Seminário do Curso de Mestrado em Agroecossistemas Agosto de 1998 PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DO LEITE NO OESTE CATARINENSE: DIVERSIFICAÇÃO OU ESPECIALIZAÇÃO? Márcio Antonio de Mello1 1 - INTRODUÇÃO Trabalhos de pesquisa recentes, como o de TESTA et al. (1996) e o de ABRAMOVAY et al. (1997), apontam uma tendência à desertificação social e a um acelerado aumento no êxodo rural na região Oeste Catarinense. Esse êxodo ocorre de forma mais acentuada na faixa mais jovem da população e como agravante apresenta um viés de gênero, sendo as mulheres as primeiras a deixar o meio rural. Dentre os vários fatores responsáveis pelo esvaziamento do meio rural do Oeste Catarinense, TESTA et al. (1996), consideram a concentração na produção de suínos, Além disso, também faltam oportunidades que despertem nos jovens, principalmente nas mulheres, o interesse de desenvolver na região seus projetos de vida. Com a concentração na suinocultura, a produção de leite desponta como uma alternativa produtiva para aquelas propriedades agrícolas que deixam de produzir suínos. Entretanto, a maioria das análises apontam que a produção de leite no Oeste Catarinense não apresenta competitividade, para obtê-la sugerem que a atividade deverá seguir inexoravelmente a mesma trajetória tecnológica da suinocultura. Ou seja, deve seguir os caminhos da especialização e da concentração. Essas análises reproduzem as mesmas recomendações de outras regiões sem considerar as importantes diferenças apresentadas pela agricultura familiar que produz leite no Oeste Catarinense. Também são influenciadas pelas noções de “modernização da agricultura”, que já demonstraram ineficientes para dar conta a um desenvolvimento mais equânime. Finalmente, esses prognósticos não consideram as novas tendências que se configuram para a agricultura, o espaço rural e o sistema agroalimentar. Algumas experiência em cursos dão mostras que existem caminhos diferentes, para a produção transformação e comercialização de leite no Oeste Catarinense, que não são considerados por aquelas análises. Caminhos esses, capazes de promover um desenvolvimento harmônico, social e economicamente, e mais parcimonioso com os recursos ambientais. Muitos desses caminhos ainda estão para serem feitos, dependem de políticas capazes de neutralizar o que MARQUES & PORTELA (1993) chamam de “hostilidade social envolvente”. Sua exeqüibilidade permite-nos contestar a noção de homogeneização presente naquelas análises, cujo prognóstico é a inelutável concentração e especialização na produção e transformação do leite no Oeste Catarinense. Nesse trabalho analisaremos em primeiro lugar os motivos que levaram a atual crise socioeconômica e ambiental da região Oeste Catarinense. O surgimento da produção e transformação de leite como uma alternativa à crise. Também verificaremos a consistência das análises que concluem que a produção e transformação de leite na região segue trajetória tecnológica semelhante a da suinocultura. Finalmente apresentaremos alguns fatos que indicam que há possibilidade de haver caminhos que incluam as pessoas 1 Engenheiro Agrônomo – Mestrando em Agroecossistemas – Centro de Pesquisa para Pequenas Propriedades. CPPP/EPAGRI. Chapecó – SC, Fone: (049) 723-4877. E-mail: [email protected] 2 no processo e não ao contrario, e que isso dependerá da configuração de arranjos institucionais comprometidos com o desenvolvimento harmônico da região. 2- A CRISE SOCIOECONÔMICA E AMBIENTAL NO OESTE CATARINENSE Até meados dos anos 80 a produção de suínos estava presente na maioria das propriedades agrícolas da região, nas quais havia uma média de 3 a 5 matrizes. A partir dessa época, as agroindústrias buscam aumento na escala de produção por propriedade. No final dos anos 80 e início dos anos 90, elas esforçam-se para substituir o sistema de produção de suínos de “ciclo completo2” , por um mais especializado, denominado de “parceria”, que separa em distintas propriedades, as fases de criação de leitão e de engorda. Isto abre caminho para a especialização e maior concentração na produção. Para concretizar esse objetivo, as agroindústrias direcionam recursos públicos, que originalmente destinavam-se a construção de esterqueiras, para financiar aos agricultores as construções necessárias. Isso provoca uma crise socioeconômica e ambiental no Oeste Catarinense, que tem como fator preponderante, como salientam TESTA et al. (1996), a expressiva concentração da suinocultura e a insuficiente geração de oportunidades de trabalho para a mão-de-obra, o que ocasiona reflexos diretos no êxodo rural e regional. Eles destacam que em 1980 existia na região 67 mil suinocultores para os quais a atividade tinha significativa parcela de renda. Estimam para 1995, a existência de apenas 20 mil suinocultores, tendendo a concentração ainda maior. Mantida as atuais tendências tecnológicas, de mercado e de uso dos recursos naturais, de sistemas de produção agrícola e de políticas de desenvolvimento, indicam os autores, que em um espaço de tempo inferior a dez anos, poderá ocorrer a exclusão de 250 mil pessoas da produção agrícola comerciais, entre as quais, 80 mil economicamente ativas. A concentração e a especialização da suinocultura, na agricultura familiar do Oeste Catarinense transforma o modelo técnico3. Essa desarticulação da estrutura de produção familiar diversificada, causa conseqüências negativas como: a) êxodo rural; b) subutilização de investimentos rurais (escolas, serviços de saúde, eletricidade); c) surgimento de bolsões de pobreza nas áreas urbanas; d) esvaziamento da região (WILKINSON, 1996c). 2 Trata-se da produção de suínos, em todas as suas fases, em uma única propriedade. Isto é, desde a cobertura da porca, à gestação, à amamentação e à engorda, quando atingem em torno de 90 kg e são levados para o abate. 3 3 Utilizaremos o conceito de modelo técnico definido por BYÉ (1995), “como um conjunto de conhecimentos e de “artefatos” ligados por uma relação de coerência que permite a sua reprodução e os seu aperfeiçoamento. Tal noção, inclui além dos “artefatos” - que também podem ser chamados de “objetos técnicos” - o conjunto de conhecimentos envolvidos na produção. Ou seja, deixa-se de considerar simplesmente a combinação de insumos e máquinas (os artefatos) e as práticas em si que resultam de seu uso( capina, aração, gradagem, poda, pulverização...) e passa-se a considerar os conhecimentos que são exigidos/produzidos”. Assim, “modelo técnico” considera muito mais de perto as complexas relações que se estabelecem ao longo do tempo entre dinâmica técnica e dinâmica social. Ou seja, considera-se que não se pode extrair um objeto técnico de sua dimensão temporal. Colocar o objeto técnico no tempo permite introduzir a dimensão histórica. A análise da mudança técnica tem tradicionalmente privilegiado a seqüência de aparição dos objetos técnicos. 3 3- PRODUÇÃO DE LEITE COMO ALTERNATIVA À CRISE Com o incremento no processo de concentração e especialização da suinocultura no Oeste Catarinense, a atividade leiteira transforma-se na principal alternativa de renda à maioria das propriedades agrícolas. A produção de leite, que até os anos 80 caracterizouse como atividade de subsistência, transforma-se em um produto comercial, principalmente a partir do final dos anos 80, início dos 90. Na tabela 1, verifica-se o significativo aumento na produção total de leite na região do Oeste Catarinense, quando comparado com outras regiões do estado, e, principalmente, o incremento da parte desta produção que é absorvida pela indústria. Tabela 1 - EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO TOTAL DE LEITE E PRODUÇÃO ABSORVIDA PELA INDÚSTRIA POR REGIÃO DE SANTA CATARINA Anos 1975 1980 1985 1990 1992 Produção do Litoral Absorvida pela Total Indústria Milhões Milhões em de litros De litros % 203,9 64,2 31,4 254,5 56,9 22,3 260,0 61,3 23,5 305,9 73,4 24,0 319,0 72,0 22,6 Produção do Planalto Absorvida pela Total Indústria Milhões Milhões em de litros Litros % 48,1 7,0 14,6 68,2 10,6 15,5 74,6 10,9 14,6 88,9 22,9 25,7 94,9 27,7 29,2 Produção do Oeste Absorvida pela Total Indústria Milhões Milhões Em de litros de litros % 157,7 6,7 4,2 211,3 16,1 7,6 269,0 59,5 22,1 289,5 133,0 45,9 311,0 179,7 57,8 Fonte: OLIVEIRA, (1994). A produção comercial de leite adapta muito bem as condições da agricultura familiar da região e rapidamente torna-se uma atividade importante. As características da atividade permitem a utilização alternativa das áreas mais declivosas e pouco apropriadas ao cultivo de culturas anuais. Isso contribui para transformar o modelo técnico mais rentável e mais sustentável, sob o ponto de vista da utilização dos recursos naturais. Essa transformação , em tão curto espaço de tempo, pode ser resumido em três fatores principais. Em primeiro lugar, ao desejo dos agricultores em transformar em comercial uma atividade voltada a subsistência. Isso se deve a busca de alternativas econômica à suinocultura. Um segundo fator é a eficiência produtiva da atividade, que deve-se a adequação da atividade aos sistema de policultivo utilizados pelos agricultores. Isso contribui para uma melhor utilização dos fatores produtivos, especialmente a terra e a mão-de-obra. Na verdade, a produção de leite na região, até um determinado limite de escala, teria a função de utilizar os fatores produtivos ociosos ou utilizá-los de melhor forma. Por exemplo, a atividade leiteira pode utilizar a mão-de-obra nos chamados “tempos mortos” e a utilização das glebas de terra inadequadas para o cultivo de lavouras anuais. Isso permite que a produção de leite da maioria das propriedades do Oeste Catarinense tenham custos de produção ao mesmos níveis de regiões como Nova Zelândia, Uruguai e Argentina4. Um terceiro fator foi a entrada, a partir de 1987, das cooperativas locais na comercialização do leite. Isso criou a oportunidade de comercialização do leite na região, para praticamente todos os agricultores interessados, 4 Um acompanhamento técnico e econômico em 44 propriedades agrícolas representativas de 6 dos principais sistema de produção diversificado do Oeste Catarinense nas safras 92/93, 93/94/94/95, MELLO & FERRARI (1995), verificaram que os custos reais de produção de leite nesses sistemas variaram de US$0,09 a 0,13. 4 4- AS ANÁLISES DOMINANTES SOBRE A PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DO LEITE A partir do início dos anos 90, com a abertura de mercado, principalmente com o advento do MERCOSUL, a maioria das análises no Brasil (KONZEN, 1993; FARINA, 1995; FERNANDEZ, 1995; JANK, 1995, PEREIRA & LIMA,1995; BORTOLOTO, 1996; BRUN, JANK & LOPES, 1997; FILIPPSEN, 1997; GOMES, 1997) e em Santa Catarina (INSTITUTO CEPA, 1990, CONCEIÇÃO, 1990; COLLI, 1992; CONCEIÇÃO, 1993) apontam para a necessidade de especialização e aumento de escala na produção de leite. A hipótese dominante é que o leite produzido no Brasil, em especial no Sul, é um “produto sensível”. Segundo essas análises, para fazer frente à concorrência da produção Argentina e Uruguaia, necessita-se aumentar a escala e a produtividade. Estas mensagens acabam criando uma “quase unanimidade” entre os técnicos. A de que a produção de leite no Oeste de Santa Catarina, para fazer frente as ameaças da abertura dos mercados, necessita aumentar a escala e a produtividade física da produção via adoção de novas tecnologias. Essa postura se reflete nas pressões por políticas e em ações no trabalho de extensão rural e assistência técnica. Nesta perspectiva, o aumento de escala e produtividade passa, necessariamente, pelo aumento de matrizes nas propriedades e que essas devem ser de raça especializadas na produção de leite. Essa discussão causa um certo pânico aos agricultores. Inclusive, porque a trajetória tecnologia da suinocultura é utilizada como exemplo. Por isso, buscam de todas as maneiras se adequar a esse novo cenário que lhes é apresentado. Em ato contínuo a essas análises iniciais, novos estudos são implementados, utilizando principalmente a metodologia de análises das cadeias produtivas. A noção de cadeia agroalimentar implica em uma abordagem integrada dos processos que ocorrem desde a produção, passando pela transformação, comercialização e até chegar ao consumidor (ESCOSTEGUY, 1993a :9) Apesar desses méritos, esse estudo apresenta limitações, especialmente quando se refere à produção de leite em propriedades agrícolas com sistemas diversificados, o que é dominante no Oeste Catarinense. 5- Módulo de produção A produção de leite no Oeste Catarinense estava presente em praticamente todas as propriedades desde o início da colonização. Posteriormente, para um grande número de agricultores a produção de leite torna-se uma importante alternativa de renda (ver tabela 2). Grande parcela dos ex-suinocultores, vislumbram na produção de leite uma reinserção ao mercado. Assim, grande parte da população rural do Oeste Catarinense, especialmente os jovens, alimentavam as expectativas da atividade leiteira gerar oportunidades de ocupações produtivas para a mão-de-obra. Essas oportunidades de trabalho poderiam se eqüivaler, a priori, às que a suinocultura proporcionava e com vantagens decorrentes das especificidade da atividade. Dentre essas especificidade pode-se citar que em relação a suinocultura, em todas as etapas da cadeia produtiva do leite o trabalho é menos insalubre e mais atrativo às mulheres. Além do que, no sistema de produção até então utilizado, a atividade usa os recursos naturais de forma mais parcimoniosa e apresenta um potencial econômico para maior distribuição de renda, descentralização, desconcentração espacial e interiorização. Todavia, este potencial está ameaçado, pelo menos em grande parte, pois a produção e transformação do leite no Oeste Catarinense vive um momento decisivo, que envolve a definição de modelo técnico. Tal definição traz em seu bojo reflexos (a) econômicos (na competitividade da produção e na dinâmica econômica regional); (b) 5 sociais (definição do número de oportunidades e da natureza das relações de trabalho, se familiar ou assalariado); (c) ecológicos (uso adequado de recursos naturais marginais) e (d) políticos (de representatividade política da região junto aos governos estadual e federal). No centro do debate dos modelos de produção a serem adotados está a escala da produção por produtor, a tecnologia a ser utilizada (material genético, produtividade/vaca, formas de alimentação das matrizes, instalações e manejo da criação) e se os modelos culminarão com um sistema especializado ou diversificado de produção. De forma indireta, a escala de produção adotada e a produção especializada ou diversificada, poderão resultar em: (a) produção familiar ou (b) empresarial com o uso de mão-de-obra assalariada. A combinação destes elementos pode ser sintetizada em dois modelos de produção que polarizam o debate: 1. Produção especializada, com uma escala de 40 a 50 vacas. 2. Produção diversificada, onde o leite representa um dos componentes dessa produção. Na tabela 2 pode-se observar a importância da produção de leite, no Oeste Catarinense, tendo em vista que mais de 70 mil famílias de agricultores produzem leite, e mais de 38 mil tem na atividade uma fonte regular de renda. Somente dessas propriedades que vendem leite, mais de 150 mil pessoas estão envolvidas na produção. Tabela 2 – PRODUTORES E VENDEDORES DE LEITE, VOLUME DE PRODUÇÃO E DE VENDA DE LEITE E VOLUME MÉDIO VENDIDO DIARIAMENTE NA MESOREGIÃO OESTE CATARINENSE SEGUNDO AS MICRORREGIÕES E O TOTAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA, NO ANO AGRICOLA 1995/1996 Leite produzido InforMédia Produ-ção mantes vacas (mil litros) Chapecó 24.519 3,27 145.240 Concórdia 11.288 4,33 90.351 Joaçaba 10.257 3,83 83.293 São Miguel D’oeste 17.600 3,84 128.612 Xanxerê 6.913 3,37 37.655 Total Oeste Catarinense 70.577 3,68 485.151 Microrregião Informantes 12.782 7.192 4.443 10.665 3.107 38.179 Leite vendido QuantiVolume Dade (mil médio litros) (L/dia) 98.794 21 68.377 26 59.748 37 96.385 25 24.756 22 348.060 25 Total do Estado 145.668 3,46 869.419 61.394 557.077 Fonte: IBGE (1998) - Censo Agropecuário 1995-1996 – Santa Catarina. 25 Os rumos que a produção e transformação de leite no Oeste Catarinense tomará, será o vetor resultante das diversas forças que estarão agindo sobre o sistema. Essas forças, que emanam dos atores sociais são, entre outras, as políticas, sociais, ambientais, técnicas e econômicas. Para identificar esses rumos, é importante conhecer a posição das principais lideranças regionais e a congruência de seus pensamentos e ações com os cenários externos. Além do que, conhecendo a posição dos diversos segmentos e seu poder de alcance, pode-se identificar a existência ou não de abertura para a adoção de estratégias diferenciadas para a região. 6 Em nossa pesquisa de campo, um técnico representante das cooperativas assim se referiu a diversificação de atividades existente na maioria das propriedades: “Na minha opinião, hoje um dos principais fatores que dificultam a atividade leiteira é a famosa diversificação que foi pregada por muitos anos. Não vamos condenar a diversificação por que para a época era um fator importante. Vivia-se em um pais com uma instabilidade econômica, Os produtores procuravam e nós também orientávamos uma diversificação da propriedade. Hoje (...) devemos partir para um processo mais específico, em que o produtor vai se especializar em algumas atividades e vai ter que ganhar em escala de produção. O leite entrou [no Oeste Catarinense] como uma atividade de diversificação da propriedade, praticamente sem investimentos, com 2 ou 3 vacas. Então, hoje a principal dificuldade que se tem é essa, conscientizar o produtor que esse processo de tirar leite como ele está fazendo é um processo que não vai dar sustentação a sua propriedade. (entrevista direta n º 18. Maio de 1998). Quanto a escala de produção um dos técnicos representante do setor público de pesquisa e extensão rural assim se manifestou: “A produção de leite no Oeste Catarinense é viável, mas não para todos os agricultores. Será viável para as unidades que conseguirem definir um sistema de produção que permita produzir um mínimo necessário para aquilo que chamo de ‘uma unidade economicamente viável’. Calculo que isso deve ser em torno de 40-50 vacas por propriedade. Esse tipo de propriedade pode conduzir outras atividades paralelas, porém, a principal renda tem que vir do leite. Porque produzir leite “de qualquer jeito” , em pequena escala não vai ser viável, do ponto de vista de qualidade e de custo de coleta. Então o agricultor terá que entrar em um grau de produção profissional, isto é, vai se tornar um produtor de leite profissionalizado”. (Entrevista direta n.º 2, março de 1998). [grifos nosso]. O ponto de vista expresso pelo entrevistado traduz a opinião corrente entre os principais especialistas da área. Esta perspectiva está coerente com a lógica produtivista preconizada pelo chamado desenvolvimento agrícola cuja origem está na “revolução verde”, Lógica essa voltada principalmente aos interesses industriais, que com freqüência esteve presente nas ações de pesquisa agrícola e extensão rural. Inegavelmente, este modelo foi bem sucedido no que diz respeito ao volume de alimentos produzido. No entanto, ele exclusivamente não dá conta de atender as outras demandas da sociedade como o emprego, a preservação ambiental e a distribuição de renda de forma mais equânime. Esse modelo segundo GRIMM (1994), leva a um desenvolvimento sem eqüidade, onde os mais fracos são aniquilados e a concentração de riqueza se acentua. Por isso, sugere o autor, deve ser encarado com grandes reservas no Estado de Santa Catarina, uma vez que grande parcela de seus agricultores familiares carecem de capital, de capacitação gerencial e conhecimento tecnológico. Isso sugere a necessidade de políticas públicas distintas da maioria das que foram adotadas até então. Contrapondo-se as proposições que aconselham uma especialização para a produção de leite na agricultura familiar do Oeste Catarinense, TESTA et al. (1996), sugerem que se mantenha os sistemas diversificados de produção agropecuária desenvolvido pela maioria das propriedades agrícolas do Oeste Catarinense. Assim, conforme os autores, na região, a produção de leite representaria apenas um dos componente do sistema de produção, que seria explorada, de forma combinada, com mais uma a no máximo mais quatro atividades comerciais. Desta forma, deseja-se que a atividade leiteira contribua com 20 a no máximo 50% da renda da operação agrícola 7 (ROA)5 da propriedade. No contexto de um desenvolvimento regional e rural harmônico para o Oeste Catarinense, os autores sugerem que os sistemas de produção para o leite ocorram em propriedades familiares diversificadas, com seis a dez vacas com médio padrão genético. A produtividade deve situar-se entre 8 e 12 litros/vaca/dia, obtidas com uma alimentação predominantemente a base de volumoso. Por outro lado, as proposições que sugerem que a produção de leite no Oeste Catarinense deve seguir o caminho da especialização, apontam para a diminuição de agricultores produzindo e comercializando leite. Tomando-se como exemplo as proposição do técnico (entrevista direta n.º 2), relatada acima elaboramos a tabela 3. Considerou-se três propriedade hipotética com módulo de produção de 30, 40 e 50 vacas e produtividade de 3.600 litros de leite/vaca/ano. A partir desses dados calculou-se quantas propriedades seriam necessárias para produzir o volume de leite comercializado no Oeste Catarinense no ano de 1995/19966. Assim, nesse exemplo hipotético é possível verificar o número de propriedades “em excesso” caso toda a produção comercializada no período 1995/1996 fosse realizada conforme a escala proposta pelo entrevistado. Tabela 3 - PRODUÇÃO ANUAL DE LEITE, NÚMERO DE PRODUTORES NECESSÁRIOS PARA PRODUZIR O VOLUME DE LEITE COMERCIALIZADO NA REGIÃO OESTE CATARINENSE EM 1995 E O NÚMERO DE PROPRIEDADES EM EXCESSO”, QUANDO ADOTADO UMA ESCALA DE 30, 40 E 50 VACAS POR PROPRIEDADE AGRÍCOLA. Vacas por propriedade 30 40 50 Produção/propriedade por ano (Litros) 108.000 144.000 180.000 Propriedades necessárias 3.223 2. 417 1.933 Propriedades atuais 38.179 38.179 38.179 Propriedades em “excesso” 34.956 35.762 36.246 Para essas condições hipotéticas, bastariam apenas 2.417 a 1.933 agricultores para produzir o volume de 348 milhões de litros de leite que em 1995/96 foram comercializado na região por 38.179 agricultores. Dessa forma, cada agricultor que passasse a atuar na escala proposta, deslocaria da comercialização em média 15 a 19 agricultores. Como o volume da produção de leite depende de condicionantes internos e externos às explorações rurais. Os condicionantes externos escapam ao poder decisório dos produtores, enquanto os internos à propriedade são manejáveis e formam o arcabouço de gestão dos produtores. Considerando apenas o nível interno à propriedade, a decisão sobre o tamanho do plantel depende da disponibilidade de recursos (terra, mão-de-obra e capital), dos objetivos do agricultor (renda mensal, reserva de valor, ocupação da mão-de-obra, melhor utilização da terra, manejo do solo), da preferência do agricultor e sua família pela atividade e da tecnologia utilizada. Indubitavelmente, um dos fatores mais restritivos para 5 A renda da operação agrícola (ROA), representa a diferença entre a renda bruta e os custos reais. Sendo que a renda bruta é o valor gerado pela produção vendida ou consumida ou pela família acrescida da diferença de inventário, que apurada pela diferença de valor monetário entre o estoque final e o estoque inicial descontado o valor da compra de animais. Enquanto os custos reais representam todos os custos da propriedade agrícola, incluindo a depreciação, com exceção da remuneração da mão-de-obra familiar e os juros sobre o capital próprio. (SOLDATELLI et al.,1993). 6 Utilizou-se como base os dados do Censo Agropecuário 1995/1996 – Santa Catarina, do IBGE (1998), que dão conta, para o Oeste Catarinense, um volume de 348 milhões de litros de leite comercializados em 1995/96 por 38. 179 estabelecimentos. Conforme apresentamos na tabela 2 8 o aumento do plantel, consequentemente do número de vacas, para a maioria das propriedades agrícolas do Oeste Catarinense é a disponibilidade de terra que cada uma possui. Na tabela 4 podemos verificar a produção de leite no Oeste Catarinense, segundo estratos da estrutura fundiária. Nessa tabela podemos verificar que 67,3% das propriedades possuem área inferior a 20 hectares, considerando a topografia montanhosa da região, pode-se afirmar que dificilmente alguma propriedade dessas conseguirá conduzir um rebanho de 40 a 50 vacas com produtividade de 3.600 litros de leite vaca/ano. Logo, a escala proposta é no mínimo incompatível com a estrutura fundiária de 2/3 da propriedades existentes no Oeste Catarinense. TABELA 4 – NÚMERO DE PRODUTORES E QUANTIDADE PRODUZIDA DE LEITE; NÚMERO DE VENDEDORES E QUANTIDADE VENDIDA NO OESTE CATARINENSE 1995/1996. PRODUÇÃO VENDA Grupos de estratos Informantes Quantidade Informantes Quantidade de área total (ha) produzida vendida Menos de 5 5 a menos de10 10 a menos 20 20 a menos 50 50 a menos 100 100 a menos 1000 Mais de 1 000 Totais Quant % Mil litros % Mil litros % Quant % 5.752 8,1 18.386 3,8 2.163 5,7 9.209 3 13.834 19,6 60.691 12,5 6.014 15,8 36.504 10 27.970 39,6 169.459 34,9 15. 423 40,4 116.589 33 18.873 26,8 176.164 36,3 12.119 31,7 135.975 39 2.910 4,1 42.334 8,7 1.898 4,9 35.187 10 1.176 1,7 17.499 3,6 542 1,4 14.222 62 0,1 618 0,1 20 0,1 375 70.577 100 485.151 100 38. 179 100 348.060 100 Fonte: IBGE (1998) Censo Agropecuário 1995/1996 – Oeste Catarinense Visando verificar como os agricultores familiar da região do Alto Uruguai Gaúcho encaram a atividade leiteira, tanto em termos de processo produtivo em si, como da importância socioeconômica da atividade para a reprodução de seus familiares e de seus estabelecimentos, ESCOSTEGUY et al. (1993b) conduziram pesquisa de campo7 em quatro municípios representativos da agricultura familiar Gaúcha. Para nossos estudos essa pesquisa é importante devido a semelhança entre a região pesquisada e a região do Oeste Catarinense. Tanto no que concerne as características edafoclimáticas, a forma da colonização, a origem étnica dos colonos, a estrutura fundiária e em ambas as regiões tratase de uma agricultura familiar baseada em policultivo. Semelhante a bacia leiteira do Oeste Catarinense, a denominada “nova bacia leiteira” que ocupa a região Noroeste do Rio Grande do Sul é de formação recente. A expansão dessas bacias leiteiras, no lado Gaúcho 7 A pesquisa constou de entrevistas detalhada com 40 agricultores, distribuídos em 8 comunidades pertencente aos municípios de Sarando, Rondinha, Erechim e Jacutinga, que situam-se no Noroeste Gaúcho, onde está localizada a denominada “nova bacia leiteira” do estado do Rio Grande do Sul. Os objetivos da pesquisa foram: a) caracterizar as unidades de produção familiar da região do Alto Uruguai Gaúcho; b) conhecer as práticas adotadas pelos agricultores e a racionalidade na produção de leite; c) identificar os principais pontos de estrangulamentos na produção de leite, considerando como um todo o sistema diversificado de produção. 9 ocorreu como uma alternativa econômica a sucessão trigo-soja8, enquanto no Oeste Catarinense como uma alternativa à suinocultura. Nesta pesquisa os autores concluem: “(...) o trabalho executado fornece elementos para o questionamento do mito da necessidade da especialização na produção de leite. (...) os pequenos produtores da região de abrangência deste estudo somente viabilizar-se-ão como bons produtores de leite, em sistemas agrícolas pluri-produtivos. A especialização não vingará, como também esses produtores não abandonarão a produção de leite, a menos que as condições de mercado deteriorem-se ainda mais. Estes produtores são e permanecerão diversificados. Esta afirmação baseia-se na constatação a campo, de uma lógica gerencial e de sobrevivência que induz e confere estabilidade aos sistemas, garantindo a reprodução deste grupo social, embora em condições precárias, as quais podem e devem ser superadas”. Conclusões semelhantes a essas também chegaram PERONDI & KIYOTA (1997), num estudo de caso que realizam com agricultores familiares do Sudoeste do Paraná. Notase uma discrepância entre o discurso hegemônico da indústria que propõem e privilegiam a especialização como a única via economicamente viável por um lado, e por outro os agricultores resistem e persistem com sistemas diversificados, onde o leite certamente não ocupa posição de destaque na geração da receita total do estabelecimento. a agricultura familiar diversificada do Oeste Catarinense estabelece sua vantagem competitiva através da economia de escopo9, que sobrepuja a economia de escala, via produção diversificada. Verifica-se que as proposições de manutenção e implantação de sistemas produtivos diversificados para a agricultura familiar do Oeste Catarinense, como as que foram propostas por TESTA et al. (1996), e que citamos acima, vem ao encontro da lógica dos atuais sistemas de produção desenvolvidos pela agricultura familiar da região. Caso se confirme a tendência generalizada à concentração da produção e da transformação do leite no Oeste Catarinense, via aumento de escala e especialização, então alguns questionamentos podem ser feitos: 1) neste sistema quantos agricultores estariam envolvidos na produção de leite e quantas pessoas envolvidas em toda a cadeia de produção; 2) quais os impactos socioeconômicos e ambientais que este sistema causaria? 3) Que conseqüências o modelo proposto causaria aos agricultores? À população em geral? À região? Respondida essas primeiras perguntas, então outras mais especificas podem ser feitas: 4) qual seria o tamanho do plantel e o volume da produção? 5) Seria compatível com a topografia da região, a estrutura fundiária e a composição familiar da propriedade? 6) Proporcionaria renda comparável à das outras alternativas disponíveis? 7)Quantos agricultores estariam dispostos a desenvolver uma única atividade? 8) Haveria espaço para o surgimento de outras formas de produção, organização e comercialização? 8 Para uma explanação aprofundada sobre produção comercial do leite na região Noroeste do Rio Grande do Sul como uma alternativa da agricultura familiar ao cultivo de trigo e soja, ver em LAUSCHNER (1993). 9 Economia de escopo também é chamada de economias de variedade, (economies of scope) ou na literatura francesa de economias de alcance, de campo, ou de envergadura. Segundo BENKO (1996), a noção de economia de escopo é recente na análise econômica. Refere-se ao tipo de firma que tem a característica de “monotecnologia” mas “multiprodutos”. A condição de existência de economias de escopo, exemplifica o autor, consiste no fato de que uma mesma firma, produzindo de maneira conjunta dois produtos, está à altura de fabricá-los a um custo menor que duas firmas separadas que produzam cada um dos seus produtos. A reflexão efetuada a partir da noção de economias de escopo gira em torno de uma questão simples: o que ocorre com as economias de escala no momento em que se toma em consideração a hipótese de que o output já não se compõe de um produto único, mas de um conjunto de produtos juntos? Este é o caso da produção diversificada da agricultura familiar, que apresenta um efeito sinérgico. 10 Responder apenas a estas questões mais especificas já mostrariam que há inúmeras situações e condições que resultarão em outras tantas combinações. Tal heterogeneidade de situação indica que não existe necessariamente um caminho único, mas que múltiplos caminhos podem ser construídos. A construção destes múltiplos caminho dependerá, evidentemente, políticas e de arranjos institucionais que considerem os atores. 6 – AS POLÍTICAS PÚBLICAS TRANSFORMAÇÃO DO LEITE E A PRODUÇÃO E Ao final do ano de 1991 a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento de Santa Catarina lança o “programa de incentivo a pecuária leiteira”. Fizeram parte do Programa desde seu planejamento, as seguintes entidades: EPAGRI, CEPA E CIDASC, Sindicato das indústrias de laticínios de Santa Catarina, Cooperativa Central Catarinense de Leite (CCCL),Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (FETAESC), Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (FAESC), Associação Catarinense dos Criadores de Bovinos (ACCB), Delegacia do Ministério da Agricultura e o Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (BADESC). O programa tinha previsão inicial de disponibilizar recursos para financiamento de investimento na atividade leiteira, da ordem de 39 bilhões de cruzeiros ( 33 milhões de dólares), atendendo 6.000 produtores no período de 1992 a 1995. A finalidade era para investimentos na atividade leiteira incluindo: construção civil, aquisição de máquinas e equipamentos, aquisição de matrizes registradas, formação de pastagens. A comissão que elaborou a o Programa determinou o perfil do público à que as políticas se destinavam. Assim, conforme SANTA CATARINA (1992), os requisitos exigidos para o agricultor participar do programa são: Ser produtor de leite. Estar localizado em linhas de coleta de leite. Participar de curso de profissionalização da EPAGRI durante a vigência do Programa. Ter condições concretas de comercialização do leite ou derivados10. Ter condições de receber financiamento junto ao BADESC. Esse perfil, dá a clara noção que o programa visa atender apenas aquela parcela de agricultores que já tem acesso ao mercado articulado com a indústria, descartando-se aqueles que não comercializam com essas, ou que fazem por outras vias. Isso permite identificar nessa política uma lógica produtivista, baseada na tecnificação e na realização de um rendimento para o agricultor que possibilite não apenas melhorar o seu padrão de vida mas, sobremaneira, reembolsar os investimentos públicos. Sem contar que a exigência de aquisição de matrizes registradas é um despropósito se considerarmos as condições agroecológicas da maioria dos estabelecimentos agrícolas de Santa Catarina e em especial do Oeste Catarinense. Como salienta DENARDI (1994), nos últimos anos, vem sendo implementados na Região Sul alguns programas que visam transformar a pecuária leiteira, com a justificativa 10 Esta exigência também é estabelecida nas normas do programa d agropecuária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esse banco foi a fonte de origem de parte dos recursos para implantação do Programa de Incremento da Pecuária Leiteira Estadual, e que foram repassados pelo BADESC. Entre os critérios gerais de apoio a pecuária leiteira, do BNDES, uma das restrições observadas na página 18 é a seguinte: “não serão apoiados os empreendimentos de produtores de menor porte que não estejam integrados a empresas agroindustriais ou cooperativas, que garantam o acesso destes empreendedores ao mercado”. 11 de enfrentar a concorrência advinda do Mercosul. Esses programas, cuja iniciativa e responsabilidade são principalmente dos governos estaduais, apresentam em sua maioria dois tipos de deficiências: (1) Estão centrados no melhoramento genético do rebanho, o que os torna mais dispendiosos e menos eficientes; (2) Tratam-se de programas dirigidos a produtores já bem estruturados - que têm condições de arcar com compromissos financeiros relativamente elevados contribuindo para a marginalização da maioria dos pequenos agricultores, cuja deficiências estruturais são sabidamente acentuadas. Essas políticas e ações estaduais sofrem influencia das análises e estratégias que emanam do setor de produção especializada de leite, que após a liberação dos preços do leite e seus derivados, buscam criar barreiras para impedir que sofram competição. Devido à dificuldade em estabelecer uma superioridade do produto com base na tecnificação, há um esforço por parte do setor de produção especializada em elaborar propostas de política para o setor. Articulam-se em torno da Confederação Nacional de Agricultura e da Sociedade Rural Brasileira e reivindicam linhas de crédito. Essas proposições, que são relatadas por WILKINSON (1996b), dão pistas que um dos objetivos é consolidar o complexo leiteiro brasileiro baseado na produção especializada: Segundo essa proposta as linhas de crédito para o setor leiteiro devem ter as seguintes restrições: a) a produção leiteira a ser beneficiada precisa ser uma atividade expressiva; b) a propriedade precisa ser localizada em uma bacia leiteira expressiva; c) deve existir uma escala mínima de produção; d) devem-se apresentar atestados de sanidade do rebanho em relação à brucelose e tuberculose no caso de bezerras. e) o acesso ao crédito deve ser condicionado à apresentação de projeto com controle de aplicação e liberação parcelada. f) as empresas ou cooperativas precisam ter equipes de assistência técnica capazes de acompanhar os projetos. Em Santa Catarina, a Epagri, dentro do seu projeto institucional de planejamento estratégico, em 1995 coordenou o estudo da cadeia produtiva do leite. Contou com a participação de contou com a participação de outras entidades, como Cidasc, Icepa, Cooperativas e indústrias de laticínios. A título de exemplo do preconceito para as propriedades agrícolas com menor estrutura e o esforço para viabilizar a produção de leite em propriedade especializadas, transcrevemos abaixo algumas políticas sugeridas por esse estudo da cadeia produtiva de leite: definir ações com objetivos de viabilizar linhas de P&D em máquinas, equipamentos e instalações adequadas a atividade leiteira especializada. Priorizar e intensificar ações de assistência técnica publica e privada nas propriedade rurais com maior potencial na produção de leite especializado. Priorizar e intensificar ações de assistência técnica pública e privada nas propriedades rurais cujos produtores foram treinados em cursos profissionalizantes. Priorizar assistência técnica (pública e privada) aos sistemas especializados de produção de produção de leite. Nessas políticas propostas pela comissão que elaborou o estudo da cadeia produtiva do leite está subjacente a idéia de que a exclusão social é um processo “natural”. Quando a comissão propõem priorizar a assistência técnica aos agricultores que foram treinados nos cursos profissionalizantes, está implícito que esses agricultores são aqueles que possuem propriedades melhores estruturados e que vendem leite para as indústrias. Isso tivemos 12 oportunidade de constatar na nossa pesquisa ao questionamos o coordenador do “curso profissionalizante de bovinocultura de leite” da EPAGRI, sobre quem era o público desse curso. “Na verdade esses cursos são destinados à agricultores que vendem leite, que tem no leite uma atividade importante. Eu acho que não justifica agricultores que tem umas vaquinhas lá para subsistência, fazer esse tipo de curso. Seria fazer ele perder tempo. A informação que ele precisa para ter umas vaquinhas lá para subsistência, pode ser uma informação dada em um outro curso ou uma outra informação adicional. Esses cursos nos achamos que são destinados só para aqueles que tem no leite uma atividade importante, isso é, que vendem o leite.”(Entrevista direta nº 5, abril de 1998). Para o Oeste Catarinense, os dados do Censo Agropecuário 1995/1996, apontam para a existência de mais de 22.000 famílias que produzem leite mas não o comercializam. Esses seriam preteridos na participação do curso. Logo, a partir da proposta da comissão que elaborou o estudo da cadeia produtiva do leite, para esses agricultores, fecham-se as portas que dão acesso as políticas públicas, capaz de os incluir ao mercado. A PRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE LEITE DE FORMA DESCONCENTRADA COMO UMA ALTERNATIVA AO DESENVOLVIMENTO REGIONAL As análises que culminam com o prognóstico que a produção e transformação de leite deve ser realizada de forma especializada e em grande escala baseiam-se quase que exclusivamente em uma perspectiva técnica e econômica de curto prazo. Não valorizam adequadamente as transformações socioeconômicas, políticas, culturais e tecnológicas em curso, e que acabam modificando os padrões de produção e de consumo de alimentos. Por exemplo, uma conseqüência destas transformações, é o desemprego que atinge todas as nações e as categorias profissionais. A percepção dessa crise pode levar a sociedade a discutir novas formas de produção e distribuição do trabalho. Do mesmo modo, movimentos ambientalistas, com uma ascendente força sóciopolítica, pressionam por padrões ou regulamentações agrícolas no sentido de prevenir impactos ambientais negativos. Ainda incipientes no Brasil, mas de forma crescente na Europa, emergem demandas por alimentos produzidos com menor agressão ambiental e isentos de resíduos poluidores. Por exemplo, WARD (1993), relata que na Inglaterra a partir da metade dos anos 80, começa a aumentar a consciência social sobre qualidade dos alimentos, do meio ambiente, e a valorização da paisagem rural. Como conseqüência, aumentam as críticas a algumas práticas agrícolas e as implicações sobre o bem estar animal ocasionado pelos sistemas de criação intensiva. Isto, contribui para minar a legitimação do modelo de políticas de tecnologias produtivistas adotadas naquele país. Essa perspectiva está cada vez mais presente na maioria dos países da Europa, e os reflexos dela não tardarão a chegar até nós. Sob as perspectivas do desemprego, da preservação ambiental e da qualidade de vida, a visão do espaço rural unicamente como local de produção agrícola perde sentido e surgem novos papéis para a agricultura e o meio rural (HERVIEU, 1997). Entre estes papéis, cita-se os da ocupação territorial, da preservação da paisagem, da cultura rural e do meio ambiente, turismo, lazer, local de moradia, e a geração de empregos tanto em atividades agrícolas como não agrícolas(ABRAMOVAY, 1994). 13 Diferentemente da suinocultura no Oeste Catarinense existem possibilidades para a manutenção, formação e a convivência de diferentes modelos técnicos de produção de leite nas propriedades familiares, bem como de diversas formas de transformação. Algumas dessas formas de produção e transformação podem inclusive ser valorizadas pelo mercado consumidor. A manutenção da heterogeneidade de modelos técnicos e a criação de ambiente propício para que ela aumente são condições sine qua non para que ocorra o desenvolvimento rural e regional harmônico e equânime. A estruturação e consolidação da atividade leiteira de forma heterogênea e desconcentrada, pode criar alternativas de ocupações produtivas aos jovens (homens e mulheres). Desde a fase de produção do leite, transporte, transformação e comercialização tem-se uma excelente fonte de oportunidades de trabalho. A transformação de produtos agroalimentares e de artesanato em pequena escala, ou ainda atividades associadas à protecao do meio ambiente são atividades que podem ter boas perspectivas de sucesso no Oeste Catarinense. Nossa pesquisa na região identificou importantes iniciativas nesse sentido. Elas partem de alguns grupos organizados de agricultores ou mesmo de algum agricultor isolado, ou estão ligadas principalmente a algumas organizações de agricultores e alguns setores dos movimentos sindicais. Iniciativas institucionais relacionadas aos poderes estaduais e municipais, quando existem estão centradas na tentativa de adequar a produção dos agricultores (normalmente os melhores estruturados) aos interesses das agroindústrias maiores. Considerando a capacidade de geração de postos de trabalho da atividade leiteira e a vocação da região Oeste Catarinense para produzir e industrializar leite, aliado a crise causada pelo emprego que se agudiza, a atividade leiteira (produção, transporte, transformação e comercialização) torna-se a estratégica para a região. A atividade leiteira no Oeste Catarinense, embora às margens de apoios oficiais mais agressivos, vem se constituindo em importante nascedouro de inovações. Estas, principalmente as de natureza organizacional, se constituem em elementos importantes para a adequacao às exigências de economias de escalas. Dentre estas inovações, os principais exemplos das de origem organizacional, cita-se os condomínios leiteiros, a formação de grupos de agricultores para a entrega de leite, a formação de grupos de agricultores, associações ou cooperativas visando a verticalização da produção e a comercialização de produtos industrializado. Dentre as estratégias de verticalização da produção, uma experiência muito fértil, em termos de inovações organizacionais, é a que está sendo colocada em prática pelos assentamentos de reforma agrária, localizados nos municípios de São Miguel do Oeste, São José do Cedro e Anchieta. A aprendizagem é um dos resultados dessa experiência. Ela se traduz tanto no processo produtivo em si, como das novas formas de organização produtiva, da industrialização, da capacidade de ligação com os mercados e com os organismos financiadores Dentre as inovações tecnológicas, uma que esta sendo testada e já apresenta resultados satisfatórios é a experiência de produção de leite à pasto. Esta inovação tecnológica está sendo implementada na região principalmente pela APACO, contando com a assessoria do Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. Também é importante destacar o surgimento na região Oeste Catarinense de um expressivo número de pequenos e médios laticínios. 14 7- CONSIDERAÕES FINAIS A produção, transformação e comercialização de leite no Oeste Catarinense de forma heterogênea é um componente importante para a criação de ambiente propício a inovação. Isso pode legitimar a formação de um pacto entre atores regionais e locais que permita a aplicação de políticas apropriadas a nível territorial, que girem em torno de objetivos econômicos e de criação de postos de trabalhos. As mais de 70 mil famílias envolvidas na produção de leite na região dão uma noção da sua importância socioeconômica. Devido ao poder de abrangências que a produção, transformação e comercialização de leite na região, e todas as outras atividades que se criam em torno dessa, sua implementação de forma desconcentrada poderá transformar-se na mola propulsora ao desenvolvimento sustentável da região. O que cria ambiente favorável para reverter as tendências de êxodo. A elaboração de estratégias autônomas de agroindustrialização e agregação de valor por parte de organizações de agricultores ou mesmo individualmente buscando uma inserção dinâmica nos mercados sinalizam mudanças favoráveis para o desenvolvimento regional. Essas iniciativas mesmo às margens de políticas e apoio institucionais organizados, apresentam-se vigorosas. Porém, isso não significa que políticas que favoreçam o surgimento e o estabelecimento definitivo dessas experiências não são necessárias. A implantação de pequenas e médias unidades de beneficiamento de leite, de forma individual ou coletiva, são pioneiras na região, isso implica em um processo de aprendizagem coletiva onde o fracasso é um componente sempre presente. Dado o potencial de apropriação coletiva dessas experiências e dos conhecimentos daí advindos, e a importância desses para a articulação de estratégias autônomas de inserção ao mercado, políticas e esforços devem ser envidados no sentido de criar arranjos institucionais que apoiem e fortaleçam tais iniciativas. Verificamos uma tendência das agroindústrias e cooperativas promoverem uma concentração da produção de leite nas propriedades agrícolas maiores e melhor estruturadas. No entanto, a escala de produção de leite tem uma forte relação com a disponibilidade de terra. Esse fato, associado a estrutura fundiária do Oeste Catarinense (95% das propriedades tem menos de 50 hectares), limita consideravelmente o número de propriedades que podem ter a escala desejada pelas agroindústrias. As restrições de área associada a uma certa tendência dos agricultores familiares do Oeste Catarinense de se afastar de sistemas produtivos especializados, contribuem para que grande parcela dos agricultores não consigam ou não desejam adotar o módulo de produção que esta sendo preconizados. Isso permite-nos especular que o futuro da produção de leite de grande parcela dos agricultores do Oeste Catarinense dependerá muito mais da capacidade de estabelecer formas organizacionais capazes de agregar valor à produção primária, que a capacidade de inserção ao mercado através de agentes econômicos como as agroindústrias e as cooperativas. Daí a importância de experiências das pequenas indústrias administradas por agricultores individuais ou suas organizações, que embrionariamente começam a surgir na região. Principalmente quando tais indústrias possam seguir caminhos que levem a produção de produtos com qualidades específicas. Trabalhos que avaliem o potencial desse mercado são necessários. No entanto, há sinais que se trata de um mercado com franca ascensão, com potencial de abarcar um grande número de produtores. Paradoxalmente, os caminhos que viabilizam a produção na 15 escala pretendida pelas agroindústrias, diminui o potencial da região de produzir “produtos de qualidades especificas”. No Oeste Catarinense ainda existem formas heterogêneas de produzir leite, grande parte delas, coerentes com essa nova percepção. A maioria dos solos da região apresenta uma fertilidade natural satisfatória. A mão-de-obra tem um nível de escolaridade e conhecimento adequado, havendo possibilidade de aprimoramento. Existe o desejo da maioria das pessoas do meio rural em permanecer na região. Assim, mesmo desconsiderando a sinergia dos sistema de produção diversificado, a produção de leite no Oeste Catarinense, com baixo uso de insumos é competitiva em preços e por isso se constitui numa opção atraente para o produtor familiar. No entanto, isso não significa que existem outras alternativas naturais para reconversão, ela representa uma exceção - talvez a última da agricultura familiar do Oeste catarinense - na possibilidade de reorientação de um produto de autoconsumo para o mercado. Por esse motivo, qualquer outra alternativa que se tente, dificilmente terá a abrangência que tem o leite. Apesar disso, seria um erro imaginar que bastariam essas características favoráveis para que tal modelo heterogêneo de produção se concretize. A percepção de que a crise da agricultura familiar implica em uma crise que afeta toda a região é fundamental para desenvolver estratégias que mobilizem os atores envolvidos ( políticos, cooperativas, agroindústria, comércio indústria, órgãos oficiais de pesquisa e extensão, ONGs, etc). Tal mobilização, se daria em torno de uma aliança comprometida com o futuro da região a partir do potencial produtivo da produção familiar. Além disso, é necessário que essas opções sociais se traduzam em políticas compatíveis. Aqui, novamente podemos nos valer da teoria das convenções, segundo a qual acordos referentes a padrões tecnológicos e econômicos são negociáveis com o conjunto da sociedade (FAVEREAU, 1994). A produção leiteira do Oeste Catarinense, realizada em sistemas de produção diversificados, com baixo uso de insumo apresenta-se vigorosa, mas segundo WILKINSON (1997), sofre da falta de movimentos efetivos de legitimação, semelhante às convenções em torno de produtos do tipo appellation d’origine que surgiram na França. 8- Referências Bibliográficas ABRAMOVAY, R. A dualização como caminho para a sustentabilidade. Estudos econômicos. v. 24, n. especial, pp.157-182. ABRAMOVAY, R.; SILVESTRO, M.; CORTINA, N.; BALDISSERA, I. T.; FERRARI, D.; TESTA. V. M. Juventude e agricultura familiar: desafio dos novos padrões sucessórios. Chapecó/Brasília : FAO/INCRA/CPPP/EPAGRI, 1997, 45p. (mimeografado). BENKO, G. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. São Paulo : Hucitec, 1996. 266 p. BORTOLOTO, E. E. Repensando a agricultura paulista: cadeia produtiva do leite, contribuições ao documento base. Informações Econômicas, v.26, n. 12, p. 56-62, 1996. BRUN, A. L.; JANK, M. 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