Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À ÉTICA EMPRESARIAL APLICADA AO RELACIONAMENTO COM CLIENTES EM PROCESSOS PÓS-VENDAS: ESTUDO DE CASO DO PROCON-PR Dissertação de Mestrado Franciane Rodante Gaioto Florianópolis 2001 DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À ÉTICA EMPRESARIAL APLICADA AO RELACIONAMENTO COM CLIENTES EM PROCESSOS PÓS-VENDAS: ESTUDO DE CASO DO PROCON-PR Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À ÉTICA EMPRESARIAL APLICADA AO RELACIONAMENTO COM CLIENTES EM PROCESSOS PÓS-VENDAS: ESTUDO DE CASO DO PROCON-PR Franciane Rodante Gaioto Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção Florianópolis 2001 i Franciane Rodante Gaioto DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À ÉTICA EMPRESARIAL APLICADA AO RELACIONAMENTO COM CLIENTES EM PROCESSOS PÓS-VENDAS: ESTUDO DE CASO DO PROCON-PR Esta dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina Florianópolis, 05 de outubro de 2001. Prof. Ricardo Miranda Barcia – Ph.D Coordenador do Curso BANCA EXAMINADORA Prof. Harrysson Luiz da Silva – Dr. Orientador Prof. Miriam Loureiro Fialho – Dr. Prof. Adriana de Medeiros – Dr. ii Ao meu esposo, Alessandro e ao meu filho Vitor, por existirem na minha vida iii Agradecimentos Ao orientador e amigo Harrysson Luiz da Silva pela sabedoria, discernimento e presteza. À minha amiga Neli Poppi pela assessoria no tratamento estatístico dos dados. Ao meu pai Antonio e minha mãe Sonia pelo incentivo ideológico e financeiro. Ao PROCON-PR pela atenção no fornecimento dos dados. E a todos que direta e indiretamente contribuíram para a realização desta pesquisa. iv SUMÁRIO Lista de Gráficos........................................................................................................ vi Lista de Quadros....................................................................................................... vii Lista de Tabelas........................................................................................................ viii Lista de Siglas........................................................................................................... ix Resumo..................................................................................................................... x Abstract..................................................................................................................... xi INTRODUÇÃO........................................................................................................ 1 1 - DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À ÉTICA EMPRESARIAL............... 4 1.1 - Responsabilidade Social Corporativa.................................................... 4 1.1.1 - Histórico da Responsabilidade Social Corporativa........................................ 4 1.1.2 - Evolução Recente do Conceito de Responsabilidade Social Corporativa..... 6 1.1.3 - Revisão do Conceito de “Cidadania Empresarial”......................................... 10 1.1.4 - Análise Comparativa dos Conceitos de Responsabilidade Social Corporativa e Cidadania Empresarial........................................................................ 14 1.1.5 - SA 8000 – Norma de Responsabilidade Social............................................. 19 1.2 - Ética Empresarial......................................................................................... 23 1.2.1 - A Evolução da Ética Empresarial................................................................... 25 1.2.2 - Aspectos a serem contemplados na Ética Empresarial................................. 30 1.2.3 - A Ética e os Direitos do Consumidor.............................................................. 48 1.3 - Metodologia.................................................................................................. 50 51 2 - A COORDENADORIA ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR – PROCON-PR........................................................................... 2.1 - Estrutura do PROCON-PR......................................................................... 51 2.1.1 - Retrospectiva Histórica.................................................................................. 51 2.1.2 - A Estrutura Administrativa do PROCON-PR.................................................. 52 2.1.3 - Formas de Atuação – PROCON-PR.............................................................. 56 2.1.4 – Projetos e Desenvolvimento pelo PROCON-PR........................................... 62 v 3 - AVALIAÇÃO DOS ATENDIMENTOS DE CONSUMIDORES PELO PROCON-PR (1999 E 2000) ................................................................................ 64 3.1 - Avaliação dos Atendimentos - 1999........................................................ 64 3.1.1 - Classificação por Áreas.................................................................................. 64 3.1.2 - Audiências Realizadas................................................................................... 76 3.2 - Avaliação dos Atendimentos - 2000........................................................ 77 3.2.1 - Classificação por Áreas.................................................................................. 78 3.2.2 - Audiências Realizadas................................................................................... 89 3.3 - Evolução do Número de Atendimentos (1999-2000)........................... 90 3.3.1 - Avaliação dos Atendimentos.......................................................................... 90 3.3.2 - Análise Geral do Comportamento das Áreas................................................. 91 3.3.3 - Audiências Realizadas................................................................................... 93 3.3.4 - Classificação dos Principais Problemas dentre os Setores de Serviços, Saúde, Habitação e Financeiros............................................................................... 94 4 - A RELAÇÃO COM OS CLIENTES E A ÉTICA EMPRESARIAL.............. 99 4.1 - As Áreas Prioritárias para Intervenção e o CDC.................................. 99 4.1.1 - O Código de Defesa do Consumidor - CDC.................................................. 100 4.1.2 - Os Dez Direitos Básicos do Consumidor e a Categorização dos Problemas das Áreas................................................................................................ 103 4.2 - A Necessidade de um Código de Ética Objetivo e Concreto............ 107 CONCLUSÃO......................................................................................................... 110 RECOMENDAÇÕES.............................................................................................. 113 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................... 114 BIBLIOGRAFIA...................................................................................................... 115 vi Lista de Gráficos Gráfico 1: Distribuição dos atendimentos por canal de acesso em 1999.................. 64 Gráfico 2: Atendimentos por área versus canal de acesso em 1999........................ 66 Gráfico 3: Distribuição dos atendimentos por área em 1999.................................... 67 Gráfico 4: Distribuição dos atendimentos por canal de acesso em 2000.................. 77 Gráfico 5: Atendimentos por área versus canal de acesso em 2000........................ 79 Gráfico 6: Distribuição dos atendimentos por área em 2000.................................... 80 Gráfico 7: Comparativo dos atendimentos 1999/2000.............................................. 91 Gráfico 8: Evolução comparativa dos atendimentos 1999/2000............................... 91 Gráfico 9: Evolução das audiências 1999/2000........................................................ 94 Gráfico 10: Classificação das áreas problemáticas 1999/2000................................. 95 Gráfico 11: Evolução comparativa das áreas problemáticas 1999/2000.................. 96 Gráfico 12: Dúvida sobre cobrança x assuntos mais registrados 1999/2000........... 104 Gráfico 13: Contrato x assuntos mais registrados 1999/2000................................... 105 Gráfico 14: Cobrança indevida x assuntos mais registrados 1999/2000.................. 105 Gráfico 15: Recusa/Má prestação dos serviços x assuntos mais registrados1999/2000................................................................................................ 106 vii Lista de Quadros Quadro 1: Análise da literatura de responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial............................................................................................... 18 Quadro 2: Indicadores da SA 8000........................................................................... 20 Quadro 3: Empresas certificadas pela norma SA 8000............................................ 22 Quadro 4: Accountability council............................................................................... 29 Quadro 5: Compatibilização das metas individuais com as metas da sociedade.................................................................................................................. 47 Quadro 6: Reclamações na área de alimentos em 1999.......................................... 69 Quadro 7: Reclamações na área de assuntos financeiros em 1999......................... 70 Quadro 8: Reclamações na área de consórcios em 1999........................................ 71 Quadro 9: Reclamações na área de habitação em 1999.......................................... 72 Quadro 10: Reclamações na área de produtos em 1999.......................................... 73 Quadro 11: Reclamações na área de saúde em 1999.............................................. 74 Quadro 12: Reclamações na área de serviços em 1999.......................................... 75 Quadro 13: Reclamações na área de alimentos em 2000........................................ 82 Quadro 14: Reclamações na área de assuntos financeiros em 2000....................... 83 Quadro 15: Reclamações na área de consórcios em 2000...................................... 84 Quadro 16: Reclamações na área de habitação em 2000........................................ 85 Quadro 17: Reclamações na área de produtos em 2000.......................................... 86 Quadro 18: Reclamações na área de saúde em 2000.............................................. 87 Quadro 19: Reclamações na área de serviços em 2000.......................................... 88 Quadro 20: Assuntos mais registrados x problemas mais críticos 1999/2000.......... 103 viii Lista de Tabelas Tabela 1: Distribuição dos atendimentos por canal de acesso em 1999.................. 64 Tabela 2: Atendimentos por área versus canal de acesso em 1999......................... 66 Tabela 3: Distribuição dos atendimentos por área em 1999..................................... 67 Tabela 4: Distribuição dos atendimentos por canal de acesso em 2000.................. 77 Tabela 5: Atendimentos por área versus canal de acesso em 2000......................... 79 Tabela 6: Distribuição dos atendimentos por área em 2000..................................... 80 Tabela 7: Percentual dos atendimentos em 1999 em 2000...................................... 90 Tabela 8: Situação das audiências realizadas em 1999 e 2000............................... 93 Tabela 9: Assuntos mais problemáticos em 1999 e 2000......................................... 95 ix Lista de Siglas CDC – Código de Defesa do Consumidor CEPAA – Council on Economic Priorities Accreditation Agency (Conselho de Prioridades Econômicas – Agência de Certificação) ISO – International Standardization for Organization (Organização Internacional para Normatização) OIT – Organização Internacional do Trabalho PROCON-PR – Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor SA 8000 – Social Accountability 8000 (Norma de Responsabilidade Social) x Resumo GAIOTO, Franciane Rodante. Da Responsabilidade Social à Ética Empresarial aplicada ao relacionamento com Clientes em processos pós-vendas: Estudo de Caso do PROCON – PR. Florianópolis, 2001. 130f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, 2001. Mesmo em face da mídia ressaltar que o cliente é o “rei” ou mesmo a “razão de ser” da empresa, sabemos que muitos consumidores tem sido alvos de práticas antiéticas que violam direitos básicos do consumidor prescritos na lei. Esta pesquisa tem como objetivo fazer uma avaliação dos principais problemas no PROCON-PR em 1999 e 2000 relativamente às reclamações de clientes na sua relação com as empresas. A pesquisa está orientada primeiramente em resgatar o histórico conceitual da responsabilidade social conduzindo para a abordagem da ética empresarial. A metodologia adotada fundamenta-se na coleta de dados relativos aos atendimentos registrados no PROCON-PR em 1999 e 2000 para tabulação e análise das principais reclamações alocadas por assuntos e áreas de classificação estabelecidas (alimentos, assuntos financeiros, consórcios, habitação, produtos, saúde e serviços). Posteriormente, estas reclamações terão a sua natureza investigada à luz do Código de Defesa do Consumidor fazendo uma inter-relação com os aspectos éticos relacionados ao cliente. Palavras-chave: responsabilidade social, ética empresarial, clientes, Procon, código de defesa do consumidor xi Abstract GAIOTO, Franciane Rodante. Of the Social Responsibility to the Managerial Ethics applied to the relationship with Customers in after-sales processes: Case’s study of PROCON - Pr. Florianópolis, 2001. 130f. Dissertation - Program of Masters degree in Engineering of Production, UFSC, 2001. Even in face of the media to stand out that the customer is the " king " or even the “reason of being” of the company, we know that many consumers have been objectives of practical antiéticas that violate the consumer's basic rights prescribed in the law. This research has as objective to do an evaluation of the main problems in PROCON-PR in 1999 and 2000 relatively to customers' complaints in its relationship with companies. The research is guided firstly in rescuing the historical conceptual of the social responsibility driving for abordagem of the managerial ethics. The adopted methodology is based in the collection of the data in PROCON-PR in 1999 and 2000 for tabulation and analysis of the main problems and of the most outstanding sections (foods, financials, partnerships, dwelling, products, health and services). Later on, these main problems will have its nature investigated to the light of the Code of Defense of the Consumer making an interrelation with the ethical aspects related the customer. Key-words: social responsibility, managerial ethics, customers, Procon, code of the consumer's defense 1 INTRODUÇÃO No contexto de globalização, as empresas brasileiras viram-se compelidas a mudarem radicalmente suas estratégias de negócios e padrões gerenciais tradicionais. Paralelamente tiveram de acompanhar a acelerada evolução tecnológica e entrar na chamada era da informação principalmente com o avanço exponencial da internet. Contudo, as mudanças são mais profundas, quanto podemos constatar. Como estamos no processo, às vezes não nos damos conta que o modo da sociedade se organizar está se alterando, os papéis dos Estados, das empresas e das pessoas, a noção de cidadania está sendo redefinida. Afinal, qual seria o novo papel da empresa neste novo contexto? Sem dúvida, o desafio das empresas tem sido a busca pela excelência, desde a melhoria da qualidade dos produtos/serviços e processos até chegar a ter como objetivos a qualidade nas relações e a busca da sustentabilidade econômica, social e ambiental. A empresa é uma organização social que engloba os interesses de vários grupos – clientes, funcionários, fornecedores, concorrentes, governantes e autoridades, sociedade em geral, e os próprios acionistas, mantendo com eles uma relação de interdependência. Tendo em vista a extensão de seus relacionamentos, as empresas podem e devem contribuir através do compromisso com responsabilidade social, cidadania e ética. Recentemente, o tema de responsabilidade social tem ganhado espaço nos debates e nos meios de comunicação, e avançado para uma visão 2 estratégica da empresa. Desde 1997 está em vigor a SA 8000, norma certificável que estabelece especificamente requisitos sociais para assegurar a aplicação dos direitos do trabalho e dos direitos humanos. A SA 8000 assemelha-se às normas ISO 9000 (relativo à implantação de um sistema da qualidade) e ISO 14000 (sistema voltado à melhoria do meio ambiente), pois também utiliza-se de um sistema gestão que inclui definição da política, metas e objetivos, disseminação através da descrição formal dos procedimentos e avaliação contínua do sistema. Infelizmente, inúmeras pessoas tem sido vítimas de práticas irregulares de muitas empresas que insistem em utilizá-las como forma de obter vantagem nos negócios. Na relação empresa-cliente, as reclamações que violam direitos básicos do Código de Defesa do Consumidor e chegam nos órgãos de proteção têm aumentado ano a ano. Neste contexto, surgiu a seguinte problemática (problema de pesquisa): Se as empresas agissem de forma ética com seus clientes, produzindo produtos/serviços com qualidade, atendendo possíveis reclamações e resolvendo-as, seria necessário a atuação dos PROCONs? Diante do problema apresentado, este trabalho tem como objetivo geral fazer uma avaliação dos principais problemas no PROCON-PR em 1999 e 2000 relativamente à reclamações de clientes na sua relação com a empresa. Como objetivos específicos, analisar o comportamento das reclamações por setor empresarial no PROCON-PR em 1999 e 2000 e estabelecer uma relação entre a avaliação 1999-2000 e o Código de Defesa do Consumidor – CDC. 3 Para tal, o capítulo 1 resgatará o histórico conceitual da responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial, para chegar ao desdobramento da ética empresarial. No capítulo 2, será apresentado a estrutura administrativa do PROCON-PR e suas formas de atuação. No capítulo 3, será feito um levantamento das reclamações de 1999 e 2000 do PROCON-PR, e extraídas as ocorrências que mais se destacaram. O capítulo 4, se consolidará as informações: principais ocorrências x princípios básicos violados do CDC x princípios éticos a serem adotados pela empresa. 4 1 - DA RESPONSABILIDADE SOCIAL A ÉTICA EMPRESARIAL 1.1 - Responsabilidade Social Corporativa Este capítulo abordará a evolução conceitual da história da responsabilidade social corporativa. Mesmo de posse de vasta literatura sobre o assunto, observa-se certa confusão. Algumas vezes, o termo “responsabilidade social corporativa” é considerado sinônimo de “cidadania empresarial”. Após a análise conceitual dos termos “responsabilidade social corporativa” e “cidadania empresarial”, trataremos concomitantemente da “ética empresarial” que teve seu desdobramento da responsabilidade social. 1.1.1 - Histórico da Responsabilidade Social Corporativa Até o início do século XX, a premissa fundamental da legislação a respeito de corporações objetivava a realização de lucros para os acionistas. Em 1919, Henry Ford, presidente e acionista majoritário da Ford, contrariou um grupo de acionistas da sua empresa dentre eles, John e Horace Dodge, ao reverter parte dos dividendos dos acionistas em investimentos para aumentar a capacidade de produção, aumentar os salários e como fundo de reserva, devido a redução esperada de receitas pela baixa nos preços dos carros. A Justiça Americana se posicionou contrária à atitude de Henry Ford, justificando 5 que a filantropia corporativa e o investimento na imagem da corporação poderiam ser realizados, na medida em que favorece lucro aos acionistas. Naquela época, a corporação existia exclusivamente para benefício de seus acionistas. Ashley (2000) em posse de um vasto levantamento bibliográfico sobre o histórico conceitual da responsabilidade social acrescenta que esta compreensão da corporação responder apenas aos acionistas, começou a mudar conceitualmente com os trabalhos de Berle e Means em 1932, argumentando que os acionistas eram passivos proprietários que abdicavam controle e responsabilidade para a direção da corporação. Em 1953 veio à tona outro caso julgado pela Justiça Americana que retomou o debate sobre a responsabilidade social corporativa, foi o caso A P. Smith Manufacturing Company versus Barlow, segundo Campbell et al. (apud Ashley, 2000). Desta vez, a interpretação no julgamento sobre a inserção da corporação na sociedade e suas respectivas responsabilidades teve posição favorável à doação de recursos para a Universidade de Princeton, e contrária aos interesses de um grupo de acionistas. A decisão da Justiça, determinou que uma corporação pode buscar o desenvolvimento social, estabelecendo a lei da filantropia corporativa. A partir de então, defensores da responsabilidade social passaram a argumentar que, se a filantropia era uma ação legítima da corporação, então outras ações que priorizam objetivos sociais em relação aos retornos financeiros dos acionistas poderiam ser de igual legitimidade, como por 6 exemplo abandonar linhas de produtos lucrativas, porém destrutivas ao ambiente natural e social. 1.1.2 - Evolução Recente do Conceito da Responsabilidade Social Corporativa Como se pode constatar, o conceito de responsabilidade social corporativa estava baseado nos conceitos de direitos da propriedade. Um diretor não tinha o direito de fazer nada que não atendesse aos objetivos da maximização dos lucros, mantidos os limites da lei. Qualquer ato diferente, seria tido como violação das obrigações morais, legais e institucionais. Jones (apud Ashley, 2000) aborda o tema da responsabilidade social corporativa fazendo “crítica ao conceito de responsabilidade social corporativa, concluindo que o conceito e discurso da responsabilidade social corporativa carecem de coerência teórica, validade empírica e viabilidade normativa, mas que oferecem implicações para o poder e conhecimento dos agentes sociais”. Considera que os argumentos a favor se enquadram em duas linhas básicas, que ele classifica de éticas e instrumentais. Na linha ética, os argumentos estão firmados em princípios religiosos e normas sociais prevalecentes. Por exemplo, numa empresa as pessoas devem ser conduzidas a se comportarem de maneira socialmente responsável, visto ser uma ação moralmente correta, mesmo que envolva despesas improdutivas para a empresa. 7 Os argumentos da linha instrumental consideram que há uma relação positiva entre o comportamento socialmente responsável e a performance econômica da empresa. Esta relação pró-ativa é justificada por gerar oportunidades em: • maior conscientização sobre as questões culturais, ambientais e de gênero; • antecipação e evitação de regulações restritivas à ação empresarial pelo governo; • diferenciação de seus produtos diante de seus competidores menos responsáveis socialmente. O conceito de responsabilidade social corporativa, com forte conotação normativa e cercado por debates filosóficos sobre o dever das empresas em promover o desenvolvimento social, na década de 70, passou a ser cunhado de “responsividade social corporativa”. Diante deste novo conceito, veio a necessidade de construção de ferramentas teóricas que pudessem ser testadas e aplicadas no meio empresarial. Segundo Frederick (apud Ashley, 2000) as perguntas passaram a ser sobre como, e em que medida, a corporação pode responder às suas obrigações sociais, essas já sendo consideradas como um dever da corporação. Ashley (2000) comenta que no início dos anos 90, Wood realizou relevante esforço de consolidação dos trabalhos teóricos sobre o conceito de responsabilidade social corporativa até então, e propôs um modelo de performance social corporativa como sendo a configuração de uma organização em termos de: princípios de responsabilidade social corporativa, 8 processos de responsividade social corporativa e resultados sociais corporativos. Em relação aos princípios são expressos em três níveis: institucional – legitimidade da empresa; organizacional – responsabilidade pública; e individual – árbitro gerencial. Já os processos se referem ao diagnóstico ambiental, a gestão da relação com seus stakeholders e a gestão de questões sociais. E os resultados sociais são as políticas, programas e impactos sociais da empresa. Contudo, Ashley revela uma crítica ao modelo de Wood feita por Swanson em 1995, que propõe a integração de perspectivas econômicas e normativas aos princípios de responsabilidade social corporativa nos níveis individual, organizacional e institucional. Diante da incorporação da ética e dos valores nas relações de troca dos processos sociais e decisórios, a visão poderia ser ampliada nas relações de troca com a sociedade, incluindo valores para o desenvolvimento econômico e social que legitimam a existência das empresas e permeiam os seus processos decisórios. Na década de 90, os termos responsabilidade e responsividade social corporativa passaram cada vez mais a incorporar o aspecto normativo com uma maior participação de autores da área acadêmica que trata da ética nos negócios. Ashley (2000) declara que os trabalhos de Frederick de 1994 e 1998 vem expandindo a terminologia de responsabilidade social corporativa ao longo do desenvolvimento teórico sobre o tema, definindo conceitos de responsabilidade social corporativa – CSR1, responsividade social corporativa – CSR2, rectitude social corporativa – CRS3 e o mais recente Cosmos, Science & Religion – CSR4. 9 Os conceitos CSR1 e CSR2 já foram abordados no modelo de Wood em 1991. O CSR3 já inclui a necessidade de uma ética normativa para a responsabilidade social corporativa poder vigorar na prática. O recente termo CSR4, publicado por Frederick em 1998, é uma tentativa de descentralização da corporação sobre o conceito de performance social corporativa para uma visão transdisciplinar da ciência e a incorporação da predisposição humana para a religião. O CSR4 seria um novo paradigma para responder as questões de conflito entre os negócios e a sociedade em todos os níveis institucionais, descartando os modelos de responsabilidade social corporativa que se dizem moralmente neutros e que enfatizam apenas as medições de performance social corporativa. Segundo Ashley (2000), Frederick apoia-se nas teorias de Mitnick (1995), que demostra que todos os modelos de responsabilidade, responsividade e rectitude social corporativa incorporam idéias morais e éticas, mesmo se não expressos conscientemente, constituindo-se em referência normativa. O trabalho de Mitnick aponta as mudanças ocorridas no referencial normativo e entende que não há razão para finalizar a busca de teorização sobre estágios mais desejados de referência normativa. 10 1.1.3 - Revisão do Conceito “Cidadania Empresarial” Alguns autores utilizam os termos responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial como sendo sinônimos na literatura, acarretando certa inconsistência na própria definição conceitual. O termo cidadania empresarial tem sido muito usado na mídia, e tratado de maneira instrumental, ou seja, como algo que traria uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes pela repercussão dos projetos e ações investidos na área social com recursos transferidos por empresas. Empresas com negócios internacionais, ou com unidades espalhadas pelo globo, faz-se necessário desenvolver uma política de investimentos sociais, comunitários ou ambientais, repensar sua responsabilidade social de forma estratégica, alinhada com seus objetivos. Desta forma, o foco de investimento social estariam em áreas que possam alavancar os pontos no seu core business, melhor utilizar seus recursos e maximizar o retorno para as comunidades em que atuam, seus colaboradores e investidores. Esta linha de pensamento vem guiando o termo de “filantropia estratégica”, que tem aumentado o número de adeptos no meio empresarial nos últimos anos. O governo americano também tem promovido o termo de cidadania empresarial. Em 1996, Bill Clinton, Presidente dos Estados Unidos da América, promoveu uma conferência reunindo empresários, líderes trabalhistas e estudantes para discutir, disseminar e incentivar práticas de cidadania empresarial. Clinton destaca cinco princípios da cidadania empresarial: ambientes de trabalho favoráveis à vida familiar dos empregados, seguro 11 saúde e plano de previdência, segurança no trabalho, investimento nos empregados e parceria com os empregados. Como pode constatar, Clinton apenas contempla os funcionários no grupo de stakeholders, deixando inconsistente o conceito de cidadania empresarial. O Prêmio ECO (Empresa e Comunidade), promovido pela Câmara Americana de Comércio em São Paulo, é uma forma de incentivar e premiar ações de cidadania por parte das empresas. São aceitas inscrições de projetos: • cuja finalidade seja o atendimento as necessidades de caráter público e que não se confundam com interesses comerciais privados; • cujo público beneficiado não seja exclusivamente os funcionários da empresa e/ou seus familiares; • que não sejam resultantes de uma obrigação legal imposta à empresa, ou de uma tentativa de minimizar ou anular os efeitos negativos que a atividade da empresa gera na comunidade ou na sociedade como um todo; e • com, no mínimo, um ano de execução. Este prêmio contribui para a incorporação da forma instrumental, pois remete à melhoria dos resultados, e principalmente de sua imagem. Analisando o discurso dos atores envolvidos no processo do prêmio, Rohden detectou que o termo filantropia empresarial é pouco utilizado pois sugere uma conotação paternalista das iniciativas dos empresários na sociedade civil. Termos mais freqüentes e adequados são de ação social empresarial, investimento social, participação social ou comunitária da empresa, desenvolvimento social ou 12 cidadania empresarial. Segundo Rohden (apud Ashley, 2000), o conceito de cidadania empresarial encampa a noção co-responsabilidade da empresa pelo problemas da sociedade, definindo como empresa-cidadã “aquela que não foge aos compromissos de trabalhar para a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade”. Ashley (2000) resgata as idéias de alguns autores sobre cidadania empresarial. Segundo Mayhew, a cidadania empresarial teve suas origens em ações paternalistas, sendo a maior parte destas ações de caráter filantrópico e tinham como principal fator motivador algum tipo de retorno aos investidores. Neste sentido, Altman aponta a cidadania empresarial como sendo a função de relações comunitárias corporativas e a define como a função por meio da qual a empresa interage, intencionalmente, com organizações sem fins lucrativos, grupos de cidadãos e outros stakeholders ao nível da comunidade. Por outro lado, Martinelli (apud Ashley, 2000) propõe uma perspectiva de evolução da empresa, classificável em três estágios, a saber: “a) a empresa como um negócio voltada para o lucro, cujo o empresário tem uma visão imediatista e mecanicista. b) a empresa como organização social que engloba os interesses de grupos de stakeholders – clientes, funcionários, fornecedores, sociedade (comunidade) e os próprios acionistas, mantendo com eles uma relação de interdependência. Podem estar refletidas em ações reativas (resolução de conflitos) ou pró-ativas, tendo para cada grupo de stakeholdes uma política clara de atuação. 13 c) a empresa-cidadã que opera sob uma concepção estratégica e um compromisso ético, resultando na satisfação das expectativas e respeito dos parceiros. Neste estágio, a empresa passa a agir na transformação do sociedade e do desenvolvimento do bem comum.” Segundo Martinelli, quando a empresa se classifica no estágio de empresa-cidadã, o foco principal está em contribuir em prol da transformação da sociedade e no desenvolvimento do bem comum, sem se ater apenas aos resultados financeiros da organização. Sua atuação de agente econômico se estenderia à de agente social. Martinelli argumenta ainda que com a prática da cidadania, a empresa tem ganhos substanciais no valor agregado de sua imagem, no desenvolvimento de lideranças mais sólidas e socialmente responsáveis, na melhoria do clima organizacional que aumenta a auto estima, traz motivação, satisfação, reconhecimento e, orgulho por participar efetivamente de projetos sociais. Mesmo não sendo sinônimos os conceitos de “responsabilidade social corporativa” e “cidadania empresarial”, os trabalhos de Carrol propõe uma convergência entre os termos e aponta quatro faces para a cidadania empresarial: econômica, legal, ética e filantrópica. As boas empresas-cidadãs devem ser lucrativas, obedecer às leis, ter comportamento ético e retribuir à sociedade em forma de filantropia (caridade, altruísmo). Já Maignan, conceitua “cidadania empresarial” num espectro mais amplo, não apenas voltado à projetos sociais mas que envolva toda a organização. Integra o conceito adotado por Carrol em 1979 para a 14 performance social corporativa e o conceito de stakeholder management adotado por Clarkson em 1995. Então Maignan (apud Ashley, 2000) chega à seguinte conceituação de que “cidadania empresarial seria a extensão pela qual as organizações atendem as suas responsabilidades econômicas, legais, éticas e discricionárias, exigidas por seus diversos stakeholders”. Apesar da maioria das definições encontradas darem à cidadania empresarial uma conotação discricionária, encontramos nos trabalhos de Maignan e Mayhew uma preocupação pelo desenvolvimento do conceito de cidadania empresarial para um espectro mais amplo, permeando toda a organização, tendo como pano de fundo o desenvolvimento sustentável e estando, desta forma, presente em seu processo decisório com um todo e não apenas em projetos específicos. 1.1.4 - Análise Comparativa dos Conceitos de Responsabilidade Social Corporativa e Cidadania Empresarial Inicialmente a corporação era tida como o centro de referência sobre a reflexão da responsabilidade social corporativa. Frederick, 1998, questiona tal egocentrismo e compara com o período pré-Copernicano, ou seja, a sociedade girando em torno da corporação e aponta a necessidade de um paradigma de referência cósmica para tudo que acontece em nossa existência. 15 1.1.4.1 - Responsabilidade Social Corporativa Nesta linha descentralizada, destaca-se o trabalho de Kang em 1995, que considera a responsabilidade social corporativa uma atividade pós-lucro, ou seja, a corporação precisa do lucro para sobreviver tornado-a como uma ação meramente instrumental. Kang propõe discutir o conceito de responsabilidade social corporativa pré-lucro, demonstrando o porque as corporações são obrigadas a cumprir suas responsabilidades sociais e morais antes de tentarem maximizar seus lucros, sendo um meio eficiente e efetivo de controle social e uma forma de instalar a confiança nas relações humanas e organizacionais. Kang sugere o conceito de stakeholder social performance - SSP como uma entre muitas categorias de performance, mas que trata da emergente visão sistêmica de redes de stakeholders (Ashley, 2000). Nesta linha de reflexão, constata-se a descentralização da discussão em torno da corporação, deslocando o foco para a visão das redes de relacionamento entre stakeholders, ou seja, nas relações de troca. As trocas não se dão exclusivamente em aspectos econômicos, mas incluem relações de confiança, idéias, e normas éticas. Ashley acrescenta que esta abordagem é acompanhada pelos trabalhos de Zadek, que sugerem uma necessidade de equilíbrio entre performance corporativa, ética e responsabilidade, para que a corporação se torne inclusiva de seus stakeholders, e por outro lado, enfatize a importância da responsabilidade dos consumidores para o “consumo ético” e demais 16 stakeholders para o “comércio ético”. Num destes trabalhos, Zadek utiliza-se de pesquisas empíricas realizadas no Reino Unido para organizar suas proposições teóricas que apontam que os consumidores britânicos optariam por produtos e serviços de empresas que tenham comprovado maior responsabilidade social corporativa em suas operações. Há empresas que na prática envolvem-se nas questões sociais de forma estratégica a fim de inovar processos e produtos organizacionais, melhorar sua reputação na mídia e adquirir vantagens competitivas, ressaltando exclusivamente a instrumentalização da responsabilidade social corporativa. Diante da análise da literatura, constata-se que o conceito de responsabilidade social corporativa requer a necessidade de se discutir um novo conceito de empresa. Em 1998, Enderle e Tavis desenvolvem um modelo de responsabilidade social corporativa que abrange dimensões econômicas, sociais e ambientais. Este modelo serve para empresas avaliarem sua conduta, podendo estar classificadas em três níveis a seguir: • nível 1 – nível onde há mínimos requisitos éticos; • nível 2 – nível em que se consideram obrigações além do nível ético mínimo; • nível 3 – nível em que há aspirações para ideais éticos. A evolução do conceito de responsabilidade social aspira para uma revolução nos modelos tradicionais das empresas se relacionarem. Esta revolução está alicerçada nas questões éticas. 17 1.1.4.2 - O Conceito de Cidadania Empresarial O conceito cidadania empresarial foi incorporado à literatura muito posteriormente ao conceito de responsabilidade social, mas recentemente o termo cidadania empresarial tem se destacado na gestão da relação empresa com os dois grupos de stakeholders: empregados – empresa e comunidade – empresa. Nestas duas relações, a repercussão traz resultados operacionais, econômicos e na qualidade da sua imagem junto ao público. Por outro lado, Maignan, Mayhew e Martinelli colocam que o conceito de cidadania empresarial deve incorporar na gestão estratégica as relações com todos os seus stakeholders. (Ashley, 2000) O quadro 1 sumariza e classifica as abordagens levantadas pela literatura investigada, apoiando-se nos seguintes atributos para a análise conceitual da responsabilidade social corporativa e da cidadania empresarial: • momento de incorporação dos conceitos da empresa: pré-lucro ou póslucro, segundo definição de Kang; • grupo de stakeholders com foco de atenção da incorporação dos conceitos pela empresa: acionistas; comunidade; empregados; empregados e comunidade; e demais stakeholders; • priorização instrumental ou normativa da incorporação dos conceitos pelas empresas. 18 Quadro 1: Análise da Literatura de Responsabilidade Social Corporativa e Cidadania Empresarial Grupo Alvo de Stakeholders Acionistas Comunidade Empregados Empregados e Comunidade Empregados, Comunidade e demais stakeholders Priorização Instrumental Priorização Normativa Pré-Lucro Pós-lucro Pré-lucro Ostergard (1999) Discurso do Pres. Clinton (1996) Kanter (1999) Altman (1998) Pós-lucro Friedman (1970) Carrol (1979, 1998, 1999) Wood (1991) Maigan (1999) Mayhew (1999) Martinelli (1997) Prêmio ECO (2000) Mitnick (1995) Kang (1995) Jones (1996) Zadek (1994, 1997, 1998) Frederick (1994, 1998) Enderle e Tavis (1998) Fonte: ASHLEY, 2000. Analisando a literatura investigada, Ashley (2000) pode constatar que o conceito de responsabilidade social corporativa vem consolidando-se como “um conceito intrinsecamente interdisciplinar, multidimensional e associado à abordagem sistêmica, focada nas relações entre os stakeholders associados direta e indiretamente ao negócio da empresa”. Nesta perspectiva, o conceito, como foi tratado por Enderle e Davis requer a sua incorporação à orientação estratégica da empresa, refletida em desafios éticos para as dimensões econômica, ambiental e social dos negócios. Por outro lado, também constata-se que os conceitos – responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial – estão em processo de maturação e a abstração ainda presente deve dar lugar à construção de indicadores associados às variáveis relacionadas às respectivas dimensões e relações da empresa com seus diversos grupos de stakeholders, conclui Ashley (2000). 19 1.1.5 - SA 8000 – Norma de Responsabilidade Social A adoção das normas certificáveis como a ISO 9000 (Sistema de Gestão da Qualidade) e ISO 14000 (Sistema de Gestão Ambiental) por milhares de empresas brasileiras é também um símbolo do avanço que têm sido obtido em alguns aspectos importantes da responsabilidade social empresarial. Especificamente relacionado ao tema de responsabilidade social, está em vigor deste 10 de outubro de 1997, a norma SA 8000 (Social Accountability 8000). A SA 8000 assemelha-se as normas de qualidade ISO 9000 e ISO 14000 pois utiliza-se também de um sistema de gestão que inclui definição da política da empresa, planejamento, elaboração da documentação, implementação da documentação (manual, procedimentos, instruções e registros), verificação das não-conformidades e implementação das ações corretivas e preventivas, auditorias internas, e a auditoria de certificação. No entanto esta norma tem como objetivo fundamental capacitar as empresas a desenvolver e manter políticas e procedimentos que assegurem a aplicação dos direitos do trabalho e dos direitos humanos acatando a Legislação Nacional sobre o assunto, e os princípios estabelecidos em outros instrumentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Convenção das Nações Unidas dos Direitos da Criança, e as Convenções da OIT – Organização Internacional do Trabalho, listadas abaixo: • Convenção 29 e 105 (Trabalho Forçado) • Convenção 87 (Liberdade de Associação) • Convenção 98 (Direito a Negociação Coletiva) 20 • Convenções 100 e 111 (Remuneração igualitária para homens e mulheres com trabalhos de igual valor, discriminação) • Convenção 135 – (Representação dos Trabalhadores) • Convenção 138 & Recomendação 146 (Idade mínima e Recomendação) • OIT – Convenção 155 & Recomendação 164 (Saúde e Segurança) • Convenção 159 (Reabilitação Vocacional e Emprego / Pessoas Portadoras de Deficiência) • Convenção 177 (Trabalhos Domésticos) Em geral, a SA 8000 cobre oito indicadores sociais e um indicador que envolve o sistema de gestão da empresa, conforme descreveremos a seguir no quadro 2: Quadro 2: Indicadores da SA 8000 INDICADORES SOCIAIS Trabalho Infantil Trabalho Forçado Saúde e Segurança Liberdade de Associação e Direito à Negociação Coletiva Discriminação Práticas Disciplinares Horários de Trabalho Compensação Fonte: Organizado por Franciane Gaioto, 2001. INDICADOR DE GESTÃO Sistema de Gestão Não é difícil constatar que existe uma compatibilidade grande entre a satisfação dos trabalhadores e a qualidade do produto ou serviço. Usualmente a má qualidade está relacionada às condições inseguras de trabalho, longas jornadas, salários injustos, discriminação, trabalho árduo ou até mesmo infantil. A falta de liberdade de associação e de direito de negociação coletiva também pode ser considerado um fator desmotivador. 21 Este padrão global de responsabilidade social foi desenvolvido pelo CEPAA (Council on Economic Priorities Accreditation Agency) uma divisão do Conselho em Prioridades Econômicas em Nova Iorque. Agências de certificação que desejam auditar empresas no processo de implantação da SA 8000 precisam ser credenciadas pelo CEPAA, seguindo os critérios estabelecidos pelo mesmo e as normas de conduta desenvolvidas pelo Fórum Internacional de Acreditação. Atualmente, três agências internacionais de certificação são credenciadas: Det Norske Veritas – DNV (Noruega), Bureau Veritas Qualité International - BVQI (Reino Unido) e Societé Generale de Surveillance – SGS (Suíça). A nível de certificação, temos no mundo de acordo com o quadro 3 as seguintes empresas já certificadas pela SA 8000, até 1º de junho de 2000. 22 Quadro 3: Empresas Certificadas pela Norma SA 8000 EMPRESA LOCALIDADE ACROPLASTICA Argeal Diecasting and Plastic Avon Products Avon Springdale Manufacturing Facility Avon Morton Grove Bingo Toys Factory Bowa Toys Manufactoring CELTIPHARM CESG – Centro de Excelência Pará Cheng Da Toys Co Coop Italia Coop Italia Consorzio Nationale Non Alimentare DonGuan Kingmax Electronics Dongguan Licjin (Polyworld) Shoes Dongguan Yi Hua Toys Endeavor Embroidery Honda Logistic Centre Hua Hui Plastic Toy Factory ITC Limited Keyhinge Toys Vietnam Kong Tai Shoes Legacy Plastic & Metal Giftware Nanhai Wing Ho Toys Pearl Tower Garments & Toys PT Indomakmur Citra Busana Garment Industries Red Eagle Toys Factory Sewco Toys & Novelty The Marketing Store Worldwide Tri-S Manufacturing Tsuen Lee Metals & Plastic Toys Yut Kai Toy Factory Zhuhai Tsui Mei Chi Wai Toys Factory Fonte: CEPAA, 2000 (última atualização 1º de junho de 2000) ITÁLIA Shenzhen – CHINA Suffern – NOVA YORK OHIO ILLINOIS Shenzhen – CHINA Zhongshan - CHINA FRANÇA BRASIL Dongguan – CHINA ITÁLIA ITÁLIA Dongguan City – CHINA Dongguan – CHINA Dongguan – CHINA LAOS ITÁLIA Dongguan – CHINA Tobacco Threshing - INDIA Danang – VIETNAM Guangdong – CHINA Dongguan – CHINA Guangdong – CHINA Shenzhen – CHINA INDONÉSIA Dongguan – CHINA Zhongshan – CHINA HONG KONG Dongguan - CHINA Shenzhen – CHINA Guangdong – CHINA CHINA Como desdobramento da SA 8000 foi criada a AA 1000 (AccountAbility) norma que regula a performance ética das empresas, lançada em 1999 em Copenhagen durante a terceira Conferência Internacional sobre responsabilidade e ética empresarial. A ética empresarial nosso objeto de investigação será tratada a seguir. 23 1.2 - Ética Empresarial A ética se refere ao conjunto de regras que regem as ações humanas de acordo com a concepção geral do bem e da moral (Moreira,1999). Seguindo o mesmo raciocínio, podemos definir a ética empresarial como sendo o comportamento da empresa (entidade lucrativa) quando age em conformidade com este conjunto de regras aceitas pela coletividade. Em entrevista da Revista ISTOÉ com Oded Grajew, criador da Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças e presidente do Instituto Ethos, falou sobre ética quando indagado se empresas que apoiam projetos sociais mas se envolvem em casos de corrupção, elas têm responsabilidade social? A resposta foi a seguinte: "Quando falamos de ética e responsabilidade social começam a aparecer indagações. Vários consumidores também estão fazendo estas perguntas. E também dentro das empresas. Elas têm que responder e manter a coerência. Se apoiar projeto social e jogar lixo no rio, se envolver em corrupção e apoiar trabalho infantil, terá uma política suicida.” (Nascimento, 2001) O desafio das empresas tem sido a busca pela excelência, desde a melhoria da qualidade dos produtos/serviços e processos até chegar a ter 24 como objetivos a qualidade nas relações e a busca da sustentabilidade econômica, social e ambiental. Sendo a empresa uma organização social que engloba os interesses de vários grupos – clientes, funcionários, fornecedores, concorrentes, governantes, autoridades e sociedade em geral, ela pode contribuir decisivamente para a criação de um ambiente de negócios livre das práticas irregulares. A criação desse novo ambiente só pode ser possível com a disseminação de regras éticas a serem observadas pelos agentes econômicos. Só a prática da ética empresarial pode levar esses agentes a obter cada vez mais credibilidade dos seus parceiros e da sociedade em geral e, como conseqüência, gerar lucros cada vez maiores e mais seguros. O lucro é o principal motor da atividade empresarial e deve ser visto como meio de atingir objetivos e não como o objetivo final. O objetivo central de toda empresa deveria ser a sua sobrevivência a longo prazo. Quando a empresa coloca o lucro como sendo seu objetivo principal, poderá está pondo em risco certos princípios éticos importantes na relação com os stakeholders. Em função do lucro decide não dispensar recursos para minimizar impactos ambientais decorrentes da atividade, racionalizar o quadro de funcionários, desrespeitar o cliente infringindo o seu direito de consumidor, utilizar-se da concorrência desleal, da fralde, do suborno, e outros. Por outro lado, o lucro é ético na medida em que ele tem um destino social, seja reinvestindo-o em criar melhores condições de trabalho para os funcionários, melhorar a remuneração, gerar mais empregos, melhorar a qualidade dos produtos e serviços. 25 1.2.1 - A Evolução da Ética Empresarial A evolução da ética empresarial acompanhou o desenvolvimento econômico. Na economia de troca onde não havia o lucro nem empresa, a ética se limitava na relação de poder entre as partes e na necessidade de obter certos bens ou artigos. Com o advento do lucro, os pensadores o consideraram um acréscimo indevido, representando uma dificuldade para a moral. A compatibilidade entre ética e atividade lucrativa se deu pela primeira vez no Século XVII, em “A Riqueza das Nações”, quando Adam Smith conseguiu demonstrar que o lucro tem uma outra face, a de vetor de distribuição de renda e de promoção do bem-estar social. A encíclica “Rerum Novarum”, do Papa Leão XVIII, foi uma tentativa formal de expor princípios éticos aplicáveis ao relacionamento entre empresa e seus empregados. Princípios que valorizavam o respeito aos direitos e à dignidade dos trabalhadores. Nos Estados Unidos, em 1890, entrou em vigor a lei denominada “Sherman Act”, que passou a proteger a sociedade contra acordos de empresas, contrários ou restritos da livre concorrência. Outras leis surgiram para complementar o Sherman Act, proibindo a prática de discriminação de preços por parte de uma empresa em relação aos seus clientes. Houveram várias outras tentativas de se impor um comportamento ético nas empresas, mas somente na metade do século XX que o assunto ganhou importância. Em 1972, a Conferência Internacional Sobre o Meio Ambiente 26 realizada pela Organização das Nações Unidas em Estocolmo – Suécia fez com que quase todos os segmentos, inclusive às empresas adotassem ou reforçassem suas leis diante da necessidade de preservar os recursos naturais. Outro acontecimento que chamou atenção do mundo, foi a aprovação pelo Congresso norte-americano da lei relativa à ética empresarial denominada Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) em 1977. Essa lei passou a proibir e a estabelecer penalidades para as pessoas ou organizações que oferecessem subornos a autoridades estrangeiras para obter negócios. A ética empresarial no Brasil tem diversos aspectos regulados em leis próprias. A Lei 4.137 de 1962 que reprimia abuso do poder econômico e as prática concorrências foi modificada recentemente pela Lei 8.884 de 1993. Os textos legais que refere à proteção do meio ambiente, proteção do trabalho, proteção do consumidor e outros, têm se multiplicado nos últimos anos o que demostra a crescente importância da ética nas relações. No início dos nos 90, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social – FIDES realizou um Simpósio Internacional sobre “A Ética no Mundo da Empresa”, onde participaram empresários, políticos, jornalistas e consultores do Brasil e do exterior. As contribuições desses participantes foram reunidas num livro com o mesmo título do Simpósio, escrito pelo organizador Nelson Gomes Teixeira publicado pela Editora Pioneira em agosto de 1991. Humberg um dos participantes e contribuintes levantou a seguinte questão, que foi o cerne do Simpósio: “É possível para a empresa definir e manter padrões éticos num país como o Brasil, em que ainda predomina a lei 27 de tirar vantagem em tudo, e em que os próprios ocupantes de cargos públicos são os primeiros a violar as regras morais?” Humberg (1991) sintetizou em seis pontos, as recomendações e conclusões para às empresas a respeito da pergunta chave acima levantada pelos participantes: 1. “É preciso que se aumente a discussão de temas políticos, éticos, morais, culturais e não se fique apenas no debate político. Só assim vamos definir qual o país que queremos e quais são seus padrões éticos; 2. A falta de uma ética vinda de cima não deve impedir que as pessoas e empresas tenham a sua. É um processo que vai se desenvolvendo e exige, acima de tudo, paciência e firmeza; 3. Não basta a empresa fazer bem, ela precisa fazer o bem. Esta é a base ética, que se exige de uma empresa participativa. A solidariedade é o pilar sobre o qual se assentam os valores sociais, entre os quais a ética; 4. O empresário tem que pensar mais na visão social e na preservação do bem comum. E, é nisso que eticamente ele está falhando, deixando de mostrar – pelo seu comportamento – o caminho da mudança; 5. A empresa deve ser um veículo de desenvolvimento social das pessoas, e não apenas de gerador de lucros para seus proprietários e acionistas; 6. Embora raras, as empresas com preocupação ética são capazes de competir com sucesso e obter não apenas a satisfação pessoal dos colaboradores, compensadores.” como também resultados econômicos 28 De forma geral, a mudança de comportamento e até mesmo a conscientização é um processo gradativo, que não servem de parâmetros imediatos de avaliação de resultados de Simpósios, Conferências. A ECO’92 no Rio de Janeiro é um bom exemplo, de que os efeitos começam a aparecer meio que modestos anos à frente. Mesmo lento, o empresário está aos poucos se conscientizando de que pode ser agente efetivo no bem-estar social, indo além de cestas de Natal ou doações à creches no dia das crianças. No Brasil, temos entidades não governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas com a questão da responsabilidade social empresarial, como é o caso do IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas criado pelo Hebert de Souza, o “Betinho” que mobilizou o país na luta pelo combate à fome e à miséria e incentivou as empresas divulgarem seus balanços sociais através de um modelo bastante simples. A atuação incansável da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança pela erradicação do trabalho infantil e a adoção do selo “Empresa Amiga da Criança” por número expressivo de empresas são também exemplos vivos da aplicação da responsabilidade social. Outra organização sem fins lucrativos que tem se destacado é o Instituto Ethos. Fundado em 1998 tem como associados algumas centenas de empresas brasileiras de diferentes portes e ramos de atividade e é parceiro de entidades internacionais, como o “Prince of Wales Business Leadership Forum”, do Reino Unido, e o “Business for Social Responsibility”, dos Estados Unidos. O Instituto Ethos tem como missão mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de forma socialmente responsável. Tal 29 entidade se preocupa em disseminar a prática da responsabilidade social por intermédio de atividades de intercâmbio de experiências, publicações, programas e eventos voltados para seus associados e para a comunidade de negócios em geral. Dentre as publicações de grande valor estão a “Formulação e Implantação de Código de Ética”, “Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial”, “Questionário dos Indicadores Ethos” e “Como as Empresas podem (e devem) valorizar a Diversidade”. O Instituto Ethos é um dos membros do AccountAbility Council (AA1000), conselho mundial formado por 4 grupos: acadêmicos, consultores, empresas não lucrativas e setor privado. Veja quadro 4 abaixo: Quadro 4: Accountability Council Council Member Carol Adams Roger Adams Organization Affiliation Glasgow University ACCA Organization Type University Accountancy Institute NGO Consultancy Corporate Consultant Corporate NGO Corporate University Development Resources Centre Gavin Andersson Ethics Etc Richard Evans IKEA Group Reino Fridh Independent Adrian Henriques Novo Nordisk Vernon Jennings Business for Social Responsibility Mark Lee Friends Ivory & Sime Craig Mackenzie Professor Alberto University of Milan Martinelli New Economics Foundation NGO Ed Mayo University of Warwick University Malcolm Mcintosh The Co-operative Bank Corporate Paul Monagham Forum for the Future NGO Sarah Murphy Valdemar de Oliveira Instituto Ethos de Empresas e NGO Responsabilidade Social de Neto Copenhagen Business School University Peter Pruzan AccountAbility NGO Kay Sexton KPMG Consultancy Maria Sillanpaa BT Group Corporate Dr. Chris Tuppen Independent Consultant Simon Zadek Fonte: AccountAbility, 2001 Country Base UK UK South Africa UK Sweden UK Denmark USA UK Italy UK UK UK UK Brazil Denmark UK UK UK UK 30 1.2.2 - Aspectos a serem contemplados na Ética Empresarial Neste item serão apresentados os princípios éticos aplicáveis aos diversos relacionamentos da empresa: clientes, fornecedores, funcionários, acionistas, concorrência, esfera pública e sociedade em geral. 1.2.2.1 - Relações com Clientes Sabe-se que a empresa tem como principal objetivo a maximização do lucro e, o cliente vai em busca de adquirir um produto ou serviço de qualidade pelo menor preço. Este conflito se ameniza pela teoria econômica da oferta e procura. A empresa tem como obrigação atender princípios éticos na relação com os clientes. O princípio básico desta relação consiste no fornecimento de produtos ou serviços que atendam às especificações técnicas e legislação pertinente. O Código de Defesa do Consumidor é um instrumento fundamental para consulta e punição caso os direitos sejam violados. São diversas as relações que se estabelecem entre empresa – cliente, com destaque para a: A) Propaganda e Marketing Ético Segundo Moreira (p.50) a propaganda ética é aquela que atende, cumulativamente, aos seguintes requisitos: • divulga as verdadeiras características dos produtos ou serviços; 31 • não é enganosa e nem abusiva; • não é escandalosa; • não se vale da demonstração dos defeitos do produto ou serviço do concorrente; • não interfere na liberdade de escolha do ser humano; • não ofende a moralidade da sociedade a que se destina. A responsabilidade ética pela propaganda não é da agência de publicidade mas da empresa que se beneficia. O marketing engloba uma série de estudos, análises, atitudes, programas, ações e procedimentos que a empresa adota. Essas ações objetiva lançar, manter e ampliar a aceitação do produto ou serviço perante consumidores efetivos e potenciais. Para Moreira (p.54-55) praticar o marketing ético significa que a empresa: • utiliza somente dados verdadeiros e produtos com qualidades comprovadas; • respeita a legislação aplicável principalmente à livre concorrência e direitos do consumidor; • adota programas compatíveis com a moral da sociedade a que se destina; • ajuda na materialização dos deveres da empresa em função de sua responsabilidade social; • não interfere indevidamente nas leis econômicas criando falsos níveis de demanda através da redução da oferta; 32 • não associa a compra de um produto ou serviço à obtenção de uma vantagem de valor desproporcional; • não explora os sentimentos nobres do ser humano, como piedade e solidariedade. B) Vendas no Setor Público e Privado A venda no setor privado é um ato ou um contrato dirigido a um cliente, que tem interesse em adquirir um produto ou serviço da empresa. Sem dúvida a venda considerada ética deve se ater a certos princípios, como: • empregar somente argumentos verdadeiros na tarefa de convencer o adquirente a escolher o seu produto ou serviço; • não omitir do cliente dados ou informações relevantes para a decisão de compra; • não subornar para obter uma decisão de compra dos seus produtos ou serviços. Os princípios de propaganda ética e enganosa também se aplica à atividade de venda a respeito dos argumentos verdadeiros e do dever da empresa em apresentar informações completas. Quanto ao suborno, ele é proibido sob o ponto de vista ético em todas as instâncias (patrimonial ou extrapatrimonial) e formas. A venda no setor público deve observar os mesmos princípios aplicáveis ao setor privado, no entanto tem sua particularidade em respeitar os princípios legais e regulamentares específicos a cada órgão. 33 No setor público, os órgãos devem seguir procedimentos licitatórios para firmar contratos através da análise de um grande número de propostas. Os princípios gerais da licitação estão contidos em textos legais aplicáveis (Lei n.º 8.666 de 22/06/93). Os principais requisitos segundo Moreira são: • vantagem para a administração; • igualdade entre proponentes; • ampla competição; • vinculação ao edital; • objetividade do julgamento; • individualidade dos proponentes; • contraditório e ampla defesa. O princípio da vantagem para a administração que dizer que todos os atos do procedimento – estudo prévio, edital, julgamento – devem se submeter ao objetivo maior para o tesouro que pode não estar no preço mais baixo. Quanto à igualdade entre proponentes, Moreira salienta que “não pode haver nenhum tipo de discriminação, privilégios, proteções ou qualquer outra atitude que favoreça ou prejudique qualquer deles, fora das condições da lei e do edital” (p.61). O processo licitatório permite uma ampla competição, pois aceita um grande número de propostas. No edital da licitação, deve ser analisado com cuidado as especificações técnicas, comercial ou financeira que resulte em restrição quanto à participação do proponente. Tudo o que for vinculado no edital deve ser seguido, por exemplo, a administração não pode estabelecer no edital certos critérios de julgamento e, 34 por ocasião desse evento, utilizar-se de outros critérios ou deixar de usar algum. O julgamento deve ser objetivo e transparente. Os proponentes não podem fazer acordos entre si, é crime e portanto punível sob pena de retenção. Moreira acredita que os princípios de contraditório e a ampla defesa “asseguram ao proponente a possibilidade de se manifestar formalmente a cada ato praticado pela Comissão de Licitação e de ter acesso a todos os fatos e documentos que se relacionem com a avaliação da sua proposta”.(p.62) C) Pós-Venda A ética no relacionamento do cliente com a empresa no pós-venda, considera que o fornecedor (empresa) deve manter a mesma atenção dada ao cliente no pré-venda. Diante desta afirmação, a empresa deve se ater aos seguintes princípios éticos: • manter um canal de comunicação eficiente com o cliente, para ter o feedback do desempenho do fornecimento através de um sistema de avaliação; • investigar se todas as promessas (escrita e verbais) foram cumpridas e se foram dentro do prazo combinado; • Atender toda e qualquer tipo de reclamação, registrar e encaminhar para o setor responsável pela resolução; • Oferecer garantia e prestar assistência técnica conforme acordado em contrato. 35 A ética no relacionamento com o cliente proporciona à empresa credibilidade e fidelização. 1.2.2.2 - Relações com fornecedores A relação da empresa com seus fornecedores, em muitos casos, é permeada por situações de conflitos que se revelam nos mal-entendidos de quantidades, prazos, especificações técnicas, formas de pagamentos, notas fiscais incorretas e outros. Quando a empresa insiste que a razão é sempre dela, não estará agindo eticamente, pois se for investigar a causa pode descobrir que a origem foi algum descuido interno. Outra situação muito aparente, é a relação quando uma das partes detém uma condição superior, ou seja de maior poder econômico e/ou político e a outra parte de dependência. Particularmente este caso acontece com micro, pequenas e médias empresas que dependem exclusivamente daquele fornecimento para dar continuidade na sua atividade. Moreira (p.115-116) cita alguns deveres éticos que a empresa precisa ter com seus fornecedores: • “Comportar-se com honestidade perante o fornecedor, não levar-lhe o patrimônio e atribuir-lhe o que lhe for devido, tendo em vista a sua contribuição para o resultado final do adquirente. • Tratar com igualdade e oferecer a mesma oportunidade para fornecedores que se encontrem em situações equivalentes ou similares, não fazendo discriminação sem base profissional sólida. 36 • Utilizar somente critérios objetivos para a avaliação e seleção da melhor proposta dentre as apresentadas por mais de um fornecedor. • Manter sistemas internos de controle que assegurem a lisura e a transparência dos processos de avaliação das propostas. • Proteger o fornecedor contra práticas antiéticas por parte dos empregados ou prepostos da empresa adquirente, principalmente a solicitação ou imposição de subornos em todas as suas formas. • Fazer com que o justo equilíbrio econômico-financeiro presida sempre o relacionamento com o fornecedor. • Cumprir todas as obrigações assumidas perante o fornecedor e exigir dele que cumpra tão-somente o que houver sido acordado. • Informar ao fornecedor imediatamente sobre qualquer ato ou acontecimento que possa afetar a liquidação do seu crédito. • Não utilizar o fornecedor para práticas ilegais e antiéticas, e nem induzir ou permitir que ele as perpetre. • Não omitir do fornecedor fatos, circunstâncias ou condições relevantes para que este possa cumprir adequadamente suas obrigações contratuais ou legais, ou apresentar uma cotação realista e justa.” A empresa ética procura evitar o conflito, deixando de incitar a desconfiança e resolve as controvérsias com negociação baseada na boa-fé. Quando não surte resultado, a empresa ética se apoia em um mecanismo alternativo de resolução de disputas, como a arbitragem ou a mediação. Em 37 nenhum momento a empresa baseada nos princípios éticos procura tirar vantagem da morosidade da justiça. 1.2.2.3 - Relações com funcionários As relações com os funcionários materializam-se nas decisões de trabalho que a empresa toma em relação a uma pessoa para seleção e recrutamento, contratação, remuneração, designação de funções, promoção, transferência, treinamento, remoção de função, demissão e aposentadoria. De acordo com a Manual do Instituto Ethos “Como as Empresas podem (e devem) valorizar a Diversidade“, ”a prática da diversidade representa a efetivação do direito à diferença, criando condições e ambientes em que as pessoas possam agir em conformidade com seus valores individuais. A valorização da diversidade e do pluralismo no mundo contemporâneo é decorrência do reconhecimento cada vez maior da democracia como fator essencial para o aprimoramento das sociedades e da busca de novos padrões de convivência assentados em relações socialmente mais justas.” A empresa deve cumprir integralmente a lei, acordos, convenções e contratos, inclusive respeitando integralmente os direitos de cidadania do funcionário, o que se refere à sua liberdade, privacidade, à imagem e reputação e ao princípio de igualdade. O funcionário tem o direito ao contraditório e à ampla defesa em qualquer procedimento instaurado contra ele. 38 A empresa ética não permite que preconceitos ou discriminações possam interferir em quaisquer decisões de emprego (seleção, admissão, promoção, remuneração ou demissão). Os principais preconceitos conhecidos e que não podem ocorrer nas decisões de trabalho são de acordo com Moreira: • de raça, geralmente contra pessoas negras ou de origem asiática; • de origem, geralmente exercido contra africanos, latinos e asiáticos; • de sexo, normalmente praticado contra mulheres e pessoas que apresentam orientação sexual diversa do seu aparelho biológico; • de idade, discriminando as pessoas com mais de 40 anos; • contra pessoas portadoras de deficiências físicas; • contra pessoas portadoras de doenças transmissíveis, como a Aids; • contra pessoas que possuem vícios de consumo de droga e de álcool. (p.135) Preconceito racial é crime no Brasil. Se for negado o trabalho a alguém por motivo de raça ou cor, o estabelecimento poderá ser fechado por até três meses e o infrator pena de dois a três anos. Há outros preconceitos que já deveriam estar prescritos na lei. A proteção contra o assédio sexual é outro assunto que tem sido muito debatido ultimamente. Para Moreira o assédio sexual pode vir de um gesto, uma abordagem, um convite, uma sugestão, comentário, atitude ou qualquer outra ação, de natureza sexual praticada pelo agente contra a vontade da vítima (p.142). No Brasil ainda não há regulamentação específica, mas está em elaboração no Ministério da Justiça um anteprojeto e no Senado Federal a 39 tramitação de um projeto lei para transformar o ato em crime, prevendo as mesmas punições para as falsas denúncias. Há também algumas formas de abuso de poder consideradas antiéticas e que não devem ser permitidas e tão pouco toleradas nas empresas éticas. Moreira (p.139) cita alguns exemplos de abuso de poder: • Arrogância, assim entendidos a soberba, a insolência, o atrevimento, o descaso com os direitos de cidadania alheios. • Intolerância sem base lógica, caracterizada pela responsabilidade de alguém por um acontecimento ruim, mesmo que não lhe tenha sido possível evitá-lo. • Indisponibilidade ou dificuldade para ouvir os outros. • Narcisismo profissional, caracterizado pelo excesso de autoadmiração, transformando-se nas manifestações mais patológicas no hábito de creditar todos os bons a si mesmo. • Descortesia para com os colegas de trabalho. • Gritos e ameaças. • Violência física contra colegas e subordinados. • Coação moral e constrangimentos. • Perseguições. • Atentados contra a liberdade individual dos empregados. • Vinganças pessoais ou atitudes não-profissionais de disputa de carreira ou de poder. • Punições indevidas. • Avaliações de desempenho injustas. 40 Certas empresas possuem equipamentos e softwares capazes de infringir a privacidade dos funcionários em ligações telefônicas, e-mails e monitor de vídeo que filma o movimento dos funcionários. O Instituto Ethos na publicação “Formulação e Implantação de um Código de Ética” (p.21-22) faz o seguinte comentário a respeito: “Trata-se de intrusão na vida privada das pessoas, sendo esses atos justificados por meio da alegação de que, enquanto no ambiente de trabalho, suas interações seriam assunto do empregador. Tal argumento traz embutida a proposição de que os indivíduos não teriam direito à existência privada durante as horas que dedicam ao trabalho. Esse tipo de cerceamento não foi considerado eticamente aceitável em nenhuma época da história. E isso não porque a questão não tivesse sido levantada, mas porque sempre se considerou que a vida privada é um direito fundamental do ser humano, não condicionado a certos horários do dia.” Em contrapartida, o funcionário deve agir eticamente preservando a privacidade da empresa com relação a documentos, projetos e informações sigilosas e confidenciais que poderiam causar danos se chegassem às mãos da concorrência. A empresa ética toma ações que assegurem treinamentos, correta avaliação de desempenho, premiação da criatividade, redução de controles de freqüência à proporção do seu comprometimento, incentivo às ações 41 individuais em prol da comunidade, auxílio através de bolsas de estudos para os filhos, estes programas trazem motivação para os funcionários superarem seus limites. 1.2.2.4 - Relações com acionistas Em muitas empresas, a estrutura societária baseada no voto por ação geralmente delega o poder de controle aos acionistas majoritários. Esta atitude pode gerar desequilíbrios e conflitos potenciais nos acionistas minoritários, muitas vezes de natureza ética. Nas decisões estratégicas é onde os dilemas éticos mais ocorrem. Toda e qualquer decisão tomada, como a de investir pesadamente num setor, irá refletir no capital de todos os acionistas, sejam majoritários ou minoritários. Portanto existe uma necessidade ética de distribuir o voto em uma assembléia abertamente, pois muitos argumentos dos minoritários podem acrescentar subsídios importantes, levando até a uma reformulação da estratégia. Em relação às porcentagens de participação dos acionistas, é indiscutivelmente o fator mais sujeito à violações éticas. Acontece muito no casos de fusões ou aquisição, os majoritários reduzirem os percentuais dos minoritários. Acima de qualquer estruturação alicerçada nas brechas da legislação, esta redução é considerada um ato antiético, pois fere os interesses de terceiros. 42 Estes desequilíbrios entre acionistas majoritários e minoritários devem ser amenizados através do Conselho de Administração formado por membros eleitos pelos próprios acionistas. 1.2.2.5 - Relações com a concorrência A relação ética da empresa com o concorrente coloca a competência e a qualidade dos produtor e serviços como vetores soberanos para obter vantagem competitiva. O Instituto Ethos através da publicação “Formulação e Implantação de Código de Ética” (2000) considera que: “práticas de difamação, disseminação de inverdades e maledicências, sabotagens, espionagem industrial, contratação de funcionários de concorrentes para obtenção de informações privilegiadas, roubo de documentos e outros atos ilícitos e antiéticos tem sido registrados, caracterizando crime e concorrência desleal.” (p.26) No Brasil, a livre concorrência é um fundamento da ordem econômica que deve ser observado pelas empresas e que consta como princípio na Constituição Federal (art. 170, IV). Todo ato de compra que concentra mais empresas, precisa ser submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para análise e julgamento de práticas anticoncorrenciais a fim de impedir a realização ou determinar a reversão do ato. 43 Os Cartéis são coligações de concorrentes para ditar condutas uniformes no mercado, sendo considerados agrupamentos proibidos. Mesmo quando não se formem grupos, mas a conduta comercial é uniforme, no que se refere a venda, ao produto, ao mercado atendido, as condições de entrega ou pagamento, também é antiética e ilegal. Há o princípio ético que atenta para o respeito ao direito de propriedade material, industrial e intelectual dos concorrentes. O atentado ao direito de propriedade material é crime previsto no Código Penal Brasileiro sendo os principais: furto, roubo, extorsão, alteração de limites, apropriação indébita, estelionato, emissão de duplicada simulada, receptação, destruição do bem e invasão de imóvel. Já os direitos de propriedade industrial e intelectual são as marcas, as patentes, informações e dados (comerciais, técnicos, financeiros, administrativos ou industriais), autoria de programas de computadores e reputação do agente. As patentes, as marcas e a tecnologia são protegidas lei. A espionagem industrial é outra violação à propriedade intelectual e industrial, e ocorre através da infiltração de um espião no concorrente tendo uma posição funcional interna, interceptação ilegal de comunicações ou contração do empregado concorrente. É igualmente punível à espionagem é a prática de divulgação de informações prejudiciais à reputação do concorrente que também gera sanções civis e penais. 44 1.2.2.6 - Relações com a esfera pública Os deveres éticos da empresa com o relacionamento com as autoridades que ocupam cargos ou função pública é primeiramente cumprir a lei expor a verdade sem omissões, não subornar, apresentar pleitos de conformidade com o ideal de justiça, guardar sigilo das informações reveladas pela autoridade, abster-se de tentar obter para si tratamento diferenciado por parte da autoridade, não influenciar indevidamente o processo político e estar sempre procurando cooperar com a autoridade. O governo determina que toda empresa é sujeita a pagamento de impostos e fiscalização por parte de órgãos públicos. Não é novidade a grande quantidade de empresas que violam este princípio ético, pela sonegação, pagamento de propinas e corrupção. Muitas empresas materialmente ou não contribuem em campanhas políticas para que seu candidato de interesse tenha mais chances de vitória. As empresas podem contribuir até 2% de seu faturamento no ano anterior e as pessoas físicas (sócios, acionistas, funcionários) podem fazê-lo com recursos próprios. No entanto, as empresas devem agir com transparência nos critérios de doações para campanhas e dar oportunidade de abrir a empresa para debates políticos afim de esclarecer a decisão do voto, sem o uso do poder para influenciar ou coagir. A empresa que assume este comportamento ético está inserindo-se num estágio maior consciência ao celebrar o exercício da cidadania. 45 1.2.2.7 - Relações com sociedade em geral As empresas se relacionam com a sociedade de várias maneiras, algumas delas benéficas e outras prejudiciais. Sem dúvida, o maior benefício para a sociedade é a movimentação da economia na geração de novos empregos. Dependendo do porte, há empresas que movimentam a economia de uma cidade inteira, quando por algum motivo ela vir a desaparecer a cidade morre. Certas atividades humanas no processo empresarial são muitas vezes perigosas e necessárias para que se atinja o objetivo. São exemplos: o manuseio industrial de substância tóxica, a utilização da serra elétrica, a construção de pontes e viadutos, a operação de uma plataforma de petróleo, e outros. Segundo Moreira (p.171-172), a empresa ética deve observar alguns princípios importantes: • “Somente desenvolver atividades perigosas quando essenciais e imprescindíveis para a obtenção de um resultado positivo e desejado pela coletividade. • Preferir sempre as atividades, métodos e processos que envolvam o menor risco conhecido pela tecnologia mais atualizada, mesmo que isso signifique maiores investimentos. • Somente desempenhar atividades perigosas se detiver os meios para controlar, deter e fazer cessar qualquer situação de emergência, sem danos à vida, saúde e segurança das pessoas e aos respectivos patrimônios. 46 • Informar a coletividade dos riscos, para que esta decida se concorda em assumi-los. Manter a sociedade continuamente treinada para situações de emergência. • Seguir sempre, em quaisquer circunstâncias, todas as normas técnicas e legais aplicáveis à atividade.” O meio ambiente não é uma fonte inesgotável de recursos naturais, e não deve ser massacrado em detrimento do desenvolvimento econômico. Aos poucos as empresas estão se conscientizando e colaborando para a proteção e preservação do meio ambiente e da vida. As atitudes éticas que a empresa deve ter com o meio ambiente são o seguintes: • Reverter os métodos e processos de produção poluentes e devastadores e investir na preservação ambiental. • Submeter à atividade industrial ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) • Obter licenças de órgãos fiscalizadores e de controle do meio ambiente. • Reparar os danos causados pela empresa ao meio ambiente. • Não cometer infrações ou crimes ambientais. • Abster-se de provocar poluição hídrica, atmosférica, solo e sonora. • Abster-se de destruir a flora e a fauna silvestre. • Manter a comunidade informada dos riscos de danos ambientais e treiná-las nas situações de emergência que possam ser provocadas pelas atividades da empresa. 47 A empresa deve procurar compatibilizar suas metas individuais com as metas gerais da sociedade brasileira. Moreira apresenta a seguir uma sugestão para tal compatibilização: Quadro 5: Compatibilização das metas individuais com as metas da sociedade Metas da Sociedade Brasileira Metas Individuais da Empresa Manter a estabilidade econômica sem Manter e procurar reduzir custos e preços, investindo em programas de produtividade inflação e qualidade e não aceitando custos indevidos (como tributos inconstitucionais) Criar um investimentos clima favorável aos Ser um parceiro comercial confiável, cumpridor dos compromissos, da ética e da lei Gerar empregos, especialmente para a Só automatizar processos imprescindíveis para cumprir as demais metas. Treinar o mão-de-obra menos qualificada seu pessoal Melhorar os sistemas de ensino público e Estabelecer parcerias com a comunidade para construção e operação de escolas. privado Dirigir a sua contribuição ao salário educação, para a sua comunidade Viabilizar o sistema previdenciário Preferir dentre os benefícios possíveis para seus empregados, a previdência privada Melhorar o sistema de saúde Exonerar o sistema público dos gastos com seus empregados, instituindo para esses um programa próprio Integrar o jovem pobre à sociedade Manter programas de treinamento técnico, cultural e desportivo, associado com o produtiva trabalho, usando a mão-de-obra jovem Concentrar os poderes públicos nas suas Apoiar e participar missões básicas e fundamentais privatização. do processo de Fonte: Moreira, 1999 É importante a empresa conhecer as necessidades da comunidade ao seu redor e desenvolver projetos sociais viabilizando-os através de instituições comunitárias, ONG’s, escolas públicas, creches, postos de saúdes, e outros. A 48 filantropia é uma virtude que se acresce à ética da empresa, um ato de caridade. Esta atividade social da empresa pode acontecer por meio do voluntariado de seus profissionais, disponibilização de verbas, doação de produtos e serviços, para colaborar e a médio e longo prazo, dar autonomia a essas instituições sociais. 1.2.3 - A Ética e os Direitos do Consumidor De todos os aspectos substanciais da ética empresarial discorridos até o momento deste trabalho, a relação da empresa com os clientes (consumidores) é o que trataremos mais a fundo e nos deteremos até o término deste. No momento atual de mudanças, as empresas estão buscando reformular seus modelos tradicionais de gestão, com o objetivo de conduzir suas atividades tendo em vista as necessidades e expectativas dos consumidores. Não é novidade que os consumidores estão mais exigentes e conscientes dos seus direitos de consumidor quando em algum momento se sentirem lesados. Os consumidores que adquirem produtos ou serviços de empresas éticas estariam mais seguros caso ocorra algum problema, pois foi obra do acaso e não por ato de má fé. O primeiro desafio para se instalar a ética no rol das preocupações dos empresários brasileiros é que eles se convençam que ser ético é o melhor e mais seguro caminho para o sucesso. São muitos os empresários que ainda 49 acreditam que a empresa só terá chances de sobreviver através da sonegação de impostos, descumprimento da legislação trabalhista, suborno de fiscais, poluição do meio ambiente e violação dos direitos do consumidor. No capítulo 2, será apresentado a estrutura administrativa, as formas de atuação e os projetos em andamento e em desenvolvimento da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor – PROCON-PR, uma entidade que existe para garantir os direitos do consumidor, em face do desregramento ético das empresas na relação com os seus clientes. 50 1.3 - Metodologia Para se chegar aos objetivos propostos, a escolha do método de pesquisa é fundamental. Como vimos, no capítulo 1 foi realizada uma revisão bibliográfica a fim de resgatar o histórico conceitual da responsabilidade social corporativa e da cidadania empresarial. Em seguida, mostrou que a ética empresarial pode ser interpretada como desdobramento da responsabilidade social e apontou quais os aspectos que devem ser contemplados na ética da empresa diante dos seus vários relacionamentos. Tendo em vista o desregramento ético das empresas com seus clientes no pós-venda, o capítulo 2 investigou a estrutura administrativa e as formas de atuação da Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor - PROCONPR, por meio do site oficial na internet. O capítulo 3 extraiu as informações tabuladas no site do PROCON-PR no ano de 1999 e 2000, avaliou as reclamações por área de classificação, analisou o comportamento das reclamações por setor empresarial e comparou as reclamações de 1999 e 2000 para levantar a evolução dos problemas que mais se destacaram. O recurso utilizado para dar suporte nos cálculos estatísticos e confeccionar as tabelas e gráficos foi o programa computacional Excel. No capítulo 4, foi resgatada a idéia de ética empresarial na relação com o cliente contrapondo os problemas mais destacados no PROCON-PR em 1999-2000, verificando a inter-relação com os direitos básicos do Código de Defesa do Consumidor – CDC que foram violados. 51 2 - A COORDENADORIA ESTADUAL DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR – PROCON-PR 2.1 - A Estrutura do PROCON-PR Neste capítulo será apresentado o funcionamento do PROCON-PR desde sua criação, sua estrutura administrativa, as formas atuação, os projetos e que tem sido desenvolvido. 2.1.1 - Retrospectiva Histórica Em 1976, a Sociedade Civil sem a participação do Poder Público promoveu no Paraná, um Congresso nacional que debatesse assuntos ligados a proteção do consumidor. Em 1983 foi criada, na Secretaria de Estado da Indústria e Comércio, a CODEC – Coordenadoria de Orientação e Proteção ao Consumidor, iniciando os trabalhos de orientação e proteção do consumidor. Com a extinção da CODEC em 1989, a Secretaria de Estado e Justiça, do Trabalho e Ação Social – SETA do Paraná assumiu o trabalho. Em 1990 foi promulgada a Lei 8.078/90 que dispõe sobre o Código de Defesa do Consumidor, a qual foi explanada no 1º Congresso Paranaense sobre a Defesa do Consumidor, promovido pela SETA. Em 1991 entrou em vigor o Código de Defesa do Consumidor – CDC e concomitantemente a 52 criação da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor PROCON-PR. A estruturação administrativa se concretizou em 1996 com a aprovação do Regimento Interno e dos procedimentos administrativos do PROCON-PR. Em março de 1997 foi sancionado o Decreto 2.181/97, que regulamenta o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e a aplicação das sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor. Em 1998 foi criada a Secretaria Especial de Proteção e Defesa do Consumidor – SECON que passou a ser vinculado à Secretaria da Justiça e da Cidadania em janeiro de 2000. 2.1.2 - A Estrutura Administrativa do PROCON-PR 2.1.2.1 - Os Objetivos do PROCON-PR A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor é um órgão do Poder Executivo Estadual e vinculado à Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania – SEJU. Desde sua criação em 23 de julho de 1991 pelo decreto nº 609, o PROCON-PR tem por objetivo orientar, educar, proteger e defender os consumidores contra abusos praticados pelos fornecedores de bens e serviços nas relações de consumo, bem como desenvolver ações de fiscalização de bens e serviços colocados no mercado de consumo. 53 2.1.2.2 - Procedimentos Administrativos – Resolução 64/98 A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor – PROCON-PR, no desempenho de suas atribuições legais deverá observar as instruções normativas da Resolução nº 064/98 sobre os seus procedimentos administrativos. 2.1.2.2.1 - Do Procedimento Administrativo As práticas de infração às normas de proteção e defesa do consumidor serão apuradas em procedimento administrativo, que terá início mediante: • reclamação fundamentada pelo consumidor ou de seu representante legal; • ato de ofício, por escrito, praticado por agente competente; • auto de infração; Os procedimentos administrativos instaurados no âmbito do PROCON- PR deverão assegurar aos reclamados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, regendo-se os seus agentes pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e demais exigidos na Constituição Federal. O PROCON-PR poderá celebrar compromissos de ajustamento de conduta às exigências legais. A celebração do compromisso suspenderá o curso do processo administrativo após atendimento de todas as condições estabelecidas no respectivo tempo. 54 2.1.2.2.2 - Do Cadastro de Defesa do Consumidor Os cadastros de reclamações fundamentados contra fornecedores, denominado Cadastro de Defesa do Consumidor, são considerados arquivos públicos, constituindo um instrumento essencial de orientação dos consumidores por meio de divulgação periódica. Sempre que possível, deve ser consolidado em cadastros gerais nas esferas estadual e municipal. 2.1.2.2.3 - Da Certidão da Violação dos Direitos do Consumidor O PROCON-PR poderá expedir Certidão de Violação dos Direitos o Consumidor – CVDC, com base nos procedimentos administrativos registrados nos seus bancos de dados. A validade do CVDC é de trinta dias contados da data de emissão. A emissão da CVDC deve ser requerida ao PROCON-PR pelo próprio fornecedor ou mediante terceiros com procuração. A CVDC será expedida na modalidade negativa (não consta registro) e positiva (consta registro de reclamação julgada procedente e não resolvida pela fornecedor). 55 2.1.2.2.4 - Das Disposições Finais e Transitórias O PROCON-PR poderá requisitar, sem qualquer ônus, as perícias necessárias ao cumprimento das disposições desta Instrução Normativa dos órgãos oficiais do Estado. Caso as reclamações ou Autos de Infração conexos tenham tramitado em separado perante autoridades administrativas que tenham a mesma competência, deve-se considerar a que conheceu o processo primeiramente. No âmbito de competência, o Chefe do PROCON-PR poderá baixar normas administrativas visando o bom andamento das atividades do órgão. Em caso de impedimento à aplicação desta Instrução Normativa, ficam as autoridades competentes autorizadas a requisitar o emprego de força policial. As disposições constantes desta Instrução Normativa não revogam as decorrentes de outros atos normativos compatíveis com os princípios gerais de defesa do consumidor. O Secretário de Estado da Justiça e da Cidadania poderá baixar no âmbito de sua competência, resoluções complementares necessárias ao fiel cumprimento desta Instrução Normativa. 56 2.1.3 - Formas de Atuação – PROCON - PR 2.1.3.1 - Atendimento Telefônico – Disque PROCON No Projeto Disque PROCON são realizadas orientações aos consumidores e a busca da solução dos problemas através de contato telefônico com o fornecedor. Curitiba e Região Metropolitana devem utilizar o número 1512 e outras localidades 0800-41-1512. 2.1.3.2 - Atendimento Pessoal – Fala PROCON O PROCON-PR atende pessoalmente, das 12h30 às 18h30, a consumidores que desejem efetivar abertura de processo administrativo e para orientação geral. O endereço é na rua Francisco Torres, 253 – CEP 80060-130 – Curitiba-PR. 2.1.3.3 - Atendimento Carta– Escreva PROCON O Projeto Escreva PROCON atende os consumidores através de carta que relata ocorrências do fornecedor. Para solicitar informações ou registrar processos administrativos o consumidor deve ao redigir a carta de forma clara e objetiva, anexar fotocópia dos documentos que comprovem a relação de consumo, contendo todos os dados necessários para a localização do 57 fornecedor. O endereço para correspondência é o mesmo do atendimento pessoal. 2.1.3.4 - Atendimento Home Page – PROCON On-line No caso de dúvidas sobre relações de consumo que não necessitam de análise de documentos, o consumidor pode consultar pela home page www.pr.gov.br/proconpr/online. Nela o consumidor que não tiver endereço eletrônico pode deixar endereço residencial e o telefone para contato, para que PROCON-PR entre em contato para responder a questão formulada. 2.1.3.5 - Orientação para Consultas O PROCON-PR recebe reclamações classificadas nas seguintes áreas: alimentos, assuntos financeiros, consórcios, habitação, produtos, saúde e serviços. Esta classificação surgiu no final dos anos 70 por um grupo de técnicos do PROCON-SP que para montar o órgão realizou uma pesquisa junto aos consumidores para saber quais as áreas de atividade da economia mais tinham a reclamar. Esta classificação foi sendo copiada por outros órgãos de defesa do consumidor, com algumas diferenças de Estado para Estado. Cada atendimento no PROCON-PR é classificado em quadros de Áreas, Assuntos e Problemas, para facilitar o levantamento dos dados estatísticos. 58 2.1.3.5.1 - Setores As Áreas/Setores que foram classificados pelos PROCON’s são: alimentos, assuntos financeiros, consórcios, habitação, produtos, saúde e serviços. Para classificar as reclamações dos consumidores por áreas, o PROCON analisa o tipo de problema e em que área mais se enquadra. O PROCON-PR se apoia nos exemplos e parâmetros a seguir: ALIMENTOS: Problemas com padarias, açougues, supermercados, bares, restaurantes e lanchonetes: • falta de higiene • produtos vencidos, sem data de validade, sem registro ou composição; • alimentos estragados; • venda casada (condicionar a compra de um produto a outro); • sonegação de mercadoria e nota fiscal; • problema nas embalagens; • fraude no peso, quantidade ou volume; • má conservação e apresentação dos produtos; ASSUNTOS FINANCEIROS: Problemas com financiamentos, cartões de crédito, carnês de sorteio, bancos, capitalização, ações, previdência privada, compras a prazo, seguro, venda programada. • aumento ou juros abusivos; • valor a ser devolvido; 59 • reajuste na prestação, mensalidade, financiamento; • cheques e outros títulos; • cobrança indevida ou de forma constrangedora; • não cumprimento de contrato; • protesto indevido; • não fornecimento de nota fiscal ou recibo; • não pagamento de sinistro. CONSÓRCIOS: problemas com consórcio imobiliário, de veículos, de eletrodomésticos e de outros bens: • valor a ser devolvido; • cálculo do valor em atraso; • cobrança indevida; • não cumprimento, rescisão do contrato; • devolução do valor pago; • carta de crédito: dúvidas, não entrega, não aceitação; • Não entrega do bem; • Irregularidade administrativa; • Mudança do contrato ou do bem; HABITAÇÃO: problemas com contratos de locação residencial, loteamentos, incorporações, construções, imobiliárias e financiamento de imóveis. • Cobrança de taxa indevida; • Condições de habitabilidade; 60 • Contrato: não cumprimento, rescisão; • Dúvidas sobre cobrança; • Devolução do valor pago (reserva, sinal, etc); • Localização do lote; • Não conclusão ou não início da obra; • Não recebimento do comprovante de pagamento; • Propaganda e venda enganosa; • Reajuste do aluguel; • Vistoria do imóvel. PRODUTOS: problemas com produtos, tais como: brinquedos, eletroeletrônicos, veículos, vestuário, entre outros: • Má qualidade e falta de segurança; • Problemas na entrega; • Desistência, cancelamento de compra; • Falta de peças de reposição ou de assistência técnica; • Garantia: falta, cobertura, abrangência; • Problemas na embalagem; • Instruções de uso imprecisas ou incompletas; • Em desacordo com normas expedidas por órgãos oficiais. SAÚDE: problemas com hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios médicos, dentários, planos de saúde, aparelhos corretivos e medicamentos, entre outros. • Não cumprimento de contrato; 61 • Prazo de carência, reajuste de mensalidade e alterações no plano de saúde; • Atendimento e desabastecimento em farmácias e drogarias; • Ressarcimento de despesas (médicos, hospitais, exames); • Produtos de limpeza e cosméticos vencidos, sem data de validade, sem registro, ou que não esclareçam sobre seus perigos potenciais; • Qualidade do produto ou serviço; • Recusa ou mau atendimento. SERVIÇOS: problemas na prestação de serviços, tais como assistência técnica, profissionais autônomos, lavanderias, vendas por telefone ou reembolso postal, telefone, agências de viagens, escolas, transportadoras, serviços públicos, hotéis e pousadas, estacionamentos e postos de gasolina, entre outros. • Propaganda enganosa; • Cobrança indevida; • Recusa no fornecimento de recibos de pagamento; • Não cumprimento de contrato; • Reajuste de mensalidade ou prestação; • Devolução de valores pagos; • Serviços públicos; • Não entrega do serviço no prazo estipulado; • Serviço executado sem autorização; 62 2.1.4 - Projetos e Desenvolvimento pelo PROCON-PR a) Descentralização do Sistema Estadual de Defesa do Consumidor: Visa a descentralização e municipalização da defesa do consumidor no Estado do Paraná. Já foram instalados pelas Prefeituras Municipais, 41 PROCONs. Paralelamente, são desenvolvidos programas de treinamento para os técnicos dos PROCONs já implantados, bem como aos técnicos dos municípios interessados em implantar seu órgão de defesa do consumidor. O PROCON-PR presta, assessoria técnica permanente aos municípios. b) Ação Conjunto na Defesa do Consumidor e Projeto Alerta Fornecedor: Atividades que integram todos os órgãos que exercem a fiscalização direta ou indireta dos direitos do consumidor no Estado do Paraná, como o IPEM, a Vigilância Sanitária, a Delegacia de Crimes contra a Economia Popular – DELCON, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Municipal de Abastecimento e o Corpo de Bombeiros. c) Educação para o Consumo nas Escolas: Visa implantar na rede oficial de ensino, conteúdos que façam parte das disciplinas curriculares, sobre os direitos dos consumidores. d) Apoio às Entidades Civis de Defesa do Consumidor: Tem como objetivo incentivar a organização da população consumidora em entidades e associações civis de defesa do consumidor. e) ABC do Consumidor: Visa educar e conscientizar o consumidor sobre seus direitos, através da elaboração e distribuição de material educativo, 63 como as publicações: Código de Defesa do Consumidor; Guia Prático da Defesa do Consumidor; as cartilhas “Beto Consuminho”, “Brinquedo não é Brincadeira”, O que você deve saber sobre os serviços médicos, “Como comprar... defendendo-se”, Os direitos e os deveres do consumidor do condomínio, Manual do consumidor e o jornal Notícias do PROCON-PR. f) Comparação de Preços de Produtos e Serviços de Consumo Básico: A pesquisa de preços é um dos instrumentos de informação do consumidor, orientando-o para uma melhor decisão na escolha de produtos ou na contratação de serviços. Ela propicia ao consumidor parâmetros de preços entre diversos fornecedores e, por outro lado, auxilia para que os fornecedores – estimulados pela concorrência – passem a praticar preços mais baratos e acessíveis ao consumidor. Como pode constatar-se, o PROCON-PR têm desenvolvido um trabalho intenso na defesa dos direitos dos consumidores, principalmente nos últimos anos onde a procura tem aumentado tanto como a conscientização por parte do consumidor. No capítulo 3 estarão relacionados estatisticamente os assuntos por área e seus respectivos problemas registrados no ano de 1999 e de 2000, e determinados quais os cinco maiores assuntos reclamados. 64 3 - AVALIAÇÃO DOS ATENDIMENTOS DE CONSUMIDORES PELO PROCON – PR (1999 E 2000) 3.1 - Avaliação dos Atendimentos - 1999 Em 1999, o PROCON-PR atendeu a 72.987 consumidores. A distribuição dos 72.987 registros por canal de acesso (formas de atendimento) e respectivos percentuais em relação ao total pode ser verificado no tabela 1. Tabela 1: Distribuição dos Atendimentos por Canal de Acesso em 1999 Formas de Atendimento Números registrados Percentuais Pessoalmente 12.117 16% Por telefone 55.160 75% 321 1% Consulta via internet (e-mail) 1.328 2% Informação cadastral 4.061 6% 72.987 100% Por carta TOTAL Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 1: Distribuição dos Atendimentos por Canal de Acesso em 1999 72.987 75% 55.160 16% 12.117 P essoalm ente Telefone Fonte: PROCON-PR, 2001 1% 2% 6% 321 1.328 4.061 P orcarta internet/e-m ail Inform ação cadastral TO TA L 65 Confirmando uma tendência registrada nos anos anteriores, os consumidores optam pelo atendimento telefônico, representando 75% do total dos atendimentos em 1999 no PROCON-PR. A “home page” do PROCON-PR foi disponibilizada para consulta a partir de 01/12/97, e até 31/12/99 foram computados 22.000 (vinte e dois mil) acessos. As consultas via “e-mail”, disponibilizadas desde janeiro de 1998, só passaram a ser computadas em setembro do mesmo ano. Dessa forma, só será possível um avaliação a partir do ano 2000. O PROCON-PR colocou à disposição o Cadastro de Defesa do Consumidor com os fornecedores com processos administrativos resolvidos e pendentes. Em 1999 houve um aumento em relação ao ano anterior de 48% no número de atendimentos sobre consultas de certidões cadastrais. 3.1.1 - Classificação por Áreas Os atendimentos no PROCON são classificados nas seguintes áreas: alimentos, assuntos financeiras, consórcios, habitação, produtos, saúde e serviços. Na tabela 2 podem ser visualizados os registros dos atendimentos por área versus por canal de acesso em 1999. 66 Tabela 2: Atendimentos por Área versus Canal de Acesso em 1999 Área Pessoal Telefone Alimentos Assuntos Financeiros Carta Internet Cadastro Total 23 506 9 22 35 595 3584 11397 49 286 283 15599 439 1866 3 54 487 2849 Consórcios Habitação 1342 5948 25 103 616 8034 Produtos 2074 10140 27 129 16 12386 422 3444 8 61 281 4216 4173 15520 197 485 2343 22718 Saúde Serviços Extra-Procon Total 60 6339 3 188 0 6590 12117 55160 321 1328 4061 72987 Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 2: Atendimentos por Área versus Canal de Acesso em 1999 96% 85% 82% TELEFONE CARTA 82% INTERNET 74% 73% PESSOAL CADASTRO 68% 65% 23% 15% 4% 6% 4% Alimentos 2%2% Assuntos Financeiros 2% Consórcios 18% 17% 17% 17% 10% 8% 1% Habitação 1%0% Produtos 10% 7% 2% 1% Saúde Serviços 1% 3% 0% Extra-Procon Fonte: PROCON-PR, 2001 Os atendimentos “Extra-Procon”, aqueles que não são relação de consumo e devem ser atendidos por outros órgãos, representam 9% do total dos atendimentos do ano, volume maior do que o atendimento verificados nas áreas de alimentos, consórcios e saúde. A posição das áreas em 1999 conforme o número de atendimentos registrados, podem ser acompanhados pela tabela 3 e gráfico 3. 67 Tabela 3: Distribuição dos Atendimentos por Área em 1999 Colocação Área Número Percentual 1º Serviços 22.718 31,% 2º Assuntos Financeiros 15.599 21,% 3º Produtos 12.386 17% 4º Habitação 8.034 11% 5º Saúde 4.216 6% 6º Consórcios 2.849 4% 7º Alimentos 595 1% - Extra-Procon 6.590 9% Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 3: Distribuição dos Atendimentos por Área em 1999 4% 6% 17% 21% 31% 22.718 15.599 Serviços 11% Assuntos Financeiros 12.386 Produtos 8.034 Habitação 9% 6.590 Extra-Procon 4.216 Saúde 1% 2.849 Consórcios 595 Alimentos Fonte: PROCON-PR, 2001 • A área de SERVIÇOS ficou em primeiro lugar em 1.999, com 22.718 atendimentos representando 31% dos atendimentos registrados. • Em segundo lugar ficou a área de ASSUNTOS FINANCEIROS, com 15.599 atendimentos representando 21% dos atendimentos registrados. • A área de PRODUTOS, com 12.386 atendimentos em terceiro lugar, representou 17% dos atendimentos registrados. 68 • HABITAÇÃO ficou em quarto lugar, com 8.034 atendimentos registrados representando 11% dos atendimentos registrados. • Em quinto lugar, fora da classificação das áreas, ficaram os atendimentos considerados EXTRA-PROCON, que são diferenciados por não se tratarem de relação de consumo. O número de pessoas atendidas foi de 6.590 representando 9% dos atendimentos registrados. • A área de SAÚDE ficou em sexto lugar, com 4.216 atendimentos registrados e representando 6% do total. • CONSÓRCIO em sétimo lugar, com 2.849 atendimentos em 1.999, representando 4% dos atendimentos registrados. • A área de ALIMENTOS teve 595 atendimentos em 1.999, contra 723 do ano anterior representando 1% dos atendimentos registrados. Como pode constatar-se, o setor de serviços e o setor financeiro merecem um trabalho orientado no sentido de investigar os focos das reclamações e propor ações que minimizem tais números. 3.1.1.1 - Tipos de Reclamações x Setor Empresarial Em cada assunto, aparecem cinco níveis de reclamação por ordem decrescente de ocorrência, em vários setores analisados. A partir desses quadros podemos ter elementos substanciais para o desenvolvimento de uma análise do comportamento ético das empresas em relação aos clientes. 69 Na área de Alimentos, os cinco assuntos que mais se destacaram foram: estabelecimento, carne e derivados, leite e derivados, pão/bolo e refrigerante. O assunto Estabelecimento que apareceu em 1º lugar como o mais reclamado, refere-se à problemas relacionados ao local de venda de alimentos, como: preço praticado (abusivo, remarcado), cobrança indevida, propaganda/oferta/venda enganosa. No assunto Carne e derivados, a ocorrência mais relevante foi relacionada a propaganda/oferta/venda enganosa e peso/volume/quantidade não-conforme. No assunto Leite e derivados, a alteração do odor/sabor foi a ocorrência mais relevante. Pão e bolo teve reclamações devido a preços abusivos e remarcados e o Refrigerante por causa da propaganda/oferta/preço enganosa. Veja quadro 6. Quadro 6: Reclamações na Área de Alimentos em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Estabelecimento 164 2º Carne e derivados 68 3º Leite e derivados 45 4º Pão e bolo 36 5º Refrigerante 34 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Preço (abusivo, remarcado) 2º - Cobrança indevida 3º - Propaganda/oferta/venda enganosa 4º - Preço (não afixado) 5º - Higiene do estabelecimento 1º - Propaganda/oferta/venda enganosa 2º - Peso/volume/quantidade 3º - Alteração do odor/sabor/aspecto 4º - Prazo de validade (falta, ilegível, vencido) 5º - Preço (abusivo, remarcado) 1º - Alteração do odor/sabor/aspecto 2º - Prazo de validade (falta, ilegível, vencido) 3º - Preço (abusivo, remarcado) 4º - Presença de sujidade, larvas, objeto estranho 5º - Cobrança indevida 1º - Preço (abusivo, remarcado) 2º - Peso/volume/quantidade 3º - Presença de sujidade, larvas, objeto estranho 4º - Alteração do odor/sabor/aspecto 5º - Preço (não afixado) 1º - Propaganda/oferta/venda enganosa 2º - Alteração do odor/sabor/aspecto 3º - Preço (abusivo, remarcado) 4º - Presença de sujidade, larvas, objeto estranho 5º - Suspeita de pureza/composição Nº Atend. 31 30 28 14 11 12 11 8 8 7 11 6 6 5 3 13 4 4 3 3 10 6 4 4 3 70 Na área de Assuntos Financeiros, o assunto Leasing/Arrendamento Mercantil apareceu em 1º lugar com destaque para os seguintes problemas: dúvida sobre cobrança, não cumprimento do contrato e reajuste. No assunto Bancos, as ocorrências mais relevantes foram com dúvida sobre cobrança e cobrança indevida. Quanto ao cartão de crédito destacou-se a reclamação de dúvida sobre cobrança e juros abusivos. As Financeiras e os Estabelecimentos/Lojas, os maiores registros relacionaram-se com dúvida sobre cobrança e não cumprimento do contrato. O quadro 7 apresenta as reclamações na área de assuntos financeiros em 1999. Quadro 7: Reclamações na Área de Assuntos Financeiros em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Leasing/ Arrendamento Mercantil 3675 2º Bancos 2314 3º Cartão de Crédito 1995 4º Financeiras 1945 5º Estabelecimento/ Loja 1683 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Reajuste 4º - Pagamento 5º - Exigência de conversão 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Registro indevido (SPC, SERASA,...) 4º - Má prestação de serviço 5º - Falha bancária 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Juros abusivos 3º - Cobrança indevida 4º - Cancelamento de contrato 5º - Valor em atraso 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Cobrança indevida 4º - Reajuste 5º - Valor em atraso 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Reajuste 4º - Valor em atraso 5º - Juros abusivos Nº Atend. 1891 391 351 287 160 838 277 152 137 124 1052 191 184 77 71 860 264 243 160 107 668 243 231 136 105 71 Na área de Consórcios, 73% dos 5 assuntos mais reclamados estavam relacionados com automóveis. No entanto, como pode ser visualizado no quadro 8, tanto consórcio de automóveis, como de motocicletas, imobiliário, de eletrodomésticos e caminhões, destacaram-se os problemas relacionados a: valor a ser devolvido, desistência/devolução de valor pago e contrato. Quadro 8: Reclamações na Área de Consórcios em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Consórcio de Automóveis 1616 2º Consórcio de Motocicletas 287 3º Consórcio Imobiliário 152 4º Consórcio de Eletrodomésticos 129 5º Consórcio de Caminhões 30 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Valor a ser devolvido 2º - Desistência/Devolução de valor pago 3º - Contrato 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Prestação/Pagamento (cálculo, dúvida) 1º - Valor a ser devolvido 2º - Desistência/Devolução de valor pago 3º - Dúvida sobre cobrança 4º - Contrato 5º - Não entrega do bem 1º - Desistência/Devolução de valor pago 2º - Valor a ser devolvido 3º - Contrato 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Má prestação de serviço 1º - Valor a ser devolvido 2º - Desistência/Devolução de valor pago 3º - Dúvida sobre cobrança 4º - Contrato 5º - Cobrança indevida 1º - Contrato 2º - Valor a ser devolvido 3º - Prestação/Pagamento 4º - Desistência/Devolução de valor pago 5º - Cobrança indevida Nº Atend. 397 352 196 174 80 66 52 26 25 19 68 57 47 17 5 32 19 15 15 14 8 7 4 3 2 72 A área de habitação, já foi nos primeiros anos de funcionamento do PROCON, a área mais reclamada em função dos problemas com locação de imóvel. No entanto o problema da locação de imóvel persiste, e estava em 1º lugar, sendo a dúvida sobre cobrança e contrato/proposta os maiores problemas. Condomínio também registrou um elevado número de reclamações relacionados à dúvida sobre cobrança. Compra/venda de imóveis e no Financiamento Habitacional, a dúvida sobre cobrança também foi o problema mais registrado. Já as Construtoras, o problema estava relacionado com o contrato/proposta. Quadro 9: Reclamações na Área de Habitação em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Locação de Imóvel 2671 2º Condomínio 1652 3º Compra/Venda de Imóvel 1353 4º Construtora 730 5º Financiamento Habitacional 245 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta 3º - Cobrança de taxa indevida 4º - Condições de habitabilidade 5º - Devolução de valores pagos 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Convenção condominial 3º - Cobrança de taxa indevida 4º - Cobrança de despesas extraordinárias 5º - Má prestação de serviços 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta 3º - Devolução de valores pagos 4º - Cobrança taxa indevida 5º - Má prestação de serviços 1º - Contrato/Proposta 2º - Qualidade na construção 3º - Não conclusão/não início da obra 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Devolução de valores pagos 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta 3º - Reajuste 4º - Pagamento 5º - Recusa/Má prestação de serviço Nº Atend. 1018 742 138 111 97 1150 98 97 69 51 444 406 103 82 32 311 79 71 68 50 116 53 20 10 8 73 Na área de Produtos, destacaram-se os seguintes assuntos em 1999 no PROCON-PR: vestuário/acessórios, venda de veículos, equipamento telefônico, artigos de informática e aparelho de som. De todos estes assuntos, o problema mais reclamado foi o dano/defeito detectado no produto depois do ato da compra. Os outros problemas que tiveram grandes ocorrências foram sobre garantia e desistência/cancelamento da compra. O quadro 10 aponta os problemas por assunto mais reclamados na área de produtos. Quadro 10: Reclamações na Área de Produtos em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Vestuário/ Acessórios 1426 2º Venda de Veículos 1186 3º Equipamento Telefônico 866 4º Artigos de Informática 704 5º Aparelho de Som 668 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Desistência/cancelamento de compra 3º - Garantia 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Contrato/pedido/orçamento 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia 3º - Transferência/multas/pendências 4º - Desistência/cancelamento da compra 5º - Dúvida sobre cobrança 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Desistência/cancelamento da compra 3º - Garantia 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Contrato/pedido/orçamento 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Demora/não entregado produto 3º - Garantia 4º - Desistência/cancelamento de compra 5º - Produto diferente do pedido 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia 3º - Desistência/cancelamento de compra 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Demora/não entrega do bem Nº Atend. 450 324 164 151 72 355 247 113 99 99 372 101 86 67 47 269 116 92 50 34 304 115 62 35 31 74 Na área de Saúde, como se pode constatar no quadro 11, indiscutivelmente o assunto Convênio de Assistência Médica/Odontológica foi o recordista com 86% do ranking dos 5 assuntos mais reclamados. No Convênio e no Seguro Saúde, a maior ocorrência estava relacionado a problemas com contratos. Já com Hospital, Profissional Liberal e Farmácia, os problemas mais destacados relacionavam-se à dúvidas sobre cobrança. Quadro 11: Reclamações na Área de Saúde em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Convênio de Assistência Médica e Odontológica 3144 2º Seguro Saúde 187 3º Hospital 110 4º Profissional Liberal 109 5º Farmácia/ Drogaria 92 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Contrato 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Reajuste 4º - Prazo de carência 5º - Substituição/alteração do plano 1º - Contrato 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Reajuste 4º - Recusa/mal atendimento 5º - Prazo de carência 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Recusa/mal atendimento 3º - Nota fiscal/recibo 4º - Contrato 5º - Danos causados ao consumidor 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Qualidade (serviço, produto) 3º - Danos causado ao consumidor 4º - Contrato 5º - Ausência de profissional habilitado 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Preço 3º - Propaganda/venda enganosa 4º - Recusa/mal atendimento 5º - Contrato Nº Atend. 1218 541 381 322 221 72 34 17 14 14 57 14 9 7 6 28 23 14 10 6 31 10 10 9 4 75 Na área de Serviços, os assuntos mais reclamados foram: telefonia fixa, escola, estabelecimento/loja, prestação de serviço e telefonia celular. Os problemas que mais se destacaram: dúvida sobre cobrança, não cumprimento do contrato, má prestação de serviços e cobrança indevida. Veja no quadro 12 as reclamações na área de Serviços no PROCON-PR em 1999. Quadro 12: Reclamações na Área de Serviços em 1999 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Telefonia Fixa 3297 2º Escola (Ensino regular/ Faculdade) 2748 3º Estabelecimento/ Loja 1499 4º Prestação de Serviço 1414 5º Telefonia Celular 1057 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Má prestação de serviços 3º - Não entrega do produto/serviço 4º - Cobrança indevida 5º - Montagem/colocação 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Má prestação de serviços 4º - Retenção de documentos 5º - Cobrança indevida 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Má prestação de serviços 3º - Cobrança indevida 4º - Registro indevido (SPC, Protesto...) 5º - Contrato (não cumprimento) 1º - Má prestação de serviços 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Contrato (não cumprimento) 4º - Mercadoria/serviço (danos/defeitos) 5º - Cobrança indevida 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Contrato (não cumprimento) 4º - Má prestação de serviços 5º - Mercadoria/serviço (danos/defeitos) Nº Atend. 806 680 501 427 288 832 456 447 379 175 395 138 130 124 115 307 274 236 99 87 409 173 145 122 60 76 3.1.2 - Audiências Realizadas Durante o ano de 1999, foram realizadas 7.939 (sete mil novecentos e trinta e nove) audiências. Após a realização das audiências, os processos administrativos foram encaminhados para a definição de aplicação das Sanções Administrativas, previstas no Código de Defesa do Consumidor – Lei n.º 8.078/90, regulamentado pelo Decreto Federal n.º 2.181/97 e Procedimentos Administrativos, contidos na Resolução 064/98. É comum que sejam aplicadas multas apenas aos fornecedores que não resolveram o problema dos consumidores até a fase da audiência. Não tiveram aplicação de Sanção, 2.076 processos administrativos que foram resolvidos e portanto arquivados na categoria RESOLVIDOS. As 63 Sanções Administrativas que foram aplicadas e finalizadas até 31/12/99, foram registradas no Cadastro de Defesa do Consumidor como NÃO RESOLVIDOS. Os demais processos com aplicação de Sanção, continuam EM ANDAMENTO até decisão final. Foram arquivados ainda, 1.220 processos na categoria de ENCERRADO e 128 na categoria de IMPROCEDENTE. 77 3.2 - Avaliação dos Atendimentos - 2000 Em 2000, O PROCON-PR registrou 69.578 atendimentos, deste total 9.027 resultou na abertura de novos processos administrativos e 60.551 consumidores receberam orientação. Os 69.578 registros estão distribuídos pelas formas de atendimento e configurados conforme tabela 4. Tabela 4: Distribuição dos Atendimentos por Canal de Acesso em 2000 Formas de Atendimento Números registrados Percentuais Pessoal 14.380 21% Telefone 48.287 69% 129 1% Internet 2.459 3% Central de atendimento 4.323 6% 69.578 100% Carta TOTAL Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 4: Distribuição dos Atendimentos por Canal de Acesso em 2000 69.578 69% 48.287 21% 14.380 1% Pes s oal Telefone Fonte: PROCON-PR, 2001 3% 129 2.459 Carta Internet 6% 4.323 Central de atendim ento TOTAL 78 O serviço de atendimento telefônico, disponibilizado através do 0800 41 1512, continua a ser a forma preferencial de busca de orientação dos consumidores, representando 69% do total dos atendimentos do ano. A “home page” do PROCON-PR em 2000 foi acessada por 49.314 pessoas até 31/12/00, representou um aumento de 124,15% em relação ao período de 01/12/97 (início) a 31/12/99 que foi de 22.000 acessos. As consultas via e-mail, com 2.459 registros, tiveram um aumento de 85% em relação ao ano 1999. Visando agilizar o atendimento ao consumidor, bem como melhorar a operacionalização de atividades internas, foi colocada à disposição do público em 2000, a CENTRAL DE ATENDIMENTO que, além de fornecer informações e certidões cadastrais de fornecedores, possibilitou o acesso à consulta no andamento de processos administrativos. Este novo serviço registrou 4.323 atendimentos em apenas 6 meses de funcionamento. 3.2.1 - Classificação por Áreas Os atendimentos classificados por área receberam tratamento estatístico para melhor visualização, tanto das áreas que acusam maior número de registros como os assuntos mais reclamados das áreas. No quadro 17, podemos visualizar por área, quais foram os canais de acessos mais utilizados em 2000. 79 Tabela 5: Atendimentos por Área versus Canal de Acesso em 2000 Área Pessoal Alimentos Assuntos Financeiros Telefone Carta Internet 37 645 1 33 2086 7543 14 310 1157 3 Consórcios Cadastro Total 14 730 305 313 10261 23 342 1835 Habitação 1169 4924 15 107 287 6502 Produtos 3166 10410 21 224 11 13832 Saúde 766 2613 4 59 285 3727 6670 15728 63 1685 2184 26330 176 5267 8 23 0 5474 0 0 0 0 887 887 14380 48287 129 2459 4323 69578 Serviços Extra-Procon Outros Serviços Total Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 5: Atendimentos por Área versus Canal de Acesso em 2000 96% 88% PESSOAL TELEFONE CARTA 76% 74% INTERNET 75% 70% CADASTRO 63% 20% 17% 5% 5% 2% Alimentos 3% 3% Assuntos Financeiros 60% 23% 19% 18% 4% 1% 2% Consórcios Habitação 25% 21% 8% 2%0% Produtos 6% 2% Saúde Serviços 8% 3% 0% 0% Extra-Procon Fonte: PROCON-PR, 2001 Comparando os canais de acesso de 1999 (gráfico 2) e 2000 (gráfico 5), confirmou-se a tendência quanto a preferência dos consumidores pelo atendimento telefônico. Em geral, os consumidores que optam pelo atendimento telefônico estão mais interessados em pedir informações ou esclarecer dúvidas. Tratando exclusivamente dos atendimentos classificados por área, a tabela 6 expõe a colocação e o percentual tido em cada área. 80 Tabela 6: Distribuição dos Atendimentos por Área em 2000 Colocação Área Número Percentual 1º Serviços 26.330 38% 2º Produtos 13.832 20% 3º Assuntos Financeiros 10.261 15% 4º Habitação 6.502 9% 5º Saúde 3.727 5% 6º Consórcios 1.835 3% 7º Alimentos 730 1% - Extra-Procon 5.474 8% Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 6: Distribuição dos Atendimentos por Área em 2000 Consórcios 15% 20% 38% 26.330 Serviços 13.832 Produtos 10.261 Assuntos Financeiros 9% 6.502 Habitação 8% Extra-Procon 5% Saúde 5.474 3% 3.727 1% 1.835 730 Alimentos Fonte: PROCON-PR, 2001 • A área de SERVIÇOS ficou em primeiro lugar em 2.000, com 26.330 atendimentos representando 38% dos atendimentos registrados. • Em segundo lugar ficou a área de PRODUTOS, com 13.832 atendimentos representando 20% dos atendimentos registrados em 2000. 81 • A área de ASSUNTOS FINANCEIROS, com 10.261 atendimentos ficou em terceiro lugar, representando 15% dos atendimentos registrados. • HABITAÇÃO permaneceu em quarto lugar, com 6.502 atendimentos registrados e representando 9% dos atendimentos em 2000. • Em quinto lugar, fora da classificação das áreas, ficaram os atendimentos considerados EXTRA-PROCON, que são diferenciados por não se tratarem de relação de consumo. O número de pessoas atendidas foi de 5.475 representando 8% dos atendimentos registrados. • A área de SAÚDE, manteve-se em sexto lugar com 3.727 atendimentos registrados e representando 6% do total. • CONSÓRCIO em sétimo lugar, representou 4% dos atendimentos registrados com 1.835 registros. • A área de ALIMENTOS teve 730 registros, representando apenas 1% do total dos atendimentos em 2000. A seguir, veremos os problemas específicos de cada assunto para melhor entender o comportamento das áreas. 3.2.1.1– Tipos de Reclamações x Setor Empresarial Em cada assunto, aparecem cinco níveis de reclamação por ordem decrescente de ocorrência, em vários setores analisados. A partir desses quadros podemos ter elementos substanciais para o desenvolvimento de uma análise do comportamento ético das empresas em relação aos clientes. 82 Na área de Alimentos comparado com 1999, o assunto Estabelecimento continuou em 1º lugar como o mais reclamado, permanecendo com os mesmos problemas principais: cobrança indevida, propaganda/oferta/venda enganosa, preço praticado (abusivo, remarcado). No assunto Carne e derivados, a ocorrência mais relevante foi relacionada a propaganda/oferta/venda enganosa e alteração do odor/sabor/aspecto. No assunto Leite e derivados, a alteração do odor/sabor continuou sendo a ocorrência mais relevante. Bolachas/biscoitos/petiscos e pão/bolo teve como principal ocorrência a presença de sujidade, larvas, objetos estranhos. Veja quadro 13. Quadro 13: Reclamações na Área de Alimentos em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Estabelecimento 214 2º Carne e derivados 103 3º Leite e derivados 70 4º Bolachas Biscoitos Petiscos 35 5º Pão Bolo Fonte: PROCON-PR, 2001 31 Problema 1º - Cobrança indevida 2º - Propaganda/oferta/venda enganosa 3º - Preço (abusivo, remarcado 4º - Preço (não afixado) 5º - Mau atendimento (tratamento indevido) 1º - Propaganda/oferta/venda enganosa 2º - Alteração do odor/sabor/aspecto 3º - Peso/volume/quantidade 4º - Prazo de validade (falta, ilegível, vencido) 5º - Preço (abusivo, remarcado) 1º - Alteração do odor/sabor/aspecto 2º - Preço (abusivo, remarcado) 3º - Prazo de validade (falta, ilegível, vencido) 4º - Cobrança indevida 5º - Propaganda/oferta/venda enganosa 1º - Presença de sujidade, larvas, objetos 2º - Propaganda/oferta/venda enganosa 3º - Preço (abusivo, remarcado) 4º - Prazo de validade (falta, ilegível, vencido) 5º - Alteração do odor/sabor/aspecto 1º - Presença de sujidade, larvas, objetos 2º - Preço (abusivo, remarcado) 3º - Qualidade do produto (má, diferente) 4º - Preço (não afixado) 5º - Cobrança indevida Nº Atend. 40 40 30 16 13 19 16 13 11 9 19 9 7 7 6 9 9 6 4 2 6 5 5 4 2 83 Em 2000, na área de Assuntos Financeiros, apareceu em 1º lugar o assunto Bancos com destaque para os seguintes problemas: dúvida sobre cobrança, cobrança indevida e recusa/má prestação de serviços. No assunto quanto à Financeiras, as ocorrências mais relevantes foram com dúvida sobre cobrança e registro indevido (SERASA, SPC,...). Quanto a Estabelecimento/Loja, destacou-se a reclamação de dúvida sobre cobrança e juros abusivos. Os Cartões de Crédito prevaleceram as reclamações relacionadas a dúvida sobre cobrança e cobrança indevida. O quadro 14 apresenta as demais reclamações na área de assuntos financeiros em 2000. Quadro 14: Reclamações na Área de Assuntos Financeiros em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Bancos 2421 2º Financeira 1714 3º Estabelecimento/ Loja 1306 4º Cartão de Crédito 865 5º Empresa de Cobrança 599 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Recusa/má prestação de serviços 4º - Falha bancária (cheque, ordem de pagamento) 5º - Registro indevido (SERASA, SPC,...) 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Registro indevido (SPC, SERASA,...) 3º - Juros abusivos 4º - Cobrança indevida 5º - Cobrança de forma contr./difamatória 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Juros abusivos 3º - Cobrança indevida 4º - Serviço não solicitado (cartão de crédito) 5º - Registro indevido (SPC, SERASA,...) 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Registro indevido (SPC, SERASA,...) 4º - Juros abusivos 5º - Valor em atraso (mensalidade, prestação) 1º - Não parcelamento de sinistro (total, parcial) 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Valor a ser devolvido (cálculo seguro) 4º - Contrato (cancelamento) 5º - Dúvida sobre cobrança Nº Atend. 771 238 186 184 179 592 245 230 164 76 470 194 176 90 71 294 113 93 54 30 136 102 99 62 58 84 Na área de Consórcios, o assunto automóveis que teve 767 registros em 2000, sofreu uma redução significativa comparado a 1616 registros no ano de 1999. Já as reclamações relacionadas à consórcio de eletrodoméstico aumentou, assumindo a posição de 2º lugar e estando a frente do consórcio de motocicletas e imobiliário. Contudo, persistem os principais problemas que afetam os 5 principais tipos de consórcios, são eles: valor a ser devolvido (cálculo, saldo), desistência/devolução de valor pago, não entrega do bem e contrato (não cumprimento, rescisão). Quadro 15: Reclamações na Área de Consórcios em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Consórcio de Automóveis 767 2º Consórcio de Eletrodoméstico 364 3º Consórcio Imobiliário 152 4º Consórcio de Motocicletas 132 5º Consórcio de Caminhões 18 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Desistência/Devolução de valor pago 2º - Valor a ser devolvido (cálculo, saldo) 3º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Cobrança indevida 1º - Não entrega do bem 2º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 3º - Desistência/Devolução de valor pago 4º - Valor a ser devolvido (cálculo, saldo) 5º - Irregularidade administrativa 1º - Desistência/Devolução de valor pago 2º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 3º - Valor a ser devolvido (cálculo, saldo) 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Recusa (má prestação de serviço) 1º - Valor a ser devolvido (cálculo, saldo) 2º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 3º - Desistência/Devolução de valor pago 4º - Não entrega do bem 5º - Dúvida quanto a carta de crédito 1º - Desistência/Devolução de valor pago 2º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 3º - Valor a ser devolvido (cálculo, saldo) 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Cobrança indevida Nº Atend. 177 160 122 79 38 207 50 40 17 13 54 43 42 8 5 28 22 19 11 9 5 4 2 2 2 85 Na área de habitação, a área mais reclamada continua sendo a de locação de imóvel, com destaque para as ocorrências de dúvida sobre cobrança e contrato/proposta (não cumprimento). O maior problema e o mais significativo no assunto Condomínio, como pode ser visto no quadro 16 estava relacionado à dúvida sobre cobrança. As reclamações em relação à Imobiliárias destacaram-se problemas com dúvida sobre cobrança e contrato/proposta. Construtoras continuam os problemas relacionados com o contrato/proposta. Os Financiamentos Habitacionais, tiveram as maiores ocorrências devido a dúvida sobre cobrança e contrato/proposta. O quadro 16 aponta as ocorrências que mais se destacaram em 2000 na área de Habitação. Quadro 16: Reclamações na Área de Habitação em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Locação de Imóvel 2489 2º Condomínio 1306 3º Imobiliária Administradora 856 4º Construtora 463 5º SFH Financiamento Habitacional 314 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta (não cumprimento) 3º - Cobrança de taxa indevida 4º - Reajuste (aluguel, prestação, etc) 5º - Condições de habitabilidade 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança de taxa indevida 3º - Cobrança de despesas extraordinárias 4º - Convenção (não cumprimento) 5º - Recusa (má prestação de serviços) 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta 3º - Devolução de valores pagos 4º - Cobrança taxa indevida 5º - Condições de habitabilidade 1º - Contrato/Proposta 2º - Qualidade na construção 3º - Não conclusão/não início da obra 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Devolução de valores pagos 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato/Proposta 3º - Transferência (renegociação de dívidas) 4º - Pagamento 5º - Registro indevido (SPC, SERASA, protesto) Nº Atend. 956 643 129 101 99 878 86 67 65 31 253 251 92 50 21 150 61 47 44 37 125 43 21 18 17 86 Na área de Produtos, destacaram-se os seguintes assuntos em 2000 no PROCON-PR: vestuário/acessórios, venda de veículos, equipamento telefônico, artigos de informática e máquina lava roupa. De todos estes assuntos, os problema mais reclamados pelos consumidores continuou sendo: dano/defeito no produto, garantia e desistência/cancelamento da compra. O quadro 17 aponta os problemas por assunto mais reclamados na área de produtos. Quadro 17: Reclamações na Área de Produtos em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Vestuário/ Acessórios 1659 2º Venda de Veículos 1458 3º Equipamento Telefônico 898 4º Artigos de Informática 725 5º Máquina Lava Roupa 670 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Desistência/cancelamento de compra 3º - Garantia/falta de abrangência de cobertura 4º - Dúvida sobre cobrança 5º - Cobrança indevida 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia/falta de abrangência de cobertura 3º - Compra de veículo/multa, transferência 4º - Desistência/cancelamento da compra 5º - Propaganda/venda enganosa 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia/falta de abrangência da cobertura 3º - Desistência/cancelamento da compra 4º - Contrato/pedido/orçamento rescisão 5º - Demora/não entrega do produto 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia 3º - Demora/não entrega do produto 4º - Desistência/cancelamento de compra 5º - Falta de assistência técnica 1º - Produtos com danos/defeitos 2º - Garantia 3º - Desistência/cancelamento de compra 4º - Falta de assistência técnica 5º - Demora/não entrega do bem Nº Atend. 572 409 202 143 38 514 256 142 109 75 447 146 78 28 27 304 97 68 63 34 339 96 42 36 18 87 Na área de Saúde, o recordista de ocorrências, como se pode constatar no quadro 18, continuou sendo Convênio de Assistência Médica/Odontológica com problemas referentes ao não cumprimento do contrato ou rescisão, reajuste e dúvida sobre cobrança. Em 2000, apareceu em 2º lugar Medicamentos com um aumento de aproximadamente 500% em relação a 1999, com destaque para ocorrências de propaganda/oferta/venda enganosa e dúvida sobre cobrança. No Seguro Saúde, as maiores ocorrências estavam relacionadas à problemas com contrato, dúvida sobre cobrança e reajuste. Veja com maiores detalhes o quadro 18. Quadro 18: Reclamações na Área de Saúde em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Convênio de Assistência Médica e Odontológica 2174 2º Medicamentos Alopáticos Homeopáticos 488 3º Seguro Saúde 190 4º Profissional Liberal 112 5º Pré-hospitalar (ambulância, etc) 95 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 2º - Reajuste 3º - Dúvida sobre cobrança 4º - Prazo de carência 5º - Recusa/mau atendimento 1º - Propaganda/venda enganosa 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 4º - Peso/volume/quantidade/tamanho 5º - Qualidade (serviço/produto) 1º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Reajuste (mensalidade, dúvida) 4º - Ressarcimento de despesa (medicina hospitalar) 5º - Recusa (mau atendimento) 1º - Danos causados ao consumidor 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Imperícia/negligência/omissão de atendimento 4º - Recusa (mau atendimento) 5º - Qualidade (serviço/produto) 1º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 2º - Dúvida sobre cobrança 3º - Recusa (mau atendimento) 4º - Reajuste (mensalidade, plano, etc) 5º - Propaganda/venda enganosa Nº Atend. 660 509 414 166 146 283 121 59 5 5 57 34 33 18 15 25 21 17 14 13 43 28 10 6 3 88 Na área de Serviços, os assuntos mais reclamados foram: telefonia fixa, escola, telefonia celular, estabelecimento/loja e fornecimento de energia. A telefonia fixa duplicou seus números comparando com 1999 e continua sendo o “vilão” dos consumidores. Os maiores problemas, sem dúvida, é cobrança, seja com dúvidas quanto a valores cobrados ou cobrança indevida. A telefonia celular também aumentou seus números, passando para 3º lugar na área de serviços. Os problemas que mais destacaram-se: dúvida sobre cobrança, cobrança indevida e não cumprimento do contrato,. Veja no quadro 19 as reclamações na área de Serviços no PROCON-PR em 2000. Quadro 19: Reclamações na Área de Serviços em 2000 Lugar Assunto Nº Atend. 1º Telefonia Fixa 6532 2º Escola (Ensino regular/ Faculdade) 1876 3º Telefonia Celular 1664 4º Estabelecimento/ Loja 1049 5º Fornecimento de Energia 949 Fonte: PROCON-PR, 2001 Problema 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Não entrega do produto/serviço 4º - Montagem/colocação 5º - Contrato (não cumprimento/rescisão) 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Contrato (não cumprimento) 3º - Retenção de documentos 4º - Cobrança indevida 5º - Devolução de valores pagos 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Contrato (não cumprimento) 4º - Recusa (má prestação de serviço) 5º - Mercadoria/serviço com danos/defeito 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Registro indevido no SPC, SERASA... 3º - Recusa (má prestação de serviço) 4º - Contrato (não cumprimento, rescisão) 5º - Cobrança de forma constrangedora 1º - Dúvida sobre cobrança 2º - Cobrança indevida 3º - Serviço causou danos ao consumidor 4º - Recusa (má prestação de serviço) 5º - Pagamento (atraso, dúvida) Nº Atend. 2078 1590 627 549 426 600 302 285 183 170 660 447 190 93 67 247 130 84 70 70 403 157 137 90 54 89 3.2.2 - Audiências Realizadas Foram realizadas 8.701 audiências. Uma vez que o problema apresentado pelo consumidor não tenha sido resolvido em audiência, os processos administrativos são encaminhados para a definição de aplicação das Sanções Administrativas. Constarão no Cadastro de Defesa do Consumidor a ser publicado, relativos a processos arquivados no ano de 2000, 1.244 processos administrativos RESOLVIDOS e 22 NÃO RESOLVIDOS. Foram arquivados ainda, 1.290 processos na categoria ENCERRADO e 07 na categoria de IMPROCEDENTE. 90 3.3 - A Evolução do Número de Atendimentos (1999-2000) 3.3.1 - Avaliação dos Atendimentos Os atendimentos serão avaliados pela sua evolução por área, considerando o ano de 1999 e 2000. Houve uma queda de 6% no total de atendimentos registrados em 2000 comparados com os atendimentos registrados em 1999. A situação das áreas fazendo um comparativo com 1999 e 2000, pode ser visualizado na tabela 7. Tabela 7: Percentual dos Atendimentos em 1999 e 2000 Área Número 1999 Percentual 1999 Número 2000 Percentual 2000 Serviços Produtos Assuntos Financeiros Habitação Extra-Procon Saúde Consórcios Alimentos TOTAL 22.718 12.386 15.599 8.034 6.590 4.216 2.849 595 72.987 31% 17% 21% 11% 9% 6% 4% 1% 100% 26.330 13.832 10.261 6.502 5.474 3.727 1.835 730 68.691 38% 20% 15% 9% 8% 5% 3% 1% 100% Crescimento/ Queda 15% 12% -34% -19% -16% -11% -35% 23% -6% Fonte: PROCON-PR, 2001 Os atendimentos classificados por área que registraram crescimento em 2000 em relação à 1999 foram: ALIMENTOS (23%), SERVIÇOS (15%) e PRODUTOS (12%). Para melhor visualização, o gráfico 7 e 8 demonstram os crescimentos e quedas que as áreas tiveram em 2000. 91 Gráfico 7: Comparativo dos Atendimentos 1999/2000 1999 2000 26.330 22.718 15.599 13.832 12.386 10.261 8.034 Serviços Produtos Assuntos Financeiros 6.502 Habitação 6.590 5.474 Extra-Procon 4.216 3.727 Saúde 2.849 1.835 595 730 Consórcios Alimentos Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 8: Evolução Comparativa dos Atendimentos 1999/2000 1999 2000 26.330 Crescimento/Queda 22.718 13.832 15.599 8.034 12.386 10.261 4.216 6.502 15% Serviços 12% Produtos 34% Assuntos Financeiros 6.590 5.474 19% Habitação 16% Extra-Procon 3.727 11% 2.849 1.835 Saúde 730 35% Consórcios 595 23% Alimentos Fonte: PROCON-PR, 2001 3.3.2 - Análise Geral do Comportamento das Áreas As áreas de classificação dos atendimentos sofrem alterações de acordo com o comportamento do mercado. O setor que mais cresce, seja nas economias nacionais ou regionais é o de SERVIÇOS e nos últimos anos esse 92 crescimento tem sido verificado na prática pelo PROCON no aumento das reclamações por parte dos consumidores. A área de SERVIÇOS manteve o primeiro lugar na classificação, com 26.330 atendimentos registrados em 2000 o qual representou um crescimento de 15% em relação a 1999 com 22.718 registros. A área de produtos cresceu 12% em 2000 em relação a 1999. Em 1999, PRODUTOS ocupava o terceiro lugar no número de reclamações registradas, em 2000 passou para o segundo lugar. Em segundo lugar em 1999, estava a área de ASSUNTOS FINANCEIROS que em 2000 teve uma queda de 34% passando para terceiro lugar. Esta queda pode ser explicada pela redução das reclamações de leasing que teve 3675 registros em 1999, representando o assunto mais reclamado naquele ano e apenas 520 reclamações em 2000. O mercado financeiro continuou acomodado, principalmente no que se refere à taxa de juros e no crédito direto ao consumidor. HABITAÇÃO permaneceu em quarto lugar, com 6.502 atendimentos, registrando uma queda de 19% em relação aos 8.034 atendimentos do ano anterior. Manteve a posição do ano anterior, quinto lugar, fora da classificação das áreas, os atendimentos considerados EXTRA PROCON. Os consumidores são orientados a procurar outros órgãos ou entidades tendo em vista que não se trata de relação de consumo. Com 5.474 atendimentos, contra 6.590 do ano anterior, representando uma queda de 16%. 93 Em sexto lugar, como no ano anterior, a área de SAÚDE teve 3.727 atendimentos, contra 4.216 de 1999, com redução 11%. CONSÓRCIO permaneceu em sétimo lugar, com 1.835 registros de atendimentos, contra 2.849 de 1999. A queda nos atendimentos foi de 35%. A área de ALIMENTOS teve 730 registros, comparando com 595 atendimentos do ano anterior, a área teve um crescimento de 23%. Mesmo assim, a área ficou em último lugar na classificação. 3.3.3 - Audiências Realizadas A tabela 8 e gráfico 9 demonstram a situação dos processos administrativos levados para audiência. Tabela 8: Situação das Audiências Realizadas em 1999 e 2000 Situação da Audiências 1999 Em andamento 2000 4.452 2.076 63 1220 128 7.939 Resolvido Não resolvido Encerrado Improcedente TOTAL 6.138 1.244 22 1290 07 8.701 Crescimento/ Queda 38% -40% -65% 5% -94% 10% Fonte: PROCON-PR, 2001 Em 2000, o número das audiências teve um aumento de aproximadamente 10% em relação ao total da audiências realizadas em 1999. Os processos administrativos arquivados na categoria de resolvidos representou apenas 14% do total das audiências realizadas em 2000. 94 Gráfico 9: Evolução das Audiências 1999/2000 1999 2000 8.701 7.939 6.138 4.452 2.076 1.244 1220 1290 63 Em andamento Resolvido 128 22 Não resolvido Encerrado 7 Improcedente TOTAL Fonte: PROCON-PR, 2001 3.3.4 - Classificação dos Principais Problemas dentre os Setores de Serviços, Saúde, Habitação e Financeiros De acordo com os dados estatísticos, alguns assuntos de determinadas áreas destacaram-se fortemente devido ao volume de atendimentos registrados. Em 1999, o Leasing/Arrendamento Mercantil era o assunto mais reclamado estando em primeiro lugar com 3.675 atendimentos registrados. Em 2000, o Leasing/Arrendamento Mercantil apareceu com 520 registros o que representou uma queda brusca de 86% em relação a 1999. Desde que o Real se igualou com o Dólar o consumidor se instigou a financiar bens de consumo através do sistema de leasing. Com a instituição de bandas e com a desvalorização do real de 1998/1999, os contratos atrelados ao dólar ficaram 95 impraticáveis. Em 2000, este problema já estava resolvido, por isso a redução das reclamações no PROCON-PR. A tabela 9 aponta os 5 assuntos mais problemáticos para o PROCONPR em 1999 os quais se repetiram em 2000. Tabela 9: Assuntos mais problemáticos em 1999 e 2000 1999 2000 Telefonia Fixa 3.297 (2º) 6.532 (1º) Crescimento/ Queda 98% Convênio Médico/Odontológico 3.144 (3º) 2.174 (4º) -31% Escola (Regular e Superior) 2.748 (4º) 1.876 (5º) -32% Locação de Imóveis 2.671 (5º) 2.489 (2º) -10% Bancos 2.314 (6º) 2.421 (3º) 5% Assuntos mais problemáticos Fonte: PROCON-PR, 2001 Gráfico 10: Classificação das Áreas Problemáticas 1999/2000 1999 2000 1º 6532 2º 3297 3º 3144 4º 2174 Telefonia Fixa Convênio Médico/Odontológico Fonte: PROCON-PR, 2001 4º 2748 5º 2671 5º 1876 Escola (Regular/Superior) 2º 2489 Locação de Imóvel 6º 3º 2314 2421 Bancos 96 Gráfico 11: Evolução Comparativa das Áreas Problemáticas 1999/2000 1999 2000 6532 Crescimento/Queda 3297 3144 2748 2671 2421 2489 2174 98% Telefonia Fixa 31% Convênio Médico/Odontológico 2314 1876 32% Escola (Regular/Superior) 10% Locação de Imóvel 5% Bancos Fonte: PROCON-PR, 2001 Em 2000, a Telefonia Fixa duplicou o número de reclamações em 1999. Este crescimento se fundamenta pelo aumento da demanda com a nova lei criada de serviços de telecomunicações que ocasionou uma queda de qualidade na prestação de serviços de um setor recém-privatizado. Antes da privatização do setor uma linha telefônica custava até R$ 3.000,00 à vista e quando havia financiamento podia chegar ao preço de R$ 7.000,00. Havia um mercado especulador paralelo que foi destruído com a nova lei. Hoje o consumidor adquire o direito de uso de uma linha enquanto estiver pagando suas contas em dia, o que levou muitas pessoas de baixa renda utilizar deste serviço nunca usufruído anteriormente. Paralelamente, os serviços prestados pelas concessionárias, na maior parte terceirizados, pode representar maior rapidez, mas não necessariamente maior qualidade. Um outro aspecto é que uma concessionária não faz o percurso da ligação em todo território nacional. Quase sempre são necessárias 97 duas concessionárias, e os problemas são passados de uma para outra. Quando a ligação é feita para outro Estado, o custo diferencia-se pois é outra concessionária. O consumidor tem questionado muito o valor de sua conta telefônica, de ligações que diz que não fez e assim por diante. Os Convênios Médicos/Odontológicos tiveram um queda de 31% em relação a 1999. A nova Lei que regulamentou os Planos de Saúde começou a vigorar em 1999 e estabelecia prazo para substituição dos Planos de Saúde, bem como planos mínimos. Foi responsável por grandes mudanças no mercado e mais segurança ao consumidor, uma das grandes revoluções foi a cobertura de doença preexistentes como a AIDS. As reclamações de Escolas reduziram em 2000, que representou uma queda de 32% comparado a 1999. Esta redução também se deve a especificidades do momento. No período de 1998 a 1999, as faculdades e universidades prometeram devolução integral de matrícula ou 80% para aqueles alunos matriculados e que passassem em outras universidades, mas algumas não cumpriram o prometido. Um problema constante é a inadimplência que faz com que escolas em geral retenham documentos de alunos ou os impossibilitem de assistir as aulas. Como pode constatar nos gráficos, os números de atendimentos de locação de imóveis e bancos não tiveram grandes alterações. No entanto, locação de imóveis passou a ser o segundo assunto mais reclamado no PROCON-PR em 2000, mas isso se deve à queda brusca das reclamações envolvendo Convênios e Escolas. 98 Contudo, para estes cinco assuntos mais registrados e que se repetiram nestes dois últimos anos, serão propostas ações que visem integrar a categorização dos problemas por área versus os direitos básicos do consumidor, conforme veremos no capítulo 4. 99 4 - A RELAÇÃO COM OS CLIENTES E A ÉTICA EMPRESARIAL 4.1 - As Áreas Prioritárias para a Intervenção e o CDC Ultimamente a mídia a pedido de empresas, na sua maioria famosas, tem expandida a idéia de que “o cliente é o rei”, “o cliente é o foco”, “o cliente é a razão de existência da empresa”. No entanto, o capítulo 3 demonstrou a necessidade de intervenção do PROCON-PR frente aos anseios dos consumidores que têm seus direitos violados. Como se sabe, a empresa tem o dever de seguir princípios éticos na relação com os clientes e o princípio básico desta relação consiste no fornecimento de produtos ou serviços que atendam às especificações técnicas e legislação pertinente. É neste sentido que o PROCON-PR entra, como um instrumento de consulta e punição dos direitos violados. De acordo com o tratamento estatístico dos atendimentos do PROCONPR pode-se constatar que existem assuntos específicos (telefonia fixa, locação de imóvel, bancos, convênio médico/odontológico e escola regular e superior) que tiveram um número elevado de reclamações tanto em 1999 como em 2000. Existem outros assuntos que estão em ligeira expansão, mas ainda não aparecem nos 5 primeiros assuntos mais reclamados. Tendo como base o ano de 2000, a telefonia fixa foi a campeã em registros no PROCON-PR, tendo aumentado assustadoramente em relação ao ano anterior. 100 4.1.1 - O Código de Defesa do Consumidor - CDC Para o consumidor que pagou corretamente por um produto ou serviço é seu direito ver suas aspirações atendidas. Pode parecer simples, mas antes da promulgação do “Código de Defesa do Consumidor”, muitas empresas que não tinham a mínima postura ética utilizavam-se da morosidade e imperfeições do processo ordinário para desrespeitar os direitos do consumidores . O Código de Defesa do Consumidor – Lei n.º 8.078/90 entrou em vigor em março de 1991 e veio com força punir as empresas que ainda persistem em desrespeitar o consumidor, principalmente aquele mais humilde. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um conjunto de normas que regulam as relações de consumo, protegendo o consumidor e colocando os órgãos e entidades de defesa do consumidor a seu serviço. Segundo o CDC, os direitos básicos do consumidor são: 1) Proteção da vida e da saúde: Antes de comprar um produto ou serviço o consumidor deve ser avisado pelo fornecedor, dos possíveis riscos que podem oferecer à saúde e segurança do consumidor. 2) Educação para o consumo: O consumidor tem o direito de receber orientação sobre o consumo adequado e correto dos produtos e serviços. 3) Liberdade de escolha de produtos e serviços: O consumidor tem todo o direito de escolher o produto ou serviço que achar melhor. 4) Informação: Todo o produto deve trazer informações claras sobre sua quantidade, peso, composição, preço, riscos que apresenta e sobre o modo de utilizá-lo. Antes de contratar um serviço o consumidor tem direito a todas as informações de que necessitar. 101 5) Proteção contra publicidade enganosa e abusiva: O consumidor tem o direito de exigir que tudo o que for anunciado seja cumprido. Caso não seja, o consumidor pode cancelar o contrato e receber a devolução da quantia que havia pago. A publicidade enganosa e abusiva é proibida e considerada crime (art. 67, CDC). 6) Proteção contratual: O Código protege o consumidor quando as cláusulas do contrato não forem cumpridas ou quando forem prejudiciais ao consumidor. Neste caso, as cláusulas podem ser anuladas ou modificadas por um juiz. O contrato não obriga o consumidor, caso este não tome conhecimento do que nele está escrito. 7) Indenização: Quando for prejudicado, o consumidor tem o direito de ser indenizado por quem lhe vendeu o produto ou lhe prestou o serviço, inclusive por danos morais. 8) Acesso à Justiça: O consumidor que tiver os seus direitos violados pode recorrer à Justiça e pedir ao juiz que determine ao fornecedor que eles sejam respeitados. 9) Facilitação da defesa dos seus direitos: O Código de Defesa do Consumidor facilitou a defesa dos direito do consumidor, permitindo até mesmo que, em certos casos, seja invertido o ônus de provar os fatos. 10) Qualidade dos serviços públicos: Existem normas do CDC que asseguram a prestação de serviços públicos de qualidade, assim como o bom atendimento do consumidor pelos órgãos públicos ou empresas concessionárias desses serviços. O descumprimento das normas de defesa do consumidor estão sujeitas, conforme o caso às sanções administrativas, sem prejuízo das de natureza 102 civil, penal e das definidas em normas específicas, que poderão ser desde a multa até cassação de licença do estabelecimento ou da atividade. “I – multa; II – apreensão do produto; III – inutilização do produto; IV – cassação do registro do produto junto ao órgão competente; V – proibição de fabricação do produto; VI – suspensão de fornecimento de produtos ou serviços; VII – suspensão temporária de atividade; VIII – revogação de concessão ou permissão de uso; IX – cassação de licença do estabelecimento ou de atividade; X – interdição, total ou parcial, de estabelecimento, de obra ou de atividade; XI – intervenção administrativa; XII – imposição de contrapropaganda.” (art.56 CDC) A multa é estipulada de acordo com a gravidade da infração, a vantagem auferida e a condição econômica do fornecedor. A autuação será aplicada mediante procedimento administrativo e não será inferior a 200 (duzentos) e nem superior a 3 (três) milhões de UFIRs – Unidade Fiscal de Referência, caso não haja reincidência. As sanções administrativas estão descritas no Capítulo VII do CDC e são aplicadas pelos PROCONs quando o consumidor fizer a reclamação junto ao órgão ou quando do ato fiscalização for identificado irregularidades no estabelecimento. Já as infrações penais são aquelas que constituem crimes contra as relações de consumo e nas condutas tipificadas no Código de Defesa do Consumidor, sem prejuízo do disposto no Código Penal Brasileiro e leis especiais. 103 4.1.2 - Os Dez Direitos Básicos do Consumidor e a Categorização dos Problemas das Áreas O quadro 20 mostra os 4 problemas mais críticos (maior número de ocorrências) dos 5 assuntos mais registrados no PROCON-PR em 1999 e 2000. Recusa/Má prestação dos serviços Cobrança indevida Assuntos mais registrados Dúvida sobre cobrança Problemas mais críticos Contrato (não cumprimento, rescisão) Quadro 20: Assuntos mais registrados x problemas mais críticos 1999/2000 1999 2000 1999 2000 1999 2000 1999 2000 Telefonia Fixa 806 2078 - 426 427 1590 680 - Locação de Imóvel 1018 956 742 643 138 129 - - Bancos 838 771 - - 277 238 137 186 Convênio Médico/Odontológico 541 414 1218 660 - - - 146 Escolas (Regular, Superior) 832 600 456 302 175 183 447 - TOTAL 4035 4819 2416 2031 1017 2140 1264 332 Fonte: PROCON-PR, 2001 O problema de dúvida sobre cobrança se refere a falta de informação, um dos princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor que foi violado. Na maioria das ocorrências registradas no PROCON-PR em relação a dúvida sobre cobrança, teve como principal causa falta de explicação dos critérios de contabilização dos valores a serem cobrados. O gráfico 12 mostra os números de ocorrências em relação aos 5 principais assuntos problemáticos em 1999 e 2000. 104 Gráfico 12: Dúvida sobre cobrança x assuntos mais registrados 1999/2000 1999 2000 4819 4035 2078 806 Telefonia Fixa 1018 956 Locação de Imóveis 838 771 Bancos 832 541 414 Convênvios M éd./Odont. 600 Escolas Total Fonte: PROCON-PR, 2001 Como se pode constatar no gráfico 12, a Telefonia Fixa quase triplicou o número de ocorrências em 2000, em relação a 1999. Locação de Imóveis, Bancos, Convênios e Escolas mantiveram o nível porém com queda moderada de ocorrências de 1999 para 2000. Dentre os outros 3 problemas críticos, o problema de dúvida sobre cobrança está em 1º lugar com 8.854 registros somando 1999 e 2000, em 2º lugar está o problema de não cumprimento/rescisão de contrato com 4.447 registros no mesmo período. O gráfico 13 mostra o comportamento dos 5 assuntos mais registrados em relação ao problema de contrato. 105 Gráfico 13: Contrato x assuntos mais registrados 1999/2000 1999 2000 2416 2031 1218 742 660 643 456 426 Telefonia Fixa 302 Locação de Imóveis Bancos Convênvios M éd./Odont. Escolas Total Fonte: PROCON-PR, 2001 Em relação ao não cumprimento/rescisão de contrato, destacaram-se Convênios Médicos/Odontológicos e Locação de Imóveis. O assunto Convênios reduziu pela metade o número de ocorrências em relação a 1999, contudo continua violando o direito básico de proteção contratual estabelecido no CDC. Gráfico 14: Cobrança indevida x assuntos mais registrados 1999/2000 1999 2000 2140 1590 1017 427 138 129 Telefonia Fixa Locação de Imóveis Fonte: PROCON-PR, 2001 277 238 Bancos 175 183 Convênvios Méd./Odont. Escolas Total 106 O gráfico 14, comprova que dentre os cinco assuntos com maiores ocorrências no PROCON-PR, a Telefonia Fixa é a recordista das reclamações relacionadas a cobrança. Este problema de cobrança indevida dá o direito ao consumidor que seja indenizado. No problema de recusa/má prestação do serviço também favorece ao consumidor exigir indenização no que se refere a danos morais. Um fato interessante que mostra o gráfico 15, é que no ano de 2000, a Telefonia Fixa e as Escolas não registraram número de ocorrências significativas que pudessem aparecer nas estatísticas do PROCON-PR. É um fator positivo, que aponta um certo grau de melhoria no atendimento. Gráfico 15: Recusa/Má prestação dos serviços x assuntos mais registrados 1999/2000 1999 1264 2000 680 447 332 137 Telefonia Fixa Locação de Imóveis Fonte: PROCON-PR, 2001 186 Bancos 146 Convênvios Méd./Odont. Escolas Total 107 De forma geral, estes problemas relacionados com o consumidor (cliente) está intimamente ligado a falta de princípios éticos por parte das empresas. As perspectivas futuras da empresa ao assumir um compromisso real de fidelização através do comportamento ético com relação aos clientes são otimistas. Há algum tempo as empresas vêm percebendo, que os consumidores estão cada vez mais conscientes de seus direitos e das formas de defesa. Em contrapartida, as empresas estão iniciando um processo de questionamentos, ensaiando para uma nova visão de relacionamentos que culmina no fortalecimento de sua imagem no mercado. Neste cenário, as empresas estão sendo desafiadas a buscarem novas tecnologias, novos métodos de gerenciamento e redesenho do processo produtivo, além de investir em um relacionamento que resulte em confiança dos clientes, parceria com os fornecedores e respeito com a sociedade. Para a empresa é fundamental o entendimento dos anseios dos clientes para captar os requisitos almejados e transformá-los em produto/serviço que atendam suas expectativas. Isso envolve qualidade, compromisso e ética com o consumidor. 4.2 - A Necessidade de um Código de Ética Objetivo e Concreto As pessoas que integram uma organização possuem formações culturais e científicas diferentes, experiências diferentes sobre os fenômenos diários. A gama de múltiplos relacionamentos, com diversos públicos 108 (funcionários, clientes, concorrentes, acionistas, governo, sindicatos, sociedade) interage em suas particularidades, fazendo com que a organização esteja sujeita a desentendimentos. Atualmente, têm se visto empresas criando e adotando seus Códigos de Ética com o objetivo principal de padronizar, formalizar e harmonizar o entendimento da organização empresarial em seus diversos relacionamentos e operações. A decisão de fazer com que a empresa adote um Código de Ética deve ser tomada pelo alto escalão, mas a escolha dos princípios que constarão nele, assim como sua redação, deve ser uma atribuição coletiva dos funcionários e da administração. Só desta forma, será possível obter o comprometimento de todos em conhecer e cumprir os requisitos constantes no Código de Ética. É importante que o Código de Ética seja o mais específico possível tanto em relação aos princípios como às atividades típicas. Sua linguagem tem de ser clara e objetiva. Um determinante do sucesso do Código é fazer com que ele seja a expressão da cultura do grupo e nunca um texto imposto, com base em relações objetivas e, não em termos morais e de poder. É importante frisar que um Código de Ética se estrutura como um sistema de gestão e para que seja realmente cumprido é fundamental o estabelecimento de um Programa de Ética constituído por: • treinamento de implantação e reciclagens dos conceitos constantes do Código; • prática de um sistema de revisão e verificação do efetivo cumprimento; • criação de um canal de comunicação destinado a receber e a processar relatos de pessoas sobre eventuais violações; 109 • tomada de atitudes corretivas ou punitivas em casos de constatações de violações. No item 4.1.1 foram levantados os principais problemas dos assuntos com maiores ocorrências no PROCON-PR em 1999-2000, os quais foram: dúvida sobre cobrança, não cumprimento/rescisão do contrato, cobrança indevida e recusa/má prestação de serviços. Todos estes problemas apontados infringiram direitos básicos do Código de Defesa do Consumidor que garante ao consumidor o direito a informação, a proteção contratual e a indenização e portanto devem ser tratados pela empresa, seja através de ações instantâneas ou através de um Programa de Ética direcionado. 110 CONCLUSÃO Este trabalho primeiramente abordou a evolução conceitual de responsabilidade social, cidadania empresarial, ética empresarial. Foi mostrado exemplos de empresas e instituições que muito têm feito para disseminar estes conceitos às demais empresas, seja através de programas ou simplesmente com o seu exemplo prático. Foi possível constatar que é impossível compatibilizar uma empresa socialmente responsável com atitudes antiéticas, pois se falar de “responsabilidade social” sem ética nos diversos públicos que a empresa interage é como dar cestas básicas aos funcionários no fim de ano mesmo tendo-os explorados em horas extras, expondo-os em condições insalubres, aproveitando-se da situação de empregador para atentar contra a liberdade individual do funcionário, coibi-lo ou ludibriá-lo. A responsabilidade social deve começar internamente e eticamente. Sabemos e temos vistos casos de empresas que insistem em utilizar-se de práticas abusivas, de suborno e de sonegação para “tirar vantagem” e assim acreditando lucrar. Diante do contexto apresentado no decorrer do trabalho, uma coisa é certa: é possível conciliar ética e lucro. Com ética, as empresas obtêm credibilidade dos seus parceiros e da sociedade em geral, como conseqüência, o aumento das vendas, consolidação da imagem e lucros cada vez maiores e certos. Com a prática da ética, as empresas estão livres de ações judiciais e até mesmo de escândalos. Realmente, é difícil para as empresas terem essa visão, num país onde as autoridades distorcem seus papéis no jogo do “vale tudo”, do “tirar 111 vantagem”, do “dinheiro compra todos”. Contudo, as empresas podem e devem fazer sua parte na sociedade, operando numa concepção estratégica de compromisso ético. A empresa só tem a ganhar, principalmente no que se refere a relação com os clientes que têm o direito alicerçado na lei de terem suas expectativas atendidas e serem tratados com todo o respeito. Na relação aos clientes no que se refere a ética, foco deste trabalho, podemos constatar que direitos básicos do consumidor estão sendo violados e as reclamações chegam ao PROCON quando por algum motivo o consumidor não conseguiu conversar ou chegar a um acordo com a empresa. Este trabalho levantou as empresas com maior número de registros no PROCON-PR e os principais problemas. Em dois anos seguidos, manteve-se telefonia fixa, convênios médicos/odontológicos, locação de imóveis, bancos e escolas, com problemas relacionados principalmente à falta de informação precisa (valores, parcelas, juros,...) o que pode ter originado tantas dúvidas sobre cobrança. As empresas devem direcionar a atenção ao consumidor no pós-venda, na melhoria dos serviços internos e no atendimento, para evitar falhas principalmente na cobrança e sempre cumprir com o que foi acordado entre as partes. É de se acreditar, que o que falta é ética por parte destas empresas e de muitas outras e vontade de reverter esta situação. No entanto para se ter ética não basta só vontade por parte da empresa. É preciso que se estruture um programa para conduzir toda a empresa a criar e adotar um código de ética interno. A responsabilidade pela definição dos princípios éticos a serem seguidos é dos dirigentes, funcionários, e colaboradores. 112 Podemos concluir que nossos objetivos foram atingidos pois, no atual estágio das relações empresa-cliente em processos pós-venda, ainda existem muitos problemas a serem resolvidos, e muitas questões éticas a serem trabalhadas. E, nesse contexto o PROCON ainda é uma mediação institucionalizada para resolver problemas que deveriam estar explícitas para as partes em relação empresa-cliente. No dia em que a ética se fundamentar num princípio de verdade e não de valor, o PROCON não haverá necessidade de existir. 113 RECOMENDAÇÕES Mesmo tendo cumprido com o objetivo proposto, em alguns momentos verificou-se a necessidade de que outros pesquisadores possam desenvolver pesquisa a partir dos resultados apresentados. Portanto, recomenda-se aos futuros pesquisadores: • Avaliar em outros PROCONs se os problemas e os assuntos mais destacados no PROCON-PR (1999 e 2000) se alteram de localidade para localidade. • Implantar um código de ética voltado para a relação com o cliente em empresas de telefonia fixa, locação de imóveis, convênios médicos/odontológicos, bancos ou escolas, abordando principalmente a sistemática do processo que envolve dúvidas sobre cobrança, cobrança indevida e o não cumprimento/rescisão do contrato. • Desenvolver pesquisas para verificar relação entre Sistemas Integrados de Gestão - SIG e as reclamações dos clientes. Os Sistemas de Gestão da Qualidade que têm o foco voltado para o cliente, não é mais um diferencial, é uma necessidade que tem se intensificado com as novas exigências emergentes do mercado globalizado. 114 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASHLEY, Patrícia Almeida, et al. Responsabilidade social corporativa e cidadania empresarial: uma análise conceitual comparativa. In: ENANPAD, 2000. 12p. ACCOUNTABILITY COUNCIL. Capturado em 04 out. 2000. Online. Disponível na Internet http://www.accountability.org.uk. CEPAA. Criteria for accreditation of social accountability system certification bodies. Capturado em 01 mar. 2001. Online. Disponível na Internet http://www.cepaa.org. HUMBERG, Mário Ernesto. A ética empresarial no Brasil e no Mundo – em “A ética no mundo da empresa”. Pioneira, 1991. INSTITUTO ETHOS. Formulação e implantação de código de ética: reflexões e sugestões. Capturado em 22 de nov. 2000. Online. Disponível na Internet http://www.ethos.org.br/publicações. MARTINS, Plínio Lacerda. O Ministério Público e o Código de Defesa do Consumidor em casos concretos. Rio de Janeiro: Lumem Junis, 1996. MOREIRA, Joaquim Manhães. A ética empresarial no Brasil. Pioneira,1999. NASCIMENTO, Gilberto. A elite mudou. ISTOÉ, São Paulo, n.1635, p.7-11, jan. 2001. PROCON/PR - Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor. Capturado em 27 mai. 2001. Online. Disponível na Internet http:// www.pr.gov.br/proconpr. 115 BIBLIOGRAFIA CEPAA. Norma de Responsabilidade Social – SA 8000. Tradução de Maria Tereza Leal Cavalcante. Janeiro, 1999. GEUS, Arie de. A Empresa Viva. Tradução de Lenke Peres - Rio de Janeiro: Campus; São Paulo: Publifolha, 1999. INSTITUTO ETHOS. Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial. Capturado em 22 de nov. 2000. Online. Disponível na Internet http://www.ethos.org.br/publicações. NACIONAL ASSOCIATION OF SOCIALLY RESPONSABLE ORGANIZATIONS. Global standard for ethical sourcing. Capturado em 20 nov. 2000. Online. Disponível na Internet http://www.accountability.org.uk. PONTÍFICA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central. Modelo recomendado pela Biblioteca para referências bibliográficas. Capturado em 18 set. 2001. Online. Disponível na Internet http://www.unifor.br/hp/bib/refe. SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO - Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor. Cartilha do Consumidor. Brasília, 1999. SILVA, Edna Lúcia, et al. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Florianópolis, 2000.