ISSN 1679-0189
o jornal batista – domingo, 28/09/14
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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira
Fundado em 1901
1
Ano CXIV
Edição 39
Domingo, 28.09.2014
R$ 3,20
2
o jornal batista – domingo, 28/09/14
reflexão
EDITORIAL
O JORNAL BATISTA
Órgão oficial da Convenção Batista
Brasileira. Semanário Confessional,
doutrinário, inspirativo e noticioso.
Fundado em 10.01.1901
INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189
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INTERINOS HISTÓRICOS
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L.T. Hites (1921 a 1922); e
A.B. Christie (1923).
ARTE: Oliverartelucas
IMPRESSÃO: Jornal do Commércio
H
á questões em
nosso país que
somente serão
sanadas mediante a misericórdia e o poder
de Deus. Mesmo com tantos políticos prometendo
que resolverão todos os problemas, há situações que
estão além da capacidade
do ser humano e das boas
intenções de alguns. Só o
poder da Palavra de Deus
e o mover do Espírito Santo
podem mudar corações e
restaurar o estado espiritual
do Brasil. Não há como enfrentar o poder das trevas,
cujo objetivo é matar roubar
e destruir, sem a manifestação do poder de Deus.
A violência brutal que se
alastrou pelo país, as drogas
que chegaram em todos os
municípios, a corrupção, a
mentira, a iniquidade, a falta
de ética nos negócios e nos
relacionamentos, etc., são
problemas que nos assolam
diariamente e enfraquecem
o povo brasileiro, roubando
a sua dignidade e a esperança de muitos.
É nesse cenário que, como
cristãos, servos do Senhor Jesus, não podemos nos omitir.
Devemos clamar ao Senhor.
Orar sem cessar, tanto pessoal, quanto coletivamente,
em família, grupo ou comunidade. Acho que nunca
precisamos tanto de servos
fieis que oram. O que o Brasil
mais precisa neste momento
é da manifestação da graça
e do poder de Deus. E isso
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é responsabilidade da Igreja
do Senhor Jesus. Fomos enviados como sal e luz.
A Bíblia deixa muito claro
que a manifestação dos filhos
de Deus no meio das trevas
produz mudanças profundas.
O testemunho pessoal, a
proclamação do Evangelho
e a vida piedosa de oração
de cada crente farão a grande
diferença no meio de uma sociedade materialista, liberal e
hedonista. Cremos no poder
transformador da mensagem
do Evangelho de Cristo Jesus
e na oração. Não podemos
nos omitir, nem ter vergonha
dos valores e princípios cristãos. Somos povo de Deus,
comprometido com a Bíblia,
nossa única regra de fé e
prática, e temos a missão de
proclamar a sua Mensagem
de amor e restauração em um
mundo que jaz no maligno.
Estamos trabalhando na
mobilização do povo de
Deus para dedicar uma semana exclusiva à oração pelo
Brasil. Junte-se a nós e clame
ao Senhor. Envolva sua família, amigos e igreja nesta
grande jornada de oração
que mudará a história do
nosso país. Participe da Semana de Clamor pelo Brasil.
Começamos neste domingo,
dia 28. O tempo é hoje, o
momento urge. Os filhos de
Deus precisam se manifestar
cheios da graça e do Espírito
Santo. Clame ao Senhor.
“O meu Cantor Cristão”
houvesse gritarias, decibéis
terríveis e, no CC, não era
diferente: hinos totalmente
silenciosos e que tocam em
nosso íntimo.
Concordo plenamente com
todas as palavras que o senhor
escreveu em seu artigo. Quando ouço algum hino do CC,
logo paro para ouvir, porque
hoje em dia já está sendo raro
ouvi-los. Em minha Igreja, a
Primeira Igreja Batista Bonsucesso - RJ, nem se ouve mais,
acredito que os jovens nem
saibam o que é Cantor Cristão. Só tenho 38 anos, mas
os que são novos convertidos,
não são mais ligados a essas
verdadeiras obras de arte do
Espírito Santo.
• Quando li o artigo do
irmão Celso Aloisio me lembrei de quando ainda era
garoto em Minas Gerais.
Nascido em berço evangélico, filho de pais diáconos,
sempre estava na igreja, seja
em qual culto fosse: velório,
festa, agradecimento, sessão
regular (hoje culto administrativo), em tudo quanto era
tipo de culto na igreja, em
casa de irmãos, incluindo
cemitérios, eu estava (risos).
Mas foi um crescimento
físico e espiritual. Lá vemos
e ouvimos os mais belos hinos, esse nome inclusive era
de um disco de vinil: “os
mais belos hinos do Cantor
Cristão”. Realmente uma
época maravilhosa da igreja,
quando cantávamos sem que
Fernando Brandão,
diretor executivo da JMN
Guilherme Toledo,
membro da Primeira Igreja
Batista Bonsucesso - RJ
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reflexão
3
bilhete de sorocaba
Julio Oliveira Sanches
J
aiminho é um garoto
esperto e inteligente. Filho do pastor Jayme e
Márcia. O casal pastoreia
duas Igrejas, que são pequenas e grandes ao mesmo
tempo, nas cidades de Porangaba e Bofete - SP. As Igrejas
são pequenas em número de
membros, porém, grandes
nas realizações no Reino de
Deus. Povo alegre, dedicado
e comprometido com o ide
de Jesus.
Um dia desses, Jaiminho
ouviu o pai dizer que havia
plantado algumas mudinhas
e agora precisava de chuva
para vê-las crescer. O estado
de São Paulo, em toda a sua
extensão, sofre as consequências da falta de chuva. Torneiras secas, racionamentos,
represas com o mínimo de
água, sem condições de atender a demanda da população,
cidades comprando água ou
furando poços artesianos
para suprir seus munícipes,
desespero geral.
Há algum tempo quando
ocorria estiagem, as igrejas
e os salvos se mobilizavam
em oração para implorar
por chuva. Dava resultado.
Ocorria arrependimento.
Buscava-se mais santidade
e chuvas de bênçãos eram
derramadas sobre a terra
seca. No Antigo Testamento
a ausência de chuva sempre
era consequência do pecado
do povo de Deus. A história
de Elias e seu confronto com
a idolatria de Acabe e as
feitiçarias de Jezabel visavam levar o povo de Deus
a retornar ao Senhor. Creio
que o mesmo ocorre hoje.
Mas, hoje temos os serviços
de meteorologia com seus
computadores gigantes que
oferecem as condições do
tempo em cada lugar do planeta. Não precisamos mais
de oração, arrependimento
e busca de santificação. Não
há convite para se retornar
a Deus. Os serviços meteorológicos fazem o papel de
Deus, informando se vai ou
não chover. Mas, falta-lhe
o poder para fazer chover.
Ainda não se descobriu o
processo de fazer chover
nas serras da Cantareira, nas
cidades de Itu e Tambaú.
Resta economizar água, sob
pena de multas impostas
pelo governo.
Jaiminho não pensa assim
e, tampouco, entende de
meteorologia. Ao ouvir que
as mudinhas plantadas pelo
pai precisavam de chuva
para crescer, convidou a mãe
a orar com ele suplicando
chuva. A mãe atendeu ao
convite do menino. Entraram no quarto e, de portas
fechadas, oraram para que
Deus mandasse chuva. No
dia seguinte pela manhã, algumas gotas de chuva quase
apagaram a poeira. Não era
o suficiente. O menino fez
sua interpretação de teologia
prática. Como não choveu
o suficiente para molhar
a terra, significava que as
orações do dia anterior não
foram suficientes para tocar
o coração de Deus. Precisavam orar mais. Com mais
fervor. Maior intensidade
e mais tempo de joelhos.
Assim ocorreu. No dia seguinte uma boa chuva molhou a terra, para alegria do
menino. Deus havia ouvido
as orações de filho e mãe.
Agora as mudinhas cresceriam. A terra molhada era
propícia ao crescimento da
plantação.
Dias depois, de madrugada, copiosa chuva com relâmpagos e trovões, acordou
o menino. Deus estava mandando mais chuva. Como o
pequeno Samuel, que não
soube identificar a voz de
Deus e correu ao quarto
de Eli, Jaiminho correu ao
quarto dos pais à procura de
proteção e foi acolhido com
amor.
Com tantas calamidades
no mundo, violências, guerras, fome, pestes, incêndios,
enchentes e inundações,
desabrigados, secas, falta e
desperdícios de alimentos,
precisamos de salvos como
o Jaiminho, dispostos a orar.
Não há demérito aos serviços de meteorologia. Tenho
um filho meteorologista que
oferece diariamente com
sua equipe as condições do
tempo para todo o território
nacional. Nenhuma descrença na sofisticada aparelhagem usada. Previsões que
se concretizam fielmente
todos os dias. O serviço de
meteorologia faz as previsões baseadas nas condições
climáticas. Não tem o poder
de mudar as condições do
tempo. Não há poder para
fazer chover.
Acima das condições climáticas está o senhor do
tempo, que atende as orações dos seus pequeninos
servos. Precisamos orar mais,
com maior intensidade, com
mais fervor. Carecemos de
arrependimento genuíno e
real confissão de pecados.
Nossa terra está doente. O
povo que a habita está longe da real comunhão com
Deus. Só o Senhor é capaz
de nos proporcionar chuvas
de bênçãos para este Brasil
sofrido, confuso e carente
da graça de Cristo. Oremos
com fé e a chuva virá.
Carlos Alberto Pereira,
pastor da Primeira Igreja
Batista em Três Marias - MG
(in memorian)
xidade e a incompreensão
espirituais, ficando dessa
maneira estéreis das bênçãos
de Deus. Jesus contextualiza
a profecia de Isaías, profeta
que lhe antecedeu quatrocentos anos, para mostrar
ao povo judeu de sua época
que, a exemplo dos seus
ancestrais, sua dureza para
entender os desígnios de
Deus continuava a existir na
mesma proporcionalidade.
Jesus, no texto considerado, narra em sua parábola
que o semeador (Deus) saiu
lançando a semente (a Palavra do Reino de Deus)
em vários tipos de solo.
Muitos ficaram sem entender. Mas aqueles que se
aproximaram de Jesus, com
os seus corações sensíveis e
receptíveis ao ensino dele,
receberam o entendimento
e as curas tanto física como
espiritual. E por que muitos
não entenderam a parábola?
Porque não quiseram compromisso. Não quiseram
largar suas “religiosidades”
de conveniências. Queriam
uma compreensão e uma religiosidade particularizadas.
Meu prezado leitor, aproxime-se de Jesus e comece
a obedecer à sua Palavra.
Faça um pacto com ele. Observe o que Jesus disse aos
que queriam ter um relacionamento, um compromisso
com Ele: “Porque a vós é
dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus,
mas a eles não lhes é dado”
(Mt 13.11). Aproxime-se de
Jesus pela confissão. Que
confissão? A confissão que
Paulo, apóstolo, nos orienta, dizendo: “A saber: se
com a tua boca confessares
ao Senhor Jesus, e em teu
coração creres que Deus
o ressuscitou dos mortos,
serás salvo. Visto que com o
coração se crê para a justiça
e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm
10.9-10). Fique com e perto
de Jesus. Amém.
“Porque o coração deste povo está endurecido, e
ouviram de mau grado com
seus ouvidos, e fecharam
seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam
com os ouvidos, e compreendam com o coração e se
convertam, e eu os cure” (Mt
13.15).
J
esus, diante de uma multidão, ensinava a respeito da multiplicidade da
Palavra de Deus tanto
na sua eficácia para aqueles
que ouvindo-a, recebessem-na em sua totalidade e prática, bem como àqueles que
a rejeitassem, menosprezando-a, recebessem a perple-
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o jornal batista – domingo, 28/09/14
reflexão
GOTAS BÍBLICAS
NA ATUALIDADE
OLAVO FEIJÓ
Pastor, professor de Psicologia
Durante a
vida de Josué
Sylvio Macri, pastor da
Igreja Batista Central de
Oswaldo Cruz - RJ
E
sperança é uma espécie de palavra mágica. Ela faz despertar
no coração humano
sentimentos, desejos e atitudes variados, todos sempre
bons, que fazem o nosso
ser melhor. É por isso que
o jargão popular diz que “a
esperança é a última que
morre”. Pois, quando morre, não resta mais nenhuma
razão por que viver e crer.
Quando se fala em esperança, fala-se de perspectiva
de mudança. Desejamos e
esperamos que mude este
quadro de violência que se
manifesta de tantas maneiras
em nosso país. Desejamos e
esperamos que seja eliminada a pobreza e a miséria que
presenciamos diariamente
em nossas ruas e comunidades. Desejamos e esperamos que haja mais ordem e
limpeza no espaço urbano.
Desejamos e esperamos que
haja mais seriedade com a
coisa pública por parte dos
políticos.
Quando se fala de esperança, fala-se de futuro, o que
nos remete imediatamente
a pensar em nossas crianças. Desejamos e esperamos
um futuro seguro para elas,
um tempo em que não falte
educação, emprego e outras
coisas essenciais à dignidade humana. Desejamos e
esperamos que cresçam em
um ambiente sadio e despoluído, em uma cidade livre
de catástrofes e acidentes.
Desejamos que sejam melhores do que somos, mais
cidadãs, mais solidárias e
mais felizes.
Porém, infelizmente surge
a dúvida, onde encontrar
motivação para sustentar
tanta esperança? Certamente
não será na política e nos
políticos, na ciência e nos
cientistas, na justiça e nos
juízes, na religião e nos religiosos, na ideologia e nos
ideólogos, nas organizações
e ativistas sociais. Todos
esses têm falhado redondamente na solução dos problemas do nosso país.
Há quase dois mil anos,
em uma das maiores cidades
da época, Jerusalém, que estava sob o jugo pesado dos
romanos, levantaram-se as
vozes dos apóstolos, diante
de um auditório altamente
qualificado, para dizer que
só pela fé em Jesus é possível manter a esperança de
verdadeira mudança e de
um futuro feliz. Cristo é a
única esperança para este
mundo sem perspectiva.
Somente ele nos dá as condições para mudar o nosso
presente e o nosso futuro.
Jesus é esperança para
o Brasil, porque “Não há
salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu,
não há nenhum outro nome
dado aos homens pelo qual
devamos ser salvos” (At
4.12). Essa é uma verdade
que temos experimentado
em nossas próprias vidas e,
justamente por causa disso,
somos pessoas capacitadas
a transmiti-la ao povo de
nossa Pátria. Temos autoridade para falar de Jesus
porque já encontramos nele
a verdadeira esperança.
Temos o dever de pregar
essa verdade ao povo brasileiro. O Senhor Deus diz na
sua Palavra que se virmos o
povo na iminência de perecer e não o alertarmos, falharemos e seremos cobrados
por isso: “Se o vigia vê o inimigo se aproximando e não
dá o alarme, o inimigo vem
e mata aqueles pecadores.
Nesse caso, eu considerarei
o vigia como responsável
pela morte deles” (Ez 33.6).
Não podemos agir como
Jonas que, mesmo depois
de pregar à cidade de Nínive e ver a manifestação de
arrependimento por parte
de seus habitantes, não teve
compaixão daquela gente e
questionou Deus por causa
da sua disposição de perdoar. E o Senhor respondeulhe que não poderia deixar
de ter compaixão de uma
cidade onde havia mais 120
mil crianças inocentes (Jn
4.1-10). Se somos filhos do
Deus de amor, sentiremos,
como ele, compaixão pelas
almas perdidas.
Em nossos dias, é impossível, como crentes no Senhor
Jesus, vermos e ouvirmos as
notícias sobre o nosso país
sem sermos tomados por
tristeza, preocupação, constrangimento e compaixão.
Tristeza pelo sofrimento,
ntes de ensinar aos
discípulos a oração
do Pai Nosso, Jesus
salientou um ponto
importante: “Vosso Pai sabe
o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” (Mt
6.8).
Nossa reação natural, diante de tal afirmação, é: se antes de o pedirmos, nosso
Pai, sabe do que precisamos, então para que orar?
Nossas orações não seriam
uma espécie de “chover no
molhado?”.
Bem, se nosso conceito de
oração se reduzir a apenas
“pedir”, então a conclusão
não parece estranha. Se, entretanto, nossa definição de
oração for ampliada para:
“ter comunhão com o Senhor”, “ouvir a voz de Deus”,
“dar graças pelas bênçãos”,
“crescer na graça” – neste
caso, “orar” faz todo o sentido para o cristão.
Faz sentido conversar com
o Senhor e abrir o coração,
pondo para fora as próprias
necessidades. Faz sentido
conversar com o Senhor pedindo orientação e luz para
nosso próprio processo de
crescimento espiritual. Faz
sentido também dizer a ele
a nossa tristeza quando não
correspondemos às expectativas da Bíblia. Mas, acima de
tudo, faz sentido orar, mesmo sendo limitados, tendo
a certeza de que “Ele sabe o
que nos é necessário”.
preocupação pelo futuro,
constrangimento pelo pouco
que fazemos, e compaixão
que nos motiva a fazer mais.
No mínimo, podemos
orar, interceder diante do
trono da graça de Deus pelos nossos concidadãos, e
testemunhar àqueles que
nos rodeiam. Porém, é ne-
cessário também contribuir
para sustentar aqueles que
estão fazendo a obra missionária onde não podemos ir.
E, mais que isso, é possível
oferecer-nos como voluntários para apoiar esses missionários. Se Jesus é a sua
esperança, reparta-a com
os outros.
“Não vos assemelheis,
pois, a eles; porque vosso Pai
sabe o que vos é necessário,
antes de vós lho pedirdes”
(Mt 6.8).
A
o jornal batista – domingo, 28/09/14
reflexão
Q
Rogério Augusto de Paula,
pastor da Primeira Igreja
Batista em Colatina - ES
T
ô dentro é uma expressão idiomática
que significa “pode
contar comigo”.
Após os últimos acontecimentos na política brasileira
(morte de Eduardo Campos
e escândalo na Petrobras), o
tom da campanha eleitoral
rumo ao Palácio do Planalto
esquentou de vez.
Marina Silva, substituta
natural do candidato Eduardo
Campos, que aparecia em
terceiro lugar nas pesquisas
eleitorais com 8% a 12%
de intenção de votos, surge
agora como um furacão, com
perspectivas de se eleger,
deixando para trás a favorita
Dilma Rousseff e o mineiro
Aécio Neves.
Não sou adepto do profetismo do caos e não concordo
com a teoria do quanto pior
melhor, no entanto, o povo
de Deus precisa olhar para
essas eleições como um marco na vida da sociedade brasileira e na vida dos cristãos.
As mobilizações contra princípios e valores cristãos que
norteiam as instituições brasileiras crescem a cada dia.
Grupos se organizam, fazem
passeatas, abaixo-assinados,
estão se elegendo, estão fazendo leis e aprovando leis
que são verdadeiras aberra-
ções, abominações contra
Deus. Há muitos projetos
de leis tramitando no congresso que são uma afronta
à liberdade do cidadão, são
projetos contra a vida, contra
a família e que restringe os
direitos que povo brasileiro
conquistou a duras penas.
Segundo Fustel, um dos
fatores preponderantes para
medir o grau de desenvolvimento de uma nação é o
conhecimento e o envolvimento político do seu povo.
Para ele, povo politizado é
sinônimo de povo desenvolvido, pois a política faz
com que o cidadão se comprometa com a ideologia
escolhida, obrigando-o a
buscar resultados positivos.
A disseminação ideológica
só irá lograr êxito se o grau
de comprometimento do
individuo for alto suficiente
a ponto de influenciar e modificar atitudes e comportamentos.
Nicolau Maquiavel, em
seu livro “O príncipe”, afirma que “os homens são tão
simplórios e obedecem de
tal forma às necessidades
presentes, que aquele que
engana encontrará sempre
quem se deixe enganar”.
Os motivos para estarmos
dentro do processo eleitoral são maiores e mais nobres do que os motivos para
nos ausentarmos. O voto
de quem é comprometido
com o Senhor Jesus Cristo
é fundamental nessas eleições, pois representará o
voto ético, que não se corrompe. Representará o voto
consciente, que não se deixa
levar por falsas promessas, é
o voto honesto, que não tem
valor monetário.
Infelizmente, há uma cultura que permeia o meio
evangélico contra o seu envolvimento na política, onde
afirma: “política não é coisa
de crente”, todavia, o apóstolo Paulo nos exorta a “não
nos conformarmos com este
mundo, mas transformá-lo”.
O texto fala de choque cultural, mudança de pensamentos e atitudes. Segundo Davi
Merkh, Paulo nos desafia a
rejeitar uma cultura e abraçar
outra. A cultura da troca de
favores, a cultura do nepotismo, a cultura da impunidade
precisa ser mudada, ou melhor, precisa ser extirpada do
nosso meio.
O poder que governa não
pode ser maior do que o
poder que os elegem, afinal
“o poder emana do povo”
(Art. 1, § 1 da CRFB de 88).
O seu voto é muito importante. Exerça sua cidadania,
busque em oração a direção
de Deus, e escolha aqueles
que estarão dirigindo nossas
vidas politicamente, mas não
esqueça: uma escolha errada
hoje, só poderá ser alterada
daqui a quatro anos.
uando Helena Brasil se apresentou
para começar seu
trabalho na escola
municipal em um bairro pobre
de Nova Iguaçu - RJ, a diretora a designou para a terceira
série e disse: “Essa classe tem
a sua cara”. Helena estava
longe de imaginar o que isso
significava. Logo ela ficou sabendo que várias professoras
já haviam passado por aquela
turma sem terem conseguido
nenhum resultado positivo.
Havia lá um menino de nove
anos que mandava na turma
e era ele quem dizia se a classe devia aceitar ou não cada
professora. Era uma turma
agressiva, agitada, que depredava tudo, unia-se para agredir
alunos de outras turmas e,
por isso, eles eram chamados
de “bichos” pelas outras tias.
Helena logo descobriu que, se
quisesse dar jeito na classe, teria que conquistar o líder. Era
ele quem determinava onde
cada aluno deveria sentar-se, defendia os mais fracos e
“encarava” meninos maiores
do que ele. Até que ele tinha
qualidades de liderança. As
carteiras eram duplas e ele
fazia o rodízio colocando um
aluno negro e outro branco
em uma carteira, um gordinho
e um magro na outra e todos
obedeciam sem questionar.
Helena chamou esse aluno
para conversar fora da classe
e descobriu que ele não sabia
quem era seu pai. Cada namorado que sua mãe trazia para
casa, ele analisava bem para
ver se parecia com o homem,
pois ela lhe dissera que seu
pai tinha morrido, mas ele
não acreditava. Aos poucos,
demonstrando autoridade
temperada com muita compaixão, Helena foi conquistando o menino. Percebeu
que ele, embora na terceira
série, não conseguia ler nem
escrever. Através de um lindo caderno que ela mesma
preparou, foi ensinando a
ele as letras e palavras. Lá,
um dia, ao abrir o caderno,
ela sentiu lágrimas quentes
brotarem dos seus olhos e
turvarem sua vista. O menino
havia escrito: “Professora, eu
te amo; eu queria que você
fosse minha mãe”. Ela não se
emocionou tanto com a declaração espontânea de amor,
quanto com a verificação de
que o menino havia superado
seus bloqueios e já conseguia
escrever uma frase completa.
O garoto se tornou solícito,
ajudando Helena a arrumar
a sala, cuidando de seus per-
5
tences e pondo disciplina na
turma. A diretora e as outras
professoras da escola estavam
admiradas e perguntavam
como é que Helena havia
conseguido operar uma transformação tão grande naqueles
alunos. Elas não sabiam, mas
Helena sabia: era a força da
compaixão.
Chegou o Natal de 2007.
Aquele menino não sabia o
que era passar um Natal em
família, não sabia o que era
sentar-se a uma mesa e participar de uma refeição, não fazia
idéia alguma sobre Deus nem
sobre o que seria um culto
de Natal. Helena, de comum
acordo com Nelson, seu esposo, fez um ofício à direção
da escola e falou com a mãe
do garoto pedindo permissão
para levar o aluno para passar
o Natal em sua casa. Levou-o
para o seu lar, conduziu-o a
um barbeiro para um corte de
cabelo que desse ao menino
uma feição mais civilizada
e lá ele ficou. Admirado de
tudo, passou o Natal e o Ano
Novo na casa da “tia” e foi à
igreja com Helena e Nelson
também.
No começo de janeiro, a
mãe do menino telefonou
pedindo que ele fosse levado
de volta ao lar. Helena passou
por uma cirurgia e ainda não
teve como voltar ao trabalho,
mas continua mantendo contato com aquelas crianças,
que sempre estão ligando
para o seu telefone.
Não faz muito tempo, Helena recebeu uma ligação da
mãe do menino. Ele saíra de
casa dizendo que ia visitar a
tia Helena, passava da meia
noite e ele não voltava. Helena ficou preocupada, muitas
coisas lhe passaram pela cabeça, mas menos de uma hora
depois, em outro telefonema,
a mãe do menino informava
que ele já estava em casa.
Não conseguira acertar com
o endereço da professora e se
perdera.
Ao recordar esses fatos,
as dificuldades, a mudança
na vida daquelas crianças,
Helena não conseguiu conter as lágrimas. Alcançou
grande vitória, mas teve que
pagar um alto preço, pois foi
vitimada por uma depressão;
está sob cuidados médicos,
dependendo conscientemente da graça de Deus. Se,
porém, tivesse que voltar no
tempo, faria tudo de novo,
por amor. O Brasil é um menino que precisa de Deus.
Quem dele terá compaixão?
Quem?
6
o jornal batista – domingo, 28/09/14
Gilberto Garcia, especialista
em direito religioso
O
Congresso Nacional aprovou
a Lei Complementar 135, de
04/06/2010, de iniciativa
popular, que foi denominada de Lei da Ficha Limpa, à
qual exige que os candidatos
a cargo eletivo tenham um
passado sem condenações
judiciais, por um colegiado
de juízes, em uma perspectiva da vigência dos princípios
da moralidade administrativa
e da ética no trato da coisa
comum, para os exercentes
de mandatos públicos.
Nas eleições passadas, os
Tribunais de Justiça de vários
estados vetaram candidaturas
de diversos cidadãos, os quais
foram condenados nos mais
variados processos, sendo que
alguns deles concorreram no
pleito eleitoral anterior, ainda
que com as candidaturas “sub
judice”, ou seja, pendente de
decisão judicial definitiva,
eis que, o Tribunal Superior
Eleitoral julgara que os efeitos
dela se aplicavam às condenações ocorridas antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa,
Moisés Selva Santiago,
pastor da Igreja Batista
Olaria - Porto Velho - RO
M
uito se tem escrito sobre as façanhas do Conde
João Maurício
de Nassau-Siegen, governador do Brasil Holandês
de 1637 a 1644. A história
atesta que ele priorizou o
bem-estar da população, por
meio da educação, moradia,
saneamento, coleta de lixo,
calçamento de ruas, pontes,
edifícios públicos, jardins,
segurança; incentivou a ciência, criando o observatório
astronômico e o laboratório
de ciências naturais; fortaleceu a economia, unindo
reflexão
entretanto, em respeito ao
principio da anterioridade,
o Supremo Tribunal Federal
fixou a aplicabilidade legal-temporal a partir das eleições
de 2012.
Desta forma, como sociedade, agora também pela Lei
da Ficha Limpa, exigimos
que os cidadãos que se colocam à disposição no sistema
democrático para representar
o povo no exercício de mandatos eletivos tenham autoridade, ou seja, um passado
que os recomende, revestido
de idoneidade, para administrar a coisa pública, o que é
altamente salutar, para nossa
estrutura social, que pressupõe pessoas que tenham espírito cívico, voltado para os
interesses da sociedade civil.
Anote-se que estes candidatos são cidadãos que se
destacam em suas atividades
profissionais, movimentos
sociais, sindicais, comunitários, moradores, religiosos, estudantil, empresariais,
artísticos, esportivos etc, e
mesmo para a convivência
em sociedade, o princípio
da boa fé é que deve nortear
as relações sociais, inclusive
nos negócios, nas transações,
no exercício profissional, nos
envolvimentos de fé etc.
Assim os cidadãos-candidatos têm sua origem entre os
cidadãos-eleitores, os quais se
pressupõe que tenham Ficha
Limpa, seja no sentido social,
seja no sentido legal, não tenha nome no SPC/Serasa, não
tenha passado cheque sem
fundos, não tenha carteira
de motorista sem ter feito as
provas e exame de direção
do Detran, não beba bebida alcoólica antes de dirigir,
não tenha sido aprovado em
exame escolares ou concurso público através de meios
ilegais, não chegue atrasado
todo dia no trabalho ou não
seja preguiçoso em sua atividade profissional, não deixa
de cumprir com as obrigações
legais com seus empregados colaboradores.
Nesta percepção de que
os candidatos são cidadãos
e que é a própria sociedade
que estabelece os princípios
que a norteia, é que se pergunta: o eleitor também tem
que ter Ficha Limpa? Ou,
como sociedade, por conveniência, entendemos que
só os cidadãos-candidatos
necessitam ter Ficha Limpa?
Essa perspectiva proposta
visa exatamente inverter os
lados, e provocar o cidadãoeleitor para que ele se “olhe
no espelho” e perceba a necessidade de ter autoridade
para exigir do cidadão-candidato um comportamento
ilibado e uma vida digna, que
corresponda com os anseios
da sociedade, sem deixar de
ter a ótica de que a exigência
colocada é pertinente na medida em que este cidadão-candidato irá administrar aquilo
que é público, e não particular, mas que o princípio ético
deve ser o mesmo, direcionado para o bem comum, em
uma visão igualitária.
Por isso, muitas das vezes
temos dificuldades de entender inúmeras leis que são
aprovadas, as quais, em grande parte, estão totalmente
desconectadas da realidade
social, diferente da Lei da
Ficha Limpa, que foi fruto de
uma grande mobilidade popular, tendo encontrado eco
no Congresso Nacional, que
acabou aprovando a mesma,
apesar da proximidade das
eleições, em função da preocupação da sociedade de que
os cidadãos que exercem car-
gos públicos devem cumprir
os princípios da moralidade
administrativa, sendo cidadãos-candidatos inatacáveis.
E os cidadãos-eleitores que
não respeitam os vizinhos,
especialmente no que tange
a Lei do Silêncio, compram
produtos piratas e utilizam
rádios piratas, subornam o
guarda de trânsito para não
serem multados, não pagam
suas contas em dia, vendem
carros com defeito sem dar ciência ao comprador, deixando
de cumprir com seus deveres
sociais, têm autoridade de
exigir dos cidadãos-candidatos
Ficha Limpa?
Nestas eleições de 2014,
quando estaremos elegendo
presidente, vice-presidente,
senadores, deputados Federais e deputados Estaduais,
que possamos votar em cidadãos-candidatos Ficha Limpa,
como sendo um reflexo de
um importante esforço de
toda a sociedade, no exercício da ética como sendo uma
obrigação no comportamento, especialmente na atividade pública, à qual deve se
aplicar de igual maneira aos
cidadãos-candidatos como
para os cidadãos-eleitores.
portugueses e holandeses;
permitiu a liberdade religiosa
entre católicos, calvinistas,
judeus e até mesmo escravos
africanos; e governou de forma “democrática”, ouvindo
os diferentes segmentos da
sociedade. Mas, há um detalhe na biografia de Nassau
pouco explorado: a fé.
E como expressão de fé, o
conde compôs o “Hino de
gratidão, contrição e oração”,
em 1665, após o quase afogamento na Frígia, nas costas
do Mar do Norte. Diz ele:
“Sou príncipe real. Ao trono
celestial, coloco o cetro meu.
Profunda gratidão transborda
o coração: sou servo, filho
teu”. Mesmo investido de
autoridade, submetia-se ao
trono celestial. Em vez de
prepotência, gratidão. Um
príncipe que se considerava
apenas servo. E conclui: “Sou
grande pecador. Entrego o coração nas tuas mãos. Amém”.
(Schalkwijk, F.Igreja e Estado
no Brasil Holandês. SP: Ed.
Cultura Cristã, 2004, p. 420).
Talvez esse elemento esteja
faltando nos administradores
públicos do nosso tempo.
Não me refiro ao ato de ir
a uma igreja (principalmente porque nessa época de
eleições os candidatos vão a
todas). Nem levo meu pensamento para o exclusivismo,
pai do fundamentalismo mórbido que apregoa a morte de
quem adora diferente. Nassau
possuía convicções pessoais,
ao mesmo tempo em que
convivia com as diferenças.
Sabia que era um “grande
pecador”, e não um ser intocável acima da lei e da justiça,
como hoje em dia muitos
tentam se colocar, embora
estejam afundados na lama
da corrupção. O conde não
se guiava pelo “coração”,
mas sim colocava as emoções
nas mãos de Deus. Atitude
bem diferente dos rompantes
passionais hierarquizados
na administração pública,
com perseguições aos
“opositores” e benesses para
quem compartilha o partido,
o copo, o roubo e até o corpo.
É claro que o governo de
Nassau não foi perfeito, nem
Recife era o Éden sem ser-
pente. Porém, lá até a maior
autoridade reconhecia sua
pequenez diante de Deus.
O certo é que, em qualquer
época ou cultura, a esperada moralidade e ética no
trato da coisa pública, e a
almejada sociedade justa e
legal para todos, somente
podem ser reais quando há
fé nas pessoas, inclusive nos
dirigentes do país. Não basta
ensinar “religião” nas escolas
ou construir uma igreja em
cada esquina. “Não adianta
ir à igreja, rezar e fazer tudo
errado” (cantou Fernando
Mendes). Isso porque “Assim também a fé sem obras
é morta” (Tg 2.26b). Então,
ecoa a questão: “por onde
anda o elemento fé?”.
o jornal batista – domingo, 28/09/14
missões nacionais
Saiba como foi o IV Congresso
Indígena realizado em Recife - PE
Redação de Missões
Nacionais
E
m parceria com a
Convenção Batista
de Pernambuco, Ordem dos Pastores de
Pernambuco, União Feminina e Seminário Teológico
Batista do Norte do Brasil
(STBNB), Missões Nacionais
realizou o IV Congresso
Indígena, em Recife - PE. O
evento ocorreu na capela
David Mein, do STBNB, e
reuniu membros de diversas
igrejas batistas e missionários que atuam entre os
indígenas.
O orador oficial do Congresso foi o missionário
Guenther Carlos Krieger,
Pastor Guenther Krieger foi o orador oficial do
Congresso
que trabalha há mais de
50 anos entre os indígenas
Xerentes do estado de Tocantins. O evento também
contou com a participação
do coral da Igreja Batista
em San Martin, além da
presença do pastor Valdir
Soares, gerente nacional da
JMN para evangelização dos
povos indígenas, pastor Ney
Ladeia, da Igreja Batista da
Capunga, e do mais novo
casal de missionários que
atuará entre os indígenas
Guarani Kaiuá, no Mato
Grosso do Sul. “Como foi
maravilhoso desafiar corações tão interessados”, declarou o pastor Élio Morais,
da IB em San Martin.
Os povos indígenas for-
Pastor Valdir com os missionários que atuarão entre a
etnia Guarani Kaiuá
7
mam um grande número
de grupos étnicos no Brasil.
Muitas tribos ainda vivem
crenças que evidenciam a
sede de um povo que precisa ouvir a mensagem de
salvação. O objetivo do
congresso foi envolver e
despertar os batistas para
a evangelização dos indígenas.
Pastores Élio Morais, Valdir Soares e Ney Ladeia
durante o evento
Conversão genuína - missionária
de capelania hospitalar
compartilha testemunho de
vida alcançada
Redação de Missões
Nacionais
A
missionária Anne
Bertolino tem evangelizado pessoas
que estão nos hospitais do estado de São Paulo.
Acompanhe, a seguir, o relato
dela sobre o seu ministério de
capelania hospitalar e saiba
como mais uma vida foi alcançada para o Senhor Jesus:
“Tenho uma excelente notícia. Este foi um mês de salvação. Acredito que uma das
minhas funções no hospital
é garimpar. Ofereço consolo, uma palavra amiga, um
ombro para chorar, uma leitura bíblica. Mas nem todos
querem o Jesus Salvador,
procuram apenas seus milagres. Ofereço tudo isso aos
pacientes e vou garimpando
até encontrar pessoas que procuram mais do que milagres,
mas buscam sentido para a
sua existência. Jesus é exatamente do tamanho do vazio existencial. Dessa forma,
apenas Ele pode preencher
completamente a vida das
pessoas. Tenho a alegria de
contar que achei quem quis
preencher esse vazio.
Visitei a Clínica Médica, o
primeiro quarto a ser visitado
naquele dia. Encontrei um
homem de aproximadamente
40 anos, que havia sofrido
uma fratura. Conversamos, e
quando já me preparava para
fazer uma oração por ele, pedindo por sua saúde, um senhor saiu do banheiro e veio
em direção ao leito vazio.
Ouviu a minha conversa com
o primeiro paciente e pediu
que eu orasse por ele também. Pedi que esperasse um
instante, que oraria em favor
do primeiro paciente e já iria
conversar com ele. Foi o que
aconteceu. Despedi-me do
primeiro e fui em direção ao
paciente que havia chegado
depois, com cerca de 70 anos.
Contou-me sua surpreendente
história”.
Enfartou, e foi socorrido
pelo Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (SAMU).
Chegou ao hospital desacordado e colocado na sala de
choque, apesar de não ter
recebido os procedimentos de
ressuscitação. Foi colocado
em um tipo de estufa, onde
já se encontravam mais seis
pessoas. Toda a sua família
já conhece Jesus, mas esse
paciente sempre foi rebelde
e queria fazer o que bem entendesse de sua vida. Casou-se com uma serva do Senhor
também. Enquanto estava
no hospital, sua esposa, em
casa, encontrou seu cãozinho
morto, imóvel, sem respirar.
Ela correu até a cozinha, pegou um óleo, consagrou-o
ao Senhor e passou em seu
cãozinho, orou a Deus, que o
trouxesse de volta, e o cão na
mesma hora voltou a respirar
e reviveu. A mulher ficou maravilhada com o que Deus havia feito e sentiu que deveria
fazer o mesmo pelo marido.
Na mesma hora correu para o
hospital a fim de ungir e orar
a Deus pelo marido.
Enquanto isso, uma enfermeira que abriu o local onde
estavam constatou que as sete
pessoas que se encontravam
ali estavam mortas. Começaram a retirá-las dali e declarar
o horário de óbito. Quando
o homem já seria retirado,
abriu os olhos e começou a
resmungar algo que era ininteligível, pois estava entubado.
A enfermeira gritou para que a
ajudassem, pois havia acontecido um milagre, um homem
estava vivo. Quando tiraram
os tubos, ele disse logo que
não estava morto, não. A enfermeira lhe disse que era
um milagre, e que seu Deus
era muito forte. Sua esposa
chegou algum tempo depois
e entendeu que no momento
em que Deus ressuscitou seu
cachorro, ressuscitou também
o marido.
“Este paciente, além de problemas cardíacos, também
estava com complicações em
outros órgãos, mas tinha uma
certeza, Deus o havia ressuscitado porque ainda tinha
algo para ele. Eu disse a esse
senhor que sabia exatamente
por que Deus tinha dado mais
um tempo de vida a ele. Comecei a falar sobre o grande
amor de Deus e o sacrifício de
Jesus na cruz para nos perdoar
os pecados e nos proporcio-
nar a Salvação, a vida eterna.
Disse a ele que o presente já
nos foi dado, porém é preciso aceitarmos o presente da
Salvação, nos arrependendo
de nossos pecados, pedindo
perdão e tendo fé que, por
intermédio da morte e ressurreição de Cristo, podemos
ser salvos. Perguntei a ele se
já havia aceitado o presente
da Salvação em Jesus Cristo,
e ele me respondeu: ‘Sim.
Enquanto você explicava,
concordei com tudo, eu aceito Jesus’. Convidei-o a orar,
entregando sua vida a Cristo.
Quando abri os olhos, ele
estava chorando e disse que
agora sentia que Jesus estava
dentro dele, sentia a paz e
amor dele em sua vida. Agora sabia que estava salvo por
toda a eternidade. Conversão
genuína.
Agradeço a Deus por poder
contar as Boas Novas aos que
sofrem. E agradeço a você,
por interceder e contribuir
para que o projeto prossiga,
dando sentido à vida das pessoas, levando Jesus e a salvação a todos”.
8
o jornal batista – domingo, 28/09/14
notícias do brasil batista
JBB realiza 3 edição da Confe
o
Comunicação JBB
A
mor, sabedoria e uma geração apaixonada pelo Reino foi o que pode ser
visto na terceira edição da Conferência
Paixão pela Juventude (PPJ), que aconteceu entre os dias 12, 13 e 14 de setembro no
Colégio Batista Shepard - na Tijuca – RJ. O evento - que tem como intuito mobilizar e fortalecer
os ministérios de juventude das igrejas batistas,
a fim de torná-los relevantes na sociedade - é
organizado pela Juventude Batista Brasileira
(JBB). E, nesta edição, contou com a parceria da
Juventude Batista Carioca (JBC), que recepcionou
os cerca de 200 participantes vindos de diversos
lugares do Brasil: Rio de Janeiro (JBC; JUBERJ),
São Paulo (JUBESP), Pará (JUBAPA), Minas
Gerais (JUBAM), Espírito Santo (JUBAC), Goiás
(JUBEG) e Distrito Federal (JUMOB) .
Cerca de 50 voluntários - incluindo os músicos
da Banda “Louvor JBC” e equipe da multimídia
- trabalharam antes e durante o evento para que
cada conferencista fosse acolhido com muito
amor, como conta Thaís Gomes, presidente da
Juventude Batista Carioca: “Tivemos voluntários
membros de diversas igrejas batistas de nossa
cidade e até mesmo da região metropolitana
do estado. O grande desafio foi fazer com que
essa galera entendesse a proposta da Conferência e comprasse a ideia. Tivemos pouco tempo
para nos reunirmos como equipe, mas isso não
impediu que os voluntários trabalhassem com
tanto empenho e amor durante o fim de semana. Todos muito solícitos, e buscando sempre
proporcionar uma recepção calorosa a cada
participante que chegava ao local. Foi um fim de
semana intenso. Subimos e descemos escadas diversas vezes, dormimos pouco, carregamos peso,
mas tudo isso com a certeza de que nada foi em
vão. Cremos que Deus nos deu a oportunidade
de fazer parte daquilo que ele tem realizado na
vida dos líderes e pastores da Juventude Batista
Brasileira e somos gratos a ele por isso”, declara
a presidente.
Ratificando o que disse Thais, o voluntário Israel Miranda, baiano morador do Rio de Janeiro
há alguns anos, comenta que servir no Paixão
pela Juventude foi uma experiência maravilhosa:
“Apesar de todas as dores geradas pelo esforço
constante, o meu espírito e a minha alma saem
daqui extremamente engrandecidos e em uma
felicidade inexplicável. Trabalhar para a Obra
de Deus é um prazer. Ser servo é o que aprendi
durante os dias da Conferência”, relata Israel,
de 23 anos.
A abertura do PPJ 2014, edição Rio de Janeiro, contou com a participação dos preletores
Fabio Silva e Ziel Machado, que confrontaram
os participantes com questionamentos acerca
da diferença que o jovem cristão tem feito na
sociedade atual. Fabio Silva, um dos líderes
do Movimento “Novo Jeito” e do Instituto
Fábrica do bem contou diversas experiências e encorajou o público
a sair do comodismo e olhar para as ruas da
cidade perguntando para si mesmo como pode
ser útil dentro do contexto social. “Os olhos dos
jovens hoje não brilham mais. Falta uma ideia
de missão e vocação. Falta paixão por pessoas”,
afirma Fabio.
O palestrante Ziel Machado abordou como
tema “A importância da sabedoria no processo de
liderança da juventude”, onde explanou a respeito da mentoria, em correlação com as maratonas:
“É sempre importante correr com alguém ao lado
mais experiente, que faz as perguntas certas, na
hora certa e te ensina. Essa pessoa poderia correr
mais rápido, porém, prefere te acompanhar. É
assim que funciona com a mentoria”, acrescenta.
Para a capixaba Rayane Bahiense as palestras
foram práticas, mostraram a realidade e apresentaram propostas simples, mas que fazem toda a
diferença: “Desde o início puder ver o cuidado
de Deus na simplicidade de tudo. Vimos e ouvimos que nada precisa ser complicado quando
se trata da vontade de Deus; basta irmos fazer”,
afirma a jovem.
No sábado, dia 13, foi a vez dos pastores Rainerson Israel e Marcelo Gualberto levarem a
mensagem, que girou em torno da flexibilidade que o jovem precisa ter
para conquistar outros, sem
o jornal batista – domingo, 28/09/14
notícias do brasil batista
9
erência Paixão pela Juventude
perder os valores que acredita. “Não adianta falar
que Cristo é a resposta se você não sabe qual é
a pergunta que o jovem de hoje está fazendo”,
argumenta o pastor Marcelo Gualberto.
Além dos cultos - que aconteceram na parte da
manhã e noite - durante a tarde, os conferencistas
também participaram da “Sala de Ideias”, que
estavam subdividas em três temas, lideradas pela
jovem empreendedora Marianne Cerqueira e pelos pastores Vladimir de Souza e Ulisses Torres.
Para o petropolitano Jeferson Pessoa, “Participar
da oficina foi importante para ampliar horizontes
e pensar em meios para se trabalhar com a juventude, juntando aquilo que eu sei, com o que
Deus tem colocado em meu coração que precisa
ser feito”, acrescenta o jovem.
Ainda no período da tarde, os participantes
compartilharam - através do “Panorama” - de
experiências de alguns jovens e ministérios de
juventude que têm realizado ações relevantes
dentro das suas cidades. “Participar dessa
roda de conversa mostrou-me que através de
simples ações que demonstram o amor podemos
transformar vidas, mesmo que não tenhamos
os recursos necessários para fazer. Deus usa o
que temos em nossas mãos”, constata Gustavo
Siqueira, de Vila Velha - ES.
O encerramento ficou a cargo do palestrante
Ronilso Pacheco, interlocutor para as igrejas na
ONG Viva Rio, que falou sobre a importância do
diálogo entre o cristão e a sociedade. E a ministração da última mensagem da Conferência foi
por conta do pastor Rianerson, que destacou a influência do discipulado na vida do jovem cristão,
e lançou uma pergunta para reflexão: “Quanto
tempo por semana você gasta cuidando de pessoas, em vez de programações?”, questiona.
Para quem participou da Conferência Paixão
pela Juventude 2014, o sentimento
é de satisfação,
como contam as participantes Renata e Rosana,
ambas do Rio de Janeiro.
“Com certeza o PPJ atingiu as minhas expectativas e até superou-as. Eu venho há alguns meses
orando por amor e sabedoria a fim de conduzir
minha vida de modo agradável a Deus. E quando vi, o tema era justamente esse. Acredito que
tenha sido resposta de oração”, relata Renata
Cordeiro, de 26 anos.
“O que mais me marcou na Conferência foi o
amor pelas vidas repassado em todo o evento.
A inquietação, a ansiedade, o incômodo pela
vida das pessoas. Volto para casa com uma mala
diferente da que cheguei, carregada de amor”,
complementa a conferencista Rosana
Vidal, de 45 anos.
10
o jornal batista – domingo, 28/09/14
notícias do brasil batista
PIB de Piedade - RJ celebra
Dia do Embaixador do Rei
Roque, líder dos
Embaixadores do Rei da
Primeira Igreja Batista de
Piedade - RJ
E
m comemoração ao
Dia do Embaixador do
Rei, a Primeira Igreja
Batista de Piedade – RJ
realizou no dia 31 de agosto
um culto matutino com a
direção dos Embaixadores do
Rei. O preletor foi o pastor
João Melo, da Primeira Igreja
Batista em Vila da Penha – RJ.
O louvor ficou por conta
das Mensageiras do Rei, além
da participação da banda de
percussão da Igreja. Para fechar o dia, foi oferecido um
almoço de confraternização,
que foi bênção. Agora nossos
embaixadores estão se preparando para o acampamento
em janeiro de 2015.
Ex-alunas do Seminário de Educação
Cristã comemoram o seu dia
Ycléa Cervino,
colaboradora de OJB
P
resentemente o Seminário de Educação
Cristã (SEC), que pertence à União Feminina Missionária do Brasil,
também aceita alunos do
sexo masculino nos seus cursos médio, superior e pós-graduação, mas, a Associação de Ex-alunos conta, em
sua maioria, com o elemento
feminino, por isso, 29 ex-alunas se reuniram no dia 16
de agosto para comemorar o
seu dia.
Um ônibus saiu da rua do
Padre Inglês, em Recife - PE,
com destino à Praia de Porto
de Galinhas, zona sul, local
famoso de turismo do estado
de Pernambuco. Educadoras
religiosas, musicistas, ex-missionárias estaduais, nacionais
e mundiais; trabalhadoras
sociais, mães, esposas de pastor, todas unidas agradecendo
a Deus por terem estudado
no SEC, e pelo privilégio de
serem usadas por Deus.
Após o turismo, o banho
de mar e o almoço, o ônibus
seguiu para a casa da ex-aluna Severina Ramos, no município de Nossa Senhora do
Ó, para o encontro anual de
negócios e confraternização,
a fim de recordar o passado,
compartilhar o presente e
planejar o futuro, não só da
Associação de Ex-alunas, mas
do SEC como um todo.
Foram relembrados o hino
e a divisa do SEC, que falam
da alegria em servir à causa
do Evangelho. O grupo hospedeiro, as ex-alunas que
moram na região, cantou um
lindo hino escrito por elas,
usando uma música conhecida: “Graças damos por mais
um encontro que aqui Deus
aprovou. Graças damos por
cada vida que no SEC estudou. Por estarmos sempre
unidas sem esquecermos a
missão de pregarmos o Evangelho com amor e dedicação.
Graças pela formosa casa
que a nós todas ensinou, que
durante todo o tempo com
amor nos inspirou. E hoje
estamos reunidas pra muito
nos alegrar, e da beleza de
porto podermos aproveitar”.
Foram compartilhadas notícias atuais do SEC e feito um
apelo para ajudar no sustento
de uma aluna bolsista (Bolsa
Valdice de Queiroz), além
disso, a tesoureira deu um
relatório animador e ainda
conclamou para ajudarem a
comprar uma geladeira para
o SEC. Outros planos para
a Associação, para o SEC e
para a causa do Evangelho foram traçados, especialmente
visando o centenário do SEC,
que será em 2017.
Terminamos com a palavra da diretora executiva,
professora Ábia Saldanha,
sempre muito entusiasmada,
contando as bênçãos
recebidas de Deus, as vitórias
alcançadas e todos disseram a
uma só voz: “Graças a Deus”.
A Associação conclama a
todas as ex-alunas espalhadas
pelo Brasil e pelo mundo que
deem suas notícias e contribuam com orações, ofertas
e façam propaganda para
que os obreiros que Deus
tem chamado respondam
positivamente e venham se
preparar para melhor servir
a causa. O SEC existe por
causa dos alunos chamados
por Deus; colabore.
Para outras informações:
Seminário de Educação Cristã,
rua Padre Inglês, 143, Boa
Vista, Recife - PE. CEP: 50050230 / Fone: (81) 3423.3396 /
sec.org.br ou [email protected]
o jornal batista – domingo, 28/09/14
missões mundiais
11
Filhos de muçulmanos albaneses se
convertem ao cristianismo
Hugo Bertolot, pastor,
missionário da JMM na
Albânia
Z
allmner, a comunidade onde trabalho
e onde nossa Igreja
está inserida, é uma
comunidade muito pobre,
e grande parte dos moradores são ciganos e albaneses,
muitos deles muçulmanos
que emigraram do norte da
Albânia em busca de uma
vida melhor. Como não tiveram espaço na sociedade
pela falta de mão de obra
qualificada e por não terem
condições de morar em um
lugar melhor, refugiaram-se
nas periferias da cidade, um
distrito de Tirana, a capital
albanesa.
Algumas das estratégias
que temos desenvolvido dentro do contexto cultural são
a amizade e o amor. Eu e
minha esposa, a missionária
Talvânia, buscamos conviver
com esse povo através da
simplicidade; ouvimos as
pessoas, visitamos, choramos
com os que choram e nos
alegramos com os que se
alegram. Tudo isso fez com
que nos aproximássemos deles, estreitando ainda mais o
Batismos foram realizados em um rio
relacionamento entre comunidade e igreja.
O fato de termos filhos,
Noemi e Amós, também nos
tem aberto muitas portas. Isso
porque, dentro do contexto
islâmico, se você tem filhos,
é abençoado por Deus. Usamos também algumas estratégias na área social, como
oferta de cursos e aulas de
futebol. Parte dos resultados
desse nosso trabalho são os
batismos que realizei neste
mês de setembro.
Talvânia e eu orávamos há
muito tempo pela oportunidade de iniciar um estudo
profundo na área de discipulado. Vimos que alguns se
destacavam pelo interesse e
busca pela Palavra de Deus.
Desafiamos um pequeno
grupo de dez adolescentes e
jovens a começarem um curso de batismo. Desse grupo,
percebemos que alguns se
destacavam em certa maturidade espiritual e de compreensão do Evangelho. Foi
então que lançamos o desafio
do batismo.
Deus nos abençoou com
um lindo lugar ao pé da montanha. Uma mistura de natureza, com águas cristalinas e
montanhas ao fundo. Perfeito.
Tudo criado pelas mãos do
Senhor. Convidamos todos
os familiares e amigos desses
jovens e adolescentes. Muitos
curiosos também comparece-
ram à cerimônia. Alugamos
uma van e fomos na alegria do
Senhor. Oramos, louvamos e,
em seguida, partimos para o
batismo no rio. Era explícita
a felicidade no rosto de cada
batizando. Novas criaturas
em Cristo. Após os batismos,
fizemos um piquenique com
comidas tradicionais; ótima
oportunidade de regozijo e
comunhão.
Alguns jovens não se batizaram porque seus pais, sendo muçulmanos, não permitiram. Conversamos com eles,
pedimos para que não desrespeitassem seus responsáveis,
autoridade máxima dentro de
casa. Temos clamado muito
ao Senhor para tratar com
sabedoria esta situação, que
não é fácil.
Recentemente fui abordado
por um líder muçulmano na
saída da igreja, após um de
nossos encontros semanais.
Ele perguntou o que eu fazia
ali e o que era aquele local
aonde vinham pessoas. Graças a Deus, fomos direcionados pelo Espírito Santo e
contornamos a situação.
Hoje, gozamos do respeito
da comunidade, desde crianças até o líder, dando-lhes
um testemunho contundente
e genuíno através da graça
de Deus.
Ainda aguardamos os demais jovens e adolescentes
que estão no curso de discipulado e batismo, esperando
por uma oportunidade. Estamos aqui na Albânia, leste
Europeu, há cerca de quatro
anos. A cada dia o trabalho
tem sido abençoado, e o
Senhor tem nos dado graça
e sabedoria para conduzir
o casal Enea e Gerta Arapi,
obreiros da terra com o qual
trabalhamos há quase dois
anos, e a igreja.
Você também pode estar
junto conosco nesta missão
de levar o Evangelho aos
muçulmanos albaneses. Estude a possibilidade de ceder
parte do seu tempo aqui com
a gente. Escreva para [email protected] e saiba
como. Também é possível
participar com suas orações
e ofertas. Ligue para 21221901 ou 2730-6800 (cidades
com DDD 21) ou 0800-7091900 (demais localidades).
Somos gratos ao Pai por
toda a dedicação e amor dos
irmãos em Cristo que têm nos
apoiado para que esta missão
de ser voz de Deus aqui na
Albânia continue crescendo.
Ebola: desafios e um novo momento
na missão da igreja
Mário Alexandre Lopes,
missionário da JMM em
Guiné-Bissau
J
ornais, rádios e emissoras
de televisão noticiam a
maior epidemia do vírus ebola. O surto está
nos países do oeste africano:
Guiné, Congo, Libéria, Serra
Leoa e Nigéria. As notícias
e imagens apavoram, pois
a doença é letal, de fácil
contágio, e o isolamento
dos pacientes na quarentena
mostra a seriedade com o
que o vírus deve ser tratado.
Além disso, o mais grave
são as vidas que estão sendo
ceifadas.
O ebola nos coloca frente a
frente com a forma perversa
em que estruturamos nossa
sociedade. O ebola não se
espalhou para além da África.
Porém, talvez, a epidemia
desperte a atenção e o pavor
da comunidade internacional
por ter vitimado americanos
e europeus. Deixou de ser
meramente um vírus restrito
ao continente africano. O
ebola tornou-se branco.
Outro fato interessante é
que essa epidemia já era
esperada. O surto de ebola
começou no sul da Guiné,
em dezembro de 2013. No
começo deste ano, a organização Médicos Sem Fronteiras alertou que o surto poderia virar uma epidemia sem
controle. Naquela época, os
números ainda eram baixos,
mas nenhuma providência
foi tomada.
Médicos Sem Fronteiras
alertou sobre a gravidade do
surto ao mundo. Somente
ao atingir o número de 800
mortes e vitimar europeus e
americanos, a Organização
Mundial de Saúde (OMS),
a ONU, os governantes e
os meios de comunicação
começaram a entrar na campanha contra o ebola. Infelizmente, entraram tarde.
Os números das vítimas
e a expansão da epidemia
mostrarão o pecado social da
omissão, da exclusão social,
do lucro financeiro que considera mais importante investir em pequisas de doenças
e fabricar remédios que dão
retorno financeiro em vez de
salvar o ser humano criado
à imagem e semelhança de
Deus.
Como cristãos, o que podemos fazer diante dessa crise?
Ao olhar o texto bíblico da
reconstrução dos muros de
Jerusalém, comandada por
Neemias, identificamos duas
atitudes nesse líder que nos
encorajam à ação nessa atual
epidemia de ebola.
Quando Neemias recebeu
seu irmão Hanani, ele relatou
para Neemias a situação caótica em que se encontrava
Jerusalém: “O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas
portas foram destruídas pelo
fogo” (Ne 1.3). A cidade sem
proteção deixava o povo “em
grande sofrimento e humilhação” (Ne 1.3).
Diante dessa notícia, Neemias chorou intensamente,
choro da alma. Como seres
humanos, devemos chorar ao
ver tamanho sofrimento como
o ebola. O choro nos sensibiliza diante da situação, torna
a nossa consciência aberta a
ouvir a voz de Deus.
Depois do choro, a primeira atitude de Neemias
foi interceder a Deus pela
situação pela qual estava
passando o povo judeu
(Neemias 1.5-11). Esse é o
momento exato de o povo
do Senhor interceder na
família, nas células, nos
cultos, pelo oeste africano.
Quando a igreja intercede,
ela está agindo.
A epidemia do ebola nos
coloca diante de novos desafios. Como cristãos, igrejas
locais e instituições missionárias, temos que buscar
constante capacitação. Essa
epidemia nos sinaliza que, se
quisermos ser relevantes no
contexto dos países do continente africano onde o ebola
pode aparecer, precisamos
incluir a prevenção como
parte essencial da missão da
igreja, pois prevenir significa
ser as mãos de Jesus que salvam vidas criadas à imagem
e semelhança do Pai.
Dias atrás, tivemos uma
aula com um estudante de
medicina. Esse guineense,
chamado Mário, é fruto do
trabalho missionário do pastor e médico Joed Venturini.
A partir dessa palestra, estamos voltando animados para
o sul de Guiné-Bissau, onde
pretendemos participar junto
à comunidade da prevenção
do ebola.
Também traduzimos com
um mentor cultural o cartaz
do ebola para o crioulo, que
é a língua de comunicação
do país. De acordo com os
médicos que têm atuado nas
áreas de epidemia, uma das
maiores barreiras é a linguística, pois os cartazes estão
publicados em português,
francês e inglês. Essas línguas distanciam o povo da
prevenção. É preciso falar
nas línguas de comunicação
maternas do oeste africano.
Agradecemos a Deus pelo
cuidado de Missões Mundiais, que está monitorando
todos os missionários da instituição no oeste africano.
Também pedimos oração pelos missionários, professores
e crianças do Pepe (programa socioeducativo) de Serra
Leoa, apoiado pela JMM.
12
o jornal batista – domingo, 28/09/14
notícias do brasil batista
o jornal batista – domingo, 28/09/14
notícias do brasil batista
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OBITUÁRIO
Diácono Francisco
Olímpio de Oliveira
Othon Ávila Amaral,
membro da Igreja Batista
Betel de Mesquita - RJ
e membro do Conselho
Editorial de OJB
F
oi com certa surpresa
que recebemos a notícia do falecimento
do diácono Francisco Olímpio de Oliveira no
último dia 15 de agosto de
2014. Sabíamos que sua saúde requeria cuidados especiais. E ele não se descurava
de tais procedimentos. Tudo
aconteceu quando ele acompanhou sua esposa, doutora
Luciana, a um exame. Foi
acometido de um mal estar
e aqueles foram seus últimos
momentos ao lado daquela
com quem conviveu mais de
cinquenta anos.
Francisco Olímpio de Oliveira nasceu no dia 3 de dezembro de 1937 na cidade
de Propriá - SE. Veio para o
Rio de Janeiro com 14 anos
e se converteu. Foi batizado
pelo pastor João Teixeira de
Lima na Primeira Igreja Batista de Mesquita - RJ no dia 17
de dezembro de 1961.
O diácono Francisco Olímpio de Oliveira trabalhou
durante muitos anos em
empresas de ônibus coletivos. Era um funcionário
zeloso e apreciado pelos
usuários. Quando alguma
igreja contratava os serviços
de coletivos para excursões
e passeios, geralmente solicitavam a indicação dele para
conduzir o veículo.
Sempre dedicado às atividades das igrejas onde foi
membro. Aluno da Escola
Bíblica Dominical, sempre
presente nos trabalhos evangelísticos. Uma de suas qualidades era compartilhar, através de oração, do ministério
pastoral. Outra grande qualidade era o envolvimento
com idosos e enfermos.
Casou-se com Luciana dos
Santos Silva, depois Oliveira,
enfermeira e fonoaudióloga,
em cerimônia ministrada pelo
pastor José de Souza Herdy,
pastor interino da Primeira
Igreja Batista de Mesquita,
no dia 14 de setembro de
1963. Na ausência da organista acompanhou os cânticos
da ocasião o pastor Iomael
Sant’Anna, que já era pastor
da Igreja. O casal foi abençoado com o nascimento de três
filhos: Rute, André e Andreilson. Adotou Rita da Cássia
Duarte. Sete netos, sendo dois
adotivos. Uma bisneta.
Seu genro, Nelson Cardoso
Paixão, exerce um ministério
de grande relevância como
líder de Embaixadores do Rei
na Igreja e na Associação. É
um crente estimado e querido
membro da Segunda Igreja
Batista de Nilópolis - RJ e de
todas as igrejas com as quais
se relacionou. É um genro que
todo pai gostaria de ter. Do lar
de Francisco e Luciana outros
lares surgiram.
Francisco foi membro das
seguintes Igrejas: Primeira
de Mesquita, Banco de Areia,
Primeira de Nilópolis e Segunda de Nilópolis. Todas da
Convenção Batista Fluminense. Foi também da Primeira
Igreja Batista de Anchieta,
da Convenção Batista Carioca. Foi ovelha dos pastores
João Teixeira de Lima, Irineu
Rabelo, Iomael Sant’Anna,
Levy Abreu Vargas, Olivaldo
Olívio da Silva, Ricardo José
e talvez outros.
Foi consagrado ao diaconato pelo pastor Joel André Reis
na Igreja Batista de Banco de
Areia. Como diácono usou
de mansidão para administrar
todos os problemas. Certa
ocasião deu um testemunho
sobre o ministério diaconal
perante os diáconos batistas
cariocas que deixou a melhor
impressão. Ministrou cursos
em igrejas que estavam em
processo de organização do
Conselho Diaconal.
Ao lado do pastor José
Rodrigues de Menezes empreendeu algumas excursões
evangelísticas no estado do
Rio, no Brasil e na América Latina. Foi sepultado no
Cemitério Jardim de Mesquita no mesmo dia do seu
falecimento, 15 de agosto
de 2014. O culto de gratidão
foi conduzido pela pastora
Patrícia Lima da Silva. Falaram os pastores Levy Abreu
Vargas e Iomael Sant’Anna
os quais deram bom testemunho sobre a vida cristã do
diácono Francisco Olímpio
de Oliveira.
14
o jornal batista – domingo, 28/09/14
H
ponto de vista
á uma relação vital entre o Espírito Santo e a obra
missionária. Essa
depende dele integralmente.
Não existe obra de missões,
biblicamente falando, sem
a presença do Espírito. Sem
ele, é uma tarefa meramente
humana e sem relevância.
Em toda a história de missões, a terceira pessoa da
trindade divina tem sido
presença vital. A missão de
Javé no Antigo Testamento
tem o Espírito enchendo
e usando os profetas para
proclamarem a mensagem
de arrependimento. Há uma
conexão entre Isaías 61.1-3
e Lucas 4.18-21. No texto de
Lucas, o Senhor Jesus está na
sinagoga de Nazaré, onde
fora criado, e faz a leitura
do texto do profeta Isaías.
A promessa dada pelo Espírito no Antigo Testamento
se cumpre no Novo Testamento na Pessoa e Obra
de Jesus de Nazaré. Foi o
Espírito Santo que inspirou
o profeta Isaías a proclamar
a Mensagem do Messias que
viria. Então, o Senhor Jesus
Cristo está lendo o texto que
se refere a ele, a todo o seu
ministério de misericórdia.
Na verdade, Isaías é o livro
mais messiânico de todo do
Antigo Testamento. Revela
uma história de profundo
amor de Deus por seu povo
e pelas nações por meio de
Cristo – o Messias redentor
ungido.
O precioso Espírito veio
sobre Jesus no seu batismo
(Mateus 3.13-17). O Senhor
Jesus foi conduzido pelo
Espírito ao deserto para ser
tentado pelo diabo em sua
pessoa e obra (Mateus 4.1).
As mensagens proféticas,
todos os milagres de Jesus e
a proclamação do Evangelho
do Reino tiveram a chancela
do Santo Espírito. O Espírito
é o motor da arrancada missionária a partir de Jerusalém. A Igreja, caminhando
no temor do Senhor e no
conforto do Espírito, crescia
em número (Atos 9.31). Na
verdade, foi esta a promessa de Jesus em Atos: “Mas
recebereis poder, ao descer
sobre vós o Espírito Santo, e
sereis minhas testemunhas
tanto em Jerusalém, como
em toda a Judéia e Samaria
e até aos confins da terra” (At
1.8). Depois do Pentecostes,
da pregação dos apóstolos,
da formação da Igreja Primitiva e da morte do diácono
Estevão, o mesmo Espírito
usou o “diácono-evangelista” Filipe para anunciar o
Evangelho ao alto funcionário da Etiópia (norte da África), cuja história está registrada em Atos 8.26-40. Foi
o Espírito que, na cidade de
Antioquia da Síria, separou
Barnabé e Saulo para a obra
missionária, especialmente
aos gentios (Atos 13.1-3). No
poder do Espírito eles foram
por toda a parte pregando do
Evangelho de Cristo.
Rios, mares, desertos, vilas e cidades foram transitados por homens e mulheres
cheios do Espírito Santo que
sofreram por causa do Evangelho de Cristo. A conversão
e o batismo de cada crente
tiveram a presença fundamental do Espírito. Paulo
exortou os irmãos de Éfeso
a serem cheios do Espírito
Santo (Efésios 5.18). O mesmo Espírito chama, enche de
poder, supre (abre as portas
para o treinamento missionário) e usa a pessoa que se
dispõe a cumprir a grande
comissão para a glória do Pai.
O Evangelho avançou de
Jerusalém (oriente) a Roma
(ocidente) sem impedimento
algum em função da obra
portentosa do Espírito Santo
(Atos 28.31). O Espírito é
aquele que dá dons aos homens para serem exercidos
na igreja local e no campo
missionário (Efésios 4.1116). Precisamos submetermo-nos a ele com temor e
tremor para que ele nos use,
fazendo com que o nome de
Jesus Cristo seja conhecido
plenamente em todo o lugar,
a começar de onde estamos.
Revelar Cristo, a suficiência da sua Obra na cruz e
na ressurreição, é a Obra
principal do Espírito Santo.
Primária dele e secundária
nossa. Se o Evangelho chegou até nós foi por causa da
Obra do Espírito da verdade
e de homens e mulheres que
obedeceram a Palavra de
Deus tanto no front quanto
na retaguarda.
À luz dessa verdade
relacional, somos chamados,
hoje, a um compromisso
inadiável e inalienável com
o ide de Jesus através da
vida de oração, do ato responsável da contribuição e,
em alguns casos, do servir
na frente missionária. Ou
na retaguarda ou no front,
Deus, o nosso Pai, exige
de nós o melhor para a sua
própria glória.
Anderson Resende Barbosa,
membro da Primeira Igreja
Batista de Brasil Novo - PA
Aparecem candidatos de
todo jeito, com proposta
para agradar as pessoas, mas
no fundo mesmo, querem é
aproveitar dos benefícios que
o estado e o país lhe darão
quando estiverem eleitos.
Na primeira vez que votei
tinha 16 anos, eleições municipais, não tinha ideia do que
iria acontecer no município
nos quatro anos seguintes,
só queria votar, porque tinha
alcançado o direito segundo
as leis do meu país de ser
cidadão. Não me interessei
pelos candidatos dos outros
partidos que disputavam com
o partido que votei. O que
interessava era meu candidato, não estava votando em
proposta do governo, isso
não me interessava, estava
votando porque o candidato
era meu parente.
Dois anos depois, nas eleições presidenciais, governadores, deputados, senadores,
segui os mesmos princípios
anteriores (só não tinha parente envolvido), mas votei
seguindo o partido que havia adotado anteriormente.
Muitas pessoas, assim como
eu no passado, votam simplesmente por votar. Muitos
pensam que, independentemente de quem esteja governando, não afetará em nada
sua vida. Nasceram e viveram
naquela situação em que
nada teve de ajuda ou benefício para sua vida e família. E
se tiveram alguma coisa, seja
ela a mínima coisa, mas que
tenha trazido um pouquinho
de melhora, preferem continuar com o certo, do que
trocar pelo duvidoso.
Para muitos, política é “religião”, partido é “sagrado”,
candidato é o “messias”. O
povo está a espera do “messias”, aquele que vai resolver
o problema da saúde, educação, emprego, fome e miséria
do país. Milhões e milhões
são gastos em propaganda
para tentar provar às pessoas
que há uma solução para o
país. As pessoas acreditam e
votam no “redentor” menti-
roso, que retorna quatro anos
depois com a mesma demagogia dizendo ter a solução.
Enquanto isso, aumenta a
fome, a miséria, a prostituição, drogas, doenças, e precariedade no ensino.
O povo não perde a esperança, vota em candidatos
cristãos, “pastores”, pensando que está fazendo uma
boa escolha, mas quando
chegam ao poder, usam a
religiosidade para “abençoar” as propinas. Sei que há
pastores honestos e cristãos
comprometidos com a defesa
da moralidade e justiça do
nosso país, mas creio que
precisamos de uma manifestação mais forte em relação
aos problemas que assolam o
povo. Mais uma vez, o povo
irá votar na esperança de ter
um país mais justo, honesto. Muitos votam querendo
defender a causa da família,
para não ter que ser forçado
a aceitar princípios que firam a moral do homem e da
mulher.
Precisamos de princípios
cristãos no governo do nosso país. A pobreza está aumentando, com isso vem as
frustrações, a fuga, que na
maioria das vezes acontece
nas drogas, que gera tráfico,
dependência, prostituição,
bebida, doenças e assim por
diante, transformando-se em
uma bola de neve.
Para falar a verdade, a culpa é minha, não sei em quem
votei nas eleições passadas,
por isso não tenho o direito
de fazer reivindicações. Tenho que mudar meu modo
de ver a política, não mais
como religião, partido como
coisa sagrada e o candidato
como um messias. Mas sim,
orar para que Deus mova o
coração dos próximos governantes do nosso país para
que saibam tomar decisões
para o bem da nação.
“Se o Senhor não edificar
a casa, em vão trabalham os
que edificam; se o Senhor
não guardar a cidade, em vão
vigia a sentinela” (Sl 127.1).
C
omo fazer uma escolha certa na hora
de votar na pessoa
que governará nosso país? Muitos não têm a
resposta, votam para cumprir um dever. O brasileiro
é obrigado a votar, ou então
perde alguns benefícios. O
descrédito nos candidatos é
tanto, que o programa eleitoral não é visto como boa
coisa, milhares e milhares
de pessoas não estão interessadas nas propostas de
governo, porque na maioria
deles não passa de promessas
e engano.
Os debates não passam
de afrontas entre os
candidatos, deixando mais
confusa a mente daqueles
que procuram fazer uma
leitura daquele que poderá
ser o melhor, embora seja
difícil ter uma certeza de
quem poderia ser o melhor.
o jornal batista – domingo, 28/09/14
ponto de vista
A
15
Pela quantidade de batismos
em um determinado período?
Pela quantidade de atendimentos? Há pessoas que nem
desejam que outros saibam
que está em um processo de
aconselhamento pastoral.
Tive também a notícia de
que um pastor recebeu do
tesoureiro da igreja um maço
de cheques que era para o
pagamento do seu honorário.
O pastor lhe indagou porque
a tesouraria não tinha feito
um cheque da igreja e o respectivo contracheque para o
seu pagamento? O tesoureiro
rapidamente respondeu: “Pastor, o que você pensa que a
igreja é? Você acha que ela
deve perder dinheiro com
a CPMF?” O pastor, meio
aturdido, indagou novamente sobre o que deveria fazer
se um cheque voltasse, e o
tesoureiro prontamente respondeu que ele deveria trazer
o cheque no domingo seguinte, que se o emitente viesse,
poderia substituir o cheque. E
se não viesse? Bom, essa parte
o pastor não perguntou.
Tive também o conhecimento de uma situação em
que o pastor que estava enfermo e faleceu. Cerca de
quinze dias depois os líderes
bateram na porta da casa
pastoral para solicitar à viúva
que desocupasse a casa imediatamente. Pastor é gente e
sua família também.
Eu sei que pode até haver
pastores que não conseguem
realizar um bom trabalho,
mas continuam a ser gente e
necessitam ser tratados pelo
menos como gente. Eu sei que
há pastores autoritários, mas
também são gente. Eu sei que
há pastores cujo sermão nem
sempre tem bom conteúdo.
Tem pastor que é sanguíneo
demais, mas também há coléricos, melancólicos, fleumáticos. Pode até haver pastor
que sofre de alguma neurose.
Todos são gente.
Já se passam 36 anos desde a minha consagração ao
ministério. A maior parte
vivi dividindo tempo entre o
trabalho denominacional e
o eclesiástico; se não estava
pastoreando, estava colaborando com o ministério de
algum colega, em geral na
área de educação. Sei que
há comentários justos sobre
a atitude de alguns pastores,
mas transformar o pastor em
sobremesa do almoço de
todo o domingo, isso já é
demais.
Seja como for o seu pastor, você já orou em favor
dele hoje? Já tentou dialogar
com ele procurando ajudá-lo
como você gostaria de ser
ajudado em uma situação
semelhante? E se ele não dá
chance para isso, você já entregou a situação para Deus
e pediu-lhe para encontrar
o momento e as palavras
certas?
Um dia um jovem seminarista, líder em sua igreja,
apareceu em meu gabinete
na faculdade que dirijo e me
pediu para ouvi-lo e aconselhá-lo, pois estava muito
zangado com seu pastor por
causa de algumas atitudes
que ele estava tendo. Ele
começou a se exaltar tanto
sobre o assunto que em um
determinado momento me
disse que o único caminho
era o pastor sair imediatamente da igreja e deixá-los
em paz. Eu lhe perguntei
de imediato: “O pastor é
casado? Tem filhos? Qual a
idade deles? A casa em que
mora o pastor é da igreja ou
é dele mesmo?”. Ao que ele
me respondeu que ele era
casado, tinha filhos, eram
crianças em idade escolar e
morava na casa pastoral da
igreja. “Quer dizer que você
deseja que o pastor saia da
igreja nos próximos dias?”.
Ele me respondeu que sim.
Eu continuei “Onde ele vai
morar? E a sua esposa? Seus
filhos que já possuem um
relacionamento na escola,
como vão ficar? Eles terão de
parar os estudos de uma hora
para outra?”. O jovem quase
que deu um salto da cadeira
e me disse: “Professor, o que
é isso? Eu não tinha pensado
nestas coisas!”. Eu lhe disse
que o pastor dele até poderia estar errado e até ter sido
inconveniente, mas que ele
era gente também, que sua
esposa era gente e que seus
filhos eram gente e que ne-
cessitavam, pelo menos, ser
tratados como gente e que
eles deveriam buscar um
diálogo com aquele pastor
e trabalhar mais na situação.
Não sei o que aconteceu
depois, mas o espanto daquele jovem me deixou também
espantado, pois, investindo
grande parte do meu tempo na vida denominacional
tenho tido a oportunidade
de me assentar ao lado dos
membros da igreja e ouvi-los mais abertamente e já
vi repetidas vezes a mesma
situação. Se há pastores que
podem até manipular pessoas, há também líderes que até
podem tratar o pastor como
uma peça de descarte, sem
a mínima preocupação dele
como gente.
É certo que um pastor não
pode tratar com autoritarismo, indelicadeza, omissão
ou irresponsabilidade ao rebanho. Mas também a igreja não pode tratar o pastor
como se fosse uma máquina,
como se fosse alguém sem
sentimentos, sem família, que
não tivesse dor e fosse impermeável ao sofrimento. Afinal,
pastor também é gente.
Portanto, deixo o meu recado tanto a pastores como
a líderes e membros em geral
da igreja: o diálogo é sempre
o caminho, se ele não for
possível, a oração e a dependência de Deus são a avenida
para a manutenção saudável
da vida na igreja.
Reconheço que nosso sisteTarcísio Farias Guimarães,
ma político é falho, permite
pastor da Primeira Igreja
Batista em Divinópolis - MG que o poder econômico influencie o processo eleitoral,
s declarações que admite pessoas desprepaacompanham as radas como candidatos a
eleições brasileiras funções importantíssimas
a cada dois anos nos governos, tolera partiestão de volta. Algumas dos políticos inconsistentes.
necessárias, outras dispen- Todavia, ainda é o melhor
sáveis e algumas outras des- caminho que conhecemos
necessárias. Temos ouvido para escolher ocupantes de
mais uma vez que “eleição funções legislativas e execué sempre a mesma coisa” e tivas em nossa nação.
Pior que o processo elei“nada vai mudar mesmo”.
Há quem diga que “todo toral deficiente é o eleitor
político está interessado deficiente, que faz de conta
apenas em seus próprios ga- não ter relação alguma com
nhos” e, por isso, seria bom as eleições. Não conhece
não ter que votar e perder os candidatos, não analisa
bandeiras ideológicas e protempo.
postas de campanha, não
investiga o histórico daqueles que já foram eleitos em
outros momentos. Seu voto é
perdido porque sua vontade
não é fruto de atitude cidadã
responsável.
O voto perdido é praticado por quem vota
somente nos candidatos
que lideram as pesquisas
de intenção de voto, sem
considerar que existem
candidatos liderando pesquisas enquanto respondem processos na justiça,
por envolvimento com
corrupção política. Perde
o voto quem vende-o e,
assim, troca quatro anos
de governo por pequenos
mimos, corrompendo-se e
cometendo crime. O voto
é perdido quando alguém
vota no candidato do patrão, do pastor, do vizinho,
sem conhecer o candidato.
Convido você a agir como
cristão coerente e cidadão
consciente neste momento
delicado da história do Brasil.
As pessoas e os partidos que
serão escolhidos para administrar os estados e a União
influenciarão diretamente
nossas vidas, nossas famílias, nossas empresas, nossas
igrejas. E isso tudo por longos
quatro anos.
Não perca seu voto. Ore
ao Senhor em busca de discernimento para votar de
modo acertado. Conheça
partidos e candidatos, por
meio de suas ideologias e
planos de governo expostos
na TV, no rádio e na internet.
Pesquise o histórico de quem
já foi eleito para algum posto
político. Busque informações
sobre o que os candidatos
pensam da fé cristã e dos
valores que você considera
inegociáveis. Dedique tempo
à reflexão antes de decidir
em quem votar.
Minha oração é para que
você vivencie o conselho da
Palavra de Deus: “Portanto,
quer comais, quer bebais,
ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de
Deus” (I Co 10.31).
o longo da história
foi se formando a
imagem de que um
pastor é alguém sobrenatural, com capacitação
gigantesca, portador de dons
e talentos espetaculares, inquestionável autoridade vinda do alto e elevado nível de
resistência às pressões, asperezas, obstáculos e intempéries da vida e ministério.
Por causa disso, um médico
amigo até me falou que nós
pastores sofremos de “onipotência simbiótica”.
O tempo também foi provando que este imaginário
não era compatível com a natureza de qualquer ser humano – pastor não é como Jesus,
que tinha a natureza humana
e divina -, pois apesar de pastores, somos como qualquer
ser humano na face da terra –
imperfeitos, limitados. Somos
também gente e não máquina
de produção ou de perfeição.
Aliás, até as máquinas falham
e necessitam de ajustes.
Soube uma vez que um
pastor assumiu o ministério
de uma igreja e numa das
primeiras reuniões com a
liderança foi logo avisado
de que os honorários dele
seriam calculados por produtividade. Como medir a
produtividade de um pastor
sério e cumpridor do seu
papel de ovelheiro? Pelo
aumento das receitas? Pelo
controle das despesas? Pela
quantidade de visitas feitas?
A
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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira Fundado em 1901