempenho econômico da região na última década pode ser importante ferramenta de planejamento e gestão pública. O estudo das questões próprias da região em relação às suas vulnerabilidades se torna fundamental para o entendimento das necessidades infantis de maneira individual. Se a estruturação de políticas públicas deve seguir a realidade de cada município ou região, determinar em quais aspectos estas áreas se diferem ou se assemelham, constitui-se num propósito bastante relevante. 23 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O PROCESSO SAÚDE E DOENÇA E AS FACES DO DESENVOLVIMENTO As temáticas saúde/doença e desenvolvimento, apesar de parecerem distintas estão diretamente ligadas. É comum pensar em desenvolvimento no contexto econômico, todavia, nem sempre desenvolvimento econômico significa melhoria da qualidade de vida das pessoas (AKERMAM, 2005). O conceito atual de saúde desenhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o qual seria “um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não a mera ausência de doença” retrata a insolúvel questão de que o homem dificilmente terá alcançado a saúde. No contexto daquilo que é definido por “completo”. Na verdade a saúde pode ser definida como um processo de “tentar” equilibrar os fatos e fatores condicionantes da própria existência. Já a doença seria a não adaptação ao meio, o não atingir o equilíbrio. Já o desenvolvimento é melhor definido como um processo e não algo estático, caracterizado pela dinamização socioeconômica, com consequente melhoria da qualidade de vida das pessoas (DALLABRIDA, 2010). A complexa díade “saúde e doença” perpassa o social e avança em direção a todas as questões políticas, econômicas e demográficas. Segundo Akerman et al. (2006) se a saúde tem consequências no desenvolvimento social e econômico, as condições econômicas e sociais também influem na saúde. Em um Ciclo de debates em maio de 2007, Akerman et al. (2006) indaga: “a saúde é promotora do desenvolvimento ou o desenvolvimento é promotor da saúde?”.Pergunta de difícil resposta já que saúde e desenvolvimento caminham juntos. Mas, é certo que o desenvolvimento promove benefícios na área de saúde, já que desenvolvimento é entendido como um processo de equidade, ou seja, aquele que traz qualidade de vida às diversas camadas da população, acabando por favorecer acesso mais igualitário a todos. No Brasil, o acesso a saúde como direito e dever do Estado surgiu de fato após a solidificação da Constituição Federal de 1988, com acesso universal e igualitário às ações e seus serviços para promoção, proteção e recuperação. A universalidade do sistema de saúde brasileiro, ao contrário dos outros países, principalmente os da Europa, foi concebida em um período de crise (década de 90), em que a estagnação econômica, seguida da adoção de políticas econômicas de 24 cunho liberal , segundo Vianna e Elias (2011) impuseram barreiras e limites para a efetiva implantação de um sistema mais universal, redistributivo e igualitário. As questões de acesso à saúde de fato faz com que se voltem os olhares para a economia. Fatores de ordem política e cultural com muita frequência são negligenciados quando se argumenta o acesso. Estes servem para compreender as dificuldades de crescimento econômico de determinadas regiões e respectivamente a vulnerabilidade social e o processo de adoecer e procurar um serviço. Esta temática é estudada e chamada de biopolítica, quando o biológico, aquilo que é condicionante a vida, ingressa no registro da política (CAPONI, 2004). Para o estudo de como o processo saúde/doença, sendo um oposto a outro, é inerente ao contexto do desenvolvimento de uma determinada região, a saúde deve ser estudada em três dimensões: como direito (necessitando de desmercantilização do acesso e sistemas de proteção social); a saúde como bem econômico (com a mercantilização da oferta, assalariamento dos profissionais, formação de empresas médicas e intermediação financeira - planos) e; a saúde como espaço de acumulação de capital (formação do complexo industrial da saúde, globalização e financeirização da riqueza) (VIANNA.; ELIAS, 2011). As questões envolvendo saúde e acumulação de capitais, ou seja, esta como um bem econômico, é amplamente questionada. Akermam et al. (2006, p.05), indaga: Como contribuir para que não haja condições precárias de saúde que solapem “o desenvolvimento” e como influenciar para que “o desenvolvimento” não mine os benefícios obtidos na saúde? Como contribuir para o fortalecimento de capacidades e potencialidades e para que os benefícios advindos do processo de desenvolvimento sejam distribuídos de forma equânime? Como contribuir para que a gestão da saúde e o desenho da rede de atenção contemplem mudanças na clínica, potencializem a produção da saúde e ampliem a sua contribuição ao desenvolvimento? Pode-se inferir que a saúde é um bem econômico e social fragilizado, tem elevado custo, todavia com pouco investimento. Caetano (2010) coloca no mapa do Brasil as porções de investimento em pesquisas e áreas temáticas específicas em saúde e doença. Sessenta e nove vírgula nove por cento dos investimentos estão na região Sudeste, 1,1% na região Norte com os quais podemos observar os extremos das desigualdades de aplicação de recursos em saúde. A região Sul, fica em penúltimo lugar em relação às cinco regiões, com um investimento de 4,1%. 25 Utilizar as questões relativas a uma determinada população para medir o desenvolvimento é de difícil mensuração. Para que se possa mensurar o nível de vida de uma população, o Conselho Econômico e Social da organização das Nações Unidas (ONU) sugere estudar 12 itens que incluem: em primeiro lugar a saúde, além das condições demográficas, alimentos e nutrição, educação, alfabetização e ensino técnico, condições de trabalho, situação em matéria de emprego, consumo e economias gerais, transporte, moradia, com inclusão de saneamento e instalações domésticas, vestuário, recreação, segurança social e liberdade humana (KAWAMOTO, 1995). Neste contexto torna-se necessário pensar nas evidências de que, a manutenção de indicadores de saúde desfavoráveis e de iniquidades nas condições de vida da população pode comprometer o desenvolvimento; e que benefícios na área da saúde podem favorecer o desenvolvimento, assim como uma melhor distribuição de recursos econômicos pode diminuir a pobreza e melhorar a saúde das populações (WHO, 2002). As condições de saúde dos aglomerados humanos vêm sendo cada vez mais analisadas em função de progressão ou redução do desenvolvimento. Populações mais pobres têm maior probabilidade de adoecer, perpetuando-se assim as condições de subdesenvolvimento (AKERMAM et al., 2006). Indicadores de desenvolvimento são instrumentos essenciais para guiar e subsidiar o acompanhamento e a avaliação de um progresso voltado para o futuro, transformando informação em políticas públicas sérias de promoção do desenvolvimento (SEBRAE, 2011, p.01). De uma forma geral é necessário considerar vários indicadores sociais para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma região. Pode-se englobar no estudo do IDH três dimensões: riqueza, educação e esperança média de vida (SEBRAE, 2011). Já os indicadores relacionados à Saúde são especificamente: razão de mortalidade proporcional (indicador de Swaroop e Uemura); mortalidade proporcional de menores de um ano; curva de mortalidade proporcional; coeficiente geral de mortalidade; esperança de vida ou vida média; coeficiente de mortalidade infantil e coeficiente de mortalidade por doença transmissível (KAWAMOTO, 1995). Relacionado especificamente aos indicadores de saúde Kawamoto (1995) divide-os em três tipos: 26 Relativos à saúde da população e que tentam traduzir diretamente a saúde (ou sua falta) em um grupo populacional; relativos às condições ambientais e que têm influencia sobre a saúde; relativos a serviços (recursos materiais e humanos) relacionados às atividades de saúde (KAWAMOTO, 1995, p.54). Repensando a relação saúde e o desenvolvimento, esse não é o resultado de uma construção teórica ou acadêmica, mas sim uma necessidade real, uma forma de gerir mais eficazmente os fatores sociais, procurando soluções para os problemas criados pela dinâmica da economia global, especialmente no que diz respeito à atenuação dos, cada vez mais, evidentes desequilíbrios espaciais e sociais (AKERMAM et al., 2006). Segundo Dallabrida (2010) algumas regiões demonstram uma maior capacidade de planejamento para proporcionar e manter ao longo dos tempos condições socioeconômicas qualificadas e uma boa qualidade de vida a sua população. Neste contexto é possível identificar os objetivos do planejamento do desenvolvimento. De algum modo tenta-se combater as desigualdades regionais, aproveitando os recursos e potencialidades intrínsecas do território. Torna-se necessário garantir que exista participação dos cidadãos na resolução dos problemas do espaço onde moram. O crescimento econômico e consequentemente o intelectual, como o acesso a educação, a incorporação de aspectos cívicos e éticos são importantes para a modificação dos aspectos que envolvem a saúde da população, já que algumas doenças apresentam-se pela carência do conhecimento dos direitos e a forma como a população cuida-se, e/ou, busca a resolução dos seus problemas sanitários, alimentares, entre outros. Em se tratando dos aspectos que condizem com o desenvolvimento e seu reflexo nas taxas de mortalidade, um intenso debate sobre os custos econômicos das doenças pode ser destacado como ainda sendo um obstáculo ao desenvolvimento dos países, principalmente porque ainda não se consegue um investimento suficiente em prevenção, e este se mostrará eficiente a longa data. Um exemplo que pode ser utilizado para explicar a relação do desenvolvimento com as melhoras nas condições de saúde da população ou o seu oposto, citado por Simões (1997) é que no Brasil por volta do século XX comumente o entendimento era de que o subdesenvolvimento da nação era causado pelo grande número de doenças que assolava a população mais pobre e das zonas rurais e não o contrário. Assim, a divulgação dos fatores sociais determinantes da diminuição ou perda da qualidade 27 de vida e diminuição das taxas de mortalidade gerais e infantis em específico, devem mobilizar a consciência cívica inerente ao desenvolvimento e de forma participativa contribuir para a saúde coletiva. Uma nova estratégia de políticas públicas com o foco na melhoria das variáveis socioeconômicas, educação, renda e saneamento, pode ajudar de maneira mais eficaz na redução de todos os tipos de mortalidade, diferenciando os aspectos demográficos transitórios de países em desenvolvimento (CAPONI, 2004). 2.2 INCURSÕES SOBRE A DIMINUIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO E OS MODELOS DE GOVERNABILIDADE Pensar em desenvolvimento de um País, de um Estado, de uma Região ou de uma Cidade leva a condicionante ideia do desenvolvimento econômico, mas nem sempre este significa melhoria na qualidade de vida das pessoas. O que é pretendido é o desenvolvimento sistêmico resultado não somente do PIB (Produto Interno Bruto) e o PNB (Produto Nacional Bruto) e sim de indicadores sociais, representativos de qualidade de vida e que foram sintetizados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O IDH é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. Para Rede (2008, p.13) os indicadores em geral são “medidas-sintese que contem informação relevante sobre determinados atributos”. Portanto consequentemente, o desenvolvimento de uma área está cercado por questões sociais e econômicas, advindos da soma das riquezas geradas por num determinado local e, aquilo que se consegue em termos de avanços na melhoria da vida das pessoas a partir da riqueza gerada, assim como também por seu Capital Social – sua população, sendo este Capital um recurso que auxilia na descrição de como os dilemas sociais podem ser superados (PATTUSSI et al., 2006). Capital Social conforme descrição de Putman apud Birkner (2002, p.21) é “um conjunto de características da organização social, como confiança, normas e sistemas, que contribuem para aumentar a eficácia da sociedade” e consequentemente o seu potencial desenvolvimento. O Capital social é constituído por redes, organizações civis e pela confiança compartilhada entre as pessoas (GUERRERO, 2007), este pode ser o fator diferencial entre o desenvolvimento ou 28 não de uma região, já que a maneira como a população se organiza em torno de seus próprios problemas, tentando em sua organização coletiva a solução para aspectos que individualmente seriam imbatíveis, aumentam a capacidade de discussão e busca pela melhora da qualidade de vida, fazendo valer a política e não a politicagem. A qualidade de vida por sua vez é consequência de um alto IDH, sendo este, uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede o progresso de uma nação a partir de três dimensões: renda, saúde e educação. O Índice de Desenvolvimento Humano1 baseia-se em variáveis de aspecto intrínseco e extrínseco às populações: expectativa de vida ao nascer, índice de educação, índice de anos médios de estudo, índice de anos esperados de escolaridade e índice de renda. Todavia, ainda, apesar das modificações sofridas no decorrer do tempo, o IDH tem sido criticado por não incluir quaisquer considerações de ordem ecológica (SAGARA; NAJAN, 1998). Ou seja, apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano, o IDH não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da "felicidade" das pessoas, nem indica "o melhor lugar no mundo para se viver". Democracia, participação, equidade, sustentabilidade são outros dos muitos aspectos do desenvolvimento humano que não são contemplados no IDH. Apesar de suas limitações, o IDH tem o grande mérito de sintetizar a compreensão do tema e ampliar e fomentar os debates sobre qualidade de vida. Dentre os indicadores utilizados para medir a qualidade de vida das pessoas, a expectativa de vida ao nascer é um dos principais, sendo calculada por meio das taxas de mortalidade geral e infantil. Matos et al. (2007) e Vianna et al. (2010) descrevem que as taxas de mortalidade infantil são indicadores síntese da qualidade de vida e do nível de desenvolvimento de uma população. Segundo Guerrero (2007), á medida que melhoram as condições de vida e de saúde de uma 1 O Índice de Desenvolvimento Humano- IDH foi elaborado em 1990 com o intuito de focar nas pessoas, e não na riqueza gerada, o parâmetro de avaliação do desenvolvimento econômico e social. A primeira medição do IDH dos estados brasileiros foi elaborada em 1998, com dados fornecidos pelo censo demográfico de 1991, a partir do cálculo dos IDHs municipais (IDH-M). Com os dados do censo demográfico de 2000, o PNUD voltou a calcular o IDH-M o qual pode ser comparado com o índice anterior. Em 2009, o Banco Central do Brasil, utilizando a metodologia do PNUD, calculou a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar os IDHs dos estados brasileiros referentes ao ano de 2007. O IDH divulgado para os municípios, nos anos intercensitários, são estimativas. Está previsto para 2013 que o PNUD publicará o IDH-M com os dados do censo demográfico de 2010, que poderão ser comparados com os resultados de 2000, também calculado com dados censitários. 29 população, sejam elas nas condições de saneamento, nutrição, educação, habitação, assistência pré-natal e parto, diminuem os índices de mortalidade infantil. Altos índices de mortalidade infantil são considerados pelos agentes promotores de saúde como um forte dilema social, significando não contemplar de forma eficaz o que se objetivou e pactuou no decorrer das décadas. Vigiar a mortalidade infantil, assim como a fetal é uma das prioridades do Ministério da Saúde, contribuindo para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo Brasileiro em defesa da criança, tendo como meta entre os anos de 1990 e 2015 a redução em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos. Esses objetivos foram novamente assumidos como compromisso no Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal; Pacto pela Vida e, mais recentemente, o Programa Mais Saúde (BRASIL, 2009). Para atingir as metas de redução da mortalidade infantil investimentos em prevenção seriam a melhor estratégia, todavia, ainda, a maioria das regiões, assim como dissertou Putmam (1996), tem em suas despesas um gasto que corresponde por mais da metade do arrecadamento com impostos em assistência médica e hospitalar, sendo que esses gastos são com a medicina curativa, reflexo do pouco investimento em prevenção. Em relação à prevenção da mortalidade infantil, no Brasil, mesmo essas taxas encontrando-se em declínio, ainda permanece sendo um grande problema da Saúde Pública. Relatórios escritos pela UNICEF (BRASIL, 2009) dissertam que a taxa atual de 19,3/1000 nascidos vivos, é semelhante a dos países desenvolvidos no final da década de 60, não havendo mudança significativa nas últimas décadas. Os indicadores de mortalidade ficam vulneráveis às reformas sociais e econômicas, que alteram algumas vezes ambientes, outras, dificilmente comportamentos. Essas mudanças mais rápidas acontecem em ambientes culturalmente mais propensos e/ou mais flexíveis, também quando a promoção do crescimento acontece de maneira mais descentralizada, onde as decisões são tomadas levando em consideração a realidade local (PATTUSSI et al., 2006). Secularmente, o aspecto “morrer na infância” e sua relação com o desenvolvimento é temática estudada e teorizada, tanto na instigante Teoria de Malthus (HUGON, 1967), com repercussões perdurando até os dias de hoje, como em outros. Serviu de inspiração também para algumas argumentações do próprio Darwin na teoria da evolução das espécies, a lei básica da seleção natural e da sobrevivência do mais apto. Dentre as discussões acerca da mortalidade infantil 30 como indicador de desenvolvimento (ideia contemporânea), não se pode deixar de citar as ideias opostas da luta pela sobrevivência do mais apto, sendo considerado o mecanismo pelo qual a vida se transforma e evolui, mas também a única via de todo progresso humano (CAPPELLETTI, [19--?]). Ou ainda a posição do malthusianismo (teoria da população), que retrata a morte massiva dos pobres por sua inadaptação ao meio. Primeiramente discutindo a visão de Malthus, em uma linha de pensamento até atual para o século XXI, este questionava a incompatibilidade entre crescimento demográfico e a disponibilidade de recursos. Com críticas em relação ao fato do empobrecimento das massas em consequência da exploração dos trabalhadores e principalmente a ideia de que a miséria e a pobreza resultam da má organização da sociedade (HUGON, 1996). Segundo Hugon (1967), Malthus repele a intervenção do estado sob forma de auxílio material prestada ao homem inapto a ganhar o suficiente. Apologia ao que atualmente o governo Brasileiro realiza com boa intenção, todavia ainda não alcançando a igualdade social (em se tratando do programa Bolsa Família). Para o próprio Malthus, como também para seus discípulos, qualquer melhoria na qualidade de vida da população seria temporária, pois ocasionaria um inevitável aumento da população que acabaria impedindo qualquer possibilidade de melhoria no decorrer do tempo. O considerável impacto das suposições de Malthus segundo Deschamps (2004) pode ser atribuído à recepção amplamente favorável em sua época, que refletia as condições de vida vigentes2, sua influência sobre Darwin, e, consequentemente, sobre a biologia, denota a autora que a nova ciência da demografia inicialmente adotou as ideias Malthusianas. Nos estudos demográficos atuais, sob baixas taxas de fecundidade, e levando em consideração as características de cada realidade local, as taxas de mortalidade infantil refletem adoção de políticas públicas que aparentemente foram acertadas. Impedir de alguma forma que ocorram mortes prematuras (na infância), segundo o pensamento ideológico no Brasil (meta dos profissionais das áreas da saúde e humanas, principalmente - o que se contrapõe ao mathusionismo); têm demonstrado que, nas ultimas décadas, vem ocorrendo, diminuição progressiva da mortalidade infantil, entretanto, essa não ocorre de forma homogênea, sendo menos acentuada, 2 Marcada por elevadas taxas de mortalidade concomitante à elevadas taxas de fecundidade. 31 sobretudo entre os grupos populacionais em situações de maior vulnerabilidade (GUERRERO, 2007). Algumas regiões demonstram uma maior capacidade de planejamento para proporcionar e manter ao longo dos tempos condições socioeconômicas qualificadas e uma boa qualidade de vida a sua população, outras não (DALLADRIDA, 2010). Os melhores resultados de desenvolvimento e bem-estar para as pessoas conforme verificou Putman (1996) está diretamente ligado ao nível de participação das pessoas em associações, centros comunitários, entre outros. Parece que de alguma forma o desenvolvimento se dá de maneira mais fácil nos estados e regiões que são mais próximos, com relação ao centro desenvolvimentista, gerador das decisões (BOISIER, 2000), podendo ser este dado importante quando discorrido a cerca das questões de descentralização. Existe uma necessidade premente de levar em consideração que as regiões que experimentam a descentralização, conforme relatam esses autores, tem em seu contexto histórico e cultural seu próprio Capital Social gerado, retratado por Pattussi et al., (2006, p.1527): “Vínculos contribuem para a qualidade de vida através da promoção do apoio e entendimento mútuo”. Assim, dentre as questões do desenvolvimento a partir das relações de poder entre as classes sociais e suas expressões políticas, infere-se que desta forma também se produz desigualdades e ambientes (regiões) mais vulneráveis. Talvez seja determinante a discussão em relação as políticas públicas próprias como estratégia de melhoria dos indicadores sociais (PATTUSSI et al., 2006) tomadas a princípio das discussões populares, assim como, modelos de governança mais próximos da população, levando em consideração o que é intrínseco das comunidades, como condições de apoio mútuo entre as regiões mais desenvolvidas com as menos desenvolvidas. Alguns autores associam fortemente o crescimento econômico ao desenvolvimento, mesmo admitindo não ser a única condição suficiente para este propósito, existindo outras facetas, como por exemplo outros indicadores de qualidade de vida e desenvolvimento humano (DALLABRIDA, 2010), no caso a ser discutido a redução da mortalidade infantil em consequência do desenvolvimento econômico. Szwarcwald, et al. (1999) retrata que sociedades que desfrutam de condições de saúde bem melhores do que as esperadas pelos seus níveis de renda e vice-versa, podem sugerir que outros fatores relacionados à complexidade da 32 estrutura social podem influenciar mais profundamente a situação de saúde do que os índices de pobreza. A matéria desenvolvimento é complexa. É um fenômeno qualitativo por meio de ações de ordem quantitativas. Para que ele aconteça um conjunto de fatores deve ser associado e estudado. Trata-se de questões de cunho cultural, cognitivas, simbólicas e cívicas (BOISIER, 2000), que podem ser melhor reorganizadas e planejadas quando a descentralização funciona, quando se respeita o próprio Capital Social. Segundo Pattussi et al. (2006) existem evidências de que Estados socialmente coesos produzem formas mais igualitárias de participação política da população, resultando em políticas públicas mais eficazes para os seus membros. Além disso, Estados com níveis mais elevados de capital social também são Estados com melhor distribuição de renda, consequentemente menor desigualdade social e menores taxas de mortalidade. Boschetti et al. (2008) citando alguns conceitos de Montesquieu retrata o desenvolvimento como uma espiral virtuosa. Uma curva que gira em torno de um ponto central, sendo que esta se afasta ou se aproxima deste ponto, dependendo do sentido em que se percorre a curva. No centro do ponto estão os recursos de uma determinada região. A curva que gira, indo e voltando pode ser definido como o capital humano de uma sociedade, com sua cultura e sua capacidade de adaptação ao meio. A descentralização discutida por Putman (1996) como solução para aumentar o desenvolvimento das regiões mais afastadas dos grandes centros, desde o ano de 2003 está sendo utilizada como estratégia no estado de Santa Catarina, onde essa pesquisa se insere. Segundo Dutra (2008) um dos objetivos da descentralização é ir ao encontro de uma melhor maneira de regular os recursos e diminuir as vulnerabilidades locais para assim alcançar o desenvolvimento econômico e social. A descentralização constitui parte de um importante movimento histórico do Estado moderno. Pode ser entendida como uma tendência político-administrativa, aspecto que se materializa desde há décadas anteriores em países europeus, aparecendo também nos fundamentos da experiência catarinense e que, pela forma de operacionalização, demonstra igualmente nesse estado boas chances de continuidade e consolidação futura. Vale salientar que este processo ainda depende de capacidade de articulação política, de força operacional do Estado e de sensibilidade continuada da sociedade civil (BIRKNER, 2008). 33 Este modelo conforme Birkner e Tomio (2011, p.05) “demonstra o esforço governamental de agentes políticos e burocráticos em promover a reforma republicana do Estado, racionalizando processos de gestão da coisa pública, assim como tornando o processo decisório mais aberto à participação da sociedade”. Em relação ao modelo utilizado e a sua repercussão em indicadores sociais, entre eles a Mortalidade Infantil, pouco conhecimento se gerou nestes últimos sete anos, factuando uma lacuna que deve ser preenchida com propriedade na área do desenvolvimento regional. 2.3 A TRANSIÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL E NO MUNDO Historicamente a vulnerabilidade infantil e a ocorrência do óbito de crianças não dependia das desigualdades de classes. Esta se estendia a ricos e pobres, escravos e livres. Não existia diferenciação entre nascer criança em uma família rica ou pobre, porque as práticas de cuidados a elas eram as mesmas, decorridas da cultura e costumes da época. Ramos (2000) diz que o fumo e as fezes de cavalo postos na ferida umbilical como tratamento foram os mesmos para todos. Tanto para aqueles que escaparam quanto para os que morreram do mal de sete dias3. Na Idade Média não existia referência à infância. A criança era assimilada no mundo adulto aos sete anos. A maioria não frequentava a escola (a criança era considerada um adulto em miniatura). A precariedade desta época era tanta que chegavam a colocar oito crianças em um único leito adulto nos hospitais, havendo uma alta taxa de mortalidade entre elas, principalmente por infecções cruzadas. Este fato sempre interferiu na relação dos adultos com as crianças. A expectativa de vida das crianças portuguesas, entre os séculos XIV à XVIII era de aproximadamente 14 anos, enquanto metade dos nascidos vivos morria antes de completar sete anos (SERRÃO apud RAMOS, 2000). Durante o processo de colonização, por volta dos anos 1500, a maioria das crianças das classes marginalizadas eram utilizadas como mão de obra enquanto estivessem vivas. Na verdade, não se percebia uma relação de afetividade dos adultos para com as crianças em nenhuma classe. Outras ainda, principalmente, as órfãs virgens eram guardadas e vigiadas para servirem sexualmente aos súditos da 3 Termo popular utilizado para designar o Tétano Neonatal (VIEIRA; OLIVEIRA; LEFÉVRE, 2006). 34 coroa. Nas embarcações que vinham ao Brasil havia muitos homens e escassas mulheres, a pedofilia era prática comum (RAMOS, 2000). A criança seria vista como substituível, como ser produtivo que tinha uma função utilitária para a sociedade, pois a partir dos sete anos de idade era inserida na vida adulta e tornava-se útil na economia familiar, realizando tarefas, imitando seus pais e suas mães, acompanhado-os em seus ofícios, cumprindo, assim, seu papel perante a coletividade (ROCHA, 2002, p. 4). Áries (1981) destaca que os séculos XIII, XIV e XV, foram séculos de altos índices de mortalidade e de práticas de infanticídio em todo o mundo. As crianças eram jogadas fora e substituídas por outras sem sentimentos, na intenção de conseguir um espécime melhor, mais saudável, mais forte que correspondesse às expectativas dos pais e de uma sociedade que estava organizada em torno dessa perspectiva utilitária da infância. O sentimento de amor materno não existia [...] a família era social e não sentimental (ROCHA, 2002, p.5). A diferenciação do cuidado com as crianças tem seu início por volta do século XVI mas teve maior ênfase nos últimos 100 anos (ROCHA, 2002). As mudanças com relação ao cuidado com a criança, no século XVII teve a interferência dos poderes públicos e, principalmente, com a preocupação da Igreja em não aceitar passivamente o infanticídio. Surgindo então, medidas para tentar salvar as crianças de seu próprio destino. Surge a criança como “anjo”, numa imagem relacionada ao menino Jesus, também focando muitas ações na melhora das condições de higiene (ARIÈS, 1981). Na história brasileira, o acompanhamento da saúde infantil demorou a ser visualizado e/ou conquistado. A saúde nunca ocupou lugar central dentro da política do Estado brasileiro (PASSETTI, 2000). As ações de saúde propostas pelo governo sempre procuraram incorporar os problemas de saúde que atingem grupos sociais importantes de regiões socioeconômicas igualmente importantes dentro da estrutura social vigente. Fazendo com que os cuidados de saúde chegassem quase sempre, somente em regiões com condições favoráveis. 35 Mesmo com o início da intervenção do Estado nos modelos de atendimento na década de 1920, mais precisamente com a vigoração do Código de Menores4 no ano de 1927, não houve nenhum avanço. O que se pretendia naquela época era a racionalização da assistência, criminalização e medicalização da pobreza, principalmente no que diz respeito a institucionalizar as crianças consideradas problemas. Vigorando este código, estava-se longe de ocorrer mudanças nas condições concretas de vida da criança, como a redução da morbi-mortalidade infantil (FROTA et al., 2010). O modelo de atenção à saúde da criança expressa no código de menores, vigente até meados da década de 1980, fracassou. Sendo revitalizado após a implantação da Constituição de 1988 e do código do menor infrator. As ações de prevenção e cuidados às crianças foram efetivadas em parte com a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Criado em 1990 como lei de número 8069 e atualizado em 2003, passando a tratar a criança e o adolescente sob a ótica pessoal e social, outorgando-lhes vez e voz diante das decisões políticas vigentes da época (FROTA et al., 2010). Dentro deste contexto, uma das principais ações de prevenção a saúde das crianças diz respeito a redução da mortalidade das mesmas. Segundo Santos apud Carvalho e Tavares (2010) até os anos setenta, a mortalidade infantil era entendida como um problema de subdesenvolvimento socioeconômico, sempre comparado-a de forma inversa com indicadores de desenvolvimento, como por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB)5, a taxa de desemprego e o Índice de Gini6: Esta relação era explicada pelo papel desempenhado por esses indicadores na configuração do perfil da renda, educação, saneamento e acesso aos programas e serviços de saúde produzindo uma melhoria nas condições de vida da população (MONTEIRO apud COSTA et al., 2003, p.700). 4 O Código de Menores, tinha um caráter discriminatório, associando pobreza à “delinqüência”, encobrindo as reais causas das dificuldades vividas pelas crianças e adolescente daquela época (desigualdade de renda e a falta de alternativas de vida). As crianças de baixa renda eram consideradas inferiores. Existia a idéia de que as crianças mais pobres tivessem um comportamento desviante e uma certa “tendência natural à desordem”, tendo dificuldades de se adaptar à vida em sociedade. As crianças que pertenciam à esse segmento da população, eram considerados “carentes, infratores ou abandonados” (PASSETI, 2000). 5 O produto interno bruto (PIB) conforme descreve Gordon (1998) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região durante um período determinado. É um dos indicadores mais utilizados para mensurar a atividade econômica de uma região. 6 O Índice de Gini é uma medida de desigualdade desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini, utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda (LUSTOSA, 1994). 36 Segundo Simões no relatório do IBGE (1999) existem evidências fortes de que o processo de transição da mortalidade infantil (de altos para baixos) parece ter sido um fenômeno mundial a partir da Segunda Guerra Mundial. Segundo o autor, este fato pode não estar associado ao desenvolvimento econômico e melhorias dos padrões de vida, e sim às facilidades de importação de técnicas e meios mais eficazes de controle das doenças endêmicas que assolavam a população naquele período. No entanto foi observado no final da década de 1970, nos países subdesenvolvidos, que as taxas de mortalidade continuavam a cair, mesmo estes passando por uma séria crise econômica com desemprego, redução do PIB e do valor real do salário mínimo (IBGE, 1999). No Brasil se observou a manutenção da queda da mortalidade infantil também nas décadas de 80 e 90, devido a ações voltadas para a prevenção de agravos e melhora sanitária, com um sugestivo avanço na conscientização relacionada aos direitos da gestante e da criança, sendo notória a realização da Convenção sobre os Direitos da Criança adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 1989 e ratificada no Brasil em 1990. Também a Constituição de 1988, que definiu prioridades importantes ao reconhecimento e à garantia desses direitos, e o Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990 (IBGE, 1999). Durante as duas últimas décadas as taxas de mortalidade infantil apresentaram queda em todas as regiões do mundo, ocorrendo com maior ênfase na América Latina, no norte da África e no Oriente Médio. As estimativas para 2010 mostravam que dos 38 países do mundo com pior taxa de mortalidade para crianças até cinco anos de idade, 34 estariam na África subsaariana. A mortalidade infantil ainda está profundamente vinculada com o desenvolvimento regional. O pior caso é a Guiné Equatorial, com mais de 180 mortes para cada 1.000 nascimentos. O melhor índice está com Cingapura, com 2,5, seguida de Islândia e Suécia, com índices aproximados de 2,67. A taxa do Brasil é cerca de 20 mortes em cada 1.000 nascidos. Segundo as estatísticas da INTER-AGENCY GROUP FOR CHILD MORTALITY ESTIMATION - IGME (2010) em todo o mundo, a mortalidade no primeiro mês de vida (neonatal) obteve uma queda de 2,1% por ano durante as duas 7 O IDH desses três países em 2011, estava entre os trinta melhores colocados. Já os países Africanos citados, se encontram entre os trinta piores índices. (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Ranking do IDH Global 2011. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/atlas/ranking/IDH_global_2011.aspx?indiceAccordion=1&li=li_Ranking2011. Acesso em 04 set. 2012). 37 últimas décadas; já a mortalidade pós neonatal (segundo mês até um ano de vida) caiu 2,3%; e a mortalidade infantil propriamente dita (crianças de um à cinco anos de idade) diminui 2,2% anualmente, em média. Pode-se observar que houve uma acentuada queda da mortalidade infantil em todas as regiões do mundo entre os anos 2000 e 2010, objetivamente mais elevada do que houve até a década de 1990. O levantamento do Grupo da UNICEF (IGME, 2010) para estimativas da mortalidade infantil retrata que as mais rápidas taxas de declínio foram observadas na América Latina, no norte da África e no Oriente Médio, mais de 6% ao ano. As Ilhas Maldivas que são um arquipélago de aproximadamente 1.190 ilhas e ilhotas, enfileiradas ao longo do Oceano Índico, próximo da Índia e do Sri Lanka, embora continue sendo um dos países mais pobres do mundo lidera o ranking mundial, com queda de 9,2% anuais na taxa mortalidade antes dos cinco anos, o que também reafirma que a pobreza pode não ser uma das condições sine qua non para o aumento da mortalidade. O Brasil segundo o relatório da UNICEF ocupa a 40ª posição no mundo em relação ao ritmo anual de queda de mortalidade infantil, 4,8% na mortalidade até cinco anos de idade nas últimas duas décadas. Já os Estados Unidos, na 124ª posição em relação à queda da mortalidade de crianças, é o pior colocado entre as nações ricas (IGME, 2010). Na figura 1 pode-se observar a Taxa anual média de queda na mortalidade de crianças (período 1990-2010) no mundo: Figura 1 – Taxa anual de queda da Mortalidade Infantil no mundo Fonte: www.notasaocafe.wodpress.com 38 O desempenho do Brasil foi melhor quando se considera o ritmo de queda da mortalidade infantil, ou seja, taxa de morte da criança entre 1 e 5 anos de idade. Desde 1990, o país apresentou uma melhora de 7,3% ao ano, em média - o 19º melhor resultado do mundo. A principal fraqueza do país está na morte neonatal (1º mês de vida). O Brasil registrou queda de 3,8% por ano, em média, nas últimas duas décadas, o 61º melhor índice de diminuição no mundo (IGME, 2010), mais ainda aquém do esperado. Dentro de seu próprio território, o Brasil apresenta várias situações de divergência (desigualdade) em relação às taxas de mortalidade infantil, que persistem até hoje. Essas desigualdades remontam segundo Simões (IBGE, 1999) aos anos 30. Nessa época surgiram as leis que regulamentavam as relações de trabalho, principalmente em segmentos específicos da população, principalmente as áreas urbanas, proporcionando um acelerado crescimento, sem divisão igualitária de renda e desenvolvimento. No decorrer do tempo um conjunto de desigualdades sociais foi se formando, assim como também se acentuando as desigualdades regionais étnicas, culturais e de gênero. Um bom exemplo é a região Nordeste, que entre os anos de 2000 e 2007, apresentou 144.003 mortes de crianças menores de um ano de idade, correspondendo a 32,43 % dos óbitos infantis em todo o Brasil. Também na região da Amazônia Legal, com registro de 76.916 mortes de crianças menores de um ano no mesmo período, correspondendo a 17,32 % da taxa em todo o país. A região Nordeste também continua a apresentar a taxa de mortalidade infantil indígena mais elevado, de 71,7 por mil nascidos vivos. Enquanto a Organização Mundial da Saúde considera aceitável, taxas menores de 50 óbitos por 1.000 nascidos vivos ) (REDE, 2008). O menor índice de mortalidade infantil é o do Sul, de 12,6 mortes a cada mil crianças nascidas vivas (IBGE, 2011). Em Santa Catarina o risco de morrer antes de completar 1 ano de vida foi reduzido em um terço (33,4%) na última década. A maior redução (40,6%) ocorreu na mortalidade pós-neonatal. Em 2010, os óbitos de menores de 28 dias já representavam 69,5%, e quase a metade deles ocorreu na primeira semana de vida (SIM, 2011). O Brasil apesar das elevadas taxas de mortalidade infantil em algumas regiões está em condições de atingir a quarta meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e chegar à taxa de 14,4 mortes por mil nascidos vivos, em 2012, antes do prazo fixado pela ONU como demonstrado na figura 2: 39 Figura 2 – Evolução das Taxa Mortalidade Infantil nas Regiões Brasileiras 2001-2010 Fonte: SIM (fev. 2011). Toda a situação de declínio da mortalidade infantil no Brasil é resultado de um conjunto de políticas publicas, com aumento da cobertura vacinal, uso da terapia de reidratação oral precocemente nos caso de diarreias, ampliação dos serviços de saúde, melhoria das condições ambientas e das taxas de aleitamento materno entre outras (PÍCOLI, 2008). 2.4 POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS E SEUS PROGRAMAS DIRECIONADOS À SAÚDE INFANTIL As políticas públicas sociais são criadas a partir de problemas encontrados na sociedade, para que possam ser organizadas ações para o seu enfrentamento. Na mortalidade infantil, as políticas de controle do risco estão voltadas, por um lado, à identificação das causas do óbito infantil e, por outro lado, à identificação e ao monitoramento das ações e programas desenvolvidos. Ao mesmo tempo, o acompanhamento dessa política implica a categorização do serviço como “bom” ou “ruim”, a definição de critérios (com ou sem “qualidade”), assim como, a identificação de impactos e problemas na sua execução (ANJOS; RÜCKERT; PORTO, 2011). As políticas públicas resumidamente podem ser definidas como um conjunto de ações desencadeadas pelo Estado, no caso brasileiro, nas escalas federal, estadual e municipal, com vistas ao bem coletivo. Elas podem ser desenvolvidas em parcerias com organizações não governamentais e também com a iniciativa privada (BOSCHETTI et al, 2008). O Estado desta forma pode propor ações preventivas diante de situações de risco à sociedade por meio de políticas públicas, e/ou a 40 própria sociedade de alguma maneira pode tentar propor ações que achem necessárias, assim sendo, as políticas podem ser propostas de cima para baixo ou de baixo para cima (HEIDEMAM; SALM, 2009). Existem políticas públicas para diversos segmentos da sociedade. Saúde e educação são exemplos de políticas diretamente relacionadas com as crianças e a melhora futura da qualidade de vida. Segundo Pereira (2008) o termo política pública está relacionado ao direito de cidadania, sendo que estas seriam ações do Estado face as demandas e necessidades sociais da sociedade. O termo política para os gregos está relacionado a polis, no caso “cidade”, tendo em vista então, todas as atividades humanas que tenham como referência a esfera social pública e cidadã (PEREIRA, 2008, p. 89), sendo que “a política não é inerente à natureza dos homens, mas resulta do imperativo de convivência entre eles”, esta se compõe de atividades formais (regras estabelecidas) e informais (negociações, diálogos). No Brasil, a história das políticas públicas e seus programas para melhorar a saúde das crianças se perdeu durante algum tempo, na década de 1980, principalmente. A saúde deixou de ser responsabilidade do setor da educação e passou a esfera da saúde pública. Neste período e anteriormente a ele, eram as professoras que desenvolviam práticas higiênico-sanitárias, ações de controle de doenças nas escolas, controle de parasitos, assim como a verificação de maus tratos que poderiam estar presentes (VERÍSSIMO; FONSECA, 2003). O modelo de cuidado à criança por meio do voluntariado tomou o espaço que não era ocupado por nenhuma outra esfera estatal. Dentro deste modelo podemos citar as ações da Legião Brasileira de Assistência (LBA) e da Pastoral da Criança. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma tentativa de assegurar medidas de proteção a saúde das crianças implementando políticas assistenciais marcadas por ações paternalistas e de auxílio emergencial, com a criação da LBA no ano de 1942; esta intimamente ligada à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, por inspiração da primeira Dama do país Darcy Raramanho Vargas. Foi extinta no ano de 1995 (OLIVEIRA, 2001). Outras ações em prol da saúde da criança no Estado Brasileiro que merece ser citada, foi a partir da fundação da Pastoral da Criança, um organismo de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1983, no Paraná, sob a iniciativa de James Grant (diretor executivo do UNICEF), Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns (Arcebispo de São Paulo), Dom Geraldo Majella Agnelo 41 (Arcebispo de Londrina) e da pediatra e Sanitarista Zilda Arns Neumann. A criação da Pastoral da Criança foi ressonância da nova estratégia da Igreja Católica Brasileira em lançar, a partir dos anos 1960, estratégias para alcançar as bases populares. Entre os diversos programas executados nas comunidades, destacamse: apoio integral da gestante, incentivo ao aleitamento materno, vigilância nutricional, alternativas alimentares, controle das doenças diarreicas; estimulação para a vacinação da criança e da gestante, prevenção de doenças respiratórias, medicina caseira, entre outros que ainda fazem parte das ações da Pastoral nos dias atuais (NEUMANN, 1998). Dentre as políticas públicas sociais propostas e direcionadas à saúde da criança, a que mais chama a atenção até os dias atuais é o advento do estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990. Dentro do mesmo, sendo constituído como lei de número 8069, podem ser realizadas várias ações estratégicas citadas como políticas públicas sociais de amparo a criança e defesa de sua vida (FROTA et al., 2010). O objetivo primordial nos dias atuais em relação a criança é a redução da Mortalidade Infantil, meta quatro dos ODM. Uma das Políticas Públicas sociais para redução da mortalidade infantil foi a implantação dos Comitês de Mortalidade Infantil, implantada desde o ano de 2004 (VENÂNCIO; PAIVA, 2010). A investigação da mortalidade infantil é uma importante estratégia de sua redução, dando visibilidade às elevadas taxas no País, que contribui para melhorar o registro dos óbitos e possibilitam a adoção de medidas para a prevenção daquelas consideradas evitáveis. Também, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), quando alimentados de forma adequada, são importantes fontes de informação do Ministério da Saúde Brasileiro, que possibilitam o monitoramento dos eventos vitais no Brasil e permitem a construção de indicadores de saúde de forma contínua para todo o país (BRASIL, 2009). Para Frias et al. (2011), o reconhecimento da importância de monitoramento das informações sobre óbitos e nascimentos junto à facilidade de acesso aos dados, têm resultado em aumento substancial na cobertura e na qualidade das informações de ambos os sistemas. Entretanto, ainda persistem precariedades dos dados em estados de regiões menos desenvolvidas do país (como no Norte e Nordeste), não permitindo o cálculo direto da mortalidade infantil, em âmbito nacional, resultando na utilização de estimativas elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 42 Estatística (IBGE). Em apenas sete estados do Brasil8 e no Distrito Federal, recomenda-se o uso do método direto para o cálculo da mortalidade infantil. Outro importante programa para a redução da mortalidade na infância é o de acompanhamento nutricional da criança e sua família. As primeiras políticas voltadas para resolver as questões da má alimentação da população surgiram por volta do ano de 1940,. Na época, as ações eram voltadas aos trabalhadores atendidos pela previdência social e suas famílias, sendo que as mesmas eram atendidas no Serviço de Alimentação da previdência Social (SAPS). Segundo Cavalcante e Ribeiro (2008) por volta do ano 1975 foi criado o Plano de Nutrição e Saúde (PNS), no qual a ideia era suplementar a alimentação de gestantes, nutrizes e crianças, todavia somente para aquelas famílias com renda abaixo de 2 salários mínimos. O atendimento efetivo a esses grupos específicos da população (gestante, nutrizes e pré-escolares) de famílias de baixa renda, não somente com suplementação, mas com distribuição de alimentos começou a ser desenvolvido pelo programa nacional de Alimentação (PRONAN) por volta dos anos 1979. No decorrer da efetivação desses programas foram distribuídos leite em pó, azeite, assim como enriquecimento da produção farinácea nacional com ferro e ácido fólico, segundo recomendações da resolução de Diretoria Colegiada (RDC) número 344, isto já no ano de 2002. Entre as medidas empregadas na prevenção dos agravos relacionados a má nutrição e suas complicações, destacam-se a disponibilidade de serviços de saúde para permitir tratamento precoce e adequado do caso; as práticas alimentares e de hidratação durante a diarreia; e a suplementação de ferro e vitamina A. As deficiências de vitamina A e de ferro exigiram intervenções especiais no Brasil, pois sua prevalência permaneceu elevada entre as crianças brasileiras, não tendo acompanhado a queda na ocorrência de desnutrição proteico-calórica, observada nas últimas décadas. Cavalcante e Ribeiro (2003) referem-se à desnutrição como uma condição sine qua non para a maioria das causas de óbitos infantis. A desnutrição é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como causa básica de morte (a que realmente leva a morte). Outra estratégia na década de noventa foi o desenvolvimento pelo Ministério da Saúde, da Política Nacional de Nutrição (PNAN), e por esta política instituiu-se o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), que tem como um de seus 8 Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul. 43 objetivos o Programa Bolsa Alimentação, priorizando o acompanhamento de crianças suscetíveis aos agravos nutricionais. O Programa SISVAN na saúde é um instrumento para obtenção de dados de monitoramente do estado Nutricional e do consumo alimentar das pessoas que frequentam as Unidades Básicas do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente no que diz respeito às crianças, gestantes e nutrizes. Com o SISVAN foi fortalecida a estratégia do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil utilizando-se os gráficos de acompanhamento do percentil da criança, também a estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes da Infância (AIDPI) que tem por objetivo principal a redução da mortalidade infantil, identificação do risco de morte e dos sinais gerais de perigo, atendimento integralizado às crianças, voltado àquelas de uma semana a menores de 5 anos (VALDIVIA, 1997). Também podemos citar como importante política pública social relacionada à atenção infantil, o Programa Nacional de Imunização (PNI), considerando a vacina um método eficaz na prevenção de determinadas doenças infecciosas, este programa assegura um adequado grau de proteção imunitária à população, agindo contra importantes enfermidades transmissíveis. Como, por exemplo, pode-se citar a tuberculose, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, influenza, meningite e, o rotavírus. Isso faz com que no decorrer das décadas muitas dessas doenças, como o sarampo fosse, fossem praticamenteextintas no Brasil (KAWAMOTO, 1995). No que diz respeito à saúde neonatal, podemos citar como importantes programas, a implantação do Sistema de Alojamento Conjunto nas Maternidades na década de 1970, das Unidades de Terapia Intensivas Neonatais, mais efetivamente na década de 1980. Também o Método Canguru foi trazido ao Brasil por médicos colombianos na década de 1990 (FONSECA et al., 2002). Segundo Escuder et al. (2003) as mortes precoces no período neonatal podem ser consideradas evitáveis, em sua maioria, desde que seja garantido o acesso em tempo oportuno, à serviços qualificados de saúde. São redutíveis por: adequado controle na gravidez, adequada atenção ao parto, ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces e, redutíveis pelas parcerias com outros setores (MALTA et al., 2010). Outra política pública social importante no Brasil, que serve de modelo para outros países é o aleitamento materno (SANTO, 2010). Segundo Venancio et al. (2010) o aleitamento materno (AM) é a estratégia que mais previne mortes infantis. O autor relata que, além de promover a saúde física, mental e psíquica da criança, 44 estima-se que a amamentação tem o potencial de reduzir em 13% as mortes em crianças com menos de 5 anos. Também em 19% a 22% as mortes neonatais, se praticada na primeira hora de vida, naquelas crianças que não tenham outros riscos inevitáveis de morte. Sendo assim, a promoção do AM, deve ser incluído entre as ações prioritárias pela saúde pública. O Brasil vem investindo no incentivo ao AM desde 1981, com a instituição do Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno, com o intuito de reduzir as mortes por causas evitáveis. Este programa é considerado modelo pela diversidade de ações e pesquisas nacionais, sendo possível constatar que os índices de AM no Brasil vêm aumentando gradativamente (VENANCIO et al., 2010). Para Escuder et al. (2003) o aumento do tempo de aleitamento materno pode reduzir significativamente o risco de crianças morrerem por causa evitáveis, por isso esta estratégia tem sido mantida e estimulada, seja nas esferas da saúde pública, como ainda nas maternidade com ações de promoção, prevenção e apoio ao aleitamento materno exclusivo até seis meses e continuado até dois anos ou mais. Historicamente as políticas públicas adotadas para aumentar os índices de aleitamento materno e, consequentemente, a redução da mortalidade infantil foram marcadas na década de 1980, pela preocupação do estado em desenvolver diretrizes e estratégias para recuperação da prática da amamentação (BARBOSA; OLIVEIRA; CAMARINHA apud SANTO, 2010). Em 1981 foi instituído o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno, mais conhecido como PNIAM. No PNIAM estavam representantes de todas as áreas, como a Previdência e Assistência Social, Educação, Cultura e do Trabalho, além do Ministério da Saúde e outras Sociedades organizadas (Nutrição, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia), também o UNICEF. As mortes no período pós-neonatal, as intervenções dirigidas à sua redução dependem, portanto, de mudanças estruturais relacionadas às condições de vida, como o abastecimento de água e esgoto que tem sido importante para o declínio da mortalidade por diarreia (ESCUDER et al., 2003). Estas ainda são consideradas as principais causas de morbimortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade em países em desenvolvimento, isto se dá porque envolve uma complexa rede de fatores de ordem ambiental, nutricional e socioeconômico-cultural (KOSEK; GUERRANT apud OLIVEIRA; LATORRE, 2010). Outras iniciativas em relação a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno e ações de humanização no atendimento pediátrico que podem ser citadas 45 são: o Prêmio Professor Fernando Figueira, instituído para dar reconhecimento às experiências bem sucedidas de humanização no atendimento pediátrico e na terapia intensiva neonatal e pediátrica instituídos em 2004 e o Prêmio Bíbi Vogel com início em 2005, mas direcionado ao estímulo a amamentação (CARVALHO; TAVARES, 2010). Também merece destaque que a legislação brasileira de apoio à mãe trabalhadora, reflete-se significativamente na qualidade de vida e saúde das crianças em geral, pois atua pelo aumento da licença maternidade (lei 11.770 de 2008); licença paternidade de 5 dias; direito a creche nos estabelecimentos empregatícios com mais de 30 mulheres (consolidado no artigo 389 das leis do trabalho) entre outros (CARVALHO; TAVARES, 2010). Já as ações governamentais em relação a proteção da criança maior e do adolescentes, a principal política pública é certamente a de extinção do trabalho infantil, sendo que historicamente o término da escravatura foi um divisor no que diz respeito a este debate. Foi a partir da abolição da escravatura que se multiplicaram as iniciativas privadas e públicas dirigidas a erradicação do trabalho infantil, mesmo que muitas linhas, principalmente na década de 20 e 30 acreditassem que o trabalho seria uma solução para o problema dos menores abandonados, considerados neste momento como “delinquentes” (RIZZINI, 2000). Segundo o IBGE (1999) por volta do ano de 1995, o Brasil tinha em torno de oito milhões de crianças trabalhando. Rizzini (2000) relata que Santa Catarina era a região que mais crianças se ocupavam com o trabalho agrícola no país, não recebendo qualquer tipo de remuneração, pois trabalham principalmente auxiliando seus pais a aumentar a produtividade. Em outras regiões, como no Norte e Nordeste, as atividades principais executadas pelas crianças são as domésticas e na colheita do fumo, a maioria do sexo feminino. Já no Rio de Janeiro o principal problema em relação ao trabalho infantil está nas crianças cooptadas pelo tráfico de drogas para exercer funções de olheiros (RIZZINI, 2000). Em 1997 uma das ações do governo brasileiro foi a criação de um programa para tirar crianças do trabalho em estados onde há maior exploração, como Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Bahia. O programa era chamado de “Brasil criança Cidadã”, que se concedia uma bolsa de cinquenta reais mensais por crianças retiradas do trabalho e mantidas na escola até 14 anos. Mais tarde este programa foi denominado de bolsa escola, no governo Lula (2002-2010) passou a ser chamado 46 de Programa Bolsa Família. Trata-se de um programa de transferência de renda, no qual os beneficiados devem ser famílias em situação de pobreza extrema. No ano de 2006 os acidentes e as violências (causas externas: transporte, afogamento, entre outros) colocaram o País em estado de alerta. Estes foram responsáveis pelo maior número de morte em crianças de 1 a 9 anos. Assim, a Área Técnica de Saúde da Criança elegeu como uma de suas prioridades o fortalecimento da linha de cuidado de prevenção de violências e promoção da cultura de paz. O objetivo dessa linha de cuidado é atuar na formulação de diretrizes, parâmetros e metodologia de atenção integral à saúde da criança em situação de violência (BRASIL, 2010a). Já em relação à criança maior podemos citar a criação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), que é uma política pública social de implementação do atendimento das medidas socioeducativas previstas nos artigos 55 e 112 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (MOURA, 2010). Em 2007 foi criado o Programa “Saúde na Escola”, tendo como objetivo principal oferecer atenção integral de prevenção, promoção e atenção à saúde de crianças, adolescentes e jovens do ensino básico público (MOURA, 2010). Em 2009 foi aprovado pelo Ministro da Saúde José Gomes Temporão, para ser instituído a “Estratégia Brasileirinhos e Brasileirinhas Saudáveis”; cujo objetivo é o de construir novas ofertas de cuidado humanizado à saúde e fortalecer outras que já são oferecidas dirigidas a mulheres e crianças, na perspectiva do vínculo, crescimento e desenvolvimento integral da criança de zero a cinco anos. Esta estratégia terá sua funcionalidade apoiado na portaria MS/GM número 2.395/2009 partindo de projetos pilotos os Estados de Rio Branco, Recife, Campo grande, Rio de Janeiro e Florianópolis (BRASIL, 2010b). Recentemente (2010) o governo retomou uma estratégia antiga que obteve sucesso nos anos de 1990, chamado de Programa de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI). Anteriormente relacionado a todas as crianças e neste novo modelo aplicado ao período de zero a dois meses de idade. O AIDPI Neonatal é uma estratégia que permite aos profissionais de saúde detectar e classificar precocemente as principais doenças e fatores de risco que afetam esta faixa etária. O Ministério da Saúde realizou no ano de 2010 oficinas para capacitar 510 profissionais de saúde da região Nordeste e Amazônia Legal, que atuam como 47 facilitadores do processo de multiplicação da estratégia em seus estados (PORTAL SAUDE, 2011). Dentre todas as estratégias para melhorar as condições de vida das crianças e adolescentes brasileiros, ainda as principais barreiras a serem ultrapassadas são as que dizem respeito as condições de ordem social, relacionados à vulnerabilidade, informação e acesso. Neste contexto, o Ministério da Saúde, na sua mais atual ação, planejou a “Rede Cegonha”. Uma estratégia operacionalizada pelo SUS, fundamentada nos princípios da humanização e assistência, onde mulheres, recémnascidos e crianças tem direito a um acolhimento de qualidade nas unidades de saúde, ampliação desse acesso, acolhimento e melhoria da qualidade do pré-natal, incluindo auxílio para transporte tanto para o pré-natal quanto para o parto, assim como, atenção à saúde da criança de 0 a 24 meses com qualidade e resolutividade, todavia este programa ainda não pode ser avaliado, no que concerne a sua viabilidade a longo prazo e os benefícios que trará, principalmente na redução da mortalidade infantil por causas evitáveis com a atenção a gestação e ao parto (BRASIL, 2011). 2.5 VULNERABILIDADE SOCIAL E SEUS REFLEXOS NA MORTALIDADE INFANTIL O conceito de vulnerabilidade social nasceu na área dos Direitos Humanos e tendo sido incorporado ao campo da saúde a partir dos trabalhos relacionados à epidemia de AIDS. Para compreender como se deu tal incorporação, é necessário recuperar a trajetória da epidemia a partir dos anos 80, principalmente no fato da falta de informação e o preconceito, fatos estes ainda em situação de superação. Segundo Katzman (2001) as situações de vulnerabilidade social estão associadas à capacidade humana de enfrentar determinadas situações de risco, com maior ou menor capacidade de indivíduos, famílias ou grupos sociais de controlar as forças que afetam seu bem-estar, ou seja, a posse ou controle de ativos que constituem os recursos requeridos para o aproveitamento das oportunidades propiciadas pelo Estado, mercado ou sociedade. Assim como no caso do HIV, a vulnerabilidade programática relacionada a outras áreas dentro do campo de saúde, leva em conta o acesso aos serviços de saúde, a forma de organização dos serviços, o vínculo que os usuários dos serviços possuem com o profissional, o acolhimento do usuário pelo 48 serviço, as ações preconizadas para a prevenção e o controle do agravo e os recursos sociais existentes na área de abrangência do serviço de saúde (SPOSAT, 2003). Quando se trata da questão de vulnerabilidade social, podemos dizer que esta avalia a dimensão social do adoecimento, utilizando indicadores capazes de revelar o perfil da população no que se refere ao acesso à informação, gastos com serviços sociais e de saúde, acesso aos serviços de saúde, coeficiente de mortalidade de crianças menores de cinco anos, a situação da mulher, o índice de desenvolvimento humano e relação entre gastos com educação e saúde (REDE, 2008). Vários grupos estão incluídos nos vulneráveis, todavia, ainda a pobreza, a desigualdade e a exclusão são fatores que condicionam e aumentam a vulnerabilidade (BUARQUE, 2004). Barbosa e Silva apud Brasil (2010) consideram vulnerabilidade social (grupos expostos à situação de risco), a ausência de documentação, emprego, moradia, educação, alimentação, saúde e lazer. Também as condições que envolvem violência intra e extra familiar; usuários de substâncias psicoativas ou com transtorno mental; gravidez na adolescência; abandono ao idoso; recortes sociais (etnias, indígenas, etc.). Estas situações de vulnerabilidade precisam ser resolvidas para que exista desenvolvimento. Pedro Demo citado por Buarque (2004) disserta que não podemos somente pensar na pobreza no barraco, a pobreza não se resume na carência material e sim a pobreza política, de entendimento e participação social, reclamando e declamando os nossos próprios direitos. Pode-se dizer que a vulnerabilidade também pode ser cultural e de outras formas subscritas como o acesso aos serviços de saúde também objeto deste estudo. Um dos problemas sociais enfrentados como condição de vulnerabilidade está descrita em relação às migrações desordenadas que produzem comunidades mal organizadas. Existem várias críticas relacionadas à migração e aos problemas que as cidades enfrentam pelo despovoamento de algumas regiões e o aglomeramento de outras, Santos (2002, p. 29) pergunta: “que cidadão é culpado de migrar ou de ficar residindo em regiões que se despovoam?”. Ainda há a questão de que se todos migrassem e prosperassem, mas na grande maioria são aqueles que empobrecem ainda mais. A significação social e econômica dos lugares são cercadas de questões que nos parecem banais, todavia ainda não há leis democráticas para reduzir as 49 desigualdades sociais a ponto de não agravá-las mais, principalmente no que diz respeito à condição que faz uma população vulnerável. Em alguns momentos a transição demográfica se transcreve de tal maneira de que não explica com simples percentagens a realidade das pessoas e seus espaços. Ainda com o pensamento de Santos (2002), o próprio crescimento pode acarretar perigos, com maiores demandas e menor qualidade de vida para as pessoas que fazem parte deste meio. Santos (2002, p.32) enfatiza que muitas áreas do Brasil vivem à míngua (termo utilizado pelo autor) de cuidados “tais regiões espoliadas, ou apenas esquecidas, devagar ou depressa se convencem de que vivem em situação de minoridade política”. Hoje as cidades estão organizadas de maneiras distintas e o fortalecimento proporcionado pela política de descentralização dos serviços, tomado pela discussão a cerca das secretarias de Desenvolvimento Regional, o próprio modelo de Estado de Santa Catarina ainda é uma forma de utopia de planejamento. Santos retrata: Cada época cria necessidades distintas, a exigir arranjos diferentes, pois, sobretudo nos países e nas regiões novas, a eficácia das divisões territoriais, do respectivo estatuto político, das formas de gestão adequadas [...] a descentralização não apenas formal ou funcional, mas estrutural, pode e deve ser um instrumento de democracia política e social (SANTOS, 2002, p.33). Do ponto de vista social, Santos reflete: [...] as divisões e subdivisões territoriais, através da conformação dos estados, municípios e outras configurações, não são apenas uma moldura, um dado passivo, mas constituem um elemento ativo do quadro de vida. Das relações territoriais depende cada vez mais a orientação e a eficácia das demais relações sociais (SANTOS, 2002, p.34). Santos (2004) fala sobre todas as carências da vida da população. Seja ela, de cunho de consumo material e imaterial, também de certa forma de consumo político, carência de participação e de cidadania. As formas de comunicação e o jeito de viver das populações são heranças de um aprendizado das relações profundas entre o homem e o seu meio. Desterritorialização pode significar também desculturização: “vir para a cidade grande, certamente, deixar para trás uma cultura herdada para se encontrar com uma outra” (SANTOS, 2004, p.328) isto pode significar situação de risco, já que os 50 costumes de determinadas etnias, a culturalidade são meios positivos para manutenção da vida em sociedade. [...] a condição humana compreende algo mais que as condições quais a vida foi dada ao homem. Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência (SANTOS, 2004, p.17). Segundo Arendt (2007) o homem cria constantemente as suas próprias condições de vida, as quais possuem a mesma força das condições impostas pela natureza. A condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. A condição humana é a soma das atividades e capacidades do homem para o homem As condições da existência humana, a própria vida, natalidade e mortalidade jamais nos condicionam de modo absoluto (OMS, 2002). A dignidade humana, baseada em identidade individual e coletiva, constitui um dos pilares de um convívio social organizado e harmônico e de estabilidade da população, fortalecendo a economia pelo próprio Capital Social gerado, aumentado o índice de confiança da população (KATZMAN, 2001). Desta maneira pensando de modo concreto acerca das vulnerabilidades das famílias, nos seus territórios, nos seus espaços, e suas crianças consequentemente, o desemprego torna- se, assim, um problema de saúde pública, em suas dimensões físicas – nutrição e assistência médica insuficientes – e psíquicas, em consequência de distúrbios de personalidade e de comportamento que podem ser gerados por condições de instabilidades e vulnerabilidades. São exemplos a vacinação de crianças, a educação sexual de meninas e a informação sobre nutrição adequada às mães, medidas que podem melhorar o nível de saúde pública de uma população (RATTENER, 2005). Observa-se que processo de desmercantilização do acesso teve como resultado a saúde como direito e o movimento de formação dos modernos sistemas de proteção social e da saúde, que passaram a responsabilizar-se pelo risco social de um indivíduo enfermar-se. Esse risco passou a ser de responsabilidade coletiva, coberto por toda sociedade, isto é, garantido pela ideia do direito social, do direito do cidadão e responsabilização coletiva, por isso, hoje considera-se dever do Estado a execução dessas medidas (VIANNA; ELIAS, 2011). O Brasil hoje é marcado por suas heranças coloniais e o papel periférico que assumiu ao longo do processo de consolidação do capitalismo monopolista, 51 segundo dissertou Oliveira e Pinto (2001). A medida que o Brasil avançou rumo ao desenvolvimento, ao mesmo tempo ampliou as desigualdades expressadas com a distribuição de renda, sendo considerada uma das mais desiguais do mundo. A trajetória da colonização brasileira expressa uma tendência a concentração de renda. Todavia percebe-se que o delineamento da pobreza de hoje, daqueles que estão abaixo da linha, ainda desfrutam da satisfação de necessidade básicas. Conceitualmente, concluiu-se que as situações de vulnerabilidade social estão associadas à capacidade humana de enfrentar determinadas situações de risco, referindo-se, portanto, à capacidade de indivíduos, famílias ou grupos sociais de controlar mais aquilo que afeta seu bem-estar, aproveitamento das oportunidades propiciadas pelo Estado, mercado ou sociedade (KATZMAN, 2001). 2.6 A CLASSIFICAÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS As altas taxas de mortalidade entre crianças é um importante indicador que reflete as condições de vida de uma determinada população. As quedas dessas taxas e a preocupação com elas foi um fenômeno primeiramente decorrente da percepção de que a morte infantil trazia prejuízos para a economia, após a Segunda Guerra Mundial, resultante também da transição demográfica (IBGE, 1999). A mortalidade em crianças reflete vários indicadores socioeconômicos, os quais influenciam o comportamento de vários outros indicadores, sendo essencial o seu estudo para a verificação do desenvolvimento, seja ele, local, municipal, nacional ou mundial (DIMENSTEIN, 2011). Existe uma sensibilidade grandiosa da mortalidade infantil às variações sociais, médico-sanitárias, nível de renda e de qualidade de vida de uma sociedade. Transformações socioeconômicas e sociais causam grande impacto na mortalidade infantil. Segundo Fuentes (1990) a mortalidade é associada à qualidade de vida como indicador negativo, ou seja, oposto a ela, representando as condições adversas que rodeiam as pessoas, e principalmente as crianças, que as inabilitam para “resistir” a vida. No Brasil nas últimas décadas foi observado o declínio das taxas de mortalidade infantil. Apesar deste retrato, estes índices não são satisfatórios, principalmente em algumas regiões. O sub-registro de óbitos no país é outro problema grave a ser enfrentado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. 52 Outros problemas que podem ser citados são: as desigualdades intra-urbanas, com uma concentração dos óbitos na população mais pobre, também a omissão do registro do óbito em cartório, pela dificuldade de acesso, existência de cemitérios irregulares ou falta de informação da população sobre a importância da declaração de óbito, comprometendo assim o real dimensionamento do problema e a identificação das ações adequadas de saúde para a diminuição desses índices. Outro problema a ser discutido, diz respeito à baixa qualidade das informações nas declarações de óbito, principalmente daquelas que são identificadas como causas mal definidas, campos não preenchidos, dificultando a análise dos fatores que influenciam a mortalidade e consequentemente dificultando as ações de intervenção (BRASIL, 2007). Para o estudo da mortalidade infantil é importante classificar ordenadamente em que fase da vida a criança morreu. Segundo a Organização Mundial da Saúde pela Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão (1994) temos a seguinte classificação de relevância para este estudo: Coeficiente ou Taxa de Mortalidade Infantil: número de óbitos de crianças nascidas vivas no primeiro ano de vida, por mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico (município, estado, país), no ano considerado (BRASIL, 2007, p.07). Altas taxas de mortalidade infantil refletem baixos níveis de saúde e de desenvolvimento socioeconômico da população. As taxas de mortalidade infantil podem ser calculadas pelo método direto com a utilização do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e também pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde ou pelo método indireto (REDE, 2008). Coeficiente de Mortalidade neonatal: número de óbitos de crianças nascidas vivas ocorridos de 0 a 27 dias de vida completos (27 dias, 23 horas e 59 minutos), por mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. Estima o risco de um nascido vivo morrer durante as primeiras semanas de vida (BRASIL, 2007, p.08). Em se tratando de mortalidade neonatal, Escuder et al. (2003) chama a atenção para que essas taxas elevadas estejam em geral relacionadas a condições insatisfatórias em relação ao nível socioeconômico da população, principalmente da 53 saúde da mãe, assim como à inadequada assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido, também muitas vezes relacionada ao acesso aos serviços. Coeficiente de mortalidade neonatal precoce: número de óbitos de crianças nascidas vivas ocorridos até 6 dias completos de vida (6 dias, 23 horas e 59 minutos), por mil nascidos vivos, na população de um determinado espaço geográfico, no período considerado (BRASIL, 2007, p.08). Caldeira (2002) vem chamar a atenção para as condições do sub-registro de óbitos de modo geral, sendo que a mortalidade neonatal precoce pode estar subestimada pelo registro de óbitos declarados como natimortos, que de fato são óbitos de nascidos vivos ocorridos pouco após o parto. Coeficiente de mortalidade neonatal tardia: número de óbitos de crianças nascidas vivas ocorridos de 7 a 27 dias de vida completos (27 dias, 23 horas e 59 minutos), por mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no período considerado (BRASIL, 2007, p.08). Em relação às taxas de Mortalidade pós-neonatal temos: “número de óbitos de crianças nascidas vivas de 28 a 364 dias de vida completos (364 dias, 23 horas e 59 minutos), por mil nascidos vivos, na população residente, em determinado espaço geográfico, no período considerado” (BRASIL, 2007, p.08). Segundo a Fundação Seade quando as taxas de mortalidade infantil são altas (maiores que 10%), frequentemente a mortalidade pós-neonatal é o componente mais elevado. Para essas as causas evitáveis seriam: 1. Redutíveis por imunoprevenção; 2. Redutíveis por ações de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces; 3. Redutíveis através de parcerias com outros setores; Sobre este indicador de mortalidade pós-neonatal por causas evitáveis, Malta et al descreve: De forma mais geral, este indicador é sensível à qualidade e diversidade da atenção à saúde prestada pelo sistema de saúde, sendo medida de resultado ou impacto dos serviços de saúde. O conceito de morte evitável parece apropriado para o monitoramento e avaliação dos serviços de saúde, uma vez que a mensuração de indicadores de causas de morte evitáveis beneficia- se da objetividade, da oportunidade, da facilidade e da disponibilidade continuada de dados, permitindo, por exemplo, análises de tendências temporais e comparações entre regiões e municípios. Além disso, segundo o referencial proposto por Habicht et al. as análises de 54 tendências de indicadores sensíveis à atuação do SUS podem fornecer, segundo o pressuposto da inferência de adequação, indícios sobre o desempenho desse sistema de saúde a fim de prevenir mortes desnecessárias e precoces da população (MALTA et al., 2010, p.481-482). Em relação a mortalidade infantil alguns aspectos, chamados de condicionantes merecem ser destacados. Muitas vezes os condicionantes não estão explícitos, pois não tem impacto direto nas taxas, mas contribuem para o seu aumento. De acordo com o nível de influência, os condicionantes são classificados em diretos e indiretos. Os diretos são: aqueles ligados a sobrevivência das crianças como a alimentação, moradia (principalmente no que concerne a instalações adequadas, áreas arejadas e sem umidade, saneamento básico, possibilitando a melhor higiene), acompanhamento médico, que deve ser realizado desde a gravidez até após o nascimento, também realização de exames, cobertura vacinal, acesso a medicamentos, entre outros. E os indiretos como a renda. Já a educação pode ser considerada condicionantes diretos ou indiretos, porque níveis educacionais mais elevados contribuem para a compreensão das necessidades das crianças (FUENTES, 1990). Existem também variáveis chamadas de explicativas em relação a mortalidade infantil, entre elas destacam-se as características socioeconômicas, as diferenças regionais a escolarização da mãe. Em relação as causas de mortalidade infantil no Brasil, elas se alteraram ao longo das últimas décadas. Na década de 1980 as principais causas de óbitos estavam relacionadas às doenças infecto contagiosas, que sofreram um declínio nas décadas seguintes, todavia observa-se uma alta nas causas perinatais, que são decorrentes de problemas durante a gravidez, parto e nascimento. Já, após a década de 1990, as principais causas da mortalidade infantil passaram a ser a pneumonia, as diarreias e a desnutrição, assim como a malária em algumas regiões endêmicas. Estas são facilmente preveníveis por meio de simples melhorias nos serviços básicos de saúde e de pequenas intervenções como a terapia de reidratação oral, redes mosquiteiras e vacinação (WHO, 2002). Entre outras causas de morte de crianças que devem ser descritas aqui, que muitas vezes não são passíveis de prevenção, são aquelas crônicas, que tornam necessária a hospitalização e que são bastante impactantes, como o câncer, as cardiopatias, a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), a fibrose cística, 55 disfunções renais crônicas, asma, epilepsias, hemofilia e hipertensão (REGO FILHO, 2000). Algumas ações governamentais e não governamentais tentam minimizar os riscos também dos óbitos por doenças não preveníveis, atuando na prevenção secundária. Como no caso da execução do teste do pezinho (Programa de Triagem Neonatal), uma referência de Política Pública de Saúde no Brasil, o mesmo consiste em um exame laboratorial simples que tem o objetivo de detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e ou infecciosas que poderão causar lesões irreversíveis no bebê, como por exemplo retardo mental. A maioria das doenças pesquisadas no teste do pezinho podem ser tratadas com sucesso desde que diagnosticadas antes mesmo de manifestar os primeiros sintomas (SILVA, 2005). Também o tratamento das crianças filhas de pais HIV positivo, que hoje apresentase com sucesso e evitando muitas mortes (ROMANELLI et al., 2006), assim como, outras ações que dão a oportunidade de escolha da vida ou da morte, como o proposto no projeto de lei nº 4360, de 2004 e aprovado em abril de 2012. Quando houver diagnóstico de feto com a chamada anencefalia, que é uma grave malformação fetal que resulta da falha de fechamento do tubo neural, estimados em um para cada mil nascidos vivos no Brasil. Com esta lei, no decorrer das décadas poderá ser percebido uma mudança nos indicadores de MI, por execução (aborto) dessas crianças com mal formações ainda intra-útero. Outras causas de mortalidade em crianças de forte impacto são as ocorridas por causas externas, atropelamentos, afogamentos, violência sexual, espancamentos, entre outros. Todavia, ainda existem muitas dificuldades no reconhecimento dessas causas, por ainda serem subnotificadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a abordagem da saúde pública na prevenção das causas externas deve se iniciar pela produção do máximo conhecimento possível sobre todos os aspectos do problema através da coleta de dados, com o objetivo de determinar sua magnitude, características e consequências. A posição do Brasil no contexto internacional em relação a mortalidade de crianças por homicídios é chocante, apresentando uma taxa de 13 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes, ocupando a 4ª posição entre 92 países do mundo analisados, com índices entre 50 e 150 vezes superiores aos de países como Inglaterra, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Egito, entre outros (WAISELFISZ, 2012). 56 3 METODOLOGIA Para se fazer a analise da mortalidade infantil na 25ª SDR, foi realizado uma pesquisa do tipo exploratória-descritiva, que teve como fonte de dados o campo e os bancos de dados estatísticos do governo (Departamento de Informática do SUS DATA-SUS, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA) e os domicílios dos pais que perderam suas crianças no ano de 2010 nos municípios de Mafra, Papanduva, Monte Castelo, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campos Alegre, com uma abordagem quantiqualitativa. A abordagem quanti-qualitativa foi escolhida porque a pesquisa se baseou em dados mensuráveis, procurando verificar e explicar sua existência, mas também levou em conta a interpretação da realidade dos sujeitos que foram abordados em campo (FONSECA, 2007). A amostra numérica consistiu em dados dos Sistemas Digitais Nacionais relacionados aos óbitos de crianças e indicadore de desenvolvimento econômico (Produto Interno Bruto - PIB) no período de 1999 à 2010. Já as informações relacionadas às questões de vulnerabilidade (causas discretas), foram conseguidas por meio da visita ao campo (domicílio) nos meses de junho, julho e agosto de 2012, tendo como universo as 29 famílias que perderam suas crianças no ano de 2010, todavia com uma amostra de 10 domicílios, com um nível de confiança de 99%, erro amostral de 25%, conforme critério de inclusão (ser residente nas cidades da 25ª SDR - meio urbano e rural; ter um filho com idade de 0 à 364 dias que tenha ido a óbito, aqueles que aceitassem o agendamento da visita ou, aqueles que não tenham telefone, mas que estivessem no domicílio no dia da visita do pesquisador, e que aceitaram ser entrevistadas e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), ANEXO A). E como critério de exclusão: não ser residente nos municípios da 25ª SDR, não ter um filho “morto” com idade de 0 à 364 dias, que não estivessem no domicílio no dia da visita, que não aceitassem serem entrevistados nos domicílios, e/ou que não assinassem o TCLE. Os dados referentes aos endereços das famílias que tiveram óbito de filhos até um ano de vida foram fornecidos pela Secretaria de Desenvolvimento Regional (Rio Negrinho, Papanduva, Monte Castelo, Itaiópolis e Campos Alegre) e prefeituras (Mafra e São Bento do Sul), sendo que estes dados são confidenciais, conforme contato prévio, somente foram disponibilizados os dados referentes à 2010. 57 A coleta de dados foi realizada em três momentos: − Primeiramente foi realizada uma busca dos dados estatísticos sobre mortalidade infantil no Sistema Nacional, DATA-SUS, para levantar as taxas de mortalidade infantil nos municípios pertencentes a 25ª SDR de SC no período de 1999 à 2010; − No segundo momento foram pesquisados dados econômicos (PIB a preços correntes – mil reais) na SUFRAMA e dados demográficos no IBGE para relacioná-los as taxas de mortalidade infantil desses municípios; − No terceiro momento foi aplicada uma entrevista semiestruturada (APÊNDICE A) adaptado do modelo de protocolo do MS, para investigação de óbitos infantis no domicílio dos pais que tiveram óbitos de seus filhos no ano de 2010, conforme informações conseguidas a partir da SDR, para assim verificar as causas de mortalidade infantil nessas regiões no ano de 2010, assim como diferenciar essas taxas nos municípios que compõem a 25ª SDR em relação às condições de óbito. Para aquelas residências nas quais não foram encontrados os moradores, a pesquisadora se reservou ao direito de utilizar um diário de campo para anotações extras. Os dados de mortalidade infantil, os indicadores econômicos (PIB) e os dados conseguidos por meio da entrevista domiciliar foram organizados em planilhas do programa Microsoft Excel 2007, e analisados comparativamente, e para apresentação foram colocados em gráficos e quadros, sendo analisados e discutidos a luz do referencial teórico e recomendações do Ministério da Saúde, de acordo com os elementos de vulnerabilidade. A presente pesquisa respeitou os preceitos da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde de Pesquisa com Seres Humanos. Sendo encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), que é responsável pelo acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas que envolvem seres humanos, para aprovação das propostas metodológicas do estudo, juntamente com a Folha de Rosto de Pesquisa com Seres Humanos. A mesma foi aprovada pelo parecer número 46921 do CEP local Universidade do Contestado Campus de Mafra-SC. 58 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados da pesquisa são apresentados em seguida de acordo com sua origem e o fator de impacto dentro da discussão proposta. Primeiramente, tentou-se descrever a região universo da pesquisa e sua conformação política. Seguido da apresentação dos dados estatísticos respondendo os objetivos propostos e suas correlações, ou seja, a apresentação dos resultados está dividida em dados estatísticos coletados de forma indireta no site do DATASUS, apresentando uma série histórica, e os dados coletados de forma direta, em pesquisa de campo. Para entender o universo desta pesquisa, vale destacar que segundo o Instituto Brasileiro de Estatísticas (IBGE), Santa Catarina é um estado situado no centro da Região Sul do Brasil, com aproximadamente seis milhões e duzentos mil e quarenta e oito habitantes distribuídos por 293 municípios. Na última década, Santa Catarina teve um crescimento de 16,7%, enquanto a população brasileira cresceu em média 12,5% no mesmo período (CALLIPOLIS, 2011). Santa Catarina é subdividida geograficamente, em oito regiões: Grande Florianópolis, Nordeste, Vale do Itajaí, Planalto Norte, Planalto Serrano, Sul, Meio-oeste e Oeste. As regiões Nordeste e do Vale do Itajaí apresentam os principais municípios do Estado, tanto em termos econômicos quanto populacionais, entre eles Joinville e Jaraguá, ambos com fortes indústrias do ramo eletrometal-mecânico. Já a região do Planalto Norte, caracteriza-se como polo florestal do Estado, com indústrias moveleiras, madeireiras, de papel e papelão, todavia, não tem em sua conformação nenhum município de grande expressão populacional e forte poder econômico. Contempla uma estrutura fundiária majoritariamente baseada em pequenas propriedades familiares (BISSIGO, 2009). Em relação as características históricas de colonização, a região do Planalto Norte Catarinense ainda apresenta-se nitidamente separada das outras em relação a urbanização e crescimento econômico. Santos (2004) diz este fato ser possível por sua paisagem geográfica não estimular a urbanização, somente a de uns poucos núcleos urbanos polarizados. Ao contrário, a paisagem facilitou o isolamento de núcleos coloniais e de etnias. Tem-se principalmente nesta região diversidades socioculturais e econômicas nitidamente separáveis das outras do Estado. “Não há no Brasil outra região em que o cientista social possa testemunhar o processo de mudança cultural de modo tão claro e multiexemplificado” (SANTOS, 2004, p. 108). 59 Em relação a divisão político-administrativa do Estado, vale salientar que Santa Catarina possui 293 municípios agrupados em 36 regiões de desenvolvimento (SDRs) e 9 macroregiões, sendo que municípios de pequeno porte predominam no Estado, com 91% apresentando população abaixo de 50 mil habitantes conforme Tabela 1: Tabela 1 – Número de municípios por faixa de habitantes e população total – Santa Catarina, 2010 MUNICÍPIOS POPULAÇÃO FAIXA DE HABITANTES Número % acumulado Número % acumulado Menos de 5 mil 108 36,86 341.260 5,46 Entre 5 e 10 mil 64 58,70 467.560 12,94 Entre 10 e 20 mil 60 79,18 819.028 26,05 Entre 20 e 50 mil 34 90,78 1.011.301 42,24 Entre 50 e 100 mil 15 95,90 943.957 57,34 Mais de 100 mil 12 100,00 2.665.330 100,00 Total 293 6.248.436 Fonte: IBGE – Censo Demográfico (2010) A região do Planalto Norte foi dividida em duas regionais, sendo a 25ª área universo desta pesquisa, composta pelos municípios de Mafra, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Papanduva, Monte Castelo, Itaiópolis e Campos Alegre, a maioria de pequeno porte, somente Mafra e São Bento do Sul possuem população acima de 50 mil pessoas. Além desta, tem-se a 26ª, composta pelos municípios de Canoinhas, Major Vieira, Três Barras, Irineópolis, Porto União e Bela Vista do Toldo. Contudo, essas regiões apresentam especificidades quanto a esta estrutura, que tem origem nos fatos históricos da ocupação, em decorrência da Guerra do Contestado e na dinâmica social e econômica por eles moldadas (SANTOS, 2004). Com conformação político-administrativa do Estado em regionais de desenvolvimento objetivando a descentralização, coube a discussão da necessidade da não-padronização de programas sociais e de medidas de estímulo à economia pelos governos estaduais em relação aos municípios que compõem o mesmo. Destaca-se que as SDRs não compõem áreas homogêneas, desta forma, segundo Tavares e Júnior (2009) alguns municípios da 25ª SDR de Santa Catarina (Monte Castelo, Itaiópolis e Papanduva) possuem um atraso no grau de pertencimento, dependência econômica e sem referência para qualidade de vida, evidenciando uma forte discrepância intra-regional, o que torna a presente pesquisa bastante interessante do ponto de vista dos seus resultados. 60 O município de Itaiópolis possui população de 20.181 habitantes em uma área territorial de 1.295,8 km² (7° em extensão territor ial de Santa Catarina). Papanduva possui uma área territorial de 760 km² e uma população de 17.805 mil habitantes, já em Monte Castelo há 8.341 mil habitantes em uma área de 561,732 km², segundo os dados do censo demográfico de 2010 (IBGE, 2010). Em relação aos outros municípios que compõem a 25ª SDR, Mafra tem sua origem ligada ao município de Rio Negro, no Estado do Paraná, cujas terras abrangiam as duas margens do rio do mesmo nome. Possui uma grande extensão de terras situadas na zona rural do município (1.318,32km²), representando 93,74% da área total, que é de 1.406,32 m², com uma população de 52.920 habitantes. São Bento do Sul é o maior município da região com população de 76.514 habitantes e área territorial de 487 km². O município de Rio Negrinho possui população de 39.849 habitantes e área territorial de 908 Km² e Campo Alegre com população de 11.391 e área territorial 506 Km² (IBGE, 2010). Na Tabela 2 são apresentadas algumas características da população dos municípios da 25ª SDR comparativamente aos totais do Estado e da própria SDR. Tabela 2 – Grau de urbanização proporção de menores de um ano e razão de dependência infantil na 25ª SDR – Santa Catarina, 2010 Proporção de Grau de Urbanização Razão Dependência ÁREA menores de 1 ano na (%) Infantil (%) População Total (%) Santa Catarina 83,99 1,31 30,60 25ª SDR 80,09 1,36 35,12 Campo Alegre 61,60 1,17 35,97 Itaiópolis 52,89 1,56 39,42 Mafra 78,09 1,25 33,43 Monte Castelo 58,10 1,43 41,15 Papanduva 51,23 1,36 37,89 Rio Negrinho 91,22 1,45 38,13 São Bento do Sul 95,23 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) 1,37 32,29 Observam-se diferenciais importantes entre os municípios da 25ª SDR e destes em relação ao total do Estado. Na média o grau de urbanização da 25ª SDR é inferior ao do Estado como um todo, ou seja, ainda há na região 20% da população residindo em áreas rurais, portanto com maiores entraves quanto à mobilidade no espaço. Somente os municípios de São Bento do Sul e Rio Negrinho possuem grau de urbanização acima da média estadual, superando 90%. Nos 61 municípios de Itaiópolis e Papanduva, praticamente a metade de seus habitantes se encontram em áreas rurais. Na sequência vêm os municípios de Monte Castelo e Campo Alegre com proporção igualmente importante da população residindo na área rural, aproximadamente 40%. Mafra também se destaca com grau de urbanização mais elevado, em que pese ainda estar abaixo da média estadual, são pouco mais de 20% das pessoas residindo na área rural. Outro dado importante para a análise dos resultados gerais é a proporção de menores de um ano em cada município. Em média há uma proporção maior de menores de um ano na 25ª SDR no que na média catarinense, isso induz a pensar sobre uma maior fecundidade (número de filhos por mulher em idade reprodutiva) na região. Somente nos municípios de Campo Alegre e Mafra essa proporção é inferior à média estadual, 1,17% e 1,25% respectivamente, contra uma média de 1,31%. A maior proporção está em Itaiópolis, 1,56%, seguido de Rio Negrinho (1,45%) e Monte Castelo (1,43%). Quanto ao indicador de dependência infantil (número de crianças de 0 a 14 anos que dependem de cada cem pessoas em idade ativa, de 15 a 64 anos) se observa que em todos os municípios há um número maior de crianças dependentes do que a média estadual. Enquanto para o total do Estado é trinta o número de crianças dependentes, na média regional esse número sobe para trinta e cinco, variando de trinta e dois em São Bento do Sul a quarenta e um em Monte Castelo. Mais uma vez se percebe aqui uma dificuldade maior nesses municípios ainda mais levando em consideração que a maioria desses municípios possui economia pouco diversificada e insipiente. Feitas essas colocações, vale lembrar ainda, para iniciar a análise efetiva dos casos de óbitos infantis que o Ministério da Saúde e as literaturas específicas da área enfatizam a necessidade do envolvimento de uma equipe multiprofissional e interdisciplinar na investigação desses óbitos, principalmente na estimação daquelas mortes consideradas “evitáveis” no primeiro ano de vida e de acordo com a causa básica (CID), por isso é objeto de estudo dentro do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional e Políticas Públicas. O quadro da distribuição da Mortalidade Infantil, no ano de 2010, para o estado de Santa Catarina é apresentado na figura 3 a seguir: 62 Figura 3 – Taxa de Mortalidade Infantil, segundo Macrorregiões de Saúde, Santa Catarina, 2010. (por 1000 nascidos vivos) Fonte: SIM-SINASC (2010) A figura 1 demonstra a diferenciação do indicador MI dentro das SDRs do Estado. O Planalto Norte Catarinense é a quarta região que apresentou os maiores índices de mortalidade infantil em 2010. Todavia, estes dados são subjetivos, porque dentro da própria região, mais precisamente a 25ª SDR, alguns municípios estão aquém do esperado em relação as taxas de mortalidade, mesmo melhorando as condições básicas e acesso entre outras estratégias advindas da descentralização político-administrativa. Tem-se que para o estado como um todo, o risco de morrer antes de completar um ano de vida foi reduzido em um terço (33, 2%) na década 2000/2010. A maior redução (40,6%) ocorreu na mortalidade pós-neonatal como pode ser observado no Gráfico 1 no qual se apresenta a distribuição dos componentes da Mortalidade Infantil em Santa Catarina no período de 2001 a 2010. No início da década (2001) os óbitos neonatais representavam 65,9% do total dos óbitos infantis no Estado. Segundo Malta et al. (2010) a mortalidade neonatal é predominante em todo o Brasil, apesar de que a morte por causas reduzíveis ainda se apresenta como um fator preocupante em várias regiões do Brasil, principalmente na norte e nordeste. Quando comparado com os indicadores nacionais, o Estado de Santa Catarina mantém o ritmo de queda também da mortalidade por causas evitáveis. 63 Gráfico 1 – Distribuição dos componentes da Mortalidade Infantil em Santa Catarina no período de 2001 a 2010. (em %) Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) Observa-se também que no Estado de Santa Catarina como um todo, o componente neonatal sempre foi preponderante entre as causas de mortalidade infantil. Em 2010, os óbitos de menores de 28 dias representam 69,5%, sendo que quase a metade deles ocorreu na primeira semana de vida. No que concerne à relação que se dá entre a redução da MI e a permanência de alguns componentes dela, e o nível de desenvolvimento dos municípios que compõem a 25ª SDR de Santa Catarina, sejam eles pequenos ou grandes, observase que as condições de saúde da população parecem refletir as desigualdades de acesso aos serviços coletivos necessários ao bem-estar social, conforme dissertou Wallace et al (1996). Este autor entende que a desigualdade de renda pode ser o motivo para este fenômeno, pois esta tem muitos efeitos sobre a qualidade de vida da população. A falta de dinheiro aumenta a frustração e o estresse, fomentando rupturas sociais e familiares, o que implicaria em uma deterioração adicional das condições de saúde, através da dinâmica auto e hetero-destrutiva de fenômenos sociais complexos, em interação permanente com o quadro específico da saúde, como o crescimento das taxas de criminalidade e do abuso do álcool e de drogas ilícitas, e a disseminação do HIV e outras doenças de transmissão sexual. Numa análise temporal feita a partir do gráfico 2 apresentado em seguida, têm-se que as taxas de MI nos municípios da 25ª SRD decaíram na última década 64 acompanhando a tendência verificada no Estado de SC em direção a alcançar os objetivos de desenvolvimento do milênio, sendo que no primeiro triênio9 estudado as taxas de MI do Estado estavam num patamar bem abaixo do verificado para a 25ª SDR, ou seja, 15,9 em SC e 19,8 por mil nascidos vivos na 25ª SDR. Gráfico 2 – Comparação das taxas de MI por triênios (1999-2010) em Santa Catarina e na 25ª SDR. Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), 2011. No entanto, observa-se que a curva da MI da 25ª SDR apresenta uma inflexão significativa no período 2005/2007, fazendo com que as mesmas ficassem abaixo da média estadual no período seguinte, aproximando-se da taxa de 10 por mil, recomendada pela OMS. Em outras palavras, em média a queda na taxa de MI no Estado ficou em torno de 30% enquanto que, na média da 25ª SDR a queda foi da ordem de 46%. No gráfico 3, pode-se observar a média trienal das taxas de MI nos municípios da 25ª SDR de Santa Catarina levando em consideração os dados do primeiro (1999-2001) e do último triênio (2008-2010) dos últimos dez anos: 9 Foram calculadas as taxas de MI pela média de cada três anos para o período 1999 a 2010. Essa prática evita qualquer distorções nas taxas ocorridas em função de eventos esporádicos. 65 Gráfico 3 – Comparação das taxas de MI nos município da 25ª SDR em relação ao Estado de SC no triênio 1999-2001 e no triênio 2008-2010. Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) (2011) Por meio do gráfico 3 se podem fazer as primeiras aproximações em relação às quedas das taxas de MI e a implementação da política de descentralização no estado de Santa Catarina. Em todos os municípios da regional em estudo, houve queda das taxas de MI. Ressalte-se que a baixa taxa verificada em Monte Castelo parece ser atípica, já que no quinquênio anterior (2005/2007) a taxa foi de 40,7 óbitos por mil nascidos vivos, o que também parece ser bastante atípica. Aparentemente os dados para este município apresentam alguma inconsistência e que merece um estudo mais apurado posteriormente. O percentual de queda verificado para as taxas nesses municípios variou entre 27% em Papanduva e Rio Negrinho até pouco mais de 50% em Itaiópolis e Mafra, sem considerar a queda observada em Monte Castelo que ficou em 87%. Para melhor visualizar a queda das taxas de MI antes e após o processo de descentralização, a tabela três foi montada utilizando as médias da primeira metade da década (1999-2004) e segunda metade (2005-2010) com o qual foi constatado que para o município de Monte Castelo, que mais intrigou em relação ao percentual de queda, mesmo sendo esta aparentemente grande, não foi percebido um impacto relevante e suas taxas após a descentralização político-administrativa. 66 Tabela 3 – Comparação entre as taxas de MI 1999-2004 e 2005-2010 nos municípios da 25ª SDR – Santa Catarina Taxa de MI (por mil n.v.) Município % de queda 1999 a 2004 2005 a 2010 Santa Catarina 15,14 11,9 -21,4 25ª SDR 18,66 13,06 -30,0 Campo Alegre 19,36 16,06 -17,0 Itaiópolis 23,61 16,02 -32,1 Mafra 19,53 10,76 -44,9 Monte Castelo 24,11 22,19 -8,0 Papanduva 18,1 16,84 -7,0 Rio Negrinho 17,88 12,91 -27,8 São Bento do Sul 16,67 11,83 -29,0 Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) (2011). A tabela 3 mostra que o estado de Santa Catarina teve uma queda de 21,4% na sua taxa de MI entre os dois períodos, já a 25ª SRD apresentou uma queda de 30%, enquanto o município que melhor êxito apresentou em relação as quedas de MI na última década foi Mafra com 45%, seguida de Itaiópolis com queda de 32%, São Bento do Sul com 29%, Rio Negrinho com 28%. Os demais municípios apresentaram queda inferior à média estadual, Campo Alegre com 17%, Monte Castelo que agora apresenta queda de somente 8% e por último Papanduva com apenas 7%. Por isso é importante salientar que visualmente quedas grandes da taxa de MI precisam ser mais bem estudadas, dentro de um a série maior de anos, como foi o caso de Monte Castelo. Estudos semelhantes realizados em diferentes regiões brasileiras publicados em 2010 elucidam várias características que podem aumentar o risco de morte na infância. Em uma pesquisa realizada na região metropolitana de São Paulo, Silva et al. (2010) apontam que a diferenciação hospitalar intermunicipal é um importante fator de risco para a mortalidade, principalmente neonatal. Os autores encontraram dentro dos serviços oferecidos pelo SUS uma diferenciação entre aqueles que são da rede privada e da não privada, principalmente no que diz respeito a equipamentos e complexidade de atendimento. Ainda identificaram uma elevada proporção de óbitos por asfixia intraparto sugerindo deficiências no acompanhamento do trabalho de parto na rede SUS. Na cidade de Passo Fundo, segundo Geib et al. (2010) se encontrou entre os determinantes da mortalidade infantil a baixa escolaridade materna e o uso do tabaco como fatores preponderantes. No estado de Pernambuco, Frias et al. (2010) encontraram grande dificuldade na avaliação das taxas de MI pelo elevado percentual de causas mal 67 definidas nos registros de óbitos, o que, segundo o autor restringem o conhecimento do perfil nosológico de mortalidade e a comparação das taxas infantis em diferentes localidades. Outra forma de explorar os dados de Mortalidade Infantil é sua associação com os níveis de renda. Segundo Szwarcwald et al. (2000) a mortalidade infantil foi o indicador que menos foi correlacionado aos níveis de desigualdade de renda até o século passado. Acredita-se que sociedades com grande nível de concentração de renda são as que menos investem em programas sociais, resultando em educação pública e assistência médica insuficientes, habitação inadequada e capacitação profissional deficiente. Para verificar de que maneira a diferenciação da renda e/ou econômia dos municípios pode interferir no indicador de MI foram dispostos dois gráficos (4 e 5) demonstrados a seguir, comparando a evolução do PIB10 e das taxas de MI, no mesmo período analisado, para os municípios da 25ª SDR. Gráfico 4 – Taxa trienal de Mortalidade Infantil para os municípios da 25ª SDR – Santa Catarina, 1999 a 2010 (por mil nascidos vivos) 4 5 ,0 4 0 ,0 3 5 ,0 C am p o A le g r e 3 0 ,0 Itaió p o lis 2 5 ,0 M afr a 2 0 ,0 M o n te C aste lo P ap a n d u v a 1 5 ,0 R io N e g r in h o 1 0 ,0 S ão B e n to d o S u l 5 ,0 0 ,0 1999 a 2001 2002 a 2004 2005 a 2007 2008 a 2010 Fonte: SIM (2011) Gráfico 5 – Evolução do PIB, em médias trienais, para os municípios da 25ª SDR – Santa Catarina, 1999 a 2009 (em milhões de reais) 10 O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um local em determinado período. 68 1 .8 0 0 1 .6 0 0 1 .4 0 0 C am p o A le gr e 1 .2 0 0 Itaió p o lis 1 .0 0 0 M afr a M o n te C aste lo 800 P ap an d u v a 600 R io N e gr in h o 400 S ão B e n to d o S u l 200 0 1999 a 2000 2001 a 2003 2004 a 2006 2007 a 2009 Fonte: SIM (2011) Pode-se observar no gráfico 4 que, apesar de todos os municípios apresentarem quedas na MI não há convergência dessas taxas, ou seja, os diferenciais, dentro da 25ª SDR, se mantém no período 1999 a 2009. Aparentemente quando se observa os gráficos 4 e 5, há uma correlação inversa entre os dados do PIB e as taxas de mortalidade infantil, ou seja, há um aumento do PIB concomitante a uma diminuição nas taxas de mortalidade infantil. Analisando somente as taxas de MI, nota-se claramente que até o período 20022004 essas taxas não tiveram um declínio tão acentuado como aquele observado após este período, podendo neste caso, fazer também uma associação com o processo de descentralização político-administrativa implementada no Estado a partir de 2003. Ao se olhar para o gráfico do PIB (5), também se observa que, para aqueles municípios de economia mais incipiente, uma maior ascensão da curva a partir de 2003, o que também pode estar associado ao processo de descentralização, em que pese necessitar de estudos mais completos para afirmar com mais certeza essa associação. Para os municípios de Papanduva e Itaiópolis, nota-se que houve um ponto de inflexão (destacados em círculo vermelho) em oposto nas duas variáveis, a partir do triênio 2004 a 2006. Aí se observa com bastante nitidez essa correlação. Também é importante destacar que a queda no ritmo de crescimento do PIB em Rio Negrinho e São Bento do Sul, após o período 2004 a 2006, pode estar 69 relacionada à crise internacional, já que as indústrias nesses municípios possuem componentes importantes de exportação. O PIB, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um local em determinado período, deveria dizer a respeito do desenvolvimento de uma região, todavia, cabe ressaltar que ele sozinho não basta, pois não reflete praticamente “nada” para “determinada parcela” da população, devido à elevada concentração de renda que ainda ocorre no país. Se fosse utilizado o PIB per capita, que é a soma de tudo o que a economia de um país produz, dividida pelo número de seus habitantes, a situação seria ainda pior, ou seja, mais mascarada, estando longe de ser realista, já que é de conhecimento geral que as riquezas são geralmente retidas para uma parcela da população. Daí a necessidade de se utilizar indicadores sociais para que se possa medir o grau de desenvolvimento de uma região ou local, os quais, para além do econômico mostram as verdadeiras condições de vida da população como um todo (CALLIPOLIS, 2011). Entrando na segunda parte da análise aqui proposta, são apresentados na tabela 4 os dados referentes ao número de óbitos infantis, ponto de partida da pesquisa empírica, os nascidos vivos e taxa de Mortalidade Infantil nos Municípios da 25ª SDR, comparativamente com os dados do Estado, da região Sul e do Brasil no ano de 2010 com referência SIM e SINASC: Tabela 4 – Mortalidade Infantil, nascidos vivos e porcentual de MI nos Municípios da 25ª SDR de SC, Estado de Santa Catarina, Região Sul e Brasil referencia SIM-SINASC 2010. MI (por mil nascidos Município Óbitos Nascidos Vivos vivos) Itaiópolis 4 291 13,7 Mafra 2 751 2,6 Papanduva 4 248 16,1 Rio Negrinho 5 580 8,6 Monte Castelo 1 119 8,4 São Bento do Sul 13 1.095 11,9 Campo Alegre 0 131 0 25ª SDR 29 3.215 10,3 Santa Catarina 888 84.611 10,5 Região Sul 921 369.905 12,6 55.000 2.760.961 19,9 Brasil Fonte: SIM-SINASC (2010) Observa-se na primeira coluna da tabela 4 os municípios estudados nesta dissertação (Itaiópolis, Mafra, Papanduva, Rio Negrinho, Monte Castelo, São Bento 70 do Sul e Campo Alegre), representação do Estado de Santa Catarina, Região Sul e Brasil. Na segunda coluna os dados referentes aos óbitos de crianças menores de um ano de idade, na terceira coluna o número de nascidos vivos e na última coluna a taxa de Mortalidade Infantil - MI (ou Coeficiente de Mortalidade Infantil), esta, sendo definida a partir do número de óbitos de menores de um ano de idade por mil nascidos vivos, na população residente em cada município, e classificada em baixa e/ou ideal quando menor de 10 óbitos por mil nascidos vivos, segundo a OMS (REDE, 2008). Pode-se observar segundo os dados do SIM que Papanduva apresentou os maiores índices de MI na 25ª SDR de Santa Catarina no ano de 2010, em torno de 16,1 óbitos por mil nascidos vivos, seguido de Itaiópolis com 13,7 e São Bento do Sul com 11,9, sendo que os demais se encontram com taxas dentro da recomendação da Organização Mundial da Saúde. Mafra apresentou a menor taxa de MI no referido ano (2,6%), o que pode ter sido em decorrência da implantação da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal no município em janeiro de 2009; e Campo Alegre não apresentou nenhum óbito infantil no ano estudado. Neste sentido, pode-se inferir que no ano de 2010 as taxas de Mortalidade Infantil (MI) na região da 25ª SDR foram relativamente baixas, acompanhando a tendência da região Sul, na direção de alcançar os objetivos de desenvolvimento do milênio (redução de um terço da MI de 1990 a 2015). No Brasil em 1990 a mortalidade de crianças com menos de um ano foi de 47,1 óbitos por mil nascimentos, e até 2015, a meta é reduzir esse número para 17,9 óbitos por mil. A 25ª SDR de Santa Catarina está tendendo a manutenção das taxas de mortalidade infantil baixas, todavia, ainda com um importante componente de mortalidade neonatal. Outra característica que necessita ser citada é que, durante a pesquisa em campo proposta para este mesmo ano, pode-se observar que a alimentação dos dados no sistema de mortalidade é deficiente, ou seja, as mortes são de alguma forma subnotificadas. Em Brasil (2009) a subnotificação de óbitos no país é ainda um problema a ser enfrentado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, nas quais ainda ocorrem omissões do registro do óbito em cartório, seja pela dificuldade de acesso ou pela falta de orientação, e ainda a existência de cemitérios irregulares ou falta de conhecimento da população sobre a importância da Declaração de Óbito. No entanto, pode-se observar que também na região Sul, e mais precisamente na 25ª 71 SDR de Santa Catarina o irreal dimensionamento do problema compromete a identificação das ações adequadas de saúde para a diminuição das taxas de mortalidade, assim como a baixa qualidade das informações nas declarações de óbito. Foi observado nas declarações de óbito a que se teve acesso, muitos erros na classificação dos óbitos e deficiência no fornecimento das informações por parte dos responsáveis municipais, geralmente a equipe da Epidemiologia municipal. Ficando a impressão de que os óbitos não são investigados, na sua grande maioria, e que os municípios não passam estas informações para a regional de saúde. O único município no qual esta situação não ocorreu foi São Bento do Sul, que possuí um Comitê de Mortalidade atuante, segundo informações colhidas na sua vigilância epidemiológica. A subnotificação e o registro não sistemático de dados de mortalidade podem ser considerados fatores preponderantes ao atraso no desenvolvimento da região, já que a busca de medidas do estado de saúde da população e uma atividade central efetiva em saúde publica, inicia-se com o registro de dados de mortalidade e de sobrevivência e que, o aumento da esperança de vida ao nascer sugere melhoria das condições de vida e de saúde da população. Vale salientar que as bases de dados nacionais sobre mortalidade apresentam cobertura insatisfatória em muitas áreas do país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Principalmente porque a subenumeração de óbitos pode estar desigualmente distribuída entre as diversas faixas etárias, resultando em distorções na proporcionalidade dos óbitos informada nos primeiros dias de vida (REDE, 2008), o que foi observado em alguns dos municípios estudados, onde na declaração de óbito são declarados como natimortortos, quando o óbito ocorreu logo após o nascimento (casos ocorridos em Rio Negrinho e Papanduva). A subnotificação, assim como a falta de investigação são pontos relevantes nos estudos sobre a MI. Outra característica relevante em relação às ações que podem reduzir as taxas da MI é a verificação das causas de morte. Segundo Malta e Duarte (2007) utilizar instrumentos que avaliem as causas do óbito na infância são importantes na avaliação dos serviços de saúde disponíveis nos municípios, assim como, na região. Acredita-se que as causas de mortes evitáveis sejam sensíveis em algum grau, podendo ainda epidemiológicos e tecnológicos. ser evitadas, mesmo com tantos avanços 72 Vale salientar que o componente neonatal é predominante na mortalidade infantil do Brasil, contudo é importante identificar que causas discretas ainda podem estar presentes nas condições de óbitos. Como exemplos, podem ser citadas as mortes por doenças infecciosas intestinais e pneumonias que são responsáveis por quase 90% de todas as mortes infantis em regiões como a África sub-sahariana e no sul da Ásia, mesmo as medidas de prevenção e tratamento para ambas as doenças serem relativamente parecidas e básicas, incluindo uma maior cobertura das campanhas de vacinação e a conscientização pública sobre a importância do aleitamento materno, estimando-se que somente 40% dos bebês de menos de seis meses sejam amamentados unicamente no seio materno em países em desenvolvimento (DIAS et al., 2010). A seguir são apresentados os dados de MI referentes aos municípios da 25ª SDR de Santa Catarina separadamente, tentando uma aproximação entre as causas de morte prevalentes nesses. Ou seja, agrega-se à análise a seguir os resultados da pesquisa de campo. Gráfico 6 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Itaiópolis - 1999-2010 referência SIM. Observa-se no gráfico 6 que no município de Itaiópolis o componente de óbitos pós-neonatais foi o mais significativo até o ano de 2007, seguido do neonatal precoce. Há uma mudança no último triênio (2008-2010), no qual foram preponderantes os óbitos neonatais precoces. Isto pode sugerir que houve algum tipo de mudança na conduta da assistência básica neste período, com forte impacto 73 entre as causas de óbito pós-neonatais evitáveis com medidas de saneamento, nutrição e acesso à saúde, coincidindo com o período pós-descentralização políticoadministrativa, denotando este aspecto como positivo para este município. O município de Itaiópolis dentre os municípios vizinhos tem diferenciada sua cobertura de Estratégia Saúde da Família (ESF) de 100%11. Esta, implementada desde 1994, se constitui importante pilar na organização e fortalecimento da Atenção Básica. Como primeiro nível de atenção à saúde no Sistema, potencializa a resolutividade dos serviços, por meio da ampliação do acesso, qualificação e reorientação das práticas sanitárias embasadas na promoção da Saúde. As ESFs têm como objetivo a redução da demanda dos serviços especializados e das internações hospitalares (SANTA CATARINA, 2006). O município possui também em sua estrutura de saúde, um hospital de pequeno porte12 com especialidades mínimas (clínica geral, obstetrícia de baixo risco) e tem um acordo assinado com o município de Campo Largo/PR para situações de maior risco. Assinou o pacto de gestão em 2010, se responsabilizando pela integralidade da atenção à saúde da sua população, exercendo essa responsabilidade de forma solidária com o Estado e a União, por meio da abordagem integral e contínua do indivíduo no seu contexto familiar, social e do trabalho (BRASIL, 2007). Em 2010 aconteceram quatro óbitos de crianças no município de Itaiópolis, sendo dois neonatais precoces (de 0 à 6 dias), um neonatal tardio (de 7 à 27 dias) e um pós-neonatal (28 a 364 dias) segundo referência SIM, com importante componente neonatal, todavia, o município não forneceu os dados dos óbitos via SDR conforme solicitado. Por isso, houve apenas uma entrevista para investigação de possíveis causas discretas de MI no município, conforme dados repassados pela maternidade de nascimento da criança. 11 Cobertura da ESF: produto entre o número de equipes de saúde da família informado pelo município no Sistema de Informação da Atenção Básica e o número médio estimado de pessoas acompanhadas por equipe (3.450 pessoas) dividido pela população total do município multiplicado por 100 (AQUINO; BARRETO, 2008). 12 Classificação Hospitalar segundo a lotação: a – Hospital de pequeno porte (25 a 49 leitos); b – Hospital de médio porte (50 a 149 leitos); c – Hospital de grande porte (150 a 500 leitos); d – Hospital de porte especial (acima de 500 leitos) (BRASIL, 2002). 74 Quadro 1 – Características dos óbitos Infantis no município de Itaiópolis no ano de 2010. VARIÁVEL CARACTERÍSTICA DO ÓBITO Identificação/Classificação 01/Neonatal Tardio Sexo Masculino Causa Asfixia Perinatal grave – Acidente automobilístico Peso de Nascimento 2445g IG Nascimento 36 Localidade Rural Idade da Mãe 32 anos Pré-Natal Sim Fonte: Dados da Pesquisa No quadro 1 foram demonstradas as características do óbito investigado pela pesquisadora. Este óbito foi classificado como neonatal tardio, com 11 dias de vida. Neste caso classificado também como causa não evitável, já que aconteceu por asfixia perinatal em decorrência de um acidente automobilístico sofrido pela mãe que estava com Idade Gestacional (IG) de 36 semanas. Foi necessário realizar cesariana de emergência para preservar a vida da mãe. O recém-nascido nasceu com 2.445g de peso e Apgar13 de 2 e 4, morrendo com 11 dias de vida. A residência dos pais se localiza no interior do município, mãe analfabeta, esta não permitiu a visita da pesquisadora na casa. No município de Mafra o componente de mortalidade neonatal precoce sempre foi preponderante na última década com uma queda no triênio compreendido entre os anos de 2005-2007 e não significativa no último triênio que inclui o ano de 2010, onde foram identificados dois óbitos, sendo um neonatal precoce e outro pós-neonatal. (Gráfico 7) 13 O Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana. Consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: frequência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7),com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2 (REGO FILHO, 2000). 75 Gráfico 7 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Mafra - 1999-2010 referência SIM. O diferencial para o Município de Mafra em relação a assistência em saúde diz respeito ao número de leitos hospitalares de UTI pediátrica e/ou neonatais, já que o município tem cinco leitos de alto risco para atender toda a 25ª SDR e os casos extras do Estado, sendo que são ao todo 294 leitos no Estado para 84.611 nascidos vivos (Secretaria de Estado da Saúde, 2010) quando o número de leitos de Unidades Neonatal recomendados deveria atender ao seguinte parâmetro de necessidade populacional: para cada 1000 (mil) nascidos vivos 2 leitos de UTIN. Vale salientar que a UTI neonatal do município de Mafra é classificada como de nível I, pois não consegue atender o nível de complexidade referida pela Portaria nº 930, de 10 de maio de 2012 (BRASIL, 2012), por isso atende os casos de prematuridade, problemas respiratórios gerais, e, não atende casos cirúrgicos. As características dos óbitos investigados em Mafra são apresentados do quadro 2 a seguir. Quadro 2 – Características dos óbitos Infantis no Município de Mafra no ano de 2010. CARACTERÍSTICA DO ÓBITO VARIÁVEL 1 2 Identificação/Classificação Pós neonatal Pós neonatal Sexo Masculino Feminino Causa Cardiopatia congênita Cardiopatia congênita Peso de Nascimento 1405g 535g IG Nascimento 35 23 Localidade Urbano Rural Idade da Mãe 16 anos 22 anos Pré-Natal Sim Sim Fonte: Dados da Pesquisa 76 Segundo a descrição dos dados do Sistema de Óbitos no município de Mafra, no ano de 2010, foram a óbito duas crianças, sendo uma de 0 à 6 dias, considerado óbito neonatal precoce, e a segunda considerada morte pós-neonatal, pois aconteceu após os primeiros vinte e oito dias de vida da criança. Todavia, por meio das entrevistas nos domicílios, foi observado que os dois óbitos aconteceram após vinte e oito dias, sendo que, os mesmos tiveram como causa de morte o agravamento de uma cardiopatia congênita14, assim como, outros agravantes - o baixo peso ao nascimento, um com 1.405g e o outro com 535g, e idades gestacionais de 35 e 23 semanas respectivamente. Foi comum aos óbitos que aconteceram no município de Mafra no referido ano, a necessidade de transferência para realização de cirurgia cardíaca em distâncias equivalentes há 500 Km, o que agravou a situação de saúde das crianças, conforme demonstrado no quadro 2. Ferrari e Gonzálies (2000) referem que altas taxas de óbitos por malformações congênitas podem ser decorrentes da dificuldade do rastreamento destas alterações durante a gravidez e também o acesso aos meios e procedimentos para diagnóstico e tratamento precoce de lesões potencialmente tratáveis. Já na questão de óbitos por imaturidade em recém-nascidos com peso inferior à 1500g, estes, sugerem falhas no manejo obstétrico. Foi comum para estes óbitos, a realização do pré-natal pelas mães, assim como, o não diagnóstico da cardiopatia durante os exames de imagem realizados pelas mesmas. As mães relatam a existência de Infecção do Trato Urinário15 no momento do parto prematuro, sendo que as duas tiveram partos normais, em hospitais. Foi comum também as duas respondentes queixas em relação ao acolhimento no momento da chegada ao serviço em trabalho de parto prematuro, com preconceito, principalmente por causa da idade e estarem com algum tipo de infecção sem tratamento naquele momento. As duas crianças utilizaram o serviço da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal da cidade que domiciliam. Não referem queixas em relação ao serviço de Tratamento Intensivo Neonatal. 14 Cardiopatia congênita é a doença na qual há anormalidade da estrutura ou função do coração, que está presente já no nascimento (CANEO et al., 2012). 15 A infecção do trato urinária é a patologia mais comum na gestação. Atinge de 10% a 12% das grávidas e precisa ser tratada rapidamente. Aquelas mulheres que desenvolvem infecção urinária na gestação tem mais chances de ter parto prematuro. O problema é comum porque o próprio corpo da mulher abriga centenas de milhares de colônias da bactéria causadora da infecção. (DUART et al., 2008). 77 Em relação aos outros componentes da entrevista em domicílio, pode-se inferir que não houve outros agravantes, pois as duas mães moravam em casa própria, a primeira com a mãe e a segunda com o marido na localidade do interior. As casas possuem banheiro dentro da casa, água encanada, não foi observado lixo, roedores ou insetos em seu entorno. As duas famílias com rendas aproximadas de dois a três salários mínimos e escolaridade média de ensino fundamental incompleto. Os pais das crianças foram presentes ao nascimento. Quando se trata de óbitos fetais e neonatais, observa-se que as mesmas não se reduziram na proporção da mortalidade geral, por terem suas raízes em desequilíbrios da organização médico-sanitária e socioeconômica, pois, segundo o que já descrevia Vitiello (1984), há 28 anos atrás, são fatores irredutíveis, como as malformações e a prematuridade, ou ainda a soma dos dois. Gráfico 8 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Papanduva - 19992010 referência SIM. Pode-se observar no gráfico 8 que no município de Papanduva a mortalidade infantil teve componentes variados nos referidos anos, com ênfase para o componente neonatal precoce entre os anos de 1999 à 2007, todavia não sendo possível relatar o que seria preponderante em relação as faixas etárias de MI na última década, senão com a investigação das causas de morte. No último triênio e em especial no ano de 2010 nos chama a atenção para um aumento nas taxas de mortalidade infantil por causas pós-neonatal. Em 2010 foram quatro óbitos, sendo um neonatal precoce, um neonatal tardio e dois pós-neonatal. 78 O município de Papanduva, assim como Itaiópolis não consegue executar plenamente a assistência em saúde para os seus munícipes, possui um Pronto Atendimento na cidade e registrado um leito obstétrico no CNES, cobertura de ESF de 100%. Segundo o SIM o município de Papanduva apresentou quatro óbitos infantis, sendo um neonatal precoce (feminino 4 dias), um neonatal tardio (masculino 25 dias) e dois pós-neonatais, todavia, o município tem em seus arquivos somente três óbitos registrados, sendo eles um neonatal precoce, um neonatal tardio e um pósneonatal (masculino, 9 meses). Desses somente foi possível entrevistar a família do óbito neonatal precoce, já que as outras famílias não residem mais nos endereços informados e não possuem contato telefônico. As características do mesmo se encontram dispostas no quadro 3. Quadro 3 – Características dos óbitos Infantis no Município de Papanduva no ano de 2010 VARIÁVEL CARACTERÍSTICA DO ÓBITO Identificação/Classificação 01- Neonatal Precoce Sexo Masculino Causa Hipoglicemia Peso de Nascimento 2740g IG Nascimento 40 Localidade Urbano Idade da Mãe 36 anos Pré-Natal Sim Fonte: Dados da Pesquisa O referido óbito, com suas características dispostas no quadro 3, aconteceu com quatro dias de vida da criança, a informante da entrevista foi a mãe, a qual reside na área urbana. O óbito aconteceu no domicílio. O peso da criança ao nascimento foi de 2.740 g, idade gestacional de 40 semanas. Tem carteirinha de vacinação da criança. Mãe com 36 anos, pai com 42 anos. Casados, com escolaridade de fundamental incompleto e fundamental completo respectivamente. Utilizam para cozinhar lenha e gás, a moradia é própria e quitada, de madeira com sete cômodos ou mais, um banheiro na casa. Não possuem animais domésticos, não separam o lixo, este foi encontrado ao redor da casa, com moscas e outros insetos. Mãe do lar e pai industriário, com renda de aproximadamente um mil reais. A criança somente era alimentada com leite materno. Segundo a mãe, o bebê não 79 chorou ao nascimento e saiu do hospital onde foi realizada a cesariana sem ter mamado efetivamente. Durante a gestação teve hipertensão arterial como intercorrência para a realização da cesariana. A causa do óbito segundo a mãe foi a hipoglicemia16. A criança após um dia de alta, já em casa não mamou mais, parecia afogada, somente gemia. Foi levada ao Pronto atendimento do Hospital do município e já não houve maneira para reverter o quadro, indo a óbito com quatro dias de vida. Segundo informações da carteira de saúde da criança, a mãe realizou uma utrassonografia gestacional e 7 consultas de pré-natal. Alguns agravantes podem ser observados no relato da mãe entrevistada no município de Itaiópolis: o bebê não chorou logo após o nascimento, apesar de uma idade gestacional adequada e não foi observado pela maternidade de nascimento da criança o recomendado pelo Ministério da Saúde, que as mães saiam da maternidade com a amamentação estabelecida. Outro ponto importante é que apesar do acesso as informações em relação a amamentação e sua importância, a mãe foi liberada para casa, e, sem ser assistida e acompanhada pela rede de saúde – Estratégia de Saúde da Família (ESF). Denota-se que apesar do aumento e do acesso às informações, os usuários dos serviços de saúde continuam ainda muito impotentes na relação que se estabelece com os profissionais da área. Boehs et al. (2007, p. 308) retrata que “na maior parte do tempo, a prática dos profissionais não tem sido de fortalecimento desta relação, ao contrário, ela tem consistido em ministrar prescrições comportamentais”, desta forma não estabelecendo um elo de confiança, com o qual poderia evitar sensações e eventos como o citado pela entrevistada. Fomenta-se a necessidade dos profissionais da rede a buscarem outros referenciais além do biológico, já que se reconhece que ações necessárias para a adesão a tratamentos e cuidados estão profundamente imbricadas com a cultura. É quase inadmissível em pleno século XXI uma criança morrer de causa totalmente evitável por falha da rede de acesso e/ou por desconhecimento do direito a vida e a luta pela sobrevivência. Desta forma, observa-se que a cultura neste caso foi um entrave para o entendimento dos direitos sociais. Na perspectiva de quem 16 Hipoglicemia significa "pouco açúcar no sangue" (baixo nível de glicose no sangue). Quando um bebê fica hipoglicêmico, e o problema não é tratado, ele pode ter problemas de saúde, pois cada célula do corpo precisa de um suprimento de açúcar (a glicose) para funcionar. Quando o nível de glicose no sangue fica abaixo do recomendável, o bebê pode ficar apático, mole, com tremores nas extremidades, e corre o risco de ter convulsões. Se a glicose no sangue ficar baixa por muito tempo, podem ocorrer lesões cerebrais (REGO FILHO, 2000). 80 cuida, torna-se fundamental o reconhecimento que o próprio profissional tem cultura e não apenas o cliente, o que poderia melhorar nossas orientações em relação a não “medir” o “outro” ou comparar o outro baseado naquilo “que se é”. Gráfico 9– Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Rio Negrinho - 19992010 referência SIM. No gráfico 9, pode-se observar que o município de Rio Negrinho tem em sua base histórica de mortalidade um importante componente neonatal precoce na última década. Sendo possível também inferir que após 2003, como o processo de descentralização político-administrativa do Estado, Rio Negrinho melhorou seus índices de mortalidade. No ano de 2010 foram, no total, cinco óbitos digitados, sendo quatro neonatais precoces e um neonatal tardio. Todavia, conforme verificado in loco, no município foram somente três óbitos infantis, todos neonatais precoces (um masculino com duas horas de vida, outro masculino com 30 minutos de vida e o terceiro feminino com oito horas de vida) e outros dois óbitos são fetais e não neonatais, sendo excluídos da amostra desta pesquisa. Observou-se um declínio da MI após 2003, podendo ser sugestionável de que neste município o processo de descentralização do Estado apresentou-se positivamente. O município de Rio Negrinho é habilitado em Gestão Plena, passando a receber fundo a fundo os recursos para a atenção básica, especializada e especializações. Deste modo, tem autonomia e responsabilidades relativas à política de saúde na sua área geopolítica com vista à melhoria da atenção integral a saúde da população (SANTA CATARINA, 2012). 81 Quadro 4 – Características dos óbitos Infantis no Município de Rio Negrinho no ano de 2010. CARACTERÍSTICA DO ÓBITO VARIÁVEL Identificação/Classificação Sexo 1 2 Neonatal Precoce Feminino Neonatal Precoce Masculino Prematuridade extrema – Doença da Membrana Prematuridade Hialina – Acidose extrema metabólica Causa Peso de Nascimento 3 Neonatal Precoce Masculino Prematuridade extrema 590g 1000g 23 semanas e cinco dias 28 semanas 900g Localidade Urbano Rural Urbano Idade da Mãe 20 anos 21 anos 26 anos Pré-Natal Fonte: Dados da Pesquisa Sim Sim Sim IG Nascimento 26 semanas No quadro 4 foram descritos os três óbitos acontecidos no município de Rio Negrinho em 2010. O caso 01, um óbito neonatal precoce com oito horas de vida, nascido na véspera do feriado de natal com 23 semanas e cinco dias de idade gestacional, feminino, nascido de cesariana por ter apresentação pélvica17 com apgar 1-3-5 na maternidade do município de referência, necessitando de internamento da Unidade de Terapia Intensiva neonatal que se localiza a 42 Km de distância. Realizou 6 consultas de pré-natal, sem dificuldades para ser atendida em Rio Negrinho. Fez uma USG. Relatou que no dia em que ocorreu o parto prematuro não havia médico plantonista da obstetrícia na cidade de origem, precisando esperar mais de uma hora para ser atendida, já que estava em trabalho de parto prematuro em decorrência de uma infecção urinária e sofrimento fetal. Após o nascimento do bebê, relata dificuldades também no transporte para chegar a maternidade de referência. Utilizou SAMU para chegar a Maternidade com UTI. Para o primeiro caso, o domicílio apresenta as seguintes características: casa de madeira, própria, com três cômodos, com banheiro dentro da casa, luz e água encanada, localizada próximo aos trilhos do trem. Utiliza para cozinhar o gás. A renda aproximada da família é de 1000 a 3000 reais. Mãe com 20 anos de idade e 17 A apresentação é pélvica quando o feto, em situação longitudinal na cavidade uterina, está com o pólo pélvico situado na área do estreito superior da bacia. A apresentação pélvica complica de 3 a 4 % dos partos, fato este altamente dependente da idade gestacional. Outros fatores além da idade gestacional parecem predispor à apresentação pélvica, incluindo a multiparidade, relaxamento das paredes uterinas), gravidez múltipla, polidramnia, oligodramnia, anomalias congênitas, crescimento intra-uterino retardado, parto pélvico anterior, anomalias uterinas (tumores e anomalias congênitas), inserção viciosa ou cornual da placenta, vício pélvico e tumores pélvicos (REZENDE, 1995). 82 pai com 18 anos, ambos com escolaridade de ensino fundamental completo, trabalhadores de auxiliar de produção em empresa de frangos. Nega patologias pregressas maternas, paternas, utilização de fumo, álcool ou drogas. No caso 02 e 03 não foi possível fazer a entrevista, porque as famílias não tem telefone, não sendo possível agendar a visita. Alguns dados foram conseguidos com a maternidade do município. Em relação as características dos bebês que foram a óbito, os dois eram prematuros extremos, com idade gestacional de 28 e 26 semanas respectivamente e peso de 1000g o primeiro e o segundo com 900g. As duas mães iniciaram o pré-natal, todavia tiveram infecção urinária como motivo para desencadear o parto prematuro, sem chances para tentar a inibição do trabalho de parto18, ou uma transferência efetiva. Foram atendidas na maternidade do município, na presença do obstetra e do pediatra, todavia, as crianças não resistiram. O primeiro caso, a criança aguentou duas horas de vida, mas a procura do atendimento foi demorado, já que a residência da mãe se localiza no interior do município. O segundo teve somente 30 minutos de vida. A pesquisadora foi ao domicílio e foram tecidas algumas observações: Casas do tipo mistas, como aproximadamente três peças cada, não sendo observado banheiro fora do domicílio. Ao redor da casa não haviam animais domésticos, roedores ou insetos aparentes. Gráfico 10 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Monte Castelo 1999-2010. 18 A inibição do trabalho de parto deve ser executada quanto seja possível para conseguir uma maturação dos pulmões do prematuro (48-72 horas), intervalo no qual vai administrar corticóides. Também, serve para dar tempo a transferir a grávida num serviço de obstétrica aonde o parto pode ser feito (REZENDE, 1995). 83 No gráfico 10 pode-se observar uma mudança geral nos componentes de mortalidade no município, não tanto após 2003, com a descentralização política do Estado, quanto mais precisamente nos anos de 2008, 2009 e 2010, com queda relevante de mortalidade neonatal como um todo e também na pós-neonatal. Este fato pode ser decorrente de que, como o hospital de Monte Castelo é de pequeno porte e não possuir na equipe o profissional de obstetrícia, o município tem como referência para parto a Maternidade Dona Catarina Kuss, localizada em Mafra e esta tem sua UTI neonatal desde 2009, melhorando a qualidade da assistência e do acesso. No entanto, como visto anteriormente, é provável que os dados destes municípios sejam bastante atípicos com o resto da região, podendo conter algum viés, portanto, merecendo estudo posterior. Quadro 5 – Características dos óbitos Infantis no Município de Monte Castelo no ano de 2010. VARIÁVEL CARACTERÍSTICA DO ÓBITO Identificação/Classificação 01- Pós-Neonatal Sexo Masculino Causa Síndrome da morte súbita do lactente Peso de Nascimento 1620g IG Nascimento 34 Localidade Urbano Idade da Mãe 20 anos Pré-Natal Fonte: Dados da Pesquisa Sim O quadro 5 contém informações com as características do único óbito com ocorrência no município de Monte Castelo no ano de 2010, sendo este classificado como pós-neonatal, tendo como causa a Síndrome da Morte Súbita do lactente (CID 95). Nascido com prematuridade e dificuldade respiratória, com a bolsa de água que segura o bebê rota há 6 horas, com apgar 7-9. Segundo relato da mãe o início do pré-natal foi tardio, com 32 semanas de idade gestacional, realizando somente duas consultas de pré-natal. Mãe com 20 anos e pai 32, com ensino fundamental completo e analfabeto funcional respectivamente. Segundo as informações colhidas no domicílio, a mãe não tinha nenhuma doença prévia, mas acha que o que desencadeou o trabalho de parto prematuro foi o serviço de faxineira, no qual fez muito esforço físico. Também relata que em seu município de origem, que tem 8.113 habitantes não há hospital para acolhimento das gestantes, por isso procurou a cidade vizinha de Papanduva que fica há 22 km. 84 Relata que já perdendo líquido da bolsa que envolve o bebê, ficou meia hora esperando no hospital de Papanduva, já que não havia médico presente. Depois esperou mais uma hora e meia para ser transportada com SAMU para a UTI neonatal em Mafra – que fica há 48 Km. Ficou aproximadamente 22 dias na UTI neonatal por conta da dificuldade respiratória, sem outras complicações. Faleceu em casa depois de uma semana e meia após a alta, durante o sono. A causa de morte foi Parada Cardiorrespiratória (PCR) segundo a mãe. Esta relata que quando verificou que o bebê não acordava no berço, pegaram o mesmo e com o carro de um vizinho levaram a criança até Mafra sem sucesso. A casa tem duas peças, é construída em madeira e o banheiro fica fora de casa, há um pouco de lixo espalhado pelo terreno, com alguns insetos. A renda aproximada do casal na época era de 1000 reais. Bebê tinha sua alimentação mista, composta por leite materno e complementação com leite de formula oferecido por mamadeira. Neste caso acontecido em Monte Castelo há vários componentes de risco para o adoecimento de uma criança e sua morte por causas que seriam evitáveis, como os riscos precedidos pelos fatores globais da pobreza, o estresse, eventos da vida e/ou transições de vida crítica por desconhecimento dos direitos sociais. Também, falhas na atenção pré-natal e/ou condições maternas diversas, falta de atendimento básico, deslocamento considerado desnecessário, assim como, a peregrinação por atendimento de qualidade, manejo obstétrico não ideal. Segundo Ferrari e González (2000) óbitos por asfixia de qualquer forma indica a necessidade de avaliação dos serviços obstétricos e do atendimento aos recém-nascidos em sala de parto e outras condições que exijam uma equipe treinada para a ressuscitação, assim como, necessidade de aquisição de aparelhos para a execução de choque (se necessário), medicamentos e treinamento dos profissionais nas redes hospitalares e na rede básica para realização do primeiro atendimento. Outro componente que pode ser evitável está relacionado neste caso com condições que não foram a causa de óbito, mas que poderiam ser, como a diarreia, que, segundo o relatório da Secretaria de Vigilância e Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, mata 2,2 milhões de pessoas ainda todos os anos, causada principalmente pela água suja. A diarreia já liderou as causas de mortalidade infantil no país e representa hoje a quarta causa de mortalidade de crianças com menos de um ano. 85 Mil novecentas e oitenta e oito crianças morreram em 2005 no Brasil vítimas de diarreia. Esse número caiu 93,9% em 25 anos. Ainda em relação as causas evitáveis de mortalidade infantil, vale salientar a importância das campanhas encabeçadas pela Pastoral da Criança, juntamente a Sociedade Brasileira de Pediatria como por exemplo a redução da morte súbita de bebês até um ano de idade modificando a posição de dormir. Estudos mostram que o simples fato de colocar o bebê em posição correta para dormir pode reduzir em até 70% o risco de morte súbita. A posição correta seria de barriga para cima, inclinado em 35 graus, segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e campanhas recentes divulgadas nos Estados Unidos e na Inglaterra. As evidências científicas são irrefutáveis (REBIDIA, 2009). Gráfico 11 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de São Bento do Sul 1999-2010. Como pode ser observado no gráfico 11, no município de São Bento do Sul o componente de mortalidade neonatal na última década foi preponderante. A mortalidade pós-neonatal em São Bento do Sul apresentou-se de forma parcialmente igual nos últimos anos, com queda importante após o ano de 2004, talvez o fato se dê, por que o município é industriário, com pouco ou nenhum desemprego, com número suficiente de creches e unidades de saúde. Não possui 100% de cobertura de ESF, mas apresenta um nível de desenvolvimento alto em 86 relação aos demais municípios desta regional, com importante participação no PIB Estadual. Quadro 6 – Características dos óbitos Infantis no Município de São Bento do Sul no ano de 2010 CARACTERÍSTICA DO ÓBITO VARIÁVEL 1 2 Identificação/Classificação Neonatal Precoce Neonatal Precoce Sexo Causa Peso de Nascimento Feminino Mal-formação neurológica Masculino Prematuridade Extrema 1300g 670g IG Nascimento 35 27 Localidade Urbano Urbano Idade da Mãe 24 anos 31 anos Pré-Natal Fonte: Dados da Pesquisa Sim Sim No município de São Bento do Sul foram a óbito 13 crianças no ano de 2010, sendo dez neonatais precoces, dois neonatais tardios e um pós-neonatal. Dessas, 5 do sexo feminino e 8 masculinos. Desses óbitos somente um ocorreu em uma localidade do interior do município, os 12 restantes ocorreram para famílias de localidades urbanas. As taxas de MI em São Bento do Sul foram altas quando considerados todos os óbitos de crianças até um ano de vida, todavia, neste município se observa que o componente neonatal é preponderante, valendo salientar que sendo realizados cálculos para a MI neonatal que expressa o número de óbitos de crianças de 0 a 27 dias de vida completos, por mil nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado, ou seja, estimando o risco de um nascido vivo morrer durante os primeiros 28 dias de vida, para municípios com população acima de 80.000 habitantes, o percentual aceitável de MI é mais tolerável. Segundo Rede (2008) a mortalidade neonatal ainda pode estar subestimada pela exclusão de óbitos declarados como natimortos, mas na verdade ocorridos pouco após o parto, como é o caso de São Bento do Sul. Dos treze óbitos cadastrados no município foram conseguidas duas visitas domiciliares com entrevistas com suas características demonstradas no quadro 6. A primeira, o bebê do sexo feminino, idade gestacional de 35 semanas, peso de nascimento de 1300g, foi a óbito com 10 minutos de vida. A causa do óbito foi 87 mal formação do sistema neurológico (anencefalia)19. A mãe relata que estava fazendo pré-natal na unidade central de saúde do município com o profissional obstetra, “ganhando” uma ultrassonografia (USG) com 6 semanas de gestação, mas que não foi possível visualizar a má formação do bebê. A próxima USG foi somente realizada com 32 semanas de idade gestacional, foi quando fizeram o diagnóstico da anencefalia do bebê. Refere que pouco antes de completar 35 semanas de idade gestacional sentiu fortes dores na “barriga”, necessitando fazer uma cesariana de emergência no hospital da cidade. O bebê durou dez minutos, segundo a entrevistada. A mesma citou que se fosse atualmente que acontecesse esta mesma situação, sabe que teria direito em retirar o bebê, todavia, diz que o sistema de saúde pública ainda é falho, já que não é disponibilizado duas USG no primeiro trimestre de gestação, no qual conseguiria visualizar a má formação e ter uma preparação melhor par a situação que vivenciou. Quando indagada se existe algum problema parecido na família, relata que a irmã tem um filho com Síndrome de Down e que nunca trabalhou em lugares que pudessem oferecer riscos biológicos para a má-formação. A entrevistada tinha 24 anos quando do óbito do filho, já tinha outros dois filhos, escolaridade de ensino médio completo, doméstica. O pai com 30 anos, ensino fundamental incompleto, trabalhador da indústria metalúrgica. Renda média da família de 1500 reais naquele período, casa própria com dez cômodos, sendo dois banheiros. Casa organizada, sem sinais de má higiene. A segunda entrevista, o bebê que foi a óbito era do sexo masculino, nascido de idade gestacional de 27 semanas, peso de 670g, morrendo com 4 dias de vida e teve como causa de óbito a prematuridade extrema. A mãe relata que fez pré-natal no próprio município, com obstetra, mas que apresentou pré-eclâmpsia20, necessitando retirar o bebê para “salvar a sua vida”. Foi transferida para Florianópolis, pois não havia vaga na UTI neonatal da Maternidade de Mafra, sua referência. Para chegar na maternidade em Florianópolis viajou três horas e meia com ambulância da prefeitura, somente com uma técnica de enfermagem, pois não havia unidade de SAMU disponível. Este fato poderia ter colocado sua vida em risco, 19 Malformação rara do tubo neural, caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana, proveniente de defeito de fechamento do tubo neural nas primeiras semanas da formação embrionária (REGO FILHO, 2000). 20 Pré-eclâmpsia ou toxemia gravídica é caracterizada pelo aumento da pressão arterial, edema e liberação de proteínas na urina e pode levar à convulsões, colocando em risco a vida do bebê e da mãe (REZENDE, 1995). 88 caso houvesse alguma intercorrência no caminho. Relata como dificuldades, receber o atendimento em Florianópolis, que, esta é uma cidade muito grande, a qual não estava acostumada, também longe dos familiares. Casada, com casa própria de cinco cômodos, um banheiro e com presença de cachorro somente fora de casa, não foi observado problemas de higiene. A entrevistada com idade de 31 anos quando do acontecido, escolaridade de nível superior completo, trabalhadora do ramo empresarial contábil. O pai da criança com 35 anos e ensino fundamental incompleto. Renda aproximada da família de 1500 reais. Dentre os outros óbito neonatais precoces deste município pode-se citar também que houve presença de parto gemelar de prematuros que também foram a óbito, mas que seus pais não estavam na residência quando foram procurados pela pesquisadora. Gráfico 12 – Composição da MI por subgrupos de faixas etárias no município de Campo Alegre 1999-2010 No gráfico 12, pode-se observar que o município de Campo Alegre na última década apresentou um baixo índice de MI, com taxas irregulares entre 1999 a 2004, com um aumento no componente pós-neonatal entre 2005 e 2007 e parcialmente igual em relação aos óbitos neonatais precoces e pós-neonatais. Não registrou nenhum óbito de crianças no ano de 2010. Castro e Leite (2007) relatam que em um estudo realizado no município de Fortaleza-CE em 2003, foram percebidos que as causas básicas de mortalidade 89 podiam ser localizadas no pré-natal. Mesmo com os avanços conseguidos em relação ao aumento de leitos de UTIs neonatais, disponibilização de recursos tecnológicos suficientes para promover uma atenção eficaz, é provável que o processo de atenção esteja desorganizado, vindo de encontro como os levantados na pesquisa na 25ª SDR de Santa Catarina. As dificuldades que são relatadas nas entrevistas em relação ao atendimento nas unidades de saúde, acesso, entre outros aparentemente não ocorrem por falta de recursos financeiros, e sim, intimamente ligadas à inadequação na utilização de recursos humanos, com excesso de trabalho dos profissionais de saúde, gerando falhas inespecíficas do processo, também em conformidade aos achados de Lamy Filho (2001). Segundo Dutra (2008) a área de Gestão em Saúde em todas as SDRs de Santa Catarina é preocupante, já que os serviços e atividades que envolvem a Gestão da Saúde ainda se encontram centralizadas na Secretaria Setorial, não atendendo dessa forma os preceitos e objetivos da reforma administrativa implementada pelo Governo. Depreende-se que as dificuldades de gestão da saúde são comuns a todas as SDRs, não se caracterizando dessa forma um problema localizado, todavia refletido nos índices de mortalidade infantil da regional em estudo. Com o objetivo de apresentar ações para a melhoria do desempenho da área da saúde, inicialmente, evidencia-se que os indicadores que integram essa área, como a Vigilância em Saúde, são fundamentais (DUTRA, 2008). Não foi observado dentre as entrevistas realizadas que na 25ª SDR que haja um montante significativo de mortes de crianças de forma violentas, este é um ponto positivo, já que em outras regiões do país é nítido que os avanços em pesquisas e mais investimentos em saúde nos últimos 30 anos diminuíram os riscos de crianças e adolescentes morrerem de doenças e causas naturais, todavia, de outro lado, o Brasil ficou mais violento para essa faixa da população no mesmo período (WAISELFISZ, 2012). O restante das causas externas também não foram evidenciadas. Causas externas configuram-se em um conjunto de agravos à saúde a óbito, entre elas estão os acidentes de trânsito, quedas, envenenamentos, afogamentos, entre outros, e as causas intencionais (agressões e lesões autoprovocadas). Este tipo de acidente ocupa as cinco principais causas de mortalidade na maioria dos países (IMPERATORI; LOPES, 2011). Na região da 25ª SDR de SC as causas de mortalidade infantil não estão diretamente relacionadas com a nutrição, saneamento básico e habitação. A 90 diferenciação das taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR de SC está relacionado a falta de entendimento dos direitos sociais e de informação sobre a rede de acesso aos tratamentos de saúde, valendo-se também da dificuldade de acesso às redes de alta complexidade, já que o grande componente de mortalidade é o neonatal. Pode-se observar uma relação direta entre as dificuldades em manter uma taxa de MI em nível abaixo de 10, segundo recomendações da OMS e o atraso no desenvolvimento, grau de pertencimento, dependência econômica e referência para a qualidade de vida nos municípios de Monte Castelo, Papanduva e Itaiópolis conforme o que havia referido Dutra (2008). Enquanto a 25ª SDR de Santa Catarina acompanha o Estado em relação as quedas das taxas de MI na última década, com tendência a alcançar os objetivos do desenvolvimento do milênio, estando com índices melhores até que a região sul como um todo, os municípios de Itaiópolis, Papanduva e Monte Castelo apresentam 32% dos casos de óbitos infantis. Sendo que Itaiópolis e Papanduva apresentam taxas acima de 13 (13,7 e 16,1 respectivamente) e ainda sem investigação sistematizada. No entanto, pode-se inferir que os municípios de pequeno porte da regional em estudo tiveram um aumento de sua participação na economia regional, principalmente após a descentralização político-administrativa, e em que pese todas as dificuldades apontadas, essa pequena elevação na renda pode estar refletida no indicador de MI. Em relação ao município de Itaiópolis não foi possível definir quais seriam as causas discretas das elevadas taxas de MI, já que o mesmo não forneceu os dados das famílias que tiveram óbitos de suas crianças no ano de 2010. No período estudado, Itaiópolis apresentou um aumento na participação do PIB regional e, como demonstrado nos Gráfico 4 e 5 pode ter tido reflexos na melhora do indicador de MI. O mesmo ocorreu com o município de Papanduva, já em Monte Castelo apesar de ter ocorrido esta mesma situação, há a necessidade de se fazer alguns estudos complementares sobre a qualidade dos dados apresentados. Estes dois municípios têm em comum quando observadas as causas discretas de óbitos de crianças, uma crescente necessidade de acompanhamento domiciliar após a alta da maternidade. O baixo nível de entendimento das famílias em relação ao cuidado da criança fica evidenciado como causa discreta de MI. Monte Castelo e Papanduva, nas situações que se pode entrevistar as famílias das crianças que foram a óbito no ano de 2010, 91 apresentaram como causa de óbito Morte Súbita do Recém-nascido e Hipoglicemia, respectivamente, as quais são de características evitáveis com fornecimento de informações e acompanhamento domiciliar. Em Rio Negrinho, pode-se inferir que as causas discretas de óbitos de crianças no ano de 2010 podem estar relacionadas a baixa escolaridade dos pais e baixo nível socioeconômico, assim como em parte a dificuldade de acesso aos serviços de saúde de maior complexidade. Vale salientar que as referências entre os serviços de saúde da regional em estudo não são de total conhecimento da população e ainda há pouca articulação em Rede. Mesmo Mafra, que possui UTIN, apesar de apresentar diminuição de suas taxas de MI, nitidamente ainda enfrenta problemas com a distância entre o município e os serviços especializados. Denota-se que ainda há falta de planejamento das redes de atenção materno-infantil e pouca capacitação técnica dos profissionais no que diz respeito ao manejo das gestações de risco, agravados, no caso do Município de Mafra ainda com casos de gestação adolescente, entre outros. Vale salientar que a presença da UTIN no município modificou o padrão dos casos de MI, conforme o que Pinheiro, Peres e d’Orsi (2010) já haviam percebido em um estudo de corte histórica realizado na região de Florianópolis e São José/SC dos anos de 1999 a 2006, que houve melhora da sobrevida nos grupos de peso menores que 2.000g nos últimos anos pela presença das UTINs. Eles verificaram que esse tipo de hospital exerce efeito significativo na probabilidade de sobrevida. Por isso, a distância entre os municípios da 25ª SDR e a escassa quantidade de leitos especializados ainda podem ser considerados causas discretas da ocorrência da MI. Algumas dificuldades na coleta dos dados podem ser apontadas como por exemplo a localidade em que algumas mães residem, que atualmente não são as mesmas em que residiam na época do nascimento, não sendo fiel esta variável; a falta do telefone nas informações disponibilizadas pelos municípios também dificultou a coleta, já que em algumas residências visitadas não havia nenhum morador no momento da visita, pois não foram previamente agendadas por falta de telefone; outro ponto de dificuldade foi a não sistematização dos dados de mortalidade na regional de saúde, fazendo com que a coleta de dados fosse retardada por demora no retorno dos municípios a regional com seus dados de MI, sendo que Itaiópolis não mandou seus dados. 92 Outrossim, não se retira a responsabilidade dos municípios, nem se julga o motivo pelo desencontro das informações de MI, sendo que o objetivo desta pesquisa não é esse, todavia, as fatalidades existem e quando elas acontecem, principalmente após o nascimento “dá” a sensação de incompetência e negligência, por isso a necessidade da investigação sistematizada dos consequentemente melhorar os aspectos que foram a causa de morte. óbitos, para 93 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As questões sociais que emergem hoje como problemas são aquelas decorrentes principalmente da falta de planejamento prévio. Daquelas situações de como a decisão de alguns interferem na vida de outros. Pode-se perceber que para cada um, em uma determinada região e momento de vida, os problemas sociais vão ser diferentes. As questões desde século têm estreita relação com acesso à educação de qualidade, ou melhor, a falta desse. Esta problemática perpassa sobre as dificuldades de acesso, a falha na distribuição adequada das merendas, o desestímulo das crianças em relação ao poder futuro de modificar a sua realidade, ao salário baixo dos professores, a desvalorização do pegar na mão e ensinar a rasgar o papel. Aqueles que não são estimulados na infância, terão dificuldades em enxergar um futuro diferente da sua própria concepção de mundo. Aquilo que hoje a criança tem como realidade local, de sua própria casa, as relações parentais, os modelos ideológicos ou não do trabalho, são os objetos de construção de sua identidade. A criança se encontra a mercê do que se apresenta a ela. Sua vulnerabilidade está transcrita no saneamento de seu bairro, no que esta encontra na esquina, no lixo que a vizinhança jogou no chão ou no saco de lixo deixado aos olhos do cachorro de rua que rasgou o mesmo e distribuiu odores sobre o bairro. Na forma de como esta criança consegue ou é alimentada, na falta ou não desse alimento. Outras questões que podem ser descritas são aquelas referentes à violência doméstica, os abusos presenciados e sofridos, por vezes. A vivência da sexualidade, dos olhos vermelhos, das experiências que ninguém ouve, da desesperança de achar que não há mais solução. Inatingíveis? Algumas dessas crianças não querem ir para casa. Problema social? Questão social? Não morrer na infância tem seu preço. O custo de continuar vivendo em situações de risco não chega às estatísticas. Não está nos gráficos. Educação e cidadania são pares, díades de um mesmo processo. A seleção natural acontece no momento em que as mãos ficam amarradas (braços cruzados). Como não se aprende a “ser” um “ser” político, fica-se esperando uma política que funcione, na imagem construída, nos ideais não alcançados. Se for discorrido nas questões que fizeram chegar até aqui, será visto mulheres fazendo sexo sem amor, para “conceber” a vontade de seus maridos. O 94 álcool como companheiro da violência desse sexo mal feito. Crianças mortas aos pedaços em situação de aborto. Partos arrancados por mãos violentas nas casas de saúde, ou na rua, na casa, sem acesso. Em alguns momentos aquilo que é do próprio humano é a melhor escolha para ele mesmo. O instintivo protege por vezes das garras daquilo que se acha ser melhor para os outros. Amamentar? Questão ímpar para a saúde. Mas no deleito de um “peito” cansado, a condição de uma mulher negligenciada, ferida, com dúvidas, também abandonada. “- É seca esta, não tem leite. Como?” Dá-se à mulher a condição de ser a única a prover o que é bom para as “nossas” crianças. Se não der, como esta criança vai sobreviver? A fórmula infantil é cara. O barraco é sujo, a mamadeira contaminada. A criança barrigudinha de pés descalços com olhar de sol poente vai sozinha, na rua. Crescendo do jeito que “Deus” manda! A “mulher do posto” diz que precisa vacinar os meninos para ganhar um auxílio do governo. Todos os meninos vacinados, ainda não morreram. Já passaram das estatísticas. E de volta vem à escola. Outras crianças. Outras questões sociais. Problemas? Soluções? Como vão aprender? O que vão reproduzir? Os meninos não morreram na infância. Estão protegidos? Estão ainda mais vulneráveis na sua própria realidade. Como dissertou Rego Filho (2000, p. 41): “[...] As crianças são inerentemente vulneráveis, sem dúvida, as vezes são fortes em sua determinação a sobreviver e crescer”. Aí encontra-se a resiliência, que é a capacidade universal de fazer frente as adversidades da vida, superá-las e inclusive ser superado por elas. A resiliência não é um atributo que nasce com o ser humano, mas que se adquire durante o processo de desenvolvimento, resultado da interação com o meio em que habitamos, ou seja, no caso das crianças que não “vivem”, mas sim, “sobrevivem” a vários infortúnios gerados pela pobreza, estas mostram-se com uma capacidade de se fazer forte, independentemente das dificuldades da vida. Não obstante, o processo de morte e morrer na infância é um ultraje as concepções atuais e todos os municípios precisam saber minimamente quantas crianças nascem e de que forma nascem, quantas morrem e adoecem e as principais causas da morbimortalidade para que as ações de intervenção possam ser planejadas adequadamente. É fato, segundo Ferrari e Gonzálies (2000) dentre as causas de mortalidade no período pós-neonatal as principais são as relacionadas às condições de vida da população, podendo ser evitada por ações dirigidas às áreas preventivas e curativas. Todavia, na região referida por questões de divisão 95 política como 25ª SDR, os óbitos de crianças acontecem por falhas e/ou não existência de redes de apoio efetivas, falha no acesso aos serviços de saúde, ou seja, a não existência de uma rede efetiva que ligue os municípios menores às cidades com tecnologias mínimas de intervenção neonatal confirmando a hipótese deste estudo de que as causas de mortalidade infantil não estão diretamente relacionadas com a nutrição, saneamento básico e habitação; que a diferenciação das taxas de mortalidade infantil entre os municípios da 25ª SDR de SC está relacionado a falta de entendimento dos direitos sociais e de informação sobre a rede de acesso aos tratamentos de saúde. Desta forma identificando os fatores que contribuíram para a morte da criança, pesquisando e analisando detalhadamente toda a assistência prestada à gestante, ao parto, ao recém-nascido e durante o crescimento até a morte, pode-se observar que o componente neonatal é valorizado enquanto há uma importante situação de subnotificação. O mínimo que se pode esperar dos municípios é investigar os óbitos e dispor de cuidados mínimos a população. Esta população desconfiada e empobrecida de Capital Humano, que quando indagadas sobre a possibilidade da visita da pesquisadora e da entrevista, repensa sua culpa e dá a sensação de que o “Estado” ou a “Sociedade” lhe repassa esta, intransferível. Enquanto, estudando as questões de desenvolvimento, sabe-se que não há culpa em não saber seus próprios direitos sociais e que o Estado deve prover condições mínimas de sobrevivência a população, e, quando coloca na sua Constituição Federal que a saúde é um direito de todo o cidadão e um dever do Estado, abre muitas prerrogativas. Nenhum sistema de saúde público consegue solucionar todos os problemas e atender todas as pessoas, todavia, o Estado tem o dever de fornecer a assistência básica de forma eficiente. Telles (2006) disserta que o desenvolvimento brasileiro é um exemplo de fracasso do processo civilizador humano, pois criou uma boa economia com depredação da natureza e concentração de renda para alguns. Discutir estas questões significa um modo de se problematizar alguns dos dilemas cruciais do cenário econômico e social. Mesmo sabendo que a Mortalidade Infantil não é somente inferida pelos problemas na rede de saúde, mas também em todo o cenário social, é impossível reconhecer que o Brasil investe menos em saúde do que Chile, Argentina e Portugal, utilizando somente 3,5% do PIB para financiá-la, quando, 96 segundo apontou o IPEA (2011) os gastos sociais no Brasil contribuem para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a redução das desigualdades, e não o contrário. Com base nos dados de 2006, cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB, e o mesmo valor investido na saúde gera R$ 1,70. Quando se calcula o tipo de gasto social que tem o maior efeito multiplicador na renda das famílias, em primeiro lugar aparece o Programa Bolsa Família. Para cada R$ 1 incluído no programa, a renda das famílias se eleva 2,25%, um grande montante quando comparado com o gasto de R$ 1 com juros sobre a dívida pública que gera apenas R$ 0,71 de PIB e 1,34% de acréscimo na renda das famílias. Desta forma, o desenvolvimento das regiões de Santa Catarina com a política de descentralização, que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida da população não chegou ao seu ápice. Houve um aumento na participação do PIB pelos municípios menores da 25ª SDR (Monte Castelo, Itaiópolis e Papanduva), todavia, não houve melhora significativa em suas taxas de MI, para poder classificálas como de baixo nível. A região ainda peca em pequenas estratégias que podem indicar em que áreas da saúde se deve ter mais atenção, como no caso da falta de investigação dos casos de mortalidade infantil. Morley (1980) afirma que deve haver reavaliação frequente dos estudos epidemiológicos, pois os problemas mudam dinamicamente, e é preciso compilar dados para tentar resolvê-los. Desta forma, a mortalidade infantil nos municípios da 25ª SDR de SC necessita de uma atenção especial, já que suas taxas apresentam queda satisfatória, todavia, estas, quando investigadas individualmente refletem que a capacidade de melhorar a saúde pública de maneira coletiva da região é ineficaz, também, quando as relações de vulnerabilidade social são vistas de maneira individual, podem ser descritas causas discretas que não estão relacionadas a saneamento e nutrição e sim a falta de efetividade do sistema público de saúde, como a ausência do profissional médico, transporte ineficiente até as unidades de referência em saúde, entre outros. Assim, saber quantos nascem e como nascem, quantos morrem e adoecem e quais as principais causas de morbi-mortalidade é fundamental para que as ações de intervenção sejam planejadas adequadamente. A redução da mortalidade infantil tem sido observada em todas as regiões do Brasil. Na 25ª SDR do Estado de Santa Catarina também foram observados avanços com a queda das taxas de MI, acompanhando o Estado e tendendo alcançar os objetivos do desenvolvimento do milênio. Os óbitos de crianças na regional tem um 97 importante componente neonatal, e tanto neste como nos pós-neonatais as causas são discretas, como a falta de acompanhamento no pós-parto, dificuldades no entendimento dos cuidados com os filhos, dificuldade de acesso as redes de saúde de alta complexidade e ainda a distância entre os municípios, resumidamente uma falha na rede de atenção. Outros eventos, como a baixa escolaridade e a renda não foram significativos, apesar de também se apresentarem. Problemas com rede de esgoto, desnutrição, entre outros não foram observados, afirmando a hipótese inicial já descrita anteriormente. A falta de pré-natal também não foi fator relevante, assim como a localidade de nascimento, a não ser em relação a distância para o serviço de referência. Mesmo assim, não foi relevante o fato de ser morador do interior do município e o óbito, já que em algumas situações, ser lavrador entre outros, pode acarretar a gestações com mal formações21. Desta forma é enfático citar que para análise profunda de cada caso de óbito é necessário o envolvimento multiprofissional e interdisciplinar. Alguns itens a serem observados segundo recomendações de Ferrari e Gonzálies (2000) e da própria autora são22: a) Durante a gestação - Qualificar os profissionais; Garantir as gestantes o acesso às informações sobre os fatores de risco na gravidez; Encaminhar as gestantes quando necessário para centros que acompanhem o prénatal de risco e tenham condições de atendimento terciário para a mãe e para o recém-nascido; b) Durante o parto e pós-parto e atenção ao recém-nascido Melhorar as centrais de vagas; Garantir o acesso; Equipar as maternidades em função do nível de complexidade; Garantir o acompanhamento do RN após a alta hospitalar; Organizar cursos de reanimação e atendimento ao RN em sala de parto; Implantar sistema adequado de transporte neonatal; preferir o transporte antes do nascimento23; c) Na gestão dos serviços de saúde - Implantar a regionalização dos sistemas de saúde; Estabelecer comitês de mortalidade materna e perinatal em cada hospital e em nível municipal, a fim de avaliar, periodicamente, todos os casos de óbitos que ocorrem nas maternidades ou fora delas; Manter visualizadas as porcentagens de óbitos por cesáreas; Cobertura da assistência pré-natal; Nutrição 21 Mal formações podem ser decorrentes da utilização do uso de agrotóxicos que, tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças em consequência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas (REZENDE, 1995). 22 Destaca-se que as sugestões inseridas pela autora se devem ao fato de que a mesma possui larga experiência nesta área, aliado a análise aprofundada dos resultados da pesquisa aqui elaborada. 23 O transporte ainda intra-útero protege a criança de eventuais situações de hipotermia, traumas mecânicos, entre outros (DUARTE, 2008). 98 materna; Cobertura vacinação; Discutir as situações da mortalidade materna e neonatal; Promover estudos e pesquisas a fim de obter dados e propor melhores soluções aos problemas detectados. Os resultados obtidos sugerem que provavelmente existam outras causas intrínsecas a 25ª SDR de Santa Catarina para a mortalidade, além da falta de conhecimento dos direitos sociais, da dificuldade do trabalho em redes de assistência e a distância intermunicipal e inter-regional, que precisam ser investigadas posteriormente em outros estudos, principalmente na mortalidade neonatal, que segundo Laurenti et al. (1985) mortalidade neonatal (0-28 dias) são, na quase totalidade, devidas às chamadas causas perinatais e às anomalias congênitas, podendo ser relacionadas a problemas de gestação, de parto, fatores maternos vários e problemas congênitos e genéticos. Constituem o que tem sido chamados de causas endógenas (da própria mãe e/ou condição de gestação) em oposição às causas exógenas (efetividade do acompanhamento em saúde e outros). Sugere também que torna-se necessário maiores investimentos dos gestores municipais na organização de comitês e na qualificação de profissionais ou equipes responsáveis pela organização da vigilância do óbito infantil e que a descentralização dessa investigação para as equipes dos programas de saúde da família e o posterior repasse a regional de saúde são fundamentais. Pode-se inferir que a 25ª SDR dentro do que é tendência nacional também passa por uma transição demográfica, podendo ser demonstrada com a queda da fecundidade e o aumento da longevidade, sabendo-se e que a redução da mortalidade infantil tem contribuído para isso. Todavia, ainda os óbitos infantis representam um evento lamentável, com uma tendência de manutenção dos índices da mortalidade neonatal precoce, sendo o reflexo de uma política de gestão insuficiente para o desenvolvimento da região. 99 REFERÊNCIAS AKERMAN, Marco. Saúde e desenvolvimento local: princípios, conceitos, práticas e cooperação técnica. São Paulo: Hucitec, 2005. AKERMAN, Righi, et al. Saúde e desenvolvimento: que conexões? In: Tratado de Saúde Coletiva, 2006. ALMEIDA, Wanessa da Silva de; SZWARCWALD, Célia Landmann. Mortalidade infantil e acesso geográfico ao parto nos municípios brasileiros. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 46, n. 1, fev. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102012000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 28 jun. 2012. AQUINO, Rosana; BARRETO, Mauricio L. Programa Saúde da Família: acerca da adequação do uso do seu indicador de cobertura. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, abr. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008000400022&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 17 mar. 2012. ARENDT, Hannah. A Condição humana. 10.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. ARIES, Philippe. Historia social da criança e da família. 2.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. BIRKNER, Walter Marcos Knaesel. Desenvolvimento regional e descentralização político-administrativa: um estudo comparativo dos casos de Minas Gerais, Ceará e Santa Catarina. Rev. Sociol. Polit., Curitiba, v. 16, n. 30, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010444782008000100018&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 12 out. 2011. ______. Teoria da escolha racional: algumas contribuições e insuficiências. In: Congresso Nacional de Sociologia, XI. Curitiba, 2002. BISSIGO, Diego Nones. O projeto colonizador brasileiro e a Colônia Nacional Angelina. Revista Santa Catarina em História, v. 3, n. 2, 2009. BOISIER, Sergio. El desarrollo territorial a partir de la construccion de capital sinergético.Curso Internacional Ciudad Futura II, Rosario, Plan Estratégico Rosario, 2000. BOSCHETTI, Ivanete.; et al. Política social no capitalismo: tendências contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2008. BRASIL. Ministério da Saúde. Informações de Saúde. SIM (Sistema de Indicadores de mortalidade). Disponível em: <www.datasus.gov.br>. Acesso em: 25 jul. 2012. 100 ______. Ministério da Saúde. Classificação das Unidades Hospitalares segundo recomendações. Portaria nº 2.224/GM Em 5 de dezembro de 2002. ______. Ministério da Saúde. Estatuto da criança e do adolescente. 3.ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. (Série E. Legislação de Saúde). ______. Ministério da Saúde. Impacto da Violência na saúde das crianças e adolescentes. 1ª impressão. Brasília: Ministério da Saúde, 2010a. ______. Ministério da Saúde. Informações de Saúde. Estatísticas vitais. 2011. Disponível em: <www.datasus.gov.br>. Acesso em: 20 jun. 2012. ______. Ministério da Saúde. Pesquisa nacional de demografia e saúde da criança e da mulher – PNDS 2006: dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança. Brasília : Ministério da Saúde, 2009b. ______. Ministério da Saúde. Portaria nº 325, de 21 de fevereiro de 2008. Estabelece prioridades, objetivos e metas do Pacto pela Vida para 2008, os indicadores de monitoramento e avaliação do Pacto pela Saúde e as orientações, prazos e diretrizes para a sua pactuação. Diário Oficial. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. ______. Ministério da Saúde. Portaria nº 930, de 10 de maio de 2012. Define as diretrizes e objetivos para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido grave ou potencialmente grave e os critérios de classificação e habilitação de leitos de Unidade Neonatal no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Legislações GM Sex, 11 maio 2012 ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas em Saúde. O futuro hoje : estratégia brasileirinhas e brasileirinhos saudáveis : primeiros passos para o desenvolvimento nacional. Brasília: Ministério da Saúde, 2010b. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Saúde da criança e aleitamento materno. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009a. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual dos comitês de mortalidade materna. 3. ed. Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2007. ______. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Departamento de Apoio à Descentralização. Termo de compromisso de gestão municipal. Brasília : Ed. do Ministério da Saúde, 2007. BUARQUE, Cristovam. A questão social do século XXI. Brasília, 28 ago. 2004. 101 CAETANO, Rosângela et al. Análise dos investimentos do Ministério da Saúde em pesquisa e desenvolvimento do período 2000-2002: uma linha de base para avaliações futuras a partir da implementação da agenda nacional de prioridades de pesquisa em saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 4, jul. 2010. CALDEIRA, Antônio P; FRANCA, Elizabeth; GOULART, Eugênio A. M. Mortalidade infantil pós-neonatal evitável: o que revelam os óbitos em domicílio. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., Recife, v. 2, n. 3, dez. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151938292002000300007&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. CALLIPOLIS, Grupo de Pesquisa/Políticas Públicas e Desenvolvimento. Relatório Crescimento da População Residente em Santa Catarina: municípios, SDRs e mesorregiões. Florianópolis: UDESC, 2011. CANEO, Luiz Fernando et al. Avaliação do tratamento cirúrgico da cardiopatia congênita em pacientes com idade superior a 16 anos. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo, v. 98, n. 5, maio 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0066-782X2012000500003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 mar. 2012. CAPONI, Sandra. A biopolítica da população e a experimentação com seres humanos. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n. 2, jun. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232004000200020&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 ago. 2011. CAPPELLETTI, Angel J. Introdução à terceira edição espanhola do livro apoio mutuo de Kropotkin. Disponível em: <http://www.reocities.com/projetoperiferia6/ apoiomutuointro.htm>. Acesso em: 20 jul. 2012. CARVALHO, Marcus Renato de.; TAVARES, Luís Alberto Mussa. Amamentação: bases científicas. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2010. CASTRO, Eveline C. M.; LEITE, Álvaro J. M.. Mortalidade hospitalar dos recémnascidos com peso de nascimento menor ou igual a 1.500 g no município de Fortaleza. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 83, n. 1, fev. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S002175572007000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 04 set. 2012. CAVALCANTI, Nicanor Ferreira; RIBEIRO, Helena. Condições socioeconômicas, programas de complementação alimentar e mortalidade infantil no Estado de São Paulo (1950 a 2000). Saude soc., São Paulo, v. 12, n. 1, jun.2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010412902003000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. COSTA, Maria da Conceição Nascimento et al . Mortalidade infantil no Brasil em períodos recentes de crise econômica. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 37, n. 6, dez. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid= S0034-89102003000600003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. 102 DALLABRIDA, Valdir Roque. Desenvolvimento regional: por que algumas regiões se desenvolvem e outras não?. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2010. DESCHAMPS, Marley Vanice. Vulnerabilidade, socioambiental na Região metropolitana de Curitiba. 2004. Tese (Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento) – Universidade Federal do Paraná: Curitiba, 2004. DIAS, Danusa Martins et al. Morbimortalidade por gastroenterites no Estado do Pará. Rev Pan-Amaz Saude, Ananindeua, v. 1, n. 1, mar. 2010. Disponível em: <http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S217662232010000100008&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 04 set. 2012. DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. 23 ed.São Paulo: Ática, 2011. DUARTE, Geraldo et al. Infecção urinária na gravidez. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro, v. 30, n. 2, fev. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032008000200008&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 17 ago. 2012. DUTRA, Ademar. Sistema de Avaliação de Desempenho das Secretarias de Desenvolvimento Regional do Governo do Estado de Santa Catarina: Resultados Preliminares da Aplicação de um Modelo Construtivista, 2008 ESCUDER, Maria Mercedes Loureiro; VENANCIO, Sonia Isoyama; PEREIRA, Julio César Rodrigues. Estimativa de impacto da amamentação sobre a mortalidade infantil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 37, n. 3, jun. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102003000300009&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em: 17 jun. 2012 FERRARI, Lígia Silvana Lopes et al . Mortalidade neonatal no Município de Londrina, Paraná, Brasil, nos anos 1994, 1999 e 2002. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 5, maio 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0102-311X2006000500019&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 jun. 2012. FONSECA, Luciana Mara Monti; SCOCHI, Carmen Gracinda Silvan; MELLO, Débora Falleiros de. Educação em saúde de puérperas em alojamento conjunto neonatal: aquisição de conhecimento mediado pelo uso de um jogo educativo. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 10, n. 2, abr. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010411692002000200007&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em: 05 jun. 2012. FRIAS, Paulo Germano de et al. Avaliação da notificação de óbitos infantis ao Sistema de Informações sobre Mortalidade: um estudo de caso. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., Recife, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S1519-38292005000500005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. 103 FROTA, Mirna Albuquerque. et al. Reflexão sobre políticas públicas e estratégias na saúde integral da criança. Rev. Enfermagem em Foco, v. 1, n. 3, p. 129-132, 2010. GEIB, Lorena Teresinha Consalter et al. Determinantes sociais e biológicos da mortalidade infantil em coorte de base populacional em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, mar. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232010000200011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 04 set. 2012. GORDON, Robert J. Macroeconomia. 7.ed.São Paulo: Bookman, 1998. GUERRERO, Ana Felisa Hurtado et al . Mortalidade infantil em remanescentes de quilombos do Munícipio de Santarém - Pará, Brasil. Saúde soc., São Paulo, v. 16, n. 2, ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script= sci_arttext&pid=S0104-12902007000200010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. 9.ed.São Paulo: Atlas, 1967. IBGE. Censo 2010. Disponível em: <http://www.censo2010.ibge.gov.br/>. Acesso em: 25 jan. 2011. ______. Departamento da População e Indicadores Sociais. Evolução e perspectivas da mortalidade infantil no Brasil. Rio de Janeiro : IBGE, 1999. IMPERATORI, Giceli; LOPES, Marta Julia Marques. Estratégias de intervenção na morbidade por causas externas: como atuam agentes comunitários de saúde?. Saude soc., São Paulo, v. 18, n. 1, mar. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010412902009000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 08 ago. 2012. KAWAMOTO, Emília Emi. et al. Enfermagem comunitária. São Paulo, E.P.U., 1995. KAZTMAN, Robert. Seducidos y abandonados: el aislamiento social de los pobres urbanos. Revista de la CEPAL, Santiago do Chile, n. 75, p.171-189. dec. 2001. LAMY FILHO, Fernando. Carga de trabalho e falhas inespecíficas nos cuidados intensivos neonatais. 2001. Tese (Doutorado). Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Fernandes Figueira, 2001. LAURENTI, Ruy et al. Estatísticas de saúde. São Paulo: EPU, 1985. LUSTOSA, Tânia Quiles de Oliveira. Pobreza e indicadores sociais. In: Proposta, n. 63, dez.1994. 104 MALTA, Deborah Carvalho; DUARTE, Elisabeth Carmen. Causas de mortes evitáveis por ações efetivas dos serviços de saúde: uma revisão da literatura. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, jun. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232007000300027&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 maio. 2012. MALTA, Deborah Carvalho et al. Mortes evitáveis em menores de um ano, Brasil, 1997 a 2006: contribuições para a avaliação de desempenho do Sistema Único de Saúde. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 3, mar. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2010000300006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 09 dez. 2010. MATOS, Lígia Neres et al. Mortalidade de infantil no município do Rio de Janeiro. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, jun. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141481452007000200015&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 09 dez. 2010. MOLEY D. Pediatria no mundo em desenvolvimento: prioridades. São Paulo: Edições Paulinas, 1980. MOURA, Erly Catarina. Nutrição. In: CARVALHO, Marcus Renato de; TAVARES, Luís Alberto Mussa. Amamentação: bases científicas. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2010.p. 36-63. NEUMANN, Zilda Arns. Nós somos a Pastoral da Criança: nossa história e organização. Brasília: Pastoral da Criança, 1998. ODM. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: relatório nacional de acompanhamento. Coordenação: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos; supervisão: Grupo Técnico para o acompanhamento dos ODM. Brasília: Ipea : MP, SPI, 2007. OLIVEIRA, Edvaldo. LBA: trajetória de uma instituição no contexto das políticas públicas. Rev. Debates Sociais, Rio de Janeiro, n. 59, 2001. p.105-170. OLIVEIRA, Maria Coleta (Org.). Demografia da exclusão social: temas e abordagens. Campinas: Unicamp, 2001. OLIVEIRA, Thais Cláudia Roma de; LATORRE, Maria do Rosário Dias de Oliveira. Tendências da internação e da mortalidade infantil por diarréia: Brasil, 1995 a 2005. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 1, fev. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102010000100011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 jan. 2011. PASSETTI, Edson. Crianças carentes e políticas públicas. In: PRIORE, Mary Del (Org.) História das crianças no Brasil. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2000. PATTUSSI, Marcos Pascoal. et al. Capital social e a agenda de pesquisa em epidemiologia. Rev. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 8, p. 1525-1546, ago. 2006. 105 PEREIRA, Potyara A. P. Discussões conceituais sobre política social como política pública e direito de cidadania. In: BOSCHETTI, Ivanete. et al. Política social no capitalismo: tendências contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2008, p. 87-108. PÍCOLI, Renata Palópoli. Doença e morte de crianças: um olhar segundo a percepção dos Kaioá e Guarani. Tese (Doutorado em saúde pública) – Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. São Paulo, 2008. PINHEIRO, Carlos Eduardo Andrade; PERES, Marco Aurélio; D' ORSI, Eleonora. Aumento na sobrevida de crianças de grupos de peso baixo ao nascer em Santa Catarina. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 5 out. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102010000500002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 27 abr. 2012. PRIORE, Mary Del. Historia das crianças no brasil. São Paulo: Contexto, 1999. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL (PNUD). O que é o IDH, 2012. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/ IDH/IDH.aspx?indiceAccordion=0&li=li_IDH>. Acesso em: 04 set. 2012. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Ranking do IDH Global 2011. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/atlas/ ranking/IDH_global_2011.aspx?indiceAccordion=1&li=li_Ranking2011. Acesso em 04 set. 2012 PUTNAM, Roberto D. Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. Trad. Luiz Alberto Monjardim. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1996. RAMOS, Fábio Pestana. A história trágico-marítima das crianças nas embarcações portuguesas do século XVI. In: PRIORE, Mary Del (Org.) História das crianças no Brasil. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2000. p. 347-375. REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÃO PARA A SAÚDE (RIPSA). Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2.ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2008. REGO FILHO, Eduardo (Org.). Manual de pediatria. 2.ed. Londrina: UEL, 2000. REZENDE, J. Versão. Extração podal. In: REZENDE, J. Obstetrícia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995, p. 1190. RIZZINI, Irma. Pequenos trabalhadores do Brasil. In: PRIORE, Mary Del (Org.). História das crianças no Brasil. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2000. ROCHA, Rita de Cássia Luiz da. História da infância: reflexões acerca de algumas Concepções correntes. Rev. Analecta Guarapuava, Paraná v. 3 n. 2 p. 51-63 jul./dez. 2002. 106 ROMANELLI, Roberta M. C. et al. Effectiveness of dual and triple antiretroviral therapy in the treatment of HIV-infected children. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 82, n. 4, p. 260-265, ago. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572006000500006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 15 mar. 2012. SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Saúde. Plano estadual de saúde. Florianópolis, 2006. Disponível em: <http://www.saude.sc.gov.br/geral/planos/ plano_estadual_de_saude/PES_2006_Versao_Final.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2011. SANTO, Lilian Cordova do Espírito. Políticas Públicas em Aleitamento Materno. In: CARVALHO, Marcus Renato de; TAVARES, Luís Alberto Mussa. Amamentação: bases científicas. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2010. p.277-285. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4 ed. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 2006. ______. O País distorcido: o Brasil, a globalização e a cidadania. São Paulo: Publifolha, 2002. SEADE. Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Mortalidade infantil, neonatal e pós-neonatal segundo grupos de causas de morte. São Paulo, 1998. SEBRAE. Indicadores de desenvolvimento. Acesso em: <http://www.sebrae.com.br/customizado/desenvolvimento-territorial/temasrelacionados/indicadores-de-desenvolvimento>. Acesso em: 24 mar. 2011. SILVA, Olga Maria Panhoca da; PANHOCA, Luiz. A contribuição da vulnerabilidade na determinação do índice de desenvolvimento humano: estudando o estado de Santa Catarina. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 5, out. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232007000500018&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18 set. 2012. SILVA, Marly B. G. M. da. Conhecendo as doenças da triagem neonatal. Curitiba: FEPE, 2005. SILVA, Zilda Pereira da et al . Morte neonatal precoce segundo complexidade hospitalar e rede SUS e não - SUS na Região Metropolitana de São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 1, jan. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2010000100013&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 04 set. 2012. SIMÕES, Celso Cardoso da Silva. A mortalidade infantil na transição da mortalidade no Brasil: um estudo comparativo entre o nordeste e o sudeste. 1997. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Ciências Econômicas. Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. Belo Horizonte, 1997 107 ______. Perfis de saúde e de mortalidade no Brasil: uma análise de seus condicionantes em grupos populacionais específicos. Brasília: Organização PanAmericana da Saúde, 2002. SZWARCWALD, Célia Landmann et al. Desigualdade de renda e situação de saúde: o caso do Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, jan. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X1999000100003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 21 jul. 2012. THE INTER-AGENCY GROUP FOR CHILD MORTALITY ESTIMATION (IGME). Levels & Trends in Child Mortality, 2010. VALDIVIA, Dilberth Cordero. La atención integrada a las enfermedades prevalentes de la infancia (AIEPI). J&G, Rev. Epidemiol. Comunitária, Bolívia, v.7, n.15, p.3537, 1997. VENÂNCIO, Sonia Isoyama.; PAIVA, Rui de .O processo de implantação dos comitês de investigação do óbito infantil no Estado de São Paulo. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, v. 10, n. 3, p. 369-375 jul./set., 2010. VERISSIMO, Maria De La Ó Ramallo; FONSECA, Rosa Maria Godoy Serpa da. Funções da creche segundo suas trabalhadoras: situando o cuidado da criança no contexto educativo. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 37, n. 2, jun. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S008062342003000200004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 08 out. 2010. VIANA, Ana Luiza D'Ávila; ELIAS, Paulo Eduardo M.. Saúde e desenvolvimento. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232007000700002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 24. mar. 2011. VIANNA, Rossana Cristina Xavier Ferreira et al . Mineração de dados e características da mortalidade infantil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 3, mar. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script= sci_arttext&pid=S0102-311X2010000300011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 9 dez. 2010. VIEIRA, Lúcio José; OLIVEIRA, Maria Helena Pessini; LEFEVRE, Fernando. O uso da expressão “o mal de sete dias” por mães de crianças que morreram de tétano neonatal em minas gerais (1997-2002). Rev. Texto e Contexto Enfermagem, v. 15, n. 1, p. 51-59, 2006. WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2012: crianças e adolescentes do Brasil. Rio de Janeiro: FLACSO Brasil; CEBELA, 2012. WHO. Health and Sustainable development: addressing the issues and challenges, Genebra, WHO, 2002. 108 APÊNDICES 109 APÊNDICE A – Questionário guia de entrevista sobre mortalidade infantil QUESTIONÁRIO GUIA DE ENTREVISTA SOBRE MORTALIDADE INFANTIL Quem foi o informante na entrevista? 1-( )mãe 2-( )pai 3-( )outro (especificar):____________ Município de Residência da criança que foi a óbito: 1-( )Mafra 2-( )Rio Negrinho 3-( )Papanduva 4-( )Monte Castelo 5-( )Itaiópolis 6-( )São Bento do Sul 7-( )Campo Alegre Área de Residência: 1-( )Urbana 2-( )Rural Bairro de Residência: Data Nascimento da Criança que foi a óbito: __/__/__ Data do Óbito: __/__/__ Município do Óbito: Local do Óbito: 1-( )Domicílio 2-( ) Hospital/Internamento (especificar)____________________ 3-( )Emergência 4-( )em transito para o serviço de saúde 5-( )outros (especificar)___________ Peso de nascimento da criança que foi a óbito: Idade gestacional de nascimento da criança que foi a óbito: Tem carteirinha de saúde da criança que foi a óbito? 1-( )sim 2-( ) não Idade da Mãe: Idade do Pai: Em relação ao estado civil os pais da criança que foi a óbito eram: 1-( )Casados 2-( )Separados 3-( )Divorciados 4-( )Viúvo, especificar:_____________________ 5-( )Solteiro, especificar:___________________________________ 6-( )União Consensual Grau de Escolaridade da mãe da criança que foi a óbito: 1-( ) Analfabeto 2-( ) Fundamental Incompleto 3-( ) Fundamental Completo 4-( ) Ensino Médio Incompleto 5-( ) Ensino Médio Completo 6-( ) Graduação Incompleta 7-( )Graduação Completa 8-( )Pós-Graduação Grau de Escolaridade do pai da criança que foi a óbito: 1-( )Analfabeto 2-( )Fundamental Incompleto 3-( )Fundamental Completo 4-( )Ensino Médio Incompleto 5-( )Ensino Médio Completo 6-( )Graduação Incompleta 7-( )Graduação Completa 8-( )Pós-Graduação Na casa utiliza-se para cozinhar: 1-( )Gás 2-( )Lenha 3-( ) Outro (especificar):______________ 110 Tipo de moradia: 1-( ) Própria quitada 2-( )Própria financiada 3-( )Alugada 4-( )Cedida De que material a moradia é construída: 1- ( )alvenaria 2- ( )madeira 3-( )outro Número de cômodos da casa: 1-( ) menos de três 2-( )três 3-( )quatro 4-( )cinco 5-( )seis 6-( )sete ou mais Número de banheiros na casa: 1-( )nenhum (fora de casa) 2-( )um 3-( )dois 4-( )três ou mais Possuí animais domésticos fora da casa: 1-( )Sim 2-( )Não Se resposta anterior sim: Quantidade: 1-( )um 2-( )dois 3-( )três ou mais Possuí animais domésticos dentro de casa: 1-( )Sim 2-( )Não Se resposta anterior sim: Quantidade: 1-( )um 2-( )dois 3-( )três ou mais Realizam separação do lixo domiciliar: 1-( )sim 2-( )não Existe lixo ao redor da casa?: 1-( ) 2-( )não Existe roedores aparentes na casa?: 1-( ) 2-( )não Existe insetos aparentes na casa?: 1-( )sim. Especificar:_________________ 2-( )não Ocupação da Mãe da criança que foi a óbito: Ocupação da Pai da criança que foi a óbito: Renda familiar: 1-( )Até R$500,00 2-( )De R$501,00 à 1.000 3-( )De R$1.001 à 3.000 4-( )De R$3.001 à 5.000 5-( )Acima de R$5.000,00 A casa possuí água encanada?: 1-( )Sim 2-( )Não Existe tratamento de esgoto em sua rua?: 1-( )Sim 2-( )Não Número de filhos do casal: 1-( )nenhum 2-( )um 3-( )dois 4-( )três 5-( )quatro ou mais Número de filhos já mortos: 1-( )nenhum 2-( )um 3-( )dois 4-( )três 5-( )quatro ou mais Número de abortos da mãe da criança que foi a óbito: 1-( ) nenhum 2-( ) um 3-( ) dois 4-( )três 5-( ) quatro ou mais A criança que foi a óbito recebia que tipo de alimentos: 1-( )somente leite materno no peito 2-( )leite materno no peito mais mamadeira com (especificar)____________________ 3-( )somente mamadeira com(especificar)______________ 4-( )mamadeira e comida da família (especificar)________________ 5-( )somente comida.Especificar os alimentos que a criança comia: ___________________________________________________________________ Amamentação em seio materno da criança que foi a óbito: 1-( )Sim 2-( )Não Se resposta anterior sim, tempo em meses: 1-( )um 2-( )dois 3-( )três 4-( )quatro 5-( )cinco 6-( )seis ou mais Tipo de parto no nascimento da criança que foi a óbito: 1-( )Normal: casa ( ) hospital ( ) 2-( )Cesárea Caso o parto tenha sido domiciliar, houve procura pelo serviço de saúde após o mesmo? 1-( )sim 2-( )não 111 Pré-Natal: 1-( )sim 2-( )não Quantidade de consultas: 1-( ) nenhuma 2-( )uma 3-( )duas 4-( )três 5-( )quatro 6-( )cinco 7-( )seis ou mais O bebê chorou ao nascimento? 1-( )sim 2-( )não Dados da caderneta da criança: 1-( )dados do nascimento 2-( )vacinas em dia 3-( )acompanhamento do peso 4-( )outros (especificar)_________________________5-( )não possui carteirinha da criança Caso estivesse acompanhando a saúde da criança com pediatra responda: Data da última consulta: __/___/___ Não sabe informar ( ) Alguma intercorrência na gestação ou no parto? 1-( )eclampsia 2-( )ITU 3-( )Diabetes 4-( )Outro:qual?____________ Doenças prévias maternas: 1-( )Diabetes 2-( )Hipertensão arterial 3-( )Nefropatias 4-( )Cardiopatias 5-( )Distúrbios metabólicos 6-( ) Glandulares 7-( )Neurológicos 8-( )DSTs 9-( )Outras, especificar:_________________________ Doenças prévias paternas: 1-( )Diabetes 2-( )Hipertensão arterial 3-( )Nefropatias 4-( )Cardiopatias 5-( )Distúrbios metabólicos 6-( ) Glandulares 7-( )Neurológicos 8-( )DSTs 9-( )Outras, especificar:_________________________ A criança que foi a óbito recebeu transfusão sanguínea: 1-( )sim 2-( )não Se a resposta anterior foi sim informar data da transfusão: __/__/__ Quem cuidava da criança que foi a óbito a maior parte do tempo? (importante citar a idade do cuidador) 1-( )creche 2-( )mãe 3-( )pai 4-( )avó 5-( )irmão 6-( )outro (especificar):_________________ De que a criança morreu? A criança morreu vítima de acidente automobilístico 1-( ) A criança morreu vítima mal formação genética 2-( ) A criança morreu de intercorrência de parto 3-( ) A criança morreu vítima de doença com causa evitável 4-( ) Outro:______________________________________________________________ __________ Como você e sua família perceberam a doença que levou a morte da criança? Quanto tempo levou entre o aparecimento da doença e o primeiro atendimento? Alguma coisa foi feita antes de procurarem o serviço de saúde em relação a doença que a criança apresentava? Se a resposta anterior foi sim, o que foi feito? 112 Caso tenham procurado o serviço de saúde para o atendimento da criança que foi a óbito, quais serviços foram procurados? Como foi (ram) o(s) atendimento(os)? Outras impressões do entrevistador: 113 ANEXOS 114 ANEXO A – Dados do número de nascidos vivos e óbitos neonatais no período de 1999 à 2010 na 25ª SDR de Santa Catarina 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 98.854 94.828 88.097 85.730 83.177 85.475 84.584 84.133 81.903 85.262 83.489 84.611 Campo Alegre 225 216 180 192 195 180 173 167 173 159 131 131 Itaiópolis 347 414 316 300 342 356 326 352 282 319 303 291 1.168 963 841 644 904 960 880 836 848 845 764 751 Monte Castelo 165 163 164 99 122 158 128 120 121 129 104 119 Papanduva Rio Negrinho São Bento do Sul 309 877 358 845 348 767 333 816 285 804 356 868 229 819 314 795 291 736 283 752 238 657 248 580 Município Santa Catarina Mafra Município Santa Catarina 1.477 1.378 1.336 1.231 1.165 1.272 1.367 1.285 1.225 1.157 1.143 1.095 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 1.616 1.490 1.367 1.309 1.173 1.164 1.065 1.056 1.046 997 945 888 6 3 3 5 2 4 5 1 4 3 2 0 Itaiópolis 10 9 7 8 9 6 11 3 6 2 4 4 Mafra 24 24 17 19 13 10 12 7 9 14 9 2 Monte Castelo 1 5 5 3 1 6 5 7 3 0 0 1 Papanduva 7 8 5 7 2 7 3 6 7 5 2 4 Rio Negrinho São Bento do Sul 8 15 20 19 14 13 18 4 9 14 6 5 30 23 25 14 20 19 15 18 21 12 7 13 Campo Alegre 115 ANEXO B – Número de óbitos de crianças no período de 1999 à 2010 por componentes e suas médias trienais nos municípios da 25a SDR de Santa Catarina Mafra 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 13 12 11 12 11 9 7 9 7 3 2 4 10 7 0 6 3 3 2 3 4 2 1 2 1 1 5 2 2 1 1 1 8 9 4 7 4 2 3 3 4 3 2 3 2 1 2 2 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal 12 9 4 6 3 2 2 1 7 3 3 2 Campo Alegre 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 3 1 1 2 3 2 2 2 1 1 2 1,5 1 1 2 1 1 0 0 0 1 0 2 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 4 0 2 2 2 1 0 1 2 2 2 2 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 2 2 1 1 0,5 1 0 0 2 0,5 2 1 Itaiópolis 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 2 2 2 2 2 4 3 3 4 1 2 2 2 1 2 1,5 0 1 0 0,5 0 0 1 0,5 4 0 0 1 0 1 1 0,5 6 5 2 4 3 3 4 3 0 2 1 1 8 6 5 6 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 2 3 2 1,5 0,5 0,5 1 0,5 4 4 3 1 116 Monte Castelo 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 1 3 4 2,5 1 1 3 1,5 3 2 2 2,5 0 5 0 2 0 0 0 0 0 0 1 0,5 1 3 1 1,5 0 0 0 0 2 0 2 1,5 1 2 0 1 0 0 1 0,5 0 2 1 1 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 2,5 1,5 2,5 2 0 0,5 1,5 0 1 1,5 1 0,5 Papanduva 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 2 3 5 3,5 3 2 3 3 1 3 5 3 2 1 1 1,5 0 2 0 1 0 0 2 1 0 3 0 1 1 0 1 1 4 0 2 2 2 0 2 1,5 2 1 2 2 5 3 0 3 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 3,5 3 3 1,5 1 1 1 1 3 2 1,5 2 Rio Negrinho 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal média 2002 2003 2004 média 2005 2006 2007 média 2008 2009 2010 média 5 9 9 8 11 5 11 9 8 2 5 5 7 4 4 5 1 2 1 1,5 4 3 1 3 3 1 3 2,5 3 0 1 1,5 4 6 1 4 7 1 1 3 4 2 5 4 2 4 10 5,5 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 8 9 5 5 1,5 3 2,5 1,5 5,5 4 3 4 117 São Bento do Sul 1999 2000 2001 neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal neonatal precoce neonatal tardia pós neonatal médi médi médi médi a 2002 2003 2004 a 2005 2006 2007 a 2008 2009 2010 a 17 14 14 15 7 13 9 10 7 12 13 11 9 5 10 8 13 2 0 5 0 2 5 2,5 3 2 3 3 2 0 2 1,5 7 5 5 6 5 7 5 6 1 2 1 1,5 10 7 11 9,5 1999 2002 2005 2008 2001 2004 2007 2010 15 10 11 8 5 2,5 3 1,5 9,5 6 6 1,5