Tese apresentada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Aeronáutica e Mecânica, Física e Química dos Materiais Aeroespaciais. Mauro Santos de Oliveira Junior TRATAMENTO SUPERFICIAL DO ELASTÔMERO EPDM POR PROCESSOS A PLASMAS DE MICRO-ONDAS Tese aprovada em sua versão final pelos abaixo assinados: Prof. Dr. Marcos Massi Orientador Prof. Dr. Celso Massaki Hirata Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Campo Montenegro São José dos Campos, SP – Brasil 2009 ii Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Divisão de Informação e Documentação Oliveira Junior, Mauro Santos Tratamento Superficial do Elastômero EPDM por Processos a Plasmas de Micro-ondas / Mauro Santos de Oliveira Junior. São José dos Campos, 2009. Número de folhas no formato 88f. Tese de mestrado – Engenharia Aeronáutica e Mecânica, Área de Física e Química dos Materiais Aeroespaciais – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ano. Orientador: Prof. Dr. Marcos Massi. 1. Plasma de micro-ondas. 2. Elastômero EPDM. 3. Ativação superficial. I. Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial. Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Divisão de Ensino Fundamental. II. Título REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA OLIVEIRA JUNIOR, Mauro Santos. Tratamento Superficial do Elastômero EPDM por Processos a Plasmas de Micro-ondas. 2009. 88. Tese de mestrado em Física e Química dos Materiais Aeroespaciais – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos. CESSÃO DE DIREITOS NOME DO AUTOR: Mauro Santos de Oliveira Junior TÍTULO DO TRABALHO: Tratamento Superficial do Elastômero EPDM por Processos a Plasmas de Micro-ondas TIPO DO TRABALHO/ANO: Tese / 2009 É concedida ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica permissão para reproduzir cópias desta tese e para emprestar ou vender cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta tese pode ser reproduzida sem a sua autorização. ___________________________ Mauro Santos de Oliveira Junior Rua Guian, 577 - Jabaquara CEP 04330-090 São Paulo/SP iii TRATAMENTO SUPERFICIAL DO ELASTÔMERO EPDM POR PROCESSOS A PLASMAS DE MICRO-ONDAS Mauro Santos de Oliveira Junior Composição da Banca Examinadora: Prof. Prof. Prof. Prof. Dr. Choyu Otani Dr. Marcos Massi Dr. Argemiro Soares da Silva Sobrinho Dr. Jorge Carlos Narciso Dutra ITA Presidente – ITA Orientador – ITA ITA IAE iv AGRADECIMENTOS ¾ Aos meus pais por todo apoio e confiança. ¾ Ao Prof. Dr. Marcos Massi do LPP/ITA pela amizade e orientação deste trabalho de mestrado. ¾ A Msc. Sandra Aparecida Coelho de Mello pela amizade e contribuição essencial nos resultados experimentais relacionados às análises de ângulo de contato. ¾ Ao Prof. Dr. Jorge Carlos Narciso Dutra pela amizade e contribuição direta nas análises dos resultados do tratamento da borracha EPDM. ¾ Ao Prof. Dr. Argemiro Soares da Silva Sobrinho pela cooperação e coautoria em publicações, obtidas dos resultados dos tratamentos da borracha EPDM por processos a plasma no LPP/ITA. ¾ A Msc. Joana Heller Moraes pelo auxílio nos procedimentos de tratamento da borracha EPDM. ¾ Ao pesquisador Dr. Korneli G. Grigorov pela amizade e caracterização da borracha por AFM. ¾ Ao MSc. Rodrigo Sávio Pessoa pela amizade e auxílio na caracterização do plasma no reator de micro-ondas, através da espectroscopia de emissão óptica e espectrometria de massa. ¾ Ao MSc. Jossano Saldanha Marcuzzo, pela amizade e o trabalho realizado em conjunto para o desenvolvimento do goniômetro do LPP/ITA. ¾ A Divisão de Fotônica - Subdivisão de Óptica Aplicada do Instituto de Estudos Avançados (EFO-O/IEAv/CTA), pela confecção das janelas de quartzo. ¾ Ao Prof. Dr. Pedro Augusto de Paula Nascente do CCDM/UFSCar pelas análises do EPDM através da técnica de XPS. ¾ Ao laboratório da Divisão de Química do Instituto de Aeronáutica e Espaço (AQI/IAE/CTA) pelo fornecimento das amostras de EPDM e pelas análises de goniometria. ¾ Aos professores, pesquisadores e colegas do ITA, em especial aos do LPP/ITA e do Departamento de Química, pelas contribuições no trabalho desenvolvido. ¾ Ao Prof. Dr. Roberto Katsuhiro Yamamoto da Faculdade de Tecnologia de São Paulo, pela amizade, apoio e principalmente pela confiança depositada a mim desde a iniciação cientifica. ¾ Agradeço a FAPESP e AEB pelo apoio financeiro disponibilizado ao projeto. v RESUMO A utilização de borracha na indústria aeroespacial é referida principalmente como proteção térmica para mísseis e motores foguete, porém, o desafio tecnológico que ainda persiste, é obter níveis de adesão satisfatórios aos materiais poliméricos usados como adesivos ou combustíveis sólidos. Atualmente a borracha mais usada para este fim, no programa espacial brasileiro, é a borracha nitrílica (NBR). Neste trabalho, optou-se por se trabalhar com a borracha de etilenopropileno-dieno-monomero (EPDM), por apresentar inúmeras vantagens sobre a NBR. O EPDM sendo mais leve, não produzindo NOX durante a queima do combustível sólido e possuindo custo menor, em relação ao NBR, torna-se atrativo nestas aplicações, porém, sua capacidade adesiva ao propelente sólido é inferior ao obtido pela borracha NBR. Entre as maneiras existentes para se resolver este problema, destaca-se a tecnologia de plasmas por possibilitar a modificação da superfície dos polímeros sem alterar suas propriedades de volume. Neste trabalho foram utilizados plasmas de micro-ondas (2,45GHz) para o tratamento superficial da borracha EPDM, modificando os parâmetros do sistema - pressão interna, fluxo e proporção dos gases H2, N2 e Ar e tempo de tratamento. Os processos a plasma de N2 foram realizados com fluxo de 5 sccm e pressão de 150 mTorr (20 Pa), variando-se o tempo de tratamento de 10 a 300 segundos, com o intuito de verificar o tempo ótimo no qual as propriedades de superfície eram maximizadas. Para os processos a plasma das misturas N2/Ar, variaram-se os fluxos totais de gases, de 25 a 100 sccm, e as proporções dos gases nas misturas, em 2:1, 1:1 e 1:2, a uma pressão de 250 mTorr e tempo de 120 segundos. Por fim, os processos a plasma de misturas de H2/N2/Ar, dotou-se das condições otimizadas nos processos com N2 e N2/Ar variando-se a concentração de hidrogênio de 33 a 90 % na mistura com o N2/Ar (1:1) a 50 sccm de fluxo total. Os parâmetros da descarga foram otimizados quanto às características de molhabilidade da superfície da borracha EPDM com o auxílio da técnica de goniometria. A microscopia de força atômica (AFM) e a espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) foram utilizadas para dar embasamento aos resultados nos tratamentos a plasma. Palavras chave: plasma de micro-ondas, elastômero EPDM, ativação superficial. vi ABSTRACT The use of rubber in aerospace industry is referred mainly as thermal protection for missile and rocket motors, however, the technological challenge that still persists is to obtain satisfactory adhesion levels for polymeric materials used as adhesives or solid fuels. Nowadays, the rubber most used for that purpose is nitrilic rubber (NBR). In this work, it was chosen the ethylene-propylenediene-monomer (EPDM), because it shows uncountable advantages over NBR. The EPDM being lighter and not producing NOX during the burn of solid fuel and has low cost in comparison to NBR, it becomes attractive in this application, nevertheless, adhesive capacity to solid propellant is lower than NBR rubber. Among the existing ways to solve this trouble, the plasma technology outstanding on modifying the surface of polymers without changing bulk properties. In this work was used microwave plasmas (2.45 GHz) for treatment of EPDM rubber surface, modifying parameters of system – internal pressure, flux and ratio of gases H2, N2 and Ar and time treatment. Processes by plasma of N2 were realized with 5 sccm of flux and 150 mTorr (about 20 Pa) of pressure, changing the time of treatment from 10 to 300 seconds, in order to verify the great time in which the properties of surface were optimized. For plasma processes with N2/Ar mixtures, vary total flux of gases, 25 up to 100 sccm, and gases proportion in mixtures, 2:1, 1:1 and 1:2, at pressure of 250 mTorr for 120 seconds. Lastly, plasma processes with H2/N2/Ar were obtained with optimized conditions in processes with N2 and N2/Ar ranging up the concentration of hydrogen from 33 up to 90 % in mixture N2/Ar with 50 sccm of total flux. Parameters of discharge were optimized in order to improve wetability at surface of EPDM rubber fitted by goniometry. Atomic force Microscopy (AFM) and X-Rays Photoelectrons Spectroscopy (XPS) were used to give us basement in order to explain the results of plasma treatments. Keywords: microwave plasmas, elastomer EPDM, surface activation. vii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AC Corrente Alternada (Alternating current) AEB Agência Espacial Brasileira AFM Microscopia de Força Atômica (Atomic Force Microscopy) AQI Divisão de Química ASTM American Society for Testing and Materials C Contato CCD Dispositivo de Carga Acoplado (Charge-coupled device) CCDM Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais CI Contato Intermitente CTA Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial DC Corrente Contínua (Direct Current) DI Deionizada EBO Laboratório de Borracha EFO-O Subdivisão de Óptica Aplicada EM Espectrometria de Massa EPDM Etileno-propileno-dieno-monômero FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FWHM Full Width at Half Maximum IAE Instituto de Aeronáutica e Espaço IEAv Instituto de Estudos Avançados ITA Instituto Tecnológico de Aeronáutica LPP Laboratório de Plasmas e Processos MBT 2-Mercaptobenzotiazol MO Micro-ondas viii NBR Borracha de Butadieno Acrilonitrila ou Nitrílica NC Não-contato OES Espectroscopia Óptica de Emissão (Optical Emission Specroscopy) PE Polietileno PHR Partes por cem de borracha (Parts per hundred of rubber) PP Polipropileno PTFE Politetrafluoretileno RF Rádio-Frequência TMTM Monosulfeto de tetrametiltiuram UFSCar Universidade Federal de São Carlos UHF Frequência Ultra-alta (Ultra-High Frequency) UV Ultravioleta VLS Veiculo Lançador de Satélite XPS Espectroscopia de Fotoelétrons Excitados por Raios-X (X-rays Photoelectrons Spectroscopy) ix SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 10 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................................... 13 2.1 Plasmas frios e suas aplicações...................................................................................... 13 2.2 Elastômeros de uso aeronáutico em motores foguete .................................................... 16 2.3 Ativação superficial de polímeros por plasmas ............................................................. 19 2.4 Técnicas de caracterização superficial........................................................................... 23 2.4.1 Goniometria ............................................................................................................ 24 2.4.2 Microscopia de força atômica (AFM)..................................................................... 29 2.4.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) ................................. 30 3 MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................................................... 32 3.1 Descrição do equipamento de processos a plasma......................................................... 32 3.2 Obtenção das amostras de EPDM.................................................................................. 35 3.3 Parâmetros dos processos de tratamento a plasma......................................................... 38 3.4 Caracterização das propriedades superficiais da borracha............................................. 39 3.4.1 Goniometria ............................................................................................................ 39 3.4.2 Microscopia de força atômica (AFM)..................................................................... 41 3.4.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) ................................. 42 3.5 Caracterização das espécies contidas no plasma............................................................ 43 3.5.1 Espectrometria de massa (EM) ............................................................................... 43 3.5.2 Espectroscopia óptica de emissão (OES)................................................................ 45 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................................ 46 4.1 Caracterização das amostras de borracha....................................................................... 46 4.1.1 Ângulo de contato ................................................................................................... 46 4.1.1.1 Tratamentos a plasma de N2............................................................................. 47 4.1.1.1.1 Influência da posição da amostra no reator............................................... 48 4.1.1.1.2 Influência do tempo de tratamento............................................................ 49 4.1.1.1.3 Envelhecimento da borracha após o tratamento ....................................... 53 4.1.1.2 Tratamentos a plasma de misturas de N2/Ar.................................................... 57 4.1.1.2.1 Influência da vazão e proporção dos gases de processo ........................... 58 4.1.1.3 Tratamentos a plasma de misturas de H2/N2/Ar............................................... 59 4.1.1.3.1 Influência da proporção de H2 .................................................................. 59 4.1.1.3.2 Influência da pressão do sistema............................................................... 61 4.1.1.3.3 Influência do tempo de tratamento............................................................ 62 4.1.1.3.4 Envelhecimento da borracha EPDM após o tratamento ........................... 64 4.1.2 Microscopia de força atômica (AFM)..................................................................... 64 4.1.2.1 Amostra sem tratamento a plasma ................................................................... 65 4.1.2.2 Amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar com 67 % de H2 na mistura ............ 67 4.1.2.3 Amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar com 90 % de H2 na mistura ............ 69 4.1.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) ................................. 71 4.2 Caracterização dos plasmas ........................................................................................... 76 4.2.1 Espectrometria de massa (EM) ............................................................................... 76 4.2.2 Espectroscopia óptica de emissão (OES)................................................................ 80 5 CONCLUSÕES ............................................................................................................................ 82 5.1 Sugestão para trabalhos futuros ..................................................................................... 83 REFERÊNCIAS............................................................................................................................... 85 10 1 INTRODUÇÃO As aplicações de materiais poliméricos em diversos setores industriais estão principalmente ligadas às suas estruturas químicas e aos seus valores de densidade de ligações cruzadas (cross-linking). Características como molhabilidade, rugosidade e funcionalidade química são inerentes à estrutura superficial do material1-21, e podem ser alteradas por diferentes técnicas. As excelentes propriedades mecânicas do elastômero EPDM conferem uma atenção especial na sua utilização como proteção térmica em motores-foguete, devido ao seu menor custo e principalmente a sua baixa densidade que permite a colocação de uma carga útil maior no foguete. Apesar de possuir boas propriedades termomecânicas, o EPDM não apresenta boas propriedades superficiais, devido a sua baixa energia de superfície em relação ao propelente, comprometendo a adesão entre as superfícies12-14, sendo este um dos principais problemas na utilização de materiais no revestimento do motor-foguete9,10,12,13. Atualmente um dos mais promissores métodos de alteração de superfícies orgânicas, denominada ativação, é o tratamento em ambiente de plasma1,8-11. A capacidade dos plasmas de alterar as propriedades físicas e químicas da superfície sem afetar as propriedades de volume9,10, especialmente propriedades mecânicas, torna esse método vantajoso em relação aos métodos convencionais, que utilizam solventes. Plasmas, em especial os produzidos em cavidades ressonantes através de fontes de micro-ondas, possibilitam a obtenção de uma maior densidade de espécies reativas, pois o confinamento eletromagnético das micro-ondas proporciona uma otimização no processo de ionização e excitação das espécies contidas na cavidade, promovendo tratamentos de materiais em tempos mais curtos e com alta eficiência, em relação a processos já conhecidos. 11 Como consequência, desse processo é possível aumentar a energia de superfície do EPDM resultando em uma melhor adesão ao propelente9,10,12,15,22-24. A divisão de química do Instituto de Aeronáutica e Espaço (AQI-IAE) possui infraestrutura adequada para a obtenção da borracha EPDM e outros elastômeros de uso aeronáutico16. Nos últimos anos, foram realizados estudos com a utilização de tecnologias de plasmas, para o melhoramento das propriedades superficiais da borracha EPDM, o que possibilitou a obtenção de resultados promissores que consequentemente possibilitaram a publicação de alguns trabalhos científicos, realizados em conjunto com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (ITACTA)9,10,17,18. Este projeto de mestrado teve como objetivo principal, a utilização de um reator a plasma de micro-ondas, do tipo cavidade ressonante, para o tratamento superficial do elastômero EPDM, com a pretensão de melhorar suas propriedades adesivas, com vistas a utilizá-lo como proteção térmica flexível das câmaras dos motores foguete a propelente sólido do Programa Espacial Brasileiro em substituição a borracha NBR. Essa dissertação está organizada de acordo com a descrição dos capítulos a seguir. No capitulo 2 estão descritos alguns conceitos a respeito dos principais assuntos abordados no desenvolvimento desta tese, com destaque para alguns conceitos relativos a tecnologia de plasmas e elastômeros de uso aeronáutico, bem como para as técnicas de caracterização utilizadas para aferir as propriedades superficiais dos materiais processados. No capítulo 3 estão descritos os materiais e métodos para obtenção e tratamento por plasma de micro-ondas das amostras das borrachas de EPDM. No capítulo 4 estão apresentados os resultados das análises das amostras, comparandose os efeitos dos tratamentos a plasma com as propriedades iniciais da borracha EPDM. As técnicas utilizadas foram goniometria, microscopia de força atômica (AFM) , e espectroscopia 12 de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS). Essas técnicas são apropriadas para se inferir as características superficiais das amostras, sendo portanto de fundamental importância para as análises das modificações impostas pelo tratamento a plasma. Ainda no capítulo 4 são apresentados os resultados a respeito das caracterizações das diferentes descargas elétricas usadas nos tratamentos da borracha EPDM. As técnicas usadas foram espectrometria de massa (EM) e espectroscopia óptica (OES), e com isso foi possível fazer uma correlação entre as propriedades do plasma e as alterações superficiais ocorridas na borracha, de maneira a melhor entender a fenomenologia dos processos. No capítulo 5 são enfatizadas as conclusões dos principais resultados obtidos no tratamento da borracha EPDM por plasmas de micro-ondas. Por fim, é apresentada uma série de sugestões para trabalhos a serem realizados futuramente, de modo a completar este estudo. 13 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A necessidade de se tratar superfícies de materiais sem alterar suas propriedades de volume é uma realidade em muitos setores industriais. Esta necessidade pode ser motivada por fatores econômicos, tecnológicos ou mesmo ambientais. Os principais tratamentos superficiais são realizados através de imersão em soluções a base de solventes ou com a utilização de tecnologias de plasmas. Métodos que utilizam solventes muitas vezes não são indicados, pois geram subprodutos nocivos, podem degradar o material e conferem baixa eficiência. Tratamentos a plasmas são mais complexos e exigem uma infra-estrutura com custo relativamente alto em relação ao necessário para o tratamento com solventes, porém, são técnicas mais eficazes, possibilitando a realização de processos mais seguros, pois geralmente são obtidos dentro de reatores, drenados por sistemas de vácuo, além de produzirem quantidades desprezíveis de subprodutos tóxicos8,10,17,19,25. Neste trabalho, como já mencionado, borrachas EPDM foram tratadas por plasmas de micro-ondas gerados em diferentes condições experimentais, de maneira a alterar suas propriedades superficiais. Por isso, a revisão bibliográfica desta tese aborda temas relacionados com tecnologia de plasma no tratamento de polímeros, elastômeros de uso aeronáutico e as principais técnicas de caracterização de superfícies. 2.1 Plasmas frios e suas aplicações O termo plasma foi atribuído por Langmuir em 1927 para descrever a região de uma descarga elétrica não influenciada por paredes e/ou eletrodos. O plasma em geral é uma mistura composta de espécies energéticas que cobrem um largo espectro de características físicas e químicas, incluindo elétrons, íons, espécies neutras altamente reativas (O, F, etc.) em 14 diferentes níveis atômicos excitados; radicais livres reativos; e fótons com diferentes comprimentos de onda provenientes do decaimento dos níveis excitados das espécies do plasma. Os plasmas possuem comportamento coletivo e são macroscopicamente neutros, com densidade de elétrons (ne) e íons (ni) equivalentes (ne ≅ ni)26,27. Os plasmas de baixo grau de ionização, entre 10-6 e 10-2 são denominados plasmas frios ou não-térmicos1,2,26,27 e podem ser obtidos em laboratório com o auxílio de fontes de corrente contínua (DC) ou alternada (AC). Para o caso de fontes AC, a faixa de frequência usada está diretamente ligada às características do processo que se deseja realizar. Fontes que operam na faixa de micro-ondas são amplamente utilizadas na indústria para o tratamento de materiais, pois possibilitam a formação de plasmas com densidade de elétrons acima de 1014 cm-3 e a redução do tempo de processo5,32. Os plasmas apresentam características interessantes para aplicações tecnológicas. Por terem maiores densidades de partículas energéticas, que as obtidas através de processos químicos convencionais, possibilitando reações químicas dificilmente obtidas por simples mecanismos químicos6. Como consequência, eles vêm sendo utilizados em processos de síntese e modificação de materiais aplicáveis em diversos setores industriais, como eletrônica, automobilística, aeroespacial, farmacêutica e alimentícia, entre outras1-5,27. Muitas aplicações necessitam apenas de modificações da superfície do material, ou seja, deseja-se alterar somente a estrutura superficial mantendo-se a estrutura de volume do substrato intacta7. A tecnologia de plasmas pode utilizar fontes de tensão que operam em corrente contínua (DC) ou alternada (AC). Para fontes AC podem-se utilizar frequências na faixa de micro-ondas, que são ondas eletromagnéticas contidas nas bandas de frequência 9, 10 e 11, indicadas na Tabela 2.1. Micro-ondas correspondem à faixa de 300 MHz até 300 GHz e comprimento de onda de 1 mm até 1m, no espectro eletromagnético contínuo. A fonte usada 15 neste trabalho opera na frequência de 2,45 GHz que corresponde a um comprimento de onda de 12,24 cm, sendo uma das mais utilizadas, principalmente em fornos domésticos e reatores de plasma26,28-30. Tabela 2.1 – Banda de Frequência29. Banda 4 5 6 7 8 9 10 11 Designação Frequência muito baixa (VLF) Baixa frequência (LF) Média frequência (MF) Alta frequência (HF) Frequência muito alta (VHF) Frequência ultra-alta (UHF) Frequência super alta (SHF) Frequência extremamente alta (EHF) Limite de frequência (Hz) 3 – 30 kHz 30 – 300 kHz 300 kHz – 3 MHz 3 – 30 MHz 30 – 300 MHz 300 MHz – 3 GHz 3 – 30 GHz 30 – 300 GHz O dimensionamento adequado dos fornos e reatores de micro-ondas é de suma importância para o bom funcionamento dos mesmos, pois o comprimento de onda da frequência que se deseja utilizar, a quantidade de harmônicas e a distribuição delas dentro do forno ou reator pode definir as regiões de alta energia ou ausência de energia, conforme ilustra a Figura 2.131. Figura 2.1. Representação da distribuição das ondas harmônicas dentro de um forno de micro-ondas31. Através da Figura 2.1 observa-se que os nós (nodos) das ondas eletromagnéticas coincidem com as paredes internas do forno. Isso se deve ao fato de que as regiões de baixa energia devem se concentrar nas paredes, para não ocorrer deterioração da superfície do forno 16 ou reator, pois o nodo é uma região de campo eletromagnético nulo, conforme pode ser observado na Figura 2.2. Da mesma maneira existem regiões onde o campo atinge valores máximos. Para exemplificar esse fenômeno, basta que se lembre que em fornos de microondas caseiros, existem regiões de maior aquecimento dos alimentos. Figura 2.2. Orientação e intensidade do campo elétrico (E) e magnético (B), de uma onda eletromagnética se propagando no eixo z. Cabe lembrar que, em reatores a plasma de micro-ondas operando em baixa pressão (abaixo de 100 Torr), o aumento do livre caminho médio das partículas e os processos colisionais tornam os plasmas mais homogêneos dentro do reator, pois as partículas resultantes das colisões inelásticas na região de maior energia, ganham energia cinética suficiente para transferi-la a outras partículas que se encontram nas regiões de baixa energia, o que possibilita que percorram distâncias maiores e adquiram mais energia até o momento da colisão, aumentando a eficiência do processo colisional. 2.2 Elastômeros de uso aeronáutico em motores foguete Os elastômeros possuem estrutura interna caracterizada pelo arranjo das cadeias poliméricas ligadas entre si por pontes de enxofre, carbono ou peróxidos, além da 17 incorporação de outros componentes durante o seu processo de vulcanização, como, aceleradores, plastificantes, agentes de cura, ativadores, entre outros componentes utilizados para definir as propriedades do produto final. O uso de elastômeros na indústria aeroespacial tem inúmeras aplicações9,10,17,18. No Brasil, temos como exemplo a aplicação de borrachas ablativas vulcanizadas no revestimento interno dos motores a combustíveis sólidos do Veículo Lançador de Satélites (VLS), por proporcionar proteção térmica flexível ao conjunto, conforme ilustra a Figura 2.3. Figura 2.3. Vista em corte da câmara do motor foguete S-43 do VLS. A borracha de butadieno acrilonitrila ou nitrílica (NBR) é atualmente utilizada nestas aplicações, devido à relativa compatibilidade ao propelente sólido15,16, porém, apresenta as seguintes desvantagens: i) maior densidade em relação ao EPDM (aproximadamente 15 %), o que dificulta a colocação de cargas devido ao excessivo peso do motor; ii) alto custo de manufatura e iii) liberação de subprodutos tóxicos, que é uma questão preocupante, devido à presença de diversos aditivos na sua composição e do grupo C≡N na sua estrutura molecular, que é mostrada na Figura 2.4. Este último é um ponto crítico, pois a queima do motor foguete ocorre no seu primeiro estágio onde o veículo espacial ainda se encontra na troposfera terrestre, e o resultado dessa queima é a formação de NOX que é um dos principais causadores da chuva ácida. 18 Figura 2.4. Estrutura química da borracha nitrílica (NBR). Devido a estas questões, o Laboratório de Borracha do IAE desenvolve composição a base de borracha EPDM visando substituir as composições à base de NBR usadas atualmente como proteções térmicas ablativas. O EPDM, cuja estrutura química encontra-se na Figura 2.5, possui propriedades termomecânicas adequadas à aplicação de interesse, tem menor custo de manufatura, menor densidade, diminuindo o peso do motor, o que propicia uma maior colocação de cargas, além de não produzir NOX durante a queima, devido à estrutura conter essencialmente carbono e hidrogênio. Há, entretanto, uma deficiência crítica à sua capacidade adesiva não satisfatória a outros materiais9,10,12,13,20-22, como o propelente e o adesivo “liner” à base de poliuretano. Para solucionar este problema optou-se por utilizar neste tipo de elastômero, métodos assistidos a plasma de micro-ondas, motivado pelos resultados provenientes de teses acadêmicas e publicações relacionadas à modificação superficial do EPDM9,10,12,13,15,17,18. Figura 2.5. Estrutura química da borracha de etileno-propileno-dieno-monômero (EPDM), sendo (A) norboneno, (B) etileno e (C) propileno. 19 2.3 Ativação superficial de polímeros por plasmas A ausência de grupos polares na superfície do EPDM dificulta sua colagem a outros substratos, como é o caso do propelente, compósito de base polar, utilizado em foguetes conforme apresentado na Figura 2.3. Uma vez que esta colagem é prejudicada, o risco de possíveis acidentes ocasionados pelo descolamento entre a borracha e o combustível, é iminente, diminuindo a segurança de uso destes motores. Desta forma, passa ser necessária a ativação da superfície da borracha, ou seja, um tratamento que possibilite um aumento da energia superficial, tornando a superfície mais adesiva3,4,7-10,12,13. Os tratamentos a plasma são particularmente interessantes na promoção de melhorias nas características de adesão da borracha ao propelente. A Figura 2.6 ilustra de forma simplificada a estrutura molecular do EPDM e a ação do plasma na superfície da borracha. A estrutura do EPDM está exemplificada pela distinção das estruturas no volume da borracha, por uma visão macroscópica da interligação das cadeias poliméricas, e pela estrutura superficial (ligações atômicas) para facilitar o entendimento da formação dos sítios ativos durante os processos a plasma. O processo de vulcanização, característico dos elastômeros é resultante do crosslinking entre essas cadeias, obtido pelos processos de vulcanização da borracha através de pontes de enxofre que mantêm a estrutura estável mecanicamente, sem levar em consideração os outros componentes presentes na estrutura da borracha, como plastificantes, antioxidantes e outras cargas. O plasma, em muitos casos, pode atuar de forma a abstrair átomos da superfície do material, criando sítios ativos químicos e físicos que consequentemente elevam a energia de superfície da borracha, conforme é ilustrado na Figura 2.6. Devido à alta energia cinética das partículas do plasma, há a possibilidade de que ocorram inúmeras reações entre as espécies do plasma e a superfície da borracha, além de reações com os subprodutos provenientes do 20 material. Após a exposição da borracha ao plasma, ela é posta em atmosfera ambiente e outras reações ocorrem nos sítios ativos remanescentes, através da introdução de grupos reativos presentes no ar atmosférico. Figura 2.6. Representação da estrutura do EPDM e efeitos do processo de ativação de superfícies a plasma. Especificamente os plasmas não reativos geralmente agem abstraindo hidrogênio das ligações superficiais, aumentando a formação de ligações cruzadas e criando os sítios ativos3,11. Plasmas reativos, utilizados após ou em conjunto com plasmas não reativos, formam grupos polares nos sítios ativos existentes. Desta forma há necessidade de se trabalhar simultaneamente com misturas de gases reativos e não reativos. Quando plasmas de N2 e/ou Ar são combinados a um plasma de hidrogênio, a ação de criação dos sítios ativos é mais pronunciada, pois o hidrogênio atua como um agente intensificador de ionização do meio, devido à alta emissão de radiação ultravioleta, possibilitando a quebra de uma maior quantidade de ligações na superfície do material. Diversos autores têm estudado os efeitos de diferentes tipos de gases e descargas elétricas sobre a superfície de polímeros aplicados industrialmente, por meio de processos assistidos a plasma, usando sofisticadas técnicas de análise, tais como: XPS, FTIR, AFM e a goniometria. MORRA33 apresenta a análise da composição química superficial do politetrafluoretileno (PTFE) obtida por XPS, para o polímero sem tratamento e tratado com 21 plasma de oxigênio para diferentes tempos de exposição, cujos resultados são apresentados na Tabela 2.2. Tabela 2.2 – Análise de XPS da composição química das espécies presentes no PTFE33. Tempo de tratamento (min) Não tratada 0,5 1,0 2,0 5,0 10,0 15,0 Composição química (em %) C F O 39,8 60,4 0,8 44,6 48,9 6,4 42,7 51,1 7,1 42,6 50,9 6,5 40,9 57,0 2,1 38,3 60,5 1,2 38,3 61,4 0,3 Esse resultado revela a ocorrência de considerável modificação na superfície do PTFE devido ao tratamento a plasma. Pode-se observar o surgimento de um pico fotoelétrico a aproximadamente 284 eV e a deconvolução desse pico e do pico a 294 eV em vários componentes para os tempos de 0,5 e 2 min, revelando a presença de diferentes tipos de ligações químicas na superfície do material, conforme ilustram as Figuras 2.7b e 2.7c. Para tratamento com tempos mais longos acima de 2 min, segundo o autor, os mecanismos de corrosão passam a ser mais atuante na superfície, tornando as características da superfície do PTFE mais semelhantes ao estado não tratado, em relação à sua composição química, como se observa nos espectros das Figuras 2.7a e 2.7d. CHAPPEL34 obteve resultados no melhoramento da força interfacial entre fibras de polietileno e resina epóxi, com a utilização de plasma de nitrogênio no qual introduziu grupos amina na superfície das fibras de polietileno, criando sítios ativos e possibilitando o surgimento de ligações covalentes entre a fibra e a resina. INAGAKI35 utilizou plasma de NH3 para o tratamento superficial do politetrafluoretileno (PTFE) que possibilitou melhorias na interface entre o polímero e a borracha nitrílica (NBR), observado nos ensaios de descolamento, quando utilizados adesivos a base de fenóis. 22 a) b) c) d) 280 284 288 292 296 300 280 284 288 292 296 300 Energia de ligação (eV) Figura 2.7. Espectro fotoelétrico do PTFE: a) Não tratada; b) 0,5 min de exposição ao plasma; c) 2 min de exposição ao plasma; d) 15 min de exposição ao plasma33. MORRA36 mostra o envelhecimento em função da temperatura, nas características da superfície do polipropileno (PP) tratado com plasma de Ar através da observação do ângulo de contato, Figura 2.8. 100 90 Ângulo de contato (°) 80 70 60 50 40 293 K 333 K 363 K 393 K 30 20 0 1 2 3 4 5 Tempo (horas) 6 7 8 Figura 2.8. Evolução do ângulo de contato do PP no envelhecimento em diferentes temperaturas36. 23 Através do gráfico da Figura 2.8 observa-se que a temperatura influencia significativamente o envelhecimento do material. Isso ocorre devido à aceleração do processo de incorporação de espécies nos sítios ativos criados na superfície do polímero após a exposição ao plasma de Ar. Observa-se nitidamente que na primeira hora, após o tratamento, a variação do ângulo de contato das amostras, submetidas às temperaturas de 363 e 393 K são mais expressivas, em relação àquelas mantidas em temperaturas mais baixas (aproximadamente 300 K). FOERCH37 realizou o estudo da introdução de grupos funcionais nitrogenados na superfície do polietileno (PE) com o uso de plasmas de N2, analisando a sua composição superficial por meio da técnica de XPS. Os resultados indicaram um pequeno decréscimo da composição de nitrogênio logo após o tratamento e aumento significativo e gradual do oxigênio na superfície do PE após alguns dias. Neste caso, constatou-se que a perda do nitrogênio ocorre logo após o tratamento, devido à hidrólise de aminas pela água do ar atmosférico e a introdução do oxigênio na estrutura do PE, através da reação com o carbono da superfície, devido à alta reatividade do oxigênio. 2.4 Técnicas de caracterização superficial A efetiva alteração das borrachas em estudo por meio de plasmas de micro-ondas foi constatada pelas mudanças de algumas de suas propriedades, tais como, ângulo de contato, energia de superfície, trabalho de adesão, rugosidade e composição química da superfície do EPDM, as quais foram obtidas pelas técnicas de goniometria, AFM e XPS, pois possibilitaram a obtenção de informações importantes inerentes à superfície da borracha. Neste trabalho utilizaram-se as principais técnicas de caracterização para a determinação das propriedades superficiais da borracha EPDM e verificação das modificações proporcionadas pelos tratamentos a plasma. Nos itens 2.41, 2.42 e 2.43 é apresentada de 24 forma resumida o princípio de funcionamento das técnicas de goniometria, microscopia de força atômica (AFM) e espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS), respectivamente. 2.4.1 Goniometria A goniometria é uma das principais técnicas utilizadas para a análise superficial de materiais poliméricos, cerâmicos e metálicos. Essa técnica consiste na determinação do ângulo de molhabilidade de um líquido sobre a superfície plana de um sólido. Esse ângulo é formado pelas tangentes das interfaces líquido-vapor e líquido-sólido no ponto de intersecção das três fases, que devem estar necessariamente em equilíbrio termodinâmico, conforme a Figura 2.9. Figura 2.9. Definição do ângulo de contato e das energias atuantes entre as interfaces. Na Figura 2.9, as retas tangentes às fases, correspondem às energias de superfície (γ) de cada interface e (θ) é o ângulo de contato do líquido, definido pelo ângulo interno a gota38,39. A evolução desse ângulo de contato em função da variação de uma determinada grandeza física em diferentes tratamentos a plasma nos indica a ocorrência de alterações das características superficiais dos diferentes materiais em estudo como já mencionado no item 2.3. A natureza química e a rugosidade da superfície de um material determinam o quanto 25 ele é hidrofóbico (aversão à água) ou hidrofílico (afinidade à água). Sabe-se por exemplo, que a flor de Lótus apresenta comportamento hidrofóbico, devido a sua natureza química apolar e ao fato de possuir superfície rugosa, causada pela presença de microporos, prejudicando a sua molhabilidade, devido ao mecanismo de ancoragem mecânica. Ao se levar em consideração os fatores anteriormente mencionados, o conceito de energia de superfície é inserido nesse contexto para definir as interações das energias atrativas e repulsivas na interface. Se um material sólido possui baixa energia de superfície, devido à baixa presença de grupos polares, como é o caso da borracha EPDM, ao se colocar sobre sua superfície uma gota de um líquido como a água deionizada (DI) (polar), que possui energia de superfície relativamente elevada, não haverá forças suficientes na superfície do material para superar as forças de coesão entre as moléculas da água, assim ela não se espalhará sobre a superfície da borracha, e o ângulo de contato nesse caso será provavelmente maior que 90 º. A escolha do líquido a ser utilizado nas medidas de ângulo de contato é determinada geralmente de acordo com o tipo adesivo de interesse para a aplicação no material, portanto, é interessante que haja semelhança entre as características do líquido e o adesivo, por exemplo, usa-se a água DI nas medidas de ângulo de contato quando se deseja estudar as características adesivas de um determinado material, por exemplo, ao adesivo epoxídico, pois ambos têm características químicas polares. Verificou-se experimentalmente a correlação entre o cosseno do ângulo de contato e a energia de superfície de alguns líquidos na superfície do PTFE, para uma reta que extrapolava em cos(θ)=1, para líquidos de baixa energia de superfície (abaixo de 50 mN/m)39. Tendo como base essas considerações, relacionou-se as energias de superfície atuantes nas interfaces, sólido-líquido (γSL), sólido-vapor (γSV) e líquido-vapor (γLV) e o ângulo de contato (θ), chegando-se a equação para determinação da energia de superfície do sólido, 26 denominada equação de Young (1)39. γ SV = γ SL + γ LV ⋅ cosθ (1) Um conceito a ser levado em consideração para o sistema apresentado na Figura 2.9, é o chamado trabalho de adesão (WA), pois ele define o trabalho termodinâmico que a superfície do sólido é capaz de exercer sobre as forças coesivas das moléculas do líquido. A relação entre as energias de superfície de cada fase e da interface é descrita conforme a equação de Dupré (2). WA = γ LV + γ SV − γ SL (2) Relacionando as equações (1) e (2), obtém-se a equação de Young-Dupré (3) que apresenta de forma clara a influência da molhabilidade no valor do trabalho de adesão, levando-se em consideração a tensão superficial do líquido e o ângulo de contato do líquido sobre a superfície40. WA = γ LV ⋅ [cos(θ ) + 1] (3) Para o caso extremo em que o ângulo de contato (θ) é igual a zero, ou seja, a gota se espalhou completamente pela superfície, temos cos(θ) igual a 1. Nesse caso, o trabalho de adesão entre a superfície do material e o líquido é máximo e mais forte que as forças de coesão entre as moléculas do líquido. Por outro lado, quando (θ) é igual a 180 °, temos cos(θ) igual a -1, apresentando um trabalho de adesão igual a zero, nesse caso, não há energia suficiente do material para vencer a coesão entre as moléculas do líquido, que por esse motivo 27 não se espalhou pela superfície. FOWKES41 demonstra em sua teoria, que a energia de superfície de um determinado material pode ter contribuições, devido às diferentes interações moleculares, assim decomposta em vários componentes. Essas contribuições podem ser regidas por forças dispersivas de London (γd), por ligações polares (γp), além de outros componentes como interações por pontes de hidrogênio (γH), forças de indução (γi), interações ácido/base (γA/B), conforme a equação (4). γ T = γ d + γ p + γ H + γ i + γ A/ B + K (4) A predominância de um ou mais componentes para a energia de superfície total (γT), está diretamente ligada às ligações químicas do material. Para o caso da maioria dos polímeros, os componentes dispersivas (γd) e polares (γp) são as principais contribuintes41. A Tabela 2.3 apresenta as energias de superfície e os seus componentes dispersivos e polares, expressas em unidade de energia por área (mJ/m2 = mN/m) dos principais líquidos utilizados para as medidas de ângulo de contato. Tabela 2.3 – Energia de superfície de líquidos utilizados para medidas de ângulo de contato15. Líquido água deionizada diiodometano formamida glicerol etileno-glicol γT γd γp (mN/m) (mN/m) (mN/m) 72,8 21,8 51,0 50,8 50,8 0,0 57,5 38,5 19,0 63,1 33,1 30,0 48,0 29,0 19,0 Outro conceito que parte da teoria de Fowkes é a admissão de uma média geométrica para o cálculo do trabalho de adesão para cada componente atuante na interface sólidolíquido, conforme a equação (5). 28 W A = 2 ⋅ γ dS ⋅ γ dLV + 2 ⋅ γ pS ⋅ γ pLV + K (5) Na equação (5) utilizam-se os valores das componentes dispersiva ( γ dS ) e polar ( γ pS ) do sólido, sem considerar necessariamente a energia da interface sólido-vapor, pois considerase que na condição de equilíbrio termodinâmico, a adsorção de vapor em sólidos de baixa energia de superfície é desprezível, como é o caso de muito polímeros, inclusive o EPDM. OWENS42 e KAELBLE43 deram uma forma mais generalizada da equação de Fowkes (5). Combinando-a com a equação de Young-Dupré (3), considerando as componentes dispersiva e polar da energia atuante nos líquidos, resultando na equação (6), nessa que é considerada a média geométrica. γ LV ⋅ [cos(θ ) + 1] = 2. γ dS ⋅ γ dLV + 2. γ pS ⋅ γ pLV (6) Essa equação é bastante eficaz para o cálculo da energia de superfície de polímeros, principalmente quando se utilizam hidrocarbonetos líquidos, como o diiodometano. Através dessa equação podemos determinar as energias de superfície dispersiva e polar do material. WU44 propôs uma equação denominada de média harmônica, para ser aplicada no cálculo da energia de superfície de polímeros, com relativa exatidão, conforme mostra a equação (7), pois a correlação entre o cos(θ) e a tensão superficial de líquidos com elevada tensão superfície não tendem para uma reta41, como é o caso da água deionizada45. γ LV ⋅ [cos(θ ) + 1] = 4.γ dS ⋅ γ dLV γ dS + γ dLV + 4.γ pS ⋅ γ pLV γ pS + γ pLV (7) 29 A resolução das equações (6) e (7) é feita pela método dos dois líquidos, que utiliza dois líquidos com características diferentes (um polar e um apolar) nas medidas de ângulo de contato, possibilitando a determinação das incógnitas ( γ dS ) e ( γ pS ) e assim calcular a energia de superfície total do sólido pela soma desses fatores43-45. 2.4.2 Microscopia de força atômica (AFM) A microscopia de força atômica (AFM) baseia-se na interação da superfície de um material com a ponta de prova (sonda) montada em uma alavanca (cantilever), sensível a pequenas variações de força. A deflexão do cantilever é proporcional às variações de força entre os átomos da superfície do material e a ponta de prova, determinada através da constante de mola do cantilever que é definida pela lei de Hooke. A técnica de AFM possui 3 modos de operação: i) o modo de contato (C) possibilita a obtenção de imagens por repulsão da ponta de prova, distanciando-a da amostra, o que permite imagens com resolução atômica, porém, devido ao contato físico entre as partes, essa varredura pode danificar a superfície da amostra ou a ponta de prova, dependendo da dureza da superfície do material; ii) modo de contato intermitente (CI), onde a ponta de prova é fixa e presa ao cantilever que oscila em uma amplitude de 20 nm a 100 nm, tocando a amostra periodicamente; iii) modo de não-contato (NC), onde a oscilação da ponta de prova ocorre por forças de Van Der Waals e não há o contato físico entre a amostra e a ponta de prova, regido majoritariamente pelas forças atrativas. Em todos os modos, um fotodetector capta a variação do sinal de um Laser que incide sobre o cantilever durante a varredura. A deflexão do cantilever provoca uma variação na reflexão do feixe incidente, e através de um programa computacional é possível gerar uma imagem da topografia do material (ver Figura 2.10a)46. 30 Figura 2.10. a) Ilustração do princípio de funcionamento da técnica de AFM; b)Curva característica de interação sonda-amostra46. A interação entre a ponta de prova e a superfície, começa a ocorrer de forma pronunciada para uma distância de aproximadamente 50 nm e pode ser atrativa ou repulsiva. A partir de uma distância de 50 nm da amostra, as interações são atrativas e definidas pelas forças de Van de Waals de dipolo-dipolo. Conforme a ponta de prova aproxima-se da superfície do material, as forças que atuavam de forma atrativa para dezenas de nm, passam a atuar de forma repulsiva para distâncias menores que 0,5 nm, pois nessa situação, a repulsão é causada pela interação entre as nuvens eletrônicas dos átomos do material e os átomos da ponta de prova. A Figura 2.10b mostra a variação da força em função da distância da ponta de prova à superfície. 2.4.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) Uma das principais técnicas de análise de superfície para determinação e quantificação de elementos é a espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (X-rays photoelectrons spectroscopy – XPS). Está técnica permite obter a energia de ligação e a identificação das espécies presentes nas camadas mais superficiais de um determinado material, da ordem de poucas dezenas de camadas atômicas de profundidade o que possibilita a compreensão de fenômenos relacionados às propriedades adesivas, catalíticas e de molhabilidade. A incidência de fotoelétrons de raios-X na superfície de um determinado material 31 induz a remoção de elétrons das camadas mais internas ao átomo, elevando-o a um estado energético que posteriormente tende a retornar ao seu estado fundamental. O decaimento (ou relaxação) do estado energético (ionizado) para o estado fundamental promove a emissão de um fotoelétron com energia e comprimento de onda, característicos para cada elemento. Os fotoelétrons das camadas mais superficiais que não sofreram perdas de energia são coletados no detector, e posteriormente analisados para a obtenção do espectro fotoelétrico. A Figura 2.11 ilustra os elementos básicos do XPS. Figura 2.11. Representação básica do principio de funcionamento do XPS. Pelo fato da técnica de XPS possuir baixo grau de profundidade de análise, a identificação de espécies que não fazem parte da composição do material pode ocorrer, como espécies adsorvidas à superfície ou devido a partículas do meio dependendo do nível de vácuo, portanto é necessário que se tenha um ambiente de ultra-alto vácuo para minimizar essa interferência. 32 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Descrição do equipamento de processos a plasma O reator de processos a plasma de micro-ondas (MO) utilizado para o desenvolvimento deste trabalho consiste de uma câmara de secção retangular de 230 mm de largura, 80 mm de altura e 500 mm de profundidade. A Figura 3.1 mostra uma ilustração da vista lateral da câmara, na qual foram realizados os processos a plasma. Figura 3.1. Ilustração da câmara de processos a plasma de micro-ondas. O sistema possui uma janela de observação para inserção e retirada de amostras, conforme se observa na Figura 3.2, além de várias outras entradas ao redor da câmara, para conexões de gases, medidores de pressão, termopares e o acoplamento de equipamentos de análise, como o espectrômetro de massa. Um sistema de vácuo é usado para redução da pressão interna da câmara, que é constituído por uma bomba de vácuo mecânica rotativa da Edwards, modelo E2M18, para obtenção de plasmas em pressões da ordem de centenas de mTorr. 33 Figura 3.2. a) Interior do reator de processos; b) Janela para observação, inserção e retirada das amostras. A luminosidade do plasma como pode ser observado na Figura 3.3a, foi obtido por uma descarga elétrica utilizando um magnetron do tipo utilizado em fornos de micro-ondas doméstico. O magnetron está acoplado a um guia de onda sobre o reator de processos, próximo à janela de inserção de amostras. Logo abaixo ao guia de onda, há uma janela de quartzo de 10 mm de espessura, para a passagem das ondas eletromagnéticas e isolamento hermético para a redução da pressão interna. O magnetron é refrigerado a água, os transformadores de alta tensão utilizados para alimentá-lo são refrigerados com óleo refrigerante especial. O magnetron, a entrada do sistema de refrigeração e o circuito de alimentação podem ser observados na Figura 3.3b. Figura 3.3. a) Plasma de Nitrogênio; b) Vista superior da câmara. 34 O funcionamento do reator a plasma de micro-ondas é semelhante ao de um forno de micro-ondas convencional de uso doméstico, porém, o ambiente onde é gerado o plasma possui pressão controlada. Para o funcionamento do equipamento é necessária uma fonte de energia externa, uma linha de transmissão ou guia de onda e um aplicador, conforme ilustra o diagrama da Figura 3.4. Figura 3.4. Diagrama de blocos. A rede elétrica fornece energia aos circuitos de controle e alta tensão. O circuito de alta tensão tem a função de receber essa energia da rede e amplificá-la, para que o magnetron gere ondas na frequência de 2,45 GHz. O transformador, ilustrado na Figura 3.5, amplifica o sinal de entrada, de 110 Vca ou 220 Vca para aproximadamente 2000 Vca, na região do secundário de alta tensão. Figura 3.5. Transformador de alta tensão. Durante o semiciclo positivo do sinal alternado, o transformador amplifica a tensão de entrada, os diodos conduzem e carregam o capacitor com uma carga de aproximadamente 35 2000 V, quando a polaridade se inverte nos terminais do secundário de alta tensão o diodo deixa de conduzir e a carga do capacitor se soma à carga do transformador, que é aplicada no filamento-catodo do magnetron, fornecendo uma tensão de aproximadamente -4000 V, suficiente para a geração de ondas na frequência de 2,45 GHz. A carga ligada paralelamente ao capacitor, tem como função descarregar eletricamente o capacitor após o seu desligamento. Figura 3.6. Circuito de alta tensão. 3.2 Obtenção das amostras de EPDM As amostras de borracha EPDM utilizadas para os tratamentos a plasma foram fabricadas e fornecidas pela Divisão de Química do Instituto de Aeronáutica e Espaço (AQI/IAE), em forma de tapetes, conforme mostra a Figura 3.7. Figura 3.7. Tapete de EPDM para realização dos tratamentos a plasma. 36 Os tapetes de EPDM foram fabricados pelo processo de prensagem aquecida. A sua vulcanização foi obtida a uma pressão de 150 kgf/cm2 a uma temperatura de 155 °C por 30 minutos. A formulação utilizada para a fabricação da borracha está apresentada na Tabela 3.1, em unidade de partes por cem de borracha (Parts per hundred of rubber - phr). Tabela 3.1 – Formulação da borracha EPDM. Quantidade (phr) 100 0,1 0,5 2 0,5 0,5 0,5 0,5 Componentes EPDM Negro de fumo Óleo Parafínico ZnO Ácido Esteárico TMTM MBT Enxofre A borracha EPDM foi submetida a ensaios reológicos no Laboratório de Borracha do IAE (EBO/IAE), para determinação das suas características de vulcanização através do reômetro Monsanto modelo 100S, segundo as normas da ASTM 2084. Através da análise da curva reométrica, pôde-se determinar o tempo de segurança ou de pré-forma do material (Scorch Time), tempo de vulcanização do composto e análise do comportamento das propriedades mecânicas, após a vulcanização. Os parâmetros de operação do reômetro para a obtenção da curva reométrica de compostos elastoméricos, segundo a norma da ASTM, estão apresentados na tabela 3.2. Tabela 3.2 – Parâmetros do reômetro para a obtenção da curva característica. Parâmetros Arc ± Temperatura Tempo valores 3 155 ± 1 60 unidades (°) (°C) (minutos) A curva apresentada na Figura 3.8 mostra de forma bem definida o comportamento mecânico do composto, nos diferentes instantes da obtenção do vulcanizado (borracha). O 37 scortch time ou tempo de pré-forma foi apreciado nos 15 minutos iniciais e o tempo ótimo de vulcanização, na qual considera-se cessada a vulcanização, ocorreu aproximadamente aos 35 minutos após o início do ensaio. A curva reométrica da borracha EPDM, após 40 minutos de ensaio, apresentou cura em equilíbrio com o torque aplicado, sem ponto de torque máximo ou 55 6.2 50 5.6 45 5.1 40 4.5 35 4.0 30 3.4 25 2.8 20 2.3 15 1.7 10 1.1 5 0.6 Torque (N.m) Torque (lbf.pol) reversão, indicando excelentes propriedades do vulcanizado. 0.0 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Tempo (mim) Figura 3.8. Curva reométrica da borracha EPDM. As amostras utilizadas para o tratamento a plasma foram obtidas através do corte dos tapetes de EPDM em dimensões de aproximadamente 5 cm × 2 cm, conforme a Figura 3.9. Essas amostras não foram submetidas a processos de limpeza química com solvente, para evitar que houvesse interdifusão dos elementos do solvente na borracha. Figura 3.9. Amostra da borracha EPDM utilizada no reator a plasma. 38 3.3 Parâmetros dos processos de tratamento a plasma Os processos realizados com o reator a plasma de micro-ondas tiveram por objetivo tratar superficialmente a borracha EPDM, a fim de se otimizar suas propriedades adesivas. Esses processos foram realizados em diferentes intervalos de tempo, com misturas dos gases H2, N2 e Ar, em diferentes proporções e fluxos. Para a otimização dos tratamentos da borracha EPDM, inicialmente determinou-se o tempo de tratamento da borracha à exposição ao plasma de N2, de acordo com os parâmetros apresentados na Tabela 3.3, com a intenção de se obter um tempo adequado de tratamento da borracha, para dar prosseguimento aos experimentos seguintes, sem que os mesmos ocorressem em tempos insuficientes ou excessivos, impossibilitando a obtenção dos demais parâmetros do sistema. Para os plasmas de N2/Ar, otimizou-se a proporção e a vazão total dos gases, para tempo de tratamento de 120 s (obtido nos experimentos com N2) e pressão fixa em 0,25 Torr, conforme mostra a tabela 3.4. Tabela 3.3 – Variação dos parâmetros para a formação dos plasmas de N2. Parâmetros Fluxo total de N2 (sccm) Pressão do sistema (Torr) Tempo de tratamento (segundos) Faixa 5 0,15 10 a 300 Tabela 3.4 – Variação dos parâmetros para a formação dos plasmas de N2/Ar. Parâmetros Porcentagem de gás na mistura de N2/Ar Fluxo total (sccm) Pressão do sistema (Torr) Tempo de tratamento (segundos) Proporção N2 Ar 33% 67% 50% 50% 67% 33% 25, 50, 75 e 100 0,25 120 Como o resultado dos processos com a mistura de N2/Ar apresentaram valores menores de ângulo contato na borracha EPDM, em relação aos obtidos pelo plasma de N2, 39 resolveu-se incluir a esta mistura, o gás H2, para verificar a eficiência do gás no tratamento da borracha, em diferentes proporções de gases, pressão total do sistema e tempos de tratamento, conforme a Tabela 3.5. Tabela 3.5 – Variação dos parâmetros para a formação dos plasmas de H2/N2/Ar. Parâmetros Porcentagem de gás na mistura de H2/N2/Ar Fluxo total (sccm) Pressão do sistema (Torr) Tempo de tratamento (segundos) Proporção N2 Ar 34% 34% 25% 25% 17% 17% 13% 13% 5% 5% 50 0,25, 0,50, 0,75 e 1,00 10 a 600 H2 33% 50% 67% 75% 90% 3.4 Caracterização das propriedades superficiais da borracha Auxiliado pelas técnicas de caracterização: goniometria, microscopia de força atômica (AFM) e espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS), foi possível determinar os principais parâmetros característicos da superfície da borracha EPDM, e verificar a influência e a eficiência dos processos a plasma na modificação das características superficiais da borracha, em função dos parâmetros de operação. 3.4.1 Goniometria Após cada processo de tratamento do EPDM ao plasma, nas condições descritas no item 3.3, foi utilizada a técnica de análise de ângulo de contato, devido à simplicidade em sua execução. Com isso foi possível determinar os parâmetros superficiais inerentes ao potencial adesivo da superfície da borracha. Em cada amostra foram realizadas entre 4 e 7 medidas de ângulo de contato em diferentes pontos, para a água DI e o diiodometano. Para essa determinação foram utilizados dois equipamentos. A primeira parte das análises de ângulo de contato foi realizada no Laboratório da Divisão de Química do IAE, no 40 equipamento Standard Digital Automated Goniometer modelo 500-00 da Ramé-Hart Inc. Porém, o tempo entre o tratamento das amostras de EPDM no reator a plasma e as análises através da goniometria no laboratório, na qual se encontrava o goniômetro, era de aproximadamente 30 min, devido à distância entre os laboratórios. O tempo necessário para o translado entre os laboratórios e as dificuldades do transporte das amostras impossibilitavam a análise imediatamente após o tratamento, limitando a quantidade de amostras a serem analisadas. Em vista da falta de um equipamento de goniometria no Laboratório de Plasmas e Processos do ITA, montou-se um aparato experimental para realizar medidas de ângulo de contato. Esta montagem consiste de uma câmera CCD é alinhada com o suporte de amostras, conforme ilustra a foto da Figura 3.10. Desta maneira foi possível fotografar um perfil da gota do líquido, que é adicionada à superfície da borracha e determinar o ângulo de espalhamento da gota na superfície da amostra. Figura 3.10. Goniômetro do LPP/ITA. 41 As medidas de ângulo de contato e a determinação dos outros parâmetros da superfície do material foram obtidas pelo software DROPimage Advanced, tanto para as análises feitas com o goniômetro pertencente ao IAE, quanto para as realizadas no aparato montado no ITA. Para se verificar a exatidão do goniômetro do LPP/ITA, foram realizadas medições em amostras nas mesmas condições nos dois equipamentos. A Figura 3.11 mostra os resultados obtidos com os dois goniômetros relativos a uma amostra padrão (sem tratamento) do EPDM que apresentou ângulo de contato de (101,2 ± 1,2)º para o goniômetro do IAE, conforme a Figura 3.11a, e (102,0 ± 3,6)º pelo goniômetro do LPP/ITA, de acordo com a Figura 3.11b. Figura 3.11. a) Imagem obtida no goniômetro do IAE; b) Imagem obtida no goniômetro do LPP/ITA. A mesma comparação foi realizada para amostras tratadas a plasma de N2 e verificouse que os resultados ficaram bem próximos entre eles, apresentando o valor de (49,2 ± 1,8)º obtido pelo goniômetro do IAE e (47,2 ± 3,7)º pelo goniômetro do LPP/ITA. 3.4.2 Microscopia de força atômica (AFM) As análises de microscopia de força atômica (AFM) foram realizadas através do microscópio de varredura por sonda SPM-9500J3, no modo dinâmico de contato intermitente, para uma avaliação global em escala nanométrica da topografia da borracha EPDM sem tratamento e submetida a duas condições de tratamento com o plasma de H2/N2/Ar, em concentrações distintas de H2, devido à influência desse gás nos processos de emissão de UV durante a descarga elétrica. 42 As condições de tratamento selecionadas para as análises de AFM foram determinadas a partir dos resultados das medidas de ângulo de contato, nas condições de menor e o maior valor de ângulo de contato, em função da concentração de H2 na composição gasosa usada para o tratamento. Com essa análise foi possível verificar possíveis tendências na modificação da topografia da borracha em função dessa concentração do gás e correlacioná-los com os resultados da goniometria. 3.4.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) A técnica de XPS utiliza a emissão de fotoelétrons excitados por raios-X monoenergéticos, com energia dentro da faixa de 1 a 15 keV, dependendo do equipamento. Para este trabalho, foi utilizada radiação Kα de magnésio com energia de 1253,6 eV. O fotoelétrons de raios-X incidem sobre o material com energia hν, onde h é a constante de Planck (6,63.10-34 J.s) e ν a frequência do raio que penetra e interage com os átomos das camadas mais superficiais do material. Através do efeito fotoelétrico, o fóton incidente (raios-X) retira elétrons das camadas eletrônicas mais internas do átomo, com energia cinética Ec, que é determinada pela relação de Einstein, EC = hν – EL, onde EL é a energia de ligação do elétron, especifico para cada composto ao nível de vácuo47. A técnica de XPS foi utilizada para uma avaliação das modificações na composição química da superfície da borracha EPDM, e possibilitar a compreensão das mudanças nas características de molhabilidade da borracha, devido às alterações na composição química das espécies presentes na superfície do EPDM, promovidas pelos tratamentos a plasma. Análises de amostra sem tratamento e amostras tratadas a plasma nas condições otimizadas de processo com a mistura de H2/N2/Ar para os tempos de 10 e 120 segundos de tratamento, foram realizadas a fim de verificar o efeito do tempo de exposição da borracha ao 43 plasma, nas características químicas da superfície da borracha, correlacionando-as com os resultados das demais técnicas utilizadas. As análises de XPS obtidas para este trabalho foram realizadas no espectromicroscópio de superfícies (Kratos XSAM HS) disponível no Centro de Caracterizações e Desenvolvimento de Materiais (CCDM) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 3.5 Caracterização das espécies contidas no plasma A quantificação e a determinação das espécies químicas no volume de um plasma podem nos fornecer informações importantes, como: a variedade e o tipo de espécies produzidas no ambiente do plasma, favorecidas principalmente pelas colisões de partículas altamente energéticas; o monitoramento do produto das reações dos elementos do plasma com a superfície dos substratos; e a detecção de possíveis vazamentos no reator de processos. A determinação experimental de toda composição química de um plasma é uma tarefa complicada, pois muitas espécies criadas podem apresentar tempos de vida muito curtos, abaixo de 10-10 s, impossibilitando-se a identificação dessas espécies pelo o equipamento de detecção. Neste trabalho foram utilizadas duas técnicas para caracterização de descargas elétricas, a espectrometria de massa (EM) e a espectroscopia óptica de emissão (OES). Com elas foram determinadas às espécies presentes no plasma para as diferentes composições gasosas utilizadas, na presença ou não de amostras da borracha EPDM. 3.5.1 Espectrometria de massa (EM) A espectrometria de massa (EM) é uma poderosa técnica de análise da composição gasosa de um determinado composto gasoso. Por meio dela é possível, por exemplo, inferir a 44 composição química de uma atmosfera onde são realizados processos químicos em larga escala, identificando e quantificando em tempo real as espécies existentes no processo. Além disso, ela pode ser usada para analisar a composição química de processos a plasma, como, corrosão e tratamentos superficiais48. Conforme esquematizado na Figura 3.12, o sistema de medição por espectrometria de massa é composto pelo conjunto: câmara de processos (ambiente a ser analisado), fonte de elétrons, analisador de íons, detector e software para análise de dados. A câmara de processos ou região onde se deseja analisar a composição química gasosa deve estar conectada através de um capilar ao equipamento de espectrometria. O espectrômetro de massa representado pela fonte de elétrons, analisador de íons e detector, deve operar em alto vácuo ou ultra alto vácuo para garantir um fluxo das espécies do meio (câmara de processos) para a região de incidência de elétrons, onde serão gerados os íons dessas espécies que posteriormente serão separadas pelas razões massa-carga (m/z), para a detecção somente dos elementos residuais dos processos de interesse, além de eliminar possíveis resíduos de umidade ou outros gases adsorvidos nas paredes do equipamento, que poderiam deturpar a identificação e a quantificação das espécies. O software (análise dos dados) acoplado ao detector converte o sinal recebido e apresenta os dados na foram de espectros de pressões parciais de cada gás em função da razão massa-carga (m/z)49. Figura 3.12. Esquema geral do sistema de espectrometria de massa. 45 As análises de EM para este trabalho foram realizadas com o espectrômetro de massa da marca Hiden modelo HPR-30, composto por um sistema de vácuo que possui uma bomba mecânica rotativa ligada em série a uma bomba turbomolecular ambas da marca Edwards, para atingir pressões da ordem de 10-7 Torr, possibilitando a análise em sistemas que operam em pressões acima da pressão de operação do espectrômetro. Para a obtenção dos espectros de massa utilizou-se o software MASsoft PC. 3.5.2 Espectroscopia óptica de emissão (OES) A espectroscopia óptica de emissão (optical emission spectroscopy – OES) consiste na análise espectral da radiação visível até a ultravioleta, emitida pelos elementos do plasma. Como se sabe, um dos processos que ocorre no plasma é a excitação de átomos e/ou moléculas, que ao retornarem aos seus estados fundamentais, emitem fótons em um comprimento de onda característico para cada elemento, seja pela configuração eletrônica da cada átomo ou pelos componentes das energias que regem as ligações intermoleculares de cada composto molecular. Neste trabalho foi utilizado o espectrômetro óptico de emissão UV-VIS OCEAN OPTICS USB4000, com resolução de 1,5 nm, que opera na faixa de 300 a 800 nm. Esse espectrômetro consiste basicamente de uma fibra óptica que capta a radiação até uma rede de difração que separa a luz em diferentes comprimentos de onda. O espectro obtido pôde ser analisado através do programa OOIBase32 da Ocean Optics Inc. Durante as análises, a fibra esteve posicionada perpendicularmente à frente da janela de observação do sistema de MO, sempre na mesma posição. 46 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados obtidos nos processos de caracterização da borracha EPDM, pelas técnicas de goniometria, AFM e XPS, e a caracterização do reator a plasma de micro-ondas por EM e OES estão apresentados nesse capítulo. Os ensaios foram realizados no Laboratório de Plasmas e Processos do ITA (LPP/ITA), no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) e no Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais da Universidade de São Carlos (CCDM/UFSCar). A apresentação dos resultados está dividida quanto às técnicas de caracterização da superfície borracha e a caracterização do reator a plasma de micro-ondas, correlacionado-os quando necessário. 4.1 Caracterização das amostras de borracha 4.1.1 Ângulo de contato Para a verificação das mudanças nas propriedades superficiais da borracha EPDM, foram realizadas principalmente análises de goniometria em amostra sem tratamento, e posteriormente para os tratamentos a plasma de N2, N2/Ar, e H2/N2/Ar. O goniômetro Standard Digital Automated Goniometer, modelo 500-00 da Ramé-Hart (IAE) foi utilizado para a obtenção dos parâmetros de goniometria da borracha EPDM sem tratamento e para os tratamentos a plasma de N2. Os demais processos de tratamento da borracha pelo plasma, foram realizados através do goniômetro do LPP/ITA, após sua calibração. A determinação dos valores de ângulo de contato e trabalho de adesão da borracha EPDM para a água DI e para o diiodometano, energia de superfície total do EPDM e seus componentes dispersivos e polares, por meio das médias geométrica e harmônica, pelo método dos dois líquidos, foi realizada através do software DROPimage Advanced, em todas 47 as condições analisadas independentemente do goniômetro utilizado. Os principais parâmetros de goniometria extraídos pelo goniômetro, para a amostra sem tratamento estão expostos na tabela 4.1. Tabela 4.1 – Parâmetros da goniometria obtidos para a amostra sem tratamento. Parâmetros Ângulo de contato Água DI Diiodometano Energia de superfície (média geométrica) Componente polar Componente dispersivo Energia de superfície total Energia de superfície (média harmônica) Componente polar Componente dispersivo Energia de superfície total Trabalho de adesão Água DI Diiodometano Amostra sem tratamento Unidades 101,2 ± 1,2 51,6 ± 1,8 (°) (°) 32,9 ± 1,2 33,0 ± 1,1 (mN/m) (mN/m) (mN/m) 1,5 ± 0,4 33,8 ± 1,0 35,3 ± 0,9 (mN/m) (mN/m) (mN/m) 58,7 ± 1,5 82,3 ± 1,3 (mN/m) (mN/m) Observa-se que a superfície da borracha EPDM é hidrofóbica, conforme observado pelo ângulo de contato de aproximadamente 101 º para a água DI. Outro parâmetro importante observado, é o baixo valor obtido para o componente polar da energia de superfície da borracha, observado nos cálculo da média harmônica (aprox. 1,5 mN/m) e pelo valor insignificante obtido através da média geométrica. O trabalho de adesão da borracha EPDM para a água DI obteve um baixo valor (aproximadamente 59 mN/m), quando comparado aos 74 mN/m, obtido pela borracha NBR9. Essas características estão diretamente ligadas à capacidade adesiva da borracha. 4.1.1.1 Tratamentos a plasma de N2 O tratamento da borracha EPDM por processos a plasma de (N2) foram inicialmente realizados para verificação de uma possível influência da posição da amostra dentro do reator, 48 nas características da superfície da borracha. A determinação do intervalo de tempo, onde há uma maximização dos efeitos da descarga de micro-ondas sobre as propriedades superficiais da borracha e o envelhecimento da borracha após o tratamento. 4.1.1.1.1 Influência da posição da amostra no reator Com a intenção de aperfeiçoar o processo de tratamento da borracha EPDM, realizaram-se tratamentos em diferentes distâncias do magnetron (alturas) com o auxilio de suporte para amostras confeccionado em vidro (pyrex). A Figura 4.1 apresenta as medidas de ângulo de contato para amostras tratadas na superfície inferior do reator (0 mm) e também as tratadas a 35 mm e a 67 mm de altura. Nesse caso, quanto maior a altura maior a proximidade entre a amostra e o magnetron. 90 água DI 80 70 Ângulo de contato (°) 60 50 45 diiodometano 42 39 36 33 30 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Altura (mm) Figura 4.1. Análises de ângulo de contato para amostras em diferentes alturas em relação à superfície do reator. Os dados apresentados na Figura 4.1 mostram a influência negativa da proximidade da amostra ao magnetron durante o processo. O aumento da temperatura da amostra e do suporte foi observado logo após os experimentos. Para uma dada condição de tratamento, o ângulo de contato observado na amostra tratada a 67 mm da superfície foi 30 º acima do valor observado 49 para a amostra tratada na superfície do reator. Esses resultados mostram o efeito negativo da temperatura sobre as características da borracha, porém são inúmeros os fatores implicantes da temperatura sobre a superfície da borracha. O favorecimento da introdução de grupos apolares nos sítios ativos logo após o tratamento, a aceleração do processo de migração de componentes da borracha para a superfície, formação de ligação reticula e/ou rugosidade são alguns dos principais fatores que contribuem negativamente nas propriedades adesivas do material, conforme já relatado na literatura. Devido a essa constatação, os demais experimentos foram realizados na superfície do reator. 4.1.1.1.2 Influência do tempo de tratamento Um dos principais parâmetros a ser definido em processos a plasma, é o tempo de tratamento, pois, a ação do plasma na superfície do material pode ser significativa em função do tempo de tratamento, além dos demais parâmetros da descarga elétrica. Em muitos casos, tempos curtos de tratamento são insignificantes nas modificações das características superficiais do material e tempos excessivos podem ser degradantes em relação às propriedades. Para os tratamentos da borracha EPDM com o plasma de N2 a pressão de trabalho foi fixada em 0,15 Torr, pois nessa pressão foi possível obter uma faixa extensa de tempos de tratamento a plasma, sem a ocorrência do aquecimento excessivo do magnetron. Foi constatado experimentalmente o aquecimento do magnetron e da borracha para processos realizados a pressões mais elevadas, em torno de 1 Torr. As Figuras 4.2 e 4.3 apresentam, respectivamente, os resultados das medidas de ângulo de contato com água DI (líquido polar) e o diiodometano (liquido apolar) em função do tempo de tratamento em plasma de N2. 50 110 105 EPDM sem tratamento 100 Ângulo de contato (º) 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 Tempo de tratamento (segundos) Figura 4.2. Medidas do ângulo de contato com a água DI para diferentes tempos de tratamento com plasma. As amostras de EPDM foram tratadas com plasma de N2 para tempos variando de 10 a 300 segundos, para uma pressão de trabalho e vazão de gás fixas em 0,15 Torr e 5 sccm, respectivamente. A vazão de gás foi fixada em 5 sccm, para a otimização dos processos em baixa vazão de gás que implica em um aumento do tempo de residência do gás no reator. Usualmente os trabalhos similares encontrados na literatura utilizam fluxos maiores, em torno de 250 sccm, portanto, temos uma mudança significativa nesse parâmetro do processo15,18. De acordo com a Figura 4.2, verificou-se que os resultados obtidos do tratamento da borracha EPDM com plasma de N2 nas condições mencionadas anteriormente, obtiveram o melhor tempo de tratamento para 2 minutos de exposição ao plasma, constatado pela diminuição do ângulo de contato de 101 ° da amostra sem tratamento para 49 ° da amostra tratada, utilizando a água DI (polar). Para as análises com o diiodometano (apolar), o ângulo de contato não apresentou variação significativa em função do tempo de tratamento, porém, o menor valor foi obtido para o tratamento a 120 s. 51 54 EPDM sem tratamento 51 Ângulo de contato (º) 48 45 42 39 36 33 30 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 Tempo de tratamento (segundos) Figura 4.3. Medidas do ângulo de contato do diiodometano para diferentes tempos de tratamento. A energia de superfície total e o trabalho de adesão são parâmetros que acompanham os resultados obtidos pelas medidas do ângulo de contato, por serem parâmetros dependentes do ângulo, utilizados nos calculados. Os gráficos das Figuras 4.4 e 4.5 mostram a evolução da energia de superfície total e o trabalho de adesão, respectivamente. 70 Energia de superfície (mN/m) 65 60 55 média harmônica 50 60 55 50 45 40 média geométrica 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 Tempo de tratamento (segundos) Figura 4.4. Energia de superfície (médias harmônica e geométrica) para diferentes tempos de tratamento das amostras de EPDM. 52 As energias de superfície obtidas tanto pela média geométrica quanto pela média harmônica, obtiveram um acréscimo de aproximadamente 20 mN/m em relação à borracha não tratada. Para o tratamento de 120 segundos, observou-se que o acréscimo nos valores da energia de superfície total ocorreu devido ao aumento expressivo no valor da componente polar da energia de superfície, (para as duas médias), conforme mostra a Tabela 4.2. Tabela 4.2 – Energia de superfície e seus componentes para amostras sem tratamento e tratada durante 120 s. Energia de superfície (geométrica) Polar (mN/m) Dispersiva (mN/m) Total (mN/m) * 32,8 ± 1,2 33,0 ± 1,1 20,2 ± 0,7 36,9 ± 0,2 56,5 ± 0,8 Energia de superfície (harmônica) Polar (mN/m) Dispersiva (mN/m) Total (mN/m) 1,5 ± 0,4 33,8 ± 1,0 35,3 ± 0,9 22,9 ± 0,5 42,5 ± 0,2 64,7 ± 0,8 Amostra Sem tratamento Tratada, por 120 s Sem tratamento Tratada, por 120 s (*) não mensurável. Conforme observado na Figura 4.5, o trabalho de adesão da superfície da borracha para água DI em todos os tratamentos obteve um aumento significativo em relação à condição sem tratamento, apresentando valores quase 100 % maiores do que os obtidos para a amostra sem tratamento, de acordo com o valor apresentado na Tabela 4.1. 96 93 Trabalho de adesão (mN/m) 90 87 84 diiodometano 81 125 120 115 110 105 água deionizada 100 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 Tempo de tratamento (segundos) Figura 4.5. Trabalho de adesão (diiodometano e água DI) para diferentes tempos de tratamento das amostras de EPDM. 53 A Tabela 4.3 mostra uma comparação dos resultados de goniometria da borracha EPDM sem tratamento e com tratamento a plasma de N2, durante 120 s, posicionadas na superfície do reator. Tabela 4.3 – Comparação entre os resultados obtidos da borracha EPDM sem tratamento e tratada a plasma de N2, pelas análises de goniometria. Parâmetros Ângulo de contato Água DI Diiodometano Energia de superfície (média geométrica) Componente polar Componente dispersivo Energia de superfície total Energia de superfície (média harmônica) Componente polar Componente dispersivo Energia de superfície total Trabalho de adesão Água DI Diiodometano Amostra sem tratamento Tratamento (plasma de N2) Unidades 101,2 ± 1,2 51,6 ± 1,8 49,2 ± 1,8 35,4 ± 1,6 (°) (°) 32,9 ± 1,2 33,0 ± 1,1 20,6 ± 1,3 35,2 ± 0,8 55,9 ± 1,1 (mN/m) (mN/m) (mN/m) 1,5 ± 0,4 33,8 ± 1,0 35,3 ± 0,9 23,0 ± 0,9 41,0 ± 0,7 64,0 ± 0,8 (mN/m) (mN/m) (mN/m) 58,7 ± 1,5 82,3 ± 1,3 120,3 ± 1,8 92,2 ± 0,8 (mN/m) (mN/m) Pode-se notar, que o tratamento a plasma proporcionou uma diminuição de aproximadamente 50 % no valor do ângulo de contato e um acréscimo significativo no valor do trabalho de adesão, de 58 mN/m para 120 mN/m, aproximadamente. Também foi observado aumento nos valores da energia de superfície, calculada pelas médias geométrica e harmônica, devido ao acréscimo expressivo do seu componente polar. 4.1.1.1.3 Envelhecimento da borracha após o tratamento A condição ótima de tratamento da borracha EPDM com o plasma de N2, foi avaliada quanto ao comportamento das amostras de borracha em exposição ao ambiente, sem condições especiais de armazenamento. As curvas de envelhecimento da borracha foram obtidas para os 5 primeiros dias após 54 o tratamento, conforme apresentado nas Figuras 4.6 e 4.7, que correspondem aos ensaios com a água DI e o diiodometano, respectivamente. A Figura 4.6 apresentou um acréscimo de aproximadamente 35 ° no ângulo de contato da água DI, 5 dias após o tratamento a plasma de N2, em relação aos resultados obtidos instantes após o tratamento. Vale ressaltar que apesar de ter ocorrido este aumento, o ângulo de contato ainda permaneceu abaixo dos 100 ° observados em amostras sem tratamento a plasma. Tempo após o tratamento (dias) 110 0.0 0.1 105 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 96 120 EPDM sem tratamento 100 Ângulo de contato (º) 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 0 2 24 48 72 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.6. Curva de envelhecimento da borracha EPDM obtida pelo ângulo de contato da água DI. Observa-se que há um acréscimo nos valores de ângulo de contato com a água DI mais acentuado nas primeiras 24 horas após o tratamento, o que sugere uma taxa maior de reação do oxigênio e da umidade do ar atmosférico com os sítios ativos presentes na superfície da borracha EPDM. Em relação ao diiodometano, é possível observar um acréscimo menos pronunciado, em torno de 12 °, após 5 dias ao tratamento, porém, bem mais próximo do valor obtido com a amostra sem tratamento, conforme observado no gráfico da Figura 4.7. 55 Tempo após o tratamento (dias) 54 0.0 0.1 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 96 120 EPDM sem tratamento 52 50 Ângulo de contato (º) 48 46 44 42 40 38 36 34 32 0 2 24 48 72 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.7. Curva de envelhecimento da borracha EPDM obtida pelo ângulo de contato do diiodometano. A ação do envelhecimento sobre as energias de superfície totais obtidas através das médias geométrica e harmônica, tanto quanto os seus componentes polares e dispersivos, também foram analisados, conforme as Figuras 4.8 e 4.9, respectivamente. Tempo após o tratamento (dias) 60 0.0 0 .1 1.0 2 .0 3.0 5.0 total polar dispersiva 55 50 Energia de superfície (mN/m) 4.0 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 2 24 48 72 96 120 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.8. Comportamento da energia de superfície geométrica e suas componentes após o tratamento com plasma. 56 Tempo após o tratamento (dias) 70 0.0 0 .1 1.0 2 .0 3.0 4.0 total polar dispersiva 60 Energia de Superfície (mN/m) 5.0 50 40 30 20 10 0 0 2 24 48 72 96 120 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.9. Comportamento da energia de superfície harmônica e suas componentes após o tratamento com plasma. As Figuras 4.8 e 4.9 mostram um dado importante em relação ao processo de envelhecimento da borracha após o tratamento. Observa-se que o componente polar da energia de superfície para ambos as médias apresentou um decréscimo mais acentuado no seu valor, comparado ao componente apolar da energia em função do tempo após a exposição. Fator importante relacionado às características químicas da superfície da borracha, pois o componente polar da energia é de extrema importância no que se diz respeito à interface borracha-adesivo. O trabalho de adesão da superfície apresentou um comportamento similar aos valores apresentados de energia de superfície total, após o tratamento a plasma. A Figura 4.10 mostra a evolução do trabalho de adesão para a água DI e o diiodometano. Observa-se que os parâmetros, energia de superfície, as componentes polares e trabalho de adesão, ilustrados nas Figuras 4.8, 4.9 e 4.10, apresentaram decréscimos nos seus valores com o tempo, o que implica em perdas na qualidade das propriedades adesivas da superfície da borracha a outros materiais. 57 Tempo após o tratamento (dias) 94 0.0 0.1 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 diiodometano 92 Trabalho de adesão (mN/m) 90 88 86 84 82 120 água DI 110 100 90 80 70 0 2 24 48 72 96 120 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.10. Comportamento do trabalho de adesão com água DI e diiodometano após o tratamento com plasma. Na curva da Figura 4.10 para o trabalho de adesão com água DI (polar), o decréscimo no seu valor é de aproximadamente 40 mN/m, o que pode prejudicar a adesão do EPDM a adesivos com características químicas polares de alta energia de superfície, como a cola epoxídica e o liner a base de poliuretano, este último, utilizado no motor foguete do VLS. Portanto, para tratamentos com o plasma de N2 durante 120 s, é indispensável que se utilize à borracha, no máximo poucas horas após ter sido tratada no reator. 4.1.1.2 Tratamentos a plasma de misturas de N2/Ar Após as exposições da borracha EPDM ao plasma de N2 e tempo ótimo de tratamento em 120 segundos, iniciaram-se os experimentos a respeito da influência da inclusão de um gás inerte, sobre as características de molhabilidade da borracha EPDM. Com o argônio, proporções de 1:2, 1:1 e 2:1 da mistura N2/Ar, em uma faixa de vazão total de gases entre 25 e 100 sccm. A pressão do sistema ficou fixa em 0,25 Torr, para possibilitar a operação do sistema até a vazão total de gases em 100 sccm. Como a variação do ângulo de contato do 58 diiodometano na borracha foi pouco significativa, conforme observado nos experimentos a plasma de N2, utilizou-se somente a água DI para as medidas de ângulo de contato e cálculo do trabalho de adesão, até a condição otimizada das características de molhabilidade da superfície do EPDM. 4.1.1.2.1 Influência da vazão e proporção dos gases de processo As Tabelas 4.4, 4.5 e 4.6 mostram os resultados das medidas de ângulo de contato e o resultado dos cálculos do trabalho de adesão da borracha EPDM, com a água DI, para as 3 proporções de gases informadas anteriormente, para as vazões totais de gases de 25, 50, 75 e 100 sccm. O tratamento a plasma de N2/Ar, com proporção gasosa de 1:1, a uma vazão total de gases a 50 sccm, apresentou resultados satisfatórios em relação aos obtidos com plasma de N2, possibilitando a redução do ângulo de contato com a água DI para aproximadamente 40 º, ante aos 49 º obtidos com o plasma de N2. Tabela 4.4 – Ângulo de contato e trabalho de adesão para a proporção de 1:2 de Ar/N2, Vazão total (sccm) 25 50 75 100 Ângulo de contato (graus) 45,4 ± 0,4 55,2 ± 0,7 46,2 ± 0,8 58,4 ± 0,7 Trabalho de adesão (mN/m) 123,9 ± 0,3 114,4 ± 0,7 123,2 ± 0,8 111,0 ± 0,8 Tabela 4.5 – Ângulo de contato e trabalho de adesão para a proporção de 1:1 de Ar/N2, Vazão total (sccm) 25 50 75 100 Ângulo de contato (graus) 42,4 ± 0,6 40,4 ± 1,0 44,1 ± 0,7 58,4 ± 1,4 Trabalho de adesão (mN/m) 126,6 ± 0,7 128,2 ± 0,8 125,1 ± 0,6 110,9 ± 1,5 59 Tabela 4.6 – Ângulo de contato e trabalho de adesão para a proporção de 2:1 de Ar/N2, Vazão total (sccm) 25 50 75 100 Ângulo de contato (graus) 44,8 ± 0,7 43,9 ± 0,9 54,3 ± 0,9 53,4 ± 0,9 Trabalho de adesão (mN/m) 124,4 ± 0,6 125,3 ± 0,8 115,3 ± 0,9 116,2 ± 0,9 4.1.1.3 Tratamentos a plasma de misturas de H2/N2/Ar Uma vez obtido um tempo ótimo de processo (120 segundos), razão da mistura N2/Ar (1:1) e o fluxo total de gases (50 sccm), optou-se por verificar a influência da inserção do gás hidrogênio nesta mistura, utilizando esses parâmetros. O hidrogênio foi escolhido devido sua capacidade na potencialização dos processos de ionização na descarga elétrica. Os itens 4.1.1.3.1, 4.1.1.3.2, 4.1.3.3 e 4.1.1.3.4 mostram os resultados dos experimentos onde se verificou a influência da proporção do H2 na mistura, da variação da pressão do sistema, do tempo de tratamento para a condição otimizada e do envelhecimento da borracha após o tratamento com a mistura H2/N2/Ar, respectivamente. 4.1.1.3.1 Influência da proporção de H2 O gás H2 foi utilizado nas seguintes proporções: 1:2, 1:1, 2:1, 4:1 e 9:1, em relação à mistura de N2/Ar (1:1), com vazão total de gases fixa em 50 sccm, para verificar a eficiência da introdução do gás H2 nos processos a plasma. A Figura 4.11 apresenta a evolução do ângulo de contato e o trabalho de adesão em função da porcentagem de H2 na mistura com os gases N2 e Ar. 64 136 60 132 56 128 52 124 48 120 44 116 40 112 36 108 Trabalho de adesão (mN/m) Ângulo de contato (°) 60 104 32 30 50 67 75 90 Concentra ção de H2 (%) Figura 4.11. Ângulo de contato e trabalho de adesão em função da proporção de H2 na mistura de H2/N2/Ar. Conforme se observa na Figura 4.11, pode-se constatar que para 67 % de H2 na mistura, ou seja, 33,5 sccm de H2 e 16,5 sccm para a mistura de N2/Ar (proporção de 1:1), foi possível reduzir o ângulo de contato da água DI sobre a superfície da borracha, para aproximadamente 34 º, sendo menor que o obtido no tratamento com N2 (aproximadamente 49 º) assim como para a mistura N2/Ar (aproximadamente 40 º). O parâmetro trabalho de adesão atingiu valores acima de 130 mN/m, resultando em um aumento significativo nesse importante parâmetro que está diretamente ligado às propriedades adesivas do EPDM. Vale lembrar que a amostra sem tratamento apresentou valores abaixo de 60 mN/m. Ainda na Figura 4.11, pode-se observar que a alta concentração de H2 (90%) na mistura mostrou-se ineficiente no tratamento da borracha. Provável fenômeno relacionado a este resultado pode estar ligado ao efeito agressivo da radiação ultravioleta na superfície da borracha, que pode conferir um aumento de rugosidade, observado pela diminuição da molhabilidade, devido ao mecanismo de ancoragem mecânica, efeito do rompimento excessivo de ligações nas cadeias do polímero, que enfraquece a sua estrutura, tornando-o frágil superficialmente, comparado aos demais tratamentos com quantidades menores de H2. 61 4.1.1.3.2 Influência da pressão do sistema Após a obtenção de uma condição ótima nos processos a plasma com a mistura de H2/N2/Ar, verificou-se a influência da pressão do sistema no tratamento da borracha na condição ótima apresentada no item anterior. A Figura 4.12 mostra os resultados dos experimentos realizados com plasma de H2/N2/Ar para a pressão de trabalho variando de 0,25 a 1 Torr, por 120 segundos, onde é possível observar um aumento significativo do ângulo de contato da superfície da borracha e consequentemente uma queda no valor do trabalho de adesão com o aumento da pressão do sistema. 52 136 134 132 130 44 128 40 126 124 36 Trabalho de adesão (mN/m) Ângulo de contato (°) 48 122 120 32 0.25 0.50 0.75 1.00 Pressão (torr) Figura 4.12. Medidas de ângulo de contato da água DI na superfície da borracha EPDM, em função da pressão do sistema, após o tratamento a plasma de H2/N2/Ar. Foi observado nos experimentos aumento perceptível da temperatura do magnetron e da amostra de borracha em função do aumento da pressão interna do sistema, constatados logo após os processos. Esse fenômeno deve-se provavelmente ao aumento da quantidade de partículas por unidade de volume que absorvem e/ou refletem as micro-ondas, consequentemente elevando a temperatura do meio e do dispositivo. Sabe-se que em alguns casos, principalmente para materiais poliméricos, o aumento da temperatura do material ativado acarreta na desativação de forma acentuada em tempos mais curtos35, que pode ser um 62 dos mecanismos relacionados ao aumento do ângulo de contato da borracha EPDM. 4.1.1.3.3 Influência do tempo de tratamento De acordo com os dados apresentados no item anterior, a pressão do sistema na qual obteve-se menor valor de ângulo de contato foi de 0,25 Torr, por isso, resolveu-se realizar a otimização do tempo de tratamento para essa condição de pressão no sistema, verificando se é possível reduzir ainda mais o tempo de tratamento da borracha, em relação ao tempo de 120 s otimizado nos tratamentos a plasma de N2. A Tabela 4.7 apresenta os parâmetros do sistema previamente otimizados nos experimentos anteriores, como a composição de gases, a proporção de cada gás com as suas respectivas vazões e pressão de 0,25 Torr e a faixa de tempo utilizada para a otimização. Tabela 4.7 – Parâmetros do sistema para o tratamento da borracha EPDM. Parâmetros Composição de gases Proporção de cada gás Vazão de cada gás Pressão do sistema Tempo de tratamento Variáveis N2 0,17 8,3 0,25 10 - 600 H2 0,67 33,5 Unidades Ar 0,17 8,3 u.a. (sccm) (Torr) (s) Os resultados das medidas de ângulo de contato com água DI e os valores de trabalho de adesão resultantes dos tratamentos da borracha EPDM, estão apresentados na Figura 4.13. 140 100 130 100 130 90 120 90 80 110 70 100 60 90 50 80 90 60 70 60 30 300 400 Tempo de tratamento (segundos) 500 80 50 70 60 50 0 600 b) Trabalho de adesão (mN/m) 100 30 200 110 70 40 100 120 80 40 0 a) Ângulo de contato (º) 110 Ângulo de contato (º) 140 Trabalho de adesão (mN/m) 110 5 10 15 20 Tempo de tratamento (minutos) Figura 4.13. Ângulo de contato e trabalho de adesão do EPDM para a água DI em diferentes tempos de tratamento; a) Sistema de micro-ondas; b) Descarga elétrica em RF9. 63 Os resultados obtidos para os tratamentos realizados na faixa de 10 a 600 segundos, são bastante interessantes, pois na Figura 4.13a é possível observar que a região de menores valores de ângulo de contato está na faixa de tempo entre 30 e 180 segundos, que são considerados tempos curtos para o tratamento do EPDM, quando comparado aos processos de tratamento da borracha pelo plasma de RF. Conforme observado na Figura 4.13a, para 120 segundos (2 minutos) obteve-se o menor ângulo de contato da água DI na superfície da borracha, em torno de 34 º, que corresponde com mesmo tempo de tratamento otimizado para o plasma de N2, e que posteriormente foi utilizado nos demais tratamentos. O tempo de 90 s apesar de não ter apresentado o menor valor de ângulo de contato, proporcionou um ângulo de contato em torno de 37 º, próximo ao obtido a 120 s. A eficiência dos processos a plasma no reator de micro-ondas em relação aos resultados obtidos pelas análises de ângulo de contato, pode ser constatada ao se comparar com os resultados obtidos em reatores de RF, conforme mostra a Figura 4.13b. Para ambos os experimentos foram utilizados plasmas de misturas de H2/N2/Ar, em proporções e demais condições de processo distintas, porém otimizadas para cada processo e o tratamento foi realizado em amostras de EPDM com a mesma formulação. Pode-se observar claramente a maior eficiência dos processos a plasma de microondas, que possibilitaram a diminuição do ângulo de contato da água DI sobre a superfície da borracha para valores próximos de 34 º em 120 s de processo, enquanto para os tratamentos realizados com o plasma de RF, o ângulo de contato também foi reduzido para valores baixos, em torno de 31 º, porém, a 600 s de exposição da borracha ao plasma, que pode ser considerado excessivo, pois necessita de um tempo 5 vezes maior do que o obtido nos processos a plasma de micro-ondas. 64 4.1.1.3.4 Envelhecimento da borracha EPDM após o tratamento Assim como para os ensaios onde se utilizou apenas N2, foram feitas análises de envelhecimento do EPDM após o tratamento com o plasma de H2/N2/Ar. As Figuras 4.14a e 4.14b mostram a comparação do envelhecimento após os dois tratamentos. Tempo após o tratamento (dias) Tempo após o tratamento (dias) 0.0 110 0.1 0.3 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 12.0 14.0 110 1.0 2 .0 3.0 4.0 5.0 96 1 20 EPDM sem tratamen to 100 95 Ângulo de contato (º) 90 Ângulo de contato (º) 0.1 105 EPDM sem tratamento 100 0.0 80 70 60 50 90 85 80 75 70 65 60 55 40 50 30 0 a) 3 6 48 96 144 192 240 288 45 336 Tempo após o tratamento (horas) 0 b) 2 24 48 72 Tempo após o tratamento (horas) Figura 4.14. a) Envelhecimento da borracha EPDM nos 14 primeiros dias após o tratamento com o plasma de H2/N2/Ar; b) Envelhecimento da borracha EPDM nos 5 primeiros dias após o tratamento com o plasma de N2. Os resultados apresentados na Figura 4.14a mostram que os tratamentos realizados com a mistura de H2/N2/Ar são mais eficazes, principalmente logo após o tratamento, proporcionando ângulos de contato aproximadamente 15 º abaixo do obtido com o tratamento a plasma de N2, além de apresentar menor variação na curva de envelhecimento, já que 14 dias após o tratamento, foi observado um aumento de apenas 15 º em comparação aos obtidos pelos tratamentos a plasma de N2, que apresentou aumento de 30 º, após dois dias ao tratamento. Esses resultados revelam que as amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar possuem tempo maior de estocagem sem que haja perdas das suas propriedades de superfície, em relação aos tratamentos com o plasma de N2. 4.1.2 Microscopia de força atômica (AFM) Análises de AFM foram feitas em três condições extremas: i) sem tratamento a 65 plasma; ii) com o tratamento onde se conseguiu o melhor resultado de ângulo de contato, ou seja, na mistura de H2/N2/Ar, com 67 % em concentração de H2 em sccm, condição que obteve o melhor resultado apresentado pela goniometria, e iii) pelo plasma de H2/N2/Ar com 90 % de H2, pois foi à condição que obteve o pior resultado nas medidas de ângulo de contato para essa mistura. A comparação visa correlacionar os resultados de ângulo de contato com a rugosidade superficial do EPDM, de maneira a proporcionar melhor entendimento do processo. 4.1.2.1 Amostra sem tratamento a plasma Amostras sem tratamento foram analisadas pelo microscópio de varredura por sonda SPM-9500J3 e as imagens foram analisadas pelo software da empresa Shimadzu. As imagens da topografia da superfície do EPDM padrão para as resoluções de 1,0 μm × 1,0 μm e 2 μm × 2 μm estão apresentadas nas Figuras 4.15 e 4.16, respectivamente. Figura 4.15. Topografia da borracha EPDM (área mapeada de 1,0 μm2). 66 A topografia apresentada na Figura 4.15 mostrou com maior detalhes a morfologia da borracha EPDM, por possuir melhor resolução em relação à topografia apresentada na Figura 4.16. Através da análise da topografia de maior área (4,0 μm2) apresentada na Figura 4.16, determinou-se a rugosidade superficial (RMS) da amostra padrão, cujo valor médio quadrático obtido a partir de uma matriz de 512 × 512 pontos foi de aproximadamente 16 nm. A topografia do EPDM apresentou picos em uma estrutura do tipo cadeia de montanhas, conforme pode ser observado nas Figuras 4.15 e 4.16. A quantidade de picos em relação ao diâmetro máximo apresentou uma distribuição do tipo não-Gaussiana. A maior incidência de picos na superfície da borracha apresentou um diâmetro máximo na faixa de 30 a 80 nm, obtida pela largura a meia altura (FWHM - Full Width at Half Maximum) do histograma da Figura 4.17. Figura 4.16. Topografia da borracha EPDM (área mapeada de 4,0 μm2). 67 Figura 4.17. Histograma de distribuição de picos. 4.1.2.2 Amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar com 67 % de H2 na mistura As amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar, com 67 % H2 na mistura com N2/Ar (razão 1:1), vazão total dos gases a 50 sccm, pressão do sistema a 0,25 Torr e por 120 s de tempo de processo, obtiveram os melhores resultados através dos parâmetros das análises de goniometria, para a água DI, com o ângulo de contato de aproximadamente 34 º e trabalho de adesão acima de 130 mN/m. A topografia da amostra de EPDM tratada a plasma, obtida pela análise de AFM, está apresentada na Figura 4.18 e a área superficial mapeada da borracha foi de 1,0 μm². O tratamento a plasma nas condições citadas acima apresentou uma diminuição no valor da rugosidade quadrática média, de aproximadamente 4 nm, cerca de 4 vezes menor do que o obtido para a amostra sem tratamento. 68 Figura 4.18. Topografia da amostra de EPDM tratada a plasma de H2/N2/Ar. Isto indica que um dos mecanismos que poderia ter influenciado na diminuição do ângulo de contato na superfície da borracha tratada, é a falta de ancoragem mecânica, devido à baixa rugosidade superficial do EPDM, proveniente do tratamento com plasma. Os picos na estrutura morfológica do EPDM tratado também apresentaram uma distribuição do tipo não-Gaussiana, em relação ao diâmetro máximo dos picos. Os picos em maior quantidade na superfície da borracha tratada apresentaram diâmetros máximos menores do que os obtidos nas amostras sem tratamento com valores na faixa de 10 a 45 nm, conforme apresentado no histograma da Figura 4.19, enquanto a faixa obtida para a amostra padrão ficou em torno de 30 a 80 nm. Observa-se também que a distribuição dos diâmetros dos picos nas amostras tratadas, apresentou valores de no máximo até 90 nm, enquanto a amostra padrão apresentou distribuição do diâmetro de picos em uma faixa maior de até 210 nm. 69 Figura 4.19. Histograma de distribuição de picos. 4.1.2.3 Amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar com 90 % de H2 na mistura As amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar, com 90 % H2 na mistura com N2/Ar (razão 1:1), vazão total dos gases a 50 sccm, pressão do sistema a 0,25 Torr e por 120 s de tempo de processo, obtiveram os piores resultados dos parâmetros das análises de goniometria (Figura 4.11), em comparação aos demais tratamentos realizados com essa mistura, apresentando o ângulo de contato de aproximadamente 60 º e trabalho de adesão em torno de 110 mN/m. A topografia da amostra de EPDM tratada a plasma, obtida pela análise de AFM, está apresentada na Figura 4.20 e a área superficial mapeada da borracha foi de 1,0 μm². O tratamento a plasma nas condições citadas acima apresentou um aumento do valor da rugosidade quadrática média, para aproximadamente 24 nm, em comparação aos 16 nm obtidos pela amostra sem tratamento a plasma. 70 Figura 4.20. Topografia da amostra de EPDM tratada a plasma de H2/N2/Ar. Estes resultados indicam que os mecanismos de ancoragem mecânica e funcionalidade da superfície atuaram mutuamente, porém com preponderância da funcionalidade química proporcionada pelos tratamentos a plasma, pois a rugosidade das amostras tratadas a plasma nas condições descritas, foi maior do que às observadas na superfície da borracha sem tratamento e ainda assim apresentaram ângulos de contato em torno 40 º abaixo dos obtidos para amostras sem tratamento. Os picos na estrutura morfológica do EPDM tratado nessas condições também apresentaram uma distribuição do tipo não-Gaussiana, em relação ao diâmetro máximo dos picos. Os picos em maior quantidade na superfície da borracha tratada apresentaram diâmetro máximo maiores do que os obtidos nas amostras sem tratamento e tratadas a plasma de H2/N2/Ar, com 67 % H2 na mistura, apresentado valores na faixa de 50 a 110 nm, conforme apresentado no histograma da Figura 4.21. 71 Figura 4.21. Histograma de distribuição de picos. 4.1.3 Espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) Para dar maior embasamento às analises aos resultados obtidos pelos tratamentos a plasma, uma avaliação mais aprofundada foi realizada para verificar as modificações na composição química superficial do EPDM. Através da espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS), foi possível determinar a energia de ligação das substâncias presentes na superfície do material, preferencialmente nas primeiras camadas atômicas à superfície da borracha. As análises de XPS foram realizadas na condição de ultra alto vácuo (aproximadamente a 10-10 Torr) utilizando a radiação Kα do magnésio com energia de 1253,6 eV e potência de 30 W (tensão de 6 kV e emissão de 5 mA). O ajuste dos picos e a obtenção dos espectros foram adquiridos pelo programa fornecido pelo fabricante do equipamento, com curvas gaussianas, subtração de background pelo método de Shirley e a rotina de mínimos quadrados50. De acordo com as características da composição química da borracha EPDM, foi utilizado o valor de 284,8 eV para C 1s de C-C e/ou C-H como referência de energia de ligação51. 72 A precisão nas análises semiquantitativa é de ± 15 % do valor, dessa forma os dois algarismos após a vírgula não são relevantes, postos apenas para mostrar a tendência. A Tabela 4.8 mostra as energias de ligação dos picos fotoelétricos detectados com as respectivas razões iônicas dos elementos encontrados na superfície do EPDM. Constituintes da borracha como o ZnO, o enxofre utilizado para a interligação (cross-linking) das cadeias poliméricas, o argônio adsorvido na superfície da borracha, foram elementos detectados na superfície da borracha, porém, com menor intensidade. Tabela 4.8 – Energias de ligação em eV e as razões iônicas dos elementos para diferentes condições de tratamento da borracha EPDM. Elementos Energia de Ligação (eV) C 1s Sem tratamento 284,8 (88 %) 286,3 (12 %) Plasma de H2/N2/Ar, 10 s 284,8 (69 %) 286,4 (24 %) 288,3 (7 %) Plasma de H2/N2/Ar, 120 s 284,8 (73 %) 286,4 (22 %) 288,2 (4 %) O 1s 532,1 531,4 (24 %) 532,4 (71 %) 534,1 (5 %) 531,0 (17 %) 532,4 (80 %) 534,2 (3 %) N 1s 400,1 399,5 396,1 (17 %) 399,7 (83 %) Si 2p S 2p3/2 Zn 2p3/2 Ar 2p3/2 102,2 162,4 1021,7 * * * * * 102,6 162,0 1021,6 239,8 (32 %) 241,9 (68 %) (*) Não foram medidos, mas apareceram no espectro exploratório. Os picos fotoelétricos do C, O e N foram analisados mais detalhadamente para a amostra sem tratamento e para as amostras obtidas pela melhor condição de tratamento, quanto à proporção dos gases no plasma de H2/N2/Ar, de acordo com a tabela 4.7, para os tempos de 10 s e 120 s, com o intuito de verificar a influência do tempo de tratamento a plasma na diversificação das espécies presentes na superfície da borracha.Todos os espectros foram extraídos 24 horas após o tratamento a plasma, devido ao deslocamento das amostras de EPDM do LPP/ITA até o laboratório do CCDM/UFSCar, onde foram feitas as 73 caracterizações. O pico C 1s foi decomposto em dois componentes, para a amostra sem tratamento, e três componentes, para as amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar, conforme é observado no espectro da Figura 4.22. 3300 Intensidade/contagem (u.a.) 3000 sem tratamento 4750 tratado por 10s C 1s 2700 4250 2400 4000 tratado por 120s 3000 C 1s 4500 3300 C 1s 2700 2400 2100 2100 3750 1800 1500 1200 1800 3500 1500 3250 1200 3000 900 900 288 286 284 282 292 288 284 280 600 291 288 285 282 Energia de ligação (eV) Figura 4.22. Picos fotoelétricos do C 1s e a deconvolução dos seus componentes para as amostras sem tratamento, tratadas a plasma de H2/N2/Ar por 10 s e 120 s. O componente com maior intensidade e energia de ligação igual a 284,8 eV, corresponde às ligações C-C e C-H e estão presentes nas três condições analisadas; o componente a aproximadamente 286,5 eV corresponde às ligações C-O e/ou C-N; e os componentes com energia de ligação entre 288,0-288,5 eV corresponde ao C=O52-57. O pico O 1s foi decomposto em um componente para a amostra sem tratamento, e em três componentes, para as amostras de EPDM tratadas a plasma, de acordo com a Figura 4.23. O componente mais intenso, a 532,0-532,5 eV, corresponde principalmente à ligação C-O e/ou SiO2, porém, a presença de Si na borracha pode ser considerada desprezível; o componente a 531,0-531,5 eV está associado a ligação C-O e o componente de maior energia 74 de ligação ao grupo -OH. 2600 sem tratamento O 1s tratado por 10s 3600 3000 1950 2700 1800 1800 1600 1400 537 3300 2100 2000 534 531 2400 1650 2100 1500 1800 1350 1500 528 tratado por 120s O 1s 2250 2200 3900 O 1s 2400 2400 Intensidade/contagem (u.a.) 2550 537 534 531 528 537 534 531 528 Energia de ligação (eV) Figura 4.23. Picos fotoelétricos do O 1s para as amostras sem tratamento, tratadas a plasma de H2/N2/Ar por 10 s e 120 s e a deconvolução dos seus componentes. O pico N 1s foi decomposto em um componente para a amostra sem tratamento para a amostra tratada a plasma de H2/N2/Ar por 10 s, e em dois componentes, para a amostra tratada por 120 s, como mostra o espectro da Figura 4.22. O componente a aproximadamente 400 eV pode corresponder à ligação C-N56. O componente a aproximadamente 396 eV pode estar associado a um carboneto metálico. O tratamento a plasma possibilitou uma diversificação das espécies na superfície da borracha, conforme observado nos espectros fotoelétrico das Figuras 4.22, 4.23 e 4.24 para a borracha tratada por 120 s ao plasma de H2/N2/Ar, devido principalmente à quantidade de componentes obtidos da deconvolução dos picos fotoelétricos de cada elemento, pois cada componente corresponde a uma ligação química diferente presente na superfície do material. 75 4600 sem tratamento 4550 Intensidade/contagem (u.a.) 3175 tratado por 120s tratado por 10s N 1s 8400 N 1s N 1s 3150 4500 8260 3125 4450 4400 8120 3100 7980 4350 3075 7840 4250 3050 7700 4200 3025 7560 4300 405 402 399 396 405 402 399 396 404 400 396 392 Energia de ligação (eV) Figura 4.24. Picos fotoelétricos do N 1s para as amostras sem tratamento, tratadas a plasma de H2/N2/Ar por 10 s e o pico para o tratamento a 120s com a deconvolução em dois componentes. As variações da concentração atômica para as três condições de tratamento avaliadas mostraram um aumento significativo na concentração de O na superfície das amostras tratadas a plasma, porém, sem apresentar uma modificação expressiva na concentração do N, conforme mostra a Tabela 4.9, e as razões atômicas do oxigênio e o nitrogênio em relação ao carbono, expostas na Tabela 4.10. Tabela 4.9 – Concentrações atômicas superficiais do carbono, oxigênio e do nitrogênio. EPDM Sem tratamento Plasma de H2/N2/Ar, 10 s Concentração (% atômica) C O N 77,93 13,11 2,12 77,72 20,27 2,01 Plasma de H2/N2/Ar, 120 s 67,44 20,06 2,54 Tabela 4.10 – Razões atômicas do oxigênio e do nitrogênio em relação ao carbono. EPDM Sem tratamento Plasma de H2/N2/Ar, 10 s Plasma de H2/N2/Ar, 120 s O/C 0,17 0,26 0,30 N/C 0,027 0,026 0,038 76 4.2 Caracterização dos plasmas O estudo dos fenômenos que ocorrem no plasma, através das técnicas de espectrometria de massa e espectroscopia de emissão óptica, nos dá informações importantes inerentes à composição química do plasma possibilitando a identificação de alguns dos produtos das reações que ocorrem no plasma e a determinação da intensidade luminosa de cada espécie presente na descarga elétrica. A utilização dessas técnicas neste trabalho de tese teve como objetivo a determinação das espécies decorrentes da reação entre o plasma e a superfície da borracha e a determinação da intensidade dos picos de emissão óptica do hidrogênio em função da concentração do gás na mistura com N2/Ar. 4.2.1 Espectrometria de massa (EM) As análises de EM foram realizadas com o intuito de identificar as espécies presentes no reator de micro-ondas, quando o mesmo atinge a sua pressão de fundo (menor pressão atingida pelo sistema de vácuo), com a inserção dos gases de processos antes e após a geração do plasma, com a introdução de amostras de EPDM e verificar a intensidade das espécies durante o tratamento a plasma. A Figura 4.25a apresenta o espectro de massa do equipamento de espectrometria isolado, para identificar possíveis vazamentos no equipamento e a presença de umidade residual. O espectro foi extraído a uma pressão interna no equipamento a 6,0.10-7 Torr, possibilitando a determinação dos elementos através da intensidade dos picos, pelas pressões parciais de cada substância. A Figura 4.25b ilustra o espectro de massa do reator de MO, sem a introdução dos gases de processo. A pressão de fundo do sistema de MO atingiu o valor de 0,26 Torr e a pressão interna no sistema de espectrometria um valor em torno de 9,0.10-7 Torr, durante a obtenção do espectro. Nesse espectro observa-se que há um vazamento na câmara, pelo 77 aumento significativo da intensidade do pico de N2 e pelo surgimento do pico de Ar, na faixa analisada em comparação ao espectro do equipamento de espectrometria. Pela Figura 4.25, percebe-se que o valor da pressão do sistema de espectrometria apresenta um valor abaixo da somatória das pressões parciais, devido ao gradiente de pressão do sistema, pois, a região onde são obtidos os espectros é diferente da região onde se determina a pressão nominal do sistema. O medidor se localiza em uma região de menor pressão, que difere da pressão obtida na região onde são gerados os íons das partículas analisadas (região de maior pressão), devido ao aumento da quantidade de partículas por unidade de volume. 1x10 -5 a) b) + H2O pressão parcial (torr) + H2O 1x10 -6 + N2 + CO2 1x10 -7 H2 + + 2 N O2 + O2 CO2+ + H2 + Ar 1x10 + -8 0 10 20 30 40 50 0 m/z (amu) 10 20 30 40 50 Figura 4.25. a) Espectro de massa do equipamento de espectrometria de massa (background); b) Espectro de massa do reator de micro-ondas sem a abstração do background do equipamento. A introdução dos gases de processo no sistema de MO não apresentou diferença significativa nos espectros, antes e após a formação do plasma, conforme pode ser observado nos espectros da Figura 4.26 para o N2. 78 1x10 -5 a) + N2 N2 b) + + Pressão parcial (Torr) H2O 1x10 + H 2O -6 O2 1x10 -7 N H2+ + + O2 H 2+ + N + CO2 CO2 + + Ar 1x10 Ar + + -8 0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50 m/z (amu) Figura 4.26. a) Espetro de massa do reator de MO com a introdução do gás N2; b) Espectro de massa do plasma de N2. Com a introdução de amostras de EPDM dentro do reator, a intensidade dos principais picos detectados não apresentou variação significativa, porém, o pico de CO2 apresentou um aumento de quase uma ordem de grandeza, conforme observado na Figura 4.27, ocorrido pela subtração do carbono das cadeias poliméricas da borracha e de alguns compostos da borracha, como o negro de fumo. O carbono é o constituinte detectado em maior proporção na superfície da borracha EPDM, pois representa quase 80 % dos elementos presentes na superfície da borracha, conforme constatado pelas análises de XPS. O oxigênio necessário para a formação do CO2 também provavelmente pôde ter sido obtido por um composto da borracha que migrou para sua superfície da borracha, como o ZnO que é utilizado como um ativador para promover os processos de vulcanização durante a fabricação da borracha, além de possíveis grupos oxigenados adsorvidos á superfície do EPDM. 79 1x10 -5 Pressão parcial (Torr) H2 1x10 + a) + N2 H 2O+ -6 Ar H 2+ H2O b) + + N2+ + Ar + O2 1x10 O2 + -7 CO2 + N 1x10 CO2 + + + N -8 0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50 m/z (amu) Figura 4.27. a) Espetro de massa do reator de MO com a introdução da mistura de H2/N2/Ar; b) Espectro do plasma de H2/N2/Ar com amostra de EPDM dentro do reator. O aumento da intensidade do pico de CO2, logo após a geração do plasma, não apresentou variação durante o tratamento da borracha e os demais picos também não Pressão Parcial (torr) apresentaram variação, conforme se observa na Figura 4.28. 5.0x10 -6 4.0x10 -6 + H2 H2O 3.0x10 -6 2.0x10 -6 + N2 1.0x10 + Ar -6 N + + O2 + + CO2 0.0 0 5 10 15 20 25 30 m/z (amu) 35 40 45 50 Figura 4.28. Evolução no tempo, dos principais picos detectados durante o tratamento da borracha EPDM a 120 s com o plasma de H2/N2/Ar. 80 4.2.2 Espectroscopia óptica de emissão (OES) As analises de espectroscopia de emissão óptica (OES) foram utilizadas para complementar os dados obtidos pela espectrometria de massa e correlacionar com resultados obtidos nos processos a plasma. A Figura 4.29 mostra a intensidade e a identificação dos principais elementos detectados nos processos a plasma de H2/N2/Ar com 67 % na H2, na faixa de comprimento de onda de 300 a 800 nm. Os espectros extraídos pelo programa PLASUS Spectline da empresa Ocean Optics, para o tratamento a plasma com a mistura de H2/N2/Ar, na qual obteve o melhor resultado em relação aos resultados de goniometria, não apresentou diferenças significativas nos picos identificados, para as análises com e sem amostra, devido à área de contato entre a borracha e o plasma ser consideravelmente inferior ao volume do plasma, o que impossibilita a detecção de uma proporção considerável de espécies proveniente da amostra de EPDM. H 656,28* [962] 18000 16000 14000 10000 0 300 400 500 N I 750,76 [3] Ar I 763,51 [239] 2000 H 486,13 [40] 4000 Ar I 433,36* [8] N 2 433,36* [1000] 6000 N 2 357,69 [1000] 8000 N 2 337,13 [1000] Sinal (V) 12000 600 700 800 Comprimento de onda (nm) Figura 4.29. Espectro de emissão óptica, de 300 a 800 nm, do reator a plasma de H2/N2/Ar com amostra. A análise do comportamento do plasma em função da concentração do H2, introduzido em quantidades que variaram de 33 a 90 % em composição na mistura dos processos de 81 tratamento a plasma, apresentou picos com maior intensidade em 656,28 (Hα) e 486,13 (Hβ). Os demais elementos também foram detectados, porém, com intensidade bem inferior ao obtido pelo hidrogênio, pois o H2 é uma molécula pequena e é considerada uma promotora de ionização, conforme pode ser constatado na Figura 4.30, pela avaliação da intensidade de emissão óptica dos picos de Hα e Hβ em função da concentração em sccm de H2 no plasma de H2/N2/Ar. 70000 [H2 ] = 67 % [H2 ] = 33 % [H2 ] = 90 % Hα 60000 50000 Sinal (V) 40000 Hβ 30000 20000 Hα 10000 Hα Hβ Hβ 0 300 400 500 600 700 800 300 400 500 600 700 800 300 400 500 600 700 800 Comprimento de onda (nm) Figura 4.30. Variação da intensidade de luminosidade do plasma de H2/N2/Ar em função da concentração de H2 na mistura. Apesar da intensidade de emissão de fótons aumentar significativamente com a concentração de H2, os resultados obtidos através das análises de goniometria e AFM mostraram que a alta concentração de H2 é prejudicial no tratamento da borracha EPDM. A alta incidência de raios UV na superfície de polímeros resulta em um efeito degradante nas ligações das cadeias poliméricas, que prejudica suas propriedades mecânicas de superfície, possivelmente comprometendo sua capacidade adesiva. 82 5 CONCLUSÕES Os principais resultados obtidos durante a realização desse trabalho são: • Os tratamentos superficiais da borracha EPDM com os plasmas de N2, N2/Ar e H2/N2/Ar em diversas condições de processos, proporcionaram modificações significativas na superfície da borracha, avaliadas pelas técnicas de goniometria, AFM e XPS. • As características das propriedades superficiais da borracha EPDM foram obtidas principalmente pela técnica de goniometria, com a determinação do ângulo de contato da água DI e do diiodometano sobre a superfície da borracha, e outros parâmetros inerentes às características da superfície da borracha, como o trabalho de adesão entre a superfície e o líquido, a energia de superfície da borracha e a influência dos componentes dispersivos e polares na energia de superfície do material, em função dos diferentes tratamentos e condições na qual as amostras foram submetidas. • Tratamentos superficiais da borracha EPDM por plasmas de N2 à baixa vazão de gás possibilitaram o aumenta expressivo da molhabilidade da superfície devido à redução do ângulo de contato de aproximadamente 100 º (hidrofóbica) observado na amostra sem tratamento para em torno de 50 º (hidrofílica) obtido após os tratamentos a plasma por 120 s de processo. Entretanto, o envelhecimento da superfície observado pelo aumento do ângulo de contato ocorreu expressivamente no primeiro dia após o tratamento. • Os tratamentos com a mistura N2/Ar tiveram como condições otimizadas: vazão total de gases a 50 sccm e proporção de 1:1, o que reduziu o ângulo de contato da água DI em torno de 10 º, comparado ao obtido pelo tratamento com o plasma de N2. • Nos tratamentos com mistura H2/N2/Ar verificou-se que para os processos com 67% de H2 reduziu-se o ângulo de contato para aproximadamente 34 º e trabalho de adesão elevado para valores acima de 130 nN/m. Nesses processos, foi constatada a eficiência de 83 manutenção da superfície da borracha ativada pelo plasma, para longos tempos após o tratamento (em torno de 14 dias) apresentando uma pequena variação de 15 º no valor do ângulo de contato nesse período, comparado os 30 º obtido 24 horas após o tratamento a plasma de N2. • As análises pela técnica de AFM podem fornecer informações sobre os mecanismos de adesão predominantes na superfície da borracha EPDM e verificou-se que a funcionalidade química da superfície da borracha tem peso significativo na molhabilidade da superfície da borracha, em relação à rugosidade da superfície (ancoragem mecânica), pois amostras tratadas a plasma de H2/N2/Ar com alta concentração de hidrogênio (90 %) provocaram aumento da rugosidade na superfície da borracha, comparado a rugosidade das amostras sem tratamento, entretanto reduziu-se o valor do ângulo de contato de 100 º para 60 º, devido ao aumento da energia de superfície (introdução de grupos funcionais) promovido pelo tratamento a plasma. • O XPS mostrou que o aumento do tempo de tratamento da borracha EPDM pelo plasma de H2/N2/Ar na faixa analisada, possibilita uma variedade maior de espécies na superfície da borracha observado pelos espectros fotoelétricos da borracha tratada a 120 s quando comparado principalmente à amostra sem tratamento. • Os processos a plasma de micro-ondas mostraram maior eficiência nos tratamentos da superfície do EPDM, em relação ao tempo de tratamento, realizado em torno de 90 a 120 segundos, quando comparado aos processos de descarga em RF que necessitam tempos em torno de 600 segundos para otimizar as propriedades da superfície da borracha. 5.1 Sugestão para trabalhos futuros • Realizar um estudo mais aprofundado, para a explicação dos fenômenos químicos cinéticos que ocorrem na superfície da borracha EPDM durante a exposição aos plasmas. • Estudar o efeito da modificação de outros polímeros de uso aeronáutico através de 84 descargas elétricas por processos a plasma de micro-ondas, principalmente de artefatos no formato final com dimensões reduzidas, pois atualmente os reatores de micro-ondas estão limitados a operar em dimensões reduzidas. • Pesquisar meios de possibilitar a obtenção de descargas de micro-ondas em pressão atmosférica para facilitar a viabilização da aplicação em escala industrial, pois a utilização de tecnologia de plasmas para o tratamento de materiais poliméricos tem mostrado resultados excelentes em diversos trabalhos científicos nos últimos 20 anos. • Estudar processos indiretos de tratamentos de materiais a plasma (plasmas de pósdescarga) para minimizar os efeitos das partículas altamente energéticas presentes no plasma que podem comprometer as propriedades da superfície, principalmente dos materiais poliméricos. 85 REFERÊNCIAS 1. 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PALAVRAS-CHAVE SUGERIDAS PELO AUTOR: Plasma de micro-ondas, Elastômero EPDM, Ativação superficial 9.PALAVRAS-CHAVE RESULTANTES DE INDEXAÇÃO: Processamento de materiais a plasma; Micro-ondas; Tratamento de superfícies; Elastômeros vulcanizados; Energia de ativação; Adesão; Ensaios de materiais; Engenharia de materiais; Engenharia química 10. APRESENTAÇÃO: (X) Nacional Internacional ITA, São José dos Campos. Curso de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Aeronáutica e Mecânica. Área de Física e Química dos Materiais Aeroespaciais. Orientador: Prof. Dr. Marcos Massi. Defesa em 18/05/2009. Publicada em 2009. 11. RESUMO: A utilização de borracha na indústria aeroespacial é referida principalmente como proteção térmica para mísseis e motores foguete, porém, o desafio tecnológico que ainda persiste, é obter níveis de adesão satisfatórios aos materiais poliméricos usados como adesivos ou combustíveis sólidos. Atualmente a borracha mais usada para este fim, no programa espacial brasileiro, é a borracha nitrílica (NBR). Neste trabalho, optou-se por se trabalhar com a borracha de etileno-propileno-dieno-monomero (EPDM), por apresentar inúmeras vantagens sobre a NBR. O EPDM sendo mais leve, não produzindo NOX durante a queima do combustível sólido e possuindo custo menor, em relação ao NBR, torna-se atrativo nestas aplicações, porém, sua capacidade adesiva ao propelente sólido é inferior ao obtido pela borracha NBR. Entre as maneiras existentes para se resolver este problema, destaca-se a tecnologia de plasmas por possibilitar a modificação da superfície dos polímeros sem alterar suas propriedades de volume. Neste trabalho foram utilizados plasmas de micro-ondas (2,45GHz) para o tratamento superficial da borracha EPDM, modificando os parâmetros do sistema - pressão interna, fluxo e proporção dos gases H2, N2 e Ar e tempo de tratamento. Os processos a plasma de N2 foram realizados com fluxo de 5 sccm e pressão de 150 mTorr (20 Pa), variando-se o tempo de tratamento de 10 a 300 segundos, com o intuito de verificar o tempo ótimo no qual as propriedades de superfície eram maximizadas. Para os processos a plasma das misturas N2/Ar, variaram-se os fluxos totais de gases, de 25 a 100 sccm, e as proporções dos gases nas misturas, em 2:1, 1:1 e 1:2, a uma pressão de 250 mTorr e tempo de 120 segundos. Por fim, os processos a plasma de misturas de H2/N2/Ar, dotou-se das condições otimizadas nos processos com N2 e N2/Ar variando-se a concentração de hidrogênio de 33 a 90 % na mistura com o N2/Ar (1:1) a 50 sccm de fluxo total. Os parâmetros da descarga foram otimizados quanto às características de molhabilidade da superfície da borracha EPDM com o auxílio da técnica de goniometria. A microscopia de força atômica (AFM) e a espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios-X (XPS) foram utilizadas para dar embasamento aos resultados nos tratamentos a plasma. 12. GRAU DE SIGILO: (X ) OSTENSIVO ( ) RESERVADO ( ) CONFIDENCIAL ( ) SECRETO