POTENCIAL DA PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE DA PECUÁRIA DE
CORTE
DO
MATO
GROSSO
[email protected]
APRESENTACAO
ORAL-Economia
e
Gestão
no
Agronegócio
THIAGO BERNARDINO DE CARVALHO1; LEONE VINICIUS FURLANETTO2;
SERGIO
DE
ZEN3;
GABRIELA
GARCIA
RIBEIRO4.
1,3,4.ESALQ/USP, PIRACICABA - SP - BRASIL; 2.UFRJ, RIO DE JANEIRO - RJ - BRASIL.
POTENCIAL DA PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE DA
PECUÁRIA DE CORTE DO MATO GROSSO
PRODUCTIVITY AND PROFITABILITY POTENTIAL OF BEEF CATTLE FROM THE
STATE OF MATO GROSSO
Grupo de Pesquisa: Economia e Gestão no Agronegócio
Resumo
O Estado brasileiro Mato Grosso é um dos principais produtores brasileiros da pecuária
bovina de corte, mesmo tendo um sistema caracterizado como pouco produtivo. Para
acompanhar a crescente demanda de consumo de carne e contornar alguns dos problemas
ambientais relacionadas ao setor, a solução apontada é a intensificação da produtividade.
Através de simulações desenvolvidas pelo método Painel, chegou-se ao potencial da
produtividade e rentabilidade da pecuária bovina de corte mato-grossense. Os resultados
reafirmam a baixa produtividade e apontam que, mesmo não sendo uma atividade
desfavorável, é pouco lucrativa (retorno de apenas 1,92% do capital investido). Comparando
o Painel contendo a média estadual com aqueles apresentando maiores taxas de lotação e
rebanho com índices zootécnicos ideais, torna-se evidente o ganho na produtividade e
rentabilidade em sistemas com tecnologia avançada de produção. De acordo com as
simulações, é possível dobrar a produção aumentando a taxa de lotação em pasto de 0,97 UA
para 1,6 UA/ha, com um rebanho melhorado. Porém, o investimento desembolsado na
reforma de pastagem só compensa se a intensificação da lotação desse mesmo rebanho for
acima de 2,0 UA/ha, aumentando tanto a produtividade quanto a rentabilidade em 2,5 vezes.
Com 2,5 UA/ha, lotação máxima estimada, a produção poderá triplicar, tornando o lucro do
setor quatro vezes maior que a obtida atualmente.
Palavras-chaves: Intensificação; Painel; Pecuária bovina
Abstract
The Brazilian State of Mato Grosso is one of the main producers of beef cattle, even though it
has a production system characterized by low productivity. To accompany the growing
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demand of meat comsumption and to avoid some of the environmental problems related to
the sector, the solution suggested is productivity intensification. Through simulations
developed by the Panel method, the productivity and profitability potential of beef cattle
from the State of Mato Grosso has been shown. The results confirm low productivity and
show that, although not being an unfavorable activity, beef cattle producer is low profit sector
(return of only 1.92% invested capital). Comparing the Panel results containing the state
average with those Panel presenting higher stocking rates and the herd with ideals zootecnics
index, the gain in productivity and profitability in systems with high tech production becomes
evident. According to the simulations, it is possible duplicate the production by increasing the
stocking rate on pasture from 0.97 Animal Unit (AU)/ha to 1.6 AU/ha, with an improved
herd. But, the investment paid in pasture reform is worthwhile only if stocking intensification
of this same herd is above 2.0 AU/ha, increasing both productivity and profitability 2.5 times.
With an estimated maximum stocking rate, 2.5 AU/ha, the production may triple, making the
sector profit four times higher than that obtained currently.
Key Words: Intensification; Panel; Bovine livestock.
1. INTRODUÇÃO
A atividade de bovinocultura, em Mato Grosso, responde por diferentes etapas no
processo histórico e do desenvolvimento econômico passando pela ocupação e manutenção
do território. O núcleo pioneiro onde se fazia a “criação de gado” foi o Pantanal, seguido pela
introdução da pecuária no Cerrado mato-grossense no século XVIII. Técnicas rudimentares
permitiram, durante anos, a implantação e formação de pastagens chamadas genericamente,
capoeira. Utilizando pastos naturais e pequenos capões de mata, essa forma extensiva de
produzir promoveu o crescimento do rebanho desde o século XVI até os tempos atuais
(BONJOUR et al., 2008).
A modernização da pecuária de corte em Mato Grosso está apenas iniciando. No
entanto, o Estado ocupa um lugar de destaque nacional, por possuir o maior rebanho
brasileiro, grande capacidade de expansão produtiva e expressiva rede industrial.
Nos últimos anos, os produtores passaram por momentos de dificuldade,
principalmente pela desvalorização do preço do boi, motivo pela atividade ser considerada
pouco lucrativa.
Porém, de setembro de 2007 a novembro de 2008, com a boa recuperação da arroba
do boi, a rentabilidade por hectare da pecuária de corte, esteve positiva, considerando-se os
Custos Operacionais Totais (COT). Esse curto período – se comparado às dezenas de meses
em que a conta era negativa – de ganho de fôlego, no entanto, acabou em dezembro, quando a
atividade fechou a rentabilidade negativa (Figura 1). Em Mato Grosso, o Custo Operacional
Efetivo (COE) teve aumento de 29,78% de jan‐dez/08 e o COT, de 25,55%, ao passo que o
boi gordo valorizou apenas 15,3% (CEPEA, 2009).
Alavancado pelo crescimento populacional mundial e aumento da renda per capita,
principalmente dos países em desenvolvimento, a expectativa é que o consumo mundial de
carne bovina cresça entre 12% a 14% até 2018 (SCOT, 2009). Somente a intensificação da
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produtividade poderá suprir essa crescente demanda, destacando novamente os países
emergentes, pelo potencial produtivo ainda pouco explorado.
Figura 1 – Evolução da receita e do custo por hectare no Brasil de 2007 a 2008.
450
400
350
300
250
200
150
COT/hectare
COE/hectare
dez/08
nov/08
out/08
set/08
ago/08
jul/08
jun/08
mai/08
abr/08
mar/08
fev/08
jan/08
dez/07
nov/07
out/07
set/07
ago/07
jul/07
jun/07
mai/07
abr/07
mar/07
fev/07
jan/07
100
Receita/hectare
Fonte: Cepea/CNA (2009)
As projeções de produção de carne bovina para o Brasil mostram que o setor deve
apresentar intenso dinamismo nos próximos anos, com crescimento de 3,5% ao ano no
período de 2008/2009 a 2018/2019; a produção anual de carne bovina passará de 10,4
milhões de toneladas em 2008 para 15,5 milhões em 2019 (Figura 2), acréscimo de 49,4%
(AGE/MAPA, 2009). Desse modo, para que Mato Grosso continue figurando entre as
potências nacionais da pecuária de corte – acompanhando essa crescente demanda do
mercado – torna-se necessário e iminente a efetiva modernização da atividade.
Figura 2 – Projeção brasileira de produção de carnes.
3
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Fonte: AGE/MAPA (2009)
A intensificação da produtividade também é considerada a melhor saída para
contornar problemas ambientais atualmente relacionados à pecuária de corte, como: o
desmatamento, para formação de novas pastagens; a degradação do solo, resultante do baixo
investimento na manutenção de pastagens; e emissão de gases efeito estufa (GEE) pelo
rebanho bovino. Apesar de grande emissora, a pecuária mostra ter um grande potencial de
seqüestro de carbono, através de pastagens bem manejadas. O investimento em pastagem
aumenta a produtividade animal (e conseqüentemente a rentabilidade da atividade), inibe
aberturas de novas áreas, elimina o risco da erosão e compactação do solo, além reduzir a
quantidade de GEE emitidos por quilo de carne produzida pelo aumento do seqüestro de
carbono (DE ZEN et al., 2008).
Perante todas as vantagens descritas e a necessidade de um setor mais produtivo, o
presente estudo tem como objetivo apontar o potencial da produtividade e rentabilidade da
pecuária bovina de corte no Estado de Mato Grosso. Para tanto, utilizou-se o método Painel,
cujos dados zootécnicos e de custos operacionais foram atualizados com a média estadual no
período de 2008, seguida de novas simulações, alterando os índices produtivos para os
considerados ideais.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Para este trabalho, foram utilizados dados secundários sobre o custo da produção da
pecuária de corte em Mato Grosso; produção animal e agrostológica; e inferências
geográficas e estatísticas. Gil (2000) aponta como a maneira de se obter dados e informações
a partir de materiais já elaborados.
2.1. Painel
Existe grande heterogeneidade quando se trata de propriedades caracterizadas pela
área física, tamanho do rebanho, sistema de produção, nível de tecnificação, etc. Para
contornar essa questão e, ao mesmo tempo, aproximar a análise da realidade, torna-se
necessária a definição de uma propriedade que melhor represente as existentes na região.
Essas propriedades “típicas”, geralmente, possuem tamanhos médios e sistemas de produção
não muito tecnificados e nem arcaicos, situando-se dentro de padrões modais do universo
considerado (CEPEA, 2003).
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Embora seja difícil caracterizar uma única propriedade e um sistema de produção
representativo da região em estudo, o método denominado Painel busca, através da
experiência local dos produtores, caracterizar a propriedade que seja mais comumente
encontrada. Com isso, os índices de produtividade, custos de implantação, custos fixos e
variáveis, ou seja, todos os números resultantes do Painel, tendem a ser bastante próximos da
realidade regional (CEPEA, 2003).
2.2. Simulação dos novos Painéis
Para a realização de um único Painel que representasse toda a pecuária de corte de
Mato Grosso, utilizou-se de informações dos Painéis já existentes, elaborados pela equipe de
Custos de Produção da Pecuária de Corte/CEPEA/Esalq/USP, tendo como sistema de
produção o Ciclo completo, das cidades de Alta Floresta (extremo norte de MT), Barra do
Garças (sudeste) e Cáceres (sudoeste). A partir deles, chegou-se a um consenso quanto aos
índices de produtividade do rebanho, insumos utilizados, mão-de-obra, inventário e área
efetiva da propriedade projetada.
Após, todos os valores (bens e insumos) foram atualizados com a média de preços
pesquisados em MT, no período de Janeiro a Dezembro de 2008; e para o cálculo da
movimentação do rebanho, também se utilizou a média 2008 dos Indicadores Esalq/BM&F
da arroba do Boi Gordo e da Vaca, na praça de Cuiabá (venda a prazo), e para o Bezerro, os
valores praticados no Mato Grosso do Sul.
A partir desse primeiro painel projetado, chamado de “Média MT”, foram então
originados outros sete, com variação da taxa de lotação e índices zootécnicos do rebanho:
1. “0,9UA IZ ideais”: índices zootécnicos melhorados, porém, com a mesma
taxa de lotação do painel Média MT (0,97 Unidade Animal - UA/ha).
2. “1,6UA IZ iguais”: mesmos índices zootécnicos encontrados no painel Média
MT, porém, com aumento da taxa de lotação para 1,6 UA/ha.
3. “1,6UA IZ ideais”: índices zootécnicos melhorados e com aumento da taxa de
lotação para 1,6 UA/ha.
4. “2,0UA IZ iguais”: mesmos índices zootécnicos, porém, com aumento da taxa
de lotação para 2,0 UA/ha.
5. “2,0UA IZ ideais”: índices zootécnicos melhorados e com aumento da taxa de
lotação para 2,0 UA/ha.
6. “2,5UA IZ iguais”: mesmos índices zootécnicos, porém, com aumento da taxa
de lotação para 2,5 UA/ha.
7. “2,5UA IZ ideais”: índices zootécnicos melhorados e com aumento da taxa de
lotação para 2,5 UA/ha.
Outra importante modificação realizada nestes Painéis (exceto no 0,9UA IZ ideais,
pois manteve a taxa de lotação original), foi a implementação da Adubação no item
Formação/Reforma das Pastagens, e da Calagem + Adubação no item Manutenção das
Pastagens, assim como o aumento anual de 10% para 25% da área de manutenção. Essas
alterações se fazem necessárias para compensar o acréscimo da taxa de lotação do rebanho,
proporcionando assim, condições mínimas de pastagem para os animais manter o ganho de
peso diário.
Em relação à suplementação mineral, considerou-se o consumo diário/UA de 100gr
para os Painéis em que os índices zootécnicos permaneceram iguais ao do Média MT,
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enquanto que para os Painéis com os índices zootécnicos melhorados o consumo diário/UA
foi aumentado para 150gr, pois, animais mais produtivos também possuem maiores
exigências nutricionais.
2.3. Taxa de Lotação e Índices Zootécnicos
A área encontrada em uma propriedade típica de ciclo completo em MT, segundo os
painéis estudados, foi de 802 ha. É possível aproveitar melhor o espaço utilizado na atividade
aumentando a taxa de lotação em pasto, que atualmente é de 0,97 UA/ha. De acordo com
Oliveira et al. (2006), um sistema com tecnologia avançada de criação deve ter uma lotação
de aproximadamente 1,6 UA/ha, objetivando alcançar ≥ 2,0 UA/ha.
As mesmas modificações feitas no item Formação/Reforma das Pastagens dos
Painéis, e seu conseqüente custo de implantação e capacidade máxima de lotação (2,5
UA/ha), foram utilizados em todas as simulações com taxa de lotação superior a 0,9 UA,
baseado no cálculo do Anexo 1. Assim, o valor considerado na reforma do Painel 1,6UA IZ
iguais, por exemplo, é o mesmo do Painel 2,5UA IZ ideais.
Para as simulações dos Painéis com o rebanho apresentando índices zootécnicos
melhorados, utilizaram-se como referência os índices proposto para sistemas tecnológicos
mais evoluídos:
Tabela 1 – Índices zootécnicos médios do rebanho brasileiro e em sistemas tecnológicos mais
evoluídos.
1
Sistema com
1
1
Média
Sistema
2
Índices
tecnologia
Meta
Brasileira Melhorado
avançada
≥ 90%
60%
70-80%
> 80%
Natalidade
8%
6%
4%
2%
Mortalidade até a
desmama
54%
65%
75%
88%
Taxa de desmama
4%
3%
2%
1%
Mortalidade pósdesmama
4 anos
3-4 anos
2-3 anos
1,7-2,6
Idade a 1ª cria
21 meses
18 meses
14 meses
12
Intervalo de partos
4 anos
3 anos
2,5 anos
1-2
Idade de abate
17%
20%
22%
≥ 35%
Taxa de abate
200 kg
220 kg
230 kg
245 kg
Peso de carcaça
53%
54%
55%
55%
Rendimento de carcaça
0,9 an/ha
1,2 an/ha
1,6 an/ha
≥ 2 UA/ha
Lotação
34
53
80
≥ 200
Kg de carcaça/ha
15-20%
Taxa de descarte de
matrizes
1
Adaptado de Zimmer & Euclides Filho (1997). 2Proposto por Oliveira et al. (2006).
Fonte: Oliveira et al. (2006)
6
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A partir desses dados, foi feito uma revisão nos indicadores de produção encontrados
no painel Média MT (Tabela 2), tendo como objetivo a “formação” de um rebanho
aprimorado e ao mesmo tempo compatível com a realidade do Estado (Tabela 3).
Tabela 2 – Média dos índices zootécnicos do rebanho bovino de corte de Mato Grosso,
extraídos de Painéis de fazendas típicas de ciclo completo.
Média Mato
Grosso
3%
Taxa de Mortalidade pré-desmama (%)
1%
Taxa de Mortalidade pós-desmama (%)
31
Relação vaca/touro
17
Intervalo entre partos (meses)
36
Idade a primeira cria (meses)
5
Crias produzidas/vaca
10 anos
Idade total da vaca
65%
Taxa de natalidade (matrizes)
15%
Tx Rep. Desc./matrizes
22%
Tx Rep. Touros/ano
24,5%
Tx de desfrute
33 meses
Idade de abate do boi gordo
0,97 UA/ha
Taxa de lotação em área de pasto
Fonte: Custos de Produção da Pecuária de Corte/CEPEA/Esalq/USP
Índices
Iniciando pelos índices reprodutivos, idealiza-se obter um maior aproveitamento das
matrizes pelo: aumento da Taxa de natalidade (65% para 75%), redução da Idade à primeira
cria de 36 meses (3 anos) para 30 (2,5 anos), e o Intervalo entre Partos de 17 para 13 meses.
Assim, as crias produzidas por matriz durante toda sua vida útil, subiriam de 5 para 8. Ainda
com um correto manejo sanitário, nutricional e reprodutivo, a taxa de mortalidade no prédesmame poderia ser reduzida de 3 para 2,5%.
A idade de abate do boi gordo também pode ser diminuída (de 33 para 29 meses)
aumentando o ganho de peso diário para 550gr, 100 a mais do que o encontrado no painel
original. Esse ganho pode ser facilmente alcançado pelas reformas de pastagem e
suplementação proposta nos novos painéis.
Tabela 3 – Indicadores de produção idealizados, utilizado na simulação dos Painéis com
rebanho melhorado.
Índices
Taxa de Mortalidade pré-desmama
(%)
Taxa de Mortalidade pós-desmama
(%)
Relação vaca/touro
Intervalo entre partos (meses)
Proposto
2,5%
1%
31
13
7
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Idade a primeira cria (meses)
Crias produzidas/vaca
Idade total da vaca
Taxa de natalidade (matrizes)
Tx Rep. Desc./matrizes
Tx Rep. Touros/ano
Tx de desfrute
Idade de abate do boi gordo
Taxa de lotação em área de pasto
30
8
11 anos
75%
16%
23%
26%
29 meses
1,61
e
UA/ha
2,0
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Painel Média MT, representante de uma propriedade típica de ciclo completo em
Mato Grosso, apresenta um rebanho de 1.406 cabeças, com venda anual de 344 animais,
incluindo bezerros, bezerras, novilhas, bois gordos, além de touros e vacas de descarte,
totalizando 4.070 arrobas produzidas e uma Receita de R$ 327.342,72. Isso corresponde a
5,07 arrobas produzidas e R$ 408,16 por hectare.
O COE foi de R$ 176.913,52 (R$ 220,59/ha), enquanto que a Depreciação custou R$
51.879,45, gerando um COT de R$ 228.792,97 (R$ 285,28/ha). Nesse cenário, o produtor
paga tanto os custos de produção quanto os de depreciação (ou seja, se mantém viável na
atividade no curto e longo prazo, pois consegue investir e renovar sua estrutura de produção),
tendo uma rentabilidade anual de R$ 98.549,75 (R$ 122,88/ha).
Quando analisamos o Custo de Oportunidade de Capital (COC), representado aqui por
6% do total do Capital Investido (CI = R$ 5.128.412,14), chegamos a quantia de R$
307.704,73. Isso somado ao COT, completa o Custo Total (CT) da atividade, que é de R$
536.497,70. No balanço final, o produtor deixa de ganhar R$ 209.154,98 (R$ 260,79/ha),
caso aplicasse seu capital em caderneta de poupança, por exemplo, demonstrando ser uma
atividade com baixa lucratividade (1,92% do CI).
A Tabela 4 mostra todos os resultados obtidos dos Painéis simulados.
Comparando o Painel Média MT com o 0,9UA IZ ideais, podemos observar que,
mesmo possuindo a mesma taxa de lotação (0,97 UA/ha), o rebanho total do segundo é
maior. Uma das características do método Painel é a representação do rebanho de uma forma
estática, ou seja, são considerados todos os animais presentes durante 1 ano completo,
inclusive aqueles vendidos no decorrer deste ciclo.
Ainda analisando esses dois Painéis, torna-se notável o ganho de produtividade e
rentabilidade no qual o rebanho apresenta índices zootécnicos melhorados. Houve o aumento
na venda anual de 344 para 415 animais (4.900 UA = 6,11 UA/ha), correspondendo um
acréscimo em torno de 20%; porcentagem de ganho também repetida na Receita. Assim, no
Balanço COT, aumentou-se o lucro para R$ 136.792,42 (R$ 171,56/ha), e houve redução do
prejuízo no Balanço CT para R$ 179.942,28 (R$ 224,37/ha), reafirmando a vantagem
econômica obtida em produções com rebanhos mais aprimorados. Em contrapartida, o
Retorno do CI foi de apenas 2,00%, muito semelhante ao Painel original (1,92%).
8
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No Painel 1,6UA IZ iguais, onde a simulação já apresenta a reforma de pastagem, o
custo da Depreciação dobra (R$ 104.754,27), aumentando significantemente o COT. Mesmo
com um acréscimo na Receita (R$ 543.686,96), o Balanço COT fecha em R$ 87.199,63 (R$
108,73/ha), valor inferior ao painel original, assim como o Retorno do CI, que cai para 1,36
%, enquanto o prejuízo do Balanço CT aumenta para R$ 297.133,67 (R$ 370,49/ha).
Quando os índices zootécnicos são melhorados, mantendo os mesmo 1,6 UA/ha, há
uma pequena mudança nos resultados, fechando o Balanço COT em R$ 151.280,72 (R$
188,63/ha). Porém, o prejuízo do Balanço CT, R$ 247.445,94 (R$ 308,54/ha), continua maior
que o do Painel original, e o Retorno do CI têm um aumento pouco expressivo, subindo para
2,20%. Portanto, o valor desembolsado em uma reforma/manutenção de pastagem se mostra
inviável quando o objetivo é intensificar a taxa de lotação apenas para 1,6 UA/ha.
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No Painel 2,0UA IZ iguais a venda anual sobe para 706 cabeças (8.403 @
produzidas), rendendo uma receita de R$ 674.673,53 e fechando o Balanço COT em R$
182.367,55, praticamente o dobro do lucro do primeiro Painel, mas o prejuízo do Balanço
CT, de R$ 231.182,52, ainda permanece maior. No Painel 2,0UA IZ ideais, os resultados são
mais favoráveis, destacando o aumento de aproximadamente 2,5 vezes tanto da produtividade
(venda de 851 cabeças = 10.105 @ produzidas) quanto da rentabilidade (Balanço COT = R$
261.460,17). Este também é o primeiro Painel, com a reforma de pastagem, em que o
prejuízo do Balanço CT (R$ 170.290,17) é menor que o do Painel original. Isso aliado ao
retorno do CI de 3,60%, um ponto percentual a mais que do Painel 2,0UA IZ iguais,
demonstra que a pecuária de corte (juntamente com as reformas, índices zootécnicos
melhorados e intensificação da lotação do rebanho) pode ser uma atividade mais lucrativa.
As simulações com taxa de lotação de 2,5 UA/ha obtiveram os melhores resultados. A
produtividade no Painel com os índices zootécnicos iguais foi de 885 cabeças,
correspondente a 10.502 @ produzidas (13,09/ha) e no ideal de 1.066 cabeças – 12.626 @
produzidas (15,74/ha), aumentando a produção em 2,58 e 3,10 vezes, respectivamente,
comparado ao Painel original. Mesmo com os altos custos, a rentabilidade do Balanço COT
foi triplicada no Painel 2,5UA IZ iguais (R$ 302.365,40 = R$ 377,01/ha) e quadriplicada no
2,5UA IZ ideais (R$ 401.143,51 = R$ 500,18/ha).
Destaca-se ainda que o último painel teve a metade do prejuízo no Balanço CT (R$
72.342,82 = R$ 90,20/ha) apresentado no 2,5UA IZ iguais (R$ 148.774,74 = R$ 185,50/ha); e
o retorno do CI foi de 5,00%, ou seja, próximo ao COC considerado (6,00%). Desta forma,
podemos afirmar que, a lucratividade da pecuária de corte em MT se torna compensatória.
Segundo o Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2006), MT possui 22.809.021
hectares de pastagens naturais, revelando o potencial da produção extensiva do Estado. Se
fizermos um simples cálculo com o efetivo de rebanho bovino, estimado em 25.683.031
cabeças (IBGE, 2007), temos uma lotação média estadual de 1,13 cab/ha. Considerando que
parte do rebanho seja composto por animais jovens/abaixo do peso de 1 UA, podemos dizer
que a lotação em UA fique muito próxima a encontrada em Média MT, 0,97 UA/ha,
viabilizando os números utilizados nos Painéis. Essa taxa de lotação caracteriza a pecuária de
corte atual como de baixa produtividade, além de induzir a ocupação de novas áreas, se o
objetivo for aumentar a produção.
Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país e é o maior produtor de grãos,
ocupando 25% do território para a pecuária e apenas 7,8% à agricultura. 63% de sua extensão
estão preservadas. Estratégias atuais do Governo do Estado defendem a transformação de
parte da área da pecuária em agricultura como uma das saídas para reduzir o desmatamento,
além inibir a abertura de novas áreas. O governador Blairo Maggi diz que “a exemplo da
agricultura, que é muito bem estruturada e faz bom uso da tecnologia, é possível reduzir pela
metade a terra ocupada pela pecuária investindo em mais tecnologia” (SECOM/MT, 2009).
Na simulação da reforma de pastagem, em uma fazenda de 802 ha, o custo de
implantação foi de R$ 653 mil (R$ 814,57/ha), incluindo gastos com as operações e insumos
de roçada, gradagem, calagem (2,5 ton/ha), plantio (12 kg semente braquiarão/ha) e adubação
(0,3 ton/ha), considerando uma depreciação de 9 anos. Assim, a reforma dos 22,8 milhões de
hectares de pastagens do MT, representaria cerca de R$ 18,5 bilhões. Isso sem considerar as
posteriores manutenções anual de 200 ha (25% da área total): R$ 98,3 mil. Tais valores são
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intangíveis na ausência de incentivos de financiamento da atividade, como linhas de crédito
com juros acessíveis, e subsídios diversos.
Os resultados apontam que é possível dobrar a produção aumentando a taxa de lotação
em pasto para 1,6 UA/ha, com um rebanho apresentando índices zootécnicos ideais. Porém, o
investimento desembolsado na reforma de pastagem só compensa se a intensificação da
lotação desse mesmo rebanho for acima de 2,0 UA/ha (o que deverá aumentar a
produtividade e rentabilidade em 2,5 vezes). Com 2,5 UA/ha, lotação máxima estimada, a
produção poderá triplicar, tornando a rentabilidade do setor quatro vezes maior.
Assim, a proposta do Governo se torna viável, pois haveria o aumento da produção da
pecuária mesmo reduzindo as áreas utilizadas pela atividade, disponibilizando espaço para o
crescimento agrícola e inibindo o desmatamento, além de atenuar outros problemas
ambientais relacionados à pecuária bovina de corte, como a emissão de GEE.
Tais mudanças sugeridas e seus respectivos resultados, dificilmente serão alcançados
em curto prazo, pois o retorno do investimento deve começar a ser sentido somente após
alguns ciclos completos. Além disso, se hoje o setor fosse tão eficiente, não haveria onde
colocar toda a oferta de carne e os preços cairiam. Porém, para acompanhar a crescente
demanda de carne bovina, interna e mundial, dos próximos anos, é necessário que a pecuária
de corte se modernize, investindo em tecnologias como: melhoramento genético, reforma de
pastagens e implantação do sistema rotativo, integração lavoura-pecuária, entre outras ações
que possam melhorar a baixa produtividade atual.
É importante ressaltar que, por se tratar de simulações contendo algumas informações
baseadas em dados genéricos, os valores expressos no presente trabalho podem ter uma
grande variação prática, especialmente quanto ao potencial produtivo da pastagem e do
rebanho, visto que cada microrregião possui peculiaridades inerentes e a produção animal
depende de outros aspectos não abordados. Em relação aos resultados financeiros, o preço
dos indicadores (@ Boi Gordo e Vaca; valor do Bezerro), responsável por gerar a Renda nos
Painéis, foram os mais altos dos últimos anos, podendo tornar a simulação otimista, frente às
presentes adversidades enfrentadas pelo setor; porém, se consideramos que os custos por
hectare também acompanhou a alta dos indicadores no período estudado, a rentabilidade
encontrada deve-se repetir em outros cenários.
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Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
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ANEXO 1
Cálculo da capacidade de lotação para pastagens reformadas
Divisão dos piquetes (Pastagem Rotacionada)
O Período de Descanso (PD) da Brachiaria brizantha são 36 dias, enquanto que o Período de
Ocupação (PO) máximo são 7 dias. Para este cálculo, o PO considerado foi de 5 dias.
Número de piquetes = (PD/PO) + 1 → (36/5) + 1 = 8 piquetes
Como a área total de pastagem da propriedade simulada é 802 ha, cada piquete terá uma área
de 100 ha.
Produção de Matéria Seca/ha de B. brizantha
Dentre outro fatores, CORRÊA et al. (2002) avaliaram o efeito de doses de Nitrogênio na
produção de matéria seca (MS) de B. brizantha, em cortes sucessivos durante o período do
verão. Os autores observaram que na presença de 100 kg N/ha* a produção de MS/ha foi de
aproximadamente 2.000 kg.
Considerando a eficiência de pastejo de 50% (BENEDETTI, 2003), temos a produção de
1.000 kg MS/ha de B. brizantha por corte.
*para a simulação da Reforma de Pastagem, utilizou-se 0,3 tonelada do adubo 20-05-20, ao
invés de meia tonelada (equivalente aos 100 kg N/ha), pois, a fertilidade do solo foi
considerada como mediana, além de também incluir a adubação na Manutenção Anual de
Pastagem (25% da área total da propriedade = 200 ha).
Consumo de MS
O consumo diário de MS, que normalmente é expresso em percentagem do peso vivo, gira
em torno de 2,0 a 2,5% (NRC, 1996). Assim, 1 Unidade Animal (UA = 450 kg de peso vivo)
consome aproximadamente 10 kg MS/dia. Como o PO em cada piquete são 5 dias, então,
cada UA consumiria 50 kg MS/piquete.
Lotação máxima
A disponibilidade de 1.000 kg MS/ha multiplicado por 100 ha/piquete corresponde a 100.000
kg MS/piquete/corte. Se dividirmos pelo consumo de cada UA durante o PO do piquete (50
kg MS) chegaremos a capacidade máxima de lotação, que é de 2.000 UA. Isso
correspondente 2,5 UA/ha, considerando a área total de pastagem (8 piquetes de 100 ha, ou,
802 ha).
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POTENCIAL DA PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE