Telefonia IP: QoS e Interconexão com a Rede Pública Comutada
O conteúdo deste tutorial foi obtido do artigo de autoria do Bruno Lima Wanderley e do Renato Moraes dos
Santos para a etapa de classificação do I Concurso Teleco de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC)
2005.
Este estudo trata da tecnologia VoIP (Voice over IP) e sua aplicação em serviços de comunicação de Voz,
dando ênfase aos aspectos de Qualidade de Serviço (QoS) e interconexão com a Rede Telefônica Pública
Comutada (RTPC).
Bruno Lima Wanderley
É Engenheiro de Telecomunicações pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM, 2007), e
Mestrando em Engenharia de Telecomunicações na Universidade Federal Fluminense, atuando na sub-linha
de pesquisa Comunicação de Dados Multimídia.
É também integrante do Grupo de Pesquisas em Redes Mesh da Universidade Federal Fluminense, e
Administrador do Laboratório de Comunicação de Dados Multimídia – MidiaCom.
Atuou como Monitor de Laboratório de Informática da Organização Paraense Educacional, executando as
atividades de suporte ao usuário em plataforma Linux e seus aplicativos.
Atualmente é Estagiário de Tecnologia da Entelc Engenharia Ltda, atuando em sistemas de Voz Sobre IP,
Redes de Computadores e Sistemas de Telefonia Privada (PABX).
Email: [email protected]
Renato Moraes dos Santos
Cursa o 4º ano de Engenharia de Telecomunicações no Instituto de Estudos Superiores da Amazônia
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(IESAM).
Atuou como Estagiário no IESAM, na função de Monitor de Laboratório, executando atividades de suporte
à alunos e professores, sendo também responsável pelo laboratório de informática.
Foi também selecionado para a fase classificatória do I Concurso Teleco de Trabalhos de Conclusão de
Curso (TCC) 2005.
Email: [email protected]
Categoria: VoIP
Nível: Introdutório
Enfoque: Técnico
Duração: 15 minutos
Publicado em: 28/08/2006
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Telefonia IP: Introdução
A Comunicação de Voz em Redes IP , chamada de VoIP, consiste no uso das redes de dados que utilizam o
conjunto de protocolos das redes IP (TCP/UDP/IP) para a transmissão de sinais de Voz em tempo real na
forma de pacotes de dados.
A sua evolução natural levou ao aparecimento da Telefonia IP, que consiste no fornecimento de serviços de
telefonia utilizando a rede IP para o estabelecimento de chamadas e comunicação de Voz. A voz sobre o
protocolo IP por si só não satisfaz todas as necessidades já que a Rede Pública de Telefonia Comutada
comporta, por enquanto, a grande maioria dos usuários.
Desta forma é necessário fazer com que as duas se interliguem até que a transição, que está em processo
embrionário, conclua com a totalidade da tecnologia VoIP mantendo a mesma qualidade de serviço (QoS) da
segunda citada.
Vale salientar que todos os tópicos deste trabalho são baseados no protocolo H.323, regulamentado pela ITU
citando também o protocolo SIP criado mais recentemente, mas não sendo o protocolo padrão da entidade
citada.
Telefonia sobre o Protocolo IP
A Telefonia IP suporta chamadas de telefones convencionais para computadores e vice-versa (dependendo
da disponibilidade da operadora de telefonia IP), sendo um passo significativo para interconexão de redes de
voz e dados. Uma ligação é direcionada através da RPTC ao gateway mais próximo, convertendo o sinal
analógico para pacotes IP encaminhado através da Internet ao gateway de destino.
Figura 1: Topologia PC-Telefone-Internet.
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Nas redes IP os pacotes de dados com informação de Voz são enviados de forma independente, procurando
o melhor caminho para chegar ao seu destino, de forma a usar com maior eficiência os recursos da rede. Os
pacotes de dados associados a uma única origem de comunicação de Voz podem, portanto, seguir caminhos
diferentes até o seu destino, ocasionando atrasos, alteração de seqüência e mesmo perda desses pacotes.
A tecnologia desenvolvida para a comunicação VoIP, implementada através dos novos protocolos, assegura
a reordenação dos pacotes de dados e a reconstituição do sinal original, compensando o eco decorrente do
atraso fim-a-fim dos pacotes de dados, o jitter e a perda de pacotes.
Estes novos protocolos funcionam como aplicações específicas sobre o protocolo IP para prover
comunicação em tempo real e sinalização de chamadas para as aplicações de Voz. Esses protocolos são
executados por máquinas existentes nas redes IP (roteadores, switches) e por novos elementos que
complementam a arquitetura dos sistemas de Telefonia IP.
A estrutura básica de uma solução em telefonia IP começa pela Rede IP, que é uma rede de dados que
utiliza os protocolos TCP/IP , tendo como função básica transportar e rotear os pacotes de dados entre os
diversos elementos conectados a rede.
O terminal telefônico IP é o telefone preparado para a comunicação de Voz em redes IP. Tem todas as
funcionalidades e protocolos necessários instalados para suportar comunicação bidirecional de Voz em
tempo real e a sinalização de chamadas entre outro terminal telefônico IP, gateway e Multipoint Control
Unit , sendo responsável pela conferência, terminal multimídia, call centers e videoconferência.
Como elemento de interconexão com a Rede de Telefonia Fixa Comutada e PABX, o gateway executa a
conversão de mídia em tempo real (Voz analógica x Voz digital comprimida) e a conversão de sinalização
para as chamadas telefônicas. O controle efetivo das chamadas em andamento é executado pelo Gateway
Controller .
Gatekeeper é o equipamento responsável pelo gerenciamento de um conjunto de equipamentos dedicados a
telefonia IP, quais sejam: Telefone IP, Terminal Multimídia, Gateway , Gateway Controler e Multipoint
Control Unit . Suas principais funções são: executar a tradução de endereçamento dos diversos
equipamentos convertendo os "apelidos" dos terminais em endereços IP , controlar o acesso dos
equipamentos à rede dentro de sua Zona, e controlar a banda utilizada limitando-a para uma fração do total
disponível.
Outras funcionalidades opcionais podem ser adicionadas, entre elas: autorização de chamadas, localização
de Gateway , gerenciamento de banda, serviços de agenda telefônica (lista) e habilidade de rotear chamadas
tendo um controle mais efetivo. Provedores de serviço precisam deste controle para faturar chamadas
registradas pela sua rede.
Este serviço também pode ser usado para redirecionar uma chamada caso a estação de destino esteja
indisponível. Além disso, o Gatekeeper é capaz de ajudar nas decisões que envolvam balanceamento de
Gateways múltiplos, roteando-os. O conjunto de terminais, Gateways e Multipoint Control Units
gerenciados por um único Gatekeeper é denominado Zona.
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Telefonia IP: Codificação de Voz
Digitalização e Otimização dos Sinais de Voz (QoS)
Nos sistema de transmissão de Voz sobre IP, onde a demanda por banda é crítica, torna-se necessário utilizar
também algoritmos de compressão do sinal de Voz. Esses algoritmos têm papel relevante pela economia de
banda que proporcionam.
O seu uso tem sido possível graças ao desenvolvimento dos processadores de sinais digitais (DSP's), cuja
capacidade de processamento tem crescido vertiginosamente.
Estas necessidades incentivaram o desenvolvimento de tecnologias mais complexas para a digitalização e
compressão de Voz, e que foram registradas através de recomendações do ITU-T.
Para que se tenha uma boa qualidade da voz faz-se necessário mecanismos para o controle dessa qualidade.
Os principais problemas são:
Atraso fim-a-fim
Variação do atraso
Perdas e erros em pacotes
As redes de VoIP usam cinco pilares básicos para conservar a largura de banda e melhorar a prioridade, que
são:
Prioritization: os pacotes de dados são divididos em segmentos pequenos, permitindo que os pacotes
de voz de uma prioridade mais elevada sejam emitidos primeiro. Em cada gateway , a fila da voz é
verificada, e o tráfego da Internet é emitido somente quando a fila da voz está vazia. O protocolo que
foi usado inicialmente para reservar recursos da rede foi RSVP (protocolo do reserva de recurso).
RSVP requer uma aplicação para pedir uma reserva para recursos da rede, e pode negar a admissão se
os recursos forem insuficientes.
Jitter: são as irregularidades de intervalos de tempos entre a chegada da voz, ou seja, é a variação no
intervalo entre as chegadas de pacotes introduzidos pelo comportamento aleatório na rede. Para evitar
os efeitos do jitter , o equipamento deve segurar os pacotes que chegam por um tempo especificado,
dando tempo subseqüente dos pacotes chegarem e caber ainda em uma compressão natural da voz.
Um método para controlar esse problema é adicionar um buffer na recepção que acrescenta um atraso
determinado, de tal forma que o atraso total experimentado pelo pacote, incluindo o atraso extra
gerado pelo buffer seja igual ao máximo atraso possível na rede.
Voice Compression: permite que a rede de switching de pacote seja carregada mais eficazmente em
uma combinação da voz e dos dados sem qualidade, comprometendo a qualidade da voz. Entretanto, o
maior sinal de voz é comprimido a menor qualidade.
Silence Compression: em uma conversação por telefone, somente aproximadamente 50% das
conexões são usadas em todo o tempo. Isto é porque, normalmente, somente uma pessoa fala quando
a outra pessoa escuta. Os pacotes da voz não são emitidos durante pausas de conversação. A banda é
usada para outra voz ou para transmissão de dados. Na aplicação de técnicas de detecção e supressão
de silêncio nas transmissões de VoIP o objetivo não é conseguir aumentar a banda de transmissão ou
romper os seus limites, mas sim, fazer com que se aproveite melhor o espaço existente na mesma.
Echo Cancellation: melhorar a qualidade da transmissão de voz para eliminar o eco que resulta na
reflexão de sinal da telefonia atrás de quem está fazendo a chamada. Um cancelador de eco é um
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componente de um gateway de voz que reduz o nível de eco retornado através do caminho do
receptor (vindo do gateway de fora para o circuito) para o caminho do transmissor (vindo do circuito
para o gateway ).
Os principais mecanismos que fazem o controle da qualidade da voz são:
FEC (Forward Error Correction): trabalham adicionando dados extras ao fluxo original para que o
receptor possa recuperar dados perdidos na transmissão.
Figura 2: Mecanismo de funcionamento do FEC.
Bufferização : Procura eliminar o efeito causado pelo jitter na transmissão.
Intercalação: Redução do efeito de perdas. Nessa técnica, as unidades de mídia são
ressequencializadas antes de serem transmitidas, separando-se em unidades adjacentes para garantir
que estarão distantes dentro do fluxo de pacotes, dispersando o efeito da perda. Essa técnica é
utilizada quando o tamanho da unidade da mídia é menor do que o pacote de dados.
Retransmissão de pacotes: A retransmissão dos pacotes é utilizada somente quando há uma rede com
disponibilidade elevada.
Ressequenciamento: Procura evitar que segmentos contíguos de voz sejam perdidos devido ao
congestionamento da rede.
Inserção: Preenchimento do tempo quando os pacotes são perdidos (com ruídos gaussianos ou com
"silêncio").
Interpolação: Desempenho superior aos anteriores, porém, requer mais processamento pelo fato de
basear-se no uso da similaridade de padrão entre pacotes e interpolação de unidades de dados, para
obter um pacote semelhante ao perdido.
Regeneração: São técnicas dependentes de Codecs , valendo-se de conhecer o algoritmo de
compressão da voz para derivar parâmetros de Codec, sintetizando o áudio de um pacote perdido.
Codificadores
A codificação da voz é feita a partir de equipamentos denominados CODEC (coder/decoder), este
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equipamento além de converter sons analógicos em digitais e vice-versa, também efetua compressão e
descompressão do sinal digital.
Os codificadores classificam-se em:
Codificadores de forma de onda : codifica o sinal considerando apenas a sua forma de onda,
desprezando qualquer outra característica. Possuem uma qualidade muito boa, mas uma taxa de
transmissão muito alta.
Codificadores de fonte ou paramétricos : codifica o sinal considerando apenas a fonte como este foi
gerado. No caso da voz, a fonte é o próprio trato vocal da pessoa que fala. Possuem uma qualidade
muito ruim, mas uma taxa de transmissão muito baixa.
Tabela 1: Principais codecs utilizados em VoIP (Fonte: PETIT, 2002).
Atraso típico
fim-a-fim (ms)
<<1
Excelente
Sub-banda ADPCM 48; 56; 64
<<2
Boa
G.723.1
ACELP MP-MLQ
5,3; 6,3
67-97
Razoável\Boa
G.726
ADPCM
16; 24; 32; 40
60
Boa (40), Razoável (24)
G.727
AEDPCM
16; 24; 32; 40
60
Boa (40), Razoável (24)
G.728
LD-CELP
16
<<2
Boa
G.729
CS-ACELP
8
25-35
Boa
Recomendação
ITU-T
G.711
PCM
G.722
Algoritmo
Bit rate (kbit/s)
48; 56; 64
Qualidade de Voz
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Telefonia IP: Protocolos e Internet
H.323 Packet Based Multimedia Communications Systems
O padrão H.323 é um conjunto de protocolos verticalizados para sinalização e controle da comunicação
entre terminais que suportam aplicações de áudio (Voz), vídeo ou comunicação de dados multimídia.
Os pacotes de dados H.323 acrescentam cabeçalho com marcação do tempo e informações de transmissão
permitindo a reordenação dos pacotes e eliminação de pacotes duplicados, sincronize áudio e vídeo, tornado
possível uma comunicação contínua com atrasos aceitáveis.
Tabela 2: Comparação dos protocolos H.323 e SIP (Fonte: GRUPO MULTIMIDIA, 2005e).
Assunto
H.323
SIP
Desenvolvedores
ITU-T
IETF
Compatibilidade com RTPC
Grande
Maior
Compatibilidade com Internet
Não
Sim
Sinalização
Sim
Sim
Formato mensagem
Binário
ASCII
Transporte de mídia
RTP/RTCP
RTP/RTCP
Conferências multimídia
Sim
Não
Chamadas multiparticipante
Sim
Sim
Endereçamento
Máquina ou nº. do telefone
URL
Terminação da chamada
Explicita ou por terminação TCP
Explicita ou por timeout
Criptografia
Sim
Sim
Rede no mundo
Disponível Universalmente
Em expansão
Real-Time Transport Protocol (RTP)
O protocolo RTP, é o principal protocolo utilizado pelos terminais, em conjunto com o RTCP, para o
transporte fim-a-fim em tempo real de pacotes de mídia (Voz) através de redes de pacotes.
Cenários de aplicação do RTP:
Audioconferência multicast: Técnica de entregar informações aos usuários um para vários ou vários
para vários. Dispositivos como hubs, switches devem participar das trocas de informação. O
desempenho do sistema inteiro depende do desempenho da rede.
Videoconferência: Discussões em grupo ou de vários para vários como se estivessem no mesmo local.
Os dados de áudio e vídeo são transportados separadamente em sessões RTP. A separação é
necessária para permitir que cada participante da conferência receba apenas um tipo de mídia a sua
escolha.
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Tradutores: O protocolo RTP suporta o uso de tradutores e mixers para modificar o pacote do fluxo
RTP. Tradutores são usados para mudar o tipo de payload (formato do arquivo). Se o usuário mantiver
uma videoconferência em MPEG com 1.5Mbit/s e o outro participante está conectado a 1Mbit/s
talvez essa largura de banda seja insuficiente para a transmissão em tempo real sendo necessária a
troca do formato de vídeo para outro de tamanho menor (h.261, com 256Kbit/s).
Mixers: A função do mixer e ressincronizar pacotes de áudio para reconstruir seqüências que foram
enviadas, ou seja, converter várias rajadas de dados em uma só rajada e codificar os dados com um
padrão mais apropriado a baixas velocidades.
O RTP não reserva recursos de rede e nem garante qualidade de serviço para tempo real. O transporte dos
dados é incrementado através do RTCP (protocolo de controle) que monitora a entrega dos dados e provê
funções mínimas de controle e identificação. No caso das redes IP este protocolo faz uso dos pacotes UDP,
que estabelecem comunicações sem conexão.
Real-Time Transport Control Protocol (RTCP)
O protocolo RTCP, do IETF, é baseado no envio periódico de pacotes de controle a todos os participantes
da conexão (chamada), usando o mesmo mecanismo de distribuição dos pacotes de mídia (Voz). Desta
forma, com um controle mínimo é feita a transmissão de dados em tempo real usando o suporte dos pacotes
UDP (para Voz e controle) da rede IP.
Session Initiation Protocol (SIP)
O protocolo SIP, estabelece o padrão de sinalização e controle para chamadas entre terminais que não
utilizam o padrão H.323, e possui os seus próprios mecanismos de segurança e confiabilidade.
Estabelece recomendações para serviços adicionais tais como transferência e redirecionamento de
chamadas, identificação de chamadas (chamado e chamador), autenticação de chamadas (chamado e
chamador), conferência, entre outros.
Algumas características do SIP:
Estabelecimento, modificação e encerramento de chamadas e sessões multimídia além de poder
convidar pessoas e máquinas como servidores de armazenamento.
Utiliza endereçamento através de e-mail, podendo localizar o estilo definido pelo usuário.
O proxy SIP (servidor SIP) pode ramificar o INVITE (convite) para múltiplos endereços, envolvendo
múltiplos usuários. Desta forma há uma redução e economia no tempo de estabelecimento de uma
chamada.
No caso do SIP sobre o protocolo UDP, o esquema de transmissão é usado para otimizar a
confiabilidade do protocolo.
Suporta tanto sessão multicast como unicast.
Pode iniciar chamadas usando os recursos do MCU (mutipoint control unit).
Gateways de telefonia sobre internet que conectam RPTC e podem usar o SIP para estabelecer
chamadas entre elas.
Sua utilização é similar ao conjunto H.323, embora utilize como suporte para as suas mensagens os pacotes
UDP da rede IP.
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Figura 3: Funcionamento do protocolo SIP.
Media Gateway Control Protocol (MGCP)
O protocolo MGCP, definido através de recomendação RFC 2705 do IETF, é usado para controlar as
conexões (chamadas) nos GW's presentes nos sistemas VoIP. O MGCP implementa uma interface de
controle usando um conjunto de transações do tipo comando - resposta que criam, controlam e auditam as
conexões (chamadas) nos GW's.
Estas mensagens usam como suporte os pacotes UDP da rede IP, e são trocadas entre os GC's e GW's para o
estabelecimento, acompanhamento e finalização de chamadas. O MGCP tem como finalidade principal a
simplificação do uso da tecnologia VoIP, eliminando a necessidade de terminais complexos para a Telefonia
IP, reduzindo significativamente os custos. Sua transmissão pode ser feita através do RTP usando o UDP
sobre uma rede TCP/IP, redes ATM além de conexões internas, ou seja, conexões que terminam em um
gateway, mas são imediatamente roteadas sobre uma rede de telefones.
Media Gateway Control Protocol (MEGACO)
O protocolo MEGACO é resultado de um esforço conjunto do IETF e do ITU-T. O texto da definição do
protocolo e o mesmo para o Draft IETF e a recomendação H.248, e representa uma alternativa ao MGCP e
outros protocolos similares.
Este protocolo foi concebido para ser utilizado para controlar GW's monolíticos (um único equipamento) ou
distribuídos (vários equipamentos). Sua plataforma aplica-se a gateway (GW), controlador multiponto
(MCU) e unidade interativa de resposta audível (IVR). Possui também interface de sinalização para diversos
sistemas de telefonia, tanto fixa como móvel.
Fornece controle centralizado de serviços e comunicação multimídia baseadas em redes IP. É um protocolo
que está ganhando cada vez mais aceitação devido a sua maior capacidade de ajuste que a permitida pelo
H.323 e enfoca os requisitos técnicos e os recursos de conferência multimídia omitidos pelo MGCP.
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Figura 4: Estrutura dos protocolos na rede.
Internet
Os sistemas de telefonia IP tornam-se viáveis na medida em que alguma garantia de qualidade de serviço
(QoS) possa ser obtida da rede IP onde eles são implementados.
Quando essa rede é usada exclusivamente pelo provedor para fornecimento de serviços de dados e/ou VoIP,
com gerenciamento e engenharia de rede adequada, o QoS pode ser ajustado para atender aos requisitos de
todos os serviços ofertados, inclusive VoIP com qualidade.
Há, entretanto, entre os provedores de serviços, e mesmo no mercado corporativo, a busca por soluções de
menor custo para dados e Voz. E nessa busca a Internet, com as suas características de custo baixo e infraestrutura "pública", surge como alternativa a ser considerada.
A questão principal que se coloca é o QoS da Internet. A arquitetura da Internet é composta por um número
muito grande de redes de diversos provedores e outras entidades comerciais ou não, sem um responsável
efetivo pelo controle da banda fornecida ou utilizada e sua conseqüente qualidade de serviço.
Para aplicações de tempo real com mídias do tipo áudio (Voz) ou vídeo, não se pode garantir disponibilidade
de banda e mesmo a disponibilidade da rede.
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Telefonia IP: Regulamentação
A comunicação por voz sem dúvida está passando por uma mudança estrutural, tendo em vista a unificação
de voz e dados para transmissão em um mesmo canal e isso vem ocorrendo não só devido ao aumento da
universalização da telefonia fixa e da competição, que no caso brasileiro ainda é muito pequena, mas
decorre principalmente devido o surgimento de alternativas tecnológicas que conseguem competir de igual
para igual com o serviço telefônico regular, como é o caso da VoIP.
Os serviços de voz sobre IP, representam uma mudança de paradigma nas telecomunicações e tem como
objetivo reduzir significativamente o custo com telefonia, efetuar chamadas de longa distância a custo local,
integrar dispositivos móveis com telefonia fixa, mas ainda não possui regulamentação especifica em nosso
ordenamento jurídico.
Segundo a visão da Anatel, somente quando os sistemas IP alcançarem um patamar equivalente a um terço
do total dos serviços de telecomunicações em uso no Brasil (o que corresponde a 15 milhões de usuários),
haverá necessidade de regulação dos serviços de longa distância com uso de VoIP.
O serviço VoIP confunde-se ainda como "serviço de telecomunicação tradicional" ou "serviço de
informação", esta classificação contribuirá para sua regulamentação. No caso de se considerar este serviço
como telecomunicações os seus provedores deverão possuir uma outorga para prestação de serviços e
submeter-se-ão às regulações federais conforme vier a ser definido. Desta forma o serviço é dito "serviço de
comunicação multimídia".
Alguns tópicos devem ser considerados na avaliação do processo de regulamentação, dentre eles podemos
citar: serviços de emergência, contribuição a fundos governamentais, necessidade ou não de universalização,
garantia de acesso de usuários deficientes, segurança dos consumidores, controle sobre o serviço e sobre os
usuários, entre outros itens.
Pode-se observar que a convergência entre comunicação e computadores influencia sistemas regulatórios de
maneira única, pois há diferenças intrínsecas no conjunto de regras de telecomunicações e sistemas de
informação, uma vez que o sistema telefônico e altamente regulamentado e a internet sempre ausente de
regulamentação. Muitas dúvidas e controversas têm surgido a partir deste panorama vislumbrado com o
surgimento de prestadores de VoIP.
Em se tratando de telecomunicações, tanto a lei brasileira como a norte-americana define a transmissão de
informação como seu fim precípuo caracterizador, o que não ocorre com serviços de informação, onde
atividades como armazenamento, acesso, apresentação, movimentação e utilização de dados informáticos
são intrínsecas da natureza destes serviços, o que não pode ser confundido com telecomunicações tão
somente.
Estes serviços acrescentam utilidades à cadeia de comunicação, perfazendo com que dois sistemas remotos
possam conectar-se, sem utilização das redes de telefonia públicas.
Com foco nos mandamentos legais brasileiros, o VoIP não pode ser enquadrado como serviço de
telecomunicações, e sim como "serviço de valor adicionado" quando presente em parte de rede pública de
telecomunicações.
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Telefonia IP: Considerações Finais
O objetivo principal na Telefonia IP é a redução dos custos, alta confiabilidade e qualidade assim como na
RTPC. Sabe-se que há ainda algumas barreiras técnicas a serem solucionadas para obter as mesmas
características que tornaram a RPTC tão eficientes.
A principal limitação é a falta de largura de banda adequada para transportes de dados em tempo real que
acarreta perda de pacotes e, conseqüentemente, redução da qualidade (períodos de silêncio na conversação,
efeitos de clip e etc).
A Internet, uma coleção com mais de 100.000 redes está ganhando milhões de usuários e,
conseqüentemente, maior o tráfego de dados em sua rede que já é limitada. Esse intenso e pesado uso da
Internet resulta e atraso e perda de pacotes (colisões) e desta forma tornando cada vez mais difíceis
transmissões eficientes em tempo real (vídeo e voz).
Além das barreiras citadas acima, como a Internet é roteada por pacotes, os pacotes de voz individuais
viajam e diversas rotas para depois se encontrarem em seu destino final, e se organizarem, provavelmente
gerando mais atraso.
Para reduzir os efeitos de atraso e perda de pacotes existem diversas técnicas de voice encoding e
protocolos (RTP/RTCP, H.323, SIP) que visam da prioridade na rede para voz além das técnicas de QoS
(FEC, bufferização, interpolação e etc). Desta forma, a rede começa a ganhar mais confiabilidade e
qualidade no som.
Ainda há um aspecto a ser debatido em VoIP. A rede para transmissão de voz futuramente deverá ser
orientada a conexão, ao contrário dos protocolos TCP/IP, originado assim outros protocolos aptos a
transportarem a voz na rede (ATM, Frame Relay).
Temos então além da voz sobre IP (VoIP) a voz sobre ATM ou Frame Relay que podem ser o ponto de
partida para as operadoras de telefonia tradicional retomar o espaço no mercado perdido pelas operadoras de
telefonia IP. Usando os protocolos na intra-estrutura SDH já presente serão fortes concorrentes para as
atuais operadoras e, consequentemente, redução ainda maior nos custos por chamada.
Referências
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13
Acesso em: 23 nov. 2005b.
BERNAL FILHO, Huber. Telefonia IP . Disponível em:
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GRUPO MULTIMÍDIA - METROPOA/PUCRS. Tutorial de Protocolos . Disponível em:
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Acesso em: 20 mar.2005e.
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14
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TUDE, Eduardo. O que é IP . Disponível em:
http://www.teleco.com.br/tutoriais.asp
Acesso em: 20 mar. 2005.
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Telefonia IP: Teste seu Entendimento
1. Qual das alternativas abaixo não é um dos pilares básicos para conservar a largura de banda e
melhorar a prioridade dos pacotes de voz na rede?
Prioritization.
Clarification.
Voice Compression.
Silence Compression.
Echo Cancellation.
2. Quais são os principais mecanismos que fazem o controle da qualidade da voz?
FEC (Forward Error Correction), Bufferização, Retransmissão de pacotes, Ressequenciamento,
Inserção, Interpolação e Regeneração.
FEC (Forward Error Correction), Bufferização, Retransmissão de pacotes, Ressequenciamento,
Inserção, Extrapolação e Regeneração.
FEC (Front End Computer), Bufferização, Retransmissão de pacotes, Ressequenciamento, Inserção,
Interpolação e Regeneração.
FEC (Forward Error Correction), Bufferização, Retransmissão de pacotes, Ressintonização, Inserção,
Interpolação e Regeneração.
3. Quais das alternativas abaixo representa um dos cenários de aplicação do protocolo RTP?
Audioconferência multicast.
Videoconferência.
Tradutores.
Mixers.
Todas as alternativas anteriores.
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Telefonia IP: QoS e Interconexão com a Rede Pública