APLICAÇÃO CONCENTRADA OU SEQÜENCIAL DE TRIAZÓIS SISTÊMICOS, EM ALTAS DOSES VIA PULVERIZAÇÃO, EM CAFEEIROS PARA CONTROLE DA FERRUGEM J.B. Matiello e S.R. Almeida, Engs Agrs MAPA-Procafé Os sistemas usuais, tradicionais, de controle da ferrugem do cafeeiro são aqueles via solo, ou via pulverizações na folhagem sendo que podem ser combinadas as 2 vias e também diferentes produtos. No solo são usadas doses mais elevadas, de uma só vez, em outubro-dezembro. Via foliar o sistema normal é o uso de 2-3 aplicações em doses baixas, no período de dezembro a abril, com o uso de formulações fungicidas triazóis mais estrubirulinas. Ocorre que, nos últimos anos, a eficiência de controle dos fungicidas triazóis tem ficado menor, especialmente na modalidade via solo. Suspeitou-se de algo de resistência do fungo e, também, da possibilidade de estar havendo a decomposição do fungicida por micro-organismos do solo. Então, pensou-se em experimentar aplicações concentradas, semelhantes ao normal via solo, porém na via foliar. Com este objetivo foram realizadas diversas pesquisas, das quais destacamos três, cuja citação se encontra no rodapé dos quadros 1, 2 e 3. Recentemente outro trabalho estudou aplicações concentradas, porem sequenciais, em curto intervalo, para melhorar a distribuição das pulverizações, pois nesse caso foi usado um canhão-atomizador, sabidamente com uma deposição de gotas mais irregular. Sabe-se que muitos ativos triazóis podem ser absorvidos e translocados, tanto pelas folhas como pelos ramos e troncos, alem, é lógico, com já foi dito, pelas raízes. Os tratamentos com doses elevadas e concentradas de triazóis mostraram bons resultados de eficiência, que podem ser observados dos dados apresentados nos quadros 1,2 e 3. No trabalho com o uso do canhão atomizador, em aplicações seqüenciais com o uso de fungicida à base de Flutriafol (Impact 125), houve, também, boa eficiência de controle da à ferrugem, em tratamentos feitos, nos últimos 5 anos, em lavouras de conillon, localizadas nos municípios de Mutum, no Vale do Rio Doce, em Minas e em Linhares, no Espirito Santo. (Matiello, Oliveira e Siqueira, anais do 36º CBPC, 2010, p. ) As doses de produtos experimentadas e indicadas são aquelas normais de solo, ou, em produtos que não são recomendados via solo deve-se usar a dose total indicada via foliar, mais cerca de 30%, isto numa só aplicação. Outra coisa importante é definir bem a época de aplicar. Ela deve coincidir com aquela onde a ferrugem encontra melhores condições de evolução, no período de inicio de granação dos frutos, porem sempre com índices de doença baixos, pois o tratamento se baseia em efeito protetivo-preventivo, atuando, com altas doses, na redução do inoculo. A primeira aplicação tem coincidido, na maioria dos anos, em meados de janeiro a inícios de fevereiro e, logo, a segunda, no caso de uso seqüencial, indicado para canhão, vai ser feita em intervalo de no máximo 30 dias. Outra particularidade do sistema é a inclusão de fungicidas cúpricos, ou estrubirulinas, para efeito de redução de possíveis raças resistentes do fungo, ao mesmo tempo que prolonga o efeito residual do controle, alem, é claro, do efeito tônico-nutricional e do controle paralelo de outras doenças. A idéia desse novo sistema de controle da ferrugem parte da hipótese, citada também para a ferugem da soja, de que estaria havendo uma resistência quantitativa do fungo aos triazõis, não qualitativa. Deste modo, doses maiores, concentradas atuariam melhor e, com a redução drástica do inoculo, aliada à proteção em seguida, atuariam de modo eficiente, conforme comprovado cientificamente nos experimentos. Com base nos resultados obtidos, a nível experimental e a nível de uso extensivo, nossa proposta é no sentido de que os Técnicos recomendantes passem a experimentar o sistema novo, Fundação Procafé Alameda do Café, 1000 – Varginha, MG – CEP: 37026-400 35 – 3214 1411 www.fundacaoprocafe.com.br aqui proposto, inicialmente em pequenas áreas, para que possam observar os resultados a nível local-regional. Quadro 1- Infecção pela ferrugem em cafeeiros sob aplicação única e dividida de triazóis, em altas doses. Eloy Mendes, MG, 2006 % de fls infectadas (junho-06) 3,60 a 5,00 a 19,0 b 1,0 a 0,5 a 91,0 c Tratamentos Alto 100, 2,5 l por ha, 1 apl Jan Alto 100, 1,25 l por ha, 2 apl, jan e mar Bayfidan, 4,0 kg por ha, 1 apl Jan Impact, 4,0 l por ha, 1 apl Jan Opera, 2,5 l por ha, 1 apl Jan Testemunha Fonte- Matiello e Almeida, Anais do 32º CBPC, 2006, p. 26 Quadro 2- Infecção e desfolha pela ferrugem em cafeeiros sob aplicação única de triazóis, em altas doses, via foliar, Varginha-MG, 2007 Tratamentos Avaliações da ferrugem % de fls infectadas (junho-07) % de desfolha ago-07 Alto 100, 3 l por ha +150 g Amistar, 1 apl Jan 2,5 a 30 a Bayfidan, 5 l por ha+150 g Amistar, 1 apl Jan 9,5 a 38 a Opus, 2,5 l por ha +150 g Amistar, 1 apl Jan 1,5 a 28 a Impact, 4,5 l por ha +150 g Amistar, 1 apl Jan Domarck, 4 l por ha +150 g Amistar, 1 apl Jan 7,5 a 5,8 a 32 a 48 a Testemunha 65,0 b 81 b Fonte- Matiello, Almeida, ferreira, Andrade e Ramos, Anais do 33º CBPC, p. 22, 2007 Quadro 3- Infecção pela ferrugem em cafeeiros, sob diversas combinações de tratamentos com triazóis, em doses altas,, via foliar e solo. Matipó-MG, 2006 Tratamentos % de fls infectadas (julho-06) Bayfidan - 4 l por ha , 1 apl Jan, foliar 7,50 a Bayfidan - 4 l por ha , 2 apl(2 l) Jan e Fev, foliar Bayfidan, 4,0 kg por ha, via solo 4,23 a 30,33 c Verdadero WG, 1 kg por ha, via solo 26,77 c Bayfidan, 2,0 kg por ha, via solo e Sphere, 0,6 l por ha foliar, Fev 12,77 b Sphere 0,9 l por ha, Jan e Fev 14,83 b Testemunha 38,40 d Fonte- Barros, Matiello, Garcia e Zabini, Anais do 32º CBPC, 2006, p. 24. Fundação Procafé Alameda do Café, 1000 – Varginha, MG – CEP: 37026-400 35 – 3214 1411 www.fundacaoprocafe.com.br Aplicações via canhão atomizador, em aplicações concentradas, em altas doses, seqüenciais, são eficientes no controle da ferrugem do cafeeiro. Fundação Procafé Alameda do Café, 1000 – Varginha, MG – CEP: 37026-400 35 – 3214 1411 www.fundacaoprocafe.com.br