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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE / SOEBRÁS
REUTILIZAÇÃO DE LIGAS ODONTOLÓGICAS EM PRÓTESE
PARCIAL REMOVÍVEL
MARIA AMERILDA SILVA LIMA
Aracaju – SE
2012
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INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE / SOEBRÁS
REUTILIZAÇÃO DE LIGAS ODONTOLÓGICAS EM PRÓTESE
PARCIAL REMOVÍVEL
MARIA AMERILDA SILVA LIMA
Monografia apresentada à disciplina de
metodologia da Pesquisa, como parte dos
requisitos para obtenção do título de
especialista em Prótese Dentária peIo
Instituto de Ciências da Saúde – Funorte /
Soebrás.
Área de Concentração: Prótese Dentária
Orientadora: Profª. Msc. Rosemília Milet
Passos Machado
ARACAJU- SE
2012
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RESUMO
Há muito tempo tem se buscado formas alternativas, economicamente viáveis, para
devolver ao indivíduo a função e a estética através de aparelhos protéticos resistentes às
intempéries do ciclo mastigatório. Sabemos que o cliente procura em sua reabilitação oral,
além de estética, a segurança de uma longevidade clínica do seu problema. A utilização de
prótese parcial removível é, e ainda será por muito tempo, o tratamento reabilitador indicado
para grande maioria de indivíduos desdentados parciais, visto que nem sempre é viável optar
por uma prótese parcial fixa convencional ou prótese sobre implantes, devido às dificuldades
econômicas ou mesmo limitações biológicas. Como a base da estrutura da prótese parcial
removível é constituída por ligas metálicas, a escolha destas para confecção da armação deve
ser baseada em vários fatores biomecânicos evitando alterações em sua microestrutura. O
objetivo desse trabalho foi conhecer, por meio de uma revisão de literatura, a eficácia e
possíveis modificações nas propriedades mecânicas das ligas metálicas quando submetida à
reutilização na confecção de uma prótese parcial removível. De acordo com a revisão da
literatura pode-se concluir que a reutilização das ligas na confecção das armações metálicas
em prótese parcial removível tem efeito prejudicial sobre o comportamento corrosivo da liga;
microporosidades, ductibilidade deficiente, falta de cuidado e controle no procedimento de
fundição, bem como inexperiência do operador, são as maiores causas de fratura em prótese
parcial removível e que a reutilização de ligas, em especial a de Cobalto-Cromo, em prótese
parcial removível é possível, desde que haja acréscimo de liga nova na mesma proporção da
liga a ser reutilizada evitando o comprometimento das propriedades do material entre as
fundições.
Palavras-Chaves: Reutilização; Ligas Metálicas; Prótese Parcial Removível.
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ABSTRACT
It has long been sought alternative, economically viable, to return the individual to
function and aesthetics through prosthetic devices resistant to weathering of the chewing
cycle. We know that customer demand for its oral rehabilitation, besides aesthetics, safety of a
clinical longevity of your problem. The use of removable partial denture is and still will be for
a long time, the rehabilitation treatment indicated for most of partially edentulous individuals,
since it is not always feasible to opt for a conventional fixed partial denture prosthesis or
implant due to economic hardship or same biological limitations. As the basis of the structure
of the removable partial denture is made up of metal alloys, the choice to construct the frame
of these should be based on several factors preventing biomechanical changes in its
microstructure. The aim of this study was to understand, through a literature review, the
effectiveness and possible changes in the mechanical properties of alloys when subjected to
reuse in the manufacture of removable partial denture. According to the literature review it
can be concluded that the reuse of the alloys in the making of metal frames in removable
partial denture has detrimental effect on the corrosion behavior of the alloy; microporosity
poor ductility, lack of care and control in the casting procedure, and operator inexperience, are
the major causes of fracture in removable partial denture and reuse of alloys, especially
Cobalt-Chromium in removable partial denture is possible, provided that there is addition of
new alloy in the same proportion league being reused avoiding the compromise of material
properties between foundries.
Key Words: Reuse; Alloys; Removable Partial Denture.
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AGRADECIMENTOS
A todos que permitiram realizar-me e sentir-me mais potente, mais capaz,
especialmente aos meus grandes amores Geovânio, Giovanna e Pablo; a minha fantástica
sócia e madrinha Gildaci que garantiu a tranquilidade durante minhas ausências nesses dois
anos; a toda a equipe de coordenação e apoio do CAP (Centro de Aperfeiçoamento
Profissional); em especial, à profª Rosemília, minha orientadora e a minha co-orientadora e
sobrinha, Hérika Tirzah, que abriram as portas e o coração para que eu desse mais este passo;
aos colegas do curso, pela convivência, amizade e pelos momentos de diversão e, finalmente,
a minha doce e incomparável família, com quem, incondicionalmente, sempre posso contar.
Vocês são a mais alta fala de Deus aos meus ouvidos, uma voz bonita que me desperta
a cada manhã dizendo: Olha filha, como Eu te amo! Outrossim, de modo todo especial,
agradeço a Maria, mãe de Jesus que, como nas bodas de Caná, nunca deixou faltar “vinho” na
festa de minha vida, e a D. Nivalda e Sr. Manoel, razão e alegria da minha existência!
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LISTA DE ABREVIATURAS
ADA- American Dental Association
Ag- Prata
Al- Alumínio
AU- Ouro
Be- Berílio
Co- Cobalto
Cr- Cromo
Cu- Cobre
(EL)- Alongamento
(Hv)- Dureza Vickers
(MEV)- Microscópio Eletrônico de Varredura
Mpa- Mega Pascal
Mo- Molibidênio
Ni- Níquel
Pd- Paládio
Ti- Titânio
(Ts)- Resistência à tração
Ti cp- Titânio comercialmente puro
Va- Vanádio
(Ys)- Quantidade de força
Zn- Zinco
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................07
2. PROPOSIÇÃO.......................................................................................................09
3. REVISÃO DA LITERATURA.................................................................................10
4. DISCUSSÃO..........................................................................................................32
5. CONCLUSÃO........................................................................................................37
REFERÊNCIAS..........................................................................................................38
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1 INTRODUÇÃO
Para se obter o correto planejamento de uma prótese parcial removível,
deve-se possuir bom conhecimento em relação às propriedades mecânicas das ligas
que serão utilizadas, para que estas desempenhem suas funções adequadamente
(NÓBILO, 1996). Esse conhecimento objetiva determinar as principais modificações
ocorridas nas propriedades mecânicas das ligas e avaliar as alterações
microestruturais decorrentes dos processos de fundição e refundição.
Desde a introdução da fundição pelo processo da cera perdida, vários
metais foram testados para fabricação de próteses parciais removíveis em suas
estruturas e armações (RODRIGUES at al., 2008)
Apesar das ligas básicas terem melhorado e ainda serem bastante
utilizadas, a busca por um metal com propriedades ideais para fabricação de prótese
parcial removível continua a ser uma questão de preocupação. A escolha de uma
liga para confecção de uma estrutura metálica deve ser baseada em vários fatores
que ofereçam, primordialmente, biofuncionabilidade, como: resistência ao desgaste,
à corrosão, ser biocompatível (SANTOS, 2009). Atualmente, o uso do Titânio
comercialmente puro (Ti cp) e ligas de Titânio para produção de estruturas metálicas
tem aumentado gradualmente devido ao seu baixo módulo de elasticidade e notável
biocompatibilidade (RODRIGUES at al., 2008). Contudo, devido à dificuldade em
sua fundição e o seu alto custo, essas ligas continuam com mercado restrito.
As ligas de metais básicos, mais precisamente as de Cobalto-Cromo (CoCr), possuem grande aceitação no mercado, sendo atualmente as de eleição na
fabricação de estruturas metálicas em prótese parcial removível. Foram introduzidas
com o lançamento da VITALLIUM na década de 30 e possuem em sua composição
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básica cerca de 70% de cobalto e 30% de cromo. Outros elementos químicos
também estão presentes nesta liga tal como: carbono, silício e manganês (VERGANI
et al., 1994).
Apesar da grande quantidade de ligas existentes no mercado, as maiores
deficiências que ocorrem com as próteses parciais removíveis relacionam-se com as
possíveis alterações dimensionais durante as fundições e a fratura de alguma parte
da prótese durante o uso clínico em conseqüência da fadiga (CUCCI et al., parte I,
1990).
Alguns laboratórios vêm reutilizando as sobras de fundição para
confeccionar novas armações metálicas em busca de uma nova alternativa
econômica com o intuito de diminuir o custo operacional (DANTAS, 2008). Contudo
já é sabido que esse tipo de procedimento, dependendo da quantidade de
refundições, torna-se prejudicial para a longevidade e funcionabilidade da peça
confeccionada.
Com isso, o objetivo desse trabalho foi conhecer por meio de uma revisão
de literatura, a eficácia e possíveis modificações nas propriedades mecânicas das
ligas odontológicas quando submetida à reutilização na confecção das armações
das próteses parciais removíveis.
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2 PROPOSIÇÃO
Este trabalho objetivou conhecer, através de uma revisão de literatura, a
eficácia e possíveis modificações nas propriedades mecânicas das ligas metálicas
odontológicas quando submetidas à reutilização na confecção das armações
metálicas em próteses parciais removíveis.
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3 REVISÃO DE LITERATURA
Craig (1980) ressaltou que durante a fundição é importante o controle da
técnica com o uso da chama por maçarico, visto que o aquecimento intenso e
prolongado durante a fundição pode levar a evaporação de alguns componentes da
liga fazendo com que a peça protética fique mais frágil. Esse detalhe é muito
importante quando a quantidade de calor da chama não pode ser controlada. O
autor ressalta ainda que o excesso de calor promovido pela chama do maçarico
promove a volatilização de alguns componentes da liga, e com pontos de fusão mais
baixos levaria a alteração da viscosidade, dificuldade de injeção da liga no molde e
prejuízo final na peça protética.
Bombonatti et al., (1988) estudaram a fluidez de quatro ligas de cobrealumínio em função de fusões repetidas. Afirmaram que entre as propriedades que
podem ser afetadas em uma liga após ter sofrido fusão, destaca-se a fluidez,
característica importante na integridade marginal de uma peça metálica fundida.
Verificaram nesse estudo, que existe uma variação de fluidez entre as ligas
avaliadas e que esta fluidez não é influenciada pelas fusões repetidas em número de
até quatro ao se empregar a máquina de fundição elétrica.
Cucci et al. parte I, (1990) relataram que os grampos de uma prótese
parcial removível , para exercerem sua função de maneira adequada não deveriam
sofrer deformação plástica ou fratura com uso e repetidas flexões durante a inserção
e
remoção
desta.
Afirmaram
que
as
próteses
parciais
removíveis
são
confeccionadas atualmente com ligas do sistema Cobalto-Cromo (Co-Cr), as quais
possuem determinadas propriedades que favorecem a confecção das partes da
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prótese que necessitam de rigidez. No entanto, com relação aos grampos,
especificamente os de retenção, estas mesmas propriedades dificultam a obtenção
da flexibilidade necessária para que eles possam desempenhar corretamente suas
funções. Informaram que as propriedades bem como as técnicas de utilização
dessas ligas podem influenciar nos resultados obtidos. Ao final concluíram que os
métodos utilizados para avaliação e comparação das propriedades mecânicas das
ligas de Co-Cr, geralmente, não traduzem as condições reais de utilização da
prótese.
Cucci et al. parte II, (1990) testaram grampos T de Roach, em três
diferentes espessuras, mantendo o comprimento sempre constante. Os grampos
foram fundidos em ligas de Co-Cr, através de duas fontes de fusão. Para analise da
fadiga, foi confeccionado um modelo padrão, o qual foi fixado a uma máquina de
ensaios cíclicos, desenvolvida para simular inserções e remoções de prótese parcial
removível. Concluíram que a interação dos fatores liga e espessura, liga e técnica de
fusão, espessura e técnica de fusão, não modificou a ordem dos efeitos quando
esses fatores eram observados isoladamente.
Ribeiro (1993) estudou os efeitos sofridos em duas ligas de cobalto-cromo
(Brasalloy e Comotec) resultantes do adicionamento de ligas já fundidas uma única
vez, em quantidades pré-determinadas à liga virgem. O método utilizado foi o ensaio
mecânico de tração para obtenção dos valores de tensão de ruptura, alongamento e
limite de proporcionalidade. Os resultados mostraram comportamentos diferentes
para cada tipo de liga. Para a Brasalloy observou que houve uma diferença
estatisticamente significante no que diz respeito à tensão de ruptura e limite de
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proporcionalidade, enquanto que para o alongamento os resultados não foram
significativos. Já a liga Cromotec não apresentou diferença estatística significante
em relação à tensão de ruptura, limite de proporcionalidade e alongamento. Em
relação à composição pequena variação foi observada em ambas as ligas. A análise
metalográfica mostrou alterações nítidas entre a liga virgem e após a primeira fusão.
Vergani et al., (1994) em estudo referente às ligas utilizadas em
restaurações odontológicas, verificaram que nas ligas de Co-Cr a proporção ideal
para obtenção de valores satisfatórios de resistência, dureza, resistência à abrasão
e perda de brilho é de 70% de cobalto e 30% de cromo, sendo que o aumento na
proporção de cromo para além de 30% ocasiona formação de composto
intermetálico, que torna a liga excessivamente friável. Elementos como o
molibidênio, tungstênio e carbono também estão presentes. Essas modificações têm
sido introduzidas no sentido de melhorar determinadas propriedades mecânicas
como a ductilidade, que, quando deficiente, é a maior responsável pelas fraturas dos
grampos. Confirmaram a necessidade de materiais e técnicas especiais para
fundição, como revestimento aglutinado por sílica ou fosfato e fontes de calor para
temperaturas elevadas. Afirmaram ainda que as ligas de Co-Cr têm sido utilizadas
na grande maioria das próteses parciais removíveis devido ao seu baixo custo em
comparação com as ligas de metais nobres, sua alta resistência à corrosão e suas
propriedades mecânicas superiores às do ouro.
Vallitu e Kokkonen (1995) com o objetivo de determinar a resistência à
fadiga dos grampos em prótese parcial removível, testaram diferentes tipos de
metais utilizados comercialmente, sendo: Co-Cr, Titânio (Ti), Ti-6Al-4V e liga de
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ouro tipo IV. O método de teste utilizado foi um ensaio de deflexão de fadiga
constante em que a força necessária para desviar o grampo por 0,6 mm e o número
de ciclos necessários para fraturar o grampo foram determinados. A superfície de
fratura por fadiga dos grampos foi examinado com um microscópio eletrônico de
varredura (MEV). Os resultados revelaram que fratura por fadiga ocorreu nos
grampos de Co-Cr após cerca de 25.000 ciclos, nos grampos de Ti após 4.500 ciclos
, na liga de Ti-6Al-4V depois de 20.000 ciclos e no liga de ouro após 21.000 ciclos.
A ativação do grampo, mostrou maior resistência à fadiga na liga de Co-Cr e
grampos de liga de ouro sendo menor na liga de Ti e Ti-6Al-4V. Os resultados
mostraram que existem diferenças significativas na resistência à fadiga de grampos
de próteses removíveis feitos a partir de diferentes metais fundidos comerciais, e
que isto pode causar perda de retenção da prótese parcial removível e falhas nos
grampos.
Nóbilo
(1996)
realizou
uma
retrospectiva
das
ligas
metálicas
odontológicas. Em relação às ligas Co-Cr, o autor constatou que fundições destas
ligas nessa época, já eram cinco vezes mais numerosas do que as confeccionadas
com as ligas de ouro. Atestou que os critérios desejáveis para a substituição do ouro
por Co-Cr incluíam: poucas dificuldades técnicas de utilização; propriedades
químicas que não produzissem efeitos patológicos ao operador e ao paciente e que
possibilitassem resistência à desintegração no meio bucal; propriedades físicas
como resistência, temperatura de fusão, coeficiente de expansão térmica e
condutividade térmica satisfatórias; custo baixo e disponibilidade do metal em
situações de emergências mundiais. Nesta pesquisa determinou as causas de
fraturas de próteses parciais removíveis, observado através de microscopia
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eletrônica de varredura (MEV). Para tal, os autores avaliaram doze microestruturas.
De acordo com as observações, os autores concluíram que microporosidade devido
à contração de fundição na microestrutura, é a principal causa de ocorrência de
fraturas em próteses parciais removíveis durante o uso.
Henriques et al., (1997) avaliaram a influência do procedimento de
soldagem e refusão em ligas metálicas e relataram que a fonte de calor utilizada
no processo de fusão de ligas continua a ser um método empírico e pode ser uma
fonte de imperfeição como também um mecanismo originário da fadiga precoce de
estruturas metálicas de prótese parcial removível. O método de fundição, tempo de
fusão, distância e composição da chama como também inclusão de óxidos pode
levar a alterações estruturais e mecânicas. Os autores observaram que é possível a
reutilização da liga sem comprometer a resistência, porém, a excessiva refusão
provoca algumas mudanças na composição física e nas suas propriedades o que
diminui a sua fluidez, Relataram também que a liga básica de Co-Cr pode ser
reutilizada por quatro gerações sem diferenças significantes nas suas propriedades
físicas entre as fundições, e que embora essas ligas tenham propriedades
desejáveis, fraturas de vários elementos metálicos da prótese são comuns e podem
ser causados por defeitos estruturais como vazios, porosidade, ajustes inadequados
e desenho incorreto. Afirmam ainda que a justificativa para reutilização da liga é
basicamente econômica. Sugeriram misturar a liga para ser reutilizada com uma
nova liga na mesma proporção. Para os autores, muitas podem ser as causas das
falhas, no entanto alguns estudos têm demonstrado resultados imprevisíveis e
injustificados. Concluíram que os valores de resistência à fadiga das ligas novas
foram estatisticamente semelhantes às ligas de Co-Cr reutilizadas, soldadas ou não
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e que esses valores de resistência à fadiga não influencia o procedimento de
refusão.
Bridgemana et al., (1997) relataram que as ligas de Titânio em prótese
parcial removível têm uma aplicação cada vez mais popular. Embora a flexibilidade
do titânio permita a colocação de grampos em áreas retentivas, como os de Co-Cr, é
possível que as forças de retenção dos grampos de Titânio sejam suficientes após
flexões repetidas do braço de retenção do grampo durante inserções e remoções da
prótese parcial. Neste estudo foram avaliadas as características de grampos
fundidos em ligas de Titânio comercialmente puro (Ti cp) para determinar se estes
materiais servem como alternativas adequadas na confecção em prótese parcial
removível. Grampos de próteses parciais removíveis em áreas retentivas foram
fabricados a partir de Ti Cp, liga de Ti-6Al-4V e Co-Cr . A perda da força de retenção
foi medido nesses grampos simulando três anos de uso clínico. Os dados coletados
foram submetidos a testes para determinar as diferenças entre as ligas. Evidências
de defeitos de fundição e porosidades foram avaliados por exame radiográfico e ao
MEV foi usada para observar características de superfície. Os resultados mostraram
que houve menos perda de retenção para grampos feitos a partir de Ti cp e de Ti6Al-4V do que para grampos de Co-Cr. A porosidade foi mais evidente nos grampos
de Ti cp e Ti-6Al-4V do que naqueles feitos a partir de Co-Cr, porém a quantidade
de porosidades não corresponderam a evidência de fraturas ou deformação
permanente. Confirmaram uma boa resiliência a longo prazo dos grampos de liga de
titânio em áreas retentivas, como também que estes materiais são adequados para
próteses parciais removíveis.
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Meloncini et al., (1998) determinaram a freqüência da perda de retenção
de grampos em próteses removíveis a qual foi avaliada após vários períodos de
ciclagens. O número de freqüência foi baseado em observação ao ocorrer fratura de
grampos ou perda de retenção após serem realizados ajustes para adaptações. Ao
final, concluíram que as fraturas ocorreram mais freqüentemente quando numerosos
ajustes foram necessários. Determinaram também que falhas como fratura de
grampos ou perda de retenção ocorreram quando não houve necessidade de
ajustes e foram devidas, em geral, a problemas de fundição.
Carreiro et al., (1999) avaliaram a fundibilidade de uma liga de Co-Cr, que
reflete na capacidade desta em fornecer uma cópia da cera padrão tão precisa
quanto possível, empregando dois tipos de revestimento e duas temperaturas de
aquecimento do molde. O método de fundição foi o da cera perdida sob chama de
gás oxigênio. Observaram que para um melhor resultado, deve-se ter uma maior
acuidade no processo de fundição e que esses métodos quando realizados sob
chama, dificultam sobremaneira essa acuidade, reavivando a necessidade que a
odontologia tem de desenvolver métodos acessíveis, mas que possam satisfazer os
profissionais envolvidos quanto à qualidade e resultados obtidos. Recomendaram
cuidados na avaliação dos resultados obtidos em testes de fundibilidade, lembrando
que pequenas variações quanto aos materiais, equipamentos e/ou procedimentos
empregados podem ocasionar efeitos significantes. Os resultados demonstraram
não haver diferenças estatísticas significante entre os revestimentos, porém houve
diferença quanto à temperatura. Observaram que a análise de uma fundição deve
ser feita apenas em bases comparativas e não em termos absolutos, pois ainda não
existe nenhum método estandardizado para determinar e definir a sua qualidade.
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Oliveira (2000) avaliou a rugosidade superficial de duas ligas metálicas de
Ti e Níquel-Cromo (Ni-Cr) submetidos à ciclagem térmica e submersos em saliva
artificial à temperatura constante de 37ºC por um período de oito meses. Analisou as
ligas em sua superfície e a existência ou não de diferenças entre elas, verificando
possíveis alterações no aspecto visual dos corpos-de-prova. Relatou que ouve uma
evolução de novas ligas metálicas, entre elas o Ti que apresenta propriedades
físicas e biocompatibilidade excelentes, sendo um material muito utilizado em vários
setores relacionados à área odontológica, principalmente na indústria de implantes.
Citou também, que as propriedades alergênicas e carcinogênicas provenientes de
metais que compõem as ligas, em especial Níquel (Ni) e o Berílio (Be), têm gerado
muitas controvérsias, e que a segurança como também a possibilidade de efeitos
adversos à saúde como exposição a certos elementos contidos nesses materiais,
tem sido objeto de estudo nos últimos anos, inexistindo, todavia conclusão definitiva
a respeito.
Descreveu a corrosão como sendo uma destruição do metal ou liga
metálica acompanhada pela perda de corpo superficial, e a erosão uma deformação
da superfície metálica em conseqüência de processos estritamente mecânicos, com
ausências de alterações químicas. Ao final, concluíram que as ligas sofreram
processo químico, ocorrendo possivelmente corrosão em sua superfície. Porém
observaram que na superfície das ligas, tanto de Ti como Ni-Cr, não se notou
oxidação. Os resultados indicaram que o Ti, como material restaurador mais recente
em relação ao Ni-Cr, possui características e indicações para que seu uso seja mais
freqüente na clínica.
Rodrigues et al., (2002) compararam grampos circunferenciais feito de Ti
cp com grampos feitos de Co-Cr por meio de testes de inserção e remoção em
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modelos refratários. Grampos de Ti cp em número de doze e duas ligas de Co-Cr
também em número de doze cada, foram avaliados em trinta e seis modelos,
representando segmento do hemiarco parcialmente desdentado inferior direito. Cada
grupo foi dividido em dois subgrupos e alívios de 0,25mm e 0,50mm foram feitos.
Nenhum procedimento de polimento nos grampos foi realizado para assegurar
uniformidade. Os espécimes foram radiografados para inspecionar defeitos nos
moldes e submetidos a testes de inserção e remoção simulando cinco anos de uso
da prótese parcial removível. Foram comparadas também as forças de retenções
dessas próteses quando feitas com materiais diferentes por meio de teste de Turkey
e teste t de Student foi realizado para comparar forças de retenções quando
fabricadas com a mesma liga e alívios diferentes. Os resultados mostraram que um
total de 20% dos espécimes de Ti cp demonstraram porosidades indicando
dificuldades de fundição. Para as ligas Co-Cr, não foram encontradas dificuldades
de fundição quanto à porosidade. Concluíram que dentro das limitações deste
estudo, os resultados sugerem que grampos de Ti cp mantidos em retenção ao
longo de um período simulando cinco anos de uso da prótese, obtiveram força de
retenção inferior aos grampos de Co-Cr.
Meroti e Navarro (2003) desenvolveram um trabalho para determinar as
causas de fraturas em prótese parcial removível durante o uso clínico. Foram
examinadas quarenta e uma infraestruturas fraturadas com o uso. A análise foi do
tipo de liga utilizada nas fundições, localização do sítio de fratura, que incluía
presença de vazios e porosidades e evidência de fratura por fadiga. A avaliação foi
conduzida com auxílio de um microscópio. Verificaram que a maioria das áreas
examinadas mostrou a presença de vazios, porosidades e fraturas por falha de
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tração. Entretanto, um número delas, apresentou-se mais lisa e plana que a
restante, indicando que a fadiga pode ter iniciado a falha final, pois fadiga leva à
fratura causada por repetidos ciclos de aplicação de forças. Estes autores
constataram que as ligas Co-Cr, após terem sido modificadas e melhoradas quanto
aos procedimentos para sua fundição, passaram a ter um uso cada vez maior e
atualmente são as de maior utilização na fabricação das estruturas metálicas de
prótese parcial removível, por serem mais leves e resistentes à corrosão semelhante
às ligas de ouro. Para esses autores, são duas as maiores deficiências que ocorrem
com as próteses parciais removíveis, a possível alteração dimensional durante as
fundições, e a fratura de alguma parte da prótese durante uso clínico, em
conseqüência da fadiga.
Horasawa e Marek, (2004) estudaram o efeito da corrosão em
refundições de ligas de Prata-Paládium (Ag-Pd). Afirmaram que ligas nobres e ligas
básicas para fundição dentárias são muitas vezes reutilizadas. Avaliaram se as
repetidas fundições têm um efeito prejudicial sobre o comportamento de corrosão de
uma liga como base em prótese dental, utilizando para isso uma liga de Ag-Pd-CuAu comercial sofrendo quatro vezes refundição. Testes electroquímicos foram
realizados para determinar os efeitos de repetidas fundições sobre os parâmetros de
polarização e a densidade de corrente de corrosão em saliva artificial. Alterações na
dureza, na composição química e na microestrutura foram determinados. Os
resultados mostraram que a reutilização das ligas teve a densidade de corrente de
corrosão aumentado após o quinta fundição. A dureza aumentou com as refundições
e a microestrutura mostrou crescimento de grãos, aumentando também a formação
de subgrãos provocando alterações importantes em sas propriedades. As
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concentrações
de Au, Ag e Pd mantiveram-se constante, o cobre e zinco
ligeiramente diminuído e o teor de impurezas aumentado. Com isso pode-se concluir
que a reutilização dessas ligas teve pouco efeito sobre a susceptibilidade à corrosão
em saliva artificial, mas uma severa degradação das propriedades foi observado
após a quinta fundição. Concluiram também que uma liga dental deste tipo pode ser
seguramente reutilizada apenas em um pequeno número de vezes.
Rodrigues, (2005) realizou um estudo em prótese parcial removível,
através da determinação do limite de fadiga por flexão. Verificou que a resistência foi
menor quando as amostras foram armazenadas em meio corrosivo (37ºC e 100%
umidade relativa) e que os valores obtidos estavam acima do limite proporcional das
ligas de Co-Cr sugerindo que as estruturas com elas confeccionadas apenas
fracassariam se houvesse ocorrência de inclusões ou porosidades. Verificou
também que três eram os fatores de influência no planejamento dos grampos:
propriedades mecânicas das ligas; formato do grampo (comprimento, curvatura,
secção transversa e angulação do corpo para a extremidade); e deflexão do grampo
causada por áreas retentivas. Com relação ao comprimento, observou que este era
diretamente proporcional à deflexão do grampo. Constatou também que a espessura
e a largura do grampo eram grandezas inversamente proporcionais à deflexão e que
a curvatura reduzia esta capacidade.
Carreiro et al., (2005) avaliaram as propriedades de algumas ligas
metálicas. Destacaram neste estudo que a Ag e o Pd apareceram como promissora
alternativa para as ligas de ouro. Apesar de suas qualidades, as primeiras ligas PdAg causaram descoloração nas porcelanas, apresentavam corrosão devido à
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oxidação ou de absorção de gás durante a fusão. Citaram que desde 1950 as ligas
de Ni-Cr utilizadas na fabricação das estruturas metálicas de prótese parcial
removível, apresentam excelentes propriedades mecânicas a alta resistência à
corrosão, diminuição da densidade e redução de custos, tendo como principais
vantagens o seu coeficiente de expansão térmica inferior e maior resistência em
temperaturas elevadas. Porém, desde o desenvolvimento das ligas de Co-Cr
odontológicas (1928) e a introdução posterior das ligas de Ni-Cr, a aplicabilidade das
ligas de metais básicos em próteses tem aumentado consideravelmente. As ligas de
Co-Cr-Mo, são geralmente indicadas para construção de estruturas metálicas para
prótese parcial removível por causa de suas propriedades adequadas, tais como:
boa fusibilidade, precisão dimensional, superfície suave, baixo módulo de
elasticidade e ductibilidade.
Sá (2005) analisou os efeitos do número de refundições sobre a
microestrutura de uma liga de Ni-Cr. Para a realização desse estudo foram
confeccionados seis corpos-de-prova com formato de uma coroa dentária de molar
inferior, os quais foram fundidos em dois laboratórios de prótese dentária da cidade
de Natal. O primeiro grupo foi fundida com liga metálica de Ni-Cr virgem e para os
outros dois grupos foram utilizados refundições com o metal anteriormente fundido.
A análise microestrutural foi realizada através de microscopia óptica. Os resultados
das análises apresentaram no primeiro grupo regiões com porosidade máxima de
9% no laboratório I e 11% no laboratório II. Já as amostras das ligas refundidas uma
única vez apresentou porosidade de 14% do laboratório I e 86% no laboratório II.
Quando a liga foi fundida duas vezes, as amostras apresentaram porosidades de
12% no laboratório I e 70% no laboratório II.
22
Paulino & Pardini (2006) analisaram estruturas de Co-Cr após fundição,
com o intuito de verificar a presença de porosidades na estrutura do material que
pode comprometer sua vida útil e resultar em fratura da prótese. Para isso, utilizaram
corpos-de-prova de forma retangular (15mm x 02mm), fundidos em liga metálica de
Co-Cr em dois grupos distintos. O primeiro grupo (padrão) foi confeccionado sem
perfurações, e o segundo com perfurações confeccionadas com brocas esféricas
carbide de numeração 0,5, 1, 4, 5 e 6. Raio X de uso odontológico, filme periapical e
penetrômetro de alumínio foi utilizado para análise. O feixe de Raio X foi direcionado
perpendicularmente sobre as amostras, com distância focal de 20 cm, e as imagens
radiográficas obtidas analisadas visualmente através de um negatoscópio e
fotodensitômetro.
Ao final do experimento os autores puderam concluir que as
falhas internas devem ser detectadas com o intuito de minimizar a fratura de
estruturas metálicas.
Ayad et al., (2008) estudaram o comportamento de ligas nobres
previamente fundidas quanto a sua capacidade de resistência aos efeitos da
corrosão. Propuseram avaliar a composição de ligas reutilizadas em dois meios
externos. Todos os protocolos de fundição avaliados foram retidos passivamente em
condições eletroquímicas semelhantes ao ambiente oral. Relataram com base em
avaliação de algumas propriedades físicas, que pelo menos ate quatro gerações,
essas ligas podem ser reutilizadas, desde que pelo menos 50% de liga nova seja
introduzida. Afirmaram ainda que a combinação de liga virgem com metal fundido
pode ter efeito negativo sobre o comportamento corrosivo da liga nobre e que a base
para essa diretriz é que alguns elementos importantes secundários presentes em
pequenas percentagens dessas ligas podem ser perdidas durante o processo de
23
fusão, através da volatização ou oxidação destas, exemplificando o zinco (Zn) que
age como limpador de oxido durante o derretimento minimizando a oxidação de
outros elementos da liga. Observaram que o comportamento corrosivo de uma liga
depende de fatores como: composição, aspectos mecânicos, rugosidade de
superfície e sua importância se devem a possíveis alterações orais como ações
galvânicas que podem causar uma série de reações como gosto metálico, dor oral,
sensibilidade, alergias e outras reações tóxicas. Afirmam que mais estudos são
necessários pra determinar as causas de alterações nas propriedades físicas das
ligas, pois os limites aceitáveis para o uso clínico ainda é desconhecido.
Villar (2008) estudou a influência do número de refundições de ligas de
Ni-Cr-Mo-Ti e avaliou as possíveis mudanças das propriedades em amostras
fabricadas com estas ligas odontológicas. Observou que a possibilidade de uma liga
básica ser submetida a refundições e continuar indicada para uso odontológico é de
grande importância para minimizar os prejuízos causados pela perda de metal, como
por exemplo, da não adaptação da estrutura metálica ou das sobras das fundições.
Afirmou ainda que a reutilização de ligas metálicas não seja um fato raro nos
laboratórios de prótese dentária devido aos fatores econômicos. A grande questão é
até que ponto este hábito poderá causar danos ao sucesso do trabalho protético.
Observou que o aumento do número de fundições do metal causou modificações
macroscópicas, o metal tornou-se opaco, escurecido e falhas estruturais com o
aumento do número de fundições.
Explicou esse fenômeno, afirmando que a
refundição compromete a resolidificação da liga e que o metal fundido em número
de cinco vezes apresenta falha macroscópica e microscópica na estrutura e é contra
indicado para uso odontológico. Relatou ainda que a empresa Talladium juntamente
24
com a NASA desenvolveram uma liga metálica denominada “tilite” composta de Ni
(60-76%), Cr (12-21%), Mo (4-14%) e Ti (4-6%) a qual surgiu como alternativa para
substituir as ligas nobres com o custo mais reduzido por possuir uma excelente
biocompatibilidade e a sua resistência mecânica ser aproximadamente o dobro de
qualquer outra liga metalo-cerâmica. Afirmou ainda que a fundição do tilite em até
tres vezes não causa prejuízo estético, de biocompatibilidade e de microestrutura na
junção metal/cerâmica. Constatou que este fato é de grande importância para a
odontologia por possibilitar uma maior economia nos laboratórios de prótese
dentária através da reutilização das ligas sem prejuízo na qualidade das
restaurações protéticas, além de contribuir para diminuir a degradação do meio
ambiente através da reciclagem de material. Relatou também que quanto às ligas de
titânio, apesar do fato de ser o tipo de liga mais utilizado para implantes
maxilofaciais, sobretudo pela sua osteointegração, a sua utilização ainda encontra
bastante reduzida nos laboratórios de prótese dentária devido a aspectos
particulares do seu método de fusão.
Dantas (2008) analisou a mecânica e microestrutura das ligas de Co-Cr
de uso odontológico após sucessivas refundições. Informou que a escolha de uma
liga para confecção de estruturas metálicas deve ser baseada em vários fatores
como: biocompatibilidade; facilidade de fusão e fundição e que para se obter um
correto planejamento de uma prótese parcial removível, deve-se conhecer as
propriedades mecânicas dessas ligas para que desempenhem suas funções
adequadamente. Citou que de acordo com as especificações da Associação
Dentária Americana (ADA), qualquer tipo de liga que contenha menos de 25% de
metais
nobres
como
ouro,
platina
e
paládio,
é
considerada
uma
liga
25
predominantemente de metais básicos, sendo assim incluídas as ligas de Co-Cr.
Ressaltou que esse conhecimento determina as principais modificações ocorridas
em suas propriedades mecânicas. Afirmou também que para obtenção de uma
prótese parcial removível bem adaptada deve-se iniciar com uma moldagem
bastante precisa, concomitante a este processo, as ligas necessitam ter não
somente propriedades físicas adequadas, como também superfícies lisas e precisão
dimensional. Portanto, os revestimentos devem ter coeficiente de expansão
conhecida, assim como a contração térmica das ligas.
Avaliou alguns efeitos da
refundição sobre ligas de Co-Cr, acrescidas ou não de liga virgem. De forma geral
os resultados mostraram alterações na plasticidade e na fratura da liga após
sucessivas refundições, decorrentes principalmente da crescente presença de poros
e vazios na estrutura. A interpretação dos resultados mostrou que o material não
apresentou diferenças significativas em relação à resistência à tração ou ao limite
elástico, em função das sucessivas refundições. Sucessivas refundições em ligas de
Co-Cr comprometem as propriedades mecânicas do material, o que pode levar a
falhas e conseqüentemente, ao fracasso do trabalho protético. Ao final, com base
nos resultados, determinou que o mais recomendado é a utilização de no máximo
duas refundições, para que as propriedades do material não sejam comprometidas.
Sobre a influência de variáveis de fundição nas propriedades das ligas de Co-Cr,
concluiu que a utilização de temperaturas maiores na fusão da liga induz a um
aumento no alongamento, em decorrência de um aumento no espaçamento entre
carbonetos e no tamanho granular, tornando a liga mais fraca e dúctil. Relatou que a
utilização de prótese parcial removível é, e ainda será por muito tempo o tratamento
reabilitador indicado para um grande número de indivíduos, visto que nem sempre é
26
viável optar por uma prótese parcial fixa ou prótese sobre implantes devido a
dificuldades econômicas ou mesmo limitação biológica.
Rodrigues et al., (2008), avaliaram a força de retenção de grampos T
feitos de Ti cp e liga de Co-Cr pelo teste de inserção/remoção simulando cinco anos
de uso. Afirmaram que apesar das ligas básicas terem melhorado e ainda serem
bastante utilizadas, a busca por um material com propriedades ideais para a
fabricação dessas próteses continua sendo uma questão preocupante, e o uso do Ti
Cp para produção de estruturas metálicas neste tipo de prótese tem aumentado
gradualmente. Vários estudos têm destacado as vantagens da liga de Ti e
investigado sua possível utilização na fabricação destas estruturas metálicas. Além
de sua biocompatibilidade notável, o baixo módulo de elasticidade é outra
propriedade que faz o Ti mais resistente e mais semelhante ao ouro. Esta
propriedade permite a colocação de grampos em grandes áreas retentivas, sem
aplicação de cargas excessivas ao dente pilar durante a inserção e remoção da
prótese, favorecendo a estética. Em contra partida, algumas dificuldades como
problemas em máquinas de fundição, a qual requer experiência tecnológica,
porosidades e moldes inadequados são ainda freqüentemente observados em
fundição de Titânio. Ao final o autor concluiu que dessa forma mais estudos serão
necessários para confirmar sua viabilidade em longo prazo.
Santos (2009) estudou ligas odontológicas de Ouro (Au) e Co-Cr para
confecção de prótese parcial removível, bem como suas propriedades metálicas,
sendo: durabilidade, resistência,
composição , biocompatilidade
e oxidação.
Relatou que a prótese parcial removível é uma das mais antigas, porém como meio
27
terapêutico é bem recente. Até a década de 20, as infraestruturas dessas próteses
eram confeccionadas em ouro, contudo com o preço elevado desse elemento no
mercado mundial foram surgindo o desenvolvimento de ligas alternativas compostas
por metais básicos. Os procedimentos de reutilização de ligas de ouro já era uma
prática
bastante difundida e as variações nas propriedades mecânicas da liga
remanescente eram imperceptíveis. Com o desenvolvimento de novas ligas, a partir
do conhecimento das experiências adquiridas com as ligas de ouro, houve um
incentivo também à prática de reutilização destas, e aos poucos o ouro foi sendo
substituído pelo Co-Cr. Ressaltou que esta liga possui melhor tolerância nos tecidos
orais como: manutenção do brilho, superfície polida e com peso específico menor
que a liga de ouro, favorecendo em situações de abrasividade. Porém, algumas
propriedades
desfavoráveis
como:
menor
ductibilidade,
maior
módulo
de
elasticidade, temperatura de fusão elevada, maior contração de solidificação,
exigindo o uso de revestimento especial e difícil acabamento e polimento. Afirmou
que o conteúdo de cromo é o responsável pela resistência á oxidação; o de carbono
melhora as propriedades mecânicas como resistência a corrosão; o de tungstênio
tende a estabilizar a liga tornando as propriedades mecânicas mais uniformes no
processo de refundição; o berílio age como redutor da temperatura de fusão; o
magnésio torna o comportamento da liga mais estável implicando em mais
resistência e ductilidade. Para prótese parcial removível, as ligas de Au indicadas
são as do tipo IV, por serem ligas extraduras. Contêm em sua composição: 66% de
ouro,
15% de cobre,
12% de prata, 3% de paládio,
2% de platina e 2% de
zinco. Quando comparado às ligas de ouro com as ligas de Co-Cr, essas possuem
menor resistência à tração e a fadiga, baixo custo, resistência a descoloração, como
também alto módulo de elasticidade, garantindo o dobro de rigidez para a mesma
28
espessura e ficando mais susceptíveis a deformação permanente. Quando
comparadas às ligas de Co-Cr, as ligas de Au podem ser reutilizadas por inteiro,
enquanto as ligas de Co-Cr devem ser reutilizadas em partes.
Tuna et al., (2009) estudaram a influência dos componentes do metal
puro de quatro diferentes ligas de fundição e suas propriedades eletroquímicas.
Relataram que os principais fatores que influenciam a seleção da liga básica são:
economia, propriedades física, técnicas de fundição, biocompatibilidade e corrosão.
Constataram que a corrosão das ligas metálicas, no processo de deterioração das
restaurações, tanto mecânica quanto elétrica, são as mais importantes, pois podem
provocar efeitos adversos locais e efeitos sistêmicos em estruturas biológicas. A
quantidade de íons metálicos liberados depende da natureza e da força do óxido do
metal e a cavidade bucal um ambiente ideal para a biodegradação de metais,
expondo os indivíduos portadores de prótese metálica aos produtos da corrosão
metálica. Os resultados desse estudo revelaram que a força de corrosão das ligas
muda de acordo com os metais as que compõem.
Hatori et al., (2010) investigaram propriedades mecânicas de diversas
ligas de Titânio Cromo (Ti-Cr). Os autores observaram que o teor de Cromo variou
de 5 a 20%. Para esse estudo, amostras em forma de disco foi obtida de cada liga
para realização de ensaios mecânicos e análise microestrutural. Quantidade de
força (Ys) até 0,2%, resistência à tração (TS), alongamento (EL) e dureza Vickers
(Hv) foram determinados. O TS e YS de Ti-15Cr foram semelhantes aos de Ti-20Cr
em aproximadamente 880 ou 900 MPa e mais elevada do que as de Ti-cp em cerca
de 55%. Entre todas as ligas, as ligas de Ti-Cr e de Ti-10Cr apresentaram o menor
29
EL. A 50 µm abaixo da superfície Hv variou de 370-420. A adição de 15 ou 20% de
Cromo na liga de titânio produziu uma resistência suficiente e valores de
alongamento relativamente elevados. Ao final os autores concluíram que ligas de TiCr com 15 ou 20% de Cromo possuem propriedades mecânicas aceitavéis para
utilização em prótese dentária.
Li et al., (2010) relataram que desde a sua introdução na década de
1970, a liga dental de Pd-Ag para fundição têm sido amplamente utilizadas para
restaurações metalocerâmicas e superestruturas para implantes. Esta escolha se
deve a vários fatores como: resistência, escoamento aceitável, excelente ductilidade
como também alto módulo de elasticidade. Afirmaram que como quase todas as
restaurações são submetidas a forças cíclicas mastigatórias, é necessário
compreender o desempenho das ligas dentárias durante a fundição, principalmente
quanto à fadiga. Afirmam ainda que atualmente, não há padrão para testes de
fadiga de ligas dentais e que as ligas facilmente absorverm os gases
atmosféricos,os quais podem resultar em porosidade substancial das peças
dentárias.
Souza et al., (2010) avaliaram as propriedades microestruturais e
eletroquímicas de ligas Ni-Cr-Mo usadas em prótese dentária após diferentes
processos de refundição. Declarou que as ligas básicas são ligas que contém em
sua composição metais ativo, isto é, metais que têm tendência a se oxidar
retornando a um composto estável como o encontrado na natureza. Entre essas
ligas, as de Ni-Cr contêm 60% a 80% de Ni, 16% a 27% de Cr e 4% a 10% de Mo.
Elementos podem ser adicionados em pequenas quantidades alterando suas
propriedades mecânicas como: dureza e módulo de elasticidade. Relataram que
30
processos corrosivos liberam íons metálicos os quais entram em contato com células
e tecidos. Como esses íons não são biocompatíveis e a quantidade observada foi
alta, o organismo pode ser prejudicado. A composição e a espessura da camada de
óxido também são afetadas após refundições podendo gerar imperfeições e ocorrer
corrosão localizada principalmente em meios salinos. As ligas básicas possuem
temperaturas de fusão muito altas (cerca de 1400°C) e portanto apresenta maior
contração de solidificação que as ligas nobres, além disso, aquelas que possuem
tempo de fusão muito amplo são mais favoráveis à corrosão. Citaram que a prática
de fundir e refundir ligas metálicas ainda representa procedimentos laboratoriais
amplamente usados na fabricação de restaurações odontológicas. Como esses
procedimentos são realizados com pouco ou nenhum controle atmosférico e de
temperatura, ocorrem alterações na microestrutura sendo necessários estudos mais
aprofundados quanto ao processo de refundição. Esse estudo foi realizado in vitro
em meio em meio salino, pH 6 e 37°C, simulando a agressividade do meio bucal. As
ligas foram fundidas em chama aberta usando maçarico e pela indução de forno em
alta freqüência. Em ambos os procedimentos os moldes foram resfriados
naturalmente sem controle atmosférico. As amostras foram removidas do molde e
usinadas na forma cilíndrica e nestas condições utilizadas para as respectivas
análises. Concluíram que diferentes processos de fundição alteram a microestrutura,
o comportamento eletroquímico e dureza das ligas. Observaram também que a
prática de reutilização de ligas diminui os valores de dureza, sendo o pior resultado
nas refundições com maçarico.
Liu at al., (2010) afirmaram que ligas nobres dentárias são comumente
refundidas em laboratório de prótese dentária, mas o efeito de repetidas fundições
31
exige documentação adicional. Esse estudo determinou se a fundição até tres
vezes, afetaria a resistência da união metal/cerâmica para ligas nobres. Para isso,
utilizaram
ligas
de
ouro, ouro-paládio e paládio-prata. Concluíram que as
refundições dos três tipos de ligas nobres avaliados não prejudicaram a resistência
da união metal/porcelana, todavia aumentou a porosidade resultante destas
refundições podendo afetar outras propriedades. Informaram que o derretimento do
metal convencional usado em laboratório de prótese dentaria é uma técnica
sensível, para isso, a experiência e habilidade do operador são importantes para a
fundição ser devidamente cumprida. Porém, este método tem como vantagem ser
menos caro e exige menos manutenção do que as técnicas de derretimento elétrico.
Contudo em algumas máquinas de fundição a liga é aquecida por indução
eletromagnética, não existindo assim a preocupação com o superaquecimento
devido à posição do pirômetro óptico utilizado que determina o tempo da fundição
minimizando alterações em suas propriedades.
Ucar et al., (2011) compararam as propriedades mecânicas de seis ligas
de fundição nobres
e examinaram a fratura após as superfícies serem polidas.
Citaram que o protesista deve considerar o nível de força mastigatória durante a
confecção de uma restauração para selecionar uma liga adequada com base em
suas propriedades mecânicas. Ainda relataram que a maior influência no processo
de fundição quanto à porosidade e a fratura está no cuidado e controle desse
procedimento, portanto é importante conhecer as propriedades mecânicas entre os
tipos utilizados, como o alto módulo de elasticidade, o qual é de suma importante
para o período de duração da prótese onde a deflexão sobre as forças devem ser
minimizadas.
32
4 DISCUSSÃO
Desde a introdução da fundição pelo processo da cera perdida, vários
metais foram testados para fabricação de estrutura e armações de prótese parcial
removível (RODRIGUES et al.,2008). Apesar das ligas básicas em substituição às
ligas nobres (ouro, prata e paládio) terem melhorado e ainda serem bastante
utilizadas, a busca por um metal com propriedades ideais na fabricação de prótese
parcial removível continua sendo uma questão de preocupação.
De acordo com Santos (2009); Dantas (2008) e Nóbilo (1996) a escolha
de uma liga para confecção de estruturas metálicas, deve ser baseada em vários
fatores que ofereçam, primordialmente, biofuncionabilidade, como: resistência ao
desgaste; resistência à corrosão; e biocompatibilidade. Esses autores também são
unânimes em afirmar que para se obter um correto planejamento de prótese parcial
removível, deve-se conhecer as propriedades mecânicas dessas ligas para que
desempenhem
suas
funções
adequadamente.
Para
Dantas
(2008),
esse
conhecimento objetiva determinar as principais modificações ocorridas em suas
propriedades mecânicas e avaliar as alterações microestruturais decorrentes dos
processos de fundição e refundição. Já para Carreiro et al.,(1999), essa análise deve
ser feita somente em bases comparativas e não em termos absolutos, pois não
existe nenhum método estandardizado para determinar ou definir a qualidade de
uma fundição, enquanto Cucci at al., parte I, (1990) afirmam que os métodos
utilizados para avaliar e comparar as propriedades mecânicas das ligas básicas
como as de Co-Cr, geralmente, não traduzem as condições reais de utilização da
prótese.
33
Outras variáveis referentes à escolha da liga também devem ser
consideradas, como sua capacidade em sofrer reutilização. Alguns laboratórios vêm
realizando esse processo com as sobras de fundição para confecção de novas
armações metálicas em busca de novas alternativas com o intuito de diminuir o
custo operacional. Contudo, é sabido que esse tipo de procedimento, dependendo
da quantidade de refundições, torna-se prejudicial para a longevidade e
funcionabilidade da peça confeccionada e que a grande questão é definir até que
ponto este hábito poderá causar danos ao trabalho protético, pois esse processo
pode compromete a resolidificação da liga (DANTAS, 2008; VILLAR, 2008;
HENRIQUES et al., 1997).
Em relação a alguns testes quanto ao número de vezes da
capacidade de uma liga ser refundida, há controvérsias entre alguns autores. Para
Santos (2009) o procedimento de reutilização da liga de ouro já era uma prática
bastante difundida e as variações das propriedades mecânicas das ligas
remanescentes eram imperceptíveis. Já Bombonatti et al., (1988), a fluidez das ligas
em cobre e alumínio, não é influenciada pelas fundições repetidas em número de até
quatro quando é realizada em máquina de fundição elétrica. Para Ayad at al., (2008)
e Henriques at al., (1997) é possível a reutilização de ligas de Co-Cr sem
comprometer as propriedades físicas entre as fundições em até quatro vezes,
todavia, sugerem misturar a liga a ser reutilizada com liga nova na mesma
proporção.
Villar (2008) relata que um número de refundições maior que cinco
vezes no metal de Ni-Cr-Mo-Ti, causaria modificações macroscópicas tornando o
metal opaco, escurecido e falhas estruturais, sendo contra-indicado para uso
odontológico.
Porém o mesmo autor constatou que esse fato é de grande
importância para a odontologia, por possibilitar uma maior economia nos laboratórios
34
de prótese dentária através da reutilização de ligas sem prejuízo na qualidade das
restaurações protéticas, além de contribuir para diminuir a degradação do meio
ambiente através da reciclagem de material. Já Dantas (2008) confirma que alguns
efeitos da refundição da liga em Co-Cr podem ocorrer quando existe acréscimo ou
não de liga virgem. De um modo geral, os estudos vêm mostrando alterações na
plasticidade e energia de fratura da liga após sucessivas refundições, decorrentes
principalmente da crescente presença de poros e vazios e que o mais recomendado
é a utilização de no máximo duas refundições para que as propriedades do material
não sejam comprometidas (SANTOS, 2009; BOMBONATTI et al., 1988; AYAD et al.,
2008; HENRIQUES et al., 1997; VILLAR, 2008; DANTAS, 2008).
Vários estudos foram realizados verificando os tipos de deficiências que
podem ocorrem com as próteses parciais removíveis devido às possíveis alterações
dimensionais durante as fundições e a fratura de alguma parte da prótese durante o
uso clínico em conseqüência da fadiga. Para Nóbilo (1996), a microporosidade
devido à contração de fundição na microestrutura é a principal causa da fratura. Já
Rodrigues (2005) observou que o fracasso do trabalho protético se dava por
ocorrência de porosidades. Contudo para Vergani et al.,(1994) o maior responsável
pela fratura em prótese parcial removível é a deficiência de algumas propriedades
mecânicas, como ductibilidade. Ucar et al., (2011) informa que a maior influência no
processo de fundição quanto à porosidade e a fratura estão no cuidado e controle
desse procedimento. O que está de acordo com os estudos de Liu et al., (2010) que
confirmam a necessidade de experiência e habilidade do operador para que a
fundição seja devidamente cumprida. No entanto autores como Merotti & Navarro
(2003) e Nóbilo (1996) declararam que as duas maiores deficiências que ocorrem
35
com essas próteses são possíveis alterações dimensionais durante a fundição e
fratura por fadiga durante uso clínico.
Apesar das ligas básicas terem melhorado e ainda serem bastante
utilizadas, a busca por um material com propriedades ideais ainda continua sendo
uma questão preocupante. Para Rodrigues et al.,(2008) o uso do titânio
comercialmente puro para fabricação de estruturas metálicas em prótese parcial
removível tem aumentado gradualmente. Estes estudos foram confirmados por
Bridgemana et al., (1997) e Oliveira Jr. (2000), que afirmaram que o Titânio
apresenta propriedades físicas biocompatíveis excelentes e que essa liga possui
características e indicações cada vez mais freqüente na clínica odontológica. Em
contra partida, Villar (2008) declarou que apesar do Titânio ser o tipo de liga mais
utilizada em implantes maxilofaciais, a sua utilização ainda encontra bastante
resistência dos laboratórios de prótese dentária devido a aspectos particulares do
seu método de fusão. Esta observação está de acordo com Rodrigues et al., (2008),
que também relata existir dificuldades em relação às máquinas de fundição,
necessitando de experiência tecnológica, como também se observa freqüentemente
porosidades e moldes inadequados com o uso dessa liga, sugerindo mais estudos
para confirmar sua viabilidade a longo prazo.
Aspectos como resistência à corrosão também devem ser considerados
na escolha do metal como base de prótese dentária, pois a longevidade do trabalho
protético pode sofrer interferência das constantes variações das propriedades
mecânicas que estão sujeitas ao meio bucal. Horasawa e Merek (2004) confirmaram
que repetidas fundições têm um efeito prejudicial sobre o comportamento corrosivo
da liga como base para prótese dental e observaram que a reutilização teve a
densidade de corrosão dramaticamente aumentada após a quinta refundição. Já a
36
microestrutura mostrou crescimento de grãos com severa degradação das
propriedades. Já Ayad et al., (2008) informaram que a combinação de uma liga nova
com metal fundido pode ter efeito negativo sobre o comportamento corrosivo da liga
e sua importância se deve a possíveis alterações orais como ações galvânicas que
podem causar uma série de reações como gosto metálico, dor oral, sensibilidade,
alergias, e outras reações tóxicas.
Em estudos realizados nos grampos das próteses parciais removíveis,
Bridgemana et al., (1997) confirmam que grampos confeccionados com liga de
titânio permitem ser colocados em áreas extremamente retentivas, sem aplicação de
cargas excessivas ao dente pilar durante a inserção e remoção da prótese,
favorecendo sobremaneira a estética da peça. Os mesmos autores ainda
confirmaram que grampos confeccionados com liga de Titânio apresentaram menor
perda de retenção que os grampos confeccionados com a liga de Co-Cr. Em contra
partida, Vallitu e Kokkonen, (1995), confirmaram em seu estudo que a maior
resistência à fadiga foi para as ligas de Co-Cr e ouro e menor para a liga de Ti cp e
Ti-6Al-4V. Isso também foi confirmado por Rodrigues et al., (2002) quando
comparou grampos de Ti cp com grampos de Co-Cr mostrando que estes não
apresentaram porosidades em relação aqueles e isso pode ter ocorrido por
problemas na fundição. Estudos realizados com período de longevidade de cinco
anos mostraram que os grampos de Ti cp obtiveram força de retenção inferior aos
de Co-Cr e que sua biocompatibilidade notável, o baixo módulo de elasticidade
fazem com que o titânio seja mais resistente e mais semelhante ao ouro.
37
5 CONCLUSÃO
De acordo com a revisão da literatura pode-se concluir que:
1. Reutilização das ligas na confecção das armações metálicas em
prótese parcial removível tem efeito prejudicial sobre o comportamento corrosivo da
liga;
2. Microporosidades, ductibilidade deficiente, falta de cuidado e controle
no procedimento de fundição, bem como inexperiência do operador, são as maiores
causas de fratura em prótese parcial removível;
3. A reutilização de ligas, em especial a de Cobalto-Cromo, em prótese
parcial removível é possível, desde que haja acréscimo de liga nova na mesma
proporção da liga a ser reutilizada evitando o comprometimento das propriedades do
material entre as fundições.
38
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