Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Utilização de enriquecimento ambiental para jaguatiricas (Leopardus pardalis, Linnaeus, 1758) cativas Patrícia Graziella Medeiros da Costa, Patrícia Avelar dos Prazeres, Jonas Byk Universidade Estadual de Goiás, 75650-000, Brasil e-mails: [email protected] Palavras-Chave: Leopardus pardalis; cativeiro; zoológico. 1 INTRODUÇÃO A vasta destruição dos ambientes naturais nos últimos séculos vem contribuindo para o declínio populacional e extinção de várias espécies selvagens, como os felinos, que necessitam de grandes áreas e oferta de presas para sua sobrevivência (ABREU et al., 2004). De acordo com Palmeira & Barella (2001) dos ecossistemas brasileiros habitados por onças, o que mais sofre acelerados processos de fragmentação é a Mata Atlântica. Sabe-se que os animais silvestres contribuem para o equilíbrio ecológico da natureza (SILVA et al., 2008), e a presença de felinos em determinada área está relacionada a um bom grau de preservação (ABREU et al., 2004). A degradação do meio ambiente tem como consequência o desequilíbrio ambiental, causando prejuízos à agricultura, pecuária, saúde ambiental e na abundância de presas silvestres disponíveis, fazendo com que onças se dispersem em busca de alimento, atacando criações domésticas, causando conflitos entre produtores e predadores, estimulando-os a caça e causando grandes prejuízos a conservação destes animais (SILVA et al., 2008). Os zoológicos além de servirem como lar para os animais, também tem como função a conservação de espécies animais ameaçadas de extinção, além de possibilitar a realização de pesquisas científicas, educação ambiental e lazer para os seres humanos (SANDERS & FEIJÓ, 2007). De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) que publicou a Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção em Maio de 2003, encontram- 1 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 se na categoria vulnerável a Jaguatirica (Leopardus pardalis, Linnaeus, 1758), Gato do mato (L. tigrinus, Schreber, 1775) e o gato maracajá (L. Wiedii, d’Orbigny & Grvais, 1843), sendo a primeira o objeto de estudo deste trabalho. Estudos mostram que espécies em extinção como o mico-leão-dourado (Leontopithecus Rosalia, Linnaeus, 1766) foi salvo mediante manejo reprodutivo em cativeiro (MORAIS, 2007). Uma das causas mais importantes da infertilidade em felinos é a diminuição da variabilidade genética causada por isolação geográfica, em alguns casos para se ter uma reprodução bem sucedida são utilizadas técnicas de reprodução assistida como a inseminação artificial que pode reduzir dificuldades como agressões naturais da espécie, tais como incompatibilidade macho-fêmea, ou deficiência física, reduzindo também o risco de transmissão de doenças infecciosas através da cópula (LUVONI et al., 2003). A jaguatirica (L. pardalis) é um mamífero de porte médio pertencente à família Felidae e a ordem Carnívora (PACIEVITCH, 2008) que vive em florestas neotropicais, tem hábitos noturnos e caça alimentos no solo. Sua dieta baseia-se geralmente de pequenos roedores e alguns mamíferos como o rato-da-cana (Thryononys swinderianus, Temminck, 1827) (HAEMIG, 2007) podendo também ser predador de primatas, observado em estudos realizados no estado do Paraná, onde foram encontrados mãos e unhas em amostras fecais coletadas de L. pardalis (MIRANDA et al., 2005). Ocorrem desde o sul dos EUA (Arizona) ao sul da América do Sul, estando presentes no Uruguai, Paraguai, norte da Argentina e por todo o Brasil (MOREIRA, 2001). É considerado como o felino mais bonito da América do Norte, estando praticamente extinto nos Estados Unidos devido a desmatamentos e desflorestamentos causados pelos humanos (HAEMIG, 2007). O enriquecimento ambiental surgiu com as escritas do primatologista Robert Yerkes no início do século XX (YOUNG, 2003) e consiste na melhoria da qualidade de vida dos animais cativos, através de uma série de modificações realizadas no ambiente físico e social, contemplando suas necessidades etológicas (SANTOS, 2005; JOBIM, et al., 2010) proporcionando atividades que quebram a rotina do cativeiro (CAMASSOLA et al., 2007) como alimentos escondidos, 2 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 brinquedos, caixas com infra-estruturas complexas, troncos de árvores formando plataformas, túneis, entre outros (NUNES et al., 2003). Segundo o Manual de Manejo do Lobo Guará (Chrysocyon brachyurus, Llliger, 1815) (2007), o enriquecimento ambiental deve fazer parte da rotina dos animais assim como limpeza e alimentação, logo que os estímulos físicos e psicológicos terão benefícios aos bem-estar dos indivíduos. Estudos realizados em lobos, pós enriquecimento, mostram uma melhora significativa no comportamento exploratório destes, principalmente quando as presas estavam escondidas no recinto. Os enriquecimentos podem ser do tipo social, ocupacional (quebra cabeças), (JOBIM et al., 2010) físico (mexendo na estrutura do ambiente, introduzindo troncos, cordas, mangueiras, etc.), sensorial (estimulando os cinco sentidos; visão, audição, olfato, paladar e tato) e alimentar (SANTOS, 2005). O referente trabalho tem como objetivo analisar o comportamento das jaguatiricas (L. pardalis) no ambiente cativo, utilizando técnicas na mudança da rotina do animal com o intuito de minimizar o stress e tornar o ambiente no qual esse vive mais dinâmico. 2 MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi realizado no zoológico do Parque Municipal do Sabiá, em Uberlândia – MG, localizado na região leste da cidade. De acordo com os funcionários do zoológico, este hospeda no momento, 53 espécies entre mamíferos, aves e répteis que necessitam constantemente de cuidados especiais como água, alimentos e acompanhamento médico veterinário (RESENDE & SILVA, 2005) No zoológico há duas espécies de felinos do gênero Leopardus, sendo estas L. tigrinus (gato-do-mato-pequeno) e L. pardalis (jaguatirica). O estudo foi realizado com dois dos três indivíduos existentes de L. pardalis, estes eram um casal e se encontrava no mesmo recinto. A fêmea apelidada de Florzinha nasceu no zoológico e tem seis anos e o macho apelidado de Cravo foi apreendido pela Polícia Florestal de Araguari e reside no zoológico desde janeiro de 2007, sua idade é desconhecida e não há nenhum grau de parentesco entre os indivíduos. 3 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 O enriquecimento ambiental, e foi realizado em Julho de 2010. Seguindo o método de observação Animal Focal (Altamnn, 1974), perfazendo um total de 40 horas. Os itens utilizados foram introduzidos no recinto e se tratavam de itens de enriquecimento alimentar e olfativo. Todos os dias, durante duas semanas, no período da manhã ou tarde, foram colocados no recinto os itens de enriquecimento, sendo que para evitar o estresse dos animais, somente o tratador entrava para colocá-los. Não houve em momento nenhum contato direto do observador com os animais. Os itens de enriquecimento alimentar e olfativo foram oferecidos separadamente, com exceção de um item que proporcionou tanto enriquecimento alimentar como olfativo. Sempre após a inserção dos itens os animais foram observados. As técnicas utilizadas para o enriquecimento alimentar foram: 1 - Quebra do condicionamento: Foram alterados os horários de alimentação dos animais que era rotineiramente por volta de 11 horas da manhã. Os alimentos passaram a ser colocados uma ou duas horas depois do horário de costume para começar a diminuir o condicionamento destes, já que na natureza a disponibilidade de alimentos é imprevisível (Young, 2003). 2 - Alimento no interior de modelos de aves: Estes modelos foram construídos com papel machê e tinham formato de pequenas aves com uma parte oca em seu interior onde foi colocado o alimento habitual dos animais. Eles eram de dois tipos: um pintado com tinta guaxe atóxica e um com penas de galinha que foram aderidas com a umidade na superfície do papel. O modelo de ave era amarrado em barbante e pendurado na jaula para simular presa. Este enriquecimento foi oferecido duas vezes, sendo que era disponibilizado um modelo de ave para cada animal. 3 - Caixa surpresa: O alimento habitual foi escondido dentro de caixas de papelão. Foi ofertado uma vez durante a fase, sendo uma caixa por animal 4 - Sorvete de carne: Foram misturados pequenos pedaços de carne bovina com água. Foram colocados em garrafas plásticas e congelados. Para oferecer o sorvete 4 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 ao animal a garrafa plástica foi retirada. Foi oferecido uma vez durante esta fase, sendo um para cada animal. As técnicas utilizadas para o enriquecimento olfativo foram: 1 - Orégano embrulhado em jornal: Folhas de orégano (Origanum vulgare) foram colocadas em embrulhos feitos de jornal, sem fechá-los totalmente para que o animal sentisse o cheiro mais facilmente. Este item foi oferecido uma vez nesta etapa, sendo mais de um embrulho por animal. 2 - Cravo e canela embrulhados em jornal: Pedaços de cravo da índia (Syzygium aromaticum) e canela (Cinnamomum zeylanicum) foram embrulhados em jornal, similarmente ao item 1. Foi oferecido uma vez durante esta fase, sendo mais de um embrulho por animal. 3 - Trilha de fígado: Foram triturados no liquidificador pedaços de fígado com água e feitas trilhas no chão do recinto. Foi oferecido uma vez durante esta fase, sendo uma para cada animal. Houve um item que proporcionou tanto enriquecimento olfativo como alimentar, por isso será descrito separadamente: 1- Trilha de penas e folhas de boldo com alimento no fim coberto por folhas secas e penas: Para realização deste item foram confeccionadas duas trilhas com penas de galinhas e folhas de boldo (Plectranthus barbatus) picadas. Ao final o animal encontrava seu alimento habitual coberto por folhas secas e penas. Este item foi utilizado uma vez, e foram feitas trilhas equivalentes a uma por animal. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Com base nas observações realizadas foi elaborado um etograma (DELCLARO, 2010), para qualificação e quantificação dos comportamentos exibidos pelos dois indivíduos. 5 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Durante a fase de enriquecimento, foram totalizando 54 atos comportamentais sendo 36 para o macho e 45 para a fêmea, agrupados em dez categorias (Tabela 1): Parado Ativo, Parado Inativo, Locomoção, Observação, Manutenção, Exploração, Alimentação, Interação Inter-sexual, Vocalização e Interação com o Enriquecimento Tabela 1. Repertório comportamental do casal de jaguatiricas durante o enriquecimento ambiental. Categorias Macho Total % Parado Ativo 01-Alongando 02-Rolando 5 3 2 Fêmea Total % 0,80 0,47 0,31 1 1 0 0,12 0,12 0,00 456 454 2 0 72,73 72,04 0,31 0,00 567 550 14 3 71,41 69,26 1,76 0,37 Locomoção 06-Andando pelo recinto 07-Saltando 08-Escalando 09-Correndo pelo recinto 9 5 2 2 0 1,43 0,79 0,31 0,31 0,00 35 22 7 3 3 4,41 2,77 0,88 0,37 0,37 Observação 10-Face voltada para observador 11-Face voltada para funcionários 12-Face voltada para visitantes 13-Face voltada para macho/fêmea 14-Olhando Recinto 15-Olhando para fora do recinto 16-Olhando área de cambeamento 35 3 6 4 5 15 1 1 5,58 0,47 0,95 0,63 0,79 2,39 0,15 0,15 79 5 9 8 17 29 7 4 9,95 0,62 1,13 1,00 2,14 3,65 0,88 0,50 Manutenção 17-Auto-limpeza 18-Afiando as garras 19-Bebendo água 20-Coçando 21-Urinando 22-Defecando 23-Agachada tentando defecar 47 45 0 0 0 2 0 0 7,50 7,17 0,00 0,00 0,00 0,31 0,00 0,00 29 22 0 0 3 1 1 2 3,65 2,77 0,00 0,00 0,37 0,12 0,12 0,25 Exploração 2 4 0,50 Parado Inativo 03-Deitado 04-Sentado 05-Em pé 6 0,31 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 24-Cheirando recinto 25-Cheirando área de cambeamento 26-Cheirando casinha 27-Cheirando porta do cambeamento 2 0 0 0 0,31 0,00 0,00 0,00 1 1 1 1 0,12 0,12 0,12 0,12 Alimentação 28-Ingerindo alimento 29-Cheirando alimento 10 9 1 1,59 1,43 0,15 6 5 1 0,75 0,62 0,12 Interação Inter-sexual 30-Cheirando Macho/Fêmea 31-Lambendo Macho/Fêmea 32-Coçando Macho/Fêmea com dentes 33-Patada no Macho/Fêmea 34-Mordendo Macho/Fêmea 35-Brincando com Macho/Fêmea 26 0 19 4 1 1 1 4,15 0,00 3,03 0,63 0,15 0,15 0,15 15 2 6 0 0 7 0 1,89 0,25 0,75 0,00 0,00 0,88 0,00 Vocalização 36-Rosnado 37-Miado 10 4 6 1,59 0,63 0,95 14 13 1 1,76 1,63 0,12 Interação com Enriquecimento 38-Cheirando o pato 39-Patada no pato 40-Pulando em cima do pato 41-Observando pato 42-Pendurado no pato mordendo barbante 43-Patada no barbante 44-Rasgando pato com os dentes 45-Cheirando barbante 46-Cheirando o chão onde caiu o pato 47-Cheirando penas 48-Cheirando alimento coberto com folhas 49-Mordendo penas 50-Cheirando caixa surpresa 51-Cheirando trilha de fígado 52-Lambendo trilha de fígado 53-Cheirando embrulho com orégano 54-Cheirando embrulho com cravo e canela Total 27 2 4 2 8 0 1 1 0 0 4 2 0 0 0 0 2 1 657 4,30 0,31 0,63 0,31 1,27 0,00 0,15 0,15 0,00 0,00 0,63 0,31 0,00 0,00 0,00 0,00 0,31 0,15 100 44 6 3 0 7 4 0 0 2 2 8 4 2 1 2 1 1 1 788 5,54 0,75 0,37 0,00 0,88 0,50 0,00 0,00 0,25 0,25 1,00 0,50 0,25 0,12 0,25 0,12 0,12 0,12 100 7 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Os atos comportamentais apresentados na tabela 2 que não foram exibidos na fase de pré-enriquecimento estão descritos logo abaixo: Parado Ativo: 01 - Alongando: animal esticando todo o corpo. 02 - Rolando: animal deitado no chão rolando de um lado para o outro. Parado Inativo: 03 - deitado: animal com o corpo estendido em posição ventral, dorsal ou lateral. 04 - sentado: animal parado com os membros posteriores paralelos e flexionados e os membros anteriores eretos. 05 - em pé: animal parado com membros anteriores e posteriores esticados perpendicularmente ao chão. Locomoção: 06 - andando pelo recinto: animal caminhando por todas as partes do recinto, sem trajetória definida. 07 - saltando: animal apóia-se nos membros inferiores e impulsiona o corpo para frente e para cima ou para baixo do tablado, e dos troncos. 08 - escalando: animal escalando o tronco com auxilio dos membros anteriores. 09 - correndo pelo recinto: animal se locomovendo rapidamente pelo recinto. Observação: 10 - face voltada para o observador: animal parado com os olhos fixos na direção do observador. 11 - face voltado para funcionários: animal parado com os olhos fixos na direção dos funcionários do zoológico. 12 - face voltada para visitantes: animal parado com os olhos fixados na direção dos visitantes do zoológico. 13 - face voltada para macho/fêmea: animal parado com os olhos fixos na direção do animal do parceiro. 14 - olhando recinto: animal parado com os olhos fixos para alguma parte do recinto. 8 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 15 - olhando para fora do recinto: animal com os olhos fixos para área fora do recinto. 16 - olhando área de cambeamento: animal parado com os fixos para dentro da área de cambeamento. Manutenção: 17 - auto-limpeza: animal lambendo alguma parte do seu corpo. 18 - afiando as garras: animal afiando suas garras em um dos troncos. 19 - bebendo água: animal estirado sobre o tanque ingerindo água. 20 - coçando: animal se coçando com o auxílio dos membros posteriores. 21 - urinando: animal expelindo urina nas paredes do recinto. 22 - defecando: animal expelindo fezes no chão do recinto 23 - agachada tentando defecar: animal agachado tentando expelir fezes no chão do recinto Exploração: 24 - cheirando recinto: animal cheirando o chão do recinto. 25 - cheirando área de cambeamento: animal cheirando dentro da área de cambeamento. 26 - cheirando casinha: animal cheirando a casinha no fundo do recinto 27 - cheirando porta da área de cambeamento: Alimentação: 28 - ingerindo alimento: animal comendo o alimento ofertado. 29 - cheirando alimento: animal cheirando o alimento ofertado. Interação inter-sexual: 30 - cheirando macho/fêmea: animal cheirando alguma parte do corpo do seu parceiro. 31 - lambendo macho/fêmea: animal lambendo alguma parte do corpo do seu parceiro. 32 - coçando macho/fêmea com os dentes: 9 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 33 - patada no macho fêmea: animal batendo no seu parceiro com um dos membros anteriores. 34 - mordendo macho/fêmea: animal mordendo seu parceiro 35 - brincando com macho e fêmea: animal deitado dando pequenas mordidas e correndo do seu parceiro. Vocalização: 36 - Rosnado: animal emitindo som grave e ameaçador, mostrando os dentes. 37 - Miado: animal emitindo som semelhante a um miado de gato doméstico. Interação com Enriquecimento: 38 - cheirando o pato: animal cheirando o modelo de ave amarrado no teto do recinto. 39 - patada no pato: animal batendo com o membro anterior no pato amarrado no teto do recinto. 40 - pulando em cima do pato: animal pulando em cima do pato caído no chão, após arrebentar o barbante no qual o pato estava amarrado. 41 - observando pato: animal com a face voltado em direção ao pato amarrado no teto do recinto. 42 - pendurado no pato mordendo o barbante: animal com os membros anteriores erguidos segurando o pato, mordendo o barbante. 43 - patada no barbante: animal batendo com o membro anterior no barbante caído no chão. 44 - rasgando pato com os dentes: animal destruindo o modelo de ave com auxílio dos dentes. 45 - cheirando barbante: animal cheirando barbante caído no chão. 46 - cheirando o chão onde caiu o pato: animal cheirando o chão no lugar em que o pato caiu. 47 - cheirando penas: animal cheirando trilha de penas no chão do recinto. 48 - comendo alimento coberto com folhas secas: animal ingerindo alimento escondido embaixo de folhas secas e penas. 49 - mordendo penas: animal mordendo penas de galinha espalhadas pelo recinto. 10 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 50 - cheirando caixa surpresa: animal cheirando caixa de papelão que contém seu alimento habitual dentro. 51 - cheirando trilha de fígado: animal cheirando o rastro da trilha de fígado no chão do recinto. 52 - lambendo trilha de fígado: animal lambendo o rastro da trilha de fígado no chão do recinto. 53 - cheirando embrulho com orégano: animal cheirando os embrulhos de jornal com orégano dentro, no chão do recinto. 54 - cheirando embrulho de cravo e canela: animal cheirando os embrulhos de jornal com cravo e canela dentro, no chão do recinto. Houve diferença na resposta do casal aos itens de enriquecimento introduzidos no recinto: alimento no interior de modelo de ave (MA), alimento no interior de caixa de papelão (CX), sorvete de carne (SC), orégano embrulhado com jornal (OJ), cravo e canela embrulhados com jornal (CCJ), trilha de fígado (TF) e trilha de penas com alimento coberto com penas e folhas secas (TPAC) (Figura 1). (A) 11 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 (B) Figura 1. Diferença na resposta do casal de jaguatiricas aos itens de enriquecimento ofertados, sendo (A) para macho e (B) para fêmea. Os itens de enriquecimento que causaram mais interações para o ambos foram: alimento no interior de modelo de aves com 66,66% das interações para o macho e 54,54% para a fêmea, seguido de trilha de penas com alimento coberto com penas e folhas secas com 22,22% das interações para o macho (figura 2) e 31,81% para a fêmea. Figura 2. Macho cheirando alimento coberto com penas e folhas secas. Com a análise na fase de enriquecimento, observou-se preferência tanto do macho como da fêmea por um dos itens de enriquecimento alimentar (pato com o alimento habitual em seu interior). Em estudos realizados com queixadas por SANS (2008), foram realizados enriquecimentos alimentar, físico e olfativo, e os 12 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 resultados mostraram uma preferência maior por itens de enriquecimento alimentar, evidenciando que o estímulo olfativo não foi o preferido pelos animais. O enriquecimento olfativo despertou pouco interesse nas jaguatiricas cativas, porém o enriquecimento misto (alimentar + olfativo) foi o segundo item mais expressivo, talvez seja necessário expor os animais por mais tempo, ou a novos estímulos olfativos para deduzir se estes realmente não despertam estímulos sensoriais nos animais cativos, visto que estes têm olfato bastante aguçado. Para o macho dois itens não causaram interações entre o animal e o enriquecimento, o primeiro foi a caixa surpresa. Pode ser que o animal não tenha interagido com a caixa por ter achado sua estrutura complexa, pois no dia seguinte constatou-se que o alimento de apenas uma das caixas tinha sido comido e o da outra se encontrava intacto. O segundo item que não causou interação tanto para o macho como para a fêmea, foi o sorvete de carne. Talvez seja necessário testar novamente os itens e deixá-los expostos por mais tempo para garantir que estes itens não são atraentes para os animais. 4 CONCLUSÃO O presente estudo mostrou como o enriquecimento ambiental pode aumentar a diversidade comportamental de animais cativos. Técnicas simples e baratas como as que foram empregadas neste trabalho mostraram-se eficazes no aumento de atos comportamentais normais da espécie. Sugere-se que o zoológico continue com o programa de enriquecimento ambiental tanto para os animais estudados, como para os demais. REFERÊNCIAS ABREU, K.C; KOPROSKI, L.P.; KUCZACH, A.M.; CAMARGO, P.C.; BOSCARATO, P.G. 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