VISÃO 2020 Ideias para o setor de Compras em 2020 na opinião de Executivos de Compras que são líderes em seus segmentos Introdução Bem-vindo ao Projeto Visão 2020! Desde o fim de 2010, a Ariba juntou forças com os profissionais e formadores de opinião líderes no setor de compras para iniciar um diálogo com dois conjuntos distintos de executivos de compras: • O primeiro grupo representa um conjunto visionário e altamente experiente de executivos de compras—as pessoas que, no início dos anos 90, iniciaram o difícil trabalho de impulsionar o setor de compras, partindo de um modelo burocrático baseado em papel até a implantação de modelos de gerenciamento de despesas, sourcing estratégico, colaboração com fornecedores, comércio eletrônico, automatização de processos de compras e abastecimento. • O segundo grupo representa a atual vanguarda — Diretores Gerais de Compra, que comandam organizações de gestão de despesas de alto desempenho — e que tem como meta conduzir o setor de compras para modelos inovadores de contribuição no processo de criação de valor durante as próximas décadas. O objetivo deste trabalho é iniciar um diálogo sobre o futuro do setor de compras e criar um cenário que indique o caminho para o atingimento dos objetivos propostos. As páginas desse livro eletrônico contêm ideias sobre o futuro que emergiu das primeiras rodadas de discussões. Considere o conteúdo dessas páginas como metade previsão e metade esperança. E embora exista um consenso surpreendentemente forte entre os participantes do projeto sobre as ideias essenciais apresentadas, nem todos acreditam que tudo poderá ou será alcançado por todas as organizações em apenas 10 anos. Tampouco ninguém afirma ter todas as respostas da forma como irão alcançar cada um dos objetivos ora apresentados. É importante mencionar que algumas das ideias apresentadas nessas páginas já vêm sendo discutidas há alguns anos, embora as condições sob as quais elas pudessem se desenvolver acontecessem apenas em um grupo seleto de empresas. A esperança é que após tudo que foi alcançado na última década, o momento ideal para a disseminação mais ampla dessas ideias possa finalmente estar chegando. O relatório não é pensado como um ponto de chegada, mas sim como um ponto de partida para mais discussões e debates sobre as expectativas para o setor de compras para o ano de 2020 e além. Pedimos a todos os leitores desse relatório que se juntem ao debate e participem da discussão com novas ideias, juntando-se à conversa em: http://exchange.ariba.com/community/solutio ns/procurement Colaboradores ANN OKA LARRY WELCH Diretora Geral de Compras, Sodexo Ex - Vice-Presidente de Compras Indiretas Hewlett-Packard JEAN-JACQUES BEAUSSART Diretor Geral de Compras, KeyBank DAWN EVANS DR. HEINZ SCHAEFFER Presidente e Diretor Executivo Sourcing Interests Group (SIG) Diretor Geral de Compras, Europa Central e do Norte, AXA DEBORAH (DEBBIE) MANOS-McHENRY Diretora Geral de Sourcing Huntington National Bank ROY ANDERSON Vice-Presidente de Compras, Metasys Technologies KEVIN CASTLE Professor na Universidade Brigham Young e antigo Diretor Geral de Compras, Varian, Inc. DONALD FERGUSON Chefe de Excelência Operacional de Compras, AstraZeneca JOHN CAMPI Ex - Diretor Geral de Compras DuPont, Chrysler e The Home Depot BARBARA WHITTAKER Ex - Diretora Executiva, Compras Globais, General Motors JAVIER URIOSTE Ex - Diretor Geral de Compras em diversas organizações de não TI HENRIK LARSEN Vice-Presidente de Compras Maersk TIM CUMMINS Presidente e Diretor Executivo, International Association for Contract & Commercial Management (IACCM) Índice Tudo é automatizado ............................ 1 A competição de talentos aumenta ....... 17 A inteligência entra em contexto ........... 2 Uma linha ofensiva toma o campo ........ 18 O trabalho torna-se móvel .................... 3 Entre na empresa estendida ................. 19 As comunidades colaboram .................. 4 É complicado ......................................... 20 Os dados preveem o futuro ................... 5 É preciso uma rede ............................... 21 Os preços ficam transparentes ............. 6 Adeus produtos, olá soluções ................ 22 O gerenciamento de despesas diminui .................................................. 7 As linhas entre compradores e fornecedores se atenuam ............................................ 23 A terceirização aumenta ....................... 8 A inovação vem de fora ......................... 24 Os prestadores de serviço se sobressaem .......................................... 9 Cedo é a nova moda ............................. 25 Até mais ver, geeks do sourcing ......... 10 Os fornecedores ganham poder ........... 26 SBUs absorvem as compras ............... 11 As empresas compartilham riscos e recompensas ......................................... 27 O exagero orçamental atenua-se ........ 12 Os contratos motivam ........................... 28 Vamos nos concentrar nas finanças ... 13 As empresas percebem os riscos de fornecimento .......................................... 29 Profissionais de gerenciamento de despesas mais sofisticados ................ 14 As informações de riscos melhoram ...... 30 Profissionais de fornecimento mais especializados ................................... 15 Os lucros substituem as economias de custo ................................................. 31 O escopo estratégico se expande ....... 16 Junte-se à conversa! ............................ 32 Tudo é automatizado • Automações dos processos de compras ao pagamento (procure-to-pay, P2P), sourcing, gerenciamento de contratos e outros serão a norma em 2020; eles estarão integrados em todas as cadeias de suprimentos, adotados por completo, fornecendo transparência completa e informações privilegiadas em tempo real. Debbie Manos-McHenry, Diretora Geral de Sourcing do Huntington National Bank prevê o seguinte: • "Os sistemas de compras ao pagamento (P2P) serão de arquitetura aberta, baseados na Web e serão capazes de se comunicar com os demais sistemas, tanto dentro de uma empresa como também com os sistemas existentes nas demais empresas que participam da cadeia de fornecimento, • As transações de compras de rotina serão feitas pelos usuários finais com pouco ou nenhum envolvimento da equipe de sourcing; os sistemas irão impor as normas de conformidade, fluxo de trabalho e regras de processo adequadas, • O processo de gerenciamento e administração de contratos será altamente automatizado, adotando modelos e ferramentas colaborativas nas revisões dos acordos entre compradores e fornecedores, • O fluxo de trabalho permitirá que os usuários finais conduzam as transações de compra em conformidade com os critérios pré-estabelecidos, enquanto as exceções serão encaminhadas para a equipe de sourcing (ou estratégica) • “A avaliação de riscos estará integrada aos sistemas e aos processos (em vez de serem atividades ad-hoc)”. "O gerenciamento de ordens de compras e faturas será completamente automatizado em 2020, mesmo nas empresas menos desenvolvidas", concorda Javier Urioste, antigo Diretor Geral de Compras em diversas organizações de não TI. Assim como os processos para sourcing e contratação competitiva. "Haverá certas exceções", acrescenta Urioste, "mas, em geral, todos os elementos não estratégicos do processo podem e devem ser automatizados." Roy Anderson, Vice-Presidente dos Serviços de Compras da Metasys Technologies, que fez carreira na automatização das operações de compras, sourcing e da cadeia de suprimentos em geral em ambientes industriais e de serviços, concorda enfaticamente: "A parte da cadeia de fornecimento que não é estratégica para a operação deverá ser processada através do emprego de motores de automatização, destinando a atuação dos profissionais de compra para as questões táticas e operacionais do processo. Os processos de compra serão completamente descentralizados para aqueles que precisam dos bens e serviços. “Onde faz sentido, diz Anderson, os itens estarão disponíveis em catálogos. Porém, em outras situações poderá ser necessário acessar os mercados para licitações competitivas em tempo real. "Os usuários finais farão as suas próprias licitações. A função do setor de compras será definir os motores de automatização e, em seguida, monitorá-los e gerenciá-los para garantir que continuem a funcionar." E embora ele acredite que será sempre importante que o setor de compras procure maneiras criativas de gerenciar as categorias de gastos não críticos, Anderson espera que os esforços nesse sentido sejam "mantidos em perspectiva". A inteligência entra em contexto A visibilidade completa—sobre despesa, risco e desempenho—estará disponível em 2020. O acesso rápido a informações de negócios (internos e/ou externos) precisas, atualizadas e estruturadas criará capacidades nunca antes vistas de sintetizar as informações para auxiliar a tomada de decisões. "A minha esperança", diz Dawn Evans, Presidente e Diretor Executivo, Sourcing Interests Group (SIG), "é ver uma tecnologia de automatização com as informações integradas sobre os principais mercados e economias, alertando os profissionais de compras e sourcing em tempo real — no contexto dos seus processos de negócios — para os riscos do processo e oportunidades de geração de valor." Debbie Manos-McHenry do Huntington National Bank acredita que, "Em 2020, será normal entrar no seu sistema e obter todas as informações de que você precisa, sejam elas informações de despesas internas, parâmetros de referência de desempenho externo, informações sobre o mercado, tecnologias emergentes, novos produtos, práticas e processos de gerenciamento recomendados e assim por diante. Similar ao modo como os analistas de investimentos usam a Thompson Reuters ou a Bloomberg para gerenciar portfólios de investimentos, analistas de compras terão acesso imediato a tudo aquilo que precisam para gerenciar portfólios de fornecedores.” Outros participantes do projeto acreditam que a qualidade e a profundidade da informação terceirizada irão continuar a melhorar e os custos para obtê-la irão diminuir. Além disso, dizem eles, as empresas obterão cada vez mais informações de mercados externos através de comunidades em redes digitais de fornecedores, colegas e especialistas. As informações em tempo real serão obtidas através da Web no momento exato que as compras e outras decisões estejam sendo efetuadas. E, embora essas comunidades em rede compartilhem raízes com redes sociais e empresariais como o LinkedIn, Facebook e Twitter, elas fornecerão informações dentro do contexto dos processos de negócios e dos seus aplicativos de suporte. "À medida que a qualidade de informação melhora e a disponibilização em tempo real de informações sobre os processos de negócio se torna mais comum", afirma Henrik Larsen, Vice-Presidente de Compras na Maersk, "eu acredito que as negociações e outras interações com fornecedores se tornarão muito diferentes do que são hoje." "Imagine que será possível mensurar em tempo real os efeitos de determinadas decisões na rentabilidade da sua empresa e na rentabilidade dos seus fornecedores. Isso está começando a acontecer atualmente, mas eu acredito que, na próxima década, isso será ainda mais comum. Nós iremos criar integrações transparentes junto às nossas redes de fornecedores. Seremos capazes de ver e entender o que está acontecendo a qualquer momento." O trabalho torna-se móvel Smartphones, tablets, chips integrados e futuros dispositivos—irão criar um ambiente de trabalho extremamente móvel para compradores e fornecedores em 2020. "Nós ainda não temos a real noção de que quase todos os smartphones já têm reconhecimento de voz e vídeo bidirecional", observa Roy Anderson, VicePresidente de Compras, Metasys Technologies. "Isso significa que você pode se sentar no seu escritório e observar um processo de fabricação em tempo real do outro lado do mundo ou você pode obter dados instantâneos sobre o desempenho de fornecedores a partir de uma mensagem ditada por uma pessoa que está em um lugar longínquo." Assim sendo, Anderson acredita que cada vez mais o trabalho de gerenciamento de compras e fornecimento será feito em campo, com acesso em tempo real aos dados do negócio e que será possível executar processos — seja aprovar solicitações de compra ou verificar o status de faturas ou leilões — a partir de qualquer dispositivo, em qualquer lugar. Ao mesmo tempo em que o conceito de mobilidade permitirá que os profissionais de compras trabalhem a partir de qualquer lugar do mundo, os participantes do projeto acreditam que também será possível que esses profissionais insiram mais facilmente um maior número de pessoas, provenientes de lugares mais distantes nos processos de gerenciamento de sourcing e fornecimento e, também, em outros meios de coleta e análise de informações estratégicas. …você pode se sentar no seu escritório e observar um processo de fabricação em tempo real do outro lado do mundo… As comunidades colaboram Esqueça as viagens de avião e as mesas de conferência. Compradores e fornecedores irão confiar cada vez mais nas redes e comunidades de comércio digital que lhes permitirá descobrir, conectar e colaborar entre eles de modo fácil e rápido. Descobrir, avaliar e interagir com os fornecedores será uma experiência virtual. As redes de comércio digitais produzirão valiosas informações em tempo real sobre as qualificações e o desempenho dos parceiros comerciais, as informações do mercado e outros serviços — por exemplo, mecanismos de pagamento, visibilidade e execução de logística, dados fiscais e assim por diante — o que tornará mais fácil abordar, criar laços comerciais e colaborar com os fornecedores. A função do setor de compras, prevê Roy Anderson, será direcionar e observar o fluxo da informação e retirar significado dele, em vez de criar e conduzir a informação entre o ambiente interno e os fornecedores. E, embora Anderson acredite que sempre haverá a necessidade de um encontro presencial, o real obstáculo para as colaborações virtuais, afirma ele, será que "muitos dos profissionais de compras ainda insistem em atuar entre os fornecedores e os clientes internos. É necessário que derrubemos essas barreiras. O nosso objetivo deve ser permitir que as pessoas façam o seu próprio trabalho com os fornecedores. O nosso trabalho, enquanto profissionais de compras, será criar os ambientes contratuais que permitam a eles serem eficazes e inovadores nas colaborações que escolherem fazer." Barbara Whittaker, antiga Diretora Executiva, Compras Globais na General Motors, tem uma visão parecida: "A tecnologia irá melhorar o fluxo de comunicações entre compradores e fornecedores. Imagino que mais informações irão fluir de modo seguro, em tempo real e em ambas as direções entre os compradores e os fornecedores. Isso tem o potencial para aumentar o nível de confiança entre compradores e fornecedores, mas isso dependerá de como será concebido o sistema para evitar fuga ou perda de informações. "Queremos chegar ao ponto onde os fornecedores entendem os clientes melhor e mais profundamente, de modo que eles possam criar soluções para todos os tipos de cenários visando à melhoria do negócio. Atualmente, isso está a uma longa distância, quando deveria estar ao alcance de uma mão. "A tecnologia", acrescenta Whittaker, "irá tornar a colaboração mais rápida e mais segura. A informação sobre os requisitos do cliente irá fluir dos colaboradores internos diretamente para os fornecedores e não haverá mais um profissional de compras filtrando o fluxo de informação." Os dados prevêem o futuro Os profissionais de compras passaram a última década olhando para o passado— para os valores gastos no ano passado, desempenho do fornecedor na última semana, mês ou trimestre. A próxima década trará informações e modelos que olham para o futuro. "Temos todas essas informações ao nosso alcance no mundo de compras", afirma Kevin Castle, professor na Universidade Brigham Young (BYU) e antigo Diretor Geral de Compras na Varian, Inc., "mas são informações que nos dizem o que aconteceu, quantos defeitos tivemos no mês passado, quantos carregamentos foram atrasados e quanto conseguimos (ou não) economizar. No futuro, eu acredito que o foco da área de compras estará nas análises preditivas do negócio. • Nós iremos usar modelos para prever onde é mais provável que ocorram defeitos do fornecedor. • Nós teremos KPIs (Principais Indicadores de Desempenho) para fornecedores que meçam as diferentes partes dos seus processos que são mais propensas a afetar o consumidor final. de um fornecedor irá sempre alcançar os requisitos dos nossos próprios clientes." Embora a capacidade de executar um gerenciamento de desempenho preditivo atualmente ainda seja ilusória, Castle está profundamente convicto que o setor de compras precisa seguir nessa direção se deseja tornar- se mais integrado em funções como desenvolvimento de estratégia de negócios e criação, desenvolvimento e lançamento de novos produtos. "Nós precisamos ser capazes de prever qual será o desempenho de um produto em questão de qualidade e perspectiva de custo total. Precisamos saber rapidamente e ser capazes de reagir imediatamente quando as alterações na informação tornarem-se capazes de prever problemas no futuro." • Iremos priorizar os processos dos fornecedores de acordo com os requisitos do cliente e medi-los de forma coerente. Suportando e reforçando a ideia de previsibilidade, as comunidades de negócio trocarão informações em tempo real de um modo parecido com os de comunidades pessoais, como: • Iremos estabelecer limites mínimos e máximos de controle de processos e trabalhar de maneira proativa para melhorar os processos até um ponto onde estivermos confiantes que o desempenho • O LinkedIn nos permite obter uma informação preditiva de como uma pessoa poderá ser capar de executar uma função, • O eBay nos fornece informação sobre como um vendedor em particular provavelmente se comportará e • A Amazon pode sugerir livros que podem nos agradar ao comparar pesquisas e compras entre pessoas com hábitos similares. A profundidade e o valor das informações preditivas sendo trocadas entre parceiros comerciais irão aumentar na próxima década à medida em que a participação em comunidades de negócio em rede se expanda exponencialmente. Os preços ficam transparentes Os preços de mercado para bens e serviços serão tão transparentes — devido ao e-sourcing, às redes de comércio globais, às comunidades online e à análise detalhada dos profissionais de compras em categorias ainda ocultas — que a negociação será uma arte perdida. "A proposta de valor, nos relacionamentos com os fornecedores, terá mais a ver com rapidez com que o produto chega ao mercado, exclusividade, inovação e participação nos ganhos; do que com economias de 3 a 5% nos próximos contratos a serem renovados", afirma Debbie Manos-McHenry do Huntington National Bank. A antiga negociação de preços será substituída por uma maior ênfase em: • Reunir os portfólios corretos de fornecedores, • Extrair rapidamente inovação e outras mais-valias das bases de fornecedores e • Criar relacionamentos comerciais exclusivos com fornecedores líderes que compartilhem riscos e recompensas. "Nós gastamos tanto tempo hoje tentando obter um preço justo pelos bens e serviços que compramos", afirma Roy Anderson. "Isso não deve ser assim, pois esta é uma pequena parte de todo o esforço e é uma parte que pode ser impulsionada pelo mercado." "A nuvem", prevê Anderson, "obrigará que os preços sejam transparentes. As economias estarão ligadas a fatores como descontos e abatimentos para alcançar determinados volumes ou pagamentos antecipados. Entretanto, nas categorias de serviço, como consultoria, continuaremos a ganhar visibilidade em aspectos como custos de trabalho e despesas gerais, assim a transparência chegará a essas categorias e seremos capazes de mudar o foco da discussão para como os fornecedores criam valor para nós." "Temos de nos concentrar mais em nos certificar que temos os portfólios corretos de fornecedores para trazer inovação e valor para as nossas empresas, o que permite uma melhoria dez vezes maior do que baixar um dólar no preço da unidade." O Vice-Presidente de Compras da Maersk, Henrik Larsen, sugere que os relacionamentos comerciais transparentes serão o ponto fulcral para permitir que os profissionais de compras possam ir além das coisas "muito enfadonhas" que fazem atualmente para agregar valor. "A transparência permitirá que as nossas equipes interajam com as equipes dos fornecedores e trabalhem para encontrar novos e interessantes meios de proporcionar uma vantagem competitiva para ambos os lados." O gerenciamento de despesas diminui As empresas ainda se preocuparão com o gerenciamento das suas despesas em 2020; elas simplesmente não terão grandes organizações e equipes de nível empresarial distintas dedicadas a isso. "A função de gerenciamento de despesas será muito pequena em 2020", afirma Larry Welch antigo Vice-Presidente de Compras Indiretas na Hewlett-Packard. "Teremos um núcleo central forte que fará o trabalho horizontal—garantindo que todos os processos, ferramentas, habilidades, relacionamentos, modelos e métricas de desempenho corretas estejam em vigor em todas as funções e linhas de negócio." Mas, embora as funções de gerenciamento de despesas a nível empresarial tendam a diminuir na próxima década, Welch e muitos outros participantes do projeto veem mais cargos relacionados à base de fornecedores sendo criados em altos níveis dentro das linhas estratégicas que compõem uma empresa. "Os profissionais com responsabilidades direcionadas aos fornecedores estarão nas linhas de negócio, conhecerão essas linhas e irão participar nos processos de planejamento estratégico das mesmas", prevê Welch. "Eles serão responsáveis por desenvolver—tendo os fornecedores em mente—todas as estratégias que auxiliam o negócio a organizar, criar e executar processos, terceirizar (ou internalizar), garantir fornecimento, inovar e gerenciar custos." Embora as pessoas ocupando esses novos cargos direcionados aos fornecedores ainda possam ter múltiplas ligações às principais organizações de gerenciamento de despesas empresariais, os seus interesses, as suas atividades e a sua lealdade serão prioritariamente orientadas para impulsionar o sucesso a um nível de linha de negócio. "Ao líder da linha de negócios não ocorrerá mais a situação de alguém que bate a sua porta dizendo "chegou a hora de desenvolver uma estratégia de gerenciamento de despesas e fornecimento". Será mais orgânico do que isso", afirma Welch. "Haverão pessoas integradas nas organizações, trabalhando como membros exclusivos das equipes, que serão parte do negócio em todos os aspectos." "As compras funcionais são algo que deve desaparecer até 2020", concorda Javier Urioste. "Contudo, as empresas terão de pensar cuidadosamente sobre como integrar as funções de compras aos processos de negócio. Se você vai eliminar a função de compras, é necessário ter algumas resoluções bastante claras — talvez vindas do Conselho Administrativo — para garantir que exista uma política e estratégia de compras claramente articulada e que as funções de compras se tornem uma parte integrante da rotina de como o negócio opera." A terceirização aumenta Muitas das atuais atividades de compras e sourcing—aquelas que não são redistribuídas para os usuários finais internos de bens e serviços—serão terceirizadas em 2020. John Campi, antigo Diretor Geral de Compras da DuPont, Chrysler e The Home Depot, explica de modo simples: "Caso não seja crítico, será terceirizado." As atividades de compras tradicionais que os executivos acreditam que serão terceirizadas até 2020 incluem: • Quase todas as transações de processamento de ordens de compra, faturas e pagamentos. • Todo o gerenciamento de categorias de despesa que não seja crítico ou estratégico, incluindo catálogo de fornecedores, gerenciamento de contratos e execução de eventos de sourcing. • A maioria das atividades de coleta, estruturação, armazenamento, análise e criação de relatórios de dados, sejam elas para análise de despesas, informações de mercado externo, informações de risco, gerenciamento de desempenho de fornecedores e assim por diante. Donald Ferguson, Chefe de Excelência Operacional de Compras na AstraZeneca, sugere que "Até 2020, a compras das mercadorias mais tradicionais, as categorias de impulso deixarão de ser feitas pela empresa e serão fornecidas por pessoas especializadas em fornecê-las. As habilidades que serão externamente fornecidas terão a ver com a criação de padrões, especificações, gerenciamento de desempenho e redução de custos. As habilidades que serão retidas na empresa terão mais a ver com a influência estratégica e a visão de negócio." "Atualmente, estamos gastando uma grande parte do tempo nos preocupando com tarefas secundárias e não com o que é principal para nós", concorda o executivo de compras para uma grande empresa de seguros dos EUA. "Temos visto isso acontecer nos últimos cinco anos, mas acredito que a tendência aumentará muito nos próximos cinco anos." A primeira etapa, afirma este líder em compras, será as empresas perceberem o que podem terceirizar e encontrar parceiros nos quais elas possam confiar completamente para servir de suporte. Mas, à medida que a terceirização de compras amadurece, ele espera ver uma segunda etapa de desenvolvimento quando as empresas começarão a inovar nos relacionamentos de terceirização, explorando maneiras criativas nas quais as suas parcerias poderão impulsionar melhorias de desempenho competitivas e sucesso nos negócios. Como Dawn Evans da SIG vê "Se pudermos terceirizar as compras transacionais e recrutar mais pensadores estratégicos; pessoas que não tenham medo de impulsionar a inovação — então poderemos criar um ambiente que é dramaticamente diferente daquele que temos agora." Apesar disso, Evans pensa que "ainda precisamos de uma quantidade enorme de educação para os líderes corporativos perceberem o melhor uso do gerenciamento de suprimentos e porque a maioria do trabalho de sourcing e compras táticas deve ser terceirizado." Os prestadores de serviço se sobressaem Com uma rápida e crescente demanda por serviços de terceirização de compras, a qualidade e a quantidade de serviços de compras terceirizados irão aumentar dramaticamente até 2020. O seu desempenho em muitas categorias de despesas irá ultrapassar o que pode ser feito internamente. "As compras fazem parte do núcleo no sentido de que temos de ter as estratégias corretas", afirma o executivo de compras de uma grande empresa de seguros dos EUA. "Mas não fazem parte do núcleo ao ponto de não podermos aproveitar os provedores de serviços que desenvolveram capacidades exponencialmente melhores do que as nossas em determinadas mercadorias ou em categorias de despesas, já que eles as fornecem de um modo mais regular e mais vasto do que nós jamais seremos capazes de fazer internamente." "Temos visto esse desenvolvimento há alguns anos, se olharmos para trás, veremos os provedores de serviços lutando com as suas ofertas, construindo os seus modelos de negócio, integrando a tecnologia e assim por diante." "Hoje, vemos os provedores de serviços chegarem ao ponto em que eles fazem as coisas melhores do que nós as podemos fazer. Daqui a dez anos, acredito que nos moveremos primeiro para tirar proveito dessa experiência e qualidade e, então, desenvolver relacionamentos com os provedores de serviços que os coloque em sincronização completa com os nossos modelos de negócio. Extrairemos mais e mais valor dos relacionamentos terceirizados à medida que a década avança." Outro fator em jogo é que as organizações de compras empresariais de alto desempenho — aquelas que começaram as suas transformações estratégicas há 10 ou 15 anos atrás e que obtiveram altos níveis de maturidade no gerenciamento de despesas — continuarão a desenvolver unidades distintas de negócios que oferecerão serviços de compras e sourcing geralmente ligados a segmentos especializados da indústria. Isso já ocorre em setores como a saúde, a hotelaria e a restauração. Por exemplo, Ann Oka, Diretora Geral de Compras na Sodexo, afirma: "Serviços de compras representam metade do volume [da Sodexo dos EUA] atualmente." "Não nos especializamos em adquirir itens extremamente sofisticados, sendo assim não ofereceríamos os nossos serviços a fabricantes para os seus materiais diretos. Oferecemos, contudo, serviços de compras para empresas da nossa indústria ou nos segmentos da indústria que são próximos à nossa, por exemplo, hospedagem, lazer, acampamentos e algumas cadeias de restaurantes com diversas unidades." Hoje, vemos os provedores de serviços chegarem ao ponto onde eles fazem as coisas melhores do que nós as podemos fazer. • Até mais ver, geeks do sourcing Embora altamente valorizados no mercado atual, os profissionais que se sobressaem nos processos de sourcing ou como usuários experientes de tecnologias de automatização de sourcing e compras irão trabalhar para empresas de serviços terceirizadas — ou sequer trabalharão — em 2020. "Nós temos de treinar as pessoas ou substituílas", afirma o Dr. Heinz Schaeffer, Diretor Geral de Compras, Norte e Centro-Leste Europeu, da AXA. "Nós precisaremos de pessoas que sejam centradas nos clientes e nos negócios, ao invés de pessoas que prefiram os processos de compras. Em 2020, o setor de compras não precisará de pessoas que sejam especialistas em software de compras e sourcing. Preferencialmente, precisaremos de pessoas que sejam especialistas no uso da tecnologia para levar os negócios em determinadas direções estratégicas. Nós precisamos que os sistemas suportem os nossos negócios, ao invés dos negócios suportarem os nossos sistemas." A implicação disso é que as ferramentas de compras se tornarão tão intuitivas até 2020 que mesmo profissionais não treinados poderão ser guiados pelos processos para executar atividades de sourcing e compras bem sucedidas. Em muitos casos, os sistemas irão executar, sem nenhuma intervenção humana, tarefas como: • Gerar ordens de compra com base em níveis máximos e mínimos, • Fazer o sourcing com base nas dinâmicas do mercado e estratégias de negociação predefinidas e • Faturamento, reconciliação e pagamentos. "As pessoas não precisarão saber como preencher uma ordem de compra", afirma John Campi, antigo Diretor Geral de Compras da DuPont, Chrysler e The Home Depot. "Elas precisarão ser capazes de prestar suporte aos relacionamentos com os fornecedores que atuem junto às suas empresas com uma vantagem estratégica contínua nos seus nichos de mercado." "Uma pessoa que conheça as cláusulas contratuais ou saiba como executar um processo em sete etapas não será muito importante em 2020", concorda Debbie Manos-McHenry do Huntington National Bank. "Nem precisaremos de uma série de excelentes matemáticos e analistas. Estaremos automatizados a um ponto que a informação que precisamos estará sempre à mão. O que precisaremos em 2020 é de pessoas que possam obter informações e de forma proativa desenvolver estratégias que impulsionem as prioridades do nosso segmento de negócios, em vez de esperar que os segmentos de negócios venham procurar ajuda com determinados problemas ou ideias já formuladas." Tim Cummins, Presidente e Diretor Executivo da International Association for Contract & Commercial Management (IACCM) concorda: "Está claro que muitas das atividades de compras básicas de hoje podem ser automatizadas. O que realmente precisamos são habilidades associadas a contribuições econômicas que impulsionem os negócios. Isso envolve avaliação financeira, habilidades de relacionamento, a capacidade de coordenar equipes e garantir colaboração interna e externamente. A dura verdade é que essas habilidades não estão particularmente associadas ao cargo hoje em dia. Um dos grandes desafios é mudar essa percepção até 2020." SBUs absorvem as compras A visão para 2020 prevê uma rede flexível — versus uma função restrita — de profissionais orientados para os fornecedores integrados a linhas de negócio estratégicas, a comunidades e a processos, onde e quando quer que eles sejam necessários, constantemente em movimento e reinventando suas funções à medida que as necessidades mudam. Um resultado da emergente visão para 2020 é que o rótulo de "compras" funcionais deixará de existir no vocabulário corporativo durante a próxima década. "Do meu ponto de vista", diz o Dr. Heinz Schaeffer da AXA, " o setor de compras já não será chamado de compras em 2020." "Integrado" nesse contexto pode ser uma referência física ou virtual associada à ideia central de que os novos profissionais de gerenciamento de despesas só serão envolvidos onde forem necessários e deixarão de ser necessários uma vez que os corretos relacionamentos de fornecimento, processos, informações, principais indicadores de desempenho e métricas de desempenho, ferramentas tecnológicas e assim por diante, estiverem estabelecidos e em funcionamento pleno e previsível. "As grandes empresas transformam-se continuamente para evoluir com os seus mercados", observa Debbie ManosMcHenry do Huntington National Bank. "As empresas de sourcing têm de fazer o mesmo, sem sombra de dúvidas. Em 2020, as coisas não se resumirão ao processo de sourcing estratégico de sete ou oito etapas. Será necessário pensar de maneira inovadora para fazer as coisas de maneiras muito diferentes à medida que os negócios se transformam. As ferramentas, estratégias e fontes de informação que tornem as empresas de sourcing extremamente ágeis serão importantes em 2020", acrescenta. "À medida em que as empresas avançam e a consolidação ocorre, haverá a necessidade crescente de envolver o cliente final e isso obrigará um repensar da estrutura centralizada ou orientada para dentro (do setor de compras)", acrescenta a Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka. "Nós nos concentraremos e impulsionaremos onde nós criamos valor — ou seja, o lado do sourcing — e reinventaremos constantemente o nosso grupo de resposta do cliente para nos aproximar o máximo possível dos nossos clientes internos e externos." Donald Ferguson, Chefe de Excelência Operacional de Compras na AstraZeneca, compartilha de uma visão semelhante para 2020: "Eu acho que os profissionais de compras trabalharão mais em um conceito de ‘criação de valor', tornando-se parte de um objetivo muito mais importante que o negócio está tentando alcançar, que é a inovação." "As categorias de despesas importantes estarão muito mais envolvidas e se tornarão mais integradas com as linhas de negócios. Elas serão menos direcionadas pelo gerenciamento de custos e mais pela inovação e contribuição em termos de venda dos produtos que estaremos tentando criar." O exagero orçamentário atenua-se Há um enorme esforço atualmente para tentar levar as ecomonias geradas pelos processos de sourcing para o orçamento. Essa é uma das razões que justificam a existência de organizações de gerenciamento de despesas empresariais modestas e uma forte ênfase em economia de custos, mas ambas devem desaparecer. "Lidamos com essas questões hoje, pois existe uma inflexibilidade por parte do financeiro em alterar o tradicional método fechado de criação de budget", observa Roy Anderson. "Por já estarmos tão integrados nos processos de orçamento é difícil afirmar que estaremos ainda mais integrados em 10 anos, mas eu acho que isso será a norma na maioria das empresas até 2020." Porém, daqui a dez anos, os participantes do projeto esperam que o gerenciamento de suprimentos tenha se tornado tão integrado, pensado logo no início do planejamento de negócios que ninguém nunca ousará a fazer perguntas como: o setor de compras tem um lugar na hora de preparar o budget? Debbie Manos-McHenry do Huntington National Bank acrescenta: "Quando você chega a um ponto onde você é amplamente respeitado dentro do segmento de negócio e você está dirigindo uma série de projetos que deverão ter um profundo impacto no negócio, não apenas em termos de economia de despesas, mas em termos de retorno, então você estará trabalhando com a área de negócios durante o passar dos anos e ajudando-os a elaborar seus planos." Como a Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka imagina, "O gerenciamento de suprimentos estará extremamente integrado ao planejamento estratégico dos negócios, assim como o planejamento financeiro e orçamentário." Atualmente, Oka diz que a sua empresa está extremamente determinada a passar informações para as unidades de negócios estratégicas, informações estas a serem usadas nos ciclos de planejamento. "Nós temos um processo para mapear as nossas atividades e benefícios esperados e, depois, articulá-los com as nossas unidades de negócios estratégicos para que elas possam incorporá-los no seu respectivo planejamento. Nós incluímos os custos dos produtos e economias esperadas nas despesas gerais. Vamos nos concentrar nas finanças Embora ainda focado nas cadeias de suprimentos físicas em 2020, o setor de compras também ficará fortemente ligado às cadeias de suprimentos financeiros, melhorando o fluxo de caixa, implantando políticas de obtenção de descontos dinâmicos, financiamento da cadeia de suprimentos e assim por diante. "À medida que alteramos o nosso foco para nos concentrar nas consequências comerciais dos relacionamentos com os fornecedores", diz o Dr. Heinz Schaeffer da AXA, "eu acredito que a função de compras será chamada de algo como ‘gerenciamento financeiro da cadeia de suprimentos'." Henrik Larsen da Maersk observa que, "Atualmente, estamos apenas administrando o dinheiro; ou ele pertence a nós, ou pertence aos fornecedores; mas não estamos tirando proveito de quem no relacionamento comercial têm a maior capacidade de melhorar o gerenciamento financeiro e de caixa." "Se um fornecedor estiver bem posicionado para que possamos tirar proveito, nós aproveitaremos essa vantagem. E haverá benefícios para o fornecedor e vice-versa se seguirmos esse caminho." "Os parceiros comerciais precisam perder o medo de entrar nessas áreas", continua Larsen. "Claro que eles também precisam de pessoas inteligentes, do ponto de vista financeiro, para dirigir essas atividades, por isso eu acho que haverá também muito mais integração financeira." Barbara Whittaker, antiga Diretora Executiva, Compras Globais na General Motors, concorda e acredita que a tecnologia irá desempenhar um importante papel na modelagem da transformação. "Agora, não temos como analisar cada condição isoladamente, então somos forçados a adotar clichês como "Todos os fornecedores precisam ter um prazo de pagamento de 60 dias" ou "Todas as faturas tem de ser tratadas desse modo", ou ainda "Todo o nosso fluxo de caixa deve ser direcionado nesse sentido." "Acredito que a tecnologia nos dará a oportunidade de medir e analisar as cadeias de suprimentos financeiro de maneiras mais distintas. Poderemos ter múltiplas correntes de ação baseadas nas condições do mercado, sobre o que está acontecendo com determinados fornecedores ou sobre os diferentes tipos de relacionamentos que nós temos com os fornecedores. Acho que a tecnologia nos permitirá dizer coisas como "O fornecedor X terá um prazo de pagamento de 30 dias porque o modelo, que deriva da informação em tempo real sobre o nosso fluxo de caixa e outras condições de mercado, diz que faz mais sentido realizar o pagamento mais cedo." O modelo analisa em tempo real e torna-se seletivo, para que nós possamos capturar o melhor valor — por fornecedor — resultando em um maior valor total." Dawn Evans da SIG acredita que novas habilidades também serão necessárias. "Nós precisamos de pessoas que realmente entendam sobre finanças e contabilidade e sobre o impacto que as decisões de compras têm nas demonstrações financeiras. Coisas como o custo total de propriedade (TCO) são bem percebidas nas compras, mas uma real visão financeira não está realmente sendo ensinada nas escolas de cadeia de suprimentos." "É necessário que haja uma maior polinização cruzada entre estas duas funções", acrescenta Evans. "Eu adoraria começar a ver Diretores Financeiros das empresas na Fortune 1000 se tornarem Diretores de Compras das empresas na Fortune 100. Isso seria fantástico neste aspecto." Profissionais de gerenciamento de despesas mais sofisticados Profissionais. Elegantes. Inteligentes. Respeitados. Influentes. Persuasivos. Visionários. Estratégicos. Perspicazes. Globais. Colaborativos. Executivos. Experientes nos negócios. Todos esses termos foram usados pelos participantes do projeto para descrever os novos profissionais de suprimentos e compras em 2020. Este conjunto de características alimenta quatro conjuntos essenciais de atividades para os profissionais de gerenciamento de despesas em 2020: • Criar estratégias para os negócios com os clientes finais em mente, • Rastrear e capturar inovações que já estejam acontecendo próximo e nas bases de fornecimento críticas; direcionar a inovação de modo proativo onde quer que ela seja necessária na base de fornecimento, • Se relacionar com e integrar importantes provedores de serviços e fornecedores onde adequado e tanto quanto possível nas linhas de negócios, • Promover alterações positivas dentro da empresa e promover para os fornecedores mais inovadores e com melhor desempenho a razão pela qual eles devem investir no sucesso de uma empresa em detrimento dos seus competidores. Jean-Jacques Beaussart, Diretor Geral de Compras do KeyBank, afirma: "Se eu tivesse que escolher os principais elementos de sucesso para as organizações de gerenciamento de suprimentos em 2020, eu escolheria inovação, integração, planejamento estratégico, liderança firme e um real entendimento sobre como gerenciar serviços terceirizados." "Parte do gerenciamento de suprimentos em 2020", acrescenta Roy Anderson, VicePresidente dos Serviços de Compras, Metasys Technologies, "será sobre demonstrar sem sombra de dúvidas que a alteração — para a nova solução, para o novo fornecedor, para a nova abordagem — não somente vale a pena, mas é fácil, rápida e reduz, ao máximo possível, o risco. "O Diretor Geral de Compras será um verdadeiro vendedor—capaz de vender interna e externamente. Essa será uma posição extremamente estratégica em que as pessoas terão visões claras do que a base de suprimentos pode fazer em termos de suporte para uma empresa." Henrik Larsen da Maersk sugere que, até 2020, "Um profundo conhecimento da categoria não será suficiente. Para ter sucesso e trabalhar em gerenciamento de compras e suprimentos, você terá que ser um consultor, uma pessoa capaz de estabelecer redes de contatos e construir relacionamentos." O Diretor Geral de Compras terá que ser um verdadeiro vendedor— capaz de vender interna e externamente. Profissionais de suprimentos e compras mais especializados Uma característica significativa do novo profissional de suprimentos em 2020 é o tamanho e profundidade de seus conhecimentos. Eles saberão tudo, de ciências, a economia, passando por direito e política dos seus mercados e indústrias em uma escala global. John Campi, antigo Diretor Geral de Compras da DuPont, Chrysler e The Home Depot, afirma que os profissionais de gerenciamento de suprimentos em 2020 "serão capazes de analisar e entender as dinâmicas mundiais dos mercados em vários aspectos". "Por exemplo, pode ser prudente em alguns países contratar pessoas para vigiar o carregamento dos contêineres nos navios, enquanto em outros países tal ação não seja necessário. Os profissionais de gerenciamento de suprimentos do futuro terão este tipo de conhecimentos vasto e informações privilegiadas sobre os mercados mais importantes para as suas empresas." Debbie Manos-McHenry acredita que "Nenhuma empresa pode ser surpreendida por um fornecedor que ultrapassa repentinamente outro. Os profissionais de gerenciamento de suprimentos serão como analistas de investimento, possuindo um conhecimento vasto e profundo sobre suas indústrias e mercados de fornecimento, bem como aqueles mais próximos deles." "Os cargos de gerenciamento de suprimentos em 2020 terão como objetivo manter um entendimento constante do mercado", concorda Roy Anderson. "Os profissionais de gerenciamento de suprimentos vão passar muito mais tempo analisando os mercados através de perspectivas de longo prazo do que sempre olhando através das lentes das transações ou eventos de sourcing." Mas Anderson não acredita necessariamente que a especialização precisa sempre existir internamente ou nos funcionários diretos. "Em muitos casos, fará mais sentido obter a especialização sobre a indústria ou o mercado a partir de uma fonte externa." Por vezes essa especialização virá de profissionais, mas cada vez mais virá de comunidades que compartilham e combinam informações entre elas. Além disso, Anderson acredita que a compreensão vai se estender aos mais baixos escalões da cadeia de suprimentos. O nosso trabalho será entender como nós podemos criar um produto ou serviço da maneira mais eficaz possível, obtendo o conhecimento que está na cadeia de suprimentos e levando-o aos designers nas nossas próprias empresas. "Eu acredito que começaremos a ver mais e melhores fontes terceirizadas de informações do mercado e teremos mais recursos para investir na obtenção rotineira dessas informações até 2020", acrescenta Anderson. "Com a rápida inovação da tecnologia, o gerenciamento de suprimentos será especializado o bastante para compreender se um fornecedor se mantém atualizado e é inovador e criativo no seu mercado ou se existem novos concorrentes que possam desestabilizá-lo." O escopo estratégico se expande Muito foi feito na década passada para transformar o setor de compras de tático para estratégico. Porém, a ideia de "estratégico" permanece encurralada dentro da função, do processo ou da categoria de despesa. Até 2020, o significado de “estratégico” irá se expandir muito. Essencialmente, todas as estratégias estarão ligadas diretamente aos clientes finais de uma empresa e ela estará mais ciente da diversidade—de desejos e requisitos—da base de clientes. No início, o escopo da estratégia irá se expandir para incluir os clientes existentes de uma empresa; com o passar do tempo, irá mudar para auxiliar a área de negócio na obtenção de novos clientes e, talvez, na concepção de linhas de negócio completamente novas. Kevin Castle, professor na Universidade Brigham Young (BYU) e antigo Diretor Geral de Compras na Varian, Inc., observa que "Agora, nós tratamos todos os produtos relativamente do mesmo modo dentro das nossas funções de compra e em termos de criação da cadeia de suprimentos. Em 2020, os profissionais de gerenciamento de suprimentos irão obter e quantificar os requisitos exclusivos do cliente, desde o marketing, passando pela pesquisa e desenvolvimento, operações e outras partes da empresa. Ao invés de tratar todos os clientes e produtos do mesmo modo, nós iremos construir cadeias de suprimentos, processos e funções de compras que atendam os requisitos exclusivos do cliente e da linha de produto." "Nós já estamos bem integrados no planejamento estratégico, orçamentário e financeiro para os negócios", acrescenta Ann Oka da Sodexo. "Porém, à medida que as empresas se aproximam de 2020 — tornando-se mais complexas e diversificadas através de fusões e compras — esses processos de planejamento exigirão um compromisso muito maior com os clientes finais, o que significa que teremos que reorganizar as nossas estruturas centralizadas." Além disso, à medida que os profissionais de compras se aproximam dos clientes finais, sugere Oka, eles deixarão de apenas descobrir e contratar fornecedores e passarão a identificar possíveis candidatos para fusões ou incorporações pelas suas empresas. "À medida que seguirmos nesse caminho, encontraremos situações com as quais não teremos competências para lidar por nós mesmos. Nesses casos, iremos recorrer a parceiros de terceirização ou iremos adquirir empresas; de qualquer modo, o setor de compras irá desempenhar um papel decisivo nessas questões." "Eu acredito que as compras irão agregar muito mais valor em 2020 do que fazem hoje", concorda o Diretor Geral de Compras do KeyBank, Jean-Jacques Beaussart. "O setor de compras estará envolvido no planejamento estratégico da empresa e também na identificação, implantação e agregação de valor através de fusões e compras." "Até mesmo o nosso conceito de inovação irá se expandir além do conceito de criação de novos produtos junto aos fornecedores", acrescenta Donald Ferguson da AstraZeneca. "Na indústria farmacêutica, por exemplo, que tem uma margem muito alta, adicionar apenas 1% nas vendas pode significar uma fortuna, excedendo largamente o que poderíamos fazer ao economizar em custos. Logo, iremos procurar por fornecedores que possam ajudar-nos a inovar na maneira como nos posicionamos no mercado e vendemos os nossos produtos, especialmente em mercados emergentes onde os modelos de vendas tradicionais não se adaptaram. Em vez de os representantes de vendas irem à procura de formadores de opinião, nós usaremos a inovação e a tecnologia para permitir que influenciadores e clientes interajam conosco para obter informações pelos meios e no momento exato que eles escolherem." A competição por talentos aumenta Existe um forte sentimento que a base de talentos está pouco preenchida para atender a demanda de profissionais orientados para o fornecimento estratégico que se desenvolverá até 2020. O resultado será uma intensa competição para atrair os melhores e mais brilhantes nas suas áreas. "Sempre fomos extremamente bem sucedidos em compras quando tínhamos o talento certo em uso", observa Jean-Jacques Beaussart, Diretor Geral de Compras, KeyBank. "Até 2020, será o trabalho do Diretor Geral de Compras deverá ser o de um imã de talentos. Nós conseguiremos isso ao promover o talento global, utilizando tecnologias de ponta, treinando pessoal de forma consistente e ampla e garantindo que eles possam deixar as nossas empresas para melhores cargos corporativos”. "Quando você foca no talento, você torna uma organização confiável. Esta é uma marca que pode ser usada pra atrair mais negócios, mais projetos e mais pessoas talentosas para trabalhar com você. Não tenho dúvidas que essa será a prioridade número 1 em 2020." "O que irá motivar a força de trabalho emergente serão fatores bastante diferentes daqueles que motivaram as pessoas no passado", sugere Ann Oka da Sodexo. "O que fará as pessoas se sentirem bem sucedidas, não será mais um progresso contínuo em um caminho linear. As empresas terão de encontrar maneiras inovadoras de permitir a latitude necessária para que novas gerações possam explorar os seus interesses." "Atualmente, nós (da Sodexo) já estamos oferecendo oportunidades de trabalho flexíveis, teletrabalho, compartilhamento de trabalho e outras iniciativas de valorização dos funcionários para manter esta nova geração interessada. Acreditamos que criar uma cultura flexível nos permitirá criar interesse e capacitar os nossos funcionários para resoluções de problemas de negócios. Mas isso cria novos desafios. Por exemplo, como garantir que as pessoas se mantenham visíveis em grandes empresas? Como garantir que elas sejam desenvolvidas para serem promovidas?" Do ponto de vista da remuneração, Beaussart acredita que: "Precisaremos de mais modelos de remuneração não tradicionais, maiores bônus com aumentos de remuneração variáveis versus fixos. "Eu imagino uma estrutura de remuneração, onde o bônus é composto de duas partes”. A primeira está ligada ao desempenho da equipe e a segunda ao desempenho individual. O bônus da equipe vem de uma tabela de indicadores desenvolvida no início do ano indicando que "Isso é o que nós vamos alcançar para a empresa". “Pode estar ligado a economias, como gerenciar os relacionamentos de negócios, adoção de tecnologia de automatização, o que quer que seja necessário para obter sucesso na área." Uma linha ofensiva toma o campo Nos últimos 10-15 anos, temos experimentado um enorme foco nos custos internos. Nos próximos dez anos, veremos uma alteração no foco para o crescimento através das redes conectadas digitalmente, que permitirão aos compradores descobrir, qualificar, conectar e colaborar com fornecedores, pares e parceiros. Analisar as despesas até o último detalhe. Corrigir e automatizar processos. Todo esse intenso foco interno sobre o corte nos custos acabará, devendo ser substituído por um foco externo, onde o objetivo será impulsionar o crescimento e expansão através da inovação e dos relacionamentos de fornecimento exclusivos e integrados. "Muito do que compras fazem hoje tem a ver com o gerenciamento de despesas, mas eu acho, que em dez anos, essas funções estarão muito mais integradas no modo normal de fazer negócios", afirma Larry Welch. "Vimos o setor de compras adotar um papel agressivo na execução de reduções massivas de custos", concorda Tim Cummins, Presidente e Diretor Executivo, International Association for Contract & Commercial Management (IACCM). "E, embora isso tenha sido fundamental para a competitividade do negócio, todos nós sabemos que não é uma oportunidade permanente." "Eu acredito que provavelmente estamos chegando ao fim da tendência de redução de custos que têm estado em alta nos últimos 15 ou 20 anos." No lugar desse enorme foco em redução de custos, o executivo de compras de uma grande empresa de seguros nos EUA acredita que o foco em compras será mais externo e colaborativo. "Nós nos perguntaremos: • Quais são as principais capacidades que os fornecedores têm? • Quais são as principais capacidades que precisamos para fazer bons negócios? • Como nós podemos alinhar e conectar as nossas estratégias de negócios com as estratégias de negócio dos fornecedores? e • Como nós podemos incentivar o melhor desempenho do setor com os fornecedores que nos podem ajudar a executar as nossas estratégias de negócio? "Em curto prazo, isso tem a ver com a definição de como tudo irá funcionar", diz ele. "Daqui a 10 anos, terá a ver com a execução." E embora, devido a lacunas de desempenho, o executivo acredita que atualmente há certa hesitação para firmar relacionamentos fortes com os fornecedores, ele acredita que é mais importante identificar fornecedores com o melhor potencial para um alinhamento em longo prazo do que encontrar desempenho perfeito em todos os aspectos. "Concluindo, você precisa de relacionamentos com fornecimento que estão profundamente ligados aos seus objetivos. Se você puder encontrá-los, você terá poucas dificuldades para trabalhar em conjunto a fim de superar as lacunas de desempenho." Entre na empresa estendida Os OEMs (Fabricantes de Equipamentos Originais) durante muitos anos tem adotado uma política de "comprar mais, fazer menos"; e eles pretendem continuar assim enquanto as empresas de serviços continuarem engajadas na competição pela terceirização. A tendência de expansão para estender empresas promete momentos interessantes para os profissionais de fornecimento em 2020. "Nós somos uma empresa de seguros", diz o Dr. Heinz Schaeffer da AXA "o que fazemos por conta própria hoje tem um custo muito alto, então estamos pensando cada vez mais sobre como terceirizar atividades que não estão entre as nossas competências principais. A importância e a complexidade são as duas dimensões que usaremos para avaliar a terceirização", continua Schaeffer. "Se um processo ou atividade não pode ser facilmente descrito, e isso acontece ocasionalmente, provavelmente o manteremos interno. Mas se uma atividade é repetitiva e podemos descrevê-la — se podemos dar instruções claras sobre ela — então iremos passá-la para o mercado externo." E a terceirização irá acontecer, sugere Schaeffer, esteja o mercado pronto para ela ou não. As compras reinventadas, ele afirma, irão "desempenhar uma função importante para determinar se é possível comprar do mercado ou se precisamos definir algo junto com fornecedores potenciais de modo que possamos comprar em vez de fazer". "À medida que o pessoal orientado para o fornecimento começa a dialogar com as linhas de negócio", afirma Larry Welch, "à medida que eles começarem a realmente conhecer o negócio e se tornar parte dos processos de planejamento estratégico, isso resultará em diferentes decisões sobre o que é feito internamente e o que é feito externamente e como os fornecedores podem ser internalizados para ajudar a inovar o negócio." Jean-Jacques Beaussart do KeyBank acrescenta: "Estamos concentrados em aumentar as variáveis versus os custos fixos, o que significa que devemos trabalhar mais com os nossos parceiros de negócios. Nós precisamos de modelos de negócios diferentes e precisamos integrar os parceiros de negócios na nossa empresa. A inovação virá dos nossos parceiros de negócios. Nós precisamos tirar proveito da inovação para garantir que ela possa criar eficiências de forma contínua." Donald Ferguson da AstraZeneca concorda, "Definitivamente, existe um movimento para externalizar o lado das despesas, para criar flexibilidade na base de custo de modo que possamos investir e deixar de investir mais rapidamente." "Eu sou um grande defensor da terceirização," afirma Tim Cummins, Presidente e Diretor Executivo para a IACCM, "mas eu acredito que o processo terá que se tornar muito mais profundo na próxima década. Precisamos visualizar três níveis de análise e avaliação: • Um: podemos reduzir custos apenas do ponto de vista da arbitragem trabalhista? • Dois, podemos adicionar especialização de forma incremental? (isto não deve ser confundido com a discussão sobre lowcost), e • Três, estamos sendo honestos com relação à cultura e comportamento da nossa empresa? "Por exemplo", diz Cummins, "empresas de estilo autocrático ou diretivo nunca serão particularmente boas no gerenciamento ou na derivação de benefícios dos relacionamentos de terceirização, que precisam ser orientados e avaliados com base nos seus resultados. Para alguns negócios, usar todos os três níveis de avaliação levaria, com razão, à conclusão que eles terceirizam coisas que não deviam ter terceirizado." É complicado À medida em que durante a próxima década as economias emergentes posicionarem empresas bem sucedidas, em rápido crescimento e diferentes culturalmente no mercado global, o processo de seleção de fornecedores se tornará mais arriscado, mais complicado e mais fluído. "Eu acredito que veremos um ambiente de negócios significativamente mais diverso e complicado na próxima década", observa Tim Cummins, Presidente e Diretor Executivo, International Association for Contract & Commercial Management (IACCM). "Nós já estamos começando a ver algumas dessas complexidades à medida que empresas das economias emergentesMéxico, Índia, Filipinas, por exemplo são bem sucedidas na tentativa de se instalar na arena global. "Essas empresas não estão vindo para a economia global com os mesmos modelos de negócios que as empresas ocidentais", observa Cummins. "As suas especializações, por exemplo, são quase sempre sobre como construir marcas em mercados emergentes. De certo modo, elas estão atacando os competidores ocidentais em uma variedade de sentidos." "Muitos dos competidores globais emergentes são, de fato, conglomerados. E, embora o modelo de negócios tenha saído de moda há alguns anos atrás no Ocidente, ele parece estar dando aos novos competidores globais algumas vantagens muito reais, particularmente em áreas como inovação e controle de custos." Para as compras, Cummins sugere, isso irá afetar dramaticamente os relacionamentos comerciais com os fornecedores. "A gama de opções de fornecimento irá se tornar muito maior, e por isso teremos de ser muito mais sofisticados nos nossos processos de descoberta e seleção de fornecedores. Ainda procuraremos por oportunidades para baixar os custos, mas eu acredito que nós iremos nos tornar mais focados na qualidade e na inovação. "Nós também iremos valorizar a versatilidade, agilidade e flexibilidade nos nossos relacionamentos comerciais, dispensando outros modelos de negócio nos quais nós devemos garantir fornecimento ou preços como contrapartida a compromissos nos prazos de compras e volumes de despesas. Por exemplo, a noção de acordos de fornecimento de mercadorias em longo prazo já desapareceu dos mercados de metais globais." Um mercado de fornecimento mais complexo e relacionamentos comerciais menos estáveis irá exigir mais criatividade e um modo de pensar diferente por parte das compras, sugere Cummins. "As áreas de compras terão que pensar novamente como limitar e gerenciar a volatilidade e o risco. Com alguns fornecedores, isso significará que teremos de obter um maior grau de colaboração. E eu penso, que para alguns negócios, a tendência os levará de volta a uma integração mais vertical ou horizontal. Nós já vemos isso acontecendo em áreas como a mineração. "À medida que ficarmos mais sofisticados em nossos processos de seleção de fornecedores", acrescenta Cummins, "nós começaremos a entender melhor a importância de coisas como a compatibilidade cultural entre empresas. Demasiadas decisões de sourcing foram feitas pensando apenas nos custos, sem considerar a importância da compatibilidade cultural. O resultado é que demasiados relacionamentos importantes falharam." É preciso uma rede Em vez das empresas definirem os seus próprios cursos de inovação, uma transição de "compradores e fornecedores" para "redes de fornecimento integradas" irá permitir uma maior coordenação dos planos de inovação entre os negócios e indústrias conectados. "Eu acho", diz Javier Urioste, antigo Diretor Geral de Compras em diversas organizações de não-TI, "que até 2020, ou talvez um pouco depois, o mundo irá evoluir e passar de uma lógica de compradores e fornecedores para uma lógica de redes de fornecimento integradas servindo os mercados." Um dos resultados, de acordo com Urioste, será que a inovação será mais sincronizada nos segmentos industriais, mais ajustada à experiência total do cliente. Assim, por exemplo, as inovações entre os fabricantes de carros elétricos, fabricantes de baterias de carros elétricos e toda a infraestrutura de estações de serviço que prestam suporte aos motoristas de carros elétricos será coordenada e evoluirá simultaneamente com os mesmos objetivos. "Isso dependerá de um relacionamento muito transparente", afirma Urioste. "Nós definiremos juntos onde pretendemos chegar em dez anos. Nós contribuiremos simultaneamente para desenvolver, preparar e lançar no mercado exatamente as mesmas estratégias." Urioste observa que embora algumas empresas já tenham sido bem sucedidas fazendo isso, "isso requer uma completa transformação das empresas de compras. Isso significa estabelecer entidades técnicas altamente capacitadas que possam ser integradas com a engenharia. Isso obriga que as empresas abram a sua contabilidade e as suas patentes aos fornecedores que estão fornecendo para os seus competidores, logo é compreensível que, isso seja algo muito difícil de alcançar." "Eu acho que estamos em um período de transformação", observa Henrik Larsen da Maersk. "Do mesmo modo que a Apple tem milhares de desenvolvedores ao redor do mundo criando aplicativos, eu vejo a nós e aos nossos fornecedores construindo redes abertas onde os relacionamentos são fluídos e a produção passa para um escopo muito mais amplo de fornecedores. Nós estaremos competindo nos mesmos nichos de recursos de fornecimento e clientela" Urioste concorda que, dentro das redes de fornecimento, haverá sempre uma competição por domínio. "Nós teremos de trabalhar muito próximos aos fornecedores dentro da rede, enquanto também tentamos dominar e otimizar os objetivos de negócio das nossas próprias empresas. Mas o domínio na rede tem que ser um domínio que nos coloque em uma posição de nos tornarmos o cliente preferido dos fornecedores. Este é um dilema que temos que resolver nos próximos 10 anos: como evoluir além do confronto ou de dois mundo diferentes para uma entidade única em rede onde nós dominamos mas também somos apreciados pelos demais." Donald Ferguson da AstraZeneca afirma, "Nós estamos muito interessados no tipo de tecnologia em rede que nos permita exprimir nossas ideias para a base de fornecimento global e ver quem responde. Ao mesmo tempo, eu imagino que haverá uma tecnologia que permita aos fornecedores exprimir suas ideias mais facilmente para os clientes potenciais. Em vez dos compradores dizerem "Aqui estão os problemas que estamos tentando resolver", serão os fornecedores a dizer "Aqui estão as soluções que nós temos." Nos próximos 10 anos, eu acredito que criaremos redes nas quais as ideias e propostas serão compartilhadas de modo muito rápido e vasto." Adeus produtos, olá soluções Os fornecedores — na próxima década — continuarão a fazer mais do que já fazem para os seus clientes. Pense nisso como um "fornecimento integrado anabolizado" onde os fornecedores saem da sua zona de conforto para impulsionar o desempenho do cliente. "Eu espero ver muito mais relacionamentos com soluções completas com os fornecedores, seja com um OEM, um parceiro de distribuição terceirizado ou um parceiro de marketing", diz Larry Welch. Por exemplo, um fornecedor de hardware de impressão para escritório transforma-se em — ou é substituído por — um fornecedor de soluções completas de gerenciamento de impressão. O provedor de soluções terá responsabilidade sobre coisas como: • Otimizar a produtividade do escritório no posicionamento e quantidade de impressoras, • Reduzir os custos totais de impressão em uma perspectiva global, custos de manutenção e consumo total de materiais de impressão, custos associados a serviços, suporte, melhoria e substituição de equipamento e assim por diante, e • Desenvolver e implementar práticas recomendadas de impressão na empresa do cliente, por exemplo, impressão em dois lados, impressão em preto e branco versus a cores, impressão no centro de cópias versus individuais e assim por diante. Onde as soluções de fornecimento completas ainda não existem, é esperado que os fornecedores as desenvolvam. E onde as soluções já existem, os participantes do projeto esperam que as empresas clientes se tornem muito mais receptivas para o sourcing das mesmas, na próxima década. "Existe uma necessidade de encontrar soluções criativas em quase todos os trabalhos que nós fazemos", observa a antiga Diretora Executiva da GM, Compras Globais, Barbara Whittaker. "Observe por exemplo os call centers, que tantas empresas utilizam. Encontrar a solução criativa correta para os call centers é algo que pode trazer muito valor para os nossos clientes finais." Contudo, encontrar essas soluções criativas se baseia no desenvolvimento de novos modelos para o relacionamento entre comprador e vendedor e a criação de conexões diretas entre os provedores da solução e os colaboradores internos. "Quando nós permitimos que as pessoas apresentando as soluções falem diretamente com os nossos colaboradores internos—para vender os benefícios da solução diretamente—você começa a ver a resistência interna diminuir", acrescenta Whittaker. Eu espero ver muito mais relacionamentos com soluções completas com os fornecedores, seja com um OEM, um parceiro de distribuição terceirizado ou um parceiro de marketing. As linhas entre compradores e fornecedores se atenuam Os profissionais envolvidos no gerenciamento de despesas procurarão extrair mais valor dos fornecedores em 2020. Mas não será sempre sob a abordagem de melhora de processos. Em vez disso, será sobre tirar proveito dos recursos dos fornecedores e integrar as funções individuais dos fornecedores com das suas empresas. "Essencialmente, nós temos uma quantidade ilimitada de talento e conhecimento nas nossas bases de fornecimento", afirma Roy Anderson, Vice-Presidente dos Serviços de Compras, Metasys Technologies. "Vamos supor que a sua empresa tem um departamento de marketing de 30 pessoas. Cada um dos seus fornecedores também tem um departamento de marketing. Alguns serão maiores e mais sofisticados que o seu; alguns serão menores mas eles podem ter experiência em certas áreas ou métodos com os quais você pode aprender." "Mesmo que cada um deles tenha apenas 3 a 5 pessoas, se você tem 100 fornecedores, isso significa 300 a 500 profissionais de marketing na sua rede de fornecimento que você nem sequer alcança. Se você puder utilizar uma pequena parte, algo como apenas 10% disso, você pode duplicar virtualmente o tamanho dos seus recursos de marketing. Nós iremos passar a próxima década nos focando em como atrair esse talento e conhecimento para prestar suporte às nossas empresas. Nós teremos fornecedores trabalhando dentro das nossas empresas e pode ser difícil diferenciar entre quem é um funcionário da empresa e quem é um funcionário do fornecedor." "É um mundo melhor para os fornecedores em 2020", concorda Larry Welch. "Quando você tem profissionais de fornecimento que estão em parceira direta com o negócio, que representam o negócio para o lado do fornecimento, o conceito de vendas lícitas versus ilícitas desaparece." E integrar os funcionários de fornecimento será muito mais fácil, sugere John Campi, à medida em que as linhas separando os silos funcionais corporativos continuam a desaparecer. "Hoje, você deve pensar sobre como fazer com que a engenharia, as vendas e o marketing concordem. É sempre muito complicado fazer com que estes silos funcionais entrem em consenso. Mas, eu vejo um movimento nas empresas para adquirirem um matiz mais transversal em nível de funcionalidade. Isso começa a abrir o caminho para envolver mais os fornecedores no desenvolvimento estratégico, tanto para a sua empresa como para a deles." A Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka, observa que, "nós já estamos procurando maneiras de integrar funções de pré-processamento na nossa cadeia de fornecimento com as nossas próprias funções internas, por exemplo em marketing. Eu acho que, até 2020, faremos isso com muito mais eficácia. "Atualmente, estamos do lado emergente de promoção da colaboração com múltiplos fornecedores em um projeto de desenvolvimento, em alguns casos com fornecedores concorrentes, as coisas ficam interessantes quando você tem que dividir entre quem recebe qual parte do portfólio e, em seguida, juntá-los em uma sala para começar a inovar para o futuro." A inovação vem de fora 2020 verá uma grande ênfase em impulsionar e obter inovação a partir da base de fornecimento. Contudo, o papel do fornecimento será menos "pessoa-que-traz-ainovação" e mais "pessoa-que-reúne-comunidades-de-inovação-e-sai-de-cena". "Nós já temos um objetivo de que aproximadamente 40% daquilo que criamos deve vir de empresas externas. Esse objetivo só vai crescer à medida que nos aproximamos de 2020", diz Donald Ferguson, Chefe de Excelência Operacional de Compras na AstraZeneca. "Ter a capacidade de analisar toda a população global de fornecedores, universidades e instituições de pesquisa nos ajudará a identificar não apenas a próxima geração de medicamentos, mas também o melhor modo de levá-los para as pessoas em todo o mundo." Roy Anderson também sugere que os gerentes de fornecimento terão que fazer mais do que simplesmente procurar por inovação da base de fornecimento. "O nosso trabalho será direcionar a inovação para onde ela for necessária na base de fornecimento", diz ele. Uma função importante para os profissionais de gerenciamento de suprimentos será segmentar e formalizar os relacionamentos de inovação de maneira que protejam a propriedade intelectual, gerenciem os riscos e garantam que a vantagem competitiva flua das inovações do cliente/fornecedor permanecendo sempre com as partes que as criaram. Como Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka, descreve, "A nossa cadeia de fornecimento abrange muitos fabricantes de bens de consumo embalados (CPG) e produtos acabados. Nós confiamos muito nas suas opiniões sobre as tendências de consumo e na sua inovação para desenvolver novos produtos e ofertas para os clientes. Mas, em um mundo onde estamos derrubando barreiras, nós precisamos ser muito bons ao identificarmos onde as coisas são proprietárias. O desafio dos gerentes de fornecimento é obter uma melhor segmentação e realmente formalizar esses relacionamentos para garantir que eles criam e sustentam a vantagem competitiva para a nossa empresa, para os nossos fornecedores e para os nossos diversificados e exclusivos clientes." "Se você está trabalhando para encontrar um novo produto ou co-desenvolver com um fornecedor", acrescenta Debbie ManosMcHenry do Huntington National Bank, "você tem uma série de funções como profissional de sourcing: • Você tem que garantir que todas as proteções de propriedade intelectual (IP) adequadas estão em vigor, • Você precisa estar a par de todos os potenciais fornecedores, o que eles têm para oferecer e como eles podem ajudar a sua equipe a pensar de maneira inovadora sobre o desenvolvimento de novos produtos, e • Você deve ser capaz de pesar os riscos e as recompensas de trabalhar com um fornecedor consolidado—que pode trazer menos riscos— versus um iniciante, que pode ser mais arriscado mas lhe oferece uma oportunidade de ultrapassar a sua competição." O Presidente e Diretor Executivo da SIG, Dawn Evans, sugere que as compras também não devem ter medo de vender a inovação internamente e influenciar a mudança. "Mesmo quando dizemos aos fornecedores "Mostre-nos as suas melhores ideias", muitas vezes nós dizemos não para algumas propostas porque elas implicariam alterações nas nossas próprias empresas. Os fornecedores têm muito boas ideias que nós recusamos logo à partida; nós não capitalizamos toda a pesquisa e desenvolvimento deles, nem tudo que eles observam nas suas empresas." Cedo é a nova moda O senso de oportunidade da colaboração entre cliente e fornecedor também irá mudar até 2020. Onde, hoje, os fornecedores são solicitados a contribuir com ideias para design ou para ajudar a melhorar processos existentes, daqui a dez anos eles estarão atuando de forma mais consistente desde o início. "Os relacionamentos entre clientes e fornecedores vão ficar muito, muito integrados e diretos", diz a Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka. "Por exemplo, quando a Sodexo determinou que a nossa estratégia de evolução era nos diversificar além do gerenciamento de restauração para instalações e soluções de serviço abrangentes, eu convoquei um grupo para analisar globalmente o que significaria em termos de novas cadeias de fornecimento para suportar essa evolução." "A estratégia é baseada na crença de que nós desenvolvemos tal intimidade com a nossa base de clientes, nós conhecemos tão bem os problemas que eles têm que resolver que podemos oferecer soluções para resolver esses problemas, em vez de simplesmente oferecer serviços." "No caso dos hospitais, por exemplo, um dos principais desafios é a escassez cada vez maior de enfermeiros. Então, pensamos "Que programas temos em curso para melhorar o ambiente dos enfermeiros de modo que os hospitais se tornem um empregador de escolha?" "Nós começamos a pensar sobre que serviços poderiam ser adicionados à solução. Alguns desses poderiam ser adquiridos ou terceirizados. Nesse caso, o fornecimento tem um papel importante em termos de identificar e desenvolver os parceiros ou compras que podem fornecer os serviços a nível regional ou nacional." John Campi acrescenta, "Nós nos comprometeremos a trabalhar com os fornecedores mais importantes logo no princípio do nosso ciclo de desenvolvimento do produto”. No futuro, as equipes de engenharia dos fornecedores irão sentar com as nossas equipes de engenharia e a equipe do fornecedor terá uma oportunidade de dizer "Aqui temos uma ótima maneira de realizar a submontagem para o seu produto. Agora como poderemos gerenciar isso dentro da forma como vocês querem construir o seu novo produto?" O que eu estou sugerindo não é novidade. Já foi feito com sucesso, mas não por muitos." Nós nos comprometeremos a trabalhar com os fornecedores mais importantes logo no princípio do nosso ciclo de desenvolvimento do produto. Os fornecedores ganham poder Uma consequência de mais terceirizações, maior integração e maior dependência dos fornecedores será que eles tirarão um proveito substancialmente maior dos relacionamentos entre comprador e fornecedor até 2020. Em vez de eles venderem para você, poderá ser você vendendo para eles. A ideia de trabalhar para se tornar o cliente favorito de um fornecedor já existe há bastante tempo e tende a se perder e voltar à medida que a influência do preço de mercado varia entre compradores e fornecedores. qualquer vantagem competitiva; nós não estaríamos na frente se fossemos um de três." O desafio, então, diz Oka será "levar os nossos relacionamentos com o fornecedor em áreas importantes ao ponto de nos tornarmos o cliente mais desejado no mercado." Porém, os participantes do Projeto Visão 2020 acreditam que os executivos de compras terão de transformar um pouco o conceito na próxima década à medida que a vantagem para os fornecedores se torna mais estrutural do que cíclica. Além de estarem focados em conseguir o desempenho mais competitivo dos fornecedores, é esperado que eles promovam as suas empresas ativamente como melhor escolha de parceiro exclusivo de negócios em longo prazo e mais fornecedores inovadores no mercado. "Muito poucas empresas tem o luxo de poder ser apenas clientes exigentes", concorda Henrik Larsen, Vice-Presidente de Compras da Maersk. "Se não formos o número um ou os mais atrativos, então é preciso ser capaz de mostrar que você é um cliente disposto, capaz e atrativo caso esteja esperando persuadir os fornecedores mais inovadores a trabalharem com você para desenvolver os seus negócios através da sua empresa." "No final das contas", diz a Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka, "serão os fornecedores a estar em uma posição de poder na hora de escolher com quem vão fazer parcerias para o tipo de inovação colaborativa das quais estamos a falar. Se é para haver uma vantagem competitiva, eles não podem unir forças com todos. Mesmo se eles fossem fazer uma parceria com dois ou três clientes em um setor, não haveria Donald Ferguson da AstraZeneca vê dois nichos distintos de atividade. O primeiro será o nicho do tipo mercadorias e vantagens, onde o poder continuará a emanar e fluir dependendo da economia do mercado de fornecimento. "Na área das mercadorias, a contratação terá sempre a ver com a simplificação, a padronização e o desempenho. Há uma brutalidade para esse tipo de compra porque não é realmente o que nos interessa enquanto empresa. A contratação terá sempre a ver com o desempenho." O segundo nicho, de acordo com Ferguson, irá incluir todas as categorias estratégicas importantes. "O nosso objetivo será acessar o maior número possível de informações e identificar as poucas ideias realmente boas entre milhões delas. No modelo atual, você paga para acessar uma biblioteca completa de informações. Mas, nós não queremos pagar por milhões de informações. Porém, pagaremos muito bem, por cinco ou mais ideias que realmente valham a pena para nós. O objetivo de isolar essas ideias realmente boas irá nos guiar para o compartilhamento de benefícios. Logo, em alguns anos, você pode não receber nada como pagamento, mas em outros casos você poderá receber uma grande quantia." As empresas compartilham riscos e recompensas À medida que os novos profissionais de gerenciamento de despesas melhoram ao segmentar, definir e avaliar o valor, eles começarão a incorporar o compartilhamento de benefícios e riscos nos relacionamentos comerciais com os fornecedores. "Temos assistido a um enorme desgaste da confiança", observa Tim Cummins da IACCM, "à medida que as compras têm impulsionado fortemente a alocação de mais risco para os fornecedores. Temos visto nos nossos dados que muitos na área de compras acreditam que eles estão se tornando mais colaborativos, enquanto os fornecedores afirmam exatamente o contrário. Temos de criar novos instrumentos para criar confiança, pelo menos nos relacionamentos onde a inovação e a criatividade importam. Isto retoma o problema de ser capaz de olhar para a base de fornecimento e reconhecer as origens de valor real." "Em um mundo que se move mais rápido do que nunca—onde a volatilidade é um fato real—não há um contrato ótimo", diz Henrik Larsen da Maersk. "E, embora nós não possamos reescrever contratos todos os dias, nós podemos criar contratos que compartilhem as boas e as más situações que venham a acontecer. Chegaremos a esses tipos de contratos mudando o nosso modo de pensar, sendo mais abertos com os fornecedores." "Nós compartilhamos benefícios e malefícios com alguns fornecedores importantes atualmente", diz a Diretora Geral de Compras da Sodexo, Ann Oka. Nós temos relacionamentos transparentes, do tipo "Se eu ganhar, você ganha" e definimos o modo como iremos compartilhar os benefícios e os malefícios. Se o nosso comportamento começar a criar custos na cadeia de fornecimento, nós compartilhamos o impacto negativo desse comportamento." Mesmo assim, no futuro", acrescenta Oka, "precisamos articular melhor o valor que compartilhamos através da colaboração com os fornecedores. É muito difícil—e eu acredito que sempre será—segmentar e identificar o quanto do nosso sucesso é derivado do nosso próprio brilhantismo e quanto é derivado da entrada de um fornecedor no processo. Será um dos nossos principais desafios à medida que evoluímos." "Nós fizemos uma pesquisa", acrescenta o Dr. Heinz Schaeffer, Diretor Geral de Compras da AXA, "para encontrar parceiros de negócios que pudessem trabalhar de acordo com os nossos conceitos. Chegamos à conclusão que esses parceiros de negócios ainda não existem. As empresas seguindo modelos de terceirização típicos querem cobrar por horas ou transações. Mas isso não é o que temos em mente. Estamos procurando por parceiros reais com os quais nós possamos fazer negócios em conjunto. Por isso temos de definir um novo modo de interagir com os nossos parceiros externos e novos tipos de relacionamento contratuais para suportar essa interação. O novo modelo de negócio será algo que evolui com o passar do tempo em vez de algo estável. Ele se desenvolverá de acordo com o nível de maturidade no relacionamento." "O preço deve ser a última coisa com a qual nos preocupamos", sugere Roy Anderson. "Queremos resultados. Queremos valor geral. Então, veremos a tendência dos contratos a passar do preço à justiça e ao valor. Ainda existe a necessidade de haver uma unidade de medida, mas não é preciso que seja monetária. Pode ser o esforço. Pode ser outra coisa. Nós diremos aos fornecedores: ‘Mostrem-nos que vocês nos deram mais valor que outra pessoa e então expliquem o valor para que tenhamos transparência, para que possamos trabalhar juntos para materializá-lo em uma estrutura de remuneração." Os contratos motivam Além dos riscos e recompensas nos contratos, alguns participantes do projeto sugerem que serão aceitos maiores riscos nos relacionamentos comerciais com os fornecedores, deixando de lado todos os tipos clássicos de proteções legais que possam desmotivar os fornecedores. "Os fornecedores criam e vendem as suas soluções", observa Roy Anderson, VicePresidente dos Serviços de Compras, Metasys Technologies, "mas existem milhares de fornecedores por aí com as soluções erradas. Elas podem ser boas-ou mesmo ótimas—soluções, mas elas não são as soluções corretas para você. Igualmente, nós todos já vimos situações onde os fornecedores vendem com os seus melhores e mais brilhantes funcionários. Eles fazem a venda e então os melhores e mais brilhantes desaparecem. Você fica com a segunda equipe apoiando o relacionamento e você nem sempre obtém o valor ou os resultados que você antecipou porque a melhor e mais brilhante equipe deles está em campo ganhando grandes comissões na próxima venda, em vez de manter o antigo negócio." "Temos de mudar isso por completo na próxima década. Nós entendemos o escopo completo de como motivar os fornecedores. Assim que conseguirmos perceber a motivação, será um mundo diferente. Os nossos contratos em 2020 serão baseados em um melhor entendimento do que motiva as empresas para sempre oferecer as soluções que são melhores para nós, para investir na criação das melhores soluções para nós e para nos proporcionar o melhor suporte—a melhor e mais brilhante equipe deles—em longo prazo." Os desmotivadores clássicos—como cláusulas de rescisão de 30 dias—precisam desaparecer, defende Anderson. "Como você pode pedir a um fornecedor para investir em pessoas, talento e pensamento inovador, para investir dinheiro no desenvolvimento do relacionamento de vocês quando você pode deixar o relacionamento em 30 dias caso queira? Com todos os fornecedores importantes com os quais trabalhamos, temos que nos certificar que somos inseridos no sucesso deles e eles no nosso. Temos que estar dispostos a comprovar isso, se eles vão investir milhões de dólares ou milhares de horas e mostrar as suas principais habilidades para nós, esse será um cenário vantajoso para todos. Nós iremos nos certificar de que eles sobrevivam e obtenham um lucro justo pelo trabalho e as valiosas contribuições que eles fazem." Javier Urioste concorda: "Eu vejo mudanças significativas em como nos relacionamos com os fornecedores, mas os contratos precisam ser equilibrados sem cláusulas de rescisão "causais". Aqueles que já o fizeram tem uma enorme vantagem sobre a sua competição para alcançar clientes finais primeiro com inovações e garantindo o fornecimento quando há escassez ou outros problemas." Em uma escala global, observa Tim Cummins da IACCM, os contratos são um fenômeno relativamente recente. "Se compararmos o número de contratos que a maioria das empresas tinha há 20 anos comparativamente a hoje, veremos um dramático aumento, logo eu acho que nós estamos no começo de uma evolução do papel do contrato. Nós começaremos a ver empresas descobrindo modos de usar um contrato menos como uma maneira de transferir riscos e mais como uma maneira de garantir um entendimento mútuo e um alinhamento genuíno. Os nossos contratos nos permitirão saber se estamos no caminho certo e gerenciando as mudanças de modo eficaz. Os contratos mostraram que nós percebemos e aceitamos as diferenças entre questões de competência e honestidade ou ética." As empresas percebem os riscos de fornecimento Tendências convergentes farão com que os relacionamentos de fornecimento sejam ainda mais arriscados em 2020 do que são hoje. Os participantes do projeto esperam ver um grande aumento da conscientização das empresas sobre os riscos de fornecimento e também uma expansão das suas percepções sobre onde esses riscos se escondem. Vamos ver uma enorme conscientização sobre os riscos de fornecimento na próxima década", diz o antigo Diretor Geral de Compras da DuPont, Chrysler e The Home Depot, John Campi. "Atualmente, quando as empresas de gerenciamento de suprimentos são desafiadas sobre os riscos nas suas cadeias de fornecimento, elas geralmente olham para a estabilidade financeira dos fornecedores, o que é apenas um elemento e não muito significativo se comparado com a continuidade de fornecimento. "Além disso, algumas empresas tratam todos os fornecedores do mesmo modo, o que é inaceitável do ponto de vista do risco. Alguns fornecedores são verdadeiramente importantes para a continuidade do negócio, enquanto a maioria dos outros não. Estes fornecedores importantes têm de ser tratados de uma maneira muito diferente." O Dr. Heinz Schaeffer da AXA concorda que haverá uma enorme expansão nos tipos de riscos com que as empresas lidam nas suas cadeias de fornecimento, considerando, por exemplo, coisas como a sustentabilidade, a responsabilidade social, as práticas de segurança física e de informação dos fornecedores, entre outros. Um desafio em particular, de acordo com Schaeffer, será o gerenciamento de suprimentos migrar de uma abordagem de gerenciamento de risco genérica para uma mais dedicada e personalizada, dependendo da categoria de despesa, região do mundo e assim por diante. Entretanto, o Diretor Geral de Compras do KeyBank, Jean-Jacques Beaussart sugere que, "A complexidade será um risco que a maioria das empresas estará lidando em 2020. Elas terão que ser ágeis e estarão tentando migrar de processos muito complexos e inconsistentes para processos que sejam mais simples e mais facilmente controlados. "Eu acredito que em dez anos, ou talvez antes disso, nós teremos simplificado os nossos processos para gerenciar os relacionamentos de fornecimento e que a simplicidade nos permitirá ter indicadores principais de desempenho ou métricas para medir o nosso sucesso de maneiras muito mais eficazes." As informações de riscos melhoram Junto com a conscientização geral sobre os riscos relacionados com o fornecimento, virá um maior acordo sobre como medir o risco, informações de terceiros disponíveis mais rapidamente, de modo mais padronizado e comunidades em rede onde as pessoas obtêm dados para avaliar os riscos operacionais. "Nós esperamos estar promovendo portais de dados da indústria e de fornecedores para detectar falhas de contrôle mais cedo", diz Debbie Manos-McHenry, Diretora Geral de Sourcing do Huntington National Bank. "Nós iremos acessar dados de risco operacionais obtidos através de portais da indústria e veremos mais avaliações compartilhadas e padronizadas entre compradores e fornecedores, com um compartilhamento do tipo um-para-muitos pelos membros através da comunidade. "O gerenciamento de suprimentos terá responsabilidades no gerenciamento de risco de terceiros, governança e controle centralizado sobre o risco de terceiros, fornecendo os segmentos de negócio com as ferramentas para avaliar e monitorar os riscos em conjunto com previsões e relatórios sobre todo o portfólio de fornecedores para identificar concentrações indevidas de risco em um segmento, processo ou fornecimento da indústria." Com ferramentas e bens de informação tão rigorosos ao nosso alcance, ManosMcHenry também espera ver as práticas de gerenciamento de risco se tornarem mais integradas nas rotinas de sourcing e contratação. "Nós iremos avaliar e classificar o risco do fornecedor mais cedo através do nosso devido processo de diligência, permitindo que os líderes do segmento possam tomar decisões informadas." "Os nossos processos de pedido de proposta (RFP) irão identificar fontes alternativas de fornecimento e nós iremos ver uma linguagem de contrato mais rigorosa, requerendo que segurança, recuperação de desastre e programas de gerenciamento de risco de terceiros mais fortes sejam disponibilizados pelos fornecedores." Roy Anderson, Vice-Presidente dos Serviços de Compras, Metasys Technologies, acredita que as informações relacionadas aos riscos de compras, agregação e gerenciamento irão passar totalmente para terceiros e comunidades em rede na próxima década. "Vemos muito trabalho sendo feito hoje do lado do risco, mas nós nunca seremos especialistas em risco, então é um desperdício de tempo criar os nossos próprios perfis de risco de fornecedor." Em dez anos, acredita Anderson, os fornecedores serão avaliados independentemente e coletivamente em uma variedade de fatores: desempenho operacional, ético e financeiro, criando classificações de desempenho abrangentes e fornecendo mais transparência sobre as dinâmicas do mercado, potenciais interrupções de fornecimento e capacidades do fornecedor. Os lucros substituem as economias de custo A ênfase atual sobre as economias (reduções) de custo abrirão caminho para uma ênfase mais ampla e equilibrada sobre a rentabilidade, deixando em aberto a questão de saber se o gerenciamento de suprimentos se concentra nas economias de custo ou no crescimento do lucro para chegar lá. Existem dois pontos gerais de consenso sobre o gerenciamento do desempenho de fornecimento e gerenciamento de despesas em 2020: • Dinheiro — seja ele proveniente de economias, lucros ou rendimentos será sempre uma parte do desempenho, e • As métricas irão direcionar o foco dos esforços dos profissionais de gerenciamento de despesas e fornecimento sobre as receitas e as despesas. Henrik Larsen, Vice-Presidente de Compras da Maersk vê isso do seguinte modo: "Ainda haverá alguma métrica geral em uso em 2020, mas será menos focada nas economias. Eu penso que haverá métricas sobre coisas como cobertura de despesas—como um indicador do correto foco da empresa sobre as coisas certas—mas também sobre coisas como inovação, colaboração, satisfação dos colaboradores internos e externos e vantagem competitiva, o que inclui o alcance a novos mercados e lançamento de novos produtos”. "Alguém sempre será responsável por controlar os custos", concorda Larry Welch. "Mas, eu tenho esperanças que vejamos uma mudança sendo o gerenciamento de suprimentos mais responsável por custos, uma vez que eles estão mais relacionados às vendas ou lucros. Eu acredito que será mais comum vermos o gerenciamento de suprimentos sendo responsável por fornecer valor e não apenas baixar os custos para o negócio." "Os objetivos do gerenciamento de suprimentos no futuro", acrescenta Roy Anderson, "serão muito mais parecidos com os objetivos que você vê em marketing— onde eles são responsáveis pelo crescimento do mercado—ou os objetivos que você vê nas operações, onde eles são orientados para a rentabilidade. Eu espero ver os objetivos das compras começando a seguir esses tipos de soluções, onde não tem a ver somente com as economias de custo, mas em vez disso, sobre como o gerenciamento de suprimentos auxilia o marketing a influenciar a aceitação do cliente ou ajuda as operações a orientar a rentabilidade." Em 2020, concorda Dawn Evans da SIG, a maioria das empresas de compras estará trabalhando no aumento das receitas e na inovação de produtos assim como no impacto nas despesas e no custo total de propriedade. "Todos os Diretores de Compras que pensam no futuro com os quais eu já trabalhei estão falando sobre as receitas e despesas e isso é muito diferente do que nós vimos no passado." Tim Cummins, Presidente e Diretor Executivo, IACCM, sugere que será responsabilidade das compras conduzir a alteração desejada na abordagem do gerenciamento de desempenho. "Não podemos nos deixar levar por uma cultura de vitimização. Temos de ser responsáveis por alterar as circunstâncias sob as quais nós operamos e existem certos passos que as compras podem dar para demonstrar porque a estreiteza das medições de hoje inibe oportunidades de criar valor comercial através de relacionamentos de confiança e colaboração com os fornecedores. Existe um crescente corpo de evidências para documentar isso e eu acredito que é urgente que encontremos maneiras de documentá-lo e comprová-lo." Junte-se à conversa! Nós pedimos a todos os leitores desse relatório que se juntem ao debate e participem da discussão com novas ideias, juntando-se à conversa em: http://exchange.ariba.com/community/solutions/procurement