Conversão de Motores Diesel para Combustíveis Indutores de Menores Emissões Jorge Mendonça e Costa Consultor da Cogen Portugal / Prof. Coordenador (ISEL) Conteúdo 1. Motivação 2. Funcionamento e aspectos construtivos de motores Diesel 3. Caracterização das emissões de motores de combustão interna 4. Combustíveis com menor impacto ambiental 5. Levantamento do parque de Motores Diesel existente 6. Tipificação das unidades passíveis de conversão 7. Levantamento das diferentes tecnologias utilizadas na conversão de motores Diesel 8. Análise económica da conversão de motores 9. Simulador 10. Conclusões Motivação Fonte: WÄRTSILÄ 1. Parque importante de motores Diesel longe do termo de vida útil; 2. Equipamento, na maior parte dos casos, já amortizado; 3. Impacte ambiental e custo associado; 4. Equipamento com rendimento térmico elevado. Componentes de um motor Diesel colectores de escape injector câmara de combustão êmbolo camisa admissão de ar biela cabeça do motor alimentação de combustível circuito de refrigeração câmara de pleno árvore de cames cambota bloco do motor cárter Fonte: WÄRTSILÄ bomba de injecção Emissões em Motores Alternativos (Diesel e Otto) 1. Dióxido de carbono (CO2) 2. Monóxido de Carbono (CO) 3. Óxidos de Azoto (NOx) 4. Óxidos de Enxofre (SOx) 5. Compostos orgânicos voláteis (COV) 6. Partículas O Decreto‐Lei nº 78/2004 de 3 de Abril “estabelece o regime da prevenção e controlo das emissões de poluentes para a atmosfera, fixando os princípios, objectivos e instrumentos apropriados à garantia da protecção do recurso natural ar, bem como as medidas, procedimentos e obrigações dos operadores das instalações abrangidas”. A Portaria 677/2009 de 23 de Junho fixa os Valores Limite de Emissão (VLE) aplicáveis às instalações de combustão abrangidas pelo Decreto‐Lei 78/2004, nomeadamente no que concerne a motores de combustão interna (motores alternativos). Emissões de Óxidos de Azoto (expresso como NO2 em mg/Nm3 para um teor de O2 de 15%) Potência Térmica (MWth) Combustíveis Líquidos N ≥ 750 rpm N < 750 rpm Motores de ciclo Diesel Pth ≥ 50 MWth 400 (440) 450 (495) 20 MWth ≤ Pth < 1500 (1650) 1650 (1815) 50 MWth Pth < 20 MWth 1750 (1925) 1900 (2090) Motores de ciclo Otto Pth ≥ 20 MWth 500 (550) 500 (550) Pth < 20 MWth 500 (550) 500 (550) Combustíveis Gasosos (*) 150 (165) (*) 500 (550) (*) 500 (550) 300 (330) 350 (385) (*) Considerando queima dual em modo combustível gasoso Valores em parêntesis – valores majorados em 10% para o caso de motores de combustão interna integrados em centrais de cogeração (nº 1 do art.º 6º da Portaria 677/2009 de 23 de Junho) φ = (F / A) (F / A)esteq. Emissões em Motores Alternativos (Diesel e Otto) Ciclo Otto Fonte: Heywood, J.B, “Internal Combustion Engine Fundamentals”, McGraw Hill, 1988 Ciclo Diesel Medidas de mitigação (combustão estratificada) Fonte: Wärtsilä Engine Technology SCR – Selective Catalytic Reduction Fonte: Wärtsilä Características do gás natural distribuído em Portugal Gás Natural (Portugal) Constituinte Metano (CH4) Etano (C2H6) Propano (C3H8) i – Butano (C4H10) n – Butano (C4H10) i – Pentano (C5H12) n – Pentano (C5H12) n – Hexano (C6H14) Azoto (N2) Dióxido de Carbono (CO2) Σ Massa molar (kg/kmol) Massa volúmica (kg/m3(n)) Densidade relativa Poder calorífico superior Poder calorífico inferior Índice de Wobbe (c/ base pcs) Gasoduto Magreb mol (%) 87,885 8,056 1,378 0,108 0,158 0,022 0,018 0,020 1,088 1,266 99,999 18,192 0,8141 0,6297 MJ/m3 (n) 42,47 38,39 53,52 Terminal de SINES mol (%) 92,215 4,841 2,111 0,360 0,381 0,018 0,003 0,000 0,071 0,000 100,000 17,646 0,7897 0,6107 MJ/m3 (n) 43,21 39,05 55,30 Levantamento do parque existente 1. Realizadas 28 visitas a instalações com motores Diesel; 2. Elaboração de uma ficha de especificações para recolha de informação; 3. Salvaguarda de informação sensível (i.e. identificação da instalação); Conteúdo das fichas de especificações 1. Identificação da Instalação • Localização geográfica e caracterização do local, incluindo temperatura média ambiente; • Sector empresarial; • Potência instalada; • Ano de arranque. 2. Especificações da Instalação • Quantidade de Motores Diesel instalados; • Marca e modelo; • Potência unitária dos grupos geradores; • Sistemas de recuperação de calor (tipo, potência térmica, temperaturas de escape, circuitos de água de baixa e alta temperatura, etc.). 3. Dados operacionais • Número total de grupos geradores em funcionamento; • Regime de funcionamento; • Produção média anual de electricidade no período 2005‐ 2010; • Tipo de fuelóleo consumido e consumo médio anual no período 2005‐2010; • Emissões médias (NOx, SOx, Partículas); • Manutenção dos grupos geradores. 4. Diversos • Disponibilidade de gás natural no local e características de fornecimento; • Potencial de consumo adicional de energia térmica (vapor, água quente, gases quentes). 5. Outra informação relevante. Ficha de especificações (layout típico) Fichas de especificações (Resumo) Nº 1 2 3 4 6 7 8 9 10 11 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 26 27 28 5 12 25 8 DISTRITO PORTO LISBOA SANTARÉM BRAGA SETÚBAL SETÚBAL PORTO AVEIRO BRAGA BRAGA BRAGA BRAGA AVEIRO AVEIRO AVEIRO PORTO AVEIRO BRAGA AVEIRO BRAGA V. CASTELO VISEU LISBOA LISBOA SANTARÉM BRAGA PORTO PORTO SETÚBAL VISEU COIMBRA PORTO LISBOA PORTO SANTAREM CONCELHO SANTO TIRSO ALENQUER ALMEIRIM FAMALICÃO BARREIRO MONTIJO S. TIRSO V. CAMBRA GUIMARÃES GUIMARÃES GUIMARÃES BARCELOS OVAR ESTARREJA ESTARREJA AMARANTE ANADIA GUIMARÃES S. M. FEIRA GUIMARÃES BARROSELAS NELAS T. VEDRAS T. VEDRAS TORRES NOVAS GUIMARÃES MATOSINHOS MATOSINHOS PAPEIS INAPA, SA (2) MANGUALDE O. HOSPITAL S. TIRSO V. F. XIRA V. CONDE ALCANENA Sector Act. TÊXTIL CERÂMICA ALIMENTAR TÊXTIL ALIMENTAR CORTIÇA TÊXTIL EMBALAGENS TÊXTIL TÊXTIL TÊXTIL TÊXTIL ALIMENTAR QUIMICA QUIMICA SERVIÇOS CERÂMICA TÊXTIL PAPEL TÊXTIL CERÂMICA MADEIRA ALIMENTAR ALIMENTAR ALIMENTAR TÊXTIL MADEIRA MADEIRA PAPEL MADEIRA MADEIRA TÊXTIL VIDRO TÊXTIL CORTUMES MARCA KRUPP‐MAK SULZER MAN ‐ B&W Man WÄRTSILÄ KRUPP‐MAK SULZER KRUPP‐MAK WÄRTSILÄ WÄRTSILÄ KRUPP‐MAK KRUPP‐MAK SULZER WÄRTSILÄ MITSUBISHI WÄRTSILÄ WÄRTSILÄ SULZER MAN (BAZIN) WÄRTSILÄ WÄRTSILÄ WÄRTSILÄ SULZER MAN MAN SULZER SULZER SULZER SULZER WÄRTSILÄ WÄRTSILÄ SULZER WÄRTSILÄ KRUPP‐MAK MAN MODELO 12M453C 8ZAL40S 9L32/40 9L32/41 W18V32D 9M32 6ZAL40S 12M453C W18V32D W16V32D 6M32 12M453C 12ZAL40S W9R32D 18KU30 W16V32D W16V32D 6ZAL40S 8L40/45 W18V32D W12V32D W18V32D 6ZAL40S 8L32/40 9L32/40 6ZAL40S 8ZAL40S 16ZAL40S 12ZAV40S W18V32D W16V32D 6ZAL40S W18V32D 12M453C 7L32/40 Nº CILIND. 12 8 6 12 18 16 12 18 18 6 8 18 36 6 8 6 16 16 500 18 16 8 18 12 7 RPM 600 500 750 750 750 600 500 600 750 750 600 600 500 750 750 750 750 500 600 750 750 750 500 750 750 500 500 500 500 750 750 500 750 600 750 RPM 600 500 750 750 750 600 500 600 750 750 600 600 500 750 750 750 750 500 600 750 750 750 500 750 750 500 500 500 500 750 750 500 750 600 750 TPF 1 1 1 1 1 1 1 1 TP TP 1 1 DATA ARRANQUE 1994 1994 1998 1998 1997 1998 1995 1994 1994 1993 1997 1996 1996 1994 1994 1997 1997 1996 1996 1996 1997 1994 1994 1996 1997 1994 1994 1999 1997 1993 1992 1993 1993 1995 1996 UNID. INST. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 POT. E. UNIT. [MWe] 4,24 5,63 3,82 3,82 6,51 4,17 4,18 4,24 6,51 5,70 2,76 4,24 8,29 3,26 5,65 5,78 4,20 4,18 5,23 6,51 4,27 6,51 4,60 3,40 3,82 4,18 5,58 11,15 8,64 6,33 6,16 4,18 6,51 4,24 3,07 POT. GLOBAL [MWe] 4,24 5,63 3,82 3,82 6,51 4,17 4,18 4,24 6,51 5,70 5,53 4,24 8,29 6,52 5,65 5,78 4,20 4,18 5,23 6,51 4,27 13,02 4,60 3,40 3,82 4,18 5,58 11,15 8,64 6,33 6,16 4,18 6,51 4,24 3,07 Unidades Diesel para conversão e/ ou substituição completa por novas unidades a gás Tipo de Unidade Número Wärtsila 32 10 MAK 32/40 9 Sulzer 8 MAN L32/40 n/d Pielstick 2 Mitsubishi 1 • Motor Dual‐Fuel – Pode funcionar à sua máxima carga com quantidades diminutas de combustível líquido para promover a ignição da carga do cilindro. O combustível líquido, gasóleo (GO) ou fuelóleo pesado (HFO), assegura menos de 15% da energia necessária por ciclo e os restantes 85% da energia necessária provém do gás natural; • Motor Bi‐Fuel – A energia por ciclo proveniente do gás é da ordem dos 65% enquanto os restantes 35% da energia necessária provém do combustível líquido (i.e. GO ou HFO). HFO – Heavy Fuel Oil Poluentes nos gases de escape de um motor a operar em modo Diesel e modo Dual‐Fuel (66% Gás natural+34% HFO) Modo de Operação COV (g/kWh) NOx (g/kWh) PM10 (g/kWh) 100% Diesel 9,517x10‐2 4,636 2,583x10‐1 66% Gás Natural + 34% HFO 4,215x10‐1 3,916 1,632x10‐1 Análise Económica da Conversão de Motores Diesel 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Potência eléctrica da instalação em kW; Consumo específico da instalação g/kWh; Número de horas de funcionamento por ano; Preço do combustível HFO em €/kg; Preço do combustível gasoso em €/Nm3; Taxa de substituição de HFO por Gás Natural em %; Custo da conversão; Custos de manutenção. Casos de estudo considerados na conversão de Motores Diesel 1. Conversão integral de um motor Diesel para motor a gás (ciclo Otto); 2. Conversão de um motor Diesel para queima dual‐ fuel, mantendo a possibilidade de queima de fuelóleo pesado. Fonte: MAN TecnoVeritas Conversão de Motores Diesel ‐ Dados de input • Propriedades dos combustíveis: Despacho 17313/2008 do Diário da República 2ª série, nº 122 de 26 de Junho. • Consumo específico: Com base nos rendimentos eléctricos típicos dos motores Diesel instalados em Portugal (ηe = 40 a 45%) é possível determinar o “heat rate” (taxa de calor) e com base no poder calorífico inferior do combustível utilizado obtém‐ se o consumo específico do motor expresso em g/kWh. Conversão de Motores Diesel ‐ Dados de input • Rendimento da cogeração: Rendimento típico da geração de calor alternativa ‐ ηt = 85 a 95%, baseado no pci do combustível; Valorização de energia térmica ‐ a produção de energia é realizada a partir de gás natural com um preço idêntico ao que será utilizado no motor após conversão; Aumento do rendimento da cogeração ‐ melhor aproveitamento do calor dos gases de escape do motor (ponto de orvalho dos fumos mais baixo); Caudal típico de gases de escape – 1 a 2 kg/s/MW; Calor específico dos gases de escape – 1,1 a 1,2 kJ/kg.°C Conversão de Motores Diesel ‐ Dados de input • Consumo de óleo lubrificante: Consumo de óleo lubrificante ‐ 1,2g/kWh; É possível contabilizar uma diminuição de 50% no consumo de óleo após conversão; Assumiu‐se que o preço do lubrificante ascende a 2€ / kg. • Custos de manutenção: Motor Diesel ‐ 0,011 a 0,012 €/kWh; Motor a gás ou dual fuel ‐ 0,008 a 0,009 €/kWh. Conversão de Motores Diesel ‐ Dados de input • Tarifa de energia eléctrica: Simulador de cálculo da tarifa de energia eléctrica Decreto‐ Lei nº 313/2001 de 10 de Dezembro e respectivas Portarias (i.e. Portarias 57, 58, 59, 60/2002 de 15 de Janeiro) www.cogenportugal.com; Valor médio de venda de energia eléctrica à rede ‐ 110 €/MWh • Preço do fuelóleo e gás natural: Fuelóleo ‐ 52€/kg (46,14 €/MWh); Gás natural ‐ 40 €/MWh. Conversão de Motores Diesel ‐ Dados de input • Factores de emissão* e valorização do CO2: Fuelóleo ‐ 77 kg CO2e/GJ (278,28 g CO2e/kWh); Gás natural ‐ 64,1 kg CO2e/GJ (230,76 g CO2e/kWh); Valorização do CO2 – 20 €/t CO2. * Despacho 17313/2008 do Diário da República 2ª série, nº 122 de 26 de Junho. Custos de Conversão de Motores Diesel • Diesel – Ciclo Otto (100% GN) – 250 a 350 €/kW (Wärtsilä); • Diesel – Dual‐fuel (95% GN + 5% gasóleo) – 190 a 300 €/kW (MAN); • Diesel – Dual‐fuel (95% GN + 5% gasóleo / 100% HFO) – 400 €/kW (Wärtsilä); • Diesel – Bi‐fuel (70% GN + 30% HFO) – 80 a 100 €/kW (TecnoVeritas). Conversão Integral: Motor Diesel ‐ Motor a gás (ciclo Otto) TIR Projecto 27,96% Conversão de um motor Diesel para motor Bi‐Fuel TIR Projecto 89,88% Conclusões • Existência de um parque interessante de motores Diesel com potencial de transformação para gás natural e/ou gás natural + fuelóleo; • Contenção de custos de investimento propiciando recurso a capitais próprios num momento em que o acesso ao crédito está estrangulado; • Impacte ambiental favorável e futura diminuição dos custos com aquisição de licenças de emissão de CO2; • Manutenção em funcionamento de equipamento que se encontra ainda longe do término da sua vida útil; • Dinamização de um mercado de transformação de motores com players nacionais.