UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí
CTTMar – Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar
PPCTA – Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental
Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental
Avaliação da Qualidade da Água em Cultivo experimental em tanquerede da Sardinha-Verdadeira (Sardinella brasiliensis) na enseada de Itapocoroy,
Penha, SC.
“Trabalho de Conclusão apresentado ao Programa
de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental,
como parte dos requisitos para obtenção do grau
de Mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental.”
Orientador: Jurandir Pereira Filho
Co- Orientador: Gilberto Caetano Manzoni
Eduardo Jaques Cubas
Linha de Pesquisa: Tecnologias para Gestão Ambiental
Área de Concentração: Ecossistemas Aquáticos
Itajaí, Julho de 2014.
i
ii
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço meus pais que acima de tudo me motivaram a continuar
meus estudos, proporcionado este momento.
Agradeço meus orientadores prof. Dr, Jurandir Pereira Filho e Gilberto Caetano
Manzoni pela abertura com que me receberam para participar deste projeto, pela
atenção prestada sempre que pedi auxílio a ambos e pela paciência.
Agradeço também aos professores avaliadores do meu projeto, Dr. Paulo
Ricardo Schwingel, Dra. Kátia Naomi Kuroshima e Dr. Vinícius Cerqueira pelas
sugestões que certamente contribuiram com a qualidade do trabalho e contribuirão com
a minha qualidade como profissional
Agradeço aos parceiros do projeto Isca Viva (CEPSUL , UNIVALI, UFSC) e a
CAPES pela oportunidade oferecida a mim atravéz da bolsa de estudos.
Agradeço profundamente aos diversos amigos que entenderam minha ausência
durante o período mais crítico desse processo, bem como colaboraram, seja cobrando
empenho, discutindo os pontos do projeto ou me ajudando a relaxar. Valeu Vinícius
Tischer, Renan Chiprauski, Gustavo Zambrano, Lígia, Babi, Leonardo Tobias, Giann e
diversos mais.
Agradeço a turma de 2013/1 do PPCTA, que me adotou como membro perdido e
amigo da mesma, fiz diversas amizades que com certeza permanecerão além do
mestrado.
Agradeço ainda a toda a equipe do CEMAR, por toda a disposição demonstrada
ao longo de todo o trabalho, ajuda sem a qual não seria possível concluir o presente
trabalho.
iii
Sumário
Lista de Tabelas ............................................................................................................................. v
Lista de Figuras ............................................................................................................................ viii
RESUMO ...................................................................................................................................... x
ABSTRACT ......................................................................................................................................xi
1.
2.
3.
4.
Introdução ............................................................................................................................. 1
1.1.
Qualidade Da Água Em Cultivos .................................................................................. 5
1.2.
Impactos Ambientais De Cultivos ................................................................................. 7
Objetivos ............................................................................................................................... 8
2.1.
Objetivo Geral ............................................................................................................... 8
2.2.
Objetivos Específicos .................................................................................................... 9
Materiais e Métodos .............................................................................................................. 9
3.1.
Área de Estudo .............................................................................................................. 9
3.2.
Cultivos Experimentais De Sardinha ............................................................................ 9
3.3.
Avaliação Da Qualidade Da Água .............................................................................. 12
3.4.
Metodologia Analítica ................................................................................................. 12
3.5.
Condições Meterológicas ............................................................................................ 13
3.6.
Análise Estatística ....................................................................................................... 14
Resultados e Discussão ....................................................................................................... 15
4.1.
Cultivo Em Tanques-Rede .......................................................................................... 15
4.1.1.
Condições Meteorológicas .................................................................................. 15
4.1.2.
Parâmetros Físico-Químicos ............................................................................... 15
4.1.3.
Nutrientes Inorgânicos, Clorofila-α, MPS, DBO e COP ..................................... 20
4.2.
Análise Comparativa com os Dados da Costa Catarinense ......................................... 35
5.
Conclusões .......................................................................................................................... 40
6.
Sugestões ............................................................................................................................ 40
7.
Referências Bibliográficas .................................................................................................. 41
8.
ANEXOS ............................................................................................................................... 47
iv
Lista de Tabelas
Tabela 1: Pontos adotados e principal referência para os mesmos................................. 10
Tabela 2: Resultados dos Tratamentos segundo Dick (2014) e teor proteico das rações
utilizadas. ........................................................................................................................ 10
Tabela 3: Distâncias dos pontos amostrados com relação a praia da Armação
(Penha,SC) e entre si, e profundidade média dos pontos amostrados (m) ..................... 10
Tabela 4: Variáveis analisadas, métodos resumidos e referências ................................. 13
Tabela 5: Condições meteorológicas médias para os dias em que foram realizadas
amostragens. ................................................................................................................... 14
Tabela 6: Resumo dos resultados da análise de variância (ANOVA) (p < 0,05) entre as
médias obtidas para os cultivos de Sardinella brasiliensis e ponto de controle
localizados na enseada da Armação do Itapocoroy. ....................................................... 16
Tabela 7: Valores médios observados e erro padrão para temperatura, salinidade,
oxigênio dissolvido e pH para a superfície e fundo nos cultivos de Sardinella
brasiliensis e ponto de controle, localizados na enseada da Armação do Itapocoroy
(Penha/SC). ..................................................................................................................... 16
Tabela 8: Leituras médias e erro padrão dos parâmetros NH4+, NO2-, NO3-, PO4- e Si
para superfície e fundo. .................................................................................................. 26
Tabela 9: Leituras médias e erro padrão para clorofila-α, MPS, DBO e COP para a
superfície e o fundo. ....................................................................................................... 31
Tabela 10: Autovalores e percentual de explicabilidade da Análise de Componentes
Principais (ACP) para os fatores 1 e 2. ........................................................................... 33
Tabela 11: Leituras médias, mínimas e máximas, bem como desvio e erro padrão para
temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH de superfície e fundo para o setor
norte da costa catarinense e para os cultivos de Sardinella brasiliensis realizados na
Armação do Itapocoroy. ................................................................................................. 36
Tabela 12: Resultados da análise de variância (ANOVA ) (p < 0,05) entre as médias
obtidas para os cultivos com as médias do setor norte da costa catarinense para
temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH. ........................................................ 37
Tabela 13: Leituras médias, mínimas e máximas, bem como desvio e erro padrão para
NH4+, NO2-, NO3-, PO4-, Si, clorofila-α, MPS, DBO e COP de superfície e fundo para o
setor norte da costa catarinense e para os cultivos de Sardinella brasiliensis realizados
na Armação do Itapocoroy. ............................................................................................ 38
v
Tabela 14: Resultados da análise de variância (ANOVA) (p < 0,05) entre as médias
obtidas para os cultivos com as médias do setor norte da costa catarinense para NH4+,
NO2-, NO3-, PO4-, Si, clorofila-α, MPS, DBO e COP. ................................................... 39
Tabela 18: Valores de correlação dos parâmetros com o fator analisado na ACP. ........ 47
Tabela 19: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a temperatura no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. ............................. 47
Tabela 20:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a salinidade no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) .............. 48
Tabela 21: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o oxigênio dissolvido
no experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ......... 48
Tabela 22: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o pH no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 48
Tabela 23: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a NH4+ no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) .............. 49
Tabela 24:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO3- no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 49
Tabela 25:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o PO43- no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 49
Tabela 26: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o Si no experimento de
cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ........................................ 50
Tabela 27: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a clo-a no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 50
Tabela 28: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o MPS no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 50
Tabela 29: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a DBO5 no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) .............. 51
Tabela 30: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o COP no experimento
de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05) ................................... 51
Tabela 31: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a temperatura,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ........... 51
Tabela 32: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a salinidade,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ........... 52
Tabela 33: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o oxigênio dissolvido,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ........... 52
vi
Tabela 34: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o pH, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 52
Tabela 35: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o PO43-, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 53
Tabela 36: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o Si, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 53
Tabela 37: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o COP, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 53
Tabela 38: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO2- comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 53
Tabela 39: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO3-, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 54
Tabela 40: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NH4+, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 54
Tabela 41: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a Clo-a comparando, a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 54
Tabela 42: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o MPS, comparando a
área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05) ................................... 54
vii
Lista de Figuras
Figura 1: Localização e posição geográfica dos tanques de cultivo da Sardinella
brasiliensis na enseada da Armação do Itapocoroy, localizada no município de Penha SC. .................................................................................................................................. 11
Figura 2: Esboço dos tanques de cultivo de sardinha utilizados no experimento. ......... 11
Figura 3: Variações temporais médias observadas para a temperatura (ºC) nos cultivos e
ponto de controle, bem como a temperatura ambiente. Direção e velocidade média (m/s)
dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. ......................................... 18
Figura 4: Variações temporais médias observadas para a Salinidade nos cultivos e ponto
de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade
média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem...................... 19
Figura 5: Variações temporais médias observadas para o Oxigênio Dissolvido (mg/l)
nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem. .................................................................................................................... 20
Figura 6: Variações temporais médias observadas para a Amônia (μmol/l) nos cultivos
e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção e
velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. .. 21
Figura 7: Variações temporais médias observadas para o Nitrito (μmol/l) nos cultivos e
ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção e
velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. .. 22
Figura 8: Variações temporais médias observadas para o Nitrato (μmol/l) nos cultivos e
ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção e
velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. .. 23
Figura 9: Variações temporais médias observadas para o Fosfato (μmol/l) nos cultivos e
ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção e
velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. .. 24
Figura 10 Variações temporais médias observadas para o Silício Reativo (μmol/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção
e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. 25
Figura 11: Variações temporais médias observadas para a Clorofila-α (μg/l)
nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC), Direção
e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem. 27
viii
Figura 12: Variações temporais médias observadas para os Materiais Particulados em
Suspensão (mg/l)
nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do
Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois
dias antecedentes à amostragem. .................................................................................... 28
Figura 13: Variações temporais médias observadas para a Demanda Biológica de
Oxigênio (mg/l) nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy
(Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias
antecedentes à amostragem. ........................................................................................... 29
Figura 14: Variações temporais médias observadas para o Carbono Orgânico
Particulado (mg/l)
nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do
Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois
dias antecedentes à amostragem. .................................................................................... 30
Figura 15: Análise de Componentes Principais (ACP) das variáveis de monitoramento
ambiental da qualidade da água na enseada da Armação do Itapocoroy para os cultivos
experimentais de Sardinella brasiliensis de forma geral. Em destaque as principais
correlações encontradas. ................................................................................................. 34
Figura 16: Setor norte e pontos de coleta de dados utilizados para comparar os dados
das águas da costa catarinense com os obtidos para o cultivo de Sardinella brasiliensis
estudado. ......................................................................................................................... 36
ix
RESUMO
A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é responsável pela manutenção das
maiores cadeias de processamento industrial de pescados no Brasil. As capturas
comerciais apresentaram grandes oscilações no decorrer das três últimas décadas do
século passado e o início dos anos 2000 foi marcado por uma grande redução nas
capturas. Este projeto faz parte do Projeto Isca Viva, fruto de uma parceria entre
UNIVALI, CEPSUL e UFSC, e teve como objetivo avaliar as alterações da qualidade
das águas nos cultivos experimentais da sardinha realizados na enseada da Armaçao do
Itapocoroy, sob responsabilidade do CeMar/Univali, em Penha SC, com indivíduos
fornecidos pelo LAPMAR da UFSC. Foram amostrados por um período de um mês,
durante o inverno, amostras ambientais de água dos 3 tratamentos realizados, com
diferenças nutricionais entre os mesmos, bem como do ponto de controle, sem
influência dos cultivos. Foram avaliados os parâmetros-físicos (temperatura, salinidade,
pH e OD) e químicos (Si, NH4, NO2, NO3, PO4, Clo-α, COP, MPS e DBO). Embora os
resultados obtidos não demonstrem nenhuma alteração da qualidade da água, deve-se
levar em consideração a baixa densidade de indivíduos utilizadas nesse cultivo
experimental, portanto, concluíu-se que as alterações observadas foram influenciadas,
principalmente, pelas condições meteorológicas, pela passagem de uma frente fria, pela
descarga do estuário do rio Itajaí-Açu e pela atividade de maricultura que é bem
desenvolvida na região. O NO3- apresentou uma média de 6,3±2,5μmol/l, a NH4+ teve
uma média de 14,8±2,64μmol/l. Clorofila-α e COP apresentaram forte correlação
positiva, sugerindo que a origem do carbono observado está ligada a biomassa
fitoplanctônica. A temperatura média da água observada foi similar à observada no setor
norte da costa catarinense em julho de 2012, e maior do que as constatadas para os
setores central e sul.
Palavras Chave: Isca Viva, Armação do Itapocoroy, Sardinella, brasilienses,
monitoramento ambiental,
x
ABSTRACT
The “true sardine” (Sardinella brasiliensis) is responsable for the maintaining the
largest chains of industrial fish processing in Brazil. Commercial catches showed large
fluctuations during the last three decades of the last century and the beginning of the
2000s was marked by a large reduction in the catch. This project is part of Project Isca
Viva, the result of a partnership between UNIVALI, CEPSUL and UFSC, and aimed to
evaluate changes in water quality in the cultivation experiments of sardine developed in
the bay of Armação do Itapocoroy, under CEMAR/UNIVALI responsibility, in Penha
SC, with subjects provided by LAPMAR UFSC, Were sampled for a period of one
month, in the winter, environmental water samples from 3 treatments performed, with
nutritional differences between them, as well as the control point, without influence
from the cultives. Physical parameters (temperature, salinity, pH and DO) and chemical
(Si, NH4, NO2, NO3, PO4, Clo-α, COP, MPS and BOD) were evaluated. Although the
results did not show any changes in water quality, one should take into account the
density of individuals used in this experimental cultivation, therefore, it was concluded
that the observed changes where influed, mainly, by weather conditions, by the passage
of a cold front, by the discharge of the river estuary Itajai-Acu and by the ativity of
mariculture, wich is well developed in this region. The NO3-a averaged 6,3±2,5μmol/l
and NH4+ averaged 14,8±2,64μmol/l Chlorophyll-α and COP showed a strong positive
correlation, suggesting that the origin of the observed carbon is linked to phytoplankton
biomass. The average water temperature observed in the study area was similar to that
observed in the northern sector of the Santa Catarina coast in July 2012, and higher than
those found for the central and southern sectors.
Key Words: Living Bait, Armação do Itapocoroy, Sardinella brasiliensis, enviromental
monitoring
xi
1. Introdução
A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é responsável pela manutenção
das maiores cadeias de processamento industrial de pescados no Brasil, os enlatados de
atum e sardinha. Santa Catarina é o mais importante estado em termos de produção
desta espécie (SCHWINGEL & OCCHIALINI, 2003). Seus juvenis são utilizados como
isca-viva para a pesca do atum, enquanto os adultos são considerados em escala
industrial como fonte de alimento, o principal e maior recurso pesqueiro do Brasil
(CEPSUL,2006).
A pesca industrial da sardinha começou a se desenvolver nos estados Rio de
Janeiro e São Paulo na década de 1940, quando ocorreu a mecanização das embarcações
e apenas por volta de 1962 no Estado de Santa Catarina (VALENTINI; CARDOSO,
1991). As frotas foram, a partir de então, compostas e estruturadas tendo a sardinhaverdadeira como espécie-alvo, em função de seu volume de produção.
Os desembarques totais de sardinha-verdadeira, considerando os dados
disponíveis para o período de 1964 a 2009, apresentaram rápido crescimento até 1973,
quando foi alcançado o pico máximo, registrando de 228 mil t. A partir de então, a
produção passou a exibir tendência de declínio, havendo, porém, duas fases: a primeira
entre 1977 e 1980, quando a produção recuperou-se, atingindo volume desembarcado
em torno de 140 mil t; e a segunda, entre 1983 e 1986, na faixa de 125 mil t. A partir de
1987 a produção voltou a decrescer até atingir 32 mil t em 1990. A tendência de queda
na produção de sardinha-verdadeira nas regiões Sudeste/Sul se apresentava clara em
1988, com sinais de esgotamento e de eventual colapso da pescaria, o que afetou
profundamente a atividade do setor sardinheiro nos anos seguintes (VALENTINI;
CARDOSO, 1991).
Por causa das grandes quedas apresentadas nos desembarques de sardinha, foi
necessária a implementação de períodos de defeso, que são proibições de captura
visando à recuperação dos estoques. Em 1977 foi estabelecido o período de defeso para
a desova, e, somente em 1991 também para o período de recrutamento. A Instrução
Normativa No 15/2009 do IBAMA estipula que os períodos de defeso para a Sardinella
brasiliensis são de 15 de junho a 31 de julho e de 1o de novembro a 15 de fevereiro.
O início dos anos 2000 foi marcado por uma grande redução nas capturas (17
mil t em 2000), comprometendo a viabilidade comercial das pescarias. Devido às
1
características de seu ciclo de vida, a abundância da sardinha-verdadeira sofre influência
direta das variações ambientais que, associadas a intenso esforço de pesca e ao fracasso
no processo de gestão do uso sustentável do recurso, levou a pescaria a uma crise de
depleção do estoque, com reflexos sociais e econômicos importantes, culminando com
uma situação sem precedentes na história de sua explotação ( CERGOLE; DIAS
NETO,2011). Atualmente, os desembarques de sardinha-verdadeira em Santa Catarina
apresentaram sinais de recuperação. Segundo o boletim estatístico da pesca industrial
em Santa Catarina, elaborado por UNIVALI/CTTMAR (2013), em 2011 foram
desembarcadas no estado 26.523 t de sardinha-verdadeira, enquanto em 2012 foram
desembarcadas 51.878 t da mesma, um aumento de 95% na produção.
A pesca de tunídeos (bonitos e atuns) pela frota catarinense é de grande
importância para a economia da região de Itajaí e Navegantes (SC). O bonito listrado
(Katsuwonus pelamis), espécie-alvo da frota, é uma espécie cosmopolita que constitui
um importante recurso pesqueiro pelágico da costa sudeste-sul do Brasil (CAMPOS &
ANDRADE, 1998). A pesca de tunídeos é feita com vara e isca viva, sendo composta
por duas etapas distintas, primeiro a captura de isca viva, juvenis de espécies pelágicas
de pequeno porte como a sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) e o boqueirão
(Anchoa spp.), e em segundo lugar a pesca do bonito. Assim, existe uma relação
positiva entre o sucesso da captura da isca viva e a captura do bonito. Ao contrário das
outras atividades pesqueiras, essa modalidade viu-se ameaçada, não pela limitação do
estoque da espécie-alvo, mas sim pelo método de captura, que utiliza jovens de outras
espécies como isca viva (SCHWINGEL et al., 1999).
A utilização dos juvenis da sardinha como isca viva gera grandes problemas e
disputas entre a frota atuneira, outros usuários do recurso e usuários da costa. Segundo
Occhialini (2013), a estimativa de consumo anual de isca viva pelos atuneiros é de
1.482,1 t de isca, o que equivale a aproximadamente 760 milhões de indivíduos. Essa
grande demanda por indivíduos é considerada um fator limitante na indústria atuneira,
que obrigada a capturar sua própria isca, tem uma grande perda no rendimento de suas
atividades. Conflitos ocorrem também por que algumas das principais áreas de captura
de isca se tornaram restritas à atividade devido a criação de áreas protegidas.
Nos atuneiros, o armazenamento dos juvenis capturados para uso como isca viva
é feito em tinas, que são estruturas de vários formatos, podendo ser quadradas ou
circulares, que possuem sistema de renovação de água. Occhialini (2013) estimou que a
mortalidade das iscas durante o transporte nas tinas é em torno de 50%, incluindo-se
2
outras espécies capturadas como manjubas e boqueirões. Essa mortalidade está
associada aos baixos níveis de oxigênio dissolvido encontrados nas tinas, mudanças
bruscas de temperatura e pH. A densidade média de organismos nas tinas observada por
Occhialini (2013) foi de 30,93 g/l. Campos et al (2002) observaram que a maior
dificuldade na pesca de tunídeos com vara e isca viva é a captura e manutenção dos
juvenis das espécies pelágicas, através da utilização de equipamentos corretos e
operações de cercos e transferências cuidadosas da isca viva. Com a prática do
monitoramento de algumas variáveis físico-químicas e biológicas nas tinas, pode se
diminuir a mortalidade, associada com manejos preventivos ou até curativos (CAMPOS
et al, 2002).
As sardinhas são peixes de pequeno porte, de corpo lateralmente comprimido e
prateado, formam cardumes e habitam águas costeiras, entrando em baías e estuários. É
uma espécie de vida curta e crescimento rápido, apresentando altas taxas de fecundidade
e mortalidade naturais (CERGOLE; DIAS NETO,2011). Em observações realizadas por
Montes (1953), suas larvas e juvenis (13-65mm) se alimentam de pequenos copépodos,
diatomáceas e dinoflagelados. Goitien (1978) em frente à região de Ubatuba e Cananéia
encontrou, para sardinhas adultas, além dos gêneros reportados por Montes (1953),
outros copépodos, larvas de crustáceos decápodes e quetognatos e as diatomáceas,
Cyclotella e Skeletonema.
É uma espécie costeira encontrada ao longo da plataforma continental entre o
Cabo de Santo Tomé (RJ - 22°S) e um pouco ao sul do Cabo de Santa Marta Grande
(SC - 28 ° S). Nessa extensa região, conhecida como Bacia do Sudeste do Brasil,
observa-se uma complexa estrutura oceanográfica que foi caraterizada por Matsuura
(1986). As massas d`agua presentes nessa plataforma são geralmente misturas da Água
Tropical (AT), da Água Central do Atlântico Sul (ACAS) e das Águas Costeiras (AC)
(CASTRO FILHO;MIRANDA, 1998 apud CERGOLE; DIAS NETO, 2011). O aspecto
mais relevante é a penetração regular, durante finais da primavera e verão, de Água
Central do Atlântico Sul – ACAS sobre o fundo da plataforma continental atuando
como mecanismo de fertilização das águas. (HAIMOVICI 2007). Cechinel (2013)
observou essa penetração da ACAS durante o período de primavera / verão de 2010 /
2011 na plataforma continental interna catarinense.
As fêmeas maturam pela primeira vez com um tamanho médio de 168 mm e aos
210 mm todos os indivíduos são sexualmente maduros (Wenzel et al., 1988). A desova
é relacionada à temperatura, quanto maior a temperatura, menor a intensidade de desova
3
(MAGRO, 2000). A sardinha apresenta comportamento sazonal de desova, sua
estratégia reprodutiva é relacionada a processos físicos e biológicos: enriquecimento da
água costeira pela penetração da ACAS; maior estabilidade da coluna d'água no verão, e
retenção das larvas (giro geostrófico no embaiamento brasileiro) em habitat costeiro
favorável (MAGRO, 2000). Segundo Castello apud Haimovici (2007), como
frequentemente é observado nos pequenos peixes pelágicos, são verificadas mudanças
interanuais no que se refere a extensão da área ocupada pelos ovos e larvas assim como
sua densidade.
O sucesso do cultivo também deve ser encarado como uma medida de gestão
que pode diminuir a pressão sobre os estoques naturais do recurso em questão. O cultivo
da sardinha para uso como isca viva é uma alternativa que vem sendo estudada desde
2004 e o principal motivo para a implantação do projeto isca viva, e dentro deste está
inserido o presente estudo, que tem como objetivo avaliar se a implantação dos cultivos
implica em alterações da qualidade da água. Assim, foi concebido o Projeto Isca-Viva,
envolvendo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, do Centro de
Pesquisa e Gestão dos Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul e da Universidade
do Vale do Itajaí. O projeto tem como objetivo contribuir com o processo de gestão
pesqueira, desenvolvendo ações de monitoramento ambiental e técnicas de produção e
manejo de isca-viva, juvenis de sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis), com
vistas ao uso sustentável do recurso e a manutenção das maiores cadeias de
processamento industrial de pescados no Brasil.
Os estudos sobre as necessidades de qualidade de água para a espécie em
questão são escassos. Portanto, estudar a qualidade da água nesse cultivo em ambiente
natural é fundamental para se conhecer em quais condições o organismo consegue
sobreviver e crescer. Para isso, os mesmos vem sendo desenvolvido em diversas etapas,
que resultaram em várias dissertações. Cechinel (2013) estudou a caracterização físicoquímica da plataforma continental interna catarinense e Garcia (2012) a distribuição de
ovos e larvas da Sardinella brasiliensis na costa catarinense, que são fundamentais para
se caracterizar as potenciais áreas de cultivo. Occhialini (2013) realizou o diagnóstico
da pesca de isca viva empregada pela frota atuneira no sudeste e sul do Brasil, que é
fundamental para se conhecer a demanda de isca viva e projetar a escala dos cultivos.
Foram desenvolvidos ainda trabalhos em laboratório que auxiliaram no aperfeiçoamento
das técnicas de reprodução e cultivo em cativeiro da sardinha.
4
O presente trabalho se enquadra em uma fase mais avançada do projeto,
que é o cultivo dos juvenis da Sardinella brasiliensis em ambiente natural. O
experimento de Dick (2014) foi realizado em conjunto com este estudo. O objetivo
deste estudo é avaliar as condições ambientais em que os juvenis de sardinha se
encontraram durante as atividades de cultivo em tanque rede no ambiente natural e no
experimento de simulação de embarque. Para isso as seguintes perguntas devem ser
respondidas:

Há diferença significativa entre as características da água da região de
desova e da região do cultivo?

Qual o impacto sobre a qualidade da água que o cultivo de sardinhaverdadeira provoca?

O tipo de ração utilizada em cada tratamento provoca alteração na
qualidade da água?
1.1. Qualidade Da Água Em Cultivos
O desenvolvimento e crescimento dos peixes são dependentes de fatores internos
(Sistema nervoso, endocrinológico) e de fatores externos (ecológicos), que controlam ou
sincronizam diversas atividades ou funções, incluindo a capacidade de crescimento. É
possível classificar tais fatores ecológicos em dois tipos: fatores determinantes, como a
temperatura, salinidade e foto período, que atuam diretamente através de receptores para
aumentar ou diminuir o crescimento, e fatores limitantes, que operam acima ou abaixo
de um limite específico (como NH4+, oxigênio) ou dentro de um intervalo de tolerância,
como por exemplo o pH (BOEUF e PAYAN, 2001). Dito isso, percebe-se a importância
do conhecimento das condições físico-químicas do ambiente de cultivo para o sucesso
do mesmo. Algumas das variáveis mais importantes e efeitos que podem ser percebidos
em diversas espécies estão descritos abaixo.
O oxigênio, que é avaliado através das medidas de oxigênio dissolvido (OD), é o
gás mais abundante presente na água depois do nitrogênio e fundamental para a
sobrevivência de qualquer espécie de peixe. Segundo ARANA (2004), dependendo da
quantidade de oxigênio presente, os organismos aquáticos podem enfrentar quatro
situações diferentes: independência de O2, dependência alimentar, dependência
fisiológica e mortalidade.
5
O nitrogênio é outro parâmetro de grande importância para avaliar a qualidade
das águas de cultivo. Ele é comumente encontrado nas formas de NH4+, NO2- e NO3-. A
sua forma mais tóxica é a NH4+. Em um sistema de cultivo intensivo, a NH4+ é a
substância tóxica mais comum resultante da excreção por animais cultivados e
mineralização dos detritos orgânicos, como alimentos não consumidos e fezes. (LIN,
CHEN, 2003) Altas concentrações de NH3 podem causar efeitos tóxicos em níveis
diferentes, como: Células, Excreção, Osmorregulação, Respiração, Tecidos, Doenças e
Crescimento (ARANA, 2004). Rodrigues et al (2007), avaliaram os efeitos tóxicos da
NH4+ e do NO2- no bijupirá através da observação de efeitos pouco observados em
outros estudos, como alimentação e capacidade natatória, além da mortalidade.
O NO3- é o resultado da nitrificação do nitrogênio e também é a forma mais
oxidada e estável do nitrogênio em ambientes oxigenados, sua toxicidade em ambientes
marinhos é baixa, no entanto Tsai e Chen (2002) listaram diversos estudos que mostram
efeito letal provocado pelo NO3- em concentrações muito elevadas (da ordem de g/l). Já
van Bussel et al (2012) observaram efeitos como redução no crescimento e na saúde de
juvenis do pregado em concentrações maiores do que 250mg/L NO3-N.
O NO2- é a forma intermediaria do nitrogênio fixado, reconhecidamente mais
tóxico para organismos marinhos do que o NO3-. Lin e Chen (2003) testaram o efeito
tóxico do NO2- para o camarão-de-patas-brancas em diferentes salinidades e observaram
que a salinidade afetou a toxicidade por NO2- nesse caso. Já Siikavuopio e Sæther
(2006) verificaram uma redução na taxa de crescimento dos juvenis do bacalhau-doatlântico em concentrações elevadas de NO2- (1 mg/l NO2-N).
Temperatura da água e salinidade são parâmetros que não são afetados pelos
cultivos marinhos, mas possuem importância fundamental para o sucesso dos mesmos.
De acordo com Boeuf e Payan (2001), na maioria das espécies, a fecundação dos ovos,
a incubação, a reabsorção do saco vitelino, a embriogênese, a inflação da bexiganatatória e o crescimento larval são dependentes da salinidade. Em peixes maiores, a
salinidade é também um fator chave no controle do crescimento. Os mesmos autores
associaram as variações no crescimento devido a influência da salinidade a diversos
fatores, sendo eles: Custo energético, que está ligado ao metabolismo do indivíduo,
principalmente a osmorregulação; Entrada / Estímulo a conversão de alimento e
estimulação hormonal. Vários autores realizaram pesquisas que demonstram a
influência da salinidade associada aos mais diversos fatores sobre o crescimento de
organismos marinhos, ficando claro que para a maioria deles, em média, um ambiente
6
com um nível intermediário de salinidade (10 – 25 ppt) é o mais favorável para o
crescimento da maioria das espécies, podendo ser exemplificado com os estudos de
Woo e Kelly (1995), Imsland et al.(2001), Conides e Glamuzina (2006). Esse nível de
salinidade é característico de ambientes estuarinos.
1.2. Impactos Ambientais De Cultivos
A implantação de sistemas de cultivo em grande escala pode provocar
diversas alterações ambientais como visto no item anterior, por isso é importante o
acompanhamento das condições de qualidade de água nesses sistemas, pois possibilita
explicar alguns dos impactos ambientais que podem ser associados ao mesmo.
Nos últimos anos, a produção aquícola aumentou em todo o mundo,
principalmente devido ao aumento da demanda por produtos e a necessidade de novas
fontes de alimento. Aumento que pode ser visto em FAO (2013) tomando como
exemplo o Brasil, que passou de aproximadamente 480 T em 2010 para 629 T em 2011.
Ainda segundo a FAO (2013), a aquicultura em 2011 representou 40,1% da produção
mundial de peixes, quando em 2001 esse valor era de 27,6%. Esse desenvolvimento
gera lucro e renda, mas também traz riscos de impacto ambiental negativo, como a
poluição, a modificação de paisagem ou alteração da biodiversidade.
A principal entrada de nutrientes orgânicos e inorgânicos em sistemas de cultivo
mais intensivos é a alimentação, que é parcialmente transformada em biomassa e
parcialmente libertada na água como sólidos orgânicos suspensos ou material
dissolvido, como carbono, nitrogênio e fósforo, provenientes do excesso de alimentos,
fezes e excreções através das guelras e rins. (TOVAR et al, 2000)
Os potenciais impactos da aquicultura são diversos, de aspectos estéticos a
problemas de poluição direta. Por exemplo, dispersão de matéria orgânica (tais como
resíduos da alimentação e fezes), nutrientes e agentes farmacêuticos (tais como os
antibióticos) em torno do corpo de água e sedimentos subjacentes, efeitos sobre a fauna
de fundo e comunidades de plâncton, bem como eventuais influências nas populações
de peixes selvagens, tais como interações genéticas entre peixes cultivados escapantes e
selvagens, transferência de doenças por peixes escapantes ou através da ingestão de
resíduos contaminados por peixes selvagens e efeitos no ecossistema mais amplos.
(MANTZAVRAKOS et. al, 2007)
7
O enriquecimento orgânico bêntico e eutrofização são alguns dos principais
efeitos no ambiente entorno do cultivo em tanques-rede. As consequências ambientais
de um cultivo em tanque-rede é altamente dependente da intensidade de
cultivo.(ALONGI et al., 2009).
Os efluentes dos sítios de aquicultura são tipicamente enriquecidos em sólidos
orgânicos suspensos, carbono, nitrogênio e fósforo. (BIAO et al, 2004) La Rosa et al.
(2002) identificaram um aumento na concentração de nutrientes inorgânicos na coluna
d`agua tanto no cultivo de camarões quanto de peixes, quando comparado com seu
controle. Esses autores concluíram que as mudanças observadas para a maioria das
variáveis, inclusive aquelas mais afetadas pelos cultivos, seguiram padrões sazonais
típicos. No estudo de Biao et al (2004), utilizando-se de legislações locais como critério
de qualidade de água, foi observada uma poluição significativa, principalmente por
nitrogênio inorgânico, carbono orgânico dissolvido e fósforo inorgânico.
Segundo Alongi et al. (2009), estudos em pequena escala de cultivo em tanquerede na Malásia indicaram eutrofização localizada na área dos tanques, se manifestando
principalmente com o incremento das concentrações de nutrientes dissolvidos e
particulados e zooplancton, níveis menores de OD na água dos tanques e uma mudança
na estrutura da comunidade bentônica, com pouca diversidade de espécies e abundancia
abaixo dos tanques.
O cultivo da sardinha-verdadeira em ambiente natural ainda é uma atividade
nova e pouco estudada, suas exigências quanto à qualidade de água são pouco
conhecidas bem como os impactos que um cultivo dessa espécie pode provocar. Esse
trabalho visa avaliar possíveis alterações na qualidade da água em função da
implantação de sistemas de cultivo de juvenis de sardinha, com vistas à sua utilização
como isca viva, na região de Penha, SC..
2. Objetivos
2.1. Objetivo Geral
-Avaliar a variação das condições químicas da água utilizada nos cultivos de
Sardinella brasiliensis localizados na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC
8
2.2. Objetivos Específicos
-Avaliar a qualidade da água nos tanques-rede durante o período de crescimento
dos juvenis de sardinha, alimentadas com diferentes tipos de ração.
-Comparar as características da água nos tanques-rede com a da região de
desova, na plataforma continental interna de SC.
-Identificar potenciais impactos ambientais relacionados à deterioração da
qualidade de água em função da implantação dos cultivos.
3. Materiais e Métodos
3.1. Área de Estudo
O experimento foi realizado no CEMAR (Centro Experimental de Maricultura),
da UNIVALI, localizado na enseada da Armação do Itapocoróy (26°46’ S e 48°38’ W),
pertencente ao município de Penha, localizado no litoral centro-norte do Estado de
Santa Catarina. Possui uma área de 60,3 km² e é delimitada ao sul pelo município de
Navegantes, a oeste e norte por Piçarras e a leste pelo Oceano Atlântico.
3.2. Cultivos Experimentais De Sardinha
As estruturas de cultivo de peixes denominadas de tanques-rede foram
confeccionadas com tubos de polietileno de alta densidade (PEAD) de 5,8m de largura
por 7,3m de comprimento, esses tanques são segmentados em 8 partes, sendo metade
delas utilizada para replicar os tratamentos utilizados. Como se tratam de 2 tanques,
temos então 16 unidades experimentais. Em cada tanque foram colocados juvenis da
sardinha verdadeira procedentes do Laboratório de Piscicultura Marinha (LAPMAR) da
UFSC em Florianópolis-SC. Foram testados 2 tipos de ração diferente com 4 réplicas
para cada uma delas, mais 4 réplicas do tratamento sem alimentação adicional
totalizando 12 unidades utilizadas. Inicialmente a alimentação foi realizada duas vezes
por dia, e após a aclimatação, foram realizadas biometria em média a cada dez dias com
indivíduos aleatórios como parte de um projeto paralelo ao presente.
Os indivíduos dispostos nos tanques do tratamento 1 (T1) não receberam ração e
se alimentaram apenas do plâncton presente no local. Para o tratamentos 2 (T2) foi
utilizada uma ração com maior teor de proteínas, considerada “premium” quando
comparada com a utilizada no tratamento 3 (T3), considerada “comum”. (Tabela 1)
9
Tabela 1: Pontos adotados e principal referência para os mesmos.
Ponto
Referência
T1
T2
T3
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 S
C0 F
Tratamento sem alimentação adicional
Tratamento com ração "Premium"
Tratamento com ração "Comum"
Fundo do tanque 1 (T1)
Fundo do tanque 2 (T2 e T3)
Superfície do ponto de controle
Fundo do ponto de controle
Os peixes foram introduzidos no ambiente com 30 dias de idade, medindo 4,0 ±
0,51 cm de comprimento e pesando 0,44 ± 0,15g. Foram distribuídos 120 indivíduos em
cada réplica de tratamento, totalizando 1440 indivíduos. (DICK, 2014) Ao longo do
período amostral, foram retirados no total, cerca de 50 indivíduos de cada réplica para
análise de conteúdo estomacal realizada para outro estudo do projeto Isca Viva. Os
resultados de quarenta de dias de tratamento, bem como o teor de proteínas das rações
empregadas podem ser verificados na Tabela 2.
Tabela 2: Resultados dos Tratamentos segundo Dick (2014) e teor proteico das
rações utilizadas.
Parâmetro
Ganho Comprimento (mm)
Ganho em Peso (g)
Sobrevivência (%)
Teor de Proteínas Ração (%)
Tratamento 1
14,5 ± 0,24
1 ± 0,13
55 ± 4
-
Tratamento 2 Tratamento 3
31,2 ± 0,24
22,9 ± 0,26
3,1 ± 0,42
1,9 ± 0,11
82 ± 9
81 ± 17
55
42
A Figura 1 apresenta a localização dos cultivos de Sardinella brasiliensis dentro
da Armação do Itapocoroy. Um esboço esquemático dos tanques-rede utilizados para os
cultivos pode ser visto na Figura 2.
As distâncias entre os pontos amostrados entre si e a praia da Armação, bem
como as profundidades médias podem ser verificadas na Tabela 3.
Tabela 3: Distâncias dos pontos amostrados com relação a praia da Armação
(Penha,SC) e entre si, e profundidade média dos pontos amostrados (m)
Controle
Tanque 1
Tanque 2
Distância entre pontos (m)
Controle Tanque 1 Tanque 2
0
676
523
676
0
155
523
155
0
Praia
1791
1150
1300
Profundidade
Média (m)
10,5
8
8,5
10
Figura 1: Localização e posição geográfica dos tanques de cultivo da Sardinella
brasiliensis na enseada da Armação do Itapocoroy, localizada no município de
Penha - SC.
Figura 2: Esboço dos tanques de cultivo de sardinha utilizados no experimento.
11
3.3. Avaliação Da Qualidade Da Água
Para o experimento de cultivo, as coletas ocorreram durante um período de um
mês após a chegada das sardinhas até os tanques, sendo realizadas duas vezes por
semana, com um intervalo médio de 3 a 4 dias entre elas. Foram coletadas amostras
superficiais de cada tratamento realizado nos tanques de cultivo e uma amostra de fundo
para cada tanque, onde a profundade média encontrada foi de 8 m. Foram ainda
coletadas amostras superficiais e de fundo num ponto próximo a norte dos cultivos para
o controle das condições naturais da enseada, onde a profundida média foi de 11 m. As
coletas de fundo foram realizadas com garrafas de Niskin. Simultaneamente, foi
utilizada uma sonda multi-parâmetros YSI-6600 para a coleta dos parâmetros físicoquímicos salinidade, temperatura, oxigênio dissolvido e pH. Logo após o término das
coletas foi realizado o processamento das amostras, que envolve a filtração e separação
de alíquotas das amostras para as diversas análises realizadas.
3.4. Metodologia Analítica
Foram analisados em laboratório, os nutrientes NO3-, NO2-, NH4+, Si e PO4-.
Foram analisados também a Clorofila-α, COP, MPS e DBO.
As análises dos nutrientes inorgânicos dissolvidos foram realizadas com uma
adaptação da metodologia clássica sugerida por Strickland e Parsons, (1972). Essa
metodologia é baseada na colorimetria sendo que as amostras, após processamento
específico para cada variável, foram lidas em um espectrofotômetro Shimadzu UV-1800
com cubetas de 1cm e 5cm dependendo da análise.
Um resumo das variáveis, métodos e referências utilizadas nas análises
está disponível na Tabela 4.
12
Tabela 4: Variáveis analisadas, métodos resumidos e referências
Variável
MPS
(Material Particulado em
Suspensão)
Método
Referência
Diferença entre peso inicial e
APHA et. al 2005 (Adaptado)
peso final do filtro de celulose.
Método 2540-D
DBO
Diferença entre OD inicial e OD
(Demanda Biológica de
final após cinco dias de
Oxigênio)
incubação
COP
APHA et. al 2005 (Adaptado)
Método 5210-B
Digestação em ácido e
STRICKLAND, PARSONS,
titulometria.
1972 (Adaptado)
CLO-α
Extração com acetona e leitura
STRICKLAND, PARSONS,
(Clorofila)
em espectrofotômetro.
1972 (Adaptado)
NH4
Determinação por método
STRICKLAND, PARSONS,
(Amônia)
colorimétrico clássico.
1972 (Adaptado)
NO3
Determinação por método
STRICKLAND, PARSONS,
(Nitrato)
colorimétrico clássico.
1972 (Adaptado)
NO2
Determinação por método
STRICKLAND, PARSONS,
(Nitrito)
colorimétrico clássico.
1972 (Adaptado)
Si
Determinação por método
STRICKLAND, PARSONS,
(Silício Reativo)
colorimétrico clássico.
1972 (Adaptado)
PO4
Determinação por método
STRICKLAND, PARSONS,
(Fosfato)
colorimétrico clássico.
1972 (Adaptado)
(Carbono Orgânico
Particulado)
3.5. Condições Meterológicas
O principal motivo para a inclusão das variáveis meteorológicas no estudo foi para
verificar, de forma indireta, a influência do estuário do rio Itajaí-Açu e avaliar de forma
direta a influência das variações meteorológicas sobre a área de estudo.
Os dados apresentados na Tabela 5 foram fornecidos pelo laboratório de
meteorologia da UNIVALI, sendo estes obtidos através da estação meteorológica do
INMET Itajaí A868. As temperaturas apresentadas abaixo representam a temperatura
média durante o período de coleta de amostras. Os dados relativos aos ventos e a
precipitação são referentes aos 2 dias antecedentes a coleta das mesmas.
13
Tabela 5: Condições meteorológicas médias para os dias em que foram realizadas
amostragens.
Temperatura
Atmosférica
Média
Vento 2 Dias Anteriores
Tempo
(Dias) Durante Coleta Direção(º) Direção
(ºC)
Nominal
0
3
7
10
14
17
23
28
31
14,9
19,3
15,2
19,7
14,7
19,5
9,9
15,5
18,8
184
195
173
160
177
194
230
197
180
S
SSW
S
SSE
S
SSW
SW
SSW
S
Precipitação
Vel.
Média
(m/s)
Vel.
Rajada
(m/s)
Chuva 2
Dias
Anteriores
(mm)
1,02
1
1,44
1
1,4
1,78
2,41
1,36
1,52
3
2,54
3,67
2,58
3,6
3,99
5,19
3,52
3,71
24,4
0,8
1,6
1,8
6,2
0,4
59,4
0,8
0,2
3.6. Análise Estatística
Para avaliar a ocorrência ou não de diferença estatística entre as médias dos
parâmetros físico-químicos e químicos utilizou-se a análise de variância simples (oneway ANOVA), com um nível de significância 5%.
As análises de componentes principais (ACP) foram realizadas para verificar as
correlações entre as variáveis estudadas e analisar a influência de fatores externos aos
cultivos na qualidade da água da enseada.
Ambas as análises foram efetuadas utilizando-se do software Statistica® 8.0.
14
4. Resultados e Discussão
4.1. Cultivo Em Tanques-Rede
4.1.1. Condições Meteorológicas
O comportamento dos ventos pouco variou (Tabela 5), mantendo suas
velocidades médias e de rajada num mesmo patamar, excetuando-se o dia 24/07/2013,
que, sobre influência de uma forte frente fria, apresentou ventos e rajadas mais fortes.
Quanto à direção dos ventos, manteve-se sempre entre Sudoeste e Sul-Sudeste,
condições parecidas com as encontradas por Schettini et. al.(1999) na mesma área para
o período de junho a dezembro de 1996.
As precipitações mais relevantes ocorreram tanto no período inicial da
amostragem, bem como próximo do fim do experimento, precipitando 24,4 mm no
período que antecedeu a primeira coleta e 59,4 mm no período que antecedeu a coleta
do dia 24/07/2013. Essa precipitação, associada aos ventos mais fortes, caracterizaram o
dia 24/07/2013 como caso mais crítico no que tange às condições meteorológicas.
A influência das condições meteorológicas sobre a área de estudo é perceptível,
especialmente quando comparada com os parâmetros físico-químicos temperatura e
salinidade, conforme será explanado posteriormente.
4.1.2. Parâmetros Físico-Químicos
Para verificar a existência de diferença significativa entre as médias, foi utilizada
a análise de variância simples (One Way ANOVA). A ANOVA sugere que as médias
das concentrações dos nutrientes inorgânicos e demais parâmetros estudados não
apresentaram diferença estatística entre os cultivos e o ponto de controle na superfície.
Ao analisar as amostras de fundo, percebeu-se que determinados parâmetros, de
maneira geral, apresentaram diferença estatística se comparados com a superfície. Esses
parâmetros são oxigênio dissolvido, salinidade e clorofila-α (Tabela 6) Os valores de p
obtidos através desta análise estão disponíveis no anexo deste trabalho.
Ao compararmos os dados de superfície com os de fundo, verifica-se a
existência de diferença significativa entre superfície e fundo para a salinidade e para o
oxigênio dissolvido. (Tabela 7)
15
A salinidade observada foi menor na superfície, o que pode caracterizar a
influência da descarga das águas do estuário do rio Itajaí-Açu, bem como o efeito da
entrada de água doce, na região da Enseada. Os menores valores observados para a
salinidade foram obtidos em 29/07/2013 (t28), 5 dias depois de constatados os ventos
mais fortes e a maior precipitação registrada durante o experimento.
Tabela 6: Resumo dos resultados da análise de variância (ANOVA) (p < 0,05)
entre as médias obtidas para os cultivos de Sardinella brasiliensis e ponto de
controle localizados na enseada da Armação do Itapocoroy.
Ponto
Ponto Amostral
Amostral
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0F
0S
-
-
-
-
-
-
-
T1
-
-
-
-
-
-
-
T2
-
-
-
-
-
-
-
T3
-
-
-
-
-
-
-
Tq1F
-
Clo-a (T1>)
-
OD(T3>),
-
-
-
-
-
-
NO3(0F>)
-
-
Clo-a(T3>)
Tq2F
OD(0S>),
Clo-a (T1>)
OD (T1>)
MPS (Tq2F>)
0F
OD(T3>),
Clo-a(T3>)
Sali(0F>),
Sali(0F>),
Sali(0F>),
Sali(0F>),
OD (0S>)
OD(T1>),
OD(T2>),
OD(T3>),
Clo-a(T1>)
Clo-a(T2>)
Clo-a(T3>)
O oxigênio dissolvido apresenta médias superiores na superfície. Isso se deve a
maior penetração da luz solar, que incentiva a fotossíntese do fitoplâncton presentes no
local, além das trocas com a atmosfera possibilitarem oxigenação constante. A
concentração mínima observada de 4,7 mg/l provavelmente está associada a algum erro
amostral, sendo um valor pontual obtido para apenas uma das réplicas em t31.
Analisando temporalmente cada parâmetro físico-químico, podemos verificar de forma
mais clara a influência das condições meteorológicas sobre, principalmente, a
temperatura e a salinidade.
Tabela 7: Valores médios observados e erro padrão para temperatura, salinidade,
oxigênio dissolvido e pH para a superfície e fundo nos cultivos de Sardinella
16
brasiliensis e ponto de controle, localizados na enseada da Armação do Itapocoroy
(Penha/SC).
Parâmetro
Temperatura
(ºC)
Salinidade
Oxigênio
Dissolvido
(mg/l)
pH
Ponto
N
Média
Erro
Padrão
T1
T2
T3
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 S
C0 F
T1
T2
T3
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 S
C0 F
T1
T2
T3
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 S
C0 F
T1
T2
T3
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 S
C0 F
32
36
32
8
9
9
9
32
36
32
8
9
8
9
32
36
32
8
9
9
9
28
28
28
7
7
7
7
17,7
17,8
17,7
17,8
17,8
17,4
18
28,9
29,1
28,9
31,1
31,2
29,2
31,5
7,9
8,3
8,3
7,5
7,2
8,2
6,9
8,2
8,2
8,2
8,1
8,1
8,07
8,1
0,2
0,19
0,19
0,43
0,39
0,47
0,28
0,41
0,39
0,41
0,44
0,4
0,88
0,2
0,16
0,09
0,12
0,27
0,2
0,25
0,18
0,02
0,02
0,02
0,03
0,03
0,07
0,03
A temperatura média verificada durante o experimento foi de 17,7 ± 1,1 ºC,
(Tabela 7) a menor temperatura observada foi de 15,3 ºC na superfície do controle (0S)
em t1 enquanto a maior foi de 19 ºC observada nos cultivos em t11 e t17.(Figura 3)
É importante salientar que os dias que antecederam o t23 foram muito frios, com
temperatura atmosférica mínima de 1,3ºC e máxima de 15ºC, bem como apresentaram a
maior intensidade de ventos, sugerindo a passagem de uma frente fria.
17
Controle Sup.
Cultivos
Temp. Amb.
Temperatura
22,0
20,0
3
2,5
SW
16,0
14,0
SSW
12,0
S
S
SSW
1,5
S
10,0
8,0
2
SSW
S
1
SSE
0,5
6,0
4,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
Temperatura (ºC)
18,0
t31
Figura 3: Variações temporais médias observadas para a temperatura (ºC) nos
cultivos e ponto de controle, bem como a temperatura ambiente. Direção e
velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à amostragem.
A salinidade se mostrou mais suscetível às variações meteorológicas do que a
temperatura para o ambiente estudado. A salinidade média observada para a superfície
foi de 28,9 ± 2,3, para o fundo a média foi 31,2 ± 1,2. A menor salinidade observada
foi de 24,9 no tempo t23 e a maior foi de 32,0 para a superfície. A salinidade observada
para as amostras de superfície apresentaram os menores valores quando sucederam os
períodos de maior precipitação do estudo (t0 e t23). Essa mudança pode ser associada a
uma maior descarga, provocada pela precipitação, do estuário do Itajaí-Açu. Observa-se
ainda que as amostras de fundo não apresentaram variação na salinidade.(Figura 4)
18
Controle Sup.
Cultivos
Controle Fun.
Salinidade
36,0
2,5
34,0
SW
2
30,0
SSW
28,0
S
26,0
24,0
S
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
0,5
22,0
20,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
32,0
Salinidade
3
t31
Figura 4: Variações temporais médias observadas para a Salinidade nos cultivos e
ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias
antecedentes à amostragem.
O oxigênio dissolvido apresentou variação ao longo do período amostral, a
média observada para a superfície foi de 8,2 ± 0,7 mg/l e 7,3 ± 0,7 mg/l para o fundo.
A variação do OD está associada principalmente aos níveis de MPS e clorofilaα. De maneira geral, seus níveis mais baixos ocorreram em conjunto com níveis maiores
de MPS, o que sugere uma queda da atividade fotossintética devido a menor entrada de
luz na coluna d`água. (Figura 5)
19
10,0
9,0
3
2,5
SW
8,0
2
SSW
7,0
S
S
6,0
S
SSW
1,5
SSW
S
1
SSE
5,0
0,5
4,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
Oxigênio Dissolvido (mg/l)
Controle Sup.
Cultivos
Vento
Oxigênio Dissolvido
t31
Figura 5: Variações temporais médias observadas para o Oxigênio Dissolvido
(mg/l) nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy
(Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias
antecedentes à amostragem.
O pH apresentou baixa amplitude entre os valores encontrados durante o período
amostral, mantendo níveis característicos de águas marinhas.
4.1.3. Nutrientes Inorgânicos, Clorofila-α, MPS, DBO e COP
Assim como para os parâmetros físico-químicos, os nutrientes inorgânicos,
clorofila-α, COP, MPS e DBO não apresentaram diferença significativa entre o ponto de
controle e os diferentes tratamentos. Comparando os dados da superfície com os de
fundo, percebe-se que a principal diferença estatística aparece na clorofila-α, que possui
médias maiores para a superfície.
A NH4+ apresentou comportamento irregular durante o período amostral, mas
com tendência a aumento de concentração. Não existe diferença estatística entre os
cultivos e o ponto de controle, o que indica que os cultivos não estão alterando a
qualidade da água. Em constância do baixo número de indivíduos em cada tanque de
cultivo pode ser a explicação para essa constatação, visto que estudos como o de Tovar
et. al.(2000) e Pitta et. al. (1999) verificaram um aumento na concentração de amônio
em cultivos de maior produção, como 1000 T/ano no caso de Tovar. Mantzavrakos et.
20
al.(2007) observou um grande aumento na concentração de NH4+ na proximidade da
área de cultivo.
Controle Sup.
Cultivos
Vento
NH4+
29,0
3
2,5
SW
2
19,0
SSW
S
14,0
S
9,0
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
0,5
4,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
NH4+ (μmol / l)
24,0
t31
Figura 6: Variações temporais médias observadas para a Amônia (μmol/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
As concentrações médias de NH4+ encontradas estavam acima da média (5,3 ±
5,4 µmol/l) encontrada por Pedrosa (2011) em um monitoramento de 12 anos no mesmo
local do experimento. Foi observado um pico de concentrações elevadas em t14 seguida
por uma tendência de queda entre t17 e t28, tendência contrária à observada para NO2/NO3- (Figura 6, Figura 7 e Figura 8).
As médias das leituras de NO2- não apresentaram diferença significa entre os
cultivos e o ponto de controle, tampouco com as amostras de fundo. Embora isso possa
ser explicado pela baixa quantidade de indivíduos nos cultivos estudados, outros
estudos, como Pitta et. al. (1999), que investigaram nutrientes e clorofila-α em três
cultivos de médio porte em baías semifechadas ou locais abrigados localizados na
Grécia, também não encontraram aumento significativo nos níveis de NO2-. Já Biao et.
al. (2004) verificaram acréscimo de NO2- em seus estudos no mar amarelo, ao norte da
província de Jiangsu, com produção de 1200 T/ano de camarões e moluscos .
21
Controle Sup.
Cultivos
Vento
NO2-
1,2
3
1,0
2,5
SW
2
SSW
0,6
S
S
0,4
S
SSW
1,5
SSW
S
1
SSE
0,2
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
t31
Figura 7: Variações temporais médias observadas para o Nitrito (μmol/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
A concentração média observada para NO2- foi de 0,51 ± 0,28 µmol/l para a
superfície e 0,82 ± 0,32 µmol/l para o fundo, estando portanto acima das encontradas
por Pedrosa (2011) (0,2 ± 0,2 µmol/l). A menor concentração observada foi de 0,02
µmol/l e a maior de 1,44 µmol/l. A distribuição do NO2- mostrou tendência a
diminuição entre t7 até t 17. (Figura 7)
O NO3-, apesar de possuir média superior para o ponto de controle, não
apresenta diferença significa entre as médias. Isso se deve ao alto erro padrão
encontrado para as amostras do controle. De forma geral, o NO3- se manteve constante
ao longo do experimento, com um período de leituras mais baixas (t7 a t14). (Figura 8)
Esse período é coincidente com o período onde foram encontradas as maiores
concentrações de NO2- e NH4+. Biao et. al.(2004) identificaram aumento nas
concentrações de NO3- em suas observações.
22
Ve. Média do Vento (m/s)
NO2- (μmol / l)
0,8
Controle Sup.
Cultivos
Vento
NO3-
25,0
3
2,5
20,0
2
15,0
SSW
10,0
5,0
S
S
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
NO3-(μmol/l)
SW
t31
Figura 8: Variações temporais médias observadas para o Nitrato (μmol/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
Os valores médios de NO3- observados (6,5 ± 2,5 µmol/l) foram mais elevados
do que os encontrados por Pedrosa (2011) (2,1 ± 2,3 µmol/l), a concentração máxima
encontrada para o ponto de controle (22,7 µmol/l no t17) excede os maiores valores
observados no trabalho citado, essa diferença pode ser associada à localização do ponto
de controle, mais próximo à saída da baía e portanto mais suscetível a influência das
águas do rio Itajaí-Açú. Também foi observada uma tendência de aumento da
concentração de NO3- entre t14 e t28. Esse aumento sugere influência de descargas
continentais, bem como influência da pluma do estuário do rio Itajaí-Açu, visto que o
para o mesmo período em que foi observada queda da salinidade (Figura 4), e aumento
do PO43- e Si. (Figura 9 e Figura 10)
Analisando a distribuição dos compostos nitrogenados, sugere-se a influência
da passagem de uma frente fria, mostrando variação inversa entre NH4+ e NO2-/NO3-. A
passagem de uma frente fria parece resultar em uma maior influência de água oceânica,
mais rica em NO3-. Essa dinâmica parece resultado de um processo de renovação das
águas, que, conforme descrito por Schettini (1999), ocorre em questão de dias no
23
ambiente estudado. Não foram observadas diferenças significativas para os compostos
nitrogenados entre superfície e fundo.
O PO4- se comportou de maneira constante durante a realização do
experimento.Salienta-se a baixa quantidade de indivíduos utilizados nos experimentos
de cultivo, visto que outros estudos como Mantzavrakos et. al.(2007), Biao et. al.
(2004) e Maldonado et.al. (2005) observaram aumento de PO4- em cultivos.
Controle Sup.
Cultivos
Vento
PO43-
1,0
0,9
3
2,5
0,8
SW
2
0,6
SSW
0,5
S
0,4
0,3
0,2
S
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
0,5
0,1
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
PO43-(μmol/l)
0,7
t31
Figura 9: Variações temporais médias observadas para o Fosfato (μmol/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
A concentração média observada para o PO4- (0,55 ± 0,17 µmol/l)
encontram-se dentro da média obtida por Pedrosa (2011) (0,5 ± 0,6 µmol/l). A
concentração máxima observada foi de 1,9 µmol/l, inferior à observada pela autora
citada acima. Foi observada uma tendência de aumento da concentração entre t17 e t23
seguida por diminuição das mesmas entre t23 e t31 (Figura 9), o mesmo padrão
parecido com os observados para Si e NO3-. (Figura 10 e Figura 8), reforçando a
24
de
influência
de
águas
oceânicas
30,0
enseada.
3
2,5
SW
25,0
Si (μmol/l)
a
Controle Sup.
Cultivos
Vento
Si
35,0
sobre
2
20,0
SSW
15,0
10,0
S
S
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
5,0
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
hipótese
t31
Figura 10 Variações temporais médias observadas para o Silício Reativo (μmol/l)
nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
A variação observada para o Si reativo é muito mais relacionada à dinâmica do
ambiente do que aos cultivos em si,. As maiores concentrações observadas de Si
ocorreram nos períodos precedidos pelas precipitações. A concentração média
observada para o Si na superfície (19,3 ± 7,6 µmol/l) é similar à exposta por Pedrosa
(2011)(15,5 ± 8,9 µmol/l). A maior concentração obtida durante o experimento foi de
46,6 µmol/l.
25
Tabela 8: Leituras médias e erro padrão dos parâmetros NH4+, NO2-, NO3-, PO4- e
Si para superfície e fundo.
Parâmetro
NH4
(µMol/l)
NO2
(µMol/l)
NO3
(µMol/l)
PO4
(µMol/l)
Si
(µMol/l)
Ponto
N
Média
Erro
Padrão
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
36
35
36
8
9
9
8
36
36
36
9
9
9
9
36
36
36
9
9
9
9
36
36
36
9
9
9
9
36
35
36
9
9
9
9
12,4
14,3
17,7
17,8
8,2
14,5
11,6
0,51
0,51
0,51
0,5
0,81
0,82
0,8
6,4
6,4
6,7
8,1
5,2
6,2
7,7
0,6
0,5
0,6
0,56
0,7
0,8
0,7
20
19,6
18,5
19,6
15,6
15,5
16,9
2,31
2,11
3,51
6,34
1,36
5,88
1,24
0,05
0,05
0,05
0,11
0,11
0,11
0,12
0,43
0,43
0,52
1,98
0,7
0,96
2,68
0,04
0,04
0,05
0,07
0,03
0,07
0,02
1,55
1,51
1,45
3,02
1,31
1,75
2,4
O comportamento da clorofila-α pode ser associado, entre outros fatores, às
precipitações, visto que suas menores concentrações apareceram nos períodos chuvosos,
isso ocorre devido a uma menor intensidade da luz nesses períodos, bem como a
redução da transparência da água. Percebe-se um aumento na clorofila-α em t14 e t17
26
seguido por uma forte queda em t23 e t28 (Figura 11). Ao comparar esse
comportamento com outros parâmetros que indiciaram a renovação das águas (PO43-, Si,
MPS, NO3-), é possível sugerir que a clorofila-α observada é gerada na enseada. (Tabela
8)
Controle Sup.
Cultivos
Vento
Clorofila-α
5,0
4,5
3
2,5
SW
3,5
2
3,0
SSW
2,5
S
2,0
1,5
1,0
S
SSW
1,5
S
SSW
S
1
SSE
0,5
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
t31
Figura 11: Variações temporais médias observadas para a Clorofila-α (μg/l) nos
cultivos e ponto de controle, localizados na armação do Itapocoroy (Penha/SC),
Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os dois dias antecedentes à
amostragem.
Os valores médios encontrados na superfície para a clorofila-α (2,5 ± 1,1 µg/l)
foram correspondentes aos encontrados no estudo de Pedrosa (2011) (2,3 ± 1,7 µg/l). O
maior valor observado para clorofila-α foi 8,4µg. Os valores observados para a
superfície foram superiores aos de fundo, isso é constatado ao compararmos a média da
superfície descrita acima, com a obtida para o fundo (1,5 ± 1,2 µg/l).
Deve-se considerar a baixa densidade de indivíduos utilizados nos diferentes
tratamentos, visto que, segundo Rörig et.al.(1998), o fitoplâncton da Enseada da
Armação do Itapocoroy foi dominado por diatomáceas durante o período de seus
estudos. Montes (1953) e Goitien (1978) verificaram que, entre outros organismos, a
Sardinella brasiliensis alimenta-se das diatomáceas, o que pode ajudar a explicar o
sucesso do tratamento sem alimentação adicional.
27
Ve. Média do Vento (m/s)
Clorofila-α (μg/l)
4,0
O MPS apresentou, de forma geral, uma tendência de queda das concentrações
ao longo do experimento, não é possível concluir que essa queda esteja relacionada aos
experimentos de cultivo, visto que não existe diferença estatística entre os cultivos e o
ponto de controle. No entanto, o período que apresentou menor concentração de
materiais particulados em suspensão coincidiu com o período de maior precipitação e de
maior incidência de ventos (Figura 12), sugerindo então entrada de uma água mais
limpa.
Controle Sup.
Cultivos
Vento
Materiais Particulados
em Suspensão
30,0
2,5
SW
20,0
2
SSW
15,0
S
S
10,0
S
SSW
1,5
SSW
S
1
SSE
5,0
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
MPS (mg/l)
25,0
3
t31
Figura 12: Variações temporais médias observadas para os Materiais Particulados
em Suspensão (mg/l) nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do
Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os
dois dias antecedentes à amostragem.
A concentração média de materiais particulados em suspensão observada para a
superfície foi de 17,9 ± 10,8 mg/l e 21,3 ± 7,4 mg/l para o fundo. O maior valor
observado para MPS foi de 55,3mg/l no fundo, valor provavelmente associado a resuspensão de sedimentos no procedimento de coleta.
De maneira geral, a DBO5 manteve-se constante durante a maior parte do estudo,
apresentando variação no período mais chuvoso, quando é percebido um aumento na
demanda de oxigênio, o que pode estar relacionado a descarga do estuário do rio ItajaíAçu e do continente. A DBO média obtida durante o estudo foi de 1,9 ± 0,4 mg/l para a
28
superfície e 1,7 ± 0,7 mg/l para o fundo. A maior DBO observada durante o
experimento foi de 3,4 mg/l. (Figura 13)
Demanda Biológica
de Oxigênio 5dias
3,0
Controle Sup.
Cultivos
Vento
3
2,5
SW
2,0
2
SSW
1,5
S
S
1,0
S
SSW
1,5
SSW
S
1
SSE
0,5
0,5
0,0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
Ve. Média do Vento (m/s)
DBO 5 (mg/l)
2,5
t31
Figura 13: Variações temporais médias observadas para a Demanda Biológica de
Oxigênio (mg/l) nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do
Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os
dois dias antecedentes à amostragem.
As médias de DBO não apresentam diferença estatística entre os cultivos e o
ponto de controle. Deve-se levar em consideração a baixa densidade de organismos
utilizados para os cultivos, pois é provável que uma maior quantidade de organismos
produzindo rejeitos orgânicos provoque um aumento na DBO local.
O COP apresentou comportamento semelhante ao da clorofila-α, que pode ser
explicado pela correlação encontrada entre esses dois parâmetros, conforme será
demonstrado em outro tópico. Esse parâmetro apresentou uma tendência de estabilidade
durante o experimento e obteve uma diminuição na sua concentração no período mais
chuvoso. Observa-se comportamento semelhante entre o COP e a clorofila-α (Figura 11
e Figura 14), demonstrando que existe correlação entre ambos e sugerindo que esse
carbono observado seja de origem fitoplanctônica,
29
Carbono Orgânico
Particulado
1,8
1,6
SW
1
2
SSW
0,8
S
S
SSW
1,5
S
0,6
Ve. Média do Vento (m/s)
1,2
COP (mg/l)
3
2,5
1,4
0,4
Controle Sup.
Cultivos
Vento
SSW
S
1
SSE
0,5
0,2
0
0
t0
t3
t7
t10
t14
t17
Tempo (Dias)
t23
t28
t31
Figura 14: Variações temporais médias observadas para o Carbono Orgânico
Particulado (mg/l) nos cultivos e ponto de controle, localizados na armação do
Itapocoroy (Penha/SC), Direção e velocidade média (m/s) dos ventos durante os
dois dias antecedentes à amostragem.
A concentração média de COP observada durante o experimento foi de 1,2 ± 0,3
mg/l para a superfície e 1,0 ± 0,3 mg/l. A maior concentração observada foi de 2,3 mg/l.
Os resultados obtidos foram similares com os encontrados por Pitta et. al. (1999) em um
estudo realizado em 3 diferentes localidades no mar mediterrâneo.
A Tabela 9: Leituras médias e erro padrão para clorofila-α, MPS, DBO e COP
para a superfície e o fundo.
30
Tabela 9: Leituras médias e erro padrão para clorofila-α, MPS, DBO e COP para
a superfície e o fundo.
Parâmetro
Clorofila-α
(µg/l)
MPS
(mg/l)
DBO
(mg/l)
COP
(mg/l)
Ponto
N
Média
Erro
Padrão
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
T1
T2
T3
C0 S
Tq 1 F
Tq 2 F
C0 F
36
36
36
9
9
9
9
36
35
35
9
9
9
9
20
20
20
5
5
5
5
36
36
35
9
9
9
9
2,5
2,4
2,6
1,8
1,6
1,3
1,4
15,4
15,2
15,1
14,3
18,6
24
26,7
1,9
2,1
1,9
1,8
1,8
1,7
1,4
1,2
1,2
1,2
1
1,1
1
1,1
0,26
0,19
0,21
0,27
0,49
0,35
0,29
1,44
1
1,17
2,85
1,89
2,74
4,34
0,1
0,11
0,1
0,22
0,36
0,3
0,36
0,06
0,06
0,07
0,1
0,13
0,1
0,17
Com os presentes resultados é possível admitir que as variações nas
concentrações de todos os parâmetros e nutrientes estudados não foram provocadas
pelos cultivos de sardinha em tanques-rede. Sugere-se que as mudanças percebidas
estejam relacionadas a outras variáveis tais como localização, sazonalidade, condições
meteorológicas ou mesmo uma variabilidade estocástica. Deve-se levar em
consideração ainda, a presença da atividade de maricultura voltada a mariscos, bem
como as características ambientais da área, que de acordo com Schettini et.al. (1999), é
considerada um ambiente dinâmico em que as águas são renovadas em questão de dias e
que há contribuições do estuário do rio Itajaí-Açu, que as amostras foram coletadas em
31
um curto espaço de tempo e que provavelmente essas variações estejam ligadas a alta
dinâmica do ambiente.
Estudos como o de Pitta et. al. (1999) obtiveram resultados similares,
excetuando-se a NH4+, onde as variações observadas pelos autores foram relacionadas
aos cultivos. Por outro lado, Alongi et. al. (2009) concluíram que as consequências
ambientais de um cultivo em tanques rede são muito dependentes da intensidade de
cultivo, no mesmo estudo fica claro que a alimentação com ração extrusada é
ecologicamente mais eficiente do que se realizada com ração de peixe, embora mais
cara.
Estudos sobre toxicidade por nutrientes para a Sardinella brasiliensis são
escassos. No entanto, quando comparamos os valores obtidos em estudos de toxicidade
para espécies similares com os resultados obtidos nos cultivos, fica claro que as
concentrações encontradas no ambiente estudado não proporcionam risco a sardinha.
Camargo et al.(2005) em uma grande revisão sobre a toxicidade por NO3- para
diversos organismos, sugeriu um nível de segurança de 2 mgNO3- N/l para proteger as
espécies mais sensíveis de água doce e de 20 mgNO3- N/l para organismos marinhos. A
maior concentração de NO3- observada em todo o estudo foi de 0,4 mgNO3- N/l, ou seja,
4 vezes menor que a concentração sugerida para as espécies mais sensíveis. Para o
NO2- a revisão realizada por Lewis Jr e Morris (1986) sugere que a concentração de
efeito agudo média para os diversos organismos estudados é de 2 mgNO2- N/l, esse
mesmo estudo ainda ressalta que em muitos casos, a CL50 do NO2- é menor em
organismos maiores, ou mais maduros. A maior concentração de NO2- observada
durante o presente estudo foi de 0,02 mgNO2- N/l.
Salinidade e temperatura influenciam nas taxas de alimentação, crescimento,
eficiência em conversão de alimento, crescimento específico entre outras para diversos
organismos marinhos (BOEUF & PAYAN, 2001; VAN HAM et. al., 2003; IMSLAND
et. al, .2001; WEN et. al. 2013), e é importante que se conheçam os níveis em que a
Sardinella brasiliensis melhor se adapta. Embora as condições ideais não sejam
conhecidas, estima-se que, baseando-se nas condições das águas onde a sardinha é
comumente encontrada (CERGOLE; DIAS NETO, 2011), que a faixa de temperaturas
obtidas durante o estudo (temperatura média de 17,7 ± 1,1 ºC e salinidade média de 28,9
± 2,3 ppt) não sejam as ideais. Pode-se verificar que, conforme o estudo de Dick (2014),
32
que a sardinha conseguiu se desenvolver nas condições descritas neste trabalho,
principalmente nos tratamento em que havia alimentação adicional.
Santos (2014, comunicação pessoal) verificou que em temperaturas elevadas (T
> 26ºC) a Sardinella brasiliensis apresentou inibição alimentar, consumindo menos
ração do que em temperaturas um pouco mais baixas ( T < 24 ºC).
O segundo teste estatístico realizado foi a análise de componentes principais
(ACP), que serve como ferramenta para auxiliar a compreender as correlações
existentes entre as variáveis estudadas. A ACP foi realizada somente com os dados
referentes à superfície, porque ela se apresentou mais susceptível a influência da
descarga do rio Itajaí-Açu e das variáveis suplementares utilizadas nas análises
(Precipitação e Velocidade do Vento).
A ACP resultante apresentou uma explicabilidade de 61%. (Tabela) Percebe-se
correlação positiva entre a salinidade e a temperatura, ambas apresentando correlação
negativa, principalmente, com velocidade do vento, Si e NO3-. Clo-α e COP apresentam
correlação positiva entre si e negativa com DBO, OD e Precipitação. Temperatura e
salinidade apresentaram, ainda, correlação positiva com COP e Clo-α. COP apresenta
correlação negativa com DBO, PO43-, NO3-, NO2- e Si. OD possui correlação negativa
com o MPS. (Figura 15)
Tabela 10: Autovalores e percentual de explicabilidade da Análise de
Componentes Principais (ACP) para os fatores 1 e 2.
Fator
Auto
Explicabilidade
Explicabilidade
Valores
(%)
Acumulada (%)
1
4,966428
38,20329
38,2033
2
2,967915
22,83012
61,0334
33
Figura 15: Análise de Componentes Principais (ACP) das variáveis de
monitoramento ambiental da qualidade da água na enseada da Armação do
Itapocoroy para os cultivos experimentais de Sardinella brasiliensis de forma geral.
Em destaque as principais correlações encontradas.
A correlação positiva entre temperatura e salinidade, em associação a correlação
negativa das mesmas com ventos e precipitação, sugerem a influência de frente fria, que
resulta em diminuição da temperatura e salinidade, ainda, associando-se a
predominância e aumento na intensidade do vento Sul, pode haver maior influência de
águas oceânicas na enseada, com aumento da concentração de NO3- e Si. A diminuição
de MPS e turbidez auxiliam nessa suposição, caracterizando a entrada de águas mais
limpas e claras, características da água oceânica. Essas relações podem, também, sugerir
a influência de descargas, sejam elas continentais, ou do estuário do rio Itajaí-Açu, que
também é evidenciada pela correlação positiva de nutrientes como Si, NO3- e PO4- com
os ventos e a precipitação. Isso é evidenciado pela constatação de Kuroshima & Bellotto
34
(2009), que verificaram que o Si e NO3- são influenciados pela vazão no estuário em
questão.
Ao analisarmos a NH4+ verifica-se que, nos cultivos, ela apresenta correlação
positiva com a temperatura, salinidade, COP e Clo-α, ou seja, as variáveis que melhor
representaram as condições da enseada nos períodos menos afetados pelas condições
meteorológicas, onde a influência do estuário foi menor, sugerindo então que a NH4+
observada na área dos cultivos é proveniente do local, permitindo supor que essa NH4+
esteja associada aos diversos cultivos de moluscos presentes na localidade. A correlação
negativa da mesma com NO3- e Si, reforçam essa idéia, bem como as interações já
explanadas a cerca da salinidade e temperatura.
Pereira Filho et. al (2002) demonstraram em outra área, que quando clorofila-α e
COP não apresentam correlação, a origem desse carbono é provavelmente de origem
detrítica. Baseando-se nisso, supõe-se que essa correlação positiva observada entre COP
e Clo-α sugere que o COP presente na região é relacionado com a biomassa
fitoplanctônica, e não com origem detrítica.
4.2. Análise Comparativa com os Dados da Costa Catarinense
Os dados utilizados como referência para a realização desta análise foram
retirados do cruzeiro oceanográfico promovido pelo projeto Isca Viva em Julho de
2012. Esses dados foram agrupados em três grupos distintos, com o intuito de setorizar
a costa catarinense. Os três setores considerados foram norte, central e sul. O setor norte
abrange a costa dos municípios de Itapoá até Itajaí, o setor central se inicia em
Balneário Camboriú e se estende até a São José. Já o setor sul se inicia no extremo sul
da ilha de Florianópolis e termina em Laguna. Como o campo experimental se encontra
localizado no setor norte do Estado, foram considerados apenas os dados relacionados
ao mesmo. (Figura 16)
35
Figura 16: Setor norte e pontos de coleta de dados utilizados para comparar os
dados das águas da costa catarinense com os obtidos para o cultivo de Sardinella
brasiliensis estudado.
A análise foi realizada utilizando-se as médias dos setores para cada parâmetro,
segmentando-se os dados de superfície e fundo. Os dados relacionados aos cultivos
foram agrupados em um conjunto único referente ao experimento de forma geral. A
Tabela 11 apresenta as médias, mínimas e máximas utilizadas na análise, bem como o
erro padrão das médias para os parâmetros físico-químicos, mensurados em campo com
a sonda YSI-6600.
Tabela 11: Leituras médias, mínimas e máximas, bem como desvio e erro padrão
para temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH de superfície e fundo para
o setor norte da costa catarinense e para os cultivos de Sardinella brasiliensis
realizados na Armação do Itapocoroy.
Parâmetro
Temperatura (ºC)
Salinidade
Oxigênio
Dissolvido (mg/l)
pH
Índice
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
Norte
Sup
18
18
0,11
18
34,1
0,25
18
7,4
0,05
18
8
0,02
Setor Estudado
Norte
Cult
Fun
Sup
18
25
18,1
17,7
0,09
0,23
18
25
34,5
28,9
0,11
0,47
18
25
7,1
8,2
0,04
0,13
18
21
7,9
8,2
0,01
0,02
Cult
Fun
17
17,8
0,28
17
31,2
0,29
17
7,3
0,16
14
8,1
0,02
36
Com os presentes dados foi possível executar uma Análise de Variância
(ANOVA) e, com seus resultados, comparar as médias dos três setores sugeridos com
os cultivos estudados. A Tabela 12 apresenta os resultados obtidos com a ANOVA. A
leitura da tabela é realizada utilizando-se cultivo como referência. (Ex: O pH na
superfície dos cultivos foi maior do que na superfície do setor norte.)
Tabela 12: Resultados da análise de variância (ANOVA ) (p < 0,05) entre as
médias obtidas para os cultivos com as médias do setor norte da costa catarinense
para temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH.
Parâmetro Profundidade
Temp (ºC)
Sali (ppt)
OD (mg/l)
pH
Norte
Centro
Sul
(Sup/Fun) (Sup/Fun) (Sup/Fun)
Sup
Fun
Sup
Fun
Sup
Fun
Sup
=
=
<
<
>
=
>
>
>
<
<
=
<
>
>
=
<
<
=
=
>
Fun
>
>
>
A principal diferença a ser destacada é relacionada à salinidade, que, embora
seja esperado que sua concentração fosse menor nos cultivos devido a sua proximidade
com a costa, sofreu influência do estuário, dos períodos chuvosos e da entrada de águas
oceânicas. A salinidade média nos cultivos na superfície foi de 28,9 ± 2,3 ppt, enquanto
que a média observada para a superfície da costa foi de 33,4 ± 2,8 ppt.
A temperatura mostrou similaridade nas médias para o setor norte, onde a área
de estudo está localizada, e foi maior na área de cultivo quando comparada com os
setores centro e sul. Percebe-se ainda, a baixa amplitude da mesma, e a similaridade
entre as médias de superfície e fundo da plataforma continental interna, o que pode
sugerir a homogeneidade dessas águas. Carvalho et. al (1998) afirmaram que em
períodos de inverno, esse padrão é percebido no litoral centro-norte catarinense.
Em períodos de verão, conforme demonstrado por Cechinel (2013), onde a
intrusão das ACAS pelo fundo tende a estratificar a coluna d’água, foram observadas
temperaturas elevadas na superfície (máxima de 30ºC em janeiro de 2011) e baixas no
fundo (mínima de 15,6 ºC em janeiro de 2011), bem como salinidades mais baixas na
superfície e elevadas no fundo. A mesma autora ainda identificou um processo de
37
ressurgência costeira na porção central, onde águas mais frias (aproximadamente 17 ºC)
e ricas em nutrientes, principalmente NO3- e PO43-, foram observadas na superfície.
Os nutrientes inorgânicos, Clo-α, MPS e COP também foram considerados na
análise. A Tabela 13 apresenta os valores médios, mínimos e máximos, bem como o
erro padrão para cada parâmetro analisado.
Tabela 13: Leituras médias, mínimas e máximas, bem como desvio e erro padrão
para NH4+, NO2-, NO3-, PO4-, Si, clorofila-α, MPS, DBO e COP de superfície e
fundo para o setor norte da costa catarinense e para os cultivos de Sardinella
brasiliensis realizados na Armação do Itapocoroy.
Parâmetro
PO4 (umol/l)
Si (umol/l)
NO2 (umol/l)
NO3 (umol/l)
NH4 (umol/l)
Clo-α (ug/l)
MPS (mg/l)
COP (mg/l)
Índice
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
N
Média
Erro Padrão
Setor Estudado
Norte Sup
Norte Fun
18
0,82
0,06
18
15
1,9
18
0,33
0,06
17
1,1
0,16
18
10,9
1,54
18
0,75
0,08
18
10,7
0,38
18
0,43
0,05
18
0,84
0,05
18
14,2
1,3
18
0,41
0,08
16
1
0,29
18
9,9
1,29
18
0,9
0,1
17
12,6
0,82
18
0,42
0,04
Cult Sup Cult Fun
27
0,55
0,03
27
19,3
1,5
27
0,51
0,05
27
6,5
0,49
27
14,9
1,65
27
2,49
0,22
27
17,9
2,09
27
1,22
0,05
18
0,74
0,04
18
15,5
1,1
18
0,82
0,07
18
5,7
0,59
18
11,3
3,02
18
1,46
0,29
18
21,3
1,74
18
1,03
0,08
A Tabela 14 apresenta os resultados obtidos com a ANOVA para os nutrientes
inorgânicos e demais parâmetros. A leitura da tabela é realizada utilizando-se cultivo
como referência. (Ex: O NO3 em Cultivo Sup é maior do que Norte Sup)
38
Tabela 14: Resultados da análise de variância (ANOVA) (p < 0,05) entre as
médias obtidas para os cultivos com as médias do setor norte da costa catarinense
para NH4+, NO2-, NO3-, PO4-, Si, clorofila-α, MPS, DBO e COP.
Parâmetro
Cultivos
Norte
(Sup/Fun)
PO4
(umol/l)
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
Cult Fun
Cult Sup
<
=
=
=
>
>
>
>
=
=
>
=
>
>
>
Cult Fun
>
Si
(umol/l)
NO2
(umol/l)
NO3
(umol/l)
NH4
(umol/l)
Clo-a
(µg/l)
MPS
(mg/l)
COP
(mg/l)
Com os dados e resultados disponibilizados na Tabela 13 e na Tabela 14 acima,
é possível verificar que, de maneira geral, as médias das concentrações de nutrientes
inorgânicos dissolvidos são maiores nos cultivos quando comparados com a plataforma
continental catarinense. Isso é explicado pela proximidade com a costa da área de
cultivo estudada, que recebe o aporte dos nutrientes vindos do continente através do
deságue dos rios. Além disso, a presença de cultivos de diversas espécies na enseada
também favorece as condições observadas, criando por exemplo, condições para o
desenvolvimento do fitoplâncton.
Individualmente, o PO43- foi o principal destaque da análise, apresentando níveis
inferiores na superfície dos cultivos. Entretanto, não é possível sugerir que essa
diferença seja provocada pelos mesmos, pois conforme já discutido, os cultivos não
apresentaram diferença estatística com o controle. A igualdade nas concentrações de Si
é outro destaque a ser mencionado, bem como a similaridade da NH4+ com os setores
norte e sul, embora esse último possa estar relacionado ao alto erro padrão entre as
médias.
39
5. Conclusões

Com a densidade de peixes utilizada nos experimentos de cultivo na Armação do
Itapocoroy, não foram verificadas alterações ambientais na qualidade da água
provenientes dessa atividade.

O tipo de ração utilizado não influenciou nas alterações de qualidade de água
observadas.

As alterações na qualidade de água observadas durante o estudo foram
provenientes das condições meteorológicas , influência do estuário do rio ItajaíAçu, renovação das águas da enseada e principalmente a influência dos cultivos
de mariscos também realizados na localidade.

Em relação às amostras de fundo, não foram detectados possíveis impactos
como acúmulo de nutrientes e aumento de conteúdo orgânico, no entanto a
densidade de cultivos pode ter influído no resultados.

A Enseada de Armação do Itapocoroy, por estar próxima da costa e sofrer
influencia da descarga de um grande estuário, se mostrou um ambiente mais rico
em nutrientes do que a plataforma continental interna como um todo. Sua
temperatura foi similar à observada no setor norte e superior a dos setores
central e sul do litoral de Santa Catarina.
6. Sugestões

Realizar experimentos com densidades que refletem a realidade para simulação
de estresse dos organismos nas tinas de isca viva.

Estudar a tolerância da Sardinella brasiliensis para diferentes condições de
salinidade e temperatura, a fim de determinar as condições ideais para a mesma.

Estudar os sedimentos encontrados abaixo da área de cultivo como forma de
complementação aos dados obtidos.
40
7. Referências Bibliográficas
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Pg 229 – 238.
46
8. ANEXOS
Tabela 15: Valores de correlação dos parâmetros com o fator analisado na ACP.
Parâmetro
Temperatura
Salinidade
OD
pH
NH4
NO2
NO3
PO4
Si
Clo-a
MPS
DBO
COP
*Vel Vento
*Precipitaçao
Fator 1
0,683683
0,654101
-0,306848
0,722641
0,479166
-0,341228
-0,735645
-0,413155
-0,631876
0,812350
0,317577
-0,691523
0,871003
-0,294739
-0,585730
Fator 2
0,414015
0,684878
-0,544102
-0,372326
-0,210859
0,793073
-0,437136
0,665910
-0,293006
-0,427603
0,474342
0,279828
-0,113253
-0,144466
0,086454
Tabela 16: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a temperatura
no experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC.
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,970951
T2
0,946427
0,975444
T3
0,905835
0,934734
0,959235
Tq1F
0,956073
0,927102
0,902693
0,862389
Tq2F
0,912934
0,884132
0,859912
0,820016
0,956721
0F
0,799410
0,827610
0,851635
0,891848
0,757295
0,716543
47
Tabela 17:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a salinidade no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,891922
T2
0,862705
0,970412
T3
0,875465
0,983354
0,987053
Tq1F
0,097525
0,075228
0,069975
0,072232
Tq2F
0,092093
0,070896
0,065911
0,068053
0,975737
0F
0,030549
0,022809
0,021039
0,021797
0,564857
0,585358
Tabela 18: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o oxigênio
dissolvido no experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC.
(p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,437298
T2
0,724069
0,263213
T3
0,555620
0,178851
0,811781
Tq1F
0,133402
0,450210
0,068668
0,042466
Tq2F
0,042660
0,186354
0,020082
0,011815
0,557089
0F
0,003970
0,023496
0,001714
0,000966
0,109073
0,293809
Tabela 19: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o pH no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,619745
T2
0,322428
0,615583
T3
0,328381
0,624347
0,990000
Tq1F
0,755548
0,421935
0,198180
0,202328
Tq2F
0,821804
0,472427
0,228142
0,232766
0,931206
0F
0,483047
0,236835
0,098774
0,101116
0,694185
0,631996
48
Tabela 20: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a NH4+ no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,749223
T2
0,832935
0,913208
T3
0,715014
0,495292
0,565653
Tq1F
0,370456
0,560601
0,490595
0,212669
Tq2F
0,135162
0,232314
0,194479
0,068020
0,529979
0F
0,661802
0,905781
0,820231
0,424895
0,642113
0,279481
Tabela 21:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO3- no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,898851
T2
0,928249
0,828153
T3
0,808183
0,711778
0,878521
Tq1F
0,084971
0,066374
0,100740
0,133226
Tq2F
0,579083
0,496438
0,641560
0,753912
0,227058
0F
0,568562
0,656881
0,509899
0,418571
0,026461
0,266004
Tabela 22:Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o PO43- no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,401478
T2
0,794244
0,560045
T3
0,711485
0,635195
0,912851
Tq1F
0,367898
0,949650
0,518886
0,591274
Tq2F
0,116744
0,444296
0,184592
0,221114
0,482033
0F
0,079873
0,336247
0,129894
0,157579
0,367898
0,839933
49
Tabela 23: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o Si no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,833262
T2
0,665173
0,823535
T3
0,488255
0,627587
0,792429
Tq1F
0,711203
0,872743
0,949840
0,744523
Tq2F
0,131092
0,188875
0,270314
0,396456
0,245080
0F
0,416184
0,544329
0,700115
0,902536
0,654385
0,466473
Tabela 24: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a clo-a no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,260661
T2
0,545536
0,593804
T3
0,259169
0,997053
0,591276
Tq1F
0,285089
0,035082
0,101747
0,034810
Tq2F
0,227936
0,025859
0,077482
0,025654
0,886058
0F
0,116072
0,010846
0,035034
0,010756
0,593360
0,695230
Tabela 25: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o MPS no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,467919
T2
0,119728
0,387398
T3
0,098667
0,334059
0,916568
Tq1F
0,091073
0,313935
0,882941
0,966094
Tq2F
0,040153
0,162303
0,577658
0,650543
0,681228
0F
0,084158
0,295147
0,850363
0,933090
0,966932
0,711710
50
Tabela 26: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a DBO5 no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,983201
T2
0,625174
0,640035
T3
0,911242
0,927951
0,705574
Tq1F
0,837178
0,820793
0,489235
0,751462
Tq2F
0,839309
0,822915
0,490923
0,753528
0,997820
0F
0,255384
0,247092
0,110739
0,213773
0,347374
0,346019
Tabela 27: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o COP no
experimento de cultivo, na Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. (p<0,05)
Ponto
0S
T1
T2
T3
Tq1F
Tq2F
0S
T1
0,454757
T2
0,716752
0,697638
T3
0,236239
0,651861
0,404046
Tq1F
0,600348
0,820567
0,871137
0,499362
Tq2F
0,550313
0,185562
0,340754
0,082042
0,267525
0F
0,788272
0,313068
0,529258
0,150743
0,430432
0,740903
Tabela 28: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a temperatura,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,546401
0,166441
0,050548
0,151862
0,050553
0,847791
51
Tabela 29: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a salinidade,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,491880
0,000000
0,000000
0,000172
0,000022
0,004313
Tabela 30: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o oxigênio
dissolvido, comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense.
(p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,151757
0,000014
0,000000
0,696047
0,321424
0,000008
Tabela 31: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o pH,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,001847
0,000025
0,000000
0,025979
0,000001
0,072567
52
Tabela 32: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o PO43-,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,805355
0,000072
0,000308
0,113711
0,191759
0,026666
Tabela 33: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o Si,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,384865
0,065166
0,007842
0,675262
0,217873
0,188575
Tabela 34: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o COP,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,804442
0,000000
0,000000
0,000000
0,000000
0,131558
Tabela 35: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO2comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,902604
0,003421
0,003185
0,000000
0,000000
0,000060
53
Tabela 36: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NO3-,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,842194
0,000000
0,000000
0,000000
0,000000
0,149892
Tabela 37: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o NH4+,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,737417
0,109217
0,058758
0,564561
0,379986
0,357848
Tabela 38: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para a Clo-a
comparando, a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,520392
0,000000
0,000000
0,142117
0,412900
0,000020
Tabela 39: Matriz de correlação entre os pontos amostrados para o MPS,
comparando a área de cultivo com o setor norte da costa catarinense. (p<0,05)
Norte
Sup
Norte
Sup
Norte
Fun
Cult
Sup
Cult
Fun
Norte
Fun
Cult Sup
0,544322
0,001649
0,014598
0,000056
0,000670
0,180542
54
55
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Avaliação da qualidade da água em cultivo experimental