SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH Objetivo: A produção de alumínio primário é um processo industrial com elevado potencial de riscos à saúde dos trabalhadores. Consideramos neste artigo, como avaliar os riscos à saúde da comunidade associados a emissões de fundições de alumínio primário. Métodos: Examinamos a literatura sobre os efeitos na saúde, dados de exposição da comunidade e as relações doseresposta dos principais agentes perigosos emitidos. Resultados: Com base nas concentrações representativas de exposições medidas das comunidades, tivemos condições de fazer estimativas aproximadas sobre os riscos de saúde associados com agentes específicos e categorizá-los como nenhum, baixo, médio ou alto. Conclusões: É possível realizar uma estimativa aproximada de avaliação de risco à saúde das comunidades para cada fundição,, com base em informações disponíveis na literatura epidemiológica e em dados de exposição de comunidades locais. A produção do metal alumínio primário é um processo industrial bem estabelecido e vital. O metal alumínio tem inúmeras aplicações na sociedade moderna, que se tornou muito dependente de sua disponibilidade. Infelizmente, o processo de fundição (Hall-Héroult) é repleto de riscos bem documentados, para a saúde dos trabalhadores em suas operações. Ao longo do século, desde a sua criação, têm sido levantadas questões relativas aos potenciais impactos das emissões do processo sobre a saúde de moradores dos bairros adjacentes. Este artigo analisa as exposições tóxicas conhecidas que emanam de fundições e considera alguns dos fatores que podem tornar certas exposições uma preocupação para a saúde das comunidades. Ele considera meramente as fundições que utilizam o processo eletrolítico Hall Héroult e não considera a fabricação de produtos transformados de alumínio ou a produção secundária de alumínio por meio de processos de reciclagem. Também não estão abrangidas neste artigo, refinarias de alumina, que extraem e calcinam óxido de alumínio anidro, grau fundição (alumina), a partir do minério bruto (bauxita) usando o processo Bayer. Existem dois tipos básicos de fundições de alumínio: 1. Fundições Søderberg: no processo Søderberg (Fig. 1), os anodos das células eletrolíticas (cubas) são compostos por uma pasta de coque de petróleo e piche de alcatrão. O processo ocorre a temperaturas superiores a 900o C, gerando voláteis abundantes de piche de alcatrão. Esses fumos são ricos em hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), cancerígenos, que são liberados diretamente na área de trabalho durante algumas atividades de alimentação das cubas. 2. Fundições prebake: neste processo (Fig. 2), os anodos são “pré-cozidos” (geralmente em uma unidade separada em fornos ventilados de pré-cozimento). Os voláteis de piche de alcatrão são então liberados antes do anodo ser introduzido na Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.1 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH “cuba” eletrolítica. Algumas exposições a HAPs ainda ocorrem em certas operações (operações de partidas de cubas e revestimento catodos), mas geralmente em concentrações muito mais baixas do que nas fundições Søderberg. Além das grandes diferenças na composição do anodo e nas exposições do trabalhador ao HAP, os demais componentes dos processos são semelhantes, envolvendo a passagem de alta corrente elétrica através de um banho eletrolítico fundido de criolita (Na 3AlF6) e fluoreto de alumínio (AlF3), em que a alumina é dissolvida. As principais exposições ocupacionais são discutidas a seguir. OBJETIVOS Este artigo tem por finalidades considerar as emissões de fundições de alumínio primário com possível potencial de danos à saúde de moradores próximos às fundições de alumínio, e, com base nos resultados de estudos epidemiológicos e nos dados de exposição de comunidades, descrever um método de avaliação de risco à saúde (HRA - Health Risk Assessment) para identificar aquelas exposições que podem necessitar de maior prioridade no controle. MÉTODOS Foram coletados 298 estudos publicados em jornais revisadas por especialistas (peer reviwed), usando as palavras-chave "fundição de alumínio, processo Hall-Héroult”, fluoreto, dióxido de enxofre, PM, PM10, PM2,5, HAP, benzo[α]pireno, câncer ocupacional, câncer de bexiga, câncer de pulmão, avaliação de risco à saúde, saúde da comunidade, ruído" e outros. Foram analisados os seguintes dados: resultados de estudos epidemiológicos de efeitos da produção de alumínio sobre a saúde; perigos à saúde, conhecidos e suspeitados, procedentes de fundições de alumínio; estudos de efeitos sobre a saúde de comunidades vizinhas a fundições de alumínio primário; estudos de efeitos sobre a saúde de comunidades (não especificamente cidades com fundições), com a exposição aos principais riscos identificados anteriormente; dados de concentração de exposição das comunidades vizinhas a fundições, aos agentes perigosos de interesse. Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.2 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH Assim, foi conduzida uma Avaliação de Risco à Saúde usando-se comparações entre as concentrações reais ou estimadas de exposição de comunidades e aqueles associados com resultados adversos nos estudos sobre fundições, comunidades não ligadas a fundições, ou ambos, com o fim de analisar o risco em comunidades vizinhas a fundições de alumínio. A etapa final foi a de se atribuir cada perigo a uma das quatro categorias de risco: nenhum, baixo, médio ou elevado (Tabela 1). Identificação de potenciais perigos das fundições à saúde As exposições ocupacionais em fundições de alumínio primário estão bem identificadas por Jelinic et al1 e a International Agency for Research on Cancer IARC [Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer]2. Elas são mostradas na Tabela 2, com o(s) respectivo(s) efeito(s) sobre a saúde e uma indicação sobre a presença ou ausência de evidências para os efeitos adversos à saúde de trabalhadores de fundições. Concentrações típicas de exposições no local de trabalho Concentrações de exposição ocupacional têm sido relatadas em várias publicações1-3. Benke et al3 analisaram as médias das concentrações ponderadas no tempo relatadas, dos principais contaminantes em fundições de alumínio primário das décadas de 1950 a 1996 em vários países, para ambos os processos, prebake e Søderberg. A Tabela 3 sintetiza tais dados, que podem servir como uma base para comparação com as concentrações de exposições bem menores, constatados em comunidades vizinhas. Revisão de estudos epidemiológicos que examinam os efeitos na saúde em relação a exposições aos perigos no local de trabalho O câncer ocupacional Os primeiros relatórios sobre a suspeita de taxas elevadas de câncer, foram da Rússia4. Os cânceres de pulmão e estômago, apareceram com valores acima dos esperados, mas dados de história de o tabagismo não estavam disponíveis. Estudos posteriores em fundições canadenses e norueguesas confirmaram as taxas de incidência elevadas de câncer de pulmão 5-7 e bexiga7-10. As relações dose-resposta foram claramente demonstradas entre esses efeitos e dose de exposição cumulativa a material solúvel em benzeno e benzo [α] pireno (BaP), após o controle do hábito de fumar. Estes e outros estudos11,12 também encontraram evidências frustrantemente inconsistentes sobre o aumento das taxas de incidência de linfomas, bem como de câncer de estômago e pâncreas. Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.3 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH FIGURA 1. Célula Søderberg de pino horizontal (cuba). (Da indústria de alumínio primário: documento de respaldo técnico para padrões de máxima conformidade tecnológica alcançável propostos. Gabinete da Divisão de Planejamento de Qualidade do Ar e Padrões de Emissão, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, julho de 1996.). Doenças Pulmonares Ocupacionais Asma Os dados de uma associação entre o processo de Hall-Héroult' e a asma têm sido questionados há mais de 70 anos. Estudos escandinavos 13 e australianos tendem a concluir pela sua existência e chamar a doença de "asma da sala de cubas", apesar de estudos norte-americanos deixarem de confirmar a incidência excessiva. Os supostos agentes causais incluem fluoretos (HF e particulados), dióxido de enxofre e poeiras de redução (inaláveis, totais, respiráveis, ultrafinos ou nano partículas). Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.4 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH FIGURA 2. Célula prebake de função central (cuba). (Da indústria de alumínio primário: documento de respaldo técnico para padrões de máxima conformidade tecnológica alcançável proposto, Gabinete da Divisão de Planejamento de Qualidade do Ar e Padrões de Emissão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos , julho de 1996.) Um estudo americano, de fato documentou uma incidência elevada de asma14 e descobriu uma associação com o fluoreto gasoso. Por outro lado, um estudo australiano15 recente constatou uma forte associação com a exposição ao dióxido de enxofre. De longe, o maior estudo já realizado sobre a saúde pulmonar na indústria do alumínio primário (comunicação pessoal; Richard Martin; estudos sobre fundições de Quebec de 1982 e de 1995-1998) envolveu mais de 5000 trabalhadores de fundições de Quebec. As taxas de incidência de asma após admissão foram semelhantes nos trabalhadores expostos e não expostos. Infelizmente, esse estudo ainda não foi submetido a uma publicação examinada por especialistas. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica Há uma boa consistência nos estudos de morbidade-mortalidade com prevalência aumentada e taxas de mortalidade para esta doença entre os trabalhadores da Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.5 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH eletrólise na produção de alumínio16. O estudo inédito em Quebec acima mencionado mostrou uma associação significativa entre o trabalho com exposição ao processo eletrolítico e o baixo valor do volume expiratório forçado no primeiro segundo (FEV-1). Isto se confirmou nos dois tipos de fundição: Søderberg e prebake, sugerindo que os HAPs não representam uma grande influência na geração da doença pulmonar obstrutiva. Câncer de Pulmão Consultar a seção “Câncer Ocupacional”. Sensibilidade ao Berílio Embora exista uma exposição significativa à poeira contendo teor de berílio em certas fundições, a sensibilidade ao berílio nos trabalhadores de fundições de alumínio parece ser rara como é mostrado em dois estudos realizados na América do Norte e na Noruega (prevalência de 0,47% e 0,28%, respectivamente). 17,18 Efeitos à Saúde causados pelo barulho A perda auditiva causada pelo barulho é bem documentada em fundições de alumínio, onde as exposições de certos grupos homogêneos de exposição ou funções pode exceder 85 dBA para turnos de 8 horas ou 82 dBA para turnos de 12 horas. A contribuição das operações de produção de alumínio para os níveis de pressão sonora nas comunidades continua bem abaixo desses níveis e, portanto, não se espera haver perda auditiva provocada pelo barulho oriundo de fundições em cidades com fundições. Asbestose, mesotelioma e silicose Estas são doenças identificadas em instalações de produção de alumínio, mas como os seus agentes causais não são componentes significativos de emissões de fundição para o meio ambiente, elas não serão discutidas aqui. Os campos eletromagnéticos também não serão considerados, porque as exposições dentro das fundições não representam uma "emissão" à qual os moradores possam estar expostos de forma significativa. Apesar das linhas de transmissão elétrica percorrerem as comunidades com fundições, os campos por elas gerados não representam exposições originárias de fundições e estão, portanto, fora do âmbito do nosso tema. Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.6 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH Estudos dos efeitos dos perigos relevantes para as emissões de fundição de alumínio primário sobre a saúde das comunidades Benzo [α] Pireno Extrapolando as relações dose-resposta observadas nos empregados de fundições, Gibbs19 estima um risco de 4,4 casos adicionais de câncer de pulmão por 100.000 pessoas expostas durante 50 anos a 1 ηg/m3 BaP. Armstrong e Gibbs20 mais tarde revisaram a relação dose-resposta para trabalhadores da fundição e descobriram que um modelo de relação linear previa um risco relativo de 1,35 por 100 μg / m 3-anos de exposição cumulativa a BaP, e um modelo de curva de potência multiplicativa (o melhor ajuste) previu um RR de 2,68. Vyskočil et al21 avaliaram criteriosamente os riscos de câncer de pulmão ao longo da vida em cidades com e sem fundições, com base nos dados de exposição a BaP disponíveis. Ao realizarem a avaliação quantitativa do risco, utilizando dados epidemiológicos com base nas exposições a BaP, eles encontraram (limite superior) riscos excessivos de câncer de pulmão, considerada a vida toda, entre 0,02 e 89 por 100 mil habitantes em cidades com fundições. As exposições ocupacionais nas cidades com fundições estudadas são quase exclusivamente do sexo masculino, o que tenderia a confundir a relação entre as concentrações de exposição das comunidades com o risco de câncer em homens nessas comunidades. No entanto, houve uma relação linear entre as taxas de exposição BaP das comunidades e as de câncer de pulmão em mulheres com um coeficiente de correlação (R) próximo de 0,8. Além disso, um estudo sobre as taxas de câncer de pulmão e a exposição regional a BaP na mesma região geográfica (região de Saguenay-Lac Saint Jean da província de Quebec) fez revelar uma elevação de câncer de pulmão em mulheres no distrito mais exposto de uma cidade com fundição. 22 Berílio As concentrações de aerodispersóide de berílio na vizinhança foram 100 a 300 vezes mais baixas do que o limite de exposição recomendado pela agência ambiental americana (EPA), de 0,01 μg/m3 em estações de amostragem de qualidade do ar, próximas de uma fundição, usando alumina com teor de berílio (comunicação pessoal; Rio Tinto Alcan). Trabalhadores expostos a concentração de berílio igual ou superior a uma concentração arbitrária de nível de ação abaixo do novo TLV da Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.7 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Hygienists [Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais] e constatou-se que eles não estavam sensibilizados ao berílio (Teste de Proliferação de Linfócitos de Berílio). Assim, é razoável pressupor que as exposições das comunidades não estejam causando sensibilização relacionada com o berílio ou doenças em moradores que vivem perto daquelas fundições. Material Particulado Atualmente existe um impressionante conjunto de literatura científica sobre os efeitos dos aerodisperóides à saúde das comunidades. Os estudos conjugam a avaliação dos efeitos sobre a saúde, de partículas mais finas, com um diâmetro aerodinâmico inferior a 2,5 μm (PM 2,5), e a avaliação dos efeitos de partículas com menos de 10 μm de diâmetro (PM10). Material particulado com diâmetro inferior a 10 μm (PM10) Há uma abundância de estudos sobre os potenciais efeitos na saúde da exposição a aerossóis de material particulado. A exposição ao PM10 tem sido associada a sintomas respiratórios de tosse e chiado, surgimento e agravamento da asma em adultos e crianças, internações por doenças respiratórias e cardiovasculares, taxas de mortalidade em grupos vulneráveis (idosos e recém-nascidos) e de baixo peso ao nascer. Um estudo com crianças suecas mostrou uma relação significativa entre a exposição a PM10 no primeiro ano de vida e o aparecimento de asma antes da idade de 12 anos23. Uma meta-análise de 36 estudos europeus de concentrações de PM10 (média de 24 horas de concentrações PM10 variando de 10 a167 μg/m3) e sintomas de asma em crianças, mostrou uma associação significativa24. Em uma análise de cinco estudos europeus foi confirmada uma associação entre exposições de longo-prazo a PM10 e a mortalidade (mortes totais e mortes por causas cardiovasculares e respiratórias), com as relações dose-resposta estatisticamente significativas25. Em um estudo26 prospectivo de coorte de mulheres na Alemanha, a exposição PM10 foi significativamente associada com as crescentes taxas de mortalidade por câncer cardiopulmonar e de pulmão por todas as causas. Material particulado com diâmetro menor que 2,5 μm (PM2,5) Foram constatados resultados semelhantes para exposições a estas partículas mais finas. Todavia, alguns estudos descobriram que estas últimas são mais fortemente Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.8 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH associadas aos efeitos cardiovasculares adversos. Em idosos de Madrid27, tanto o PM10 como o PM2,5 estavam associados com aumento de mortalidade por causas respiratórias, enquanto as mortes por causas cardiovasculares foram significativamente associadas apenas com a exposição ao PM2,5. Em Nova Iorque28, ao longo de um período de cinco anos, paradas cardíacas fora do hospital foram significativamente associadas a PM2,5 (RR acima de 1,06 por aumento na exposição a PM2,5 de 10 μg/m3), durante as estações quentes, mas não com CO 2, ozônio, SO2 ou NO2. Uma investigação semelhante em Melbourne 29 rendeu resultados quase idênticos. Um estudo prospectivo de coorte com 125 mil professoras e ex-professores da Califórnia, acompanhados por mais de 10 anos30, mostrou uma associação entre PM10, PM2,5, exposições a óxidos de nitrogênio, mortalidade por cardiopatia isquêmica e incidência de AVC que era mais forte na exposição ao PM2,5. Há sugestão de que estes efeitos sejam predominantemente importantes em idades mais avançadas pela falha em se detectar uma associação entre exposições a PM2,5 e PM10 e eventuais efeitos adversos na saúde cardiopulmonar em um grupo de 2.800 jovens (idade média de 32 anos) militares norte-americanos, durante um período de 18 meses no sudoeste da Ásia31. Um estudo recente com crianças asmáticas que vivem dentro de um raio de 7,5 km de uma fundição Søderberg, na província de Quebec 32 apontou uma associação significativa com o tempo de exposição em local a favor do vento, a partir da fonte de emissão da fundição e das internações por asma e bronquiolite. As concentrações de PM2,5 e SO2 máximas foram de 967 μg/m3 e 434 ppb, respectivamente. Dióxido de Enxofre O dióxido de enxofre é um irritante respiratório bem conhecido e tem sido demonstrado de forma confiável, provocar broncoconstrição em pessoas com asma, de uma forma dose-relacionada, começando em cerca de 200 ppb em pessoas com asma de leve a moderada33. Um estudo em Montreal34 com crianças que residiam nos arredores de uma refinaria de petróleo revelou uma associação dose-dependente entre o aumento da exposição a SO2 e asma ativa, que se tornou estatisticamente significativo no precário controle da asma. Outra investigação35 na mesma cidade constatou que os aumentos de curto prazo de SO2 estavam consideravelmente relacionados ao aumento do número de episódios de asma, atendimentos de emergência e hospitalizações por asma (também em crianças). Embora a composição das emissões de refinarias de petróleo seja bem diferente das de fundições de alumínio, esses resultados dão plausibilidade a um papel do SO2 em exacerbar a asma em moradores das comunidades. Descobriu-se em Xangai que a exposição ao Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.9 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH dióxido de enxofre tem conexão linear independente com a mortalidade total, mesmo após o controle da exposição a PM10 36. O estudo de Quebec anteriormente citado32 sobre crianças asmáticas que moravam nas proximidades de uma fundição Søderberg revelou concentrações médias diárias de SO2 nas regiões a favor do vento da fundição que vão até 168 ppb, com concentrações médias horárias de até 434 ppb. Fluoretos Fundições de alumínio primário emitem fluoretos em formas gasosas e de partículas. O papel dos fluoretos na saúde de uma comunidade tem sido menos estudado do que o impacto de PMs, SO2 e NOx. Em cidades com fundições de alumínio, é difícil definir esse papel, porque os fluoretos vêm invariavelmente acompanhados de uma quantidade significativa de material particulado e SO 2. Um estudo em crianças na cidade norueguesa com fundição chamada Årdal37, revelou uma associação significativa entre responsividade brônquica e exposição recente a concentrações máximas tanto de SO2 como de fluoretos. Em crianças indígenas, que vivem perto de uma fundição de alumínio no interior de Nova York, a obstrução respiratória foi associada ao aumento de fluoreto urinário38. O estudo mencionado por Abramson et al15 sobre a asma das salas de cuba pode lançar alguma luz sobre a importância relativa do fluoreto comparado ao do SO2 no impacto sobre o aparelho respiratório das comunidades vizinhas de fundições. Os níveis médios de fluoreto na região de Årdal, durante um período de 30 dias, foram de 1,6 μg/m3 com um percentil 10 de 0,8 μg/m3 e percentil 90 de 2,8 μg/m3. Barulho Conforme mencionado no tópico anterior "Análise de estudos epidemiológicos, que examinam os efeitos à saúde de exposições aos perigos no local de trabalho", a influência de operações de produção de alumínio sobre os níveis de barulho das comunidades não atinge os padrões elevados necessários para causar perda de audição e, assim, não se espera haver perda auditiva provocada por ruídos oriundos de fundições, em cidades com essas operações. No entanto, a contribuição das fundições para o barulho ambiental pode chegar a níveis ambientais próximos de 50 dBA (comunicação pessoal; fábrica de Laterrière, Rio Tinto Alcan, em Quebec). Os níveis de barulho de fundo na comunidade com fundição variou de 35 a 38 dBA, na ausência de operações de fundição, e de 44 a 48 dBA durante as operações (24 horas Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.10 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH por dia). Esses últimos níveis ficaram muito inferiores aos que têm sido associados ao risco aumentado de infarto do miocárdio num estudo39, mas cai na faixa de "área barulhenta" (Leq acima de 45 dBA) para a qual um outro estudo40 descobriu uma significativa razão de probabilidade ajustada de 1,58 para hipertensão em homens. O barulho de tráfego rodoviário também foi associado à hipertensão em uma cidade sueca41 para homens e mulheres. Outro estudo sueco42 mostrou uma razão de probabilidade significativa de 1,27 para hipertensão arterial em indivíduos de 40 a 59 anos de idade, expostos a 60 a 64 dBA. Cada acréscimo de 5 dB em Leq24 além de 45 dBA foi seguido de um aumento da razão de probabilidade de 1,38 para hipertensão. A fundição da fábrica Laterrière baixou os níveis sonoros sobre a comunidade em 1999, ao instalar um sistema abafador nas chaminés com emissões, resultando em exposições na faixa de 33 a 40 dBA, pouco mais do que o barulho de fundo da fase prévia à instalação. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise de riscos para a saúde, de emissões de fundição de alumínio é uma tarefa difícil, que requer conhecimento específico dos processos industriais e de seus subprodutos, resultados de pesquisa dos potenciais efeitos sobre a saúde ocupacional e da comunidade, dados de medições de exposição regionais, contribuições das fundições para esses dados, características demográficas da comunidade e dados sobre os efeitos à saúde da comunidade local. Encontramos muita incerteza em vários níveis. Uma das tarefas mais difíceis é estimar a contribuição de uma determinada fundição para a concentração de contaminantes do ar na comunidade ao redor. Quanto mais urbana for a área, mais densamente habitada e industrializada ela será e mais difícil essa tarefa se tornará. Alguns estudiosos como Boullemant43, têm conseguido empregar novas formas de abordagem usando rastreamento por isótopos para calcular a proporção de PM2.5 sobre a comunidade, que se originou a partir dos anodos de fundições locais, embora tais subsídios técnicos sejam uma exceção. Grande parte da informação disponível sobre os impactos na saúde de comunidades envolve riscos relativos com concentrações crescentes, mas não é tão útil para fornecer dados sobre os limites de exposição abaixo do quais seja improvável o dano. Deve-se ter muito cuidado para extrapolar relações dose-resposta Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.11 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH provenientes de estudos com trabalhadores para moradores de comunidades, cujas características diferem (por exemplo, este último grupo inclui grupos vulneráveis como crianças, idosos, mulheres grávidas, um maior número de pessoas com doenças respiratórias e outras doenças crônicas e deficiências). Na estimativa de risco, fizemos uma abordagem de pior cenário e utilizamos as medidas de exposições mais elevadas das comunidades, as estimativas mais altas de risco de outras fontes19-21, e consideramos estudos que mostraram impactos plausíveis na saúde da comunidade a partir dos agentes em consideração. A vida útil das operações modernas de alumínio primário geralmente é de 50 anos ou mais. Os critérios de concepção desses complexos industriais são determinados para garantir a sua conformidade de longo prazo com as regulamentações locais e internacionais de saúde, segurança e meio ambiente. Não obstante, uma ameaça grave está surgindo: dado o crescimento significativo e sustentado da demanda global de alumínio, a indústria está enfrentando uma escassez de matérias-primas com baixo teor de enxofre, como o coque de petróleo. Atualmente, várias unidades consideram o uso de coque de petróleo com maior teor de enxofre, o que poderia resultar num acréscimo significativo de emissões de dióxido de enxofre e, por sua vez, da concentração deste poluente no ar urbano das comunidades situadas no entorno, representando um risco crescente para a saúde do público em geral. CONCLUSÕES Concluímos que a análise de riscos à saúde de comunidades por uma fundição de alumínio pode ser realizada, comparando níveis representativos de exposição na comunidade e riscos conhecidos à saúde, presentes em emissões de operações de alumínio primário com as concentrações de exposição estabelecidas como prejudiciais nos estudos de saúde das comunidades ou outras análises de impacto. Onde forem escassos os dados de saúde da comunidade, a literatura de saúde ocupacional pode fornecer uma visão sobre as relações dose-resposta, que poderiam ser utilizadas na avaliação do risco. É importante nessas avaliações, considerar os níveis históricos de exposição, porque alguns dos efeitos de interesse sobre a saúde, envolvem longos períodos de latência. Os autores consideram, dependendo da tecnologia, proximidade e outros fatores, que o risco não é zero para os efeitos adversos à saúde da comunidade a partir de BAP (fundições Søderberg apenas), fluoreto, barulho, material particulado e dióxido de enxofre. A melhoria contínua no Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.12 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH controle de emissões continua a ser, portanto, uma alta prioridade para todos os produtores de alumínio primário. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem (1) Mme Jany McKinnon do Québec Ministère du Développement durable, de l'Environnement, de la Faune et des Parcs, por sua ajuda indispensável no fornecimento de dados de qualidade do ar a partir de estações de coleta nos municípios com fundições em Quebec e (2) Elizabeth Czanyo, bibliotecária da Canadian Medical Association, por contribuir na busca de artigos relevantes. Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.13 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH TABELAS TABELA 1. Classificação de risco dos riscos mais significativos à saúde da comunidade associados à produção de alumínio primário Risco Dados de exposição da comunidade* Níveis de exposição da comunidade que indicaram ser prejudiciais em estudos sobre EPI/limites de exposição Plausibilidade do efeito sobre a saúde da comunidade 0,5-90‡ Dados insuficientes/0,9§ Sim Berílio, ¶ µg/ m3 PM10, µg/ m3 0,000031 – 0,00012 PM2,5, µg/ m3 S02 ppb 7,1-15,1#;3,7-16,6‡; 1,7-5,6||; 0,08-335,0332 (média diária) 0,75-3037; 1-12,3‡; 0,2-1,9||; Nenhum caso da comunidade/0,01 (EPA USA) Dados inconsistentes/150§/20 média anual 50 µg/ m3 média 24 horas (OMS) RR= 1,09 por 10-µg/aumento28/25 (OMS)/35§ 20028,37/75 (EPA EUA) Fluoretos totais (como F), µg/ m3 Fluoretos gasosos (como HF), µg/ m3 Ruído dBA 0,06-0,25** <2-3†† 0,8 – 2,8037 0,16-0,26|| 44-48 Benzo(a)pireno ŋg/m3 11,6 – 31,9‡ 8,0-10,9|| 2,837/13,0 (REL Calif crônico) Categoria proposta de risco † Nenhum: para comunidades de fundições prebake Baixo a médio: para comunidades de fundições Søderberg Não Sim Nenhum Baixo Sim Médio Sim Médio Sim Nenhum a baixo Sim Baixo 14,0 µg/ m3 (REL Calif crônico) >4541; ≥6042/Leq24 < 45 interior, <55 exterior (EPA EUA); ‡‡ * Não necessariamente típico ou representativo; média anual, salvo indicação em contrário; contribuição de fundição desconhecida a menos se indicado. O leitor irá notar que as unidades usadas para medições de ar da comunidade para benzo[ α]pireno, fluoretos e dióxido de enxofre são duas a três ordens de grandeza menores do que para as exposições do trabalhador (ηg, μg e PPB, conforme comparação com μg, mg e ppm, respectivamente). † Aos níveis de exposição de comunidades com fundições citados nesta tabela - coluna 2. Julgamento qualitativo que considera o número de pessoas em situação de risco, gravidade do efeito e probabilidade do efeito. ‡ Quebec Ministry of Sustainable Development, Environment, Wildlife and Parks [Ministério de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente, Vida Animal e Parques] (dados de quatro cidades com fundições de Quebec). §Padrão nacional de qualidade do ar-ambiente, dos Estados Unidos. ¶Shawinigan QC 2002, média aritmética de julho e agosto. ||Rio Tinto Alcan (RTA) Operações BC, Relatório Ambiental Anual 2012, Capítulo 6, Monitoramento de Qualidade do Ar e página web da RTA Operações em Alma, seção Meio Ambiente e Comunidade. # Exposição GM 2012: intervalo para quatro cidades com fundições de Quebec. Contribuição estimada da fundição = 3%.43 **Estimativa baseada no pressuposto de que os fluoretos representam 50% de emissões atmosféricas de uma moderna fundição. Além disso, a partir do trabalho de Boullemant43 , a emissão PM2,5 de uma moderna fundição de alumínio primário representa 3% da concentração total de PM2,5 no ar urbano. ††Nível relatado pela OMS (critérios ambientais 227) como níveis típicos de SO 2 habitualmente encontrados nos arredores de fontes de emissão. ‡‡ Esse nível de ruído é muitas vezes usado como um critério de projeto para novas instalações. EPA, Agência de Proteção Ambiental; REL, Limite Recomendado de Exposição; OMS, Organização Mundial da Saúde. Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.14 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH TABELA 2. Potencial de perigos à saúde com a base para seus respectivos limites de exposição Efeito(s) na saúde cujos limites de exposição foram definidos pela ACGIH ou outra autoridade Evidência de efeitos responsável por limites de exposição; Outro(s) adversos in trabalhadores Risco à Saúde Efeito(s) Suspeito(s) ou Plausível(is) de fundições de alumínio Óxido de alumínio (Al2O3) Berílio Monóxido de carbono (CO) Dióxido de carbono (CO2) Pós Respiráveis e inaláveis Fluoretos Campos eletromagnéticos Correntes alternativas e diretas (AC e DC) Dióxido de nitrogênio (NO2) Ruído HAPs (como matéria solúvel em benzeno e benzo(a)pireno Dióxido de enxofre (SO2) Irritação do trato respiratório Toxicidade ao alumínio Sensibilidade ao berílio Doenças crônicas causadas por berílio Dor de cabeça Náusea Asfixia química Dor de cabeça Náusea Hipercapnia, acidose, asfixia Irritação do trato respiratório Arritmia; outros efeitos cardiovasculares Exacerbação da asma; bronquite; Doença pulmonar obstrutiva crônica (DOPC) Irritação do trato respiratório, olhos e pele Asma: casos novos e exacerbação Doença pulmonar obstrutiva crônica (DOPC) Leucemia Linfoma Câncer de cérebro Irritação do trato respiratório superior e inferior Inflamação pulmonar Asma Aumento de sintomas respiratórios Diminuição da função pulmonar Perda auditiva causa por ruído Perturbação do sono Estresse Hipertensão Câncer: bexiga e pulmão Outros tipos de câncer: estômago, pâncreas, linfoma? Irritação do trato respiratório Exacerbação da asma e bronquite crônica; DOPC Maior suscetibilidade a infecções pulmonares Efeitos cardiovasculares Não Sim (raro) Não Não Sim Sim (as contribuições relativas do fluoreto, SO2 e particulados para esses efeitos são incertas) Não Não Sim Sim (fundições Soderberg) Sim (as contribuições relativas de fluoretos, SO2 e material particulado para esses efeitos são incertas) AC, corrente alternada; ACGIH, American Conference of Governmental Industrial Hygienists; DOPC, doença pulmonar obstructiva crônica; DC, corrente contínua; HAPs, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. TABELA 3. Faixas usuais de exposições TWA para contaminantes principais de local de trabalho em fundições de alumínio primário Contaminante Níveis de Exposição TWA em Locais Típicos de Trabalho Benzo(a) pireno Fundições prebake: 0,02 – 0,20 µg/ m3 Fundições Soderberg: 0,5 – 5 µg/ m3 Fluoretos (Total – HF + particulado F ) 0,2-3,1 mg/m3 (ambos os tipos de fundições) Dióxido de enxofre 0,4-3 mg/m3 (ambos os tipos de fundições) Pós totais 2,4-7,6 mg/m3 (ambos os tipos de fundições) 0,2-6,0 mg/m3 (dados de 2009 a 2010 de quatro modernas fundições prebake*) * Fundição com cuba prebake de operação central com densidade de fluxo de corrente superior a 180 kA e taxa local de ventilação de exaustão acima de 1,5 m3/s e equipada com depuração a seco. TWA, time-weighted average (média ponderada no tempo) Copyright © 2014 Lippincott Williams & Wilkins. É proibida a reprodução não autorizada deste artigo. - Texto traduzido, sob autorização, de artigo publicado no Journal of Occupational and Environmental Medicine (JOEM), Número 5S, em maio de 2014.15 SUPLEMENTO Avaliação do Risco à Saúde da Comunidade por Emissões de Fundições de Alumínio Primário Stephen Claude Martin, MD, MSc(A), ABPM(OM), FCBOM and Claude Larivi`ere, BSc, CIH, ROH REFERÊNCIAS 1. Jelinic JD, Nola IA, Udovicic R, Ostoji´c D, Zuskin E. Exposure to chemical agents in aluminium potrooms. Med Lav. 2007;98:407–414. 2. Occupational Exposures During Aluminium Production. IARC_Monographs 100F-22_2012. 3. Benke G, Abramson M, Sim M. Exposures in the alumina and primary aluminium industry: an historical review. Ann Occup Hyg. 1998;42:173–189. 4. Konstantinov VG, Kuzminykh AI. Tarry substances and 3:4 benzpyrene in the air of electrolytic shops of aluminum works and their carcinogenic significance. Gig Sanit. 1971;36:368–371. 5. Gibbs GW, Horowitz I. 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