CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA “PAULA SOUZA” FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA MARCIO RAMOS PEREIRA LOGÍSTICA REVERSA COMO OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO: ESTUDO DE CASO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. LINS/SP 6° SEMESTRE/2012 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA “PAULA SOUZA” FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA MARCIO RAMOS PEREIRA LOGÍSTICA REVERSA COMO OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO: ESTUDO DE CASO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. Trabalho de Conclusão do Curso apresentado á Faculdade de Tecnologia de Lins para obtenção do Titulo de Tecnólogo em Logística. Orientador: Profº Msc Euclides Reame Junior LINS/SP 6°SEMESTRE/2012 Marcio Ramos Pereira LOGÍSTICA REVERSA COMO OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO: ESTUDO DE CASO DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. Trabalho de Conclusão do Curso apresentado á Faculdade de Tecnologia de Lins, como parte dos requisitos necessários para obtenção do Titulo de Tecnólogo em Logística, sob orientação do Profº Msc Euclides Reame Junior Data da aprovação:__/__/___ ____________________________ Prof. Msc Euclides Reame Junior ____________________________ Examinador 1 (Sandro da Silva Pinto) ____________________________ Examinador 2 (Silvio Ribeiro) A Deus, a meus pais Antonio Ramos Pereira e Wilma Maria Pereira, as minhas filhas Kelly, Kelita, Kátia, Karina, pelo companheirismo de todas as horas. AGRADECIMENTOS A Deus, pela capacidade e perseverança De uma forma toda especial, meus pais, Antonio Ramos e Wilma Maria Pereira, que tem demonstrado uma lição de vida e coragem. A minhas filhas, que acreditaram na realização desse trabalho. Ao meu orientador Prof. Euclides Reame Junior, pela sua amizade, dedicação e habilidade que orientou esse trabalho. Aos professores e amigos de Cursos, que juntos vencemos uma nova etapa. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, empresa ao qual trabalho, pela oportunidade concebida pela realização desse trabalho. A todos meus amigos, pela alegria compartilhada. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Eclesiastes: capitulo 3, versículo 1 (Bíblia Sagrada) RESUMO Um grande avanço que a Logística Reversa tem atribuído, é a conscientização da sociedade, governo e empresas a manter um equilíbrio com o meio ambiente, a respeito dos produtos fabricados e como o ciclo de vida do produto possa ter um retorno a sua origem de destino, num processo de pós-venda e pósconsumo, viabilizando todo processo da cadeia logística, numa agregação de valores e competividade no setor. O objetivo geral do trabalho é apresentar ao leitor uma consciência maior sobre o tema em si, sua importância e os benefícios que podem ser oferecidos à comunidade em geral na prática correta da LR. O objetivo específico está descrito no próprio estudo de caso apresentado ao longo do trabalho, ou seja, a aplicabilidade prática do “estado da arte” do tema LR na EBCT dentro da agência LINS. Palavra Chave: logística reversa, distribuição e processo logístico. ABSTRACT A breakthrough that Reverse Logistics is assigned, is the awareness of society, government and businesses to maintain a balance with the environment, about the products manufactured and how the life cycle of the product may have a return to its origin destination in a process of post-sale and post-consumption, enabling the entire supply chain process, an aggregation of values and competitiveness in the sector. The aim of this work is present the reader with a greater awareness about the issue itself, its importance and the benefits that can be offered to the community in general in the correct practice of LR. The specific objective is described in the same case study throughout the paper, the practical applicability of the “ state of the art ’’ theme in LR EBCT LINS within the agency. Keyword: Reverse logistics, distribution and process logistics. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1.1 Representação Esquemática dos processos logísticos diretos e reverso 19 Figura 1.2 Processo da Logística Reversa ................................................................ 20 Figura 4.1 Cronograma da Estrutura Organizacional ................................................ 31 Figura 4.2 Organograma do CDD da cidade de Lins/SP........................................... 33 Figura 4.3 Logística Reserva Simultânea 1 ............................................................... 36 Figura 4.4 Logística Reserva Simultânea 2 ............................................................... 36 Figura 4.5 Etiqueta de Certificado de Postagem ....................................................... 37 Figura 4.6 Logística Reversa em Agência ................................................................. 38 LISTA DE QUADROS Quadro 1....................................................................................................................22 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 4.1 Gráfico de funcionários efetivos na EBCT em nov/2011 ......................... 32 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LR – Logística Reversa EBCT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos CDR-PC – Canais de Distribuição Reversos de bens de pós-consumo CDR-PV – Canais de Distribuição Reversos de bens de pós-venda CDD – Centro de Distribuição Domiciliar SUMÁRIO Introdução ............................................................................................................. 13 1 Compreendendo Logística .......................................................................... 16 1.1 Evolução.............................................................................................................. 16 1.2 Logística Empresarial .......................................................................................... 17 1.3 Logística Reversa ................................................................................................ 18 1.4. Canais de Distribuição Reversos de bens de pós-consumo (CDR-PC) ............. 21 1.5. Canais de Distribuição Reversos de bens de pós-venda (CDR-PV) .................. 22 2 Fatores para Aplicação da Logística reversa ...................................... 24 2.1 Responsabilidades Ambientais ........................................................................... 24 2.2 Ambientes Econômicos ....................................................................................... 25 2.3 Imagem Corporativa ............................................................................................ 26 3 Método ................................................................................................................ 27 3.1 Método da pesquisa ............................................................................................ 27 3.2 Unidade de análise .............................................................................................. 27 3.3 Etapas do trabalho .............................................................................................. 28 3.3.1 Pesquisa Bibliográfica ...................................................................................... 28 3.3.2 Elaboração do roteiro de pesquisa para o estudo de caso............................... 28 3.3.3 Realização do estudo de campo ...................................................................... 28 3.3.4 Compilação e análise dos resultados ............................................................... 29 4 Resultados ........................................................................................................ 30 4.1 Caracterização da empresa ................................................................................ 30 4.2 Estrutura organizacional ...................................................................................... 31 4.3 Descrição dos serviços oferecidos ...................................................................... 33 4.4 A logística reversa na filial própria de Lins .......................................................... 35 4.4.1 Logística Reversa Simultânea .......................................................................... 35 4.4.2 Logística Reversa Domiciliar ............................................................................ 37 4.4.3 Logística Reversa em Agência ......................................................................... 37 4.4.4 Satisfação do Consumidor da LR na Agência de Lins ..................................... 38 Considerações Finais ....................................................................................... 40 Referências Bibliográficas .............................................................................. 41 ANEXOS................................................................................................................. 44 13 INTRODUÇÃO O mundo corporativo transforma-se em competitividade e complexidade e independente do ramo de atividade, as empresas precisam desenvolver estratégias que dêem suporte a uma gestão inovadora e criativa dos negócios. Esse ambiente é formado por clientes que: possuem os mais variados perfis e necessidades; buscam serviços diferenciados e desejam ter suas expectativas atendidas no momento oportuno. Nesse sentido, a logística reversa poderá atuar como uma importante ferramenta competitiva, buscando um nível de serviço que atenda às necessidades dos clientes (LAMBERT et al.,1998). Logística Reversa (LR) é uma área do conhecimento da ciência logística que apresenta importância, legal, econômica, ambiental e de competitividade e está associada às funções de pós-venda e pós-consumo. Ela desenvolve um elo entre empresa e sociedade, tendo como objetivo, a melhoria no fluxo de retorno de mercadorias. Para tanto é preciso estabelecer um conjunto de boas práticas e gerenciamento interno, tanto em corporações privadas com em órgãos públicos. Uma de suas características visa à responsabilidade empresarial com o meio ambiente, a fixação da marca institucional e menos a lucratividade financeira. Porém essa lucratividade está presente na agregação de valor ao consumidor. A partir da década de 1980, o tema “Logística Reversa” passa a ser explorado de forma mais intensa tanto no ambiente acadêmico como nos meios empresarial e público (PEREIRA et al. 2012). A LR pode ser entendida como o processo inverso da logística. Entretanto, o conceito de logística reversa pode variar, em relação aos diferentes segmentos. Por exemplo, empresas distribuidoras podem conceituar a logística reversa como o retorno de mercadorias vendidas, já as indústrias podem conceituar a logística reversa como o retorno de produtos com defeitos (BUXBAUM, 1998). Na concepção de Leite (2003), a LR faz com que um novo cenário seja estruturado por parte das empresas, governo e sociedade, visto que a questão dos impactos ambientais é um fator de extrema importância que pode afetar o equilíbrio ecológico. Desta forma, A LR hoje é prioridade nos negócios, em virtude do seu 14 potencial de incremento simultâneo entre a satisfação do cliente e a rentabilidade de uma empresa (MINAHAN, 1998). Melhor atendimento ao cliente, redução dos custos de operação, maior rentabilidade, elevação do prestígio da marca e imagem da empresa, entre outros fatores, tem sido identificados como benefícios potenciais que podem provir de programas efetivos e bem estruturados de LR (DAUGHERTY et al., 2001). De acordo com Giacobo et al. (2003), a LR precisa ter seu foco direcionado a um melhor serviço ao cliente, além da visão ecológica, ter uma visão comercial, buscando rentabilidade e fortalecendo a posição da empresa no mercado de atuação. Dentro do contexto apresentado, este trabalho de pesquisa, descreve inicialmente uma revisão bibliográfica sobre o tema Logística Reversa e na seqüência enfatiza a operacionalidade do tema na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), destacando as suas características gerais, como solicitar os serviços e suas modalidades, tendo como unidade de análise a agência dos correios da cidade de Lins, localizada na região oeste do estado de São Paulo. A metodologia utilizada para a concretização do mesmo é o Estudo de Caso. A idealização do tema está estruturada na crescente importância que a LR vem apresentando desde o início dos anos 2000, além de, a partir das etapas realizadas das revisões literárias, reforçar o interesse do autor em aprofundar os conhecimentos sobre o mesmo e dessa forma contribuir para a melhoria de sua prática na empresa. Para entender todo o processo da LR dentro da agência Lins foi aplicado um roteiro de pesquisa, tendo como respondente o responsável pela área de distribuição da empresa. Foram feitas entrevistas e consultas às documentações e procedimentos internos. O trabalho apresenta no capítulo 1 uma revisão da literatura, iniciando-se por uma evolução e conceituação sobre a logística empresarial; na sequência aborda a logística reversa e os canais de distribuição reversos. No capítulo 2, apresenta os fatores influenciadores para o fortalecimento de um processo de logística reversa dentro de uma organização. No capítulo 3, discorre-se desenvolvimento desse estudo. sobre a metodologia aplicada para o 15 O capítulo 4 descreve a caracterização da empresa e sua estrutura organizacional; em seguida destaca os serviços oferecidos ao consumidor e finalizase com os resultados do estudo de caso. 16 1 COMPREENDENDO LOGÍSTICA Este capítulo descreve conceituações sobre o universo da logística. Inicia-se por uma evolução, estendendo-se aos principais canais da logística reversa. 1.1. Evolução A logística não é um tema novo do ponto de vista dos pesquisadores no campo da direção de empresas. Contudo, pode ser novo para muitas empresas que começam a ver que se trata de uma das atividades importantes, e às vezes substanciais do negócio, capaz de produzir bons lucros e consideráveis vantagens estratégicas. As origens da logística parecem remontar fundamentalmente ao campo militar. Pode-se perceber com facilidade que uma coordenação deficiente de suprimentos, quer se tratem de homens, petrechos bélicos ou alimentos, pode ter conseqüências nada desejáveis. De fato, há antecedentes: pelo ano de 1670, foi criado no exército francês um posto de marechal geral de logística, com responsabilidade sobre os abastecimentos, os transportes, a escolha dos acampamentos e o ajuste das marchas. Em todos os corpos militares continua existindo a divisão de logística, em alguns casos com importante poder dentro da estrutura. Com o passar dos anos, os fundamentos foram adotados pelas empresas de uma forma geral. Estudiosos começaram a se especializar no assunto e apresentaram seus pontos de vista ou entendimento da aplicação da logística no mundo corporativo. Assim surge uma nova área do conhecimento humano: a logística empresarial. A seção seguinte descreve um referencial teórico sobre o assunto. 17 1.2 Logística Empresarial O conceito de logística dentro do campo acadêmico e empresarial cresceu. São inúmeros os autores que apresentaram seus entendimentos. A seguir são descritos alguns. De acordo com Ballou (1993), a logística empresarial trata toda a movimentação e armazenagem, e facilita o fluxo do ponto de aquisição da matériaprima até o ponto consumo final. Segundo Christopher (1997) preocupa com o suporte da produção, a disponibilização da matéria-prima, a distribuição dos produtos acabados, tendo uma integração mais próxima ao cliente. Lambert (1998), afirmou que quando a empresa busca desenvolver, de maneira eficaz, as atividades logísticas, promove-se a vantagem competitiva, a agregação de valor aos produtos. Novaes (2001) acrescenta que a logística busca, aperfeiçoar as atividades da empresa, de forma a gerar retorno por meio de uma melhoria no nível de serviço a ser oferecido ao cliente, numa questão de competir no mercado, por meio de redução dos custos. Harrison e Hoek (2003) argumenta que a logística é a área de atuação que apresenta grandes desafios às empresas. Na atualidade a logística é o processo de planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadoria, serviços e das informações relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo (BALLOU, 1993). Diante dos conceitos descritos nesta seção, o autor entende que a logística compreende a coordenação da estocagem, do transporte, dos inventários, dos armazéns, das comunicações e do movimento de produtos acabados desde a empresa até o cliente. Dentro da concepção da logística de abastecimento, surge recentemente outro conceito: a Logística Reversa (LR). Na próxima seção, são descritos alguns conceitos sobre LR. 18 1.3 Logística Reversa Para Stock (1998) a LR é definida como uma perspectiva de logística de negócio, no que se refere, ao retorno do produto, redução de custo, reciclagem, reuso, substituição de material, reforma, reparação e remanufatura. Roger e Tibben-Lembke (1999) abordam como um processo de planejamento, execução e controle do fluxo de matérias-primas, do estoque do material em elaboração, dos produtos acabados e da sua informação desde seu início até a adequação às necessidades do cliente, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado. Segundo Roger (1999) as empresas tem se especializado em gerenciamento de fluxos de retorno, experimentando um crescimento na demanda por seus serviços, reconhecendo assim o valor estratégico de terem um sistema de gerenciamento de LR. De acordo com Minahan (1998), a LR tornou-se um assunto prioritário nos negócios das empresas, devido ao seu potencial simultâneo, entre a satisfação do cliente e a rentabilidade da empresa. Segundo Lacerda (2009), a LR proporciona retornos de investimentos para aquelas empresas que estão aderindo ao processo. Leite (2003) aponta que a LR, é o fluxo de materiais de pós-consumo até a sua reintegração ao ciclo produtivo, na forma de um produto, equivalente ou diverso do produto original, ou retorno do bem usado ao mercado. Para Granato (2007), a eficiência econômica da LR aliada, à eficácia social e ambiental, é a base para se atingir desenvolvimento sustentável. Sarian (2003) entende que a adoção da prática da LR pelas empresas é uma questão de sobrevivência no mercado. Na figura 1.1 fica estampado de forma sintética todo o processo da LR. Ela mostra o fluxo da matéria-prima, o controle de estoque e a dinâmica, que a LR, favorece para todo o processo de desenvolvimento da cadeia logística. 19 Figura 1.1 – Representação Esquemática dos Processos Logísticos Direto e Reverso Fonte: Lacerda, 2009 A logística reversa tem uma importância significativa não só para o fluxo, mas também para a agregação de valores ao produto. Segundo Carter e Ellram (1998) a LR é a área da logística empresarial que opera inverso, garantindo o retorno de produtos, materiais e peças a um novo processo de produção, ou a um novo uso. De acordo com Lacerda (2009), o fluxo reverso de produtos também tem sido utilizado como forma de administração de estoques, procurando-se minimizar os custos. A LR contribui para o sucesso das organizações não somente por propiciar aos clientes, serviços padrões de tempo e espaço demandados, mas também por promover suporte ao produto após sua venda ou consumo. Com essa definição, que difere das tradicionais definições dadas aos bens sob o ponto de vista econômico, os produtos fabricados pelo homem apresentam duração de vida útil que se estendem desde alguns dias ou até algumas décadas. Nisso faz que os produtos sejam retornados ao consumidor final ou por algum membro da cadeia de suprimento, como atacadistas ou vendedores diretos. Para Leite (2003) os fluxos logísticos reversos podem ser classificados como de pós-consumo e pós-venda. Pode-se notar que os fluxos reversos de pós-venda, 20 dá o enfoque logístico no cliente e os fatores econômicos envolvidos, ocupam uma preocupação maior dentro das empresas, fazendo que as entregas dos produtos sejam feitas em um menor espaço de tempo possível, nisso faz uma nova forma de consumo, juntamente com uma nova visão de canal de distribuição. Os fluxos reversos de pós-consumo demonstram a vida útil do produto, se pode ser reaproveitada ou descartada. A figura 1.2 ilustra como se processa o produto da sua saída da cadeia de suplemento até consumidor final, e o seu retorno ao ciclo produtivo. Figura 1.2 – Processo da Logística Reversa Fonte: Leite, 2003, p20. 21 1.4 Canais de Distribuição Reversos de bens de pós-consumo (CDR-PC) O canal de distribuição reverso de pós-consumo (CDR-PC) se caracteriza por produtos oriundos de descarte após uso e que pode ser reaproveitado de alguma forma e, em último caso, descartado. Para Leite (2003) com os avanços tecnológicos, barateamento de insumos, lançamento de milhares de novos produtos, obsolescência precoce e o alto custo do reparo ao preço de um bem novo, têm aumentado a quantidade de bens descartáveis. Segundo Leite (2003) a classificação dos bens de utilidade refere-se à duração de sua vida útil, por ser mais adequada, na medida em que a preocupação principal da logística reversa é o equacionamento dos processos e caminhos percorridos por esses bens ou por seus materiais constituintes após o término de sua vida útil. Esses bens ou seus materiais constituintes transformam-se em produtos denominados de pós-consumo e podem ser enviados a destinos finais tradicionais, como a incineração ou retornar ao ciclo produtivo por meio dos canais de reciclagem em uma extensão de sua vida útil. Essas alternativas de retorno ao ciclo produtivo constituem-se na principal preocupação do estudo da logística reversa e dos canais de distribuição reversos de pós-consumo. Para Santos, Bassenesi e Pavoni (2006) além de trazer benefício monetário e resultado positivo à imagem corporativa de uma organização, traz uma responsabilidade social, ambiental e uma possibilidade de sustentabilidade no fornecimento de insumo. A gestão de retorno de produtos é mais do que decidir o que fazer com ele, envolve a captura de informações que permitam entender os motivos do seu retorno e com isto atuar sobre as causas da insatisfação dos clientes contribuindo para reduzir os retornos futuros, alem de que um processo rápido e eficiente para os clientes aumenta a credibilidade. (Kim, 2005, p 64.) No quadro 1, Leite (2003) demonstra o retorno do produto e sua competividade na cadeia reversa de pós-consumo. 22 Quadro 1.- Ganhos de Competitividade do fabricante no retorno de pós-consumo. Fonte: Leite, 2003. p 34. A logística reversa de pós-consumo trata de agregar valor econômico, ecológico e logístico aos produtos de pós-consumo ou seus elementos constituintes, em condições de uso, fim de vida útil e resíduos industriais. . Leite (2003) afirma que o objetivo econômico da LR de pós-consumo se deve às economias relacionadas das matérias-primas secundárias ou provenientes de reciclagem bem como da revalorização dos bens através da reutilização e reprocesso. 1.5 Canais de Distribuição Reversa de pós- venda (CDR-PV) Pode-se afirmar que a logística reversa de pós-venda é uma importante ferramenta com relação ao aumento de competitividade no mercado e uma diferenciação no serviço prestado para a satisfação ao cliente. Este cenário pode ser confirmado em Figueiredo (2002) que argumenta que: “As ações de pós-venda 23 constituem-se em um elemento de fidelização e podem até mesmo vir a se transformar em oportunidades de alavancar novos negócios, através da prestação de outros serviços não restritos à assistência técnica, propiciando o surgimento de uma nova unidade de negócios na organização”. Leite (2003) afirma que a LR no pós-venda pode ser acionada para desenvolver as atividades e processos motivados, pela observação da garantia e qualidade dos produtos. Ainda conforme o mesmo autor, um dos principais canais reversos de pós-venda é o e-commerce, pois devido à falta de contato entre cliente e produto o número de devoluções é relativamente maior. O comércio eletrônico entre empresa e o consumidor final apresenta as mesmas características do comercio de vendas por catálogo. Ambos pertencem ao setor denominado ‘canal direto de vendas’, ou seja, um nível de devoluções por não conformidade às expectativas do consumidor na ordem de 25 a 30% em relação ao total das vendas [...]. (LEITE, 2003, p.10). Empresas que não possuem um fluxo logístico reverso perdem clientes por não possuírem uma solução de devolução e substituição eficiente para lidar com pedidos dos produtos. Esse ambiente proporciona à LR de pós-venda seguir um processo de gerenciamento nas empresas que contribui como uma vantagem competitiva através da diferenciação no atendimento. Isto agrega valor perceptível aos clientes e, em longo prazo, torna-se uma fidelização, garantindo um diferencial competitivo e agregando valor ao determinado setor. Um dos fatos da pós-venda se dá por questões de manutenção de imagem do produto e marca, bem como cumprimentos de contratos ou do Código de Defesa do Consumidor. Torna-se uma necessidade dos produtos retornarem aos fornecedores por razões comerciais, garantias dadas pelos fabricantes, erros no processamento de pedidos. Nisso muitas empresas, por questão de sobrevivência num mundo competitivo, estão se formulando a esse novo método de devolução de produtos. Desta forma é crescente a importância da LR e também dos fatores que influenciam ou exercem “pressão” para a implantação desse conceito. O capítulo 2 apresenta ao leitor, esses fatores influenciadores para a aplicação da LR. 24 2 FATORES PARA APLICAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA Este capítulo oferece um entendimento sobre as aplicações da logística reversa e sua importância para o mundo competitivo. Apresentando ao leitor uma abordagem da responsabilidade ambiental, o seu aspecto econômico e a Imagem corporativa, resgatando conceitos de autores clássicos, para a ampliação do conhecimento na área aplicada. 2.1 Responsabilidades Ambientais Na década de 1960, o problema ambiental era restrito para pequeno grupo de ecologistas, idealistas e visionários que não fazia parte dos problemas concreto da sociedade, sendo que nos dias atuais existe uma legislação ambiental que caminha no sentido de fazer que as empresas, sejam cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos. (Andreoli, 2002, p. 61.) Segundo Leite (2003), como reação aos impactos dos produtos sobre o meio ambiente, a sociedade vem criando leis e novos conceitos sobre como progredir sem comprometer as gerações futuras, minimizando os impactos ambientais. Para Young (1996) as empresas que produzem ou distribuem produtos devem ser responsáveis por limpar o que foi produzido ou distribuído por elas mesmas. O mundo será obrigado a se desenvolver de forma sustentável, ou seja, que preserve o meio ambiente, e as empresas deverão fazer o mesmo, por iniciativa própria ou por exigência legal (SHRIVASTAVA; HART, 1998). [...] um aspecto diz respeito ao aumento da consciência ecológica dos consumidores, que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade ao meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional “ecologicamente correta”. (LACERDA, 2009, p. 2.) Portanto, a LR torna-se sustentável, quando se tem uma percepção de todas as áreas que abrange seus aspectos dentro da empresa e da sociedade. Segundo 25 Barbieri e Dias (2002) ela pode ser vista como mecanismo na cadeia produtiva de diversos setores econômicos, pelo fato de reduzir a exploração de recursos naturais na medida em que recupera materiais para serem retornados aos ciclos produtivos. 2.2 Ambientes Econômicos A logística reversa possui outro fator importante que é a redução de custos. De acordo com Ballou (1995), a empresa busca minimizar seus custos para que possa ter lucro maior e ter um retorno maior sobre o investimento. Desta forma a LR pode trazer esse beneficio por meio da recuperação de produtos e redução de custos com o descarte adequado de materiais usados. Para Lacerda (2009) processos de LR podem produzir também retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados. A logística é responsável por uma das maiores parcelas do custo final do produto, sendo superado somente pelo custo dos materiais consumidos na produção e dos custos dos produtos vendidos no atacado ou no varejo (BOWERSOX; CLOSS, 2001). Afirmam que os interesses ambientais e econômicos, na maioria das vezes, estão interligados. Como exemplo, o aumento do custo de disposição dos produtos faz crescer o interesse de redução do lixo, ao mesmo tempo em que a conscientização ambiental do consumidor faz despertar novas áreas de investimento. Desse equilíbrio de interesses nasce à expressão ‘economia sustentável’. (Fleischmann, 1997, p. 17) Tendo esse equilíbrio, a LR proporciona benefícios econômicos para as organizações dentro do sistema logístico, com um avanço no reaproveitamento de materiais. O objetivo econômico da logística reversa de pós-consumo pode ser entendido como a motivação para a obtenção de resultados financeiros por meio de economias obtidas nas operações industriais, principalmente pelo aproveitamento de matérias-primas secundárias, provenientes dos canais reversos de reciclagem, ou de revalorizações mercadológicas nos canais reversos de reuso e de remanufatura. (LEITE, 2003, p. 107). 26 2.3 Imagem Corporativa A imagem de uma empresa é um elemento definitivo que apóia toda gestão de diferencial e posicionamento. É a própria essência que marca como uma empresa quer ser vista pelo público-alvo ao qual se direciona. Nesse cenário, Kotler (2002) afirma que imagem é o modo como o público vê a empresa ou os seus produtos De acordo com Williams e Moffitt (1997), a imagem corporativa pode ser entendida como as opiniões, experiências, conhecimentos e ou comportamentos que um indivíduo ou grupo possui de determinada empresa. A correta preservação da imagem corporativa faz com que as empresas alcancem espaço no ambiente competitivo. Um dos fatores de fortalecimento da imagem corporativa é a busca de relacionamentos e parcerias comerciais duradouros com os clientes. O outro é a responsabilidade sócio-ambiental, ou seja, o conjunto de ações aplicadas pelas empresas no sentido de melhorar a convivência humana e a preservação do meio ambiente. Segundo Sterne (2001) as empresas vêm demonstrando um interesse cada vez maior em melhorar as suas imagens corporativas por intermédio da correta aplicação das ferramentas da LR. De acordo com Leite (2003) a LR pode ser um instrumento estratégico tanto para a redução de custos quanto para o ganho de imagem corporativa, sendo um importante instrumento estratégico na diferenciação dos serviços prestados aos consumidores. 27 3 MÉTODO Este capítulo apresenta o método e os procedimentos utilizados no desenvolvimento do trabalho. 3.1 Método da pesquisa As pesquisas são classificadas quanto às abordagens, as suas tipologias e aos métodos utilizados para a realização e a obtenção dos resultados pretendidos (REAME Jr., 2008). De acordo com Berto e Nakano (1999), um dos métodos mais comuns em pesquisas é o estudo de caso. Ainda segundo esses autores os estudos de casos são análises aprofundadas de um ou mais objetos (casos) e extensas entrevistas não estruturadas com as pessoas envolvidas na situação. Yin (2005) define o estudo de caso como uma investigação empírica de um fenômeno contemporâneo dentro de seus contextos da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Optou-se por realizar a pesquisa por meio de questionário. O mesmo é composto por dez questões, com perguntas direcionadas, com o intuito de conhecer as práticas, os problemas enfrentados e as vantagens que a mesma utiliza. 3.2 Unidade de Análise A unidade de análise pode ser um indivíduo, uma decisão, um programa, pode ser sobre a implantação de um processo e sobre a mudança organizacional, pode ser uma empresa, uma área específica, uma atividade, entidades e outros (YIN, 2005). Neste trabalho a unidade de análise é a filial da EBCT, agência própria, localizada na cidade de Lins-SP. 28 3.3 Etapas do trabalho Este trabalho apresentou as seguintes etapas descritas na sequência: 3.3.1 Pesquisa Bibliográfica Compreendeu pesquisas em livros, dissertações, teses e artigos publicados em revistas especializadas e científicas. Foram efetuadas várias buscas em sites de universidades, de órgãos públicos, de organizações internacionais e entidades de classes. Ao longo do período de execução deste trabalho de pesquisa, observou-se uma carência acentuada no quesito “referências bibliográficas” de obras de autores brasileiros, sendo o principal, Paulo Roberto Leite. Partindo-se deste cenário, buscou-se uma pesquisa bibliográfica mais intensa em artigos publicados em revistas eletrônicas internacionais. Destaca-se nessa busca, a contribuição que o professor orientador realizou, ao fornecer artigos de seu arquivo pessoal para a leitura e realização da revisão bibliográfica. 3.3.2 Elaboração do roteiro de pesquisa para o estudo de caso O roteiro foi confeccionado em forma de um questionário com perguntas do tipo aberta (não estruturadas) e do tipo fechada. 3.3.3 Realização do estudo de campo Agendamento da entrevista, visita às dependências da empresa estudada e reunião com o responsável, gerente da unidade do CDD. 29 3.3.4 Compilação e análise dos resultados Verificação, análise e compilação de todas as anotações feitas no questionário. 30 4. RESULTADOS Este capítulo descreve os resultados da pesquisa de campo. A seção 4.1. faz uma caracterização geral da empresa, a seção 4.2. descreve a estrutura organizacional da empresa estudada, a seção 4.3. descreve os serviços oferecidos, a seção 4.4, descreve todo o processo da logística reversa na filial própria de Lins/SP. 4.1 Caracterização da empresa Os Correios tiveram sua origem no Brasil em 25 de janeiro de 1663. Em 20 de março de 1969, pela Lei nº 509, foi criado a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), como Empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações. A EBCT é a empresa, por excelência, que ao longo do tempo vêm evoluindo e se adaptando de forma permanente às necessidades do mercado e às novas tecnologias do setor das comunicações interpessoais e empresariais de forma a alcançar um desenvolvimento sustentável por meio de um processo contínuo de melhoria e proteção ao bem-estar da população e meio ambiente. O setor postal tem sido revolucionado, sobretudo, pela visão empresarial que passou a imperar nos negócios, pelas novas tecnologias de comunicação, pelos processos de automação e mecanização, pelas internacionalizações dos negócios, pela entrada de operadores privados em todos os eventos da cadeia do negócio postal, pelo desenvolvimento do setor de transporte. E a transparência é a vantagem competitiva que suporta a EBCT como uma das empresas líderes no mercado de encomendas nacional. 31 4.2 Estrutura organizacional A estrutura organizacional dos Correios atente formas de responsabilidades, autoridades, tendo como uma hierarquia, funções e descritivo das áreas e órgãos. É representado pela Administração Central, que compreende o Conselho Fiscal, o Conselho de Administração, a Diretoria Executiva, o Comitê Executivo, os Departamentos, Centros de Serviços e órgãos de mesmo nível, e pela Administração Regional, composta das Diretorias Regionais, conforme destaque a figura 4.1, Cronograma da Estrutura Organizacional. Figura 4.1: Cronograma da Estrutura Organizacional Fonte: Correios, 2012 Tendo um efetivo de 114.593 funcionários, sendo que 58.800 atuam na área de carteiro, 24.992 como atendente comercial, 13.690 na área de operador de transbordo, outros cargos num total de 17.089, conforme demonstra o gráfico 4.1, que a EBCT tem um porcentual de 51% de seu quadro efeito atuando como carteiro, 22% na área de atendimento, 12% no setor de triagem e transbordo, e 15% em outros cargos (efetivo EBCT em nov/2011). 32 Gráfico 4.1 – Gráfico de funcionários efetivos na EBCT em nov/2011 Fonte: o Autor, 2012 A ECT possui a maior rede implantada e em funcionamento no Brasil, são 6 mil pontos de rede interligados em todo o território nacional, atendendo assim as mais de 35 mil estações de atendimentos conectadas à rede. A um sistema on-line que propicio na um amplo controle que transmite as informações gerenciais e rastreamento do fluxo de objetos via intranet ou Internet. Os Correios contam ainda com 87 sistemas de triagem automática, 10 sistemas de movimentação de carga, que juntamente coma sua ampla rede de transporte multimodal permite conectar todos os municípios, todos os dias. O Centro de Distribuição Domiciliar (CDD), na cidade de Lins, localizado na região centro-oeste do Estado de São Paulo, a 429 quilômetros da capital do estado, tendo uma população aproximadamente 73.000, tem na sua unidade 37 funcionários, sendo um gerente, um supervisor, um mensageiro telegráfico, quatro motorista e trinta carteiros, tendo uma média de 9.500 correspondências/dia, conforme apresenta a figura 4.2. 33 Figura 4.2 – Organograma do CDD da cidade de Lins/SP Fonte: o Autor, 2012 4.3 Descrição dos serviços prestados Com o passar dos anos a evolução da EBCT, tem demonstrado com grande êxito a característica de acompanhar as mudanças em novas tecnologias, satisfação ao cliente, alcançando uma credibilidade com a sociedade e mantendo sua imagem corporativa num ambiente competitivo. Fatores esses que demonstra uma distribuição de 35 milhões de objetos/dia, que no decorrer do ano de 2010 uma distribuição de 8,85 bilhões de objetos, tendo 9.987 unidades operacionais (tratamento, distribuição e logística), uma frota de 17.057 (motocicletas, veículos leves e pesados) e 14 linha de rede postal aérea noturna. Com esse avanço a EBCT, tem atribuído aos serviços prestados, em produtos e serviços tais esses têm destacado como: O SEDEX, um serviço lançado em março de 1982, é símbolo de encomenda expressa e sua evolução durante os anos demonstra o sucesso do serviço. No decorrer dos anos vem superando a demanda de mais de 172 milhões de remessas. 34 Disponível ao mercado desde 2000 o e-SEDEX é um serviço dos Correios para remessa expressa de mercadorias de até 30 kg adquiridas por meio do comércio eletrônico da evolução do e-commerce, com preços diferenciados para as lojas online que contratam este serviço. Sedex 10 – criado em 2001 o sedex 10 Lançamento do Serviço de Encomendas Expressas – que veio garantir a entrega do objeto até às 10 horas do dia útil seguinte à postagem, tendo uma ampliação das localidades de entrega do serviço, com alocações de recursos operacionais. PAC - em 2002 Lançamentos do PAC, modalidade de serviço de encomenda econômica não expressa dos Correios. O novo serviço foi criado para atender às empresas que não tinham urgência em suas remessas, mas exigiam economia, segurança, regularidade e confiabilidade. Ampliação desse serviço também para o varejo, pois antes era disponibilizado apenas para clientes com contrato. Em 2002 ECT inovou mais ainda seus serviços, lançou o Banco Postal, com a proposta de levar a milhões de brasileiro excluído do sistema financeiro tradicional, otimizando o serviço postal com atendimento bancário. Em 2006 com a implantação do conceito de LR, foram realizadas ações baseadas nas necessidades dos grandes clientes, como serviços de Logística Reversa Simultânea, Logística Reversa Domiciliar e Logística Reversa em agência. Para a finalização deste trabalho foi realizada uma pesquisa por meio de questionário. Observando que uns dos fatores que a LR tem, como uma prioridade com os meios legais, ambientais, econômicos e imagem corporativa, mas favorece um benefício de uma logística de negócio que a EBCT, alcançou um retorno de rentabilidade através dos canais de distribuição de pós-venda, melhorando a logística dos Correios, buscando eficiência no serviço prestado, além de melhorar sua imagem no mercado, trás para as demais empresas, bem como facilidade e rapidez no processo de devolução de produtos. A EBCT tem aproximadamente 40 mil contratos com empresas de encomendas, e 10 mil utilização o sistema logístico reversa dos Correios, apresentando uma porcentagem de 25% desse serviço prestado. Em relação a faturamento em 2010, faturaram R$ 67 milhões com prestação do serviço de LR em pós-venda, em 2011 um faturamento de R$ 90 milhões, um aumento do faturamento de 34%. 35 A próxima seção deste capítulo descreve como é a operacionalização das modalidades de LR aplicadas dentro da agência própria de LINS bem como um cenário a respeito da satisfação do consumidor em relação ao processo. 4.4 A logística reversa na filial própria de LINS Os Correios tem buscado uma logística sustentável, ou seja, investir em negócios sustentáveis, criando uma necessidade de sobrevivência no futuro, tendo um foco na LR, mas visando as necessidades do cliente e uma oportunidade de negocio. Nisso a EBCT é um importante operador de logística reversa, tendo três modalidades de serviços que oferece ao cliente, são eles: contratos de encomendas (Sedex, e-Sedex e PAC). Como meio de retorno dos produtos em contratos, tem-se como mecanismo a Logística Reversa Simultânea, Logística Reversa Domiciliar e Logística Reversa em Agencia. 4.4.1 Logística Reversa Simultânea Na Logística Reversa Simultânea é feita com a coleta da mercadoria no endereço do consumidor final, o produto chega na unidade de distribuição, e é diferenciado pela etiqueta de logística reversa simultânea na parte frontal da caixa, mediante a identificação é feita a entrega simultânea do produto a ser substituído, para retorno aos depósitos dos respectivos clientes, como demonstrada na figura 4.3 e 4.4 36 Figura 4.3 – Logística Reserva Simultânea 1 Fonte: o Autor, 2012 Figura 4.4 – Logística Reversa Simultânea 2 Fonte: o Autor, 2012 37 4.4.2 Logística Reversa Domiciliar A Logística Reversa Domiciliar que é realizada pelo carteiro mediante a apresentação do certificado de postagem que o cliente solicitou a troca do produto, é feito a coleta da mercadoria no endereço do consumidor final, o produto é embalado pelo cliente e em seguida, chegando à unidade CDD, é colocado a etiqueta de Certificado de Postagem, sem custos adicionais ao cliente final, para retorno aos respectivos centros de origem ou encaminhamento à assistência técnica como demonstra na figura 4.5. Figura 4.5 – Etiqueta de Certificado de Postagem Fonte: o Autor, 2012 4.4.3 Logística Reversa em agência Logística Reversa em agência é um dos processos mais utilizados pelos clientes. Ela pode ser realizada em qualquer agência próxima de sua residência. O próprio consumidor é que faz a postagem do produto mediante a apresentação do 38 código de autorização de postagem, o e-tichet. O cliente detecta um problema no produto e solicita manutenção ou troca, a empresa fornecedora do produto solicita a EBCT a emissão da Autorização de Postagem em agência (e-tichet), via web, com esse código em mãos, o consumidor vai até uma agência dos correios para postar o produto, como demonstra a figura 4.6. Figura 4.6 – Logística Reversa em Agência Fonte: Correios, 2012. 4.4.4 A satisfação do consumidor pela LR na agência A LR dos Correios tem demonstrado uma praticidade e transparência do serviço oferecido ao consumidor, fazendo a sua imagem corporativa um ícone de referência de Qualidade e Eficiência, que busca dentro desse mercado competitivo algo a mais, que satisfaz as necessidades dos clientes, num processo de agilidade na prestação de serviço do retorno do produto ao consumidor final, trazendo um resultado positivo a empresas e fornecedores, referente à imagem de seu produto no mercado como tendo objetivo alvo à satisfação do cliente. O tempo de espera do retorno do seu produto tem como característica dois fatores, o primeiro que a 39 empresa A tem os seus produtos como, material esportivos, tênis e outros acessórios que tem somente a troca do produto, que nesse procedimento o sistema se torna mais rápido, num prazo de reposição de 3 a 5 dias uteis, na empresa B temos produtos diversos como, eletrodomésticos, produtos eletrônicos e outros utensílios que necessita de reparo ou manutenção, que torna esse processo de reposição do produto de 15 a 20 dias uteis, sendo que unidade de distribuição CDD, tem uma media de quatro pedidos/dia de retorno de produtos para o fornecedor. Observando um crescimento favorável que ressalta a vantagem que os Correios apresentam ao consumidor, de possuir maior número de unidades, que torna um elemento principal numa estratégia logística, alcançando um nível desejado de qualidade que atende a necessidade do consumidor. Buscando novos produtos, como a Logística Reversa em pós-consumo, realizado uma pesquisa entre as diretorias regionais, teve um índice de 70 clientes interessado nesse novo segmento, que proporcionará um apoio ao retorno e destinação ambientalmente correta de produtos oriundos e gerando uma rentabilidade sustentável. Entretanto a satisfação do consumidor se deve pelo fato de integração em toda a organização, não somente a Logistica Reversa dos Correios, mas todos os segmentos que atribui um elo de responsabilidade e compromisso com os clientes e a sociedade, tornando-se assim uma credibilidade do seu produto no mercado competitivo. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base na pesquisa efetuada a pratica da logística reversa tem demonstrado com clareza que as alternativas de agregação de valor a esse segmento têm ocupado um destaque potencial, fazendo as empresas, governo ou órgãos institucionais a revisar uma preocupação dentro desse sistema, fortalecendo um posição de desenvolvimento e análise de viabilidade, trazendo uma identificação de oportunidade de negócio como retorno pós-vendas ou em forma de resíduos, rejeitos ou refugos, como retorno pós-consumo. A EBCT tem abraçado essa causa de superação, incorporando a logística reversa em sua cadeia logística de distribuição, criando um ciclo produtivo e de rentabilidade, adaptando como foco o processo de pós-vendas correspondentes ao retorno de bens ao seu destino de origem. Nesse espaço de pesquisa, há uma realidade de ampliação por inovações tecnológicas, para um processo de agilidade e informações precisas de um serviço diferenciadas e surgimento de novos produtos tendo como meta a satisfação do cliente, nisso tem feito uma mudança significativa no perfil dos clientes e nas suas relações com as empresas fornecedoras de produtos e serviços. Este enfoque tem gerado transformações nas bases da concorrência um reflexo direto sobre a gestão das empresas, que buscam serviços diferenciados e que desejam ter suas expectativas alcançadas. A contribuição desse trabalho nota-se que a logística reversa tem trazido uma sustentabilidade econômica, ambiental, e social que traz um impacto entre empresa e sociedade, tendo a sua importância, na melhoria no fluxo de retorno de mercadorias, criando assim uma competividade no setor. Por fim, no que pode ressaltar é a diferenciação, de estar preparado para enfrentar, um mercado competitivo, mas contribuindo com o crescimento e desenvolvimento, de um sistema que engloba um futuro consciente, sabendo que todo o processo é íngreme, mas busca um fulgir rumo ao sucesso de um mercado competitivo. Assim, certamente, este tema fica em aberto e muitas outras pesquisas poderão ser efetuadas nesta área, sob os mais variados enfoques, trazendo conhecimento e desenvolvimento na área acadêmica. 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDREOLI, V. C. Gestão Empresarial. Curitiba: Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, 2002. BARBIERI, J. C.; DIAS, M. 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( ) concordo ( ) não concordo ( ) concordo plenamente 2 - O tempo da solicitação da troca do produto atinge as expectativas dos clientes? ( ) concordo ( ) não concordo ( ) concordo plenamente 3 - Qual a satisfação do consumidor a respeito da logística reversa, na troca do produto? ( ) regular ( ) Bom ( ) excelente 4 - Tem uma média de entrega ou retorno do produto na unidade do CDD? 5 - Existe expectativa de crescimento nesse segmento? 6 - Existe concorrência nesse segmento que pode ser um fator de estratégia de mudança? 7 - O nível de qualidade da logística reversa dos Correios atende as necessidades dos clientes? ( ) concordo ( ) não concordo ( ) concordo plenamente 8 - Nas três modalidades de logística reversa simultânea, domiciliar e em agência, existe estratégia de um novo produto para agregação de valores? 9 - Investimento em tecnologia em logística reversa obterá vantagem competitiva perante os concorrentes? ( ) concordo ( ) não concordo ( )concordo plenamente 45 10 - Como avalia o sucesso da logística reversa dos Correios?