ARQUEOLOGIA E EPISTEMOLOGIA:
Ensaio de caracteriza9ao do saber como objeto de
investiga9ao da arqueologia foucaultiana
RES u.~O:
0 objetivo neste texto e comparar
0
empreendimento arqueol6gico com a epistemologia francesa
evidenciando suas respectivas distinc;oes no que tange 0 problema
da verda de e de seus respectivos objetos de investigac;iio: a ciencia
para a epistemologia, 0 saber para a arqueologia.
PALAVRAS-CHAVE: Arqueologia - Epistemologia - Saber
- Discurso - Ciencia.
ARCHAEOLOGY AND EPISTEMOLOGY:
an assay of
the characterization of knowledge as Foucault s archaeology
investigation object.
ABSTRACT: The goal of the present text is to compare the
archaeological enterprise with the French epistemology, evidencing
their respective distinctions concerning the issue of truth and their
respective investigation objects: science to epistemology, knowledge
to archaeology.
KEY-WORDS: Archaeology - Epistemology - Knowledge
- Discourse - Science.
Docente do Departamento
VEL, Parana;
e Doutorando
I
de Filosofia
em Filosofia
da Vniversidade
Estadual
pela UNICAMP/SP.
de Londrina
-
Marcos
Alexandre
Gomes
ARQlIEOI.OGIA
Nalli
:E inegivel a proximidade intelectual entre Foucault e a
epistemologia2 tal como se deu na Franya.3 Foucault mesmo admite tal
proximidade, principalmente a Georges Canguilhem, tomando-o como
mestre, em especial por ter aprendido com ele a tomar a historia das
ciencias como historia conceitua1.4 Mas que relayao ha entre filosofia
das ciencias e hist6ria das ciencias? E que relayao ha entre a filosofia
foucaultiana - especialmente a arqueologia - e a filosofia das ciencias e
a hist6ria das ciencias, isto e, qual a modalidade dessa proximidade
intelectuaI?
Respondendo a primeira questao, a melhor maneira de faze-Io e
recorrer a urn fato s6cio-historico-geografico:
a reIayao de profunda
intirnidade entre epistemologia e historia das ciencias deve-se a uma
pecuIiaridade tipicamente francesa. Como nos diz Foucault:
E mais a frente, no mesmo texto, Foucault precisa a relayao entre
epistemoIogia e historia das ciencias, tomando como modelo 0 metodo
fiIosofico de Canguilhem, na medida que a epistemologia ilumina e
direciona a reflexao da historia das ciencias:
"A
''Todo
0 mUl1do saoe
mimero
tambem
um lugar
ndo
que l1a Fmn{,-'a Illi PUIICOS irjglCOS, II/as IllIe hOllve
negligenciavei
que eies ocupamm
de hisloriadores
l1a insliluir;i'io
filosofiea
das ciencias.
- ensino
011
o pOllIo
de \'i.lla
a!wrecCl'
I({[ellle
ell/filll('11U
de IIl1/a cer/{[
-
consideravel."s
, Opta-se aqui pelo iermo "epislemologia"
pois na fiio;ofla rrallcesa, na L1r11d ois(llwau enUe
epistemologla
e iilosofia da ciencia quanto ao seu estatuto discipllnar
c telirlcu. !\ expressao
"filosolia
da ciencia" tem ja na sua origem uma alianl:a com 0 pllsitivismo
comteano,
de tal
modo que privilegia 0 sujeito do conhecimento
cientirico como 0 seu produlor e funclamento,
e pOI' conceber a hist6ria clas ciencias regicla pOI' uma lei de progresso con stante. A epistemologia
francesa - principalmente
pelas contribui~oes
de 8achelard,
Cavailles, Koyre, e de Canguilhem
- rompe com esse privilegio do sujeito e com a lei de progresso constante
(neste sentido, cf.
Michel FICHANT.
"A epistemologia
na Franya", pp. 124-162).
Ainda assim, ha todo um
privilegio
que recai na hist6ria e na sociologia
como recursos a epistemologia
francesa (Cf.
.lean Paul MARGOT.
"Retlexiones
en torno a Ia epistemologia
hist6rica,
p. 13s). Isso nao
quer dizer que a epistemologia
ti'ancesa negue as contribui9oes
cia lilosolia da ciencia como foi
feita em geral nos paises anglo-saxaos
e de lingua germanlca, em especial 0 Circulo de Viena.
Mas a analise feita pela filosofia
da ciencia,
de corte analiticu,
rcstringe
sua retlexao
a
questoes eiementares
sobre a relayao entre conceitos e realidadc (isto C, pOI' exemplo, a teoria
das proposi9oes
protocolares)
visando fundal' 0 que cntendc pnr cieneia, ou seja, apenas as
chamadas
clencias t1sico-matematicas
e naturais. Seu positivismlJ
Ihcs impcde, pOI' exemplo,
de considerar
as ciencias
humanas
como efetivamcntc
cicncias.
clas sao apenas pseudociencias.
A epistemologia
francesa,
pOI' sua vez, privilcgia
II cllnccilO;
conludo,
mais que
questionar sua rela~ao com a realidade, investiga a sua j'"nl'lal:alJ C a regulamentayao
de seu uso
em uma e pOl' lima teoria cientitica e, para isso, recone a hi'otliria que nao e aned6tica,
e sim
conceitual
(Cf. .lean PIAGET, Na/ul'llieza J Mc/odos de la [pis/ell/ologia,
principalmente
pp.79-123.).
) Roberto MACHADO.
"A arqueologia
do Saber c a constituiyao
das ciencias humanas".
p. 87;
Idem. "Archeologie
et Epistemologie",
p. 15; Idcm Cicllcia e Saber: a trajetoria
da
arqueologia de Foucaul/. p. 10; Angel GA8ILONDO.
EI Discurso ell Accioll: Foucaul/ )'
ulla on/ologia del presel/le. pp. 28-44.
, Michel FOUCAULT
L 'Ordl'l? du Discours. p. 74; cr. lambel11 Angel GABILONDO.
Op. Or.
p. 36, e Roberto MACHADO.
eiencia e Saber: II /rajetoria da a/'{jueologia de Foucauil.
p. 13.
, Michel FOUCAULT.
"La vie: I'experience
ella science". 111: Dils el tents. 'Vol. IV, p. 763
lIorll/a:
de sc COII.l'lillli,.
reprodllr;c/o
a hisluria
pam
qlle
qlle
dos csqllema.1
1111/
lea rica
das
eiellcias
alire
sejll
a cada
!HO\'iseJrio.
1/
qlle !iel'lllile
0 domillio
IlIlm
a Uilia
cielilijica
qlle a hi.lli!ria
coisa
e de
ilislalile
ser idelilificada
oillra
de 1111111 Clelleia
cmllillho
de elimil1ar,:llo
a \'en/ade
illdi.\pell.\li\'e/
II/odo
qlle Ie~
"1111/
Ilido 0 Iliais.· 0 lel'lilo
11111 olll{'()
a epislell/ologia
illlcrtiOS
pois
tell 1 de
lI/eSIl/O,
e aqllele
sefazel1l
IIc/O pode
alllal,
digamos
sohre
de l'isla,
as processos
e aque/a
ela
e 0 ciellli,lla
saber cielilijico
dos obJelos
Oil a 1111/ pamdigma
elilc/o de IIl1/a reflc.\'Ilo
illdispellsal'el
di~er
das leorias,
e lI/eSll1O IIl1l episl!dio;
das ciellcias
Esle !iOlllo
qlle
lIi.llo
II/sloriador
e!Jisr!dio.1 de
.... islO qllCl'
lel!rica
se cOlIslilllir
0 pllm
do ep!.llell/l!logo
dos ellllllciadol,
esll'lllilm
hoje so
so pode
elll COII/{[, elllre
aIm \'(;.1'de di\'ersos
ordellado
.Ie/e('r/o
das ciellcias
/evalldo
e, iliversamellle,
Saoe-se
pesqllisa
hisloria
especifico
Tmla-se
wn
E EPISTEMOI.OGIA
de
(..)
hi.l'l(Jria
em gem/:
de I,,/Iili.le
qlle
mOil/ell/()
a simples
dado.,·6
A historia das clencias, portanto, depende intimamente da
epistemologia na medida que e pOl'meio desta tdtima que a hist6ria das
ciencias distingue-se
de toda e qualquer outra modalidade de
historiografia, quer a chamada historia das ideias ou a historia cultural.
A historia das ciencias e a historia do verdadeiro, do dizer a verdade, e
como diz Georges Canguilhem, 0 "verdadeiro e a maxima do dizer
cientifico. Como conhece-Io? Pelo fato de que nao foi afirmado
aprioristicamente.
Uma ciencia e um discurso regulado pel a sua
retificayao critica".7 E em outra circunsti'mcia, eIe mesmo admite que a
hist6ria das ciencias (ao menos a que eIe fez) e tambem epistemoIogia:
"Fazel', no sentido mais operativo do temlo, historia das ciencias e uma
das funyoes, e nao a mais facil, da epistemologia filos6fica".8 Disso,
nao so se conclui que a hist6ria das ciencias e caracteristicamente
filosofica e, especificamente, epistemoIogica, bem como a epistemologia
ARQliEOLOCIA
francesa, em particular aquela feita por Cangui Ihem e Bachelard, se
efetua mediante 0 recurso a analise historica.
E qual a proximidade da epistemologia e da historia das ciencias
com a filosofia foucaultiana, em especial com a arqueologiado saber?
au melhor, em vez de se perguntar pela proxi midade, talvez se deva
perguntar pela distancia entre epistemologia e a arqueologia do saber.
Roberto Machado responde essa qucstao do seguinte modo:
"A cP!.\lclilU/ogla
e. pUl'lalllo,
IlIIlIlji/osofio
qllc tematiza a questrlo da
mclollolidodc
otml'(;\' do clellclo. /)01' c/o cOllsidemdo COIllO a atl\'ldade
melollohl/([ pur c.rcc/ellcla. (...) A cspcclficldade do hlstoria arqlle%glm
podc scr deliml/([da 0 pol'llr do /}ro!JIcllllitlco
do mciollalidade.
(..) a
oU/llc%glo,
l'cl\'llIdlcalldo
SilO IlIdcpclldellclo
elellclo, /}rClcl/(/C sa 1111111
aillca
do pujprlo
CIII/III11l!O a hlslliria
cplstelllV/oglco,
cOllcelro.I' clelltificos,
/1I\·e.lllga 0 prodll('l!o
sltllado
COlli re/a('l!o 0 qlla/qller
Idelo dc roclollalidadc,
!Jasiu/II/CIIIC 00 lIil'e/
de I'eu/ade 110clellcla.
dos
qlle e/a
cOII.lldera como /Jrocesso hlslorlco qlle defi'llc e desell\'oll'e a propria
mclollalidode,
a hlstorlo orqlle%glca,
qlle estobe/ece Inter-re/a(:oes
COllcclllIois ao Il!l'c/ do .labc/: lIelil prl\'I/egla
a qllestrlo nonllatilla
\'erdodc lIelil cstabc/ece /1II/(1ordelll telllpom/ de recorrellcla.\' a partir
mclollolidade
cielllifico
otllO/."
da
do
0
Deve-se observar, porem, que essa pretens30 de ser critica da
racionalidade nao faz ciaarqueologia clo saber um projeto filosofico em
defesa do irracionalismo. Mais corretamente, a arqueologia, por meio
dessa critica, se coloca como autocritica da racionalidade assim como
a epistemologia e a historia das ciencias. Em sum a, a arqueologia
foucaultiana e a epistemologia, marcadas pelas analises hist6ricas tal
como se fez na Franya, sao herdeiras da AufkHirung, tanto por suas
considerayoes criticas acerca da razao quanta da historia.10 Nesses
termos, se e corr'eto, como diz Roberto Machado, definir a
especificidade da arqueologia por meio da questao da racionalidade, 0
que distingue a arqueologia do saber da historia das ciencias sao seus
respectivos objetos.
" Roberto MACIIADO. ('/c;l/cilf C Saba: If Irru'cloria da arqucologia dc Foucaull. pp. 10-11.
'" Michcl FOUCAULT. "La vie: I'expericnce et la science". In: Dils cl Ecrils. Vol. IV pp. 765768. Idem. "Qu'cst-ce quc les Lumicrcs"" In: Dils Cl t.erils. Vol. IV PI'. 577-578.
F. F.I'ISTEMOLOGIA
a objeto da historia das ciencias e total mente distinto do objeto
da ciencia, pois 0 primeiro objeto tem historia e 0 segundo naO.11
A historia das ciencias tem como objeto a ciencia, e a ciencia como
discurso metodico voltado a verdade. Como afirma Canguilhem :
"a historia das cienciasdiz respeito a uma atividade axiologica, a busca
da verdade. E a nivel das (sic!) questOes, dos metodos, dos conceitos
que a atividade cientifica surge como tal".le A historiadas ciencias e a
historia de todo 0 processo de conhecimento cientifico, pautado nos
conceitos de verdade e de razao; estes conceitos, por sua vez, nao sao
absolutos, mas sao provenientes e regulados pelo proprio discurso
cienti fico. discurso cient! fico eo discurso racional por excelencia,
tendo como caracteristica mais marcante - c determinante - a
capacidade de ser simultaneamente racional, critica e reti ficadora.13
a que significa dizer, pois, que a historia clas ciencias, ao valorizar 0
conceito de verdade como um fim a que se destina todo discurso
cientifico, nao pode, de modo algum, menosprezaros eITOS,as tentativas,
as ideologias nela presentes. A OPOSiy30entre falso (enquanto erro) e
verdade nao pode ser clesconsideracla por esse epistemologo, pois e
por meio dela que a epistemologia e a historia das ciencias melhor
delineiam esse "dizer a verdacle" do cliscurso cientifico. Desse modo, a
verdade cienti fica e relativa ao discurso cientifico, mas nao 0 oposto.
Isto e, 0 cliscurso cientifico e um discurso que se caracteriza por sua
pretensao de verclade, mas que nada Ihe impede de enunciar
proposiyoes falsas (pois nao e a falsidacle em suas proposiyoes que
desqualifica todo L1I11
corpo teorico como cientifico ).1-1 E por isso que
Canguilhem afil111aque:
a
"Uma historia das ciencias que trata uma ciencia na sua historia como uma
purificayao elaborada atraves de normas de verifica«;3o nao pode deixar de
se ocupar tambem das ideologias cientificas. 0 que Gaston Bachelard
distinguia como historia das ciencias caduca e historia das ciencias sancionada
II Gcorges CANGUILI IEM. "0 objeto da historia cJas ciencias".
In Manuel Maria CARRILHO.
EpislC/IIologia: POSi,DCS C erilicas. p. 121.
" Ibidem, p. 126.
1) Idem. "0
papel da epistcmologia na historiogralia cientilica contemporanea".
In: Ideologia
e Raciol/alidade I/as ('iel/cias da Vida. p. 20.
"Robcrto
MACHADO.
eiel/cia
e Sabcr: a Irajeloria
da arqueologia
dc Foucaull.
pp. 20-2 I.
ARQIIEOLOGIA
de\'e, pOl' sua \'ez. ser separado e entrela<;ado. A san<;ao de verdade ou de
objeti\idade
.1<1 comporta em si a condena<;ao do caduco. Mas se 0 que mais
tarde se tomara caduco nao come<;a pOl' se sujeitar a san<;ao, a verifica<;ao
nao tera oportllnidade
de fazer aparecer
e apresentada
modo.
ideologia
deste
cientifica,
atribuindo-Ihe
dos di\-eI"sOS pIanos
ida a especi ficidade
-lll11lugar
-, a historia
clesta
\TZ
( ... ) POl' sc quercr construir
se pOl' fazer uma historia
( ... ) "\'ao sendo trabalhada
reconhec
umlugar
de cientIficidacle
licar como mais uma ideologia,
scu obleto.
a verdade.
nao sendo
da
nos difcrL'ntes niveis
das cicnclas
arrisca-se
no scntido de f~dsa conscicncia
apenas a hls\(JrIa cIa verdade,
a
do
acaba-
ilusoria.,,1)
Foucault, pOl' ocasiao de sua homenagem a Canguilhem,
reconstituindo 0 projeto cia hist6ria das ciencias e da epistemologia
canguilhemianas, e clefinindo a relayao entre falso (ou erro, 0 que em
tese c a mesma coisa) e \'erdadeiro, e 0 papel dessa re1aC;:~to
n<l hist6ria
das ciencias e epistemologia, declara nos seguintes termos:
"Georges
Canguilhem
insiste sobre 0 fato
continuidades
nao
para ele nem lll11postulado,
uma "maneira de fazel''', um procedimento
que
ciencias porgue ele chamado pelo proprio objeto
e
e
/\ historia clas cicncias nao
( ... ) \lao sc pode. na historia
mas nao se pock tambcm
do verdadeiro, de sua lellta epifania
das ciencias, se dar a verdade como adquirida,
e do falso.
e do falso que da a esta historia
qual
forl11a') Concebendo
veridicos",
e
e a historia
nao fazer a economia
e a oposi<;ao do verdadeiro
de que a indlca<;ao das
nem um resultado:
antes
coeso com a historia das
mesmo de que de\'e tratar.
E esta
de uma rela<;ao ao verdadeiro
referencia
sua especificidade
a ordem do verdadeiro
e sua importancia.
que se tem que fazer a historia
que I'dizer de discursos
que se retificam,
Sob
dos "discursos
se corrigem,
de 'dizer verdadeiro'.
mas pela forma<;ao de uma nova forma
,>16
A arqueologia clo saber, primeira fase da produyao intelectual de
Michel Foucault, tem pOI'objeto outra coisa que nao a ciencia. Oobjeto
cia arqueologia eo que Foucault nomeou de "saber". Eo conceito cle
"Georges
CANGUILlIEM."O
Raciollalidade
J(,
Michel
769-770.
lias Ciellcias
FOUCAULT.
que e uma ideologia
cientil'ica?"
in: Ide%gia
e
da Vida. Pl'. 4 I --12.
"La vie: I'experience
et la science".
In ; Dils el tailS.
"saber" nao e necessariamente relativo ao conceito de "ciencia", embora
essa relayao sempre esteve, direta ou indiretamente, presente na
arqueologia do saber. I?
Mas 0 que Foucault chamou de "saber"? A pergunta nao e de
facil resoluyao como se pode pensar a primeira vista. P, Foucault nao e
de todo claro nos dois textos que servem de apoio para responder a
supracitada questao: "Sur I'archeologie des sciences. Reponse au Cercle
d'Epistemologie",
publicado no Cohierpollr I 'Analyse, no verao de
1968,19 e L 'Archcologie rill So\'Oir, publicado em maryo de 1969.
A e.'Cposiyao que segue discorrera, primeiramente, sobre 0 artigo e
posteriormente sobre 0 livro.
Se Foucault fOlll1lIlauma oposiyao entre ciencia e saber, c preciso
nao perderde vista que tal oposiyao nao implica uma relayao de exclusao
e negayao. Essa relayao existe entre saber e conhecimento.~o Embora
o conceito mesmo de "ciencia" traga ja em si uma conotayao de
conhecimento - a ciencia, pOl' definiyao e uma modalidade de
conhecimento -, Foucault nao exclui tal conceito de suas reflexoes;
antes toma-o para caracterizar 0 conceito de "saber" em "Slir
I 'Arcluiologie
des sciences. Reponse Oil Cercle d 'Epistemologie
".
Isso e explicito quando ele diz que "0 saber nao e a ciencia no
deslocamento sucessivo de suas estruturas intemas, eo campo de sua
estrutura efeti va."~ I
o que se pode entender dai? Primeiramente, ao privilegiar 0 saber como objeto de amllise e descriyao, a arqueologia demarca 0 pr6prio
solo de emergencia, e emergencia hist6rica,~~ da ciencia. A arqueologia
e que operam
sobre si mesmos todo \1111trabalho de elabora<;ao finalizada pela tarefa do
"dizer verdadeiro". ( ... ) 0 erro nao eliminado pela for<;a surda de uma verdade
que pouco a pouco sairia da sombra,
E EPISTEMOLOGIA
Vol. IV. PI'.
" Idem. L 'Arche%gie
dll Sm'oil: p. 255: "Ce que I'areheologie
essaie de c1eerire, cc n'est pas
la science clans sa Slructure speeilique, mais Ie domaine, bien dilTcrent, du sa\'oir. Dc plus. si
elle s'oecupe c1u savoir dans son rapport avec les ligures epistemologiques
et les sciences, elle
peut aussi bien interroger Ie sal'oir clans une c1ireetion diflcrente et Ie c1ecrire dans un autre
faiseeau de relations. L'orientatlon
\crs I'epistemc a ete Ia seulcs explore.: jusqu'ici.
La raison
en est que, par un gradient qui earactcrise sans doulc nos culturcs, ks formations discursi\'Cs
ne cessent dc s'espistemologiser."
I<Talvez porque Foucault tC\'C mais clare7a das no~6es quc rccusou do que das IHH;6cs c
principios
quc clc pretendeu
dcl'inir c introduzir
Para isso, Cf. Ilubert DREV"US
& Paul
RAI3INOW. Miche/ FOllcall/l.
1111 !Ja!'cOII!'.\' phi/osophiqlle.
!J. 106.
I" Recentemente
republieado
no volume I dc Dils el tailS dc Michel FOUCAULT,
pp. 6')6731
", Michel FOUCAUIJ
"Sur l'Archeologie
dcs sciences. Reponse au Cercle d'Epistcmologic"
p. 730: "Le theme dc la connaiss~ncc
equivaut a unc denegation
du savoir."
" Ibidem. p. 725
" Deve-se nOlar que, para "oucault, 0 recurso a historia e funcionalmente
importante
a sua
analise arqueologica
dos discursos. Cr. Paul VEVNE ...•. oucaull Revoluciona
a historia", pp.
148-198; loze!' VAN de WIELE. "L'Histoire
chcz Michel "oucault: Ie sens de I'Archeologic".
ARQl'FOI.O(;IA
descreve as condiyoes mesmas de apariyao, de surgimento historico
de um discurso cientifico, 0 que a arqueologia tenta demarcar e 0
sistema que regula a possibilidade e efetividade historica de um discurso
cientifico, levando em conta outras modalidades discursivas que nao a
cientifica e que SaG autonomas entre si, uma vez que possuem suas
proplias leis de fonllayao e regulayao,23 e que, ainda assim, interagem
umas sobre as outras de modo marcante, Essa gama de discursos, na
qual esta inserido 0 proprio disClll'SOcientifico, e que possui regras
proprias a cada epoca historica, eo que se pode chamaI' de "saber",
Portanto, 0 saber e bastante distinto tanto da ciencia quanta do que se
pock chamaI' de "pre-ciencia" e de "ideologia", A pre-ciencia e a
ideologia podem e interagem com a ciencia; mas nao the saG condiyoes
detell11inantes pois saG elementos inerentes ao proprio discurso
cienti fico,:'~ discurso verdadeiro pOl' excelencia; em suma, saG fatos
do discursol5 cientifico, sendo determinados na ciencia. 0 saber,
todavia, e detell11inante it ciencia, nao de 1lI11ponto de vista logico mas
de LII11
ponto de vista discursivo, E por isso que Foucault diz, nesse
artigo, que e, "muito mais, no elemento do saber que se detell11inam as
condiyoes de apariyao de uma ciencia, ou, pelo menos de um conjunto
de discursos
que acolhem ou reivindicam
os modelos de
" i\lichcl I:OLJCAULT. "Sur I'!\rchc'nlngic
dcs scicnccs, Rcponsc au Ccrcle d'(:pistclllologic",
pp n-1-7~5,
" Idclll. I, ',ll'cll(;ologic
rill SIII'oi,: p. }~}.I',
, 1'1' 0 quc sc cnlcndc pOI' Ulll falo do disl'lJrso: ludo aquilo quc C produzido pclo discurso, de
lal 111odo quc c rcgulado pOI' rcgras d,scur,i, as, ISlo nCOITC, pOI' cxclllplo COIll os discursos
pr('-clclllil'ic{)s
(uu pr~-l'icncias"
cum U~ di~CLlrSU$
idcnll'lgicus. com os discursos de ricC;:Jo.
I\LL, 1;lInbc111 nCOITC C0111;1 ,ndadc
c cn111 n 1~llso cnquanlo dizcr vcrcladeiro (pOl' Illcio de
propnsl,,\cs
,'crdadciras)
c cnquanlo
dilcr LI!>o (p()J' I11CIOdc proposi,ocs
falsas), IslO e
,;jlido para 0 discurso Clll gcral c suas dlkrcncia,l\cs
C111gcncros - elll espccilico 0 discurso
cicnlifico
(Illas nao apcnas), bC111C01110 para a caraclcriza,'ao
c constitui,ao
epistelllologica
da, proposi,llcS
consliluinlcs
dcsscs discursos,
Ncsles Icr1110S, h;j, incl'ila,'cllllcntc.
ullla
;1111hlgliidadc na exprcssao "falo do dl'l'lIl',O" (111as quc, assi111 IllCSIllO se assulllc 0 risco aqui):
n lalo do dlscur,,' C rcguladn pelo discurso na sua rcla,'ao COIll oulras Illodalidades discursivas,
hl'lll Clll1l11 pOl" SlI:.lS rcgras illlL'rn:.ls. Il~'tassilll rc~ras illtcrJla~ c tanQ.cllciais aos discursos
nlL'slllns possibililando
a 1\II'I11a,ao de scus falos do- discurso, 1'01' outro-Iado, os generos - ou
111od;J1idadcs discursil'llS lalllhclll san 1~llns do discurso, 0 quc significa dizer que as rcgras dos
dJ:--cur:-.us que l"cgem os fatos till disclirso
san tall1bCIll :.lutolTL'guladorcs, ja que os discursos,
Il~l :--ua cspL'cil'icidade
tk gcncru sau rcgulados pOl' cssas rcgras. Acn:dita-se estar aqui ell1
consun[]ncia
com a rcllexan
arqucuh')gica
sobrc os discurslls
1lJ'lnClpall11cnte
CI11 I. '.'II'c1/(;ologi('
rill Sf/I'oil'.
loda a sua
"As Regularidades
Discursi,'as",
,.. ~lichel FOUCAULT. "Sur I'archcologic
des 'Clcnees, Rcpollsc
p, 72-1,
c suns reln\ocs
scgunda
au Cerclc
partc,
discursi,,:.ls,
inlilulada
d'Epistclllologie",
[ [I'ISTDIOI.O(;(A
cientificidade'',:'i' E mais a fi'ente ele repete, em outras palavras, cliticando
o que ele chamou de "extrapolayao epistemologica" e de "extrapolayao
genetica":
"£111 11111C([SO, d(/-se
his/ol'ieidade;
cOil/a
de
110
IIll1a
apal'ecilllelllo
ciell/ilfcidade,
I'dI'
1111'.1'1110
I'epal'lida
f)u/ricas
II II {(/as
COlil 0 COlljllll(()
II ciellcia
ellcal'go
0
0/1/1'0, ellcol'I'egalll-se
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Ao tomar 0 saber como objeto da arqueologia e 010 relaciona-Io
com 0 conceito de "ciencia", Foucault efetua uma analise do discurso
cienti fico, na qual 0 saber e 0 solo, a base desse discurso. "Saber" e 0
temlO pelo qual Foucault designou essa extensa gama discursiva pelo
qual se efetiva 0 discurso cienti fico como discurso verdadeiro, e nao
como discurso que pretende alcanyar a verdade. A verdade nao e
extema e independente do discurso, como objeto sempre pretendido,
mas inatingivel; ela e mais propriamente um fato do discurso, e como
tal produzida pelo e no discurso. 0 saber e anterior it ciencia, mas nao
de um ponto de vista logico ou epistemologico; ele Ihe e anterior de um
ponto de vista discursivo: a ciencia, enquanto discurso, tem no saber,
"arqueologicamente"Jalando,
sua condiyao de existencia (dai a relayao
entre saber e ciencia ser, caracteristicamente,
uma relayao naoarbitraria). Apesar dessa anterioridade discursiva do saber it ciencia,
ele tambem Ihe e coexistente, de tal modo que 0 saber nao deixa de
existir pOl'ocasiao do surgimento de uma ciencia; antes coexiste com
ela afetando-Ihe constantemente.:'x Em suma: 0 que interessa cl
arqueologia foucaultiana nao e tao somente a ciencia, e a sua produyao
discursiva de verdades, mas sim 0 solo discursivo no qual sc situa a
ciencia, as verdades, as teorias e as praticas, ou seja, 0 saber.
27
Ibidcm,
28
Idcm,
p, 726,
L Arc!Jeo!ogie
epistemologiquc
sc dOllne pour
rill Sal'Oir,
p, 2-HJs:
"Lc
sa\'oir
n'cst
pas
cc
chanticr
qui disparaitrait
dans la scicncc qui I·accompli/.
La scicncc (ou cc qui
Icl) se localisc dans Ull champ dc s~l\'oir ct clle y joue Ull rolc",
ARQUEOLOGIA
Nao se pode negar, todavia, que em "Sill' I 'archeologie des
sciences: Reponse all Cercle d 'Epistem%gie ", Foucault trabalha
com 0 conceito de "saber" numa relayao bem demarcada com a ciencia.
Por mais que a ciencia nao seja objeto da sua analise arqueologica, 0
privilegio da ciencia, enquanto discurso, frente a outras modalidades
discursivas, e assumido explicitamente por Foucault, uma vez que,
mediante 0 discurso cientifico, oumelhor, os discursos cientificos, a
arqueologia pode delincar mclhor seu objeto: 0 saber (ainda que tal
privilegio seja apenas um privilegio de partida e, portanto, inicial e
pro\·isorio).c') 0 quc nao se pode csquecer, entretanto, e que nao e
qualqucrciencia quc c privilcgiada na arqueologia; isto e, 0 privilegio
rccai sobre as "Cicncias Humanas" conforme a COnCepyaOfrancesa.
POl'Olltro lado, 0 pri\ilcgio explicito do discurso cicntiftco em
detrimcnto de outros tipos dc discurso, como se idcntificou no ja citado
artigo, [oi atenuado, cm 1969, em L 'Arche%gie dll Sal'Oir, no qual
Foucault admite, ainda quc em hipotese, outras modalidades de
arqueologia do saber privilegiando outras relayoes discursivas que nao
as de carateI' epistemologico, tais como arqueologias voltadas para
questoes eticas, esteticas, c politicas.JII Ou seja, ao imaginar outras
possibilidades de arqueologia, Foucault elimina toda e qualquer relayao
entre 0 saber e 0 discurso cientifico como llllica e exclusiva. Assim, 0
saber nao e relativo a ciencia, ao seu discurso, mas sim relativo a
qualquer discurso, independente de sua natureza, e de sua c1assificayao,
com base nas emergencias c1istintas de suas fOllllayoes discursivas em
limiares (de positivi dade, de epistemologizayao, de cientificiclade e de
fOllllalizayao ),31
Nesse sentido, 0 artigo "Slir /'arche%gie des sciences. Repol1se
all Cercle d 'Epistel11%gie" possui trayos de uma epistemologia
subjacente ao projeto arqueologico exposto ai; trayos estes que,
portanto, admitem ainda como validos os rec0l1es e as classificayoes
E EPISTEMOLOGIA
dos tipOSe generos de discursos, aceitando ainda como valido e digno
de nota 0 genero cientifico de discursos - apesar de, explicitamente,
Foucault buscar um rompimento com tais c1assificayoes.32 L 'Archeologie
dll Savoir, por sua vez, e a radicalizayao do projeto arqueologico, em
relayao a "Sur I 'arcluiologie des sciences. Reponse au Cercle
d 'Fpistemologie ", no que tange a caracterizayao do conceito de
"saber" desvinculando-o, definitivamente, do conceito de "ciencia".
A lll1ica relayao que Foucault admitiu ao conceito de "saber" em
L 'Arche%gie dll Savoir, foi uma manutenyao de uma relayao ja
admitida em "Sllr I 'archeologie des sciences. Reponse au Cercle
d 'Epistel11ologie ": a relayao entre saber, discurso e prittica
extra-discursiva.
POI-tanto, 0 objeto da investigayao arqueologica
e 0 que
Foucault denominou "saber". Contudo, nao se pode negligenciar que a
investigayao arqueologica se realiza de modo circunstanciado; nao hit
um procedimento unjco, illll metodo propriamente definido, demarcado,
que deve ser seguido rigorosamente com 0 intuito de se fazer, de maneira
categorica, arqueologia. E, todavia, a arqueologia nao deixa de ser urn
metodo ... 33
Deve-se, ainda, ter presente que se a arqueologia toma 0 saber
como seu objeto de investigayao, esta investigayao se realiza mediante
a analise de discursos, precisamente de suas condiyoes de existencia
(e nao de possibilidade).Isto vale tanto para discursos cientificos quanta
nao-cientificos; ainda que, haja um privilegio (ao menos estrategico,
quer dizer, por questoes de praticidade) dos discursos cientificos que
se convencionou chamar na Franya de "Ciencias Humanas".
FOUCAULT
"Sill' /'arcllli%gie
des sciellces. Repollse all Cercle
pp. 701-702: "II ne faut pas non plus tenir pour valables les deeoupages
ou groupements
dont nous avons acquis la familiarite.
On ne peut admettre telles
quelles ni la distinction des grandes types de discours ni celie de formes ou de genres
(science, litterature, philosophie, religion, histoire, fictions, etc.). ( ... ) ni la litterature, ni
Ia politique, ni par conscquent la philosophie et les sciences n'articulaient
pas Ie champ
du discours, au XVII' ou au XVIII' siecle, eomme elles I'ont artieule au X IX' siecle."
1JAngcle KREM ER-MARI ETTI, entretanto, define a arqueologia como metodo, voltado
ao saber e aos diseursos. CF. IlIlrodl/{;i'io ao PellSall/elllO de Michel FOllcall/l, p. 7; e
)l
Michel
d 'EpislclI/%gie".
:'/ Iclem. "Sur I'arehcologie
des sciences. Rcponse au Cercle d' Epistemologie".
p. 709:
. 'D'un cotc, il faut, empiriquement,
choisir un c10maine oliles relations risquent d'ctre
nOlllbreuses, denses, et relativelllent
faeiles
dccrire: et en quelle autre region les
c\'cnelllents discursifs selllblent-ils ctre Ie Illieux lics les uns aux autres, et selon des
relations Illieux dcchiffrables,
que dans celie qu'on designe en gcneral du terllle de
science')" .
Jll Michel FOUCAULT
L 'Archeologie dll Sa voir. pp. 251-255.
JI Ibidem.
p. 243-247; Jean Paul MARGOT. Op Cil. p. 31.
a
Volul1lc IX -
11"
18
-
.Julho - Dezcl1lbro
/ 2002
-
PERSPECTIVA
FILOSOFICA
Michel FOllcallll:
Volume
Arclliiologie
IX - n" 18
-
el Cellea/ogie, p. 5.
.Julho - Dezembro
/ 2002
-
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FILOSOFICA
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a
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ARQUEOLOGIA E EPISTEMOLOGIA: Ensaio de caracteriza9ao do