21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental I-047- REDUÇÃO DO VOLUME DE LODO GERADO EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA - A PROPOSTA DE RECUPERAÇÃO DO COAGULANTE PELO PROCESSO DE ACIDIFICAÇÃO NO SISTEMA RIO MANSO Max Demattos(1) Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, FOTO atualmente trabalhando na Superintendência de Produção - SPPR da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA. NÃO Gilberto José Costa DISPONIVEL Administrador de Empresas pela Faculdade Newton de Paiva e Técnico Químico pela Escola Técnica Vital Brasil, atualmente trabalhando na Divisão de Produção do Sistema Rio Manso - DVRM da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA. Délio Antônio Fonseca Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, atualmente é gerente da Divisão de Produção do Sistema Rio Manso - DVRM da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA. Joaquim Paulo Coutinho Braga Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia Kennedy de Minas Gerais, atualmente trabalhando na Divisão de Produção do Sistema Rio Manso - DVRM da Companhia de Saneamento de Minas Gerais - COPASA. Waldemar Janzen Técnico em mecânica pelo CEFET - PR, especialização em Aplicações de Carvão Ativado pela Calgon Carbon Center - Pittisburgh - EUA e em Controle de Odores pela Universidade de Birmingham - Inglaterra, atualmente é consultor pela WAE Technologies. Endereço(1) : Rua Turibaté 185/301 - Sion - Belo Horizonte - MG CEP: 30315410 Telefone : ( 31) 3223-2612 / Fax : (31) 3250-1486 / email : [email protected] RESUMO O objetivo deste trabalho é apresentar o desenvolvimento de um processo que permite a redução do volume de lodo produzido na Unidade de Tratamento e Recuperação da Água de Lavagem dos Filtros e Descarga dos Decantadores - UTR - do Sistema Rio Manso, a partir da recuperação do coagulante presente neste lodo. A relação entre a turbidez e a quantidade de coagulante dosado na estação de tratamento da água no Sistema Rio Manso é inferior a 1,5, por esta razão, dentre as alternativas estudadas para a redução do lodo, optou-se pela recuperação do coagulante em detrimento à opção de desidratação mecânica do lodo adensado. Verificase que até 92% do volume do lodo é composto de produtos químicos enquanto que os restantes 8% são de fato impurezas removidas da água. Tanto o ácido clorídrico quanto o ácido sulfúrico são apropriados para a recuperação do coagulante, sendo que para o Sistema Rio Manso optou-se pelo ácido clorídrico. O processo proposto para esta recuperação é constituído de três tanques reatores, cada um com volume de 100 m3, onde é feita a mistura do lodo adensado com o ácido. São previstos dois tanques de 20 m3 para a armazenagem do ácido clorídrico. O coagulante obtido nos reatores retorna para a estação de tratamento por bombeamento e o lodo reduzido é encaminhado para um pequeno filtro prensa com capacidade de 4 m3/h. PALAVRAS-CHAVE: Lodo, Tratamento de Lodo, Resíduo de ETA, Recuperação de água em ETA, Solubilização. INTRODUÇÃO O Sistema Produtor do Rio Manso é responsável pelo abastecimento de 28% da Região Metropolitana de Belo Horizonte, produzindo em média 3,2 m3/s. A estação de tratamento de água do sistema é do tipo ABES – Trabalhos Técnicos 1 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental convencional, constituída basicamente de mistura rápida, 16 floculadores mecânicos com 3 câmaras dotadas de agitadores de fluxo axial, 4 decantadores tipo piscina e 10 filtros rápidos com leito duplo de areia e antracito. Projetada em 1987, a estação de tratamento entrou em operação em 1991. Em julho de 1997 entrou em operação a Unidade de Tratamento e Recuperação da Água de Lavagem dos Filtros e Descarga dos Decantadores - UTR - construída junto à estação com a finalidade principal de evitar a poluição do meio ambiente. Esta UTR, também projetada em 1987, é dotada de 2 decantadores tipo piscina, chamados decantadores secundários, que são responsáveis pelo recebimento da água de lavagem dos filtros. O sobrenadante destes decantadores retorna para a ETA enquanto que o lodo é enviado para 2 adensadores, os quais recebem também a descarga dos decantadores da ETA. O lodo afluente aos adensadores recebe aplicação de polieletrólito e o sobrenadante retorna para a ETA. O lodo adensado é encaminhado para 5 lagoas de secagem. O fluxograma a seguir ilustra a concepção do tratamento. DECANTADORES DA ETA FILTROS DA ETA APLICAÇÃO DE POLIELETRÓLITO ADENSADORES VAI PARA OS ADENSADORES VAI PARA A ELEVATÓRIA DE SOBRENADANTE DECANTADORES SECUNDÁRIOS ELEVATÓRIA DE LODO DECANTADO ELEVATÓRIA DE SOBRENADANTE ELEVATÓRIA DE LODO ADENSADO VAI PARA A ETA LAGOAS DE SECAGEM VAI PARA O ATERRO QUALIDADE DA ÁGUA BRUTA A água bruta afluente à ETA é proveniente de uma barragem de regularização e tem como principais características a baixa turbidez e a presença de cor, ferro e manganês. Ao longo do ano ocorrem variações na qualidade da água, destacando-se o período das chuvas e o fenômeno da inversão térmica. Nesta ocasião o lago fica homotermal e as águas da superfície e do fundo se misturam provocando a deterioração da qualidade da água, isto ocorre no início do período de temperaturas mais baixas. A Tabela 1 apresenta os valores máximos e mínimos ocorridos na água bruta no ano de 2000. 2 ABES – Trabalhos Técnicos 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Tabela 1: Qualidade da água bruta em 2000 Parâmetro Valor Máximo Cor Verdadeira ( uC ) 80 Turbidez ( uT ) 45 pH 7,5 Ferro Total ( mg/l ) 2,01 Manganês Total ( mg/l ) 1,13 Valor Mínimo 2,5 0,78 6,5 0,18 0,12 Para proceder o tratamento utiliza-se a pré-cloração em pH elevado para a oxidação dos metais presentes na água e a coagulação é obtida com coagulantes a base de sais férricos, ou seja, cloreto férrico ou sulfato ferroso clorado. A Tabela 2 apresenta os valores máximos e mínimos das dosagens de produtos químicos utilizados no tratamento no ano de 2000. Tabela 2: Dosagem de produtos químicos em 2000 Produto Dosagem Máxima ( mg/l ) Cloreto Férrico - FeCl3 30,0 Cal Virgem - CaO 42,0 Cloro - Cl2 6,7 Dosagem Mínima ( mg/l ) 8,0 11,0 1,6 Os dados apresentados nas duas tabelas mostram que a relação entre a turbidez e a quantidade de coagulante dosado variou entre 1,50 e 0,10, valores que indicam a possibilidade de se recuperar o coagulante presente no lodo oriundo do tratamento. VOLUME DE LODO PRODUZIDO Como a UTR foi projetada há mais de 10 anos e com parâmetros de bibliografia que se referiam às condições de qualidade de água da Europa e dos Estados Unidos, quando da sua entrada em operação verificou-se uma grande diferença entre os volumes e concentrações de lodo previstos em projeto e o verificado na operação, conforme apresentado na Tabela 3. Tabela 3: Volume de Lodo Valores de Projeto Origem do Lodo Lavagem dos Filtros Descarga dos Decantadores da ETA Descarga dos Decantadores Secundários Descarga dos Adensadores Volume ( m3/h ) 400,0 40,0 40,0 Concentração (%) 0,10 2,0 2,0 2,0 8,0 Valores de Operação ( 2000 ) Volume Concentração ( m3/h ) (%) 104,0 0,08 62,0 0,4 a 1,0 4,0 0,8 a 1,0 6,0 a 12,0 2,0 a 3,7 Pode-se inferir dos valores apresentados na tabela que a descarga dos adensadores, que é lançado diretamente nas 5 lagoas de secagem, apresenta um volume até 6 vezes superior ao projetado e uma concentração 4 vezes menor, provocando o enchimento das lagoas em um tempo muito inferior ao previsto e impossibilitando a secagem do lodo. ABES – Trabalhos Técnicos 3 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Isto requer a retirada frequente do lodo das lagoas e seu lançamento em aterro. Este aterro, planejado para receber um lodo com concentração de 20%, terá uma redução significativa na sua vida útil caso continue a receber o lodo nas condições atuais. ALTERNATIVAS ESTUDADAS PARA A REDUÇÃO DO VOLUME DE LODO Em função da capacidade limitada das lagoas para a secagem do lodo nas atuais condições, procurou-se estudar as alternativas viáveis para a redução do volume de lodo. Foram estudadas, na ordem apresentada, as seguintes alternativas : - Centrífuga A centrífuga produziu um concentrado médio de 20% de teor de sólidos e um custo de operação muito elevado, principalmente no que se refere ao consumo de polieletrólitos. - Filtro-Prensa Os testes com o filtro prensa produziram um lodo com teor de sólidos médio de 40% mas o seu custo de implantação é muito elevado. - Filtros de Membrana Os testes com o filtro de membrana não produziram um concentrado de teor de sólidos aceitável por causa de um comportamento singular do lodo do Sistema Rio Manso, o qual se transforma em um espécie de gelatina quando passa pelo equipamento. - Solubilização do Lodo Pelos resultados obtidos com os testes de desidratação mecânica citados procurou-se estudar o processo de solubilização do lodo para possibilitar a recuperação do coagulante e como consequencia a redução do volume de lodo. SOLUBILIZAÇÃO DO LODO Os principais sais metálicos utilizados no tratamento de água são os sais de Alumínio e Ferro. Diluídos na água a ser tratada, reagem com a alcalinidade natural da mesma, se esta estiver em concentração suficiente, e/ou com alcalinidade adicionada. Geralmente é uma composição das duas. As reações são as seguintes: • Cloreto férrico com hidróxido de Cálcio: 2FeCl3 + 6H2O + 3Ca(OH)2 -> 2Fe(OH)3 + 3CaCl2 • Sulfato férrico com hidróxido de Cálcio: Fe(SO4)3 + 3Ca(OH)2 -> Fe(OH)3 + 3Ca(SO4) • Sulfato de Alumínio com hidróxido de Cálcio: Al2(SO4)3. 18H2O + 3Ca(OH)2 -> 2Al (OH)3 + 3Ca(SO4) + 18HO2 A estabilidade e tamanho dos flocos resultantes é determinada pelo pH desde que se tenha a dosagem correta de coagulante. A recuperação dos metais dos respectivos hidróxidos metálicos só se dá em valores de pH fora dos limites de estabilidade dos flocos. A recuperação do coagulante a partir do ácido clorídrico é viável quando se tem o hidróxido ferroso, neste caso temos as seguintes condições : 4 ABES – Trabalhos Técnicos 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental • Ácido clorídrico com hidróxido ferroso Fe(OH)3 + 3HCl -> Fe Cl3 + 3H2O A dosagem do ácido é estabelecida estequiometricamente, a partir da análise do teor de Ferro contido no lodo. Sabendo-se que são necessárias 3 moléculas de ácido clorídrico para cada molécula de hidróxido ferroso e que o peso molecular do Fe é de 56 g/mol e do ácido clorídrico de 36,5 g/mol, pode-se calcular o volume necessário de ácido para a recuperação do coagulante através da fórmula : V = Fe (%) x V lodo x 3 x 36,5 56 x Densi x Conc.(%) onde: V = volume de ácido clorídrico em litros Fe (%) = porcentagem de ferro presente no lodo Densi = densidade do ácido Conc. = concentração do ácido Quando se utiliza o ácido sulfúrico temos as seguintes condições: • Ácido sulfúrico com hidróxido ferroso Fe(OH)3 + 3H2SO4 -> Fe2(SO4)3 + 3H2O + 1,5H2 Sabendo-se que neste caso também são necessárias 3 moléculas de ácido sulfúrico para cada molécula de hidróxido ferroso e que o peso molecular do Fe é de 56 g/mol e do ácido sulfúrico de 98 g/mol, pode-se calcular o volume necessário de ácido para a recuperação do coagulante através da formula : V = Fe (%) x V lodo x 3 x 98 2x56 x Densi x Conc.(%) onde: V = volume de ácido sulfúrico em litros Fe (%) = porcentagem de ferro presente no lodo Densi = densidade do ácido Conc. = concentração do ácido • Ácido sulfúrico com hidróxido de alumínio Al2(OH)6 + 3H2SO4 -> Al2(SO4)3 + 6H2O Sabendo-se que neste caso são necessárias 3 moléculas de ácido sulfúrico para 2 moléculas de alumínio e que o peso molecular do Al é de 27 g/mol e do ácido sulfúrico de 98 g/mol, pode-se calcular o volume necessário de ácido para a recuperação do coagulante através da formula : V = Al (%) x V lodo x 3 x 98 27 x Densi x Conc.(%) onde: V = volume de ácido sulfúrico em litros Al (%) = porcentagem de alumínio presente no lodo Densi = densidade do ácido Conc. = concentração do ácido ABES – Trabalhos Técnicos 5 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental TESTES EFETUADOS Apesar de terem sido feitos testes de acidificação com o ácido sulfúrico, foi dado maior ênfase aos testes com o ácido clorídrico uma vez que o cloreto férrico é o coagulante que apresenta a melhor performance na estação de tratamento do Sistema Rio Manso. • Testes em laboratório Inicialmente foram executados os testes de solubilização do ferro e redução do volume do lodo em laboratório. Tomou-se uma proveta graduada de um litro e após o enchimento com o lodo adensado aplicouse o ácido até a solubilização total do ferro presente no lodo. As principais características do lodo utilizado nos testes foram : Sólidos Totais de 1,8%, Concentração de Ferro de 0,68% e pH de 8,8. A Tabela 4 apresenta os resultados encontrados. Tabela 4 - Solubilização do Ferro e Redução de Lodo Dosagem de Ácido Volume de Lodo Ferro Solubilizado ( ml ) Sedimentado (%) ( ml ) 0 1000 0 1 980 0,020 2 980 0,041 3 970 0,061 4 970 0,082 5 970 0,103 6 970 0,123 9 970 0,184 10 970 0,205 12 970 0,246 15 880 0,308 20 520 0,410 22 670 0,450 25 450 0,513 27 420 0,554 30 360 0,615 32 270 0,656 35 340 0,656 40 210 0,656 Redução de Lodo (%) 0 2 2 3 3 3 3 3 3 3 12 33 48 55 58 64 66 73 79 Pode-se inferir da tabela : • A relação estequiométrica entre a concentração de ferro do lodo e a dosagem de ácido citada anteriormente se aplica perfeitamente. • Verifica-se uma redução da ordem de 64% do volume do lodo para a dosagem correspondente à solubilização do ferro definida pela relação estequiométrica. O lodo remanescente foi submetido a filtração a vácuo em funil Buchemer e teve seu volume reduzido em 80%, o que significa uma recuperação total de 92% do volume de lodo como coagulante e os 8% restantes como resíduos. Em seguida procedeu-se a execução de testes de floculação e decantação em aparelho jar test a partir do cloreto férrico obtido em laboratório, sua concentração é próxima ao teor de ferro presente no lodo, ou seja, 0,66%. Verificou-se que a sua eficiência é a mesma do cloreto férrico comercial. 6 ABES – Trabalhos Técnicos 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental • Testes em piloto Após os testes de laboratório passou-se aos testes com o aparelho piloto. Utilizou-se um reator com 75 cm de diâmetro e 4,60 m de altura, fabricado em fibra de vidro reforçada. O reator foi abastecido com volume de lodo em torno de 1460 litros. Na recuperação do coagulante utilizouse o ácido clorídrico com densidade de 1,18 g/cm3 e concentração de 34%, cujo volume foi determinado estequiometricamente pelo teor de ferro contido no lodo. As principais características do lodo utilizado nestes testes foram : Sólidos Totais de 2,3%, Concentração de Ferro de 0,88% e pH de9,0. Pela fórmula obtém-se : V = Fe (%) x V lodo x 3 x 36,5 = 0,88 x 1460 x 3 x 36,5 = 63 litros 56 x Densi x Conc.(%) 56 x 1,18 x 34 Dosado o ácido, a mistura foi feita mediante borbulhamento de ar comprimido, injetado através de um distribuidor no fundo do piloto. Apenas alguns minutos de agitação se mostraram eficientes para a completa mistura de ácido e lodo, deixando-se, em seguida, o lodo em repouso. A Tabela 5 apresenta a redução do volume do lodo em função do tempo. Tabela 5 - Redução do Lodo em Função do Tempo Tempo Volume de Lodo ( min ) ( litros ) 0 1460 5 470 10 400 15 390 20 380 25 370 30 370 35 365 40 320 45 290 50 250 55 250 60 250 Redução de Lodo (%) 0 68 73 73 74 75 75 75 78 80 83 83 83 A partir dos dados apresentados na tabela e dos das análises efetuadas, tem-se as seguintes observações : • A curva de decantação de lodo apresenta uma inflexão em torno de 50 minutos de decantação. Após este tempo a taxa de adensamento remanescente é desprezível. • O lodo foi reduzido em 83% e o ferro foi totalmente solubilizado • O pH da solução ficou em 2,0 • A concentração do lodo remanescente é a mesma do lodo inicial. O coagulante recuperado foi levado à estação de tratamento de água da cidade de Brumadinho e aplicado por um período de 10 horas consecutivas. A estação é do tipo convencional, opera com uma vazão média de 50 l/s e utiliza o sulfato de alumínio como coagulante. Durante o período do teste a qualidade da água tratada permaneceu inalterada. No entanto, ocorreu uma sensível melhora na turbidez da água decantada. ABES – Trabalhos Técnicos 7 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental CONCEPÇÃO DO PROJETO A concepção do processo projetado para o Sistema Rio Manso é composto basicamente de três tanques reatores, dois tanques de ácido, elevatória para retorno do coagulante recuperado e um filtro prensa. O lodo dos adensadores atuais será encaminhado a três tanques reatores, cada um com 100 m3, onde ocorrerá a mistura deste lodo com o ácido. Para a transferência do lodo serão utilizadas bombas de deslocamento positivo e para a mistura é prevista uma linha de ar comprimido interligado ao fundo de cada um dos reatores. Os dois tanques de ácido clorídrico, com volume unitário de 20 m3, alimentarão os reatores por gravidade. São previstos três níveis de tomadas de dreno de coagulante recuperado em cada reator que permitem a escolha correta do nível entre coagulante recuperado e lodo reduzido. Uma bomba centrífuga de transferência alimentará o coagulante recuperado nos dosadores na entrada da ETA. Três dos seis tanques de coagulante existentes servirão de tanques pulmão para absorver eventuais flutuações na dosagem de coagulante recuperado. O lodo reduzido irá por gravidade para um tanque pulmão específico. A partir daí uma bomba de deslocamento positivo alimentará um filtro prensa com capacidade de 4m3/h ou, opcionalmente, transportará o lodo para as lagoas. O coagulante recuperado do deságüe do lodo será transferido, através de uma bomba centrífuga, à linha de transferência de coagulante recuperado. CONCLUSÕES Conforme os testes demonstram, a solubilização é uma alternativa tecnicamente viável para o Sistema Rio Manso. O custo para a implantação do processo está orçado em R$ 1.770.000,00 ( um milhão e setecentos e setenta mil reais ) , preços de outubro de 2000. Considerando que o consumo médio atual de coagulante é de aproximadamente 7800 l/dia e que na operação do processo proposto estima-se uma recuperação de 95%, haverá uma economia diária de 7410 litros de coagulante, sendo que para a recuperação deste coagulante serão necessários 5170 litros de ácido clorídrico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. PIOTTO,Z.C., Regeneração do potencial de coagulação de lodos químicos de estações de tratamento de água para reutilização no tratamento físico-químico de diferentes tipos de águas residuárias. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Espirito Santo, Espirito Santo, 1995. 2. PIGEON,P.E, et al.. Recovery and reuse of iron coagulants in water treatment. Journal AWWA, Denver, p.397-403, Jul., 1978. 3. REALI, M.A.P. ,Noções gerais de tratamento e disposição final de lodos de estações de tratamento de água. Rio de Janeiro, ABES, 1999. 8 ABES – Trabalhos Técnicos