FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO MARCO ANTONIO PEREIRA ESTUDO DE METODOLOGIA DA GESTÃO DE TI SÃO PAULO 2012 FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO MARCO ANTONIO PEREIRA ESTUDO DE METODOLOGIA DA GESTÃO DE TI Monografia submetida como exigência parcial para a obtenção do Grau de Tecnólogo em Processamento de Dados. Orientador: Prof. Irineu Francisco Aguiar. SÃO PAULO 2012 2 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha família que me apoiou sempre e em especial ao meu pai. 3 RESUMO A Tecnologia da Informação (TI) foi incorporada ao longo do tempo pelas organizações para uma melhor eficiência e eficácia de seus sistemas de negócio. Com o desenvolvimento do computador pessoal e posterior da internet e aplicativos a velocidade de transmissão de informação aumentou e as relações comerciais também obtiveram grande melhora. Num mundo globalizado com esta alta tecnologia a velocidade das transformações e demandas de negócio são muito altas, exigindo um bom gerenciamento da TI para que os custos da mesma sejam compensados pelo valor agregado e serviços que ela proporciona. O gerenciamento de serviços de TI é muitas vezes confundido com a governança de TI a qual é responsável pela estratégia e alinhamento com o negócio da organização, sendo o gerenciamento mais preocupado com a eficácia e eficiência na entrega e suporte dos serviços de TI. Uma das metodologias em gerenciamento de serviços de TI é a Information Technology Infrastructure Library (ITIL), a qual se encontra na terceira versão (V3) e foi primeiramente publicada em 1989 no Reino Unido. Este trabalho visa estudar a metodologia ITIL V3 e discutir alguns conceitos relacionados ao tema. PALAVRAS CHAVES: Gerenciamento de serviços de TI. ITIL. Governança de TI. 4 ABSTRACT The Information Technology (IT) was built over time by organizations for better efficiency and effectiveness of their business systems. With the development of the personal computer and further applications of the Internet and the speed of information transmission increased trade relations also showed great improvement. In a globalized world with this high speed of technology change and business demands are very high, requiring a good IT management for the same costs are outweighed by the value added products and services it provides. The management of IT services is often confused with IT governance which is responsible for strategy and alignment with the organization's business and IT service management is more concerned with managing the effectiveness and efficiency in the delivery and support of IT services. One of the methods of management services is the Information Technology Infrastructure Library (ITIL), which is the third version (V3) and was first published in 1989 in the UK. This work aims to study the ITIL V3 and discuss some concepts related to the topic. KEYWORDS: IT Service Management. ITIL. IT Governance. 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1.1 – Estratégia de Implementação do Gerenciamento de Serviços de TI................. 18 Tabela 2.1 – Características da empresa tradicional e empresas focadas na Informação....... 21 Figura 3.1 – Eficiência e eficácia de TI.................................................................................. 25 26 Figura 4.1 – Processo................................................................................................................... Figura 4.2 – Ciclo de Vida do Serviço – ITIL V3.....................................................................31 Tabela 6.1 – Profissionais Certificados por Departamento...................................................... 53 Tabela 6.2 - Principais Benefícios agregados com a utilização da ITIL................................. 54 Tabela 6.3 – Redução de custo em TI após implantação da ITIL............................................ 54 6 SIGLAS BDGC - Banco de Dados de Gerenciamento da Configuração BMD - Biblioteca de Midia Definitiva COBIT - Control Objectives for Information and related Technology. CCTA - Central Computer Telecommunication Agency IC - Item de Configuração. ITIL - Information Technology Infrastructure Library GTI - Governança de Tecnologia da Informação OGC - Office of Government Commerce PDCA - Plan Do Check Act PETI - Plano Estratégico de Tecnologia da Informação PEE - Plano Estratégico Empresarial SDP - Service Design Package S.I - Sistema de Informação SGC - Sistema de Gerenciamento da Configuração SGCS - Sistema de Gerenciamento do Conhecimento de Serviço T.I - Tecnologia da informação 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 9 1. CAPÍTULO 1 – GOVERNANÇA.................................................................................... 12 1.1. Conceitos de governança corporativa.......................................................................... 12 1.2. Conceitos de governança de TI................................................................................... 13 1.3. Gerenciamento de ti e governança de TI.................................................................... 16 2. CAPÍTULO 2 - A TI TRADICIONAL E A NOVA TI ORIENTADO A SERVIÇOS.. 20 3. CAPÍTULO 3- EFICIÊNCIA E EFICÁCIA EM TI............................................................24 4. CAPÍTULO 4 – O PROCESSO E O SERVIÇO................................................................. 26 4.1. Processo..........................................................................................................................26 28 4.2. Serviço............................................................................................................................. 30 4.3. Ciclo de Vida do Serviço em TI...................................................................................... 32 4.4. Definição de valor do Serviço......................................................................................... 4.5. Qualidade de Serviço.....................................................................................................32 5. CAPÍTULO 5 – ITIL.............................................................................................................34 34 5.1. Descrição geral................................................................................................................ 35 5.2. Estratégia de Serviço........................................................................................................ 36 5.2.1. Gerenciamento de Portfólio de Serviço................................................................ 37 5.2.2. Gerenciamento Financeiro.................................................................................... 5.2.3. Gerenciamento da Demanda................................................................................38 38 5.3. Desenho de Serviço......................................................................................................... 5.4. Transição de Serviço.......................................................................................................41 42 5.4.1. Conceitos Gerais................................................................................................... 43 5.4.2. Gerenciamento de Mudança.................................................................................. 44 5.4.3. Gerenciamento da Configuração e de Ativo de Serviço....................................... 5.4.4. Gerenciamento de Liberação e Implantação........................................................45 46 5.5. Operação de Serviço........................................................................................................ 47 5.5.1. Gerenciamento de Incidente.................................................................................. 5.5.2. Gerenciamento de Evento....................................................................................48 5.5.3. Gerenciamento de Problema............................................................................. 49 50 5.5.4. Gerenciamento de Acesso..................................................................................... 5.6. Melhoria de Serviço Continuada....................................................................................51 8 6. ESTUDO DE CASO......................................................................................................... 53 6.1 Resultados.................................................................................................................... 53 7. CONCLUSÃO............................................................................... ......................................56 8. REFERÊNCIAS.....................................................................................................................57 9 INTRODUÇÃO O termo TI (Tecnologia da Informação) abrange mais conceitos do que somente processamento de dados, sistemas de informação (SI), informática, engenharia de software ou o conjunto de hardware e software, abordando também aspectos humanos, organizacionais e administrativos (MORAES, 2011). Entretanto para outros autores a T.I seria a união do hardware (dispositivos e periféricos), software, sistemas de telecomunicações, gestão de dados e gestão de informações. Segundo estes autores o fator humano é essencial para o funcionamento da T.I, mas não faz parte da mesma. Por outro lado, Sistema de Informação com o qual a T.I se envolve para desenvolvimento e melhorias, seria um processo de transformação de dados em informações que são utilizadas na estrutura decisória da empresa e que fornecem a sustentação administrativa visando à melhora dos resultados esperados (ABREU; REZENDE, 2008). Para atender à complexidade e às necessidades das organizações, atualmente não se pode desconsiderar a Tecnologia da Informação e seus recursos, sendo muito difícil a elaboração de Sistemas de Informação importantes para as empresas sem esta tecnologia (ABREU; REZENDE, 2008). Além de auxiliar as empresas e a TI também ocupa espaço na vida das pessoas em suas tarefas diárias e cada vez mais os sistemas de informação têm concentrado as informações necessárias para os negócios e para nosso próprio uso, por isso a exigência tem aumentado com o objetivo de obter bons serviços de TI com custos dentro de um padrão aceitável (FERNANDES, 2008). Portanto o alinhamento entre a TI e o negócio da empresa para qual ela trabalha deve estar correto para que os esforços com a tecnologia deem o retorno esperado para a empresa e a sua função e os custos se justifiquem (MORAES, 2011). Gerenciar a Tecnologia da Informação não é uma tarefa fácil. O desempenho de sistemas de informação frequentemente encontra problemas em muitas empresas. Os 10 benefícios prometidos pela tecnologia da informação não ocorreram em muitos casos documentados. Portanto é visível que em muitos casos a TI não está sendo utilizada de maneira efetiva e eficaz por consequência das falhas no gerenciamento de TI (FOINA, 2006). É fundamental a análise de viabilidade para a efetiva gestão da TI como custos, benefícios mensuráveis e não mensuráveis e respectivos resultados. Considerando neste cenário a realidade econômica, financeira e político-social da empresa com o estado da arte e o sucateamento das tecnologias disponíveis no mercado, além das questões sociopolíticas do ambiente organizacional que podem surgir em função do impacto da TI implantadas. Outros itens também são necessários como: respeito à legislação vigente, plano de necessidades e contingência, foco na inteligência empresarial e plano de gestão da mudança (ABREU; REZENDE, 2008). A empresa que possui uma boa gestão em T.I, com os prazos bem controlados e cumpridos além de sistemas que forneçam as informações corretas no tempo exigido certamente terá um lugar destacado no mercado (FERNANDES, 2008). Desde a possibilidade de um grande “bug” no ano 2000 a preocupação das empresas e dirigentes aumentou em relação à dependência dos seus negócios no que se refere a T.I. (NOLAN; MCFARLAN, 2005). Passou da ideia de despesa e tomou o sentido de solução para as pressões comerciais, sendo que em alguns casos converteu-se de apoio da estratégia empresarial para algo que se confunde com a própria estratégia do negócio. (ASSIS, 2011). O desafio é: como controlar a área de TI e produzir serviços e sistemas de alta qualidade, que suportem as operações das corporações? Buscando respostas a estas preocupações foram desenvolvidos ao longo do tempo metodologias de gerenciamento da tecnologia da informação como, por exemplo, a ITIL (Information Technology Infrastructure Library) que será objeto de estudo deste trabalho. O gerenciamento de serviços de tecnologia da informação é a ferramenta pela qual se toma uma postura proativa em relação às exigências no atendimento das necessidades da organização, contribuindo para a geração de valor por parte da TI. Este gerenciamento visa alocar os recursos de forma adequada, fazendo com que a qualidade do conjunto seja 11 percebida pelos usuários e clientes, evitando-se problemas na entrega e na operação dos serviços de Tecnologia da Informação (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). A ITIL contém um abrangente conjunto de melhores práticas para a identificação de processos de TI e o alinhamento dos seus serviços às necessidades da empresa, mostrando uma abordagem qualitativa para o uso econômico, eficaz e eficiente da infraestrutura de TI, com o objetivo de alcançar vantagens tanto em redução de custos em função de uma maior eficiência na entrega e suporte dos serviços quanto no aumento da capacidade da organização de gerar receita, permitindo que a área aponte esforços para novos projetos no atendimento à estratégia de negócio da empresa (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). 12 CAPÍTULO 1 - GOVERNANÇA 1.1 Conceitos de Governança Corporativa O surgimento da governança corporativa ocorreu da falta de entendimento entre os interesses dos executivos das empresas e dos seus acionistas e, portanto estruturas organizacionais e princípios básicos precisaram ser criados para resolver este problema (FERNANDES, 2008). A Governança Corporativa ganhou força no início dos anos 90 em decorrência da necessidade de administradores de fundos de pensão que precisavam de maior controle e segurança nas operações financeiras realizadas com os investimentos dos acionistas minoritários, os quais possuíam poucas informações sobre as tomadas de decisões (CRISTOFOLI, 2011). Abaixo uma descrição do conceito de governança corporativa: Governança Corporativa é o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas, Conselho de Administração, Diretoria, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade. (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, 2004, p. 6). Outra definição é que a Governança Corporativa possibilita maior agilidade operacional, rapidez e eficiência no atendimento das demandas aprimorando os quesitos de segurança, produtividade, acuracidade e disponibilidade dos processos (CRISTOFOLI, 2011). Ainda segundo Assis (2011), estudos mostram a preocupação de gestores e acionistas com a governança das empresas, relacionando-a ao desempenho e aumento de valor da organização. Esta preocupação com a gestão estratégica da organização e o monitoramento pela direção executiva fez com que fossem criados o Conselho de Administração, a Auditoria Independente e o Conselho Fiscal. Sendo as práticas de governança resumidas em: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa (FERNANDES, 2008). 13 Segundo Silveira (2002), a governança corporativa é um conjunto de mecanismos internos e externos que visam melhorar a relação entre gestores e acionistas, dada a separação entre controle (gestores) da empresa e propriedade (gestores e acionistas) da mesma. Entre os mecanismos internos encontra-se o Conselho de Administração, a remuneração dos gestores e a propriedade de ações por parte dos executivos. Já como mecanismos externos destacam-se: a obrigatoriedade de divulgação de informações periódicas sobre a companhia, a presença de um mercado de aquisição hostil e a existência de um mercado de trabalho competitivo. As práticas de governança corporativa visam criar mecanismos que proporcionam uma boa relação entre gestores e acionistas e o censo comum indica que as empresas dotadas da pratica de governança são mais bem avaliadas pelo mercado de ações além de possuírem um desempenho melhor em relação às empresas que não adotam o mesmo sistema (SILVEIRA, 2002). Este trabalho visa o gerenciamento de T.I, mas pelo fato de fazer parte de um contexto maior e estar presente dentro da governança de T.I e esta por fim fazer parte da governança corporativa fez-se necessário discutir os princípios da governança corporativa. 1.2 Conceitos de Governança de TI. Em muitas organizações a informação e a tecnologia que a suporta são consideradas bens valiosos que proporcionam bons resultados para os negócios. Devido a isto é necessário compreender e gerenciar os riscos associados, como por exemplo, as crescentes demandas regulatórias e a dependência crítica de muitos processos de negócio da TI. Portanto a necessidade da avaliação do valor de TI, o gerenciamento de riscos relacionado á mesma e a necessidade de controle de informações constituem a essência da governança de TI (REZENDE, 2002). A governança de TI (GTI) se relaciona com a Governança Corporativa discutida anteriormente, logo se orienta para a transparência e controle das decisões da área de tecnologia da informação além de considerar processos e mecanismos que tragam eficácia para a área de TI. A governança de TI deve ser um componente da governança corporativa, 14 trazendo valor e transparência para a empresa. Governança de TI e Governança Corporativa possuem em comum a transparência e controle, mas por outro lado a governança de TI se liga ao gerenciamento de TI no que se refere a questões de eficiência e eficácia (ASSIS, 2011). Os Modelos de Governança de TI são utilizados para assegurar o controle e Governança sobre os sistemas que armazenam e manipulam informações imprescindíveis para o negócio (FERNANDES, 2008). Segundo Weill e Ross (2004 apud Hsing 2010, p.38) na Governança as decisões sobre a área incidem sobre os seguintes domínios: Princípios, Arquitetura, Aplicações, Infraestrutura e Investimentos. Além disso, existem diversos modelos da organização para a governança de T.I levando-se em conta a origem das decisões sobre a área: - Anarquia: as decisões sobre a T.I é tomada por indivíduos isolados ou em pequenos grupos. - Feudal: Cada unidade da corporação toma decisões diferentes. - Duopólio de T.I: Um grupo de T.I toma decisões em conjunto com outro grupo de líderes da corporação. - Federativa: As decisões são tomadas por um centro da corporação e as unidades de negócio com ou sem a presença da equipe de T.I. - Monarquia da T.I: As decisões de T.I são feitas pelos especialistas de T.I. - Monarquia de negócio: As decisões sobre a T.I são feitas pela alta gerência da empresa. Contudo segundo Moraes (2011) o enfoque dado à Governança em T.I é mais em relação à estrutura interna da área em si do que o seu posicionamento dentro da empresa, sendo a mesma composta de mecanismos gerenciais como o Plano Estratégico da Tecnologia da Informação (PETI) que se preocupa com a organização como um todo e o Plano Diretor de Informática mais focado nas decisões específicas dos recursos tecnológicos. De acordo com Rezende (2002 apud Moraes 2011, p.39) o PETI é constituído dos seguintes itens: • Planejamento e organização do projeto de T.I, capacitação da equipe. 15 • Alinhamento com as estratégias e ações do planejamento estratégico organizacional. • Planejamento das informações. • Avaliação do S.I e do T.I presente na organização incluindo-se: software, hardware, sistemas de telecomunicações, gestão da informação e infraestrutura. • Avaliação e planejamento dos recursos humanos necessários. • Elaboração do plano econômico financeiro para a área. • Execução do que foi planejado no projeto e elaboração dos planos de ação. • Gerência, divulgação, documentação e aprovação do projeto. Segundo Lederer e Mahaney (1996 apud Rezende 2002, p.45), o PETI é um processo que identifica o software, hardware e banco de dados que irá suportar oque foi feito no planejamento estratégico de negócios denominado também como Plano Estratégico Empresarial (PEE). Ainda sobre o PETI, o mesmo é um roteiro para planejamento estratégico, tático e operacional das informações da empresa, da TI e seus recursos, dos SI, das pessoas envolvidas e da infraestrutura necessário para atender as decisões e ações da organização, elaborado por uma equipe multidisciplinar (REZENDE, 2002). Com estas medidas de governança de T.I nas empresas, ocorre a divisão de responsabilidades designadas para grupos ou usuários finais que se envolvem no desenvolvimento e manutenção de softwares; segurança de informações; designação dos direitos de acesso e modificação de dados; definições dos padrões e autoridades de compra do software e hardware além da justificativa do custo benefício (MORAES, 2011). Os principais objetivos da GTI são destacados a seguir: • Alinhar a estratégia de TI com a estratégia da empresa, realizando os benefícios esperados. • Possibilitar o negócio através da exploração de oportunidades e maximização dos benefícios. • Utilizar os recursos de TI de forma responsável. • Gerenciar os riscos relacionados a TI apropriadamente (FERNANDES, 2008). 16 A governança da área de tecnologia procura justificar seus custos, adicionar valor, acompanhando a ideias da Governança Corporativa como a transparência sobre suas decisões e também buscando a melhor estratégia de investimento nos recursos para alcançar os objetivos que a estrutura de processos da organização e seus negócios necessitam. O gerenciamento de T.I objetivo deste trabalho faz parte da Governança sendo que os dois temas já foram muito confundidos como possuírem o mesmo significado (ASSIS, 2011). 1.3 Gerenciamento de TI e Governança de TI. O termo Governança de TI tem sido muito utilizado, entretanto com significados diferentes na literatura especializada: adoção de melhores práticas, gestão de projetos, gestão de riscos, relação com governança corporativa. As definições apresentam abordagens diferentes, de acordo com o objetivo do pesquisador ou da abordagem da pesquisa dificultando assim a compreensão do tema. Além disto, existe a caracterização desta Governança como Gerenciamento de T.I, apesar de haver diferenças tênues entre os dois temas (ASSIS, 2011). Para Assis (2011), a definição do Gerenciamento de Serviços de TI é prover serviços e produtos de TI com eficiência e eficácia dentro da organização, assim como o gerenciamento das operações da área. Tem por meta prover ou entregar serviços através de processos na TI que suportem os processos do negócio. A Governança de TI é mais ampla, pois visa à transformação da TI a fim de atender as necessidades futuras do negócio seja para as operações internas da corporação ou para o ambiente externo. Os dois temas servem a propósitos diferentes: a Governança está com maior frequência associada á definição “do que fazer” e o Gerenciamento de serviços é associado a “como” a empresa irá desenvolver e entregar os serviços. A Governança de TI tem por objetivo dirigir e controlar as ações, fazendo com que os executivos do negócio sejam responsáveis pelo planejamento e resultados da TI, buscando mais o lado estratégico e fazendo com que os processos e metas da área estejam alinhados 17 com os processos de metas do negócio (MORAES, 2011). Sendo que um dos frameworks mais utilizados para este fim é o Control Objectives for Information and Related Technology (COBIT) o qual possui cinco áreas de abrangência: Alinhamento de Estratégia, Entrega de valor, Gerenciamento de recursos, Gerenciamento de riscos e Medição do desempenho (FARO, 2007). Já o Gerenciamento de Serviços de TI procura adequar corretamente os recursos disponíveis e gerenciá-los de forma integrada, fazendo com que a qualidade do conjunto seja percebida pelos seus clientes e usuários, evitando problemas na entrega e na operação dos serviços de Tecnologia da Informação. Para alcançar este objetivo, as medidas adotadas são: desenho, implementação e o gerenciamento de processos internos da área de TI conforme mencionado na Figura 1.1. Um dos frameworks mais utilizados neste sentido é o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) que possui um conjunto de melhores práticas para a identificação de processos da área de TI e o alinhamento dos seus serviços às necessidades da empresa, promovendo uma abordagem qualitativa para o uso econômico, efetivo, eficaz e eficiente da infraestrutura de TI (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). 18 Gerenciamento de Serviços de T.I Procedimentos ITIL “Como fazer” Processos Internos da área de TI Execução Figura 1.1 – Estratégia de Implementação do Gerenciamento de Serviços de TI. Fonte: MAGALHÃES, Ivan Luizio; PINHEIRO, Walfrido Brito. Gerenciamento de serviços de TI na prática- Uma abordagem com base na ITIL: inclui ISO/IEC 20.000 e IT/Flex – São Paulo: Novatec, 2007, p.29. Na ITIL V3, o gerenciamento de serviços de T.I é definido como um conjunto de habilidades da organização para fornecer valor para o cliente em forma se serviços. Este gerenciamento tem a forma de um conjunto de funções e processos para gerenciar os serviços durante seu ciclo de vida, sendo suportada por um extensivo corpo de conhecimento, experiência e habilidades, portanto necessitamos de pessoas, processos, técnicas, ferramentas, métodos, treinamento e gestão. O Gerenciamento de serviços de TI faz com que a execução e o gerenciamento dos diferentes processos de TI sejam parte dos serviços acordados com o cliente, em termos de custo e de nível de desempenho. Para chegar aos objetivos do gerenciamento a área de TI deve ((MAGALHÃES; PINHEIRO 2007): 19 • Contribuir de forma estratégica com o negócio. • Medir a contribuição da TI para o negócio. • Entregar serviços consistentes e estáveis. • Dar menor ênfase na tecnologia. Portanto a Governança de T.I possui uma abrangência maior, estando preocupada com a estratégia da área de T.I focando nos resultados futuros e envolvendo a alta gerência da própria área e até de outras áreas da empresa. Já o Gerenciamento de T.I é uma porção presente entre as várias atividades que a Governança adotou como estratégias para o controle e operação da área de tecnologia. 20 CAPÍTULO 2- A TI TRADICIONAL E A NOVA TI ORIENTADA A SERVIÇOS. Em meados da década de 50 a T.I começou a ser introduzida nas organizações e desde então a maneira como as organizações produzem e comercializam seus produtos mudou radicalmente. Essa transformação enorme ocorre tanto nas empresas como a partir de certo momento também presente no cotidiano das pessoas de maneira que hoje vivemos em uma sociedade necessitada de informação em que a tecnologia é algo imprescindível para nós. A inserção de T.I nas empresas é algo que não pode estar ausente nos dias atuais seja por características do negócio, competitividade ou facilidades para a empresa. A tecnologia e informação já faz parte do cotidiano das pessoas e isso é muito mais evidente dentro das organizações. Contudo a maneira como a área responsável pelo T.I atua nas organizações foi se alterando ao longo do tempo, num primeiro momento a preocupação era de ser uma fornecedora de tecnologia para a empresa e a preocupação em primeiro plano era com a tecnologia sendo que o usuário e clientes deveriam se habituar a mesma. Atualmente a cultura da T.I orientada a serviços é dominante, com foco nas exigências do cliente/usuários e uso da tecnologia para isto. Segundo Rezende e Abreu (2008), muitas empresas gastam grandes valores na obtenção de informações para os negócios, porém muito dinheiro é perdido na construção de ineficientes centros informacionais baseados em banco de dados não apropriados. Por outro lado, outras organizações buscam em primeiro lugar o fluxo correto da informação como alvo para se alcançar um grande recurso estratégico. A maior dificuldade nestas empresas está na comunicação entre os níveis hierárquicos da organização, sendo a solução para isto o aumento da comunicação interna e externa com o intuito de eliminar barreiras ao fluxo de ideias e à informação sobre problemas e propostas de melhoria para a mesma. De acordo com Laurindo e Rotondaro (2008), analisando-se os problemas relacionados à organização dos processos de negócio, é possível verificar que os principais problemas enfrentados nas organizações referem-se às frustradas tentativas de integração de funções e atividades que historicamente foram tratadas separadamente. Outro problema 21 também se refere à maneira como a estrutura e processo de mudança da empresa é tratado distintamente do recurso tecnológico a ser instalado. Na nova era da informação, a organização deve ter uma estrutura em rede que ultrapassa os limites tradicionais, necessita tornar-se fundamentada na informação e no conhecimento, onde o conhecimento é o capital, e a ênfase na concretização das atividades se desloca para o intelecto do trabalhador. A utilização do conhecimento, a globalização da economia, aliada à fragmentação de mercados, e a T.I associada à infraestrutura dos meios de comunicação serão os itens determinantes desse novo tipo de empresa. Sendo o cliente o ponto a ser focado pelos processos de negócio, por meios de pesquisas, serviços personalizados, contatos diretos e o entendimento dos seus desejos. A orientação dos negócios nas organizações deve ser resultado do atendimento as necessidades do cliente (ABREU; REZENDE, 2008). As empresas estão evoluindo do modelo tradicional para o modelo baseado na informação, onde a troca de informações e trabalho cooperativo são os focos da estratégia de gestão. Em referência a isto é apresentada na Tabela 2.1 os dois modelos de empresa discutidos Empresa Tradicional Empresa com foco na Informação - burocracia - consenso - padronização dos salários - salários em função do conhecimento agregado aos negócios - padronização dos produtos - massificação personalizada e qualidade e serviços - estrutura hierárquica - descentralização e diluição da hierarquia - autoridade - gerência participativa e diluição da autoridade - centralização - recursos descentralizados, sinergia, trabalho em equipe - controle e centralização da - compartilhamento das informações informação - processo decisório centralizado -decisões participativas, gerência por processos, gerenciamento por resultados. - planejamento centralizado - pensamento global e ação local - controle centralizado - controle descentralizado Tabela 2.1 Características da empresa tradicional e empresa focada na informação. 22 Com a T.I em constante evolução espera-se que a adição de valor em produtos e serviços tenha impacto crescente na satisfação dos clientes das organizações melhorando os negócios na era da informação. Essas empresas focadas na informação não desejam a T.I que considera somente as questões de tecnologia (hardware) sem se preocupar com os aspectos sociais, comportamentais e políticos envolvidos na implementação de um Sistema de Informação, portanto necessitam da T.I que se preocupa com a gestão da informação. Desta forma o potencial dos investimentos em T.I é alcançado pelo alcance do objetivo das empresas que é a informação, dentro deste contexto as ações são: automatização de processos produtivos, construção da arquitetura de informações alinhada com os negócios e integração dos clientes e fornecedores por meio da utilização de informação (ABREU; REZENDE, 2008). No intuito de buscar o atendimento as necessidades do cliente e o melhor fluxo das informações utiliza-se em T.I o termo serviço. Todos os sistemas e equipamentos correlacionados não são serviços, mas pontos de acesso ou habilitadores dos serviços. No ambiente da organização, uma área de TI orientada a serviços é muito diferente daquela que adota o modelo baseado na disponibilização de recursos, também conhecida como T.I “tradicional”. A pertencente ao modelo tradicional é uma provedora de tecnologia possuindo uma cultura centralizada na tecnologia, ou seja, atuando de dentro para fora. O novo modelo de T.I orientado a serviços é uma provedora de serviços com uma cultura centralizada no cliente, ou seja, exercendo uma ação de fora para dentro (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). Em muitas empresas que partilhavam a visão da T.I “tradicional”, muitas vezes havia a excessiva atenção para as tecnologias aplicadas à informática, tal como hardware, software e periféricos. Contudo, com certa frequência era deixada de lado a sua principal finalidade e utilidade, que é o desenvolvimento e o aumento da qualidade dos Sistemas de Informação, para auxiliar a empresa em seus negócios, processos e atividades (ABREU; REZENDE, 2008). Para Rezende e Abreu (2008), expectativas de valor agregado ao cliente são padrões de- cisões e ações no qual se assume responsabilidade por: (1) entregar produtos/serviços que possam prover o melhor valor líquido e (2) criar sistemas que melhorem o valor e satisfaçam ás obrigações da empresa. A qualidade do serviço prestado seria além da prestação correta, deveria acompanhar também o que o cliente valoriza. 23 A ideia de serviço é abordada por Albrecht (1998, p22): A filosofia de administração e serviços sugere que todos têm um papel a desempenhar no esforço de garantir que as coisas funcionem bem para o cliente. Certamente, qualquer pessoa que esteja em contato direto com o cliente deve se sentir responsável por ver as coisas do ponto de vista do cliente e fazer oque seja possível para satisfazer as suas necessidades. Mas também é preciso que todos os demais tenham o cliente no fundo de sua mente. Segundo a filosofia de administração de serviços, toda a organização deve atuar com um grande departamento de atendimento ao cliente. Uma possível tradução para serviço de TI seria o conjunto de recursos, tecnológicos e não tecnológicos mantidos pelo provedor de TI, com o intuito de satisfazer uma ou mais necessidades de um cliente (áreas de negócio) fazendo com que o mesmo tenha a percepção de um todo coerente. Já na metodologia ITIL utilizada para gerenciamento, serviço é entendido como um ou mais sistemas de TI que habilitam um processo de negócio, levando-se em conta que o sistema de TI é a combinação de hardware, software, facilidades, processos e pessoas (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). Na cultura centralizada na tecnologia (TI tradicional) a organização trata da mesma como um centro de custos preocupado em maximizar a utilização de seus ativos e as áreas tendem a serem organizadas ao redor de funções, conhecimentos, capacidades e plataformas tecnológicas. Estas áreas são focadas nos custos, não competitivas e monopolistas além de aceitarem as restrições da sua capacidade de fornecimento como elas são. No modelo orientado a serviços (centralizada no cliente) a relação é baseada no equilíbrio entre fornecedores externos (outsourcing e outtasking) e equipes internas. Estas equipes tendem a ser competitivas, detêm muitos fornecedores, são orientadas a processos e negociam com os clientes para garantir que a demanda seja fundamentada e que seus recursos sejam suficientes para atender esta demanda. O gerenciamento de serviços de T.I, abordada pela ITIL, trata do gerenciamento da integração entre pessoas, processos e tecnologias que são os componentes do serviço. Este serviço tem por objetivo viabilizar a entrega e o suporte de serviços de T.I focados nas necessidades dos clientes com alinhamento à estratégia de negócio da empresa e visando o alcance das metas de custo e desempenho pelo estabelecimento de acordos de nível de serviço entre a área de T.I e as demais áreas de negócio da própria organização ou de outra empresa para quem o serviço é prestado (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). 24 CAPÍTULO 3 – EFICIÊNCIA E EFICÁCIA EM T.I A T.I deve ser encarada como uma ferramenta para as empresas, apenas seu uso adequado é que pode gerar eficiência, eficácia e a competitividade empresarial. A questão não é quanto é gasto em T.I, nas sim em que tipo de tecnologia o dinheiro é investido e como esta tecnologia é gerenciada (SOUZA, 2004). Em relação aos altos valores investidos, existe a discussão sobre o paradoxo da produtividade, ou seja, o real impacto destes investimentos na produtividade das empresas e seu retorno financeiro. A preocupação nas organizações está voltada para o bottom line, que é a lucratividade e produtividade das empresas e nesta visão a avaliação dos investimentos em T.I torna-se importante já que existe a necessidade de justificativa dos altos investimentos (LAURINDO; ROTONDARO, 2008). Tendo em vista a necessidade de justificar estes investimentos em T.I, os termos eficiência e eficácia são muito discutidos na área de tecnologia por terem também ligação com a área de negócios, em função disto se torna importante discutir o tema no presente trabalho. De maneira geral, eficiência significa executar bem as tarefas, ao passo que eficácia é executar as coisas certas (ABREU; REZENDE 2008). Tratando-se dos negócios, a eficiência é a maneira de fazer o seu trabalho utilizando a menor quantidade de recursos (mão-de-obra, material, tempo etc.) possíveis, ou de fazer mais coisas utilizando a mesma quantidade de recursos. O funcionário eficiente seria aquele que realiza uma tarefa da melhor forma possível. Já a eficácia é um conceito relacionado à forma de fazer as coisas corretamente, atingindo o que se espera. Diz respeito aos objetivos propostos, a fazer bem feito. De acordo com Laurindo (2008), a eficiência associa-se ao uso dos recursos ao passo que a eficácia tem relação com a satisfação das metas, objetivos e requisitos. Portanto eficiência relaciona-se a aspectos internos á atividade de T.I e o uso correto dos recursos enquanto a eficácia confronta os resultados das aplicações de tecnologia da informação com os resultados do negócio e os impactos na sua operação e estrutura. 25 Em T.I ser eficaz significa melhorar o negócio da empresa, tornando-a mais competitiva no mercado e embora a busca da eficiência seja importante, é somente através da busca da eficácia das aplicações de T.I que se pode alcançar mais competitividade nas organizações (LAURINDO; ROTONDARO, 2008). Na Figura 3.1 encontra-se uma abordagem gráfica do tema. EMPRESA Requisitos da Empresa Tecnologia da Informação EFICÁCIA Aplicação de Tecnologia da Informação Saídas Entradas EFICIÊNCIA Figura 3.1 Eficiência e eficácia de T.I Fonte: Adaptada de Laurindo (2008). De acordo com Maximiano (1995), a compreensão dos resultados é à base da ideia de eficácia e observando o enfoque sistêmico seria a capacidade de realizar um objetivo ou resolver um problema. Quanto maior o acerto na realização do objetivo ou resolução do problema, mais elevada é a eficácia da organização. Portanto comparam-se os objetivos pretendidos com os resultados alcançados. A eficácia seria afetada pelo modo como o sistema usa seus recursos e não apenas pela sua competência de acompanhar as mudanças no ambiente. Quando se preocupa com o uso dos recursos, o alvo desloca-se da eficácia para a eficiência do sistema. Sendo o sistema eficiente àquele capaz de utilizar racionalmente seus recursos. Portanto quanto maior a qualidade e a quantidade de resultados obtidos com o emprego dos recursos disponíveis, mais produtiva e eficiente será a organização (Maximiano, 1995). 26 CAPÍTULO 4 – O PROCESSO E O SERVIÇO 4.1 Processo As empresas foram construídas sobre estruturas hierárquicas utilizadas para o controle do trabalho dos indivíduos e como consequência para assegurar os compromissos firmados com os clientes em relação à entrega de serviços e produtos. Ao passar do tempo, essas mesmas estruturas hierárquicas responsáveis pelo sucesso, tornaram-se um problema para a continuidade do atendimento às expectativas dos clientes, pois a quantidade de departamentos tornou-se numerosa e a comunicação entre eles ineficiente. Cada departamento estava preocupado com a execução e bom desempenho da sua função, esquecendo-se do objetivo principal da empresa que é o resultado conjunto de todos os departamentos para atender o cliente. A área de T.I não está fora desta regra, tendo também sido estruturada sob a divisão funcional (LAURINDO; ROTONDARO, 2008). Ao pensar em processo, passa-se a perceber o relacionamento entre os diversos departamentos que formam a empresa. Já que um processo é uma linha de ações a serem executadas conectadas entre si e realizadas por agentes com a finalidade de atender a um propósito ou alcançar uma meta (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). Na figura 4.1 é mostrado o Processo dentro de uma organização genérica: Depto. A Depto. B Depto. C Processo Procedimento Procedimento Procedimento Objetivo Resultado Atividade 1 Atividade 2 Atividade 3 Figura 4.1 – Processo. Fonte: Adaptada de Magalhães e Pinheiro (2007). Os processos possuem procedimentos detalhados que descrevem exatamente o que será executado em determinada atividade pertencente ao mesmo. Os procedimentos podem variar entre os departamentos, assim como de uma atividade para outra. Em relação a uma 27 área de T.I, ao procurar a estruturação por processos, em geral descobre-se que é impossível sobrepor um processo integrado a uma estrutura hierárquica fragmentada tradicional baseada na divisão funcional. Para progredir neste propósito é necessário conhecer os problemas estruturais tradicionais e os conceitos fundamentais da organização baseada em processos (MAGALHÃES; PINHEIRO, 2007). De acordo com D’Ascenção (2001), processo seria um conjunto de causas que provoca um ou mais efeitos. Em uma organização, por exemplo, ao visualizarmos a produção de um bem ou serviço (efeitos) poderemos notar que existem vários componentes (causas) que contribuem para a realização desses efeitos. A abordagem de processos da ITIL vai além da estrutura hierárquica de departamentos. A estrutura baseada em processos faz o vínculo entre os departamentos e estabelece um fluxo de trabalho e comunicação entre áreas, evitando-se a criação de silos. Ao programar os processos de gerenciamento de serviços, teremos uma TI com foco nas necessidades do cliente. Existem objetivos e metas comuns a todos os departamentos, assim a comunicação entre os mesmos melhora e eliminam-se os conflitos de interesses das diversas áreas. As características dos processos segundo a ITIL são: • Mensurável: a possibilidade de medir um processo. • Guiado para obter o melhor desempenho: os gerentes de serviço precisam medir custo e qualidade enquanto os gerentes de processos podem ter atenção com duração e produtividade. • A razão de um processo existir é a geração de um resultado específico. • Orientado ao cliente: primeiramente deve ser entregue resultados para os clientes. • Um processo responde a um evento específico: um processo pode ser interativo e ter um gatilho que inicia o processo. Um usuário, por exemplo, é o gatilho que inicia o Gerenciamento de Incidente (processo da ITIL que será discutido posteriormente). 28 4.2 Serviço Serviço é uma ação executada por alguém ou alguma coisa de forma intangível, produzido ao mesmo tempo em que é consumido, não podendo ser armazenado e sendo difícil de ser produzido em massa ou atender mercados de massa. O que diferencia serviços de produtos é: intangibilidade, indivisibilidade, variabilidade e a perecibilidade. Além disso, o critério de satisfação é distinto e o cliente participa deste processo. Ao se prestar serviços é importante entender estas características e a forma como elas afetam as organizações (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). De acordo com Las Casas (2010), serviços são transações realizadas por empresas ou indivíduos sendo caracterizadas como ato, esforço ou desempenho associado ou não a transferência de um bem. Um corretor de imóveis vende um imóvel que é um bem físico, mas ao mesmo tempo fornece serviços de assessoria e cobrança. Por outro lado um advogado presta serviços jurídicos sem a transmissão de bens físicos. Sendo que existem várias categorias de serviços, alguns mais intangíveis do que outros. Independente do tipo, serviço é a ação ou desempenho que se transfere a alguém. A intangibilidade dos serviços significa que não podem ser provados, apalpados, ouvidos, observados ou cheirados antes de serem adquiridos. Como por exemplo, a pessoa ao contratar um arquiteto não recebe os planos completos antes de formalizar a transação. Consequência disto é que os clientes tentam diminuir a incerteza, pesquisando a qualidade do serviço e tirando conclusões sobre comunicações que recebem e evidências concretas, obtidas dos integrantes, dos processos utilizados e das tecnologias empregadas. A área de T.I precisa oferecer uma representação tangível que mostre o processo e os prováveis resultados do serviço á ser prestado (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). Os serviços não podem ser separados do seu prestador e da maneira como o mesmo é percebido pelo cliente, a isto se dá o nome de indivisibilidade. Em relação à variabilidade, pode-se dizer que advém da qualidade dos serviços prestados, os quais são inseparáveis das pessoas que o efetuam. O melhor médico pode cometer um erro; o melhor jogador pode perder um pênalti por exemplo. Devido a isto o prestador de serviços tem a necessidade de antecipar-se aos processos com maior probabilidade de erros, além de possuir medidas 29 corretivas com a intenção de manter a confiança do cliente no caso de um problema ocorrido (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). Os serviços não podem ser armazenados para venda ou utilização posterior, a isto chamamos de perecibilidade. Os médicos cobram as consultas mesmo que os pacientes faltem a mesma, pois o valor do serviço existia naquele momento e despareceu quando o cliente não compareceu no horário marcado. Em relação à perecibilidade, o cliente pode exigir o desempenho esperado em função do serviço vendido pelo prestador. Os serviços primeiro são vendidos para posteriormente serem produzidos e consumidos simultaneamente oque significa que diferentemente de um produto que o cliente sabe as qualidades e desempenho ao adquirir numa loja, no caso dos serviços isto só é observado após a contratação e prestação dos mesmos (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). A versão V2 da ITIL fazia referência a serviço como um sistema de T.I para suportar o processo de negócio e na versão V3 ocorreu uma nova denominação, sendo entendido como meio de entregar valor aos clientes, facilitando os resultados que os clientes pretendem possuir, sem ter que assumir muitos custos e riscos. Em empresas de outros setores, como hotéis, bancos e restaurantes, por exemplo, já se sabia que o principal foco do negócio era fornecer serviços ao cliente. Porém para os provedores de T.I por muito tempo houve somente a preocupação em dominar a tecnologia. Posteriormente descobriu-se que a função da T.I não era apenas fornecer tecnologia, mas fazer parte da estratégia da empresa. Além de tecnologia é necessário outros ingredientes para que se possam entregar bons serviços ao cliente (FOINA, 2006). Qualquer coisa que contribua para que um provedor de serviço entregue o serviço ao cliente é denominado de Ativos de Serviços. Sendo os mesmos divididos em dois tipos Habilidades (Capabilities) e Recursos (Resources). Entre as Habilidades estão: Gerenciamento, Organização, Processos, Conhecimento, Pessoas. Por outro lado, entre os recursos destacam-se: Capital financeiro, Infraestrutura, Aplicações, Pessoas e Informação. Estes ativos são utilizados pela empresa para criar valor na forma de bens ou serviços, sendo que os recursos servem para produzir um bem ou fornecimento de um serviço ao cliente e as habilidades são utilizadas para transformar estes recursos. 30 De acordo com Souza (2004), os ativos de T.I são compostos pelo conjunto de aplicações implementadas (portfolio), pela infraestrutura (equipamentos, rede e sistemas) e o expertise e experiência do pessoal de T.I em gerenciar e manter esta estrutura. Também se incluem os conhecimentos e habilidades dos usuários sobre como utilizar corretamente as aplicações. Ainda segundo o mesmo autor o conceito de ativos de T.I é muitas vezes discutido na literatura como uma vantagem competitiva sustentável das empresas que pode ser obtida por meio de recursos internos que trazem valor e são raros. Desta forma, somente a T.I ou os aplicativos utilizados não podem diferenciar uma organização da outra, mas apenas estes elementos combinados com outros aspectos mais dificilmente imitáveis ou que demandam tempo para obtenção é que podem permitir a vantagem competitiva desejada. 4.3 Ciclo de Vida do Serviço em TI O ciclo de vida de um serviço de T.I segundo Magalhães e Pinheiro (2007) é dividido nas seguintes fases: • Fase de requisição. • Fase de aquisição. • Fase de utilização. • Fase de desativação. Durante a fase de requisição verifica-se qual é o serviço necessário a ser executado para o cliente, a razão do mesmo ser executado e qual a demanda para este serviço. Posteriormente na fase de aquisição é observado onde o serviço é solicitado, onde será executado e quanto será pago pelo mesmo. Na fase de utilização estuda-se como é feito o serviço, a maneira de validação do serviço provido e a forma como o mesmo será restabelecido no caso de falhas. Por último, a fase de desativação é marcada pela verificação do custo de manutenção do serviço, o retorno que o serviço proporciona e se há uma nova opção com melhores possibilidades no lugar do serviço obsoleto (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). 31 Por outro lado na ITIL V3 o ciclo de vida do serviço é dividido em: • Estratégia do serviço (Service Strategy) - visualiza e define um conjunto de serviços que auxilia o negócio a alcançar seus objetivos. Etapa onde são tomadas as decisões estratégicas relacionadas aos serviços a serem desenvolvidos. • Desenho do Serviço (Service Design) - desenha o serviço em função do que a estratégia decidiu. • Transição de Serviço (Service Transition) - move os serviços para o ambiente de produção, os mesmos são desenvolvidos, testados e liberados controladamente. • Operação de Serviço (Service Operation)– gerencia os serviços em produção para assegurar que objetivos de utilidade (serviço adequado ao seu propósito) e garantia (como o cliente quer receber o serviço) sejam conquistados. Nesta etapa encontram-se os processos do cotidiano que mantém os serviços funcionando. • Melhoria de Serviço Continuada (Continual Service Improvement) – avaliação dos serviços e identificação das formas de melhoria para a utilidade e garantia que suportam aos objetivos do negócio. Na figura 4.2 encontra-se o ciclo de vida do serviço segundo a ITIL V3. Figura 4.2 Ciclo de Vida do Serviço – ITIL V3 Fonte: Disponível em: < http://www.best-management-practice.com>. Acesso em 05 de fev. 2012. 32 4.4 Definição de valor do Serviço. Sobre o foco do gerenciamento de TI, o valor de um serviço pode ser medido pelos seguintes parâmetros: • Custo – Valor monetário necessário para disponibilização do serviço de TI. • Qualidade – Relação entre os Acordos de Nível de Serviço (Service Level Agreement - SLA), Acordos de Nível Operacional (Operational Level Agreement – OLA) e o nível de atendimento do serviço de TI prestado ao cliente. • Alinhamento estratégico com o negócio – grau de alinhamento entre o serviço de TI e as atuais e futuras necessidades do negócio. • Independência em relação ao tempo – Capacidade de reação da área de TI a demandas de suporte e atendimento a mudanças planejadas em relação ao serviço existente (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). 4.5 Qualidade de Serviço A organização pode ser bem vista e ter sucesso se ela for bem querida pelos seus clientes, sendo no caso de um prestador de serviços de TI diretamente relacionada com a qualidade dos serviços prestados. Ao falarmos de qualidade logo vem em mente qualidade de produto onde a mesma é avaliada através de medidas e comparações objetivas e independentes do avaliador. Porém ao pensarmos em qualidade de serviços, a avaliação é feita pelo cliente que não se baseia em métricas pré-estabelecidas, mas sim na comparação entre o serviço recebido e o serviço desejado por ele (FOINA, 2006). Pode se dividir a qualidade de serviços em quatro estágios segundo Foina (2006): • O primeiro chamado de estágio básico de atendimento - onde o prestador de serviços entrega o serviço básico mínimo. No caso de um desenvolvedor de 33 software, esse estágio seria desenvolver o programa solicitado sem erros e com documentação completa por exemplo. • O segundo chamado como esperado – o cliente recebe do prestador de serviços oque ele espera receber. No caso do desenvolvedor do sistema, seria o cliente receber o software (completamente testado e sem erros) junto como serviço de instalação e suporte telefônico durante o período de garantia. • O próximo estágio é o desejado – o cliente recebe do prestador de serviços além do serviço prestado algo além do que foi desejado, mas que não foi solicitado na contratação do serviço. No caso do desenvolvedor de sistemas, além do sistema, manuais e instalação ainda oferecer ao cliente o treinamento e suporte de seis meses após a garantia sem custos. • O último estágio é o inesperado – Neste estágio o prestador de serviços consegue surpreender o cliente, entregando além do básico, do esperado, do desejado – algo que o cliente não esperava, mas que ficará muito satisfeito em receber. No caso da empresa desenvolvedora de sistema, poderia se destacar o oferecimento para o cliente de uma home page para sua empresas por exemplo. Para Magalhães e Pinheiro (2007), é preciso dimensionar os conceitos “cliente”, “usuário” e “fornecedor”. Cliente seria o destinatário do serviço de TI, normalmente o responsável pela alocação dos recursos financeiros. O usuário seria a pessoa que utiliza o serviço de TI no cotidiano de trabalho. Já o fornecedor é a entidade responsável pela prestação do serviço de TI. A qualidade de um serviço é caracterizada por aspectos combinados de comportamento que resultam no grau de satisfação do cliente, logo o desafio da qualidade na área de serviços é definir quais atributos de desempenho do serviço tem influencia na satisfação dos clientes (MAGALHÃES; PINHEIRO 2007). 34 CAPÍTULO 5 - ITIL 5.1 Descrição geral A ITIL foi publicada pela primeira vez em 1989 pela Central Computer Telecomunication Agency (CCTA), a qual hoje é denominada Office of Government Commerce (OGC), agência do Reino Unido. A ITIL se propõe a ser uma base para boas práticas de gerenciamento de ambientes de TI, baseada na experiência de várias organizações do mundo e organizada por um grupo de especialistas em administração e computação (FOINA, 2006). Segundo Mansur (2007, p. 21), ITIL é “um conjunto de orientações descrevendo as melhores práticas para um processo integrado do gerenciamento de serviços de TI”. Seu foco está em descrever como devem ser os serviços e processos de TI. De acordo com Riekstin (2012), a ITIL é uma biblioteca utilizada na gestão de serviços de TI que pode ser utilizada em conjunto com outros modelos de melhores práticas como o COBIT. A terceira versão da ITIL incorporou itens mais estratégicos deixando o modelo com uma abordagem mais completa para o gerenciamento de serviços de TI. Para o gerenciamento dos serviços de TI a ITIL possui cinco volumes de acordo com a última versão V3 referentes a cada etapa do ciclo de vida do serviço, abaixo estão às etapas e seus processos: 1. Estratégia de Serviços – Gerenciamento de Portfolio de Serviço, Gerenciamento Financeiro, Gerenciamento da Demanda. 2. Desenho de Serviços – Gerenciamento do Catálogo de Serviço, Gerenciamento de Nível de Serviço, Gerenciamento de Fornecedor, Gerenciamento da Disponibilidade, Gerenciamento da Continuidade de Serviço, Gerenciamento da Segurança da Informação. 3. Transição de Serviços – Planejamento e Suporte de Transição, Gerenciamento de Mudança, Gerenciamento da Configuração e de Ativo de Serviço, Gerenciamento de Liberação e Implantação, Validação do Serviço, Avaliação, Gerenciamento do Conhecimento. 35 4. Operação de Serviços – Gerenciamento de Evento, Gerenciamento de Incidente, Cumprimento de Requisição, Gerenciamento de Problema, Gerenciamento de Acesso. 5. Melhoria Contínua de Serviços – Sete passos de melhorias, Relatório de Serviço, Avaliação de Serviço. A ITIL descreve a base dos processos da área de TI dentro de uma organização, visando à gestão de serviços de tecnologia da informação. As diferentes práticas reunidas descrevem os objetivos, atividades gerais, pré-requisitos necessários e resultados esperados dos processos, os quais podem ser incorporados dentro das áreas da TI. Não define os processos a serem implementados na TI, mas ao invés disso, procura demonstrar as melhores práticas que podem ser adotadas. Tais práticas podem ser adotadas de modo que melhor puder atender às necessidades de cada empresa. A adoção do ITIL fornece uma base onde colocar os processos existentes em um contexto estruturado, validando suas atividades, tarefas, procedimentos e regras (REZENDE, 2008). 5.2 Estratégia de Serviço É a primeira etapa do ciclo de vida do serviço sendo que a partir dela surge a orientação de todas as outras fases. A ITIL relaciona negócio e TI de maneira que o ciclo de vida do serviço seja focado em resultados para o cliente. As ações da área de TI são direcionadas para a geração de valor ao cliente. Segundo a itSMF (2012), na Estratégia de Serviço se levantam os requisitos do cliente em relação ao serviço, e se analisa o serviço será utilizado no processo de negócio do cliente. Como parte da estratégia é necessário considerar os ativos de serviço, recursos e habilidades do provedor de TI. Esta etapa possui as seguintes atividades e processos: • Atividades da Estratégia de Serviço: Definição de mercado, Desenvolvimento de ofertas, Desenvolvimento de ativos estratégicos, Aprontar para execução. 36 • Processos: Gerenciamento do Portfolio de Serviço, Gerenciamento Financeiro, Gerenciamento da Demanda. 5.2.1 Gerenciamento de Portfolio de Serviço Descreve os serviços de um provedor em termos de valor para o negócio, define as necessidades do negócio e as soluções do provedor para estas necessidades. Compara os serviços do provedor de TI baseados na sua descrição e valor com os serviços fornecidos por outro provedor. Trata-se da representação de todos os serviços de TI e seus status, possuindo três componentes: • Pipeline de Serviços: irá conter todos os serviços futuros que são propostos ou estão em desenvolvimento. As demandas entram no Pipeline (funil), mas só algumas serão aceitas e irão se transformar em um serviço operacional. Seria a lista de pedidos de aplicações e funcionalidades que os usuários solicitam ao TI e que será analisada pelo mesmo de acordo com a estratégia. • Catálogo de serviços: Contém todos os serviços de TI que são oferecidos ao cliente e serviços já liberados e que de fato vão entrar em operação. O catálogo possui detalhes dos serviços, quais unidades da organização utilizam estes serviços e os processos de negócios estão baseados nos mesmos. O catálogo de serviço é um documento à parte que é visualizado pelo cliente esclarecendo-o sobre quais serviços de TI lhe serão oferecidos. Consiste de serviços presentes na fase de operações de serviços e daqueles que estão aprovados para serem oferecidos a um cliente em prospecção. Por exemplo, o provedor de TI possui um novo serviço que já foi testado, mas ainda não foi utilizado. Este serviço está no status “Liberado” e pode ser contratado por um cliente. • Serviços Obsoletos: Mostra os serviços descontinuados, que não estão mais em operação. 37 Com o Gerenciamento de Portfolio de Serviços é gerado um repositório de documentos com informações dos serviços e seus status no ciclo de vida (itSMF, 2012). 5.2.2 Gerenciamento Financeiro As decisões no ambiente de TI refletem em custos para a empresa e por isso o gerenciamento Financeiro se destina a administrar os gastos com tecnologia e garantir a sua adequação aos orçamentos acordados (Foina, 2006). As organizações de TI incorporam o Gerenciamento Financeiro com os seguintes objetivos: • Mudanças mais rápidas: Com informações é possível tomar decisões mais ágeis. • Melhorar a escolha de decisões: São necessários dados para priorizar as decisões de investimentos em TI. Para se desenvolver e manter um serviço é necessário conhecer seu custo. • Gerenciar o Portfólio de Serviços: Saber se o serviço cria valor ao negócio, e quais serviços que estão no Pipeline devem ser priorizados. • Adequar e controlar finanças de TI: Justificativa do dinheiro gasto pela TI, portanto nos remete a ideia de transparência que faz parte da Governança de TI. • Ter o controle operacional. • Gerar valor. Na ITIL, existem três sub-processos importantes no processo do Gerenciamento Financeiro: • Orçamento: faz uma previsão e controle dos gastos de TI. 38 • Contabilidade: responsável por identificar os custos atuais de entrega de serviços de TI, comparando estes custos com aqueles orçados anteriormente, e gerenciando a variação do orçamento. • Cobrança: Trata-se do pagamento da estrutura de serviços. De acordo com a itSMF (2012), o gerenciamento financeiro auxilia o negócio e a TI na quantificação em termos financeiros do valor dos serviços de TI, do valor dos ativos presentes no fornecimento destes serviços e da oportunidade de previsões operacionais. São necessários dados de entrada de todos os outros processos a respeito dos custos que fazem parte da entrega do serviço. 5.2.3 Gerenciamento da Demanda A demanda de serviços precisa ser gerenciada eficientemente para não gerar riscos para o provedor de serviços e para o negócio. Capacidade em excesso provoca custos demasiados sem gerar valor necessário e os clientes não desejam pagar por uma capacidade ociosa. Já a capacidade insuficiente impacta na qualidade do serviço entregue e nos limites de crescimento do serviço. São necessárias atividades baseadas no Gerenciamento da Demanda para assegurar que os planos de negócio do cliente estejam sincronizados com os planos de negócio do provedor de serviço. Na etapa de Desenho de Serviço, as informações do Gerenciamento de Demanda são importantes para que o desenho seja feito com capacidade suficiente para atender o cliente. Este processo analisa; rastreia; monitora e documenta os padrões de atividade do negócio para visualizar as demandas atuais e futuras dos serviços. 5.3 Desenho de Serviço Desenho de Serviço (Service Design) pode ser visto como uma coleção de serviços necessários para a empresa com seus requerimentos mapeados e o desenho das especificações 39 para os ativos de serviços (recursos e habilidades) necessários no fornecimento do serviço. Além do desenho dos serviços de TI, outros objetivos desta etapa estão relacionados com as práticas de governança de TI e processos e políticas para introduzir a estratégia no ambiente de produção com a intenção de entrega de serviços de TI com qualidade, satisfação do cliente e custo dentro do dimensionado. Serão introduzidos desenhos de novos serviços ou mudanças naqueles já existentes para fazer parte do ambiente de produção da organização (ITSMF, 2012). Esta fase é uma continuação da Estratégia de Serviços proporcionando um guia para a integração das necessidades do negócio da empresa com a TI. Abaixo estão relacionados os principais objetivos do Desenho de Serviço: • Abordar o Desenho de Serviços novos ou mudança naqueles que já existem para a introdução no ambiente de produção. Lembrando que no ciclo de vida do serviço fazem parte os novos e antigos. • Desenhar serviços que possuam alinhamento com os objetivos do negócio. • Desenhar serviços com a preocupação de uma escala de tempo e custo. A entrega dos mesmos deve ser no prazo e custo esperados. • Identificar e gerenciar os riscos possíveis. • Desenho de processos eficientes e eficazes que gerenciem o serviço durante o ciclo de vida. • Desenho de uma infraestrutura segura e resistente a falhas. • Documentação de planos, políticas, arquitetura e treinamento para a equipe. • Contribuição na melhoria continuada do serviço de TI. No desenho de uma alteração ou na criação de um novo serviço, o ciclo de vida e os processos de gerenciamento de TI estão envolvidos desde o início. A nova solução de serviço é adicionada ao Portfolio de Serviços desde a fase conceitual e ocorre uma atualização do mesmo para mostrar o status do serviço em cada fase do seu desenvolvimento. O Portfolio de Serviços trabalha como uma ferramenta de Governança de TI, mostrando todos os serviços com seus respectivos status. 40 A partir dos Requisitos de Nível de Serviço, a equipe de Gerenciamento de Capacidade estuda a infraestrutura atual para verificar a sua capacidade para o novo serviço. Caso seja necessárias mudanças na infraestrutura, o Gerenciamento Financeiro é envolvido para elaboração do orçamento. De acordo com Magalhães e Pinheiro (2007), o Gerenciamento de Nível de Serviço que faz parte do Desenho de Serviço sendo uma metodologia com procedimentos que garantem níveis adequados de serviços entregues para todos os usuários de TI de acordo com as prioridades do negócio e com um custo aceitável acordado com o cliente. Sendo o principal desafio o equilíbrio entre demanda e oferta. Avaliações iniciais de Análise de Impacto no negócio e Análise de Risco são feitas antes da implantação do serviço, fornecendo dados de entrada para a estratégia de continuidade de serviços de TI e para o planejamento de disponibilidade e capacidade. A Central de Serviços é alertada com antecedência sobre novos serviços para treinar o pessoal de suporte. O Gerenciamento de Fornecedores é envolvido em caso de necessidade de aquisições de um novo serviço de TI (ITSMF, 2012). As atividades da etapa de Desenho de Serviço segundo a ITIL são: • Verificação dos requisitos do negócio, análise e engenharia. • Desenho de serviços, tecnologias, informações, métricas e processos. • Análise e revisão de todos os processos e documentos envolvidos no Desenho de Serviço. • Relacionamento com todas as outras atividades e papéis de desenho, como por exemplo, Desenho de Soluções. • Produção e manutenção de políticas de TI e documentação de desenho, planejamentos, arquiteturas e políticas. • Revisão de todos os documentos de desenho e planejamentos para implantação de estratégias de TI. • Avaliação de risco e gerenciamento de todos os processos e resultados do desenho. • Alinhamento com as estratégias e políticas do negócio e da TI. 41 Nesta fase é produzido o Pacote de Desenho de Serviço (Service Design PackageSDP) que possui um novo serviço, mudanças num serviço já existente ou remoção de algum em operação. O SDP é enviado para a próxima fase do ciclo de vida que é a Transição de Serviço. Os processos cobertos pelo Desenho de Serviço são: • Gerenciamento de Nível de Serviço. • Gerenciamento do Catálogo de Serviço. • Gerenciamento da Disponibilidade. • Gerenciamento da Segurança da Informação. • Gerenciamento de Fornecedor. • Gerenciamento da Capacidade. • Gerenciamento da Continuidade do Serviço de TI. 5.4 Transição de Serviço Após a fase de Desenho de Serviço, a etapa seguinte do ciclo de vida é a Transição de Serviço. Sendo composta por processos e atividades para a transição de serviços no ambiente operacional do negócio. A esta etapa pertence o Gerenciamento de Mudança e as práticas de liberação e implantação com informações sobre os riscos, benefícios e mecanismos de entrega e suporte aos serviços. Também existe o Gerenciamento dos Recursos que se envolve com a implantação de um novo serviço ou alteração daqueles já existentes (ITSMF,2012). Os objetivos desta fase são: • Planejamento e gerenciamento de recursos para estabelecer com sucesso um novo serviço ou alteração. • Assegurar o mínimo impacto nos serviços em produção quando uma mudança ou novo serviço for introduzido. • Aumentar a satisfação de clientes, usuários e equipe de suporte, pois mudanças bem gerenciadas ocasionam menos impacto negativo na organização. 42 • Fornecer um plano claro para que os projetos de mudanças tenham alinhamento com os planos de Transição de Serviço. • Faz a interface entre a fase de Desenho e Operação de Serviço. Na etapa de Desenho foram estudados todos os requisitos relacionados a Capacidade, Disponibilidade, Continuidade e Segurança, agora em Transição de Serviços será implantado no ambiente de produção tudo oque foi projetado anteriormente. Além de gerenciar as mudanças na infraestrutura, ocorre também o treinamento aos usuários e acompanhamento no cliente com o intuito de implantar o serviço de forma adequada, eliminando o retrabalho. Portanto nesta fase também se aplica a gestão de mudança organizacional que se iniciou na fase de Estratégia de Serviço. Um baixo grau de instrução dos usuários sobre o novo serviço pode ocasionar perda do investimento e por isso este tipo de gestão se torna importante. Os principais processos na Transição de Serviço são: • Gerenciamento de Mudança. • Gerenciamento da Configuração e de Ativo de Serviço. • Gerenciamento de Liberação e Implantação. 5.4.1 Conceitos Gerais Nesta fase existem alguns conceitos importantes a serem esclarecidos. Começando pelo Item de Configuração (IC) que se trata dos ativos. Sendo ativo o componente do serviço ou qualquer outro item sob o controle do processo de Gerenciamento da Configuração (faz parte desta etapa do ciclo de vida). Na infraestrutura de TI existem diversos itens de configuração como hardware, software, documentação e equipe de suporte. Estes itens variam de tamanho, complexidade e tipo. Conhecer a estrutura de ICs é importante para análise de impactos nas mudanças; investigações sobre a causa de incidentes e problemas; planejamento do desenho de uma mudança e planejamento de pacotes de liberação e implantação (ITSMF, 2012). 43 Já o Banco de Dados de Gerenciamento da Configuração (BDGC) é um repositório de informações sobre os registros de itens de configuração sendo que o mesmo pode possuir registros de relacionamento dos ICs com vários processos. O Sistema de Gerenciamento da Configuração (SGC) reúne todas as informações dos ICs, para gerenciar os diversos serviços de TI. O mesmo é constituído de quatro camadas: apresentação, processamento do conhecimento, integração de informação e por último de dados. A camada de apresentação formata as informações em relatórios para determinados grupos de pessoas. Na camada de processamento de conhecimento se produzem as tabelas de consultas para extrair os dados que serão parte dos relatórios. A integração de informação coleta e estrutura os dados e a camada de dados contém os dados e informações de diversas origens como, por exemplo, o BDGCs. No Sistema de Gerenciamento do Conhecimento de Serviço (SGCS) existe um conjunto de dados centralizado. O BDGC alimenta o SGC que por sua vez fornece informações para o SGCS e estas informações auxiliam nos processos de tomada de decisão. A Biblioteca de Midia Definitiva (BMD) possui segurança para armazenar e proteger versões de todas as mídias de ICs (softwares). Nesta biblioteca existem cópias mestre de versões que foram validadas no quesito qualidade. Portanto para esclarecer, no BDGC estão os registros lógicos dos ICs (vários tipos incluindo-se software) e no BMD estão às cópias físicas dos softwares (ITSMF, 2012). 5.4.2 Gerenciamento de Mudança Este processo visa assegurar a implantação das mudanças de forma controlada sendo avaliadas, priorizadas, planejadas, testadas, implantadas e documentadas. Os riscos são mapeados e gerenciados durante a mudança (RIESKIN, 2012). 44 Segundo Foina (2006), os processos de negócio estão mudando com bastante frequência fazendo com que as empresas sejam obrigadas a buscar melhorias em seus produtos e serviços, logo isto implica em alterações nos serviços de TI que fazem parte do atual cenário nas organizações. Uma mudança em TI pode acontecer em função de identificação de um erro conhecido, por exigências do ambiente externo a organização ou por necessidade da infraestrutura. Sendo que toda mudança pode causar efeitos colaterais negativos e prejudicar a utilização pelos usuários dos serviços de TI. A fim de garantir que as mudanças sejam feitas sem prejudicar a organização é realizado o gerenciamento de mudança (Foina, 2006). Para a ITIL, o escopo do gerenciamento de Mudança cobre alterações desde os ativos de serviço e ICs até o completo ciclo de vida do serviço. 5.4.3 Gerenciamento da Configuração e de Ativo de Serviço Este processo identifica todos os itens de configuração que serão utilizados para entregar serviços de TI e fornece um modelo lógico da infraestrutura. As informações sobre os ICs presentes no BDGC são verificadas com o intuito de estudar falhas ou atualizações. Existem alguns papéis importantes neste processo: • Gerente de Ativos de Serviço: preocupa-se em cumprir os objetivos acordados com o Gerente de Serviço de TI, avalia o Gerenciamento de Ativo. • Gerente de Configuração: avalia os SGS e acorda o escopo dos processos de Gerenciamento da Configuração. • Analista de Configuração: produz a proposta de escopo para os processos de Gerenciamento da Configuração e Ativos de Serviço, cuida do treinamento dos especialistas desses processos e dá suporte na criação de planos de Gerenciamento da Configuração e Ativos. 45 • Bibliotecário de Configuração: guarda as cópias mestre de ICs registradas com o Gerenciamento da Configuração e Ativos. • Administrador de Ferramentas de SGC: ocupa-se da avaliação das ferramentas utilizadas no Gerenciamento da Configuração e Ativos, monitora o desempenho e capacidade dos sistemas utilizados nestes processos e colabora com as informações armazenadas no BDGC. 5.4.4 Gerenciamento de Liberação e Implantação A mudança é aprovada no processo de gerenciamento de mudança e então a mesma passa para o gerenciamento de liberação para sua implantação no ambiente de produção. Este processo entra na fase final, quando a mudança no serviço já foi desenvolvida e precisa ser planejada para ser liberada para utilização no ambiente empresarial. O gerenciamento de liberação controla as versões e também as instalações de software, hardware e outros componentes de infraestrutura, do ambiente de desenvolvimento até o ambiente de teste e posteriormente para o ambiente de produção. Segundo Foina (2006), este gerenciamento é responsável por passar todas as mudanças aprovadas e liberadas para o ambiente de produção e é recomendável que as liberações ocorram em um tempo previamente definido e englobem várias mudanças de uma só vez. De acordo com a ITIL este processo consiste das seguintes atividades: • Planejamento: inclui escopo, conteúdo da liberação, riscos, responsabilidades e interessados na liberação. • Preparação para construção, teste e implantação: anterior à aprovação, ocorre a validação das especificações do serviço novo. • Construção e teste: gerenciamento de toda a infraestrutura, serviço, documentação da liberação, compra e teste de ICs, compilação do pacote de liberação e estruturação e controle do ambiente de teste. 46 • Teste de serviço e pilotos: testes dos componentes e do serviço. Um piloto pode ser feito para verificar se o serviço atende as especificações. • Transferência, implantação e retirada: realiza a transição do negócio e a organização. • Planejamento e preparação para a implantação: avalia se a equipe está apta para a implantação. • Verificação da Implantação: verifica se todo o processo até a liberação foi completado conforme o planejado. • Suporte durante o período experimental: suporte após a implantação. 5.5 Operação de Serviços Com a transição do serviço novo ou alterado para o ambiente de produção começa então a etapa de Operação de Serviço onde ocorre o detalhamento das atividades de controle do serviço com o intuito de alcançar a excelência operacional. O serviço precisa ser mantido em bom estado operacional até que perca sua utilidade para o negócio e seja aposentado como a ITIL denomina retired. A Operação de Serviço é o cotidiano do pessoal de TI, os processos anteriores caracterizam-se por possuir um caráter mais estratégico e tático já esta etapa possui um aspecto operacional. O propósito desta fase é coordenar e realizar as atividades e processos requeridos para entregar e gerenciar serviços de acordo com os níveis de serviço acordados com usuários e clientes. Entretanto o sucesso da operação depende das etapas anteriores do ciclo de vida do serviço serem bem sucedidas. Nos casos em que a TI possui uma má gestão é comum os serviços serem projetados sem haver um entendimento correto das necessidades do cliente e do desenho adequado da infraestrutura para manter a demanda do serviço sob controle, portanto depois da implantação são notadas falhas que necessitam de correções causando impactos negativos como perdas financeiras, insatisfação de usuários e piora da imagem da TI. 47 Dentro do ciclo de vida do serviço a etapa de Operação é responsável por executar os processos que aperfeiçoam o custo e a qualidade de serviços, permitindo que o negócio da organização atinja seus objetivos. Os processos da Operação de Serviço são: • Gerenciamento de Incidente. • Gerenciamento de Evento. • Gerenciamento de Problema. • Cumprimento de Requisição. • Gerenciamento de Acesso. 5.5.1 Gerenciamento de Incidente Este processo cuida dos incidentes que podem ser falhas, dúvidas e consultas transmitidas pelos usuários dos serviços. O objetivo é retornar a operação normal do serviço o quanto antes e diminuir o impacto nas operações do negócio garantindo níveis possíveis de qualidade e disponibilidade (RIESKIN, 2012). Para Foina (2006), toda ocorrência que não for prevista na operação normal de um sistema na organização e que possa prejudicar o serviço de TI é considerada um incidente. Tendo como objetivo deste gerenciamento o restabelecimento da operação normal do serviço com o mínimo de impacto no negócio. Os eventos que serão tratados pelo Gerenciamento de Incidente podem ser comunicados diretamente pelos usuários através da central de serviços ou por ferramentas de monitoramento de eventos. De acordo com a ITIL, as atividades destacadas nesta etapa são: 48 • Identificação: o tratamento do incidente começa após o incidente ser identificado. • Registro: os incidentes são registrados em um sistema. • Classificação: todos os tipos de chamada são registrados e ocorre uma classificação que será utilizada no Gerenciamento de Problema na identificação dos tipos de incidentes mais comuns. • Priorização: são destinados níveis diferentes de prioridades para determinado tipo de impacto e pela urgência do incidente. Os mais impactantes e urgentes recebem a prioridade da equipe de TI. • Diagnóstico: a Central de Serviço executa o diagnóstico inicial. • Escalação: caso o incidente não possa ser tratado pela Central de Serviço, o mesmo será transmitindo para outra equipe de suporte em outro nível. • Investigação e Diagnóstico: é determinada a natureza da requisição, cada grupo de suporte investiga a falha e faz um diagnóstico. • Resolução e Recuperação: identifica-se uma solução que será aplicada e testada. • Fechamento: a Central de Serviço aplica uma categoria ao motivo do incidente, faz a documentação, realiza uma pesquisa de satisfação e faz o fechamento formal com o usuário. 5.5.2 Gerenciamento de Evento Os eventos são descritos como ocorrências detectáveis que possuem significado importante para a gestão da infraestrutura de TI, na entrega de serviço e na avaliação do impacto que um desvio pode causar aos serviços. Para a operação de serviço ser eficiente é necessário saber a situação da infraestrutura e detectar qualquer desvio da operação esperada. O Gerenciamento de Evento é um processo que fornece entrada para muitos processos e atividades da Operação de Serviço além de proporcionar uma forma de comparação do desempenho e comportamento real em relação aos padrões de desenho e Acordos de Nível de serviço (FILHO, 2011). 49 Quando um evento acontece, o mesmo é notificado ou percebido por alguma ferramenta de monitoramento. Os eventos são filtrados conforme a classificação: informativo, alerta ou exceção. No caso de um evento informativo ocorre o registro do mesmo. Para eventos alerta existe uma correlação que pode indicar a necessidade de uma ação por parte da área de TI. Já em eventos do tipo exceção em que o impacto é maior é registrado um incidente e dependendo do caso pode haver o envolvimento do Gerenciamento de Problema para estudar a causa principal do problema, e do Gerenciamento de Mudança caso uma mudança corretiva seja necessária. 5.5.3 Gerenciamento de Problema Este processo tem a intenção de encontrar erros já conhecidos na infraestrutura de TI procurando-se saber qual o tipo de falha e as soluções alternativas para o problema além de emitir uma requisição de mudança para que a resolução ocorra. Um problema é um incidente recorrente ou que provoca impacto considerável na organização. O gerenciamento de Problema procura identificar os problemas e resolve-los de maneira rápida (FOINA, 2006). O gerenciamento de Problema também é proativo na resolução de problemas identificando e facilitando a remoção de erros antes que os mesmos sejam reclamados pelos usuários. O processo tem a intenção de evitar que os problemas e incidentes ocorram e também eliminar incidentes frequentes e minimizar o impacto daqueles que não podem ser evitados (RIESKIN, 2012). Em relação ao gerenciamento de Incidentes que foca na recuperação rápida do serviço e não realiza uma investigação estruturada para encontrar a causa principal de um incidente, o gerenciamento de Problema é diferente, pois foca na causa raiz do problema e desenvolve uma solução para remover definitivamente o erro da infraestrutura. 50 As atividades do gerenciamento de Problema em geral são realizadas por equipes de suporte avançado. A Central de Serviço normalmente cuida das atividades do gerenciamento de Incidente, pois não tem o nível necessário e tempo para diagnosticar a causa principal de problemas (FILHO, 2011). 5.5.4 Gerenciamento de Acesso São concedidos direitos de acesso aos usuários na utilização dos serviços de TI, estes direitos são gerenciados pelo gerenciamento de Acesso. O processo pode ser iniciado de várias formas, como pela Central de Serviço a partir de uma requisição. Esta etapa é importante, pois assegura a confidencialidade das informações pertencentes a organização. O gerenciamento da Segurança da Informação presente no Desenho de Serviço define as normas de segurança, por outro lado o gerenciamento de Acesso realiza oque foi definido nessas normas (FILHO, 2011). O gerenciamento de Acesso consiste das atividades abaixo: • Verificação da legitimidade das requisições: verifica-se cada requisição de um serviço de TI, avaliando se o usuário tem uma razão legítima para utilizar o serviço. • Fornece os Direitos: executa a política e as regras de acesso definido na Estratégia de Serviço e no Desenho de Serviço fornecendo direitos de acesso aos usuários que podem fazer uso de determinado serviço. • Monitoramento do status de identidade: usuários podem ser demitidos ou promovidos a outras funções e por isso os direitos de acesso mudam e torna-se importante monitorar estas mudanças. • Registro e monitoramento de acesso: garante que os direitos foram dados corretamente. • Remoção e limite de direitos: executa a decisão de retirada de acesso ao uso de um serviço. 51 5.6 Melhoria Contínua de Serviços A ITIL enfatiza a necessidade de melhorias contínuas focando na identificação e na introdução de melhorias do gerenciamento de Serviço. Este processo tem como objetivo proporcionar um guia para avaliação e melhora na qualidade de serviços de TI. A melhoria de serviços de TI é focada em uma maior eficiência, maximização da efetividade e melhora nos níveis de custo e processos subjacentes ao gerenciamento de Serviço de TI. As atividades de melhoria continuada são executadas em todo o ciclo de vida do serviço. Cada etapa do ciclo de vida fornece saídas utilizadas como entradas na etapa seguinte. A Estratégia de Serviço faz a visão do negócio, determinando os serviços que a empresa necessita e os requisitos para novos serviços ou alteração dos existentes. Durante o Desenho de Serviço ocorre o projeto da estratégia feita e então a Transição transfere o projeto para o ambiente da organização, posteriormente a Operação cuida na manutenção do serviço em bom estado garantindo a criação de valor (ITSMF, 2012). A Melhoria de Serviço Continuada faz ajustes em cada fase e no ciclo inteiro de serviço, fazendo com que o mesmo seja totalmente integrado. Esta fase tem como objetivos melhorar a qualidade do serviço, da eficiência e da eficácia dos processos; procurar o custo efetivo na entrega de serviços; monitorar se os níveis de serviço estão sendo cumpridos e assegurar que as ações de gerenciamento da Qualidade suportem as atividades de melhoria contínua (FILHO, 2011). A itSMF (2012) recomenda uma abordagem estruturada para ajudar no aperfeiçoamento dos serviços, sendo este dividido em seis etapas: 1. Visão: a TI necessita conhecer as metas do negócio e formar uma visão alinhando estratégia de TI com estratégia do negócio. 2. Identificação da situação presente: conhecer a situação atual através da avaliação de processos, pessoas e da tecnologia. 52 3. Identificação do ponto a se alcançar: determinação de prioridades de acordo com a visão do cliente. 4. Saber como alcançar o objetivo: faz-se um plano detalhado de melhoria do serviço, mostrando as ações a serem realizadas. 5. Verificação dos objetivos alcançados: uso de métricas da qualidade e de medição dos resultados. 6. Manter a continuidade do ciclo: Mantem-se o ciclo continuamente para garantir os resultados positivos do aperfeiçoamento. A Melhoria Contínua de Serviços é constituída de sete passos que são baseados no ciclo PDCA (Plan Do Check Act) sendo os seguintes: I. II. Definição do que medir Definir oque pode ser medido III. Coletar dados. IV. Processar dados. V. Analisar dados. VI. VII. Apresentação e utilização da informação analisada. Implantação da ação corretiva. 53 6 ESTUDO DE CASO Analisando o estudo de caso segundo os trabalhos de Rós (2009) sobre a utilização das melhores práticas da ITIL empresas do grande ABC, em que foi tomada como amostra uma quantidade de 19 indivíduos de ambos os sexos pertencentes à área de TI nas respectivas organizações. Os indivíduos desta amostra possuíam no mínimo seis meses no cargo e o máximo de 108 meses, constituindo-se de 14 pessoas do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Estes indivíduos estavam em diversas áreas como, por exemplo: service desk, gerenciamento de problema, gerenciamento de incidente, gerenciamento da configuração e gerenciamento de incidente. O estudo foi realizado através de questionário com 15 questões fechadas sendo na maioria constituídas de múltiplas alternativas. As pessoas do grupo de pesquisa foram contatadas por email e foi por onde respondiam aos questionários. 6.1 Resultados Os resultados da pesquisa de Rós (2009) foram resumidos em tabelas como as que seguem abaixo: Quantidade de Profissionais Valor Frequência Certificados Absoluto (F%) 1-5 3 15,8 5-10 8 42,1 10-15 3 15,8 15-20 5 26,3 Total 19 100 Tabela 6.1 – Profissionais Certificados por Departamento – Fonte: Rós (2009). 54 Benefícios Valor Frequência Absoluto (F%) 7 36,8 6 31,6 2 10,5 4 21,1 19 100 Melhor resposta às demandas e foco nos objetivos Corporativos O gerenciamento de TI garantiu maior controle da área. Redução dos custos Ofereceu uma melhor conexão com outros processos externos aos domínio do gerenciamento de TI. Total Tabela 6.2 - Principais Benefícios agregados com a utilização da ITIL – Fonte: Rós (2009). Em relação à redução de custos a pesquisa do referido autor buscou entre todos os participantes a percepção sobre este quesito em especial como se vê na tabela 6.3: Redução de custos Valor Absoluto Frequência Não 5 26,3 Parcial 2 10,5 Sim 12 63,2 Total 19 100 Tabela 6.3 – Redução de custo em TI após implantação da ITIL. Ainda segundo a pesquisa o tempo médio de indisponibilidade de serviços de TI foi de 20,16 minutos na média. Em relação aos níveis de Acordo de Serviço (SLA), 52,6% disseram que os acordos são cumpridos totalmente enquanto que 31,6% apontaram o alcance parcial e outros 15,8% demonstraram que não houve o cumprimento das metas estabelecidas. Entre os dezenove indivíduos pesquisados, 52,6% possuíam certificação na prática de ITIL e 47,4% exerciam suas funções sem a certificação. 55 Na média os processos da ITIL tomaram 7,11 meses para serem utilizados nas organizações da amostra 56 CONCLUSÃO A GTI se relaciona com a Governança Corporativa no que se refere à transparência e controle das decisões da área de tecnologia da informação além de considerar processos e mecanismos que tragam eficácia para a área de TI. A governança de TI deve ser um componente da governança corporativa, trazendo valor e transparência para a empresa. Por outro lado a governança de TI se liga ao gerenciamento de TI no que se refere a questões de eficiência e eficácia. O gerenciamento de serviços de TI se ocupa das atividades de controle e entrega de serviços de TI já a governança de TI possui um papel mais estratégico ocupando-se da designação de papéis na tomada de decisões sobre a área e nos planos de investimento tecnológicos futuros. A ITIL uma das melhores práticas adotadas para o gerenciamento de serviços de TI busca este controle e tem como objetivo a diminuição de custos na utilização de TI nas empresas além de objetivar a melhoria do nível de serviço aos clientes e usuários, agregando valor aos negócios das organizações. No estudo de caso descrito pode-se verificar que praticamente metade dos indivíduos da amostra não possuía certificação em ITIL embora tivessem funções relativas à metodologia. Este fato é importante, pois mostra a necessidade de um melhor treinamento dos profissionais da área para que a utilização da ITIL tenha maior sucesso e seja implementada mais rapidamente nas organizações. Pela pesquisa feita sobre a utilização da ITIL foi possível verificar os benefícios apontados pelos entrevistados, como por exemplo: melhor resposta às demandas e foco nos objetivos corporativos; redução dos custos; maior controle da área de TI; melhor conexão com outros processos externos aos domínios do gerenciamento de TI. 57 REFERÊNCIAS -ABREU, Aline França; REZENDE, Denis Alcides. Tecnologia da Informação Aplicada a Sistemas de Informação Empresariais. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. - ALBRECHT, Karl. Revolução nos Serviços. 5. ed. São Paulo: Thomson Pioneira, 1998. -ASSIS, Celia Barbosa. Governança e gestão da tecnologia da informação: Diferenças na aplicação em empresas brasileiras. Dissertação de mestrado em Engenharia. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo. 2011. -Best Management Practice. ITIL V3 and ASL: Sound Guidance for Application Management and Application Development. Disponível em: < http://www.bestmanagement-practice.com>. 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